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AS RELAÇÕES ENTRE O CONSUMO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS, CICLO DE VIDA E GÊNERO 1

Angelita Alves de Carvalho 2 José Eustáquio Diniz Alves 3

Palavras-chave: Consumo Familiar; Gênero; Ciclo de Vida Familiar.

RESUMO As várias mudanças demográficas ocorridas na sociedade nos últimos tempos, especialmente aquelas relativas à redução da fecundidade e da mortalidade, à maior longevidade e aos novos valores associados a este comportamento, ocorreram simultaneamente às transformações no tamanho e composição das famílias, nas relações de gênero e dos padrões de consumo. No Brasil houve transformações significativas na composição e no tamanho das famílias bem como nas relações de gênero, e conseqüentemente aos novos estilos de vida da população, muito se diversificou o padrão de consumo das famílias e também das pessoas que moram sozinhas. Sabendo que o consumo reflete o bem estar dos membros familiares, este trabalho busca traçar o perfil de consumo dos arranjos familiares e das pessoas que vivem sozinhas a partir de uma análise de gênero e ciclo de vida familiar, mostrando como estas características diversificam o consumo em cada unidade familiar. Utilizou-se para isso os dados da Pesquisa de Orçamento Familiar 2002-2003 do IBGE. Os dados sobre os diferenciais de consumo por sexo dos responsáveis pelas famílias revelaram questões de gênero importantes no comportamento com relação às decisões de consumo, mostrando que o gasto com certos tipos de despesa (por exemplo, produtos que demandam menos tempo de preparo e alimentação fora de casa) ainda está atrelado a um forte viés de gênero. Também a composição das famílias, principalmente a presença de provedores, sejam eles cônjuges, filhos ou outros influencia diretamente o equilíbrio do orçamento familiar. Os gastos das famílias também apresentam diferenciais importantes com relação à idade dos moradores (crianças, adultos e idosos). Em fim, os dados mostraram que os arranjos familiares possuem especificidades importantes de consumo que merecem ser melhor analisadas para a maior eficácia na elaboração e na implementação de políticas púbicas.

1 Trabalho apresentado no XVII Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambú- MG Brasil, de 20 a 24 de setembro de 2010.

2 Doutoranda em Demografia pela CEDEPLAR/UFMG angelita@cedeplar.ufmg.br

3 Professor pesquisador da Escola Nacional de Ciências Estatísticas/IBGE

AS RELAÇÕES ENTRE O CONSUMO DAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS, CICLO DE VIDA E GÊNERO

1- INTRODUÇÃO

Angelita Alves de Carvalho José Eustáquio Diniz Alves

As várias mudanças demográficas ocorridas na sociedade nos últimos tempos, especialmente aquelas relativas à redução da fecundidade e da mortalidade, à maior longevidade e aos novos valores associados a este comportamento, bem como as questões relacionadas à maior secularização e individualização ocorreram simultaneamente à às transformações no tamanho e na composição das famílias, das relações de gênero e dos padrões de consumo. De modo geral, pode-se dizer que existe uma tendência para estruturas familiares menores e mais heterogêneas quanto à sua composição. Além do crescimento dos arranjos monoparentais e das famílias reconstituídas, existe também um crescente enfoque nas famílias com apenas uma criança, nos casais de dupla sem filhos, ou nos arranjos unipessoais (BONGAARTS, 2001; THERBORN, 2006; ARRIAGADA, 2007; MEDEIROS, OSÓRIO, 2002). Além da renda, a distribuição do consumo está relacionada ao estilo de vida, à composição demográfica e às estruturas familiares. A estrutura das famílias (perfil do chefe, presença de provedores e membros dependentes, etc) determina os tipos de gastos de cada unidade familiar, uma vez que a composição dos arranjos pode influenciar no uso do tempo e dos recursos monetários entre os moradores (cuidados com crianças e idosos, tarefas domésticas, recursos para consumo e poupança, entre outros). Além disso, desempenha papel importante na participação dos membros no mercado de trabalho e no seu desempenho escolar (ARRIAGADA, 1998; MEDEIROS, OSÓRIO, 2002). Como atualmente existe uma grande diversidade de arranjos julga-se de grande relevância a avaliação mais acurada do consumo entre as diferentes estruturas familiares brasileiras uma vez que a possibilidade de respeitar as especificidades dos distintos grupos pode trazer ganhos significativos à análise. Pois essas novas tendências de famílias repercutem significativamente nas condições e opções de consumo, e a possibilidade de conhecer estes hábitos de consumo de uma população ou de um determinado tipo de arranjo pode se tornar um importante instrumento para se analisar o grau de desenvolvimento e bem-estar dos envolvidos (BERTASSO et. al, 2007; MENEZES et. al,

2006).

Entre as muitas transformações sociais que contribuíram para as alterações no tamanho e composição das famílias, além da queda da fecundidade e o aumento da esperança de vida, destaca-se a maior autonomia e empoderamento da mulher, com diminuição das desigualdades de gênero. Assim, as abordagens de gênero são fundamentais para a compreensão das mudanças no padrão familiar, na medida em que as desigualdades entre homens e mulheres na família e na sociedade fazem com que os cuidados com os familiares, especialmente os filhos, e trabalhos domésticos sejam repartidos de forma desigual entre os gêneros, o que afeta as decisões reprodutivas e de consumo (SORJ, 2005; BRUSCHINI, 2007). Sabe-se que as reduções das desigualdades de gênero tornaram a mulher uma consumidora importante, detendo, segundo Rocha (2000), a decisão familiar e controlando mais de 80% das compras. E de acordo com Pinheiro, Fontoura (2007), mesmo escassos, estudos têm mostrado que homens e mulheres gastam diferentemente, principalmente devido à diferença de papéis socialmente atribuídos a cada sexo, o que reflete opções de consumo diferenciadas, sejam elas tomadas de maneira individual ou coletiva. Nesse

sentindo, um estudo que privilegie as diferenças de consumo por sexo nos diferentes arranjos familiares pode trazer contribuições à discussão sobre as “preferências” de homens e mulheres e o impacto dessas diferenças sobre o bem-estar dos membros da família. Por tudo isso, um estudo que consiga analisar o consumo sobre a ótica dos arranjos familiares, sexo dos responsáveis e ciclo de vida familiar pode trazer elementos para a definição de políticas públicas que levem em consideração, em seu desenho, o impacto diferenciado de sua atuação junto cada arranjo e indivíduo da família. Pois, a partir do momento em que se constata que as famílias não se comportam como unidades, e nem mesmo há unidade dentro dos próprios arranjos, e que os gastos individuais trazem diferenças claras de consumo quanto ao sexo do responsável e do ciclo de vida familiar, espera-se que aumente a eficiência das políticas na área de família. De fato, com vistas a aumentar a eficácia de algumas políticas públicas, inclusive das políticas de combate à pobreza, tem-se argumentado que as mulheres se preocupam mais com a educação, a saúde e o bem-estar de suas famílias e filhos ou, simplesmente, que as mulheres gastam “melhor”. Este é o argumento utilizado, por exemplo, no Programa Bolsa Família para justificar a titularidade do cartão de recebimento do benefício, que deve, preferencialmente, caber à mulher. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome (MDS), “esta decisão tem como base estudos sobre o papel da mulher na manutenção da família e na sua capacidade de usar os recursos financeiros em proveito de toda a família”. Apesar dos limites da POF, e do reconhecimento de que esse papel atribuído à mulher não é inato, mas socialmente construído, algumas inferências e análises podem ser feitas a fim de se contribuir para essa discussão (PINHEIRO, FONTOURA, 2007). Tendo em vista que as relações dos gastos com consumo têm sido utilizadas como um indicador importante de bem-estar entre as populações, o presente trabalho tem como

objetivo principal traçar o perfil de consumo dos arranjos familiares e das pessoas que moram sozinhas a partir de análises de gênero e ciclos de vida familiar, mostrando como as múltiplas diferenças da inserção social influenciam a diversidade dos padrões de consumo.

2- MUDANÇAS FAMÍLIARES, DE GENERO E DE CONSUMO

2.1- O mundo da família e das relações de gênero A família tem passado por muitas transformações, acompanhando e influenciando os acontecimentos históricos, econômicos, sociais e demográficos ocorridos ao longo do último século. Estudos internacionais (BONGAARTS, 2001; THERBORN, 2006; BRETON, PRIOUX, 2009; ROSERO_BIXBY, 2008) têm se dedicado ao tema família em diferentes aspectos. Todos estes estudos relacionam o declínio da fecundidade (childlessness) às alteração na composição e no tamanho das famílias. Este declínio do número de filhos, reflete uma tendência de mudança nas estruturas complexas dos tradicionais modelos de arranjos familiares em direção à arranjos mais simples, formados principalmente pelas famílias nucleares que dominam na contemporaneidade as sociedades industrializadas. Os fatores chaves de explicação da redução da fecundidade seriam a redução da mortalidade, a redução da contribuição econômica dos filhos em relação ao outras atividades, a transformação familiar especialmente das unidades conjugais, o desvanecimento dos suportes culturais para a criação dos filhos, o acesso melhorado à regulação da fecundidade, o retardamento do casamento, a difusão de novas idéias e práticas de comportamento. Tudo isso tem levado o surgimento de novas trajetórias de vida e diversificadas unidades domésticas. Atualmente é comum famílias como apenas um

filho (one child family), casais de dupla renda sem filhos (Duple Incomes No Children DINC), o ninho vazio do casal de meia-idade, o domicílio de uma pessoa sozinha, entre outros.

Os estudos de Arriagada (2007) sobre a América Latina revelam que as famílias nucleares, apesar de ainda terem maior predominância, estão reduzindo substancialmente, fato que se deve às diferentes constituições familiares. Também tem diminuído as famílias nucleares biparentais com filhos, o que se explica pelo crescimento das famílias monopa- rentais femininas com filhos. A autora ainda revela a diminuição das famílias estendidas e compostas, bem como o aumento dos domicílios sem família, principalmente os domicílios unipessoais, o que está relacionado aos processos de maior longevidade dos idosos e de individualização da sociedade, características próprias da modernidade, onde se aumenta o número de pessoas que por opção vivem sozinhas e também os jovens que cada vez mais adiam o casamento e formam domicílios unipessoais. Mais especificamente, no Brasil, Goldani (2002) discute que as famílias brasileiras vivenciam uma maior diversidade de arranjos familiares, novas tecnologias reprodutivas, um aumento das mulheres na força de trabalho, elevadas taxas de divórcio, etc. Tudo isto oferece a falsa impressão de que as famílias estão desestruturadas, ameaçadas ou mesmo desaparecendo, quando que, de fato, estas demonstram sua enorme capacidade de adaptação e de mudança. Também Medeiros, Ozório (2002) afirmam que não se deve fazer a uniformização dos arranjos domiciliares, pois a composição destes vem se afastando do padrão conhecido como família nuclear e concluem que

( os arranjos estão tornando-se mais heterogêneos quanto à composição de seus núcleos, mais homogêneos quanto ao tamanho e à composição de suas periferias, e que os fatores relacionados à mudança na estrutura etária da população são as principais causas de redução do tamanho médio dos arranjos domiciliares” (MEDEIROS, OZÓRIO, 2002, p.7).

Nesse mesmo sentido, Araújo, Scalon (2005) afirmam que tem ocorrido grandes transformações no mundo da família e nas relações de gênero, enfraquecendo as características hierárquicas da sociedade, possibilitando assim o surgimento de formas mais horizontais e simétricas de interação. O conceito de gênero, ao enfatizar as relações sociais entre os sexos, permitiu a apreensão de desigualdades entre homens e mulheres, que envolvem como um de seus componentes centrais as desigualdades de poder. Nas sociedades ocidentais, marcada também por outros „sistemas de desigualdade‟, é possível constatar, no entanto, que o padrão dominante nas identidades de gênero de adultos envolve uma situação de subordinação e de dominação das mulheres, tanto na esfera pública como na privada (Carvalho apud FARAH, 2004). Tudo isso possibilitou grandes avanços em prol da igualdade de gênero no mundo. No Brasil muito se expandiu o conhecimento acerca da realidade das mulheres e dos homens, e por isso é possível dizer que durante o século XX as mulheres brasileiras obtiveram o reconhecimento e conquistaram várias vitórias. Segundo Alves (2000) as mulheres inseriram-se na educação, no mercado de trabalho, na seguridade social, nos esportes, obtiveram melhorias na esperança de vida, acesso ao voto, à mídia e aos meios contraceptivos. Isto representou um avanço em prol da diminuição das iniqüidades de gênero, contudo foi apenas uma batalha vencida, mas não o fim da guerra pela igualdade.

)

4 Segundo os autores os termos “núcleo” e “periferia” por não serem de uso corrente na literatura devem ser entendidos mais como instrumentos de classificação do que como uma indicação da composição das hierarquias nos arranjos. O temo periferia não possui nenhum conteúdo valorativo. Periferia então seria composta pelos membros cuja movimentação (entrada e saída).

As conquistas femininas se repercutiram em diversas áreas. Alves, Corrêa (2009) fazem um apanhado dessas conquistas, revelando grandes avanços e até mesmo o surgimento de hiatos de gênero revertidos. Mas os autores também apontam para muitos desafios a serem vencidos, principalmente quanto à permanecia das responsabilidades das mulheres pelas atividades domésticas e cuidados com os filhos e outros familiares o que indica a continuidade de modelos familiares tradicionais, que sobrecarregam as novas trabalhadoras, principalmente as que são mães de filhos pequenos, em virtude do tempo consumido em seus cuidados. Além disso, avançou-se pouco na ocupação dos espaços de poder mais hierarquizados e institucionalizados. E a violência, apesar das conquistas, continua representando uma questão social grave e com conseqüências diretas na vida, especialmente na saúde sexual e reprodutiva, das mulheres. Araújo, Scalon (2005) destacam que além da escassez e limitação dos dados, sabe- se que a assimetria de gênero, desfavorável a mulher, continua sendo um dado concreto das

novas possibilidades de cursos de vida para as mulheres brasileiras, principalmente devido

à reafirmação das tarefas de reprodução e criação de filhos, as quais, apesar de atualmente ocuparem cada vez menos tempo da vida adulta das mulheres, continuam sendo tarefas quase exclusivas delas, ao mesmo tempo em que o poder de decisão, especialmente no que envolve a chefia familiar, continua disproporcionadamente em mãos masculinas. Além disso, os estudos têm mostrando que se persiste o padrão tradicional de visão do trabalho doméstico, em que as mulheres se dedicam muito mais tempo quanto comparadas com os homens. Estas atividades foram construídas como uma responsabilidade “natural” do feminino e acabam por reforçar as desigualdades de gênero, tornando a mulher presa à família, à seus papéis e responsabilidades reprodutivas e o homem detendo todo o poder do grupo familiar que reforçam por muito tempo as desigualdades de gênero na família (SORJ, 2005). E nesse campo tem-se dado maior relevância à reflexão sobre o fenômeno das famílias em que a mulher é a chefe, em especial aquelas monoparentais. As discussões deste grupo concentram-se basicamente às condições de pobreza dessas famílias, uma vez que no Brasil, a maioria das mulheres chefes de família encontra-se em situação de vulnerabilidade social. Essa e outras afirmações levaram a construção de um termo bastante controverso, o denominado de „feminização da pobreza, considerando que há uma maior incidência de pobreza entre as mulheres do que entre os homens. Contudo, as mulheres não são, necessariamente, as mais pobres entre os pobres, e a adoção não crítica do termo „feminização da pobreza‟ pode estar sobre-representando as famílias

monoparentais com „chefia‟ feminina entre o grupo dos pobres, e ainda, associar a pobreza

à mulher é uma maneira de persistir com visões preconceituosas à respeito das capacidades

femininas (MACEDO, 2009). Também estão estritamente relacionadas às questões de gênero as formulações de políticas públicas para as famílias. Pois, tradicionalmente há uma grande centralidade das famílias como fator de proteção social, o que não somente implica considerar seu caráter ativo e participante nos processos de mudança em curso como também suas transformações internas, em especial suas dimensões de sexualidade, procriação e convivência. E devido às grandes transformações na família, Pinheiro, Fontoura (2007) e

também Bartholo (2009) discutem que a estrutura da proteção social deveria considerar as perspectivas sobre gênero e família existentes na sociedade atual, pois, muitas vezes, o que ocorre é que as políticas acabam por fortalecer a percepção da responsabilidade feminina pela esfera doméstica e maternidade, sem aproximar os homens da reprodução social, reforçando a divisão sexual do trabalho, dificultando a articulação trabalho e família para as mulheres e a redução das iniqüidades de gênero no mercado de trabalho.

Nesse sentindo Alves (2009) defende é preciso criar políticas amigáveis às mulheres e evitar o familismo 5 . Para o autor, desfamilização não significa opor-se à família em geral, mas sim ao tipo de arranjo familiar tradicional e hierarquizado, com forte desigualdade de gênero e geração. Desfamilizar a política de proteção social significa se opor à transferência das responsabilidades de atenção, cuidado e bem-estar do âmbito público para o seio da família.

2.2- Padrões de consumo das famílias Um grande marco para a história do consumo das famílias brasileiras foi a estabilização econômica proporcionada pelo Plano Real em 1994. O Plano Real marcou um novo período na história econômica do Brasil, em que o consumidor pôde experimentar a sensação de viver em uma economia com inflação reduzida, onde tinha a possibilidade de programar melhor os seus gastos. Como os investimentos, antes considerados rentáveis deixaram de seduzir os consumidores, estes passaram a substituí-los pela aquisição de produtos. O consumidor brasileiro, acostumado a se privar de uma série de bens, viu, neste período de inflação baixa, a possibilidade de realizar seus sonhos de consumo (FREITAS,

2005).

Segundo Ramos, Reis (1997) com a consolidação do Plano Real, o mercado de trabalho apresentou grandes modificações graças ao processo de globalização e a abertura da economia brasileira. As relações formais de trabalho ficaram um pouco mais frágeis e os grandes setores que utilizam muita mão de obra passaram a reduzir as vagas de trabalho. Com isso ocorreram grandes mudanças nas estruturas dos gastos e dos rendimentos das famílias, com uma relação relativamente direta entre aumento de rendimentos e crescimento nos gastos. Contudo houve poucas mudanças no que diz respeito à diminuição da desigualdade de renda. De certa forma, o que houve foi uma nova forma das famílias cuidarem dos seus orçamentos familiares por conta da estabilidade da moeda e planejar seus gastos. De acordo com Montali (2003), os efeitos da reestruturação produtiva e do desemprego interferiram diretamente no contexto familiar, uma vez que ocorrem rearranjos de inserção de seus componentes no mercado, que nem sempre conseguiam manter os rendimentos dessas famílias em seus níveis anteriores. Com isso, ocorreu uma queda das taxas de participação e de ocupação das vagas por chefesde famílias do sexo masculino e dos filhos, e um crescimento para as esposas, isto é, para o sexo feminino, se configurando outros tipos de arranjos e em outros momentos de ciclo de vida. Esses arranjos e rearranjos de inserção dos indivíduos de uma família no mercado de trabalho são definidos pela dinâmica da economia no país e pelas relações familiares e de gênero. Pode-se perceber que trabalhos precários e o desemprego afetam a composição dos arranjos familiares por estarem diretamente ligados ao sustento das famílias e aos seus rendimentos. Segundo estudo de Almeida, Freitas (2007) a renda mensal média dos domicílios brasileiros levantados pela Pesquisa Nacional de Orçamentos Familiares 2002-2003, foi de R$ 1.819,37, com uma diferença grande quando nos referimos aos setores urbanos e rurais (R$ 1.989,15 para as áreas urbanas e R$ 880,57 para as rurais). Quando analisado por regiões, os estados da região Sudeste apresentam uma renda média mensal dos domicílios de R$ 2.247,00, seguidos pela região Sul (R$ 1.970,90), Centro-Oeste (R$ 1.802,00), Norte (R$ 1.271,00) e Nordeste (R$ 1.101,00). Com relação a salários mínimos, observou-

5 Seria a transferência para a família da responsabilidade pelo bem-estar de seus membros e a subordinação dos interesses e prerrogativas pessoais (especialmente das mulheres) aos valores e demandas da família (ALVES, 2009).

se que 48% da população brasileira possuem renda mensal acima de cinco salários mínimos (R$ 1.000,00), 35% entre dois e cinco salários mínimos (R$ 400,00 e R$ 1.000,00, inclusive) e 17% abaixo de dois salários mínimos (R$ 400,00). Os estudos de orçamentos familiares, historicamente têm mostrado que à medida que cresce a renda, diminui a proporção da renda que é gasta com itens referentes à alimentação. Essa afirmativa é conhecida como Lei de Engel. Esta constatação pode parecer um tanto óbvia, porque sabe-se que apesar das pessoas melhorem a qualidade da alimentação, o que leva ao maior gasto, existe um limite para aquilo que as pessoas são capazes de ingerir de alimentos. Mas mostra dois aspectos importantes. Um que os gastos com outras atividades como educação e lazer passam a fazer parte integrante e com maior peso somente quanto o maior rendimento o permite. Outro aspecto é que famílias mais pobres acabam por comprometer grande parte de seus salários com alimentação e, como sabemos, em muitas situações a alimentação ingerida não é de alto conteúdo nutricional, além de comprometer a melhor educação e saúde das populações mais carentes (CALLEGARO, 1982). Base importante para o presente trabalho, em que as preocupações anteriores também estão presentes, é o estudo de Silveira et. al (2004). Os autores elaboraram uma tipologia socioeconômica das famílias e seus perfis de gastos a partir dos dados disponíveis na Pesquisa de Orçamentos Familiares de 1995-1996, pode-se citar que o gasto em assistência à saúde relacionaram-se mais à idade que às outras variáveis, enquanto a composição desses gastos é influenciada principalmente pela renda familiar e também pela faixa etária de seus componentes. Os gastos em educação foram classificados como mais relacionados com a renda familiar per capita, enquanto a composição desse tipo de gasto associou-se mais com o padrão etário das famílias. Quanto ao fumo, este assume proporção significante no orçamento das famílias pobres, o que as “impede” de direcionar maior tenda para despesas como diversificação alimentar, educação, recreação e cultura. Os gastos com cerimônias religiosas e familiares tendem a serem relevantes tanto para famílias ricas, idosas e pobres. Segundo Menezes et. al (2006), os gastos das famílias brasileiras com alimentos são afetados pelas alterações na renda, e em sua distribuição, pelos preços relativos dos bens e por outras transformações que ocorrem na sociedade brasileira, como por exemplo, urbanização, estilo de vida, mudanças demográficas, e transformações na composição das famílias (grau de instrução escolar e do sexo do chefeda família). Este estudo é referente aos gastos com alimentação, mas da mesma forma que esses fatores alteram esse tipo de gasto, influencia também os outros tipos de despesas. Em outro estudo sobre os perfis de gastos e de recebimento das famílias urbanas, observou-se características bem definidas entre os grupos de família. Entre os grupos familiares pobres, encontrou-se elevada participação dos gastos com alimentos básicos, transporte urbano, remédios e fumo. Nos grupos de maior renda, os gastos com habitação, serviços públicos, planos de saúde e educação. Nos grupos familiares com maior presença de idosos, destacam-se os gastos com saúde e alimentação. Quanto aos recebimentos, nos grupos pobres a maioria é oriunda do trabalho de empregado e de conta-própria, enquanto nos grupos de maior renda, rendimentos de empregador e provenientes de aplicações financeiras encontram-se bem acima da média dos grupos. No que se refere as transferências, as aposentadorias se destacam nos grupos familiares com chefesidosos. Os autores deste estudo ainda destacam que além da renda, o tamanho da família, composição etária e a idade do chefesão extremamente importantes na definição do padrão de consumo das famílias (SILVEIRA, BERTASSO, 2004).

O estudo de Almeida, Freitas (2007) mostra que as despesas pessoais (higiene

pessoal, comunicações, transportes, fumo, jogos, lazer, produtos farmacêuticos, roupas, assistência a saúde, outros imóveis, transferências financeiras, educação e viagens) correspondem pela maior participação no orçamento doméstico com 42% total das mesmas. Em segundo lugar são as despesas com alimentação (dentro e fora do domicílio) com 19% e habitação representando 17%. Nas famílias que possuem uma renda mensal de até R$ 500,00, os gastos com alimentação são responsáveis por 37% do orçamento e, conforme se distancia da classe, essa participação vai diminuindo até o limite de 10% na classe das famílias mais ricas. Quanto maior a classe socioeconômica também aumenta a participação de despesas pessoais, como para despesas de transporte. Segundo os primeiros

resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003, as despesas com alimentação, habitação e transporte correspondem a 74,69% (20,75%, 35,50% e 18,44%, respectivamente) da despesa de consumo média mensal das famílias brasileiras, que representa 61,55% da despesa total. Na despesa com alimentação, apresentaram maiores participações as Regiões Norte (27,19%) e Nordeste (26,79%), com resultados acima dos encontrados para o Brasil (20,75%). A menor participação deste grupo nas despesas de consumo ficou na Região Centro-Oeste (18,09%), influenciada principalmente pelo resultado encontrado para o Distrito Federal (13,64%).

3- BASE DE DADOS E METODOLOGIA

A base de dados utilizada neste estudo foi a Pesquisa de Orçamento Familiar

(POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Optou-se por esta base de dados devido à sua riqueza de informações em aspectos que envolvem a estrutura orçamentária, como despesas e rendimentos dos domicílios e famílias brasileiras,

o que possibilita a análise da composição dos gastos de acordo com rendimentos e

composição familiar. Além disso, Diniz et. al (2007) destaca que a pesquisa apresenta

ainda dados socioeconômicos e demográficos que enriquecem a leitura das informações específicas de consumo. Contudo os autores chamam a atenção para o fato de que a

despeito do volume de informações que a pesquisa apresenta ela ainda é pouco explorada.

O objetivo da POFs é o estabelecimento da estrutura de gastos em consumo

empregada nos cálculos dos índices de custo de vida, mais especificamente, a determinação e a atualização das estruturas de ponderação dos dois principais índices de preços do IBGE o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e a investigação da parcela do consumo das famílias nas Contas Nacionais. A fim de atender esses objetivos, a pesquisa investiga de maneira detalhada o orçamento das famílias, através da mensuração apurada dos rendimentos, o que possibilita novos focos de análise das condições de vida das famílias brasileiras, a partir de seus orçamentos domésticos (DINIZ et. al, 2007).

A POF é uma pesquisa realizada por amostragem, no qual são investigados domicílios particulares permanentes. Assim é o domicílio a unidade básica da pesquisa, ou seja a unidade amostral ou unidade de consumo, que compreende um único morador ou conjunto de moradores que compartilham a mesma fonte de alimentação ou compartilham

as

despesas com moradia. Essa unidade de consumo equivale, na POF, ao termo “família”.

O

conceito de família então é designado a partir do compartilhamento de despesas, contudo

se um domicílio coabitam, compartilhando despesas e consumo, um casal e sua filha e netos, a POF considera apenas uma unidade de consumo. Assim, neste trabalho os termos “família” e “unidades de consumo” têm o mesmo significado, mas se deve alertar para sua não-comparabilidade direta com as famílias que seguem o conceito da relação de

parentesco e de convivência, como aquele trabalhado na PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio). O que não significa que estas pesquisas não sejam comparáveis, pois a POF possui a variável de relação de parentesco e a partir daí pode-se estabelecer critérios de família comparáveis às demais pesquisas onde família segue o conceito de parentesco (IBGE, 2004). Para esta análise a consideração e conceituação das variáveis despesas e rendimentos tornam-se essenciais. Segundo a documentação da pesquisa, despesa total de uma unidade de consumo é constituída por todas as despesas monetárias e não monetárias correntes, considerando o aumento do passivo e a diminuição do ativo. Nesta análise serão utilizadas somente as despesas monetárias correntes que são compostas pelas despesas de consumo e as outras despesas correntes. As despesas de consumo são as realizadas pelos moradores dos domicílios com a aquisição de bens e serviços usados com a finalidade de atender as necessidades e desejos particulares desses moradores. As categorias de despesa principais utilizadas foram classificadas da seguinte forma: alimentação, habitação, vestuário, transporte, saúde, recreação e cultura, e outras. No que se refere à definição de rendimentos, segundo o IBGE (2004) são divididos em rendimentos monetários e não monetários, para esta pesquisa utilizou-se da variável calculada pela POF, denominada de Renda Total Mensal da Unidade de Consumo (UC) que se caracteriza como o somatório de todos os rendimentos (monetários e não monetários) da UC. Utilizou-se essa variável, pois seria necessário para o cálculo do percentual de poupança 6 o conhecimento de todas as rendas, e se fosse considerada somente o rendimento monetário as famílias ficaram mais empobrecida, o que na verdade é superado muitas vezes pelos rendimentos não monetários. Além disso, ao verificar a variável dos rendimentos não monetários, muitos declarantes afirmavam receber em forma de benefício rendimentos considerados monetários, como por exemplo, as aposentadorias e pensões. Assim, para evitar uma subdeclaração dos rendimentos, optou-se pelo uso da variável Renda Total Mensal da Unidade de Consumo. Por outro lado, esta escolha deve ser sempre lembrada quando se analisa nesta dissertação os diferenciais de rendimento familiar por sexo do responsável pela família, pois em alguns casos o rendimento de famílias de “chefia feminina” pode ser superior aquelas de “chefia” masculina, e esses diferenciais, muitas vezes, podem estar relacionados justamente pelo tipo de rendimento analisado (monetários e não monetários). Posteriormente foram definidas as variáveis de família e de caracterização sócio- demográfica. É necessário deixar claro que se focalizou a diferença da população de 15 anos e mais na família, pois acredita-se que a presença de filhos e outros 7 pequenos influencia diretamente a quantidade e o tipo de produtos e serviços requeridos pelas famílias, influenciando diretamente a as despesas e conseqüentemente a disponibilidade e uso da renda. Além disso, foram consideradas apensas pessoas de 15 anos ou mais de idade quando estas estavam na categoria de pessoa de referência. Assim teve os seguintes tipos de família: unipessoal, casal sem filho, casal sem filho com outros menores de 15 anos, casal sem filho com outros maiores de 15 anos, casal com filhos menores de 15 anos, casal com filhos maiores de 15 anos, casal com filhos menores e outros menores de 15 anos,

6 O termo percentual de poupança não está sendo usado no sentindo literal da palavra, pois o valor encontrado não obrigatoriamente precisa estar sendo poupado ou guardado, pois quando se trata de famílias este valor pode estar sendo utilizado de outras formas, como por exemplo, no investimento educacional e pessoal dos filhos ou de outros parentes. Assim o termo está sendo usado somente para ilustrar a relação entre rendimentos e despesas.

7 A categoria “outros” inclui agregados, empregados domésticos, parentes do empregado doméstico, pensionistas e outros parentes.

casal com filhos menores e outros maiores de 15 anos, casal com filhos maiores e outros menores de 15 anos, casal com filhos maiores e outros maiores de 15 anos, monoparental com filhos menores de 15 anos, monoparental com filhos maiores de 15 anos, monoparental com filhos menores e outros menores de 15 anos, monoparental com filhos menores e outros maiores de 15 anos, monoparental com filhos maiores e outros menores de 15 anos, monoparental com filhos maiores e outros maiores de 15 anos, outros com menores de 15 anos, outros com maiores de 15 anos. E para a caracterização sócio-demográfica utilizou-se as seguintes variáveis: sexo, idade, raça/cor e escolaridade do responsável pela família.

4- RESULTADOS E DISCUSSÕES

Quanto ao sexo da pessoa de referência nos diversos tipos de arranjo (Tabela 1), nota-se que ainda são os homens os mais definidos como os responsáveis pelas famílias, sendo que de forma geral eles respondem pela chefia de 73,7% dos arranjos e as mulheres apenas 26,3%. Isso ocorre de maneira mais visível principalmente nos arranjos de núcleo biparental, como o de casal com filhos e casal sem filhos, ou seja, nestes arranjos a chefia familiar‟ ainda é declaradamente masculina, e a mulher tende a assumir o papel de cônjuge. Estes dados estão muito atrelados à concepções desiguais de gênero, que acabam por definir muitas atitudes das mulheres com relação a declaração do responsável pela família, as quais diminuem e até mesmo eliminam sua contribuição, atribuindo ao companheiro a chefiada casa, embora as mesmas se reconheçam com parceira e até mesmo mantenedoras financeiras da unidade (SANTOS, 2008). Contudo, nos arranjos monoparentais mais de 90% das pessoas de referência são mulheres, fato discutido nos estudos de Woortmann, Woortmann (2002), pois os arranjos monoparentais masculinos é um evento ainda bastante raro. Também nos arranjos do tipo outros, em mais de 63% as mulheres são as pessoas de referência. E por fim, os arranjos unipessoais são aqueles que apresentam maior equilíbrio entre os sexos como pessoa de referência, 51% são homens e 49% são mulheres, fato justificado uma vez que a distribuição de sexos entre este tipo de arranjo tem se tornado cada vez mais homogênea, com grande crescimento de mulheres morando sozinhas, principalmente nas idades de 40 a 50 anos e também nas idades mais jovens (de 15 a 29 anos) (CARVALHO et. al, 2009). Quando se considera a idade dos filhos e/ou outros ainda na tabela 1, percebe-se que nos arranjos de casal com filhos e/ou outros maiores de 15 anos há maior percentual de mulheres como pessoa de referência. Fato que se inverte quando se trata de arranjos monoparentais, pois há maior presença de mulheres como pessoa de referência em arranjos em que os filhos e/ou outros são menores de 15 anos. Fato similar ocorre nos outros tipos de arranjos, pois naqueles em que há presença de outros maiores de 15 anos há maior número de homens como referência (44%), sendo que os arranjos de outros com menores apenas 28% são dados como tal. Tudo isso pode contribuir para maior vulnerabilidade dos arranjos “chefiados” pelas mulheres, pois como visto no referencial teórico, as mães com filhos pequenos enfrentam maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho e acabam por se sujeitar a piores condições de trabalho, normalmente mais presentes no mercado informal, com menos horas trabalhadas e menores salários (ALVES, 2000; BRUSCHINI, 2007).

Tabela 1 Distribuição percentual dos arranjos familiares segundo o sexo da pessoa de referência, Brasil 2002-2003.

Tipos de arranjos familiares

Distribuição linha

Distribuição coluna

 

sexo

Total

Sexo

Homem

Mulher

Homem

Mulher

1-unipessoal

5,2

4,9

10,2

7,1

18,8

2-casal sem filho 3-casal sem filho e outros < de 15 anos 4-casal sem filho e outros > de 15 anos 5-casal + filhos < 15 anos 6-casal + filhos > de 15 anos 7-casal + filhos e outros < de 15 anos 8-casal + filhos e outros > de 15 anos 9-casal + filhos > e outros < de 15 anos 10-casal + filhos e outros > de 15 anos 11-monop. + filhos < de 15 anos 12-monop. + filhos > de 15 anos 13-monop. + filhos e outros < de 15 anos 14-monop. + filhos < e outros > de 15 anos 15-monop. + filhos > e outros < de 15 anos 16-monop. + filhos e outros > de 15 anos 17-outros + menores de 15 anos 18-outros + maiores de 15 anos

10,3

0,9

11,1

14,0

3,2

0,9

*

0,9

1,2

*

1,1

0,1

1,2

1,5

0,5

33,7

2,0

35,7

45,8

7,6

9,5

0,9

10,4

12,9

3,6

1,9

0,2

2,0

2,5

0,6

3,0

0,3

3,3

4,1

1,1

3,1

0,3

3,4

4,2

1,1

1,3

0,2

1,5

1,8

0,6

0,5

4,6

5,1

0,7

17,3

0,8

4,4

5,3

1,1

16,9

*

0,6

0,7

*

2,4

*

0,9

0,9

*

3,2

0,4

2,4

2,8

0,5

9,2

0,2

1,0

1,1

0,2

3,7

0,3

0,8

1,1

0,4

2,9

1,5

1,9

3,4

2,0

7,1

Total relativo

73,7

26,3

100,0

100,0

100,0

Total Absoluto

   

48534638

35770480

12764158

Fonte: Microdados POF 2002-2003, IBGE. * As estimativas não ofereciam confiabilidade.

Observando a distribuição da renda e das despesas entre os arranjos familiares (tabela 2), nota-se que as famílias de chefia feminina apresentam os menores rendimentos entre os tipos de família, especialmente os arranjos monoparentais, os quais possuem alta discrepância entre rendimentos e despesas, com as despesas ultrapassando mais de 32% o valor da renda. Segundo o IBGE (2006), essa aparente precariedade e pobreza dos arranjos monoparentais femininos pode estar relacionada à questão da ausência do cônjuge nas estruturas familiares chefiadas por mulheres e as diferenças de inserção e desigualdade de rendimento entre homens e mulheres no mercado de trabalho. O que ficou claro na síntese de indicadores foi que entre as famílias chefiadas por homens 25,1% delas viviam com um rendimento familiar de até 1/2 salário mínimo per capita, enquanto nas famílias chefiadas por mulheres essa proporção era de 29,6%. Contudo essa proporção um pouco mais elevada para as famílias em que as mulheres são a pessoa de referência não é tão elevada a ponto de afirmar a existência de uma “feminização” da pobreza. Mas fato interessante a observar é que o arranjo em que o percentual de poupança se apresentou mais negativo (-40% da renda) foi o do tipo casal com filhos menores e outros maiores de 15 anos “chefiados” por mulheres, o que não acontece quando são “chefiados” por homens, os quais possuem uma poupança de quase 9% da renda. Esse fato pode indicar que, em muitos casos, a poupança negativa pode estar mais relacionada ao ciclo de vida das famílias do que ao sexo da pessoa de referência. Pois, segundo Castro, Vaz (2007), muitas famílias são mais preocupadas com o investimento na vida dos filhos, chegando a ponto de extrapolar o orçamento em virtude de garantir condições melhores de educação, saúde, lazer, etc. para os mesmos, do que ter um orçamento equilibrado. Um exemplo disso é o gasto com educação, pois apesar do acesso ao ensino privado só seja possível por meio de um gasto monetário que para muitas famílias pobres constitui um

ônus exagerado, alguns desses pais preferem arcar com esse ônus por imaginar que estão dando a seus filhos condições de vida melhores do que aquelas que tiveram.

Tabela 2 - Tipos de arranjos familiares por renda e despesa mensal média total segundo sexo do responsável pela família e o percentual médio de poupança mensal, Brasil 2002-2003

 

Renda média mensal da unidade de consumo (R$)

 

Despesa média mensal da unidade de consumo (R$)

 
 

Percentual de Poupança

 

Tipos de arranjos familiares

 

valor (R$)

valor (%)

homem

mulher

homem

mulher

homem

 

mulher

homem

mulher

1-unipessoal

1366,5

 

1297,5

 

1256,4

 

1204,5

 

110,1

 

92,9

8,1

7,2

2-casal sem filho 3-casal sem filho e outros < de 15 anos

1896,7

 

2094

 

1892,2

 

2009,7

 

4,4

 

84,2

0,2

4

1239,1

*

1187,3

*

51,8

*

4,2

*

4-casal sem filho e outros > de 15 anos 1951,9

 

3005,3

1861

2521,7

90,9

483,6

4,7

16,1

5-casal + filhos < 15 anos 6-casal + filhos > de 15

1633,8

1688,7

1692,7

1993

-59

-304,3

-3,6

-18

anos 7-casal + filhos e outros < de 15 anos 8-casal + filhos e outros > de 15 anos 9-casal + filhos > e outros < de 15 anos 10-casal + filhos < e outros > de 15 anos 11-monop. + filhos < de

2887,7

2800,7

2700

2521,7

187,7

279

6,5

10

1435,6

1040,9

1491,4

1161,8

-55,8

-120,9

-3,9

-11,6

2381,6

3133,7

2168,5

4388,5

213,1

-1254,8

8,9

-40

2139

1596,2

2103,5

1777

35,5

-180,8

1,7

-11,3

3399,1

2239,2

3236

2045,1

163,2

194,1

4,8

8,7

15

anos

1293,9

1005,1

1276,7

1184,2

17,2

-179,1

1,3

-17,8

12-monop. + filhos > de

 

15

anos

2296,9

1739,7

2186,7

1756,9

110,3

-17,2

4,8

-1

13-monop. + filhos e outros < de 15 anos 14-monop. + filhos < e outros > de 15 anos 15-monop. + filhos > e outros < de 15 anos 16-monop. + filhos e

*

802,4

*

1061,4

*

-259

*

-32,3

*

1766,3

*

1819,7

*

-53,4

*

-3

1729,5

1527,1

1615,7

1427,4

113,7

99,6

6,6

6,5

outros > de 15 anos

2344,3

2840,3

2689,5

2371,9

-345,2

468,4

-14,7

16,5

17-outros + menores de

 

15

anos

1516,4

15 anos 1516,4 982,2 1333,3 1048,7 183,1 -66,5 12,1 -6,8

982,2

15 anos 1516,4 982,2 1333,3 1048,7 183,1 -66,5 12,1 -6,8

1333,3

15 anos 1516,4 982,2 1333,3 1048,7 183,1 -66,5 12,1 -6,8

1048,7

15 anos 1516,4 982,2 1333,3 1048,7 183,1 -66,5 12,1 -6,8

183,1

15 anos 1516,4 982,2 1333,3 1048,7 183,1 -66,5 12,1 -6,8

-66,5

12,1

-6,8

18-outros + maiores de

 

15

anos

1789,9

 

1753,3

 

1717,7

 

1694,5

 

72,2

 

58,8

4

3,4

Fonte: Microdados POF 2002-2003, IBGE. * As estimativas não ofereciam confiabilidade.

Além disso, pode-se verificar a influência do ciclo de vida no orçamento das famílias observando a idade dos filhos e/ou outros, pois as famílias que possuem filhos e/ou menores de 15 anos, independente do arranjo, apresentam as menores rendas, e contrariamente, as famílias com filhos e/ou outros maiores de 15 anos possuem as rendas mais elevadas, mostrando que arranjos com menor razão de dependência apresentam melhores condições de rendimento, e aqueles em que a razão de dependência é elevada, a renda familiar cai bruscamente. Pois componentes familiares maiores de 15 anos passam a ser co-provedores, podendo contribuir de alguma forma para a renda da família. E, contrariamente, moradores menores de 15 anos demandam muitos recursos e ainda não podem contribuir para o orçamento. Pode-se afirmar com esses dados que existe uma

relação positiva entre o rendimento familiar e a presença de provedores, sejam eles cônjuges, filhos ou outros. E segundo Pinheiro, Fontoura (2007), devido à presença reduzida de cônjuges nas famílias chefiadaspor mulheres, a contribuição dos filhos e de outros moradores se torna relativamente mais importante nas famílias com chefia feminina do que naquelas chefiadaspor homens. Percebe-se ainda que arranjos monoparentais femininos em que os filhos e/ou outros são menores de 15 anos apresentam os rendimentos mais baixos, nestes casos há

uma associação entre a alta razão de dependência, a falta de co-provedores (cônjuge, filhos

e outros) e ainda a dificuldade de inserção no mercado de trabalho das mães com filhos pequenos. Pois, segundo Bruschini (2007), muitas mães, devido aos problemas de

conciliação trabalho e família, acabam aceitando empregos precários, os quais ofertam menores salários. Com relação ao déficit orçamentário observado em alguns tipos de arranjos, ou seja, apesar de em vários arranjos as famílias parecem gastar mais do que recebem, este é um dado que deve ser analisado com bastante cautela. De acordo com Castro, Magalhães (2006) realmente existe essa tendência, indicando que possivelmente há um permanente processo de endividamento de grande parcela das famílias dos grandes centros urbanos do país, além de um alargamento da restrição orçamentária para essas famílias que se dá por meio de esquemas de solidariedade social ou compras correntes a serem pagas posteriormente. Especificamente os arranjos unipessoais, observando a tabela 3 pode-se notar que 51% são compostos por homens e 49% por mulheres. Com relação à idade, percebe-se que

o grande peso das pessoas morando sozinhas está nas idades superiores à 60 anos, com

mais de 39% dos moradores sozinhos, contudo neste grupo etário são as mulheres que O grupo de 15 a 24 anos concentra o menor percentual de pessoas com esta característica. Contudo, como mostrado no estudo de Carvalho et. al (2009), tem ocorrido uma maior tendência de crescimento (1987-2007) deste tipo de arranjo principalmente entre as mulheres nas idades de 40 a 49 anos, e também nas idades mais jovens (até 29 anos). O crescimento somente é maior para os homens nos grupos etários acima de 60 anos, o que poderia ser consequência do aumento dos divórcio e da longevidade. Os autores veêm este crescimento das mulheres vivendo sozinhas nas idades mais jovens como uma possível tendência para os próximos anos, fatos resultantes, principalmente, das mudanças e da valorização dos interesses individuais, em que cada vez mais as obrigações familiares são

adiadas ou até mesmo trocadas por valores mais individualistas.

Quanto à distribuição das pessoas vivendo sozinhas de acordo com os anos de estudo dos moradores, percebe-se que a maioria tem entre 4 e 7 anos de estudo, seguido daqueles sem instrução e de até 3 anos de estudo, ou seja, um nível de escolaridade baixo.

O que pode se justificar uma vez que, devido ao maior peso no arranjo unipessoal ser das

pessoas idosas e principalmente das mulheres com 60 anos e mais, e tradicionalmente a sociedade brasileira não incentivava que estas mulheres estudassem, chegando a cursarem no máximo o ensino fundamental, o que acaba deixando a escolaridade deste grupo bastante reduzida, e por efeitos de coorte estes grupos de até 7 anos de estudo tem maior peso entre as pessoas que moram só. Observa-se que é baixo o percentual daquelas pessoas com mais de 15 anos de estudo, grupo composto basicamente de indivíduos mais jovens,

contudo é neste grupo em que o percentual de homens e mulheres são mais próximos. Como mostrado anteriormente, há uma tendência de crescimente de pessoas neste grupo e espera-se que nos próximos anos o efeito de coorte seja menor e que a escolaridade das pessoas sozinhas aumente, principalmente entre as mulheres.

E quanto à distribuição dos arranjos unipessoais de acordo com a raça/cor nota-se que a maioria das pessoas sozinhas são da raça/cor branca, e somente nesta categoria há mais mulheres morando sozinhas (20,52%) do que homens (28,4%). Os grupos seguintes com maior representação são composto por pessas da raça/cor parda e pretas. Os grupo de outras raça/cor possuem pouca representatividade neste tipo de arranjo. Outros estudos que correlacionam sexo, idade e escolaridade dos “chefes de família” como o de Silveira, Bertasso (2004, p.5), mostraram que quanto mais velhos o „chefe‟ da família, menor tende a ser sua escolaridade e maior é a probabilidade de ser do sexo feminino”. Os autores justificam esses resultados a partir da maior esperança de vida maior para as mulheres em relação aos homens e do aumento da escolaridade entre as gerações mais novas, principalmente entre as mulheres. Pode-se aferir que ainda existe um grande efeito de geração sobre a escolaridade do grupo de pessoas com mais de 60 anos, uma vez que as mulheres mais jovens possuem escolaridade maior do que os homens, contudo isso ainda não aparece entre as idosas. Sabe-se ainda que será uma questão de tempo, para que o efeito do peso das coortes seja superado, e assim em breve, as mulheres terão maior escolaridade do que os homens em todos os grupos etários neste tipo de arranjo. Os dados ao mesmo tempo mostram um avanço no que envolve a educação das mulheres, também mostram uma tendência de criação de um novo hiato de gênero, agora em favor das mulheres. Essa mudança pode trazer várias conseqüências para as relações de convivência entre homens e mulheres, e como destacam Alves, Corrêa (2009), podem acarretar vários problemas de gênero como o aumento da violência conjugal.

Tabela 3 - Distribuição percentual (%) de arranjos unipessoais de acordo com o sexo, a idade, a escolaridade e a raça/cor do morador, Brasil 2002-2003.

Distribuição na linha

Distribuição na coluna

 

Sexo

Total

Total

Sexo

 

Variáveis

Homem

Mulher

Relativo

Absoluto

Homem

Mulher

Grupos de idade

15

a 24

3,5

1,9

5,4

267401

6,9

3,9

25

a 34

11,0

3,8

14,8

729075

21,3

7,9

35

a 44

10,7

5,5

16,2

798820

20,8

11,3

45

a 59

13,4

10,8

24,2

1194930

26,0

22,3

60

e mais

12,9

26,6

39,5

1948310

25,1

54,7

Total Relt.

51,5

48,5

100,0

 

100,0

100,0

 

sem instrução e até 1 ano

8,6

10,9

19,6

965564

16,8

22,5

 

Anos de estudo

1

a 3

8,5

9,4

17,9

882029

16,5

19,3

4

a 7

13,5

11,5

25,0

1232266

26,2

23,6

8

a 10

6,4

3,3

9,7

478870

12,5

6,8

11

a 14

8,2

7,4

15,6

768496

15,9

15,2

15+

4,5

4,5

9,0

445262

8,8

9,3

Indeterm.

1,71

1,66

3,36

166048

3,3

3,4

 

Total Relt.

51,5

48,6

100,0

 

100,0

100,0

 

branca

28,4

30,5

58,9

2909277

55,2

62,9

Raça/cor

Preta

4,8

4,5

9,3

459065

9,3

9,4

Parda

17,2

13,2

30,4

1501460

33,5

27,2

outras

*

*

1,4

68734

*

*

 

Total Relativo

51,5

48,5

100,0

100,0

100,0

 

Total Absoluto

 

100

4938536

2541199

2397338

Fonte: Microdados POF 2002-2003, IBGE.

* As estimativas não ofereciam confiabilidade.

No que diz respeito a renda e a despesa mensal médias das pessoas sozinhas (tabela 4) de acordo com a idade, percebe-se que nos grupos etários de 25 a 34 e de 45 a 59 anos as mulheres recebem e gastam mais que os homens, ou seja, existe um hiato de renda em favor das mulheres. Contudo apesar das mulheres de 25 a 34 anos ganharem mais (cerca de 64% a mais da renda dos homens), isso não impede que elas apresentem um orçamento negativo, assim como os homens. Já o grupo de 45 a 59 anos mesmo os homens ganhando menos, eles conseguem ter uma poupança bem superior às mulheres, 16% da renda enquanto a elas não chegam a poupar 2%. Nos grupos de 35 a 49 e 60 anos e mais, mesmo existindo um hiato de renda bastante expressivo entre os sexos sendo este em favor dos homens, as mulheres conseguem ter uma poupança superior aos homens. O grupo de 15 a 24 também apresenta um hiato de renda em favor dos homens, contudo ambos os sexos possuem um orçamento negativo, sendo mais expressivo entre os homens (27% da renda). Estes dados revelam que o grupo mais jovem das pessoas sozinhas são mais vulneráveis, em especial os homens. Com relação aos anos de estudo, nota-se que homens e mulheres possuem comportamentos bastante diferenciados. Enquanto que nos grupos de até 7 anos de estudo as mulheres apresentam renda familiar maior do que os homens (chegando a ganhar cerca de 42% a mais da renda homens no grupo de 1 a 3 anos de estudo), os homens tem maior renda do que as mulheres nos grupos mais escolarizados. Ou seja, pode-se dizer que entre as pessoas que moram sozinhas o hiato de renda por sexo ocorre em favor das mulheres nos grupos de menor escolaridade, o qual é formado principalmente por idosas que recebem aposentadoria e pensões, e em favor dos homens nos grupos mais escolarizados, o qual é composto por homens mais jovens e que provavelment estão em plena atividade econômica. Nesse sentido as mulheres menos escolarizadas (até 3 anos de estudo) conseguem fazer uma poupança de até 10% de sua renda, enquanto os homens apresentam um orçamente negativo. Contrariamente, no grupo de 4 a 7 anos de estudo, enquanto os homens fazem em média uma poupança de mais de 7% de sua renda, as mulheres gastam cerca de 1% a mais do que recebem. Analisando as caracteríscas de acordo com a raça/cor das pessoas sozinhas, percebe-se que o orçamento negativo só aparece entre os homens da raça/cor parda, pois as mulheres destes grupos são as que apresentam maior poupança (22% e 50% de sua renda, respectivamente). É interessante obsevar que entre a raça/cor outra ocorre o maior hiato de renda por sexo em favor dos homens, ou seja, as mulheres ganham a menos 46% da renda dos homens. Contudo é a raça/cor preta que apresenta o maior hiato de renda, e este é em favor das mulheres, elas ganham 127% a mais da renda dos homens. O maior equilíbrio da renda entre sexos ocorre entre a raça/cor parda, em que praticamente homens e mulheres ganham igualmente, contudo os homens gastam bem mais do que as mulheres. Ao tratar das despesas de famílias e indivíduos, optou-se, em muitos casos por apresentar somente as distribuições percentuais, e não os valores nominais, das despesas familiares/individuais segundo o sexo da pessoa de referência. Isso porque como famílias chefiadaspor homens bem como seus chefes auferem, na maioria das vezes, maiores rendimentos do que aquelas cuja chefia é feminina, qualquer análise comparativa dos valores nominais levaria quase sempre à conclusão de um maior gasto de homens, comparativamente ao de mulheres, qualquer que fosse o item de despesa analisado. Para que os diferenciais se evidenciem é importante olhar para a forma como homens e mulheres, e famílias chefiadas por eles, alocam de maneira distinta sua renda. Logo, qualquer análise comparativa a ser feita deve levar em consideração o peso relativo das despesas para famílias ou indivíduos.

Tabela 4 - Distribuição média mensal em real (R$) de renda e despesa e percentual de poupança por sexo e anos de estudo das pessoas sozinhas, Brasil 2002-2003.

Homem

Poupança

Hiato Salarial

Mulher

Poupança

Variáveis

Renda

Despesa

R$

%

R$

%

Renda

Despesa

R$

%

Grupos de idade

 

-

-

15

a 24

774,4

980,1

-205,7

-26,6

105,6

13,6

668,8

787,7

118,9

17,8

25

a 34

1237,1

1254,1

-17,1

-1,4

-791,7

-64,0

2028,8

2046,7

-18,0

-0,9

35

a 44

1897,1

1591,4

305,7

16,1

196,6

10,4

1700,5

1314,6

386,0

22,7

45

a 59

1419,3

1196,8

222,4

15,7

-71,4

-5,0

1490,7

1471,4

19,3

1,3

60

e

 

mais

1144,4

1048,5

95,8

8,4

69,2

6,0

1075,2

947,1

128,0

11,9

 

sem instrução até 1 ano

 

Anos de estudo

409,5

407,5

2,0

0,5

-60,8

-14,9

470,3

450,0

20,4

4,3

1

a 3

518,9

558,0

-39,0

-7,5

-219,0

-42,2

737,9

660,5

77,4

10,5

4

a 7

799,7

739,5

60,2

7,5

-208,9

-26,1

1008,6

1022,5

-13,9

-1,4

8 a 10

1254,0

1040,2

213,7

17,0

187,2

14,9

1066,8

912,9

153,9

14,4

11

a 14

1972,9

1907,7

65,2

3,3

53,4

2,7

1919,5

1728,8

190,7

9,9

 

15

e

 

mais

5384,5

4502,5

882,0

16,4

1527,0

28,4

3857,4

3441,5

415,9

10,8

Raça/cor

Branca

1818,5

1621,0

197,4

10,9

318,3

17,5

1500,2

1467,4

32,8

2,2

Preta

573,7

528,0

45,1

7,9

-728,9

-127,2

1302,1

1084,4

217,7

16,7

Parda

844,3

850,6

-6,3

-0,8

1,9

0,2

842,4

655,5

186,9

22,2

outras

*

*

*

*

*

*

*

*

*

*

Fonte: Microdados POF 2002-2003, IBGE. * As estimativas não ofereciam confiabilidade.

Desagregando os gastos percentuais com os diversos tipos de despesas de acordo com os arranjos familiares (Tabela 5), pode-se dizer que de maneira geral as despesas com habitação são as que mais pesam entre todos os tipos de arranjos, ficando com um peso de 41% entre as demais despesas, seguido das despesas com alimentação com peso médio de 25% entre as outras despesas. E é entre as pessoas sozinhas que o percentualmente com habitação é maior (49%), ou seja, o gasto com habitação corresponde a quase metade de todas as demais despesas, principalmente aqueles unipessoais femininos. O que se justifica uma vez que há somente uma pessoa para pagar o aluguel, a prestação do imóvel bem como as contas mensais. E por outro lado, o percentual gasto com alimentação e transporte são mais elevados nos arranjos em que os homens são as pessoas de referência. Quando se observa as diferenças de consumo por sexo, percebe-se que de modo geral os arranjos de em que o homem é a pessoa de referência o peso com as despesas de alimentação e transporte é maior. Segundo Hoffmann (2007) o peso dos gastos com alimentação está diretamente associado ao número de membros da família, e como família “chefiadas” por homens têm em média maior número de moradores (PINHEIRO, FONTOURA, 2007) este peso conseqüentemente é mais elevado. E com relação às despesas com transporte, normalmente por auferirem maior renda, os arranjos de “chefia” masculina possuem mais carro próprio (STIVALI, GOMIDE, 2007) e por isso o percentual gasto com transporte é superior. Já os arranjos em que a mulher é a pessoa de referência apresentam maiores despesas percentuais com habitação, o que segundo Bertasso (2007) pode estar relacionado ao fato de que arranjos de “chefia” feminina têm maior probabilidade de consumo de bens duráveis do que aqueles de “chefia” masculina.

Tabela 5 - Distribuição percentual (%) dos gastos segundo tipos de despesa, arranjos familiares e sexo do responsável, Brasil 2002-2003.

 

alimentação

habitação

Vestuário

Transporte

saúde

educação

recreação

outras

Tipos de arranjos

H

M

H

M

H

M

H

M

H

M

H

M

H

M

H

M

1-unipessoal

24

19,5

43,5

53,4

3,5

3,5

9,7

4,3

3,8

6,6

0,9

0,7

3,2

2,4

11,4

9,6

2-casal sem filho 3-casal sem filho e outros < de 15 anos 4-casal sem filho e outros > de 15 anos 5-casal + filhos < 15 anos 6-casal + filhos > de 15 anos 7-casal + filhos e outros < de 15 anos 8-casal + filhos e outros > de 15 anos 9-casal + filhos > e outros < de 15 anos 10-casal + filhos < e outros > de 15 anos 11-monop. + filhos < de 15 anos 12-monop. + filhos > de 15 anos 13-monop. + filhos e outros < de 15 anos 14-monop. + filhos < e outros > de 15 anos 15-monop. + filhos > e outros < de 15 anos 16-monop. + filhos e outros > de 15 anos 17-outros + menores de 15 anos 18-outros + maiores de 15 anos

21,6

19,5

41,3

45,5

4,5

4,9

10,9

9

6,5

5,8

0,7

0,9

2,6

2,9

11,9

11,5

29,1

*

39,2

*

4,9

*

7,9

*

5,5

*

0,8

*

3,2

*

9,4

*

22,7

19,3

37

33,5

5,7

5,3

9,8

14,4

6,2

5,1

1,5

1,5

3,5

3,2

13,6

17,7

26,6

23,7

36,6

39,2

6

6,2

11,7

10,7

4,2

3,9

1,7

2,1

3,2

3,7

10

10,6

22,1

21,1

34,6

38,8

5,4

4,8

13,7

10,1

5,8

6,1

3

2,4

3,8

4,1

11,7

12,5

31,6

29,6

31,6

35,8

7,4

7,7

9,7

8

4,1

3,5

1,2

1,1

3,5

3,4

11

10,8

25,4

19,3

33,7

35,6

6,3

6,2

11,8

10,2

5,1

5,6

2,4

3,1

3,8

4,6

11,6

15,3

26,2

28,1

34

37,1

6,4

6,9

10,9

8

6,1

4,1

1,4

1,1

3,4

3,2

11,4

11,5

23,6

16,6

32,8

36,8

5,1

7,1

12,9

11,7

6,2

7,4

2,5

1,6

3,8

5,6

13

13,2

27,9

25,1

40,8

43,8

5,7

6,8

9,7

6,7

2,4

3,6

1,5

2,1

3,3

3

8,8

8,9

25,4

21,1

37,9

43,2

5,6

5

9

9,1

5

5,6

1,6

2,2

3,5

3,2

12

10,5

*

32,5

*

36,3

*

7,9

*

5,2

*

4,2

*

1,1

*

2,9

*

10

*

22,4

*

42,1

*

6,4

*

9

*

4,9

*

2,2

*

3,3

*

9,7

27,6

27,1

36,4

38,1

6,4

6,9

8,4

7,3

4,7

5

1,1

1,4

3,5

3,3

11,8

10,9

29,1

23,3

31,6

39,4

6,2

5,8

11,4

8,5

4,4

6,4

1,6

2,3

3,5

3,2

12,3

11,2

26,7

27,3

40,8

41,6

5,6

6,7

8,3

4,6

3,3

5,4

2,6

1,5

3,8

2,9

9

10

25

21,5

36,9

41

6

5,8

10,2

8,3

4,6

6,4

1,9

1,9

4,7

3,6

10,8

11,6

Fonte: POF-2002-2003 * As estimativas não ofereciam confiabilidade

Além disso, os arranjos em que a mulher é a responsável, auferem, na maioria das vezes, menor renda e por isso talvez ainda não possuam casa própria, o que faz com os gastos percentuais com habitação sejam mais elevados. Quanto ao gasto com vestuário, ao contrário do que falam no censo comum, homens e mulheres possuem um gasto percentual bastante semelhante, sendo que dos 18 arranjos familiares, em 9 os percentuais são maiores entre aqueles com pessoa de referência masculina, apesar desta diferença ser bastante pequena. Ou seja, pode-se dizer que esta é uma despesa mais homogênea, ficando em torno de 6% do valor total das despesas. Dados similares são verificados com a despesa com educação, a qual o peso relativo fica um pouco mais elevado nos arranjos em que a mulher é a pessoa de referência, contudo os diferenciais são muito pequenos, e em 7 dos 18 tipos arranjos os diferencias são em favor daqueles em que os homens são “chefes”. De forma geral pode-se verificar que os gastos percentuais com vestuário e educação são mais elevados entre os arranjos que possuem filhos e/ou outros menores de 15 anos. Isso por que segundo Silveira, Bertasso (2004) em famílias com adolescentes é alto o gasto com cursos regulares e pré-escolar, os quais, em sua maioria, são oferecidos pela rede de ensino privada, o que acaba por aumentar o peso das despesas com educação. Além disso, o peso superior com vestuário pode estar relacionado ao fato de que as crianças por ainda estarem em fase de crescimento, trocam mais o vestuário do que os adultos. No que diz respeito às despesas com recreação, na maioria das vezes, o seu peso é mais elevado em arranjos de “chefia” masculina, existindo poucos tipos de arranjos em que este gasto percentual é superior quando a pessoa de referência é mulher. Os gastos relativos com recreação são mais elevados especialmente naqueles arranjos em que os filhos e outros são maiores de 15 anos.Pois segundo Silva et. al (2007) as famílias com a presença de filhos menores o peso do gasto com cultura/lazer é menor em comparação com aquelas que têm filhos maiores de 15 anos. Pois segundo os autores, o consumo com recreação é feito em boa medida por jovens, ou por famílias que têm filhos de mais de 18 anos ainda no domicílio. E ainda justificam esse comportamento como esperado, uma vez tendo em vista as necessidades de cuidados com as crianças dependentes (menores de 18 anos) e outras atividades das crianças e jovens que tomam tempo ou fazem com que o lazer doméstico seja uma estratégia mais comum quando comparado a famílias de jovens mais independentes. Desagregando o tipo de despesa e sua distribuição percentual de gastos no arranjo unipessoal por algumas características sócio-demográficas (Tabela 6), pode-se observar que os homens apresentam maior percentual gasto no total geral das despesas, em especial aquelas com transporte, recreação, alimentação, educação e outras. As mulheres gastam relativamente mais nas despesas com habitação, saúde e vestuário. É preocupante o fato de que as mulheres que moram sozinhas em média ao mês gastam percentualmente com habitação o correspondente a mais de 54% de total de suas despesas, enquanto que entre os homens este percentual não ultrapassa 44%. Em transportes, os homens gastam em média 10% enquanto as mulheres apenas 4% do valor das despesas. Os dados corroboram com o estudo de Pinheiro, Fontoura (2007), no qual as famílias em que a pessoa de referência é mulher gastam proporcionalmente mais com: habitação, vestuário, higiene, saúde, educação, cultura e serviços pessoais; e as que têm homens como responsáveis gastam relativamente mais com: transporte, alimentação. Contudo, contrariamente, no arranjo unipessoal os homens têm maior gasto proporcional com educação e recreação. Esse fato torna-se interessante, pois as mulheres que vivem sozinhas apresentam, em quase todas as

categorias, maior escolaridade que os homens, assim o fato deles apresentarem maior peso com as despesas de educação do que elas, pode ser resultado do processo em que os homens, por ingressarem antes ao mercado de trabalho e por enfrentarem logo cedo dificuldades de conciliação estudo-trabalho, acabam, muitas vezes, optando por cursos mais rápidos ou com horários mais flexíveis, os quais estão mais disponíveis no sistema privado. No que diz respeito à distribuição média mensal dos gastos entre as despesas das pessoas que moram sozinhas e idade, de maneira geral observa-se poucas diferenças, com o grupo de 35 a 44 anos gastanto em média os maiores percentuais, enquanto que o grupo dos jovens gasta em média o menor valor percentual. Como mensionado anteriomente, os idosos são aqueles em que a despesa com habitação tem maior peso e na outra ponta se encontra aqueles com 25 a 34 anos, o mesmo ocorre com as despesas com transporte. As despesas com saúde apresentam menor peso entre os jovens de 15 a 24 anos, já no grupo dos idosos a correspondência se dá com outras despesas e aquelas com educação. Assim como discutiram Castro, Vaz (2007), os gastos percentuais com educação são maiores entre famílias mais novas, o que pode estar relacionado ao fato de que, nas famílias com pessoas de referência mais velhas exista um menor número de pessoas em atividade escolar. E contrariamente as famílias mais jovens concentram o maior número de pessoas que estão freqüentando a escola e consequentemente possuem um maior gasto relativo, apesar de que se sabe que estas possuem menor renda que as famílias com responsáveis mais velhos.

Tabela 6- Distribuição percentual (%) dos gastos médios mensais dos arranjos unipessoais segundo tipos de despesa, sexo, idade e anos de estudo, Brasil 2002-2003.

Variáveis

alimentação

habitação

vestuário

transporte

saúde

educação

recreação

outras

Total

Sexo

Homem

17,3

37,4

3

15,8

4,3

1,8

4,9

15,5

100

Mulher

15,3

46,3

4,1

8,5

7,1

1,6

4,4

12,7

100

 

15

a 24

22,9

43

5,1

10,5

1,9

2,6

5,5

8,5

100

25

a 39

23

39,6

4,8

12,5

2,3

2

5,3

10,5

100

Idade

35

a 44

22,4

45,2

4,3

9,1

3,7

1,1

3,5

10,8

100

45

a 59

21,2

50,4

3,7

7,4

4,4

0,5

2,7

9,8

100

 

60

e

 

mais

23

53,9

2,5

3,8

7,9

0,2

1,4

7,2

100

 

sem instrução até 1 ano

 

Anos de estudo

28,8

50,7

3,3

3,3

5,9

1,3

6,7

0

100

1

a 3

24,7

53,3

3

4,9

5,3

1,4

7,3

0,1

100

4

a 7

22,6

52,8

3,5

5,7

5,5

2

7,9

0,1

100

8 a 10

22,8

47,1

3,7

8,3

4

3,7

9,8

0,6

100

11

a 14

18,9

43

4,4

11,1

4,8

4,5

10,8

2,6

100

 

15

e

 

mais

12,8

39,8

3,5

16

4,9

6,7

14,3

2,1

100

 

Total

16,3

41,8

3,5

12,2

5,7

1,7

4,7

14,2

100

Fonte: Microdados POF 2002-2003, IBGE.

Analisando agora a distribuição das despesas nos arranjos unipessoais de acordo com a escolaridade dos moradores, os maiores diferenciais de gastos relativos entre os grupos de anos de estudo aparecem nas despesas com transporte, educação e recreação, chegando as pessoas mais escolarizadas a ter uma peso de mais de 5 vezes com educação do que aquelas de até 1 ano de estudo. Especialmente quanto à educação, percebe-se que os

arranjos unipessoais seguem a tendência observada no estudo de Castro, Vaz (2007) no

qual o crescimento relativo das despesas com educação é maior entre as famílias cujos chefes tinham 11 ou mais anos de estudo.

O peso das despesas com alimentação e habitação no conjunto total das despesas

são inversamente proporcinais ao nível de escolaridade e despesas como vestuário e saúde não apresentaram grandes modificações de acordo com os anos de estudo, ficando com um peso entre as demais despesas de 4% e 5% respectivamente. Estes dados corroboram com os estudos de Silveira, Bertasso (2004, p.5), os quais encontraram um correlação positiva entre as variáveis nível de instrução do chefee o gasto com alimentação, pois “quanto maior a instrução do „chefe‟, menor a participação dos gastos alimentares no seu desembolso global”. Assim como nos outros arranjos familiares, esses dados das pessoas que mora sozinha também corroboram com a Teoria de Engel, para qual há uma

combinação entre aumento da renda e diminuição dos gastos relativos com alimentação e aumento do peso das outras despesas, dentre estas educação, recreação, etc.

5- CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo permitiu aprofundar o conhecimento dos padrões de consumo entre os

arranjos familiares e das pessoas que moram sozinhas, identificando os principais diferenciais a partir do ciclo de vida familiar, sexo da pessoa de referência e ainda de algumas características sócio-demográficas do arranjo unipessoal. Esse conhecimento é vital para a formulação de políticas públicas que combatam os altos níveis de desigualdade vigentes na sociedade brasileira, desigualdades não só de renda, mas também de gênero, as

quais se refletem na utilização desigual dos bens consumidos pelas famílias e nas demandas customizadas.

A renda é realmente uma variável essencial para a determinação dos gastos na

família, juntamente com algumas características sócio-econômicas (escolaridade, idade, etc.) contribuem para oportunizar ou impedir certos tipos de gastos, se destacando aqueles

com alimentação, saúde, educação, recreação e outras. Além disso, apesar dos arranjos em que a pessoa de referência é mulher apresentar na maioria das vezs menor renda familiar quando comparados à aqueles em que o homem é o chefe, nota-se que em alguns casos, dependendo da desagregação feita, isso não ocorre, pois o peso dos arranjos em que os homens são os chefes passam a apresentar menor renda. Estes são dados que ainda devem ser melhor analisados, uma vez que renda familiar neste estudo incluiu tanto rendimentos monetários e não-monetários. De qualquer forma, assim, como discutido no referencial teórico, relacionadar diretamente a “chefia” feminina à pobreza pode ser algo bastante errôneo e por isso os estudos que tratam esse tema devem ser cautelosos a afirmar estas questões. Além do efeito da renda sobre o gasto mensal com educação e recreação, estas também são bastante influenciadas pela composição das famílias, pois famílias em que os filhos e/ou outros têm menos de 15 anos apresentam gastos percentuais mais elevados com educação do que aquelas em que estes são maiores de 15 anos, pois quando pequenos os filhos e/ou outros necessitam de cuidados com creche e pré-escola, mais acessíveis no ensino privado, e por outro lado quando maiores, existem mais facilidades para inserção no ensino público. Contrariamente, o peso do gasto com recreação é mais elevado em famílias em que os filhos e/ou outros são maiores de 15 anos, uma vez que esta é uma necessidade maior entre os jovens do que entre crianças.

Os dados sobre os gastos em despesas relacionadas à família e os diferenciais por sexo do responsável pelo arranjo familiar, revelaram que estabelecer qual dos chefes (homens ou mulheres) gasta melhor com despesas relacionados à família, ou gasta mais voltado para a família é algo bastante complicado, e com base neste estudo, não poderia ser usado como critério de alocação de recursos públicos, pois os diferenciais encontrados neste estudo, como, por exemplo, os gastos com educação e vestuário foram bastante homogêneos com relação ao sexo da pessoa de referência, sendo então os diferenciais insuficientes para se comprovar esta relação. Além disso, em algumas despesas, os diferenciais de consumo por gênero dos responsáveis pelas famílias mostram-se bastante visíveis, principalmente no que envolve as despesas com habitação, alimentação e transporte. Contudo, percebeu-se que a diferença do peso dos gastos com transporte e habitação estão mais relacionados à questões de maior renda familiar entre os arranjos do que ao sexo do chefe. Assim, arranjos em que o homem é a pessoa de referência, por auferirem maior renda, possuem maiores condições de terem o carro próprio, enquanto as famílias mais pobres, a maioria delas “chefiadas” por mulheres, possui rendimento mensal menor e por isso acabam por usufruem mais do transporte coletivo, sendo este mais barato. E o mesmo acontece com habitação, as mulheres por apresentarem maior propensão ao consumo e terem menores condições de terem casa própria, possui peso relativo elevado com despesas com bens duráveis aluguéis. Ou seja, direcionar recursos públicos às mães pode, muitas vezes, reforçar desigualdades de gênero na família, uma vez que vincula diretamente o cuidado dos filhos às mulheres, excluindo os homens desta tarefa. Por tudo isso, conclui-se que os arranjos familiares não se comportam como unidades, e nem mesmo há unidade dentro de um mesmo tipo arranjo, pois os dados mostraram que as decisões de consumo estão associadas a muitas questões e vão variar significantemente a partir das características específicas de arranjo, uma vez que o consumo entre as famílias se diferencia a partir da renda disponível, do ciclo de vida e do sexo do responsável.

6- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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