Vous êtes sur la page 1sur 52
Encontro Espírita sobre Mediunidade 23 de junho de 2013 1
Encontro Espírita sobre Mediunidade 23 de junho de 2013 1

Encontro Espírita sobre

Mediunidade

Encontro Espírita sobre Mediunidade 23 de junho de 2013 1

23 de junho de 2013

1

20 o ENCONTRO ESPÍRITA SOBRE

MEDIUNIDADE

Tema Central

“A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Tema 1 – Os ícones da divulgação da Lei de Deus: De Jesus a Denis, um caminho de base sólida.

Tema 2 – A natureza espiritual da Divulgação Doutriná- ria na Casa Espírita.

Tema 3 – Autodivulgação Doutrinária: O aproveitamento pessoal na construção do progresso coletivo.

3

Informações Gerais:

Data: 23 de junho de 2013

Horário: 8h30min às 13h 8h às 8h30min – Chegada e recepção 8h30min às 9h – Abertura 9h às 10h20min – Estudo 10h20min às 11h30min – Período do lanche de acordo com polo/sala 11h30min às 12h50min – Estudo 13h – Encerramento

CENTROS PARTICIPANTES

LOCAL

Data da Realização

Centro Espírita Léon Denis

Bento Ribeiro

23/jun

Centro Espírita Antonio de Aquino

Magalhães Bastos

23/jun

Centro Espírita Irmão Clarêncio

Vila da Penha

23/jun

Centro Espírita Maria de Nazaré

Nilópolis

23/jun

Núcleo Espírita Antonio de Aquino

Bangu

23/jun

Grupo Espírita Fraternidade e Amor

Bangu

6/jul

Centro Espírita Léon Denis

Cabo Frio

28/jul

União Kardecista

Nilópolis

28/jul

Núcleo Espírita Rabi da Galileia

Santa Cruz

28/jul

Núcleo Espírita Léon Denis

Campo Grande

28/jul

Obra Social Balthazar – Casa da Esperança (à tarde, das 14h às 17h)

Nova Sepetiba

28/jul

Centro Espírita Ignácio Bittencourt

Santa Cruz

28/jul

Centro Espírita Bezerra de Menezes

Duque de Caxias

28/jul

Centro Espírita Casa do Caminho

Taquara

28/jul

Grupo de Estudos Espíritas Maria de Nazaré

Madureira

28/jul

Centro Espírita Ismael

Magalhães Bastos

28/jul

Centro Espírita Israel Barcelos

Bento Ribeiro

4/ago

Grupo Espírita Allan Kardec

Nilópolis

17/ago

Fraternidade Oficina do Amor

Nova Iguaçu

25/ago

Centro Espírita Leopoldo Machado

Nilópolis

24/nov

4

  • Indica aprofundamento da ideia.

que

uma

leitura

posterior

deverá

  • Indica uma pausa para reflexão.

ser

feita

para

  • Indica que a mensagem está, na íntegra, em Anexos.

  • Indica que há uma conclusão sobre o Tema em estudo.

5

A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária

Objetivos Geral e Específicos:

Objetivo Geral:

Buscar a conscientização do médium em relação à tarefa da divulgação doutrinária, reavivando a Lei de Deus, esquecida e desprezada junto à humanidade, tendo por base o legado deixado por Jesus e seus continuadores.

Objetivos Específicos:

Perceber a divulgação doutrinária como tarefa mediúnica. Identificar a divulgação doutrinária como um elemento integrante e integrador das tarefas da Casa Espírita. Compreender a necessidade de buscar a fidelidade doutrinária, obede- cendo às diretrizes espirituais superiores e tendo como modelo principal a liderança de Jesus. Refletir sobre a autodivulgação doutrinária como elemento de educação e progresso do espírito imortal, tanto quanto elemento de sustentação da Casa Espírita.

6

Introdução:

Em todos os tempos e em todos os meios, o lamento humano sobe para esse Espírito divino, para essa Alma do Mundo que se honra sob nomes diversos, mas que, sob tantas denominações:

Providência, Grande Arquiteto, Ser Supremo, Pai Celeste, é sempre o Centro, a Lei, a Razão Universal, em que o mundo se conhece, se possui, encontra sua consciência e seu eu. E é assim que acima desse incessante fluxo e refluxo de elementos passageiros e mutáveis, acima dessa variedade, dessa diversidade infinita dos seres e das coisas que constituem o domínio da Natureza e da Vida, o pensamento encontra no Universo esse princípio fixo, imutável, essa Unidade consciente, em que se unem a essência e a substância, fonte primeira de todas as consciências e de todas as formas, visto que consciência e forma, essência e substância, não podem existir uma sem a outra. Elas se unem para constituir essa Unidade Viva, esse Ser absoluto e necessário, fonte de todos os seres, que nós chamamos Deus. (grifo nosso) (Léon Denis. O Grande Enigma – Capítulo I)

Mesmo em civilizações antigas, onde o homem buscava a sobrevivência — a

caça, a pesca —, pôde-se perceber a inquietude diante da Obra. Quem seria o Criador? Qual a razão de tamanha beleza? Por que em algum momento a vida material cessa, se finda? Para onde se vai? Como se vai? Que força regula tudo o

que está em volta? Buscaram-se muitas explicações — mesmo que de forma não intencional. Paralelo a esse processo, identificamos de forma patente, seja nos fenômenos da natureza, seja na figura dos missionários da Providência Divina, a Sua ação junto à humanidade para dar a todos os homens o conhecimento da Lei. É uma força irresistível. Eis que o Criador jamais abandonou sua criação. De forma estruturada, a Lei se fez presente em todos os tempos. Desta maneira, podemos ver que o homem sente a força de Deus, ou melhor, em dado momento, passa a pensar melhor em qual é o verdadeiro sentido da vida; o que o leva a refletir mais ainda em uma Lei que organiza sua vida moral. Passa a raciocinar nos comprometimentos que podem ocorrer quando se exime do que lhe cabe na obra da criação. O compromisso com a evolução e o progresso, agora, passa a ser uma busca consciente.

7

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

O que é a Lei de Deus?

Como conhecê-la?

Como agiram os homens que tiveram a incumbência de nos revelar a Lei de Deus?

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”
20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”
20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”
20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”
20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”
20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

8

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

TEMA 1: Os ícones da divulgação da Lei de Deus: De Jesus a Denis, um caminho de base sólida

Tendo os fariseus tomado conhecimento de que Jesus fizera os saduceus se calarem, reuniram-se, e um deles, que era doutor da lei, veio fazer-lhe esta pergunta, para tentá-lo:

“Mestre, qual é o maior mandamento da lei?”Jesus respondeu:“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito, é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo que é semelhante ao primeiro: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Toda a lei e os profetas estão encerrados nesses dois mandamentos”.

Objetivo Geral:

(Mateus, XXII:34 a 40)

Reconhecer a ideia Doutrinária.

de

Deus

como

a

base sólida para a Divulgação

Objetivos Específicos:

Identificar, na trajetória dos ícones (Jesus, Paulo de Tarso, Allan Kardec e Léon Denis), os elementos e valores morais necessários para divulgar a Lei de Deus com fidelidade.

Identificar o porquê e como divulgar a Lei de Deus, de forma a alcançar o objetivo, ou seja, a busca pelo progresso moral e pela perfeição espiritual.

Pensemos com os Bons Espíritos: eles abrem a porta a esse entendimento, quando respondem a Kardec, em O Livro dos Espíritos:

  • Q. 1 – Que é Deus?

“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”

O que é a Lei de Deus?

  • Q. 614 – O que se deve entender por lei natural?

“A lei natural é a lei de Deus; é a única verdadeira para a felicidade do homem; indica-lhe o que deve fazer ou não fazer e ele só é infeliz porque dela se afasta.” (grifo nosso)

9

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Como conhecer a Lei de Deus?

  • Q. 619 – A todos os homens facultou Deus os meios de conhecerem sua lei?

“Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem e os que se decidem a investigá-la são os que melhor a compreendem. Todos,

entretanto, a compreenderão um dia, porquanto forçoso é que o progresso se efetue.”

O que compreender na Lei de Deus?

Q.

617

As

leis

divinas, que

é

o

que compreendem no

seu âmbito?

Concernem a alguma outra coisa, que não somente ao procedimento moral?

“Todas as leis da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o autor de tudo. O

sábio estuda as leis da matéria, o homem de bem estuda e pratica as da alma.”

  • a) Dado é ao homem aprofundar umas e outras?

“É, mas uma única existência não lhe basta para isso.”

Nota: Efetivamente, o que são alguns anos para adquirir tudo o que constitui o ser perfeito, se apenas se considerar a distância que separa o selvagem do homem civilizado? A existência mais longa possível seria insuficiente e, com mais forte razão o será, quando for abreviada, como acontece a um grande número de homens. Dentre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta: são as leis físicas; o estudo delas pertence ao domínio da Ciência. As outras se referem especialmente ao homem em si mesmo, suas relações com Deus e com seus semelhantes. Elas compreendem as regras da vida do corpo, bem como as da vida da alma: são as leis morais.

Onde ela se encontra?

  • Q. 621 – Onde está escrita a lei de Deus?

“Na consciência.”

  • a) Visto que o homem traz na sua consciência a lei de Deus, que necessidade

havia de lhe ser ela revelada? “Ele a tinha esquecido e desprezado; Deus quis que ela lhe fosse relembrada.” (grifo

nosso)

O que é preciso procurar?

  • Q. 647 – A lei de Deus se acha contida toda no preceito do amor ao próximo,

ensinado por Jesus?

10

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

“Certamente esse preceito encerra todos os deveres dos homens uns para com os outros. Cumpre, porém, se lhes mostre a aplicação que comporta, do contrário deixarão de cumpri-lo, como o fazem presentemente. Demais, a lei natural abrange todas as circunstâncias da vida e esse preceito compreende só uma parte da lei. Aos homens são necessárias regras precisas; os preceitos gerais e muito vagos deixam grande número de portas abertas à interpretação.”

Quem poderia nos revelar?

  • Q. 622 – Deus deu a certos homens a missão de revelar sua lei?

“Sim, certamente; em todos os tempos houve homens que receberam essa missão. São espíritos superiores que encarnam com o objetivo de fazer a

Humanidade progredir.”

  • Q. 624 – Qual o caráter do verdadeiro profeta?

“O verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. Podeis reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos seus atos. Impossível é que Deus se sirva da

boca do mentiroso para ensinar a verdade.” (grifos nossos)

A presença da Lei Divina junto à humanidade: notícias históricas.

Os homens de gênio, os santos, os profetas, os grandes poetas, sábios, artistas, inventores, todos quantos têm dilatado o domínio da alma, são enviados do Céu,

executores dos desígnios de Deus em nosso mundo. Toda a filosofia da História aí se encerra. Haverá espetáculo mais belo que essa ininterrupta cadeia mediúnica que liga os séculos entre si, como as páginas de um grande livro da vida, e integra todos os acontecimentos, mesmo os mais aparentemente contraditórios, no plano harmônico de solene e majestosa unidade? A existência de um homem de gênio é

como um capítulo vivo dessa grandiosa Bíblia. (

...

)

(grifo nosso)

Surgem ao começo os grandes iniciados do mundo antigo, os próceres do pensamento, aqueles que viram o espírito fulgurar nos cimos ou se revelar nos santuários da iniciação sagrada: Orfeu, Hermes, Krishna, Pitágoras, Zoroastro, Platão, Moisés; os grandes profetas hebreus: Isaías, Ezequiel, Daniel.

Virão mais tarde João Batista, o Cristo e toda a plêiade apostólica, o vidente de Patmos, até a explosão mediúnica de Pentecostes, que vai iluminar o mundo segundo a palavra de Joel; e ainda Hipatia, a alexandrina, e Veleda, a druidesa.

(Léon Denis. No Invisível, Cap. XXVI)

11

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Em todos os tempos da Humanidade, em diversos cantos do mundo, existiram — e continua existindo — criaturas que, ao trazerem os ensinamentos morais da vida, não fugiram das ideias e dos ideais superiores no qual se faz o destino dos homens: o caminho da perfeição e, consequentemente, da verdadeira felicidade. A Doutrina Espírita, que recorda os ensinamentos de Jesus, o próprio Jesus, os iniciados, os sábios, os profetas, as religiões antigas — tirados os seus aspectos exteriores e seus rituais — todos esses trouxeram, em suas linhas de raciocínio, a divulgação da Lei de Deus, expressa nas palavras que ensinavam e nas ações que praticavam, trabalhando com fidelidade a Deus. (grifo nosso)

Amparados nessa linha de raciocínio, podemos identificar o dinamismo da Lei de Deus frente aos homens: o sustento, os canais de que essa mesma Lei se utilizou e utiliza para que não fiquemos apartados dela. Há seres que se dedicam imensamente a esse projeto. De nossa parte, cabe conhecê-los, nos aproximar de seus pensamentos, pois assim estaremos desvelando em nossa consciência a própria Lei Divina. São seres dispostos a esse mister em decorrência da consciência de Deus já construída em si mesmos.

Acompanhemos alguns deles:

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” Em

Antes de pensarmos nas contribuições de cada um dos ícones acima, façamos uma pequena reflexão baseada na seguinte questão:

Qual a riqueza e a herança que eles nos deixaram, para que possamos dizer:

“Sou um espírito imortal em evolução, a caminho para o alto e para Deus?”

Se o Espiritismo deve, assim como foi anunciado, conduzir à transformação da Humanidade, isto só poderá se dar pelo melhoramento das massas, que apenas

gradualmente, e pouco a pouco, se verificará pelo aperfeiçoamento dos indivíduos. A bandeira que hasteamos, bem alto, é a do Espiritismo cristão e humanitário, em

(

...

)

12

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

torno da qual estamos felizes de já ver tantos homens se unirem, em todos os pontos do globo, porque compreendem que aí está a âncora de salvação, a salvaguarda da ordem pública, o sinal de uma nova era para a Humanidade.

(O Livro dos Médiuns, Cap. XXIX, item 350, CELD)

Ao aproximarmo-nos do pensamento desses homens, pensamos nos valores que eles desenvolveram diante da Lei de Deus e o que representaram diante do Projeto Divino, diante da Obra que abraçaram, como também na relação que estabe- leceram com o ambiente e o grupo com o qual conviveram.

Que valores morais nós ressaltaríamos na figura desses representantes fiéis da vontade de Deus, vendo o que eles produziram enquanto espíritos encarnados?

.........................................................................................................................................

.........................................................................................................................................

.........................................................................................................................................

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” torno

É preciso que pensemos nessas almas além da concep-

ção de valor como a entendemos, ou seja, ponto de vista humano. Necessário pensarmos em valores do

espírito imortal.

***

(Ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. XVII, item

JESUS: a materialização do

3 — O homem de bem; O Livro dos Espíritos, questões

* * *

112; 575; 918 e 969.)

* * * JESUS: A materialização do Amor nos corações dos homens

No início era o Verbo, e o Verbo estava voltado para Deus, e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por meio dele; e sem ele nada se fez do que foi feito. O Verbo era a verdadeira luz que, vindo ao mundo, ilumina todo homem. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória; glória essa que, Filho único cheio de graça e de verdade, ele tem da parte do Pai.

13

(João, I:1,3, 9 e 14)

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas; eu não vim destruí-los, mas cumpri-los. Porquanto eu vos digo em verdade que o céu e a Terra não passarão sem que se cumpra perfeitamente tudo o que está na lei, até o último iota, o último ponto.

(Mateus, V:17 e 18)

O serviço aos filhos de Deus — o amor sublime.

A Oração do Horto

Pai santo, eis que é chegada a minha hora! (

...

)

Manifestei o teu nome aos

amigos que me deste; eram teus e tu me confiaste, para que recebessem a tua palavra de sabedoria e de amor. Todos eles sabem agora que tudo quanto lhes dei provém de ti! Neste instante supremo, Pai, não rogo pelo mundo, que é obra tua e cuja perfeição se verificará algum dia, porque está nos teus desígnios insondáveis; mas peço-te particularmente por eles, pelos que me confiaste, tendo em vista o esforço a que os obrigará o Evangelho, que ficará no mundo sobre os seus ombros generosos. Eu já não sou da Terra, mas rogo-te que os meus discípulos amados sejam unidos uns aos outros, como eu sou um contigo! Dei-lhes a tua palavra para o trabalho santo da redenção das criaturas; que, pois, eles compreendam que, nessa tarefa grandiosa, o maior testemunho é o do nosso próprio sacrifício pela tua causa, compreendendo que estão neste mundo, sem pertencerem às suas ilusórias convenções, por perten- cerem só a ti, de cujo amor viemos todos para regressar à tua magnanimidade e sabedoria, quando houvermos edificado o bom trabalho e vencido na luta provei- tosa. Que os meus discípulos, Pai, não façam da minha presença pessoal o motivo de sua alegria imediata; que me sintam sinceramente em suas aspirações, a fim de expe- rimentarem o meu júbilo completo em si mesmos. Junto deles, outros trabalhadores do Evangelho despertarão para a tua verdade. O futuro estará cheio desses operá- rios dignos do salário celeste. Será, de algum modo, a posteridade do Evangelho do Reino que se perpetuará na Terra, para glorificar a tua revelação! Protege-os a todos, Pai! Que todos recebam a tua bênção, abrindo seus corações às claridades renovadoras! Pai justo, o mundo ainda não te conheceu; eu, porém, te conheci e lhes fiz conhecer o teu nome e a tua bondade infinita, para que o amor com que me tens amado esteja neles e eu neles esteja! (grifo nosso)

(Espírito Humberto de Campos. Boa Nova. Médium Francisco Cândido Xavier, FEB, 20 a Edição)

14

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Com indiscutível acerto, Jesus é chamado o Divino Mestre. Não porque

... Não porque simplesmente exaltasse a palavra correta e irrepreensível

Não porque fosse o dono da melhor biblioteca do

possuísse uma cátedra de ouro

mundo

...

...

Não porque subisse ao trono da superioridade cultural, ditando obrigações para os

ouvintes

Mas sim porque alçou o próprio coração ao amor fraterno e, ensinando,

...

converteu-se em benfeitor de quantos lhe recolhiam os sublimes ensinamentos.

(grifo nosso)

(Emmanuel. Fonte Viva, lição 116 – Ir e Ensinar)

***

PAULO: A coragem da fé

Tanto sei estar humilhado, como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência, tanto de fartura, como de fome; assim de abundância, como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece. (grifo nosso) (Filipenses, IV:12, 13)

Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram. Como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar e ensinar publicamente e pelas casas, testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo.

E agora eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer. Senão o que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações. Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. E agora, na verdade, sei que todos vós, por quem passei pregando o reino de Deus, não vereis mais o meu rosto. Portanto, no dia de hoje, vos protesto que estou limpo do sangue de todos. Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus. (grifo nosso) (Atos, XX:19-27)

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. (grifo nosso)

15

(Gálatas, II:20 e 21)

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Que fazer para adquirir a compreensão perfeita dos desígnios do Cristo?

Ama! — respondeu Abigail, espontaneamente.

Mas como proceder de modo a enriquecermos na virtude divina? Jesus aconselha o

amor aos próprios inimigos. Entretanto, considerava quão difícil devia ser semelhante realiza-

ção. Penoso testemunhar dedicação sem o real entendimento dos outros. Como fazer para que

a alma alcançasse tão elevada expressão de esforço com Jesus Cristo? Trabalha! —

esclareceu a noiva amada, sorrindo bondosamente. Abigail tinha razão. Era necessário

realizar a obra de aperfeiçoamento interior. Desejava ardentemente fazê-lo. Para isso

insulara-se no deserto, por mais de mil dias consecutivos. (

 

)

Que providências adotar contra

o desânimo destruidor? Espera! — disse ela ainda, num gesto de terna solicitude, como

quem desejava esclarecer que a alma deve estar pronta a atender ao programa divino, em

qualquer circunstância, extreme de caprichos pessoais. (

...

)

Mas

...

os homens? Em toda parte

medrava a confusão nos espíritos. Reconhecia que, de fato, a concordância geral em torno dos

ensinamentos do Mestre Divino representava uma das realizações mais difíceis, no

desdobramento do Evangelho; mas, além disso, as criaturas pareciam igualmente desinte-

ressadas da verdade e da luz. (

...

)

Onde a liberdade do Cristo? Onde as vastas esperanças que

o seu amor trouxera à Humanidade inteira, sem exclusão dos filhos de outras raças?

Concordavam em que se fazia indispensável amar, trabalhar, esperar; entretanto, como agir

no âmbito de forças tão heterogêneas? Como conciliar as grandiosas lições do Evangelho com

a indiferença dos homens? Abigail apertou-lhe as mãos com mais ternura, a indicar as

despedidas, e acentuou docemente: — Perdoa! ...

Guardaria o lema de Abigail para sempre. O amor, o trabalho, a esperança e o

perdão seriam seus companheiros inseparáveis. Cheio de dedicação por todos os seres,

aguardaria as oportunidades que Jesus lhe concedesse, abstendo-se de provocar situações,

e, nesse passo, saberia tolerar a ignorância ou a fraqueza alheias (

...

). (grifo nosso)

(Emmanuel. Paulo e Estevão, 2 a parte – Cap. III – Lutas e Humilhações, FEB – 12 a Edição)

***

KARDEC: O educador de almas e o codificador da Doutrina Espírita

Ensino espírita

Um curso regular de Espiritismo seria ministrado com o objetivo de desenvolver os

princípios da Ciência e de propagar o gosto pelos estudos sérios. Este curso teria a vantagem

de fundar a unidade de princípios, de fazer adeptos esclarecidos, capazes de espalhar as ideias

espíritas, e de desenvolver um grande número de médiuns. Vejo este curso como podendo

exercer uma influência capital sobre o futuro do Espiritismo e sobre suas consequências.

(Obras Póstumas – Projeto 1868 – Ensino Espírita)

16

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Após termos exposto em O Livro dos Espíritos a parte filosófica da ciência

espírita, damos, nesta obra, a parte prática para uso daqueles que querem se ocupar

com manifestações, quer pessoalmente, quer para tomar conhecimento dos fenôme-

nos que poderão ter ocasião de observar. Aí verão os tropeços que podem ser en-

contrados e terão, dessa forma, um meio de evitá-los.

Estas duas obras * , se bem a segunda constitua seguimento da primeira, são,

até certo ponto, independentes uma da outra. Mas a quem quer que deseje tratar

seriamente da matéria, diremos que primeiro leia O Livro dos Espíritos, porque

contém princípios básicos, sem os quais algumas partes deste se tornariam, talvez,

dificilmente compreensíveis. (grifo nosso)

Testemunho de fé e humildade

(O Livro dos Médiuns – Introdução)

Da renúncia ao nome Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804), cientista

consagrado em solo francês, aos 53 anos de idade, renascendo sob o

pseudônimo de Allan Kardec, com a publicação da primeira edição de O Livro

dos Espíritos (1857), ao súbito óbito em 1869, Kardec deu testemunho de fé

sendo fiel à Doutrina Espírita, cuja compilação e divulgação inicial lhe coube

como tarefa precípua. A fidelidade de Kardec ao Cristo emergiu de toda sua

vida de dedicação à causa do progresso e felicidade humana, inquestio-

navelmente, de Yverdun a Paris (ver biografia de Allan Kardec em O que é o

Espiritismo – Edição FEB – e Obras Póstumas – Edição CELD).

Senhor!

que

te

dignaste

a

lançar

os

olhos

sobre

mim

para

cumprimento dos teus desígnios, faça-se a tua vontade! A minha vida está nas

tuas mãos, dispõe do teu servo ...

Reconheço a minha fraqueza diante de tão grande tarefa; a minha boa

vontade não desfalecerá, mas talvez as forças me traiam ...

(Allan Kardec. Obras Póstumas – Segunda Parte: Minha Missão,

*

O Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns.

17

12.6.1856, CELD)

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

*** DENIS: O consolidador da Doutrina Espírita. A renúncia

Trabalho, coragem, esperança! — repetia-lhe Sorella —; eis qual deve ser

tua divisa.

Amigo, é preciso consagrar todos os teus lazeres ao trabalho espírita, ao

estudo; é preciso, principalmente, te habituares a defender e esclarecer nossa

doutrina, não que devas, a partir de hoje, falar dessas coisas a todo instante; não. É

preciso, porém, que sejas corajoso, que te prepares, em silêncio, para a hora solene

que não te deve surpreender, mas te encontrar pronto.

( ) ...

Consagrei esta existência ao serviço de uma grande causa: O Espiritismo ou

Espiritualismo Moderno, que será, certamente, a crença universal, a religião do

futuro.

Consagrei à sua divulgação todas as minhas forças, toda a minha capaci-

dade e todos os recursos de meu espírito e meu coração.

Tenho sido sempre, e poderosamente, sustentado por meus amigos invisí-

veis, por aqueles a quem irei juntar-me, brevemente.

Pela causa do Espiritismo, renunciei a todas as satisfações materiais,

mesmo as da vida familiar e da vida públic a, aos títulos, às honrarias e funções,

vagando pelo mundo, muitas vezes só e triste, porém, no fundo, feliz de assim pagar

minha dívida do passado e de me aproximar dos que me aguardam, no Além, na

Luz Divina. (grifo nosso)

(Léon Denis, O apóstolo do Espiritismo: Sua Vida, sua Obra, de Gaston

Luce, CELD)

Os valores deixados por estes ícones aqui estudados, entre tantos outros, são

os valores morais representados pelas metas estabelecidas por eles mesmos (O Livro

dos Espíritos, questão 258, Escolha das Provas) ao reencarnarem na Terra com o

objetivo de espiritualizar a humanidade; valores esses que foram exemplificados por

todos eles e tomados como ensinamento moral integrante da Lei de Deus, do

Evangelho de Jesus e dos conceitos fundamentais da Doutrina Espírita.

Destacamos: fé, fidelidade, amor ao próximo, renúncia de si mesmo, conheci-

mento, determinação, vontade firme, perseverança, humildade, obediência e resigna-

ção a Deus, entre tantos outros valores que podemos identificar ao conhecermos a

história da vida desses espíritos tão valorosos.

Devemos, ainda, ressaltar que esses ícones exerceram suas tarefas, assessorados

por espíritos de alto valor moral, envolvidos também com o progresso da humanidade,

e que encontraram nesses homens as condições necessárias para se levar adiante tarefas

tão árduas. Foram verdadeiros médiuns, servindo com fidelidade a Deus e a seus

18

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

benfeitores espirituais, em prol da humanidade. E é Kardec que nos lembra: dada a

hierarquia de Jesus na Terra, teria ele sido médium de Deus. (grifo nosso)

Nota: — Havia solicitado para mim uma comunicação sobre um assunto

qualquer, e pedido que ela me fosse enviada ao meu retiro de Sainte-Adresse.

Quero falar-te de Paris, embora a utilidade disso não me pareça demons-

trada, uma vez que minhas vozes íntimas se fazem ouvir em torno de ti, e que teu

cérebro percebe nossas inspirações com uma facilidade com a qual nem tu mesmo

suspeitas. Nossa ação, sobretudo a do Espírito de Verdade, é constante em torno de

ti, e tal que não podes negar.

(Obras Póstumas – 2 a parte – Imitação do Evangelho, CELD)

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” benfeitores

Para saber mais:

ver livros Boa Nova, Paulo e Estevão, Obras

Póstumas, Léon Denis: O Apóstolo do Espiritismo, No Invisível, O

Grande Enigma.

De que forma esses aspectos apresentados acima podem contribuir para nossa

tarefa como médiuns cristãos da Divulgação Espírita?

Quais diretrizes eles seguiram? Conseguimos percebê-las nas ações de

Divulgação da Lei de Deus?

.........................................................................................................................................

.........................................................................................................................................

.........................................................................................................................................

Vamos ao Tema 2?

Nele encontraremos que diretrizes são essas e de que forma elas podem

ajudar o médium — consciente de seu papel frente à Divulgação Espírita — a realizar

melhor o seu trabalho.

19

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

TEMA 2: A natureza espiritual da Divulgação Doutrinária na Casa Espírita

Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que seu senhor faz; mas

vos chamo amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai vos dei a conhecer.

Objetivo Geral:

(João, XV:15)

Entender a importância de manter a fidelidade doutrinária, obedecendo às

diretrizes espirituais superiores e tendo como modelo principal a liderança de Jesus.

Objetivo Específico:

Identificar elementos que possam favorecer ou dificultar a divulgação da

Doutrina Espírita.

Diretriz: Orientação, rumo, guia; linha reguladora do traçado de uma estrada. (Minidicionário Soares Amora da Língua Portuguesa – 17 a Edição – Editora Saraiva)

Agora, após termos refletido juntos sobre o legado e a representatividade de

Jesus diante do Projeto Divino para a Humanidade, somado às contribuições dos

continuadores como Paulo, Kardec e Denis, podemos identificar que, por meio dos

seus valores morais e espirituais, esses ícones trabalharam a conscientização das

almas em relação à Lei de Deus, proporcionando ao espírito humano extrair

diretrizes para sua evolução.

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” TEMA

Por que devemos manter a fidelidade doutrinária?

Onde, de forma clara e organizada, poderemos encontrar essas diretrizes?

A Casa Espírita não é somente um local onde se estuda Kardec, se trabalha com o

Plano Espiritual e se procura praticar a Caridade. A Casa Espírita, sobretudo, é o local onde

o Espírito imortal adquire vida e experiência; é onde todos esses aspectos: Estudo,

Desenvolvimento Mediúnico e Trabalho no Bem são centralizados para o desenvolvimento

desse espírito imortal em seu crescimento, no desenvolvimento das potencialidades latentes,

muitas vezes inertes em seu espírito. (grifo nosso)

(Mensagem psicofônica, Médium Luis C. Dallarosa, pelo espírito Balthazar,

17/11/2010)

20

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Portanto, caros filhos, não nos esqueçamos de que a Casa Espírita é um

ponto onde se reúnem almas e espíritos para se educar diante das Leis Divinas,

diante do Evangelho de Jesus. Com Este à frente, com os corações abertos, com o

sentimento e as percepções mais aguçados diante do sofrimento do próximo,

aquele que deseja e pode ajudar o fará segundo as normas cristãs, assim

estabelecendo um elo com os seus Benfeitores Espirituais e, principalmente, com

Deus.

Não nos esqueçamos de que, acima de tudo, a Casa Espírita, o

Trabalhador Espírita, o Médium Espírita, o Orador Espírita precisarão sempre

estar dentro do trabalho, se direcionando segundo as Leis de Deus e segundo o

Evangelho de Jesus.

A Educação, caros filhos, é o principal elemento com o qual este, que se

propõe a fazer esse trabalho, precisa se dedicar a realizar. (grifo nosso)

(Mensagem de Dr. Hermann, Reunião pública de 29/6/2011, no CELD, RJ/

Psicofonia de Luís Carlos Dallarosa)

Considerando a Casa Espírita organizada como base de estudo da Doutrina

Espírita, é nela que encontramos os princípios básicos vivenciados pelos ícones já

estudados no Tema 1.

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” Portanto,

21

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Vale lembrar aqui que a Doutrina Espírita, em seu aspecto filosófico-moral,

vem mostrar aos homens a observância da Lei de Deus em plena concordância com o

Cristianismo em sua origem; logo, identificamos a estreita e fiel relação com as

máximas trazidas por Jesus.

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” Vale

Para saber mais: ver livros O Evangelho Segundo o Espiritismo cap. I – item 7; Pão Nosso – lição Falsos Discursos.

Relembremos a Doutrina Espírita como o Cristianismo redivivo:

Existência de Deus:

Deus é eterno, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo

e bom. Criou o Universo que compreende todos os seres animados e inanimados,

materiais e imateriais.

(O Livro dos Espíritos – Introdução, item VI)

Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem.

(Lucas, XXIII:34)

Diz-lhe Jesus: “Maria!” Voltando-se, ela lhe diz em hebraico: “Rabbuni!”, que quer

dizer: “Mestre!” Jesus lhe diz: “Não me toques, pois ainda não subi ao Pai. Vai, porém, a

meus irmãos e dize-lhes: ‘Subo a meu Pai e vosso Pai; a meu Deus e vosso Deus’”. Maria

Madalena foi e anunciou aos discípulos: “Vi o Senhor, e as coisas que ele lhe disse”.

(João, XX:16 a 18)

Reencarnação:

Só a reencarnação pode dizer ao homem de onde ele vem, para onde vai, porque

se encontra sobre a Terra, e justificar todas as anormalidades e todas as injustiças

aparentes que a vida apresenta.

Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências, a

maioria das máximas do Evangelho são incompreensíveis; esse é o motivo por que elas

têm recebido interpretações tão contraditórias. Esse princípio é a chave que lhes deve

restituir o seu verdadeiro sentido.

(O Evangelho Segundo o Espiritismo – Capítulo IV, item 17)

Jesus lhe respondeu: “Em verdade, em verdade, digo-te: Ninguém pode ver o

reino de Deus se não nascer de novo”. “— Em verdade, em verdade, digo-te: Se um

homem não renasce da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus.” “— O

que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do espírito é espírito.”

(João, III:3 a 5)

22

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Imortalidade da Alma:

Há no homem três coisas: 1 o ) o corpo ou ser material, análogo aos animais e animado

pelo mesmo princípio vital; 2 o ) a alma ou ser imaterial, espírito encarnado no corpo; 3 o ) o elo

que une a alma e o corpo, princípio intermediário entre a matéria e o espírito.

O homem tem, assim, duas naturezas: por seu corpo, ele participa da natureza dos

animais, dos quais possui os instintos; pela sua alma, ele participa da natureza dos espíritos.

(O Livro dos Espíritos – Introdução, item VI)

O bom ladrão – Um dos malfeitores suspensos à cruz o insultava, dizendo: “Não és tu o

Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós”. Mas o outro, tomando a palavra, o repreendia: “Nem

sequer temes a Deus, estando na condenação? Quanto a nós, é de justiça; pagamos por nossos

atos; mas ele não fez nenhum mal”. E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres no

teu reino”. Ele respondeu: “Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso”.

(Lucas, XXIII:39 a 43)

Disse-lhes Jesus: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E

quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês nisso?”

(João, XI:25 e 26)

Pluralidade dos Mundos:

A casa do Pai é o Universo; as diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito e oferecem aos espíritos encarnados locais apropriados ao seu adiantamento. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. III, item 2)

Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Há muitas

moradas na casa de meu Pai; se assim não fosse, já eu vo-lo teria dito, pois me vou para

vos preparar o lugar. Depois que me tenha ido e que vos houver preparado o lugar,

voltarei e vos retirarei para mim, a fim de que onde eu estiver, também vós aí estejais.

(João, XIV:1 a 3)

Comunicabilidade dos Espíritos:

Os médiuns são os intérpretes dos espírito s; substituem os órgãos materiais que lhes faltam para nos transmitirem suas inst ruções; eis por que são dotados de faculdades para esse fim. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo , Capítulo XIX – item 10)

Nos últimos tempos, diz o Senhor, difundirei do meu espírito sobre toda carne; vossos

filhos e filhas profetizarão; vossos jovens terão visões e vossos velhos, sonhos. Nesses dias,

difundirei do meu espírito sobre os meus servidores e servidoras, e eles profetizarão.

(Atos, II:17 e 18)

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” Imortalidade

Para saber mais: ver O Livro dos Espíritos Introdução, item VI, Pontos marcantes da Doutrina Espírita.

23

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Sendo o médium espírita um divulgador, devemos considerar que ele é um

espírito imortal em processo de evolução (O Livro dos Espíritos, questão 100) e,

neste processo, é fundamental romper com as dificuldades morais oriundas do

orgulho e do egoísmo. Para tanto, é preciso querer conscientemente o Bem. Nos

ícones até agora estudados, encontramos: fidelidade a Deus, certeza do futuro e

amor ao próximo tripé essencial que os mantiveram dentro de suas missões.

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” Sendo

Para saber mais: ver O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 2.

LM, 226-11 a – Quais as condições necessárias para que a palavra dos Espíritos

superiores nos chegue isenta de qualquer alteração?

“Querer o bem; repulsar o egoísmo e o orgulho. Ambos são necessários.”

(grifo nosso)

LM, 228 – Todas as imperfeições morais são outras tantas portas abertas ao

acesso dos maus espíritos. A que, porém, eles exploram com mais habilidade é o orgulho,

porque é a que a criatura menos confessa a si mesma. O orgulho tem perdido muitos

médiuns dotados das mais belas faculdades e que, se não fora essa imperfeição, teriam

podido tornar-se instrumentos notáveis e muito úteis, ao passo que, presas de espíritos

mentirosos, suas faculdades, depois de se haverem pervertido, aniquilaram-se e mais de

um se viu humilhado por amaríssimas decepções.

O orgulho, nos médiuns, traduz-se por sinais inequívocos, a cujo respeito

tanto mais necessário é se insista, quanto constitui uma das causas mais fortes de

suspeição, no tocante à veracidade de suas comunicações.

Resumo dos sinais inequívocos citados neste item de O Livro dos Médiuns:

Confiança cega

Desdém por tudo o que não venha deles

Privilégio da verdade

Amor próprio

Recusa de conselho

Aborrecimento com as observações críticas

Insulamento

Falta de senso crítico

Exagerada importância dada aos grandes nomes

Crédito em suas aptidões

Julgar-se indispensável

24

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

LE, 895 – Postos de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode

equivocar, qual o sinal mais característico da imperfeição?

“O interesse pessoal. Frequentemente, as qualidades morais são como, num objeto de cobre,

a douradura que não resiste à pedra de toque. Pode um homem possuir qualidades reais, que levem o

mundo a considerá-lo homem de bem. Mas essas qualidades, conquanto assinalem um progresso,

nem sempre suportam certas provas e às vezes basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o

fundo fique a descoberto. O verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se

patenteia todos o admiram como se fora um fenômeno.

“O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se

aferrar aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino.

Pelo desinteresse, ao contrário, demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro.”

(grifo nosso)

LE, 629 – Que definição se pode dar da moral?

“A moral é a regra para bem se conduzir, isto é, para a distinção entre o bem e o mal. Ela está

fundamentada na observância da lei de Deus. O homem procede bem quando faz tudo

intencionalmente para o bem de todos, porque, então, cumpre a lei de Deus.”

Reconhecemos, através do estudo, a ideia superior. Aderimos ao trabalho e estamos no

esforço de aplicar o que estudamos em nossas experiências pessoais, de acordo com as nossas

possibilidades (desenvolvimento do senso moral). Realizado esse reconhecimento, é preciso nos

vincularmos às diretrizes espirituais da Casa Espírita da qual fazemos parte.

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” LE,

O ideal será o trabalho em conjunto, isto é, pessoas fortes e pessoas brandas

procurando chegar ao bom trabalho doutrinário, que é o desejo de todos, afinal de contas,

considerando-se os objetivos espirituais da casa — porque o objetivo doutrinário todos já têm,

mas o objetivo específico da casa quem dá são os espíritos. O trabalhador da Casa Espírita

deverá modelar a própria personalidade dentro destes dois grandes padrões a serem seguidos:

o doutrinário-espírita e os objetivos que os guias espirituais da Casa dão. (grifo nosso)

(Antonio de Aquino. Inspirações do Amor Único de Deus – volume 2, lição 16)

ESE, Cap. XVII item 4 — Os bons espíritas — Bem compreendido, mas

sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos (em

referência aos caracteres do Homem de Bem), que caracterizam o verdadeiro

espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro. O Espiritismo

não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a

prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou

vacilam.

25

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Vejamos um exemplo vivo de conscientização cristã:

Apresento-lhes agora nossa irmã Celina, devotada companheira de nosso ministério

espiritual. Já atravessou meio século de existência física, conquistando significativas vitórias

em suas batalhas morais. Viúva há quase vinte anos, dedicou-se aos filhos, com admirável

denodo, varando estradas espinhosas e dias escuros de renunciação. Suportou heroicamente o

assédio de compactas legiões de ignorância e miséria que lhe rodeavam o esposo, com quem

se consorciara em tarefa de sacrifício. Conheceu, de perto, a perseguição de gênios infernais a

que não se rendeu e, lutando, por muitos anos, para atender de modo irrepreensível às

obrigações que o mundo lhe assinalava, acrisolou as faculdades medianímicas, aperfeiçoando-

as nas chamas do sofrimento moral, como se aprimoram as peças de ferro sob a ação do fogo

e da bigorna. Ela não é simples instrumento de fenômenos psíquicos. É abnegada servidora

na construção de valores do espírito. A clarividência e a clariaudiência, a incorporação

sonambúlica e o desdobramento da personalidade são estados em que ingressa, na mesma

espontaneidade com que respira, guardando noção de suas responsabilidades e representando, por

isso, valiosa colaboradora de nossas realizações. Diligente e humilde, encontrou na

plantação do amor fraterno sua maior alegria e, repartindo o tempo entre as obrigações e os

estudos edificantes, transformou-se num acumulador espiritual de energias benéficas,

assimilando elevadas correntes mentais, com o que se faz menos acessível às forças da

sombra.

Realmente, ao lado da irmã sob nossa vista, fruíamos deliciosa sensação de paz e

reconforto. (grifo nosso)

(André Luiz. Nos Domínios da Mediunidade – Francisco Cândido Xavier,

Cap. 3: Equipagem Mediúnica)

Identificamos:

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” Vejamos
  • 1. O local onde podemos fazer a adesão às ideias: a Casa Espírita. Aderimos às ideias devido aos estudos que lá fazemos e da convivência com os espíritos superiores, que dirigem e conduzem os trabalhos.

  • 2. Que precisamos conhecer as ideias contidas no estudo da Doutrina Espírita e nos apropriarmos delas.

  • 3. Que tudo isso posto, podemos e devemos apresentar, então, uma contribuição produtiva no trabalho da Divulgação Doutrinária, onde não poderão faltar: a alegria de servir, a abnegação (ESE, XX, item 5), a humildade (ESE, XXI, item 9) e o desinteresse pessoal (LE, questão 895).

  • 4. Que o rendimento espiritual nas tarefas que abraçamos na Casa Espírita guarda relação com a tomada de consciência de dois grandes objetivos: o doutrinário-espírita e os objetivos da própria Casa.

26

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

TEMA 3: Autodivulgação Doutrinária: O aproveitamento pessoal na construção

do progresso coletivo

Por que vocês me chamam “Senhor, Senhor” e não fazem o que eu digo? Eu

mostrarei com quem se compara aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as pratica. É como um homem que, ao construir uma casa, cavou fundo e colocou os alicerces na rocha. Quando veio a inundação, a torrente deu contra aquela casa, mas não a conseguiu abalar, porque estava bem construída. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica é como um homem que construiu uma casa sobre o chão, sem alicerces. No momento em que a torrente deu contra aquela casa, ela caiu, e a sua destruição foi completa.

Objetivo Geral:

(Lucas, VI:46 a 48)

Refletir sobre a autodivulgação doutrinária como elemento de educação e

progresso do espírito imortal e também de sustentação da Casa Espírita.

Objetivo Específico:

Buscar a aproximação com as ideias dos espíritos que reconhecemos a

elevação espiritual e que vivenciaram sua crença.

Identificar e empreender esforços para vivenciarmos a crença que

propagamos, a exemplo dos ícones estudados.

Identificar os recursos proporcionados pelas atividades desenvolvidas na

Casa Espírita, para melhor vivenciá-los.

Vimos, no Tema 1, os valores imperecíveis de Jesus e seus continuadores na

realização de suas missões; refletimos muito de perto sobre os aspectos que os levaram

ao exercício de propagação da Boa-Nova com tamanha fidelidade. No Tema 2,

iniciamos a compreensão das diretrizes que os espíritos ditaram para a divulgação do

Espiritismo, ponto fundamental para que a Doutrina Espírita mantenha seu papel de

conhecimento libertador de almas. Do início de nosso estudo até agora, buscamos a

origem do Projeto Divino para a Terra, mas, para que nos tornemos instrumentos úteis e

partícipes desse processo — Divulgação Doutrinária — cabe a seguinte compreensão:

Autodivulgação Doutrinária é aproveitamento pessoal.

Auto, prefixo grego que significa em si próprio, ou seja, estudaremos, neste

tema, a divulgação doutrinária em nós mesmos, traduzindo em nosso comportamento

o quanto já somos capazes de exemplificar os conceitos cristãos que divulgamos em

nosso dia a dia.

27

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

A espiritualidade apresenta aos médiuns os pontos doutrinários necessários para

sua autoeducação, principalmente por meio de O Evangelho Segundo o Espiritismo, O

Livro dos Espíritos e O Livro dos Médiuns. Esse é o roteiro seguro para o progresso do

espírito imortal, vivenciando em sua trajetória as marcas do Cristo.

Com o Espírito Vinícius, em O Mestre na Educação, refletimos sobre a

capacidade que todo espírito imortal possui de se transformar. A Doutrina Espírita,

em seu aspecto educativo-moral, toca diretamente no atendimento a esse ponto. Um

questionamento que não se deve esquecer é exatamente o sentido de aplicabilidade

que estamos dando aos postulados espíritas em nossas vidas. É como estamos nos

educando e autodivulgando o resultado desse processo vivo e atuante em cada um de

nós. Não há neutralidade!

O papel que cabe ao mestre é educar. Entendemos por educação o desenvol-

vimento dos poderes psíquicos ou anímicos que todos possuímos em estado latente,

como herança havida daquele de quem todos nós procedemos.

Quando o homem nota e percebe em si mesmo, no seu interior, o influxo da

força renovadora da evolução, começa a colaborar conscientemente com Deus na

formação da sua própria individualidade. (grifo nosso)

(Vinícius. O Mestre na Educação – lição 2)

Por isso, a Espiritualidade Superior está sempre pronta a nos auxiliar.

Há médiuns a quem são dadas, espontaneamente e quase constantemente,

comunicações sobre o mesmo assunto, sobre certas questões morais, por exemplo,

sobre determinados defeitos; terá isto um objetivo?

Sim, e este objetivo é o de esclarecê-los sobre um assunto frequentemente

repetido ou de corrigi-los de certos defeitos; é por isso que a um falarão,

incessantemente, do orgulho, a um outro, da caridade; é que só a saciedade pode

abrir-lhes, afinal, os olhos. Não há médium que faça mau uso de sua faculdade, por

ambição ou interesse, ou comprometendo-a por um defeito capital, como o orgulho, o

egoísmo, a leviandade, etc., que não receba, de tempos em tempos, algumas adver-

tências da parte dos espíritos; o mal é que, a maior parte do tempo, eles não as

tomam para si mesmos. (grifo nosso)

(O Livro dos Médiuns, cap. XX – item 226 – 4 a )

28

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Com Léon Denis vemos que o médium precisa conscientizar-se de seu papel.

É preciso que, ao menos, o médium, compenetrado da utilidade e grandeza de sua função, se

aplique a aumentar seus conhecimentos e procure espiritualizar-se o mais possível, que se reserve

horas de recolhimento e tente então, pela visão interior, alçar-se até as coisas divinas, à eterna e

perfeita beleza. Quanto mais desenvolvidos forem nele o saber, a inteligência, a moralidade, mais

apto se tornará para servir de intermediário às grandes almas do Espaço. (grifo nosso)

(Léon Denis. No Invisível – Capítulo V: Educação e função dos médiuns)

Como fazer?

É bom viver em contato pelo pensamento com os escritores de gênio, com os

autores verdadeiramente grandes de todos os tempos e países, lendo, meditando suas

obras, impregnando todo o nosso ser da substância de sua alma. As radiações de seus

pensamentos despertarão em nós efeitos semelhantes e produzirão, com o tempo,

modificações de nosso caráter pela própria natureza das impressões sentidas. (grifo nosso)

(Léon Denis. O Problema do Ser e do Destino – Capítulo XXIV: A disciplina

do pensamento e a reforma do caráter, CELD)

Como resultado ...

O trabalho do médium é aquele que se revela no esforço diário em sintonizar

com os Planos Superiores da vida, embora ele esteja lidando em um mundo inferior. É a

superação de suas inferioridades e a vitória sobre suas más tendências. Procurai traçar

o vosso perfil: Como sou? O que fazer para ser o que desejo ser? (grifo nosso)

(Aurélio. Aos médiuns com carinho – lição 8)

Cabe agora refletirmos:

  • 1. Como cheguei à Casa Espírita e como estou hoje, após sofrer a ação da

Divulgação Doutrinária em mim mesmo?

  • 2. Estou solidificando as bases doutrinárias do Espiritismo e renovando

equivocadas concepções?

  • 3. Minhas atitudes colaboram para a fixação do Reino de Deus em mim e

naqueles que jornadeiam a vida comigo?

  • 4. De que forma tenho extraído do exercício mediúnico aprendizado para

minha evolução espiritual?

  • 5. Que influências estou exercendo em mim e em torno de mim como médium

da Casa Espírita a qual estou vinculado?

  • 6. O que tenho feito das revelações espirituais direcionadas a mim?

  • 7. Como testemunho a Doutrina Espírita diante da dor que me visita?

  • 8. Como posso ajudar na sustentação do Projeto Divino?

  • 9. Reconheço-me um semeador das Verdades Espíritas?

10. Tenho apropriado-me da fonte inesgotável do oásis* que é a Casa Espírita?

29

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

* Lembremos a definição de Oásis dada pelo plano espiritual: Como que um

oásis no meio do deserto (

...

),

ele poderá vir a receber um pouco de paz, de

tranquilidade. É assim que experimentam os médiuns, quando em trabalhos

mediúnicos e quando sintonizados com seus guias espirituais: eles conseguem

desenvolver as suas tarefas e, em contrapartida, sentem-se muito mais aliviados,

muito mais fortalecidos e renovados, porque estão vendo fluir as suas energias e, ao

mesmo tempo, receber novas energias para a sustentação das lutas que estão

vivenciando do ponto de vista terreno. (grifo nosso)

(Dr. Hermann – Avaliação 18 o EEMED)

Qual o resultado possível da autodivulgação doutrinária na ambiência da

Casa Espírita?

(

)

Você vê que tudo isso é um processo crescente, que precisa de uma

engrenagem firme desses trabalhadores que formam o foco constante de

entendimento, de renovação, de fluidos, de energias, de trabalho dentro da Casa. É

nisto que precisa a Casa estar bem firme e forte. E fazer com que os médiuns

estejam alinhados, renovados e trabalhando em conjunto, para que esses serviços

administrativos, assistenciais, doutrinários, estejam sendo desenvolvidos dentro de

uma segurança, dentro de um amparo preciso da Casa. Para isso você precisa

manter esse grupo bem coeso, bem consciente.

Então, vejam que educar o médium e torná-lo consciente da necessidade de

que a sua atitude (demonstrada) irá repercutir não só nele, mas nele e na Casa

toda; ele não estará trabalhando de maneira consciente. Entendeu como tudo isso é

uma engrenagem que precisa ser sempre bem conscientizada, bem trabalhada,

educada, do ponto de vista mediúnico, para que todos participem e se

responsabilizem pelas suas atitudes? (

...

)

Então, é responsabilidade de cada um

diante de toda a Casa. Isto que é o chamamento principal, para que todos entendam

que cada criatura, cada trabalhador, cada médium é um pilar importante na

sustentação dessa Casa, e para que ela continue a existir. (grifo nosso)

(Dr. Hermann – Avaliação 18 o EEMED)

O médium precisa entender que ele é o elemento integrante e integrador

das atividades da Casa Espírita através de seu comportamento, pensamentos e

sentimentos.

20 Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária” *

30

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Quando adentraste a Casa Espírita, trazias o coração repleto de vivo entusiasmo.

A descoberta de outros ângulos da vida, a compreensão das dores redentoras, a

palavra dos Amigos Espirituais e o apoio firme dos que te haviam precedido na senda da

renovação te davam esperanças de que, um dia, dentro do tempo, também realizarias grandes

obras de benemerência, palestras esclarecedoras, ou, quem sabe, através de abençoada

mediunidade, virias a curar, orientar ou consolar os que de ti se aproximassem?

A senda, portanto, era uma senda iluminada pelo sol da Verdade, convidando-te

a percorrê-la.

Aceitando o convite que se revelava como apelo do Mundo Superior,

iniciaste a longa caminhada. (grifo nosso)

(Icléia. Aos médiuns com carinho – lição 14)

Com Jesus, com generosos guias espirituais, todos que fazem parte desse

imenso exército de espíritos espíritas, sejam encarnados ou desencarnados, todos se

transformarão em fontes de luz. Ah! Meus irmãos, é preciso que saibamos o próprio

papel na vida: o que representamos para os outros, o que mostramos a alguém

quando agimos. (

...

)

Busquemos, com a Doutrina Espírita e com Jesus, sentido

dentro de nosso ser, após cada estudo, após cada leitura, após cada momento.

Façamos um pouco de meditação do que significa aquilo para nós e, se formos

capazes de absorver todo o resultado daquele trabalho, seremos capazes de,

paulatinamente, ir nos transformando. (grifo nosso)

(Antonio de Aquino. Inspirações do amor único de Deus – lição 1)

Reconhece se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos

esforços que faz para dominar as suas más inclinações. Enquanto um se satisfaz no

seu horizonte limitado, o outro, que compreende alguma coisa de melhor, se esforça

para libertar-se dele, e sempre o consegue quando tem a vontade firme.

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, XVII, item 4)

Não basta crer e saber, é necessário viver nossa crença , isto é, fazer

penetrar na prática diária da vida os princípios superiores que adotamos; é

necessário habituarmo-nos a comungar pelo pensamento e pelo coração com os

espíritos eminentes que foram os reveladores, com todas as almas de escol que

serviram de guias à humanidade, viver com eles numa intimidade cotidiana,

inspirarmo-nos em suas vistas e sentir sua influência pela percepção íntima que

nossas relações com o mundo invisível desenvolvem. (grifo nosso)

(Léon Denis. O Problema do Ser e do Destino , A disciplina do pensamento e

reforma do caráter)

31

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Anexos:

Regras básicas para os Encontros Espíritas no CELD

O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá.

(Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, Introdução VIII, 1 o §)

Saibamos escolher bons livros e habituemo-nos a viver no meio deles, em

relação constante com os espíritos de escol.

(Léon Denis. Depois da Morte, cap. LIII)

Meus irmãos, que Jesus Cristo nos ajude, agora e sempre, para o trabalho

do bem e da paz!

Ditaremos, a seguir, algumas regras para os encontros espíritas efetuados

nesta casa. Consideramos que elas se aplicam a todos aqueles que sinceramente

desejam caminhar dentro de um serviço que progressivamente se transformará em

um serviço de divulgação doutrinária de alto valor.

Sempre estudar os temas, quer sejam encontristas, dinamizadores, moni-

tores ou coordenadores de tarefas. O estudo apropriado do tema dará a cada um

condições de expandir o conhecimento que se deseja, de modo adequado e pro-

fícuo.

Compreender a dificuldade de aprendizado e assimilação das ideias de

todos aqueles que estão na tarefa do bem. Homem algum consegue apreender

todas as coisas e ter todos os conhecimentos. O crescimento espiritual é

individual.

Fazer com que as palavras que expressem o conhecimento signifiquem luz,

em todos os momentos em que forem usadas. Dinamizador algum deve esquecer

que está numa tarefa de luz, e cada palavra, cada expressão de conhecimento deve

estar cheia de luz interior, de modo que as pessoas sintam que o conhecimento

espalhado mostra como anda o coração de quem fala.

Entender que o momento da discussão em grupo é da mais alta relevância

e, por isso, deve-se adotar a circunspeção, embora a alegria interior. Deve-se

adotar o comedimento, embora a satisfação justa pelo que se está fazendo. As

palavras doutrinárias devem conter o justo peso e a justa medida para que elas

sirvam de roteiro, e deve-se buscar sublimar os sentimentos ao falar da Doutrina

Espírita. Doutrina de luz é para difundir a luz. O Espiritismo pede porta-vozes

conhecedores da paz e que tenham conseguido senti-la em espírito.

Continuar sempre! O conhecimento se espalha continuamente. A cultura

espírita não tem fim, e o melhoramento íntimo deve ser buscado continuamente.

O objetivo próprio da Doutrina Espírita deverá estar sempre em nossa

mente quando falarmos sobre ela e a divulgarmos.

32

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Que

o Senhor

Jesus

nos

ajude,

nos

abençoe,

e

que

todos

vocês se

apercebam de que cada encontro é um núcleo de luz e uma possibilidade de

expandir conhecimentos para os que não os têm.

Deus fique com todos!

Psicofonia em 31/3/1993, no CELD, RJ.

(Em Torno de Léon Denis, lição 11 – Editora CELD)

Compromisso do trabalhador do bem

O que vos vimos dar é apenas um encorajamento; é somente para

estimular o vosso zelo e as vossas virtudes ...

(Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIII, item 12, 3 o §)

O exercício da mediunidade encontra dois obstáculos temíveis: o espírito

de lucro e o orgulho.

(Léon Denis. Espíritos e Médiuns, cap. IV)

Pela graça infinita de Deus, paz!

Balthazar, pela graça de Deus.

Meus irmãos,

Na tarefa de dinamização de Encontros não se pode esquecer a necessidade

do autoaprimoramento para se falar corretamente aos encontristas.

Cada um de nós pode falar do que sabe, cada um de nós pode dizer do que

conhece, cada um de nós pode transmitir o que está nos livros; mas falar com

propriedade, o fazem aqueles que, além de conhecer, de saber, de estudar,

praticam todos os conhecimentos adquiridos.

Falando assim, pode parecer a muitos que estamos fazendo uma seleção de

trabalhadores para a causa; mas lembramos a vocês que cada um deve trazer no

próprio sentimento um desejo puro de aprender, de servir, de trabalhar em favor

do próximo.

Os bons espíritos observam os trabalhadores encarnados pelos seus

sentimentos, pelo desejo que possuem de servir adequadamente. Eles estimulam

as pessoas a dar passos na direção do Bem e da construção da Verdade e do Reino

de Deus em si mesmas. Os bons espíritos observam severamente aqueles que

apenas falam, aqueles que apenas aprendem, sem a utilização devida dos recursos

de que dispõem, aqueles que apenas sabem, sem transmitir aos outros o fruto do

aprendizado. Eles os observam severamente, porque estes não trazem em si

nenhum desejo de aprender, de melhorar-se, de transformar-se.

33

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

É por isso que cada um de nós que aqui está trabalhando neste Encontro,

como em qualquer outro, tem um compromisso com o saber, mas tem o principal

compromisso com o transformar a si mesmo.

Assim, meus irmãos, elevando nossas preces a Deus, neste processo de

oração que sempre fazemos, não podemos nos esquecer de acrescentar uma

conversa íntima com Ele, para que tenhamos coragem de nos modificar em nossos

erros.

Tenham coragem, meus irmãos! Tenham consciência disso, dessa necessi-

dade de transformação e, certamente, estarão incluídos entre aqueles que são

dignos de trabalhar no bem!

Que Deus nos ilumine a todos, nos proteja, nos abençoe, agora e sempre!

Graças a Deus!

Psicofonia em 12/3/1996, no CELD, RJ.

(Em Torno de Léon Denis, lição 17 – CELD)

Mandamentos do expositor espírita

1) Estudarás Jesus e Kardec, sempre, aprimorando, também, tua cultura

geral para elucidação de ti mesmo e do mundo, divulgando somente a verdade.

2) Valorizarás as fontes dignas e respeitáveis do Evangelho, do Espiritismo

e da história, evitando os conflitos de ideias, atacar essa ou aquela teologia,

cuidando por te dedicares no aperfeiçoamento da técnica e do conteúdo

doutrinário.

3) Verás, nos semelhantes, almas irmãs que te fazem a caridade ao parti-

ciparem de tuas exposições doutrinárias, dando-te a oportunidade de estudares e

falares, antes, para ti mesmo.

4) Trabalharás ciente de que a vaidade te poderá corromper e que serás

apenas um servidor. Tua conduta deverá ser compatível com aquilo que divul-

gares.

5) Empregarás esforços a fim de que a tua semeadura doutrinária esteja em

plena concordância com o Espiritismo. Confiarás em Deus, nos amigos espiri-

tuais, mas prepararás teus estudos com probidade, evitando os improvisos.

6) Suportarás com equilíbrio as críticas que te buscarem, sem que te abatas

fazendo o possível por melhorar no que for bom e útil.

34

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

7) Agradecerás aos amigos sinceros que te instruírem ou corrigirem,

visando o melhoramento do teu serviço.

8) Orarás pedindo a Deus inspiração superior para que os objetivos junto à

humanidade sejam atingidos, suportando, com paciência cristã, os reveses do

caminho sem desanimar.

9) Servirás, com amor, simplicidade e conteúdo doutrinário espírita

correto, poderosamente incrustado em Kardec, para que o mundo nunca lembre o

teu nome, mas reconheça em ti a voz do Cristo posta em tua boca, a luz do Mestre

reverberando em tuas atitudes.

10) Estarás desiludido, consciente de que muitos homens, embriagados

pela vaidade, hão de laurear-te com a tiara de espinhos e o mundo, no frenesi dos

iludidos, te conduzirá ao Monte da Caveira. Prepara-te e, ante o madeiro, defende

o ideal que divulgaste. Abre, lépido, resoluto e intimorato, teus braços de serviço

na coragem dos que conheceram Jesus e faze do teu último discurso a maior peça

de retórica da tua vida, pois que, na solidão dos teus exemplos, na paz evangélica

que divulgaste, tuas atitudes se converterão em coro de mil vozes a arrastar e

encorajar os filhos de Deus!

Então, no silêncio da tua alma, recolhendo os frutos da tua semeadura,

ouvirás a voz do Mestre a receber-te nos Tabernáculos Eternos: Bem-aventurados

os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus. (Mt 5:9)

Yvonne do Amaral Pereira

(A Pena e o Trovão – Pág. 93)

Espiritismo e Divulgação

O excelente advogado Joaquim Mota, espírita de convicção desde a primeira

mocidade, possuía ideais muito próprios acerca do pensamento religioso.

Extremamente sensível, julgava um erro expor qualquer definição pessoal, em

matéria de fé. “Religião — costumava dizer — é assunto exclusivo de consciência.”

E fechava-se. Na biblioteca franqueada aos amigos, descansavam tomos em percalina

e dourados, reunindo escritores clássicos e modernos, em ciência e literatura.

Conservava, porém, os livros espíritas isolados em velha cômoda do espaçoso quarto

de dormir. Não agia assim, contudo, por maldade. Era, na essência, um homem

sincero e respeitável, conquanto espírita à moda dele, sem a menor preocupação de

militância. Espécie de ilha amena, cercada pelas correntes do comodismo.

35

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Encasquetara na cabeça o ponto de vista de que ninguém devia, a título algum,

falar a outrem de princípios religiosos que abraçasse, e prosseguiu, vida a fora,

repelindo qualquer palpite que o induzisse à renovação.

Era justamente a esse homem que fôramos confortar, dentro da noite. Mota

vinha de perder a companhia de Licínio Fonseca, recentemente desencarnado, o

amigo que lhe partilhara 26 anos de serviço no foro. Ambos amadurecidos na exis-

tência e na profissão, após os 60 anos de idade, eram associados invariáveis de trabalho e

de luta.

Juntos sempre nos atos jurídicos, negócios, interesses, férias e excursões. Sem

o colega ideal, baqueara Mota em terrível angústia. Trancava-se em lágrimas, no

aposento íntimo, ansiando vê-lo em espírito

...

E tanto rogou a concessão, em preces

ocultas, que ali nos achávamos, em comissão de quatro cooperadores, com instruções

para levá-lo ao companheiro. Desligado cautelosamente do corpo, que se acomodara

sob a influência do sono, embora não nos percebesse o apoio direto, foi Joaquim

transportado à presença do amigo que a morte arrebatara. No leito de recuperação do

grande instituto beneficente a que fora recolhido, no Mundo Espiritual, Licínio

chorou de alegria ao revê-lo, e nós, enternecidos, seguimos, frase a frase, o diálogo

empolgante que se articulou, após o júbilo extrovertido das saudações.

— Mota, meu caro Mota — soluçou o desencarnado, com impressionante

inflexão —, a morte é apenas mudança

...

Cuidado, meu amigo! Muito cuidado!

...

Quanto tempo perdi, em razão de minha ignorância espiritual!

...

Saiba você que a

vida continua! ...

— Mas eu sei disso, meu amigo — ajuntou o visitante, no intuito de consolá-

lo —, desde muito cedo entrei no conhecimento da imortalidade da alma. O sepulcro

nada mais é que a passagem de um plano para outro

...

Ninguém morre, ninguém

...

— Ah! você sabe então que o homem na Terra é um espírito habitando

provisoriamente um engenho constituído de carne? Que somos no mundo inquilinos

do corpo? — indagou Licínio, positivamente aterrado.

— Sei, sim ...

— E você já foi informado de que quando nascemos, entre os

homens, conduzimos ao berço as dívidas do passado, com determinadas obrigações a

cumprir?

— De modo perfeito. Muito jovem ainda, aceitei o ensinamento e a lógica da

reencarnação ...

— Mota!

...

Mota!

...

— gritou o outro visivelmente alterado — você já

consegue admitir que nossas esposas e filhos, parentes e amigos, quase sempre são

pessoas que conviveram conosco em outras existências terrestres? Que estamos

enleados a eles, frequentemente, para o resgate de antigos débitos?

— Sim, sim, meu caro, não apenas creio

...

inconteste ...

Sei

que tudo

isso é a verdade

— E você crê nas ligações entre os que voltam para cá e os que ficam? Você

já percebe que uma pessoa na Terra vive e respira com criaturas encarnadas e

36

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

desencarnadas? que podem existir processos de obsessão entre os chamados vivos e

mortos, raiando na loucura e no crime?! ...

— Claramente, sei disso ...

O interlocutor agarrou-lhe a destra e continuou, espantado:

— Mota! Mota! Ouça!

...

Você está certo de que a vida aqui é a continuação do

que deixamos e fazemos? Já se convenceu de que todos os recursos do plano físico

são empréstimos do Senhor, para que venhamos a fazer todo o bem possível e que

ninguém, depois da morte, consegue fugir de si mesmo? ...

— Sim, sim ...

Nesse instante, porém, Licínio desvairou-se. Passeou pelo recinto o olhar

repentinamente esgazeado, fez instintivo movimento de recuo e bradou:

— Fora daqui, embusteiro, fora daqui! ...

O visitante, dolorosamente surpreendido, tentou apaziguá-lo:

— Licínio, meu amigo, que vem a ser isso? acalme-se, acalme-se

...

Joaquim Mota, seu companheiro do dia a dia ...

— Sou eu,

— Nunca! Embusteiro, mistificador!

...

Se ele conhecesse as realidades que você

confirma, jamais me teria deixado no suplício da ignorância

...

Meu amigo Joaquim Mota é

como eu, enganado nas sombras do mundo

...

Ele foi sempre o meu melhor irmão!

...

Nunca,

nunca permitiria que eu chegasse aqui, mergulhado em trevas!

...

Mota, em pranto, intentava

redarguir, mas interferimos, a fim de sustar o desequilíbrio e, para isso, era preciso afastá-lo

de imediato.

Mais alguns minutos e o advogado reapossou-se do corpo físico. Nada de

insegurança que o impelisse à ideia de sonho ou pesadelo. Guardava a certeza absoluta do

reencontro espiritual. Estremunhado, ergueu-se em lágrimas e, sequioso de ar puro que lhe

refrigerasse o cérebro em fogo, abriu uma das janelas do alto apartamento que lhe con-

figurava o ninho doméstico. Mota contemplou o casario compacto, onde, talvez, naquela

hora, dezenas de pessoas estivessem partindo da experiência passageira do mundo para as

experiências superiores da Vida Maior e, naquele mesmo instante da madrugada, começou a

pensar, de modo diferente, em torno do Espiritismo e da sua divulgação.

(Cartas e Crônicas – Irmão X)

Fome e ignorância

Reunião pública de 8/2/1960 - Questão n o 32

Atentos ao impositivo do estudo, a fim de que a luz do entendimento nos

ensine a caminhar com segurança e a viver proveitosamente, estabeleçamos alguns

confrontos entre a fome e a ignorância — dois dos grandes flagelos da Humanidade.

A fome ameniza o corpo.

37

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

A ignorância obscurece a alma.

A fome atormenta.

A ignorância anestesia.

A fome protesta.

A ignorância ilude.

A fome cria aflições imediatas.

A ignorância cria calamidades remotas.

A fome é crise gritante.

A ignorância é problema enquistado.

*Em todos os lugares, vemos o faminto e o ignorante em atitudes diversas.

O faminto trabalha afanosamente na conquista do pão.

O ignorante é indiferente à posse da luz.

O faminto reconhece a própria carência.

O ignorante não se define.

O faminto aparece.

O ignorante oculta-se.

O faminto anuncia a própria necessidade.

O ignorante engana a si mesmo.

*Qualquer pessoa pode atender à fome.

Raras criaturas, porém, conseguem socorrer a ignorância.

Para sanar a fome, basta estender pão.

Para extinguir a ignorância, é indispensável fazer luz.

Nesse sentido, mentalizemos o Provedor Divino. Todos sabemos que o pão

entregue pelos discípulos a Jesus, a fim de ser multiplicado em favor dos famintos, é,

aproximadamente, o mesmo de hoje que podemos amassar com facilidade; mas a luz

entregue pelo Senhor aos discípulos, para ser multiplicada em favor dos ignorantes, exige

perseverança incansável no serviço do bem aos outros, com espírito de amor puro e

sacrifício integral. Valendo-nos, pois, da conceituação que a fome e a ignorância

nos sugerem, concluímos que, na Doutrina Espírita, não nos bastam aqueles amigos

que nos mostrem médiuns e fenômenos, para dissiparmos a inquietação da fome de ver,

mas, acima de tudo, precisamos dos companheiros valorosos, com atitude e exemplo, que

nos arranquem ao comodismo da ignorância, para ajudar-nos a discernir.

(Emannuel. Seara dos Médiuns, Francisco Cândido Xavier)

Palavras de Fenelon Barbosa

(

...

)

Enquanto vocês arregimentam companheiros e especificam temas, nós, de

nossa parte, buscamos os temas e arregimentamos os cooperadores de nosso plano

de vida, para a diversidade de tarefas do momento e para as futuras.

(Mensagem: Confiante e seguros)

38

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

(

...

)

A mensagem espírita, pelo seu teor de renovação, pelo conforto que

veicula e pela harmonia que institui, não estaria apoiada apenas nos frágeis ombros

daqueles que se encontram às voltas com suas próprias lutas redentoras.

(Mensagem: Palavras de estímulo)

(

...

)

Entretanto, a evangelização da infância e da juventude, nos programas

estabelecidos no Mundo Espiritual, sob o comando das hostes de Jesus, reclama uma

prioridade e uma urgência cada vez mais elaboradas pelos companheiros da terra,

visto que o aprofundamento do conhecimento espírita e a ampliação da sensibilidade

intuitiva permitirão que se estabeleça uma só equipe de tarefeiros. Não mais

trabalhadores “de cá” e trabalhadores “de lá”, não apenas “equipe terrena” e “equipe

espiritual”, e sim o “grupo do trabalho de Jesus”.

(Mensagem: Aos evangelizadores espíritas de infância)

(Dossiê Fenelon Barbosa, Lamartine Palhano Júnior)

O Espírita Vaidoso

(

...

)

Estava completamente equivocado. Aqueles irmãos, alguns esclarecidos,

outros portadores de instrução precária, mesmo os considerados analfabetos, se

encontravam em melhores condições do que eu.

Pela dedicação, pelo esforço, pela boa vontade, assimilavam os preceitos

evangélicos e a maioria procurava exemplificá-los (

...

).

Estava completamente

equivocado. O que aprendiam nos postulados das teologias que professavam

procuravam, dentro de seu entendimento e possibilidades, transmitir aos seus irmãos

de ideais.

Exibicionista, empolado como um pavão, cego de presunção, percebi, mais

tarde, que eu repetia como um papagaio, com empáfia, o conhecimento que estava

armazenado em mim.

Ignorei completamente as recomendações dos espíritos nas obras básicas da

Doutrina Espírita: quem tivesse mais conhecimentos deveria auxiliar, com paciência e

benevolência, aqueles que sabiam menos. Aplicar o amor ao próximo sem restrições,

inclusive quando se tratasse de considerar as suas convicções religiosas, lembrando,

sempre, que Deus é o pai comum e cada qual deverá colaborar com sua parcela para a

marcha do progresso.

(

)

Sem análise mais profunda das comunicações psicografadas, sem critério

mais seguro, tachava-as como insignificantes, destituídas de clareza e mesmo de

veracidade.

 

39

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Como ditador brilhante nos conhecimentos, tinha conceito ególatra e, na

manifestação do meu orgulho, não me importava em magoar ou ferir, justificando-me

que estava à procura da verdade.

Observando a minha atitude incoerente e antifraternal, alguns espíritos

estavam à minha espreita: se alguns se divertiam à minha custa, zombeteiros e

brincalhões, outros regozijavam-se com os meus deslizes ao ferir e prejudicar as

pessoas, muitas vezes retirando-lhes a fé e o ânimo para o difícil trabalho no bem.

Aguardavam o momento da minha chegada aos umbrais do mundo espiritual.

Que lástima! Quanto tempo desperdiçado em louvar da vaidade, da presunção

e da prepotência!

Encontrava-me envolvido por espíritos trevosos que se ligaram a mim em

decorrência das imperfeições que eu trazia, não utilizando verdadeiramente o

Espiritismo para diminuí-las.

Petulante, naturalmente, angariava a antipatia das pessoas que contestava

constantemente em choques mais ou menos ostensivos.

Os anos se sucediam e eu continuava a papaguear, repetindo trechos,

pensamentos, palavras brilhantes e até mesmo citando obras científicas, visando a

demonstrar a minha cultura que eu julgava de grande expressão.

Chegado o momento do retorno à pátria espiritual, após o desencarne,

espíritos que se mantiveram ligados comigo, em virtude de sintonia mental, jubilosos

me aguardavam.

Fui transferido, na espiritualidade, para um local compatível com o meu grau

de evolução espiritual.

Na companhia de espíritos de padres católicos, pastores, pregadores de outras

religiões, que também, no plano físico da Terra, haviam aparentado virtudes, que

haviam ostentado a “sabedoria religiosa” sem exemplo, tinha, agora, amplo campo

para as intermináveis discussões sobre a verdade e os princípios teológicos. Ambiente

sombrio de tristeza e depressão.

(

)

Tinha noção da situação em que me encontrava. O pensamento cada vez

mais lúcido, como se nuvens espessas aos poucos se desfizessem, clareando as

minhas ideias, começava a perceber a incoerência entre o meu “saber” e o meu “ser”.

(

)

Preponderante foi o esforço e a proteção de minha querida mãe, não

possuidora de cultura acadêmica, que se encontrava nos planos espirituais superiores.

Comigo, instrutores espirituais traçaram um plano para que eu pudesse iniciar

o desbastamento das arestas da minha personalidade, principalmente os fortes do

orgulho e vaidade.

Iniciei tarefas simples de assistência amorosa a outros espíritos vaidosos e

orgulhosos que se debatiam em polêmicas intermináveis nas regiões umbralinas,

procurando ouvi-los com carinho e amor e não mais tentando vencer a golpes verbais.

40

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Posteriormente, recebi a incumbência de, pela intuição, sensibilizar aqueles

irmãos equivocados como eu que, muitas vezes, perturbaram as pessoas nos centros e

no movimento espírita ...

(Histórias e recados do mundo espiritual, Espíritos Diversos)

Palavras de Divaldo Pereira Franco, em 24/7/2011, no 1 o Encontro sobre

Mediunidade, na FEB/RJ

(

)

Tínhamos uma reunião na qual fazíamos a divulgação da Doutrina, era

uma reunião consoladora e, na parte terminal, aplicávamos passes coletivos.

(

)

Eu fiquei surpreso, porque nunca antes houvera visto. Então, me detive e

consegui identificar a pessoa que estava sendo banhada por essa luminosidade especial.

Fiquei muito emocionado, pois não conhecia profundamente o Espiritismo, nem o conheço

— conheço-o ainda na sua superfície, porque uma doutrina grave como o Espiritismo não

se vadeia em uma única reencarnação. É necessário o trabalho apostolar de muitas

existências. O que os benfeitores sempre dizem é que estamos no começo da Revelação.

Ao terminar a reunião, identifiquei a senhora. Era uma afrodescendente —

naquele tempo podia-se dizer que a pessoa era negra, sem nenhuma ofensa, não havia

mesmo objetivo de subestimar. Então, terminada a reunião, eu lhe dei um sinal, era

uma senhora que frequentava a nossa Casa fazia meses. Aparentava 40 anos,

aproximadamente, e sempre estava modesta e limpamente vestida.

(

...

)

Eu atendi os compromissos estabelecidos e, uma hora e meia depois,

sentei-me ao seu lado, peguei-lhe nas mãos e disse: “Eu vi uma coisa tão linda sobre a

senhora, o que a senhora sentiu hoje em nossa reunião?”

Naquela época, não era muito comum o ar refrigerado — veja o quanto nós

evoluímos em apenas 60 anos. Ela disse: “Ah! Meu irmão, eu senti um friozinho tão

bom, eu fechei os olhos e viajei, eu viajei numa barca toda feita de luz, eu fico até

com vergonha, porque eu não sei se foi um sonho; será que eu dormi?”

Eu disse: “Não, não dormiu, a senhora desprendeu-se, porque realmente um

banho de luz descia sobre a senhora. Então me dei conta de que a senhora pode nos

ajudar muito”.

(

...

)

E ela então me disse; “Como é que poderei?”

Respondi-lhe que gostaria de convidá-la a aplicar passes, porque era uma

senhora de alma tão nobre. Fiquei com vergonha de elogiá-la, porque era a primeira

vez que tínhamos um contato físico, embora ela frequentasse a reunião muitas vezes.

Ela disse: “Mas meu irmão, como é que poderemos fazer?”

Respondi: “A senhora vem aqui aos sábados, à tarde, depois do atendimento

aos doentes, e eu lhe explico. A senhora olha como é que nos aplicamos, vai apren-

dendo e, em breve, a senhora vai fazer parte da pequena equipe dos que aplicam

passes coletivos em nossa reunião”.

41

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

(

...

)

Eu lhe disse: “vou-lhe dar este livro, porque muitas vezes a senhora vai

ver pessoas doentes no bairro e irá gostar de aplicar um passe, mas vou lhe dar um

conselho, nunca vá a sós, porque a senhora sabe, as pessoas são intolerantes, a

senhora é muito modesta, e, se o paciente vier a morrer, vão dizer que foi feitiço” —

“Vão dizer que foi feitiço, foi magia negra, qualquer coisa. A senhora vá com uma

testemunha, nunca receite nada, nem chá. A senhora vai aplicar passe.”

Mas ela estava espichada, cabelo partido ao meio, e então disse:

“Irmão Divaldo, hoje é o segundo dia mais feliz da minha vida.”

Eu disse: “E o primeiro?”

“Foi um dia da revelação. Quando o irmão me falou que uma luz me banhava

e que eu viajei numa barca. Hoje é o segundo.”

E eu perguntei: “Mas por quê?”

“Porque acabo de me diplomar pelo Movimento Brasileiro de Alfabetização

dos Adultos (Mobral).”

Então eu caí em mim, vendo que havia cometido uma gafe; havia-lhe dado O

Evangelho, pedido para ela ler, e ela era analfabeta!

“Mas então, meus parabéns!”

“Pois é, irmão Divaldo, e vou-lhe contar, eu fui a oradora, por que o senhor sabe,

Espírita é de morte!” “Não, é de vida,” “mas fala com os mortos”. “Com os vivos.”

Sorrimos, e ela disse: “É que nós espíritas aprendemos a falar, a doutrinar, se a pessoa tem

uma queda a gente diz assim: não reclame, é de baixo que vai pra cima, tem sempre uma

explicação. E lá no curso eu sempre tinha explicações, o que o irmão falava aqui eu repetia

lá, do meu jeito, aí me convidaram para ser a oradora e eu falei sobre a missão de educar”.

(

...

)

— Eu chego, sento-me com a minha companheira e digo ao doente: abra e

leia, por favor. Quando ele diz que não sabe ler, eu dou à companheira, leia, eu

também não sei ler, então eu vou falar o que o irmão Divaldo contou. Mas eu nunca

me confessei como analfabeta e se passar agora, meu irmão, eu abro em qualquer

lugar e leio suavemente.

(Em nome do amor: A Mediunidade com Jesus – Espírito Bezerra de Menezes

– Divaldo Franco – Primeira parte: A prática mediúnica)

O estudo doutrinário como terapia

Pertenço à equipe de espíritos colaboradores da Casa dos Espíritas, embora

não tivesse tido com ela nenhuma ligação, quando encarnado. Descrevendo minha

história, vocês irão compreender como isso aconteceu.

42

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Residia na cidade de São Paulo, tinha uma família, vivia com minha mulher e

meus filhos. Desfrutava uma situação invejável na empresa em que trabalhava.

Certa manhã, quando ia para o trabalho, percorrendo o mesmo trajeto que

fazia todos os dias, enfrentando o trânsito terrível da cidade grande, eis que, ao

ultrapassar um farol favorável para mim, inesperadamente, um carro surgiu na minha

frente. O motorista cometeu uma infração visível e criminosa, cortando-me a frente,

então ocorreu o impacto inevitável.

Um acidente de grandes proporções.

Dois carros totalmente estraçalhados.

Inconsciente, colocado numa ambulância, fui levado às pressas para um

hospital. Submetido a uma delicada cirurgia, gradativamente, fui retomando a

consciência.

Desconfiava que algo muito grave havia ocorrido comigo

...

nenhuma reação nas minhas pernas.

não sentia

Cautelosos, médico e familiares aguardavam o momento oportuno para

revelar a triste realidade.

Enfim, havia chegado a hora de eu saber as consequências daquele trágico

acidente.

Fui informado de que minhas pernas estavam paralisadas e o diagnóstico era

de que seria impossível eu voltar a andar. Estava condenado a passar o resto da minha

vida em uma cadeira de rodas.

Um misto de tristeza e revolta apoderou-se de mim, lágrimas rolaram pelo

meu rosto, misturada com soluços de dor!

Foi um duro golpe

...

Debalde, tentava me consolar. Desesperado, não entendia

como ainda conseguia concatenar as ideias, em um cérebro que parecia explodir pelo

impacto do sofrimento.

Tudo aconteceu em um relance e a minha vida havia se modificado

radicalmente. A partir de então, eu me tornara um homem totalmente dependente dos

meus familiares ou enfermeiros.

Como eu poderia conviver com minha mulher e meus filhos naquela condição?

Revoltado, pensava: “não tive culpa”. Aquele cidadão imprevidente atraves-

sou o farol com o sinal vermelho

...

Não tinha o direito de fazer isso comigo

...

era um

irresponsável

...

onde se encontrava Deus e a sua justiça?

 

Um turbilhão de indagações, com meus pensamentos atormentados, varria o

meu cérebro. Por mais que eu me esforçasse, não encontrava uma resposta

satisfatória.

Nesse estado de ânimo, enclausurado no meu quarto, cada vez mais taciturno,

recusava receber parentes e amigos, que vinham à minha residência.

Repelia quaisquer manifestações de consolo.

43

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Era grosseiro com minha mulher, dedicada e amorosa; ficava irritado com a

presença dos meus filhos.

Como me sentia amargurado ...

Numa abençoada manhã, minha jovem e delicada filha, entrando em meu

quarto com um livro nas mãos e aproximando-se carinhosamente, perguntou:

— Pai, eu gostaria de ler para você um trecho deste livro, que, acredito, vai ser

muito proveitoso, aceita?

Categoricamente, refutei a sugestão. Não pretendia ler nada, nem que fosse

lida alguma coisa para mim. Se o meu problema era irreversível, em que poderia me

modificar a leitura?

A ternura aliada com a persistência equilibrada surtiu efeito. Aos poucos

acabei cedendo aos apelos carinhosos da filha, que com desvelo tencionava ajudar.

Num determinado momento, permiti que fosse lido um trecho daquela obra.

Aos poucos, fui sentindo uma agradável sensação e a tensão diminuía.

Notava que, dia a dia, fortalecia-me e com o tempo passamos a interpretar e

comentar todo o capítulo.

Logo mais, juntando-se a nós os demais familiares, formamos um grupo de

estudo coeso.

Sentindo-me melhor, saí da reclusão do meu aposento, recebendo com bom

humor as pessoas que chegavam à minha casa.

Conversava com elas, procurando passar-lhes o que eu havia aprendido.

Assim, sucessivamente, outros livros foram estudados.

O livro que eu lera e estudara havia sido emprestado para minha filha por uma

amiga. Ela residia na cidade de São Paulo e era sócia do Clube do Livro Espírita

Terceiro Milênio da Casa dos Espíritas.

Tratava-se do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

Li outros livros que ela recebia desse clube, mas também resolvi adquirir

outros títulos, formando a coleção completa das obras de Allan Kardec, obras

filosóficas e científicas. Com avidez, estudei as obras da codificação kardeciana, as

psicografadas por Francisco Cândido Xavier e, entre elas, com especial carinho, as de

André Luiz.

Conforme adentrava nos estudos, ampliando os meus conhecimentos, sentia

uma vontade enorme de conhecer André Luiz, após o meu desencarne.

Transformado, tendo recebido valiosa preparação, chegou o momento de

retornar à pátria espiritual. Desencarnado, estava consciente do que havia me

acontecido, não mais pertencia ao plano físico.

Em dado momento, uma sensação agradável apoderou-se de meu ser, intensa

luminosidade surgiu repentinamente. Emocionado, vislumbrei o espírito André Luiz à

minha frente.

44

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Sem pronunciar nenhuma palavra, abraçou-me amorosamente. Lágrimas de

gratidão rolaram na minha face.

— Obrigado, meu Deus, pela graça recebida — consegui balbuciar.

Desfez-se a aparição e senti-me feliz em transpor a barreira da morte com o

devido esclarecimento e poderia situar-me numa faixa vibratória isenta de maiores

sofrimentos.

Após o tempo necessário para o devido ajuste no novo plano existencial,

solicitei a bênção do trabalho.

Pelos elos de gratidão e vínculos afetivos, permitiram-me a oportunidade de

trabalho na instituição que me havia possibilitado sair da revolta e da angústia e

penetrar na visão espiritual que me desenvolvera a compreensão, a alegria, a fé e o

desejo de ajudar o meu próximo como me fosse possível.

Por isso, proponho-me, em minha tarefa, inspirar às pessoas que chegam ao

Centro a leitura dos livros espíritas e o estudo doutrinário, inspirando-as diretamente

ou agindo através dos cooperadores da Casa Espírita.

Nessa bendita terapia, lembro-me sempre do Espírito de Verdade: “espíritas,

amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo”.

Augusto

Recebida pela psicofonia na sessão com

Espíritas, em Lins/SP.

os cooperadores da Casa dos

(Histórias e recados do mundo espiritual, Depoimentos e reflexões, Espíritos

Diversos – Cap. VIII)

Tribuno Amargurado

Nas paragens além da morte, tive oportunidade de encontrar-me com conhe-

cido tribuno espírita que, recém-liberto do corpo, não disfarçava o seu abatimento em

face das surpresas decorrentes da desencarnação.

Entre nós, amigos de longa data, seguiu-se interessante diálogo, pedindo-lhes

vênia para aqui nomeá-lo apenas por uma de suas iniciais.

— B. — interroguei, com o propósito de afastá-lo da tristeza em que se

ensimesmava —, qual o motivo do desalento?! Você pregou tanto pelo Brasil afora! ...

— Justamente por isso

...

Falei mais do que fiz

...

— Encaminhou muita gente ao bem ...

— Mas esqueci-me de perseverar no caminho que apontava aos outros.

— Sente falta de alguma coisa?

45

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

— Por incrível que pareça, sinto falta da atenção com que era ouvido

...

Por

vezes, fico horas inteiras escutando o eco dos aplausos que sempre me saudavam ao

término da minhas conferências.

— Você foi muito útil à Doutrina.

— Não fosse pelo meu personalismo, poderia tê-lo sido mais. Defendi pontos

de vista pessoais ...

— Abracei equivocadas teorias doutrinárias ...

— O que faz presentemente?

— Estou reavaliando

...

Preciso encontrar um caminho diferente

...

só pela palavra ninguém encontra Jesus ...

Percebo que

— Por que não continua ensinando a mensagem espírita? Você tem tanta

facilidade!

— Curioso, é provável que agora a boa memória me traísse

...

vazio de amor e anseio repletar a alma de paz ...

Sinto o coração

— Não se recrimine tanto assim

...

considerado um vitorioso.

Perto de muitos confrades, você pode ser

— Não é assim que estou me sentindo

...

Eu também fomentei muitas ilusões

...

Não estou me referindo aos meus possíveis deslizes morais, com os quais a Lei tem

sido muito condescendente; refiro-me à ilusão de ser mais do que sempre fui.

— Mas o tínhamos como um dos mais humildes do nosso meio!

— Humilde por fora, Ramiro

...

deferência com que era tratado ...

No fundo, no fundo, estimava a bajulação, a

— E a mediunidade?

...

Você era possuidor de excelentes recursos!

— Talentos que não aproveitei a contento

...

A rigor, não os coloquei a serviço

dos sofredores. Perdi-me num sem-número de reuniões particulares, nunca me

fixando em centro espírita algum.

— B., mas nessa apatia espiritual ...

— Sei que ela não há de demorar-se comigo

...

Estou pleiteando anônimo

serviço de enfermeiro em um dos inúmeros pavilhões onde são recolhidos os

religiosos que chegam da Terra em estado de frustração ...

— Católicos, protestantes?

— Espíritas, principalmente. A nossa turma lá embaixo anda enfiando os pés

pelas mãos

...

Acreditam-se com a bola toda

...

 

— Privilegiados, não é?

— Um privilégio que não existe, pois, deste outro lado da vida, somos todos

iguais

...

Do lado de cá, não existe religião a, b ou c; existe o mérito espiritual baseado

no esforço de cada um.

— E o conhecimento da Bíblia, de O Livro dos Espíritos? ...

— Ninguém, de fato, conhece o que não vivencia. Aqui têm muito mais valor

alguns bons calos nas mãos do que muitos versículos nos lábios ...

46

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

— Então, você está deixando de ser o que é ...

— Preciso esquecer o que fui; a fim de ser o que preciso ser, não posso ficar

preso às lembranças de mim mesmo.

— E a obra que você deixou?

— Sementes que plantei, nada mais. Se forem boas, com certeza continuarão

produzindo ...

— Caso contrário ...

— Caso contrário, Ramiro, o trator do tempo, em se encarregando de revolver

a terra, deixará a gleba pronta para outras semeaduras.

— Algum recado para os nossos companheiros de ideal?

— Que banquem os espertos; tratem de fazer no bem o que os outros mandam

e não de mandar o que os outros fazem.

— Você não quer escrever a eles?

— Não, obrigado

...

É possível que não me acreditassem. Coitado do médium

que me “recebesse”! Eu acabaria por colocá-lo numa tremenda enrascada! ...

— Sinto que o nosso diálogo lhe fez bem.

— O desabafo sempre ajuda.

— Pensa em reencarnar?

— Assim que puder ...

— Deseja, novamente, ser espírita?

— Não será condição sine qua

de rotulagens ...

non...

— Mas ser espírita é rótulo?!

— Para mim, acabou sendo.

Quero a religião na alma

...

Estou cansado

— Um abraço, B.; que Deus o abençoe em seus novos propósitos!

— Propósitos antigos, Ramiro, propósitos antigos ...

Sem outros comentários, deixo-os com as reflexões que o inusitado diálogo

lhes inspire, afirmando-lhes, de minha parte, que os seus efeitos ainda me perduram

n’alma, desconfiando que, depois dele, algo que não sei o que é também começou a

mudar dentro de mim.

(Espírito Ramiro Gama. Diário da Mediunidade. Carlos Baccelli)

A Palavra de Monteiro

— Os ensinamentos aqui são variados. Fora o amigo de Belarmino quem

tomara a palavra. Mostrando agradável maneira de dizer, continuou:

— Há três anos sucessivos venho diariamente ao Centro de Mensageiros e as

lições são sempre novas.

47

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

Tenho a impressão de que as bênçãos do Espiritismo chegaram prematu-

ramente ao caminho dos homens. Se minha confiança no Pai fosse menos segura,

admitiria essa conclusão. Belarmino, que observava atento os gestos do amigo,

interveio, explicando:

— O nosso Monteiro tem grande experiência do assunto. — Sim — confirmou

ele —, experiência não me falta. Também andei às tontas nas semeaduras terrestres.

Como sabem, é muito difícil escapar à influência do meio, quando em luta na carne.

São tantas e tamanhas as exigências dos sentidos, em relação com o mundo externo,

que não escapei, igualmente, a doloroso desastre.

— Mas, como? — indaguei interessado em consolidar conhecimentos.

— É que a multiplicidade de fenômenos e as singularidades mediúnicas

reservam surpresas de vulto a qualquer doutrinador que possua mais raciocínios na

cabeça que sentimentos no coração. Em todos os tempos, o vício intelectual pode

desviar qualquer trabalhador mais entusiasta que sincero, e foi o que me aconteceu.

Depois de ligeira pausa, prosseguiu: — Não preciso esclarecer que também parti de

“Nosso Lar”, noutro tempo, em missão de Entendimento Espiritual. Não ia para

estimular fenômenos, mas para colaborar na iluminação de companheiros encarnados

e desencarnados. O serviço era imenso. Nosso amigo Ferreira pode dar testemunho,

porquanto partimos quase juntos. Recebi todo o auxilio para iniciar minha grande

tarefa e intraduzível alegria me dominava o espírito no desdobramento dos primeiros

serviços. Minha mãe, que se convertera em minha devotada orientadora, não cabia em

si de contente. Enorme entusiasmo instalara-se-me no espírito. Sob meu controle

direto estavam alguns médiuns de efeitos físicos, além de outros consagrados à

psicografia e à incorporação; e tamanho era o fascínio que o comércio com o invisível

exercia sobre mim, que me distraí completamente quanto à essência moral da

doutrina.

Tínhamos quatro reuniões semanais, às quais comparecia com assiduidade

absoluta. Confesso que experimentava certa volúpia na doutrinação aos desencarna-

dos de condição inferior. Para todos eles, tinha longas exortações decoradas, na ponta

da língua. Aos sofredores, fazia ver que padeciam por culpa própria. Aos embus-

teiros, recomendava, enfaticamente, a abstenção da mentira criminosa. Os casos de

obsessão mereciam-me ardor apaixonado. Estimava enfrentar obsessores cruéis para

reduzi-los a zero, no campo da argumentação pesada. Outra característica que me

assinalava a ação firme era a dominação que pretendia exercer sobre alguns pobres

sacerdotes católicos-romanos desencarnados, em situação de ignorância das verdades

divinas. Chegava ao cúmulo de estudar, pacientemente, longos trechos das Escrituras,

não para meditá-los com o entendimento, mas por mastigá-los a meu bel-prazer,

bolçando-os depois aos espíritos perturbados, em plena sessão, com a ideia criminosa

de falsa superioridade espiritual. O apego às manifestações exteriores desorientou-me

por completo. Acendia luzes para os outros, preferindo, porém, os caminhos escuros e

esquecendo a mim mesmo. Somente aqui, de volta, pude verificar a extensão da

48

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

minha cegueira. Por vezes, após longa doutrinação sobre a paciência, impondo

pesadíssimas obrigações aos desencarnados, abria as janelas do grupo de nossas

atividades doutrinárias para descompor as crianças que brincavam inocentemente na

rua. Concitava os perturbados invisíveis a conservarem serenidade para, daí a

instantes, repreender senhoras humildes, presentes à reunião, quando não podiam

conter o pranto de algum pequenino enfermo. Isso, quanto a coisas mínimas, porque,

no meu estabelecimento comercial, minhas atitudes eram inflexíveis. Raro o mês que

não mandasse promissórias a protesto público. Lembro-me de alguns varejistas

menos felizes, que me rogavam prazo, desculpas, proteção. Nada me demovia,

porém. Os advogados conheciam minhas deliberações implacáveis. Passava os dias

no escritório estudando a melhor maneira de perseguir os clientes em atraso, entre

preocupações e observações nem sempre muito retas e, à noite, ia ensinar o amor aos

semelhantes, a paciência e a doçura, exaltando o sofrimento e a luta como estradas

benditas de preparação para Deus.

Andava cego. Não conseguia perceber que a existência terrestre, por si só, é

uma sessão permanente. Talhava o Espiritismo a meu modo. Toda a proteção e

garantia para mim, e valiosos conselhos ao próximo. Ao demais disso, não conseguia

retirar a mente dos espetáculos exteriores. Fora das sessões práticas, minha atividade

doutrinária consistia em vastíssimos comentários dos fenômenos observados, duelos

palavrosos, narrações de acontecimentos insólitos, crítica rigorosa dos médiuns.

Monteiro deteve-se um pouco, sorriu e continuou:

— De desvio em desvio, a angina encontrou-me absolutamente distraído da

realidade essencial. Passei para cá, qual demente necessitado de hospício. Tarde

reconhecia que abusara das sublimes faculdades do verbo. Como ensinar sem

exemplo, dirigir sem amor? Entidades perigosas e revoltadas aguardaram-me à saída

do plano físico. Sentia, porém, comigo, singular fenômeno. Meu raciocínio pedia

socorro divino, mas meu sentimento agarrava-se a objetivos inferiores. Minha cabeça

dirigia-se ao Céu, em súplica, mas o coração colava-se à Terra. Nesse estado triste,

vi-me rodeado de seres malévolos que me repetiam longas frases de nossas sessões.

Com atitude irônica, recomendavam-me serenidade, paciência e perdão às alheias

faltas; perguntavam-me, igualmente, porque me não desgarrava do mundo, estando já

desencarnado. Vociferei, roguei, gritei, mas tive de suportar esse tormento por muito

tempo.

Quando os sentimentos de apego à esfera física se atenuaram, a comiseração

de alguns bons amigos me trouxe até aqui. E imagine o irmão que meu espírito infeliz

ainda estava revoltado. Sentia-me descontente. Não havia fomentado as sessões de

intercâmbio entre os dois planos? Não me consagrara ao esclarecimento dos desen-

carnados? Percebendo-me a irritação ridícula, amigos generosos submeteram-me a

tratamento. Não fiquei satisfeito. Pedi à Ministra Veneranda uma audiência, visto ter

sido ela a intercessora da minha oportunidade. Queria explicações que pudessem

atender ao meu capricho individual. A Ministra é sempre muito ocupada, mas sempre

49

20 o Encontro Espírita sobre Mediunidade Tema: “A Casa Espírita, o Médium e a Divulgação Doutrinária”

atenciosa. Não marcou a audiência, dada a insensatez da solicitação; no entanto, por

demasia de gentileza, visitou-me em ocasião que reservara a descanso. Crivei-lhe os

ouvidos de lamentações, chorei amargamente e, durante duas horas, ouviu-me a

benfeitora por um prodígio de paciência evangélica. Em silêncio expressivo, deixou

que me cansasse na exposição longa e inútil. Quando me calei, à espera de palavras

que alimentassem o monstro da minha incompreensão, Veneranda sorriu e respondeu:

“Monteiro, meu amigo, a causa da sua derrota não é complexa, nem difícil de

explicar. Entregou-se, você, excessivamente ao Espiritismo prático, junto dos homens,

nossos irmãos, mas nunca se interessou pela verdadeira prática do Espiritismo junto

de Jesus, nosso Mestre”.

Nesse instante, Monteiro fez longa pausa, pensou uns momentos e falou,

comovido:

— Desde então, minha atitude mudou muitíssimo, entendeu?

Aturdido com a lição profunda, respondi, mastigando palavras, como quem

pensa mais, para falar menos:

— Sim, sim, estou procurando compreender.

(André Luiz. Os Mensageiros, Cap. XII, FEB)

50