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Concurso público:

quantas horas devo estudar?


Elaborado em 04.2006.

Waldir Santos

Advogado da União. Conselheiro da OAB. Professor. Palestrante. Autor do livro “Concurso


público: estratégias e atitudes”.

É muito freqüente os candidatos formularem esta pergunta, que normalmente


denuncia quem está querendo estudar o mínimo (desde que seja suficiente pra passar) e
transferir a responsabilidade pela aprovação para o curso, para o livro, para o professor,
para os colegas do grupo de estudos, para quem responde...

Isso envolve a lei do menor esforço e a busca pela melhor relação custo/benefício. O
compromisso com a aprovação deve ser, mais do que de qualquer outra pessoa, do
candidato. Ele será o maior beneficiado com a aprovação, e por isso deve ter em mente a
busca perene pelo seu aperfeiçoamento, por resultados cada vez melhores em provas,
simulados e concursos.

Se alguém com muita experiência responde "bastam 4 horas por dia", como já vimos ser
ensinado na televisão, certamente haverá quem cumpra a tarefa e, ao ser reprovado diga:
fiz a minha parte. E passa a achar que o concurso é algo que não está a seu alcance.
Primeiro precisamos esclarecer o conteúdo da pergunta. Não está expresso, mas o que se
quer saber é "quantas horas eu preciso estudar para passar" Ora, o mais próximo do ideal
seria procurar saber quantas horas são suficientes para que o candidato esteja preparado
para as provas, valendo destacar que nem sempre os candidatos suficientemente
preparados passam, assim como muitos que ainda não estão preparados conseguem a
vitória antes da hora.

Esse resultado é típico dos concursos, e se deve ao fato de que a avaliação do "estar
preparado" toma como referência apenas o conhecimento do candidato em relação aos
programas das disciplinas cobradas nas provas, esquecendo-se, a grande maioria, de um
fator que tem importância capital: o saber fazer concursos. Por isso é que alguns
preparados não passam, e outros ainda não preparados passam, dando a falsa impressão
de injustiça nos resultados.

Até aqui já deu para perceber que a pergunta, se mal formulada, portanto, não é tão útil, já
que o que se almeja, em verdade, é a aprovação, e não, evidentemente, o simples fato de
estar preparado.

Vamos tentar responder mesmo assim. Antes, porém, atentemos para a qualidade do
estudo. Duas horas bem aproveitadas valem mais que quatro horas de simulação de
estudo, em faz-de-conta, sem concentração ou compromisso com o aprendizado, apenas
para dizer que foi feito o que o mestre mandou e poder a ele transferir a responsabilidade
pela eventual reprovação. Ou apenas para se chegar à falsa conclusão de que você não
consegue passar em concurso, como acontece com a grande maioria dos que o fazem de
vez em quando. Acresça-se a isso o tipo de material usado, a companhia, quando se trate
de estudo em grupo, além de vários outros fatores que transcendem o simples "quantas
horas". Até mesmo se o nível das lições ou da leitura é compatível com sua condição, com
o seu conhecimento anterior.

Sendo objetivo, respondo agora, depois de alertar para os fatores acima: o número ideal
de horas de estudos é o máximo que você puder, pois quanto maior a dedicação mais
rapidamente ocorrerá a aprovação. Não pense em um concurso só, mas sim na sua
condição de concurseiro, que concorre a várias vagas em concursos diferentes, claro que
sem misturar matérias a ponto de se prejudicar. Neste máximo pondere seus outros
deveres e interesses, como a família, a religião, o lazer, o descanso, o trabalho etc. E
nunca esqueça que o cansaço é um valioso sinal do seu corpo e de sua mente; um alerta
que deve ser respeitado como medida de segurança, o que evitará prejuízos à sua saúde.
Se ele aparece com freqüência acima do normal, é hora de procurar ajuda médica e
passar a fazer atividade física, pois isso é indício de sedentarismo.

Tome, portanto, como medida para sua carga de estudos, o máximo possível, sem
sacrifícios excessivos. Você só ganhará com isso. À medida em que você vai fazendo
provas e vendo que poderia acertar mais com um pouco mais de estudo, a preparação vai
se tornando um processo cada vez mais estimulante e até prazeroso, de maneira que você
deixará de pensar em falsas comodidades.

Lembre sempre: estudar o mínimo é tornar máxima a distância em relação ao sucesso, e


seu comodismo é o combustível dos seus concorrentes.

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