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Licenciatura Noturna de Física Instituto de Física UFRJ

PROJETO DE INSTRUMENTAÇÃO DE FINAL DE CURSO

ATIVIDADES SOBRE MAGNETISMO: COMO OS ALUNOS SE EXPRESSAM

Aluno: Manoel Jorge Rodrigues Marim Orientadora: Deise Miranda Vianna Banca: Deise Miranda Vianna Marcos Binderly Gaspar José Roberto da Rocha Bernardo (FE/UFF) Maria Helena Pedra Martins

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Julho de 2010 AGRADECIMENTOS Agradeço a Jesus, o amigo de todas as horas e trabalhador incansável pelo nosso aprimoramento. A minha família, sem eles não conseguiria sequer ingressar na faculdade. A minha orientadora Deise Miranda Vianna, pelo esforço em tornar possível esse trabalho árduo. E aos professores que dão aula por prazer, e por saber que esse é um trabalho nobre mesmo que não reconhecido, obrigado por me mostrarem que tipo de profissional devo me tornar.

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Resumo do trabalho monográfico submetido ao corpo docente do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Licenciado em Física. ATIVIDADES SOBRE MAGNETISMO: COMO OS ALUNOS SE EXPRESSAM Manoel Jorge Rodrigues Marim Julho de 2010

Orientadora:

Deise Miranda Vianna, D.Sc.

Analisaremos aulas filmadas de física do ensino médio regular público, cujo tema magnetismo possui um enfoque CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade), através de “atividades investigativas” para alcançar uma aprendizagem mais autônoma. Para verificarmos se houve aproveitamento das aulas, iremos utilizar o estudo da argumentação dos alunos, através da transcrição completa de seus diálogos e observação de seus gestos. No primeiro capítulo apresentaremos os pressupostos teóricos que fundamentam o trabalho, onde veremos o aspecto metodológico do ensino por investigação e também o que nos dizem as pesquisas sobre a argumentação aplicada ao ensino. Em seguida apresentaremos considerações sobre a obtenção dos dados, o material didático utilizado, a aprendizagem que esperamos observar, e analisaremos as transcrições. Logo após faremos os comentários sobre o que foi observado nas transcrições e proporemos algumas sugestões para futuras aulas.

Palavras-Chave: Ensino de Física, Ensino por investigação, Argumentação.

..1...........1 Considerações sobre a obtenção dos dados...VI Índice de Tabelas................... ........5 O ímã e os diferentes materiais....................4.............................................................................................................1 Metodologia de pesquisa......16 2...............................................................1................21 2...............................................19 2..................................................................................................1 CAPÍTULO 1 REFERENCIAIS TEÓRICOS.........................4........................................................2 Da transição entre as práticas tradicionais e as investigativas...........5 Aplicação das aulas e obtenção dos dados........3 Material Didático.............21 2........................20 2...................................................iv Índice Índice de Figuras.....................................6 1.1 A importância do magnetismo.........4.............3 Entendimento sobre a bússola...............................................................................................................................................................................6 Análise dos dados...............VII INTRODUÇÃO................................................19 2...............................1 Ensino por investigação.........................................................16 2...........................20 2...............8 1............................19 2.............3................22 CONCLUSÕES SOBRE OS DADOS COLETADOS................1 Material utilizado no primeiro encontro......................7 A Terra e seu segredo magnético......................2 Público alvo.....................................................17 2....................................39 CONSIDERAÇÕES PARA UM FUTURO.................................2 Argumentação...................6 Campo magnético....................................................................4 1.....................4......4 1....1...............................16 2.....................21 2.....................................................................17 2.........41 ...........4................4 A física que esperamos observar com o aprendizado ..1 Desafio do professor..........10 CAPÍTULO 2 DESENVOLVIMENTO.............19 2...........4....................................................20 2........4..................................... ........................................2 Os pólos de uma ímã......................4 Pólos inseparáveis.......................

..........................A 1 ANEXO 2: Resumo elaborado pela professora que aplicou a aula..............................................A 18 ...................................................v REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................................A 15 ANEXO 3: Transcrições completas dos diálogos dos alunos.............................45 ANEXO 1: A bússola e o magnetismo: O desenvolvimento de uma técnica de orientação.......

.................................22 .........................................vi Índice de Figuras FIGURA 1 – Padrão de argumento de Toulmin...........................................14 FIGURA 2 – Integrantes do Grupo 2 da turma 3002 no momento da atividade......................................................

...................18 .........................8 TABELA 2 – Níveis de investigação no laboratório de ciências............................................vii Índice de Tabelas TABELA 1 ...Contínuo problema exercícios.......................9 TABELA 3 – Categorias para análise da argumentação dos alunos....................................................15 TABELA 4 – Sequência didática a física e a TV.......

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por exemplo.Matematização excessiva do ensino de física. Dentro dessa realidade o ensino de ciências. distribuição de renda. como. p. criminalidade entre outros. a melhoria do ensino de ciências especificamente é tida como fundamental para possibilitar o desenvolvimento tecnológico e econômico do país. Além disso. . 2002. visto que a física é considerada uma das áreas do ensino mais difíceis e desinteressantes. Vários motivos são vistos como os responsáveis por essa situação. que permita ao indivíduo a interpretação dos fatos. na escola média. . a nota da prova de física do vestibular da UFRJ é a menor do exame em muitos anos (UFRJ. Existem diferentes tipos de avaliações que mostram essa dificuldade de ensino-aprendizagem.1 INTRODUÇÃO É um fato conhecido que a educação no Brasil necessita de muitas melhorias desde o ensino fundamental ao nível superior. como. por exemplo os Parâmetros Curriculares Nacionais que estabelecem: Espera-se que o ensino de Física. Na prática ainda se altera muito pouco uma metodologia de ensino existente há décadas.Não aplicabilidade da física aprendida no dia-a-dia do estudante. entre elas normalmente são citadas: . mas ao menos já se busca essa mudança com tomada de atitudes. e especificamente o ensino de física. contribua para a formação de uma cultura científica efetiva. fenômenos e processos naturais. Existe uma consciência por parte da esfera governamental de que o ensino precisa mudar (BRASIL. Isso nos mostra a importância das pesquisas que visam a melhoria do ensino e nos dá a motivação para estudá-las. 2010). situando e dimensionando a interação do ser humano com a natureza como parte da . que reflete em carências na formação de professores e desinteresse dos profissionais em lecionar.Baixa valorização da profissão de professor. 7). A mudança do quadro atual da educação no Brasil é tida por muitos como fundamental para a melhoria de diversos outros setores como sistema de saúde. As causas da baixa qualidade no ensino de física são temas de estudo há alguns anos. é um dos que mais carecem mudanças.

As novas abordagens trazem consigo o estudo de um aspecto relativamente novo. 2002. com base nos referenciais teóricos. onde aulas com enfoque CTS e práticas investigativas foram filmadas. é essencial que o conhecimento físico seja explicitado como um processo histórico. (BRASIL. técnicos ou tecnológicos. . Um deles é o enfoque CTS (Ciência Tecnologia e Sociedade). as atividades investigativas. por exemplo.2 própria natureza em transformação. se essa abordagem motivou os alunos. Se o objetivo é que o ensino de física contribua para a formação de uma cultura científica efetiva. social e profissional. 22) Como dito. e se permitiu a eles desenvolver traços dos padrões do pensamento científico. o que possibilitaria. Este trabalho irá analisar uma aula de ensino médio em um colégio no Rio de Janeiro. do cotidiano doméstico. p. apontar os possíveis motivos para sucessos ou insucessos na utilização dos métodos investigativos e no estímulo à argumentação. É necessário também que essa cultura em Física inclua a compreensão do conjunto de equipamentos e procedimentos. que é a importância da argumentação e a linguagem. Buscamos verificar se o estímulo à argumentação e às práticas investigativas proporcionaram aos estudantes o aprendizado do conteúdo de física proposto. Para sondarmos o processo de ensino-aprendizagem faremos a análise da argumentação dos alunos através das transcrições de seus diálogos gravados e da observação das filmagens das aulas. Nesse sentido muitos estudos estão sendo feitos para dar um enfoque mais atraente e significativo para o conteúdo nas aulas. é necessário que o aluno possa desenvolver sua capacidade de argumentação e descobrir as vantagens que uma linguagem científica pode ter em determinadas situações. mesmo que eles não notem. objeto de contínua transformação e associado às outras formas de expressão e produção humanas. Também pretendemos. desenvolver neles uma visão da ciência como uma construção humana passível de questionamentos e incertezas. Para tanto. um dos problemas apontados para o desinteresse dos alunos é a não-observância do que é ensinado em física com o cotidiano. além disso existem práticas em sala de aula que possibilitam ao aluno desenvolver uma visão da ciência como construção humana e também tornar a aprendizagem mais envolvente como.

será analisado de acordo com os estudos já existentes e será feito um resumo da teoria que irá orientar nosso trabalho.3 Abordaremos no primeiro capítulo o embasamento teórico para fundamentar o trabalho. Como uma forma de entender o processo de ensino-aprendizagem. O material educacional desenvolvido para a aula a ser analisada. podem ser encontrados nos anexos deste trabalho. buscando nortear as análises dos diálogos que serão feitas no desenvolvimento do trabalho. Por último iremos fazer algumas considerações e sugestões que surgiram naturalmente ao longo das observações dos vídeos e leitura das transcrições. Essa análise minuciosa dos diálogos será realizada em trechos da aula que julgamos importantes para o trabalho. e as transcrições completas dos diálogos. Aproveitamos todo o trabalho no tratamento dos dados não só para analisar mas também para propor uma possível melhora na aplicação dessa aula no futuro. também trataremos no primeiro capítulo os pressupostos teóricos sobre argumentação. como proposta para melhorar o aprendizado. Em seguida iremos abordar as conclusões obtidas na análise da aula. No capítulo seguinte será apresentado o público alvo da pesquisa. Neste capítulo também iremos tratar do aprendizado que gostaríamos de obter dos alunos e do material que foi utilizado na aplicação da aula estudada. . assim como os diálogos escolhidos e a análise das transcrições dos diálogos. O ensino por investigação.

há uma integração através da atividade de observação.1 Ensino por investigação Existem diversas pesquisas no intuito de tornar o ensino de física eficaz. 551) Uma característica interessante e importante dessas atividades. existe uma integração através da interação dinâmica dos processos da ciência e da compreensão conceitual de cada aprendiz. 1992. p. (HODSON. aprender ciência e aprender sobre a ciência: os alunos desenvolvem o seu entendimento conceitual e aprendem sobre a investigação científica por intermédio da investigação científica. Na primeira parte veremos a motivação para utilizarmos uma proposta de ensino por investigação. estuda as implicações do ensino experimental de física. existe uma integração entre fazer ciência. usualmente chamadas de atividades investigativas e que não necessariamente precisam ser realizadas em típicos laboratórios de ciências. e quais as diferenças entre esse tipo de abordagem e as abordagens mais comuns. Quando os alunos têm a experiência adequada de fazer ciência.4 CÁPITULO 1 REFERENCIAIS TEÓRICOS Neste capítulo encontraremos a base teórica para fundamentar o estudo. Uma das abordagens é a de que investigações semelhantes às que os cientistas fazem em suas pesquisas podem ser aplicadas ao ensino de ciências. já há muito tempo. por causa da natureza reflexiva da atividade científica. podem ser até mesmo . e os métodos de análise que possibilitam verificar se os alunos apresentam traços de padrões de discurso que esperamos desenvolver. Quando uma abordagem investigativa para a aprendizagem da ciência é adotada. desde que haja oportunidade suficiente para isso. Uma grande parte dos pesquisadores. experimentação e teoria. Veremos também as características desse enfoque educacional. e algumas vertentes diferentes são estudadas nesse sentido. as vantagens que podem ser obtidas utilizando essa metodologia e as dificuldades encontradas para aplicá-lo. e também apoio à reflexão. Na segunda parte do capítulo trataremos das pesquisas sobre argumentação em sala de aula como forma de sondar os processos de ensino-aprendizagem. Além disso. 1. a importância de estimular os estudantes a argumentarem.

muitas vezes. com simulações em computador. às vezes repetitiva e irrefletida. diversos conceitos e leis físicas tomariam muito tempo para serem alcançados por investigações propostas pelo professor. Para isso. desenhos. p. com o propósito de comunicar outras idéias e percepções. e em alguns casos poderia ser até inviável. cumprem esse papel de mobilizar o envolvimento do aprendiz. p. de objetos concretos. uma vez que não requerem a simples manipulação. modelamento e representação. Nas palavras de Azevedo (2004. Devemos mencionar que não propomos que todo o conteúdo seja abordado utilizando ensino por investigação. resolver problemas ou responder questões ainda não respondidas.5 problemas de lápis e papel. Essas atividades apresentam. A mobilização do aluno muitas vezes não é tarefa simples e demanda do professor um comprometimento em promover atividades que na visão do aluno tenham sentido e que busquem a solução de um problema. é fundamental nesse tipo de atividade que o professor apresente um problema sobre o que está sendo estudado. desejo de experimentar e os acostumam a duvidar de certas afirmações. o que elas precisam é possibilitar uma investigação e reflexão mobilizando o envolvimento do aluno. mas de idéias e representações. despertando neles curiosidade. A colocação de uma questão ou problema aberto como ponto de partida é ainda um aspecto fundamental para a criação de um novo conhecimento. pinturas. 21) é preciso que o aluno saiba o porquê de estar investigando o fenômeno que é a ele apresentado. p. E segundo Lewin e Lomascólo (1998. Atividades de resolução de problemas. É isso que os cientistas buscam o tempo todo. 295) chama atenção para isso. p. Para Azevedo (2004. 22) . colagens ou simplesmente atividades de encenação e teatro. Borges (2002. vantagens claras sobre o laboratório usual. 148) as atividades encaradas como ‘projetos de investigação’ motivam os estudantes.

modelo teórico. É possível buscar alguns objetivos pedagógicos através da adoção de atividades investigativas. consenso. tampouco achamos necessário que o aluno passe por todas as etapas do processo de resolução de maneira autônoma. Conceitos – por exemplo: hipótese. o que se vê são atividades que buscam verificar e/ou comprovar leis e teorias científicas. espera-se uma mudança na prática do professor. organizar. síntese. Atitudes – por exemplo: curiosidade. interesse. perseverança. Com essa . como veremos adiante. Compreensão da natureza da ciência – empreendimento científico. quando é proposta a resolução de um problema. E no caso de atividades experimentais normalmente. questionem e reflitam mais. categoria taxionômica. é uma busca por soluções que em geral não exigem muita reflexão. Essa mudança de postura é desafiadora. precisão. p.6 a experimentação baseada na resolução de problemas não é suficiente para a descoberta de uma lei física.1. como foi dito. gostar de ciência. solução de problemas. a existência de uma multiplicidade de métodos científicos. objetividade.1 Desafio do professor Para começar a introduzir atividades que permitem que os alunos interajam. aplicação. inter-relações entre ciência e tecnologia e entre várias disciplinas científicas. questionar. 1. correr o risco. cientistas e como eles trabalham. e o uso muitas vezes de fórmulas decoradas que não fazem sentido para os alunos. Afinal o que em geral é feito em sala de aula. 24): Habilidades – de manipular. como nos mostra Blosser (1988) apud Azevedo (2004. comunicar. mas sim o conhecimento de um método de resolução (uma espécie de algoritmo) ensinado pelo professor. Habilidades cognitivas – pensamento crítico. colaboração. responsabilidade. satisfação. investigar. mas ao contrário em muitos casos é exigido dele uma nova postura. O professor então não tem sua importância diminuída como se poderia pensar.

Com essas observações fica claro que apenas propor atividades investigativas não é o suficiente para que os alunos saiam de uma postura passiva que já estão acostumados. Driver (1983. 62 e 63) menciona que: “Por um lado. . É preciso que o professor se torne questionador. os próprios professores são vítimas desse raciocínio. muitas vezes. este processo é intencionalmente encaminhado para a lei ou princípio aceito atualmente” (p. e sentem-se inseguros quando as atividades que propõem não funcionam como esperavam. que argumente. Nós esperamos que os professores convidem seus alunos a construírem um significado. Em geral. Tanto nas atividades experimentais. por falta de tempo. fica com medo de errar e se prejudicar academicamente. O domínio do conteúdo permite que o professor auxilie a construção do significado correto.3). Essa busca pelo resultado também atinge o professor como nos mostra Borges (2002. p. 2004. p. quanto no caso de resoluções de problemas. a aprendizagem fica em segundo plano e o resultado se torna o mais importante. p. É claro que além da capacidade questionadora e reflexiva do professor é preciso que ele continue com o domínio do assunto que está tratando. estimular. coletem dados e façam inferências baseadas nestes dados. reflita e interaja com a atividade.7 abordagem o resultado é o mais importante para o aluno que busca de qualquer forma atingir o objetivo de um roteiro fortemente estruturado. quando ele verifica que aquela experiência irá ter importância em suas avaliações. São necessárias essas atitudes se queremos que o aluno argumente. que saiba conduzir perguntas. passando a evitá-las no futuro porque ‘não dão certo’. As causas do erro não são investigadas e uma situação potencialmente valiosa de aprendizagem se perde. mas por outro. p. propor desafios e promova oportunidades para reflexão (Azevedo. se espera que os aprendizes explorem um fenômeno por si mesmos. 3) apud Carlsen (2006. 300). se espera que eles construam o significado correto. 25). mas ao mesmo tempo.

307) em suas pesquisas nos diz que não devemos esperar observar progressos rápidos e espetaculares no desempenho e autonomia dos aprendizes. Após a atividade prática. que deveriam ser simples e em pequenos grupos e preferencialmente introduzidas no ensino fundamental. Tabela 1 – Contínuo problema exercícios (Borges. como vimos. p. O esforço do professor para conduzir suas aulas para uma abordagem investigativa não é pequeno. Podemos diferenciar essas atividades analisando o objetivo da prática. bem como as limitações da atividade. As atividades investigativas diferem das práticas tradicionais. 305). 311 e 312) recomenda que O professor utilize-se de atividades pré-laboratório para clarificar os objetivos pretendidos. 305). os recursos disponíveis e as idéias prévias dos estudantes sobre o assunto.2 Da transição entre as práticas tradicionais e as investigativas. a atitude esperada dos estudantes e o grau de abertura da atividade (Borges. idéias iniciais dos estudantes e suas expectativas acerca do fenômeno estudado. 1. 2002. mas pesquisas sugerem que essa mudança seja possível. Novamente Borges (2002. pois ensinar a pensar criticamente é difícil e requer tempo.1. por isso ele nos sugere que haja uma progressão das investigações ao longo do curso. p.8 Uma outra atitude esperada do professor é que as atividades devem ser planejadas cuidadosamente levando-se em conta os objetivos pretendidos. Borges (2002. p. recomenda-se a discussão dos resultados obtidos. Aspectos Quanto ao grau de abertura Objetivo Atitude do estudante Laboratório tradicional Roteiro pré-definido Restrito grau de abertura Comprovar leis Compromisso com o resultado Atividades investigativas Variado grau de abertura Liberdade total no planejamento Explorar fenômenos Responsabilidade na investigação . p. 2002.

nesse tipo de problema eles devem decidir como e que dados coletar. p. Isso nos daria a atividade investigativa no seu grau máximo. (Tamir 1991 apud Borges 2002. a escolha dos procedimentos. Na investigação aberta. nas quais o procedimento é dado e fortemente estruturado e o problema também é fornecido pelo professor. 306) Nível de Investigação Nível 0 Nível 1 Nível 2 Nível 3 Problemas Dados Dados Dados Em aberto Procedimentos Dados Dados Em aberto Em aberto Conclusões Dados Em aberto Em aberto Em aberto No nível 0 podemos identificar as práticas tradicionais onde se pretendem confirmar ou verificar teorias e leis. até mesmo na percepção e geração desse problema. esse nível pode ser utilizado para introduzir atividades investigativas em turmas que os alunos não estão habituados a esse tipo de prática. o procedimento e o problema são apresentados aos alunos.9 Segundo o autor o ‘grau de abertura’ indica o quanto o professor ou o roteiro que ele fornece especifica a tarefa para o aluno. a seleção dos equipamentos e materiais. a tabela 1 nos mostra que existe uma transição contínua entre a atividade mais restrita e a mais aberta. Mas como é possível notar. fazer as medições requeridas e obter as conclusões a partir deles. p. No nível 1. 306) cria categorias de atividades investigativas como podemos ver na tabela abaixo. O nível 2 já pode ser apresentado a turmas que estão acostumados a lidar com práticas nível 1. Essa forma de análise proposta por Tamir (1991 apud Borges 2002. . mas a conclusão fica a cargo dos estudantes. O controle e a responsabilidade sobre as etapas das atividades nos permitem analisar o quanto uma prática se aproxima de uma atividade investigativa ideal ou de uma atividade tradicional. a preparação da montagem experimental. a realização de medidas e observações necessárias. o registro dos dados em tabelas e gráficos. o planejamento do curso de suas ações. Tabela 2 – Níveis de investigação no laboratório de ciências. fica a cargo do estudante toda a solução de um problema. sua formulação em uma forma possível de investigação. a interpretação dos resultados e enumeração das conclusões.

Seu domínio da linguagem o fez conseguir levar um país a tomar atitudes que dificilmente alguém poderia prever possíveis. 1. Iremos utilizar essas categorias para analisar a atividade proposta no presente estudo. então deveríamos estimular essa capacidade. Argumentos esses que foram debatidos exaustivamente pela comunidade científica até serem amplamente aceitos por ela. a importância da argumentação para maioria dos aspectos humanos pode parecer óbvia. e a fala do aluno basicamente para possibilitar avaliar se o conhecimento que o professor queria passar já havia sido incorporado ao aluno ou não. Por outro lado por que esperaríamos que pessoas. os quais poderíamos supor que a argumentação não teve papel predominante. que o apoiou até a derrota na Segunda Guerra Mundial. p. O discurso do professor era preponderante. Grandes personalidades deram sua contribuição ao mundo através da argumentação pela linguagem falada ou outros formas de linguagem. A dominação imposta pelos alemães na Segunda Guerra foi possível graças à argumentação eloquente de Adolf Hitler nos discursos para o povo alemão.2 Argumentação A importância da argumentação no desenvolvimento humano e na história da humanidade não pode ser negado. Borges (2002. é possível ver a relevância da argumentação nesses fatos. 306) nos mostra como esse sistema simples serve para organizar o nosso entendimento do que está envolvido no grau de abertura de uma situação-problema. que . pela argumentação. Einstein utilizou a vertente matemática e física da linguagem para convencer a comunidade científica de suas teorias revolucionárias. se analisarmos com mais atenção. Se a argumentação e o domínio da linguagem são essenciais para que uma pessoa ou sociedade realize objetivos importantes. por outro lado podemos afirmar que pelo menos na maior parte do século passado o papel da argumentação do aluno na aprendizagem era menosprezado. Se após essas considerações. Até mesmo nos grandes eventos históricos de dominação.10 E por fim o nível 3 que representaria a atividade investigativa no seu grau máximo descrita há pouco.

saibam argumentar a respeito dos conhecimentos adquiridos na escola. A alternativa a essa abordagem sugere que ao invés de uma tentativa de substituição de concepções. mas as pesquisas sobre ensino-aprendizagem. fortemente influenciadas pelo contexto do problema e bastante estáveis e resistentes à mudança.11 na sua formação não são incentivadas a questionarem e refletirem sobre argumentos de outras. 1979). pois como foi dito anteriormente. p. 1998. Esta mudança de enfoque acrescenta novos fatores aos estudos sobre . Viennot (1979 apud MORTIMER. São ferramentas poderosas para tentar explicar porque ocorre o aprendizado ou não. Mas o que fazer com as concepções prévias dos estudantes? No passado. 11). com enfoque na argumentação. 1996. Há algumas décadas começou a surgir nas pesquisas uma tendência a estudar a influência das idéias que os alunos já possuíam de fenômenos que ainda seriam estudados na escola. Realizadas em diferentes partes do mundo. era comum a tentativa de extinguir esse conhecimento prévio e substituí-lo pelo conhecimento aceito cientificamente (DUIT & TREAGUST. de modo que é possível encontrá-las mesmo entre estudantes universitários (Viennot. passa-se para uma busca de convivência entre as mesmas. em que o sujeito tem a consciência da adequação de cada uma a situações específicas. Hoje em dia é bem aceito que essa abordagem é ineficiente. para que possam utilizar esse conhecimento a seu favor? Não temos nenhum motivo para esperar isso.21) chama atenção para isso quando fala que: Os estudos realizados sob essa perspectiva revelaram que as idéias alternativas de crianças e adolescentes são pessoais. podem ajudar a desfazer essa incoerência auxiliando professores a adotarem uma postura de incentivo à argumentação e consequentemente à participação. com base nos diálogos de uma classe de alunos. p. as idéias pré-existentes são estáveis e resistentes a mudanças. as pesquisas mostraram o mesmo padrão de idéias em relação a cada conceito investigado. essas pesquisas concordam que as concepções prévias do aluno são importantes na aprendizagem.

já que nas escolas essa postura dos alunos normalmente não é estimulada e muitas vezes até desestimulada. dentre eles a linguagem utilizada em sala de aula. (DRIVER. 1997. 2000. A visão da ciência e do senso comum como culturas diferentes é uma abordagem muito estudada e também traz uma importância grande para o estudo da linguagem nesse processo de apropriação de culturas diferentes. questionar as idéias científicas e tomar decisões. Para Carvalho (2001. livros. um conhecimento básico de pré-requisitos e um estabelecimento claro de procedimentos de dinâmica de grupo. 2007. transitando entre essas culturas sem ter que eliminar de sua vida uma das formas de ver e lidar com o mundo. mas eles precisam também praticar usando as próprias idéias para ganhar confiança no uso delas. Newton & Osborne (2000 apud Barros. 298) Nessa prática das atividades científicas. p. Segundo Driver. diferem muito dos conceitos científicos. o estudante deve ser estimulado a argumentar com seus pares. (CAPECCHI & CARVALHO. p. p. 2) O desenvolvimento de discussões em sala de aula depende de quatro fatores: um planejamento prévio. p. e através desse processo desenvolver uma familiaridade e entender as práticas científicas e suas maneiras de pensar. Para possibilitar isso o professor deve estar especificamente preparado. da mesma forma que uma pessoa nascida e criada no ocidente pode aprender a viver em harmonia em uma cultura oriental. o professor deve . 183). um espaço de tempo apropriado no currículo. filmes. Este processo de enculturação em ciências acontece de uma forma muito similar à maneira que uma língua estrangeira é aprendida – pelo seu uso. 190) O fato de que o estudante possui concepções prévias que. Estudantes precisam de oportunidades não apenas para escutar explicações sendo dadas por experts (professores. em vários casos. Laburu & Silva. programas de computador). não impede que ele se aproprie das abordagens científicas. comumente chamado de enculturação.12 aprendizagem.

uma ciência que aparentemente não se questiona e não se pode mais contribuir. Será adotado nesse trabalho o estudo da argumentação com base em categorias de análise propostas por Driver e Newton (2000 apud CAPECCHI & CARVALHO. criando um ambiente propício ao desenvolvimento cognitivo e afetivo. . discretamente. sustentar o raciocínio dos alunos por meio de perguntas. geralmente tidos como consensuais que fornecem os fundamentos para as justificativas particulares. 196) que por sua vez foram desenvolvidas a partir de um padrão de argumento proposto por Toulmin (1958 apud CAPECCHI & CARVALHO. Pode ser baseado. p. alguma autoridade ou leis. hipóteses. mas esse processo só se faz possível por intervenções dos professores para dar suporte a fala dos alunos e direcionar suas idéias (CAPECCHI & CARVALHO. p. 2000. em suas perguntas a palavra que falta ao aluno. . por meio de teses. 2000. 194). princípios.13 ouvir com paciência. na qual fica clara para os estudantes o papel da argumentação para construir a ciência. etc) que são propostas para justificar as conexões entre os dados e a afirmativa de conhecimento. Essa abordagem possibilita também que seja favorecida em sala uma visão da ciência como uma construção social. Conclusão: é a afirmação cujos méritos devem ser estabelecidos. 2000. ou conclusão. introduzir. teorias e debates. “Backing” ou conhecimento básico: estes são pressupostos básicos. em um livro. por exemplo. p. Os estudantes por sua vez precisam se adaptar gradativamente a ouvir os colegas e a sistematizar suas idéias para levá-los a conclusões sobre suas discussões. Nesse padrão o argumento é formado por elementos fundamentais que são: Dados: são os fatos que aqueles que estão argumentando recorrem para dar sustentação as suas conclusões. 191). conhecimento explicitado pelo professor. Justificativas: estas são as razões (regras. Que é uma visão contrária à visão positivista da ciência.

Refutações: especificam as condições que a conclusão não será verdadeira.. É possível visualizar esses elementos e as relações entre eles no diagrama a seguir: D desde que J levando em conta B então.. A análise para esse modelo é a mesma caso tenha sido elaborado individualmente ou construído a partir de interações sociais.dado J . Q. a estrutura básica do argumento é representada em sentenças da seguinte forma: por causa (dados).. Além disso Toulmin identificou duas outras características em argumentos mais complexos: Qualificadores: especificam as condições em que a conclusão pode ser tomada como verdade.refutação C . 2000. os alunos podem entrar em contato com uma importante faceta do conhecimento científico.conhecimento básico Q .] Ao participar de discussões envolvendo argumentos completos..justificativa B. Portanto além desse modelo será utilizado também o uso de categorias desenvolvidas por Driver e .14 Baseado neste modelo. mas ele não leva em consideração como esse argumento foi construído.194) Esse modelo tem um papel importante para a compreensão da argumentação no pensamento científico.desde que (justificativa) . relacionando dados e conclusões através de justificativas de caráter hipotético..194): Além de mostrar o papel das evidências na elaboração de afirmações. portanto (conclusão). eles representam limitações à conclusão. segundo as autoras Carvalho & Capecchi (2000. C a menos que R D . bem como sua sustentação em outras teorias [.... levando em conta (conhecimento básico) .qualificador R . também realça as limitações de uma dada teoria. p. O modelo de Toulmin nos dá a base de sustentação para o referencial teórico no estudo.conclusão Figura 1 – Padrão de argumento de Toulmin (1958 apud CAPECCHI & CARVALHO. p.

196) para análise da argumentação dos alunos a partir do modelo de argumento de Toulmin Tipo de argumento Afirmação isolada sem justificativa Afirmação competindo sem justificativa Afirmação isolada com justificativa Afirmação competindo com justificativas Afirmação competindo com justificativas e qualificadores Afirmação competindo com justificativas respondendo por refutação Fazer julgamento integrando diferentes argumentos Nível 0 0 1 2 3 3 4 Fazer julgamentos integrando diferentes argumentos (nível 4) indica uma boa compreensão dos conceitos envolvidos.15 Newton (1997) que leva em consideração a construção coletiva do argumento. Esperamos encontrar interações discursivas entre professor e alunos que visem gerar novos significados e possibilitar a construção de argumentos completos. p. 2000. (CAPECCHI & CARVALHO. ao invés de avaliar a resposta do aluno. o que pode ser feito através de uma nova pergunta. 2000. Tabela 3 – Categorias desenvolvidas por Driver e Newton (1997 apud CAPECCHI & CARVALHO. o aluno deve responder e. Para isso é valorizada nessas categorias a presença de teorias conflitantes. Nessas interações em que o professor inicia o diálogo. Como pode ser vista na tabela a seguir. p. É atribuído um nível de qualidade a cada categoria com base na complexidade dos argumentos utilizados assim como na interação entre diferentes idéias.197) CAPÍTULO 2 DESENVOLVIMENTO . o professor procure estimulálo a acrescentar novas idéias à discussão.

em alguns casos. 2. . Os diálogos aconteceram em diferentes grupos de duas turmas. afinal é o principal objetivo da aula analisada. e as aulas sejam gravadas do início ao fim sem interrupções. Também será abordada a metodologia de pesquisa para a obtenção dos dados.16 Neste capítulo apresentaremos a análise dos diálogos dos alunos. pois por intermédio das transcrições de diálogos dos alunos e da observância de seus gestos será investigado que tipo de raciocínio foi utilizado para solução das questões. 7) 1 Grupo de pesquisa em ensino de física. precisar de diferentes abordagens. Mostraremos quais são os tópicos chave a serem focados e em qual profundidade.1 Metodologia de pesquisa Foram analisadas gravações de áudio e vídeo obtidas pelo grupo de pesquisa PROENFIS.1. recortes que fizemos nas transcrições que apresentaram falas relevantes para o estudo. Para nos situarmos da melhor forma possível no contexto em que as discussões foram feitas é de suma importância apresentarmos o material utilizado para possibilitar a argumentação. pois é impossível prever em que momentos irão ocorrer situações interessantes para análise. 2. 2004.todas as aulas de uma sequência de ensino sejam gravadas. E a aprendizagem que esperamos obter dos alunos também é descrita. Além disso.1 O método de análise é qualitativo. (Carvalho. Essas pesquisas sugerem alguns cuidados para a obtenção dos dados entre eles: .1 Considerações sobre a obtenção dos dados As gravações do áudio e de vídeo do grupo PROENFIS se basearam em recentes estudos sobre metodologia de pesquisa para estudo de processos de ensino aprendizagem em salas de aula. por julgarmos que diferentes perfis de alunos podem. apresentaremos também o público alvo da pesquisa. com apoio financeiro da FAPERJ. p.

As aulas aconteceram no turno da noite e as turmas tinham em média 35 alunos presentes. p. (Carvalho.a gravação ocorra sempre em um mesmo grupo da turma. (Carvalho. As atividades investigativas também são uma forma didática utilizada pelo grupo para que seus materiais e estratégias de ensino possam alcançar o objetivo desejado. econômicos. mas que não participou da elaboração do material didático aplicado em sua turma. que é um aparato tecnológico importante e fortemente inserido na sociedade.17 . ambientais. p. (PENHA. localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. p. . x). Este material é destinado ao estudo do eletromagnetismo para o ensino médio. A idade dos alunos é bem diversificada.7) 2. e também possa tornar o ensino mais atraente. isso permite observar a evolução das argumentações desse grupo.3 Material Didático O PROENFIS busca desenvolver materiais e estratégias de ensino que permita formar cidadões críticos através de uma alfabetização científica e tecnológica. Essas aulas aconteceram em um colégio da rede pública estadual de ensino médio regular. contemplando adultos e jovens.Acostumar a classe com a gravação e com a pessoa que vai gravar para que a curiosidade sobre essas novidades possa ser acalmada e esses fatores interfiram o mínimo possível no processo. Os aspectos políticos. 2. abordado como uma conseqüência da necessidade de entendimento da TV.Seja utilizado um gravador de áudio para cada grupo. Nosso estudo irá tratar o primeiro . e para isso ele propõe uma seqüência didática composta por 11 encontros. Um dos materiais aplicados pelo grupo faz parte da tese de mestrado “A física e a sociedade na TV” de autoria de Sidnei Pércia da Penha.7) . 2004. éticos e morais são abordados nas questões que envolvem a física que permeia a ciência e a tecnologia. O autor citado sugere que em um bimestre escolar seja possível abordar os conceitos fundamentais de eletromagnetismo. 2006.2 Público alvo As aulas foram ministradas por uma professora que também faz parte do grupo PROENFIS. e nas interações dessas duas últimas com a sociedade. caracterizando uma abordagem CTS. 2004.

e ao final do encontro alguns exercícios são propostos. os pólos magnéticos. 2009. MORAES & VIANNA. com práticas experimentais. pesquisa e produção de textos para as mesas redondas) OFICINA 1: A formação da imagem na TV e sua inserção no complexo sistema de telecomunicações OFICINA 2: O módulo das forças magnéticas que atuam em Partículas carregadas no interior de campos magnéticos MESA-REDONDA 1: Reserva de mercado e benefícios fiscais para produção dos equipamentos eletrônicos para TV digital CONFERÊNCIA 1: O conflito de interpretação sob a natureza dos raios catódicos e a “descoberta” do elétron MESA-REDONDA 2: Controle de qualidade de imagem e da programação das redes de tv abertas OFICINA 3: Força Magnética atuando em corrente elétrica – O motor elétrico AVALIAÇÃO DO TRABALHO AULAS 2 2 2 1 2 2 1 2 1 2 1 Nesse primeiro encontro denominado “A bússola e o magnetismo: O desenvolvimento de uma técnica de Orientação”. tais quais a capacidade atrativa e repulsiva entre ímãs. 2. A tecnologia da TV influenciando e construindo nossa Sociedade.3. Esses conceitos são enfocados com um aspecto histórico. Tabela 4 (PENHA. Magnetismo e Eletricidade: O surgimento do eletromagnetismo. práticas investigativas e textos didáticos. 5). A tabela a seguir ilustra como o autor propõe esses encontros e é útil para se ter uma idéia do papel que as aulas que serão analisadas tem nessa proposta de ensino. ENCONTROS ENCONTRO 1 ENCONTRO 2 ENCONTRO 3 ENCONTRO 4 ENCONTRO 5 ENCONTRO 6 ENCONTRO 7 ENCONTRO 8 ENCONTRO 9 ENCONTRO 10 ENCONTRO 11 ASSUNTO A bússola e o magnetismo: O desenvolvimento de uma técnica de Orientação. Convocação para o “FÓRUM NACIONAL DA TV” (Abertura.18 desses encontros. a bússola. são tratados os assuntos básicos para o entendimento do magnetismo. a descrição do magnetismo terrestre e as linhas de campo magnético. p. composto por dois tempos de aula de 50 minutos. as propriedades magnéticas da matéria.1 Material utilizado no primeiro encontro .

que uma dessas regiões pode atrair um outro ímã ou repeli-lo dependendo de como esse segundo ímã está disposto. isopor. chumbo. alumínio. . 2. fio de cobre. a professora que aplicou as aulas preparou um resumo contendo as principais perguntas do livro e a descrição das atividades a serem executadas. 2. grafite. 2. É importante que o estudante perceba que um mesmo ímã tem regiões com propriedades distintas. A reprodução das páginas do livro que tratam do primeiro encontro de ensino que iremos estudar se encontram no anexo 1 deste trabalho. daí a importância de conhecermos o magnetismo.4. madeira. limalha de ferro. bandeja de plástico. eles nos ajudam a entender sobre discos rígidos de computadores.2 Os pólos de uma ímã O entendimento do magnetismo apresenta como ponto fundamental o conhecimento das propriedades dos ímãs. motores elétricos e muitas outras coisas. O Livro do grupo PROENFIS (VIANNA et al. linha.1 A importância do magnetismo Vivemos cercados por fenômenos magnéticos. tarjas de cartões de banco. exames de ressonâncias megnéticas. Esse resumo consta no anexo 2. Além disso. usinas hidroelétricas. imãs de diferentes formatos. lâmina de ferro. assim como as atividades que deveriam executar.4. que apresentamos resumidamente a seguir. ímas de geladeiras. clipes e bússola.19 Para os alunos foi disponibilizado o seguinte material para atividades práticas: agulha. 2008) tém todas as atividades da seqüência de ensino proposta e lá os alunos encontravam alguma base teórica e histórica dos fenômenos estudados. migração de pássaros.4 A física que esperamos observar com o aprendizado O trabalho em sala de aula aborda tópicos do ensino de física.

é a impossibilidade de separar os pólos de um ímã. e com isso as viagens pelo globo ficaram muito mais fáceis. E que essa questão sirva para distinguir as diferenças entre atrações elétricas e magnéticas. se comportando temporariamente como ímãs (indução magnética). O como uma bússola e um mapa são usados para localização e orientação não é trivial para alguns alunos e com essa atividade a ser desenvolvida espera-se que seja esclarecido. Uma tentativa de quebrar um ímã em dois pólos diferentes faz com que esses dois novos pedaços de ímãs apresentem por sua vez dois pólos cada um. 2. e que essa direção é a direção denominada Norte-Sul. Essa descoberta permitiu que os homens inventassem a bússola. por exemplo. se um ímã puder girar livremente.4.4 Pólos inseparáveis Uma questão fundamental que faz com que os ímãs sejam essencialmente diferentes de corpos carregados eletricamente. ele se orienta sempre em uma mesma direção na Terra.5 O ímã e os diferentes materiais Outro assunto importante é a capacidade do ímã atrair alguns materiais e outros não. Com essa propriedade o processo de tornar materiais como. .4. Portanto espera-se que os alunos obtenham esse conhecimento. sofrem uma alteração interna quando estão próximos a ímãs. que nada mais é do que um ímã que gira livremente.3 Entendimento sobre a bússola É importante que se saiba que.20 Deve-se tomar conhecimento também que essas regiões são chamadas de pólos e que eles observem que pólos com nomes iguais se repelem e pólos com nomes diferentes se atraem. e que a temperatura do material influência nessa magnetização. 2.4. 2. chamados ferromagnéticos. É preciso que se explique que esses materiais que podem ser atraídos. ferro. níquel e cromo em ímãs é possível.

Com isso. 2. levando em consideração que as linhas “saem” do pólo Norte do ímã e “entram” no Sul. 2. que podem ser entendidas como as direções em que uma bússola aponta se esta for colocada em algum lugar dessa linha.7 A Terra e seu segredo magnético Por fim.4. sendo possível saber o sentido que apontam essas linhas. pediu para que eles lessem o que estava no resumo. com essas informações o entendimento do campo magnético da Terra se faz possível e podemos compará-la a um gigantesco ímã que altera de alguma forma o espaço ao seu redor. criando o que chamamos de campo magnético. durante o tempo em que os alunos faziam as atividades. fazendo com que as bússolas apontem na direção das linhas de campo da Terra. A partir daí é possível perceber que o ímã altera de alguma forma as propriedades do espaço ao redor dele. A professora. . É interessante explicar que a origem do magnetismo da Terra não é compreendida a fundo atualmente. dava assistência a eles indo de grupo em grupo com o auxílio do licenciando. mas que existem teorias que estabelecem algumas hipóteses.5 Aplicação das aulas e obtenção dos dados As gravações em vídeo deste trabalho foram obtidas pela própria professora com o auxílio de um licenciando do Instituto de Física da UFRJ. as turmas foram divididas em grupos de três a cinco alunos e cada grupo ficou com um gravador de áudio em sua mesa.6 Campo magnético É preciso abordar o conceito das representações de linhas de indução geradas por um ímã. a professora distribuiu um resumo da aula para cada grupo. debatessem. fizessem as atividades que estavam sendo pedidas e respondessem as questões propostas. apesar de todos os avanços da humanidade. ao redor dele. Além disso.4.21 2. Logo no início da aula.

destacamos um dos grupos para uma primeira análise.6 Análise dos dados Entre as 20 horas aproximadamente de análise das gravações dos oito grupos divididos em duas turmas. Foram feitos recortes nas transcrições de seus diálogos em trechos que julgamos significativos. nas transcrições. e os alunos lêem a primeira questão do resumo: “Qual é o fenômeno que faz a agulha da bússola apontar consistentemente na direção Norte-Sul?” Turno Transcrição Gestos / Observação .22 2. Figura 2 – Foto dos integrantes do Grupo 2 da turma 3002 no momento da atividade. Logo no início da aula a professora distribui o material experimental e o resumo que ela preparou. mas a transcrição completa encontra-se no anexo deste trabalho. Esse grupo era o grupo 2 da turma 3002 e tinha cinco alunos. Os nomes dos alunos foram trocados.

tem alguma coisa pra gente responder isso aí escrito? 01:23 Daniele – não 02:06 Ana . Continua explicando como usar.(inaudível) negócio de bússola não Daniele .isso é uma bússola..23 02 03 05 06 07 Renan .. Relendo a questão. Entende a explicação sobre o procedimento... Licenciando responde diretamente..professor.. Relendo a questão..(inaudível) você vê no mapa pra onde você quer ir ____ eu quero ir pra cidade tal. difícil de ouvir a explicação.. magnetismo Felipe -____________________________________________________ _____________________________magnetismo Felipe .. por gentileza como que responde isso aqui hein? 03:08 Licenciando .depois (inaudível) .. ela fica pra onde? .ela falou que tem nada no livro não? Daniele – não Ana .não tem não (inaudível) 02:28 Ana ..? Renan _____________________________________________________ _____ ______É o eletromagnético.. Ana ..primeiro tem que responder esse negócio da bússola aqui.. Renan.. __________é o eletromagnético .? Renan . Aluno chama o licenciando e pergunta.. como é que usa? To por fora..é . Licenciando explica como usar a bússola.qual o fenômeno? Ana . é uma bússola .. você tem como por base de referência o Norte? Licenciando ..tem não gente 02:53 Felipe .. 09 16 17 19 20 21 23 24 27 29 30 31 32 33 34 35 36 37 Felipe .._________________________________________ah ta _________________________________________________ ah ta Felipe . Felipe . Nesses turnos os alunos demonstram procurar obter a resposta do livro ou de alguma outra fonte escrita. han? Ana .qual o fenômeno que faz agulha da bússola apontar consistentemente na direção___________.você apoiando ela num plano ali num_____________ Levantando procedimento...______________que faz a agulha da bússola apontar ..ah entendi. só um minutinho.. 08 Dois alunos falam em fenômeno magnético para explicação da questão. a Leste daqui (inaudível) Felipe .mas agora olha só. então quem vai me dar toda de referência é esse ponto vermelho pro Norte? .professor! 03:03 Felipe .ah ta .eu sei........

(inaudível) Renan . por causa do campo de magnetismo se encontrado na região Norte (inaudível) Felipe ____________________________________________________ 66 . 42 43 45 46 47 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 Felipe ..por isso que a parte vermelha ali é o Norte___entendeu? Felipe .. Deixando claro o que tem que ser feito..qual o fenômeno que faz agulha da bússola apontar consistentemente na direção Norte-Sul? Renan . Felipe .como que é? Ana .. Em busca de um vocabulário científico. porque sempre vai apontar pro..não sei Renan . ela aponta sempre pro Norte Renan ..24 39 Felipe . pro Norte.. Nesse momento esse outro aluno faz uma Retoma a explicação anterior. Pensando sobre a pergunta. conforme podemos observar no turno 31.mas de que forma isso ocorre? Ou ainda o que é magnetismo? Renan . Pensando sobre a pergunta..... Aparentemente escreve essa resposta no resumo. mas na verdade eles não tinham o conhecimento do que era e de como usar uma bússola.por causa do campo magnético encontrado no..qual o fenômeno? Felipe .o fenômeno é esse. fenonemo eletromagnetismo Renan .. Nessas sequências de diálogos acima os alunos tentam responder a questão.de que forma isso ocorre.. ela não aponta primeiro pro Sul. porque é o eletromagnético... na região Norte do hemisfério. de que forma isso ocorre.é o eletromagnético mesmo Ana .qual é o fenômeno é o eletromagnético? Renan .é .. Renan . Após isso novamente eles retomam o debate.... Renan . no.é. (inaudível) Mais uma vez o aluno tenta expor seu raciocínio. Lê essa pergunta no resumo.por causa. Ana ..porque a bússola ela não.__________________________________ é Ana . Daniele . 65 Renan ..brigado hein... Com dificuldades de explicar sua idéia.ai tem que responder de que forma isso ocorre ou ainda o que é magnetismo.magnetismo. apesar de não mencionar o magnetismo do Sul da Terra. no qual o aluno pede ao licenciando que o explique sobre a bússola.

.então escreve.. Renan .. O aluno Renan aparentemente enxerga os pólos Norte e Sul da Terra como que possuindo uma espécie de “carga magnética” onde o Norte estaria mais carregado do que o Sul......não exerce tanta força enquanto o Norte exerce porque o Norte é o . é a força de origem .25 confusão com os conceitos que já havia visto sobre campo elétrico. o Norte é o centro 71 Apresenta sua explicação completa. 72 Os turnos acima evidenciam que os alunos ao tentarem entender o fenômeno da agulha da bússola apontar para o Norte utilizam o conhecimento anterior da matéria que possuem para a explicação.. o Sul.. o .. Renan fala algumas frases inaudíveis e Felipe responde algo inaudível também Tenta utilizar conhecimento anterior da matéria para explicar.. não 70 Felipe .. . a agulha apontando pro Norte a parte de baixo automaticamente vai pro Sul . é a fo ..porque o Norte é a referência.. Apesar dessa hipótese estar longe do que se espera que o aluno entenda como magnetismo. o Norte é considerado .pois é mas o Sul... entendeu..... e a força de atração e repulsão entre os pólos Norte e Sul .só que você não vê os elétrons . Explicando então o fato da agulha apontar para o Norte. como se fosse assim . ___________você pode até botar também eletromagnetismo seria uma força de atração e repulsão dos elétrons.. o que é verdade.. Renan .... o Sul não é tanto. 67 68 69 Felipe . nesse momento não teríamos como esperar que esses alunos chegassem ao raciocínio correto. Por um lado a ausência da professora fez com que os alunos partissem para um entendimento não desejado.... aluno faz gestos apontando pra cima Continua a explicação.. mas por outro fez com que os alunos tentassem responder a questão refletindo...__________________________é .então automaticamente a agulha.... 73 74 Felipe -_____________disso ele entende bem porque ele é pescador Felipe . o magnetismo do Sul não.. (inaudível) Renan ... Começa a aceitar a hipótese do colega... no. pode escrever.... pois eles não foram apresentados a nenhum conceito teórico sobre magnetismo e até então não fizeram nenhuma experiência que os levassem a isso..você pode botar assim . no.

.26 76 Renan . Aluna com dificuldades de escutar o que devia escrever.é a força . Ditando Aluna lê a segunda pergunta do resumo... Ana .. ..é a força de atração Felipe -________é a força de atração e repulsão dos elétrons na atmosfera Daiane – atração e o que? Felipe – repulsão Felipe – repulsão Mais uma vez o Norte como preponderante sobre o Sul.pode botar que são os pólos Renan .de atração né? Felipe .de atração e repulsão dos elétrons na gravidade. Escrevendo no roteiro..pelo fator... pelo fator.é a força de atração.. ai bota Norte pro Sul? Felipe .. do campo eletromagnético... Renan -____pelo fator...... Ditando o que a aluna deve escrever no roteiro.. do campo eletromagnético (inaudível) 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 97 98 99 100 102 Ana .mas de que forma isso ocorre. pelo fator. e Sul Ana ...se encontra? Renan . Perguntando para escrever no resumo.magnetismo? Felipe . não escutei Renan ... Ditando. Copiando no roteiro. Ditando o que a aluna deve escrever no roteiro. 77 Renan .. Ditando o que a aluna deve escrever no roteiro. Ditando o que a aluna deve escrever no roteiro.se encontra no Norte.ou ainda o que é magnetismo? Felipe . do campo eletromagnético se encontrar no Norte.. Renan ...pelo fator. Renan . O nome eletromagnetismo ajudou a confundir essas duas manifestações distintas.....pelo..é a força .na atmosfera Ana .... (inaudível). é.é a força de atração e repulsão entre os elétrons___na gravidade do ar Renan -_______________________________________é Ana ..

.isso.é. Analisando o turno 86 temos o aluno Felipe.. . mas sim a oportunidade para a reflexão e argumentação permitindo que ele elaborasse e refletisse sobre o que ele mesmo havia dito.repulsão. ai 155 com.. Licenciando dando a resposta.. . pra.. Ana .. A partir daí os alunos passam para a atividade experimental.. 147 Felipe. mas ouvindo as gravações e vendo o vídeo percebemos que o aluno está sim.. da extremidade da agulha... primeiro.. (inaudível) .. . o que que é isso. tentando participar e obter a resposta correta para aquela questão. você prende assim ela bem nas extremidades superior Orientando. aí a agulha não pode ficar encostada na água não. 157 Licenciando .27 103 104 105 106 Ana ... Felipe .... .aí vai .você bota a água aqui só pra que... Licenciando . Há também uma orientação de fixar a agulha em um pedaço de cortiça e colocar o conjunto na água e observar que ele se comporta como uma bússola.... pra 159 o isopor boiar .dos elétrons na atmosfera Ditando.aí você coloca aqui. pára e depois fala atmosfera. e passar na agulha não é isso? 156 Felipe .. Chama o licenciando Não entenderam o procedimento experimental. .hum... essa aqui... Licenciando . . 149 aqui ó. você tem que prender a agulha no isopor. Confirma o procedimento. aí você vai ver que ele vai se comportar como se fosse uma bússola. Ditando. você tem que pegar o ímã né?.... 98 e 106.. Não há julgamento sobre a correção do conceito. .ah ta.e repulsão Felipe ... 158 Felipe . ai ele explica ali. No turno 98 ele repete a mesma frase mas já não usa “gravidade do ar” para se expressar e sim atmosfera... mas é interessante analisarmos essa afirmativa e também os turnos 90... No turno 90. Essas frases nos mostram que o fato de ter que repetir a sua afirmação para a colega algumas vezes fez com que o aluno refletisse e elaborasse sua afirmação. .porque eu esfreguei esfreguei e ... sem nenhum compromisso com a atividade... ao repetir a frase para que a colega possa copiar a resposta no resumo ele diz exatamente a mesma frase. mas quando vai falar “gravidade do ar” ele fala somente gravidade... fazendo uma afirmativa incorreta com relação ao que estava sendo estudado.professor 148 Daniele .___cortiça é aquele negócio de tampa de vinho Felipe – a gente ta com uma dúvida aqui nesse exercício aqui ó. ... O resumo explica um procedimento que magnetiza uma agulha. O que quer dizer o aluno com “gravidade do ar”? A princípio poderíamos achar que o aluno fez uma afirmativa qualquer... Mais uma vez no turno 106 ele usa a palavra atmosfera dando a entender que realmente se “decidiu” por essa forma de se expressar..

.. . .. Gira a cortiça novamente. 179 Felipe .. Conseguem fazer a bússola com a agulha. ..... 190 Felipe . ó... 181 183 Daniele .. sempre vem pro mesmo lugar.. .. . 193 Renan ...vê a bússola aí. . Começa a concordar com a “prova” do colega. . . 191 192 Felipe .. empresta aqui a caneta um instantinho A partir desse turno o aluno Renan tenta utilizar a experiência para comprovar sua teoria a respeito do porque da orientação da bússola.porque olha só. . . .e porque ela pede aqui pra marcar o copo. que para ele significa carregou com algum tipo de “carga”... Acha que magnetizou.então é isso mesmo..28 160 Felipe . e a experiência é 182 isso aqui..vou soltar.. ta vendo como é que ta funcionando? Aqui. esfrega a agulha aqui. porque a parte do ím. 178 Renan .não precisa 186 botar ímã não... . magnetizada... a 180 parte da agulha que eu passei no ímã é que vai apontar pro Norte. .. depois coloca assim coloca na água ... Aqui o aluno..entendeu? 187 Renan . ... .. precisa botar imã não aqui ó. Verifica se a bússola feita por eles aponta na mesma direção da bússola do kit experimental..... acredita que magnetizou somente a ponta da agulha. 177 Renan . quer ver? ...... Renan . . ..eu acho que é isso mesmo. Renan .. como não tem como marcar. a parte da agulha ta mag.. ta magnetizada..ah entendi..o que você tem que alinhar aqui é o Norte..._____que é a parte eletromagnética . ... 184 Renan ..tu pode ver uma coisa..alguém sempre volta... . pelas suas palavras.. vai sempre apontar pro mesmo lado ó. Renan ..... .. . entendeu.é. Daniele ..entendeu? . 172 .. 185 Daniele .. Concluindo.Como é que é? Renan . já ta. .vai sempre apontar pro mesmo lado.você faz isso aqui. somente a ponta da agulha. . ... .... 15:38 Daniele . Gira a cortiça numa orientação que não é a Norte-Sul..você pode virar ó. porque a cabeça da agulha já ta. ..porque aqui ó..

Faz a experiência diversas vezes. . 202 17:09 Renan . 209 Renan .... . A professora não vai até o grupo.ala soltei ó 213 Daniele .29 194 Felipe . Renan ..______________________isso_____________ 208 Renan . .igualzinho.é igual aquela que ta ali né? Igual a que ta ali... . Concorda que o comportamento das bússolas é o mesmo Gira novamente a agulha.então ta.... Gira a cortiça de novo. 221 Daniele . é só isso mesmo.. vou soltar de novo 197 Daniele .. . Renan ...alá ..é isso mesmo. magnetismo. .....não..________________________engraçado. e tem alguma pergunta pra .__________tem alguma pergunta? 204 Renan . Concordando com o resultado. pro mesmo lugar 198 Renan .(inaudível) aquela parte do eletromagnético. Nesse diálogo...é porque..(inaudível) isso. tem uma caneta no Norte da mesa. da agulha que foi magnetizada vai sempre apontar pro Norte Concluindo positivamente sobre a sua posição anterior. Explicando... 212 Renan . ó soltei ó 210 Daniele ..e tem .... 218 ..... porque essa parte aqui ta magnetizada...a parte da caneta é que tá.... ..... vou deixar ela apontada pra você. alá.. 205 Daniele . Identificou que a bússola feita por eles tem comportamento igual a bússola comercial.do..porque.ta certo professora? 195 Renan .. Surpresa com a observação.. tá magnetizada.....ela fica igualzinh....... . você tira por isso aqui ó. o que a gente fez agora? Não? 222 Daniele ..então o que acontece . a parte do. que a parte da cabeça da agulha ela (inaudível).... por causa disso..(inaudível).quer ver ó ... Renan . o aluno Renan convence seus colegas de que a sua teoria . ela vai.... só isso. 206 Renan ... a parte que você passou no ímã e justamente 216 que ta possuindo a . 214 217 Felipe .entendeu? 199 Daniele – alá engraçado né? 200 Renan . tem alguma pergunta? Não? 223 Ana .você pode jogar pra qualquer lugar.e realmente o Norte foi pra lá ó... 201 Daniele ... 203 Daniele ...entendeu? .vai sempre apontar pro Norte...

notamos que essa fala se enquadraria no dado (D) do padrão de argumento de Toulmim.. como se fosse assim .. a justificativa (J) “porque à parte da agulha que eu passei no ímã é que vai apontar pro Norte”. utilizando o padrão de Toulmin para analisar esses turnos.. na fase que eles formulavam hipóteses.30 para explicação da orientação da bússola estava correta.. O professor poderia fazer algumas perguntas ou sugerir procedimentos que ajudassem os alunos a construir o conceito correto. onde sempre se refere à magnetização de uma parte da agulha. No turno 180 ele continua esse argumento dizendo “vai sempre apontar pro mesmo lado” (mesma direção da agulha comercial). o Norte é considerado .. 182 e termina no turno 186. o . é a fo ... algumas sugestões são apresentadas ao final desse trabalho. Isso fica claro no turno 186 quando ele fala que a cabeça da agulha está magnetizada.. Ele acredita que o procedimento de magnetização da agulha só magnetizou a ponta da agulha. continua nos turnos 180. O professor poderia ter um papel fundamental durante esse experimento ou ao final quando eles já tivessem chegado a essa conclusão. Agora. entendeu.... Nesses turnos. 209. vamos direcionar nossa atenção para a fala do aluno Renan que começa no turno 178... Porque o aluno está mostrando aos colegas que a agulha imantada por eles “funciona” ou seja.. o aluno para explicar porque a bússola aponta pro Norte diz: “o magnetismo do Sul não. 202. e complementa a frase com mais um elemento do padrão de Toulmin. o Sul não é tanto. anteriores a experiência. é a força de origem .não exerce tanta força enquanto o Norte exerce porque o Norte é o . No turno 178 o aluno diz: “ta vendo como é que ta funcionando?”. 214 e 216. e também nos turnos 193.” e complementa no turno 81 ... Como vimos anteriormente ele acredita que o que ele chama de campo eletromagnético é mais forte no Norte do planeta e por isso a agulha aponta para o Norte. É interessante notar que os alunos se convencem dessa explicação que vinha sendo defendida desde antes da experiência e que foi “comprovada” várias vezes pelo aluno Renan quando ele girava a agulha e mostrava que ela se orientava exatamente igual à bússola comercial. aponta na mesma direção que a bússola comercial. Para identificarmos a conclusão (C) do aluno vamos rever os turnos 71 e 81... o que faz a agulha apontar para o Norte. Para ele a agulha não foi magnetizada por inteiro.

Poderíamos reescrever seu argumento da seguinte forma “ Se a ponta da agulha da nossa bússola aponta na direção Norte. vemos que sua conclusão (C) começa no turno 180 e termina no 182 com a frase “vai apontar pro Norte que é a parte eletromagnética”..31 dizendo “pelo fator. p. Apesar do aluno ter apresentado um argumento com os três aspectos fundamentais do padrão de Toulmin. Ele conclui que realmente o que ele chama de “campo eletromagnético” da Terra é mais forte no Norte. por isso não foram feitas transcrições. segunda parte da atividade dois. E era sugerida aos alunos uma experiência com um clipe amarrado a uma linha para permitir que eles testassem a atração desse conjunto na diferentes regiões do ímã. fazia a seguinte pergunta aos estudantes: "Todos os pontos da superfície de um ímã possuem a mesma capacidade de atração?".Afirmação isolada com justificativa. No restante da aula os alunos fizeram as outras atividades planejadas e faremos um resumo dessas atividades e do que foi observado nos estudantes. logo a parte eletromagnética do Norte da Terra é mais forte”. há indícios de que ele se refere implicitamente às hipóteses que fez anteriormente sobre o campo eletromagnético do Norte da Terra ser mais forte que o do Sul. Realizaram a tarefa trocando pouquíssimas palavras entre si. No momento da experiência foi o único argumento proposto e apesar de sua justificativa estar fisicamente incorreta ele se enquadra na categoria nível 1 . A atividade posterior.”. 2000. pelo fato da ponta estar magnetizada.. mas nenhuma reflexão interessante foi observada na análise das gravações. do campo eletromagnético se encontrar no Norte. a afirmação do estudante não é de alta qualidade. que permitiria aos alunos notar evidências sobre a existência dos dois pólos nos ímãs.. Voltando a identificação dos elementos de Toulmin no argumento do aluno após a experiência. de acordo com as categorias de Driver e Newton (1997 apud CAPECCHI & CARVALHO.. Os estudantes identificaram corretamente as regiões de maior atração.196). Na sequência à prática da construção da bússola os estudantes realizaram a primeira parte da segunda atividade na qual verificavam quais materiais dentro de alguns tipos eram atraídos por ímãs. visto que eles também quase não dialogaram. E também fizeram uma atividade (terceira parte da atividade dois) em que .

Vamos mostrar nas próximas transcrições. mas o aluno Felipe diz que achou “legal” a experiência. a professora foi até o grupo três vezes. duas vezes ela observou o grupo. apesar disso não observamos diálogos importantes para o estudo que está sendo realizado nesse trabalho. mas não discutiram sobre hipóteses e não discordaram sobre o observado. Por fim a atividade três para identificar as linhas de campo dos ímãs com auxílio de limalha de ferro. ficando ao encargo do aluno a conclusão do fenômeno observado. Foi proposta uma atividade ao aluno e também o procedimento da atividade. Na mesma turma 3002 no início da aula o grupo 7 tenta explicar o funcionamento da bússola: . e em uma delas ela explicou a experiência da limalha. Essa outra atividade daria indícios aos alunos de que esses pólos existentes nos ímãs têm características diferentes (alguns lados se atraem outros se repelem). Em toda a aula observamos os alunos chamarem o licenciando cinco vezes. Também não foram feitas transcrições tendo em vista a pobreza dos diálogos. As atividades propostas para essa aula se enquadram no nível 1 de investigação proposto por Tamir. não foi observado estímulo à reflexão e também não foi observado questionamentos que provocassem argumentação dos alunos. Os alunos chegaram a essa conclusão e um deles achou isso muito interessante. eles fizeram também uma atividade de identificar com a bússola o nome de cada pólo dos imas de diferentes formatos (quarta parte da atividade dois). características importantes notadas na imensa maioria dos alunos. o licenciando mostrou para os alunos o comportamento da limalha no campo do ímã e pelos comentários foi possível notar que os alunos ficaram encantados com o fenômeno.32 os alunos deveriam estudar que tipos de força (atração ou repulsão) apareciam entre imãs de formatos diferentes e o que acontecia com essas forças quando se girasse um dos ímãs. também não refletiram sobre alguma consequência dessa experiência na hipótese do aluno Renan sobre a orientação da agulha da bússola. também não foi observado estímulo à reflexão e questionamentos que provocassem argumentação dos alunos. Também não foi notada nas gravações nenhuma observação que julgássemos significativa. Além disso.

..não sei to falando aqui mas. e tenta encontrar algum fenômeno que aconteça no mar que possa direcionar a bússola. Tentando entender procedimento. Aluna 3 – no mar. Busca pela resposta.Oi? Luiza . Confunde a palavra magnetismo com fenômeno Tentando explicar com o que conhece..... alto mar Márcia – é ... Levantando Hipótese.... Luiza – Bota a bússola aí Márcia – Será que tem que botar água aqui? Luiza – Não. Qual o fenômeno... isso daí é depois Luiza – Eu acho que é a Terra não é? Márcia .. Márcia .qual o fenômeno que faz a agulha da bússola apontar consistentemente na direção Norte-Sul? Márcia – Quê? .____________que você vai pro Norte ou vai pro Sul Luiza – mas qual é o magnetismo que é utilizado? Luiza – fenônemo? você acha que é o vento? Márcia – eu acho que é...... Confunde a palavra magnetismo com fenômeno Por esse diálogo podemos notar que não está claro para todos os alunos .. eu acho que é.. Márcia – Pra saber qual_________ Luiza . Aluna conhece muito pouco sobre magnetismo terrestre.. (inaudível) Luiza – Não tem nada pra ler pra dizer não? Aluna 3 – Ela falou que isso daí não. Você acha que é o que? Márcia – ah eu acho que é o vento né? Porque o vento que faz.É a Terra não é não? Márcia – Porque a Terra? Porque? Luiza – Qual é o magnetismo? O que mostra (inaudível) Terra. Gestos / Observação Lendo resumo...33 Turno 01 02 03 04 05 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 Transcrição Luiza . Luiza – Não tem naquele ... Luiza – você acha o vento? O vento que direciona? Márcia – Eu acho que é né? Luiza – _________Porque tem que direcionar_______ Norte e Sul Márcia – _______________________________é porque isso aí geralmente a pessoa usa quando ta perdida né.. Colega questiona...

34 pra que serve uma bússola.. tem no livro lá.... para a mesma atividade: Gestos / Observação Turno 01 02 Transcrição 03 07: 10 Vivian – Mas se eu tiver perdida como é que eu vou me Não sabem como usar achar numa bússola. No turno 15 a aluna menciona que o vento é responsável pelo funcionamento da bússola. Vivian – ______________nem eu Carla – tambem não .. não é através do sol? Não sei____ Por do sol? É provável que essa hipótese venha do Carla ..... Afirma que o livro confirma sua hipótese. Mostra que a agulha sempre aponta pro Norte...... aí faz isso (inaudível) região Norte Sul Leste e Oeste. 04 05 06 07 08 09 10 12 13 14 Esse grupo também não sabia como utilizar uma bússola e também seu princípio de funcionamento. a gente não.. entendeu? Mirtes – (ináudivel)sei na\ . a bússola não é comandada pelo.... . bússola. No turno 10. ela afirma que também não tem conhecimentos sobre o assunto mas usa o livro para justificar sua afirmativa. Mirtes – pelo vento? Carla . Vivian – O fenômeno ... e a aluna 3 no turno 21 parece concordar com ela...... Em outra turma (3001) foi observado no grupo 1 as seguintes falas.... o livro propõe que após magnetizar a agulha na experiência se desenhe uma rosa-dos-ventos para se localizar os pontos cardeais..só que .. A aluna Carla sustenta que seu funcionamento é baseado no vento e aparentemente acredita nisso pela frase do turno 14 que está escrita no livro. Vivian – então mas ela é comandada pelo vento? Carla – é. a aluna Vivian acredita no sol como causador da orientação da bússola. não entendo. Carla – “para utilizarmos nossa bússola só marcamos nas bordas do prato a rosa-dos-ventos.(ináudivel) se a gente pegar (inaudível) bússola a a gente virar assim.” Lendo livro...________________não_________do vento fato do livro falar sobre rosa-dos-ventos na bússola._________pelo vento Mirtes – ah mas aí é o que? Isso aqui gira? Carla – é a gente bota .. sei nada disso.

aqui como é que ele ta empurrando. Vejamos as falas do grupo 7 da turma 3002.Ui! E aqui aqui . o primeiro grupo a ser analisado também demonstra isso. empurrando! aqui ó ó. Fascínio pela força de ação a distância Outro comportamento muito observado ocorreu com relação ao magnetismo. ele ta empurrando! Ó .. alguns aparentemente acreditavam que servia para se localizar.” Um aluno do grupo 7 da turma 3001 sintetiza bem o que parece passar pela cabeça da grande maioria do alunos.. do ímã que ta aí dentro ... a fala de grande parte dos alunos evidencia que a percepção de que um ímã pode atrair ou repelir outro a distância os surpreendeu e gerou interesse. ele diz “eu to na mata perdido. ops! Caraca manero aqui Fabíola .. No turno 31..Professora me dá isso aí pra mim fazer mágica lá nas minhas brincadeiras Luciana – Alá que manero! Vera – É legal né! Fábio – Isso é simplesmente aí uma limalha do ímã ...... nenhum integrante de nenhum grupo tinha conhecimento concreto da utilidade da bússola.. a minha mão (inaudível) é esse que ele ta empurando Demonstra muita surpresa. o aluno Felipe do grupo 2 (3002) diz “eu sei. pego uma bússola e aí?” Pelo que foi observado.. mas não sabiam como....35 Outros grupos também demonstraram não ter conhecimento de qual é a utilidade de uma bússola... enquanto eles faziam a atividade de girar os ímãs e descrever a interação: Gestos / Observação Turno 15 16 17 Transcrição Jessica . como é que usa? To por fora._____________________________________é o magnetismo Jessica – não! Ele ta em. Turno 18 19 20 21 Transcrição Luciana . E no final da aula a atividade da limalha encantou esse mesmo grupo: Gestos / Observação Alunas surpresas... é uma bússola .

. não gruda Carolina – esses grudam Joana .é assim? Joana – xô vê.. .. É como? Girando assim? Joana – O que? O que não se atrai? Carolina – É. Só acredita sentindo a repulsão.......__________________________________________eu quero sentir. xô vê aqui.... não d..eles sempre (inaudível) Roberto . Duvidando..Não gruda não gruda calma aí que eu vou te mostrar.... Erica – aí atrai Fábio – advinhou né sabida Luciana – alá que manero.Cadê os ímas? .. não gruda..não não enc.... Erica – gente muito legaaal ! Os alunos do grupo 6 da turma 3002 também descobriram que os ímãs podem se repelir na aula. Turno 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 Transcrição 20:49 Carolina ..._______se repelem? Joana – eles não grudam....... ta vendo? Carolina – Não ...36 22 23 24 25 26 27 30 Fábio – Tipo pó do ímã Luciana -____________é esse pozinho do ímã Fábio – simplismente isso. Joana – Não.. deixa eu botar Carolina. pois duvida da repulsão. alá manero alá Empolgadas.. esse aqui ó..... ansiosa para mostrar a outra que não gruda Inicialmente discorda mas depois dá um grito. Carolina .. não não gruda por nada.. a seguir vamos observar o diálogo de uma aluna mostrando a outra que os ímãs “não grudam”: Gestos / Observação Pede pra ver.. é ao contrario. pega na posição que tá... é________AI QUE LEGAL! Explica em qual posição se repelem... Joana – então aqui.. Carolina . aqui ó. eles não grudam.. sente. tem uma parte aqui.. não não não.

. Carolina ... E na atividade da limalha os estudantes ficaram maravilhados ao ver o desenho feito pela limalha: Gestos / Observação Turno 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 Transcrição 37:27 Carolina – Ai! Olha__________ que bonito! Que lindo! Joana – ____________Ai! Que manero! Carolina.. Carolina – aí eu adorei.. Vários outros alunos de outros grupos também demonstram reações similares com relação ao magnetismo que não serão transcritas para não estender muito o trabalho.... Várias exclamações continuam sendo ditas ao longo da atividade apesar da pequena transcrição acima.. Rindo..._______não gruda_____________legal né? Carolina – adorei! Joana – não gruda..Olha aqui como é que fica... Concluindo.37 15 16 17 18 Joana .Cara... Joana – gente eu vou comprar um negócio desse Carolina – eu tambem! Joana – preciso. Verificamos que poucos alunos ficaram indiferentes ao observarem a ação . Joana – caraca professora muito manero Alunas ficam falando sobre o fato do licenciando ser mágico Joana – caraca professora muito responsa isso aqui. Joana – caraca maluco muito manero! Carolina . Rindo...... fica tipo alguma coisa aqui no meio empurrando. inaudível Carolina. magiquinha! Aí faz mágica. Se referindo ao licenciando.Adorei.fica igual um bicho! Alunas falam ao mesmo tempo. Durante o restante da aula os estudantes desse grupo disseram outras frases que mostravam que eles estavam achando muito interessante o fenômeno do ímã.professora ele ta fazendo mágica..

a partir das respostas obtidas nos resumos de cada grupo. Mas a professora utilizou essa aula para. não permitiu aos alunos chegarem ao conhecimento físico esperado. abordando os conceitos magnéticos que se espera que os alunos aprendam. . muitas vezes o contato com ímãs fracos de geladeira não permite notar a ação a distância. Os alunos descobriram que o ímã. Apesar de todos conhecerem ímãs. tem propriedades surpreendentes e nos mostra que atividades com os ímãs tem um grande potencial para motivar aulas de física. Essa aula. ou de que ficou clara a importância do entendimento do magnetismo na sociedade. Conclusões sobre os dados coletados Os alunos das duas turmas estudadas não apresentam indícios de que entenderam a diferença entre as manifestações elétricas e magnéticas do eletromagnetismo. poder preparar uma aula “tradicional” logo após essa. alguns alunos notaram também pela primeira vez que um ímã não só atrai. mas também pode repelir.38 a distância. por si só. velho conhecido deles.

30).39 Apesar de não haver indícios que eles obtiveram o conhecimento esperado em uma aula. é importante notarmos que a atividade permitiu aos alunos refletirem sobre o assunto. fazendo perguntas que . p.). não conhecimento da bússola e etc. as atividades devem ser planejadas. A ausência da professora fez com que os alunos fossem obrigados a encontrar uma forma de responder as questões que não fosse buscando no livro ou nas anotações anteriores. O desafio do professor ao mudar de postura é grande. Sabemos que em um laboratório convencional também é possível a não aprendizagem. Mesmo assim o potencial das atividade investigativas é visível.. Muito importante também. e apesar da atividade didática já estar pronta por outro professor. é a discussão dos resultados ao final da atividade. que após fracassada fazia com que eles começassem o debate. e por isso esperava-se que apesar de dar liberdade aos alunos para argumentarem e criarem suas hipóteses. nesse momento o professor tem a oportunidade de mostrar a inadequação de algumas hipóteses dos alunos além de estimular todos os alunos a argumentarem e possibilitar que a turma construa junta o conhecimento físico esperado. Indícios de que a argumentação foi estimulada são encontrados na verificação da criação de um argumento completo pelo aluno Renan. recomendado por pesquisadores nessa área (Borges 2002. Como vimos no referencial teórico. apesar de não haver estímulo da professora. p. Além disso em outro momento notamos que o papel que teria que ser feito pela professora de ajudar a elaborar um argumento. 311 e 312) e (Azevedo 2004. a professora questionasse e soubesse conduzir perguntas para ajudarem os alunos a construir os conceitos corretos. como visto na página 30 do turno 178 até o turno 186. A primeira tentativa dos grupos era a busca pela resposta. os alunos chegam a questionar e refletir. a ausência da professora permitiu aos alunos construírem e aceitarem conceitos não respaldados pela ciência. Por outro lado. isso se deve muito ao fato dos alunos terem tido liberdade para exporem suas idéias entre eles. a professora deveria utilizar uma atividade anterior para ter noção sobre as idéias prévias dos alunos (confusão entre campo elétrico e magnético.. com a diferença de que a autonomia e reflexão dos alunos não é tão estimulada. e por não haver um discurso e ações predominantes do professor que o fizessem observar passivamente as explicações e fenômenos.

Mas por si só não possibilitam encontrar indícios de que os pólos são inseparáveis.40 fizessem os alunos a repensar suas falas. quando a aluna Ana tem que copiar a frase dita pelo colega Felipe (página 27). Notamos que realmente o estímulo à verbalização do pensamento. A primeira parte da atividade dois permitiu aos alunos verificar que alguns materiais são atraídos por ímãs e outros não. Como a aluna não estava ouvindo o que o colega dizia. faz com que os estudantes sistematizem e reelaborem sua hipóteses. Já a segunda parte e a terceira parte dessa atividade permitiu aos alunos verificar que os ímãs tem regiões com propriedades distintas. Sugestão para o início da aula . e é disso que trataremos a seguir. mas com base nos diálogos não foi possível afirmar se esse conhecimento foi obtido. A atividade investigativa em nível 1 é importante para alunos e professores que ainda estão se acostumando com esse tipo de método para aos poucos aumentar o grau de abertura das atividades. a medida que professor e aluno se mostrem mais a vontade nessas práticas. Considerações para um futuro Julgamos importante fazer algumas considerações e sugestões para uma possível aplicação desta atividade em um futuro. mas não permite por si só obter uma explicação para isso. A atividade três em tese possibilitaria o entendimento das linhas de campo de uma ímã. As sugestões e considerações são feitas levando-se em conta os referenciais teóricos abordados. nesse processo de repetição ele re-elabora sua hipótese. é feito sem intenção. pedia para ele repetir a frase.

impedindo que ocorra uma translação do isopor com a agulha. e que o pólo Norte da Terra possui um campo eletromagnético mais forte que o do Sul. As transcrições que nos mostram isso vão do turno 177 até o turno 218 e fizemos uma análise desses diálogos na página 30. Sugestões para a atividade um Vimos que na atividade 1 o Grupo 2 da turma 3002 chega à conclusão de que eles magnetizaram somente a ponta da agulha. A seguir expomos algumas perguntas e procedimentos que poderiam ser feitas pelo professor para ajudar a construir o conceito correto: Porque esse procedimento de esfregar o ímã na agulha toda iria magnetizar só a ponta da agulha? Se esse procedimento magnetiza só a ponta da agulha. seguido da estabilização do conjunto após algum tempo. Ou ao invés de explicar. para que o professor antes de dar as atividades que foram propostas pudesse explicar como se usa uma bússola e como isso foi importante para a humanidade. O giro. É pouco motivante estudar um fenômeno ou equipamento que você não sabe para que serve. o professor poderia sugerir uma atividade na qual os alunos pudessem ser desafiados a pensarem como saíriam de uma floresta em direção a uma cidade com o auxílio de um mapa e uma bússola fornecidos pelo professor. O professor com essas perguntas colocaria a teoria do aluno em dúvida e isso também seria uma oportunidade para o professor mostrar aos alunos que no meio científico as descobertas e modelos seguem caminhos semelhantes ao que . como se faria para magnetizar a agulha toda? Se apenas a ponta da agulha está magnetizada. só é possível com a agulha apresentando dois pólos. provavelmente também aconteceria uma translação. Essa pergunta também ajudaria a fazer os alunos perceberem que se o norte da Terra tivesse um campo magnético mais forte do que o Sul. porque a agulha gira ao invés de ocorrer uma movimentação de todo o conjunto isopor/agulha em direção ao norte do planeta? Acreditamos que seja uma boa pergunta para que os alunos pudessem começar a perceber que pólos magnéticos aparecem juntos.41 Percebemos que a identificação de que os alunos não sabem para que serve uma bússola seria importante.

também são passíveis de interpretar uma experiência de forma incompleta (não levar em conta que aconteceria uma translação do conjunto). as manifestações magnéticas e elétricas tem muito em comum. Os alunos então vivenciariam um dos aspectos da prática cientifica. Por isso. como vimos nas páginas 33 e 34. Para evidenciar essas diferenças poderia ser proposta uma experiência mental que contribuiria nas experiências que foram feitas. ou até mesmo percebendo que aquele modelo faz previsões que não ocorrem (conjunto não translada). tanto é que os cientistas buscaram por muito tempo unificar esses fenômenos e conseguiram. E a partir do momento que essa teoria passa a não ser satisfatória para descrever os fenômenos. isso passa a ser aceito como cientificamente correto. a diferença seria só os nomes que deveriam ser substituídos. ou percebendo que fenômenos que não haviam sido observados não são explicados por aquele modelo. Sugestões para a atividade dois É um fato que. cargas por pólos e Norte/Sul por positivo/negativo. No grupo 7 da turma 3002 e no grupo 1 da turma 3001 notamos que alguns alunos atribuíram ao vento o funcionamento da bússola. a própria comunidade cientifica passa a buscar um novo modelo para substituir ou complementar o existente. Mas que os cientistas. a primeira vista para os alunos. assim como eles. Nessa experiência mental. um questionamento simples da professora permitiria entender que isso não seria possível.42 ocorreu no grupo deles. ou cometer erros metodológicos (acreditar que somente a ponta foi magnetizada). surge uma teoria que explica o fenômeno (representada pela teoria do Renan) e se a comunidade científica (outros alunos do grupo) se convencer através de fatos experimentais (bússola que eles mesmo fizeram). Um fenômeno é observado. seria solicitado aos alunos . antes da atividade do giro do ímã. possibilitando a eles uma visão da ciência como uma construção humana. A princípio a professora pediria para a aluna dizer se a bússola estava funcionando naquele momento e depois disso a professora poderia pedir que os alunos fizessem uma experiência soprando a bússola e vendo se a orientação da bússola mudava. Para ajudar a construir o conhecimento esperado.

Ao fazer isso. A orientação da limalha os deixa intrigados.43 que imaginassem duas cargas com sinais opostos. os alunos já teriam uma idéia de que um monopólo ao ser girado não muda a força que atrai outro monopólo. poderia também pedir que realizassem experiências de quebra dos ímãs. um fenômeno descoberto há milênios continue maravilhando as pessoas. a uma distância uma da outra. tantas novas informações. . caso o professor não quisesse somente explicar isso aos alunos. Depois disso os alunos deveriam girar uma das cargas e imaginar como atuaria a força entre essas cargas. nossa conhecida desde o nascimento. Isso nos mostra que o magnetismo tem um grande potencial para o desenvolvimento de atividades práticas que motivem os estudantes na realização destas. Já o fato de os pólos de um ímã serem inseparáveis. e isso nos faz ver como é possível mostrar aos que acham a física desestimulante o quanto essa ciência pode ser fascinante. isso não é notado no dia-a-dia dos estudantes. é vista com uma naturalidade muito grande com relação à atração dos ímãs. e é tão fascinante que é preciso até mesmo um cuidado do professor para não deixar que o fenômeno ofusque a atividade realizada. O mesmo se faria para cargas com sinais iguais. Apesar da ciência só admitir quatro forças fundamentais e todas elas interagindo a distância. É incrível que mesmo com tanto desenvolvimento tecnológico. Ao fazer a experiência proposta pelo giro do ímã ficaria mais claro que o ímã tem uma diferença grande com relação a um objeto carregado eletricamente. e a queda dos corpos. Considerações finais Não é possível deixar de tratar da surpresa e da satisfação dos alunos ao descobrir a repulsão nos ímãs e também que eles podem interagir a distância. Eles deveriam imaginar qual a força que deveria atuar entre elas. tentando separar os pólos e verificando o que ocorre.

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.A1 Anexo 1 A bússola e o magnetismo: O desenvolvimento de uma técnica de orientação. Parte do livro do grupo PROENFIS onde constam as atividades da seqüência de ensino proposta e bases teóricas e históricas dos fenômenos estudados e também as atividades que deveriam executar.

orientada pela Prof a. Foi também aplicado em turmas do Colégio de Aplicação da UFRJ. Deise Miranda Vianna (IF-UFRJ).A2 Sidnei Percia da Penha Este texto faz parte da Dissertação de Mestrado Profissional de Sidnei Percia da Penha. Dra. . pertencente ao Programa de Pós-graduação em Ensino de Física do CEFET-RJ. Foi defendida e aprovada em dezembro de 2006.

Mas de que forma isto ocorre? Por que a Terra possui este magnetismo? Ou ainda: o que é magnetismo. que também utilizam propriedades magnéticas para o seu funcionamento. portanto é um instrumento que serve para orientação sobre a superfície de nosso planeta. televisores. No séc. que fazia com que a agulha se transforme um imã. 1 . acredita-se que os chineses foram os primeiros a explorar estes fenômenos. Deve também ter conhecimento que o funcionamento da bússola esta relacionado ao magnetismo terrestre. etc. Qual é o fenômeno que faz a agulha da bússola apontar consistentemente na direção Norte-Sul? Evidentemente você já conhece ou já ouviu falar que uma bússola aponta sempre para o Pólo Norte da Terra e que. .Um pouco de história: O surgimento das bússolas Embora não possamos afirmar quem primeiro conseguiu perceber que uma pedras magnética que possa girar livremente apontam para uma região privilegiada (Norte – Sul). geradores.A3 A bússola e o magnetismo: O desenvolvimento de uma técnica de orientação. rádios. VI os chineses já possuíam a tecnologia para fabricação de imãs... Nesta oficina pretendemos investigar algumas propriedades dos imãs que são determinantes para que possamos entender o funcionamento da bússola e de outros tantos aparelhos do nosso cotidiano como motores. Um deles muito simples é o de esfregar um imã em uma agulha de ferro ou aço.

sempre no mesmo sentido.: Verifique também que colocando-se um imã nas proximidades desta bússola a posição de equilíbrio desta agulha magnética será perturbada. Este tipo de artifício é muito utilizado por mágicos que pessoas que se dizem portadoras de poderes para-normais. As primeiras bússolas chinesas não utilizavam agulhas e eram compostas por um prato quadrangular representando a Terra. com forma de concha. Friccione um dos pólos do ímã sobre a agulha indo de uma extremidade à outra. Agora. que de alguma forma escondem um imã para perturbar o movimento de uma agulha magnética . . As bússolas modernas são instrumentos de precisão. Ela deverá se orientar aproximadamente na direção norte-sul geográfico da Terra. Para utilizarmos nossa bússola é só marcarmos nas bordas do prato a rosa-dos-ventos e desta forma poderemos localizar facilmente os pontos cardeais. levante o ímã bem acima da agulha e repita a operação. de modo que agulha estaja livre para girar. e a sua agulha. Inicialmente. coloque uma fatia de cortiça com a agulha na superfície da água contida em um prato ou copo. Um círculo no centro do prato representava o céu e a base quadrada.A4 Atividade 1: Utilize uma imã para magnetizar uma agulha de costura. as agulhas das bússolas "dançavam" bastante e demoravam muito tempo a estabilizar. Ao chegar à extremidade da agulha. de bronze. Obs. . a terra. rapidamente se posiciona na direção norte-sul. O "indicador" (objeto que indica a direção).Investigando as propriedades magnéticas dos imãs Como já sabemos: A bússola é na verdade um pequeno imã que interage com o magnetismo terrestre. recomeçando pela outra extremidade. Esta pronta a nossa bússola. geralmente encerrada num invólucro cheio de líquido. 2. era de pedra imantada e a base (prato).

. que passaria a possuir esta mesma propriedade de atração. já se conheciam as propriedades atrativas da “magnetita”. (Marque as opções antes de fazer a experiência e depois confirme os resultados) ( ( ( )madeira )moeda )alumínio ( ( ( )fio de cobre )isopor )bandeja de plástico ( ( ( )grafite )Lâmina de Ferro )chumbo Nota: Na Grécia do século VI a.C. . 1o)Verifique que tipos de materiais podem ser atraídos por um imã. antiga cidade grega. Assinale na lista abaixo que materiais são atraídos. Atividade 2: Identificação das propriedades atrativas do imã. Assim como o âmbar. Tales de Mileto explica o fenômeno de forma semelhante a explicação dada para a atração do âmbar que depois de friccionado passa a atrair pequenos corpúsculos. que tinha propriedade de atrair objetos de ferro.A5 Vamos propor algumas atividades que devem ser desenvolvidas em grupos com o intuito de investigarmos as propriedades da bússola e dos imãs em geral. uma pedra oriunda da região da Magnésia. a magnetita teria uma “espécie de alma” que poderei comunicar sua vida ao ferro inerte.

caso haja diferença) a)para um imã em forma de barra: b)para imã em forma de placa 3o)Quais as características da força de interação entre dois imãs Verifique para cada par de imãs as forças que atuam entre eles.Gire um dos imãs e verifique o novo tipo de interação. Passe este pêndulo sobre os diferentes imãs e verifique se todos os pontos da superfície do imã possuem o mesmo “poder de atração”. a)para um imã em forma de barra: b)para imã em forma de placa ⇓ (girar um dos imãs) ⇓ (girar um dos imãs) .A6 2o)Todos os pontos da superfície de um ímã possuem a mesma capacidade de atração? Para dar resposta a esta questão utilize um pequeno pêndulo formado por um “clips” amarrado a uma linha.(assinale em cada figura de as regiões de maior poder de atração.

4o)Com auxílio de uma bússola identifique os pólos Norte e Sul de cada um dos tipos de imãs. Assim como para as cargas elétricos. será válido para os imãs a seguinte propriedade: Pólos de mesmo nome se repelem e de nomes diferentes se atraem. (Geralmente pintamos de vermelho o pólo Norte) a)Para imã em forma de barra: b)Para o imã em forma de placa: c)Para imã em forma de ferradura: .A7 Assim como na eletricidade teremos entre os imãs dois tipos de interação. que podem ser de atração ou de repulsão.

Definiu como magnéticos os corpos que. que o magnetismo seria fundado como ciência em 1600. Cabe a Gilbert o mérito da distinção entre o magnetismo e a eletricidade. Verificou experiências partindo um imã e constatou a formação de dois novos imãs. Em 1269 Pierre de Maricourt em seu “De Magnete” fez uma descrição pormenorizada das propriedades dos imãs. com a publicação de uma obra intitulada “De Magnete” por William Gilbert. se atraem. médico particular da rainha Elizabet I. Pierre de Maricourt permaneceu praticamente desconhecido por mais de trezentos anos. 3. O maior mérito do "De Magnete" consiste justamente em apresentar mais de seiscentas experiências. . Estes pólos sempre se opõem entre si em relação a um plano ou uma superfície de simetria. outras realizadas por ele mesmo. Pode-se dizer no entanto. Gilbert foi o primeiro a chamar de pólos as extremidades de uma agulha que ficam dirigidas para o norte e para o sul da Terra. e descobriu as afinidades e diferenças entre corpos elétricos e corpos magnéticos.Um pouco mais de história Até o século XVIII pouco era o conhecimento sobre o magnetismo. sob orientação de informações recebidas quase sempre de homens do mar. No ocidente as primeiras referências sobre o uso da bússola ocorrem por volta de 1180. como os ímãs.A8 Nota: Os pólos magnéticos dos imãs dependerão da forma como adquirem o seu magnetismo. Retomando as idéias de Pierre de Maricourt. Ele verificou o fenômeno da bipolaridade e verificou que cada um dos pólos voltava-se para os pólos do mundo. em parte feitas pelos predecessores.

Gilbert rejeita todas as explicações mágicas. desenvolvendo uma idéia que exercerá enorme influência sobre Kepler e Newton: os corpos atraem-se em virtude de uma força física. Construiu um imã de formato esférico que chamou de “Terrella” e colocou pequenos imãs sobre sua superfície. portanto seu pólo Norte é idêntico ao pólo Norte de qualquer imã. Em seu livro. Estudando suas propriedades verificou que eram as mesmas da Terra e explicou a propriedade das bússolas de sempre apontarem para o norte. até que no início do séc. Isto só foi possível depois do desenvolvimento da pilha de Volta que possibilitou o surgimento de correntes elétricas mais duradoras. Durante os anos que se seguiram poucos foram os avanços do magnetismo. Portanto o pólo Sul Magnético de nosso planeta está localizado nas proximidades do pólo Norte Geográfico e o pólo Norte Magnético esta localizado nas proximidades do pólo Sul Geográfico. Que pode ser medida e estudada. N S c)para dois imãs dispostos como mostram as figuras: N S N S N S . teria sido Gilbert o primeiro a identificar que a Terra comporta-se como um gigantesco imã. Essa força pode ser constatada nos ímãs e no ferro. no caso o Pólo Sul Magnético Terrestre.A descrição do magnetismo terrestre Sobre o magnetismo terrestre. a)para imãs em forma de barra b)para imãs em forma de ferradura . Como os pólos opostos se atraem quando uma bússola aponta para o pólo Norte Geográfico isto significa que seu pólo norte esta sendo atraído por um outro pólo Sul.A9 4 . Como vimos a bússola é um pequeno imã e. Atividade 3: Representação das linhas de campo magnético para os diferentes tipos de imãs: Coloque o ímã sobre uma folha de papel e salpique as limalhas sobre esta folha. Represente o desenho das linhas de forma formado pelas limalhas de ferro. XIX novas experiências demonstraram a existência de uma relação entre a eletricidade e o magnetismo.

poderemos representar esta região de o campo magnético pelas “ linhas de campo magnético”. assim como utilizávamos uma “carga de prova” para determinarmos a presença de campo elétrico em uma região do espaço. XIX desenvolveu o conceito de campo e sua representação através das linhas de força. Esta organização das limalhas de ferro não se dá apenas no plano do papel. Poderíamos verificar esta propriedade deslocando-se uma bússola no entorno dos imãs e poderíamos verificar que a bússola se orientará em uma direção sempre tangente a estas linhas de campo. poderemos utilizar uma pequena bússola para detectar a presença de campo magnético em uma determinada região do espaço. De modo semelhante ao que fizemos com o campo elétrico que era representado por suas linhas de força. ela é uma distribuição espacial. • As regiões de maior densidade de linhas correspondem às regiões onde o campo Magnético é mais intenso. Para ele as linhas formadas pelas limalhas de ferro espalhadas pela folha de papel. Diferente das linhas de força de campo elétrico que tinham sua origem nas cargas elétricas. estas linhas de campo magnético não possuem origem visto que não poderemos ter um pólo magnético separado.Dizemos então que as linha de campo magnético são fechadas. . ou seja não tem começo nem fim. Portanto.A 10 S N Nota: Foi com base neste tipo de experiência que Faraday no início do séc. tinham existência real. As mesmas propriedades já desenvolvidas para linhas de força de campo elétrico serão válidas também para campos magnéticos: • As linhas de campo magnético serão sempre orientadas no mesmo sentido do campo Magnético (Direção norte de uma bússola ou seja as linhas fora do imã saem do pólo Norte em direção ao pólo Sul). • Duas linhas de campo jamais se cruzam.

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Obs: Note que as linhas orientadas no interior de um imã em forma de ferradura são paralelas ou seja nesta região o campo podemos considerar como campo magnético uniforme

5 – Propriedades magnéticas da matéria
Como pudemos observar em nossos experimentos, o comportamento magnético de diferentes materiais quando colocados nas proximidades de um imã permanente não é o mesmo. Os diferentes tipos de materiais podem ser classificados em 2 grupos:

⇒Materiais paramagnéticas→que são todos os tipos de materiais atraídos pelos imãs.
Neste grupo de materiais encontramos dois tipos de substâncias:

•As substâncias que são fortemente atraídas por imãs permanentes como por exemplo o ferro, o níquel, o cobalto e algumas ligas formadas por estes elementos, que são chamados de materiais ferromagnético; •As substâncias fracamente atraídas pelos imãs como o vidro, o alumínio, a platina e outros; como a água, o ouro, o chumbo e o quartzo.

⇒Materiais Diamagnéticos →substâncias que são levemente repelidas pelos imãs,

Estes diferentes tipos de comportamentos magnéticos podem ser compreendidos através de um modelo que supõe que a matéria é constituída de um conjunto de pequenos imãs microscópicos, chamados de imãs elementares. Por este modelo, o comportamento magnético de um determinado tipo de material seria o resultado da atuação conjunto destes pequenos imãs. A explicação para o aparecimento destes imã elementares estaria relacionada as propriedades do elétron. Além de carga e massa o elétron possui uma propriedade magnética chamada de spin. Para uma barra de material ferro magnético desmagnetizada, os imãs elementares estariam distribuídos desordenadamente. O campo magnético resultante será nulo.
No entanto se aplicarmos à esta barra um campo magnético externo, os imãs elementares se alinham com o campo, a barra se magnetiza passando a apresentar pólos Norte e Sul.

O efeito da temperatura nos materiais magnéticos
O comportamento dos materiais ferromagnéticos é totalmente alterado para certo valor de temperatura. Ao aumentarmos a temperatura dos materiais as propriedades magnéticas diminuem consideravelmente. O aumento da temperatura provoca um desalinhamento destes imãs elementares. Para os materiais ferromagnéticos, existe uma temperatura denominada de ponto Curie, na qual os imãs elementares se desfazem. Acima desta temperatura, o material deixa de ser ferromagnético. Para o ferro puro o ponto Curie é 770 o C, para o níquel puro é 358o C.

Exercícios:
1) Um pedaço de ferro é colocado próximo de um ímã, conforme a figura a seguir: Assinale a alternativa correta: a) é o ferro que atrai o ímã. b) a atração do ferro pelo ímã é igual à atração do ímã pelo ferro. c) é o ímã que atrai o ferro. d) a atração do ímã pelo ferro é mais intensa do que a atração do ferro pelo ímã. e) a atração do ferro pelo ímã é mais intensa do que a atração do ímã pelo ferro. 2) (UFMG)Um ímã e um bloco de ferro são mantidos fixos numa superfície horizontal, como mostrado na figura. Em determinado instante, ambos são soltos e movimentam-se um em direção ao outro, devido à força de atração magnética. Despreze qualquer tipo de atrito e considere que a massa "m" do ímã é igual à metade da massa do bloco de ferro. Sejam a(i) o módulo da aceleração e F(i) o módulo da resultante das forças sobre o ímã. Para o bloco de ferro, essas grandezas são, respectivamente, a(f) e F(f). Com base nessas informações, é CORRETO afirmar que

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a) F(i) = F(f) e a(i) = a(f).

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b) F(i) = F(f) e a(i) = 2a(f).
c) F(i) = 2F(f) e a(i) = 2a(f).

d) F(i) = 2F(f) e a(i) = a(f). 3) Considere um ímã permanente e uma barra de ferro inicialmente não imantada, conforme a figura a seguir. Ao aproximarmos a barra de ferro do ímã, observa-se a formação de um pólo ______ em A, um pólo ______ em B e uma ______ entre o ímã e a barra de ferro. A alternativa que preenche respectiva e corretamente as lacunas da afirmação anterior é a) norte, sul, repulsão b) sul, sul, repulsão. c) sul, norte, atração. d) norte, sul, atração e) sul, norte, repulsão. 4) A figura I adiante representa um imã permanente em forma de barra, onde N e S indicam, respectivamente, pólos norte e sul. Suponha que a barra seja dividida em três pedaços, como mostra a figura II. Colocando lado a lado os dois pedaços extremos, como indicado na figura III, é correto afirmar que eles a) se atrairão, pois A é pólo norte e B é pólo sul. b) se atrairão, pois A é pólo sul e B é pólo norte. c) não serão atraídos nem repelidos. d) se repelirão, pois A é pólo norte e B é pólo sul. e) se repelirão, pois A é pólo sul e B é pólo norte.

Os ímãs 1, 2 e 3 foram cuidadosamente seccionados em dois pedaços simétricos, nas regiões indicadas pela linha tracejada. Analise as afirmações referentes às conseqüências da divisão dos ímãs: I. todos os pedaços obtidos desses ímãs serão também ímãs, independentemente do plano de secção utilizado; II. os pedaços respectivos dos ímãs 2 e 3 poderão se juntar espontaneamente nos locais da separação, retomando a aparência original de cada ímã; III. na secção dos ímãs 1 e 2, os pólos magnéticos ficarão separados mantendo cada fragmento um único pólo magnético. Está correto o contido apenas em a) I. b) III. c) I e II. d) I e III. e) II e III.
5) 6) (FUVEST) Sobre uma mesa plana e horizontal, é colocado um ímã em forma de barra, representado na figura, visto de cima, juntamente com algumas linhas de seu campo magnético. Uma pequena bússola é deslocada, lentamente, sobre a mesa, a partir do ponto P, realizando uma volta circular completa em torno do ímã. Ao final desse movimento, a agulha da bússola terá completado, em torno de seu próprio eixo, um número de voltas igual a a) 1/4 de volta. b) 1/2 de volta. c) 1 volta completa. d) 2 voltas completas. e) 4 voltas completas. Obs: Nessas condições, desconsidere o campo magnético da Terra.

c) I e II. qual deve ser o menor valor da força magnética entre o ímã e a geladeira para que a bonequinha não caia? Dado: g = 10m/s 2. 9) (UNIFESP) Uma bonequinha está presa. A partir dessas informações. um ângulo de 0° e permanecia na horizontal. III. como esquematizado na figura 1. apenas. um campo magnético uniforme e horizontal. . apenas. à porta vertical de uma geladeira. Está correto o contido em a) I. apenas. apenas. b) III. Isso é feito. por um ímã a ela colado. de modo que o conjunto tenha a mesma densidade que a água e fique em equilíbrio dentro de um copo cheio de água. Natal (nordeste do Brasil) e Havana (noroeste de Cuba). nas cidades de a) Punta Arenas (sul do Chile). A figura 2 representa a Terra e algumas das linhas do campo magnético terrestre. sul e norte. d) II e III. . e) I. pode-se concluir que tais observações foram realizadas. independentemente do tamanho dos pedaços. devido à capacidade que esses objetos têm de exercer atração e repulsão. Natal (nordeste do Brasil) e Punta Arenas (sul do Chile). um livro em que discutia experimentos mostrando que a força que o campo magnético terrestre exerce sobre uma agulha imantada não é horizontal. Foram realizadas observações com a referida bússola em três cidades (I. c) Havana (noroeste de Cuba). os pedaços obtidos da divisão de um ímã são também ímãs que apresentam os dois pólos magnéticos. originou-se o nome ímã. um ângulo de 20° em relação à horizontal e apontava para baixo. o campo magnético terrestre diverge dos outros campos. também indica a inclinação da linha do campo magnético terrestre no local onde a bússola se encontra. A figura mostra o imã preso na porta da geladeira a)Represente as forças que atuam sobre este imã. Essa força tende a alinhar tal agulha às linhas desse campo. d) Havana (noroeste de Cuba). . . indicando que o pólo norte da agulha formava. II e III. 10) A agulha de uma bússola assume a posição indicada na figura a seguir quando colocada numa região onde existe. II e III). há ímãs que possuem apenas um.A 13 7)(UFRN)O estudioso Robert Norman publicou em Londres. um ângulo de 75° em relação à horizontal e apontava para cima. que traduzido do francês significa amante. uma vez que o pólo norte magnético de uma bússola é atraído pelo pólo norte magnético do planeta. 8) (FGV)Da palavra 'aimant'.para a cidade II. RESPECTIVAMENTE. Sobre essas manifestações. considere as proposições: I. b) Punta Arenas (sul do Chile).50 o coeficiente de atrito estático entre o ímã e a porta da geladeira.para a cidade III. b) Sendo m = 20g a massa total da bonequinha com o ímã e µ= 0. além de indicar a direção norte-sul. além do campo magnético terrestre. inserindo-se uma agulha imantada num material. assim como há ímãs que possuem os dois tipos de pólos.para a cidade I. por exemplo. II. Havana (noroeste de Cuba) e Natal (nordeste do Brasil). Devido a essa propriedade. APROXIMADAMENTE. em 1581. Punta Arenas (sul do Chile) e Natal (nordeste do Brasil). Considerando a posição das linhas de campo uniforme. pode-se construir uma bússola que.

em O.A 14 desenhadas na figura. B e C. estão sobre um plano. Três pequenas agulhas magnéticas podem girar nesse plano e seus eixos de rotação estão localizados nos pontos A. Despreze o campo magnético da Terra. o vetor campo magnético terrestre na região pode ser indicado pelo vetor 11) (FUVEST)Três imãs iguais em forma de barra. Desprezando o efeito do campo magnético da Terra. tomado como origem. representadas pela figura I. A direção assumida pelas agulhas. o campo magnético resultante. no sentido anti-horário. formará com o eixo x. é melhor descrita pelo esquema: 12) Oito imãs idênticos estão dispostos sobre uma mesa à mesma distância de um ponto O. de pequena espessura. um ângulo de a) 0° b) 315° c) 135° d) 225° e) 45° . e orientados como mostra a figura.

.A 15 Anexo 2 Resumo elaborado pela professora que aplicou a aula. Nesse resumo constam as principais perguntas e atividades propostas pelo livro.

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A 18 Anexo 3 Transcrições completas dos diálogos dos alunos. .

.depois (inaudível) .? Renan .. difícil de ouvir a explicação Felipe .......caraca (inaudível) né não ? Ana .A 19 Turno 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 Transcrição Grupo 2 turma 3002. tem alguma coisa pra gente responder isso aí escrito? 01:23 Daniele – não (inaudível) 02:06 Ana . Ana .isso é uma bússola..não é melhor escrever com lápis depois escrever com. por gentileza como que responde isso aqui hein? 03:08 Licenciando .professor.(inaudível) negócio de bússola não Daniele . Felipe ..mas agora olha só.é . é o eletromagnético Daniele . rascunho Felipe .vamos fazer um..ah entendi.tem não gente (inaudível) (assuntos não relevantes) 02:53 Felipe .qual o fenômeno que faz agulha da bússola apontar consistentemente na direção___________..? (inaudível) Renan ..qual o fenômeno? Ana ..__________________________________________________________ ______É o eletromagnético. não . Renan. __________é o eletromagnético . só um minutinho..______________que faz a agulha da bússola apontar .....(inaudível) você vê no mapa pra onde você quer ir ____ eu quero ir pra cidade tal.ah ta . han? Ana .... como é que usa? To por fora.primeiro tem que responder esse negócio da bússola aqui....._________________________________________ah ta _________________________________________________ ah ta Felipe ...ela falou que tem nada no livro não? Daniele – não Ana .professor! (assuntos não relevantes) 03:03 Felipe . não vai (inaudível) Ana .não tem não (inaudível) (assuntos não relevantes) 02:28 Ana ..eu sei....___________________han? Ana . você tem como por base de referência o norte? LICENCIANDO .... magnetismo Felipe -________________________________________________________________________________ _magnetismo Daniele . Ana . é uma bússola .qual o fenômeno?... a leste daqui (inaudível) Felipe .._________não mas qual é? Renan. então quem vai me dar toda de referência é esse ponto vermelho pro norte? .você apoiando ela num plano ali num_____________ Licenciando explica como usar a bússola . ela fica pra onde? ..qual o fenômeno que faz agulha da bússola apontar consistentemente na direção Norte-Sul Renan ..

como que é? Ana ...por causa do campo magnético encontrado no. do campo eletromagnético (inaudível) .o fenômeno é esse.de que forma isso ocorre.... Renan .__________________________é ..__________________________________ é Ana .... no... Renan .qual o fenômeno? Felipe . no. porque é o eletromagnético.... pelo fator.. como se fosse assim ..é..(inaudível) Renan .qual o fenômeno que faz agulha da bússola apontar consistentemente na direção nortesul? Felipe ....pó vou acabar esquecendo (inaudível) Renan ....então escreve. o sul. ela aponta sempre pro norte Renan ..é . Renan .então automaticamente a agulha.... é a fo .qual o fenômeno que faz agulha da bússola apontar consistentemente na direção norte-sul? 04:40 começa primeiro vídeo Renan ..você pode botar assim . (inaudível) conversa inaudível dos integrantes do grupo Renan .mas de que forma isso ocorre. (inaudível).ai tem que responder de que forma isso ocorre ou ainda o que é magnetismo. porque sempre vai apontar pro.brigado hein. na região norte do hemisfério. o norte é considerado . Renan ... no... Felipe .só que você não vê os elétrons . é.cuidado com o copo d’agua.. ela não aponta primeiro pro sul.... o ..A 20 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 (inaudível) Felipe .... o magnetismo do sul não.. Renan ..porque o norte é a referência.. a agulha apontando pro norte a parte de baixo automaticamente vai pro sul .não sei Renan .. pelo fator.. Daniele ..pois é mas o sul. (inaudível) 04:28 Ana .. 05:33 Ana . pro norte. fenonemo eletromagnetismo Renan . Felipe .é o eletromagnético mesmo Ana .. o norte é o centro Felipe -_____________disso ele entende bem porque ele é pescador Felipe ....por isso que a parte vermelha ali é o norte___entendeu? Felipe ..... Daniele ....qual é o fenômeno é o eletromagnético? (escreve essa resposta na roteiro(provavelmente)) Renan – magnetismo.(lê a pergunta “mas de que forma isso ocorre? Ou ainda o que é magnetismo?") Renan ....porque a bússola ela não.. entendeu...... pode escrever (inaudível) Renan .. é a força de origem .....não exerce tanta força enquanto o norte exerce porque o norte é o .(inaudível) pelo fator. não Renan fala algumas frases inaudíveis e Felipe responde algo inaudível também Felipe . por causa do campo de magnetismo se encontrado na região norte (inaudível) Felipe . de que forma isso ocorre. o que é verdade... e a força de atração e repulsão entre os pólos norte e sul .. (inaudível) Renan . o sul não é tanto..por causa..._______________________________________________________________você pode até botar também eletromagnetismo seria uma força de atração e repulsão dos elétrons.

é a força de atração.“atividade um” (lendo roteiro) “utilize um ímã para magnetizar uma agulha de costura” que é aquela agulha que ele deu.. e sul Ana .. “friccione um dos pólos do ímã sobre a agulha indo de uma extremidade à outra.é isso mesmo cara? (rindo) Felipe .(inaudível) Renan ........ Ana ..hum. Felipe . do campo eletromagnético..de atração e repulsão dos elétrons na gravidade.agora tem que fazer esse experimento aqui Ana .é a força de atração Felipe -________é a força de atração e repulsão dos elétrons na atmosfera Daiane – atração e o que? Felipe – repulsão Daniele .e repulsão Felipe .. Renan .pelo.é a força de atração e repulsão entre os elétrons___na gravidade do ar Renan -_______________________________________é Ana ...de atração né? Felipe .ou ainda o que é magnetismo? Felipe – magnetismo? Felipe ...é porque você fica falando cara..pelo fator. Ana .se encontra? Renan .....como assim? (olham o aluno três fazer alguma coisa) 09:27 Ana ..é a força .pode botar que são os pólos 07:52 Renan .de uma extremidade a outra.isso...dos elétrons na atmosfera . Daiane ..viu coitada Felipe – repulsão Ana .é a força ... do campo eletromagnético se encontrar no norte.sempre no mesmo sentido. Daniele .. Ana .. (copiando no roteiro) Renan . Felipe . Daniele .na atmosfera Ana .... não escutei Renan .... sempre no mesmo sentido” 09:21 Daniele ....de uma ponta a outra (inaudível) sempre no mesmo sentido. Ana ...é isso mesmo! Felipe .se encontra no norte.ele fala muito rápido Renan . ai bota norte pro sul? Felipe .___________devagar! Parece a Shirlei.A 21 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 (inaudível) 08:59 Ana .repulsão. (escrevendo no roteiro) Renan -____pelo fator.

.é.olha aí hein..(inaudível) não é isso aqui não (mostrando pedaço de isopor) Daniele .agente ta com uma dúvida aqui nesse exercício aqui ó.___cortiça é aquele negócio de tampa de vinho Felipe .. você tem que pegar o ímã né?. você tem que prender a agulha no isopor.(risos) (inaudível) Licenciando ...... essa aqui...bota aqui por favor.aí você coloca aqui.(continua lendo) “agora coloque uma fatia de cortiça com a agulha da superfície da água.como é que é o negócio agora coloque o que? Ana .(inaudível) será isso aqui (mostrando algo que pegou na bandeja com o material experimental) Ana .porque eu esfreguei esfreguei e ..não ... Ana . Renan . coloque uma fatia de cortiça com a agulha na superfície da água contida em um prato ou copo de modo que a agulha fique livre para girar” Daniele . primeiro.isso..... aqui ó.porque pra achar agulha nesse chão é difícil... (colocando prato para botar água na mesa) aluno 1 coloca água no prato.A 22 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 Ana .(risos) Felipe ....(inaudível) Ana .. tem mais nada aqui só tem isso aqui Ana .a Daiane ta até chorando.....isso aí não é cortiça não Felipe ..professor (chama o Licenciando) Daniele ..(inaudível) Felipe. o que que é isso... Daniele .eu nem escutei o que ela falou.... Renan . ai com.... caraca Ana . aí você vai ver que ele vai se comportar como se fosse uma bússola. e passar na agulha não é isso? Felipe ....(continua lendo) “agora coloc.(inaudível) Daniele .. Licenciando .(inaudível) Renan . da extremidade da agulha..eu hein.(inaudível) Renan .olha que maravilha.. (inaudível) Daniele .(risos) Felipe ..(continua lendo) “levante o ímã bem acima da agulha repita a operação recomeçando pela outra extremidade.. (inaudível) Ana .(inaudível) Renan .....(continua lendo) “ao chegar a extremidade da agulha levante o ímã bem acima da agulha” Daniele _____________________________________________caraca_____________(inaudível).cadê a agulha? (inaudível) Licenciando .(risos) Daiane .. Daniele .. 10:29 Ana .(inaudível) de cortiça.. Licenciando ...” Daniele . ai ele explica ali.” Felipe ....(inaudível) Ana . ..

.porque aqui ó.... Felipe ..entendi.e porque ela pede aqui pra marcar o copo... magnetizada.aí vai ...A 23 158 159 160 161 162 163 164 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 179 180 181 182 183 184 185 186 187 188 189 190 191 192 193 194 195 196 197 Felipe ......vou soltar.. Renan .isso aqui é o que ? isso é. 15:58 Renan ....cad..alguém sempre volta.(inaudível) 15:44 Daniele .. pra.. esfrega a agulha aqui.. que ver? ... Daniele .. ta magnetizada.porque olha só. depois coloca assim coloca na água Ana ..entendeu? . aí a agulha não pode ficar encostada na água não.... pro mesmo lugar . Daniele . vou soltar denovo Daniele . Renan -(inaudível) Felipe .. porque a parte do ím.. você prende assim ela bem nas extremidades superior Felipe . Renan .... Daniele . a parte da agulha ta mag.. sempre vem pro mesmo lugar.. brigado hein Renan .. (inaudível) cadê a bússola? Felipe ..cadê a bússola? Renan . Renan . já ta.entendeu? Renan . Licenciando .(inaudível) Daniele .é... Renan .. (assuntos não relevantes) 12:20 Renan . Felipe ..... ó...então é isso mesmo.. entendeu..Como é que é? Renan .vê a bússola aí.quer ver ó .... precisa botar imã não aqui ó...tu pode ver uma coisa... Licenciando ..não precisa botar ímã não.você bota a água aqui só pra.você pode virar ó.. empresta aqui a caneta um instantinho Renan ........ como não tem como marcar... e a experiência é isso aqui.alá ... Renan ..ah entendi..vai sempre apontar pro mesmo lado.... a parte da agulha que eu passei no ímã é que vai apontar pro norte..ta certo professora? Renan ....o que você tem que alinhar aqui é o norte... você tira por isso aqui ó..ta bom? Felipe ..... cadê o isopor? 12:40 Dificuldade em saber como montar a bússola aluno 2 lê roteiro em voz baixa 14:19 Daniele .você faz isso aqui.vocês podem botar esse negócio com água ali dentro pra não derramar e molhar (inaudível) de vocês todo.. 15:38 Daniele ... ta vendo como é que ta funcionando? Aqui..acho que isso mesmo.tem que molhar o ímã? 14:38 Ana . porque a cabeça da agulha já ta... pra o isopor boiar .. Licenciando ..eu acho que é isso mesmo.(inaudível) Felipe . Felipe ..essa bússola ......_____que é a parte eletromagnética ..o ímã vai aonde? Diálogos sobre como que deve ser feita a experiência. vai sempre apontar pro mesmo lado ó.ah ta..

a parte do.a parte da caneta é que tá. Felipe . Felipe .. Renan . magnetismo.é porque...ala soltei ó Daniele ..entendeu? .porque.... Renan ..então ta..... Renan . por causa disso. ela vai...você pode jogar pra qualquer lugar....é isso mesmo. (inaudível) (assuntos não relevantes) 18:08 Daniele ... porque essa parte aqui ta magnetizada..alá engraçado né? Renan .é igual aquela que ta ali né? Igual a que ta ali...A 24 198 199 200 201 202 203 204 205 206 207 208 209 210 211 212 213 214 215 216 217 218 219 220 221 222 223 224 Renan ... que a parte da cabeça da agulha ela (inaudível)..(inaudível)...... 17:09 Renan .. tá magnetizada.........e realmente o norte foi pra lá ó.entendeu? Daniele ..(inaudível) isso... Daniele .. tem alguma pergunta? Não? Ana ..(inaudível) Renan .. Renan . Daniele . da agulha que foi magnetizada vai sempre apontar pro norte .ela fica igualzinh... vou deixar ela apontada pra você..________________________engraçado. . e tem alguma pergunta pra ...do. a parte que você passou no ímã e justamente que ta possuindo a .________tem alguma pergunta? ____________________________________________________________ Renan . ó soltei ó Daniele ..então o que acontece .(inaudível) Renan ...... \(inaudível) aquela parte do eletromagnético.vai sempre apontar pro norte.e tem . é só isso mesmo. alá..igualzinho.....(inaudível) Renan .não......então prossiga.... o que agente fez agora? Não? Daniele . Daniele .... Daiane .. Renan .. só isso...______________________isso_____________ Daiane .