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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES ANA CAROLINA GUILERMITE CAMPIOLO

O TDAH NA PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES DE UM COLÉGIO PARTICULAR DO INTERIOR DE SP

São Paulo

2012

UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES ANA CAROLINA GUILHERMITE CAMPIOLO

O TDAH NA PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES DE UM COLÉGIO PARTICULAR DO INTERIOR DE SP

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Pós-graduação em Psicopedagogia da Universidade de Mogi das Cruzes como parte dos requisitos para a conclusão do curso.

Orientador: Prof. Ms. Jefferson Baptista Macedo

São Paulo

2012

DEDICATÓRIA

Dedico à minha família essa conquista, a qual foi a grande responsável pela minha trajetória de sucessos até aqui.

AGRADECIMENTOS

Meus agradecimentos aos professores Edson Alencar Silva, Eliete De Fátima dos Santos, Flávia Andréa V. Pennachin, Isaac Vitório Correia Ferraz e Willian Guimarães Gaspareti. Ao meu orientador Professor Jefferson Baptista Macedo, agradeço pela paciência, organização e seriedade, sem contar que suas aulas fizeram a diferença em minha vida e jamais me esquecerei da sua contribuição. À amiga, incentivadora e perseverante Valéria Plagge, meus sinceros agradecimentos.

Acredito que o mundo é como decidimos vê-lo. Tão simples como isso. E por mais volta que dermos, no fim, a nossa felicidade depende de nós e de mais ninguém.

Marcelo Alves

CAMPIOLO, ANA CAROLINA GUILHERMITE. O TDAH na percepção dos professores de um colégio particular do interior de SP. 24 f. Monografia. São Paulo: Universidade de Mogi das Cruzes, 2012.

RESUMO

O tema do presente trabalho é o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, um problema que assombra os professores, pais e os próprios portadores de forma insistente há tempos. Como objetivo principal desta pesquisa procurei analisar o panorama de percepção dos professores de um colégio particular do interior do Estado de São Paulo acerca da TDAH. Como objetivos secundários foram estipulados: conhecer as principais dificuldades dos professores em trabalhar com crianças portadoras de TDAH, identificar as principais queixas dos profissionais acerca dos alunos e descobrir as principais queixas e preocupações dos pais desses alunos. A metodologia empregada foi o estudo de caso, pautada em questionamento escrito feito pelos professores do colégio em questão. Recolhidos os questionários, parti para a análise de cada uma das questões, comparando as respostas de todos e agregando as semelhanças e caracterizando as diferenças apresentadas. As respostas mostraram que os professores possuem um bom nível de conhecimento do assunto, sabem como estabelecer estratégias para lidar com o problema e com o portador, mas sentem-se desamparados em relação às famílias e aos procedimentos para lidar com o cotidiano do portador de TDAH.

PALAVRAS-CHAVE: Transtornos de Aprendizagem; TDAH; Hiperatividade.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1

1

DESCRIÇÃO DO CASO

4

1.1 Contexto do Caso

4

1.2 Situação-Problema

4

1.3 Objetivos

5

1.3.1 Objetivo Geral

5

1.3.2 Objetivos Específicos

5

1.4 Justificativa

5

1.4.1 Da oportunidade do trabalho

5

1.4.2 Da viabilidade do projeto de intervenção

5

1.4.3 Da importância do projeto de intervenção

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2 REVISÃO DA LITERATURA

7

 

2.1 Histórico e Contextualização

7

2.2 Definições e Conceitos

9

3 METODOLOGIA

13

 

3.1 Delineamento teórico da Pesquisa

13

3.2 Definição dos sujeitos participantes / objeto de análise

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3.3 Materiais e Instrumentos

14

3.4 Procedimentos de coleta dos dados

14

3.5 Cuidados éticos

14

4 PLANO DE ANÁLISE DOS RESULTADOS

16

 

4.1 Dados coletados

16

4.2 Análise dos resultados

16

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

21

 

5.1 Conclusões

21

5.2 Sugestões

23

REFERÊNCIAS

24

1

O TDAH NA PERCEPÇÃO DOS PROFESSORES DE UM COLÉGIO PARTICULAR DO INTERIOR DE SP

INTRODUÇÃO

tema do presente trabalho é o Transtorno de Déficit de

Atenção/Hiperatividade, um problema que assombra os professores, pais e os próprios portadores de forma insistente há tempos. A ideia para a realização deste trabalho surgiu da prática em sala de aula e dos problemas enfrentados como

coordenadora nas escolas em que atuei e atuo no presente momento.

O

Partindo da dificuldade enfrentada em lidar com a ideia apresentada pelos professores ou pelo menos em entender quais seriam as ideias dos professores e sua percepção sobre o assunto, resolvi pesquisar mais sobre esse tema e formular a situação problema: qual a verdadeira situação dos portadores de TDAH em minha escola atualmente? Qual a visão dos professores sobre este assunto? Quais os pontos que mais afligem os profissionais da educação e as famílias envolvidas?

Como objetivo principal desta pesquisa procuro analisar o panorama de percepção dos professores de um colégio particular do interior do Estado de São Paulo acerca da TDAH. Como objetivos secundários estipulei: conhecer as principais dificuldades dos professores em trabalhar com crianças portadoras de TDAH, identificar as principais queixas dos profissionais acerca dos alunos e descobrir as principais queixas e preocupações dos pais desses alunos.

Como justificativa para a realização deste trabalho procurei pautar-me no incômodo que senti ao pouco entender a forma como lidávamos no colégio acerca do TDAH, dada a importância de impedir ou pelo menos lidar de forma melhor com o fracasso escolar desses alunos.

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A partir disso procurei cercar-me do melhor material que pude reunir para estudar o que era, como se apresentava, quais as causas e os principais relatos que a literatura apresentava. Como indicador principal encontrei o trabalho de Barkley, considerado uma das maiores referências mundiais sobre o assunto e citado em praticamente todos os outros trabalhos a qual procurei me pautar.

Além dele, outros excelentes relatos, tais como Benczik, Peixoto, Boynton, mas de forma mais chocante e esclarecedora o relato da Medicalização de adolescentes feito por Psicólogos de São Paulo, que alertaram para o crescimento do uso da Ritalina em crianças portadoras do TDAH não só no Brasil, mas especialmente nos Estados Unidos.

A metodologia empregada foi o estudo de caso, sugerida de forma didática pelo Professor Jefferson da Universidade Mogi das Cruzes e que de forma clara ajudou a contribuir na investigação do problema proposto. A população-alvo da pesquisa é composta pelos professores de um colégio particular do interior do Estado de São Paulo e o panorama de estudo se deu através da formulação de um questionário composto de 12 questões abertas e de respostas livres e espontâneas.

Recolhidos os questionários, parti para a análise de cada uma das questões, comparando as respostas de todos e agregando as semelhanças e caracterizando as diferenças apresentadas.

Conclui que num primeiro momento os professores pouco se interessaram pelo questionamento, já que houve pouca devolução das questões respondidas. Também percebi que alguns não se envolveram de forma satisfatória já que os questionários foram respondidos de forma displicente e com pouca organização.

Mas no geral, as respostas mostraram que os professores possuem um bom nível de conhecimento do assunto, sabem como estabelecer estratégias para lidar com o problema e com o portador, mas sentem-se desamparados em relação às famílias e aos procedimentos para lidar com o cotidiano do portador de TDAH.

Em geral, a própria família (na visão dos professores) boicotam ou pouco levam a sério os tratamentos, mas a maior dificuldade está na questão do diagnóstico do Transtorno, já que as famílias têm dificuldade em lidar com os problemas e possíveis “doenças” (se é que podemos tratar o TDAH assim) de membros de seu círculo familiar.

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Como sugestão de melhoria, acredito que a formação de um grupo de discussão sobre o assunto seria bem-vindo entre os professores que lidam com alunos portadores.

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1 DESCRIÇÃO DO CASO

1.1

Histórico e Caracterização do Fenômeno

O

TDAH é hoje um dos problemas mais aflitivos dentro do âmbito escolar.

Entender como funciona o transtorno, o porquê ocorre, quais suas causas e como ele afeta a relação de ensino-aprendizagem nos alunos é uma questão crucial dentro de qualquer instituição de ensino.

Dessa forma e com a ideia de realizar uma investigação sobre o assunto é que se deu a gênese deste trabalho. Como coordenadora pedagógica de Ensino Fundamental II de um colégio particular no interior do Estado de São Paulo, interessou-me em saber como os professores atuam frente ao TDAH e quais as suas percepções sobre o assunto.

O Histórico do Colégio remonta ao ano de 2003 quando foi fundado, nesta

cidade, mas trata-se de uma franquia da maior empresa educacional do país, que tem funcionamento anunciado desde 1970. O prédio é cedido de uma Universidade ligada ao grupo institucional em questão e é composto de 23 salas e possui 15 funcionários, 50 professores e aproximadamente 600 alunos.

1.2 Situação-Problema

No âmbito escolar lidar com o fracasso de algum aluno é algo absolutamente doloroso, não só para o aluno (principal interessado no próprio sucesso), mas para pais e educadores também. O fracasso, na visão educacional, é algo absolutamente penoso para o professor, que precisa buscar maneiras de lidar com as diversas situações conflitantes do aluno e com suas dificuldades dentro do contexto escolar.

O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é uma das dificuldades

mais proeminentes existentes no contexto escolar. E na escola caracterizada e

pesquisada neste trabalho não é diferente. Ele apresenta-se como um dos problemas educacionais mais persistentes e de difícil manejo.

Assim, buscando um panorama sobre o assunto, coloco como situações que gostaria de investigar e visualizar resposta: qual a percepção dos profissionais da

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educação em relação aos alunos portadores de TDAH? Quais as principais dificuldades em trabalhar com o tema? Quais as principais queixas dos profissionais de educação desta escola e o que eles dizem sobre as principais queixas relatadas pelos pais a respeito de seus filhos (portadores)?

1.3 Objetivos

1.3.1 Objetivo Geral

Analisar o panorama de percepção dos professores de um colégio particular do interior do Estado de São Paulo acerca da TDAH.

1.3.2 Objetivos Específicos

Conhecer as principais dificuldades dos professores em trabalhar com crianças portadoras de TDAH.

Identificar as principais queixas dos profissionais acerca dos alunos.

Descobrir as principais queixas e preocupações dos pais desses alunos.

1.4 Justificativa

1.4.1 Da oportunidade do trabalho

A necessidade de entender melhor as características do Transtorno, definir estratégias de trabalho, compreender a visão do professor acerca do assunto, saber se o profissional lida de forma adequada com o portador, propor uma intervenção adequada e regular as intervenções existentes, são oportunidades que este levantamento proporciona.

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1.4.2 Da viabilidade do projeto de intervenção

Como coordenadora do Ensino Fundamental II deste colégio, a viabilidade de investigação e de aplicação de futuras estratégias (baseadas nas evidências encontradas) torna-se mais fácil, já que é papel do coordenador orientar e agregar situações que possibilitem impregnar de significado a aprendizagem. A direção da escola também apoiou integralmente esta investigação.

1.4.3 Da importância do projeto de intervenção

O bem-estar do aluno e a sua promoção em termos educacionais é um dos pilares educacionais do colégio (assim como desenvolvê-lo como cidadão). Cultivar o fracasso ou manter-se inerte em relação a um problema como o TDAH é algo inaceitável para os padrões atuais. Dessa forma, identificar as questões que mais afligem os educadores e promover uma estratégia que busque sanar essas aflições, considera-se de uma importância singular, já que uma intervenção absolutamente pertinente dentro do processo ensino-aprendizagem de um aluno portador deste transtorno pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso deste indivíduo.

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2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Histórico e Contextualização

A perspectiva histórica acerca do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade é bastante significativa para a definição e compreensão do transtorno. Há relatos de que em civilizações antigas e povos do passado crianças com desatenção já eram percebidas, medicadas ou tratadas. Benczik (2010, p.21) explicita um histórico interessante acerca da TDAH:

Historicamente, há alusões a respeito desses problemas na infância em muitas das grandes civilizações (Goodman & Gilman, 1975, apud Goldstein & Goldstein, 1990). Por exemplo, o médico grego Galen foi um dos primeiros profissionais a prescrever ópio para a impaciência, inquietação e cólicas infantis. Por volta de 1890, médicos trabalhavam com pessoas que apresentavam dano cerebral e sintomas de desatenção, impaciência e inquietação, como também com um modelo similar de conduta exibido por indivíduos retardados sem história de trauma. Eles formularam hipóteses que esses comportamentos em indivíduos retardados resultavam de um mesmo tipo de dano ou de uma disfunção cerebral. Em 1902, Still descreveu um problema em crianças que ele denominou como um defeito na conduta moral. Ele notou que esse problema resultava em uma inabilidade da criança para internalizar regras e limites, como também em uma manifestação de sintomas de inquietação, desatenção e impaciência. Still notificou que esses comportamentos poderiam ser resultados de danos cerebrais, hereditariedade, disfunção ou problemas ambientais. Ele também manteve-se pessimista, acreditando que essas crianças não poderiam ser ajudadas e que estas deveriam ser institucionalizadas com uma idade bastante precoce. Entre os anos de 1917 e 1918 como descreve Hohman (apud Goldstein & Goldstein, 1990), a partir de uma erupção de encefalites, os profissionais de saúde observaram que havia um grupo de crianças fisicamente recuperadas de encefalites mas que apresentavam inquietação, desatenção, e que eram facilmente impacientes e hiperativas, comportamentos esses não exibidos antes da doença. Foi então aventado que esses comportamentos resultavam de um mesmo nível de prejuízo cerebral causado pelo processo de doença. Esse modelo de conduta foi então descrito como uma desordem pós-encefalítica.

O uso de medicação para tratamento do déficit de atenção é citado pela autora num primeiro momento como sendo utilizado pelo médico Charles Bradley, que na clínica infantil onde trabalhava, utilizou estimulantes a partir de 1937. Nesse mesmo ano Molitch & Eccles passaram a investigar o efeito do benzedrine (anfetamina) nas situações que envolviam inteligência. O primeiro cientista observou uma sensível melhora nas respostas das crianças, já que elas ficavam mais calmas, mais positivas e prestavam mais atenção, e assim, pareciam aprender melhor (BENCZIK, 2010).

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Durante e imediatamente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), vários prejuízos da guerra, especificamente as sequelas das crianças (de forma especial os traumas cerebrais) foram estudados com bastante afinco. Concluiu-se que o prejuízo de qualquer parte do cérebro frequentemente resultava em comportamentos de desatenção. (BENCZIK, 2010).

A autora (Benczik, 2010, p. 23) aponta que o pesquisador Strauss acreditava que se a desatenção fosse mantida em níveis mínimos, as crianças poderiam “funcionar melhor”. Dessa forma, decorações excessivas nas salas de aulas foram retiradas, as janelas passaram a ser fechadas, houve mudanças nas salas de aula, outras tantas modificações no currículo escolar, mas essencialmente, as medicações passaram a ser adotadas de forma mais contundente.

Na década de 40, o termo Lesão Cerebral Mínima (LCM) passou a ser utilizado para rotular crianças que mostravam associações de alterações comportamentais, principalmente hiperatividade (mas na verdade, os pesquisadores acreditavam que essas alterações provinham de lesões no sistema nervoso central). Assim, a TDAH foi definida como um distúrbio neurológico, vinculado a uma lesão do cérebro. (BENCZIK, 2010).

Ainda segundo Benczik (2010), a situação começou a modificar-se em função da dificuldade de vincular a existência da lesão cerebral nas crianças ditas hiperativas: o foco das pesquisas, da conceituação, do diagnóstico e do tratamento passou a mudar. A partir de 1962 ficaria claro que a hipótese de lesão cerebral não foi confirmada através de estudos empíricos e as crianças passaram a ser referidas como portadoras de “disfunção cerebral”, daí o uso do termo Disfunção Cerebral Mínima (DCM) para este período.

Ainda dentro da discussão acerca do histórico da TDAH, Leal e Nogueira (2011, p.115) apresentam um panorama mais novo, recente e com uma perspectiva médica dentro do contexto brasileiro de estudo da conceituação e da terminologia deste transtorno, como fica claro no trecho baixo:

De acordo com a literatura médica, o termo transtorno de déficit de atenção surgiu em 1980, no DSM-III (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Distúrbios Mentais, 3ª edição). Nesse período, o DSM-III o nomeava como transtorno de déficit de atenção (TDA), classificando-o em dois tipos: o TDA com

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hiperatividade e o TDA sem hiperatividade, para identificar que ambos

Em 1987, o DSM-III é revisto dando

origem ao DSM-III-R. Nesse novo manual a nomenclatura sobre o déficit de atenção recebe uma nova característica, passa a se chamar transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, apesar de a nomenclatura continuar confusa - TDA ou TDAH. Esse problema só é resolvido na escrita da quarta edição do DSM, ou seja, o DSM-IV-TR. Na nova edição desse manual, reconhece-se que tanto a desatenção quanto a inquietação frequentemente estão envolvidas no distúrbio, portanto, a nomenclatura mais correta seria TDAH - Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

envolviam o déficit de atenção.[

]

A dificuldade em cunhar um termo adequado a esse transtorno foi tão grande quanto a dificuldade em estudar e entender o transtorno em si. Barkley (2002) admite que muito se avançou nos últimos 25 anos e que talvez esse avanço seja o mais significativo dentro do histórico do TDAH. O autor cita em trecho da página 12 a confusão e os equívocos causados pelos cientistas e o avanço sofrido recentemente:

Durante várias décadas, a maioria dos profissionais clínicos operou segundo noções falaciosas de que o TDAH era causado pelo cuidado inadequado dos pais; de que as crianças eventualmente superariam tais dificuldades na adolescência; de que remédios estimulantes seriam eficazes

apenas com crianças (não com adultos ou adolescentes mais velhos) e que deveriam ser utilizados apenas em dias de aula; de que crianças com TDAH se beneficiariam de uma dieta livre de certos aditivos alimentares e açúcar - tudo isso apesar da ausência de qualquer conjunto de achados na literatura científica que apoiasse tais argumentos. Mais recentemente, alguns autores têm argumentado que o transtorno decorre do ato de jogar vídeo games em excesso, de ver TV exageradamente ou do ritmo acelerado da cultura moderna. Nós agora, compreendemos que muitas crianças com TDAH possuem manifestações herdadas ou genéticas do transtorno, que muitas não superam seus problemas na adolescência, que a medicação pode ser tomada durante um ano aproximadamente por adolescentes, adultos e por crianças, e que a alteração de dietas proporciona muito poucos benefícios

para a maioria das pessoas com TDAH. [

Quão longe fomos em apenas

25 anos de pesquisa! De fato, mudanças excitantes, algumas profundas, tiveram lugar nos últimos anos. Tais mudanças fazem parte não apenas de um melhor entendimento das causas do TDAH, mas também de uma compreensão científica mais rica da natureza do fenômeno, que vem mudando radicalmente a maneira como encaramos o transtorno.

]

A despeito da dificuldade de caracterização deste Transtorno, hoje a Organização Mundial de Saúde, através da sua Classificação Internacional de Doenças (CID, em sua última versão a CID-10) apresenta o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade sob o código F 90.0 e o caracteriza como um Transtorno hipercinético.

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2.2 Definições e Conceitos

Barkley (2002, p.35) esclarece que o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade ou TDAH como sendo um transtorno no desenvolvimento do autocontrole que consiste em problemas com os períodos de atenção, com o controle do impulso e com o nível de atividade. O autor ainda coloca que esses problemas são refletidos na vontade da criança ou na sua capacidade de controlar o seu comportamento em relação à passagem do tempo (referindo-se às consequências e futuros objetivos). No trecho a seguir, explicita outras características para descrever o portador e/ou o transtorno:

Não se trata apenas de uma questão de estar desatento ou hiperativo. Não se trata apenas de um estado temporário que será superado, de uma fase probatória, porém normal, da infância. Não é causado por falta de disciplina ou controle parental, assim como não é o sinal de algum tipo de “maldade” da criança. O transtorno de déficit de atenção/hiperatividade é um transtorno real, um problema real e, frequentemente, um obstáculo real. Ele pode ser um desgosto e uma irritação.

Leal e Nogueira (2011, p. 119) também esclarecem o TDAH através do olhar de Phelan (2004) e da Organização Mundial de Saúde como sendo um transtorno de origem genética, podendo ser acompanhado de hiperatividade ou não, tendo como ponto central o sintoma da desatenção, assim como a impulsividade (considerados comportamentos negativos, pois podem gerar desobediência, problemas sociais e desorganização). Boynton e Boynton (2008, p.149), na busca pela resolução de problemas disciplinares em instituições escolares, retratam da seguinte forma o indivíduo portador do TDAH:

As características neurológicas e comportamentais do TDAH incluem problemas de atenção, aumento do nível de atividade e decréscimo do controle de impulsos. Os sintomas englobam: distração, dificuldade de ouvir e se manter focado na tarefa, dificuldade de seguir instruções, tendência a pular de uma tarefa a outra, dificuldade de controlar materiais e tarefas e uma tendência a se frustrar e a ser dominado pelas emoções. Sem intervenção, os alunos com TDAH podem cair num ciclo de frustrações e não acompanhar a classe, e seus comportamentos podem ter uma influência negativa em suas conquistas e em seu sucesso na escola. Zametkin e colaboradores (1993) afirmam que o TDAH é genético, resultado de problemas na atividade de certas zonas cerebrais, como a do controle

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dos impulsos, da atenção e da sensibilidade a recompensas e a punições. Mackenzie (1996) afirma que o aspecto positivo desse transtorno é que ele pode ser tratado, e que o diagnóstico precoce e o tratamento podem beneficiar muito os alunos. As avaliações do TDAH envolvem uma bateria de testes médicos, psicológicos, comportamentais e acadêmicos conduzidos por vários profissionais médicos e educacionais. Inclui o uso de instrumentos, tais como escalas de variação comportamental, observações, dados sobre a história pessoal e históricos escolares.

Mas há uma questão mais séria dentro da conceituação e do histórico relativo à TDAH. Moysés e Collares (2010, p.70) retratam que a dificuldade dentro do processo ensino-aprendizagem está sendo tratada quase que exclusivamente como “doenças do não-aprender e do comportamento”. As autoras demonstram que a dificuldade em lidar com o fracasso escolar tem feito com que os especialistas de modo geral transformem essas dificuldades em doenças para que, uma vez o aluno “doente” ele possa ser submetido a um tratamento medicamentoso. As pesquisadoras colocam que existe uma dificuldade clara em diagnosticar as “doenças do não-aprender” (especialmente a dislexia e o TDAH). No caso específico do TDAH elas indicam que o diagnóstico deste transtorno é praticamente o mesmo da Disfunção Cerebral Mínima e alertam de forma preocupante em relação à conceituação e diagnose do transtorno:

Após aprendermos que o diagnóstico de TDAH é feito com base nos sintomas relatados pelo paciente ou seus familiares e devidamente interpretados por um especialista, somos informados que não há nenhum exame que dê o diagnóstico. Embora baseado em um questionário disponível na página para ser impresso e respondido por familiares, professores e quem mais quiser, a ênfase é grande e compreensível: o diagnóstico só pode ser feito por um especialista. Palavra mágica: transmite rigor e confiança e defende o mercado de trabalho! O critério A (Snap IV), por sua vez, é composto de 18 perguntas; as nove primeiras se referem a desatenção e as seguintes a hiperatividade e impulsividade. Respondendo afirmativamente a seis itens em um subgrupo, está feito, respectivamente, o diagnóstico de predominância de déficit de atenção ou de hiperatividade no TDAH que, na verdade, já fora definido quando os pais foram convencidos de que a criança tinha problemas. Em síntese, até aqui, essa história fala de um construto ideológico, sem qualquer embasamento científico, que muda constantemente de nome e aparência, sem que se altere nada em sua essência, isto é, a biologização de seres culturais, datados e situados nas palavras de Paulo Freire (1976), na busca de homogeneidade da humanidade, com rotulação e estigmatização dos que não se submetam.

A seriedade das colocações das autoras são gravíssimas. Em trecho adiante no livro supracitado elas afirmam que além do diagnóstico incerto sobre a TDAH, há

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um sério equívoco dentro do processo de tratamento deste transtorno: a medicação do indivíduo portador. E apontam que a ideia da medicação do indivíduo ganhou força nos Estados Unidos, cuja indústria farmacêutica busca “ampliar o número de pessoas aprisionadas e apropriadas” (Moysés e Collares, 2010, p.94). Ainda na discussão da medicação dos indivíduos, as autoras citam Moynihan e Cassels (2007), jornalistas-investigadores que buscam revelar as estratégias da indústria farmacêutica para criar doenças e vender medicamentos para curá-las, afim de aumentar seus lucros, em trecho citado por Moysés e Collares (2010, p.94):

As estratégias de marketing das maiores empresas farmacêuticas almejam agora, e de maneira agressiva, as pessoas saudáveis. Os altos e baixos da vida diária tornaram-se problemas mentais. Queixas totalmente comuns são transformadas em síndromes de pânico. Pessoas normais são, cada vez mais, pessoas transformadas em doentes. Em meio a campanhas de promoção, a indústria farmacêutica, que movimenta cerca de 500 bilhões de dólares por ano, explora os nossos mais profundos medos da morte, da decadência física e da doença.

E ainda no mesmo âmbito, as autoras tocam num ponto chave em relação à TDAH: o uso de medicamento específico para tratamento deste transtorno explodiu nos Estados Unidos (e cujo modelo é utilizado também no Brasil). O ponto é que a Organização Não-Governamental (ONG) que corrobora o uso do medicamento através de sua pesquisa recebe ajuda financeira do laboratório produtor do mesmo medicamento. Segue o trecho:

Recentemente tem chamado a atenção do DEA que a Ciba-Geigy (fabricante do produto à base de metilfenidato sob o nome comercial Ritalina) contribuiu com US$ 748.000,00 para a CHADD, no período de 1991 a 1994. O DEA sabe que a profundidade da relação financeira com a empresa não é conhecida do público, incluindo membros da CHADD que nela têm se apoiado como guia para o diagnóstico e tratamento de suas crianças. (MOYSÉS E COLLARES, 2010, P.94)

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3 METODOLOGIA

3.1 Delineamento da Pesquisa

Dentro da questão da metodologia, faz-se necessário que se delimite como se dá o estudo do método. Segundo Cervo, Brevian e Da Silva (2007, p.30) “o método se concretiza como o conjunto das diversas etapas ou passos que devem ser seguidos para a realização da pesquisa e que configuram as técnicas”.

Os autores supracitados especificaram que o objeto de investigação é que determina o tipo de método a ser empregado no estudo, no caso, experimental ou racional. Ambos empregam técnicas específicas mas também há técnicas comuns a ambos. Em geral, essas técnicas é que compõem o método científico, mas elas devem ser adaptadas ao objetivo da investigação. Por técnica os autores colocam que é “todo procedimento científico utilizado por uma ciência determinada no quadro das pesquisas próprias dessa ciência”.

No caso deste trabalho especificamente, foi escolhida a forma de pesquisa chamada descritiva. Cervo, Brevian e Da Silva (2007 p. 61) especificam que a pesquisa descritiva “observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos (variáveis) sem manipulá-los. Procura descobrir a frequência com que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros”.

Dentro da pesquisa descritiva o ramo metodológico sugerido foi o estudo de caso. Segundo Barros e Lehfeld (2007, p. 112) a origem do termo remonta à

“pesquisa médica e psicológica, referindo-se à análise minuciosa de um caso individual, explicativa de patologias”. Chizotti apud Barros e Lehfeld (2007, p. 112)

uma modalidade de estudo nas ciência

sociais, que se volta à coleta e ao registro de informações sobre um ou vários casos

particularizados, elaborando relatórios críticos e organizados e avaliados, dando margem a decisões e intervenções sobre o objeto escolhido para a investigação”.

caracteriza o estudo de caso: “[

]como

No entanto, Chizotti (2007) especifica que pode-se realizar o estudo de caso somente tipificando um indivíduo mais acentuado em uma organização institucional, como centros industriais, comerciais, bairros, hospitais, etc. O autor ainda coloca que Os estudos de caso podem se dividir em: a) históricos organizacionais: quando se trata de uma instituição que se deseja examinar. B) Observacionais: ligados à

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pesquisa qualitativa e participante, utilizando em alta escala a observação. C) Histórias de vida: técnica de pesquisa realizada pela avaliação de dados coletados em documentos e depoimentos orais registrados pelo pesquisador ou pelo próprio entrevistado.

3.2 Definição da área e população-alvo

Área: Colégio particular de Ensino Fundamental do interior do Estado de São Paulo. População-alvo: professores de Ensino Fundamental II desta instituição.

3.3 Materiais e Instrumentos

Para coletar os dados para análise deste trabalho definiu-se que o melhor Instrumento de coleta seria um questionário com 12 questões abertas, sem respostas direcionadas, ou seja, de resposta livre e espontânea (Anexo A).

Barros e Lehfeld (2007, p.107) explicitam as vantagens e desvantagens da utilização de um instrumento de coleta com questões abertas. Como vantagem da utilização da citação aberta os autores colocam os seguintes argumentos: a possibilidade de o pesquisador abranger maior número de pessoas e de informações num curto espaço de tempo (comparado à outras técnicas de pesquisa), a facilidade de tabular e tratar os dados obtidos, principalmente se for elaborado com um grande número de perguntas fechadas e múltipla escolha, o tempo de resposta do pesquisado pode se refletir em respostas mais elaboradas, a garantia do anonimato dá mais liberdade às respostas possibilitando uma influência menor do pesquisador e por fim, a economia de tempo e recurso financeiro na sua aplicação.

Os autores supracitados colocam como desvantagem os seguintes pontos de vista: limitação do questionário, grau de confiabilidade das respostas obtidas (será que é possível confiar na veracidade das informações?), além da necessidade de elaborar questionários específicos para cada segmento da população, a fim de obter uma maior compreensão do fenômeno observado. Um ponto extremamente negativo

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apontado pelos autores é o fato do questionário não poder ser aplicado aos analfabetos.

3.4 Procedimentos

Num primeiro momento foi realizada a leitura crítica e sistemática da literatura levantada, com posterior fichamento dos livros, retirando segmentos que poderiam servir de embasamento nas diversas partes do trabalho. Em seguida, após pesquisa sobre o assunto, foi elaborado o questionário para ser aplicado aos professores.

A entrega dos questionários aos professores foi realizada, e foi especificado que eles poderiam responder livremente, no período de uma semana, às questões propostas pela autora. Após uma semana, nem todos os questionários foram devolvidos, mas chegou-se a um total de 8 questionários respondidos.

Após a entrega foi feita a análise individual de cada questão, anotando-se quais as principais informações contidas e se havia semelhança entre os relatos observados dos professores participantes.

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4 PLANO DE ANÁLISE DOS RESULTADOS

4.1 Dados Coletados

A coleta de dados se deu através de um questionário aberto, ou seja, com questões de livre resposta, de acordo com a percepção de cada professor convidado. Foram distribuídos aproximadamente 30 questionários, mas apenas 8 pessoas devolveram o questionário respondido. Abaixo seguem as questões propostas para reflexão do corpo docente do referido colégio:

Dados iniciais a informar pelo entrevistado: gênero, idade, ano de formatura e tempo de atuação com crianças com o diagnóstico de TDAH. Questões abertas: 12, constantes do anexo A deste trabalho.

4.2 Análise dos Dados

Dos dados apresentados em relação ao gênero, 100% dos questionários foram respondidos por mulheres. As idades variavam entre 22 e 45 anos, sendo que um questionário não foi respondido o questionamento acerca da idade. Em relação ao tempo de formado: as respostas variaram entre 2 anos e 15 anos de formada. Já em relação ao tempo de atuação com crianças portadoras do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade as respostas variaram entre 1 e 12 anos, sendo que 2 pessoas não informaram o tempo de atuação.

Na primeira questão os professores foram questionados da seguinte forma:

“Quantas crianças com diagnóstico de hiperatividade ou TDAH você atende atualmente?”

Em geral os professores foram diretos, apenas alguns colocaram o fato de trabalhar com crianças diagnosticadas oficialmente ou através de laudos médicos. Os números variaram entre 0, 1, 2 e 3. Não apareceu número superior a três. Não há especificação se as crianças localizam-se na mesma sala, série ou não.

Na questão número dois, apareceu a seguinte pergunta: Quais são as principais queixas comportamentais que preocupam os pais ou responsáveis? As respostas variaram muito, mas as que mais apareceram nos comentários foram:

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Desatenção (3 respostas)

Dificuldade em concentrar-se para realizar tarefas básicas ou dificuldade em manter o foco (2 respostas)

Excesso de brincadeiras (2 respostas)

Comentários acerca da dúvida sobre o filho ser capaz de aprender o conteúdo escolar (2 respostas).

Outras respostas também apareceram pelo menos uma vez, tais como: gostar de ser o centro das atenções, falta de iniciativa, não conseguir transmitir recados, necessitar atenção especial, não conseguir acompanhar os outros alunos, falta de organização, falta de compromisso/responsabilidade, não finalizar as atividades, dispersão durante a aula.

Na questão 3 o questionamento foi: Quais as principais queixas escolares sobre esses portadores de TDAH? As respostas que mais apareceram foram:

Desatenção (5 respostas)

Falta de organização (3 episódios)

Não finalizam as atividades (2 respostas)

Falta de comprometimento da família (descaso ou atribuem a

responsabilidade à escola – 2 respostas) Ainda na questão 3 apareceram outras respostas como: falta de concentração, inquietude, dificuldade em realizar as tarefas em silêncio, dificuldade de trabalhar em sala de aula, aluno requer mais atenção que os outros, aluno atrapalha os outros, falta de responsabilidade/compromisso do aluno, impulsividade, necessitam de várias explicações para executar as atividades, não acompanha o ritmo da turma, desinteresse, dependência do professor , irritabilidade e ansiedade. Na questão 4 foi perguntado: Que tipo de instrumento de avaliação é/foi utilizado para o diagnóstico dessas crianças? As respostas mais comum foi o encaminhamento para um especialista diagnosticar. Mas apareceram outras respostas, tais como: laudos de vários profissionais, testes feitos por profissionais, trabalhos realizados em sala de aula (tarefas, provas e cadernos), parceria escola/outros profissionais, avaliação neuropsicológica. Na questão 5 aparece: O diagnóstico é realizado por um ou mais profissionais? Quais profissionais? As respostas mais comuns foram: Neurologista (7

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respostas), Psicólogo (7 respostas), Psicopedagogo (5 respostas) e Fonoaudiólogo (3 respostas). Na questão 6 perguntou-se: Normalmente ou mais comumente, qual o tratamento indicado para estes alunos? Em 6 respostas apareceu o item tratamento medicamentoso. Em duas ocasiões os professores responderam que aumentou o tratamento medicamentoso. E em apenas uma vez em todos os questionários apareceram as seguintes respostas: terapêutico com vários profissionais, combinação terapêutico-medicamentoso-pedagógico, técnicas/orientação ao portador, aulas particulares e fonoaudiólogo, psicoterapia. Na questão 7 foi perguntado: Como é realizado ou sugerido o acompanhamento dessas crianças em relação à escola? E em relação aos pais ou responsáveis? Respostas mais comuns:

A critério do professor, mas a escola recomenda mais atenção ao aluno (3 respostas)

Aos pais: procurar tratamento com multiprofissionais (2 respostas)

Acompanhamento de uma tutora na sala de aula (2 respostas)

Acompanhamento individual, atividades diferenciadas, critérios de avaliação especiais.

Aos pais: estudo diário, auxílio na execução das tarefas, leitura, continuidade no tratamento.

Parceria escola/família.

Professor: paciência e pulso firme, avaliação diferenciada.

Escola: propor atividades que o aluno consiga executar e concluir, trabalhar o foco/atenção e a organização do aluno.

Aos pais: ajudar na organização, estabelecer uma rotina bem definida, incluir a criança nas atividades da família com tarefas do dia-a-dia. Se possível acompanhamento profissional.

Na questão 8 apareceu: O que você considera mais difícil: o diagnóstico, tratamento ou acompanhamento dessas crianças? Em 7 questionários apareceu o tratamento, em um apenas o diagnóstico e em dois o acompanhamento. Em geral os professores colocaram que a aceitação da família em relação ao diagnóstico é um entrave sério ao acompanhamento deste aluno. A família tem dificuldade em reconhecer problemas nos seus membros. Os professores também colocam que a

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família também tem dificuldade em aceitar as orientações da equipe multidisciplinar.

Na questão 9 a pergunta foi: Há diferença nos resultados de acordo com o tratamento/manejo indicado? Sete pessoas responderam que sim que o tratamento feito com seriedade e responsabilidade sempre apresenta um resultado positivo, por menor que seja. Alguns citaram que o interesse da criança em relação à escola melhorou, que se relacionam melhor com os amigos, mas que para acontecer isso é fundamental o papel e o empenho da família. Uma professora colocou que existe ressalva ao tratamento medicamentoso pois deixa a criança sedada, com aspecto apático e com ações lentas. Mas em contrapartida, outra professora disse que o efeito do tratamento se dá de forma mais rápida com a utilização do remédio.

Na questão 10: a que você atribui à causa desse transtorno? Cinco pessoas responderam que à genética e aos problemas familiares (como duas causas separadas). Apareceu em segundo lugar, com dois votos: problemas na gravidez e com uma menção apareceram as seguintes respostas; neurobiologia, neuroquímica, sofrimento fetal, problemas sociais, problemas físicos, problemas mentais, distúrbios neurológicos, depressão infantil, traumas, problemas psicológicos, não tem opinião formada.

Questão 11 perguntou-se: Você acha que nos últimos anos houve aumento do número de crianças com esse diagnóstico? Se sim, a que você atribui esse aumento? Os oito participantes foram unânimes em responder que sim. As causas do aumento é que variaram de participante para participante: sendo que em três ocasiões os professores responderam que a facilidade dos profissionais em “rotular” os alunos ativos demais e os desatentos com TDAH e medicá-los é uma solução mais “fácil”. Em duas respostas apareceu o item desestrutura familiar; outras respostas citadas foram: o aumento do conhecimento dos profissionais da educação sobre o assunto, alimentação inadequada (excesso de corantes, hormônios e alimentos processados industrialmente), número reduzido de filhos, pais que delegam a educação para avós ou empregados, pais culpados por falta de tempo e compensam os filhos com presentes e falta de limites.

A questão 12 ficou aberta aos comentários, mas nenhuma resposta ou comentário foi sugerido pelos professores.

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4.3 Cuidados Éticos

Todos os entrevistados foram esclarecidos sobre a temática e os objetivos desta pesquisa, tiveram preservada a garantia de anonimato e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, conforme consta na legislação (Resolução do CNS 196/96), obtiveram a garantia de não haver danos de nenhuma natureza e foram informados acerca da relevância social da pesquisa para o colégio da qual fazem parte. Todos concordaram em participar e não houve nenhuma recusa em participar da pesquisa em função do objeto de estudo abordado ou dos termos éticos sugeridos aos participantes.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

5.1 Conclusões

Para concluir gostaria de retomar os objetivos propostos no início deste trabalho que gira em torno de (em primeiro plano): analisar o panorama de percepção dos professores de um colégio particular do interior do Estado de São Paulo acerca da TDAH.

Dentro da análise do panorama as primeiras percepções que tive ao analisar os questionários: poucos professores tiveram boa vontade em responder às questões, já que isso demandaria tempo e disposição para esclarecer quais são seus pontos de vista acerca da TDAH e como ela é trabalhada dentro do colégio (vale esclarecer que houve troca da coordenação pedagógica recentemente, o que pode ter influenciado nas respostas, visto que não há uma política direta de tratamento do TDAH, mas sim uma análise caso a caso).

Ainda dentro da análise acerca dos questionários, uma primeira impressão que alguns professores tiveram problemas em se organizar para responder às questões, já que elas foram entregues de forma displicente, sem revisão, à lápis, num dos casos com total falta de organização entre as respostas, que nem sequer seguiam uma linha coerente (linha no sentido gráfico e não ideológico).

Outro ponto que me chamou a atenção foi a demora em entregar as respostas: como não era uma atividade obrigatória, muitos demoraram a entregar ou nem se preocuparam em dar uma devolutiva em relação à atividade proposta.

Os poucos que responderam se esforçaram em tentar responder aos questionamentos. De modo geral percebi que não há um direcionamento específico do colégio em relação ao Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade, o que há é uma boa vontade dos professores em lidar com os casos aparentes. Também é perceptível que há apenas um caso oficial diagnosticado com laudos de vários especialistas, mas há nitidamente mais casos dentro da escola, a questão é que não ficou claro entre os profissionais consultados como diagnosticar de forma efetiva e que tipo de profissional procurar em primeiro lugar para que esse diagnóstico seja feito.

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Assim, posso perceber que o panorama dentro do colégio é um pouco confuso, visto que não há um direcionamento concreto, mas não é algo extremamente preocupante, já que as atitudes não são de omissão por parte do colégio, mas em geral por desconhecimento das famílias e seu despreparo em lidar com o problema.

Seguindo a análise conclusiva acerca, agora, dos objetivos específicos:

conhecer as principais dificuldades dos professores em trabalhar com crianças portadoras de TDAH.

Em geral, os profissionais têm apresentado mais conhecimento sobre o assunto, o que facilita o acompanhamento do aluno, mas é notório que de modo geral, o professor se sente numa batalha difícil, principalmente pelo fato da família se omitir ou não conseguir lidar com o membro portador, no nosso caso, as crianças.

Outra questão dos objetivos específicos gira em torno da identificação das queixas dos profissionais. No caso das queixas dos profissionais: Os professores foram taxativos em afirmar que isso se dá por conta da desestrutura que as famílias se encontram. De modo geral, as famílias têm se constituído de formas diferentes, com membros diferentes das chamadas famílias tradicionais. Ser diferente não é empecilho para que as famílias criem e desenvolvam de forma adequada suas crianças. O que é um enorme empecilho hoje (e as respostas citam isso) é o fato das famílias se omitirem no cuidado e criação de seus novos membros. Muitos pais não querem ou não conseguem educar de forma adequada seus filhos, pois essa é uma tarefa árdua, que requer paciência e persistência. Assim muitos delegam essa função aos avós, tios, empregados e outras pessoas, eximindo-se dos problemas, mas também dos bons frutos que poderiam colher. Certamente lidar com os problemas familiares gera mais frustração aos pais que não mantém um mínimo de equilíbrio em relação à resolução de seus problemas mínimos, que dirá problemas com as crianças.

Outra questão para investigação girou em torno das queixas e preocupações dos pais acerca do problema. Em geral os pais, segundo a visão dos professores, são em sua maioria, omissos ou não sabem lidar com problema de forma satisfatória. As queixas em geral refletem a falta de conhecimento ou de tato para lidar com o problema: queixas como “meu filho não sabe transmitir um simples recado”, ou ao relatar a distração do filho com tarefas simples do cotidiano, parecem

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situações sem solução, que em geral podem ser resolvidas com persistência e atitudes firmes (não violentas) por parte deles. A falta de envolvimento por parte da família cria um vácuo difícil de ser superado.

De modo geral, concluo que o panorama acerca do conhecimento dos profissionais sobre o Transtorno de Déficit de Atenção por Hiperatividade é bom, mas pode melhorar a partir das sugestões a seguir.

5.2 Sugestões

A formação de um grupo para discussão dos problemas comuns acerca da TDAH, com participantes relatando suas experiências e recontando aos outros profissionais das séries seguintes (que futuramente trabalharão com os alunos diagnosticados) os problemas e as atividades e atitudes que mais surtiram efeitos com esses alunos é um bom começo para que velhos erros não sejam cometidos novamente.

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REFERÊNCIAS

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