Estratégias de flexibilidade
infohabitar - revista do grupo habitar . Quinta-feira, Janeiro 18, 2007: http://infohabitar.blogspot.com/2007/01/estratgias-de-flexibilidade-na.html
ESTRATÉGIAS DE FLEXIBILIDADE NA ARQUITECTURA DOMÉSTICA HOLANDESA: da conversão à multifuncionalidade . Rita Abreu (1) e Teresa Heitor (2)
(1) Arquitecta, Mestre em Construção pelo Instituto Superior Técnico; e-mail:ritaabreu@hotmail.com (2) Arquitecta, Doutorada em Engenharia do Território, Professora Associada do Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade Técnica de Lisboa (UTL), Instituto de Engenharia de Estruturas, Território e Construção (ICIST); e-mail: teresa@civil.ist.utl.pt – Av. Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa, Portugal.
Resumo O artigo aborda o conceito de flexibilidade no quadro da habitação colectiva, i.e., a capacidade de adaptação do espaço doméstico aos usos praticados pelos moradores, de modo a responder ao longo do tempo com eficácia e em condições de segurança física, às suas necessidades e expectativas. Utilizando como campo de investigação a experiência holandesa no desenvolvimento e aplicação de estratégias de flexibilidade no projecto de habitação colectiva e com recurso à avaliação pós-ocupação (APO) procura-se identificar: 1) os agentes incentivadores e condicionantes da flexibilidade; 2) princípios de boas práticas de projecto para a habitação flexível. Palavras-chave: Flexibilidade; Habitação colectiva; Estratégia; Elemento arquitectónico; Estratégia auxiliar
Abstract The article describes the concept of housing flexibility, i.e., the domestic space ability to change and adapt to users' needs over time. The aim is: 1) to identify flexibility inductors and conditioners; 2) producing high-quality design in this area. The approach is based on the Dutch experience of flexible housing and POE evaluation studies. Key words: Flexibility; collective housing; strategy; architectural element; auxiliary strategy
INTRODUÇÃO A actual diversidade de hábitos e modos de vida da população urbana e a resultante pluralidade de necessidades e de preferências face ao espaço doméstico, conjuntamente com as rápidas alterações e instabilidade do modelo social contemporâneo, questionam os processos convencionais de produção de habitação em série e justificam a exploração de modelos alternativos. Com efeito, às formas de promoção de habitação pede-se cada vez mais que sejam projectos de futuro - social, económica e ambientalmente duráveis - para contextos sócioculturais cada vez menos previsíveis. É por isso essencial pensar a habitação como um sistema aberto à mudança, logo mais adaptável a uma maior diversidade sócio-cultural, mais durável e mais rentável. Ao procurar dotar o espaço da habitação de capacidade adaptativa à mudança, está-se a proporcionar uma habitação ajustada a um maior número de pessoas e ao mesmo tempo a contribuir para optimizar os recursos envolvidos, facultando-lhe um valor acrescido. A introdução de estratégias de flexibilidade na arquitectura doméstica colectiva pode constituir uma resposta a esta situação, tanto em termos de diversidade de oferta como de redução dos custos associados à sua produção e gestão. A experiência holandesa reflecte o investimento continuado em metodologias de projecto inovadoras e em processos construtivos flexíveis com recurso a sistemas pré-fabricados e modulares na concepção de espaços domésticos com capacidade de adaptação no tempo, bem como a intervenção directa do poder público ao nível do financiamento, das normativas
a sistematização dos vários componentes do edifício de modo a que não haja sobreposição de responsabilidades. 1992).de construção e da promoção e divulgação de iniciativas relativas a aplicação de estratégias de flexibilidade no projecto de habitação colectiva. Na segunda abordam-se as estratégias de flexibilidade na habitação colectiva holandesa e descreve-se a experiência de APO desenvolvida. Os promotores imobiliários assumem um papel determinante no estímulo de estratégias de flexibilidade na habitação colectiva. 1990. desenvolvida no âmbito da dissertação de mestrado em Construção do Instituto Superior Técnico (Abreu. Na primeira define-se o conceito de flexibilidade espacial e caracterizam-se as diferentes estratégias que permitem a sua aplicação em projectos de habitação colectiva. 2005) centrou-se na experiência Holandesa e envolveu: 1) a análise do papel da iniciativa pública e privada na promoção de estratégias de flexibilidade. onde foram explorados os conceitos de: suporte e infill. Na terceira parte referem-se as conclusões. 2) o levantamento e caracterização de um conjunto de 24 projectos onde estas estratégias foram aplicadas. margem e a geração de variantes. Esta simplificação do processo construtivo vai facilitar tanto a sua execução. e por Leupen (2002). por Hertzberger (1962). A actividade de investigação do movimento OB cessa em 1999 por se considerar que as ideias básicas já se encontrarem suficientemente assimiladas. O artigo está estruturado em três partes. como futuras alterações. visa identificar os principais agentes indutores de flexibilidade e de resistência à mudança presentes no projecto de habitação colectiva nas fases de produção e ocupação. A investigação. O levantamento foi complementado pela Avaliação Pós-Ocupação de 4 estudos de caso escolhidos entre os exemplos seleccionados na fase anterior. Ao nível das metodologias de projecto e das tecnologias de construção flexível. tendo como base a experiência holandesa. A influência estatal está patente tanto nas políticas de financiamento para a construção de habitação a baixos custos como ao nível da publicação de instrumentos normativos reguladores da qualidade urbana e arquitectónica dos empreendimentos com ênfase no desenvolvimento e aplicação do conceito de flexibilidade na construção. e pelo grupo Open Building Simulation Model (OB) coordenado por Van Eldonk. zona. No final da década de 70 o grupo OB redirecciona a sua atenção para os processos construtivos indutores de flexibilidade. Outro conceito referido é a capacidade do projecto dar resposta a várias possibilidades viáveis. Para o efeito desenvolveu um método de projecto que serviria de base para os projectos de habitação. O SAR desenvolveu métodos para simplificar o projecto de arquitectura e facilitar as decisões de todas as partes envolvidas no processo construtivo incluindo os futuros ocupantes que participavam na configuração interior dos seus fogos. através da elaboração de cenários. Os conceitos base referem a estratificação das competências. . Identificam-se os diferentes intervenientes no processo de planeamento / construção / ocupação e analisam-se as estratégias e os procedimentos adoptados. Boasson e Fassbinder (1989. grelha modular. manutenção e administração. Este artigo. concentrou-se na possibilidade de desenvolver produtos. seja ao nível das tipologias como dos materiais de acabamentos (exteriores e interiores). Isto significa que o projecto é deixado em aberto (como um tecido dinâmico) e que compete ao espaço físico a capacidade de acomodar alterações e variações na sua função ao longo do tempo. especialmente a estandardização de sistemas infill e desenvolveu uma metodologia para apoio ao projecto da envolvente urbana. 1976) coordenado por Habraken.e. Existe um conjunto de empresas (de construção e de promoção imobiliária) empenhadas em desenvolver conceitos habitacionais direccionados para os consumidores e que proporcionam uma maior possibilidade de escolha. i. destacamse os trabalhos desenvolvidos pelo grupo SAR (1972. Defendia também a necessidade de maior envolvimento da indústria no processo da construção.
Dinâmico porque os usos acompanham a evolução da sociedade e como tal não se mantém fixos no tempo. com o grau de subordinação estabelecido entre as diferentes “camadas” (layers) que constituem um edifício. Este conceito tem vindo a ser interpretado de forma variada. que considera o permanente. Implícito neste conceito está o entendimento de que o uso do espaço doméstico é um processo variável e dinâmico. como dos processos construtivos. uma condição inerente à própria forma arquitectónica. O espaço dentro do frame não é específico no seu uso. Para além da importância da dissociação das camadas construtivas na elaboração de edifícios flexíveis.1. ou com os sistemas de renovação mais lenta. não são universais. pode ser entendido como a capacidade do espaço físico se adaptar ao processo dinâmico do habitar. com aumento da área).estrutura. Services (instalações). sendo possível identificar cinco tipos distintos de estratégias de flexibilidade: 1) Conversão (por alteração na configuração espacial do fogo). 5) Diversidade (pela variedade tipológica conjugada num edifício). designadamente: Site (terreno). seja no sentido vertical ou horizontal.. É a condição de independência estabelecida entre estas camadas que vai permitir que estas possam ser alvo de renovação. Leupen assume que um edifício é composto por vários elementos . dependendo das suas características e do papel que desempenham. 4) Multifuncionalidade (por adaptação do espaço a várias usos (habitação. Os elementos considerados frame são aqueles onde em princípio não serão feitas alterações mas que vão permitir a mudança nos outros elementos. De acordo com Brand (1994) é a autonomia construtiva entre as várias camadas que constitui a condição essencial para prolongar a vida funcional de um edifício e permitir o desempenho de estratégias de flexibilidade. . 1. e não os elementos alteráveis. Skin (fachada/pele). Tendo presente as dificuldades inerentes à própria viabilização do conceito de flexibilidade quando aplicado no quadro da produção de habitação colectiva. comércio. Variável porque os usos praticados estão relacionados com os estilos de vida dos moradores i. instalações e acessos . Este é específico e possui as características que determinam uma arquitectura de longa duração. podendo ocorrer ou não alterações na configuração espacial.1. 2) Polivalência – (sem alteração na configuração espacial do fogo) . por vários autores. logo é flexível. e portanto. 3) Expansão (por alteração dos limites do fogo. Structure (estrutura). considera-se que a condição adaptativa do espaço físico da habitação resulta da aplicação de estratégias projectuais. associado a diferentes modos de adaptação do espaço arquitectónico. O conceito de camada. níveis culturais e singularidades. como ponto de partida. cenário. O permanente (componente durável) é definido como o frame dentro do qual se processam as alterações.e. escritórios). OS ELEMENTOS ARQUITECTÓNICOS NAS ESTRATÉGIAS DE FLEXIBILIDADE As estratégias de flexibilidade espacial estão directamente relacionadas com a evolução dos processos construtivos e em particular. inicialmente proposto por Duffy (1990) e posteriormente desenvolvido por Brand (1994) parte do princípio que o edificio é constituído por diferentes elementos que podem ser desagregados por níveis de durabilidade. Space plan (interior) e Stuff (mobiliário). tanto ao nível da organização espacial.que podem exercer a função de frame. remoção ou reconstrução sem interferir com as restantes partes do edifício. A FLEXIBILIDADE ESPACIAL NA ARQUITECTURA DOMÉSTICA O conceito de flexibilidade do espaço doméstico. i. com os seus valores.e. Leupen (2002) enfatiza também o papel dos vários elementos arquitectónicos na fase de projecto e propõe um novo processo de projectar a flexibilidade. pele.
As estratégias estruturais mais utilizadas são: configuração regular da estrutura.Fig. Ao possibilitar a alteração da . portas. sendo na fase de projecto desenvolvidas estratégias auxiliares referentes aos elementos considerados. sobredimensionamento da estrutura relativamente às sobrecargas. 4) Serviços – Redes técnicas de águas e esgotos. A concepção estrutural (dimensionamento e sistema utilizado) é essencial em relação a todos os tipos de estratégias de flexibilidade. 5) Acessos/circulação – Escadas.2. LEUPEN. distinguem-se seis “elementos arquitectónicos”. 3) Invólucro exterior – Superfícies exteriores – fachadas e coberturas. para possibilitar futuras expansões ou conversões. ventilação. telefone e Internet e respectivos equipamentos. concepção de modo a não criar obstáculos – estrutura associada à fachada. ESTRATÉGIAS AUXILIARES As estratégias de flexibilidade reflectem-se na concepção dos diferentes elementos arquitectónicos. corredores. tectos. 2) Estrutura – Fundações e elementos estruturais. acessos e serviços ou aos limites das unidades habitacionais. não são necessariamente um entrave ao desenvolvimento de áreas multifuncionais. A importância da envolvente na flexibilidade está relacionada com as estratégias de expansão e de multifuncionalidade. Estes. No primeiro caso. A flexibilidade resulta da totalidade ou da conjugação parcial de estratégias auxiliares de projecto relativas aos vários elementos arquitectónicos. utilização de grandes vãos estruturais. electricidade. de expansão ou com a multifuncionalidade. 6) Configuração espacial – Elementos do interior (paredes. A estratégia auxiliar mais recorrente é dotar o edifício de um volume que à partida é inferior às dimensões máximas admissíveis. a serem considerados nas estratégias de flexibilidade: 1) Envolvente – Localização e tipo de inserção urbana. A concepção do invólucro exterior está directamente relacionada com as estratégias de conversão. No segundo caso. se expressarem parâmetros que indiquem aquilo que não é desejável em vez de limitarem as possibilidades. galerias. a multiplicidade funcional está relacionada com os planos de ocupação do solo (Planos directores Municipais. etc. (2002) A partir da categorização proposta por Brand e Leupen. tem sempre implicações urbanas. pavimentos. elevadores. as estratégias auxiliares não são geradoras de flexibilidade. AVAC (aquecimento. TV. Quando utilizadas de forma isolada. 01: Diferença entre as camadas construtivas de Brand e os elementos de Leupen e esquema do frame e do espaço genérico. ar condicionado). inexistência de elementos estruturais entre unidades habitacionais. B. o aumento do volume construído. entre outros). criação de vazios nas paredes do túnel.) 1. gás. seja em relação à sua cércea ou à sua área de implantação máxima (previsão de zonas residuais para futura ocupação). seja na vertical ou na horizontal.
2. deve permitir essa ocorrência. uma vez que podem pôr em risco o sucesso da estratégia. estatuto económico. As estratégias auxiliares mais utilizadas em relação aos serviços são: agrupamento dos serviços em blocos ou bandas. electricidade. Os sistemas mais adequados são as paredes divisórias leves. constituídas por elementos modulares pré-fabricados ou não. A concepção das redes técnicas (água e esgotos. previsão de acessos a uma futura expansão. previsão da possibilidade de vir a ser instalado um elevador. ou irregular. No caso específico das funções domésticas devem ser definidas as necessidades do(s) ocupante(s) formalizadas em vários cenários. Os tectos falsos e os pavimentos elevados. e em muitos casos está associada aos serviços. a fachada e nomeadamente a composição dos vãos. instalação estratégica de redes em pavimentos.configuração espacial do fogo (conversão). localização estratégica de condutas verticais. Internet) dos equipamentos (ar condicionado. As suas possibilidades podem ser limitadas ou não.) e dos serviços (cozinha e instalações sanitárias) é de grande relevância em todas as estratégias de flexibilidade. criação de acessos múltiplos e/ou de circulações alternativas. e incidem sobre os seguintes aspectos: utilização de elementos divisórios independentes da estrutura. TV. educação. configuração espacial livre (open floor plan). pertencentes a este grupo são de grande importância em relação à integração das redes técnicas e sua futura alteração. As estratégias auxiliares de projecto relativas a este elemento arquitectónico estão essencialmente relacionadas com situações de conversão e de polivalência. Para a sua definição os projectistas devem prever possíveis “cenários” a que o projecto terá de responder. gás. etc. Estes cenários são elaborados tendo em conta o ciclo de vida da estrutura. A EXPERIÊNCIA HOLANDESA A análise da experiência holandesa foi feita com base em estudos de caso seleccionados através de um inquérito preliminar a 30 escritórios de arquitectura envolvidos em projectos . ou numa área que não interfira com as possíveis alterações. que dizem respeito às diferentes necessidades dos ciclos de vida familiares. ou conjunto de estratégias. A configuração espacial do interior do edifício tem de prever possíveis alterações no sentido de criar um sistema aberto à modificação. caldeiras. concepção do espaço de circulação como elemento “rótula” (espaço de distribuição para os possíveis futuros compartimentos). e em relação a cada função determinar quais os parâmetros a obedecerem. ocupação. que pelo seu dimensionamento não põe em causa futuras configurações espaciais. Na concepção espacial são também de extrema importância os sistemas ou materiais utilizados. uma vez que estes são ainda. ausência de redes técnicas nas paredes ou elementos que podem ser alterados. configuração espacial ambígua. os elementos fixos do espaço. na maior parte dos casos. Seja qual for a estratégia adoptada. a flexibilidade nunca é ilimitada. dependendo do seu tamanho. É essencial considerar o modo de ligação entre as paredes e os pavimentos ou tectos de forma a permitir a fácil alteração da compartimentação. requisitos para abranger outras funções que não apenas a inicial. luz. etc. telefone. A estratégia auxiliar mais utilizada é a composição de métrica regular. utilização de elementos amovíveis. As principais estratégias auxiliares são: localização concentrada dos acessos/circulação. A concepção da circulação e dos acessos é essencial em soluções de expansão e de conversão. pode é possuir uma amplitude mais ou menos abrangente. tectos ou paredes de fácil acesso e possibilidade de alteração.
A data de construção não foi determinante na selecção dos estudos de caso uma vez que as alterações ou escolhas feitas pelos primeiros moradores foram consideradas de igual importância às realizadas ao longo do tempo. Para não prejudicar os resultados da análise. prevêem apenas a sua eventual alteração não os tornando contudo os elementos flexíveis. serviços e configuração espacial. Assim. evidenciam-se os elementos: estrutura. propõe-se uma nova hierarquia baseada na sua relevância como elemento arquitectónico na fase de projecto (estratégia auxiliar). Por exemplo: uma parede pode ser projectada pensando-se na eventualidade de vir a ser removida. no sentido de estes últimos estarem “abertos” à modificação. serviços e acessos/circulação. Foi também elaborada uma pesquisa bibliográfica de modo a fazer uma selecção de vários projectos de habitação colectiva construídos na Holanda. Os projectos de habitação flexível analisados procuram dar resposta a um conjunto de requisitos. em relação às diferentes estratégias de flexibilidade em estudo. Multifuncionalidade e Diversidade. aqueles que o exploravam no seu trabalho e quais as estratégias seguidas. Os projectos apresentam uma organização espacial que faz a distinção entre os elementos fixos e os flexíveis. As estratégias auxiliares de projecto que se referem apenas à configuração dos elementos arquitectónicos (excepto no caso da circulação). em que tivessem havido preocupações no âmbito da flexibilidade. Com este questionário procurou-se identificar quais os arquitectos interessados no tema da flexibilidade na habitação. Para dar resposta a estes requisitos são utilizadas estratégias de Conversão. Por outro lado. pelos mesmos ou por outros. podendo ser também utilizada a sua combinação. A selecção dos casos esteve relacionada com a importância do conceito de flexibilidade no contexto do projecto e com a relevância que este tema assume no trabalho dos respectivos projectistas. e que por isso requerem um maior cuidado na sua concepção.de habitação colectiva. são aquelas que reflectem uma menor ocorrência de estratégias auxiliares nos elementos arquitectónicos. Logo como elemento não é flexível. mas se for construída segundo métodos tradicionais a sua remoção implica a demolição.1. que não os primeiros. uma vez que são estes os agentes que vão permitir a flexibilidade dos elementos arquitectónicos: invólucro exterior. para contextualizar os exemplos escolhidos. sugerida por Brand. Dada a importância que os vários elementos arquitectónicos revelam. Expansão. considerou-se que os edifícios . durante o século XX. consequentes do contexto holandês como a possibilidade de escolha mais abrangente por parte dos futuros residentes quer ao nível dos materiais ou da configuração do fogo em função das suas necessidades e possibilidades económicas do momento e o maior aproveitamento espacial de tipologias de reduzida área útil. Polivalência. 2. A AVALIAÇÃO PÓS-OCUPAÇÃO: PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Os estudos de caso foram identificados num universo de 24 tipologias e referem-se a 4 projectos de habitação colectiva em que foram exploradas estratégias de flexibilidade (nos estudos de caso a estratégia é sempre a conversão). É clara também a tendência para o agrupamento dos serviços e dos acessos nas várias estratégias. como fundamentais no desenvolvimento de estratégias auxiliares de projecto tendo como objectivo a flexibilidade. Constata-se também a importância dos sistemas construtivos utilizados no desempenho das estratégias de flexibilidade. Esta hierarquia não está portanto relacionada com a vida útil das várias camadas. observa-se que as estratégias de flexibilidade que não implicam alterações: a polivalência e a diversidade.
tipo de serviços de infra-estruturas. Após uma pré-selecção de projectos que seriam apropriados para uma APO foi feita uma entrevista aos projectistas destes edifícios. Acrescem a estes aspectos outras razões de natureza operacional. durante a fase da construção. embora construído muito recentemente. materiais de construção. Esta tarefa foi desenvolvida com base em informação de arquivo: documentação bibliográfica. documentação escrita e desenhada dos projectos de arquitectura. A metodologia utilizada para a caracterização dos estudos de caso foi estabelecida de modo a abranger as várias fases de desenvolvimento do projecto: planeamento/concepção. fontes vivas – recolha de depoimentos e entrevistas aos diferentes intervenientes no processo de planeamento/concepção – arquitecto e promotor. Para o efeito foram feitos inquéritos e entrevistas aos residentes. A análise da fase de ocupação visou a identificação das alterações efectuadas pelos residentes e a caracterização da forma como estes adaptaram o fogo (projecto-base) ao seu modo de vida. Pretendeu-se conhecer o processo do projecto desde a sua concepção até à sua finalização. construção e ocupação. O Estudo de caso 4 (EC4). A informação foi recolhida a partir de fontes documentais (projectos e processos de obra). d) os fogos: tipologias de habitação. materiais de construção. c) o edifício: inserção urbana. nº de pisos. d) a regulamentação. organização espacial. documentação fotográfica. e) os aspectos inovadores. A análise da fase de construção teve como objectivo caracterizar as alterações (no caso de terem ocorrido) ao projecto de arquitectura. pela importância que este movimento assumiu no contexto da flexibilidade na habitação colectiva. Ao nível da fase de Planeamento/concepção a análise teve como objectivo caracterizar a) a entidade promotora e o programa fornecido ao projectista. entrevistas com os agentes promotores e com os técnicos projectistas. tecnologias construtivas. Foi também dada relevância à confrontação deste estudo de caso com outros exemplos de flexibilidade que possibilitam a alteração da compartimentação interior mas de forma mais controlada. fontes vivas – recolha de depoimentos e entrevistas ao diferentes intervenientes no processo de construção – arquitecto e promotor. tanto ao nível do edifício como dos fogos. redes e infra-estruturas. de modo a avaliar as condições de flexibilidade presentes nas tipologias em estudo. complementados . Esta tarefa foi desenvolvida com base em documentação escrita e desenhada dos projectos de arquitectura.deviam evidenciar processos construtivos actuais e encontrar-se em bom estado de conservação. inquéritos a residentes e observações directas (visitas/inspecções técnicas). invólucro exterior. identificar os vários intervenientes e qual ou quais foram determinantes para o desenvolvimento de uma tipologia flexível e ainda os problemas encontrados para a sua realização. À partida considerou-se relevante seleccionar um estudo de caso relativo a um projecto Open Building (Estudo de caso 1 – EC1). f) as opções do projectista. inquéritos aos arquitectos. b) a entidade projectista e as suas opções e tendências em termos de prática profissional. organização espacial ao nível dos espaços comuns e de circulação. estrutura. Feita a escolha definitiva de 4 estudos de caso foram contactadas as entidades promotoras para conhecer a sua opinião em relação ao conceito de flexibilidade utilizado e aos resultados atingidos. nomeadamente a facilidade de obtenção de elementos de projecto e de acesso aos residentes. organização distributiva. permitindo obter informação directa sobre o uso da habitação. possibilitou conhecer a opinião de residentes que tiveram influência na compartimentação interior do fogo.
na periferia norte de Amesterdão. comer. Sempre que possível as perguntas foram concebidas para uma resposta fechada.por levantamentos (observações directas). alterações protagonizadas. situado em Lunetten – Utrecht – e concluído em Agosto de 1982 e integrado no movimento OB. situado na Pieter Vlamingstraat. tratamento de roupas. Nos Estudos de caso 1 e 4 (EC1 e EC4) essa estratégia foi alargada à fase de construção. Os Estudos de caso 1. Todos adoptam a estratégia de flexibilidade “conversão”. Para o efeito procedeu-se à descrição da estrutura configuracional das plantas (inicial e alterada). com áreas equivalentes e que podem ser subdivididos. Nos inquéritos realizados aos residentes foi utilizada uma ficha base distribuída aos moradores e posteriormente recolhida. constituída por 23 fogos. aspecto mais negativo e o que lhe falta no fogo) mas achou-se apropriado o uso de resposta aberta para não condicionar de forma alguma a opinião dos residentes. ou não. com base na caracterização sintáctica (transformação gráfica das plantas em mapas convexos e correspondentes grafos). etc. Por último procedeu-se à comparação entre a situação inicial e a alterada. em Amesterdão Este. social (zona de estar. Em situações pontuais foi preenchida em colaboração directa com o inquiridor o que facilitou a observação directa da habitação. nas de apreciação a pergunta foi o mais específica possível (aspecto mais positivo. seguiu-se a metodologia proposta por Heitor et alt (2003). Este sistema contemplou informação escrita e iconográfica (desenhos. seguidamente foi feita a caracterização da organização espacial das funções domésticas a partir da identificação e localização espacial dos diferentes sectores funcionais: privado (zona de dormir. serviço (zona de preparar refeições. relacionada com a capacidade da alteração da compartimentação interior em fase de pós-ocupação. A tipologia escolhida caracteriza-se pela existência de um hall central . situado em Twiske West. 2 e 3 (EC1. EC2 e EC3) pertencem ao sector de renda social e o Estudo de caso 4 (EC4) ao sector privado. Estudo de caso 1: conjunto habitacional. apresentam diferentes dimensões. isto é. e concluído em 1993. etc. As perguntas de opinião foram subdivididas em resposta fechada (sim ou não) e aberta (justificação do sim ou não). em dois espaços autónomos. Estudo de caso 3: fracção de um bloco de apartamentos.2. circulação.). fotografias. da autoria de Frans Van Der Werf. estudar. foi considerada a possibilidade de escolha da compartimentação inicial do fogo e de alguns materiais de acabamento (apenas no EC4). despensa. receber visitas). Foi desenvolvido um sistema de tratamento de informação de modo a permitir arquivar e tratar todos os dados recolhidos.). projectado por Liesbeth Van Der Pol e concluído em 1992. Estudo de caso 2: 12 edifícios de habitação colectiva (84 fogos) projectados por Liesbeth Van Der Pol. o tempo de utilização e tipos de ocupação e actividades desenvolvidas. As plantas base são apenas definidas pelos limites exteriores do fogo e pela conduta central de onde derivam as várias redes técnicas e instalações. ESTUDOS DE CASO Os estudos de caso foram construídos num período compreendido entre 1982 e 2003. Cada edifício. Os inquéritos e as entrevistas foram préestruturados de modo a focar aspectos vários relacionados com o agregado familiar. é constituído por 7 fogos que se desenvolvem em três pisos desfasados. de forma circular. Para a análise da organização espacial dos fogos e das alterações efectuadas pelos residentes. Perfaz um total de 431 habitações com diferentes tipologias e dimensões. 2. configurações e tipologias de habitação. higiene pessoal: quartos e instalações sanitárias).
com o qual todos os espaços comunicam.. característica dos anos pós-guerra na Holanda: o “bay-space”. A Conversão foi a estratégia de flexibilidade considerada mais adequada.. [. segundo a óptica dos residentes. com diferentes modos de vida e sobretudo com requisitos estéticos muito diversificados. Vista do conjunto e plantas dos vários pisos de cada edifício. Conjunto habitacional Twiske West. projectado pelo escritório de arquitectura “DKV” e concluído em 2003. . Edifício de habitação em Kop van Havendiep. Neste projecto foi utilizada uma estrutura em pórtico ligeiramente rodada que indica a posição da possível subdivisão do fogo em compartimentos mais pequenos.. de modo a permitir uma boa adaptabilidade da habitação a agregados familiares de dimensões variadas. no hall comum do prédio. Planta do piso tipo e vista exterior do edifício. [. É no entanto de assinalar.. Estudo de caso 4: edifício de tipologia em bloco situado em Lelystad. Estudo de caso 1 – Frans Van Der Werf.3. [..Liesbeth Van Der Pol.. perfazendo um total de 18 unidades. 1993. RESULTADOS DA AVALIAÇÃO PÓS-OCUPAÇÃO A flexibilidade das tipologias em análise é comprovada pela opinião positiva dos residentes em relação à capacidade de adaptação do espaço da habitação aos usos e às alterações do agregado familiar e confirmada pela variedade observada na compartimentação interior dos fogos e na organização espacial das funções domésticas. que é dada maior importância a este parâmetro quando se trata da possibilidade de escolha prévia da compartimentação interior. 02: Estudo de caso 1 Estudo de caso 2 – Liesbeth Van Der Pol. Edifício de habitação na Pieter Vlamingstraat. 2003. Conjunto habitacional Lunetten.] Fig: 04: Estudos de caso 3 e 4 2. Plantas das várias possibilidades de compartimentação interior e vista exterior de um dos edifícios. Foi também utilizada uma estratégia de flexibilidade. Vista exterior do edifício e planta do piso tipo. O edifício é composto por 9 andares com dois fogos por piso. Estudo de caso 4 – DKV. Trata-se de um compartimento situado na zona oposta à área de circulação colectiva que pode ser anexado a um dos apartamentos adjacentes (nota: esta solução é análoga à tipologia dos edifícios gaioleiros em Lisboa em que havia uma segunda entrada. 03: Estudo de caso 2 Estudo de caso 3 .] Fig. 1982. A APO demonstrou a relevância dada ao desenvolvimento de tipologias flexíveis na habitação por parte dos residentes. 1992. que dava acesso directo ao denominado “quarto de aluguer”). para proporcionar a adaptação do fogo às necessidades diárias e às alterações do agregado familiar.] Fig.
das situações observadas na compartimentação espacial dos fogos e na organização das funções domésticas. é de assinalar que a versatilidade das tipologias de EC1. Nos estudos de caso seleccionados. observou- . Esta característica está também patente no EC4. sugerem a organização espacial das funções domésticas. Por estas razões. 2) amplitude de possibilidades de organização espacial dos sectores funcionais. conclui-se que o EC1 é considerado o mais flexível. O EC3. por isso.Pela observação do quadro síntese. no que diz respeito à distribuição espacial do fogo. por ser aquele que mais liberdade oferece aos residentes. A combinação destes três parâmetros proporciona um maior grau de flexibilidade. Estas tipologias são. através da análise das suas tipologias base. no entanto. Fig. 05: Quadro síntese do tipo de flexibilidade observado nos estudos de caso Nos restantes estudos de caso (EC2 e EC3). embora não ofereçam uma grande variedade na organização espacial dos sectores funcionais. dependendo da situação em estudo. embora não condicionem outro tipo de utilização. factores como as dimensões dos espaços. é menos versátil. privado e serviços) se encontram basicamente nas mesmas áreas. a estratégia pode explorar apenas um ou dois dos pontos acima mencionados. A flexibilidade destas tipologias (EC2 e EC3) é mais limitativa em relação ao gosto pessoal dos residentes mas tem como vantagem um conjunto de possibilidades para a compartimentação interior que implicam alterações reduzidas. dá-se ao nível de pormenor. 3) facilidade com que se operam as alterações. uma vez que os sectores funcionais (social. A estratégia de Conversão é limitada mas proporciona bastante diversidade – 8 variações na compartimentação interior e uma amplitude de 3 a 6 divisões. possibilita apenas 4 variações na compartimentação interior com uma amplitude de 1 a 4 divisões. o seu grau de flexibilidade deve ser medido em relação à: 1) amplitude das possibilidades de compartimentação interior. aquelas em que os residentes podem expressar mais facilmente a sua individualidade e gosto pessoal. como consequência do sistema construtivo utilizado. apresentar várias amplitudes de desempenho e implicar alterações de maior ou menor envergadura. No entanto. Conclui-se que a Conversão pode limitar uma apropriação mais personalizada do espaço doméstico. que apresenta o mesmo tipo de flexibilidade. O EC2 é aquele em que se observa mais variedade na organização espacial dos sectores funcionais. a orientação do fogo ou a sua configuração.
se que o seu desempenho incidiu nos seguintes pontos: flexibilidade nas possibilidades da configuração espacial: EC1 e EC4. o principal incentivador para o desenvolvimento de uma estratégia de flexibilidade na habitação foi o arquitecto. Assim. Nestes exemplos transparece também a necessidade de dotar as habitações de espaços de arrumação. como justificação da sua boa adaptabilidade. Neste sentido os sistemas de compartimentação interior deviam permitir tanto a sua fácil aplicação. traduzida em custos elevados. Alterações – Acabamentos/Compartimentação: A maioria das alterações ocorreu ao nível dos acabamentos e da compartimentação interior. Multifuncionalidade e Diversidade. Factores económicos: A complexidade construtiva. Espaço – área útil: Evidencia-se a importância da área útil do fogo tanto como factor de satisfação em relação à habitação. como ter um melhor desempenho. . As estratégias de flexibilidade utilizadas foram limitadas pela reduzida área útil do fogo. mas também no sentido específico de prever o envelhecimento da população e de assim. uma vez que a população inquirida se encontra numa faixa etária entre os 42 e os 67 anos. Polivalência. sem grandes alterações. a flexibilidade não deve ser vista apenas ao nível da Conversão. no sentido de superar problemas relativos à sua fragilidade. Desta forma. Em EC1 e 3 as estratégias foram limitadas. A análise demonstra a vontade de os residentes modificarem o fogo de acordo com o seu gosto e de efectivamente necessitarem de alterá-lo de modo a adaptar-se à evolução do agregado familiar. levaram a que ainda não tenha sido explorada toda a potencialidade da tipologia. são mais aconselháveis para os sectores de habitação social. uma vez que implicam custos menos elevados nas alterações. a habitação continue a servir as necessidades dos residentes mais idosos. 2. Deve-se por isso evitar criar barreiras arquitectónicas. embora em EC1 o papel governamental tenha sido essencial. INCENTIVADORES E CONDICIONANTES DA FLEXIBILIDADE Em todos os casos. Expansão. Em EC2 e 4. flexibilidade nas possibilidades de organização espacial dos sectores funcionais: EC2 e EC1. uma vez que estes factores condicionam as estratégias de flexibilidade. mau isolamento acústico ou maus acabamentos. tais como desníveis entre os espaços. dada a impossibilidade da sua expansão. e ter em conta as dimensões das instalações sanitárias e das zonas de circulação de modo a permitir a sua utilização por pessoas com mobilidade condicionada. em que a alteração da compartimentação se limita à construção ou remoção de uma parede. e por isso mais sensível a este aspecto. pode-se concluir que as estratégias de flexibilidade de conversão condicionada (Estudos de caso 2 e 3). Acessibilidade: É relevante a importância dada à mobilidade condicionada no Estudo de caso 4.4. Construção: A utilização de sistemas flexíveis de pouca qualidade (Estudo de caso 1) é um factor de insatisfação dos residentes em relação ao fogo e contribui para uma maior necessidade de realizar alterações. no primeiro caso. no segundo caso. é a causa fundamental para a não realização de algumas alterações que iriam melhorar a qualidade de vida dos residentes. e factores económicos. proporcionar que. No primeiro caso por factores construtivos e no segundo por factores económicos. flexibilidade em relação à facilidade das alterações: EC1 e EC3. factores relacionados com o modo como ocorreu a ocupação dos fogos. Conclui-se por isso ser necessário aliar áreas razoáveis à Conversão ou a sua conjugação com a estratégia de Polivalência ou Expansão.
Sem o financiamento público i. condicionando ou estimulando. Actualmente a regulamentação holandesa garante parâmetros mínimos de habitabilidade mas não estimula a criação de tipologias/conceitos inovadores. O papel das entidades governamentais na divulgação da inovação tecnológica/construtiva relacionada com este tema. os promotores tendem a optar pela solução mais económica e que frequentemente apresenta níveis reduzidos de flexibilidade.Circulação interior: Em EC2. em particular aqueles que se encontram ligados ao mercado de arrendamento. verifica-se uma tendência para os promotores. ao nível do financiamento. constitui uma condição fundamental de estímulo. Uma vez que a sua má qualidade e a sua inter-dependência diminui a potencialidade das estratégias de flexibilidade. a implementação de estratégias flexíveis no projecto de habitação colectiva.financiamento e regulamentação: a intervenção directa das entidades públicas. torna-se difícil o desenvolvimento e a aplicação de tais estratégias. Contudo. dado o seu carácter demasiado inovador. sem a adaptação da regulamentação não é possível o desenvolvimento de projectos flexíveis.e.. 3 e 4. nomeadamente de paredes divisórias interiores e para o transporte de redes técnicas (seja através de tectos falsos. pavimento elevados ou calhas). Ao nível dos projectistas: são estes os principais incentivadores da aplicação do conceito de flexibilidade. Ao nível do promotores: as estratégias de flexibilidade propostas não chegam a ser implementadas ou são apenas parcialmente. apostarem em soluções que ofereçam maior grau de flexibilidade. na maior parte dos casos. Por estas razões. ou por exigirem um investimento inicial mais elevado (mesmo que venha a ser recuperado mais tarde). quer devido à falta de aceitação por parte dos promotores. 3. das normas de construção e da divulgação das iniciativas. Por exemplo. sendo que na maior parte dos casos é da sua a iniciativa a implementação de estratégias auxiliares de projecto que a desenvolvem. CONCLUSÃO O estudo desenvolvido permitiu identificar vários factores que influenciam. é outro dos factores que pode potenciar a aplicação do conceito de flexibilidade. Do mesmo modo. Na prática. o custo mais elevado que um edifício multifuncional implica é. por parte dos utilizadores/consumidores observa-se uma crescente procura por modelos que incorporem estratégias de flexibilidade. Ao nível do poder político . revela-se fundamental o papel da circulação interior do fogo como um elemento rótula que permite o acesso aos possíveis compartimentos. subsídios para projectos flexíveis/experimentais. através de concursos públicos ou de outras iniciativas. a razão determinante para a preferência por soluções monofuncionais. Ao nível da indústria da construção: é patente a insatisfação dos arquitectos em relação à indústria da construção e ressalta a necessidade de haver um maior desenvolvimento de sistemas flexíveis diversificados e de boa qualidade. uma vez que a valorização de factores de ordem económica em detrimento de aspectos funcionais põe em causa a aplicação do conceito de flexibilidade e a participação dos utilizadores no processo de concepção da habitação. em que foram desenvolvidas estratégias de conversão limitadas. sendo que as condicionantes à implementação de estratégias flexíveis encontram-se fundamentalmente ao nível da regulamentação e dos interesses económicos dos promotores que acabam por optar pelas soluções mais económicas. .
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