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Foto: KLEIDE TEIXEIRA/ EDITORA GLOBO

Foto: KLEIDE TEIXEIRA/ EDITORA GLOBO ESTE TEMA ENVOLVE CONCEITOS DE
Foto: KLEIDE TEIXEIRA/ EDITORA GLOBO ESTE TEMA ENVOLVE CONCEITOS DE
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ESTE TEMA ENVOLVE CONCEITOS DE
ESTE
TEMA
ENVOLVE
CONCEITOS DE
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Foto: KLEIDE TEIXEIRA/ EDITORA GLOBO ESTE TEMA ENVOLVE CONCEITOS DE

Guia ÉPOCA

Guia ÉPOCA
Guia ÉPOCA

DIVULGAÇÃO

2 I

Guia ÉPOCA DIVULGAÇÃO 2 I Em cima da base deixada por Getúlio Vargas, a política para
Guia ÉPOCA DIVULGAÇÃO 2 I Em cima da base deixada por Getúlio Vargas, a política para
Guia ÉPOCA DIVULGAÇÃO 2 I Em cima da base deixada por Getúlio Vargas, a política para

Em cima da base deixada por Getúlio Vargas, a política para o setor começa com Juscelino e tem continuidade sob os militares

POR OSCAR PILAGALLO

e tem continuidade sob os militares POR OSCAR PILAGALLO O crescimento do Brasil se dá em

O crescimento do Brasil se dá em espasmos. Após alguns anos de

estagnação, segue-se um surto de expansão com intensidade e

TRANSPORTE RODOVIÁRIO > Estima-se que três quartos das rodovias do país estejam em estado regular,
TRANSPORTE RODOVIÁRIO
> Estima-se que três quartos
das rodovias do país estejam
em estado regular, ruim ou pés-
simo. As estradas brasileiras
são responsáveis por 60% do
transporte de cargas no país.

duração variáveis. Até certo ponto, trata-se de um padrão típico do

capitalismo, em que o mercado, e não o planejamento das antigas socieda-

des comunistas, é responsável pela dinâmica da economia. No caso brasi- leiro, porém, essa natureza incerta é potencializada pela dependência de fatores que escapam ao controle do governo, como a disponibilidade de recursos externos. Hoje, com a abundância de dólares no mundo, sobretudo antes da tur- bulência dos mercados, o país está em meio a um desses soluços. Depois

mercados, o país está em meio a um desses soluços. Depois A o o O O
A o o
A
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O PAC é um reconhecimento da necessidade de desobstruir gargalos da infra- estrutura

O PAC é um reconhecimento da necessidade de desobstruir gargalos da infra- estrutura

de um período de alta medíocre do Produto Interno Bruto (PIB), é provável que até dezembro a média de crescimento dos últimos quatro anos fique acima dos 4%. É um resultado que está aquém da necessidade e do poten- cial do Brasil, mas que não é desprezível, chegando até a causar efeitos negativos, como a formação de gargalos de infra-estrutura.

crise aeroportuária é um trágico lembrete de que as condições para

país continuar crescendo estão muito próximas do limite. Congonhas,

aeroporto da cidade de São Paulo, é apenas a ponta do iceberg.

Abaixo do nível da água estão a oferta inadequada de energia, o precário

REPÚBLICA VELHA
REPÚBLICA VELHA
> Período que vai da Proclama- ção da República, em 1889, à Revolução de 1930.
> Período que vai da Proclama-
ção da República, em 1889, à
Revolução de 1930. Foi caracte-
rizado pelo domínio da oligar-
quia agrícola. Revezavam-se no
poder central representantes
dos Estados onde essa burgue-
sia tinha mais expressão, São
Paulo e Minas Gerais.

Deodoro, o primeiro presidente

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transporte rodoviário, a malha ferroviária insuficiente, a já saturada capacidade dos portos, enfim, para onde quer que se olhe há uma carência

a ser resolvida.

anúncio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em janeiro

deste ano, é um reconhecimento por parte do governo da necessidade de desobstrução desses e de outros gar- galos. O PAC prevê investimentos de mais de meio tri- lhão de reais ao longo do segundo mandato do presiden- te Lula, embora, a julgar pela morosidade dos primeiros passos, dificilmente chegue lá. O programa divide as opiniões. Os críticos falam em volta da interferência do Estado, os simpatizantes vêem aí um desenvolvimentismo “light”. O fato é que um país periférico como o Brasil, que vive a reboque dos grandes

periférico como o Brasil, que vive a reboque dos grandes o d e 2 2 0
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centros de poder e riqueza do mundo, dificilmente teria condição de dispensar a presença do Estado em sua expansão, seja como investidor, seja como regulador da atividade econômica. Essa é, em resumo, a história da industrialização brasileira, uma história

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Por acaso, sim, pois

que começa meio por acaso com a Revolução de 30.

pois que começa meio por acaso com a Revolução de 30. S C Í C U

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movimento que pôs fim à República Velha não tinha um plano para

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industrializar o Brasil. Apenas rea- giu à Depressão de 1929, que atingiu em cheio o

industrializar o Brasil. Apenas rea- giu à Depressão de 1929, que atingiu em cheio o consu- mo de café, motor da economia bra-

sileira. O primeiro apoio consistente à indústria viria só com o Estado Novo, entre 1937 e 1945, período mar- cado pela aliança entre a burocracia civil e militar e a nascente burguesia industrial. Até o início da Segunda Guerra Mundial, a indústria nacional só engatinhava. O conflito militar proporcionou

Até o início da Segunda Guerra Mundial, a indústria nacional apenas engatinhava

Até o início da Segunda Guerra Mundial, a indústria nacional apenas engatinhava

a primeira oportunidade para o setor ficar em pé. Ela foi decorrente da atitude do ditador Getúlio Vargas, que condicionou o apoio do Brasil aos Aliados ao financia- mento pelos Estados Unidos da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. A cria- ção do BNDES, banco de fomento à indústria, e a da Petrobras, no segundo governo Vargas, seriam passos na mesma direção.

Embora Vargas tenha lançado as bases, o grande salto da indústria só seria dado por seu herdeiro político, Juscelino Kubitschek. Ao tomar posse, JK anunciou o Plano de Metas, cujo objetivo era crescer “50 anos em 5”. Por trás do slogan havia uma iniciativa consistente de planejamento – a primeira do gênero no Brasil. O plano consistia em apro- fundar o processo de substituição de importações. Os setores de energia e transporte, que consumiram quase três quartos dos investimentos previs- tos, foram privilegiados. A meta mais visível foi a criação da indústria automobilística. Até então, circulavam no país apenas carros importados, o que acentuava o desequi- líbrio das contas externas. JK trouxe empresas estrangeiras, inaugurando o modelo nacional-desenvolvimentista (em oposição ao nacio-

Getúlio

(ao centro),

responsável

pela primeira

siderúrgica

O PAPEL DAS PRIVATIZAÇÕES
O PAPEL DAS
PRIVATIZAÇÕES

Após os ciclos de expansão

da indústriaporinduçãoestatal,o Brasil, em sintonia com a onda liberal liderada pela Grã-Bretanha de Margaret Thatcher (1979-1990) e os Estados Unidos de Ronald Reagan (1981-1989), deu início em 1990 a um programa de desestatização. Entre as primeiras privatizações, ainda no governo de Fernando Collor (1990-

1992),estavamsiderúrgicas,oque,até

no nível simbólico, fechou um ciclo.

O programa ganharia impulso

nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), quando as vendas geraram US$ 93 bilhões, dos quais 5% em “moedas podres” (títulos de dívida do governo aceitos como parte do pagamento). No período anterior (Collor e Itamar Franco), a receita fora de quase US$ 12 bilhões

(80% em “moeda podre”). Em A Arte da Política, seu livro de memórias, FHC defende o progra- ma como uma “inovação na busca do interesse público”. O ex-presi- dente cita a criação das agências reguladoras, que têm o objetivo de imunizar áreas importantes de ingerências políticas, como um complemento das privatizações. Para tanto, seus integrantes não podem ser demitidos, como na tradição anglo-saxã que serviu de molde para as agências.

O papel lamentável que a Agência

Nacional de Aviação Civil (Anac) desempenhou no caos aeroportuário, porém, mostra que esses órgãos ainda precisam ser aperfeiçoados.

nalista, avesso ao capital presidente chegou próxi fabricados que anunciar O Plano de Metas exi
nalista, avesso ao capital
presidente chegou próxi
fabricados que anunciar
O Plano de Metas exi
ção entre áreas distinta
que não faltassem aço e
material de cons
para Brasília, a
o equivalente
expansão d
vado: a
AGÊNCIA O GLOBO
AGÊNCIA O GLOBO

nalista, avesso ao capital de fora). Ao fim de seu mandato, o

presidente chegou próximo da marca dos 100 mil veículos

fabricados que anunciara no início.

O Plano de Metas exigiu um grande esforço de coordena-

ção entre áreas distintas. Para evitar gargalos, era preciso

que não faltassem aço e borracha nas montadoras, nem

material de construção civil para as estradas – e

para Brasília, a cereja do bolo de JK, que custou

o equivalente a pouco mais de 2% do PIB. Uma

expansão de tal magnitude teve um preço ele-

vado: a conta foi apresentada na forma de

Geisel, que investiu na indústria de base

de tal magnitude teve um preço ele- vado: a conta foi apresentada na forma de Geisel,

CEDOC

Guia ÉPOCA

CEDOC Guia ÉPOCA MARCO SERRA LIMA 4 I Guerra do Yom Kippur, que elevaria os preços
CEDOC Guia ÉPOCA MARCO SERRA LIMA 4 I Guerra do Yom Kippur, que elevaria os preços

MARCO SERRA LIMA

4 I

Guerra do Yom Kippur, que elevaria os preços do petróleo em 1973
Guerra do Yom Kippur,
que elevaria os preços
do petróleo em 1973

inflação, que dobrou para 40% ao ano durante o mandato. Depois de patinar com os dois suces- sores civis de JK (Jânio Quadros e João Goulart), a indústria teria um novo espas- mo de crescimento sob a ditadura militar. No primeiro momen- to, houve o que ficou

conhecido como “milagre brasileiro”. Entre 1968 e 1973, o Brasil teve um cresci-

CHOQUE DO PETRÓLEO
CHOQUE DO PETRÓLEO
> Nos anos 70, a Opep impôs dois choques do petróleo. O segundo foi em
> Nos anos 70, a Opep impôs
dois choques do petróleo. O
segundo foi em 1979, quando
o preço do barril dobrou. A alta
provocou a mais grave recessão
mundial desde 1929. No Brasil,
a inflação disparou e houve de-
terioração das contas externas.
disparou e houve de- terioração das contas externas. mento “chinês”: a expansão anual foi superior a

mento “chinês”: a expansão anual foi superior a 10%. A receita mostrou-se eficiente, mas nada tinha de original: tratava-se apenas de captar os dóla- res que estavam sobrando no mercado internacional. O milagre acabou com o choque do petróleo. Em 1973, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) triplicou o preço do barril em represália aos governos ocidentais que haviam apoiado Israel contra os ára- bes na guerra do Yom Kippur. Seria o momento de o Brasil desacelerar, como fez a maioria. Mas os militares decidiram continuar apostando no crescimento. Assim, em 1974, Ernesto Geisel lançou o Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento. Se o plano de JK visava à indústria de consumo, o de Geisel visava à indústria de base (fertilizantes, produtos petroquímicos) e à geração de energia. Mais uma vez, o país passaria por um ciclo de subs- tituição de importações, desta vez de maior enverga- dura. Entre 1974 e 1978, o Brasil cresceria a um ritmo médio anual de 7%. Até os críticos de Geisel não

Os militares lançaram um plano de desenvolvimento num momento em que o mundo, depois do

Os militares lançaram um plano de desenvolvimento num momento em que o mundo, depois do primeiro choque do petróleo, caminhava para a recessão econômica

deixam de reconhecer a importância do investimento em infra-estrutura. O problema foi o elevadíssimo custo da tentativa de tornar o país auto-suficiente em áreas estratégicas. O descontrole da inflação e o crescimento exponencial da dívida externa – heran- ças do regime militar – só seriam equacionados duas décadas mais tarde. Diante dos planos de JK e dos militares, o PAC é um programa modesto, mesmo que venha a ser cumprido à risca, o que é improvável. Uma diferença objetiva é a limitação de seu financiamento. Hoje em dia, o consenso em torno dos valores da estabiliza- ção da moeda não mais permite pagar o crescimento presente com a inflação futura.

pagar o crescimento presente com a inflação futura. OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor de A História

OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor de A História do Brasil no Século 20 (em cinco volumes, pela Publifolha)

Plataforma

de petróleo

no Brasil

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Leia o texto: Depois da necessária e proveitosa discus- são no Congresso Nacional, foi sancionada
Leia o texto: Depois da necessária e proveitosa discus- são no Congresso Nacional, foi sancionada
Leia o texto: Depois da necessária e proveitosa discus- são no Congresso Nacional, foi sancionada

Leia o texto:

Depois da necessária e proveitosa discus- são no Congresso Nacional, foi sancionada

a Lei n o 11.079, que institui normas para a

contratação das Parcerias Público-Privadas no Brasil. Os obstáculos a vencer com as PPPs são muitos e complexos. Para que se obtenha aceitação e confiança públicas,

é preciso, antes de mais nada, grande

determinação e apoio governamental, além de plena transparência nas ações.

Fonte: CNI in:www.cni.org.br/empauta/src/INFRA-ESTRUTURA.pdf

Sobre as PPPs é correto afirmar:

A) são uma alternativa que o governo

encontrou para atrair investimentos privados para as obras de infra-estrutura

necessárias ao país.

B) são um meio de atrair investimentos

para obras públicas; elas gozam do mais absoluto apoio de todas as forças políticas do país.

C) os empresários não aceitam

as PPPs, pois entendem que os investimentos em infra-estrutura

são de responsabilidade exclusiva do governo.

D) o atual governo nega-se a imple-

mentar as PPPs, pois faltam meios

para fiscalizar a correta aplicação dos recursos, o que implicaria muita cor- rupção nas obras públicas.

E) são um contrato entre o setor público

e o privado, no qual as empresas tornam-

se donas de um serviço público, como uma estrada, em troca da tarifa cobrada dos usuários.

QUESTÕES RESPONDIDAS

Concreto e bossa nova

1ª questão

A ampliação e diversificação da matriz ener-

gética brasileira é uma necessidade frente

às possibilidades de retomada do cres- cimento econômico e industrial do país. O mapa ilustra o gasoduto Bolívia–Brasil. Sobre o gás natural e seu uso como fonte energética no Brasil, é correto afirmar que:

A) o gás natural é um recurso mineral

renovável, encontrado em bacias sedi-

mentares e formado pela decomposi- ção de matéria orgânica em ambientes periglaciais.

B) a substituição do petróleo e do carvão

mineral e vegetal por gás natural, apesar de reduzir custos, não é recomendável,

pois o gás é mais poluente que os demais.

C) o gasoduto, que no Brasil passa

somente por Estados do Centro-Sul, é res-

ponsável pelo fornecimento de gás natural

a importantes atividades industriais.

D) a construção do gasoduto pode

representar o esgotamento rápido do gás natural boliviano, pois, além do Brasil, a

Bolívia abastece ainda a Argentina, que não possui reservas deste recurso.

E) após a construção do gasoduto, o gás

natural passou a ser a fonte de energia mais consumida no país, pelo baixo custo de sua obten- ção e facilidade de distribuição.

UFSCar, 2005 (questão 25 da prova de Geografia)

COMENTÁRIO

A presença do mapa constitui

boa dica para o acerto da alternativa, mas só ajudará os que conhecem o valor do gás natural como fonte energéti- ca. O gasoduto Brasil–Bolívia possui 3.150 km, dos quais

2.593 km em território brasileiro. Parte de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e termina em Porto Alegre, passando por Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Seu traçado corta uma área responsável por boa parte do PIB brasileiro.

(C)1GABARITO Ilustração: AKE ASTBURY
(C)1GABARITO
Ilustração: AKE ASTBURY

Guia ÉPOCA

Guia ÉPOCA que as rodovias federais devem receber neste ano R$ 1,2 bilhão. No ano que
Guia ÉPOCA que as rodovias federais devem receber neste ano R$ 1,2 bilhão. No ano que

que as rodovias federais devem receber neste ano R$ 1,2 bilhão. No ano que vem não devem receber muito mais que isso.

(O Estado de S. Paulo, 12/10/2003)

Apesar das perspectivas promissoras apontadas na reportagem, o setor ferro- viário brasileiro, privatizado nos anos 90, tem apresentado modestos indicadores de crescimento do transporte de cargas. Entre os fatores que têm contri- buído para esse baixo desempenho, podemos citar:

A) diferenças de bitolas entre as linhas

férreas e traçados desiguais nas diferen- tes regiões do país.

B) reduzida demanda para o transporte

de cargas no setor e fracasso do modelo

de gestão privada.

C) inexistência de fábricas de material

ferroviário e preferência das transporta- doras pela navegação de cabotagem.

D) custos mais baixos do transporte rodo-

viário para grandes distâncias e reduzida conexão ferroviária entre interior e litoral.

Uerj, 2004 (questão 14 da prova de Geografia)

2ª questão

O setor ferroviário ultrapassou o rodo-

viário na corrida por investimentos. Um levantamento concluído nesta semana pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostra que as conces- sionárias privadas de estradas de ferro já garantiram R$ 2,5 bilhões de recursos para 2003 e 2004. Do outro lado, dados do Ministério dos Transportes mostram

Estrada de Ferro Vitória a Minas, responsável por um terço do transporte da carga ferroviária
Estrada de Ferro Vitória
a Minas, responsável por
um terço do transporte da
carga ferroviária no Brasil

COMENTÁRIO Quanto ao enunciado, observe que começa com a locução prepositiva “ape- sar de”, que indica concessão em relação ao afirmado anteriormente. Sendo assim,

o texto, em destaque, não altera o que o

enunciado solicita. Quanto ao conteúdo, no Brasil, é comum o uso de duas bitolas diferentes,

a métrica e a larga. Alguns traçados têm

bitolas mistas, adaptadas para o uso das duas. Apesar dessa dificuldade, o transporte de carga por via férrea, princi-

palmente de produtos como o minério de ferro, vem avançando no país. Quanto ao transporte de passageiros, restringe-se às regiões metropolitanas.

bilaterais que, assinados pelo país, res- tringem o número de parceiros e itens

comercializados. D) internamente, pelo baixo poder aquisitivo de grande parte do mercado consumidor, conseqüência da má dis- tribuição de renda no país.

UFMG, 2006 (questão 40 da prova de Geografia)

COMENTÁRIO Enunciados que pedem a indicação da informação incorreta exigem cuidado extra, uma vez que devem ser interpre- tados no sentido inverso ao normalmen- te solicitado. E atenção: há instituições

que não destacam a palavra “incorreta”, uma armadilha aos desatentos. Nesta questão, veja que os acordos bilaterais ampliam – e não restrin- gem – parceiros e itens comercializa- dos pelo país. Tais acordos obedecem às normas da Organização Mundial do Comércio. Observe que a questão é datada. No início deste ano, com a modi- ficação na fórmula de calcular o PIB, o montante da carga tributária recuou. Da mesma forma, o consumo das classes menos favorecidas vem crescendo nos últimos dois anos, o que poderia levar a um questionamento da alternativa D.

3ª questão

O desempenho atual da indústria

brasileira sofre interferência negativa de fatores de ordem interna ou externa. Considerando-se essa informação,

INCORRETO afirmar que, no Brasil,

indústria é afetada internamente, pelo custo das tarifas

públicas e pela carga tributária, que

penalizam o setor produtivo brasileiro.

externamente, pelas oscilações no

valor da moeda do país, que interferem

na competitividade do produto nacional.

externamente, pelos acordos

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AGÊNCIA O GLOBO

4ª questão A CIDADE EM PROGRESSO O poema ao lado faz referência ao desenvolvimento urbano,
4ª questão
A CIDADE EM PROGRESSO
O
poema ao lado faz referência ao
desenvolvimento urbano, muito pre-
sente na década de 1950 no Brasil.
Sobre esse período, é CORRETO
afirmar que:
“A cidade mudou. Partiu para o futuro
Entre semoventes abstratos
Transpondo da manhã o imarcescível muro
Da manhã na asa dos DC-4s
01.
no final da década de 1950, o
Comeu colinas, comeu templos, comeu mar
Fez-se empreiteira de pombais
Brasil teve como presidente Juscelino
De onde se vêem partir e para onde se vêem voltar
Kubitschek (JK), conhecido por
seu slogan de governo “50 anos
em 5”.
Pombas paraestatais. [
]
02.
durante o governo de JK, o país
E com uma indagação quem sabe prematura
Fez erigir do chão
Os ritmos da superestrutura
De Lúcio, Niemeyer e Leão. [
]
teve grande crescimento da indústria
MORAES, Vinicius de. Nova Antologia Poética. São Paulo: Cia. de Bolso, 2005, p. 237.
de bens de consumo duráveis, a
maioria pertencente a empresas
multinacionais. As propagandas
de automóveis e aparelhos
eletrodomésticos da época revelam
essa tendência.
Indique a soma das
respostas corretas:
UFSC, 2007 (questão 17 da prova de História)
04.
esse período é conhecido pelo
decréscimo da dívida externa
brasileira, que pôde ser paga
gradativamente graças ao aumento
COMENTÁRIO
Sobre o enunciado, repare que o
poema, embora guarde relação com
o
das exportações.
contexto solicitado, só ilustra a
questão. Ou seja, o entendimento
do poema é irrelevante para você
dar a resposta certa. Fique esperto:
08.
a construção de Brasília foi
nem sempre a presença de poemas,
idealizada por Getúlio Vargas e
concluída por JK. O objetivo era
desenvolver o litoral brasileiro,
construindo a capital do país na região.
trechos de reportagens e
gráficos
guardam relação determinante com
o
que será solicitado. E atenção
redobrada para não errar a soma
e
morrer na praia.
16.
o desenvolvimento industrial
atingiu, principalmente, o Nordeste
Sobre o conteúdo: o governo JK
(1956-1961) possibilitou a entra-
Vinicius,
brasileiro. Isso provocou grande afluxo
migratório do Sul e Sudeste para
poeta que
aderiu à
bossa nova
a
região, provocando o inchaço de
cidades como Salvador e João Pessoa.
32.
também como reflexo da
industrialização, pôde-se observar
um grande crescimento na população
rural brasileira.
64.
no plano cultural, o período do
governo JK presenciou a difusão do
cinema brasileiro e da bossa nova,
na qual Vinicius de Moraes teve
presença marcante.
da das multinacionais de bens
de consumo duráveis, tendo à
frente a indústria automobilís-
tica. No período, o Brasil viveu
grande efervescência cultural,
com o surgimento da bossa
nova – representada por
João Gilberto, Tom
Jobim e Vinicius
de Moraes, entre
outros – e grande
atividade no cinema,
no teatro, na
literatura e na
arquitetura.
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(67=1+2+64)4GABARITO

Ilustração: AKE ASTBURY

Guia ÉPOCA

Ilustração: AKE ASTBURY Guia ÉPOCA Como aproveitar este guia O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades
Ilustração: AKE ASTBURY Guia ÉPOCA Como aproveitar este guia O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades
Ilustração: AKE ASTBURY Guia ÉPOCA Como aproveitar este guia O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades

Como aproveitar este guia

O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades circulará encartado em sua revista em dez fascículos. Além dos temas abordados (veja o calendário abaixo), haverá outro assunto a ser escolhido pelos

leitores e que será tratado num 11 o fascículo disponível apenas no site da

revista. Para votar num dos assuntos propostos, basta acessar www.epoca.com.br e clicar na seção “especiais”.

O guia ajudará o candidato a melhorar seu desempenho na prova de

atualidades. O tema de cada fascículo será exposto num texto didático. Para

avaliar o grau de conhecimento dos estudantes, os professores vão propor uma questão inédita e comentarão outras quatro formuladas para exames em universidades espalhadas pelo Brasil.

O comentário será dividido em duas partes. Na primeira, foca-se o enun-

ciado, com destaque para as diversas maneiras de formular uma questão. Na segunda, analisa-se o conteúdo. O ideal é o candidato responder à questão antes de ler o comentário. O gabarito encontra-se no pé da página em que está a questão. As quatro questões são transcritas sem modificações, para que você possa treinar em casa a partir de uma situação real.

Antes de começar a responder às perguntas, leia todas as questões para sentir a dimensão
Antes de
começar
a responder às
perguntas, leia
todas as questões
para sentir a
dimensão da
prova e o grau
de dificuldade
dos enunciados.
E fique
atento:
é comum
aparecer algum
dado que pode
ser utilizado em
outras questões.
 

Calendário

FASCÍCULO

TEMA

1
1

Infra-Estrutura no Brasil Democracia Brasileira

2
2
3
3

A

Explosão Urbana no Mundo

4
4

Os Desafios da Geração de Energia

5
5

O

Meio Ambiente no Século XXI

6
6

A

Ameaça do Aquecimento Global

7
7

O

Terrorismo e o Ataque aos Direitos do Cidadão

8
8

China – Crescimento e Repressão

9
9

Conflitos no Oriente Médio

10
10

América do Sul – Geopolítica e Energia

DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza

DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto

Gilberto Corazza DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
Kachar DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz

DIRETOR DE REDAÇÃO

Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br

REDATOR-CHEFE David Cohen DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques

David Friedlander DIRETOR DE ARTE Marcos Marques O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades é um

O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 – Atualidades é um projeto

editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007 Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.

COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)

COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva

e Venerando Santiago de Oliveira

COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS Jô Fortarel EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti ILUSTRAÇÕES AKE Astbury REVISÃO Bel Ribeiro SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)

> E NÃO SE ESQUEÇA: vote no site o tema do 11 o fascículo

E NÃO SE ESQUEÇA: vote no site o tema do 11 o fascículo 8 I rev

8

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© DIDA SAMPAIO/AE

© DIDA SAMPAIO/AE A América do Sul, que era conhecidaportergovernos de direita, assistiu nos últi- mos
A América do Sul, que era conhecidaportergovernos de direita, assistiu nos últi- mos anos à
A América do Sul, que era
conhecidaportergovernos
de direita, assistiu nos últi-
mos anos à ascensão da esquer-
da.Partidosidentificadoscomo
socialismo de diferentes matizes
estão no poder. Para alguns, são
governospopulares;paraoutros,
neopopulistas.Aguinadanem
sempresignificourompimento
com o liberalismo, como no Brasil
e no Chile. Os EUA se mostram
maispreocupadoscomHugo
Chávez(Venezuela),EvoMorales
(Bolívia)eRafaelCorrea(Equa-
dor),quelideramgovernoshostis
à superpotência. Um fato comum
a esses países é ter gás natural ou
petróleo. São as grandes reservas
da Venezuela que permitem a
Chávezumapolíticaexternamais
ousada. A ação conjunta de paí-
ses da região, no entanto, ainda
esbarra em obstáculos, como se
verá neste fascículo.
NESTA EDIÇÃO
Chávez, trajetória
entre golpes PÁG. 3
Conheça a gênese
do Mercosul PÁG. 4
Veja o tema vencedor
do 11 o fascículo PÁG. 8
Lula, ladeado por Hugo
Chávez, da Venezuela (à esq.),
e Evo Morales, da Bolívia

> Geografia

Populares ou populistas, eis a questão

A esquerda chegou ao poder na América do Sul, mas essa uniformidade ainda não se traduziu na conclusão de projetos energéticos comuns

ao poder na América do Sul, mas essa uniformidade ainda não se traduziu na conclusão de
Ilustração: Takashi/Adaptação: AKE Astbury ENTENDA O ASSUNTO Conservadora e oligárquica, a América do Sul volve
Ilustração: Takashi/Adaptação: AKE Astbury ENTENDA O ASSUNTO Conservadora e oligárquica, a América do Sul volve
Ilustração: Takashi/Adaptação: AKE Astbury ENTENDA O ASSUNTO Conservadora e oligárquica, a América do Sul volve

Ilustração: Takashi/Adaptação: AKE Astbury

ENTENDA O ASSUNTO

Conservadora e oligárquica,

a América do Sul volve à esquerda

Com petróleo e gás, a região poderia ter peso maior nas negociações com as potências consumidoras, mas projetos regionais enfrentam obstáculos

POR EDILSON ADÃO
POR EDILSON ADÃO

A ONDA VERMELHA SUL-AMERICANA

Eleições em abril de 2008

Governos de esquerda

Governo de direita

em abril de 2008 Governos de esquerda Governo de direita T radicionalmente governada por regimes associados

T radicionalmente governada por regimes associados à ide- ologia de direita, a América do

Sul assistiu nos últimos anos à ascensão da esquerda. Após a onda neoliberal dos anos 1990, partidos identificados com o socialismo de diferentes matizes alcançaram o poder. Para alguns, são governos popula- res; para outros, neopopulistas. Em muitos casos, a referida ascensão não significou rompimento absoluto com práticas liberais, como demonstram os casos chileno e brasileiro. Assim, tanto ao estudante como ao professor, faz-se necessário um filtro ideológico para uma avaliação ponderada do quadro político sul-americano e de sua conjuntura geopolítica. Excetuando-se o claro exemplo da Colômbia, de Álvaro Uribe, a grande maioria dos países sul-americanos encontra-se, hoje, governada por partidos e/ou políticos com origem na esquerda. Aguardemos a definição no Paraguai (por enquanto, o líder das pesquisas para as eleições de 2008 é o ex-bispo Fernando Lugo, candidato de esquerda). O atraso social e econômico da América Latina (onde se insere a América do Sul) é um produto histórico e, independentemente do viés ideológico dos atuais e próximos governantes, é difícil que o quadro se reverta no curto prazo. A reparação da desigualdade construída em bases tão sólidas e incrustada há séculos na região não será tarefa fácil para liberais ou socialistas. Já a geopolítica regional é redesenhada, circunstancialmente, de acordo com

regional é redesenhada, circunstancialmente, de acordo com 2 I rev i s ta é p o

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Michelle Bachelet, Michelle Bachelet, presidente do Chile presidente do Chile
Michelle Bachelet,
Michelle Bachelet,
presidente do Chile
presidente do Chile

tom partidário daqueles que chegam ao poder. Como líder das Américas,

UMA LIDERANÇA, DOIS GOLPES
UMA LIDERANÇA, DOIS GOLPES

> Duas frustradas tentativas de golpe de Estado mar- cam a trajetória política de Hugo Chávez, presidente da Venezuela. A primeira, que ele protagonizou, data de fevereiro de 1992. Na épo- ca, o então tenente-coronel Chávez tentou derrubar o presidente Carlos Andrés Pérez, identificado com um programa econômico liberal. Preso, foi anistiado dois anos mais tarde. Com projeção nacional, venceu a eleição de 1998 e, em abril de 2002, seria vítima de um golpe de direita, que o afastou do cargo por apenas algumas horas.

os Estados Unidos vêem com muita reticência os passos de Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador), que lideram regimes hostis à superpotência. Um fato comum a esses países é terem gás natural ou petróleo. Outros líderes preocupam menos. É o caso de Lula, de Michelle Bachelet (Chile) e de Tabaré Vásquez (Uruguai), assim como Néstor Kirchner (Argentina), no início do mandato. A América do Sul tem papel importante na estratégica questão da energia no século XXI, particularmente a Venezuela. O país possui reservas petrolíferas no Orenoco, uma das maiores do mundo. Essas reservas

no Orenoco, uma das maiores do mundo. Essas reservas poderão colocar o país no primeiro lugar

poderão colocar o país no primeiro lugar mundial, se confirmada a certificação internacional em 316 bilhões de barris (atualmente, as reservas são de 77 bilhões de barris, a sexta maior concentração do mundo). As reservas da Arábia Saudita, hoje as maiores do mundo, são de 218 bilhões de barris. Quanto ao petróleo extrapesado, de menor

A Venezuela possui enormes reservas de petróleo, o que determina sua política externa

A Venezuela possui enormes reservas de petróleo, o que determina sua política externa

qualidade, a Venezuela detém a maior reserva mundial. A política externa de Chávez põe seu prumo nessa realidade. Estreitando os laços com Irã, Rússia e China, suas ações são mais que uma simples provocação aos Estados Unidos. Há interesses econômicos e geopolíticos. Por sua vez, a China já está em busca das principais zonas petrolíferas do mundo; o Sudão é um exemplo. A Venezuela seria muito bem-vinda ao papel de fornecedor ao dragão asiático.

No âmbito regional, Hugo Chávez lançou, em 2004, uma ousada proposta: a criação da Petrosur, uma empresa multinacional

sul-americana do setor petrolífero, idéia que foi aceita de pronto pelo Brasil.

intenção é aproveitar as estruturas da Petrobras e da PDVSA. Com a

Bolívia, Chávez fundou a Petroandina, empresa binacional, 60% boliviana e 40% venezuelana. Outro grande projeto energético de porte é o Grande Gasoduto do Sul (GGS), iniciativa venezuelana, brasileira e argentina, cujo projeto original prevê um gasoduto de 8.000 quilômetros. O primeiro trecho ligaria Güiria, na Venezuela, ao Recife. Nas fases seguintes, incorporaria Argentina, Bolívia,

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© ANDREW ALVAREZ/AFP

© ANDREW ALVAREZ/AFP 4 I O MERCOSUL E A INTEGRAÇÃO REGIONAL Por André Guibur As bases
© ANDREW ALVAREZ/AFP 4 I O MERCOSUL E A INTEGRAÇÃO REGIONAL Por André Guibur As bases
© ANDREW ALVAREZ/AFP 4 I O MERCOSUL E A INTEGRAÇÃO REGIONAL Por André Guibur As bases

4 I

O MERCOSUL E A INTEGRAÇÃO REGIONAL Por André Guibur
O MERCOSUL E A
INTEGRAÇÃO REGIONAL
Por André Guibur

As bases políticas para a criação do Mercado Comum do Sul surgiram em 1985, com os acordos de cooperação técnica e econômica firmados entre

a Argentina e o Brasil. Em 1991, com

a inclusão do Paraguai e do Uruguai,

foi assinado o Tratado de Assunção,

que criou o Mercosul. Porém, foi o Protocolo de Ouro Preto, de 1995,

que definiu sua estrutura institucional

e permitiu a celebração de acordos

reconhecidos internacionalmente. Entre 1996 e 2004, outros países sul-americanos ingressaram no bloco como países associados, inicialmen-

te Bolívia e Chile, e, mais recente- mente, Peru, Colômbia e Equador. A Venezuela assinou um protocolo de adesão plena com o Mercosul, que ainda não foi ratificado.

Desdesuacriação,oMercosulpro-

porcionouaampliaçãodasrelações

comerciais entre os países da região, apesar da instabilidade nas relações

entreseusmembros,sobretudoBrasil

eArgentina,edascondiçõesnemsem-

pre favoráveis da economia mundial. No âmbito institucional e econô- mico, as maiores dificuldades estão na adoção de medidas protecionistas entre os membros, como sobretaxas

e cotas, a fim de atender a interesses

de determinados setores das econo- mias nacionais, criando obstáculos para a livre circulação de mercadorias.

Além disso, a Tarifa Externa Comum (TEC), que deveria padronizar as tari- fas de importações de fora do bloco, ainda não foi efetivada. Tais desa- justes comprometem a integração proposta em Assunção.

André Guibur é professor de Geografia da rede privada e em cursos pré-vestibulares

Fernando Lugo,

candidato à

Presidência

do Paraguai

Fidel Castro, a quem Chávez se aliou
Fidel
Castro, a quem
Chávez se aliou
A eleição de um político de esquerda no Paraguaipode causar um problemapara oBrasil

A eleição de um político de esquerda no Paraguaipode causar um problemapara oBrasil

Uruguai, Paraguai, além de outros países que desejassem. Para alguns, tais empreendimentos energéticos fazem parte de um plano expansionista de Chávez. Para outros, representam uma possibilidade de independência plena da porção austral da América. Esses projetos, no entanto, sofrem críticas sobre a viabilidade econômica, técnica e ambiental (o ramal do gás atravessará a Floresta Amazônica). A consolidação da Petrosur e do GGS seria interessante ao menos em duas vertentes. Megaempresas regionais teriam robustez para negociar em melhores condições com as potências

consumidoras de gás e petróleo e, de certa forma, garantiriam o abastecimento sul-americano (ainda mais se considerarmos o esgotamento das reservas mundiais e a decorrente escassez a que, com certeza, assistiremos nos anos vindouros; problemas de abastecimento energético na região estão previstos para 2010). Após a empolgação nos últimos três anos, no entanto, neste ano a alternativa do gasoduto ficou mais distante

e o ânimo brasileiro com os projetos de integração energética diminuiu sensivelmente. Hugo Chávez acusou o golpe e passou a fazer cobranças. O arrefecimento brasileiro

está diretamente ligado à nova preferência energética do presidente Lula:

o biocombustível. Chávez juntou-se a Fidel Castro e ambos criticaram a

alternativa brasileira, vinculando a questão do biocombustível a uma imediata

falta de alimentos, alegando que a cana-de-açúcar substituiria os cultivos de alimentos básicos. Outra possível celeuma energética (dessa feita, na fonte hidráulica) está prevista em caso de vitória de Fernando Lugo no Paraguai, em abril de 2008. Sua chegada ao poder, por si só, já seria algo extraordinário, pois poria fim

à

d e

4

hegemonia de seis décadas do Partido Colorado, o mais antigo partido no poder do mundo. Igualmente, seria motivo de preocupação ao governo brasileiro, pois uma das plataformas eleitorais do candidato é a revisão dos acordos da usina hidrelétrica binacional de Itaipu, que ele considera

© NORBERTO DUARTE/AFP© NORBERTO DUARTE/AFP
© NORBERTO
DUARTE/AFP©
NORBERTO DUARTE/AFP

danosos aos paraguaios.

NORBERTO DUARTE/AFP danosos aos paraguaios. ◆ EDILSON ADÃO, mestre em Geografia Humana pela USP e

EDILSON ADÃO, mestre em Geografia Humana pela USP e especialista em geopolítica, é autor de Oriente Médio: a Gênese das Fronteiras (Editora Zouk)

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A) o B) A Qual o sentido da ascensão da esquerda na América do Sul?
A) o B) A
A)
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B)
A

Qual o sentido da ascensão da esquerda na América do Sul?

Avalie o que de fato mudou após partidos de esquerda terem sido eleitos; a resposta e o comentário estarão no fascículo eletrônico da próxima semana

Sobre o cenário geopolítico sul- americano, podemos afirmar que:

a ascensão de regimes de esquerda

levou vários países da região a adotar

sistema de economia planificada, como o Brasil e o Chile.

os recentes desentendimentos

entre Lula e Chávez promoveram uma retomada da corrida armamen- tista sul-americana.

C) o ingresso da Venezuela no

Mercosul foi vetado por conta da ins- piração marxista de Hugo Chávez.

D) apesar de muitos partidos de

esquerda terem chegado ao poder na América do Sul, o sistema de economia de mercado foi mantido em todos eles. E) o Paraguai saiu do Mercosul devi- do a uma aproximação estratégica com os Estados Unidos.

RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO IX

Razão geopolítica explica a ocupação das colinas de Golã

Líbano Síria A Rio Jordão Mar Mediterrâneo B C Mar Morto Israel D Jordânia Egito
Líbano
Síria
A
Rio Jordão
Mar Mediterrâneo
B
C Mar Morto
Israel
D Jordânia
Egito
Golfo de Ácaba
Golfo de Suez
Arábia
Saudita
Mar Vermelho
Ilustração: AKE ASTBURy

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Um dos motivos para a ocupação das colinas de Golã (letra A no mapa) foi o fato de essa região ser a mais importante área de nascentes da Bacia do Jordão, o que a valoriza geopoliticamente, pois a região é muito pobre em recursos hídricos.

Cisjordânia (letra B no mapa) é a

mais importante área agrícola; a Faixa de Gaza (letra C no mapa) pertencia originalmente ao Egito; a Península do Sinai (letra D no mapa) foi devolvida em 1979 ao Egito; as colinas de Golã e Cisjordânia permanecem sob domínio israelense. Gabarito: alternativa A. (Um dos motivos que levaram à ocupação da região A, no território sírio, é o fato de tratar-se de importante área de manancial em uma região marcada pela aridez.)

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  QUESTÕES RESPONDIDAS   Petróleo e geopolítica   Nas questões a seguir, veja o que
  QUESTÕES RESPONDIDAS   Petróleo e geopolítica   Nas questões a seguir, veja o que
  QUESTÕES RESPONDIDAS   Petróleo e geopolítica   Nas questões a seguir, veja o que
 

QUESTÕES RESPONDIDAS

 

Petróleo e geopolítica

 

Nas questões a seguir, veja o que já foi perguntado em vestibulares a respeito de temas energéticos e ideológicos sobre a América do Sul

 
 

 

de fluxos e meios de transporte e energia. E) podem reforçar os conflitos existentes com os países da Comunidade Andina

(CAN), em face da perspectiva de expansão dos interesses brasileiros na

 

1ª questão

Observe o mapa ao lado. Note a linha cheia e a linha pontilhada, quase sempre paralelas. Em relação às obras de infra-estru- tura destacadas, assinale a alternativa INCORRETA:

 

 
 
  região. FGV, 2001 COMENTÁRIO Tanto a presença do mapa como a solicitação da alternativa incorreta

região.

FGV, 2001

COMENTÁRIO Tanto a presença do mapa como a solicitação da alternativa incorreta (menos comumnosexames)podemconfundiro candidato.Masaalternativaincorretaétão óbvia que deve compensar o susto. As obras de infra-estrutura apontadas no mapa atuam muito mais num sentido de integração que de confrontação, como aponta a alternativa incorreta. Os países da Comunidade Andina atésãovistoscomopotenciaiscandidatosa ingressarem no Mercosul, como já anunciou o governo brasileiro. Portanto, o espírito de conflitosétotalmenteimprocedente.

A)

podem permitir a abertura de canal

 

de escoamento de produtos da Zona

Franca de Manaus para outros mercados

 

e

a consolidação da ligação Brasil–

 

Venezuela, via Manaus e Boa Vista.

 

B)

podem contribuir para agilizar e

 

intensificar fluxos econômicos, baratear

 

circulação terrestre do subcontinente,

 

a

exportação de produtos brasileiros e

 

conforme proposta firmada recentemente pelos chefes de Estado da América do Sul.

articular zonas da Amazônia setentrional,

 

numa região fronteiriça.

 

D)

podem contribuir para consolidar a

 

C)

inscrevem-se no contexto de melhoria

 

posição estratégica de Manaus, como sede da Zona Franca e nó de confluência

da infra-estrutura de integração física e

 
 

2ª questão

 

oposição venezuelanos.

 

COMENTÁRIO A leitura atenta do enunciado auxilia na escolha da alternativa correta, uma vez que, ao final, refere-se à Opep e lembra ao candidato a relação entre os países citados. Apesar de a alternativa correta apontar o fato de a Venezuela fazer parte da Opep como o principal motivo da visita de Chávez ao Iraque, a questão vai além. A visita a Saddam tam- bém demonstrou um tom desafiador de Chávez à comunidade internacional, uma vez que o Iraque estava sob embargo da ONU desde 1991 e, até então, nenhum chefe de Estado havia adotado tal pos- tura. Na mesma viagem, Hugo Chávez visitou o dirigente líbio, Muammar Kadafi, e o cubano Fidel Castro.

B)

pelo fato da Venezuela ser membro

 

da Opep e o terceiro maior exportador

   

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou ontem a concentrar

 

mundial de petróleo e temer um

 

aumento da produção e conseqüente

a

atenção internacional ao tornar-se

queda de preços do produto.

o

primeiro chefe de Estado a fazer

 

C)

pela necessidade de conseguir impor-

uma visita oficial ao Iraque desde o fim da Guerra do Golfo, em 1991. A

tar petróleo a preços subsidiados, alivian- do a pressão inflacionária na Venezuela.

viagem faz parte de seu tour pelos

D)

para tentar reduzir os preços inter-

 

países-membros da Opep (

)

nacionais do petróleo, favorecendo as

 

“O Estado de São Paulo” – 11/8/2000

exportações venezuelanas do produto, principalmente para os EUA.

 

A visita do presidente venezuelano justifica-se:

A)

pela necessidade de obter apoio

 

E)

para se antepor ao isolamento da

Venezuela junto à comunidade inter- nacional, que questiona a lisura da eleição de Chávez.

interno, uma vez que sua eleição

 

é

contestada por vários grupos de

Mackenzie, 2001

 

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Ilustrações: AKE ASTBURy

3ª questão

Golfo Pérsico, foi o principal motivo da invasão do Iraque pelo Kwait.

didato. Argentina e Chile travaram intensa disputa pelo controle da rota do Canal de Beagle, no extremo sul da América, e essa é uma questão ainda mal resolvida. Ligação entre os ocea- nos Atlântico e Pacífico, o canal tem importância estratégica. Também é importante saber: o Canal do Panamá foi devolvido em 1999 ao Panamá, e não aos Estados Unidos; o Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, é disputado pelo Irã e pela Arábia Saudita; e a intervenção israelense em Suez se deu nos anos 1950.

 
 

Em relação às vias marinhas de

D)

Canal de Suez, no Egito, está com

circulação destacadas abaixo, assinale a alternativa correta:

sua navegação impedida por determi- nações israelenses.

A)

Ilhas Lennox, Picton e Nueva, situa-

E)

Estreito de Gibraltar é reivindica-

das no Canal de Beagle, extremo sul da América, foram objeto de disputa entre

do por Portugal junto à Inglaterra, tendo em vista o controle da navega-

Argentina e Chile.

ção comercial entre o Atlântico e o Mediterrâneo.

B)

Canal do Panamá, na América

Central, que une os oceanos Atlântico

UFRS, 2000

Pacífico, passará ao controle dos Estados Unidos em 2000.

e

COMENTÁRIO Enunciado curto, objetivo e direto, mas que não fornece dica para o can-

C)

Estreito de Ormuz, localizado no

4ª questão

O cenário geopolítico sul-ameri- cano anda turbulento. Assinale a alternativa que indica corretamente alguma característica geopolítica sul-americana recente, o país e a respectiva indicação:

nomes dos países

envolvidos na questão representa mais um complicador. Em 2006, uma proposta norte-

Guiana Suriname Guiana Francesa

Arquipélago

Fernando

de Noronha

americana de conceder vantagens comerciais

americana de conceder vantagens comerciais
 

e

alfandegárias ao

A)

as Farc continuam realizando

A B D Peru BRASIL C E Chile Oceano Atlântico Uruguai Argentina Ilhas Falkland (Malvinas)
A
B
D
Peru
BRASIL
C
E
Chile
Oceano
Atlântico
Uruguai
Argentina
Ilhas Falkland (Malvinas)

Paraguai em troca da utilização de seu território para uma suposta instalação de base norte- americana causou mal-

estar entre os vizinhos, inclusive com a possibilidade

de expulsão do país do Mercosul. As mais calorosas reações foram do representante das relações

Oceano

Pacífico

exteriores do governo argentino, mas também se manifestou

seqüestros em nome de uma ban- deira política = Venezuela.

B)

o presidente Lúcio Gutierrez não

resistiu à crise política e renunciou

=

Colômbia.

C)

adiante por Hugo Chávez tem con-

quistado simpatia junto à popula- ção de mais baixa renda = Bolívia.

D)

desponta como principal nome nas eleições de dezembro = Equador.

a concessão de seu território

E)

o líder da oposição Evo Morales

a revolução bolivariana levada

para uma suposta base militar norte-americana foi malvista pelos vizinhos = Paraguai.

ESPM, 2006

o

Ministério das Relações

Exteriores do Brasil. As regras do Mercosul proíbem que um

COMENTÁRIO Enunciado vago (“alguma característica geopolítica”) sempre gera insegurança no candidato. Para aqueles mal informados sobre cartografia, a ausência dos

membro do bloco faça acordos alfandegários em separado com outros países, daí a ameaça de expulsão. Igualmente, preocupou

os governos argentino e brasileiro

 

a

possibilidade dessa suposta base

norte-americana, próxima às suas fronteiras.

 
 

(E)4(A),3(B),2(E),1:ABARITOG

 

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Biotecnologia encerra série O próximo fascículo, que terá apenas versão eletrônica, focará a questão das
Biotecnologia encerra série O próximo fascículo, que terá apenas versão eletrônica, focará a questão das
Biotecnologia encerra série O próximo fascículo, que terá apenas versão eletrônica, focará a questão das
Biotecnologia encerra série O próximo fascículo, que terá apenas versão eletrônica, focará a questão das
Biotecnologia encerra série
O próximo fascículo, que terá apenas versão
eletrônica, focará a questão das células-tronco
próximo fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades,
N o
o
tema abordado será biotecnologia e células-tronco. Esse foi o
assunto mais votado na enquete realizada no site de ÉPOCA (www.
TOME CUIDADO
com o uso indiscriminado das
generalizações: “maioria” é
diferente de “todos”, do mesmo
modo que “muitas vezes” é
diferente de “sempre”. O uso
inadequado ou a interpretação
imprecisa desses termos podem
significar a resposta errada
a uma questão.
epoca.com.br). Mais de 40% dos internautas escolheram esse tema, entre
os quatro disponíveis. Os outros três foram: Globalização e Organizações
Multilaterais, União Européia e Crime Organizado.
Biotecnologia é um conceito associado à modernidade. Mas é tão antigo
quanto a própria civilização. Existe há milênios, desde os primeiros tempos
da fabricação de pão e vinho.
A biotecnologia moderna começa com a descoberta e manipulação do
DNA. Seqüenciamento de DNA, manipulação de genes, transgenia, clona-
gem, pesquisas com células-tronco e terapias decorrentes são assuntos a
serem tratados no fascículo. As questões éticas envolvidas também serão
abordadas. O 11 o fascículo, que terá a mesma estrutura dos outros dez,
com questões comentadas pelos professores, estará disponível apenas
em versão eletrônica.
DIRETOR GERAL Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING yara Grottera
DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema
de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007
Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva-
dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof.
Toni) e Venerando Santiago de Oliveira (Prof. Venê)
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
REVISÃO Bel Ribeiro
SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)
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Ilustração: AKE ASTBURy
B iotecnologia é um termo que nos remete ao estado da arte da ciência da
B iotecnologia é um termo que
nos remete ao estado da
arte da ciência da vida. Está
associado ao genoma, ao DNA, a
clones, enfim, a um extenso leque de
descobertas dos tempos modernos.
Mas a biotecnolgia é tão antiga quan-
to a própria civilização. O primeiro
homem que, 12 mil anos atrás, numa
remota Mesopotâmia, usou fermento
Biotecnologia,
promessas
e polêmicas
para fazer o pão estava pondo em
curso um processo biotecnológico.
Hoje a biotecnologia continua a fazer
o
pão, com a diferença de que o
ingrediente pode ser transgênico.
Biotecnologia é um termo que tam-
bém nos remete à polêmica. Am-
bientalistas e agricultores debatem
Culturas transgênicas e uso
de células-tronco estão no
centro de um debate que
envolve questões éticas,
legais e religiosas
o
plantio de alimentos transgênicos,
entre eles a soja. Correntes religio-
sas, em nome do direito da vida do
embrião, se opõem a pesquisadores
que defendem o uso de células-tron-
co em tratamentos de doenças. O de-
bate envolve questões éticas e legais.
Há mais perguntas que respostas.
O
importante é ter os argumentos
afiados, tarefa que este fascículo o
ajudará a levar a cabo.
NESTA EDIÇÃO
Representação
do DNA
Em que pé está a Lei
da Biossegurança PÁG. 3
Cinco dicas para você
estudar melhor PÁG. 8
> Física
>
Biologia
>
Química
ENTENDA O ASSUNTO Biotecnologia, entre o milagre e o pecado A ciência abre novas perspectivas
ENTENDA O ASSUNTO Biotecnologia, entre o milagre e o pecado A ciência abre novas perspectivas
ENTENDA O ASSUNTO Biotecnologia, entre o milagre e o pecado A ciência abre novas perspectivas

ENTENDA O ASSUNTO

Biotecnologia, entre o milagre e o pecado A ciência abre novas perspectivas para o tratamento
Biotecnologia, entre
o milagre e o pecado
A ciência abre novas perspectivas para o tratamento de doenças, mas
seu avanço provoca polêmicas e debates sobre a própria noção de vida
POR FÁBIO L. OLIVEIRA
CÉLULAS PLURIPOTENTES
(Células de blastocisto de 5-14 dias)
UM BIÓLOGO, DUAS SURPRESAS
> O biólogo James Watson
surpreendeu o mundo duas
vezes. A primeira foi em
1953, quando, com Fran-
EMBRIÃO DE 8 DIAS
ÓVULO FERTILIZADO
BLASTOCISTO
cis Crick, físico britânico,
anunciou o modelo de dupla
hélice para o DNA, propondo
como se daria sua replica-
ção. A segunda foi em outu-
bro passado, ao declarar seu
“pessimismo em relação ao
futuro da África pelo fato de
os negros terem menos inte-
ligência que os ocidentais”.
Watson se desculpou publi-
camente, mas foi suspenso
do Laboratório Cold Spring
Harbor, onde trabalhou por
40 anos. Acabou por se apo-
sentar. A declaração mancha
a biografia do cientista,
mas não tira o valor de sua
PLURIPOTENTES
NEURÔNIO
CÉLULAS DO SANGUE
MÚSCULO
H oje em dia podemos tomar vinhos de ótima qualidade, de várias partes
do mundo e a preços acessíveis. Foi longo o caminho para chegar a esse
estágio. Começou a ser percorrido há 5 mil anos no Egito, onde encontra-
descoberta, que lhe valeu o
esco
er a, que
e va eu o
Prêmio Nobel de Medicina
Prêmio Nobel de Medicina
em 1962.
em 1962.
James
James
Watson
Watson
mos os registros mais antigos do processo de vinificação. Naquela época, o uso
de fermentos já não era novidade – afinal, a produção do pão na Mesopotâmia
remonta há 12 mil anos.
Os antigos não tinham um nome para o processo, mas, ao produzir o pão e o
vinho, estavam usando a biotecnologia. O termo se refere à utilização de seres
vivos para a obtenção de serviços ou produtos. É o que a biotecnologia moderna
ainda faz, agora com a ajuda da informação genética, que multiplicou sua utili-
dade. Atualmente, por exemplo, a biotecnologia está na base da realização de
testes de paternidade ou do desenvolvimento de medicamentos.
O passo mais importante, que abriu as portas para a biotecnologia moderna,
foi dado em 7 de março de 1953 por Francis Crick e James Watson. Trabalhando
no laboratório Cavendish, na Inglaterra, eles foram os primeiros a apresentar
um modelo da molécula de DNA, com o formato de dupla hélice (parecida com
uma escada em espiral). Essa descoberta causou uma revolução na biotecnolo-
gia, possibilitando pesquisas com transgênicos, clonagem, genomas e células-
tronco. Tais avanços defrontaram o homem e a sociedade com dilemas e confli-
tos éticos, religiosos e legais, ainda passíveis de discussão e solução.
Em 1970, a descoberta das enzimas de restrição (que cortam o DNA em
pontos específicos) tornou possível transferir trechos de DNA de uma espécie
para outra e, portanto, o desenvolvimento de organismos transgênicos. O pri-
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ilustração: AKE ASTBURY

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Em 1953, foi apresentado o modelo da molécula de DNA com formato de dupla hélice
Em 1953, foi
apresentado
o modelo da
molécula de
DNA com
formato de
dupla hélice
meiro deles, uma bactéria produtora de insulina humana,
foi apresentado em 1982, pela pioneira Genentech, da
Califórnia, Estados Unidos. Atualmente existe uma série
de organismos geneticamente modificados, desde animais
de laboratório (com genes implantados ou suprimidos),
usados em pesquisas, até vegetais resistentes a pragas,
inseticidas, secas ou enriquecidos nutricionalmente.
Culturas transgênicas podem trazer inúmeros bene-
fícios, como é o caso do arroz “dourado”, desenvolvido
para combater, em populações subnutridas de países
pobres, a deficiência de vitamina A, responsável por 500
mil casos anuais de cegueira infantil. Culturas resisten-
tes a secas ou altas salinidades estão sendo desenvolvidas em países como
a
África do Sul, podendo aumentar a produção de alimentos nos países
africanos. O plantio de culturas resistentes a inseticidas ou pragas permite
menor uso de inseticidas, o que reduz o impacto ambiental e o preço dos
alimentos e pode contribuir para a diminuição da fome no mundo. Pequenos
agricultores, contudo, devem ter acesso a essas sementes, caso se queira
que o panorama da fome seja realmente modificado.
Não há só aspectos positivos. Algumas dessas culturas contêm genes que as
fazem gerar sementes infecundas, o que obriga os agricultores a comprar as
sementes a cada safra. Uma vez plantados, os vegetais transgênicos podem sele-
cionar pragas mais resistentes ou os transgenes podem se dispersar por meio do
pólen e ser incorporados por outras plantas, com conseqüências imprevisíveis.
Atualmente vários países estão desenvolvendo e cultivando safras transgêni-
cas, inclusive o Brasil. Até agora não foi detectado nenhum problema ambiental,
mas isso não é conclusivo. A segurança ambiental e alimentar de cada transgê-
nico precisa de confirmação anterior a sua liberação para o mercado.
O desenvolvimento de técnicas que possibilitaram a identificação da se-
qüência de nucleotídeos dos DNAs e a revelação dos genomas das espécies
também têm importantes aplicações. Conhecer o conjunto de genes de espécies
patogênicas de plantas ou animais torna possível identificar os genes responsá-
veis pela doença e direcionar as pesquisas na busca de cura ou tratamento. Um
exemplo bem-sucedido foi o projeto do genoma da bactéria Xilella fastidiosa, cau-
sadora do amarelinho, praga que gera enormes prejuízos à citricultura. Financiado
pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o projeto
foi concluído em 1999. Na área de saúde, o Instituto Ludwig de Pesquisas sobre
o
Câncer em São Paulo coordena o projeto Genoma Humano do Câncer, que visa
identificar genes ativos nessa doença, ampliando a possibilidade de tratamento.
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BIOSSEGURANÇA, LEI AINDA NO PAPEL

Por Venerando S. Oliveira

Sancionada em 24 de março de 2005, a Lei de Biossegurança cria o Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) e reestru- tura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia.

A aprovação da lei foi acelerada

pela necessidade de regulamentar dois assuntos polêmicos e em estágios já bastante adiantados:

as células-tronco e os organis- mos geneticamente modificados (OGMs). Pesquisas com células-tronco mostram resultados promissores no tratamento de câncer e doen- ças degenerativas, como o mal de Alzheimer. Por utilizar embriões de onde são retiradas as células, essas pesquisas sofrem a opo- sição de setores religiosos e de grupos antiaborto. Quanto aos alimentos transgêni- cos, a soja, plantada principalmen-

te no sul do país, está no centro da polêmica dos OGMs. Introduzida no Brasil nos anos 90, ela é resis- tente a pragas e pesticidas, o que aumenta a produtividade e reduz os custos. Os ambientalistas são seus mais ferrenhos críticos.

A polêmica está longe de aca-

bar, e a desinformação da socie- dade alimenta e prolonga esse processo. Embora sancionada há mais de dois anos, a Lei de Biossegurança continua no papel.

Venerando S. Oliveira, físico formado pela Unicamp, é educador, autor de material didático, professor e coordenador do ensino médio e de cursos pré-vestibulares

Xilella

fastidiosa

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>> O QUE VER E O QUE LER Três filmes, embora de ficção, abordam questões
>> O QUE VER E O QUE LER Três filmes, embora de ficção, abordam questões
>> O QUE VER E O QUE LER Três filmes, embora de ficção, abordam questões
>> O QUE VER E O QUE LER Três filmes, embora de ficção, abordam questões
>>
O QUE VER E O QUE LER
Três filmes, embora de ficção,
abordam questões genéticas
de forma que podem ajudar no
aprendizado. São eles:
O SEXTO DIA O tema desse filme
é
a clonagem de seres humanos.
Espécie de ficção científica em que
o
protagonista é substituído por seu
Ian Wilmut,
Ian Wilmut,
clone e foge para não ser assassina-
do enquanto tenta decobrir a trama
por detrás desse mistério.
que anunciou
que anunciou
o primeiro
o primeiro
clone animal
clone animal
Outra faceta da biotecnologia é a geração
de indivíduos geneticamente iguais – os
clones. O principal marco nesse campo
foi o nascimento da ovelha Dolly, anun-
ciado por Ian Wilmut em 1997. Como
isso foi possível? Uma célula mamária
de uma ovelha foi fundida com um
óvulo de outra ovelha (cujo núcleo foi
previamente removido) e o embrião
resultante implantado no útero de uma
terceira, gerando uma ovelha genetica-
mente idêntica à doadora do óvulo. O
sucesso dessa técnica permite imaginar
a clonagem reprodutiva de animais de
estimação mortos, espécies em extinção
GATTACA, A EXPERIÊNCIA
GENÉTICA Enfoca a eugenia.
Numa época futura, seres humanos
são criados em laboratório e melho-
rados geneticamente. Aqueles con-
cebidos biologicamente são coloca-
dos à margem dessa nova sociedade
geneticamente selecionada. Um ser
humano concebido biologicamente
vai reverter o status.
ou extintas e até do homem. A clonagem
de seres humanos, além das questões éticas, é bastante combatida pela
ciência devido ao risco de haver problemas no clone, como aconteceu
com a própria Dolly, vítima de envelhecimento precoce.
A clonagem terapêutica pode dar origem às chamadas células-tronco
PARQUE DOS DINOSSAUROS
embrionárias. Tais células, por meio de divisões sucessivas, podem gerar
qualquer um dos mais de 200 tipos celulares de nosso corpo, represen-
tando esperança para o tratamento ou cura para muitas enfermidades.
Células-tronco adultas, como as da medula óssea, podem gerar muitos
tecidos, mas não todos. Isso justifica tamanho interesse pelas células-
tronco embrionárias. Para obter tais células, é preciso retirá-las de um
embrião com cerca de 5 dias de idade, interrompendo
seu desenvolvimento. Isso gera muita resistência,
O
homem domina as técnicas de
engenharia genética em estado de
arte a ponto de recriar os dinos-
sauros, confinando-os em um par-
que temático. As coisas escapam
do controle quando os animais
revividos não se comportam den-
tro dos padrões esperados.
O principal
marco da
clonagem foi
o nascimento
da ovelha
Dolly, anunciado
em 1997
sobretudo de correntes religiosas, que alegam que
essa interrupção provoca a morte do embrião. Para a
ciência, no entanto, ainda não existe vida no embrião.
Biologicamente, considera-se o início da vida quando
surge o sistema nervoso, o que acontece somente no
final do primeiro mês de gestação.
Há então um grande impasse, pois clínicas de repro-
dução humana eliminam os embriões não-utilizados.
Os seguintes sites também
são recomendados:
http://www.ctnbio.gov.br
A mesma sociedade que aceita tal eliminação não
permite que esses embriões sejam utilizados para for-
necer as células-tronco para as pesquisas.
Em tais pesquisas, a clonagem terapêutica gera células-tronco do
Comissão Técnica Nacional de
Biossegurança
http://www.comciencia.
br/reportagens/clonagem/
paciente que são injetadas no órgão doente, esperando-se que se trans-
formem nesse tecido. Tal técnica não apresenta rejeição, além de ser
menos traumática que transplantar um órgão inteiro. A partir disso, abre-
se caminho para o tratamento de doenças cardíacas, degenerativas, para-
clone02.htm – Clonagem ainda
é
técnica em desenvolvimento
lisia de membros por danos na medula espinhal, entre outros casos.
Todo esse repertório de novos conhecimentos traz promessas de
melhoria da qualidade de vida, mas levanta também conflitos éticos e
religiosos. A legislação está sendo criada, e tanto legisladores quanto
sociedade devem conhecer tais assuntos, pois serão chamados a decidir
sobre o futuro da biotecnologia e suas implicações para todos nós.
Dinossauro
Di
n
recriado pela
re
c
ficção
fic
ç
FÁBIO L. OLIVEIRA, biólogo formado pela
Unicamp, é autor de materiais didáticos,
professor do ensino médio e de cursos
pré-vestibulares
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Seqüenciamento do DNA Com esta questão, que aborda projetos genomas, você pode avaliar seus conhecimentos
Seqüenciamento do DNA
Com esta questão, que aborda projetos genomas, você
pode avaliar seus conhecimentos sobre síntese protéica
Projetos genomas visam identi-
ficar os genes de um organismo.
Para isso, é necessário descobrir a
seqüência de nucleotídeos do DNA
desse organismo para identificar os
genes e as proteínas codificados por
RNA mensageiro
Proteína
UACAAGGUGCCAU
Y
ATGTTCGAGCCTA
W
UGUUCCACGGUA
Beta
AUGUUCCACGGUA
Z
AUCUUGGAGCCUA
Alfa
eles. Geram-se, a partir de uma única
molécula de DNA, vários segmentos
com tamanhos diferentes. Estes
são colocados em cima de um bloco
de gel e o atravessam. Os menores
pedaços o fazem mais rapidamente e
os maiores, mais lentamente.
senta um gel no qual foram colocados
vários segmentos com tamanhos
diferentes de uma mesma molécula de
DNA. A técnica usada permite saber
que o último nucleotídeo de cada
segmento da coluna A é a Adenina, da
teína codificada por ele é a:
A) Alfa B) Z C) Y D) Beta E) W.
COMENTÁRIO
Essa questão aborda de maneira sucin-
ta
como se realiza um projeto genoma.
A
figura aqui reproduzida repre-
coluna T, é a Timina, e assim por diante.
Após a migração e separação desses
segmentos, é estabelecida a seqüência
da molécula original, colocando-se os
nucleotídeos conhecidos de cada colu-
na, separados no gel, na ordem, do mais
leve para o mais pesado. A partir disso,
A
leitura do enunciado é essencial para
quem não sabe como se faz a leitura
dos trechos de DNA no gel para se achar
a
ordem dos nucleotídeos do trecho
é
possível estabelecer a seqüência de
aminoácidos da proteína codificada por
de DNA seqüenciado. Após o estabe-
lecimento da ordem dos nucleotídeos
do DNA, é necessário que se lembre a
ordem de pareamento do DNA com o
RNA mensageiro em formação (A com U,
esse segmento. Seqüenciando tal
segmento e analisando a tabela
acima, é possível dizer que a pro-
T
com A, C com G e G com C) para anali-
sar a tabela e verificar a proteína codifica-
da pelo trecho de DNA seqüenciado.
RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO X
Na América do Sul, a esquerda
convive com a economia de mercado
A
questão da semana passada era sobre
rompimento com a economia de mercado
o cenário geopolítico da América do Sul. A
chegada de muitos partidos de esquerda
ao poder na região mudou o panorama,
mas não implicou a adoção do socialismo
como modelo político e econômico, nem o
dogmas liberais. Ao que tudo indica, essa
nova tendência está mais vinculada a uma
refreada ao neoliberalismo, interpretado
como uma espécie de radicalismo de
mercado, do que a uma confrontação
e
ideológica com o capitalismo.
Gabarito: alternativa D (Apesar de
muitos partidos de esquerda terem
chegado ao poder na América do Sul,
o
sistema de economia de mercado foi
mantido em todos eles).
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(B)GABARITO:
QUESTÕES RESPONDIDAS Projeto Genoma, transgênicos, DNA Teste seus conhecimentos com questões que já caíram em
QUESTÕES RESPONDIDAS Projeto Genoma, transgênicos, DNA Teste seus conhecimentos com questões que já caíram em
QUESTÕES RESPONDIDAS Projeto Genoma, transgênicos, DNA Teste seus conhecimentos com questões que já caíram em

QUESTÕES RESPONDIDAS

Projeto Genoma, transgênicos, DNA

Teste seus conhecimentos com questões que já caíram em vestibulares recentes e confira os comentários dos professores

C) errada, porque o código genético diz respeito à correspondência entre os códons do DNA e os aminoácidos nas proteínas.

D) errada, porque o projeto decifrou

os genes dos cromossomos humanos, não as proteínas que eles codificam.

E) errada, porque não é possível

decifrar todo o código genético, existem regiões cromossômicas com alta taxa de mutação.

Unifesp, 2004

COMENTÁRIO Esse é o típico enunciado “pega-

distraído”, pois reafirma uma confusão já comum nos meios de comunicação, que não diferencia corretamente os conceitos de geno- ma e código genético. Portanto, cuidado. O vestibulando que não faz uma análise crítica das informações veiculadas na mídia pode apreender conceitos errados. Vale lembrar que o genoma é o conjunto de genes de uma espécie e o código genético é a relação entre a trinca de bases do DNA (ou RNA mensageiro) e o aminoácido colocado pelo ribosso- mo na proteína.

1ª questão

Em abril de 2003, a finalização do Projeto Genoma Humano foi noticia- da por vários meios de comunicação como sendo a “decifração do código genético humano”. A informação, da maneira como foi veiculada, está:

correta, porque agora se sabe

toda a seqüência de nucleotídeos

dos cromossomos humanos.

correta, porque agora se sabe

toda a seqüência de genes dos cro- mossomos humanos.

Organismos são ditos trans- gênicos quando, por técnica de engenharia genética, recebem e incorporam genes de outra espécie, os quais podem ser transmitidos aos seus descendentes. Exemplos desses organismos são as plantas transgênicas, receptoras de um gene de outro organismo

2ª questão

D) a técnica permite trocar o código

genético do organismo doador do gene.

E) a técnica permite trocar o código genético do organismo receptor do gene. PUC-SP, 2004
E) a técnica permite trocar o
código genético do organismo
receptor do gene.
PUC-SP, 2004
(doador) que lhes confere resistên-
cia a certos herbicidas. Para que
ocorra a síntese da proteína
codificada pelo gene
inserido no genoma da espécie
receptora, diversas condições
devem ser observadas. Entretanto,
fundamentalmente, essa técnica
é possível porque:
A) cada organismo apresenta seu
próprio código genético.
B) o código genético é comum
a todos os seres vivos.
C) o código genético é degenerado.
COMENTÁRIO
O enunciado facilita a compreensão
ao fornecer informações introdutó-
rias sobre o assunto que ajudam o
candidato a se lembrar dos princi-
pais conceitos. Mas também exige
atenção redobrada devido à relação
entre genoma e código genético. Com
relação ao código genético, é bom
lembrar que, salvo algumas diferenças
em algumas trincas de bases do DNA
em algumas poucas espécies, o códi-
go genético é universal, ou seja, é o
mesmo em todas as espécies, sendo,
portanto, usado como uma das evi-
dências do processo evolutivo.

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3ª questão

O ESTADO 2004O ESTADO DE DE S. S. PAULO, PAULO, 27 27 DE DE MAIO
O ESTADO
2004O
ESTADO DE
DE S.
S. PAULO,
PAULO, 27
27 DE
DE MAIO
MAIO DE
DE 2004

daquele mamífero.

PUC-SP, julho 2005

COMENTÁRIO É uma daquelas questões conside- radas fáceis. Uma rápida análise da tirinha já encaminha para a resposta correta. Mesmo que o candidato não perceba a palavra “flash”, o próprio

desenho remete à luz excessiva e instantânea. De qualquer maneira, a análise do quadrinho é essencial na resolução. A partir dela verifica-se que o elefante brilhou como vaga-lume, o que permite responder que um gene do vaga-lume foi transferido ao ele- fante, que pode produzir biolumines- cência como o vaga-lume.

que pode produzir biolumines- cência como o vaga-lume. A tira de quadrinhos ao lado faz referência

A tira de quadrinhos ao lado faz referência à manipulação de genes

em laboratório. Se esse tipo de expe- rimento realmente fosse concreti- zado, seria possível afirmar que:

o elefante e o vaga-lume são orga-

nismos transgênicos.

apenas o vaga-lume é um organis-

mo transgênico.

uma seqüência de RNA do vaga-

lume foi transferida para células do

elefante.

o gene do vaga-lume controlou a

produção de RNA e de proteína no

interior das células do elefante.

uma seqüência de DNA do elefante

sofreu mutação devido à introdução

do gene do vaga-lume em células

32) nos organismos procariontes, ela fica estocada dentro do núcleo das células. 64) em alguns organismos primitivos, ela apresenta apenas uma fileira de nucleotídeos.

UFSC, 2003 (questão 1 da prova branca)

COMENTÁRIO Neste caso, a tirinha não agrega informação que facilite a escolha das alternativas corretas. Outra dificuldade é o excesso de asserti- vas a serem avaliadas e a solicita- ção final do somatório dos valores. Com relação à afirmativa 64, vale lembrar que existem alguns vírus cujo material genético é DNA de fita simples e outros com RNA de fita dupla. Então, o conceito de que moléculas de DNA têm fita dupla e de RNA têm fita simples não se aplica a todos os organismos.

4ª questão

Neste ano de 2003, são comemorados os 50 anos da “descoberta” da estrutura tridimensional do DNA. Com relação às características dessa molécula, ao papel que ela desempenha nos seres vivos e aos processos em que se encontra envolvida, é CORRETO afirmar que:

01) é formada por duas fileiras de nucleotídeos torcidas juntas em forma de hélice. 02) em sua composição é possível encontrar quatro bases nitrogenadas diferentes: a adenina, a citosina, o aminoácido e a proteína. 04) ela tem a capacidade de se autoduplicar. 08) nela está contida a informação genética necessária para a formação de um organismo. 16) a mensagem nela contida pode ser transcrita para uma outra molécula denominada RNA.

93)corretas:alternativasdas(soma4(D),3(B),2(C),1GABARITO:

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Dicas para o candidato Cinco sugestões para você se preparar melhor Seguindo essas orientações, o
Dicas para o candidato Cinco sugestões para você se preparar melhor Seguindo essas orientações, o
Dicas para o candidato Cinco sugestões para você se preparar melhor Seguindo essas orientações, o
Dicas para o candidato Cinco sugestões para você se preparar melhor Seguindo essas orientações, o
Dicas para
o candidato
Cinco sugestões para
você se preparar melhor
Seguindo essas orientações, o vestibulando terá
maiores chances de se sair bem nos exames
N os dez primeiros fascículos, demos dicas
sobre como fazer melhor a prova. Agora,
neste último fascículo, ficam sugestões de
3 SEU RITMO
Nunca se apresse em seus estudos. Cada assunto
como estudar melhor, algo fundamental nesta reta
não deve ser apenas lido, mas sim compreendido e
enfocado em seus pontos principais. Para render mais,
final até a realização dos exames.
faça sempre anotações.
1 SEU CANTO
Tenha sempre um local para seus estudos. Seja em
4 SUA ATITUDE
Não permaneça com dúvidas, tente solucioná-las
casa, no cursinho, ou em sua escola, esse seu “canto”
deve ser bem iluminado e sem ruídos que possam
com amigos e/ou professores. Buscando ajuda, além
de solucionar a dúvida, sempre se pode acrescentar
atrapalhar sua concentração.
algo ao que já se sabe.
2 SEU LIMITE
Jamais estude por horas a fio. Especialistas recomen-
5 SEU BOM SENSO
Não realize seus estudos se suas condições físicas e/ou
dam que a moderação (cerca de três a quatro horas por
dia) é mais salutar, além de preservar na memória os
conteúdos já apreendidos.
emocionais não estiverem normais. Esse tipo de situação é
negativa para o rendimento estudantil. Nesses casos, procu-
re alguém de sua confiança e peça orientação.
DIRETOR GERAL Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
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ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
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Ilustração: AKE ASTBURY

AGÊNCIA O GLOBO

AGÊNCIA O GLOBO N os tempos do regime militar se pichava nos muros: “Abaixo a ditadura”.
AGÊNCIA O GLOBO N os tempos do regime militar se pichava nos muros: “Abaixo a ditadura”.

N os tempos do regime

militar se pichava

nos muros: “Abaixo a

ditadura”. Por que não há con- tradição entre a frase dos anos 60 e 70 e o título desta página? Alternativa A: porque nos dois casos se exalta a democracia. B: por causa da vírgula. C: am- bas as anteriores estão certas. Quem marcou C está afiado em História e Português. O Brasil é uma democracia plena desde 1990, com a posse do primeiro presidente eleito diretamente após a ditadura militar. E, quan- to à vírgula do título, inverte o sentido da frase, que passa a significar: abaixo do título, na foto, um flagrante de democra- cia. Este é o objetivo desta série de fascículos: inter-relacionar disciplinas para que você se prepare bem para o vestibular.

NESTA EDIÇÃO

A política, da

República Velha

a Lula PÁGs. 2 a 4

Os filmes que

reconstruíram

a ditadura PÁG. 5

5 questões para você treinar PÁGs. 5 a 7

Abaixo, a democracia

Apesar de consolidada, a democracia no Brasil ainda é tão jovem quanto os caras-pintadas em 1992

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Estudantes testam a democracia ao pedir o impeachment de Collor

1992 1 | R E V I S T A É P O C A |
DIVULGAÇÃO ENTENDA O ASSUNTO Os percalços da jovem democracia brasileira A história da república do
DIVULGAÇÃO ENTENDA O ASSUNTO Os percalços da jovem democracia brasileira A história da república do
DIVULGAÇÃO ENTENDA O ASSUNTO Os percalços da jovem democracia brasileira A história da república do

DIVULGAÇÃO

ENTENDA O ASSUNTO

Os percalços da jovem democracia brasileira

A história da república do país mostra que o regime representativo vigorou plenamente em poucos anos, e quase sempre acompanhado de sobressaltos

POR OSCAR PILAGALLO

U ma tradição só está perfeitamente enraizada na sociedade quando sua própria existência deixa de ser assunto. Ninguém discute, por exemplo, a divisão do poder entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Não há hipótese de ser de outro

e Judiciário. Não há hipótese de ser de outro A luta armada e a repressão do
A luta armada e a repressão do final dos anos 60 e início dos 70
A luta armada e a repressão do
final dos anos 60 e início dos 70 ge-
raram farta literatura baseada em
depoimentos dos protagonistas.
Um dos melhores ainda é O Que É
Isso, Companheiro? (Companhia
das Letras), de Fernando Gabeira,
um dos seqüestradores do embai-
xador americano em 1969. O livro,
que também traça um panorama
dos grupos de esquerda da época,
deu origem ao filme homônimo que
se encontra em locadoras de DVD.

modo. O peso da tradição mata o assunto. Não é o que acontece, no entanto, com a democracia no Brasil – apesar de devidamente consolidada, ela ainda dá o que falar. A questão da democracia voltou à baila recentemente por conta da reação do presidente Lula às vaias que tem levado, a maior delas em julho, durante a abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Maracanã. Ele também é vaiado, simbolicamente, pelo Cansei, movimento que reúne empresários, a seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, parentes de vítimas de acidentes aéreos, socialites, artistas e

críticos do governo em geral. Lula comentou, a propósito das vaias: “Se alguns quiseram brincar com a demo- cracia, eles sabem que neste país ninguém sabe colocar mais gente na rua do que eu”. Na imprensa e em círculos próximos do governo, ouviram-se vozes que identifi- caram uma intenção golpista na iniciativa da elite “cansada”. Há um inegável exagero nessa percepção. É claro que não há perigo à vista. Não é menos evidente que a democracia não está ameaçada. A menção a golpe parece produto de uma interpretação paranóica do processo histórico. E, no entanto, o assunto insinua uma volta à agenda política, com o próprio presidente vindo a público para defender a democracia. Países com forte tradição democrática não precisam vir em socorro da democracia a qualquer tropeço dos protagonistas

Vaiado,Lula recoloca a defesa da democracia em pauta, mas não há ameaçaàvista

Vaiado,Lula recoloca a defesa da democracia em pauta, mas não há ameaçaàvista

do espetáculo da política. O que aconteceu nos Estados Unidos na eleição de George W. Bush, em 2000, é exemplar. A eleição do republicano esteve cercada de controvérsia. Para começar, o candidato democrata, Al Gore, teve mais votos populares que Bush, ou seja, o resultado da eleição (votação indireta) não refletiu a vontade da maioria (votação direta). Esse é um desdobramento previsto na legislação, mas que ocorre raramente (apenas dois casos iguais haviam sido registrados

1889-1930 1930-1937 República Velha Governo Getúlio Vargas Washington Luís JK ao centro Floriano 2 |
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Getúlio
Getúlio
ARQUIVO AGÊNCIA O GLOBO
ARQUIVO AGÊNCIA O GLOBO

Jango discursa dias antes de ser deposto

antes). Naquela eleição, no

A RENÚNCIA DE JÂNIO > Uma das hipóteses para a nunca explicada renúncia de Jânio
A RENÚNCIA DE JÂNIO
> Uma das hipóteses para a
nunca explicada renúncia de
Jânio Quadros, em agosto de
1961, é que ele preparava um
golpe de Estado. Para tanto,
teria mandado seu vice, João
Goulart, à China comunista.
A ausência do sucessor legal,
que era combatido pelos con-
servadores, criaria um vácuo
que ele tinha esperança de
ocupar. Renunciou para voltar
nos braços do povo, com apoio
dos generais e sem o Congres-
so. Em outras palavras, com
mais poder. Mas a reação po-
pular não veio e o veto militar à
posse de Jango ficou concen-
trado nos ministros militares.
CEDOC

entanto, houve um agravante. Com a disputa muito apertada, houve necessidade de recon- tagem de votos na Flórida, que afinal acabou sendo suspensa por decisão da Suprema Corte, o que definiu o pleito. Derrotado duas vezes (pela minoria republicana e pela Justiça), Al Gore nunca aven- tou a possibilidade de risco para a democracia americana. No máximo, ao entregar os pontos, disse que aceitava a decisão em nome do fortalecimento do regime. No Brasil, em comparação, a história da democracia teve bem mais sobressaltos, o que talvez explique a tentação de incluir as vaias entre eles. Em primeiro lugar, é importante lembrar que se trata de uma história relativa- mente curta. Considerando-se o período republicano, o Brasil teve poucos anos consecutivos de uma democracia livre da sombra da ruptura política. É só fazer as contas. De saída, eliminem-se as quatro décadas da República Velha. Entre 1889

e

que se revezavam por meio de eleições nas quais votava uma pequena fração da sociedade. A legalidade não vinha acompa- nhada da legitimidade.

1930, quem detinha o poder eram as oligarquias agrícolas,

1930, quem detinha o poder eram as oligarquias agrícolas, Entre 1946 e 1964, a democracia foi
Entre 1946 e 1964, a democracia foi fragilizada pelo movimento golpista que teria êxito com

Entre 1946 e 1964, a democracia foi fragilizada pelo movimento golpista que teria êxito com os militares

Entre 1930 e 1937, o Brasil viveu numa zona cinzenta. Não era uma democracia, pois o principal mandatário, Getúlio Vargas, não fora eleito. Mas também não era uma ditadura

nasceria só em 1937, com o Estado Novo, que duraria até 1945. Os quase 20 anos seguintes foram de democracia. Ou talvez

pelo menos não havia, formalmente, um ditador. A ditadura

seja melhor dizer: de ameaça à democracia. O primeiro presi- dente, o general Eurico Dutra, foi ungido pelo ex-ditador. Ficou no poder até 1950. Na seqüência, seria a vez de o próprio ex-ditador voltar como presidente eleito.

Getúlio, conhecido como “o pai dos pobres”, enfrentou cerrada oposição conserva- dora que, com Carlos Lacerda à frente, era conspiradora em tempo integral. Vargas se matou em 1954, e seu mandato foi completado por Café Filho – um hiato de pouca expressão entre Vargas e seu herdeiro político, Juscelino Kubitschek. JK é hoje um paradigma de presidente. Mas na época era execrado pelos conser- vadores golpistas. Tanto que por pouco ele não foi impedido de tomar posse. Foi preciso um contragolpe preventivo para garantir o respeito à Constituição. Com seu sucessor, Jânio Quadros, os conservadores acharam que tinham final- mente chegado ao poder. Estavam enganados. Jânio renunciaria em menos de oito

Jânio, quando ainda desfrutava de grande popularidade

1946-1964 1964-1985 1985-1989 1990-2007 Hiato democrático Ditadura militar Transição Democracia democrática
1946-1964
1964-1985
1985-1989
1990-2007
Hiato democrático
Ditadura militar
Transição
Democracia
democrática
Figueiredo
FHC e Lula
Sarney
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O TESTE DO COLLORGATE Depois da redemocratização, a partir de 1985, o regime sofreu uma
O TESTE DO COLLORGATE Depois da redemocratização, a partir de 1985, o regime sofreu uma
O TESTE DO COLLORGATE Depois da redemocratização, a partir de 1985, o regime sofreu uma
O TESTE DO COLLORGATE Depois da redemocratização, a partir de 1985, o regime sofreu uma
O TESTE DO
COLLORGATE
Depois da redemocratização,
a partir de 1985, o regime sofreu
uma grande ameaça em 1992,
com o Collorgate – o processo
que culminou com o afastamento
do presidente, assim chamado
em referência ao Watergate, que
levou à renúncia do presidente
Richard Nixon, dos EUA, em 1974.
O Collorgate não teve a drama-
ticidade do suicídio de Getúlio,
em 1954. Nem a ação cinema-
tográfica do golpe preventivo
de 1955, que incluiu a fuga dos
protagonistas num navio que
zarpou do Rio. Tampouco o des-
dobramento da crise da posse de
Jango, em 1961. Mas, no Brasil
contemporâneo, foi o grande
teste da democracia.
Itamar Franco, vice de Collor,
enfrentava alguma resistência de
setores identificados com o então
PFL do senador Antônio Carlos
Magalhães. Dizia-se que ele não
tinha representatividade, uma
vez que não fora eleito. Tratava-
se de um raciocínio golpista, que
não levava em conta a própria
Constituição. Desde meados de
1992, à medida que o afastamen-
to de Collor se tornava uma pro-
babilidade cada vez maior, Itamar
trabalhou para neutralizar tal
resistência. Chegou a defender
uma “união nacional em torno da
legalidade” e senadores armaram
um “cinturão do Itamar” para
garantir a transição. Com sua
posse, venceu a democracia.
Passeata nos
anos 70, quando
segmentos
da sociedade
começaram
a se manifestar
contra a ditadura
meses, em agosto de 1961, acreditando, provavelmente, que seria chamado de volta,
com mais poderes. Também estava enganado.
O
episódio da posse de João Goulart, vice de Jânio, representou séria ameaça à
continuidade democrática. Os ministros militares não o aceitavam, e a crise só foi
contornada com um remendo parlamentarista que tolhia os movimentos de Jango.
Um plebiscito em 1963 restabeleceu o presidencialismo, mas àquela altura o golpe de
1964 já estava praticamente em curso.
Os militares ficaram pouco mais de 20 anos no poder, até 1985, quando, após a
derrota do movimento Diretas Já, o Colégio Eleitoral elegeu Tancredo Neves, civil
e
de oposição. Tecnicamente, a ditadura militar ficara para trás. Tancredo morreu
antes da posse e quem acabou assumindo foi seu vice, José Sarney, um político
que fizera carreira no partido governista durante a ditadura. De qualquer maneira,
Sarney levou a transição política até o fim.
A
primeira eleição direta depois dos militares se deu em 1989, com a vitória de
Fernando Collor. É a partir daí que a democracia medra de verdade. O primeiro gran-
de teste veio com o processo de impeachment em 1992. Estudantes caras-pintadas
saíram às ruas para protestar. O presidente foi afastado, e a democracia saiu ilesa,
com a posse do vice, Itamar Franco, como manda a Constituição.
Tudo somado, noves fora os intervalos em que esteve sob perigo iminente, a
democracia brasileira tem a idade de muitos candidatos ao vestibular deste ano.
Não é pouco. Mas não é muito também. É por ser tão jovem que ela ainda não tem
regras estáveis. Veja-se, a propósito, a duração do mandato presidencial. Sarney
assumiu com quatro anos e acabou ficando cinco. Fernando Henrique Cardoso
conseguiu mudar a regra no meio do jogo e arrancou do Congresso a possibilida-
de de reeleição. Agora, fala-se novamente em cinco anos, sem reeleição. Fala-se
também em terceiro mandato, mas sobre isso Lula disse que é “uma provocação
à
democracia”. Convém anotar a frase – just in case, como dizem os ingleses, um
povo acostumado às práticas democráticas.
O
“fora, Lula” não é antidemocrático. Da mesma maneira que não o era o “fora, FHC”. É
FHC,
apenas o exercício do direito de espernear. Como diria o poeta concretista: “Viva a vaia”.
em cujo
mandato se
permitiu a
reeleição
OSCAR PILAGALLO, jornalista, é autor
de A História do Brasil no Século 20
(em cinco volumes, pela Publifolha)
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SÉRGIO DUTTI / EDITORA GLOBO
ARQUIVO AGÊNCIA O GLOBO
A O Política na tela A e história do Brasil não se encontra apenas nos
A O
A
O

Política na tela

A

e

história do Brasil não se encontra apenas nos livros; a resposta

o comentário da questão inédita estão no próximo fascículo

Cena de O Ano em Que Meus Pais

Saíram de Férias, ambientado durante a repressão

Batismo de Sangue e O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, filmes recentes, retratam um tema que a his- tória oficial parece querer esquecer. Enquanto na Argentina o Estado se encarrega de fazer o país reencon- trar-se, por meio de investigações e punições àqueles que cometeram atrocidades, aqui o cinema é que cumpre esse papel. Os filmes citados tratam:

A) das ditaduras sul-americanas, como as da Argentina, do Brasil e do Uruguai, e da violenta repressão polí- tica praticada por elas, inclusive com ações conjuntas.

DIVULGAÇÃO
DIVULGAÇÃO

B) do Estado Novo (1937 a 1945) e abor-

dam a violenta perseguição ao Partido Comunista Brasileiro e a seus membros.

C) da ditadura militar no Brasil (1964

D) da grande crise econômica vivida

pelos países latino-americanos na década de 80 do século passado,

conhecida como a “década perdida”.

a

1985 ou, para alguns autores, 1989)

E)

dos problemas da juventude brasi-

e

enfocam questões como repressão,

leira no século XXI, sem perspectivas,

tortura e resistência armada.

sem sonhos ou utopias para buscar.

RESPOSTA DA QUESTÃO INÉDITA DO FASCÍCULO I

PPPs, investimentos sem gasto orçamentário

pergunta inédita do primeiro fas-

cículo foi sobre as Parcerias Público- Privadas. As PPPs são uma alternativa para o governo aumentar os investimen- tos em infra-estrutura sem aumentar os gastos orçamentários. Elas podem ocor- rer nas várias esferas de governo.

governo oferece uma concessão

ou solicita a execução de uma obra ao setor privado. Uma estrada, por

exemplo. A empresa que apresentar

a melhor proposta ganha o direito de

construí-la, investindo seu próprio capi- tal, e, depois de pronta, passará a rece- ber as tarifas dos usuários ou um valor estabelecido pelo governo. Alguns partidos políticos questionam essas parcerias, mostrando algumas

distorções, tais como o financiamento público, via BNDES, para a execução da obra. Assim, o espírito da idéia seria viola-

do, pois o capitalista não injetaria capital

próprio. Outros defendem a construção de um sistema de fiscalização para evitar que tentativas de redução de custos coloquem em risco a obra. Esse modelo já foi usado em países como Inglaterra, Espanha, Portugal, Irlanda e África do Sul. Gabarito: alternativa A. (Sobre as PPPs é correto afirmar que são uma alter- nativa que o governo encontrou para atrair investimentos privados para as obras de infra-estrutura necessárias ao país.)

nativa que o governo encontrou para atrair investimentos privados para as obras de infra-estrutura necessárias ao

CEDOC

CEDOC QUESTÕES RESPONDIDAS Ditadura, cidadania e tropicalismo Perguntas feitas em quatro vestibulares cobrem vários
CEDOC QUESTÕES RESPONDIDAS Ditadura, cidadania e tropicalismo Perguntas feitas em quatro vestibulares cobrem vários
CEDOC QUESTÕES RESPONDIDAS Ditadura, cidadania e tropicalismo Perguntas feitas em quatro vestibulares cobrem vários

QUESTÕES RESPONDIDAS

Ditadura, cidadania e tropicalismo

Perguntas feitas em quatro vestibulares cobrem vários aspectos da história contemporânea do Brasil a partir do governo civil derrubado pelo golpe militar de 1964

do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna.

D) o discurso a favor das ligas campo-

nesas e da reforma agrária feito por Francisco Julião na Central do Brasil, no Rio de Janeiro.

E) o seqüestro do embaixador norte-

americano por grupos de militantes que participavam da esquerda armada.

Ufam – 2006 (questão 45 da prova de História)

COMENTÁRIO Observe que o enunciado inicia-se com a conjunção subordinativa “embora”. Atenção: isso é apenas um comentário, que não interferirá decisivamente no que

lhe é perguntado na oração principal. Quanto ao conteúdo da questão, ajuda muito localizar no tempo os eventos mencionados nas alternativas. A mar- cha e o discurso de Julião ocorreram em 1964. O seqüestro data de 1969. Sabendo isso, você já elimina três alter- nativas. Para descobrir qual das duas restantes é a correta seria necessário ter conhecimento de que o AI-5, símbolo dos “anos de chumbo” da ditadura, teve um pretexto: a negativa da Câmara dos Deputados em conceder autorização para que o governo processasse um deputado oposicionista por um discurso considerado ofensivo pelos militares.

1ª questão

Embora a tendência a um contínuo

fechamento político já estivesse pre- sente nas ações governamentais desde

golpe militar de 1964, que aconte- cimento foi usado como argumento legitimador para a adoção do Ato Institucional Nº 5, em 1968:

o discurso do deputado Márcio

Moreira Alves no Congresso Nacional,

criticando o Regime Militar.

a marcha da “Família com Deus

Pela Liberdade”, que reuniu milhares de pessoas em São Paulo.

a realização, na clandestinidade,

os direitos sociais e políticos não foram garantidos na Constituição promulgada em 1988. A lei apresenta-se ainda omis- sa em relação aos direitos humanos, das crianças e das mulheres.

1 1 – cidadão é aquele que tem consciên-

cia de seus direitos e deveres e participa de todas as questões colocadas pela sociedade. É um indivíduo que se orienta segundo valores universais e, conseqüen- temente, defende os direitos humanos, sociais e políticos para todos.

2 2 – nos países democráticos, pelo seu

caráter liberal, o Estado não é respon- sável por realizar políticas públicas de

direitos humanos e sociais. Essas ações ficam a cargo da iniciativa privada e dos movimentos sociais.

3 3 – em países pobres e emergentes, a

política de promoção da igualdade tem se mostrado muito frágil. Os recursos para saúde, educação, moradia, emprego, meio ambiente saudável não são sufi-

cientes para eliminar as desigualdades. Nesses países, portanto, é importante a atuação das ONGs (Organizações Não- Governamentais). 4 4 – o movimento pela cidadania no Brasil desenvolveu-se durante os anos de 1980, com os processos de abertura polí- tica e reivindicações de direitos humanos. Um dos principais articuladores dessa luta foi o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho.

Ufal – 2002 (questão 27 da prova de Estudos Sociais)

COMENTÁRIO Esse tipo de enunciado apresenta uma visão histórica sobre determinado assunto. Na maioria desses casos, as alternativas podem reafirmar, ampliar ou mesmo negar o enunciado. É a partir dessas relações que você saberá se a assertiva é falsa ou verdadeira. Uma leitura atenta acaba por indicar a resposta correta. Repare, por exemplo, que as alternativas 0 0 e 2 2 negam o que é dito no enunciado.

2ª questão

A palavra cidadania assumiu vários significados através da História. Na Grécia Antiga, a palavra designava o direito de os homens livres decidirem os destinos da cidade. Atualmente, esse direito foi esten- dido a todos os homens e mulheres e, ainda mais, tornou-se uma condição para

democracia. Analise as afirmações

abaixo sobre o conceito de cidadania:

0 0 – no Brasil, a cidadania é, ainda, um projeto jurídico e uma luta política, porque

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é, ainda, um projeto jurídico e uma luta política, porque rev i s ta é p

ILUSTRAÇÃO: AKE ASTBURY

3ª questão

 
Jango sorve o chimarrão; ele tentou implementar as reformas de base CPDOC/Fundação Getúlio Vargas
Jango sorve
o chimarrão;
ele tentou
implementar
as reformas
de base
CPDOC/Fundação Getúlio Vargas

A) programa de reformas de João Goulart.

 

B) reforma constitucionalista.

 

As reformas de base eram um con- junto de medidas que previam grandes mudanças nas áreas administrativa, fiscal, eleitoral, tributária, educacional e agrária. Entre as medidas defendidas pelo presi- dente estavam a reforma agrária, o direito de voto aos analfabetos e aos militares de baixa patente, a nacionalização das empresas concessionárias de serviços públicos e o imposto progressivo. Tratava- se de um instrumento com o qual o gover- no buscava unir todas as forças paulistas mobilizadas e fazer crer à opinião pública a necessidade de mudanças institucionais na ordem política, social e econômica, como condição ao desenvolvimento nacio- nal. Este texto está relacionado com o período conhecido como:

 

C) milagre brasileiro.

 

D) Plano Salte.

 

E) Plano de Metas.

 

Cesama (AL) – 2007/2 (questão 47 da prova de Conhecimentos Gerais)

 

COMENTÁRIO Enunciados como esse fornecem muitas informações, o que facilita a recuperação do que você sabe sobre o assunto. Quanto ao conteúdo, as reformas de base come- çaram a ser discutidas ainda no governo JK, mas viraram plataforma política apenas no governo de Jango. As reformas agrária e urbana eram as principais metas, mas encontravam resistências dos con- servadores. O impasse em torno das refor- mas levou a uma radicalização política, que desembocou no golpe militar de 1964.

4ª questão

 

plano secundário a qualidade estética de suas canções.

o

moralismo vigente, à esquerda e à direi-

ta, com os experimentalismos radicais em relação a drogas, sexualidade e estética. A música, com Caetano, Gilberto Gil e Tom Zé, foi a maior vitrine, mas não podemos

 
   

D)

para o tropicalismo as transforma-

“Caminhando contra o vento / Sem lenço sem documento / No sol de

ções sociais precedem as mudanças ocorridas no plano subjetivo.

quase dezembro / Eu vou / [

entre fotos e nomes / Sem livro e

sem fuzil / Sem fome sem telefone

]

Por

E)

sociais e revela o engajamento do autor

a letra da canção enfatiza temas

o

esquecer do teatro, com o Grupo Oficina,

cinema, com Gláuber Rocha, e as artes plásticas, com Hélio Oiticica.

 

/

No coração do Brasil / Ela nem

 

na resistência política armada.

sabe até pensei / Em cantar na

 

televisão / O sol é tão bonito / Eu vou / Sem lenço sem documento

UEL – 2004 (questão 38 da prova de História)

COMENTÁRIO Diferentemente das questões que apresentam letras de músicas ou poe- mas que pouco interferem na resposta, esse trecho dá várias dicas sobre a alter- nativa correta. Repare nas metáforas “contra o vento”, “sem lenço sem documen- to”, “sem livro e sem fuzil”. A tropicália significou uma ruptura estética e também político-ideológica com o nacionalismo da esquerda ortodoxa de então. Desafiou

uma ruptura estética e também político-ideológica com o nacionalismo da esquerda ortodoxa de então. Desafiou

Nada no bolso ou nas mãos / Eu quero seguir vivendo amor.”

/

(Caetano Veloso, música “Alegria Alegria”)

 
 

Com base na letra da canção e nos conhecimentos sobre o

 

tropicalismo, é correto afirmar:

A)

ao criticar a sociedade por meio da

 

construção poética, a canção questiona determinada concepção de esquerda dos anos 1960.

B)

a letra da canção mostra que os tropi-

calistas usavam a arte como instrumento para a tomada do poder.

C)

ao valorizar a aproximação com a

 

mídia os tropicalistas colocaram num

 
 

4(A)3(A);Verdadeiro);Verdadeiro,Falso,Verdadeiro,2(Falso,(A);1GABARITO

 
 
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Vote no tema do 11º fascículo deste guia Basta entrar no site da revista e
Vote no tema do 11º fascículo deste guia Basta entrar no site da revista e
Vote no tema do 11º fascículo deste guia Basta entrar no site da revista e
Vote no tema do 11º fascículo deste guia Basta entrar no site da revista e
Vote no tema do 11º
fascículo deste guia
Basta entrar no site da revista e escolher um
dos quatro temas propostos pelos professores
O 11º fascículo do Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é uma
espécie de faixa-bônus. Mas, ao contrário do que ocorre com os CDs,
no fascículo a escolha do conteúdo ficará a critério dos estudantes que vota-
Inicie a prova
pelas questões
que considerar mais
fáceis. Dessa forma,
você garante melhor
aproveitamento
do tempo e os
primeiros acertos,
o
que reforçará sua
disposição para
o
prosseguimento
do exame.
rem no site www.epoca.com.br. Esse fascículo extra terá a estrutura dos dez primeiros
que estão sendo encartados gratuitamente na revista semanal. Ou seja, haverá questões
comentadas, pinçadas de vestibulares já realizados.
Haverá também uma questão inédita. O assunto prin-
cipal será escolhido pelos estudantes, que poderão vo-
tar em um dos quatro temas propostos.
São eles: 1) Globalização e Organizações
Multilaterais, 2) União Européia, 3) Biotecnologia e
Células-Tronco e 4) Crime Organizado. O fascículo
terá a mesma apresentação da edição impressa.
Assim, aqueles que o desejarem, poderão fazer
cópias da versão eletrônica.
DIRETOR EXECUTIVO Juan Ocerin
DIRETOR EDITORIAL Paulo Nogueira
DIRETOR DE MERCADO ANUNCIANTE Gilberto Corazza
DIRETOR DE FINANÇAS Frederic Zoghaib Kachar
DIRETOR DE ASSINATURAS Stavros Frangoulidis Neto
DIRETORA DE MARKETING Yara Grottera
DIRETOR DE REDAÇÃO Helio Gurovitz epocadir@edglobo.com.br
REDATOR-CHEFE David Cohen
DIRETOR DE CRIAÇÃO Saulo Ribas
EDITORES-EXECUTIVOS André Fontenelle, David Friedlander
DIRETOR DE ARTE Marcos Marques
O Guia ÉPOCA Vestibular 2008 - Atualidades é um projeto
editorial de 11 fascículos desenvolvido pelo UNO Sistema
de Ensino da Editora Moderna para a Editora Globo. © 2007
Editora Moderna e Editora Globo. Todos os direitos reserva-
dos. Nenhuma parte desta coleção pode ser reproduzida sem
autorização prévia da Editora Moderna e da Editora Globo.
COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO Ana Luisa Astiz
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA Carlos Piatto (UNO)
COORDENAÇÃO DE TEXTOS Antonio Carlos da Silva (Prof.
Toni) e Venerando Santiago de Oliveira
COMENTÁRIOS AOS ENUNCIADOS E DICAS Jô Fortarel
EDIÇÃO DE TEXTO Oscar Pilagallo
EDIÇÃO DE ARTE Leonardo Nery Protti
ILUSTRAÇÕES AKE Astbury
REVISÃO Bel Ribeiro
SUPERVISORA DE INTERNET Adriana Isidio (UNO)
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Ilustração: AKE ASTBURY

MAURILO CLARETO

3 DE 10 A partir do ano que vem, mais da meta- de dos 6,7
3 DE 10
A partir do ano que
vem, mais da meta-
de dos 6,7 bilhões de
habitantes do planeta
viverá nas cidades. A urba-
nização, porém, é fenôme-
no recente: até meados do
século XIX, menos de 2%
viviam em cidades. Foi só
no século passado que
surgiram as megacidades.
A urbanização desordena-
da multiplica as favelas,
onde vive 1 bilhão de pes-
soas. O desafio é fazer com
que a pujança econômica
diminua, e não aumente, o
problema. Como mostra-
mos neste fascículo, isso
só será possível com a ado-
ção de políticas que dêem
prioridade a serviços públicos
nas áreas necessitadas.
Urbanização, sim;
favelização, não
Só políticas públicas evitarão que, com a expansão
das megacidades, mais pessoas vivam precariamente
Vila Brasilândia, na zona
norte de São Paulo; as favelas
resultam do crescimento
desordenado das cidades
NESTA EDIÇÃO
O crescimento
demográfico
vertical PÁG. 4
Teste: o que são redes
da globalização PÁG. 5
4 questões sobre
aspectos das
metrópoles PÁGs. 6 e 7
> História

> Geografia

REPRODUÇÃO entenda o assunto a urbanização pode ser irreversível, não a favelização Megacidades continuarão
REPRODUÇÃO entenda o assunto a urbanização pode ser irreversível, não a favelização Megacidades continuarão
REPRODUÇÃO entenda o assunto a urbanização pode ser irreversível, não a favelização Megacidades continuarão

REPRODUÇÃO

entenda o assunto

a urbanização pode ser irreversível, não a favelização

Megacidades continuarão crescendo no mundo todo; só o planejamento do Estado evitará que mais pessoas vivam em condições precárias

POR SINVAL NEVES SANTOS

Pedestres em São Paulo; a metrópole caminha para se tornar uma hipercidade IVAN CARNEIRO
Pedestres em
São Paulo;
a metrópole
caminha para
se tornar uma
hipercidade
IVAN CARNEIRO

A o que tudo indica, a urbanização é um processo irreversível na trajetória

Alguns sites são recomendá- veis para aqueles que quiserem se aprofundar em temas ligados à
Alguns sites são recomendá-
veis para aqueles que quiserem
se aprofundar em temas ligados
à urbanização. A seguir, três
deles que podem ser consulta-
dos: http://www.unfpa.org.br/
(Fundo de População das Nações
Unidas); http://www.unhabitat.
org/ (Programa das Nações
Unidas para os Estabelecimentos
Humanos); e http://www.ibge.
gov.br (Instituto brasileiro de
Geografia e Estatística).

da humanidade. Entenda-se por urbanização o crescimento da população

urbana em ritmo mais acelerado que o da população rural. A partir de

2008, mais da metade dos atuais 6,7 bilhões de habitantes do planeta viverá nas cidades. Além disso, a expectativa é que, ao longo dos próximos 30 anos,

a população urbana africana e asiática dobre, acrescentando 1,7 bilhão de pes- soas ao meio urbano — mais que as populações da China e dos Estados Unidos juntas. Essas são projeções do relatório Situação da População Mundial 2007:

Desencadeando o Potencial do Crescimento Urbano, publicado pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Cada vez mais os espaços urbanos vêm representando o lugar das principais realizações e frustrações da humanidade. Porém, a urbanização é um fenômeno relativamente recente – até meados do século XIX, menos de 2% da população mundial vivia em cidades. Trata-se também de um processo que ocorre de forma bastante desigual, tanto no tempo quanto no espaço terrestre. Na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, a última meta- de do século XIX representou o período de acelerada urbaniza-

A urbanização é fenômeno recente: no século XIX, 2% da população vivia em cidades

A urbanização é fenômeno recente: no século XIX, 2% da população vivia em cidades

ção, enquanto nos países subdesenvolvidos o fenômeno só se intensificou após a Segunda Guerra Mundial. A principal causa desse processo foi a transferência para a cidade de populações rurais, induzidas pelas precárias condições no campo e pelas oportunidades oferecidas pelos empregos na indústria, no comércio e nos serviços. Contudo, o relatório do UNFPA ressalta que, atualmente, a maior parte do crescimento da população urbana resulta do crescimento vegetativo, e não da migração.

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São Paulo deverá se tornar uma hipercidade em 2020, com mais de 20 milhões de
São Paulo
deverá se
tornar uma
hipercidade em
2020, com mais
de 20 milhões
de habitantes
Para as próximas décadas, a urbanização nos países
desenvolvidos e na América Latina – regiões que possuem
atualmente taxas de população urbana superior a 75%
– apresentará ritmos de crescimento bastante modestos,
enquanto o crescimento vertiginoso ocorrerá na Ásia e na
África. Essas são as estimativas do Programa das Nações
Unidas para os Estabelecimentos Humanos (UN-Habitat),
divulgadas no Relatório sobre o Estado das Cidades do
Mundo 2006/2007. Ao longo do século XX, sobretudo em
sua segunda metade, o processo de urbanização foi acom-
panhado do surgimento de imensas aglomerações urbanas, as megacidades,
metrópoles densamente povoadas, com mais de 10 milhões de habitantes. Hoje,
pelo menos 10% da população mundial vive nesses espaços. Atualmente, já se
utiliza o conceito de metacidades ou hipercidades para centros urbanos com mais
de 20 milhões de habitantes; em meados dos anos 1960, Tóquio se converteu na
primeira delas. Para 2020, prevê-se que Mumbai, Délhi, Daca e Jacarta (Ásia),
população
7,58
mundial
População
bilhões
mundial
6,60
total
total
bilhões
2008
5,28
bilhões
Previsão de que
a população urbana
superará a rural
Cidade do México, Nova York e São Paulo (América) e Lagos (África) também
atinjam o status de metacidade.
Rural
Assim, considerar os processos de urbanização e de multiplicação das cidades
tornou-se imprescindível para a compreensão da humanidade e de seu espaço.
Para analisarmos o funcionamento do meio geográfico atual, marcado pelo
processo de globalização, precisamos atentar para o papel das cidades globais,
aquelas que possuem instrumentos de comando da economia e da sociedade em
Urbana
Projeção
Favelas
escala global. Nova York, Los Angeles, Londres e Paris são bons exemplos de cida-
des que exercem um papel de comando e regulação sobre as outras cidades e o
resto do mundo; enquanto São Paulo, Cidade do México e Johannesburgo podem
ilustrar um segundo nível de cidades globais, por influenciarem áreas menores
1990
1995
2000
2005
2010
2015
2020
e
mais delimitadas do planeta.
É nas cidades globais que encontramos as maiores concentrações de objetos
e
sistemas técnicos (edificações, redes de hotelaria, sistemas de transporte,
redes de telecomunicações etc.). Isso permite que elas centralizem informações
e
serviços globais. A instalação de tais objetos nos territórios dessas cidades
atrai sedes de grandes empresas, importantes centros financeiros, centrais de
grupos de mídia e outros núcleos de decisão que possuem a capacidade de con-
CresCimento da população urbana nas maiores Cidades do mundo – 1950-2020
40.000
35.000
30.000
25.000
1900
20.000
15.000
2005
10.000
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Nova York Tóquio
(População em milhares)
Londres
Paris
Mumbai
México
São Paulo Délhi
Daca Lagos
lustrações: AKE ASTbURY / Fonte: ONU
Fonte: ONU, National Geographic, maio 2007

Ilustração: AKE ASTbURY

Ilustração: AKE ASTbURY 180º 120º 60º 0º 60º 120º 180º 90º 60º taXa mÉdia anual de
Ilustração: AKE ASTbURY 180º 120º 60º 0º 60º 120º 180º 90º 60º taXa mÉdia anual de
180º 120º 60º 0º 60º 120º 180º 90º 60º taXa mÉdia anual de CresCimento da
180º
120º
60º
60º
120º
180º
90º
60º
taXa mÉdia
anual de
CresCimento
da população
(%) – 2002
menos de 0
30º
de 0 a 1
de 1 a 2
de 2 a 3
mais de 3
sem dados
Fontes: World Population 2002. World Population
prospects: the 2002 revision (wall chart). New York:
United Nations. Population Division. Department of
Economy and Social Affairs, 2003. Disponível em:
<http://www.un.org/esa/population/publications/
wpp2002/POP-R2002-DATA_Web.xls>.
Acesso em: fev. 2004.
30º
60º
o CresCimento
Escala 1:200.000.000
1000 0
2000 km
90º
PROJEÇÃO DE ROBINSON
VeGetatiVo por andré Guibur
O crescimento vegetativo ou
natural da população, também cha-
mado de movimento demográfico
vertical, corresponde à diferença
entre a taxa de natalidade e a taxa
de mortalidade num certo período.
Pode ser positivo, quando o número
de nascimentos é maior, ou negati-
vo, se a mortalidade for maior. Esse
número varia muito de um país para
outro em função das desigualdades
socioeconômicas e também oscilou
bastante ao longo da História.
Desde as últimas décadas do
século XX, o ritmo de crescimento
da população mundial vem dimi-
nuindo. Entre 1970 e 2000, a taxa
de crescimento populacional caiu de
2,1% para 1,6% ao ano. No entanto,
há uma grande diferença entre as
taxas dos países desenvolvidos, abai-
xo de 1%, e as taxas observadas em
algumas regiões subdesenvolvidas,
superiores a 2% ao ano. Enquanto
alguns países europeus, como Itália
e Alemanha, implantam campa-
nhas de estímulo à natalidade, a
fim de evitar a redução populacio-
nal, o governo indiano tenta dimi-
nuir o rápido crescimento de sua
população, acima dos 2,5% ao ano.
Na maioria dos países africanos,
as taxas de crescimento vegetativo