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O cyberbullying e a liberdade de expressão: Uma proposta de análise dos limites que garantem a manutenção do convívio social The cyberbullying

and the expression freedom: An analysis proposal of the limits that guarantee the maintenance of the social live El cyberbullying y la liberdad de expression: Un proyecto de análisis de los limites que garanticen la conservación de la vida social Resumo: A emergência da internet e evolução tecnológica dos meios comunicacionais ampliaram as formas de interação social, abrindo novos espaços para atos de livre expressão. Entretanto, no momento em que ultrapassa os limites dos outros sujeitos atrapalhando o convívio social, a liberdade de opinião proporcionada pela internet transforma-se em um ato de cyberbullying, que trazem consigo diversos transtornos psicológicos e sociais aos sujeitos vitimizados. Com base nesse cenário o presente trabalho apresenta uma análise acerca dos conceitos de cyberbullying e liberdade de expressão, e propõe uma tentativa de delimitação entre esses termos. A reflexão é subsidiada pelas teorias de direito a comunicação a partir de uma revisão de literaturas sobre o tema. Palavras-chave: Cyberbullying, Liberdade de expressão, Comunicação, Internet, Diálogos virtuais. Abstract: The emergence of the internet and technological communication evolution expanded the social interaction ways, open up new spaces for acts of free expression. However, when it exceeds the limits of others disturbing the social interaction, the opinion freedom provided by the internet becomes an act of cyberbullying, which brings with it many psychological and social issues to the victimized. Based on this scenario, this paper presents a review about the cyberbullying and the expression freedom concepsts, ande proposes an attempted distinction between these terms. The reflection is subsidized by the theories of communication rights from a review of the literature about the subject.

La reflexión es subsidiada por las teorias del derecho a la comunicación a partir de uma revisión de la literatura sobre el tema. Internet. y propone uma distinción entre estos términos intento. Expression freedom. Sem sucesso em suas tentativas e ainda constrangido pelas violências digitais. Communication. o apresentador e humorista Rafinha Bastos foi alvo de duros protestos na internet. também sofriam ameaças e intimidações pela internet. 2007. mais recentemente.. abriendo espacios para los actos de libre expresión. Palabras clave: Cyberbullying.. o adolescente se tornou anoréxico e passou a evitar sair do quarto por cerca de seis meses. tentou suicidar-se duas vezes após sucessíveis agressões virtuais infligidas por colegas através de emails e sites de relacionamento. 2010. encabeçados por moradores e autoridades do . la libertad de opinion que la internet ofrece se convierte em um acto de acoso cibernético. um adolescente japonês. uma adolescente de 15 anos do estado americano de Massachusetts. Makoto. Sin embargo. Resumen: La apatición de la internet y la evolución de los medios tecnológicos de comunicación expandiendo las formas de interacción social. Diálogos virtuales. Comentários iniciais Em janeiro de 2010 Phoebe Prince. Comunicación. cuando se superem los limites de los otros em el camino de interacción social. cometeu suicídio após ter sido submetida a agressões verbais e ameaças de agressões físicas através de sites de relacionamento social como o Facebook. (SUICÍDIO.. enquanto as meninas acusadas de serem às responsáveis pelo seu ataque. Com base en este escenario.Key words: Cyberbullying. online) No Brasil. online) Pelas mesmas razões. (AGRESSÃO. Virtual dialogues. lo que trae consigo muchos problemas psicológicos y sociales a las víctimas.. Internet.. este trabajo presenta uma revisión sobre el acoso cibernético y los conceptos de la libertad de expresión. Libertad de expresión..

há quem diga que apenas a postagem de comentários desse tipo efetuada nos meios eletrônicos não caracteriza em si uma ação de Cyberbullying. . e ainda que aquele é “o povo mais feio do Brasil”. como ações de Cyberbullying1 [o Cyberbullying] poderia ser traduzido como Coerção Cibernética ou. (JARUSSI. efetuado por uma ou mais pessoa sem que haja um 1 Os termos bullying e cyberbullying são termos originários da língua inglesa e ainda não traduzidos para a língua portuguesa. É algo que está acima da ‘encheção de saco’. de acordo com a definição proposta por Spyer (2009). o que garante à palavra bullying o significado de “o ato de coagir” ou “o ato de intimidar”. após ter declarado em seu show de stand up comedy que os moradores do Estado são “filhos do capeta”. (. este trabalho propõe uma discussão acerca dos limites que caracterizam e diferenciam as ações de Cyberbullying e os atos de liberdade de expressão na internet. o presente trabalho baseia-se na ideia de bullying como um ato de coerção contra alguém. Na tentativa de explicar o seu conceito.. quais são os limites que diferenciam essas duas ações? Com base no cenário apresentado.. 2011) Essas e outras atitudes similares ocorridas com cada vez mais frequencia na internet podem ser encaradas. Nesse sentido. Contudo. Entretanto. em abril de 2011. simplesmente. Cyberbullying: coerção em ambiente virtual As palavras bullying e cyberbullying são termos derivados da língua inglesa ainda sem tradução para português. sob a ótica dos direitos à comunicação. um boato maledicente publicado de forma aberta em uma comunidade virtual. e sim brincadeiras sociais ou ainda simples atos de liberdade de expressão no meio eletrônico.Estado de Rondônia. parte-se do princípio que bully é um termo inglês que significa “valentão”.) O Cyberbullying pode ir de um e-mail ameaçador. até uma perseguição que ultrapassa o mundo do teclado e vai para o universo físico. Abuso Online. um comentário ofensivo.

agressão física ou moral.. o que reforça uma vez mais a necessidade de um debate acerca desse assunto. zoar. quebrar pertences [. isolar. ferir. sacanear. ações desse tipo eram consideradas normais e necessárias à maturação do convívio social. dentre outros. bater. discriminar. ou indireto. 2007). ofensas verbais ou . quando as vítimas são atacadas diretamente. classifica as ações de bullying em 2 categorias: O bullying é classificado como direto. dominar. Sob essa ótica. chutar. ameaças. EBERT. Indo ao encontro dessa definição este trabalho foi fundamento a partir da classificação que categoriza cyberbullying como uma ação de bullying ocorrida em ambiente virtual. danos à propriedade privada. agressões físicas. promovendo ao vitimizado problemas na manutenção do seu convívio social. encarnar. assediar. A falta de conhecimento acerca desse assunto aliada à popularização dessa discussão. tornando-se objeto de estudos e discussões. quando estão ausentes. Até há poucos anos atrás. 2008). Corroborando com essa ideia. o qual possibilite à vítima pouca ou nenhuma oportunidade de defesa. ofender. especialmente no Brasil. BRAGA. promovida em especial pelas mídias de massa banalizaram a utilização desses termos. agredir. amedrontar. Lopes Neto (2005) em sua proposta de estudo sobre esse tema.fazer sofrer. tiranizar. apenas nos últimos 15 anos (LISBOA. gozar. roubos. intimidar. ignorar. 2009).. Segundo ABRAPIA . (ABRAPIA.. São considerados bullying direto os apelidos. pode-se observar que o bullying não é a manifestação de um único crime.. humilhar.motivo concreto e evidente. mas sim de vários atos criminosos. perseguir. empurrar. tais como: calúnia e difamação. fazendo com que o agressor responda criminalmente a essas infrações (FAUSTINO. OLIVEIRA.Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência os atos de bullying são identificados por [.]. aterrorizar. excluir. roubar.]colocar apelidos.

afirmam que em todo o mundo esse tipo de coerção inicia-se em ambiente escolar. as agressões que antes restringiam-se em sua maioria ao período letivo. Tal ação pode explicar o porque desse tipo de agressão extrapola o ambiente físico e adentra o ciberespaço. (LOPES. Corroborando com essa visão. difamação e negação aos desejos. que contribuíram para a popularização da internet e do computador pessoal. dentre outros. ataques psicológicos e morais e abusos sexuais. BLUM. isolamento. cabe ressaltar que os padrões éticos e morais com os quais o sujeito usuário da internet trata suas relações em mundo virtual. O crescimento dessa modalidade de coerção pode ser explicada graças aos avanços tecnológicos na área comunicacional iniciada nas últimas duas décadas.expressões e gestos que geram mal estar aos alvos (. tais como insultos verbais. aliadas às políticas públicas de inclusão digital que proveram um acesso maior da população a esses novos sistemas . de acordo com a cartilha de segurança na internet escrita pelo Conselho Nacional de Justiça (SANTOS. Entretanto.) O bullying indireto compreende atitudes de indiferença. tendo como uma das causas previstas a disparidade da relação de poder entre os alunos e seus pares. com o aumento da incidência do bullying virtual. 2010). 2005) Dentre todas as formas de bullying que se enquadram nessa classificação. coerção física e material. 2012) De acordo com Calbo (2009) diversos estudos sobre o tema.. é uma extensão dos moldes que ele possui em sua vida real (TOGNETTA. ABRUSIO. pelo fato de ser nessa rede social o local em que as crianças e adolescentes constroem suas primeiras relações sociais fora do ambiente familiar. Fante (2005) afirma que o bullying apresenta-se de maneira predominante nas escolas. e à emergência das mídias sociais e o seu acesso através de múltiplas plataformas móveis e convergentes. BOZZA. Contudo.. agora espalham-se pela internet fazendo com que a intimidação continue mesmo fora da escola. é o cyberbullying (também conhecido como bullying virtual) aquele que vem sendo praticado com maior frequência.

como observaram Faustino. ou ainda a criação de perfis falsos como o objetivo de difamar as vítimas de uma determinada rede social. o envio de mensagens ofensivas aos outros internautas ou grupos de usuários. nem todas as formas de expressão encontradas no ciberespaço podem ser caracterizadas como tentativas de intimidação e coerção. sendo os cenários mais graves podem evoluir inclusive para atos de suicídio (HINDUJA. Além disso. A falta de privacidade na internet observada por Spyer (2009) principalmente após a emergência das novas redes sociais digitais. algo necessário ao convívio humano e perseguido pela sociedade através dos tempos. como observou Silveira (2009) ao dizer que a comunicação de forma anônima observada na internet pode caracterizar e produzir inúmeros problemas à segurança e aos direitos civis. o anonimato oferecido por essa rede aos seus usuários também pode ser encarado como uma das razões para grande incidência de ações de bullying na internet. atos de baixa alto-estima. incentivando para que as relações sociais se tornassem cada vez mais virtuais. agressividade. uma vez que através dessas novas formas de mídia conversacionais tornaram as relações sociais de qualquer usuário transparente e visíveis ao mundo todo. Esse cenário observado resulta em sérios transtornos emocionais e psicológicos às pessoas vitimizadas. essa mesma ferramenta pode ser utilizada com a intenção de provocar discussões e debates democráticos acerca de um determinado tema ou sujeito. o que representaria atos de livre expressão de opiniões. pânico social e depressão. existem inúmeras formas possíveis de agressão e violência a usuários. Na mesma medida em que a internet pode ser utilizada com o intuito de agredir um outro sujeito. 2009) Em um ambiente virtual. . como por exemplo. chegando a acarretar quadros de distúrbios alimentares. Porém. PATCHIN. proporcionando um aumento da exposição de informações intimas dos usuários.conversacionais. Oliveira (2008) ao estudarem os atos de bullying na mídia social Orkut. também é uma das responsáveis pelo aumento da incidência de casos de bullying virtuais.

A citação desse fenômeno social torna-se necessária para discussão proposta por esse trabalho uma vez que esse foi o primeiro espaço organizado. A primeira dessas evoluções surgiu ainda na antiguidade com o advento das ágoras na sociedade grega. e essa construção voltada para a troca de informações evoluiu com o surgimento dos cafés. pela disseminação de informações e pela discussão de assuntos de utilidade pública. o que mais uma vez comprova a preocupação do Homem em encontrar novas formas de exprimir e apresentar seus pensamentos. com o objetivo de promover a liberdade de expressão. Da ágora grega à ágora eletrônica A necessidade de comunicar-se e expressar suas opiniões e pensamentos são inerentes ao Homem e necessárias ao convívio social. segundo Hoeschl (1997). . culturais. a Europa viveu um período de efervescência na interação comunicacional. o que fazia desse um modelo conversacional inclusivo e democrático. e servia como ponto de encontro e troca de informações e opiniões de forma livre e entre indivíduos pertencentes a diversas classes sociais. em qualquer parte do mundo. 2004) Essa precisão em interagir-se socialmente através da comunicação é tão forte e enraizada na natureza humana que. mais precisamente entre os séculos XVII e XVIII. haja vista a inexistência. Anos mais tarde durante o período iluminista. esse meio de comunicação estava espalhado por toda a Europa. Segundo Cortez (2008).A liberdade de expressão. pelo menos a princípio. etc. As ágoras eram constituídas nas encruzilhadas ou principais vias de acesso da cidade. de um povo que não se expresse lingüística e culturalmente (GONTIJO. aberto e de acesso livre. estando presentes em nossas vidas desde as primeiras organizações sociais. ao longo da história da humanidade foram necessárias diversas evoluções nas organizações sociais para facilitar e assegurar a liberdade de expressão. e eram caracterizadas pela convergência de ideias distintas. além de questões sociais. com ênfase maior nas cidades de Londres e Paris.

limitavam tanto o acesso à informação quanto a construção de um pensamento diferente daqueles tidos pelas pessoas no poder. Esse advento iniciou uma nova fase na história dos estudos da liberdade de expressão por proporcionar uma maior disseminação e um maior acesso às informações. o principal meio para comunicação e troca de informações eram os sermões realizados nos púlpitos das Igrejas e cujos conteúdos eram ditados por uma elite formada pela nobreza e o clero (PERNOUD. . e mais precisamente durante a Idade Média. ressalta-se que a prensa de Gutemberg foi o primeiro grande avanço tecnológico a favor da liberdade de expressão uma vez que. principalmente no que diz respeito à organização baseada na liberdade de expressão e ao livre acesso de indivíduos de diferentes classes e de diferentes pontos de vista. o que representou um retrocesso nas interações sociais desse período. aliado à invenção da escrita. 1997) Esse cerceamento das liberdades comunicacionais observadas nesse período. similaridades que permitem classificar também os Cafés como meios de comunicação massivos e não midiáticos. esse advento garantia perenidade das informações e opiniões infligidas que. BURKE. O modelo comunicacional tendo os sermões como principal meio de comunicação massivo apoiado pela divulgação de alguns documentos manuscritos e em latim perdurou por quase cinco séculos. uma vez omitidas e registradas. noção que não se torna possível na transmissão de informações boca-a-boca. 2004) Ao lado de todas essas características e qualidades. já que o novo sistema possibilitava a impressão de várias cópias de um mesmo documento ou livro e a possibilidade da comunicação em vernáculos. porém. poderiam ser repassadas sem que o seu sentido se perdesse ao longo do tempo.Com base nessa ótica de análise. facilitando a compreensão dos conteúdos (BRIGGS. com o fim das ágoras. sendo modificado apenas em meados do século XV com a invenção da prensa gráfica de Gutemberg. é possível observar nos Cafés algumas características muito semelhantes àquelas observadas nas ágoras gregas já apresentadas. Antes disso. uma vez que. a humanidade viveu uma fase de cerceamento da sua liberdade de expressão pública.

sendo as mesmas um espaço de debate e discussão dos temas relevantes à manutenção da vida social. o surgimento dos principais veículos midiáticos dos séculos XVIII. como é o caso da Primeira Emenda Estadunidense que afirma que “O congresso não fará lei (. ter opiniões e de procurar. sobretudo nos países tidos como subdesenvolvidos ou emergentes. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS.A invenção da imprensa gráfica possibilitou também..) restringindo a liberdade de palavra ou de imprensa. são utilizadas como instrumentos de alienação política e social graças à forte centralização do poder midiático nas mãos de uma elite. Todos esses modelos experimentados pela humanidade através dos séculos representam. receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.. (. Um exemplo é a Declaração Universal dos Direitos Humanos adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 10 de Dezembro de 1948. 2000) Além disso. com destaque especial para as revistas. Mendes (2008) salienta que as grandes mídias de massa.) Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica. Contudo. outro ponto que merece destaque é que tal liberdade é assegurada também pela legislação de todos os países democráticos. os jornais e os panfletos. a qual assegura em seu artigo XIX e no primeiro inciso do seu artigo XX a liberdade de expressão e organização pacífica a todos os seres humanos: Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão.. cabendo nesses casos aos instrumentos de comunicação comunitários o papel de disseminador informacional aos grupos sociais subordinados. responsáveis pelo acesso à informação e pela manutenção da liberdade de expressão na sociedade contemporânea. a busca da sociedade em assegurar o livre-arbítrio na expressão de suas opiniões. Na sociedade atual. sem interferência. são elas as grandes garantidoras dessa liberdade de expressão. uma vez mais.. ou o direito do povo de reunirse pacificamente”. XIX e XX. ou da o artigo 5º constituição brasileira de 1988 “É livre a . este direito inclui a liberdade de.

apesar de todas as contribuições midiáticas já citadas. onde se pode veicular todo tipo de informações e opiniões. elevaram o ciberespaço ao patamar de ágora eletrônica global. entretanto existem momentos em que esse livre-arbítrio extrapola os limites do convívio social. 2008. à democratização da comunicação. e que essa liberdade para apresentar suas opiniões torna-se ações de bullying no momento em que as mesmas passam a atrapalhar de maneira profunda a existência social do sujeito-alvo dessas declarações. Conforme afirma Hoeschl (1997). A primeira delimitação utilizada por esse artigo para tentarmos diferençar esses dois conceitos encontra-se no âmbito legal. e à inclusão digital..manifestação de pensamento (. Essas características aliadas à evolução tecnológica que possibilitou o acesso da internet em diferentes plataformas midiáticas. se as outras mídias de massa são partidárias.. foi na internet e nas redes de relacionamento social virtuais que a sociedade contemporânea encontrou verdadeiramente o seu caminho em direção a uma real liberdade de expressão. e sujeitas a rigorosas regulamentações. quando a opinião é emitida em ambiente virtual.) [e] é assegurado a todos o acesso a informação” (KOSOVISKI.33). o mesmo não ocorre com a internet. a liberdade para postar informações e opiniões pessoais acerca de um determinado acontecimento. De acordo com a cartilha “O que é . 2001). Dessa forma o espaço virtual torna-se um território fundamental para o convívio social possibilitando a discussão de assuntos de interesses públicos e privados de forma livre e acima de tudo democrática. quando a livre expressão extrapola os limites do convívio social As discussões apresentadas até aqui deixam claro que a internet possui diversos caminhos que asseguram a livre expressão das opiniões que o homem. p. (CASTELLS. Cyberbullying. são nesses casos que as ações de livre-expressão transformam-se atos de bullying ou cyberbullying. na qualidade de ser social. Nesse contexto. necessita para a manutenção de suas relações sociais. Todavia. atreladas a interesses pessoais. atitude ou mesmo uma pessoa torna-se ilimitada.

dos valores. e onde se inicia o espaço dos seus pares. MÜHL. será objeto de qualquer exploração. como afirmou (DALBOSCO. da identidade. ou qualquer outro meio simbólico. Nenhuma criança ou adolescente negligência. Entretanto os contornos e limites que diferenciam o bullying dos atos de liberdade de opinião são muito tênues e subjetivos. crueldade e opressão. 145) a discussão acerca da liberdade é muito abrangente e complexa uma vez que esse conceito depende de um consenso que determine onde termina o limite espacial de um sujeito. forma de discriminação. psíquica e moral da criança e do adolescente. abrangendo a preservação da imagem. punido na forma da lei qualquer atentado. Segundo Locke. [E o] ARTIGO 5º da Lei 8. 2008. o que explica porque esse tema tem se mantido alvo de discussões ao longo da história do Homem. por ação ou omissão. a capacidade de resistência é crime de constrangimento ilegal.bullying” escrita por Escorel. por palavra. por qualquer outro meio. violência. BARROS. escrita ou gesto. mediante violência ou grave ameaça. dos espaços e objetos pessoais” (ESCOREL. CASAGRANDA. . da autonomia. e cujas transgressões representariam ações de bullying: “[O] Artigo 146 do código penal [indica que] constranger alguém.069/90 do Estatuto da criança e do adolescente [indica que] O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física. ou depois de lhe haver reduzido. aos seus diretos fundamentais. 2008). Barros (2008) afirma que existem 3 artigos presentes que constituição brasileira. também é crime e o autor deverá responder na justiça. [O] Artigo 147 do código penal [indica que] Ameaçar alguém. idéias e crenças. p. e por isso o presente trabalho apóia-se nesse momento na filosofia para tentar encontrar uma resposta.

do outro” necessariamente a tolerância. Mas a liberdade concreta tem sempre um espaço limitado. por exemplo. aliado à ideia de Hengeliana de limite. no sentido que a emissão de opiniões ofende e transgride o bom convívio social no momento em que o sujeito agressor. são situações sem as quais não se pode viver em sociedade (JASPER. ou seja. da Implica. a noção de limite que mais contribui para essa discussão é a ideia de situação-limite proposta por Jasper. liberdade portanto. por sua vez.“Todas as culturas se vêem diante da necessidade de garantir o espaço de liberdade e autonomia reservado ao indivíduo. 2008. ou seja. 145). defende que o limite serve apenas para mostrar onde se termina um determinado espaço (físico ou não) e inicia outro. porque o contrário desta (DALBOSCO. A filosofia possui diversas formas diferentes de expressar a idéia de limite. Com base na união de todos esses conceitos. p. CASAGRANDA. 1973) Esse conceito. ao testar seus limites. a evolução torna-se possível apenas com a superação de algumas barreiras (MORA. chega-se à conclusão que o ato de expressar-se livremente em ambiente virtual transforma-se em ações de cyberbullying no instante em que as declarações emitidas ofendem ou infligem os direitos civis resguardados pela legislação e que preveem a manutenção de sua honra e o direito a um julgamento justo. MÜHL. A filosofia Hengeliana. leva o sujeito agredido a sua situação-limite. 2004. Entretanto. defende que o limite é dado com o fim de ser superado. ajudam a esclarecer a diferença tênue entre a livre expressão e o bullying virtual. Conclui-se também. O conceito de őpos ou terminus. seja qual for. que segundo o próprio autor não pode ser suficientemente explicado. ou seja. que a liberdade de expressão transforma-se em coerção . a todos os cidadãos.1747). são essas situações são aquelas que testam os contornos da existência e da convivência social humana. ela só é possível dentro do direito que limita a liberdade de cada um e impõe que uns respeitem representa a a dos negação outros. Segundo o autor. p.

o que representa o direito de opinarmos e o dever de aceitar a opinião dos outros. limites esses que são únicos e pessoais e. é a noção de que qualquer pessoa é livre para expor suas opiniões. conseguiremos verdadeiramente viver o conceito de liberdade de expressão sem que essa possa ser encarada como atos de bullying. Entretanto.quando ultrapassa os limites éticos. portanto. até porque não se pode afirmar com exatidão quais são os limites de cada pessoa. que foram dadas ao sujeito agressor. desde que tenha-se em mente. no entanto. Apenas quando alcançarmos essa forma de convívio social. ao ser ofendido o sujeito deve ter as mesmas ferramentas e oportunidades para expressar-se. morais e sociais do sujeito vitimizado. O que se pode afirmar com concretude é que a filosofia de transgressão dos limites propostas por Hengel se manterá viva promovendo novos contornos ao conceito de liberdade de expressão. pode não ter o mesmo significado para as gerações futuras. ou seja. pois são muitas e instáveis as variáveis responsáveis por essa delimitação. uma vez que todos teremos direitos iguais à comunicação. como se manteve através dos tempos. cabe ressaltar que o conceito de limite é muito volúvel e tem sido alterado e redefinido acompanhando as evoluções sociais ocorridas ao longo do tempo. Considerações finais Indubitavelmente a ideia de que a discussão iniciada por essa proposta de análise não está terminada não existe. que o convívio social prevê as mesmas liberdades a todos os indivíduos. o que hoje pode representar uma infração aos direitos dos cidadãos. e pensamentos da forma com que achar necessário. Referências . cyberbullying. ainda utópico para a sociedade contemporânea. coerção ou qualquer forma de manifestação censora. subjetivos. A verdadeira e mais importante contribuição que essa revisão literária traz aos estudos do direito a comunicação. ou seja.

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