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DE POUQUINHO EM P OUQUINHO S E CHEGA A UM MONTE.

MAS QUÃO POUCO DE POUQU INHOS É N ECESSÁRIO P ARA


SE COMEÇ AR A T ER UM MONT E?
M. R. Pinheir o

1. Intr odu Ç ão

Primeiro era o vazio.

Uma mulher veio e jogou um pouquinho de areia no vazio.

Acenderam-se as luzes e o homem viu que o vazio se tornara uma superfície

que possuía uma parte coberta por fina camada de areia.

A mulher então perguntou:

- Ô João, é a isto que chamam monte?

- Não, Maria, tenho certeza de que `monte’ é outra coisa.

A mulher, inconformada com a resposta, trouxe mais um pouquinho de areia e

o jogou sobre a fina camada que já lá estava. Olhou então, com olhar

indagador, para o homem.

-Não, Maria, ainda não é um monte!

A mulher, desta vez, vai em disparada pegar outro pouquinho de areia,

jogando o mesmo sobre o resto que lá jazia.

-Não, Maria, ainda não é um monte. Mas está quase lá!

A mulher então pega um bocado mais de areia, armazena tudo num saco,

senta de frente para a superfície e para o homem, mira bem os olhos do

homem, e começa a adicionar um grão de areia por vez.

- Ó, Maria, que estás fazendo?

- Disseste-me que estava quase virando um monte. Se eu acrescentar um grão

de areia por vez, vai ser mais provável que eu não passe do ponto do que se eu

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fizer diferente disso.

- Estás louca?

- Preciso saber quanto de areia forma um monte!

- Como vou poder falar-te isto?

- Se eu for de grão em grão, saberás me dizer.

- Ai, Maria, estás me matando do coracão! Não tenho a menor idéia de quantos

grãos de areia são necessários para dizermos `monte’ e, ainda se tivesse,

tenho certeza de que outra pessoa, diferente de mim, poderia te dizer outra

coisa.

- Mas não existe definicão do que seja `um monte’?

- Existe, Maria, mas a definicão não é precisa a ponto de nos dizer qual é a

quantidade mínima de grãos de areia num `monte'.

- E isso então pode ser ainda chamado de definicão?

- Sim, em um sentido. `Monte’ é um termo vago, não é um termo preciso. Isto

significa que ele pode variar em significado dependendo de quem o usa.

- Neste caso, João, não consigo entender como é possível que os seres

humanos usem o termo 'monte' e a comunicacão, ainda assim, ocorra.

- Simples: Todo mundo aceita o uso do termo feito por outras pessoas.

- Mas, neste caso, fica muito difícil decidir se `isto é um monte’ é uma

sentença verdadeira ou falsa, ainda que saibamos a qual objeto a mesma se

refere (referencial).

− - Exatamente. É isso. Termos vagos foram criados para serem livres de

julgamentos precisos.

2. O Sorites

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O diálogo acima ilustra, em detalhes, o problema cuja criacão é associada, na

literatura, a Eubulides de Mileto, com data de 400 anos antes de Cristo.

Filósofos de todo o mundo discutem o problema há anos sem chegar a solucão

definitiva alguma.

O problema já foi até alvo de prêmio em dinheiro.

Foi denominado paradoxo, o paradoxo sorítico (do grego `soros’, mesmo que

`monte’).

Um dos maiores estudiosos do problema encontra-se na Austrália, chama-se

Dominic Hyde, foi meu professor e possui até participacão na `Standford

Encyclopedia of Philosophy’, que pode ser acessada através da Internet

(http://plato.standford.edu/entries/sorites-paradox/).

O problema foi considerado paradoxo por vários motivos: Um deles é que assim

como podemos começar o problema dizendo que nós não temos um monte e

que adicionar somente um grão de areia não faz diferença, acabando então por

dizer que ainda não se tem um monte quando todos vêem um monte perante

si, podemos também começar o problema da forma oposta, isto é, começando

com um monte e, ao assumir que um só grão de areia não faz diferença,

acabar tendo um `não-monte’ mas sentir-mo-nos obrigados a dizer que ainda é

um monte por causa da premissa lógica `retirar somente um grão de areia não

pode fazer diferença’.

Em linguagem matemática:

A(n,p): um conjunto com n grãos de areia e a propriedade p.

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p: ser um monte.

q: adicionar um grão de areia não pode transformar algo que não seja um

monte em um monte.

Sorites no sentido negativo ( ~ p )

{ A ( n, ~ p ), q } → A ( n+1, ~ p )

{ A ( n+1, ~ p ), q } → A ( n+2, ~ p )

{ A ( n+2, ~ p ), q } → A ( n+3, ~ p )

{ A ( m, ~ p ), q } → A ( m+1, ~ p ), para todo número natural m.

(→ ←)

A(n,p): um conjunto com n grãos de areia e a propriedade p.

p: ser um monte.

q: retirar um grão de areia não pode transformar um monte em algo que não

seja um monte.

Sorites no sentido positivo ( p )

{ A ( n, p ), q } → A ( n-1, p )

{ A ( n-1, p ), q } → A ( n-2, p )

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{ A ( n-2, p ), q } → A ( n-3, p )

{ A ( 1, p ), q } → A ( 0, p ).

(→ ←)

Agora parece que a existência do paradoxo tornou-se evidente. Podemos,

fazendo uso da mesma sequência de etapas, somente em sentido oposto,

provar que uma mesma imagem é um monte e é também um não-monte.

O problema torna-se interessante por envolver Modus Ponens, tendo uma

forma muitíssimo parecida com aquela da prova por inducão matemática. Por

causa disso, a mente matemática se aguça para tentar resolvê-lo, mas

encontra óbices enormes, principalmente na comunicacão.

A comunicação humana é, por assim dizer, HUMANA. Não há, nem nunca vai

haver, talvez usando o teorema da não completeza de Godel como prova, ou o

concurso de Turing, máquina que possa se comportar como um ser humano

normal (a palavra `normal' foi usada para excluir os casos como aquele do

portador da síndrome de `Down', em que talvez a comunicacão humana possa

ser imitada por uma máquina).

A linguagem humana é tão rica e diversificada quanto nós, seres humanos,

somos.

Não conseguimos admitir um mundo chato, sendo possível até provarmos que,

em tal mundo, pouco seria criado. É como se aplicando o determinismo

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matemático ao mundo real, que é estatístico e randômico, estivéssemos

destruindo `a graça’, levando embora `o prazer’ de viver.

Assim, ou o Sorites é a prova pura de que os seres humanos e as máquinas

jamais se igualarão, ou existe uma outra visão do mesmo, incluindo elementos

não matemáticos, que o explica.

A minha decisão foi a segunda hipótese e acredito que provei ser esta hipótese

a verdadeira em meus artigos científicos, publicados, ou aguardando

publicação, em inglês.

O problema, resolvido por mim em 2000, durante o meu primeiro semestre do

meu primeiro curso de pós-graduação na Austrália, atraía uma quantia

milionária como prêmio e eu perdi a minha vida, e até o meu cérebro, por

causa deste prêmio, com várias pessoas, no mundo inteiro, decidindo que era

melhor me 'comer viva', literalmente, do que ter que assistir uma mulher

nascida no Brasil, relativamente atraente, independente, correta, a frente de

todo o mundo, o próprio professor Hyde tendo levado, segundo ele, 'a vida

toda' pensando numa solução para o problema, que classificou então como 'o

problema da sua vida', sem jamais ter sido capaz de encontrá-la (veja em

www.geocities.com/carlapaca provas de alguns crimes que ainda sofro, nove

anos mais tarde).

As fontes bibliográficas citadas neste artigo deveriam servir como uma boa

orientacão para quem deseja aprofundar-se um pouco mais neste problema tão

antigo.

3. Bibliografia:

[1] Hyde, D. “Sorites Paradox” in Standford Encyclopedia of Phylosophy

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[Online, acessado em 31 de Outubro de 2000] URL:

http://plato.standford.edu/entries/sorites-paradox/.

[2] Smarandache, Florentin, "Invisible Paradox" in "Neutrosophy. / Neutrosophic

Probability, Set, and Logic", American Research Press, Rehoboth, 22-23, 1998.

[3] Smarandache, Florentin, "Sorites Paradoxes", in "Definitions, Solved and

Unsolved Problems, Conjectures, and Theorems in Number Theory and

Geometry", XiquanPublishing House, Phoenix, 69-70, 2000.

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