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PRINCÍPIOS DE EDUCAÇÃO SOCIAL PARA A CRIANÇA SURDA 1 * Lev Semionovitch Vigotski

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O sistema de educação social para crianças surdas, que descreverei abaixo, não existe somente como uma construção teórica mas tem sido, de fato, colocado dentro de uma prática pedológica antes de nossa visão na URSS, particularmente na República Federal Socialista Soviética Russa (RFSSR). É verdade que ambas elaborações, a teórica e a prática, deste sistema pedológico estão longe da perfeição. Por enquanto não estou em posição para discutir resultados e conclusões finais, sou capaz de compartilhar dos experimentos dos primeiros passos tomados ao longo deste caminho, i. e., os primeiros esforços pela pedagogia científica para criar uma educação social para o surdo. O princípio fundamental deste sistema (pedológico), contudo, pode agora ser formulado com complitude e claridade, onde podemos esperar um certo grau de sucesso em nossa tentativa para trazer à luz os fundamentos da nova direção que sustentamos. Nossa tarefa não é dedicada somente por um desejo de adicionar à nossa experiência a imagem (descrição) geral do mundo, mas também por duas, em minha opinião, notáveis considerações. A primeira destas considerações detém-se no fato de que ainda não temos um sistema científico desenvolvido e autorizado. Assim, um sistema não existe nem como uma teoria pedagógica da educação de
Trabalho escrito em 1925. * Tradução para fins didáticos realizada por Adjuto de Eudes Fabri, de L. S VIGOTSKI,. "Principles of Social Education for Deaf Children" in "The Collected Works of L. S. Vygotsky". Esta tradução teve a colaboração de Achilles Delari Jr. e Eugenio Pereira de Paula Jr.. Primeira versão concluída em 18/05/94. Esta tradução passará por revisões posteriores.
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uma criança surda, nem como uma teoria psicológica do desenvolvimento cronológico e das características psicológicas ligadas a sua perda da audição e as suas limitações sociais causadas pela ausência da fala "viva". Em ambas - teoria e prática - todos os brilhantes sucessos na educação da criança surda permanecem até agora mais ou menos como incidentes isolados, que precisam ser incorporados dentro de um sistema científico ordenado. Parece-me, portanto, que alguma tentativa para aproximar o problema do ponto de vista daqueles princípios fundamentais, que permitem-nos estabelecer um sistema de educação para a criança surda, devem estar de acordo com uma aproximação científica moderna para a questão. A segunda consideração detém-se no fato de que na resolução de um novo sistema, nós ficamos contra a necessidade de um reexame radical de um sem número de métodos, técnicas, situações e leis da educação do surdo, incluindo a questão mais crucial: a instrução em fala oral. Sobre a base dos princípios que propomos, somos forçados, em muitos aspectos, não somente a criticar técnicas tradicionais de ensino da criança surda, mas também entrar de modo direto e aguçado em discordância com estas técnicas por uma série de motivos. A mais notável realização de nosso trabalho parece-me ser a concordância, que descobrimos novamente entre: de um lado - as inferências feitas sobre a base de nossos pré-requisitos e, de outro lado - as posições tomadas pela pesquisa científica e pelo pensamento pedagógico principal em todos os países. Esta concordância convence-nos mais uma vez da exatidão de nossa posição e nos permite resumir e introduzir dentro do sistema (pedológico) tudo que é progressista e viável da experiência mundial nesta área. Antes de afirmar os princípios necessários para a educação social das crianças surdas, devemos levar em consideração alguns prérequisitos científicos primários para um novo sistema. Os pré-requisitos dizem respeito ao caráter psicofisiológico da criança surda e ao processo de sua educação. Alguma dificuldade (e/ou deficiência) física seja cego ou surdo - não somente altera o relacionamento da criança com o mundo, mas também altera a sua interação com outra pessoa. Um defeito orgânico aparece como uma anormalidade social no comportamento. Prescinde dizer, naturalmente, que a cegueira e a

a criança cega interage de maneira diferente com o ambiente do que a pessoa normal. o educador deve tratar não tanto com estes fatores somente. nas quais o organismo (tanto do cachorro quanto do homem) é considerado. A conclusão mais essencial deste objetivo de estudo da atividade mental superior de animais e humanos é estabelecer o seguinte: um reflexo condicional pode ser ensinado a responder para algum estímulo externo vindo aos olhos. e. i. submetidos a todos os mecanismos para educação e treino de reflexos condicionais trazidos à luz nos experimentos de Pavlov). qualquer fenômeno. Indubitavelmente. p. pode tornar-se associado com este estímulo. Posteriormente. A escola de Pavlov chamou o novo reflexo de reflexo condicional em contraste ao antigo. dentro dos estímulos externos que são unidos para as nossas reações apropriadas. ouvido. eles dividem o mundo dentro de suas partes separadas. reflexo incondicional. O processo de treino de um reflexo condicional será o mesmo em todos os casos. este reflexo pode ser excitado por uma nova influência sem a ajuda do estímulo primário. Os behavioristas não distinguem entre aqueles aspectos que governam o processo de aprendizagem de animais e aqueles que governam o comportamento humano (citado da versão russa de Vigotski . a escola fisiológica russa de I. qualquer signo pode desempenhar a regra de um estímulo condicional. Na construção desta distinção entre reflexos hereditários e condicionais. desde o início. pele e assim por diante. secundariamente como um resultado de sua experiência social. Isto significa que o substrato psicológico do processo educacional. aquelas mudanças fisiológicas que causam influências educacionais no organismo da criança. Conseqüentemente luz e som podem representar uma completa analogia do papel fisiológico. Os portavozes deste movimento. se emparrelhado (comparado) com um estímulo neutro externo. qualquer parte do mundo. que ergueu-se no início do séc. P. Pavlov chegou a conclusão de que nenhum reflexo hereditário inato. Tudo isso ajuda o organismo a se adaptar mais precisa e delicadamente ao seu ambiente. XX nos EUA. mas com suas conseqüências sociais.. Sobre a base de experimentos com cachorros. Sua principal tarefa era estudar o processo de aprendizagem como o de aquisição de novas formas de ações. 460). mas com o conflito que surge para a criança cega quando ela nasce. Apesar de tudo. 1. e de modo algum fatores sociais. a chave para a natureza psicológica de algum processo educacional situa-se no estudo dos reflexos condicionais. A criança percebe a sua deficiência em questão somente indiretamente. e não uma condição de doença. v. Contudo. Desta investigação podemos obter duas importantes conclusões a respeito dos sujeitos de nosso interesse. a escola psicológica americana do behaviorismo 2 concorda inteiramente com a escola russa. No procedimento com o comportamento de animais como um todo e até com o comportamento de seres humanos. a deficiência representa a normalidade. consideravam que o objeto de pesquisa psicológica seria as reações físicas que podem ser observadas externamente.surdez são fatores biológicos. A posição mais importante e fundamental mantida pelos especialistas em pedagogia sobre as deficiências na infância está contida precisamente nesta lei: o caráter psicofisiológico do treinamento dos reflexos condicionais em uma criança cega que lê Braille e em uma criança surda que lê lábios é 2 Behaviorismo vem da palavra inglesa comportamento (behavior). esta escola estava inclinada a ver todo comportamento como consistindo de reflexos incondicionais e reflexos hereditários e de reflexos condicionais adquiridos através da experiência individual. O que então significa uma surdez? Deve ser aceito que a cegueira e a surdez indicam nada mais do que a mera ausência de um significado de forma condicional que se liga ao meio ambiente. O olho e o ouvido . 2 . Para uma criança cega ou surda.órgãos que são chamados receptores ou órgãos sensórios em fisiologia ou órgãos de percepção ou sensações externas em psicologia . porque elas dependem exclusivamente das condições.são órgãos que recebem e analisam elementos externos do ambiente.Collect Works. Da perspectiva psicológica qualquer processo educacional pode ser visto como um processo de desenvolvimento de reflexos condicionais para determinado sinais ou signos condicionais (estimulantes. Qualquer elemento externo. então devemos tratar não tanto com a cegueira. Quando temos um menino cego diante de nós como um objeto de educação. será em essência e em natureza absolutamente idêntica em todos os casos. O segundo (reflexos condicionais adquiridos através da experiência individual) também será de reações condicionais no sentido completo da palavra.

A diferença situa-se no fato de que em casos individuais (no caso da cegueira ou da surdez) um órgão de percepção (sistema sensorial) pode ser substituído por outro. de um reflexo suficientemente estável. A completa unicidade deste tipo de educação aponta para a substituição de um caminho de condições por outro. À propósito disto. E. Deve-se olhar audaciosamente para este problema como um problema social. na vida familiar das crianças. O teor (índice) qualitativo da reação. e em particular. isto é. E inversamente: a conduta de uma criança ou os instintos naturais de uma criança não podem simplesmente serem proibidos e mudados por uma pedagogia. a deficiência física significa um descarrilamento social. Neste processo do comportamento humano. a educação pré-escolar e a importância dela. A instrução falada começa com seus fundamentos naturais: o balbucio da criança. contudo. mas é possível. como para uma criança normal. de fato é o fator principal e primário. controlar a energia e seu poder para girar as turbinas de fábricas e usinas. do ponto de vista psicológico e pedagógico o comportamento de uma criança cega e de uma criança surda pode ser completamente realizado sobre o mesmo nível como um comportamento normal. psicologicamente falando. e segurá-lo lá. e. mas mais convenientemente. tem sido subestimada na teoria e na prática em inúmeros países. "a educação não pode conceder a uma pessoa qualquer coisa que ela não possa já fazer por si mesma. visto como sei. tanto o comportamento de um ser humano quanto um agregado de reações permanecem imperturbáveis. Lessing 3 . de ter uma vida ativa. a educação não pode transmitir a organismo algum um novo movimento. Na formulação de nossa demanda para uma pedagogia guiada para inclinações naturais como formas a serem cultivadas. com a ajuda da educação ela pode conseguir por si. 3 . Novamente eu repito: os princípios e os mecanismos psicológicos da educação são os mesmos aqui como para uma criança normal. Precisamente sobre a base desta questão central tentarei ilustrar o principal significado da educação pré-escolar que nós sustentamos como a pedra angular para o sistema completo da educação da criança surda. tendo construído canais lado a lado. crítico literário e fundador da literatura clássica alemã. Na psicologia e na pedagogia o problema da criança deficiente deve ser apresentado e compreendido como um problema social. permanece o mesmo como o mecanismo completo de seu treinamento. pode somente modificá-lo. 1909. A fala é considerada como parte da vida social global de uma criança. Em princípio. e se for inerente ou desenvolvida pela experiência anterior. A segunda conclusão. então. educar esta criança significa trazê-la de volta para o curso correto da vida do mesmo modo que um organismo desarticulado ou prejudicado é reestabelecido. pode ser afirmada como a que segue: qualquer nova reação condicionada pode ser cultivada somente sobre a base de uma já existente. reformá-lo e combiná-lo com reações que o organismo já tem perto de seu comando. Gottheld Ephraim (1729-1781). Se. 18).absolutamente o mesmo. Thorndike diz que é impossível girar o Niágara de volta em direção ao Lago Erie. a natureza da educação de crianças deficientes em essência é o mesmo que para a educação de uma criança normal. nós abordamos o ponto inicial de qualquer sistema de educação social para as crianças surdas. a mímica natural e os gestos formam a base para o desenvolvimento das habilidades verbais. dramaturgo alemão. p. a educação de uma criança cega e de uma criança surda não difere da educação de uma criança normal. i. praticamente não menos importante para a educação especial do surdo. pedagogicamente falando. Estritamente falando. 2 A pesquisa de campo para o futuro trabalho educacional está colocado na educação pré-escolar. Em outras palavras.. Werner. teórico da arte. no ensino da fala. 3 Lessing. De acordo com a precisa afirmação de G. Para a pedagogia isso significa que a presença de qualquer influência educacional é necessária para se tomar como um ponto inicial e como para a base da tendência natural da criança. Crianças cegas e surdas são capazes de realizar um completo desenvolvimento humano. porque o aspecto social antigamente diagnosticado como secundário e derivado. mais facilmente" (citado no livro de F. Portanto.

Usualmente sob as condições tradicionais de ensino da fala para uma criança surda. Este é um caminho de mão-única. no trabalho e na vida diária uma criança aprende. mas pela sua imitação inconsciente. ela terá tido êxito na aprendizagem do discurso. A criança começa a receber instrução especial no discurso e na fonética somente no início da idade escolar. o hábito de expressar desejos e pensamentos oralmente está estabelecido. Ao mesmo tempo Vigotski critica Malisch por certas inconsistências e falhas no domínio do método de análise fonética alemão.vem imediatamente para a criança como alguma coisa intelegível. sua voz e órgãos da fala. Ambos no desenvolvimento filogenético e ontogenético de uma frase precede uma palavra. Este caminho no desenvolvimento da fala aproxima o desenvolvimento natural da criança normal. "serão os maiores resultados. Eles enfraquecem e desaparecem sob a influência de condições externas desfavoráveis. inadvertidamente. a organizar sua vida e seu comportamento. uma palavra uma sílaba. 4 . nomes. não há treinamento formal de reprodução dos sons e de seus elementos separados. necessária e totalmente essencial. ele afirma. Por outro lado. uma sílaba um som. especialista austríaco na educação do surdo. se fôssemos prosseguir dos elementos da fala para sua síntese. Posteriormente. A função da imitação reflexa e automática durante os estágios iniciais da instrução falada é enfatizada no sistema de K. fazendo com que a lenta instrução do discurso torne dolorosamente árdua a tarefa de uma aprendizagem sem qualquer aplicação prática. e sílabas dentro de palavras. Dentro desta conexão. O discurso é usado imediatamente em todas as práticas e contextos sociais de sua função. Mas todos nós bem sabemos como isso ocorre sem esperança na prática educacional. mas sem o discurso essas coisas tornam-se impossíveis. Ainda se fôssemos esperar até que uma criança aprenda corretamente a pronunciar cada som e somente depois disso ensinássemos a colocar os sons juntos com as sílabas. No jogo. e somente com a ajuda de medidas artificiais. A experiência prática convence4 Malisch. como um esforço consciente sobre a função atrasada da criança em seu progresso". Na idade pré-escolar.fala lógica e não articulada . imediatamente é intelegível e adequada para a comunicação. Sabemos que uma criança normal trilha este caminho antes de dominar a fala correta. segue um período de desenvolvimento não-verbal quando o discurso e a consciência de uma criança tomam diferentes caminhos de desenvolvimento. e rigor excepcional. Contudo sua fala desenvolve-se imediata e organicamente a partir do balbucio. para confiar somente nos esforços conscientes de uma criança quando elas correm contra seus princípios de interesses e hábitos. como está indicado de acordo com o método de análise alemão. nós nunca ouviríamos vida autêntica na fala da criança. ele envia o sistema de Malisch. O caminho inverso parece natural dominando as formas integrais da fala antes de seus elementos individuais e suas combinações. a habilidade de gestos imitados já tem sido fortalecida para um grau tal que o discurso oral está muito fraco para se lutar contra eles. Vigotski acentua a noção que este processo é sustentado não pelos esforços conscientes da criança. a fala aparece mais cedo nas maiores totalidades do que em sentenças. da inarticulação (desarticulação) ou confusão de sons separados e assim por diante. Qualquer interesse ativo na fala tem sido destruído. Konstantin (1860-1925). algumas vezes já aplicados com crueldade à consciência da criança. No estágio inicial para a criança de dois a cinco anos de idade. com uma leitura labial sintética de palavras inteiras. Quando analisando o significado do método sintético de leitura labial de palavras e frases inteiras. o qual insiste na necessidade da imitação e na imitação reflexa automática e no automatismo no estágio da instrução falada. direções e uma imitação inconsciente do discurso oral. Exercícios balbuciados como preparação para cada nova palavra e a leitura labial ocorrem pelos significados deste caminho natural no qual a criança exercita sua respiração. Nós não temos medo da pronúncia errada. Nesta idade de desenvolvimento a criança tem progredido em uma direção diferente. Deste modo. Malisch 4 "o processo mais automático do ensino de pronúncia". Já uma frase separada é quase uma abstração. a conversação na vida real de uma criança começa em torno dos dois anos. Portanto a fala . frases. estes instintos naturais extinguem-se por completo em muito pouco tempo. Estes são os dois métodos fundamentais para o ensino do discurso desde a tenra idade da criança.

A fala deve preceder os sons. Nós temos chegado aos mais valiosos aspectos de nosso trabalho com pré-escolares . ela vê "dentro dela" a pronúncia desta frase. isto move a criança para frente e é um incentivo. É autora de diversos artigos e livros para educadores e pais de surdos. "deve ser uma réplica da fala no desenvolvimento de uma criança normal. p. Neste nível (pré-escolar) a base da futura fala já está pronta. mas também aparece como instrumento do pensamento. p. e para o reforço dos vínculos com crianças surdas e o mundo da audição. A fala não somente preenche a função de comunicação entre as crianças. Nós não temos medo da imitação de sons em uma criança surda. 1926. Vigotski é completamente solidário com Rau a respeito da questão do novo método da leitura labial sintética para o desenvolvimento da vida. e já atentamente une este desenho com a compreensão e a compreensão com os movimentos da boca e língua. Desta forma. a diferença situa-se somente nos significados. expressa por M. sem medo. nós lutamos para encorajar. nos métodos e na quantidade de tempo . mas até mesmo dar boas vindas aos aspectos originais. desde que as percentagens da surdez não sejam absolutamente grandes. frases e movimentação dos lábios. Se cada vaca é um "mu" para ela. a compreensão da criança é fortalecida apenas como é sua pronúncia interna. e. Deste modo a audição residual é usada e desenvolvida ao mesmo tempo que a voz e a respiração são praticadas. quando ela tem que vir ou chamar mentalmente outra pessoa.o hábito de acordo com a posição. Rau. Portanto. nos primeiros estágios da aprendizagem nenhum esforço consciente será dirigido ao ato (citado de G. ao fazer isto. opinião e expressão do pensamento com a palavra falada" (ibid. não aquela produzida pelas lições artificiais de articulação. Rau 5 . Deste modo a fala natural ocorre imediatamente em toda a diversidade para crianças surdas na Rússia e Europa. Mas ainda mantemos o pré-requisito da fala natural. adquire sons que são melhorados e novos sons que são compostos dentro de palavras e frases. p. "A leitura labial sintética". O processo de domínio da fala é similar ao processo de andar. Gradualmente. as formas. I. assim como não temos medo desses sons na audição de uma criança normal. diz Rau. 38). Os músculos dos órgãos da fala individual da criança movem-se completa e involuntarialmente quando esta frase é pronunciada. Se uma mãe colocou uma criança sobre seus pés durante sua primeira tentativa para andar e dirigiu sua atenção para seus pés. Nosso objetivo é colocar esta regra em prática. "é o início da cognição pelo significado da palavra falada.uma criança surda será capaz de falar aos três ou quatro anos. desenvolver e reforçar a fala na criança o mais cedo possível. este método cria aquelas condições que são necessárias para a fala enraizar-se na vida da criança surda. A. da fala oral lógica e do pensamento verbal. e um cachorro um "au-au". Em um estágio posterior. da linguagem infantil incorreta e do domínio de sons no processo da fala. Os estágios de desenvolvimento são os mesmos para a criança normal e para a criança surda. dependendo da leitura de certas palavras. especialista soviética na educação de surdos e trabalhadora social organizadora do primeiro jardim de infância 5 . Ela teve enorme importância na organização e metodologia da educação pré-escolar da criança surda. O desenvolvimento da atenção acústica deve acompanhar a instrução falada. e irregularidades na fala da criança. mas aquela criada pelo ambiente completo da criança. a criança percebe o desenho da boca e o movimento dos órgãos fonadores. A criança deve cruzar de um estágio particular e próprio dela mesma. a voz está perfeita e reforçada. 82). ela. Com base neste método uma conexão é formada entre conceitos e "desenho" do lábio em movimento (em uma terminologia atual. afirma N. mas já fala mentalmente. Ela não é ainda capaz de pronunciar oralmente. somente retardaria o processo natural da aprendizagem. 59). Quando da leitura labial. Natalia Aleksandrovna (1870-1947).Kulpe. a expressão "venha aqui" já é familiar para a criança. 63). a imagem da palavra "oral" falada) e do movimento da língua e isto transformase no interior da pronúncia. enquanto uma criança normal já fará isso no primeiro ano de vida" (1926. p. O caminho da imitação é o caminho mais natural. Conseqüentemente. Esta é a mesma demanda. Werner.nos disto. a capacidade de ler e escrever é adquirida. Por exemplo. 1909. "A seqüência no desenvolvimento da fala da criança surda". Na aprendizagem para andar a criança deve inevitavelmente cruzar o estágio do tropeção (cambaleando ou agindo com hesitação) para adquirir certeza no passo. Mill que disse de um modo mais geral: "É necessário desenvolver a fala em uma criança surda do mesmo modo que a vida cria a fala para uma criança normal" (citado em F. a criadora do primeiro jardim de infância para 5 surdos na Rússia.

A leitura labial é associada à leitura de letras impressas e escritas. Somente através da instrução pré-escolar da palavra falada. Nisto reside a diferença entre o seu método e o método analítico alemão. representa a primeira e original tentativa para ensinar a fala 6 Golosov. artificial. Portanto. no ano acadêmico de 1924. A intenção básica do autor é ensinar o surdo a falar do mesmo modo de que nossas crianças pequenas adquirem a fala. À Golosov é creditado a primeira tentativa original de construção de um método para o ensino oral da fala para surdos com base em palavras inteiras. isto é. articulação e leitura do discurso escrito . sem vida. uma luta pela palavra inteira. por uma frase inteligente (significativa). depois frases inteiras e também histórias. Kulpe. Ele considera que a pronúncia satisfatória só pode ser realizada por meio da atividade reflexa. antes de tudo a fala "viva". uma tentativa para aproximar o máximo possível a norma do processo natural do desenvolvimento da fala em crianças pequenas. 6 . p. p. I. N. e somente através da palavra falada no contexto da audição" (ibid. professor do Instituto de Moscou para crianças surdas. Ivan Vasilevich. quando adicionado o que o jardim de infância dá a uma criança.leitura labial. onde a atenção principal é dada as técnicas de pronúncia. embora os dois tenham surgido de modo absolutamente independente um do outro. Os experimentos têm produzido resultados favoráveis. o que elas podem compreender na escola e o que podem imediantamente usar para sua comunicação no seu meio circundante" (citado de G. de acordo com Golosov. A comunicação começa imediatamente com a instrução da fala lógica (significativa). 1926. ao invés do método analítico. "A pronúncia satisfatória é obtida somente por meio do método reflexo" (ibid). A palavra fortalece o interesse na fala e instiga nas crianças a confiança necessária para começar a falar. sobre os quais as técnicas de pronúncia estão baseados.de suas funções. Enquanto aprende palavras e frases inteiras. O método elaborado pelo professor do Instituto de Moscou para surdos. no primeiro grupo de outubro à maio. os sons são adquiridos ao mesmo tempo. Os sons não são apresentados separadamente. contudo. O ponto principal é que as crianças imediatamente percebem a palavra inteira. Aqui. Isto é porque. I. 67). Em 1910 a elaboração preliminar do método foi iniciada e em 1913 foi colocado em prática em Varsóvia. A fala orgânica cria raízes na vida da criança e começa a formar a vida e o comportamento da criança girando em torno de experiências sociais e do mais importante órgão da fala. as crianças aprenderam por este método o domínio de vinte e dois sons. os quais já têm sido percebidos no jardim de infância. não é a prática de sons individuais mas a leitura do rosto (leitura labial). Golosov 6 . Foi dado importância fundamental à leitura labial. 3 A instrução posterior da fala oral para o surdo em idade escolar continua a desenvolver os mesmos princípios e aspectos. A. Esta concordância nos diz que estamos seguindo na direção correta. Vigotski enfatiza o fato de Golosov ter sido consistente em sua pesquisa pelo novo método para o ensino de crianças surdas. mas trabalhados como parte de um todo. O método de Malisch exige. analítico. 81). "As crianças são somente ensinadas sobre o que têm significado lógico. pela fala lógica e viva. Todos os quatro aspectos da instrução falada . este método foi completamente oral por meio de palavras inteiras. os princípios básicos e fundamentais sempre mantêm a luta contra o método fonético. É necessário dizer que os aspectos essenciais do método de Golosov correspondem ao método de Malisch pelo uso de palavras inteiras. Durante os anos da Revolução. O que é mais importante. à princípio nas sílabas das palavras. As características básicas desse método correspondem ao método de Malisch. embora ele tenha surgido independentemente. Entre os novos e originais métodos que estão em prática em nossas escolas e correspondem a este princípio eu abordarei brevemente somente dois. "as experiências têm provado que a educação pré-escolar da criança surda deve ser solidamente baseada na fala oral viva que é a única significação capaz da criança se comunicar com o mundo ouvinte.estão intimamente unidos até aqui. Rau corretamente afirma. e parte dela. escrita. mas somente durante os anos revolucionários em Moscou é que a elaboração teórica e prática deste método foi completamente resolvida. a base do método analítico elaborado e implantado. o aspecto principal é a leitura labial.

O método de I. Julgando pelo último Congresso Alemão sobre a Educaçao do surdo. direta e abertamente duvida da inteligibilidade e distinção da articulação com este método e reconhece aquela "concordância completa entre a instrução falada e o desenvolvimento cognitivo da Leman. pedagogo tcheco da surdez. 7 criança surda. uma frase inteligente. Neste relato. p. Mas o mais notável aspecto deste método é 7 . Portanto. Aqui a fala é novamente separada do desenvolvimento.. Sete a oito repetições com instruções condicionais são suficientes para estabelecer um reflexo. sem percebê-la. junto com a escrita.. 1926. a escrita e a leitura de palavras e frases" (K. Sokolianskii é uma tentativa. Então esta frase é lida somente dos lábios sem os gestos. uma frase é dada de acordo com uma ordem prescrita primeiro por meio da leitura labial acompanhada de instruções diretas. "Selecionar o material de instrução de acordo com o grau de dificuldade na pronúncia! Então. Este método guia-nos ao uso da leitura labial como um meio primário da instrução falada. Ao surdo é dado uma frase completa em três formas. e elementos fonéticos das palavras. Nossa tarefa consiste em mergulharmos o surdo no ambiente de nossa fala. por um gesto imitativo natural. Nossos princípios obrigam-nos a reexaminar completamente o sistema por inteiro. Kotelnikov. serve somente como meio auxiliar. p. Isto é repetido duas a três vezes. e. A. Mas não podemos ficar satisfeitos com uma reforma técnica e com uma melhoria parcial. G. este método. local de nascimento do método fonético analítico clássico. 88).é estabelecido precisamente pela separação consciente de cada som em cada sensação cinética unida com ele. as frases são dadas exclusivamente no imperativo e são associadas necessariamente a ações.. e ele não resiste a esforços monstruosos para avançar da apresentação gráfica da fala para a fala lógica. i. no que é possível. i. N. o método de Malisch leva-nos a metade do caminho. enquanto a leitura labial. que o método de Malisch tem demonstrado a possibilidade de ensinar a fala ao surdo com frases inteiras e que o desenvolvimento global e verbal avançam mais rápido com este método do que com a instrução fonética. que é impossível no estágio inicial" (1925. realizado em junho de 1925 em Heidelberg. e se a articulação permanece como apoio. No princípio. Aqui a tentativa foi feita para empregar como o veículo primário do pensamento não aquelas sensações verbais extremamente impuras. Leman 7 afirmou que nem agora nem provavelmente no futuro. as mais acessíveis imagens (para a criança surda) das palavras nos lábios dos falantes junto com palavras escritas no quadro e com sensações motoras recebidas do movimento da mão no processo de escrita. ensiná-las a leitura labial. . Com o decorrer do tempo. O surdo vem acostumado a uma fala significativa completamente mecânica. Ao mesmo tempo. A frase é firmemente fixada na mente. originado na Alemanha. Os ganhos do novo método são enormes! Mas o autor. 87). * Este é um termo russo ("mimicry" no inglês) comumente aceito para linguagem gestual (nota do tradutor americano). e a criança desempenha a ação necessária. como nós dizemos. com instrução condicional. mas as mais claramente definidas. e. Leman reconheceu. Devemos ter a coragem para prosseguir até o final da estrada sem paradas na metade do caminho. com aspectos significativos da fala e não aspectos seletivos. Malisch. bem como seus críticos não tem finalizado suas conclusões e tem somente formulado metade de seus pré-requisitos. quando a criança acumulou um número adequado de frases na forma imperativa. Além disso. Esta natureza mecânica e reflexiva é a mais importante distinção do método de Sokolianskii. ou mais precisamente para suas premissas pedagógicas. Se as necessidades da criança para a fala são abrangidas pelos detalhes somente eventuais e convenientes. i. e. "crianças. então estamos muitos passos atrasados. G. Nós temos regredido puramente ao método fonético. contudo. p. 74). crítico de Malisch. levantem-se!" . ele perde seus efeitos revolucionários e é reduzido a uma simples reforma de técnicas. a linha que permeia toda instrução falada. enquanto a dificuldade da pronúncia permanece no princípio básico para o material selecionado. este mesmo material será trabalhado novamente nas formas do presente e do passado" (M. este método será possível de ser chamado de um método único e fundamental para o ensino do discurso falado. 1926. "Os reflexos condicionais são criados. considerar as necessidades da criança para a fala. O que foi estipulado diminui a significância fundamental do método.o professor indica com sua mão o que é necessário fazer. não foi substancialmente desenvolvido. Leman. Leman permite o uso da mímica * no princípio dos estágios de instrução.

venham aqui! Crianças. Ele é adequado para a instrução da pronúncia e articulação. Alcançamos através deste método um rápido e total domínio da escrita. O domínio da seqüência pela leitura labial leva em média 12 minutos. de acordo com essas palavras. quando elas compreendem mais do que podem pronunciar. uma seqüência inteira com 7 a 10 ligações. "Crianças. É impossível estabelecer precisamente quando a fala e a leitura labial unem-se na criança. devemos desistir deste método. mas específico. o método oral mais do que qualquer outro é artificial para a surdez" (1909. mas está sempre subordinada à tarefa básica do ensino da fala por meio de duas horas diárias de leitura labial. exposta. e não podemos esquecer que a audição normal da criança também tem um estágio. F. Por ser parte do sistema tradicional. O domínio da seqüência na forma escrita demanda 3 a 4 repetições (ibid. Onde está nossa saída? Naturalmente. Tecnicamente a pronúncia é desenvolvida ao longo de um caminho especial. Se os métodos por nós descritos ainda necessitam de muitos anos para a perfeição e verificação empírica. o controle é verificado por meio da leitura de elementos e o estabelecimento do fato de que as respostas das crianças são corretas a cada signo. devemos dirigir esta questão sobre uma escala mais ampla do que uma discussão de características específicas do método. a criança surda encontra-se neste período de desenvolvimento da fala por um longo tempo. Depois que esta seqüência é dominada pela leitura labial. então de qualquer maneira uma coisa já está fora de dúvida: Está é a direção na qual a educação do deficiente deve prosseguir. mas não para o ensino da fala porque resulta em uma fala morta. O método de Malisch é o melhor exemplo disto. ele reforça a pressão mecânica e a proibição da mímica. Durante a mesma lição não somente a frase é dada em sua totalidade. Por exemplo. do ensino do surdo é ao mesmo tempo uma preocupação da educação social global e somente como tal ela pode ser resolvida. a leitura de cartazes de 6 a 7 minutos! Em média. A seqüência é escrita no quadro ou é pendurada de antemão sobre um cartaz preparado. a mesma seqüência é dada na forma escrita. levantem suas mãos!. mas se ele força-nos a tratar o aluno cruelmente. e totalmente inútil. extensivamente treinada. 4 Estamos ainda muito longe de considerar qualquer dos métodos vistos acima. diz "De todos os métodos de instrução. como remédio salvador. reforçada e avaliada de acordo com o material incluído nelas (ibid. Mas ele exige uma crueldade excepcional para sua implantação. levantem-se! Crianças. Ele é até mesmo necessário para quebrar a natureza da criança a fim de ensiná-la a falar. então ele não está acabado por ser um fracasso em si mesmo. p.que ele vai muito mais além.. Se dissermos que o método fonético Alemão está condenado ao fracasso. Com o mesmo método de instrução. 55). A instrução falada depende da solução de muitas questões pedagógicas gerais. um dos mais fortes e mais honestos defensores deste método. Um método pode ser miraculoso. 74-75). produzida artificialmente. ele perde todo o significado. O método Alemão é engenhoso. A instrução por este método contradiz a natureza da criança surda. Nós temos debatido sobre a mais difícil questão a fim de mostrar o seguinte: o problema central. As seqüências posteriores são compostas sobre a base de uma seqüência prévia que foi repetida. É impossível decidir esta questão fora de um sistema geral de educação. não importa como ele encontra as características psicofisiológicas da criança e como possa resolver o problema do desenvolvimento da fala oral para a criança surda. a única solução é extender a questão para além da limitada estrutura das lições de 8 . elas começam a descobrir como responder a um novo signo em novas ligações. p. mas no período de 12 minutos uma série de signos e frases são dominadas em média. vão para seus lugares! Crianças. mantemos a opinião de que nenhum método é único. Werner. se ele não produz fala significativa. ou de modo geral como qualquer outro método acabado. Crianças. com lições especiais. Se almejamos a fala oral atual para a criança surda. Aqui está realmente o problema trágico da educação especial para a surdez. sentem-se!". 75). um mês e meio passam-se antes das crianças começarem a decifrar palavras separadas nas ligações e então. Ao contrário. p.

Stern a escola tradicional não é somente incapaz de inserir a criança na fala. tenho tentado defender a tese que. Cada método possui sua justificativa ou sua censura somente dentro de um sistema geral de educação. por si mesmo. como o lugar e meio para a organização das crianças em seu ambiente. a solução para qualquer dificuldade. Não repetirei aqui vários conceitos que já estão bem conhecidos sobre o trabalho escolar orientado. pode ser boa ou má. O trabalho é o elemento central e fundamental ao redor do qual a vida social é estruturada e erguida. i. mas a falta de uma força que poderia posteriormente tê-la ajudado a entrar na vida e por isso a torna sistematicamente atrofiada. a escola é antissocial e cria uma disposição antissocial. O trabalho. o treinamento profissional oferece a solução para todos os impasses. Nenhum método é.articulação e colocá-la como uma questão de educação como um todo. mas devo chamar a atenção que. E dentro desta visão. Tudo neste ambiente acentua sua deficiência. Naturalmente. a escola também deve reconhecer seu papel como veículo para a educação social. A. A escola especial aumenta a separação psicológica. no novo sistema ele pode tornar-se uma panacéia.. pela natureza de sua constituição. não há diferença entre a educação de uma criança normal e de uma criança surda. A criança surda é inserida em uma escola especial com pouco espaço. depende do uso que se faça dela nas mãos de um médico ou de um criminoso. tudo fixa sua atenção sobre a surdez e a traumatiza justamente por esta razão. É necessário fazer dos instintos da criança seus aliados. e não ao contrário delas. sua estrutura e suas condições ambientais são fatores decisivos que moldam as formas condicionais do comportamento. A vida nos diz isso. ao avaliar o experimento Alemão. Aqui não há nenhum desenvolvimento. O método oral do velho sistema foi mortal. não são suficientemente hábeis para fazer frente a ocorrências e demandas da vida social. a escola para surdos está orientada pelos princípios da educação pública e está baseada no conceito geral da revolução e do trabalho escolar orientado. A fala nasce da necessidade para a comunicação e para o pensamento. mas tudo na escola é organizado de modo a matar a necessidade para a fala oral na escola. e a mímica seja desinteressante e inútil. a vida da criança passa a ser organizada de modo que a fala seja necessária e interessante para ela. esta é uma conseqüência do fato de que a escola está isolada da vida delas. Iniciando com as instituições pré-escolares. De acordo com a definição teórica da escola vocacional. através da sociedade e para a sociedade. quando aplicado para a criança surda. A principal debilidade do método escolar tradicional é que ele sistematicamente afasta a criança surda para longe da média normal. O ambiente social e sua estrutura são os fatores finais e decisivos em qualquer sistema educacional. A coisa mais importante é que a educação em um trabalho 9 . De fato. não seus inimigos. De acordo com W. como em um regime hospitalar. A vida social do homem e seu estudo da natureza estão unidos pela atividade do trabalho. isolando e colocando-a em um mundo limitado e fechado. a sociedade e a natureza são os três canais fundamentais que guiam o trabalho educacional e formativo na escola. Portanto. o trabalho pela criança surda está construído sobre uma base ampla da educação social. por si mesma. Esta solução para a educação do surdo na RFSSR tem sido estimulada pela experiência completamente revolucionária ocorrida nas escolas para crianças normais. A respeito disso. Sua saúde mental e condição psicológica torna-se perturbada e deteriorada: a surdez tornase um trauma. no princípio e de um ponto de vista científico. A experiência nos diz isso. Uma faca. e. O pensamento e a comunicação aparecem como resultado da adaptação às complexas condições de vida. psicólogos dizem-nos que o sistema social. A educação deve ser dirigida ao longo das linhas de interesse da criança. pois é impossível aprender a falar fora da vida social. os objetivos básicos da educação social são o treinamento e a educação em sociedade. A pessoa surda move-se dentro de um círculo limitado pela deficiência. bom ou mau. A necessidade para uma linguagem universal deve ser criada e então a fala aparecerá. A única solução é uma reforma radical completa do programa educacional. onde tudo age de acordo com sua deficiência. Este ambiente artificial está divorciado de muitas maneiras do mundo normal no qual o surdo terá que viver. Gutsman. Esta é a base da educação para o surdo. Portanto. como é difícil nadar sobre a terra. justifica-o ao dizer que a maioria dos surdos que graduam-se nas escolas. A idéia central é que a educação é vista como parte da vida social e como preparação para a participação da criança nesta vida.

apesar disso. politécnico e pedagógico. então esta abordagem unilateral. Com exceção de alguns. darão uma educação geral. v. Com exceção de muito poucas áreas. a educação do surdo tem até agora. Vigotski cita a posição de Krupskaia quando examina aquelas questões comuns de educação politécnica. esposa e companheira de armas do grande Lenin. na maior parte das vezes. Destacando as causas e a essência da delinqüência infantil durante os anos de estabelecimento do Poder Soviético. Moscou. Trabalhos Pedagógicos. 8 10 . as quais são compartilhadas com o programa escolar normal. Fisicamente. Portanto. Krupskaia com toda sua convicção afirma que o termo "deficiência moral" sancionava uma atitude criminosa com relação às crianças abandonadas. 214). Em seus trabalhos pedagógicos. no caso da criança surda. Krupskaia 8 definiu as características globais dos programas educacionais. a cultura. feito uso de apenas um círculo limitado de trocas inúteis. como uma máquina humana. o surdo conserva quase todas as possibilidades de reações físicas que a criança normal possui. ela garante uma participação ativa na vida social desde os primeiros anos. As tarefas de uma organização não estão limitadas a uma tentativa de normalizar a vida da criança. eminente pedagoga marxista e organizadora da educação popular na União Soviética. ela expõe a ilegitimidade deste conceito de um ponto de vista filosófico. A organização e o desenvolvimento coletivo das crianças está baseado na educação do trabalho orientado. Krupskaia relaciona a inaceitabilidade deste termo aos olhos da pedagogia soviética com a luta generalizada contra o abandono e a delinqüência infantil naquele período inicial. Krupskaia. o individual e o social. N. Este deveria ser o fundamento para a educação do surdo. casos de desequilíbrio. oferecendo as oportunidades para trabalhar lado a lado com uma pessoa normal e escapar do perigo da separação. o presente e o passado. o econômico. p. todas as formas da atividade de trabalho lhe são acessíveis. Com a abordagem correta para esta questão. Krupskaia examina crítica e cuidadosamente a noção de "criança moralmente deficiente" ("Sobre a Questão das Crianças Moralmente Deficientes". usualmente não muito significantes. Talvez quase pela primeira vez no mundo. diretamente conectadas com o som. Conseqüentemente. 1979. com a fala e com a consciência. a aquisição de habilidades e atitudes vocacionais. orientada para o trabalho. o político. E se.orientado oferece o melhor caminho para a entrada na vida. Como um aparelho em funcionamento. filantrópica e orientada à deficiência é também culpada. uma pessoa surda mantém um alcance completo de possibilidades para seu desenvolvimento físico. o qual auxilia a incutir na criança uma ciência delas mesmas como uma parte orgânica da sociedade adulta. A educação profissional está construída sobre a base politécnica e sobre o programa de trabalho orientado. K. com característica politécnica para o conteúdo da instrução" (1970. para o surdo. o corpo de um surdo varia muito pouco do de uma pessoa normal. ela garante tudo em conexão com a comunicação. nossas escolas estão desenvolvendo uma experiência em auto organização das crianças surdas. trabalhadora fiel do Partido Comunista e do Governo Soviético. baseado no trabalho da seguinte maneira: "A orientação em direção à atividade do trabalho e uma investigação desta perspectiva do interrelacionamento entre as pessoas e a natureza. Nadiejda Konstantinovna (1869-1939). um surdo é mais capaz de conhecer o mundo e participar ativamente nele do que um cego. A organização do coletivo das crianças gira dentro de um processo educacional. Isto permite o completo domínio de algumas formas de trabalho e garante a entrada para a corrente principal da vida social e para a participação nela. elas prolongam-se muito mais adiante. 2). As crianças criam um auto governo estudantil. uma enorme variedade de oportunidades podem abrir-se.

etc. que envolvem por completo suas vidas. a participação nos grupos de Jovens Pioneiros. Ultimamente este sistema de educação social para o surdo está coroado por um movimento comunista das crianças. e. i. ao passo que usualmente ela tem sido baseada na experiência da história humana passada. Hoje junto com o resto da União Soviética. que envolvem crianças na vida da classe trabalhadora e informa-lhes as experiências e lutas dos adultos. i. a ser dirigido e organizado pelas agências de educação públicas. Nós. Pelo contrário.. da consciência e do pensamento para compreender a significância deste sistema. Estamos longe de atingir um ponto final de desenvolvimento nesta questão. O sistema de educação social é novo nele mesmo e representa a principal contribuição da Revolução à educação do surdo. Seu pulso. que estamos indo adiante na direção apropriada e que o futuro pertence à educação social das crianças surdas. Além disso a vida está dirigida para o futuro. Este ambiente de jogo infantil cria metas sérias para aqueles pensamentos e ações que enviam uma palavra decisiva sobre sua vida. da guerra e da grande escassez. 11 . A habilidade vivenciada. seus pensamentos batem em uníssono com as massas. Nos anos do bloqueio.composto por comissões sanitárias. ainda estamos pobres e não podemos contribuir a esta causa com todos os meios e forças solicitados. O número de instituições educacionais para os surdos aumentou no primeiro ano da Revolução. o comportamento social. o movimento das crianças pioneiras transforma-se no movimento de Jovens Comunistas. No nível máximo. pensamos que estamos apenas no início de nossa jornada. econômicas e culturais... e. naturalmente. e. a responsabilidade coletiva cresce e se fortalece neste sistema.. no período de demandas fundamentais pelas massas. Mas acreditamos que escolhemos o caminho correto. a iniciativa. fortalecimento e renascimento. dentro da educação social e política de larga escala por meio da qual as crianças surdas vivem e respiram como todas as pessoas de seu país. Em lugar de uma caridade filantrópica. i. as qualidades de liderança. Basta introduzir as enormes e inexauríveis possibilidades as quais tal programa educacional pode ter para o desenvolvimento da fala. as instituições para os surdos estão experienciando um período de avanço. as crianças surdas cresceram pobres junto com todo o país. a educação dos surdos na URSS é estabelecida como um assunto do Estado. O que é novo nisto tudo é que pela primeira vez a criança entra na corrente principal da vida dos dias atuais. em um período de severa necessidade sob a pressão da qual um crescente número de instituições foi aberto. As batidas do coração do mundo é sentida no movimento dos Pioneiros: uma criança aprende a se ver como um participante na vida em uma escala mundial. seus esforços.