Pablo Stolze – Aula 3 - Direito Civil
Existência / Surgimento/ Constituição da pessoa jurídica Em regra geral, a existência da pessoa jurídica deriva da inscrição do seu ato constitutivo (contrato social ou estatuto) no registro público competente (em gera, Junta Comercial ou CRPJ), consoante o artigo abaixo:
CC Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. O registro de nascimento da pessoa física declara o que já existe, sendo ato declaratório. Já o registro da pessoa jurídica, ao contrário da primeira, dá início a personalidade da pessoa jurídica, sendo ato CONSTITUTIVO. FD JC O ato constitutivo de uma pessoa jurídica é o contrato social ou estatuto. A inscrição, em geral, é feito no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial) ou Cartório de Registro Civil de Pessoa Jurídica (CRPJ). Insta dizer que para algumas pessoas jurídicas existirem, não basta a inscrição do respectivo registro do ato constitutivo; é necessária uma autorização específica do Poder Executivo para a constituição e o funcionamento desta, sob pena de inexistência, conforme entendimento de Caio Mário (ex1: instituição financeira VS autorização do BACEN/ ex2: seguradoras VS autorização da SUSEP). A falta do registro público do ato constitutivo caracteriza o ente como sociedade despersonificada (antes do CC/02 chamada de irregular ou de fato), sendo disciplinada a partir do art. 986, do CC de 2002. Embora tecnicamente despersonificada, esta sociedade gera responsabilidade pessoal e ilimitada dos sócios.
reger-se-á a sociedade. subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis. cautelar e especial. VIII . as sociedades. VI . 12 do CPC. Serão representados em juízo. *frisa-se: não são tecnicamente pessoas jurídicas.a herança jacente ou vacante. A Lei n. § 2o . o espólio. por seu Prefeito ou procurador. Vale lembrar. representante ou administrador de sua filial. . acrescentou. IX . §1o Quando o inventariante for dativo. parágrafo único). mas apenas entes despersonificados (também chamados de personificação anômala por MHD) com capacidade processual. os Estados. nos termos do art. a massa falida* e a herança jacente.a massa falida.as sociedades sem personalidade jurídica. por quem os respectivos estatutos designarem. por seus diretores. de execução.As sociedades sem personalidade jurídica. não os designando. que também NÃO são pessoas jurídicas. Enquanto não inscritos os atos constitutivos. por sua vez. ativa e passivamente: I .CC Art. ou. agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil (art. 10.825/03.o condomínio. pelo síndico. III . 12. exceto por ações em organização. II . pelo gerente.as pessoas jurídicas. por seu curador. embora tenham CNJP. as organizações religiosas e os partidos políticos. pelo administrador ou pelo síndico. pelo inventariante. IV . 88. VII . quando demandadas. todos os herdeiros e sucessores do falecido serão autores ou réus nas ações em que o espólio for parte. em incisos autônomos.o espólio. V . pelo disposto neste Capítulo. por seus procuradores. § 3o O gerente da filial ou agência presume-se autorizado. 986. as normas da sociedade simples.a pessoa jurídica estrangeira. observadas.o Município.a União. o condomínio*. ESPÉCIES DE PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PRIVADO Nos termos da redação original do artigo 45 do CC eram pessoas jurídicas de direito privado tão-somente as associações. pela pessoa a quem couber a administração dos seus bens. a receber citação inicial para o processo de conhecimento. CPC Art. não poderão opor a irregularidade de sua constituição. o Distrito Federal e os Territórios. bem como as fundações. pela pessoa jurídica estrangeira.
podendo incorrer. II .12. sociedades e fundações. Art. as igrejas evangélicas e os partidos políticos. 2031 do CC estabeleceu o prazo de um ano para que as entidades. de 2005) Parágrafo único. Estes foram colocados em incisos distintos das associações.031. para que o Poder Público as excluíssem da submissão a estas novas regras.as associações. (Incluído pela Lei nº 10.as sociedades. .825/03. deverão se adaptar às disposições deste Código até 11 de janeiro de 2007. mas agora já cessou). O art. As associações. São pessoas jurídicas de direito privado: I . na responsabilidade pessoal dos seus sócios ou administradores.825. aí fez tal alteração a fim de excluir as organizações religiosas e os partidos políticos das modificações (em razão da pressão das igrejas e partidos políticos). pressionaram por meio de sua força política. Frisa-nos que o legislador fez tal alteração.127. 2. Em suma: alteraram os artigos 45 e 2031 do CC. Temendo a aplicação deste dispositivo.as organizações religiosas. passaria a atuar de forma irregular e não poderia: participar de licitações. caso haja omissão da legislação que trata dos partidos. não obrigados a se adaptarem ao novo CC. bem como os empresários.2003)) Enfim. Desse modo. em virtude das forças políticas das igrejas evangélicas e dos partidos políticos. com a redação dada pela Lei 10. (Redação dada pela Lei nº 11. Os partidos políticos também devem utilizar subsidiariamente o regime jurídico das associações. O disposto neste artigo não se aplica às organizações religiosas nem aos partidos políticos. As organizações religiosas devem seguir o regime jurídico das associações. espécie de associação V . constituídas na forma das leis anteriores. obter linha de crédito em banco.as fundações.os partidos políticos. Se uma sociedade (pessoa jurídica) não se adaptasse ao novo CC. existentes antes deste diploma legal. se adaptassem ao novo diploma civil (depois o prazo ainda foi ampliado. 2031 do CC. as organizações religiosas e partidos políticos são formas de associações. de 22. as últimas inserções são espécies de associações (organizações religiosas e partidos políticos. IV . as organizações religiosas e os partidos políticos ficaram blindados do art. dentre outras conseqüências. inclusive. pois o novo CC trouxe “n” regras para as associações. III . 44. espécie de associação Contudo.CC Art.
morais. que o instituidor faz para realizar finalidade ideal ou não lucrativa (fins religiosos. 62. especificando o fim a que se destina.VER NO MATERIAL DE APOIO 02. 2032. Para criar uma fundação. mas sim da AFETAÇÃO DE PATRIMÔNIO.re. 62. in verbis: Art. por testamento ou escritura pública. CC” IN VERBIS: É assunto que cuida do direito intertemporal. Parágrafo único. a maneira de administrá-la. se quiser. culturais ou de assistência). culturais ou de assistência.“DRAMA EXISTENCIAL DO ART. consoante art. o seu instituidor fará. morais. o qual é de suma importância para os concursos públicos. cu. Fundação mo. e declarando. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos. do CC. por escritura pública ou testamento. dotação especial de bens livres. FUNDAÇÃO (importante para MP) As fundações (de direito privado) resultam não da união de indivíduos.ass .
A fundação. Obs. e para atuarem em parceria com o Poder Público devem se qualificar como organização da sociedade civil de interesse público (Lei 9. Prova objetiva: Escritura pública. E. a dotação especial de bens livres e. O estatuto pode ser elaborado pelo próprio fundador (instituição direta) ou fiduciariamente (instituição fiduciária). especificará o fim a que se destina. Porém. e c) elaboração do estatuto da fundação. logo. por meio de uma escritura pública ou de um testamento. Portanto. não se pode por meio de instrumento particular criar uma fundação (ex: codicilo). não é grupo de pessoas. para formar uma fundação observam-se os seguintes requisitos: a) afetação de bens livres do instituidor. A lei não especifica o tipo de testamento deve ser utilizado para criação da fundação. para logo após. o qual é elaborado nos termos do art. ainda. É o ato normativo da fundação.: as organizações não-governamentais – ONGs somente podem se constituir como associações ou fundações. REQUISITOS PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA FUNDAÇÃO: 1º realizar a afetação ou o destacamento de bens livres do instituidor. Daí o porquê da fiscalização do MP a fim de evitar lavagem de dinheiro e outras fraudes. permite-se ambos os tipos). já na fundação. Para criar uma fundação. b) por meio de escritura pública ou testamento. o foco são os bens. um patrimônio destacado pelo fundador que se personifica para perseguir uma finalidade ideal. mas sim. poderá declarar a maneira de administrá-los. ser elaborado o estatuto.790/99). . Toda fundação deve ter um. diferentemente da associação.: fundação pode gerar receita (o que difere de lucro – situação em que o din din reverte para a instituição e não ao sócio). 2º a sua instituição só poderá ser feita por escritura pública no Tabelionato de Notas ou por testamento (formas em geral).Obs. A fundação que adquire receita própria deve ter os valores reinvestidos nela própria. 3º a elaboração do estatuto da fundação: é o ato constitutivo organizacional da fundação é o estatuto. e Testamento (não fala qual o tipo. Na associação. o foco são as pessoas (coorporações). o seu instituidor fará.
62). pois tem atribuição legal e constitucional de fiscalizá-las. 4º a aprovação do estatuto: em geral. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. A fundação é de interesse público. em tendo ciência do encargo.65 do CC: Instituidor. e Subsidiariamente pelo MP. à aprovação da autoridade competente. PAPEL DO MP E AS FUNDAÇÕES O MP (estadual) tem um papel essencial nas fundações. submetendo-o. Incumbirá ao órgão do Ministério Público elaborar o estatuto e submetê-lo à aprovação do juiz: I . II . supletivamente poderá elaborar o estatuto caso o terceiro incumbido não o faça.202 do CPC estabelece que a aprovação do estatuto seja feita pelo juiz. 66. a incumbência caberá ao Ministério Público. a estranha norma do art. formularão logo. em 180. não havendo prazo. seja a de direito privado.202. em seguida. a incumbência caberá ao Ministério Público. Terceiro a quem delegue fiduciariamente o encargo. para se considerar constituída a fundação. . ou. 65. o seu estatuto deverá ser devidamente REGISTRADO no CRPJ – Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. ou. ou seja. Por este motivo é que estatuto elaborado por àqueles deverá ser aprovado previamente pelo MP.quando a pessoa encarregada não cumprir o encargo no prazo assinado pelo instituidor ou. com recurso ao juiz. CC Art. 1. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor. o MP. seja a fundação de direito público. dentro em 6 (seis) meses.quando o instituidor não o fizer nem nomear quem o faça. caso seja o próprio MP. 5º finalmente. quem aprova o estatuto quando for elaborado pelo instituidor ou por um terceiro. Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor. o estatuto da fundação projetada. não havendo prazo. de acordo com as suas bases (art. devendo sempre atuar sob fiscalização do Ministério Público. Contudo. 1. não havendo prazo. CC Art. a aprovação será feita pelo MP. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio. CPC Art. em cento e oitenta dias.
794-8) §2o Se estenderem a atividade por mais de um Estado. Assim.§1o Se funcionarem no Distrito Federal. Em princípio. caberá o encargo. em 10 dias. Se a fundação estender suas atividades em mais de um Estado.seja aprovada pelo órgão do MP. com o julgamento da ação. ou em Território. 68.seja deliberada por 2/3 (dois terços) dos competentes para gerir e representar a fundação. 67. Quando em funcionamento no Distrito Federal ou em Território. reconhecendo a usurpação da atribuição constitucional constante do p. Art. poderá o juiz supri-la. 1º. exigia maioria absoluta. quem fiscaliza é o MP estadual. o encargo era do MPF. a requerimento do interessado. III . ao respectivo Ministério Público.794 e o STF declarou a inconstitucionalidade deste dispositivo. Foi interposta a ADIN 2. 67 do CC alterou o quórum de deliberação para alteração do estatuto da fundação que. caso este a denegue. caberá a cada um dos MPs estaduais a fiscalização das atividades. ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público. se quiser. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime. a correta interpretação é no sentido de que fundação situação no DF deve ser fiscalizada pelo próprio MPDFT e não pela Procuradoria da União (MPF). O art. caberá o encargo ao Ministério Público Federal. do art. no CC anterior. ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público. se quiser. seja mantida por esta ou haja interesse que justifique a intervenção. 66. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I . Os artigos 67 e 68 do CC cuidam da alteração do estatuto de uma fundação. e. os administradores da fundação. em cada um deles. mas caso a fundação receba uma verba da União. em 10 (dez) dias. E o artigo 69 do CC cuida do destino de um patrimônio de uma fundação que cessa.não contrarie ou desvirtue o fim desta. . Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. Inclusive. (Vide ADIN nº 2. os administradores da fundação. pode atuar em parceria ao MP estadual. II . Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime. requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la. requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la. Art. nada impede que o MP Federal realize uma fiscalização.
dos resultados. sociedades simples.: uma sociedade não possui associados e sim sócios. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. lhe promoverá a extinção. incorporando-se o seu patrimônio. espécie de pessoa jurídica de direito privado. A sociedade é pessoa jurídica com objetivo de lucro ou objetivo econômico (ex: sociedades empresárias. ou qualquer interessado. o administrador. 977. bem como a partilha lucro. que se proponha a fim igual ou semelhante.Art. da fundação (estatuto)/aqui é CONTRATO SOCIAL. ≠ da fundação (bens)/ ≠ aqui temos um agrupamento de PESSOAS e não de bens. desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens. 69. SOCIEDADES Conceito: a sociedade. ou vencido o prazo de sua existência. Art. A intenção do legislador. impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação. O elemento teleológico (finalístico) lucro é o que a diferencia das associações. 977 do CC. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade. OBS. a forma societária. salvo disposição em contrário no ato constitutivo. Os casados pelo regime de comunhão universal que possuem sociedade formada antes do novo CC terão que desfazê-las ou se adaptá-las as regras deste novo CC? . os quais objetivam fins econômicos. é dotada de personalidade jurídica própria e visa fins econômicos. ao proibir que marido e mulher possam contratar sociedades. sociedades de economia mista e empresas públicas). o qual delimita o objeto. desde que não sejam casados no regime de comunhão universal de bens ou de separação obrigatória. ou no da separação obrigatória. ou no estatuto. para o exercício de atividade econômica e a partilha. Tornando-se ilícita. faculta-se aos cônjuges contratar sociedade. com bens ou serviços. instituída por meio de contrato social. entre si. foi evitar fraudes no regime de bens (legislador criou uma presunção de fraude). em outra fundação. designada pelo juiz. É juridicamente possível haver sociedade entre cônjuges? Segundo art. Este dispositivo é muito criticado devido a esta presunção. 981. entre si ou com terceiros. entre si ou com terceiros. o órgão do Ministério Público. CC Art.
Obs. empresarial é mais ampla que comercial. Caso não seja assim – constituir fundação ou associação. simples. as demais. a noção de comércio passou a ser substituída pelo conceito de empresa. considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito ao registro (art. CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES Tradicionalmente. não atinge sociedade entre cônjuges formada anteriormente ao novo CC. 982. pois dir. e b) formal (registro na Junta Comercial). 967). 977.atividade empresarial). torna a sociedade SIMPLES.: ao diferenciar as sociedades do CC/16 e do CC/02 cuidado (não falar das diferenças. No séc. ou seja.O Departamento Nacional de Registro de Comércio – Conselho Jurídico – DNRC/COJUR. A diferença entre sociedades civis e mercantis. considera-se empresária a sociedade por ações. XX. é que estas. no Brasil. Independentemente de seu objeto. Salvo as exceções expressas. praticavam atos de comércio previstos no rol taxativo do CCom de 1850. Atentar para a questão dos clubes de futebol. *DNRC: coordena as juntas comerciais. a cooperativa. Parágrafo único. perseguiam o lucro. as sociedades eram classificadas em civis e mercantis (comerciais). A doutrina especializada sustenta que uma sociedade . ora associação. evita-se contradição). simples. não se falando mais em sociedades civis e mercantis. em geral. Esta era a classificação tradicional. subdivide em sociedades simples e sociedades empresárias (≠ de empresarial – que é a atividade que esta exerce) . ausência de qualquer desses requisitos. assim. para alcançarem o lucro. e. A teoria da empresa (do código civil Italiano) modificou essa tipologia. Hoje sociedade tem finalidade lucrativa de forma obrigatória. firmou o entendimento correto de que o art. A sociedade é empresária quando se observam dois requisitos: a) material (realiza uma atividade econômica organizada . O novo CC. por meio do parecer jurídico 125/03. As sociedades civis não praticavam atos de comércio e as mercantis sim. O que havia em comum entre sociedades civis e mercantis era que ambas buscavam finalidades econômicas. e. 982 do CC: Art. A chave da diferença entre sociedades simples e empresária está no art. Uma sociedade para ser EMPRESÁRIA deverá conjugar um requisito material (exercício de atividade empresarial) e um requisito formal (registro na Junta Comercial). em respeito ao princípio do ato jurídico perfeito. ora sociedade. mas sim das semelhanças. A sociedade empresária tem um conceito mais abrangente que a antiga sociedade mercantil.
As SOCIEDADES SIMPLES. O magistrado poderá ser sócio. posteriormente. Na cooperativa. uma vez que prestam e supervisionam direta e pessoalmente a atividade desenvolvida. são sociedades prestadoras de serviços técnicos ou científicos. tendo em vista que o cooperado deve realizar a atividade fim (pessoalidade). a exemplo da sociedade de advogados ou de médicos. apenas articulam fatores de produção. em geral. como por exemplo. são registradas no CRPJ. a cooperativa de frota de táxi. tecnologia e matéria-prima). porém. definiu que a cooperativa é sociedade simples. Em geral. Ver AGRG no RESP 208241 DE SP. É certo que não estão sujeitas à falência e. bem como ao registro realizado perante a Junta Comercial. OBS. trabalho. em que os seus sócios não são apenas articuladores de fatores de produção. Esta sociedade tem a característica da impessoalidade. por sua vez. Por exceção.impessoal. A Lei 8. Os acionistas majoritários de uma instituição financeira. de adv. somados a característica tipicamente capitalista . ASSOCIAÇÕES Conceito: as associações são pessoas jurídicas de direito privado. Todavia. os sócios não praticam mais as atividades fins da sociedade (pessoalmente).empresária conjuga estes dois requisitos (formal e material). administrando a sociedade. Quanto às COOPERATIVAS. a sociedade de advogados é sociedade simples com registro perante a OAB. mas apenas articulam os fatores de produção. O seu registro é feito no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas. pois podem se transformarem em empresárias. Os sócios atuam como articuladores de fatores de produção (capital. se partilha o resultado do trabalho. É certo que as sociedades empresárias estão sujeitas a lei falimentar. não pode administrar. são tratadas como sociedades simples.934/94 obrigava as cooperativas a se registrarem na Junta Comercial (hoje no CRPJ). por força de lei. não prestando diretamente o serviço da empresa (impessoal). formadas pela união de indivíduos com propósito de realizarem fins não-econômicos (ex: clubes . a soc. por exemplo. A principal característica da sociedade simples é a pessoalidade.: vale observar que a sociedade anônima é sempre empresária e a cooperativa é sociedade simples. Cooperativa não é sociedade empresária. O novo CC. quanto aos médicos fica mais fácil. têm por nota a pessoalidade: os sócios realizam ou supervisionam a atividade desenvolvida – o fim da sociedade. pois não são os articuladores que exercem a atividade pessoalmente. Uma grande sociedade de advogados ou de médicos poderá se transformar em sociedade empresária. se mantém como simples (em razão do requisito formal – registro perante a OAB).
mas não é o órgão máximo. 53. III .as fontes de recursos para sua manutenção.os requisitos para a admissão. tendo em vista que não se trata de autoridade pública. II . cujo quorum será o estabelecido no estatuto. A associação tem por ato normativo. 59. não possuindo fins lucrativos. O presidente pode fazer parte dos conselhos. 53. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim. associação de moradores de bairros. . VII – a forma de gestão administrativa e de aprovação das respectivas contas. A associação pode gerar receita. O órgão máximo de uma associação é a assembléia-geral de associados. IV .).a denominação. VI . 59 do CC traz as atribuições das associações. o qual deve ser registrado no CRPJ (e responsável por sua organização). II – alterar o estatuto. É um grupo de pessoas que recebem personalidade jurídica. 54 do CC: Art. V – o modo de constituição e de funcionamento dos órgãos deliberativos. deve ser reinvestida nela própria. os sindicatos. Sob pena de nulidade. do CC.os direitos e deveres dos associados. ou melhor. Vejamos: CC Art. Compete privativamente à assembléia geral: I – destituir os administradores.recreativos. direitos e obrigações recíprocos. entre os associados. Os requisitos do estatuto estão previstos no art. Parágrafo único. o estatuto das associações conterá: I . o ato constitutivo da associação é seu ESTATUTO. segundo o art. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. ú. O art. etc. os fins e a sede da associação. 54.as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. Art. bem como os critérios de eleição dos administradores. Uma associação é composta por conselho fiscal e conselho administrativo. porém. Não há. demissão e exclusão dos associados. Parte da doutrina sustenta que não cabe MS contra ato de dirigente de sindicato. como acontece nas sociedades anônimas.
assim reconhecida em procedimento que assegure direito de defesa e de recurso. da operabilidade (cláusula aberta). regulando de forma inovadora. Frisa-se que dentre os princípios do CC (eticidade. 55. possuem direitos e deveres iguais. mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. culturais. O CC. etc. se omisso este. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa. 55 do CC). corporativos. dissolvida a associação. ou. Pegadinha de concurso: Art. nos termos do art. nos termos previstos no estatuto. de cidadania. ou seja. culturais. políticos. Os associados devem ter iguais direitos. 61 do CC. socialidade e operabilidade) é notória a presença do p. científicos. 57 do CC. Direitos fundamentais eficácia horizontal entre as partes. Art. Qual é o destino do patrimônio de uma associação extinta? Nos termos do art. regra geral. artísticos. A CF assegura a liberdade de associação para fins lícitos. As associações têm finalidades ideais. estadual ou federal de fins iguais ou semelhantes. o seu patrimônio será atribuído a entidades de fins não econômicos designadas no estatuto. esportivos. mas dentro de cada categoria os associados não podem ser discriminados entre si (art. vale lembrar que é possível a existência de categorias diferenciadas de associados. . educacionais. Ex: os fundadores terem voto de maior valor. 57. passou a admitir a exclusão do associado. será atribuído a instituição municipal. Não tem nada a ver a possibilidade de exclusão de condômino com base em tal artigo.