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RELATÓRIO DE VISITA

Município de Anápolis Goiás

Data: 6 a 10 de junho de 2013

Pesquisadora: Thais Alves Marinho (PNPD/CAPES/PPGS/UNISINOS)

Os sujeitos dessa pesquisa são os artesãos da Associação Cultural e Artística de Anápolis - ACAA, que foi fundada em 2002 em pareceria com a prefeitura municipal de Anápolis e os moradores locais do Bairro da Boa Vista que desde 1981 integravam o Centro de Aprendizagem de Tecelagem, fundada em pareceria com o governo do Estado de Goiás. A ACAA é fruto do amadurecimento dos integrantes do Centro de Tecelagem que com novas parcerias passou a desenvolver e produzir outros tipos de artesanato, agregando também diversas expressões artísticas. A ACAA passou a substituir o Centro de Tecelagem e está sediada no mesmo local, na Rua Argentina n. 980 no Bairro Boa Vista em Anápolis.

A Associação funciona como um ponto de cultura, com o projeto Fios da Memória e

atua também como centro comunitário demonstrando responsabilidade social ao tentar incluir crianças e adolescentes no mundo artístico e cultural por meio do intercâmbio de conhecimento com os anciãos da comunidade que se realiza através de oficinas. Além da fiação e da tecelagem, produzem telas, esculturas, cerâmica, cestas de material reciclável, oferecem aulas de dança clássica, dança do ventre, capoeira, teatro, catira, jongo, entre outras atividades. Os produtos são comercializados na Associação e na loja da mesma no Ana Shopping, em Anápolis, e também são distribuídos para comercialização em outras lojas fora da cidade.

A tradição da fiação e da tecelagem constitui a base para essa organização cultural, que

a partir desse fundamento de produção artesanal e comunitária busca ampliar as

condições de vida da população local oferecendo novos horizontes de atuação na

sociedade e de obtenção de renda.

Principais Contatos

1. Regina Regina Beraldo

Presidente

da

email: acaaong@gmail.com Telefone: 62-3702 7695

ACAA

e

artesã

2. Zeneide Lucena de Oliveira Vice-Presidente da ACAA e artesã (62) 8455-

5185

3. Odália Resende de Souza conselheira fiscal da ACAA e artesão telefone:

(62) 9117-7902

4. Francisco artesão, tecelão, escultor, professor da ACAA telefone: (62) 9108-

8175

5. Altina Batista Rosa tecelã e fiandeira da ACAA (62) 8456-9831

Caracterização geral do projeto:

A principal atividade da associação é a fiação e a tecelagem. Foi esse conhecimento e prática secular que fundamentou a união da comunidade em 1981, formalizada no Centro de Aprendizagem de Tecelagem. Apesar da importância dessa atividade, que ainda proporciona a maior parte dos produtos comercializados, como tapetes, colchas e redes, tal tradição encontra barreiras significativas para se manter. Uma das dificuldades é a ausência de matéria prima, à medida que a urbanização foi chegando ao Bairro da Boa Vista ficou difícil a produção de algodão na região, a especulação imobiliária logo reduziu o tamanho das residências que já não comportavam mais a produção sustentável da matéria prima da tecelagem, o algodão. Esse fator contribuiu para uma queda da atividade na região no inicio dos anos de 1990. Outra dificuldade foi a escassez de mão de obra, já que muitas pessoas que antes aprendiam a atividade com suas mães, deixaram a fiação de lado para agregar a crescente agroindústria da região, conhecida pelo seu pólo industrial. O resultado foi um arrefecimento da atividade que encontrava dificuldades não só na produção, como também na comercialização devido a emergência de produtos industrializados que passaram a integrar a vida cotidiana daquela comunidade, o que gerou uma desvalorização da tecelagem e da fiação. No inicio dos anos 2000 o Centro de tecelagem enfrentava sérios problemas de produção e administração que foram solucionados com a revitalização do espaço que passou a constituir a ACAA, a partir de 2002, fundada sobre o conceito de economia solidária. O intuito dessa instituição era reacender a tradição da tecelagem e da fiação e agregar ao

espaço novas atividades artísticas e culturais. Para tanto, solucionaram a escassez de matéria prima introduzindo novos materiais como retalhos, detritos de facção e outros materiais recicláveis, buscaram também adquirir algodão prensado com a crescente indústria têxtil da região. Além disso, buscaram disseminar o conhecimento da tecelagem entre os novos membros que eram atraídos para outras atividades como dança, teatro, circo, cerâmica, capoeira, confecção de bonecas de pano, entre outros. Hoje conta com cerca de 250 associados atuantes, que além da produção de artesanato, participam de oficinas ofertadas pelos associados, voluntários e também pelo SEBRAE, que esteve atuante na revitalização do espaço, em 2002.

Caracterização dos espaços físicos do projeto:

O espaço destinado à associação foi cedido pelo governo do Estado de Goiás em 1981,

por meio da atuação da primeira dama do estado Maria Valadão, e conta com uma área ampla. Possui uma sala de recepção (com uma pequena biblioteca), um escritório

(equipado com computador, telefone, arquivos, armários, impressora), uma cozinha (com fogão industrial e à lenha), quintal, uma sala de dança com espelhos, depósito para

as máquinas de fiar (cerca de 30), uma sala de cerâmica com forno e equipamentos, um

pátio interno com jardim, uma área para as máquinas de tear (cerca de 15), uma sala de

costura (com quatro máquinas de costura e uma de overlock). A associação funciona como espaço de socialização, exposição, comercialização, produção e aprendizagem. Além da sede da associação localizada no Bairro Boa Vista, disponibilizam de uma loja no Ana Shopping, na avenida Universitária, onde comercializam seus produtos. O

espaço da loja foi cedido pelos proprietários do shopping, que não cobram pelo seu uso.

A loja possui uma vendedora, um computador, telefone, expositório, arquivo, ocupa

uma área de destaque e ampla do shopping.

Caracterização das técnicas de trabalho dos atores e das tecnologias utilizadas no âmbito da produção, da circulação ou do consumo:

Os associados produzem suas peças na associação, especialmente as fiadoras (os) e tecelãs (os), já que os equipamentos ficam guardados naquele local, os ceramistas também utilizam os equipamentos da associação para a produção das peças. Alguns artesãos utilizam o espaço como ateliê e espaço de convivência. Outros artesãos

produzem em suas próprias residências e expõem suas peças na associação, essa situação é mais frequente entre as anciãs que encontram dificuldades de locomoção devido à idade ou a doenças. A maior parte dos produtos é comercializada na loja do

shopping e em feiras de artesanato, onde os produtos são consignados, sendo que o artesão recebe de volta o valor estipulado para a venda do produto, a loja cobra 30% em cima do preço de venda estipulado para arcar com as despesas da mesma, como o salário da vendedora e outros gastos da associação. Essa taxa ao longo do tempo foi sendo reajustada para atender às despesas da associação, sendo regulada de acordo com

o valor indicado pelo SEBRAE para garantir a autossutentabilidade. Participam de feiras de artesanato municipais, estaduais e nacionais.

Histórico do projeto e fontes para consulta:

A associação foi formalizada em 2002 numa tentativa de revitalizar o Centro de Aprendizagem de Tecelagem, fundado em 1981. A principal parceira de tal empreendimento foi a Prefeitura Municipal de Anápolis e o Sebrae. A partir de então a associação passou a ministrar oficinas de ballet, jazz e capoeira gratuito, tecelagem manual, cerâmica, dança do ventre, música e artesanato para crianças, jovens e adultos sem limite de idade. Os associados também participam de oficinas de capacitação do SEBRAE onde buscam melhorar suas técnicas de gestão, de produção e de comercialização. Em 2006 ganhou o prêmio TOP 100 do SEBRAE, que atesta a qualidade e originalidade dos produtos e proporcionou a oportunidade de participar de diversas feiras de artesanato em âmbito nacional, sem custos. Em 2009 a associação se tornou ponto de cultura, reconhecida pela AGEPEL Agência Pedro Ludovico Teixeira, atual Secretaria de Cultura do Estado de Goiás, por meio do projeto “Fios da Memória”, cujo principal objetivo era abordar os aspectos da cultura, da identidade e do patrimônio cultural, a partir da relação entre a materialidade e imaterialidade do saber fazer técnico, presente na arte da tecelagem. Nesse sentido, buscavam resgatar os mitos

e o papel da mulher, bem como os instrumentos e técnicas utilizados na tecelagem

manual. A partir de 2011, a associação passa a enfrentar problemas políticos já que a prefeitura municipal passa a cobiçar o espaço da associação visando a construção de um centro cultural, com isso, a comunidade perderia o protagonismo da administração do local, que é feita de forma democrática, via eleição, sendo que o mandato é alternado a cada dois anos. Por dois anos, a associação lutou contra essa decisão, e por isso, teve

alguns benefícios cortados, como a participação em diversos eventos locais, o que prejudicou não apenas a produção como a comercialização de seus produtos. Em 2013, finalmente por meio do Ministério Público, a associação consegue provar que a sede da associação pertence ao Estado e não à prefeitura que se torna desautorizada a se apropriar do local, findando o risco de perda de autonomia.

Questões culturais e ambientais que condicionam o desenvolvimento do projeto

A associação possibilitou que diversos membros da comunidade local ampliem suas rendas. Segundo relatos dos entrevistados, muitos já viveram do artesanato, especialmente entre o período de 2004 e 2008, antes das brigas políticas. Relatam também que a associação funciona como um importante espaço de socialização que oferece possibilidade para que muitos membros da comunidade achem sentido na vida por meio do artesanato e do convívio com a cultura e com a tradição. Muitos idosos procuram o espaço como tentativa de superar a depressão e a solidão, muitos jovens procuram a associação para fugir da violência e da criminalidade da periferia de Anápolis. E muitos deles encontram a possibilidade de obter renda da cultura e do resgate à tradição. Na associação aprendem também a reutilizar materiais que antes seriam descartados como retalhos, restos de facção, reutilizados na tecelagem; e outros materiais como revistas e jornais utilizados na fabricação de cestas; ou como tambores, latas e outros materiais utilizados durante as aulas de teatro e na produção musical. Apesar dessa preocupação com as questões ambientais, não conseguiram solucionar a perda de sustentabilidade do algodão. Algumas anciãs ainda plantam essa matéria prima em seus quintais, mas a maior parte é obtida via doação das indústrias têxteis da região.

Parcerias estabelecidas pelo projeto (institucionais ou pessoais) com descrição dos termos de realização da parceria (convênios, apoio logístico ou financeiro, consultorias, reconhecimento institucional, editais, etc.):

O SEBRAE foi um importante parceiro da Associação em seus primórdios, oferece reconhecimento institucional, por meio do Premio Top 100, mas sua participação tem diminuído ao longo dos anos, isso porque a diretoria da ACAA tem se aproximado das discussões sobre Economia Solidária, por meio de reuniões, fóruns e cursos ofertados pela Secretaria Nacional de Economia Solidária. Esta se tornou uma interlocutora

fundamental na orientação da gestão do local e da produção. O Ministério da Cultura e a Secretaria de Cultura do Estado de Goiás (antiga AGEPEL) possibilitam financiamento de projetos por meio da abertura de editais. Desde 2009 a ACAA se tornou um ponto de cultura financiada pela Secretaria de Cultura, com o Projeto Fios da Memória. A ACIA Associação de Comércio e Indústria de Anápolis é uma facilitadora no diálogo com as empresas e indústrias que participam como doadoras de matéria prima, suprimentos, alimentos, entre outros. O Ana Shopping oferece apoio logístico pela concessão da loja onde é comercializado os produtos da associação. Entre 2002 e 2004, a prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Cultura oferecia apoio logístico e reconhecimento institucional possibilitando a participação comercial dos artesãos em feiras municipais e na Casa dos Artesãos de Anápolis, mas esse tipo de apoio e reconhecimento foi desfeito ao longo dos anos. A UniEvangélica disponibiliza professores para os diversos cursos oferecidos na Associação.

Caracterização das formas de vinculação dos atores ao projeto, formas de coletivização da produção e de distribuição dos recursos produzidos:

Os associados contribuem mensalmente com a quantia de 13 reais que podem ser pagos em mercadoria, o valor serve para manter as instalações e funcionários da associação. Os associados podem vender os seus produtos na loja do shopping. A associação também é um espaço de aprendizagem onde ocorrem oficinas ministradas pelos próprios associados, por voluntários ou por consultores e convidados externos, como os do SEBRAE, UniEvangélica e SENAC. Apesar da amplitude da produção há relatos da diretoria de que a associação muitas vezes não consegue atender as encomendas comerciais, especialmente no tocante à fiação, já que as produtoras são idosas e os mais jovens não se interessam por essa atividade. Há uma tentativa constante de captar novos talentos por meio das oficinas, embora muitos aprendam a atividade, ainda não há uma produção constante por parte dos mais jovens. A loja não consegue manter uma oferta estável de produtos, por isso, complementa as mercadorias com itens importados. Além disso, a prefeitura tem impedido o estabelecimento de contratos comerciais, exigindo participação das negociações. Diante da recusa da ACAA em relação à essa interferência, a prefeitura organizou a criação de outra associação cultural que passou a monopolizar as feiras locais e a venda na Casa do Artesão. Há denúncias de membros da ACAA de que essa é uma forma de cooptar o Fundo Estadual de Cultura, que está

para ser liberado para o Estado de Goiás. Além dessa questão, a secretaria de cultura de Anápolis tem desvalorizado a produção artística e cultural, alegando que os atrativos de Anápolis giram em torno do turismo empresarial, devido ao Polo Industrial e ao Porto de Anápolis, e do turismo religioso, que atrai milhares de fiéis à catedral evangélica da cidade, caracterizada pela predominância de evangélicos em sua população.

Atividades desenvolvidas durante a visita (descrever entrevistas, filmagens, observações não especificadas anteriormente):

Durante a visita realizei observação participante em reuniões da diretoria da associação, observei também algumas oficinas ministradas periodicamente (como a oficina de capoeira, dança do ventre, confecção de bonecas de pano e teatro), observei a atividade de tecelagem e costura que são realizadas a todo momento pelos artesãos da ACAA. Realizei entrevistas com membros da associação e da diretoria da mesma. Também visitei a loja do shopping. Todas essas atividades foram filmadas.

Links para acessar informações do projeto, na web, com breve caracterização da apresentação e conteúdos:

Loja virtual da ACAA - http://acaa.loja2.com.br/page/contact

Blog do Projeto Fios da memória - http://tecelandoarte.blogspot.com.br/