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WASHINGTON RAMOS CASTRO

PATERNIDADE: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS


RELACIONADAS À INFERTILIDADE
CONJUGAL / MASCULINA

Projeto de Dissertação de Mestrado apresentada


ao Núcleo de Pesquisa em Saúde da Mulher da
Coordenação Geral de Pós-Graduação e
Pesquisa da Escola de Enfermagem Anna Nery da
Universidade Federal do Rio de Janeiro como
requisito parcial para obtenção do título de Mestre
em Enfermagem.

RIO DE JANEIRO
2009
WASHINGTON RAMOS CASTRO

PATERNIDADE: REPRESENTAÇÕES SOCIAIS


RELACIONADAS À INFERTILIDADE
CONJUGAL / MASCULINA

Dissertação apresentada ao Núcleo de Pesquisa em Saúde

da Mulher da Coordenação Geral de Pós-Graduação e

Pesquisa da Escola de Enfermagem Anna Nery da

Universidade Federal do Rio de Janeiro como requisito

parcial para obtenção do título de Mestre em Enfermagem.

Área de Concentração: Metodologias e Técnicas de


Computação

OrientadorA: Prof. Dr. Ana Beatriz Azevedo Queiroz

RIO DE JANEIRO
2009

2
Castro, Washington Ramos
Paternidade: Representações Sociais Relacionadas a Infertilidade Conjugal /
Masculina. Rio de Janeiro, 2009. 98p.

Dissertação – Escola de Enfermagem Anna Nery. Universidade Federal

do Rio de Janeiro. Núcleo de Pesquisa em Saúde da Mulher da Coordenação

Geral de Pós-Graduação e Pesquisa.

1. Paternidade 2. Enfermagem 3. Reprodução Humana 4. Infertilidade. I. Escola


de Enfermagem Anna Nery. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Centro de
Ciências da Saúde. Núcleo de Pesquisa em Saúde da Mulher da Coordenação
Geral de Pós-Graduação e Pesquisa

3
Ao meu pai (in memorian) sei que estivestes comigo ao longo desta jornada
(nem sempre a vida nos da o tempo que precisamos).

À minha mãe , às mães do mundo e às mães dos meus filhos


(cada mãe representa algo especial).

5
Agradecimentos

À minha avó Durvalina Oliveira Ramos, a maior de todas as mães e responsável pelo
meu apego à enfermagem;
À minha mãe Renilda Ramos Castro, que mostrou que a enfermagem pode muito e
que filhos são tudo na vida de alguém;
À minha esposa, Gláucia Regina Motta da Silveira Castro companheira, amiga e
maior incentivadora na Enfermagem e na vida;
À minha filha: Monique Simões Castro, primogênita e representante feminina da
sucessão;
Aos meus filhos: Gustavo Menezes Castro e Washington Ramos Castro Filho cada
um do seu modo, um pedacinho do meu universo de representações;
Ao meu neto: Matheus Simões Castro da Silva, um pequeno vencedor;
Por tudo que deixaram de ter durante a elaboração deste projeto em virtude de minha
ausência;
À Professora Dra.: Ana Beatriz Azevedo Queiroz, que acreditou, orientou, incentivou
e esteve presente durante esta etapa inicial do projeto;
Ao Professor Antônio Tavares Carneiro Sobrinho um grande professor de Medicina,
de administração e de vida.
As colegas que estavas comigo no início da jornada e muito contribuíram para os
primeiros passos: Professoras: Dra.: Maria do Carmo Borges de Souza e Dra. Egleubia
Andrade de Oliveira por todas as contribuições;

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SUMARIO:

Agradecimentos............................................................................................... 06
Sumário............................................................................................................ 07
Resumo............................................................................................................. 09
Summary.......................................................................................................... 15
Resumen........................................................................................................... 21

CAPÍTULO I
1 - Introdução
1.1 - Introdução................................................................................................ 27
1.1.1 - Escolha do tema................................................................................. 27
1.1.2 - Revisão da literatura......................................................................... 28
1.2 - Aproximação com o Tema...................................................................... 29
1.2.1 - Formulação do problema e sua contextualização........................... 30
1.3 - Problematização e Objeto de Estudo..................................................... 37
1.3.1 - Questões norteadoras......................................................................... 37
1.3.2 - Objeto de estudo................................................................................. 44
1.3.3 – Objetivos............................................................................................ 45
1.3.4 - Justificativa ou relevância................................................................ 45

1.4 - Contribuição do Estudo.......................................................................... 46


1.4.1 - Contribuição do estudo para a sociedade, a academia e a ciência. 46

CAPÍTULO II
2 - Fundamentação
2.1 - Bases Conceituais...................................................................................... 53
2.1.1 - Paternidade, fertilidade, virilidade, masculinidade e machismo... 53
2.1.2 - Infertilidade conjugal masculina............................................. 56
2.2 - Referencial Teórico................................................................................... 65
2.2.1 - Teoria das Representações Sociais........................................... 66

CAPÍTULO III
3 - Questões Metodológicas
3.1 - Tipo de Estudo............................................................................................. 70
3.2 - Sujeitos......................................................................................................... 72
3.3 - Campo / Cenário........................................................................................ 74
3.4 - Técnica / Instrumento de coleta de dados................................................. 76
3.5 - Etapas da coleta de dados........................................................................... 78
3.6 - Aspectos Éticos............................................................................................. 80
3.7 - Análise dos dados......................................................................................... 81

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4 – Referências
4.1 - Referências................................................................................................... 84
4.2 - Bibliografia Recomendada......................................................................... 87
5 - Anexos
5.1 - Cronograma................................................................................................ 92
5.2 - Questionário................................................................................................ 93
5.3 - Roteiro de Entrevistas............................................................................... 94
5.4 - Pedido de Autorização para realização de pesquisa............................... 96
5.5 - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido........................................ 97
5.6 - Termo de Confidencialidade.................................................................... 98

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Resumo
No final da década de 70, nasceu o primeiro “bebê de proveta”: Experiência bem
sucedida com uso de fertilização in vitro (FIV). No Brasil isto foi reproduzido em 1984. De
lá pra cá muito se caminhou. Os avanços na área de saúde sexual e reprodutiva são
inegáveis. O presente trata do (dês)cuidar da saúde do homem na sociedade, da determinação
do direito à saúde sexual e reprodutiva do gênero masculino e, das dificuldades de acesso de
homens das classes sociais menos favorecidas aos serviços de reprodução assistida. Apesar
das mudanças patrocinadas pela modernidade nas questões relacionadas à assistência à saúde
(custo, acesso às tecnologias e aos serviços, da redução do tempo ou da quantidade de
medicamentos utilizados) que refletem e impactam no modo e na qualidade de vida das
pessoas, questões como a medicalização do processo da reprodução humana e à própria
preocupação com a saúde do homem (do gênero masculino), emergiram desta nova
realidade. Como a sociedade se ajusta à tal realidade? De que forma se refere ao “produto
das novas formas de concepções medicalizadas” filhos? Que representações sociais se
explicitam da infertilidade masculina ou mista em relação à paternidade? O processo de
engravidar com uso de técnicas é pouco acessível: porque é caro, porque é complexo e
porque há poucos serviços públicos disponíveis. Por não haver no Rio de Janeiro serviço
público que ofereça técnicas de alta complexidade como injeção intracitoplasmática de
espermatozóide ou fertilização in vitro, como método de concepção assistida, por ser alto o
preço dos medicamentos e dos procedimentos utilizados do tratamento, inviabilizando o
acesso a esta tecnologia para a maior parcela da sociedade. A experiência de tentativas
frustradas de gravidez marca profundamente o casal, desgastando, angustiando e causando
sofrimento para todos os envolvidos. Podendo levar à anulação de todas as outras razões da
existência de um indivíduo, ou até, ao fim da relação devido ao desgaste causado pela
cobrança de uma gravidez. O que é para um homem que tem problema de infertilidade viver
essa situação, em uma sociedade sexista que valoriza a reprodução e é machista? O que
significa para eles, ser pai? Em que medidas estão presentes conceitos como: gênero;
machismo; paternidades; sexualidades e questões relacionadas ao campo da família, quando
o querer não é sinônimo de poder se tornar “pai de família”?
A reprodução humana vista como “mercadoria” transforma quem vivencia esta
experiência em meros “clientes” de um sistema capitalista excludente, que distingue pela
capacidade financeira. Os homens têm uma dificuldade ímpar de expor suas fraquezas, eles

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crescem estimulados a contar vantagens e méritos, acreditando serem os melhores só por
serem homens. A infertilidade (é uma espécie de atestado de incapacidade com relação à
paternidade) uma afronta ao senso comum. O reduzido envolvimento de homens com os
cuidados de saúde, quer seja referente ao autocuidado ou à busca de cuidados especializados
se deve aos modelos de masculinidade. qualquer que seja a faixa etária, a classe social, a
situação econômica ou o lugar de moradia. As causas parecem não ser apenas relacionadas à
disponibilidade de tempo (dos homens) ou a predisposição maior para se cuidar (das
mulheres), muitos outros aspectos precisam ser considerados, evitando uma resposta
simplista. O trabalho e o desempenho sexual funcionam como as principais referências para
a construção do modelo masculino de comportamento dos homens e a dificuldade para expor
a incapacidade nestes aspectos se reflete na presença de homens com problemas relacionados
à dificuldade ou à incapacidade de reproduzir, que deixam de procurar auxílio, sugerindo que
a responsabilidade pela busca por atendimento fique a cargo da mulher, foco maior da
propedêutica e da “culpa social” da infertilidade. Há um senso comum ou um consenso
quanto a uma responsabilização no elemento feminino do casal, para as questões de
dificuldade ou de incapacidade de engravidar, fato não questionado por membros de algumas
equipes de serviços de reprodução assistida. Os homens não tiveram seu corpo, como corpo
reprodutor, tomados pelas estratégias biopolíticas de controle e disciplina reprodutiva. É
mais comum se encontrar mulheres em busca de assistência na área da saúde reprodutiva,
mesmo quando o problema da infertilidade está comprovadamente relacionado ao homem.
Este estudo será conduzido à luz da Teoria das Representações Sociais, tendo como objeto:
as representações sociais relacionadas à infertilidade humana masculina a partir do ponto de
vista de homens que buscaram ou que estão buscando assistência para seus problemas
relacionados com fertilidade. Como os homens que passam pela experiência da infertilidade
conjugal se vêem? Como eles imaginam ser a expectativa social em relação a um homem
infértil? Como eles se representam frente a uma sociedade sexista que valoriza questões
relacionadas ao gênero, as sexualidades, a virilidade, a masculinidade e na qual ainda se
identifica um forte viés machista? Há alguma identificação entre suas expectativas e
frustrações referentes à paternidade e/ou outros conceitos presentes no senso comum? Como
isto interfere em suas relações pessoais e sociais? Como vivem sua sexualidade, sua
masculinidade e sua virilidade? Há relações entre estes aspectos e a representação social de
paternidade? Meus objetivos serão: Descrever as representações sociais dos homens em
relação à situação vivencial de infertilidade conjugal cuja origem seja masculina ou dupla;

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Analisar os reflexos das representações sociais da infertilidade conjugal cuja origem seja
masculina ou dupla nos conceitos como: Paternidade, masculinidade, virilidade e
sexualidade; Discutir as expectativas dos homens que vivem a infertilidade face às possíveis
alternativas de cuidados. Utilizarei como método: a “Análise de Conteúdo” de Bardin, para
captar outros aspetos na interação sujeito – objeto, utilizarei a observação assistemática. Para
alcançar, nos discursos dos sujeitos, os elementos necessários ao desvelar das subjetividades
dos entrevistados e, observar traços do “senso comum” e do “inconsciente coletivo” que se
façam presentes nos discursos alcançando as “Representações Sociais”.
Apesar das vantagens determinadas pelo domínio de novas técnicas, há pontos
negativos, gerados por questões que suscitam aspectos éticos, legais e até religiosos. O
potencial da reprodução assistida tem se mostrado ilimitado, porém, um dos desafios do
século XXI é tornar estas técnicas mais accessíveis. Porque os serviços de atendimento em
reprodução humana assistida são, em sua maioria, particulares ou estão relacionados com
serviços ou atendimentos de caráter particular? É Preciso responder também por que a
Enfermagem está marginal a estas questões? Quanto aos gêneros, apesar das conquistas
tecnológicas na área de saúde reprodutiva, e dos avanços nas questões relacionadas ao
dualismo homem / mulher, nas sociedades sexistas ainda está bem definido o papel
“esperado” para homens e mulheres. Com o cuidado de não se reduzir o tema ao natural ou
ao biológico, é preciso se discutir melhor estas questões, já que a evolução social não
resolveu todos os problemas nem deu conta de todas as questões ligadas à paternidade, à
sexualidades e às questões de disputa de poder e de espaço dos gêneros. A imagem do
“masculino” que uma sociedade sexista determina para os homens é, de machismo e de
virilidade muitas vezes tão mutiladora para o homem como a imagem da feminilidade para a
mulher, porém, não encontram um equivalente masculino para a preocupação com o corpo e
a saúde feminina, apesar das conquistas e da queda de tabus e preconceitos dado os avanços
determinados, inclusive pelo movimento feminista, ainda há questões de disputas entre os
gêneros e percebemos um forte viés de “machismo” na relação homem-mulher nas
sociedades, havendo motivos para inaugurar um debate sobre este interessante campo de
reflexão: a relação dos homens com as questões de saúde e as relações de gêneros,
sexualidades e masculinidades, tomando como base o modo pelo qual estas questões são
representadas pelos homens e os reflexos derivados destas representações na saúde
masculina, do casal, da mulher e da família. Pesquisar reprodução humana pautando no
campo de saúde da população masculina, quando há tantos outros problemas mais

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prementes, poderia parecer inoportuno sem os pressupostos já aqui apresentados. É
importante se considerar que a valoração das questões que atormentam a humanidade ou um
simples indivíduo para relativizar a afirmação de que essa (des)importância do assunto só
existe para quem está afastado dele. É necessário que se mergulhe um pouco mais na questão
do gênero. Novas formulações teórico-conceituais relacionadas ao machismo, à virilidade, à
infertilidade e à paternidade, suas correlações entre si e destas com as construções de
conceitos e de representações de família, de maternidade, de homem, de mulher e de vida
doméstica. A cultura que definimos como machista foi e está sendo perpetuada por fatores
diversos que, talvez, já não se sustentem na organização social da atualidade, (ruptura de
núcleo central da representação social) determinando pressões para mudanças e produzindo
tensões sociais. Há um movimento de alteração do núcleo central das representações sociais
do papel do homem na sociedade. Muitos homens, apesar de não se identificarem com este
estereotipo demonstram em seu discurso a redução do masculino, atribuindo essa
característica aos reforços recebidos ao longo de suas vidas. Embora este cenário venha
sofrendo modificação, que se iniciou pela reflexão feminina sobre as questões e o cotidiano
masculino. A pena para quem não se submete a esse código ainda é a pecha de afeminado.
Nas questões relacionadas à reprodução humana é imprescindível que o trabalho seja
realizado em equipe e que esta seja multiprofissional permitindo uma aproximação
interdisciplinar. Estabeleci como resultado a identificação do campo das representações
sociais acerca da infertilidade humana de origem masculina ou mista, contribuindo para a
apropriação de ferramentas para a discussão da realidade no que tange à assistência à saúde
de homens e casais com problemas relacionados à infertilidade conjugal, através do desvelar
das representações sociais masculinas frente aos problemas da infertilidade conjugal, quando
o homem é o portador único ou co-portador da incapacidade de reprodução temporária ou
definitiva do casal. Marcadamente, este estudo é também uma denúncia da perpetuação da
mentalidade machista, de profissionais e usuários; da naturalização dos comportamentos e
atitudes masculinas frente aos problemas de saúde e uma determinação mecânica estrutural
de modo a justificar a identidade masculina e sua conduta frente aos problemas de saúde, não
questionado pela maioria dos profissionais.
Apesar de haver muita produção nesta área, ainda há um espaço amplo para se
pesquisar e produzir sobre o assunto. O aprofundamento dos conhecimentos nesta área será
valioso para a sociedade: a partir da possibilidade de melhorias já debatidas; para a
academia: pois permitirá que mais profissionais, docentes e pesquisadores se ocupam com

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este tema em suas atividades e; para a ciência: uma vez que há lacunas no campo da saúde
dos homens, especialmente no que tange a saúde reprodutiva e a infertilidade humana
masculina e, da articulação dos saberes para a saúde dos homens, enquanto elemento único
composto por mais de um viés de gênero, de sexo, de sexualidades e de virilidade. É
necessário mudar a forma de enxergar as diferenças de pontos de vista determinados pela
formação dos profissionais nas questões de gêneros, tornando-se capazes de romper o
paradigma da masculinidade definidora do gênero masculino como um elemento opressor e
repressor da feminilidade. Na forma com que a mídia cobre a atenção à saúde do homem, ha
uma mensagem subliminar homofóbica, quase sempre relacionada ao exame de toque ,
tratado com ironia. Afastando o homem dos serviços de saúde. As representações dos
homens para uma aproximação tradicional desse campo de conhecimento, em geral reduz os
homens à sua condição e dimensão natural biológica e, mais precisamente, ao modo
biomédico de se aproximar dos indivíduos. É necessária uma nova dimensão e uma nova
representação deste ser “homem”. A “Política Nacional de Atenção à Saúde do Homem”.
ressalta a necessidade destas distinções de gênero, exige a inserção do homem em um espaço
próprio e adequado as suas demandas de saúde específicas da abordagem do gênero
masculino. A enfermagem tem caminhado no sentido da corrente que se omite em face da
problemática aqui enfocada. Denuncio a falta de pesquisas da enfermagem para o campo da
reprodução humana assistida. Uma das questões pouco abordadas até hoje e praticamente
não abordadas por enfermeiros é a infertilidade. – O que há nas “falas” dos homens que
vivenciam a experiência de vivenciar dificuldades relacionadas à reprodução? – Será que o
inconsciente coletivo e a as representações sociais se desvelam em seus discursos? – E se, se
desvelam, isto é perceptível para os membros da equipe ou influencia os profissionais que
prestam assistência? O que ocorre com o microcosmo daqueles (sejam homens, mulheres ou
casais) que buscam e não conseguem uma gravidez?
A taxa de fertilidade humana vem decrescendo ao longo das décadas, como
comprovam pesquisas que avaliam a interferência de fatores intrínsecos e extrínsecos na taxa
de fertilização de homens e mulheres. Dados recentes indicam haver uma estreita relação
entre taxa de fertilidade e fatores ambientais. É possível que a redução das taxas de
fertilidade seja um dos fatores que expliquem porque hoje assistimos a um crescimento do
número de clínicas que oferecem serviços de reprodução humana assistida (tratamento para
infertilidade masculina / conjugal) em todo o Brasil, inclusive na cidade do Rio de Janeiro.
Para alguns a adoção, talvez seja o caminho para constituírem uma família, ma este é um

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tema pouco abordado pelos casais em tratamento de infertilidade, para muitos a adoção é um
assunto proibido.
A população será composta de homens em atendimento no setor de ambulatório de
um hospital especializado em Ginecologia, referência para reprodução humana. A amostra
será composta de um número tal de elementos que permitam a saturação pelo critério de
homogeneidade ampla. Serão usados critérios para inclusão de modo a favorecer a
construção de grupos de pertenças e; de exclusão. Será submetido ao Comitê de Ética da
Pesquisa da Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ e à autorização da direção e do
Conselho Diretor do hospital onde os dados serão coletados. Observando as normas para
pesquisas com seres humanos do comitê nacional de ética da pesquisa através da assinatura
de um “termo de consentimento livre e esclarecido”. Utilizarei dois instrumentos e um
procedimento: a) um questionário cuja finalidade será permitir construir um perfil dos
sujeitos; b) um roteiro de entrevista semi-estruturada com perguntas abertas e subjetivas que
permitam aos participantes discorrerem mais livremente sobre suas experiências,
expectativas e frustrações, no processo de paternalização . Para a análise dos dados, os
discursos dos entrevistados serão transcritos e organizados em unidades de significado, de
acordo com a técnica de “Análise de Discurso de Bardin”. As unidades de significado serão
analisadas à luz da Teoria das Representações Sociais. Os resultados serão apresentados de
acordo com a seqüência das unidades de significado com alguns recortes de transcrição de
falas dos entrevistados a fim de ilustrá-los.

Paternidade; Enfermagem; Reprodução Humana; Infertilidade.

summary

14
At the end of the 1970s, was born the first "baby beaker": successful experience with
use of in vitro fertilization (IVF). In Brazil this was reproduced in 1984. There from here
very moved. The advances in the area of sexual and reproductive health are undeniable. This
is the care(less) of human health in society, the determination of the right to sexual and
reproductive health male gender and, of the difficulties of access for men of lower social
classes to services of assisted reproduction. Despite the changes sponsored by modernity in
matters relating to health care (cost, access to technology and services, the reduction of time
or the quantity of medicines used) which reflect and impact in and on the quality of life of
people, issues such as the medicalization of the process of human reproduction and own
concern with the health of man (male), emerged this new reality. As the society adjusted to
this reality? How refers to the "product of new forms of conceptions medicalizadas"
children? That social representations clarifies the male infertility or mixed in relation to
fatherhood? The process of getting pregnant with use of techniques is little accessible:
because it is expensive, because it is complex and because there are few public services
available. Becouse there is not in Rio de Janeiro public service that offers technical
complexity as high injection intracitoplasmática of spermatozoon or in vitro fertilization, as a
method of assisted conception, be high price of medicinal products and procedures of the
treatment, losing access this technology for the major part of society. The experience of
attempts frustrated pregnancy mark deeply the couple, desgastando, angustiando and causing
suffering for all involved. And may lead to the annulment of all the other reasons for the
existence of an individual, or even, at the end of the result of wear caused by levying a
pregnancy. That is to a man who has problem of infertility living this situation, in a society
sexist that emphasizes the reproduction and is malenessty? That means for them, be father?
In which measures are present concepts such as: gender; maleness; paternities; sexualities
and issues relating to the field of the family, when the will is not synonymous with power
becoming "the father of the family"?
The human reproduction seen as "goods" who lives the experience turns into mere
"clients" of an exclusive capitalist system, which distinguishes the financial capacity. The
men have a difficulty unique to expose its weaknesses, they stimulated to grow from benefits
and merits, believing they are better just by being men. The infertility (it is a kind of
certificate of incapacity in relation to paternity) an affront to common sense. The low
involvement of men with health care, whether related to self or to search for specialized care
should be the model of masculinity. whatever the age, social class, the economic situation or

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the place of residence. The causes appear to be only related to availability of time (for men)
or the willingness to care more (women), many other aspects must be considered, avoiding a
simplistic response. The work performance and sexual function as the main reference for the
construction of the male model of behavior of men and the difficulty to explain the failure in
these aspects is reflected in the presence of men with problems related to the difficulty or the
inability to reproduce, they cease to seek , suggesting that the responsibility for the search for
care is the responsibility of women, the focus propaedeutic and "social guilt" of infertility.
There is a consensus or common sense for a female element in the accountability of the
spouses, in matters of difficulty or inability to become pregnant, a fact not challenged by
members of some teams of assisted reproduction services. The men did not have his body,
and reproductive body, taken by biopolitical strategies of reproductive control and discipline.
It is more common to find women looking for assistance in reproductive health, even when
the problem of infertility is demonstrably related to man. This study will be conducted in
light of the social representations theory, with the object: the social representations related to
human male infertility from the point of view of men who sought or are seeking assistance
for their problems related to fertility. As the men who go through the experience of infertility
are married? How do they imagine to be the social expectation for a man infertile? As they
represent about a society that values gender issues related to gender, the sexuality, virility,
and masculinity in which the still identifies a strong male bias? Is there any link between
their expectations and frustrations relating to paternity and / or other concepts in the common
sense? As this interferes with their personal and social relations? How to live their sexuality,
their masculinity and virility? There are relationships between these aspects and the social
representation of fatherhood? My goals are: To describe the social representations of men in
relation to the living situation of marital infertility whose origin is male or double; analyze
the effects of social representations of marital infertility whose origin is male or two in
concepts such as: Fatherhood, masculinity, virility and sexuality; Discuss expectations of the
infertile men who live at the possible alternatives of care. Use as a method: the "Content
Analysis" to Bardin, to capture other aspects in the interaction subject - object, use the
comment patchy. To achieve, in the discourse of the subjects, the elements necessary to
unveil the subjectivities of those interviewed, and observed traces of the "common sense"
and the "collective unconscious" that are present in discourse reaching the "Social
Representations".

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Despite certain advantages of the area of new techniques, there are negative points,
generated by issues that raise ethical, legal and even religious. The potential of assisted
reproduction has been unlimited, but one of the challenges of the XXI century is to make
these techniques more accessible. Because the services of care in assisted human
reproduction are, in most cases, individuals or are related to services or care for particular
character? We must also that nursing is marginal to these questions? As for genres, despite
the technological achievements in the area of reproductive health, and progress on issues
related to the dichotomy man / woman in sexist societies is still well-defined the role
"expected" to men and women. With care not to reduce the subject to natural or organic, we
need to discuss these issues better, since social change did not solve all problems or has care
of all matters related to paternity, sexuality and issues of dispute power and space of the
genera. The image of "male" as a sexist society provides for men is, of machismo and virility
often mutilated as to man as the image of femininity for women, however, are not a male
equivalent to the concern with the body women and health, despite the achievements and the
collapse of taboos and prejudices as some progress, including the feminist movement, there
are still matters of dispute between the genders and found a strong bias of "machismo" in the
relationship between men and women in societies, with grounds to open a debate on this
interesting field of reflection: the relation of men with health issues, and relations of gender,
sexuality and masculinity, taking as basis the way these issues are represented by men and
the consequences derived from those representations men's health, the couple, the wife and
family. Search human reproduction guided field health of the male population when there are
so many other more pressing problems, it might seem inappropriate with the assumptions
already made. It is important to consider the valuation of the questions that torment
humanity or a single individual to put the statement that (un) importance of the issue only
exists for those who are away from him. It is necessary to soak a little more on the issue of
gender. New theoretical and conceptual formulations related to machismo, the virility, to
infertility and parenthood, their correlations between them and the constructions of these
concepts and representations of family, maternity, men, women and domestic life. The
culture that was defined as male and is being perpetuated by several factors that may no
longer be supported in today's social organization, (the core collapse of social representation)
determining pressures for change and producing social tensions. There is a movement to
amend the core of social representations of the role of man in society. Many men, though not
to identify with this stereotype in his speech showed the reduction of men, attributing this

17
characteristic to the reinforcements received throughout their lives. While this scenario may
suffer modification, which started the debate on the issues women and everyday men. The
penalty for those who are not subject to this code is still the de peche effeminate. On issues
related to human reproduction is essential that work is done in teams and that is allowing a
multidisciplinary approach interdisciplinary. Established as a result of the identification field
of social representations about the origin of human male infertility or mixed, contributing to
the ownership of tools for the discussion of reality with regard to health care for men and
couples with marital problems related to infertility through reveal the social representations
of male infertility due to problems of marriage, when the man is the sole holder or joint
holder of the disability temporary or permanent reproduction of the couple. Remarkably, this
study is also a denunciation of the perpetuation of sexist attitudes of professionals and users,
the naturalization of male behaviors and attitudes due to health problems and a mechanical
structural determination to justify the conduct his masculine identity and confront the
problems of health, not questioned by most professionals.
While there is much in this production area, there is a space to search for and
produce on the subject. The deepening of knowledge in this area will be valuable to society:
from the possibility of improvements already discussed, for the academy: it will allow more
professionals, teachers and researchers dealing with this topic in its activities and, for
science: once that there are gaps in the health of men, especially with regard to reproductive
health and human male infertility, and the articulation of knowledge to the health of men, as
a single compound for more than a bias of gender, sex, sexualities and virility. You must
change the way of seeing the differences of views determined by the training of
professionals on issues of gender, making it able to break the paradigm of defining
masculinity males as an oppressive and repressive of femininity. In the way the media covers
the health care of man, there is a subliminal message homophobic, almost always related to
the examination of touch, treated with irony. Man away from health services. The
representations of men in a traditional approach this field of knowledge in general reduces
the men to their natural biological condition and size, and more specifically, the biomedical
way of approaching individuals. We need a new dimension and a new representation that is
"man." The "National Policy for Health Care Human Rights." emphasizes the need for these
distinctions of gender, requires the insertion of man into a space suitable to its own and
demands of health-specific approach males. The nurses have been walking in the direction of
current that is silent in the face of the problem here focused. Denounce the lack of nursing

18
research into the field of assisted human reproduction. One of the issues raised to date, and
just barely addressed by nurses is infertility. - What the "discourse" of men who experience
the experience of experiencing difficulties related to reproduction? - Is the collective
unconscious and the social representations are unveiling in their speeches? - What if, when
unveiling, that is perceived to team members or the influence that professional assistance?
What happens in the microcosm of those (whether men, women or couples) and not seeking
a pregnancy?
The rate of human fertility has declined over the decades, as studies show that
evaluate the interference of intrinsic and extrinsic factors on the fertilization rate of men and
women. Recent data indicates a close relationship between fertility rate and environmental
factors. It is possible that the reduction in fertility rates is one of the factors that explain why
today we witnessed a growing number of clinics that offer services to assisted human
reproduction (treatment for male infertility / marital) throughout Brazil, including the city of
Rio January. For some the adoption, may be the way to build a family, but this is a topic
little discussed by couples undergoing treatment for infertility, for many the adoption is not
an issue.
The population is composed of men in the area of ambulatory care in a hospital
specializing in Gynecology, reference to human reproduction. The sample will consist of a
number of such elements for the saturation by the criterion of homogeneity wide. Will be
used for inclusion criteria in order to promote the construction of groups and affiliations, of
exclusion. Will be submitted to the Ethics Committee of the Research School of Nursing
Anna Nery da UFRJ and authorization and direction of the Board of the hospital where the
data will be collected. Observing the rules for research with human beings of the national
committee of ethics of the search by signing a "term of free and informed consent." Use two
instruments and a procedure: a) a questionnaire whose purpose will be allowed to build a
profile of the subject, b) a roadmap for semi-structured interview with open questions and
subjective enabling participants talk more freely about their experiences, expectations and
frustrations, in the paternalização. For data analysis, speeches and transcripts of interviews
will be organized into units of meaning, according to the technique of "Analysis of Speech
by Bardin." The units of meaning will be analyzed in light of the social representations
theory. The results are presented in accordance with the sequence of units of meaning with
some clips of transcription of speeches of the interviewees in order to illustrate them.

19
Paternity; Nursing; Human Reproduction; Infertility.

20
Resumen

Al final de the'70s, fue el primer "bebé de prueba": la experiencia con éxito en el uso
de la fertilización in vitro (FIV). En Brasil, se jugó en 1984. Desde aquí hay mucho caminar.
Los avances en el ámbito de la salud sexual y reproductiva son innegables. Se trata de la
(des) cuidado de la salud del hombre en la sociedad, determinar el derecho a la salud sexual
y reproductiva de los varones, y las dificultades de acceso de los hombres de clases sociales
desfavorecidas a los servicios de reproducción asistida. A pesar de los cambios patrocinados
por la modernidad en los asuntos relacionados con la atención de la salud (costo, el acceso a
las tecnologías y servicios, reducir el tiempo o la cantidad de medicamentos que se utilizan)
y que reflejan el impacto sobre la forma y la calidad de vida, cuestiones tales como la
medicalización del proceso de la reproducción humana y la preocupación por la salud de los
seres humanos (hombres), esta nueva realidad. Como empresa que se ajuste a la realidad?
Cómo se relaciona con el producto de nuevas formas de conceptos médicos "a los niños?
Representaciones sociales que se expresa de la infertilidad masculina o mixtas sobre la
paternidad? El proceso de embarazo con la utilización de técnicas no está disponible: porque
es caro porque es complejo y debido a la escasez de servicios públicos disponibles. ¿Por qué
no estar en Río de Janeiro oferta pública de alta complejidad técnica y la inyección
intracitoplasmática de espermatozoides o la fertilización in vitro como método de la
concepción asistida, como el alto precio de los medicamentos y los procedimientos de
tratamiento, la prevención de acceso a este tecnología para la mayor parte de la sociedad. La
experiencia de intentos fallidos de embarazo marca profundamente a la pareja, el uso,
causando dolor y sufrimiento para todos los participantes. Puede dar lugar a la cancelación
de todas las otras razones para la existencia de un individuo, o incluso el fin de la relación
debido al desgaste causado por la recogida de un embarazo. ¿Qué es un hombre que tiene el
problema de la infertilidad que viven esta situación en una sociedad sexista, que valora la
obra y es sexista? ¿Qué significa para ellos ser padre? ¿En qué son estos conceptos como: el
género, el sexismo, paternities; sexualidades y las cuestiones relacionadas con el ámbito de
la familia, cuando el deseo no es convertirse en sinónimo de "padre de la familia"?
La reproducción humana visto como "mercancías" que vive la experiencia se
convierte en meros "clientes" de un exclusivo sistema capitalista, que distingue la capacidad
financiera. Los hombres tienen una singular dificultad para exponer sus puntos débiles, que

21
estimula a crecer a partir de los beneficios y méritos, en la creencia de que son mejores sólo
por ser hombres. La infertilidad (que es una especie de certificado de incapacidad en relación
al permiso de paternidad) una afrenta al sentido común. La baja participación de los hombres
con la atención de la salud, ya sea para sí mismo o relacionados con la búsqueda de atención
especializada debe ser el modelo de masculinidad. independientemente de la edad, clase
social, la situación económica o el lugar de residencia. Las causas parecen ser sólo
relacionados con la disponibilidad de tiempo (para los hombres) o la voluntad de la atención
más (mujeres), muchos otros aspectos deben ser considerados, evitando una respuesta
simplista. El rendimiento en el trabajo y la función sexual como la principal referencia para
la construcción del modelo masculino de conducta de los hombres y la dificultad para
explicar el fracaso en estos aspectos se refleja en la presencia de los hombres con problemas
relacionados con la dificultad o la imposibilidad de reproducir, que dejen de buscar , lo que
sugiere que la responsabilidad de la búsqueda de atención es la responsabilidad de las
mujeres, el enfoque propedéutica y "culpabilidad social" de la infertilidad. Existe un
consenso o de sentido común para un elemento femenino en la rendición de cuentas de los
cónyuges, en materia de dificultad o incapacidad para quedar embarazada, un hecho no
impugnado por los miembros de algunos equipos de los servicios de reproducción asistida.
Los hombres no tienen su cuerpo, cuerpo y reproductiva, las estrategias adoptadas por
biopolítica de control de la reproducción y la disciplina. Es más común encontrar mujeres
que buscan asistencia en materia de salud reproductiva, aun cuando el problema de la
infertilidad es demostrable en relación con el hombre. Este estudio se llevará a cabo a la luz
de la teoría de las representaciones sociales, con el objeto: las representaciones sociales
relacionadas con la infertilidad masculina desde el punto de vista de los hombres que
buscaron o buscan ayuda para sus problemas relacionados con la fertilidad. Como los
hombres que pasan por la experiencia de la infertilidad están casados? ¿Cómo imaginar a la
expectativa social de un hombre infértil? Ya que representan alrededor de una sociedad que
valore las cuestiones de género relacionadas con el género, la sexualidad, la virilidad y la
masculinidad en el que la identifica aún un fuerte sesgo masculino? ¿Existe alguna relación
entre sus expectativas y frustraciones inherentes a la paternidad y / o en otros conceptos en el
sentido común? Dado que este interfiere con sus relaciones personales y sociales? Cómo
vivir su sexualidad, su masculinidad y virilidad? Existen relaciones entre estos aspectos y la
representación social de la paternidad? Mis objetivos son los siguientes: Describir las
representaciones sociales de los hombres en relación con la situación de vida de civil, cuyo

22
origen es la infertilidad masculina o doble; analizar los efectos de las representaciones
sociales de civil, cuyo origen es la infertilidad masculina o dos en conceptos tales como: la
paternidad, la masculinidad, la virilidad y sexualidad; Discuta las expectativas de los
hombres infértiles que viven en las posibles alternativas de atención. Su uso como un
método: el "Análisis de contenido" Bardin, para captar otros aspectos de la interacción sujeto
- objeto, utilice la observación irregular. Para lograr, en el discurso de los sujetos, los
elementos necesarios para desvelar las subjetividades de los entrevistados, y observó las
huellas del "sentido común" y el "inconsciente colectivo" que están presentes en el discurso
de llegar al "representaciones sociales".
A pesar de ciertas ventajas de la zona de las nuevas técnicas, hay puntos negativos,
generados por las cuestiones que plantean problemas éticos, jurídicos y hasta religiosos. El
potencial de reproducción asistida se ha ilimitado, pero uno de los retos del siglo XXI es
hacer más accesibles estas técnicas. Debido a que los servicios de atención en la
reproducción humana asistida, en la mayoría de los casos, los individuos o estén
relacionados con servicios o la atención de carácter particular? También debemos de
enfermería que es marginal a estas preguntas? En cuanto a géneros, a pesar de los logros
tecnológicos en el ámbito de la salud reproductiva, y sobre los avances en las cuestiones
relacionadas con la dicotomía hombre / mujer en las sociedades sexistas todavía bien
definida la función "espera" a los hombres y las mujeres. Con cuidado de no reducir el tema
a natural o ecológico, tenemos que hablar de estos temas mejor, ya que el cambio social no
resuelve todos los problemas o ha cuidado de todos los asuntos relacionados con la
paternidad, la sexualidad y las cuestiones de disputa el poder y el espacio de los géneros. La
imagen de "macho" como una sociedad sexista ofrece para los hombres, es decir, de
machismo y virilidad a menudo mutilados como para el hombre como la imagen de la
feminidad de las mujeres, sin embargo, no son un equivalente masculino a la preocupación
con el cuerpo la mujer y la salud, a pesar de los logros y el colapso de los tabúes y prejuicios
como algunos progresos, entre ellos el movimiento feminista, todavía hay asuntos de
controversia entre los géneros y encontró un fuerte sesgo de "machismo" en las relaciones
entre hombres y mujeres en las sociedades, con motivos para abrir un debate sobre este
interesante campo de reflexión: la relación de los hombres con problemas de salud, y las
relaciones de género, la sexualidad y la masculinidad, tomando como base la forma en que
estos temas están representados por los hombres y las consecuencias derivadas de las
representaciones la salud del hombre, la pareja, la esposa y la familia. Buscar en la

23
reproducción humana guiado el campo de la salud de la población masculina cuando hay
tantos otros problemas más acuciantes, podría parecer inapropiado con los supuestos
realizados. Es importante considerar la valoración de las preguntas que atormentan a la
humanidad una sola persona o para poner la afirmación de que (des) importancia de la
cuestión sólo existe para aquellos que están fuera de él. Es necesario para absorber un poco
más sobre la cuestión de género. Nueva formulaciones teóricas y conceptuales relacionadas
con el machismo, la virilidad, a la infertilidad y la paternidad, sus correlaciones entre ellos y
las construcciones de estos conceptos y representaciones de la familia, la maternidad, los
hombres, las mujeres y la vida doméstica. La cultura que se ha definido como hombres y se
perpetúa por varios factores que ya no pueden ser apoyados en la actual organización social,
(el núcleo colapso de la representación social) la determinación de las presiones para el
cambio y la producción de las tensiones sociales. Hay un movimiento para modificar el
núcleo de las representaciones sociales sobre el papel del hombre en la sociedad. Muchos
hombres, aunque no se identifican con este estereotipo en su discurso puso de manifiesto la
reducción de los hombres, la atribución de esta característica a los refuerzos recibidos
durante toda su vida. Si bien este escenario puede ser objeto de modificación, que se inició el
debate sobre las cuestiones de las mujeres y los hombres cada día. La pena para aquellos que
no están sujetos a este código sigue siendo el de peche afeminado. Sobre cuestiones
relacionadas con la reproducción humana es esencial que el trabajo se realiza en equipos y
que permite un enfoque multidisciplinario interdisciplinario. Establecidos como resultado de
la identificación de campo de las representaciones sociales sobre el origen de la infertilidad
masculina o mixta, lo que contribuye a la propiedad de los instrumentos para la discusión de
la realidad con respecto a la atención de salud para los hombres y las parejas con problemas
matrimoniales relacionadas con la infertilidad a través de ponen de manifiesto las
representaciones sociales de la infertilidad masculina debido a los problemas del
matrimonio, cuando el hombre es el único titular o cotitular de la incapacidad temporal o
permanente, de la pareja. Sorprendentemente, este estudio es también una denuncia de la
perpetuación de actitudes sexistas de los profesionales y usuarios, la naturalización de los
comportamientos y las actitudes de hombres debido a los problemas de salud y una
determinación mecánica estructural para justificar la conducta de su identidad masculina y
afrontar los problemas de la la salud, no cuestionada por la mayoría de los profesionales.
Si bien hay mucho en esta zona de producción, hay un espacio para buscar y producir
sobre el tema. La profundización de los conocimientos en este ámbito será valioso para la

24
sociedad: desde la posibilidad de mejoras ya tratada, por la academia: se permitirá que un
mayor número de profesionales, profesores e investigadores se ocupan de este tema en sus
actividades y, para la ciencia: una vez que existen lagunas en la salud de los hombres,
especialmente con respecto a la salud reproductiva y la infertilidad masculina, y la
articulación de conocimientos para la salud de los hombres, como un solo compuesto por
más de un sesgo de género, sexo, sexualidad y la virilidad. Debe cambiar la forma de ver las
diferencias de puntos de vista determinado por la formación de los profesionales sobre
cuestiones de género, por lo que es capaz de romper el paradigma de la definición de la
masculinidad los hombres como un opresivo y represivo de la feminidad. En la forma en que
los medios de comunicación se refiere a la atención de la salud del hombre, hay un mensaje
subliminal homófobas, casi siempre relacionados con el examen de tacto, tratados con ironía.
Hombre fuera de los servicios de salud. Las representaciones de los hombres en un enfoque
tradicional de este campo del conocimiento en general los hombres se reduce a la condición
biológica de sus recursos naturales y el tamaño y, más concretamente, la manera de abordar
biomédica personas. Necesitamos una nueva dimensión y una nueva representación que es
"hombre". La "Política Nacional de Salud de Derechos Humanos". hace hincapié en la
necesidad de estas distinciones de género, requiere la inserción del hombre en un espacio
adecuado a sus propias exigencias de la salud y enfoque específico para los hombres. Las
enfermeras han estado caminando en la dirección de la corriente que está en silencio ante el
problema específico. Denunciar la falta de investigación en enfermería en el ámbito de la
reproducción humana asistida. Una de las cuestiones planteadas hasta la fecha, y apenas
abordado por los enfermeros es la infertilidad. - Lo que el "discurso" de los hombres que
sufren la experiencia de dificultades relacionadas con la reproducción? - ¿Es el inconsciente
colectivo y las representaciones sociales son revelación en sus discursos? - ¿Qué ocurre si, al
descubrimiento, que se percibe a los miembros del equipo o la influencia que la asistencia
profesional? ¿Qué sucede en el microcosmos de estos (si los hombres, mujeres o parejas) y
no la búsqueda de un embarazo?
La tasa de la fertilidad humana ha disminuido en los decenios, como muestran los
estudios que evalúan la interferencia de los factores intrínsecos y extrínsecos de la tasa de
fertilización de los hombres y las mujeres. Los datos recientes indican una estrecha relación
entre la tasa de fecundidad y factores ambientales. Es posible que la reducción de las tasas de
fecundidad es uno de los factores que explican por qué hoy hemos sido testigos de un
creciente número de clínicas que ofrecen servicios a la reproducción humana asistida

25
(tratamiento para la infertilidad masculina / civil) en todo Brasil, incluida la ciudad de Río de
enero. Para algunos, la adopción, puede ser la manera de construir una familia, pero este es
un tema poco discutido por las parejas sometidas a tratamiento por infertilidad, para muchos
la adopción no es un problema.
La población se compone de los hombres en el ámbito de la atención ambulatoria en
un hospital especializado en ginecología, la referencia a la reproducción humana. La muestra
constará de una serie de elementos de la saturación por el criterio de homogeneidad de
ancho. Será utilizado para los criterios de inclusión a fin de promover la construcción de los
grupos y las afiliaciones, de la exclusión. Se presentará a la Comisión de Ética de
Investigación de la Escuela de Enfermería Anna Nery da UFRJ y la autorización y la
dirección de la Junta Directiva del hospital, donde los datos serán recogidos. La observancia
de las normas para la investigación con seres humanos de la comisión nacional de ética de la
búsqueda mediante la firma de un "término de consentimiento libre e informado". Utilizar
dos instrumentos y un procedimiento: a) un cuestionario cuya finalidad será permitido
construir un perfil del sujeto, b) un plan de trabajo para la entrevista semi-estructurada con
preguntas abiertas y subjetivas que los participantes hablen más libremente acerca de sus
experiencias, expectativas y frustraciones, en el paternalização. Para el análisis de datos,
transcripciones de discursos y entrevistas se organizan en unidades de significado, de
acuerdo a la técnica de "Análisis de Discurso de Bardin." Las unidades de significado se
analizará a la luz de la teoría de las representaciones sociales. Los resultados se presentan de
conformidad con la secuencia de unidades de sentido con algunos clips de la transcripción de
los discursos de los entrevistados con el fin de ilustrar ellos.

Paternidad; Enfermería; Reproducción Humana; Infertilidad.

26
CAPITULO I:

1 - INTRODUÇÃO:

1.1 - Introdução:

1.1.1 - Escolha do tema:

Há questões que atormentam a humanidade inteira, outras que inquietam apenas um

ser humano. Não importa se é esta ou aquela situação, para quem sofre com um problema,

ele sempre parecerá crucial. O valor de um problema só é relativo para quem o analisa,

nunca para quem o vive. Certamente há um acordo tácito quase universal quanto a

importância da escolha do tema de uma pesquisa, o que influirá, inclusive, em sua

viabilidade, muito em decorrência do entusiasmo do pesquisador em permanecer constante

em seus propósitos, o que já foi largamente discutido por autores como: Marconi e Lakatos

(2009); Castro, Silveira Castro, Barros (2008); Guareschi e Jovchelovitch (2008); Garcia

(2003); Glina, Soares, Meirelles, Antunes Junior, (2003); Sá (1998); Rudio (1998); Polit

(1995) e outros. Ao escolher o tema para minha dissertação, indubitavelmente, escolhi o que

mais me inquietava em minha prática profissional e em minha vida pessoal, isto se refere ao

(dês)cuidar da saúde do homem na sociedade. Ao momento de determinação do direito à

saúde inclusive à saúde sexual e reprodutiva do gênero masculino e, especialmente às

dificuldades de acesso aos serviços de reprodução assistida das classes menos favorecidas.

27
1.1.2 - Revisão da literatura:

A chegada do Século XXI nos imergiu em mudanças de caráter sociais, culturais e

econômicas patrocinadas pela modernidade, mudanças estas que também abrigam questões

relacionadas à assistência à saúde (custo, acesso às tecnologias, acessibilidade aos serviços,

adesão aos tratamentos em virtude da redução do tempo ou da quantidade de medicamentos

utilizados) que refletem e impactam diretamente no modo e na qualidade de vida das

pessoas. A medicalização do processo da reprodução humana é uma dessas mudanças. A

preocupação com a saúde do homem (do gênero masculino) é outra. Esta, mais do que

aquela, embora de óbvia importância, continua não sendo um assunto muito comumente

abordado na formação dos profissionais de saúde, qualquer que seja o nível de formação,

além de ser relegado nos serviços de saúde, em artigos de periódicos especializados ou

matérias de jornal, revista, rádio ou TV. Provavelmente sejam os aspectos relacionados às

questões econômico-capitalistas que determinem esta distinção, afinal a medicalização da

reprodução determina custo/lucro e a atenção à saúde do homem determina custo/prejuízos.

É necessário pensá-las para que possamos contribuir para o debate sobre tais questões e sua

relação com a subjetividade como sugere Moura (2008). É natural que estas mudanças se

reflitam em diversos aspectos do cotidiano das sociedades, inclusive na comunicação

interpessoal e de massa, por esta razão algumas questões emergem desta nova realidade.

Como a sociedade está se ajustando à tal realidade? De que forma se refere ao – “produto das

novas formas (medicalizadas) de concepções” – filhos? Que representações sociais se

explicitam da infertilidade masculina ou mista em relação à paternidade? Estas e outras

questões merecem uma análise mais profunda. O presente projeto pretende contribuir neste

sentido.

28
1.2 - Aproximação com o tema:

Minha trajetória em direção ao tema não é completamente linear. Ela se inicia no

primeiro semestre de 1997. Formado pela Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN) da

Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), quando ainda havia no curso de graduação,

a modalidade como Bacharelado de “Habilitação em Enfermagem e Obstetrícia”, e foi, em

parte em decorrência desta opção na fase de conclusão do curso que tive uma primeira

aproximação com as questões de gênero, sexualidade, planejamento familiar, gravidez,

maternidade, paternidade e família. Este contato perdurou durante toda a fase de elaboração

do meu trabalho de conclusão de curso (TCC), produzido no oitavo período do curso de

enfermagem, no Programa Curricular Interdepartamental XIII-c (PCI-XIII-c). Aquele estudo,

que versou sobre gravidez na adolescência foi um primeiro ensaio mas não me lançou

diretamente na direção ao tema da minha dissertação. A princípio não pensei que o fato de

ter realizado este TCC versando sobre um tema que se relaciona indiretamente com assuntos

como: paternidade, fertilidade, gênero e masculinidade pudessem me causar alguma

inquietude maior ou mais profunda, que fosse capaz de me impulsionar para uma pesquisa de

maior rigor metodológico. Afinal, a gravidez na adolescência perpassa por estas questões

mas não se prende a nenhuma delas, especialmente se considerarmos uma abordagem capaz

de permitir incursões às questões da fertilidade relacionada ao gênero masculino sem muito

esforço ou tendência. Não poderia, em virtude destes fatos, ter noção da dimensão que a

dificuldade de se tornar pai poderia alcançar para um homem que quer, porém não consegue

ter filhos. Especialmente por não haver uma densidade neste assunto em minha experiência

de vida Porém, foram fatos ocorridos na minha vida, depois de minha formatura, que me

levaram ao envolvimento com o tema.

29
Portanto, o primeiro caminho de aproximação foi uma experiência pessoal. Em

1985 fui pai pela primeira vez. Ainda era um garoto e vivi a felicidade e a responsabilidade

da paternidade.

1.2.1 - Formulação do problema e sua contextualização:

É exatamente este o ponto crucial para a definição do meu problema de estudo. A

representação social da paternidade varia conforme a dificuldade ou facilidade para se tornar

pai. Quinze anos mais tarde me tornei pai pela segunda vez, uma experiência em distinta.

Nem bem tive tempo de entender essa nova condição – Pai de dois filhos maravilhosos:

Monique e Gustavo. Imediatamente comecei a viver uma nova realidade: me vi no papel de

avô, quando minha filha engravidou e me presenteou com um neto lindo: Matheus. Assim,

não era muito perceptível para mim, a importância que o papel de pai pode ter. Percebi,

entretanto, com a vivência de uma experiência de busca de uma gravidez, a partir do uso de

técnicas de assistência a reprodução humana que culminou com o uso do procedimento de

fertilização in vitro, que o processo de engravidar com uso de tais técnicas é um processo

pouco acessível: porque é caro, porque é complexo e porque há poucos serviços públicos,

além de determinar desgastantes, muitas vezes irreversíveis, ao relacionamento. Podendo até

levar à anulação de todas as outras razões da existência de um dos parceiros ou do casal,

além de poder levar, inclusive, ao fim da relação. Em minha experiência, sofri quase todo o

processo de desgaste psicológico causado pela cobrança de uma gravidez por familiares,

amigos e até conhecidos, apesar da minha condição de pai em relacionamentos anteriores. O

fato mais interessante neste processo foi exatamente o que me lançou na busca por novas

alternativas. Ou seja, foi a necessidade de busca por auxílio nos serviços disponíveis. No

estado do Rio de Janeiro não há serviço público que ofereça as técnicas de alta complexidade

30
como injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ISCI1) e fertilização in vitro (FIV2)

como método de concepção assistida, esse fato aliado ao alto custo de um procedimento de

FIV , seja este precedido ou não de ISCI, inviabiliza o acesso a esta tecnologia para a maior

parcela da sociedade, especialmente por conta do custo dos medicamentos utilizados durante

o tratamento.

Vivificar a experiência de tentativas frustradas de gravidez, além de marcar

profundamente o casal é, sem dúvida um caminho árduo e desgastante, para o casal e para

toda a família e os parentes mais próximos.

Com esta experiência pude perceber o valor exato da angústia e do sofrimento de

quem busca a paternidade sem sucesso, neste momento pude perceber que jamais poderia me

incomodar com questões relacionadas à infertilidade masculina e a representação social de

“ser pai”, até que vivi a experiência de precisar buscar na tecnologia médica e na

medicalização da concepção a solução para um problema em um processo que, para mim, até

então, era simples e natural.

No processo de busca da paternidade deparei-me com sensações e situações que

nunca havia imaginado. Neste aspecto concordo com Nolasco (1995:40) que infere sobre

este assunto: “O nascimento é também um espaço para a realização dos desejos dos pais”.

Dividi mais intimamente a dificuldade de engravidar com minha esposa, entretanto,

o que mais marcou foram as experiências referidas por outros homens que estavam no

processo de busca por alternativas para engravidar suas esposas e, de certo modo, pude

1
Injeção intracitoplasmática de espermatozóide ISCI é a técnica ou método utilizado com muito sucesso nos
casos de fator masculino severo, já que taxas de fertilização independem da qualidade e quantidade dos
espermatozóides, é realizada com auxílio de micromanipuladores acoplados ao microscópio e consiste em
injetar um único espermatozóide diretamente dentro do óvulo, promovendo assim a fecundação. Técnica que
necessita muita habilidade e experiência do profissional de laboratório. O trabalho é feito com microagulhas
(mais finas que um fio de cabelo), onde uma delas vai segurar o óvulo e a outra vai pegar o espermatozóide,
imobilizá-lo e injetá-lo dentro do óvulo, ultrapassando a zona pelúcida.
2
Fertilização in vitro (FIV) é a base de todas as técnicas de reprodução assistida e a mais conhecida. É
composta por 4 etapas. Estimulação ovariana (indução), coleta (aspiração), preparo (fecundação) e
transferência (implantação).

31
constatar alguns dos desgastes: físicos, mentais e emocionais pelos quais aqueles indivíduos,

assim como eu, passavam. Neste ponto Nolasco (1995:29) corrobora “É que a desilusão nos

obriga a renunciar a uma fantasia tida anteriormente; aguardávamos uma coisa que não

ocorreu”. Isto pode ser fatal em uma vida marital.

Entendi ser necessário responder uma questão elementar. O que é para um homem

que tem problema de infertilidade viver essa situação, em uma sociedade sexista que valoriza

a reprodução e é machista?

Outra questão se tornava, a cada dia, mais relevante para mim - Ser pai. O que

significa isto? Que valores estão envolvidos nessa palavra tão curta e tão imensa – PAI – que

guarda em si uma inominada quantidade de representações. Em que medidas estão presentes

conceitos como: gênero; machismo; paternidades; sexualidades e questões relacionadas ao

campo da família, quando o querer não é sinônimo de poder se tornar “pai de família”?

Incomodava-me, já nos primeiros contatos com essa situação, o fato de a vida dos

casais sofrer efeitos deletérios de um tratamento. Estranhamente, um tratamento no qual a

reprodução humana (motivo do próprio tratamento) é vista como uma “mercadoria” e as

pessoas que vivenciam esta experiência (homens, mulheres e casais com dificuldade para

engravidar) serem tratadas como meros “clientes” de um sistema capitalista excludente e,

que distingue uns dos outros menos por suas características e necessidades individuais e

mais pela capacidade financeira que cada qual apresenta para custeio de um sonho. O

processo de tentativas frustradas de alcançar a gravidez é, para aqueles que vivem, como

uma perda de um ente querido e isto determina o desenvolvimento de todo o processo de

elaboração do luto, nisto encontramos uma referência em Nolasco (1995:29):

“A expectativa é bem mais estreita que a esperança, bem mais centrada num
acontecimento através do qual nos entendemos, se o fato não ocorre, perdemos então o
nosso centro atual”.

32
Incomodava-me também a angústia e o sofrimento nas falas dos homens com os

quais conversei. Estas eram causadas pela exposição do indivíduo, a partir de uma “pseudo-

incapacidade” ou “incapacidade de fato” deles para engravidar e constituir família. Os

homens têm uma dificuldade ímpar de expor suas fraquezas. Nolasco (1995:43) revela, sobre

este aspecto que “Os meninos crescem estimulados a contar vantagens e méritos. O padrão

masculino inicia-os em um mundo onde acreditam ser os melhores só por serem homens”. E

desta forma a infertilidade (que é uma espécie de atestado de incapacidade – ao menos com

relação à paternidade – ser, por todas as razões) considerada uma afronta a este senso

comum. Gomes (2008) corrobora com esta hipótese afirmando que o reduzido envolvimento

de homens com os cuidados de saúde se deve ao menos parcialmente, aos modelos de

masculinidade, quer seja referente ao auto cuidado ou à busca de cuidados especializados.

O segundo caminho que determinou minha trajetória foi decorrente de minhas

atividades funcionais. Em minhas atividades de ouvidor de uma instituição pública era

comum chegar e-mail, bilhetes e atender telefonemas de homens em busca de algum tipo de

atendimento público e gratuito para casos de infertilidade e estes casos também me causaram

inquietude. Especialmente porque não há, na cidade do Rio de Janeiro, um serviço público

que ofereça as tecnologias mais complexas de reprodução assistida. Queiroz (2002: 5) afirma

que “no setor público a realidade encontrada não é animadora, os serviços especializados

oferecem, quando muito, apenas o diagnóstico do problema e os tratamentos tradicionais

(baixa complexidade), tais como cirurgias e tratamentos medicamentosos, mas não há oferta

de tecnologias reprodutivas de alta complexidade”. É necessário, neste ponto da pesquisa,

fazer uma ressalva no que chamamos de “tecnologias reprodutivas de alta complexidade”,

serão aqui entendidas como a FIV e ISCI. Acataremos o que é definido pelo Ministério da

Saúde. Segundo a Portaria SAS/MS no 388. (Brasil, 2008: 9)

Artigo 2. Parágrafo 2o:

33
“Entende-se por serviços de referência em reprodução humana assistida na
Alta Complexidade, os serviços que ofereçam atenção diagnóstica e terapêutica
especializada, acompanhamento psicossocial, com condições técnicas, instalações
físicas, equipamentos e recursos humanos adequados ao atendimento dos casais
inférteis, dos portadores de doenças genéticas e dos portadores de doenças infecto-
contagiosas, em especial os portadores do HIV e das Hepatites virais, devendo estar
articulados a uma central de regulação estadual e/ou municipal e do Distrito Federal
que garanta a integração com o sistema local e regional, que complementem as ações
da Atenção Básica e de Média Complexidade e, que ofereçam todos os procedimentos
de Média Complexidade e realizem a fertilização assistida, conforme constante no
Anexo II da Portaria no SAS/MS 388 os serviços de reprodução humana assistida
devem oferecer atendimento nos três níveis de complexidade e ao nível de alta
complexidade deve se estruturar como segue:

Atenção de Alta Complexidade

1. Consultas especializadas: a) urologia, b) ginecologia, c) psicologia, d) assistência


social.
2. Oferecer todos procedimentos realizados nos serviços de Média Complexidade,
mencionados no item II, III e IV.
3. Procedimentos para o tratamento:
a) Estimulação ovariana para Fertilização in vitro:
b) Fertilização in vitro convencional sem ovócito
c) Fertilização in vitro convencional sem fertilização
d) Fertilização in vitro com fertilização
4. Fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozóide
(ICSI);
a) Fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI)
sem espermatozóide
b) Fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI)
sem fertilização
c) Fertilização in vitro (FIV) com injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI)
com fertilização
5. Criopreservação e transferência embrionária”.

O terceiro caminho que me conduziu a elaboração deste projeto possui um viés

mais acadêmico, porém, este foi fruto parcialmente do acaso. Fui indicado para assumir a

coordenação de extensão da instituição hospitalar em que trabalhava, afim de elaborar e

propor projetos de extensão universitária para a instituição. Após um rápido levantamento,

percebi que, não só não havia – até aquele momento – nenhuma atividade de extensão que

unisse o fazer acadêmico, a prática da assistência e, a extensão propriamente dita, na

verdade, não havia projeto de extensão algum aprovado e reconhecido pela Pró-reitoria de

Extensão (PR-5). Por esta razão decidi buscar ajuda de algumas pessoas capacitadas:

algumas eram mais ligadas às áreas de assistência em saúde da mulher, enquanto algumas

34
outras atuavam em atividades acadêmicas relacionadas também com saúde da mulher e

outras eram profissionais que já militavam no campo da extensão universitária na UFRJ.

Esperava com esta medida dar um passo em direção a implantação de atividades de extensão

que estivesse de acordo com as determinações da PR-5, Esta medida, no meu entendimento

seria capaz, não apenas reduzir os esforços necessários à construção e à implantação de um

projeto de extensão mas também, e principalmente, potencializar a capacidade de produção

do próprio hospital. Porém outros horizontes começaram a se delinear, especialmente em

decorrência do entusiasmo e da capacidade do grupo que começou a germinar.

A cada encontro que tive com a clientela e com a equipe do ambulatório do hospital

público onde trabalhava ficava, para mim, mais patente a diferença existente entre a clientela

do serviço particular que conheci como cliente e a do serviço público no qual estava, na

época, fazendo parte como membro de uma equipe interdisciplinar. A proporção da clientela

masculina no serviço público é infinitamente menor do que no serviço privado, as causas

desta diferença deverão ser abordadas ao longo do desenvolvimento desta dissertação,

embora não faça parte do seu escopo. Apesar de o número de homens que procuram os

serviços privados de reprodução humana seja pequeno se comparado ao número de mulheres

lá encontrado, este número é extremamente maior do que o número de homens que procuram

ajuda nos serviços públicos. Comparando o número de homens visto no serviço privado, o

número de homens que encontrei no serviço público poderia ser considerado irrisório. Ainda

não foram analisadas as causas que levavam cada grupo a procurar cada serviço, talvez este

seja um tema para uma outra pesquisa a ser realizada em breve. Apenas em nível de

conjectura, pode ser que a dificuldade de se mostrar incapaz de gerar um filho seja a causa e,

como observou Moscovici (1978: 50) “O trabalho e o desempenho sexual funcionam como

as principais referências para a construção do modelo Masculino de comportamento dos

35
homens”, sendo assim, seriam de se esperar que estes tivessem dificuldade para expor uma

incapacidade em qualquer um destes dois aspectos.

O apoio de duas docentes foi fundamental para me impulsionar neste estudo. Uma

das docentes era a responsável pelo próprio serviço onde o projeto de extensão foi

construído, a outra docente era uma das professoras da Escola de Enfermagem Ana Nery e

foi ela quem mais me incentivou a iniciar uma pesquisa “sensu estricto” sobre reprodução

assistida com ênfase em infertilidade masculina e, por ser esta docente uma entusiasta da

Teoria das Representações Sociais (TRS), influenciou meu o caminhar neste sentido e

direção. A orientadora foi uma espécie de guru que iluminou o meu caminho e favoreceu

uma maior e mais íntima aproximação com esta teoria. Assim, tive a vantagem de definir

desde os primeiros passos, a abordagem do meu estudo e, desta forma, pude seguir todo o

percurso, até aqui percorrido, com um olhar bem fundamentado e ancorado pela teoria. Por

estas razões participei, como aluno especial, da disciplina “Metodologia da Pesquisa: Teoria

das Representações Sociais” oferecido no segundo semestre de 2008 pelo Núcleo de Pós-

graduação da Escola de Enfermagem Anna Nery, o que me empolgou e me conduziu para o

Mestrado.

Em setembro de 2008, um mês antes de submeter o presente anteprojeto de

dissertação de mestrado ao Núcleo de Saúde da Mulher e à Coordenação de Pós-graduação,

afastei-me das atividades que desempenhava no Hospital e, por conseguinte, declinei da

Coordenação de Extensão, e não poderia ser de outra forma, porém não me desliguei

completamente das atividades ambulatoriais relacionadas com a assistência em saúde

reprodutiva nem dos cuidados relacionados a reprodução humana. Em face do meu

envolvimento com a questão e com as atividades e do meu entusiasmo em construir uma

realidade diferente, que não foi possível continuar naquela instituição, me lancei no

empolgante desafio de instituir um projeto de extensão com características semelhantes em

36
outra instituição nosocomial da UFRJ, e consegui aprovar um projeto no semestre seguinte,

estava assim garantido o espaço para realizar atividades extensionistas e, também busquei

um modo para poder continuar realizando, ao menos esporadicamente algumas das

atividades que, de certa forma, ajudei a impulsionar quando era funcionário daquele

nosocômio e respondia pela coordenação de extensão.

1.3 - Problematização e Objeto de Estudo:

1.3.1 - Questões norteadoras:

Ao lançar-me em pesquisas para conhecer e entender as causas, as conseqüências e

os mecanismos da infertilidade conjugal cuja origem fosse masculina e/ou mista fui

conduzindo às buscas de repostas a partir da luz das representações sociais, o que me

permitiu “passear” pelos significados (representações sociais, senso comum, consensos)

relacionados aos conceitos tais como: paternidade, masculinidades, gênero e machismo de

homens que estão envolvidos na busca da paternidade, através de assistência à saúde

reprodutiva, em virtude de vivência de dificuldade no processo reprodutivo.

Vejamos por que, na minha opinião, seria interessante realizar uma pesquisa sobre

estes assuntos: Ser pai no mundo de hoje é assumir um “status quo” diferente do que era

determinado pela assunção da mesma condição há tempos atrás. Isto porque a própria

condição da paternidade não possui mais o mesmo significado que possuía no século

passado, este fato, apesar de facilmente perceptível não é facilmente comprovado. Uma das

possíveis justificativas repousa na evolução do saber na área de saúde e especialmente na

área de assistência à saúde sexual e reprodutiva, com foco na assistência em reprodução

humana. A evolução nesta área de conhecimento determinou novos conceitos para esta

37
palavra tão antiga. Não pretendo aqui fazer uma análise semântica mais profunda, mas vale

ressaltar que há distinções marcantes entre o papel e o significado da palavra pai, e que isto é

especialmente perceptível no período que se inicia após a virada do último Século.

A humanidade alcançou um grau de desenvolvimento impensado há 30 anos atrás.

No final da década de 70, mais precisamente em 1978, a sociedade mundial assistiu perplexa

ao nascimento de Louise Brown, o primeiro “bebê de proveta” como ficou conhecida, a

primeira experiência positiva com reprodução humana assistida com uso da técnica da FIV.

(Só por efeito de informação, Louise é hoje Enfermeira na cidade ode nasceu). No Brasil o

fato foi reproduzido com êxito em 1984, cinco anos após o primeiro caso de sucesso. De lá

pra cá muito se caminhou. Os avanços tecnológicos na área de saúde, inclusive no que tange

à saúde sexual e reprodutiva e em especial no que concerne às técnicas de assistência à

reprodução humana são incontestavelmente imensos. Tanto com relação aos procedimentos

diagnósticos como ao que se refere ao tratamento propriamente dito, seja este atendimento

cirúrgico ou medicamentoso ou realizado através da associação dos dois

processos/procedimentos, faço um especial destaque para os avanços alcançados pela

Medicina e por outras áreas de conhecimentos da saúde como a Enfermagem, o Serviço

Social e a Psicologia, relacionados aos atendimentos de casos de infertilidade masculina.

Estes avanços estão intimamente ligados ao desenvolvimento de novos medicamentos e aos

procedimentos decorrentes do desenvolvimento e da disseminação do uso da técnica de ISCI

a partir de 1992, sendo usada isoladamente ou de maneira associada à FIV, o que tem

possibilitado a muitos homens alcançarem a paternidade biológica em condições que seriam

impensadas até mesmo nos países com mais larga experiência e maior know-how na área de

reprodução humana assistida a 10 anos atrás. Entretanto, apesar de todas as vantagens

determinadas pelo domínio dessas técnicas, há também pontos negativos. Estes avanços

trazem à reboque muitas outras questões, estas questões suscitam aspectos éticos, legais e até

38
religiosos. Um episódio recentemente suscitado foi o caso levantado com a realização de um

procedimento de inseminação com espermatozóides congelados, aspirados de um paciente

clinicamente em morte cerebral, o que suscitou grande polêmica nos meios de comunicação

pela confirmação da possibilidade de reprodução a partir de material genético de pacientes

clinicamente mortos, como foi observado em abril de 2009. Souza, Moura e Grynszpan

(2008) afirmam que o potencial da reprodução assistida, inclusive no Brasil, tem se mostrado

ilimitado, porém ressaltam que um dos desafios do século XXI é tornar estas técnicas mais

accessíveis. É neste aspecto que reside um questionamento inquietante, é necessário

encontrar justificativa capaz de permitir o entendimento das razões e do porque de serem os

serviços de atendimento em reprodução humana assistida, em sua maioria, particulares ou de

estarem relacionados com outros serviços ou atendimentos de caráter particular ou não

gratuito. Há um outro porém, no que tange aos gêneros, apesar das conquistas tecnológicas

na área de saúde reprodutiva, e dos avanços nas questões relacionadas ao dualismo homem /

mulher, nas sociedades sexistas ainda está bem definido o papel “esperado” para homens e

mulheres. Por esta razão, uma discussão que aborde esta questão deve ser pensada e

efetivada com o cuidado de não se reduzir palavras ou o tema ao natural ou ao biológico. Há

sérios questionamentos neste âmbito, pois a evolução social não resolveu todos os problemas

nem deu conta de todas as questões ligadas à paternidade, à sexualidades e às questões de

disputa de poder e de espaço dos gêneros (machismos, masculinidades X feminismos,

feminilidades). Apesar das conquistas já mencionadas e da queda de alguns tabus e

preconceitos decorrentes de avanços determinados, inclusive e especialmente, pelo

movimento feminista, ainda há questões de disputas entre os gêneros e percebemos um forte

viés de “machismo” nas relações homem-mulher em algumas questões nas sociedades

sexistas contemporâneas.

39
O número de homens que procuram os serviços de assistência em reprodução

humana, assim como o número daqueles que procuram outros serviços de saúde, parece não

refletir a estimativa de homens que provavelmente apresentam problemas relacionados à

dificuldade ou à incapacidade de reproduzir, isto é patente especialmente nos serviços

públicos. Este dado sugere que, ainda hoje, em geral a responsabilidade por estar preocupada

e por buscar atendimento seja uma atitude que fique a cargo da mulher, salvo raras exceções.

Porém Souza, Moura e Grynszpan (2008) demonstram que, principalmente nos países em

desenvolvimento, a mulher é o foco maior da propedêutica e da “culpa social” da

infertilidade, o que pode ser um indício da localização da fonte desta desigualdade de

proporção dos gêneros, observadas na realidade dos serviços de atenção em saúde

reprodutiva no Brasil.

A imagem do “masculino” que uma sociedade sexista determina para os homens é,

de acordo com Nolasco (1995:19) “uma imagem de machismo e de virilidade muitas vezes

tão mutiladora para o homem como a imagem da feminilidade para a mulher”.

Homens não encontram um equivalente masculino para a preocupação com o corpo

e a saúde feminina. Segundo Gomes (2008: 14) “Os homens não tiveram seu corpo, como

corpo reprodutor, tomados pelas estratégias biopolíticas de controle e disciplina

reprodutiva”. Podemos pressupor que, talvez por esta e por outras razões seja mais comum

se encontrar mulheres em busca de assistência na área da saúde reprodutiva, mesmo quando

o problema da infertilidade está comprovadamente relacionado ao homem, o que ocorre na

maioria dos serviços. Gomes (2008), Castro, Silveira Castro e Queiroz (2008) negam a

existência de qualquer relação entre uma retomada de questões, entendidas como,

tradicionais de saúde dos homens e a ocorrência de uma recuperação ou reabilitação de

“presenças” ou “atenções” que foram perdidas ao longo da existência da sociedade

ocidental a partir de cada indivíduo, na construção de sua representação social de homem

40
não só macho ou masculino mas como “um corpus” do sexo masculino diferente do

“corpus feminino”, não apenas por dimensões anatômicas (biológicas) ou funcionais (de

gênero), também e, principalmente, por guardar em suas diferenças e distinções outras

questões, inclusive de ordem de poder e de responsabilidades que a sociedade determinou

como específico de cada um desses “corpi”. Parece haver ainda hoje no senso comum ou

talvez apenas um consenso quanto a uma responsabilização no elemento feminino do casal,

para as questões de dificuldade ou de incapacidade de engravidar. Aparentemente

sistematicamente este fato não é questionado por membros de algumas equipes que atuam

em serviços de saúde que atendem pacientes com problemas de infertilidade conjugal, apesar

de haver dados estatísticos com fundamentação epidemiológica de diversos estudos que

demonstram que as causas da infertilidade humana estão distribuídas quase que

uniformemente entre homens e mulheres, sendo a condicional idade mais relevante do que o

fator sexo, pois é mais comum observar casos de infertilidade humana em elementos de

casais com idades mais avançadas do que naqueles mais jovens e já foi comprovado que a

razão idade / fertilidade é inversamente proporcional.

Portanto, há motivos diversos para inaugurar um debate sobre este assunto, Gomes

(2008) abre um interessante campo de reflexão acerca da relação dos homens com as

questões de saúde, discorrendo sobre relações de gêneros, sexualidades e masculinidades,

tomando como base o modo pelo qual estas questões são representadas pelos homens e os

reflexos derivados a partir destas representações na saúde masculina. É importante que se

ressalte que estas questões chegam a influenciar a saúde do casal e inclusive da mulher e da

família. É fato facilmente comprovável que os homens são encontrados em menor número

nos serviços de saúde, qualquer que seja a faixa etária, a classe social, a situação econômica

ou o lugar de moradia, mas as causas parecem não ser apenas relacionadas à disponibilidade

de tempo (dos homens) ou a predisposição maior para se cuidar (das mulheres) há muitos

41
outros aspectos que precisam ser considerados nesta análise, de maneira que se possa evitar

recorrer a uma resposta simplista, Saffioti (1987), Nolasco (1995), Pasqualotto (2007) e

Gomes (2008) entre outros podem ajudar a entender a complexidade desta realidade.

Pesquisar reprodução humana pautando no campo de saúde da população

masculina, quando há tantos outros problemas que, para a maioria dos homens e para uma

parcela significativa da sociedade é mais premente, poderia parecer inoportuno sem os

pressupostos já aqui apresentados. Por isso é importante que se considere o que coloquei no

início da introdução deste estudo, sobre a valoração das questões que atormentam a

humanidade ou um simples indivíduo para relativizar a afirmação de que essa

(des)importância do assunto só existe para quem está afastado dele. Para além do que já foi

abordado, é necessário que se mergulhe um pouco mais na questão do gênero.

Embora a desconstrução do machismo nas sociedades eminentemente patriarcais

dos países ocidentais em desenvolvimento e nos subdesenvolvidos seja um processo em

franca atividade, é patente que isto é um processo lento e que está atrelado a mudanças

conceituais que englobam, no bojo da discussão, além da questão do machismo propriamente

dita, os conceitos de virilidade, fertilidade e paternidade, além do próprio conceito de família

e dos papeis de cada elemento que a compõe.

Neste aspecto ancoro minha representação e minha linha de raciocínio no que diz

Gomes (2008: 8) “trata-se de uma nova construção de saúde dos homens”. Este autor visita,

com propriedade através de um passeio epistemológico e de novas formulações teórico-

conceituais as questões relacionadas ao machismo, à virilidade, à fertilidade, à infertilidade e

à paternidade e discute suas correlações entre si e destas com as construções de conceitos e

de representações de família, de maternidade, de homem, de mulher e de vida doméstica que

são indispensáveis ao desenvolvimento da linha mestra do presente projeto de dissertação.

Para Gomes (2008: 7) “é sabido que, através da história, essas construções de família,

42
maternidade e vida doméstica se inserem no bojo da maior valorização dos homens

relativamente às mulheres, destinando-lhes poder social desigual com primazia masculina”,

mas este ao será o foco deste estudo.

A origem da cultura que definimos como machista se perde na história, foi e está

sendo perpetuada por fatores diversos que, talvez, já não se sustentem na organização social

da atualidade, (ruptura de núcleo central da representação social) determinando pressões para

mudanças neste sentido, o que tem produzido tensões sociais. Neste aspecto, concordo com a

tese proposta por autores que propõem haver um movimento de alteração do referido núcleo

central das representações sociais do papel do homem na sociedade, ancoro este pensar

utilizando contribuições de Nolasco (1995), quando afirma que muitos homens, apesar de

não se identificarem com este estereotipo demonstram em seu discurso a redução do

masculino ao machismo, atribuindo essa característica aos reforços recebidos ao longo de

suas vidas. Para o mesmo autor (1995: 18) “... os homens foram socializados para calar o

sofrimento, o prazer ou a fantasia para outro homem...” embora este cenário venha sofrendo

um forte processo de modificação nas últimas três décadas, que se iniciou pela reflexão

feminina sobre as questões e o cotidiano masculino. A pena para quem não se submete a esse

código ainda é a pecha de afeminado.

Segundo Domingues (2008), o pesquisador Jorge Lyra da Fonseca, do Instituto

Papai, do Recife, renomado estudioso do tema das masculinidades, com mais de uma década

na área, observa que muitos homens vêem o cuidado com a saúde como uma “coisa de

mulher”.

1.3.2 - Objeto de estudo:

Diante da problemática estabelecida e aqui identificada e apontada, pretendo

desenvolver a presente dissertação de mestrado tendo como objeto de estudo: as

43
representações sociais relacionadas à infertilidade humana masculina a partir do ponto de

vista de homens que buscaram ou que estão buscando assistência para seus problemas

relacionados com fertilidade.

Há relevância em algumas questões para as quais acredito que haverão

contribuições da presente dissertação, além disto espero que a pesquisa possa suscitar

discussão e até mesmo Pontos de vista para responder. Estas questões se ancoram, mas não

se limitam apenas ao que se segue:

Como os homens que passam pela experiência da infertilidade conjugal se vêem?

Como eles imaginam ser a expectativa social em relação a um homem infértil?

Como eles se representam frente a uma sociedade sexista que valoriza questões

relacionadas ao gênero, as sexualidades, a virilidade, a masculinidade e na qual ainda se

identifica um forte viés machista?

Há alguma identificação entre suas expectativas e frustrações referentes à

paternidade, virilidade, masculinidades, sexualidades e outros aspectos presentes no senso

comum?

Como isto interfere em suas relações pessoais e sociais?

Como vivem sua sexualidade, sua masculinidade e sua virilidade?

Há relações entre estes aspectos e a representação social de paternidade?

Frente a estes questionamentos formulei os seguintes objetivos para nortear este

projeto de dissertação:

1.3.3 - Objetivos:

• Descrever as representações sociais dos homens em relação à situação

vivencial de infertilidade conjugal cuja origem seja masculina ou dupla;

44
• Analisar os reflexos das representações sociais da infertilidade conjugal cuja

origem seja masculina ou dupla nos conceitos como: Paternidade,

masculinidade, virilidade e sexualidade;

• Discutir as expectativas dos homens que vivem a infertilidade face às

possíveis alternativas de cuidados.

1.3.4 - Justificativa ou relevância:

Em março de 2007, ao tomar posse como ministro da Saúde, o sanitarista: José

Gomes Temporão anunciou 22 prioridades de sua gestão, uma delas foi a criação, a

implantação e o desenvolvimento de uma “Política Nacional de Atenção à Saúde do

Homem”. Algo semelhante à “Política de Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher e

da Criança”, porém resguardada suas diferenças e particularidades. No início do ano de

2008, foi dado o primeiro passo. Com a criação de um grupo que passou a discutir assuntos

relacionados com esta questão, ficou conhecido como grupo da “Área Técnica de Saúde do

Homem”. As ações deste grupo ficaram subordinadas ao “Departamento de Ações

Programáticas Estratégicas” (DAPE), da “Secretaria de Atenção à Saúde”. No mês de

setembro de 2008, o segundo passo foi dado: juntamente com representantes da sociedade

civil, o grupo da área técnica terminou de elaborar a proposta dessa política nacional, que

ficou em consulta pública de 10 a 30 de setembro daquele mesmo ano.

É necessário que se perceba qual é a importância destas medidas, uma vez que, em

última análise, poderão ser determinantes para uma ruptura do paradigma da atenção à saúde

do homem adulto.

Cabe ressaltar que diversos estudiosos das questões de saúde relacionadas às

distinções de gênero já apontavam para uma necessidade de se operar uma mudança no

sistema de saúde vigente que pudesse permitir a inserção do homem em um espaço próprio e

45
adequado as suas demandas de saúde e, também e principalmente, capaz de se adaptar às

necessidades específicas da abordagem do gênero masculino no que tange aos cuidados com

o seu corpo e a sua saúde.

1.4 – Contribuição do Estudo:

1.4.1 - Contribuição do estudo para a sociedade, a academia e a ciência:

Nos debates assim como na atuação nas questões relacionadas à reprodução

humana assistida é imprescindível que o trabalho ou a atividade seja realizada em equipe e

que esta equipe tenha uma configuração multiprofissional que permita uma aproximação a

partir de uma abordagem interdisciplinar. Também vale ressaltar que, apesar de haver muita

produção nesta área, ainda há um espaço amplo para se pesquisar e produzir sobre o assunto.

Acredito que estarei, com este estudo, não só ampliando conhecimentos a cerca do tema de

modo a contribuir para novas propostas de abordagem multiprofissional / interdisciplinar,

como também, propiciando melhorias que poderão ser aplicadas nos atendimentos dos

homens em situação de infertilidade. Estou convencido de que o aprofundamento dos

conhecimentos nesta área será de grande valia para a sociedade: a partir da possibilidade de

melhorias já debatidas; para a academia: ao passo que permitirá que mais profissionais,

docentes e pesquisadores se ocupem com este tema em suas atividades e; para a ciência: uma

vez que há lacunas no campo da saúde dos homens, especialmente no que tange a saúde

reprodutiva e a infertilidade humana masculina, que precisam de um olhar mais

multicêntrico e holístico capaz de dar conta de uma complexidade pouco perceptível neste

momento no campo da saúde.

46
Espero que esta dissertação possa também contribuir para a construção de uma nova

abordagem fundamentada também, mas não somente na questão dos gêneros nos campos da

área da saúde reprodutiva, da paternidade, da sexualidade e da articulação dos saberes para a

saúde dos homens, enquanto elemento único composto por mais de um viés de gênero, de

sexo, de sexualidades e de virilidade. Creio ainda, que a abordagem com esta finalidade não

pode ser exclusivamente elaborada a partir de um saber, mas que deva ser construída a partir

de saberes só encontrados no resultado potencializado da soma dos saberes de uma equipe

multiprofissional envolvida e determinada a construir tais saberes a partir de ações de caráter

interdisciplinar. É neste sentido que concordo com Gomes (2008: 160):

“Os profissionais não precisam apenas ser preparados para exercer o seu
ofício. Principalmente em relação àqueles que atuam no serviço público de saúde,
é necessário, entre outros aspectos, que se sintam apoiados no espaço de suas
equipes”.

Em outras palavras, é necessário que haja uma mudança na forma de enxergar as

diferenças de pontos de vista determinados pela formação profissional do profissional nas

questões de enfrentamentos dos gêneros. Mas esta mudança não é algo simples, tampouco é

apenas uma troca de lugares de detentor do poder e do sistema de empoderamento sócio-

cultural vigente hoje entre homens e mulheres nas sociedades ocidentais, como discutido por

Gomes (2008).

É necessário que os profissionais que atuam na área da saúde dos homens sejam

capazes de romper o paradigma da masculinidade definidora do gênero masculino como um

elemento opressor e repressor da feminilidade. Neste aspecto concordo com Lyra-da-

Fonseca (2008) que critica a forma com que a mídia cobre a atenção à saúde do homem,

afirmando haver uma mensagem subliminar homofóbica, quase sempre relacionada ao

47
exame de toque3, que é tratado com ironia. Concordo com a afirmação deste autor, Lyra-da-

Fonseca (2008), quando diz que este fato acaba afastando o homem dos serviços de saúde.

Ainda este autor Lyra-da-Fonseca (2008: 27) conclui: “a masculinidade era pensada

como dispositivo de opressão. Via-se o homem como sujeito secundário ou instrumental

para a promoção da saúde da mulher, em parte pela carência de estudos sobre

masculinidade, em contraposição à força do movimento feminista”.

Nolasco (1995:18) corrobora

“O desejo de mudança associado a uma crítica ao papel socialmente


desempenhado por eles (homens)4 diante das mulheres e da casa tem sido pano de
fundo das representações das mudanças no comportamento masculino”.

Embora estas mudanças ainda não tenham sido capazes de desconstruir o fundo

machista que existe no consciente coletivo da nossa sociedade.

Ainda segundo Nolasco (1995:13) “Homens, fomos criados para calar o sofrimento,

o prazer ou a fantasia” o homem, em nossa sociedade, não foi preparado para fazer escolhas

afetivas ou profissionais. Esta incapacidade masculina é apontada pelo autor, no que

concordo plenamente, como uma das causas da dificuldade que os homens demonstram de

participar do processo de mudanças deste paradigma. Este pensamento também é explicito

para Gomes (2008).

Novos enfoques teóricos e metodológicos são necessários para superar os desafios

predominantes que se revelam restritivos em termos da busca por serviços de saúde e por

assistência aos problemas de infertilidade conjugal / masculina, que possa ser mais adequado

ou estar mais em conformidade ao que é esperado por parte dos homens. Para alcançar esse

ideal será necessário romper paradigmas e vencer preconceitos, inclusive, e principalmente

3
Trata-se aqui do exame de toque unidigital utilizado pelo examinador no momento de avaliar a morfologia e
a topografia da próstata do indivíduo, o que, na cultura ocidental remete a questões de repressões sexuais e
homossexualidades.
4
Nota do candidato. Aqui a palavra homem é utilizada como substantivo que se opõe à palavra mulher
diametralmente, estando eqüidistantes em relação à questão se gênero e sexo. Ou seja, uma visão
reducionista.

48
dos próprios membros de alguns serviços que assistem aos homens e aos casais

pretensamente ou efetivamente inférteis, temporária ou definitivamente.

Neste aspecto compactuo integralmente com Gomes (2008) que propõe novas

formulações teórico-filosóficas para adequação do trato do assunto. O autor Gomes (2008)

ultrapassa, sem negar a realidade dos corpos de sexo masculino, as representações dos

homens no conhecimento científico para a aproximação tradicional desse campo de

conhecimento, que reduz os homens à sua condição e dimensão natural biológica e, mais

precisamente, ao modo biomédico de se aproximar dos seres vivos (da biologia) e da própria

natureza, favorecendo uma nova dimensão e uma nova representação deste ser “homem”.

Os usuários freqüentemente consideram o tratamento de reprodução assistida física

e emocionalmente estressantes afirma Souza, Moura e Grynszpan (2008). Muitos acreditam

ser a última chance de engravidar.

Quanto a este aspecto, o presente projeto pretende contribuir para a criação de um

campo de discussão acerca de alguns dos fatores que hoje compõem o cenário de base da

realidade no campo da assistência à saúde, sendo um elemento promotor de questionamentos

deste assunto, especialmente enfatizando as questões relacionadas ao senso comum e aos

conceitos e preconceitos acerca do tema, de forma a contribuir para uma reflexão mais

profunda dos profissionais que atuam na assistência no campo da infertilidade, sobre o

assunto e, por fim, estabelecer como resultado desta pesquisa, o campo das representações

sociais masculinas acerca da infertilidade humana de origem masculina ou mista. Pretendo

também, com o desenvolvimento do presente estudo, contribuir para a apropriação de

ferramentas para a discussão da realidade no que tange à assistência à saúde de casais com

problemas relacionados à infertilidade conjugal, através do desvelar das representações

sociais masculinas frente aos problemas da infertilidade conjugal, quando o homem é o

portador único ou co-portador da incapacidade de reprodução temporária ou definitiva do

49
casal. Marcadamente, este estudo é também uma denúncia da perpetuação da mentalidade

machista5, de profissionais e usuários, em uma área de conhecimento relativamente nova. A

reprodução assistida em seres humanos é praticada a menos de 50 (cinqüenta) anos.

Parece haver uma naturalização dos comportamentos e das atitudes masculinas

frentes aos problemas de saúde e uma determinação mecânica estrutural de modo a justificar

a identidade masculina e sua conduta frente aos problemas de saúde e, de certo modo, isto

não é questionado pela maioria dos profissionais que assistem a clientela masculina. Saffioti

(1987) afirma que:

“A identidade social da mulher, assim como a do homem, é construída


através da atribuição de distintos papéis, que a sociedade espera ver cumpridos
pelas diferentes categorias de sexo”.
A enfermagem por sua vez, como afirma Queiroz (2002: 8) “parece ter caminhado

no sentido da corrente que se omite em face da problemática aqui enfocada”. A autora

denuncia a falta de pesquisas da enfermagem para o campo da reprodução humana assistida.

O que foi comprovado por mim durante o processo de levantamento do estado da arte,

quando realizei uma revisão bibliográfica sobre o assunto.

Uma das questões pouco abordadas até hoje e praticamente não abordadas por

enfermeiros é o discurso sobre a infertilidade. – O que há nas “falas” dos homens que

vivenciam a experiência de vivenciar dificuldades relacionadas à reprodução? – Será que o

inconsciente coletivo e a as representações sociais se desvelam em seus discursos? – E se, se

desvelam, isto é perceptível para os membros da equipe ou influencia os profissionais que

prestam assistência?

O que ocorre com o microcosmo daqueles (sejam homens, mulheres ou casais6) que

buscam e não conseguem uma gravidez? Pergunta Souza, Moura e Grynszpan (2008). A
5
Creio que esta é uma das principais relevâncias e uma das mais importantes contribuições que este estudo
poderá proporcionar.
6
Nota do autor: em nossa experiência, muitas vezes é o homem sem uma mulher, uma mulher sem um
homem ou um casal formado por homens ou por mulheres que buscam o serviço e não o que, em geral, se
entende por casal.

50
resposta a este questionamento é algo que somente pesquisas podem dar conta e, eu espero,

torço e acredito que esta pesquisa também poderá contribuir para construir uma resposta.

Aí estão algumas das contribuições que espero propiciar com o desenvolvimento

deste projeto de dissertação , como todo processo em construção pode ir além do que tenho

como expectativa, ou pode estagnar aquém destas minhas preensões de pesquisador, mas isto

só o realizar deste projeto poderá demonstrar.

51
CAPITULO II:

2 - FUNDAMENTAÇÃO:

2.1 - BASES CONCEITUAIS:

2.1.1 - Paternidade, Fertilidade, Virilidade, Masculinidades e Machismo:

Quando se abordam questões como “paternidade” e “fertilidade” não há como não

passar, ainda que em algum momento, por discussão de conceitos relacionados à virilidade,

masculinidades e machismo e de abordar as questões relacionadas aos gêneros. A relação

entre estes aspectos é extremamente estreita e íntima, chegando há permitir certa confusão,

em geral determinada por questões semânticas ou sintáticas dos termos utilizados. Assim,

exatamente porque este estudo será sobre infertilidade humana masculina e, porque abordará

os temas aqui apontados, encontramos muitas alusões a estes termos no corpo deste trabalho.

É necessário, julgo eu, além de ser importante que se faça uma definição destes conceitos.

Diversos autores apontam para uma associação nas representações sociais entre a

fertilidade e à virilidade masculina e entre a virilidade e o machismo Schaffer & Diamond

(1994); Borlot & Trindade (2004); Pasqualotto (2007) e Gomes (2008). Além de comungar

com esta tese, também estou certo de que, ao menos em parte, há um limite estreito e muito

mal definido entre o que é convencionalmente entendido como machismo e o que é uma

postura violenta de homens, sem relação com questões de gênero.

O inconsciente coletivo, neste aspecto, parece ainda possuir um viés impregnado do

conceito de machismo, relacionado com a figura do homem opressor, autoritário e


totalitarista, que cerceia qualquer direito a manifestação de juízos de valor por parte das

mulheres.

Claro que é preciso ressaltar que isto, embora seja corrente, não é a única forma de

entendimento, mais do que isto, que está não é a única forma vigente de perceber e de

enfrentar o mundo, quanto a isto compactuo com o pensamento expresso por Nolasco

(1995:18):

“Um pequeno número de homens brasileiros, individualmente,


começam a representar como constroem seus vínculos afetivos e de trabalho fora
do crivo do estereótipo social para eles definidos”.

Como os homens pensam e agem frente à infertilidade masculina? Será que esta

condição afeta a sua masculinidade, sua sexualidade, ou sua virilidade? Como se vêem como

pai? Na impossibilidade de gerarem filhos naturais, eles ponderam sobre a possibilidade de

adoção? Além disto. Estes conceitos, assim como estes costumes estão mudando ao longo do

tempo?

Para reduzir, no processo de elaboração da presente pesquisa, a possibilidade de

confusão nos conceitos até aqui mencionados por mim, Julgo serem necessárias algumas

definições:

“Fertilidade: do Lat. Fertilitate. s. f., qualidade do que é fértil; feracidade;

fecundidade; fig., abundância; opulência. de macho. s. m., neol., atitudes ou modos de

macho; ideologia segundo a qual o homem domina socialmente a mulher; subalternização

da mulher”.

Segundo Souza (2008: 91):

“A fertilidade é a capacidade em conceber um filho e em levar a termo

uma gravidez até ao parto”.

53
Paternidade: do Lat. Paternitate. s. f., qualidade de pai; tratamento dado aos

religiosos; qualidade de autor; fig., autoria.

Segundo Nogueira (2001: 85):

“A definição da paternidade está condicionada à identificação da posse


do estado de filho, reconhecida como a relação afetiva, íntima e duradoura, em
que uma criança é tratada como filho, por quem cumpre todos os deveres
inerentes ao poder familiar: cria, ama, educa e protege”.

Machismo: s. f., qualidade ou estado de quem é macho; s. m. atitude de

superioridade do homem em relação às mulheres.

A palavra machismo está associada ao sistema patriarcal (sistema familiar e social

ensinado na Bíblia, no Alcorão e em outros livros também religiosos). Nesse sistema, o pai é

o líder da família sob todos os aspectos.

Virilidade: do Lat. Virilitate. s. f., qualidade ou estado de viril; idade do homem

entre a adolescência e a velhice; aquilo que constitui o sexo masculino, as propriedades

somáticas e psíquicas do homem; fig., vigor; energia.

Outra definição é dada pelo dicionário on-line kinghost:

Virilidade: do Lat. “s.f. Qualidade de viril. / Plenitude da capacidade sexual do

homem. / Faixa etária entre a adolescência e a velhice. / Esforço, vigor, coragem”.

Gomes (2008b: 108) afirma que “a virilidade pode ser traduzida pela

disponibilidade para se relacionar sexualmente, representando o princípio da iniciativa

sexual”.

Por fim, é necessário definir:

Masculinidade – Esta palavra surgida no Século XIII, pretende explicitar critérios

de diferenciação entre os sexos. Enquanto esta palavra remete à identidade de gênero,

enquanto masculino remete à identidade sexual.

54
2.1.2 - Infertilidade conjugal / masculina:

Entendo que seja importante também uma definição do termo “infertilidade

conjugal masculina” . Neste aspecto, tal definição busca uma melhor compreensão do que

chamarei, ao longo do presente estudo de: “infertilidade masculina”. Ressaltando ainda que,

embora este não seja o objetivo desta pesquisa, optei por fazer uma revisão bibliográfica

sistemática sobre o assunto, por julgar que o estabelecimento do “estado da arte” será

importante, uma vez que se trata de um assunto novo (menos de 50 anos de

desenvolvimento) e com uma produção de saber extremamente acelerada. Ressalte-se que a

ação mais importante que busquei com esta medida foi a diferenciação dos termos

anteriormente citados com o termo “infertilidade humana masculina”.

A definição de infertilidade varia de acordo com a fonte consultada. Da mesma

forma a definição de infertilidade masculina é variável. Por dedução, a definição de

infertilidade humana masculina pode ter diversas formas e abordagens.

Admitimos a definição de “infertilidade conjugal” proposta por Pasqualotto (2007:

103): “É a incapacidade do casal sexualmente ativo, em idade reprodutiva, sem uso de

métodos contraceptivos, de estabelecer gravidez após um ano de vida íntima ativa”. Uma vez

que dados estatísticos demonstram que casais que mantêm uma ou duas relações sexuais por

semana sem uso de métodos contraceptivos tendem a engravidar no intervalo de um a dois

anos, independente de uso de métodos, técnicas ou medicamentos para favorecimento desta

gravidez.

Tal definição amplia o que é definido pela Organização Mundial de Saúde. Segundo

a OMS, é considerada “infertilidade conjugal”: “a ausência de gravidez em um casal com

vida sexual ativa, sem uso de medidas contraceptivas, em um período de 1 ano ou mais”.

55
Enquanto a OMS estabelece a vida sexual ativa e a ausência de métodos contraceptivos para

parâmetros de inclusão, Pasqualotto utiliza a idade reprodutiva e a vida íntima ativa como os

limitadores, uma visão mais ampla.

Mas, o que é “infertilidade humana conjugal”? Perceba que além das palavras

infertilidade conjugal, estamos incluindo a qualidade humana para restringir nosso campo de

definição e para que possamos depois partir para a distinção com o que chamaremos de

masculino em oposição ao que conhecemos como feminina.

Ainda Segundo a OMS. Pode-se classificar a “infertilidade humana conjugal” em:

a) Infertilidade primária: quando a infertilidade é identificada na ausência de

gestação prévia.

b) Infertilidade secundária: se a falha na capacidade reprodutiva se estabeleceu

após uma ou mais gestações.

c) Esterilidade: quando a incapacidade de gestar é definitiva.

d) Aborto habitual: ocorrência de três ou mais interrupções espontâneas

consecutivas da gestação com idade de até 20 semanas.

Uma classificação que considere a origem da infertilidade é importante para este

estudo, uma vez que um dos pontos de corte será exatamente a distinção da origem desta

infertilidade a partir do gênero.

Assim temos que uma definição possível para a “infertilidade masculina” seja

aquela que a considera como: a incapacidade de um homem gerar uma gravidez em uma

mulher por meios naturais, quando a mulher não apresenta incapacidade para engravidar de

forma natural, isto é, sem assistência.

No passado se pensava que o responsável pela esterilidade era sempre a mulher.

Ou, pelo menos era essa a norma de conduta quando se pensava em diagnóstico e tratamento,

o que se podia perceber pela tendência de se buscar na mulher a possível causa da

56
infertilidade. Hoje já se sabe que ela (a mulher) é responsável por apenas metade dos casos

de casais que não conseguem ter filhos biológicos por meios naturais. A outra metade dos

casos ocorre por problemas relacionados ao homem, que tecnicamente podem ser chamamos

de “infertilidade masculina” ou para uma precisão maior “infertilidade humana masculina”.

Assumindo que seja o homem o portador único do fator ou de uma associação de

fatores em cerca de 50% do total de casos de infertilidade conjugal como foi demonstrado

por Pasqualotto (2007) em um estudo realizado com mais de 200 (duzentos) casais em idade

fértil. Podemos pensar que seria de bom tom se dar, pelo menos importância e relevância

semelhantes para cada um dos elementos de um casal com problemas de infertilidade. Porém

isto ainda não é uma realidade nos serviços de saúde no Brasil.

Diversas podem ser as causas da “infertilidade conjugal masculina”, por vezes

pode ocorrer associação de diversas causas em um mesmo paciente. Mas, diferente do que

ocorre com as causas femininas, quando o homem é a fonte da dificuldade de engravidar,

necessariamente esta causa estará relacionada ao aparelho reprodutor masculino. Quer seja

no que tange a produção de espermatozóides, quer seja em decorrência de problemas no

trajeto deste espermatozóide até o óvulo, ou mesmo por incapacidade de sobrevida ou de

deslocamento deste espermatozóide. Por esta razão, antes de se decidir por qualquer linha de

investigação para identificação das causas da infertilidade conjugal masculina, o profissional

que atende a casais com problemas de infertilidade conjugal deve realizar um exame físico

acurado e uma anamnese dirigida minuciosa em busca de fatores que potencialmente afetem

a espermatogênese ou indiquem doenças germinativas ou anormalidades do aparelho genital

masculino, além da avaliação do elemento feminino do casal, conforme propõem Glina;

Soares; Meirelles; Antunes Júnior (2003).

Em revisão sobre o tema Castro, Silveira Castro e Queiroz (2008) fazem as

seguintes inferências:

57
As condições mais freqüentes associadas à “infertilidade conjugal masculina”

podem ser divididas entre problemas na produção do espermatozóide e problemas no

caminho destes espermatozóides até o óvulo.

No primeiro grupo estão doenças da hipófise, da tireóide ou da supra-renal (todas

são glândulas que produzem hormônios necessários para a produção do espermatozóide);

traumas ou problemas congênitos dos testículos; problemas provocados pelo uso de

medicamentos, agrotóxicos ou irradiação do testículo; ou varicocele (varizes nas veias do

testículo).

No segundo grupo estão os distúrbios de ejaculação, alguns distúrbios do sistema

imunológico (que em alguns casos podem destruir os espermatozóides produzidos pelo

próprio organismo), alterações congênitas ou cistos das vesículas seminais, obstruções por

malformação congênita, por cirurgia de vasectomia, ou por cicatrizações de infecções no

local e ejaculação retrógrada (que pode ser devido a acidentes ou, principalmente, a cirurgias

da próstata).

Por estas razões, a prova da qualidade do ejaculado quanto à concentração

espermática é uma evidência inegável de infertilidade masculina infere Pasqualotto (2007).

Sabemos que a análise seminal deve ser a primeira fonte de informação laboratorial

sobre o homem. Material para exame deve ser colhido com intervalo de 15 (quinze) dias e a

análise do ejaculado não deve apresentar grande variação entre as duas amostras. Segundo

Pasqualotto (2007) a ênfase deve se focar na concentração, motilidade e na morfologia do

ejaculado.

Estudos Fisiológicos recentes demonstram que a espermatogênese se dá em um

intervalo inferior a 60 dias então a análise individual do ejaculado refletirá as variações que

ocorreram exatamente nos últimos dois meses, portanto o intervalo de 15 dias entre as

amostram coletadas não deverão apresentar grandes variações.

58
É importante ressaltar que a análise do ejaculado não é um teste de fertilidade, pois

esta é multi-fatorial e envolve o casal. Diversos autores têm apontado pára uma correlação

negativa entre a concentração espermática e o ano da avaliação, quando consideramos

intervalos superiores há uma década, é necessário então que os parâmetros utilizados para

análise sejam revistos periodicamente. A OMS determina hoje os seguintes parâmetros de

normalidade para espermogramas:

“Concentração superior a 20 x 106 mL. Total de espermatozóides igual


ou superior a 40 x 106. Motilidade maior do que 50% grau A – B. Morfologia
oval em mais de 30%.”

Dados que confirmam que a capacidade para engravidar está sofrendo um processo

de redução ao longo dos tempos. Muitos autores atribuem isto aos fatores externos afirma

Souza, Moura e Grynszpan (2008).

Embora o foco deste projeto de Dissertação seja a infertilidade conjugal /

masculina, é importante que se ressalte que é necessário tratar o casal, uma vez que o casal é

uma unidade (casal infértil), por isso deve ser avaliado em paralelo ou preferencialmente

junto na fase masculina e feminina. Devemos coletar uma história clínica cuidadosa e

meticulosa de ambos os elementos.

Nesta oportunidade o profissional deve argüir sobre a freqüência da atividade

sexual do casal e o tempo em que estão realizando coito desprotegido e considerar a idade de

cada um dos parceiros.

Normalmente ocorre uma gestação a cada 7 (sete) anos nos casais que mantêm uma

relação sexual por semana Glina; Soares; Meirelles; Antunes Júnior (2003).

Além da freqüência da atividade sexual e da idade dos parceiros, são fatores que

merecem investigação no elemento masculino: criptorquidia, mesmo que unilateral; orquite

pós-caxumba na pós-puberdade; DST como a blenorragia; antecedentes cirúrgicos;

tratamentos de câncer com radio ou quimioterápicos; neoplasia de estruturas relacionadas ao

59
aparelho reprodutor masculino; exposição às drogas ou toxinas ambientais, ao calor

excessivo e a ocorrência de febre; As alterações de cariótipos e as micro-deleções do

cromossomo y.

Os problemas gerados pela tensão entre: o interesse e a vontade de ser pai e, a

impossibilidade de acesso à reprodução, por qualquer que seja o motivo, pode determinar um

bloqueio psicológico nessa clientela.

Dados recentes apresentados por Souza (2008) indicam haver uma estreita relação

entre taxa de fertilidade e fatores ambientais.

A taxa de fertilidade humana vem decrescendo ao longo das décadas, como

comprovam pesquisas que avaliam a interferência de fatores intrínsecos e extrínsecos na taxa

de fertilização de homens Souza (2008) e mulheres Souza; Moura; Grynspan (2008).

É possível que a redução das taxas de fertilidade seja um dos fatores que expliquem

porque hoje assistimos a um crescimento do número de clínicas que oferecem serviços de

reprodução humana assistida (tratamento para infertilidade masculina / conjugal) em todo o

Brasil, inclusive na cidade do Rio de Janeiro. Porém essa hipótese pode ser discutida em

outro estudo.

Dados da “Rede Latino-americana de Reprodução Assistida”, apresentados por

Souza (2008) demonstram que, até 2003, havia 47 centros de assistência à reprodução

humana no Brasil, que realizaram 20.012 ciclos com aspiração de óvulos e que resultaram

em 5.887 gestações e no nascimento de 6.286 bebês afirma Souza, Moura e Grynszpan

(2008). Entretanto, no estado do Rio de Janeiro não havia, de acordo com a autora, serviço

público que oferecesse as técnicas de alta complexidade em reprodução humana.

Notadamente, ainda hoje, menos de 1% (um por cento) destes números se referem a

atividades realizadas em instituições públicas, considerado todo o território nacional e uma

parcela ainda menor se refere a tratamento oferecido aos casais das classes sociais menos

60
favorecidas, o que demonstra o viés excludente do acesso a esta tecnologia, em especial no

estado do Rio de Janeiro, uma das poucas capitais do Brasil que não contam com este

serviço no âmbito público.

Embora o crescimento da demanda e da oferta por este serviço seja um fato,

percebemos que são raros os serviços públicos que oferecem assistência para alta

complexidade nesta área, isto é mais perceptível inclusive em alguma das grandes capitais,

onde se inclui a cidade do Rio de Janeiro.

De acordo com Borlot & Trindade (2004: 63) apesar de não ser este o procedimento

padrão recomendado “quatro em cada cinco casais que buscam tratamento para a

infertilidade conjugal são orientados primeiro a realizar exames para investigar as questões

ligadas à mulher”. Estes dados apontam para o fato de que também deve haver um conceito

de responsabilização da mulher no imaginário popular dos membros de algumas equipes de

saúde. Realidade corroborada por outros autores, tais como: Mason (1993); Glina (1998) e

Bandeira (1999) complementando que apesar da proporção praticamente idêntica para

homens e mulheres na origem da dificuldade de reproduzir, pouca atenção tem sido dada à

experiência dos homens à infertilidade.

Na área da enfermagem, durante o processo de revisão bibliográfica só foram

encontrados 2 (dois) trabalhos produzidos por enfermeiros que versavam sobre infertilidade

humana masculina, em todos os bancos de dados indexados disponíveis on-line na rede

mundial de computadores. Castro; Silveira Castro e Queiroz (2008).

O que é novo necessita de debate para produzir e disseminar os saberes. As técnicas

de reprodução humana assistida criaram uma nova concepção de pai. A possibilidade de uma

gestação a partir da concepção com espermatozóides doados coloca uma situação onde o

homem é pai sem ser biológico de fato e, sem ser adotivo na concepção da palavra e isto não

61
pode deixar de ser pensado e discutido pelos enfermeiros para que a assistência de

enfermagem prestada a estes indivíduos seja adequada a sua realidade.

Um em cada quatro casais com mais de 35 anos sofrerá de infertilidade Schaffer &

Diamond (1994) e 10% dos homens em idade reprodutiva sofrerá de infertilidade em todo o

mundo, alguns poderão ser tratados Pasqualotto (2007).

De acordo com Souza; Moura; Grynspan (2008) a população mundial ainda cresce

a uma taxa de 1,2% / ano, mas este crescimento deve-se mais a uma redução da taxa de

mortalidade do que a manutenção ou ampliação da taxa de natalidade. Estima-se que a

redução das taxas de natalidade nos próximos 75 anos levará a um envelhecimento

populacional, cujas conseqüências são de difícil previsão. Certamente um dos problemas que

enfrentaremos será a necessidade de utilização de técnicas de assistência à infertilidade

conjugal humana, decorrente da idade, em geral mais tardia, em que os casais decidirão

iniciar a construção de suas famílias.

O projeto de constituir família com filhos não é exclusividade das mulheres, muitos

homens também possuem tal objetivo como ideal de vida. Apesar de as razões que levem os

homens a querer reproduzir serem distintas daquelas que impulsionam as mulheres ao desejo

de construir uma prole. Ao tentar concretizá-lo alguns se deparam com a infertilidade, afirma

Borlot & Trindade (2004).

No que tange aos homens, o interesse pela paternidade pode estar relacionada à

necessidade de auto-afirmação como homem, o que guarda estreita relação com questões

como virilidade, masculinidade e sexualidade. Enseja assim a presente dissertação, lançar

um olhar aplicado especificamente à relação dos homens com a saúde reprodutiva, porém

não apenas com uma perspectiva de distinções de gênero, para além, está a pretensão de

desvelar questões como sexualidade, processo de adoecimento, doença, sexualidade, e

62
representações da rica pluralidade da identidade masculina e as estruturações de qualificantes

de valores, crenças e perspectivas sociais presentes em uma mesma referência cultural.

Neste sentido Nolasco (1995:11) esclarece:

“Quando, ao falar sobre o significado de ser homem e sobre a relação com o pai e a
maneira com que desconsideram suas emoções quando fazem uma escolha afetiva ou
profissional em decorrência da tensão que tais assuntos suscitam (solidão, sofrimento e
tensão premente) difíceis de ser identificadas e assumidas no cotidiano”.

Ao observar as representações sociais que homens e mulheres envolvidos com a

temática da infertilidade conjugal constroem sobre o filho biológico não se pode esquecer

que essas representações sociais são permeadas por crenças simbólicas em torno do

significado da paternidade e da maternidade para o casal e para a manutenção do próprio

casamento. Nisto corrobora Nolasco (1995) quando observa que os valores reproduzidos

pelos homens são determinados por um modelo social que tutela os homens e controla seus

desejos e suas subjetividades.

Souza, Moura e Grynszpan (2008 : 11) colocam a seguinte questão:

“Para situar a interrogação sobre o lugar do pai precisamos pensar no corte


epistemológico que a ciência moderna operou sobre o conhecimento como ele era até então,
e como o imperativo da demonstração racional que sustenta a sua validade”.

Em todo o mundo, a prevalência da infertilidade conjugal em um ou em ambos os

parceiros é de cerca de 10% a 15%, independente de fatores sócio-econômicos ou culturais,

Souza, Moura e Grynszpan (2008). Diversos estudos mostram que, em cerca de 30% a 40%

destes casais o problema determinante está relacionado exclusivamente ao homem, enquanto

que, em 20% a 50% do total, o homem é co-responsável pela infertilidade conjugal, por isso

a importância da avaliação e do tratamento do homem infértil venha ganhando mais força

Glina; Soares; Meirelles; Antunes Júnior (2003); Pasqualotto (2007).

De todos os casais que procuram serviços de saúde com a intenção de engravidar,

um percentual próximo aos 80% vão, segundo Borlot & Trindade (2004), efetivamente ter

63
uma gestação no espaço igual ou menor que um ano, independentemente do tratamento

oferecido, pois não possuem nenhum tipo de problema clínico ou biológico que impeça a

gravidez, porém não se devem descartar os problemas psíquicos. É necessário que se tenha

uma reserva acerca desta afirmação, pois na prática, parece que a realidade não é condizente

com essa situação. Ainda Borlot & Trindade (2004) afirmam que aproximadamente 15%

destes casais são subfecundos, mas que irão engravidar com uso das tecnologias disponíveis.

Porém, 4% destes casais são verdadeiramente portadores de infertilidade e não responderão a

qualquer tipo de tratamento existente no momento. Este grupo deve ter as causas genéticas

investigadas mais detalhadamente Pasqualotto (2007). Para alguns destes casais a adoção,

talvez seja o caminho para constituírem uma família, embora seja um tema pouco abordado

pelos casais em tratamento de infertilidade Borlot & Trindade (2004). Porém este assunto

deverá ser abordado com extrema cautela, pois, para muitos casais inférteis a adoção é um

assunto proibido.

Pasqualotto (2007) afirma que entre os casais com problemas de infertilidade hoje,

cerca de 10% vão precisar de técnicas de reprodução assistida, - um serviço de alta

complexidade e custo elevado, proibitivo para a maioria dos casais brasileiros - os homens

podem contar com as técnicas de ISCI, reconstrução micro-cirúrgica do trato reprodutivo,

varicocelectomia e captação de espermatozóides, estas técnicas podem ser associadas ou não,

à FIV. Mas isto é um tema muito complexo e pode ser tema para uma outra pesquisa em

nível “sensu strictu” ou “lato sensu” .

2.2 – REFERENCIAL TEÓRICO:

64
2.2.1 - Teoria das Representações Sociais:

Trata-se de um projeto de pesquisa aplicada com abordagem das Teorias das

Representações Sociais (TRS). Esta teoria nasceu, segundo Moscovici (1978), à partir da

Sociologia e da Antropologia, pelas obras de Durkheim e Lévi-Bruhl, não sem causar um

desarranjo na ordem estabelecida a parti da proposição da teoria enraizada na “Psicologia

Social” como ressaltou o próprio Moscovici, no prefácio da obra de Guareschi e

jovchelovitch (2008), que unia os conceitos de “Representação social” propostos e aceitos

pelas teorias sociológicas e antropológicas. É a Teoria das Representações Sociais a

ferramenta que permite identificar, de maneira concreta as representações, a partir dos

fenômenos sociais e de trabalhar sobre elas. Portanto, acredito que seja um referencial

teórico adequado para este trabalho, proporcionando suporte adequado ao meu estudo. Uma

vez que pretendo captar a diversidade de significados presentes nos discursos, oriundos de

um determinado grupo social, a saber, homens que vivenciam problemas relacionados a

(in)fertilidade conjugal.

Para Moscovici (1978) e (2008), a maioria dos indivíduos interpreta o que lhes

acontece, forma suas opiniões sobre a sua própria conduta, a conduta de familiares ou de

outras pessoas e, a partir deste momento, orientam suas ações em conformidade com essa

interpretação e isto é um ponto de vista presente em meu modo de enxergar o mundo. A

propósito estes são pressuposto defendidos pelo próprio Moscovici (2008: 11), quando

aborda o papel conferido à racionalidade da crença coletiva e sua significação na ótica da

Teoria das Representações Sociais, às ideologias, aos saberes populares, aos consensos e ao

senso comum: “com efeito, nós os tomamos imediatamente como sistemas coerentes de

signos”. O senso comum, os consensos e os saberes populares assumem uma racionalidade

do conteúdo da crença que se afasta da racionalidade. É essa interpretação do mundo e das

65
coisas que possuem representação para os sujeitos envolvidos com problemas relacionados à

fertilidade que pretendo captar no presente estudo.

Buscando situar as representações sociais entre as correntes mais tradicionais das

teorias do conhecimento, poderíamos recorrer aos autores mais clássicos da teoria como o

próprio Moscovici ou Durkheim ou Wittgenstein, porém, acredito ser mais importante fazer

uma definição mais semântica e menos conceitual do termo “representação”, o Dicionário

Aurélio, Ferreira, (1975) oferece duas definições, que revelam o embate epistemológico

implícito nesta noção, me resguardarei de tomar uma posição frente a este questionamento,

mas sem me abster ou me preservar do debate.

Num primeiro sentido, representação é o “conteúdo concreto apreendido pelos

sentidos, pela imaginação, pela memória ou pelo pensamento”; é, em síntese, a “reprodução

daquilo que se pensa” Ferreira, (1975). Nesta definição, a ênfase situa-se na natureza do

conhecimento, na possibilidade mesmo do conhecimento e da apreensão da realidade.

Minayo (2008: 89) define: “Representações Sociais é um termo filosófico que

significa a reprodução de uma percepção retina na lembrança ou do conteúdo do

pensamento”.

As representações sociais, sendo definidas como formas de conhecimento prático,

inserem -se mais especificamente entre as correntes científicas que estudam o conhecimento

do senso comum. Aos quais tomamos como sistemas coerentes de signo, como já proposto

por Moscovici (2008). Portanto, podemos afirmar que esta corrente pressupõe uma ruptura

com as vertentes clássicas das teorias do conhecimento, uma vez que elas (as vertentes

clássicas) abordam o conhecimento como saber formalizado, isto é, focalizam o saber que já

consolidado, sendo constituídas por conjuntos de enunciados que definem normas de

verificação e coerência.

66
Podemos afirmar, assim, que a Teoria das Representações Sociais seja a abordagem

mais adequada a este anteprojeto de dissertação, em virtude da sua capacidade de possibilitar

a centralização do olhar na relação sujeito-objeto. Isto favorece o desvelar de conceitos e de

subjetividades presentes na comunicação humana. Segundo Guareschi & Jovchelovitch

(2008) a Teoria das Representações Sociais permite decifrar os símbolos que pressupõem a

evocação de presença onde há ausência. Possibilitando criar (e recriar) o objeto representado

construindo (e reconstruindo) uma realidade ou uma nova realidade, a partir da realidade

anteriormente posta.

Segundo Borlot & Trindade (2004: 65)

“Na área de saúde a Teoria das Representações Sociais tem sido uma
ferramenta de muita importância, principalmente no que concerne ao processo de
compreensão do senso comum sobre vários aspectos deste campo”.

Não há “métodos” para um campo de conhecimento que tenha um verdadeiro e

próprio conteúdo intelectual. O objetivo é, em última análise, encontrar a verdade. Em nítido

contraste, as correntes que se debruçam sobre os saberes formalizados ou não, procuram

superar a dicotomia entre ciência e senso comum, tratando ambas as manifestações como

construções sociais sujeitas às determinações sócio-históricas e às determinantes presentes

em épocas específicas.

Segundo Queiroz (2008) Através das Representações Sociais (RS) poderemos

compreender como as pessoas se auto-representam, como elas convivem com determinados

aspectos, de que forma elas se relacionam com os outros e de que modo buscam alternativas

de solução. Ainda a autora Queiroz (2008: 82) infere que:

“Diante das contribuições que salientam a interação do fenômeno social e do


elemento individual na constituição das Representações Sociais, ressalto que, para
compreender esse fenômeno tão complexo, é necessário procurar captar, não só o
discurso, mas, também, a situação que define o indivíduo que o produz”.

67
A Teoria das Representações Sociais contribui, segundo Farr (2008: 48), “(...)

significativamente para nossa compreensão dos fenômenos coletivos” o que já deve estar

claro neste ponto da discussão. É, portanto, uma teoria que possibilita elucidar as possíveis

inter-relações e os possíveis intercâmbios da representação do indivíduo com os fenômenos

da sociedade onde ele se insere.

De acordo com Jovchelovitch (2008: 78)

“A análise do campo conceitual das representações sociais nos


confronta, no nível do social, com duas dimensões fundamentais da atividade
psicossocial: a relação com o ausente e a evocação do possível”

É possível concluir que as Representações Sociais são produtos das mediações

sociais nas suas diversas modalidades, o que deixaria de ter qualquer sentido em um espaço

individual, isto é, a partir de uma visão de seres individuais, uma vez que se trata de

estratégias de enfrentamento individual dos fenômenos coletivos.

As representações sociais são uma das traduções de como o indivíduo entende as

representações coletivas presentes em seu grupo social possuindo, do mesmo modo que as

instituições, as estruturas e as características do fato social representado.

Em última instância, podemos inferir que enquanto imagens elaboradas a partir do

que se entende como realidade, as representações sociais são um material importante para a

pesquisa no interior das Ciências Sociais. Sendo importante ressaltar que as representações

sociais se manifestam não só em palavras, mas também através do gestual, por intermédio

das condutas e em sentimentos, comportamentos e outros elementos presentes nas estruturas

dos comportamentos sociais. Entretanto, por questões óbvias há um privilégio favorável às

palavras, em especial através do uso da linguagem oral e escrita como forma de

conhecimento e interação social.

68
CAPITULO III:

3 - QUESTÕES METODOLÓGICAS:

3.1 - Tipo de Estudo:

O presente projeto de dissertação terá uma abordagem qualitativa para descrever,

interpretar e demonstrar os achados do ponto de vista metodológico, será portanto uma

pesquisa descritiva, esta decisão foi tomada por entender ser esta a abordagem mais

adequada aos propósitos do meu estudo. Fundamentando esta assertiva em Marconi e

Lakatos (2008) que afirmam que a pesquisa descritiva aborda quatro aspectos: descrição,

registro, análise e interpretação de fatos e fenômenos atuais, objetivando o seu

funcionamento no presente e, também por, acreditar que me permitirá inferir acerca das

subjetividades das questões propostas. Entendo que tais subjetividades são de extrema

importância e, se a análise destas partir de uma quantificação não demonstrará o feeling do

universo dos signos, significados, motivos e motivações, valores e aspirações que espero

desvelar.

Apoio também minha decisão nas assertivas de diversos outros autores que

demonstram em seus trabalhos que a abordagem quantitativa não se adequou às pesquisas

que pretendem desvelar aspectos subjetivos, tais como: Ludke e André (1986); Minayo

(1993); Minayo; Deslandes; Neto e Gomes (1994); Polit e Hungler (1995); Garcia (2003)

Marconi & Lakatos (2008) e Marconi & Lakatos (2009).

Do ponto de vista de seus objetivos estou convencido de que o modelo

exploratório-descritivo seja o mais adequado para atingir os objetivos do presente projeto de

69
dissertação, uma vez que permite uma relação sujeito-objeto-pesquisador adequada e

apropriada aos objetivos propostos. Neste aspecto, segundo Rudio (1998) na pesquisa

descritiva o pesquisador procura conhecer, descrever e interpretar a realidade sem nela

interferir para modificá-la. Porem faço aqui uma ressalva de que esta “não interferência” não

deva comprometer as questões éticas ou a integridade física dos sujeitos envolvidos na

pesquisa

Enquanto que do ponto de vista dos procedimentos utilizarei mais de uma

estratégia. Esta necessidade de utilização de uma multiplicidade de métodos se deve ao fato

de que terei como fonte de dados 1 - os prontuários dos sujeitos, 2 - o discurso destes e, 3 - o

cenário em que ocorre a assistência aos sujeitos. Assim, para o procedimento de coleta dos

dados provenientes dos prontuários utilizarei um método basicamente estatístico, para os

procedimentos relacionados com as entrevistas dos sujeitos, utilizarei como método: a

“Análise de Conteúdo” de Bardin, e para captar aspetos outros na interação sujeito – objeto,

utilizarei a observação assistemática. Entendo que poderei assim alcançar, nos discursos dos

sujeitos, os elementos necessários ao desvelar das subjetividades dos discursos destes

entrevistados, além disto poderei observar traços do “senso comum” e do “inconsciente

coletivo” que se façam presentes nos discursos e, a partir destes procedimentos, alcançar as

“Representações Sociais” que identifico no escopo do presente projeto. Bardin (2008) infere

que: A liberdade de expressão vivenciada durante os anos 70, quando se assistiu a um

desenvolvimento das ciências sociais e humanas apontou uma explosão da comunicação, o

que obrigou aos pesquisadores a estarem à escuta. Questiona Bardin (2008: 7) “Como estar à

escuta, cientificamente e com rigor, de palavras, de imagens, de textos escritos e discursos

pronunciados?” Esta pergunta remete a uma outra acertiva de Bardin (2008), quando analisa

o conteúdo dos discursos. “Por detrás do discurso aparente geralmente simbólico e

70
polissêmico esconde-se um sentido que convém desvendar”. Estou certo de que este

“sentido” suscitado por Bardin é, exatamente o núcleo do que busco na presente.

3.2 - Sujeitos:

A população para a presente dissertação será composta pelos homens em

atendimento no setor de ambulatório de reprodução humana assistida de um hospital

universitário federal especializado em Ginecologia, que é referência regional para

reprodução humana, no período previsto para a coleta de dados da presente pesquisa.

Julguei necessário determinar alguns critérios para inclusão dos participantes de

modo a favorecer a construção de grupos de pertenças, estes critérios foram baseados na

literatura e norteados pela experiência vivenciada por mim:

a) Estar vivendo ou terem vivido a experiência de infertilidade conjugal e participar do

processo de tratamento e/ou acompanhamento no hospital onde os dados serão

colhidos – Os homens que vivenciam a experiência da busca por assistência na área

da infertilidade experimentam um vivenciar para o qual não foram preparados –

muitas vezes é preciso compactuar sentimentos e experiências que nem eles mesmos

conhecem bem;

)b Aceitar e autorizar a realização de entrevista gravada em formato magnético tipo

MP-3 ou similar para a pesquisa – cumprindo o que determinam as normas para

pesquisas com seres humanos do comitê nacional de ética da pesquisa, Brasil (1996),

é necessário que os pesquisados autorizem a coleta de dados a partir da sua vivência

através da assinatura de um “termo de consentimento livre e esclarecido” que fica

guardado com o autor por 05 (cinco) anos;

71
)c Não ter filho – A experiência da dificuldade para tornar-se pai é diferente para quem

já viveu um processo de paternidade. Provavelmente o homem que não possui filhos

terá uma expectativa, uma visão diferenciada frente à infertilidade por ele

vivenciada;

)d Experienciar a infertilidade conjugal de origem masculina / dupla;

)e Ter uma única parceira fixa e ser elemento de uma união estável7 heterossexual e;

)f Morar na cidade do Rio de Janeiro8 – O hospital no qual a pesquisa será realizada

atende a uma área adescrita no ambulatório de reprodução humana. É referência

regional para atendimento em infertilidade humana e desta forma atende a usuários

de todo o Brasil e a escolha aleatória poderia determinar a inviabilidade da pesquisa

uma vez que não haveria como contatar os usuários de outros municípios, estados ou

países.

Também julguei necessário determinar alguns critérios para exclusão dos pacientes

em atendimento no serviço onde os dados serão coletados. Estes critérios visam evitar a

inclusão de sujeitos com características semelhantes às daqueles que serão incluídos mas que

também possuem características que poderiam comprometer a construção de grupos de

pertenças, estes critérios também foram determinados com base na literatura e norteados pela

minha experiência e vivencia.

a) Não ser paciente em tratamento de infertilidade conjugal de origem

feminina ou idiopática;

7
Entendendo aqui “união estável, todos os relacionamentos nos quais os parceiros vivam sob o mesmo teto,
comunguem de experiências e relacionamentos sociais em comum e participem, em qualquer proporção da
manutenção financeira do casal, independente da forma legal de caracterização da união, incluindo-se aqui as
categorias: casados, amigados, amasiados entre outras.
8
A cultura é um elemento constitutivo das representações sociais, a região onde o indivíduo reside pode
exercer forte interferência sobre a sua visão de mundo. Por esta razão, escolhi uma única cidade de moradia
dos participantes da pesquisa em busca de uma homogeneidade para reduzir a possibilidade de
representações sociais com interferências regionais.

72
b) Ser pai de filho(s) natural9 ou adotivo mesmo que de relacionamentos

anteriores ou extraconjugais;

A amostra será composta de um número tal de elementos que permitam a saturação

pelo critério de homogeneidade ampla.

Sobre o tamanho da amostra em pesquisa qualitativa, o pesquisador não deve

defini-la antes da entrada em campo ou mesmo no início da coleta de dados como quem

detém afirmações ou conhecimentos anteriores à experiência, pois ele conta com a opção

metodológica de trabalhar com a amostragem proposital. Não faz sentido citar quantas

pessoas foram entrevistadas quando se recorreu à amostragem por saturação. Segundo

Turato:

“[...] o pesquisador fecha o grupo quando, após as informações


coletadas com um certo número de sujeitos, novas entrevistas passam a
representar uma quantidade de repetições em seu conteúdo. Neste modo, o grupo
a ser estudado deve guardar, em seu interno, indivíduos reunidos pelo critério que
denomino ‘homogeneidade ampla’, situação correspondente a uma soma de
características/variáveis em comum a todos os sujeitos que compõem a amostra.
O pesquisador, entendendo que novas falas passam a ter acréscimos pouco
significativos em vista dos objetivos inicialmente propostos para a pesquisa,
decide encerrar sua amostragem TURATO (2003)”.

3.3 - Campo / Cenário:

Este anteprojeto será desenvolvido em um hospital federal de ensino especializado

em Ginecologia da cidade do Rio de Janeiro, após autorização e consentimento por escrito da

direção e do Conselho Diretor da instituição.

O hospital onde os dados para esta dissertação serão coletados foi criado em 1938 e

é pioneiro na assistência gratuita aos casais com problemas relacionados à infertilidade

9
Filho natural: nascido de relacionamento íntimo entre indivíduos de sexo oposto, por meios próprios e
naturais de reprodução humana, sem assistência profissional ou medicamentosa.

73
conjugal no estado do Rio de Janeiro. Seu “Ambulatório de Reprodução Humana” foi re-

inaugurado em 2008, com um novo espaço e sua equipe foi ampliada com profissionais

altamente gabaritados nesta área. Por isso assume um papel de extrema relevância na

construção e na propagação de novos saberes e de novas tecnologias nesta área. Em sua

planificação estratégica está previsto o atendimento a casais portadores de infertilidade

conjugal com oferta de serviços de média e alta complexidade.

As atividades iniciais que determinaram este anteprojeto deveram-se às ações do

candidato relacionadas com o “Ambulatório de Reprodução Humana”. Ocorridas a partir da

aproximação com uma professora pesquisadora de uma escola de enfermagem que atua em

pesquisa em saúde da mulher com abordagem em Teoria das Representações Sociais. O

contato com a clientela do serviço e com a equipe interdisciplinar já existente no setor foram

fatores determinaram para que o candidato arriscasse a se lançar como pesquisador.

A equipe composta por pessoal altamente qualificado e com muita boa vontade de

acolher a demanda da nova coordenação de extensão reunia-se uma vez por semana,

oportunidades nas quais eram abordados vários temas relacionados ao assunto. Isto aguçou

ainda mais a curiosidade do autor sobre diversos dos aspectos, alguns serão abordados neste

projeto de dissertação. Também foram as discussões ocorridas naquelas reuniões que

contribuíram para inicialmente me instrumentalizar em busca de respostas aos seus

questionamentos e inquietações.

A escolha deste cenário se deve ao fato de ser um serviço público que oferece

atendimento gratuito de baixa complexidade a casais inférteis com previsão de iniciar a

oferta de tratamento de alta complexidade em 2009. Sendo uma instituição de referência para

este tipo de tratamento e atuando com uma equipe multiprofissional e através de ações

interdisciplinares, o que contribui fortemente para o enriquecimento da experiência.

74
Especialmente em se considerando que será uma pesquisa baseada na Teoria das

Representações Sociais.

3.4 - Técnica / Instrumento de Coleta de Dados:

No presente projeto de dissertação, entendo ser necessário o uso de três técnicas: A

aplicação de um questionário, a realização de entrevista e a observação assistemática. Para

tanto utilizarei dois instrumentos e um procedimento10:

a) um questionário cuja finalidade será permitir construir um perfil dos sujeitos –

para descrevê-los quanto aos dados clínicos, epidemiológicos e sociais – além de favorecer a

determinação dos grupos de pertenças após tratamento dos dados; O questionário será

aplicado pelo próprio pesquisador, no momento de início da entrevista, alguns dados serão

previamente colhidos diretamente do prontuário do entrevistado e confirmados durante o

processo de entrevista. Segundo Queiroz (2008: 17): “O que se quer estudar é que vai guiar o

tipo de representação e esta a metodologia”.

Entendo ser necessário tomar o cuidado de confirmar os dados colhidos nos

prontuários em virtude da possibilidade de incorreções decorrentes de enganos ou equívocos

por parte de quem colheu os dados e pela possibilidade de ter ocorrido mudança entre a

época em que ocorreu a coleta dos dados e o momento da entrevista com o sujeito da

pesquisa.

b) um roteiro de entrevista semi-estruturada com perguntas abertas e subjetivas que

permitam aos participantes discorrerem mais livremente sobre suas experiências,

10
Chamado aqui de procedimento a técnica de observação assistemática, cuj objetivo é captar os aspectos não
verbais dos discursos dos sujeitos.

75
expectativas e frustrações, no processo de paternalização11. Este instrumento será aplicado

através de entrevista individual. As perguntas iniciais serão orientadas por um instrumento

(roteiro) contendo perguntas semi-estruturadas, entretanto os pacientes terão liberdade para

discorrer sobre o tema livremente. (constatação da infertilidade; sentimentos e expectativas;

mudança no hábito de vida pessoal e do casal; busca por redes de apoio; significados da

paternidade e; sobre o tratamento realizado) e a ordem das perguntas poderá ser modificada

de acordo com o desenvolvimento da entrevista. Posteriormente as entrevistas serão

transcritas pelo próprio autor e relidas à exaustão, com a finalidade de encontrar unidades de

significado. Que serão discutidas pelo autor com base na fundamentação teórica.

Seguindo o conceito exposto, a proposta é analisar o material oriundo das

entrevistas, extraindo as idéias centrais, as ancoragens e as expressões-chave, a fim de

identificar um ou vários discursos-síntese na primeira pessoa do singular.

Estas etapas ocorrerão em local adequado e apropriado e com roteiro previamente

definido pelo candidato.

Além desses dois instrumentos, também será utilizada a observação sistemática.

Esta entendida como o registro de aspectos subjetivos da interação pesquisador-pesquisado

especialmente aqueles relacionados aos elementos não verbais dos discursos dos sujeitos,

que serão registrado em u diário de campo pelo próprio pesquisador.

As entrevistas serão gravadas, (com uso de equipamento que possibilite o registro

magnético em formato MP-3 ou similar), com o consentimento do entrevistado que

expressará sua permissão através de um documento de autorização para gravação da

entrevista, seguindo determinações legais. Terá duração mínima de 1 (uma) e máxima de 2

(duas) horas. Se necessários alguns dados poderão ser colhidos em um novo encontro de

acordo com a necessidade do pesquisador e a disponibilidade do entrevistado. Segundo


11
Neologismo: Chamarei aqui de “paternalização”, o processo pelo qual o indivíduo assume a condição de
pai.

76
Queiroz (2002: 86) Este tipo de entrevista é adequado aos propósitos da pesquisa porque

permite maior e melhor interação com os entrevistados, abrindo espaço para discutir

conteúdos internalizados, processos educativos, projetos de vida e expectativas livremente.

Apóio e ancoro minha crença de que o uso destas metodologia e técnica sejam

adequadas à realização, pois possibilitam que o sujeito ou o grupo social interaja em relação

ao objeto de representação, dando vazão à subjetividade, uma vez que a representação

ultrapassa os limites do mundo concreto. Neste aspecto diversos autores Moscovici (1978),

Sá (1998), Spink (1993), Queiroz (2002) concordam que as representações sociais, segundo

definição clássica apresentada por Jodelet citado por Alexandre (2004), são modalidades de

conhecimento prático orientadas para a comunicação e para a compreensão do contexto

social, material e ideativo em que vivemos. São, conseqüentemente, formas de conhecimento

que se manifestam como elementos cognitivos — imagens, conceitos, categorias, teorias —,

mas que não se reduzem jamais aos componentes cognitivos. Sendo socialmente elaboradas

e compartilhadas, contribuem para a construção de uma realidade comum, que possibilita a

comunicação. Deste modo, as representações são, essencialmente, fenômenos sociais que,

mesmo acessados a partir do seu conteúdo cognitivo, têm de ser entendidos a partir do seu

contexto de produção.

3.5 - Etapas da Coleta de Dados:

A coleta de dados do presente anteprojeto de dissertação ocorrerá em três etapas.

Julgo serem estas etapas a melhor forma de organizar o processo de coleta de dados, pois,

permitirá uma avaliação preliminar e a determinação do número limite para formação do

grupo que comporá o universo deste estudo.

77
A primeira etapa da coleta de dados será a identificação, nos prontuários, de

informações referentes aos usuários que estejam ou que tenham estado em atendimento no

ambulatório e reprodução assistida do hospital onde os dados serão coletados. Esta etapa,

além de importante para determinar o número de sujeitos possíveis para o projeto,

contribuirá para construir os grupos de pertença, pois, para isto é necessário que se disponha

de dados que possam identificar/classificar os indivíduos. Neste aspecto Queiroz (2002)

utilizou dados referentes às variáveis: profissão, escolaridade, renda familiar, casa própria,

carro, condições de lazer. Além destas, para a presente pesquisa utilizarei também: fonte de

informações, formação educacional formal (pública / privada), dados sobre a relação atual,

religião, idade e causas da infertilidade.

Determinado o número máximo possível de participantes, um subgrupo composto

por 15% (quinze por cento) do total será utilizado como piloto, a fim de permitir ajustes

necessários a realização da pesquisa.

Quanto aos métodos de coleta de dados, Sá (1998) ressalta que é difícil definir

quais os métodos melhor se adequam à “Teoria das Representações Sociais”, cada uma

contemplando mais, ou melhor, uma ou outra determinada perspectiva. É necessário que o

método escolhido, independentemente das motivações que levaram à escolha, estejam de

acordo com a perspectiva pensada. É necessário que a técnica escolhida permita que o sujeito

interaja em relação ao objeto de representação, dando vazão à subjetividade, pois a

representação ultrapassa os limites da concretude, afirma Souza Filho (1993).

As etapas seguintes, segunda e terceira etapas da coleta de dados serão,

respectivamente, a realização da entrevista semi-estruturada propriamente dita e a

observação livre, utilizando anotações de campo e gravação com uso de equipamento que

possibilite o registro magnético em formato MP-3 ou similar.

78
Acredito que estes sejam instrumentos que permitam captar de forma adequada as

informações necessárias à resposta às questões norteadoras e aos objetivos propostos do

estudo.

Julgo também serem estes instrumentos adequados, pois, com base no que foi

expresso por Triviños (1987: 146).

“Ao mesmo tempo em que valoriza a presença do investigador, oferece


todas as perspectivas possíveis para que o informante alcance a liberdade e a
espontaneidade necessárias, enriquecendo a investigação”.

Triviños (1987: 146) infere que

“Podemos entender por entrevista semi-estruturada, em geral, aquela


que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que
interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de
interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que recebem
as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo
espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências, dentro do
foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do
conteúdo da pesquisa”.

Utilizando mais de um método para coleta de dados espero contemplar os diversos

aspectos relacionados à subjetividade da representação social de um objeto.

Segundo Lisboa (1998) A coleta de dados sendo realizada de mais de uma maneira

permite complementar os dados dos discursos como as formas não verbais de comunicação,

esclarecendo aspectos velados no discurso dos entrevistados.

Quanto à importância da observação livre, acredito seja primordial para captar os

aspectos não verbais dos discursos dos entrevistados.

De acordo com Ludke & Andrade (1986) o uso da observação livre permite ao

observador recorrer aos conhecimentos e experiências pessoais como auxiliares no processo

de compreensão e interpretação do fenômeno estudado.

3.6 - Aspectos Éticos:

79
O presente projeto de dissertação de mestrado foi submetido ao Núcleo de Pesquisa

em Saúde da Mulher (NUPESM) através da Coordenação Geral de Pós-graduação e Pesquisa

da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro

(UFRJ). Participou do processo seletivo de acesso aos cursos de Pós-graduação em

Enfermagem 2009/1. Foi aprovado e será desenvolvido no setor de reprodução humana de

um hospital federal de ensino especializado em Ginecologia na cidade do Rio de Janeiro.

O primeiro passo, após aprovado, será a submissão do presente à aprovação pelo

Comitê de Ética da Pesquisa da Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ (CEP/EEAN) e

à autorização da direção e do conselho diretor do hospital onde os dados serão coletados,

respeitando e cumprindo o que preconiza a Resolução 196/96 do CNS/MS (Brasil, 1996).

Os dados referentes aos pacientes que permitam sua identificação terão o sigilo sob

a tutela e responsabilidade do Pesquisador e não serão, sob nenhuma hipótese, divulgados,

visando manter o anonimato dos entrevistados.

As entrevistas serão autorizadas através da assinatura do termo de consentimento

livre e esclarecido antes de serem realizadas. Serão gravadas, somente, após autorização por

escrito do paciente.

Todos os formulários e as gravações permanecerão sob a guarda e responsabilidade

do pesquisador pelo período de 05 (cinco anos). A Resolução 196/96 CNS/MS (Brasil, 1996:

7) determina que o pesquisador deverá:

“c) manter a guarda confidencial de todos os dados obtidos na execução de sua


tarefa e arquivamento do protocolo completo, que ficará à disposição das autoridades
sanitárias”.

3.7 - Análise dos Dados:

80
Para a análise dos dados, os discursos dos entrevistados serão transcritos e

organizados em unidades de significado, de acordo com a técnica de “Análise de Discurso de

Bardin”. Acredito ser esta forma de análise compatível com os objetivos da pesquisa, uma

vez que permitirá ordenar os discursos dos sujeitos conforme seu núcleo de pertença. Para

Lisboa (1998) A análise de Conteúdo de Bardin muito auxilia neste tipo de estudo. As

unidades de significado serão analisadas à luz da Teoria das Representações Sociais.

Operacionalmente observarei o que pressupões Minayo ( 1993: 234)

“A operacionalização da análise se dá nas seguintes etapas:


1) Ordenação dos dados: que inclui: a) transcrição das Gravações
magnéticas; b) releitura exaustiva do material; c) organização dos
relatos em determinada ordem, o que já pressupõe um início de
classificação; d) organização dos dados de observação também em
determinada ordem de acordo com a proposta analítica.
2) Classificação dos dados: que inclui a) leitura exaustiva e repetida dos
textos, prolongando uma relação interrogativa com ele. Esse
exercício, denominado “leitura flutuante” permite apreender as
estruturas de relevância dos atores sociais, as idéias centrais que
tentam transmitir e os momentos-chaves de sua existência sobre o
tema em foco. Essa atividade ajuda a estabelecer as categorias
empíricas, confrontando-as com as categorias analíticas teoricamente
estabelecidas como balizadas da investigação, buscando relações
dialéticas entre ambas; b) Constituição de um “corpus” ou de vários
“corpi” de comunicação se o conjunto das informações não é
homogêneo”.

Os resultados serão apresentados de acordo com a seqüência das unidades de

significado com alguns recortes de transcrição de falas dos entrevistados afim de ilustrá-los.

O perfil dos entrevistados será apresentado, entretanto serão dados codinomes aos

respondentes, de modo a preservar o sigilo de suas identidades. Conforme preconiza a

Resolução 196/96 (Brasil, 1996). Local nascimento; local de residência; estado civil (se a

relação atual não for a primeira, qual a sua ordenação); idade; profissão; ocupação;

escolaridade; religião; renda familiar e renda individual; hábitos de vida (sono e repouso,

81
prática de esportes, etilísmo, tabagismo); motivo do adiamento da paternidade (se for o caso)

ou diagnóstico da patologia; quando começou a se preocupar com a paternidade; quando

decidiu por algum tratamento; qual o impacto da notícia da infertilidade para ele e para a

relação marital; que relação vê entre paternidade, masculinidade e virilidade e; se ele

procurou alguma rede de apoio.

82
4 - Referências:

4.1 – Referências:

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4.2 – Bibliografia Recomendada:

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<http://facha.edu .br/publicacoes/comum/comum23/Artigo7.pdf>. Acessado em: 22 ago.
2008.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. (reimpressão). (edição revista e atualizada), Lisboa:


Edições 70, 2008.

BORLOT, A. M. M.; TRINDADE, Z. A. As tecnologias de reprodução assistida e as


representações sociais de filho biológico. Estudos de Psicologia, São Paulo, v. 9, n. 1, p. 63 -
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LYRA-DA-FONSECA, J. L. C. Homens, feminismo e direitos reprodutivos no Brasil: uma


análise de gênero no campo das políticas públicas (2003-2006). 2008. 248 f. Tese
(Doutoramento em Saúde Pública) - Departamento de Saúde Coletiva, Centro de Pesquisas
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MOSCOVICI, S. Prefácio. in: GUARESCHI, P. A.; JOVCHELOVITCH, S. (Org); Texto


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_____. Representações sociais. Documento Eletrônico: Apresentação em formato


Powerpoint. Aula da Disciplina: Métodos Qualitativos: Teorias da Representação Social,
ministrada em 27 de setembro de 2008. Escola de Enfermagem Anna Nery. Rio de Janeiro,
RJ: UFRJ / EEAN, 2008.

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SHAFFER, J.A.; DIAMOND, R. Infertilidade: dor pessoal e estigma secreto. in E. Imber-


Black (Org), Os segredos na família e na terapia familiar. Porto Alegre: Artes Médicas.
1994.

_____; REMOHI, J; GARCIA-VELASCO, J. PELLICER, A; SIMÓN, C. Reprodução


humana assistida. Rio de Janeiro: Atheneu. 2002.

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89
5 - ANEXOS:
5.1 - Cronograma:

2009 2010
Etapas
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Pesquisa Bibliográfica
Determinação do problema e ajustes metodológicos
Participação nas atividades do NUPESM
Escolha e convite para membros da banca examinadora
Defesa do Projeto de Dissertação
Ajustes propostos pela banca examinadora
Submissão ao Comitê de Ética da Pesquisa
Escolha e convite aos membros da Banca Examinadora
Defesa da Qualificação da Dissertação de Mestrado
Teste piloto / aplicação de instrumentos
Ajustes dos instrumentos
Coleta de dados
Participação no evento “Pesquisando em Enfermagem”
Análise preliminar dos dados e discussão dos resultados parciais
Análise dos resultados
Redação do trabalho científico
Finalização da análise e discussão dos resultados
Escolha e convite aos membros da Banca Examinadora
Considerações finais
Revisão ortográfica
Apresentação de artigo para publicação
Elaboração e encadernação da Dissertação de Mestrado
Apresentação e Submissão à Banca (Defesa final)
Conclusão do Mestrado

91
5.2 – Questionário:

Questionário de levantamento de dados dos prontuários

Nome: ________________________________________________________________.

Pseudônimo: ___________________________________________________________.

Idade:_____.

Estado civil: ( ) casado ( ) solteiro ( ) viúvo ( ) divorciado ( ) outro: _____________.

Escolaridade: ____________________.

Profissão / Ocupaçao: ____________________.

Religião: _________________________.

Diagnóstico: _______________________________________________________.

92
5.3 – Roteiro de entrevistas:

Roteiro Guia de Entrevista

Parte I

Depoimento n°: __________-___. Entrevista n°:__________. Data: ___ / ___ / 2009.

1 . Escolaridade:________________________________________________________.

2 . Profissão: __________________________________________________________.

3 . Possui:
a) ( ) casa própria; b) casa de veraneio; c) carro ( ) 1 ( ) + de 1

4. Condições de lazer:
a) Possui hobby? ( ) não ( ) sim Qua?: _______________________________________
b) Pratica esportes? ( ) não ( ) sim Qual? ______________________________________

5. Principal fonte de informações:


( ) Impressas (Jornal ou revistas); ( ) Eletônica (Internet / TV / Rádio) ( ) Nenhuma

6 . Formação: __________________________________________________________.

7 . Ocupação: __________________________________________________________.

8 . Onde obteve formação educacional formal:


( ) rede pública ( ) iniciativa privada.

9 . Dados financeiros:
Faixa salarial: ______ (salários minimos). Renda familiar: _______ (salários minimos).

10 . Dados relativos a condição de saúde:


Causas da infertilidade: ___________________________________________________.

93
Tempo de diagnóstico: _____ anos; _____ meses; _____dias.
Tempo de tratamento: _____ anos; _____ meses; _____dias.

11 . Dados sobre a relação atual:


a) Tempo de relação: _____ anos; _____ meses; _____dias.
b) Tempo tentando gerar: _____ anos; _____ meses; _____dias.
c) Possui filhos de outro relacionamento? ( ) não ( ) sim Quantos?: _______________.

12 . Religião: ______________.

Parte II

I. Como foi o processo de constatação da infertilidade?

II. Ocorreu alguma mudança nos seus hábitos de vida pessoal e/ou do casal após o

diagnóstico?

III. Que sentimentos e expectativas a palavra infertilidade te suscita?

IV. Como foi o processo de busca por redes de apoio?

V. Como é para você estar fazendo o tratamento?

VI. Na sua opinião qual o significado das palavras:

VII. Paternidade

VIII. Virilidade

IX. Masculinidades

X. Machismo

94
5.4 – Pedido de Autorização para realização de pesquisa:

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO


CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
ESCOLA DE ENFERMAGEM ANNA NERY
COORDENAÇÃO GERAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
NÚCLEO DE PESQUISA EM SAÚDE DA MULHER

Para: Ilmo. Sr. Diretor do Instituto de Ginecologia da UFRJ. Professor: Antônio Tavares
Carneiro Sobrinho.
De: Especialista em Enfermagem do Trabalho: Washington Ramos Castro.
Mestrando em Enfermagem, Núcleo de Pesquisa em Saúde da Mulher (NuPESM) da
Escola de Enfermagem Anna Nery da UFRJ.
Assunto: Solicitação (faz).

Venho por meio do presente solicitar autorização ao Ilmo.Sr. Diretor desta


conceituada instituição nosocomial para realização do estudo (coleta de dados) referente à
dissertação de Mestrado “Paternidade: Representações Sociais Relacionadas à
Infertilidade Conjugal / Masculina”, cujos objetivos são: Descrever as representações
sociais dos homens em relação à situação vivencial de infertilidade conjugal cuja origem
seja masculina ou dupla; Analisar os reflexos das representações sociais da infertilidade
conjugal cuja origem seja masculina ou dupla nos conceitos como: Paternidade,
masculinidade, virilidade e sexualidade; Discutir as expectativas dos homens que vivem a
infertilidade face às possíveis alternativas de cuidados.
Sendo este, parte das atividades do curso de Mestrado em Enfermagem da
Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para
realização do presente contarei com a orientação da Professora Dra.: Ana Beatriz
Azevedo Queiroz.
Sendo tudo para o momento, despeço-me, na certeza de poder contar com o
pronto retorno. Aproveito o ensejo para felicitá-lo e agradecer ao apoio recebido nessa
empreitada.
Cordialmente:

________________________________
Washington Ramos Castro
Enfermeiro: 97.315 – Coren – 2283867 – SIAPE.

Ciente e de acordo:
Data: ____ /________ /2009.

__________________________
Assinatura do Diretor.

95
5.5 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido:

COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA EEAN/HESFA


TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Resolução nº 196/96 – Conselho Nacional de Saúde

Você foi selecionado(a) e está sendo convidado(a) para participar da pesquisa intitulada:
Paternidade: Representações Sociais Relacionadas à Infertilidade Conjugal / Masculina, que tem
como objetivos: Descrever as representações sociais dos homens em relação à situação vivencial de
infertilidade conjugal cuja origem seja masculina ou dupla; Analisar os reflexos das representações
sociais da infertilidade conjugal cuja origem seja masculina ou dupla nos conceitos como:
paternidade, masculinidade, machismo, virilidade e sexualidade; Discutir as expectativas dos homens
que vivem a infertilidade face às possíveis alternativas de cuidados. Este é um estudo baseado em uma
abordagem qualitativa, utilizando como método: Análise de Conteúdo de Bardin.
A pesquisa terá duração de 2 (dois) anos, com o término previsto para dezembro de 2010.
Suas respostas serão tratadas de forma anônima e confidencial, isto é, em nenhum
momento será divulgado o seu nome em qualquer fase do estudo. Quando for necessário exemplificar
determinada situação, sua privacidade será assegurada uma vez que seu nome será substituído de forma
aleatória. Os dados coletados serão utilizados apenas nesta pesquisa e os resultados divulgados em
eventos e/ou revistas científicas.
Sua participação é voluntária, isto é, a qualquer momento você pode recusar-se a
responder qualquer pergunta ou desistir de participar e retirar seu consentimento. Sua recusa não trará
nenhum prejuízo em sua relação com o pesquisador ou com a instituição que forneceu os seus dados,
como também na que trabalha.
Sua participação nesta pesquisa consistirá em responder as perguntas a serem realizadas
sob a forma de entrevista com a utilização de um questionário. A entrevista será gravada em formato
eletrônico em equipamento tipo MP-3 para posterior transcrição – a gravação será guardada por 5
(cinco) anos e desmagnetizada após esse período, enquanto que os transcritos serão guardados por 5
(cinco) anos e incinerados após esse período.
Você não terá nenhum custo ou quaisquer compensações financeiras. Não haverá riscos
de qualquer natureza relacionada a sua participação. O benefício relacionado à sua participação será de
aumentar o conhecimento científico para a área de enfermagem de assistência à saúde reprodutiva
humana.
Você receberá uma cópia deste termo onde consta o telefone, o e-mail e o endereço do
pesquisador responsável, e demais membros da equipe, podendo tirar as suas dúvidas sobre o projeto e
sua participação, agora ou a qualquer momento. Desde já agradecemos!

__________________________________ _________________________________
Ana Beatriz Azevedo Queiroz Washington Ramos Castro
EEAN/UFRJ HESFA/UFRJ
Cel: 88554656 Cel: 88587362
e-mail: anabqueiroz@gmail.com e-mail: washingtoncast@gmail.com

Comitê de Ética em Pesquisa EEAN/HESFA: (21) 2293-8148/ramal 228.

Rio de Janeiro, 15 de abril de 2009.

Declaro que fui informado de forma clara sobre os objetivos e a metodologia referente ao
projeto supra-citado, que estou ciente do inteiro teor deste TERMO DE CONSENTIMENTO e que
concordo em participar do estudo proposto, sabendo que dele poderei desistir a qualquer momento, sem
sofrer qualquer tipo de punição ou de constrangimento.

Sujeito da Pesquisa: ______________________________________________


(assinatura)

96
5.6 – Termo de Confidencialidade:

Titulo do Projeto: “Paternidade: Representações Sociais Relacionadas à Infertilidade


Conjugal / Masculina”
Pesquisador responsável: Washington Ramos Castro.
Instituição/Departamento: Universidade Federal do Rio de Janeiro / Escola de
Enfermagem Anna Nery / Coordenação Geral de Pós-graduação e Pesquisa /Núcleo de
Pesquisa em Enfermagem em Saúde da Mulher.
Telefone para contato: (55) (0xx21) 25677362 / 88587362.
Local para coleta de dados: Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de
Janeiro – Hospital Moncorvo Filho.

O pesquisador do presente projeto se compromete a preservar a privacidade


dos participantes cujos dados serão coletados através de registro magnético em formato
eletrônico em equipamento tipo MP-3, em local adequado e em horário a ser definido de
acordo com as possibilidades e os interesses dos sujeitos e do pesquisador no Instituto de
Ginecologia da UFRJ, declara que estas informações serão utilizadas única e
exclusivamente para execução do presente projeto. Tais informações só poderão ser
divulgadas ou veiculadas de forma anônima. Declara também que se compromete a
manter as gravações e as respectivas transcrições no estado do Rio de Janeiro, na cidade
do Rio de Janeiro, sob sua responsabilidade de guarda e conservação por 5 (cinco) anos e
desmagnetizada após esse período, enquanto que os transcritos serão guardados por 5
(cinco) anos e incinerados após esse período.
Este projeto de pesquisa foi revisado e aprovado pelo Comitê de Ética em
Pesquisa da EEAN/HESFA em reunião de ___ / ___ / 2009.

Rio de Janeiro, __ de __________ de 2009.

_______________________________
Washington Ramos Castro
Coren: 97.315 / RJ.
SIAPE: 2283867-5.
DRE: 092111457

Se você tiver alguma consideração ou dúvida sobre a ética da pesquisa, entre em contato:
Comitê de Ética em Pesquisa EEAN/HESFA. e-mail: comitedeetica@eean.ufrj.br
Rua Afonso Cavalcante, 23. Cidade Nova – Rio de Janeiro – RJ. –20.000-000. (0xx21) 22938899. R.: 209.

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