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Introdução a 1Pedro Essa carta sempre foi identificada com o nome de seu autor, Pedro,

Introdução a 1Pedro

Essa carta sempre foi identificada com o nome de seu autor, Pedro, um dos apóstolos de Jesus, e com a observação de que foi sua primeira carta inspirada.

AUTOR E DATA

O versículo inicial da epístola indica que ela foi escrita por Pedro, que, entre os

apóstolos de Cristo, era claramente o líder. Os escritores dos Evangelhos enfati- zam esse fato ao colocar seu nome no topo de cada lista dos apóstolos (Mt 10;

Mc 3; Lc 6; At 1), e acrescentam mais informações sobre ele nos quatro Evange-

lhos do que sobre qualquer outra pessoa, além de Cristo. Originalmente conhe- cido como Simão (grego) ou Simeão (hebraico) – veja Marcos 1.16; João 1.40- 41 –, Pedro foi o filho de Jonas, que também era conhecido como João (Mt 16.17; Jo 1.42), e membro de uma família de pescadores que vivia em Betsaida e, mais tarde, em Cafarnaum. André, irmão de Pedro, levou-o até Cristo (Jo 1.40- 42). Pedro era casado e, aparentemente, sua esposa o acompanhava em seu mi- nistério (Mc 1.29-31; 1Co 9.5). Pedro foi chamado cedo para seguir a Cristo em seu ministério (Mc 1.16- 17), e posteriormente foi designado para o apostolado (Mt 10.2; Mc 3.14-16). Cristo o chamava de Pedro (grego) ou Cefas (aramaico); ambas as palavras significam “pedra” ou “rocha” (Jo 1.42). O Senhor destacou Pedro claramente para lições especiais ao longo de todos os Evangelhos (p. ex., Mt 10; 16.13-21; 17.1-9; 24.1-7; 26.31-33; Jo 6.6; 21.3-7, 15-17). Ele era o porta-voz dos Doze, aquele que articulava os pensamentos e as questões deles, bem como os dele próprio. Os triunfos e fraquezas de Pedro são narrados nos Evangelhos e em Atos dos Apóstolos 1–12. Depois da ressurreição e ascensão de Jesus, Pedro iniciou o plano para escolher um substituto para Judas (At 1.15). Depois da vinda do Espírito Santo

(At 2.1-4), ele recebeu poder para se tornar o pregador do evangelho que exercia

a liderança, a partir do Dia de Pentecostes (At 2–12). Pedro também realizou

notáveis milagres nos primeiros dias da igreja (At 3–9), e abriu a porta do evan- gelho para os samaritanos (At 8) e para os gentios (At 10). Segundo a tradição, Pedro teve de assistir à sua mulher ser crucificada, mas ele a encorajou com as

palavras: “Lembre-se do Senhor!”. Quando chegou a vez de ele ser crucificado,

é dito que Pedro alegou que não era digno de ser crucificado como havia sido o

seu Senhor, mas que, em vez disso, deveria ser crucificado de cabeça para baixo

(c. 67-68 d.C.), o que, segundo a tradição, aconteceu. Por causa da notoriedade exclusiva de Pedro, não faltaram na igreja primiti-

va documentos que afirmavam falsamente terem sido escritos por ele. Contudo,

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é certo que o apóstolo Pedro é o autor de 1Pedro. O material dessa carta

é certo que o apóstolo Pedro é o autor de 1Pedro. O material dessa carta possui

uma semelhança precisa com suas mensagens no livro de Atos. A carta ensina, por exemplo, que Cristo é a Pedra rejeitada pelos construtores (2.7-8; At 4.10- 11) e que Cristo não faz acepção de pessoas (1.17; At 10.34). Pedro ensina seus leitores a se cobrirem de humildade (5.5); lembra do Senhor envolvendo-se com uma toalha e lavando os pés dos discípulos (Jo 13.3-5). Outras declarações na

carta repetem as palavras de Cristo (4.14; 5.7-8). Além disso, o autor afirma ter sido uma testemunha dos sofrimentos de Cristo (5.1; veja também 3.18;

4.1). Além dessas evidências internas, é notável o fato de que os antigos cristãos reconheceram universalmente essa carta como obra de Pedro.

A única dúvida significativa que é levantada quanto à autoria de Pedro

advém do estilo bastante clássico do idioma grego empregado na carta. Alguns

argumentaram que Pedro, sendo um pescador “iletrado e inculto” (At 4.13) não conseguiria escrever em grego num estilo sofisticado, especialmente em face do estilo menos clássico do grego empregado no texto de 2Pedro. No entanto, esse argumento tem uma boa resposta. Em primeiro lugar, o fato de Pedro não ser um homem instruído não significa que ele era analfabeto, mas somente que ele não tinha treinamento formal, rabínico, nas Escrituras. Além do mais, embora

o aramaico possa ter sido a língua principal de Pedro, o grego era amplamente

falado na Palestina, como segundo idioma. É evidente também que pelo menos alguns dos autores do Novo Testamento, embora não fossem altamente cultos, conseguiam ler os textos em grego do Antigo Testamento da Septuaginta (veja o uso de Tiago da Septuaginta em At 15-14-18). Além dessas evidências da habilidade de Pedro no grego, ele também explicou (5.12) que tinha escrito essa carta “por meio de Silvano”, conhecido também como Silas. Silvano foi, provavelmente, o mensageiro designado para levar essa carta aos leitores a quem ela era dirigida. Porém, mais do que isso, Pedro reconhece que Silvano serviu como seu secretário, ou copista. O ato de ditar um texto era comum no mundo romano antigo (p. ex., Paulo e Tércio; Rm 16.22), e os secretários frequentemente podiam ajudar na sintaxe e na gramática. Portanto, Pedro, sob a orientação do Espírito de Deus, ditou a carta para Silvano, enquanto este, que também era um profeta (At 15.32), pode ter auxiliado, de algum modo, na harmonização do texto, num grego de estilo mais clássico.

O primeiro livro de Pedro provavelmente foi escrito pouco antes ou logo

depois de julho do ano 64 d.C., quando a cidade de Roma foi incendiada, fican- do assim como data de sua produção o período entre 64 e 65 d.C.

ANTECEDENTES E CONTEXTO

Quando a cidade de Roma foi incendiada, os romanos acreditavam que era seu Imperador, Nero, quem tinha ateado o fogo, provavelmente por causa de seu

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desejo incrível de construir. A fim de construir mais, ele tinha que destruir o que

desejo incrível de construir. A fim de construir mais, ele tinha que destruir o que

já existia. Os romanos foram totalmente devastados. Sua cultura, em certo senti-

do, desapareceu com a cidade. Todos os elementos religiosos da vida deles foram

destruídos – seus grandes templos, santuários e até mesmo os ídolos de suas casas tinham se queimado. Isso teve grandes implicações religiosas porque fez com que eles acreditassem que suas divindades haviam sido incapazes de lidar com aquela conflagração e, inclusive, tinham sido vítimas dela. As pessoas ficaram sem lar e sem esperança. Muitas foram mortas. A amarga indignação que sentiam era grande. Nero, então, percebeu que tinha de redirecionar sua hostilidade. O bode expiatório escolhido pelo Imperador foi a comunidade cristã. Os cristãos já eram odiados porque eram associados aos judeus e porque eram vistos como hostis à cultura romana. Nero rapidamente espalhou a informação de que havia sido os cristãos que atearam fogo à cidade. Em consequência disso, uma perseguição odiosa contra os cristãos se iniciou e logo se alastrou por todo

o Império Romano, alcançando os limites ao norte das montanhas de Taurus,

como Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia (1.1), e atingindo os cristãos, a quem Pedro chama de “peregrinos”. Esses peregrinos, que provavelmente eram gentios em sua maior parte (1.14, 18; 2.9-10; 4.3), possivelmente foram levados para Cristo por Paulo e seus companheiros. Mas eles necessitavam de fortaleci- mento espiritual por causa de seus sofrimentos. Assim, o apóstolo Pedro, sob a inspiração do Espírito Santo, escreveu essa epístola para fortalecê-los. Pedro escreveu que ele estava na “Babilônia” quando redigiu a carta (5.13).

Três lugares foram sugeridos como sendo essa Babilônia. Primeiro, um posto avançado no nordeste do Egito, denominado Babilônia. Porém, esse local era obscuro demais, e não há motivos para se pensar que Pedro alguma vez esteve lá. Segundo, a antiga Babilônia, na Mesopotâmia, é uma possibilidade; mas é muito improvável que Pedro, Marcos e Silvano estivessem ao mesmo tempo nesse local pequeno e distante. Em terceiro lugar, “Babilônia” é um pseudônimo, talvez até um código, indicando Roma. Em períodos de perseguição, os escritores tinham um cuidado incomum em não colocar em risco os cristãos ao identificá-los. Pedro, segundo algumas tradições, seguiu Tiago e Paulo e morreu como um mártir, nas proximidades de Roma, cerca de dois anos depois de escrever essa

carta. Se isso é verdade, então ele escreveu essa epístola perto do final de sua vida, provavelmente enquanto estava na cidade imperial. Ele não queria que

a carta fosse encontrada e que a igreja fosse perseguida; então, ele pode ter

escondido sua localização sob a palavra código “Babilônia”, que se encaixava apropriadamente a Roma por causa de sua idolatria (Ap 17–18).

TEMAS HISTÓRICOS E TEOLÓGICOS

Pelo fato de os crentes destinatários estarem sofrendo uma perseguição contínua (1.6; 2.12, 19-21; 3.9, 13-18; 4.1, 12-16, 19), Pedro escreveu essa carta para ensiná-

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-los como viver vitoriosamente em meio dessa hostilidade: (1) sem perder a espe- rança; (2)

-los como viver vitoriosamente em meio dessa hostilidade: (1) sem perder a espe- rança; (2) sem se tornarem amargos; (3) confiando em seu Senhor; e (4) enquan- to aguardavam sua segunda vinda. Pedro desejava convencer seus leitores que, mesmo vivendo uma vida obediente, vitoriosa sob coação, um cristão pode real- mente evangelizar seu mundo hostil (1.14; 2.1, 12, 15; 3.1-6, 13-17; 4.2; 5.8-9). Os crentes são constantemente expostos ao sistema do mundo estimulado por Satanás e seus demônios, cujo esforço é desacreditar a igreja e destruir sua credulidade e integridade. Um dos meios pelos quais esses espíritos agem é encontrar cristãos cujas vidas não são consistentes com a Palavra de Deus e então exibi-las para os descrentes, para mostrar que a igreja é uma fraude. Os cristãos, contudo, devem resistir ao inimigo e silenciar as críticas com o poder de uma vida santa. Nessa epístola, Pedro é bastante efusivo ao enumerar duas categorias de verdade. A primeira categoria é positiva e inclui uma longa lista de bênçãos con- cedidas aos cristãos. Ao falar da identidade dos cristãos e o que significa conhecer a Cristo, Pedro menciona um privilégio e bênção atrás do outro. Entrelaçado nessa lista de privilégios há um catálogo de sofrimentos. Os cristãos, embora sendo os mais privilegiados, devem também saber que o mundo os tratará injus- tamente. Sua cidadania é no céu e eles são estrangeiros, num mundo hostil, esti- mulado por Satanás. A vida cristã, portanto, pode ser resumida como um cha- mado à vitória e à glória por meio da vereda do sofrimento. Assim, a pergunta básica que Pedro responde nessa epístola é: como devem os cristãos lidar com a animosidade? A resposta destaca verdades práticas e focaliza Jesus Cristo como o modelo de alguém que manteve uma atitude triunfante em meio à hostilidade. A epístola de 1Pedro também responde outras importantes questões práticas sobre a vida cristã, tais como: Os cristãos necessitam de um sacerdote para interceder junto a Deus por eles (2.5-9)? Qual deve ser a atitude cristã em relação ao governo secular e à desobediência civil (2.13-17)? Qual deve ser a atitude de um empregado cristão em relação a um empregador hostil (2.18)? Como deve se conduzir uma mulher cristã (3.3-4)? Como uma mulher crente pode ganhar para Cristo seu marido descrente (3.1-2)?

DESAFIOS DE INTERPRETAÇÃO

Os versículos 3.18-22 de 1Pedro estão entre os textos mais difíceis do Novo Tes- tamento para traduzir e interpretar. Por exemplo, o termo “espírito”, em 3.18, refere-se ao Espírito Santo ou ao Espírito de Cristo? Cristo pregou por meio de Noé antes do dilúvio, ou pregou pessoalmente depois da crucificação (3.19)? O público que assistia a essas pregações era composto por pessoas, nos dias de Noé, ou por demônios do abismo (3.19)? Os versículos 3.20-21 ensinam a rege- neração batismal (salvação) pela fé, ou que a salvação só é alcançada pela fé em Cristo? Essas questões serão discutidas nas notas.

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