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O MITO DA CRIATIVIDADE EM ARQUITETURA

11/10/13 09:26

Existe grande confusão a respeito do que seria criatividade em arquitetura. Tal fato não seria preocupante se não tivesse tantos efeitos nocivos para sua a prática e para o seu usufruto. Por um lado, uma noção equivocada por parte do público leva a uma demanda por objetos com os quais a arquitetura não deveria se envolver. Por outro, basear a prática sobre uma noção errada de criatividade significa produzir arquiteturas irrelevantes, na melhor das hipóteses.

Criatividade, segundo o dicionário Aurélio (1ª edição), significa qualidade de criador. Criador é quem cria, e criar é dar existência a algo, tirar algo do nada; dar origem; produzir, inventar, imaginar. O dicionário já indica que o termo não designa uma qualidade especial que distingue um criador dos outros. O próprio ato de criar algo já é indicação de criatividade.

Para usuários em geral, clientes, imprensa não especializada, estudantes de primeiros anos e até muitos arquitetos, criatividade é algo ligado ao imprevisto, ao insólito, ao surpreendente, cuja obtenção é dependente de um talento superior inato. Daí a existência e os elogios conferidos a edifícios de aparência estranha, cuja lógica é muito difícil de entender. Segundo essa concepção, parece haver uma correlação entre criatividade e variedade, movimento, impacto visual, e outras categorias que levam ao estranhamento. Vista desse ponto de vista, a simplicidade e a elementaridade são sinônimos de monotonia e falta de criatividade.

Existem experts em “criatividade” que sugerem todos os tipos de origens para a forma arquitetônica: em alguns círculos é considerado criativo transformar um cinzeiro ou um croissant num edifício. Outros desenvolvem oficinas de sensibilização visando “soltar” a criatividade de estudantes e arquitetos, aparentemente reprimida por uma vida tão preocupada em encontrar soluções para os problemas quotidianos. Nenhuma dessas pessoas chega realmente a entender o que significa a criatividade em arquitetura. A consequência mais importante e danosa do ponto de vista dominante é que a forma é vista como algo independente, como algo acrescentado aos aspectos específicamente arquitetônicos de qualquer problema. A mesma confusão envolve o entendimento do componente artístico da arquitetura, que para muitos é algo externo ao processo projetual.

Como uma aproximação a uma definição mais precisa da criatividade arquitetônica, proponho que o seu significado é diferente do sentido comum e do sentido que tem para as artes plásticas, para a publicidade, para a moda, etc. Toda atividade criativa é essencialmente solução de problemas. O que divide as atividades criativas em pelo menos duas categorias é a existência, para algumas, de problemas auto-impostos, consciente ou inconscientemente, como nas artes plásticas, enquanto outras como a arquitetura estão relacionados à problemas externos à disciplina, que podem ser mais ou menos restritivos à liberdade do autor.

Em outras palavras, a criatividade em arquitetura só existe, só se exprime, face a um problema real. Simplesmente não há criatividade sem problema referente. Assim, o criativo (ou o artístico) em arquitetura se revela como um modo superior de resolver, através da forma, os problemas práticos que definem um dado problema arquitetônico: a espacialização de uma atividade, a inserção de um edifício em um determinado lugar, a resolução técnica do objeto, etc.

http://usuarq.blogspot.pt/2006/04/o-mito-da-criatividade-em-arquitetura_12.html

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O MITO DA CRIATIVIDADE EM ARQUITETURA

11/10/13 09:26

Além do uso, duas outras questões estabelecem que a criatividade em arquitetura seja algo específico: o custo elevado e a permanência dos edifícios. A escassez de recursos na América Latina nos obriga a fazer muito com o pouco de que dispomos. Qualquer solução “criativa” -no sentido negativo de elementos não justificados por uma rigorosa lógica de projeto- significará maiores custos sem garantia de aumento de qualidade. E quando falamos em permanência nos referimos não apenas à durabilidade do edifício, dependente da construção correta, mas também da sua capacidade de se contrapor ao caos visual da cidade contemporânea, o que não se consegue por meio de objetos de forma esdrúxula e arbitrária.

Ou seja, não há nada de criativo em projetar e construir objetos de forma inusitada e complicada a não ser, e isso é muito raro, que essa forma seja a resposta inevitável a algum problema real. Pelo mesmo motivo não há a menor criatividade em empregar estilos históricos para edifícios contemporâneos, como é a presente moda no Brasil. Pelo contrário, isso só demonstra como são limitados e pouco criativos tanto promotores quanto criadores dessa espécie bastarda de arquitetura. Mas isso é assunto para mais tarde.

Postado há 12th April 2006 por Edson Mahfuz

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Anonymous 13/4/06 16:31 Como tu encaixas alguem como Gaudi nessa definicao? Entendo que o uso
Anonymous 13/4/06 16:31
Como tu encaixas alguem como Gaudi nessa definicao? Entendo que o uso de estruturas dele era revolucionario
(e esse e' claramente um problema a ser resolvido), mas os aspectos externos dos projetos dele nao poderiam
ser simplesmente considerados serem de uma forma "inusitada e complicada"?
-Francisco
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to 14/4/06 11:11
edson, pode-se sugerir temas para teu interessante blog?
Responder
Edson Mahfuz 16/4/06 12:26
certamente. eu ficaria muito feliz se os visitantes sugerissem temas para discussão. só não garanto ter opinião
formada sobre tudo.
Responder
Anonymous 22/4/06 09:25
Que tal um comentário sobre Oscar Niemayer?
Responder
Edson Mahfuz
22/4/06 16:15

http://usuarq.blogspot.pt/2006/04/o-mito-da-criatividade-em-arquitetura_12.html

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