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CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

IMES

Instituto Mantenedor de Ensino Superior Metropolitano S/C Ltda.

William Oliveira

Presidente

MATERIAL DIDÁTICO

Produção Acadêmica

Adroaldo Belens | Autor

Produção Técnica

Márcio Magno Ribeiro de Melo | Revisão de Texto

Equipe

Ana Carolina Paschoal, Andrei Bittencourt, Augusto Sansão, Aurélio Corujeira, Fernando Fonseca, João Jacomel, João Paulo Neto, José Cupertino, Júlia Centurião, Lorena Porto Seróes, Luís Alberto Bacelar,

Paulo Vinicius Figueiredo e Roberto Ribeiro.

Imagens

Corbis/Image100/Imagemsource

© 2009 by IMES Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, tampouco poderá ser utilizado qualquer tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem a prévia autorização, por escrito, do Instituto Mantenedor de Ensino Superior da Bahia S/C Ltda.

2009

Direitos exclusivos cedidos ao Instituto Mantenedor de Ensino Superior da Bahia S/C Ltda.

www.ftc.br

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

SUMÁRIO

  • 1 TEMA 01 - A CIDADANIA E OS DIREITOS HUMANOS

..............................................................................

4

  • 1.1 A Cidadania: conceito e histórico

......................................................................................................

4

  • 1.2 Direitos Humanos e Justiça Social

....................................................................................................

9

  • 1.3 A Inclusão e Exclusão Social no Contexto Urbano

17

  • 1.4 Movimentos Sociais e o Exercício da Cidadania

.............................................................................

21

  • 2 TEMA 02 - A CIDADANIA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

....................................................................

28

  • 2.1 A Globalização, o Estado e o Terceiro Setor

28

  • 2.2 Ética e Moral na Sociedade Contemporânea ..................................................................................

35

  • 2.3 Mundo Contemporâneo 1: a cidadania e as emoções

....................................................................

41

  • 2.4 Mundo Contemporâneo 2: A Cidadania e a Indústria Cultural

.......................................................

44

  • 3 TEMA 03 - A FORMAÇÃO CULTURAL DO BRASIL

50

  • 3.1 O Conceito Sócio-Antropológico de Cultura e Identidade

...............................................................

50

  • 3.2 Cultura Brasileira: a multiplicidade de influência

.............................................................................

57

  • 3.3 Interculturalidade: Raça e Etnicidade um conceito híbrido no Brasil e as raízes das “ciências racialista”

.........................................................................................................................................

60

  • 3.4 Pluralidade religiosa: um diálogo permanente com o “outro” e a educação intercultural

................

67

  • 4 TEMA 04 – A VIRTUALIDADE E A URBANIDADE

....................................................................................

75

  • 4.1 A Sociedade da Informação: a sociedade virtual

75

  • 4.2 As Mídias Digitais: Das Comunidades Virtuais Aos Games

............................................................

81

  • 4.3 Construindo Comunidades Virtuais De

Aprendizagem...................................................................

89

  • 4.4 Tribos Urbanas 1: Os Estilos Em

90

  • 5 REFERÊNCIAS

............................................................................................................................................

93

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

1 TEMA

TEMA 01010101 ---- AAAA CIDADANIA

TEMA TEMA

CIDADANIA EEEE OS DIREITOS

CIDADANIA CIDADANIA

OS

OS

OS DI

DI DIREITOS REITOS REITOS

HUMANOS

HUMANOS

HUMANOS

HUMANOS

  • 1.1 AAAA CIDADANIA

CIDADANIA::: CONCEITO

CIDADANIA:

CIDADANIA

CONCEITO

CONCEITO

CONCEITO EEEE HISTÓRI

HISTÓRI

HISTÓRICO

HISTÓRICOCOCO

Pela primeira vez na história da humanidade podemos exigir condições mais dignas de so- brevivência. Os organismos nacionais e internacionais pressionam os países por políticas públicas de inclusão social.

Ainda hoje, a discussão sobre cidadania tem muita importância, como no passado (a.C e d.C), muitas mudanças ocorreram, tratando-se da vida dos despossuídos de renda e riqueza no Brasil e em todo o mundo.

Cidadania é um termo associado à vida em sociedade. Sua origem está ligada ao desenvol- vimento das polis gregas, entre os séculos VIII e VII a.C. Todavia, para estudarmos cidadania pre- cisamos contextualizar as mudanças nas estruturas socioeconômicas nas quais incidiram, igual- mente, na evolução do conceito e da prática da cidadania conforme as necessidades de cada época.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO 1 TEMA TEMA 01010101 ---- AAAA CIDADANIA TEMA TEMA DIREITOS CIDADANIA CIDADANIA OS

O tempo não é somente um relógio que marca as horas, mas também é como a nossa mente, percebe as coisas na sociedade em que vivemos.

Façamos uma viagem de volta a Idade Média. Se num verão do litoral europeu, na Idade Média, homens e mulheres aparecessem na praia de sunga e biquínis, com óculos, como nos dias atuais, tudo isso não seria estranho às pessoas da época? Pense o inverso. Se uma pessoa da Idade Média estivesse aqui no nosso tempo, talvez fosse mais fácil vê-la como um ator ou uma atriz que representava um esquete teatral.

Então, o que as pessoas pensam sobre cidadania também muda conforme o tempo. Nos dias de hoje, vemos a cidadania como uma condição de igualdade civil e política, para tanto, destaca- remos alguns processos históricos e algumas alterações que ajudam no entendimento da evolução do conceito. Para o especialista em cidadania, J. Barbalet (1989), o século XVIII legou ao mundo novas visões sobre a economia, a sociedade e a política. A partir daí, alargaram-se a visão sobre a esfera pública e ampliaram-se, conseqüentemente, os direitos dos cidadãos nos seus aspectos civis, políticos e sociais.

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A conquista desses direitos provocou, ao mesmo tempo, uma contrapartida conservadora das elites que procuraram conter as lutas travadas por direitos legítimos. Vamos pensar o exemplo da luta do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) pela reforma agrária. Pensar nos gays e nas mulheres que buscam seu espaço na sociedade. Em outras palavras, do mesmo mo- do que as classes populares lutam pela garantia dos seus direitos, as elites dominantes reagem pa- ra que as mudanças deixem de acontecer. Por isso, eles são chamados de conservadores.

No entanto, entra aí mais um ingrediente no nosso estudo: os antagonismos de interesses e de classes sociais, que mostram que o conceito de cidadania se relaciona a uma dialética entre o social e o político.

Mas dialética, entre o social e o político, que é isso afinal?

Dialética, para os filósofos gregos significava diálogos, ou melhor, tensão de pontos de vista entre duas pessoas que debatiam um mesmo tema. Mas para o filósofo Karl Marx, as classes sociais estavam em constante luta e a con- quista do poder pelos operários acabaria com a exploração do homem pelo homem. Por quê? Porque as riquezas seriam distribuídas para todos da soci- edade e não apenas para poucos.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO A conquista desses direitos provocou, ao mesmo tempo, uma contrapartida conservadora das elites

No entanto, a noção desses conceitos é primordial para a compreensão do debate atual sobre a cidadania. Essa importância é reforçada pelas conse- qüências provocadas pela Segunda Guerra Mundial, que motivou também a discussão a cerca do tema cidadania, sem esbarrar na questão dos direitos humanos.

O significado clássico de cidadania associava-se à participação política. O próprio adjetivo ‘político’, por sua vez, já nos remete a idéia de Polis (Cidade-Estado Antiga). Polis é uma organiza- ção político-administrativa, com a qual uma elite exercia o poder sobre os menos favorecidos (os não cidadãos) na Grécia Antiga.

A urbanização muito contribuiu para a evolução dessas Polis. Foi nesse tipo de organização urbana que se assentaram as bases do conceito tradicional de cidadania, que ainda hoje tem uma considerável influência na nossa sociedade.

Foi assim também na sociedade grega e romana, as transformações nos campos da técnica, da economia e da arte bélica, alteraram potencialmente as relações entre o poder e a sociedade. Na realidade grega, por exemplo, era o regime aristocrático que imperava. Com esse modo de fazer política, a cidadania confundia-se com o conceito de naturalidade, ou seja, o lugar onde cada indi- víduo nascia.

Considerava-se cidadão aquele nascido em terras gregas, o qual poderia usufruir de todos os direitos políticos. Ao passo que, os estrangeiros eram proibidos de se ocuparem da política, dedi- cando-se somente às atividades mercantis.

Com o passar do tempo, operou-se uma redistribuição do poder político. Aceitou-se o in- gresso de estrangeiros na categoria de cidadão, abolindo-se a escravidão por dívidas.

Nesse contexto, a aristocracia cedeu espaço a favor das Assembléias e dos Conselhos, com participação popular. Alguma mudança ocorreu, ainda que os fatores de ordem social e política continuassem associando o termo cidadania ao exercício da participação política.

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Se assim era concebido, pouco as classes populares podiam influenciar as formas de poder na sociedade. Mesmo com esse pleno direito assegurado e a existência de um regime democrático, a cidadania aparecia de forma tímida, principalmente no que se refere às decisões políticas.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO Se assim era concebido, pouco as classes populares podiam influenciar as formas de

Segundo a Filósofa Hana Arendt, muitos cidadãos, cercados por restrições econômicas e valores ligados à família, permaneciam comple- tamente alienados e tolhidos na expressão de atos políticos. A cidadania significava, portanto, um status que oferecia ao cidadão várias possibili- dades, indo além das destinadas ao indivíduo comum.

Na Roma Antiga a situação não era diferente. Sociedade escravista, baseada nas “gens” (famí- lias), era dominada pelos patrícios, os quais detinham a cidadania e os direitos políticos. Um poder assentado na tradição mítico-religiosa de origem romana reservava aos patrícios o mo- nopólio da comunicação com os deuses. Ao contrário da plebe, constituída de romanos não nobres e de estrangeiros, não tinha qualquer tipo de direito. Este quadro alterou-se aos poucos, possibili- tando o acesso à cidadania a todos os romanos de nascimento, mesmo que fossem escravos libertos.

Contudo, uma manobra da Aristocracia para preservar o controle político restringiu, nova- mente, o acesso à cidadania. Apenas as mais altas magistraturas, entre elas o Senado e o Patriciado, poderiam usufruir dos privilégios dessa posição.

À plebe, reservava-se apenas o direito à representação. Mesmo assim, esse direito só foi con- seguido após conflitos políticos que se estenderam até o século III a.C. com a criação de instituições propriamente plebéias, como o Tribunato e a Assembléia da Plebe.

O conceito de cidadania na realidade greco-romana revestia-se de uma discrepância entre Democracia real e ideal. Defendia-se, portanto, uma igualdade de direitos políticos que, de fato, não era praticada.

Com o passar dos tempos, entretanto, o conceito de cidadania passou a se referir a outras es- feras que não apenas à política. Assim, para entender seu significado, somos obrigados a atentar para os direitos civis e sociais, situando a cidadania também na esfera jurídica e moral.

AS ESTRUTURAS POLÍTICAS NA IDADE MÉDIA E A CIDADANIA

No século V cai o Império Romano e a Europa vive uma nova fase: A Idade Média. Notamos uma perda no significado de cidadania, tal como herdado da Antiguidade.

Na Idade Média, muitas transformações e adaptações a uma nova realidade organizacional da sociedade ocorreram baseadas em ideais de fidelidade. Por isso, a participação política tornou- se um assunto secundário.

As constantes invasões fizeram da Europa um território no qual contrastavam instituições e costumes provenientes dos mundos bárbaro e romano, dando surgimento a um tipo peculiar de

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organização social: nobreza, clero e camponeses, cujos reflexos foram sentidos até os finais da Ida- de Moderna.

Além disso, devemos considerar o quadro de dependência, herdado das organizações bárba- ras. Os camponeses subordinavam-se à nobreza, responsável pela redenção de todos.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO organização social: nobreza, clero e camponeses, cujos reflexos foram sentidos até os finais

Todavia, o julgamento dos direitos estava condicionado à distinção social e ao status. Somen- te os estamentos superiores podiam ser julgados por semelhante. Observe você, como ainda falta- va uma visão igualitária, assim como ainda acontece hoje. Mas o mesmo não ocorria entre os “i- guais” das camadas menos favorecidas da sociedade.

No entanto, Clero e Nobreza detinham, respectivamente, saber e poder e, conseqüentemente, os direitos advindos do termo cidadania. Enquanto isso, os servos permaneciam alheios aos privi- légios dos “cidadãos”, não podiam acessar o poder público sem a mediação de outro estamento detentor de maior poder.

No contexto do renascimento urbano e da formação dos Estados Nacionais, este quadro co- meça a se reverter. Esta fase, conhecida como Baixa Idade Média foi a responsável pelo ressurgi- mento da ideia de um Estado centralizado e, por conseqüência, da noção clássica de cidadania, ligada à concessão de direitos políticos.

O processo de formação dos Estados Nacionais conheceu paralelamente às mudanças nos quadros sociopolíticos, a consolidação da burguesia capitalista como classe atuante, no campo po- lítico econômico.

O dinamismo do nascente capitalismo provocou uma nova relação entre política, economia e sociedade. Tudo isso, favoreceu ao fortalecimento de uma burguesia mercantil, que aspirava os mesmos direitos, destinados aos estamentos privilegiados.

Com o desenvolvimento dos princípios teóricos, se instauraram tanto o Absolutismo Monár- quico, quanto a Moderna noção de Cidadania.

No contexto medieval, a noção de direitos políticos e cidadania tornou-se frágil demais se comparada às necessidades materiais e espirituais impostas pela ruralização da economia, e pela cristianização da sociedade. A crescente urbanização, por outro lado, registrou profundas altera- ções sociais, fato que promoveu a reformulação do antigo conceito de cidadania e com isso, foi retomado o ideal de igualdade entre os cidadãos no período iluminista.

Mesmo com a centralização promovida pelo absolutismo monárquico, por um longo tempo, manteve-se o caráter hereditário do poder e as características estamentais da Idade Média. Esse foi um período de transição de muitas transformações.

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Revoluções sociais, transformações políticas e econômicas, criações artísticas, desenvolvimento das ciências, dissemina- ção do conhecimento, busca da liberdade de pensamento e da igualdade entre os indivíduos, além do nascimento do ideal de liberdade. Tudo isso representou o Pe- ríodo Iluminista.

Dessa forma, uma elite pensante passou a formular ideias contestatórias contra os valores e as injustiças praticadas pelo clero e pela nobreza que de certo mo- do fortaleceu a burguesia.

Tudo isso,

coincidia com a luta da

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO Revoluções sociais, transformações políticas e econômicas, criações artísticas, desenvolvimento das ciências, dissemina- ção

burguesia para ampliar o seu poder que, apesar de sua proeminência econômica e do apoio rece-

bido do Mercantilismo, politicamente, ainda era uma camada sem muita expressão na sociedade.

A partir dessas mudanças, a exigência por uma sociedade mais justa era inevitável. Essas i- deias ganharam corpo por dois fatores: o desenvolvimento do Capitalismo e as reformas religiosas do século XV. Disso, surgiram novas visões sobre a espiritualidade, a qual valorizava o trabalho.

E qual era a base dessa contestação? A necessidade de maior autonomia de pensamento aos homens comuns, surgindo como conseqüência as ideias iluministas-liberais, provenientes dos a- vanços nas ciências experimentais e de uma nova racionalidade, por meio da qual, se procurava entender o mundo.

Ao mesmo tempo, o ideal de sociedade, daí surgido, fez com que na Europa dos séculos XVII e XVIII ocorressem as Revoluções Burguesas que ditavam uma democracia fundamentada na ra- zão contra o direito divino. A intenção era regular as relações de poder que permitissem aos cida- dãos, liberdade de atuação civil, econômica e política.

Os direitos políticos para o exercício do poder cabiam à burguesia e, ao povo, apenas obede- cer, sem que os seus interesses fossem reconhecidos pela nova ordem social. As ideias produzidas pelos iluministas traduziam o pensamento político da época, influenciando tanto os movimentos de independência na América, quanto as Revoluções Inglesa e Francesa.

A desigualdade social trazia inúmeros prejuízos para a cidadania, restringindo a sua prática. Simultaneamente à ampliação da esfera da cidadania, as diferenças de classe operavam no sentido de limitar os atributos políticos dos cidadãos.

Vimos, até aqui, como o conceito de cidadania percorreu mais de dois mil e quinhentos anos de história, vinculando-se, cada vez mais, às mudanças nas estruturas sociais. Em tão pouco tempo os avanços nos campos da técnica e da política provocaram na sociedade impactos tão radicais e influenciaram os direitos e deveres dos cidadãos, sobretudo nos séculos XIX e XX, além desses pro- gressos transferirem para a esfera da cidadania, muitos, desajustes oriundos do sistema de classes.

O conceito atual de cidadania relacionado às questões sociais ainda herda o processo de for- mação das democracias modernas. Isso pôde ser observado na Independência dos Estados Unidos e no processo revolucionário francês, que acabaram por delinear um novo tipo de Estado.

Os ideais de liberdade e de igualdade, embora tivessem uma origem propriamente burgue- sa, contribuíram para a inclusão de um maior número de indivíduos no contexto político das soci-

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edades. Contudo, a população economicamente menos favorecida, pouco teve os seus direitos so- ciais garantidos.

Observadas em diversos países ao longo dos séculos XIX e XX, como legado das lutas sociais, os movimentos reivindicatórios trouxeram à cidadania um conceito que abrange multiplicidades de interesses: luta pela terra, moradia, casamentos de gays e lésbicas etc.

O cidadão deve atuar em benefício da sociedade, pela garantia dos direitos básicos à vida, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, trabalho, entre outros.

Como conseqüência, cidadania passa a significar o relacionamento entre uma sociedade polí- tica e seus membros.

Mas, foi apenas com as guerras mundiais e com o temor à extrema vio- lência dos conflitos promovidos pelos regimes totalitários, que a sociedade civil e os órgãos internacionais, como a ONU (Organização das Nações Uni- das), entenderam ser os direitos humanos uma questão de primeira ordem para o tema da cidadania contemporânea.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO edades. Contudo, a população economicamente menos favorecida, pouco teve os seus direitos so-

Muitas denúncias são feitas contra a violação dos direitos humanos. As garantias constitu- cionais e os acordos firmados entre as Nações Unidas não foram suficientes para promover as con- dições necessárias ao exercício de uma cidadania plena, com liberdade, igualdade e garantia de direitos humanos.

Esta nova consciência sobre as diferenças no interior do status de cidadão acentua os debates sobre a exclusão social, os direitos humanos e mesmo sobre a atuação política da sociedade civil. Por outro lado, no atual estágio do Capitalismo, falar em cidadania significa considerar, igualmen- te, as próprias mudanças ocorridas na sociedade, nos valores e na educação, proporcionados pelas inovações da realidade científica e tecnológica.

Um quadro evolutivo do conceito de cidadania apontou a existência de profundas desigual- dades sociais, apesar de o termo evoluir com o passar dos anos. Por outro lado, podemos dizer que todos esses anos de evolução acabaram por afirmar que a cidadania, de fato, se realizará por meio de acirrada luta quotidiana por direitos e pela garantia daqueles que já existem.

Torcer por dias melhores vai muito além da compaixão, mas de responsabilidade pelo outro, pois o sorriso feliz e o direito à vida, devem se estender a todos aqueles que desejarem viver inten- samente feliz, assim como, o desabrochar das flores na primavera.

1.2

DIREITOS HUMANOS

DIREITOS

DIREITOS

DIREITOS HUMANOS

HUMANOS EEEE JUSTIÇA SOCIAL

HUMANOS

JUSTIÇA SOCIAL

JUSTIÇA

JUSTIÇA

SOCIAL SOCIAL

Continuaremos estudando a cidadania, e acredito que a cada aula você somará conhecimen- tos sobre o tema. Queremos, além de conhecer, também provocar uma transformação no modo de pensar e agir no mundo, para que a justiça social reine na sociedade.

O fato de o ser humano viver em sociedade, conviver com outros seres humanos, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Neste trabalho, então, estudaremos os direitos humanos e a justiça social, que têm muito a ver com a cidadania. A Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 60 anos e a AI (Anistia Internacional), en- tidade que acompanha e denuncia atos que violam os direitos fundamentais da pessoa, como, tor- tura, cárcere privado, violência, direitos políticos. O órgão denuncia que todos esses elementos ainda não são presentes em muitos países.

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A BBC Brasil publicou uma matéria na internet, em maio de 2008, com a chamada: “Anistia condena '60 anos de fracasso' em direitos humanos”. Segundo a matéria, a AI pediu aos líderes mundiais que se desculpassem por seis décadas do que a entidade considera fracasso na defesa dos direitos humanos.

Com a explosão da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki, lançada pelos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, que o mundo inteiro refletiu sobre os direitos humanos em diferentes esferas do conhecimento, ao constatar a barbaridade da guerra que matou quase toda uma população.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO A BBC Brasil publicou uma matéria na em maio de 2008, com a

Um movimento de pesquisadores, médicos, psicólogos, políticos, diplomatas, humanistas, historiadores, juristas, teólogos, ativista ambiental, entre outros, se mobilizaram pela criação da ONU e pela defesa dos direitos humanos.

Em uma nota à imprensa, em maio de 2008, Irene Khan, secretária-geral da organização, dis- se que: "Injustiça, desigualdade e impunidade, são as marcas do nosso mundo hoje. Os governos devem agir agora, para acabar com a distância entre promessa e desempenho".

Não se deve apenas falar em Direitos Humanos, mas garantir sua proteção. Devemos fazer uma reflexão sobre o que somos, o que desejamos e esperamos, pois somos uma nação com incrí- veis recursos, mas tantas diferenças sociais.

Primeiramente, a consolidação dos Direitos Humanos deve se dá na órbita interna de um Es- tado, começando pela conscientização de cada membro da sociedade, especificamente no seio fa- miliar, para então atingir níveis mundiais de conscientização, por mera conseqüência. A base se encontra, pura e simplesmente, na educação.

Educar para se alcançar um novo ideal humano, um indivíduo que lute para banir, do seio social, todo o tipo de violência contra os diversos segmentos da sociedade com a quais interagi- mos. Alguém que veja nos lavradores, presidiários, homossexuais, negros, crianças, enfim, em seu semelhante, uma extensão de si próprio.

A justiça e a retidão moral são essenciais ao bem comum. É por isto que o bem comum exige o desenvolvimento das virtudes na massa dos cidadãos, virtudes que nascem com o sentimento moral inerente a cada indivíduo e que o desenvolve em conseqüência da própria vida em sociedade.

O povo, que detém o poder sobre o Estado, tem direito à cidadania, ou seja, a possibilidade do exercício dos direitos civis, de acordo com a lei, sendo um dos fundamentos da Nação, confor- me expressa a Carta Magna em seu artigo 1°, inciso II.

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A cidadania possui três elementos principais que a caracterizam e é composta pelos direitos: 1. Civis
A cidadania possui três elementos principais que a caracterizam e é composta pelos direitos:
1.
Civis – aqueles direitos necessários à liberdade individual;
2.
Os direitos políticos – direito de participar no exercício do poder político como um
membro de um organismo investido de autoridade política ou como um eleitor dos membros
de tal organismo;
3.
Os direitos sociais – que se referem a tudo que vai desde o direito a um mínimo de
bem-estar econômico e segurança, ao direito de participar, por completo, na herança social e le-
var a vida de um ser civilizado de acordo com os padrões que prevalecem na sociedade.

A Carta Magna de 1988, diferentemente das Constituições anteriores, começa com o homem, tendo sido escrita para o homem. É um documento que se espelha nos princípios da Carta Univer- sal de Direitos Humanos e procura amparar tanto quanto possível, os direitos e garantias do ho- mem e do cidadão.

Apesar de deter uma Constituição considerada como um dos documentos mais democráticos do mundo, percebe-se que o Brasil, depois de 500 anos de Descobrimento, carece de cidadania, num fantástico descompasso em relação à Carta Magna, pois a situação atual dos direitos humanos em nosso país encontra-se ainda em fase de consolidação. O elenco de exclusões é vasto e o presen- te estudo não fará justiça a todos, detendo-se nos principais focos de desigualdade social no país.

A herança que recebemos de séculos de escravidão, gerou uma mentalidade de indiferença em relação à desigualdade, à violência e à impunidade, num sentimento quase que "natural" de coexistência entre riqueza e pobreza.

A sociedade brasileira acostumou-se ao convívio com a violência e esqueceu-se do próprio passado de servidão. O trabalho escravo é ainda uma realidade em nosso país, alcançando índices alarmantes, pois, em diversos estados brasileiros, aproximadamente 95 mil brasileiros vivem ainda sob o regime de escravidão em pelo menos 300 fazendas no interior, de acordo com dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

DEMOCRACIA E ACESSO À RIQUEZA

A ampliação do caráter democrático de uma sociedade depende de uma cultura de respeito e promoção de condutas guiadas pelos valores pautados nos direitos humanos.

É notória em nossa sociedade, a rejeição sumária à noção da existência de direitos extensivos a qualquer ser humano, como, por exemplo, o direito a “proteção aos bandidos”, que por sua “fa- lha moral”, não deveriam ser sujeitos de direitos.

As democracias modernas nascem de forma solidária e mesmo como decorrência da afirma- ção de direitos (civis, políticos e sociais) capazes de impor, por um lado, controle e limites à ação do Estado e, por outro, obrigá-lo a promover políticas públicas de efetivação de direitos sociais.

Observe que os direitos humanos se tornaram universais por uma necessidade de combater as atrocidades nos países e ao mesmo tempo, exigir que os seus governantes se comprometam com políticas públicas que nos garantam a conquista dos direitos sociais.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO O grau de democracia de uma sociedade se mede pelo direito de liberdade

O grau de democracia de uma sociedade se mede pelo direito de liberdade e de acesso igualitário a bens sociais e não simplesmente pela presença de mecanismos de representação política. Não somente deputados, vereadores, senadores ou prefeitos, governadores e presidente são responsáveis pela melhoria de nossa vida, mas também a nossa ação organizada nos movimentos sociais.

Mas

o

que

isso quer dizer?

A

democracia não se

restringe ao direito de votar, mas ao direito de desfrutar dos

bens necessários à sobrevivência, com qualidade de vida.

Então reflita, você acha justo que as mulheres lutem por mais espaço na sociedade? Que o MST lute pela distribuição igualitária da terra? Que gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros re- queiram do Estado políticas publicas que lhes garantam direitos para optarem sexualmente naqui- lo que mais os convém? Ou que os presos de uma penitenciária exijam instalações de melhor qua- lidade de sobrevivência? São muitas questões para se pensar ...

A Constituição Brasileira, de 1988, lista muitos direitos que temos (civis, sociais e políticos) e que resumem a obrigação do Estado em nos garantir uma vida digna e participativa. Cidadania é o direito à vida com tudo que deve vir junto: liberdade, justiça, saúde, trabalho, educação, entre ou- tras coisas.

No entanto, cabe fazer uma diferenciação entre o que vem a ser indivíduo e cidadão. O indi- víduo corresponde a um ser humano com as suas características físicas e psíquicas, enquanto cida- dão é o indivíduo no gozo dos direitos que lhe confere o Estado.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em 1948 e reafirmada em 1993 por 171 países, é referência básica para os princípios da cidadania. Na verdade, a declaração relaciona os direitos que os Estados devem pôr em prática e sem os quais nenhum indivíduo chega à condi- ção de cidadão. Para alcançar esse objetivo da Declaração, os Estados têm que criar mecanismos legais, leis e regulamentações.

Todavia, nem sempre as leis saem do papel. A Constituição Brasileira determina no seu arti-

go 7, alínea IV, que todos os trabalhadores devem receber um salário mínimo “capaz de atender suas necessidades vitais básicas e as de sua família, com moradia, alimentação, lazer, higiene.”

Então, dedique-se a observar os invisíveis da cidade, mendigos, trabalhadores informais, os negros, enfim, aqueles que vivem nos bolsões de miséria ou faça algumas leituras nos jornais, você consegue ver a Constituição ser cumprida pelas autoridades políticas?

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO O grau de democracia de uma sociedade se mede pelo direito de liberdade

Mas, volto ao mesmo assunto, não basta somente votar, mas tam- bém atuar como agente político organizado nos movimentos soci- ais. No entanto, nenhuma reivindicação da sociedade deve ser entendida como errada, mas como um direito constitucional de exercer a cidadania.

Quantas experiências de luta influenciaram em mudanças importantes na sociedade: as ações de Martir Luther King (1929- 1968) nos Estados Unidos; Nelson Mandela, na África do Sul; am- bos contra a discriminação racial que impossibilitava aos negros, a cidadania.

Considera-se assim, que a democracia de verdade contribui de fato para a formação da cidadania. Ainda que no Brasil o grau

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de cidadania varie de lugar para lugar. E isso por quê? Porque no mundo contemporâneo, o Esta- do anda de mãos dadas com o poder econômico, e desse modo, privilegia a supremacia de um grupo (ou classe social) sobre o outro. Pense sobre como a violência no campo, por exemplo, cresce a cada dia, por conta de interesses de setores do agronegócio e a concentração da terra.

A violência no campo permanece no Brasil porque os interesses econômicos e a propriedade privada da terra muitas vezes são considerados mais importantes do que a vida e os direitos fun- damentais da pessoa humana. Ruralistas, latifundiários e empresários do agronegócio, além de contarem muitas vezes com o apoio do poder judiciário, continuam tomando a iniciativa de “fazer justiça pelas próprias mãos” para defender suas propriedades e seus interesses, a favor de barrar a ação dos movimentos sociais do campo.

Somente no ano de 2006 identificou-se que em torno de 20% dos conflitos ocorrem envol- vendo comunidades tradicionais, principalmente indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

Esse é o retrato do mundo e do Brasil ainda hoje, muita injustiça social, fome, desemprego, criminalidade, por isso nós não queremos apenas comida queremos também diversão e arte.

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pela ONU, em 1948, foi o primeiro anúncio do aparecimento de novas concepções, embora ainda sem romper com o tradicional for- malismo, distanciado da realidade.

A Declaração Universal proclamou a existência de direitos fundamentais e reafirmou a preo- cupação com a liberdade, lembrando que a igualdade, totalmente esquecida na prática dos direi- tos, deve ser também preservada.

Embora a Declaração proclamasse que "todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos", isso continuou a ser ignorado no plano concreto das relações sociais.

E os direitos fundamentais permaneceram, em grande parte, como valores abstratos, que to- dos louvam, mas que poucos praticam. Por esse motivo, a própria ONU aprovou, em 1966, dois novos documentos, conhecidos como Pactos dos Direitos Humanos: o Pacto dos Direitos Civis e Polí- ticos e o Pacto dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.

Esses Pactos tornaram bem mais minuciosos quanto à enumeração dos direitos fundamen- tais. É mais importante, estabeleceram as tarefas que os Estados devem desempenhar para a supe- ração das injustiças e a proteção da dignidade humana.

Seguindo a orientação dos Pactos de Direitos Humanos e reproduzindo grande parte de seus dispositivos que teve início um novo modo de se produzir as constituições de cada país.

Segundo o Relatório da Anistia, 60 anos depois de a Declaração Universal dos Direitos Humanos ter
Segundo o Relatório da Anistia, 60 anos depois de a Declaração Universal dos Direitos
Humanos ter sido adotada pelas Nações Unidas, pessoas ainda são torturadas ou mal tratadas
em pelo menos 81 países, onde são submetidas a julgamentos injustos em pelo menos 54 países
e não têm direito de se manifestar livremente em pelo menos 77.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

O ano de 2007 foi caracterizado pela impotência de governos ocidentais e a ambivalência ou relutância dos poderes emergentes em combater algumas das piores crises de direitos humanos no mundo, desde guerras a desigualdades, que deixam milhões para trás. Para a organização, a maior ameaça ao futuro dos direitos humanos é a ausência de uma visão compartilhada e de uma lide- rança coletiva.

Que isso quer dizer? Que os diferentes países devem envolver nas suas relações diplomáticas e econômicas, exigências que os países devem cumprir para manter as suas relações.

Para a secretária-geral da Anistia Internacional, o ano de 2008 representa uma oportunida- de para que novos líderes e países emergentes no cenário internacional estabeleçam uma nova direção e rejeitem as políticas e práticas míopes que têm tornado o mundo um lugar mais peri- goso e mais dividido.

No entanto, os líderes dos países mais poderosos do mundo devem dar exemplos para que es- se quadro alarmante de violação dos direitos humanos venha a ser melhorado. Entre os países pode- rosos que cometem essa violação estão a China, os Estados Unidos, a Rússia e a União Européia.

Segundo a Anistia, a China deve cumprir as promessas feitas por conta dos Jogos Olímpicos e permitir a liberdade de expressão e de imprensa e acabar com o sistema de "reeducação através do trabalho", que permite a prisão por até quatro anos sem indiciamento, julgamento ou revisão judicial. No caso dos Estados Unidos, o apelo se refere ao fechamento da prisão de Guantánamo e outros centros de detenção e à rejeição da tortura. Já a Rússia deveria mostrar mais tolerância à dissidên- cia política e nenhuma tolerância à impunidade de abusos de direitos humanos na Chechênia.

E a União Européia, segundo a Anistia, deveria investigar a cumplicidade de seus integran- tes em "entregar" suspeitos de terrorismo e exigir deles os mesmos padrões de direitos humanos que exige de países fora do bloco.

No Brasil, a violação dos direitos humanos é muito freqüente, é o caso da índia Kuretê Lo- pes, de 69 anos e pertencente à tribo dos Guarani-Kaiowá, que morreu em janeiro de 2007, atingida por disparos de um segurança particular contratado por fazendeiros durante uma desocupação forçada de indígenas no Mato Grosso do Sul.

Desde 2001, tanto a Europa quanto os Estados Unidos, vêm enfraquecendo "princípios fun- damentais", e o resultado é a "perda de seu prestígio como líderes dos direitos humanos", afirma a secretária-geral.

Como você pode observar, a imagem de detentores de instituições que condenam os países em desenvolvimento de muitas vezes desrespeitosos aos direitos humanos, a denuncia da Anistia que esse é um problema que atinge todas as nações independente do seu desenvolvimento econô- mico e social, assim como nos foi vendida essa imagem há muitos anos em filmes e propagandas. A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos visa que cada indivíduo e cada órgão da sociedade que através do ensino e da educação promova o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, assegure o seu reconhe- cimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados- Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

A violência policial continua sendo um dos pro- blemas de direitos humanos mais difíceis de resolver no Brasil. Diante de taxas altíssimas de crimes violentos, especialmente nos centros urbanos, alguns policiais se envolvem em práticas abusivas, ao invés de seguirem políticas legítimas de policiamento.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO A violência policial continua sendo um dos pro- blemas de direitos humanos mais

As condições das prisões são aterradoras. Nas á- reas rurais, a violência e os conflitos de terra são contí- nuos, e defensores de direitos humanos sofrem ameaças e ataques. Apesar de esforços do governo brasileiro para reparar os abusos contra os direitos humanos, os res- ponsáveis por esses crimes são raramente punidos. Segundo estimativas oficiais, a polícia matou 694 pesso- as nos primeiros seis meses de 2007 no Rio de Janeiro, em situações descritas como “resistência seguida de morte” – um terço a mais que no mesmo período de 2006. Os dados incluem 44 pessoas mortas durante uma operação policial de dois meses, que teve como objetivo desmantelar gangues de traficantes de drogas no Complexo do Alemão, uma das regiões mais pobres do Rio de Janeiro.

A violência atingiu seu pico no dia 27 de junho de 2007, quando 19 pessoas foram mortas em alegados confrontos com a polícia. Segundo residentes e organizações não-governamentais locais, muitas das mortes foram execuções sumárias. Em outubro, pelo menos 12 pessoas foram mortas durante uma incursão policial na Favela da Coreia, incluindo um garoto de quatro anos de idade.

As condições desumanas, a violência e a superlotação que historicamente caracterizaram as prisões brasileiras, permanecem entre os problemas mais sérios de direitos humanos no país. De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional, as prisões e cadeias brasileiras tinham sob sua custódia, 419.551 detentos em junho de 2007, ultrapassando a capacidade do sistema em aproxi- madamente 200 mil pessoas.

Esses são quadros alarmantes no Brasil, que não devemos deixar sob a responsabilidade do Estado a sua fiscalização, devemos buscar alternativas de mudanças para que os direitos humanos possam ser cumpridos pelos governantes no Brasil e em todo mundo.

A justiça no Brasil é somente acessível aos ricos e à classe média alta, enquanto aos pobres, os seus direitos são violados sem que haja sequer uma denúncia mais ostensiva da imprensa.

DIREITOS HUMANOS NO BRASIL

As causas da injustiça social do Brasil são inúmeras. A nossa herança escravocrata gerou uma mentalidade de indiferença em relação à desigualdade, à violência e à exclusão e o Brasil a- costumou-se às injustiças, como se fosse natural a convivência entre tanta desigualdade de alguns com a riqueza e prazeres de outros.

O Brasil habituou-se a conviver com a violência, com o lado feio da vida: o da exclusão soci- al. O início se deu com os negros, logo após a libertação, vindo a ser os primeiros excluídos de nos- sa história recente.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

Os anos 90 têm sido marcados por profundas transformações na economia brasileira, com a o- corrência de um período de baixas taxas inflacionárias após décadas de economia turbulenta e instável, sobre- tudo para os segmentos de menor nível de renda.

Isso refletiu num maior poder aquisitivo dos brasileiros que por muito tempo não comprava tanto, com um salário tão baixo e indigno. Ainda que esse desrespeite os padrões dos princípios universais de direitos humanos que pregam a dignidade como um dos valores absolutos do homem.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO Os anos 90 têm sido marcados por profundas transformações na economia brasileira, com

Após a crise das bolsas de valores na Rússia e Ásia, o país mergulhou novamente no medo da recessão e da volta da inflação. Não está sendo fácil, mas uma vez mais o povo está confiante no governo que elegeu e aspira por um amanhã melhor.

Relatórios internacionais sobre a pobreza no Brasil identificaram a existência de 72 milhões de pobres e miseráveis no país, cuja população chega a 166 milhões, este dado é assustador. Outras fontes se referem a 42 milhões de pobres (30% da população) e 16 milhões de indigentes (12% da população). O critério para se medir a pobreza leva em conta o custo das necessidades básicas de cada indivíduo.

A incidência de pobreza é mais alta no Norte e Nordeste, em relação direta com os padrões regionais de desenvolvimento econômico. É muito evidente em áreas rurais, entretanto, ocorre uma grande "urbanização" da pobreza no Brasil de hoje, porque o pobre se concentra nas regiões mais desenvolvidas.

A precariedade do trabalho, o desemprego e o arrocho salarial colocam, a cada dia, mais pes- soas nas ruas. Além disso, muitas pessoas passam apressadas por aquelas que dormem ao relento, ignorando o problema, pois a miséria só incomoda quando ela nos afeta diretamente.

Entre 1977 e 1998, a proporção de indigentes na população brasileira caiu pouco mais de dois pontos percentuais, de 16,3% para 13,9% e o percentual dos considerados pobres oscilou de 39,6% para 32,7%.

Um em cada três brasileiros, ou 50 milhões de pessoas, em 1998, estava em situação de po- breza. E essa pobreza se reflete pela dificuldade destas pessoas de terem acesso real aos bens e ser- viços mínimos adequados a uma sobrevivência digna. Nisso inclui basicamente as necessidades físicas elementares, como, alimentação, saúde, educação, entre outros.

O artigo 23 da Declaração Universal dos Direitos Humanos enuncia que:

"Todo homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e fa- voráveis de trabalho e a proteção contra o desemprego."

Os desajustes causados pela exclusão de parte crescente da população mundial dos benefí- cios da economia global e a progressiva concentração de renda, constituem-se no grande problema das sociedades atuais, sejam pobres ou ricas.

O desemprego destrói a vida familiar e a esperança para construir um futuro melhor. Suas conseqüências são o aumento da violência, insegurança, crianças subnutridas, corrupção em geral, menos crianças nas escolas etc.

Um salário mínimo vergonhoso, que não supre as necessidades básicas e que a cada dia tem seu valor reduzido, é a esperança diária de cada cidadão brasileiro que não teve melhores condi-

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

ções para uma vida mais digna. No entanto, o desemprego leva à perda dos valores, da esperança e a vida humana é reduzida à mera "sobrevivência".

A fome atinge cerca de trinta e dois milhões de brasileiros (nove mil famílias) e a renda men- sal lhes garante, na melhor das hipóteses, apenas a aquisição de uma cesta básica de alimentos. Segundo alguns estudiosos, a fome que atinge 32 milhões de brasileiros não se explica pela falta de alimentos. O problema alimentar reside no descompasso entre o poder aquisitivo de um amplo segmento da população e o custo de aquisição de uma quantidade de alimentos compatível com a necessidade de alimentação do trabalhador e de sua família.

É fundamental um novo Brasil, cujos cidadãos libertem-se de muitos preconceitos sociais preponderantes em nossa sociedade, tais como: o preconceito racial, a marginalização de indiví- duos menos abastados ou em condições de pobreza absoluta, o preconceito contra a orientação sexual, entre outros.

Uma nova consciência nacional é necessária e a transformação que deve imperar não passa simplesmente pelo universo jurídico ou legal. Antes de qualquer coisa, é preciso mudar a mentali- dade social, a maneira de pensar do cidadão.

A educação é um dos meios mais eficazes de realização da equidade social, e como direito e bem fundamental, é um dos atributos da própria cidadania, fazendo parte de sua própria essência. Para uma maior integração do indivíduo enquanto cidadão e sua conscientização como pessoa detentora de direitos e garantias individuais, cabe à educação, inserir o homem num processo de ação histórica e empoderá-lo como um ser capaz de transformar a realidade à sua volta.

São 500 anos de exclusões, mas isso não impede que tenhamos outros 500 anos, porém, de justiça social. Para uma mudança realmente concreta na realidade brasileira, o primeiro passo é a transformação cultural, principalmente no que tange à auto-estima nacional.

É o caso, por exemplo, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que determina que o adolescente só pode trabalhar a partir dos 16 anos, com carteira assinada, desde que não seja um trabalho que coloque em risco sua integridade física e o seu desenvolvimento.

A partir dos 14 anos, só é permitido o trabalho na condição de aprendiz. Infelizmente, a- pesar da lei, existem 2,7 milhões de crianças e adolescentes que não estudam porque são subme- tidos ao trabalho em condições indignas, privados dos direitos elementares de cidadania.

O melhor remédio para combater este mal é investir em educação, permitindo aos excluídos obterem maiores chances e oportunidades de vida digna.

  • 1.3 AAAA INCLUSÃO

INCLUSÃO INCLUSÃO INCLUSÃO EEEE EXCLUSÃO SOCIAL SOCIAL SOCIAL NNONNOOO CONTEXTO URBANO URBANO URBANO

EXCLUSÃO SOCIAL

EXCLUSÃO

EXCLUSÃO

CONTEXTO CONTEXTO CONTEXTO URBANO

Para falar sobre inclusão social é preciso entender o seu conceito. Para isso, recorri primei- ramente ao dicionário, e constatei que o nome “incluir” significa inserir, introduzir, compreender; e “social” diz respeito a uma sociedade.

O conceito de inclusão é inseparável do de cidadania, e se refere aos direitos que as pessoas têm de participar da sociedade e usufruir certos benefícios considerados essenciais. Mais a frente, você terá elementos para distinguir, conforme a literatura, os três tipos de direito – os direitos ci- vis, políticos e sociais cujos estão previstos na Constituição Brasileira.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

Por outro lado, só existirá inclusão social se as pessoas tiverem acesso à informação e ao co- nhecimento; ao uso de tecnologia; ao investimento em infraestrutura e ao social, além da vontade e determinação das autoridades políticas para realizar os projetos de desenvolvimento em suas di- versas modalidades.

Não falta uma lista de temas que desprotege a maioria da população brasileira dos seus di- reitos essenciais:

  • - Pobreza e exclusão social

  • - Pessoas disputando o lixo com os animais

  • - Mendicância

  • - Menino e meninas em situação de rua

  • - Famílias moradoras das ruas das cidades

  • - Desnutrição e fome

  • - Analfabetos funcionais

  • - Desemprego

  • - Favelas

  • - Violência urbana e policial

Agora me responda:

- O Brasil tem jeito?

  • - Até onde iremos?

  • - Por que a desigualdade apenas cresce?

Tais perguntas, com certeza, mexem com a nossa subjetividade e nos instigam a buscar alter- nativas de mudança. Sabendo que pessoas sequer têm acesso às suas necessidades básicas, não podemos dizer que vivemos bem.

A URBANIDADE: INCLUSÃO E EXCLUSÃO

A mudança começa quando o nosso olhar se direcionar para outra face da cidade: os excluí- dos. Segundo Ribeiro, o espaço urbano tem uma face cuja representação é dos excluídos, sem po- der desfrutar das suas necessidades materiais básicas.

Conforme alguns estudiosos, os excluídos podem transgredir a lei para garantir a sua sobre- vivência financeira e ajudar a fortalecer a sua identidade, fenômeno considerado pelos pesquisa- dores de abrangência mundial.

Mas o que vem a ser: inclusão e exclusão social no contexto urbano? A cidade dos
Mas o que vem a ser: inclusão e exclusão social no contexto urbano?
A cidade dos que têm e a cidade daqueles que nada têm.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

Há exclusão quando negada às pessoas os recursos essenciais para a sua sobrevivência. Entre as regiões que há um tratamento diferenciado de investimento público formam-se explicitamente um contingente de excluídos.

Os espaços públicos são criados para garantir socialização da vida urbana.

Ao passo que crescem as zonas privatizadas com uma boa oferta de serviços públicos e de equipamentos coletivos. Em contrapartida, há um número de pessoas que vivem ilhadas em áreas degradadas e periféricas, sem meios para se informar e ter acesso a estes equipamentos.

O crescimento urbano e populacional nas cidades dos países em desenvolvimento vem a- companhado pela degradação da qualidade de vida. Aspecto que a torna um palco de “desordem” e de tensão pela sobrevivência no mundo contemporâneo.

Foi assim desde o século XIX. Construída sob uma visão burguesa, o espaço urbano exibia o espetáculo da multidão nas ruas, famílias concentradas num mesmo espaço, próximas às fábricas, e o movimento intenso de pessoas e mercadorias.

Nela existe uma parcela da população que desfruta de um nível alto de consumo e outra parte que tem condições de satisfazer as suas necessidades básicas. E uma maioria pobre que fica à mar- gem, totalmente destituída de proteção social e das políticas públicas: educação de qualidade, o tra- balho com dignidade e renda, pilares essenciais de desenvolvimento de um povo e de uma região.

A renda e os indicadores sociais não são suficientes para mostrar qualidade material de vida da coletividade. A percepção de pobreza refere-se também à ausência do bem estar, à dignidade da pessoa, ao exercício da cidadania, à violência nas relações humanas como sujeito social.

A população excluída do desenvolvimento, da estrutura social do Estado, é mais vulnerável aos problemas de saúde-doença. Quando adoece, fica mais tempo doente e morre mais de causas básicas que podiam ser evitadas.

A CIDADE E A JUVENTUDE

A ocupação do solo urbano e da localização espacial dos mais pobres pode variar de lugar para lugar. A cidade é o lugar das contradições, mas também da exclusão, principalmente dos jovens.

A cidade de Salvador, por exemplo, agrega uma população perto de três milhões de habitan- tes e a desigualdade se apresenta em diversas facetas, assim como nas grandes capitais brasileiras.

A sociedade de consumo marca a vida urbana no mundo contemporâneo e influencia o au- mento da exclusão social entre os jovens. A partir da segunda metade do século XX, o estrato jovem da população passa a ocupar uma posição destacada no campo da cultura massiva e, posteriormen- te, no campo midiático, tanto na esfera da produção, quanto na do consumo real e simbólico.

Esse consumo acontece por meio de complexas redes sócio-econômicas e culturais, e os jo- vens compartilham diferentes imaginários nas suas experiências urbanas. A juventude de baixa renda vive as tensões da urbanidade com poucas oportunidades de bem estar social, diferentemen- te dos jovens de maior poder aquisitivo, que têm maior proteção social.

Numa cidade desigual, a maioria da juventude tem restritas as oportunidades de emprego e renda, escolarização, lazer, acesso à cultura, entre outros aspectos.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

Precisamos fazer a nossa parte, sabe por quê? Porque a crise social atinge você, eu e
Precisamos fazer a nossa parte, sabe por quê? Porque a crise social atinge você, eu e ou-
tros, enfim, todos nós estamos sujeitos as ameaças desse mundo urbano em crise.
Quantos fatos são noticiados diariamente na nossa cidade, os quais provocam emoções de
medo e pavor:
1.
Crimes até mesmo no seio da família ...
2.
A sensação de que não se pode mais caminhar pela cidade;
3.
Assaltos;
4.
Mortes por Acidente de trânsito;
5.
Uma sensação de completo desamor e hostilidade;

Essas infrações são comuns em todas as classes sociais. Faça uma pesquisa nos jornais para você perceber.

Como se ainda não faltasse, os preconceitos são fortes contra os jovens e, em muitos casos, anulam a sua identidade para serem aceitos.

Os jovens também enfrentam muitas dificuldades no campo das relações de gênero e famili- ar, sobretudo aqueles mais pobres. Entre os problemas estão a violência doméstica, a falta de edu- cação sexual, as dificuldades de acesso a cultura e uma escolarização incapaz de lhe preparar para o exercício da cidadania e o mundo do trabalho.

Isso tem impacto na relação de gêneros no contexto das famílias. Os homens jovens desem- penham papéis nos quais excluem as jovens que são vítimas de violência doméstica.

EXCLUSÃO SOCIAL - UM DOS REFLEXOS DA SOCIEDADE DE CONSUMO

A globalização constitui-se uma nova ameaça, ao exacerbar a desigualdade econômica e a exclusão social entre as nações e no interior delas mesmas. A mesma dinâmica uniformizadora promete integrar os países, mas globaliza a miséria. Além disso, o frenesi da modernização e do consumo exacerba os custos sociais e ambientais locais e globais.

A leitura de um artigo de Lucia de Mello e Souza Lehmann (2003), cujo título é: Faces Invisí- veis da Exclusão: um olhar sobre os jovens impressiona numa passagem do seu texto em que ela escre- ve: “a dimensão estética ganha espaço no cotidiano”.

Ela narra sobre as cenas cotidianas da cidade do Rio de Janeiro, onde os jovens pobres bus- cam objetos de consumo para pertencer ao mundo urbano.

Leia parte da narrativa:

“Uma menina

Batom, brinco, faixa no cabelo enrolado. Apetrechos femininos, na bolsa a tiracolo,

... misturam-se com restos de balas e alguns trocados. Pés descalços ou saltos altos apontam o caminho da rua. São mulheres, ainda meninas”.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

“A vaidade no asfalto pode ser arma certeira na guerra pela sobrevivência. O vai e vem dos pequenos quadris, em corpos quase sempre mal tratados. Assim desfilam as "flores do asfalto" pela cidade. Perambu- lam pelas ruas, um destino meio vago. Filhas, que às vezes são também mães, brancas ou negras, altas ou baixas, roliças ou magrelas, roubam a atenção de quem passa”.

Ela continua analisando, e mostra que o ritmo frenético das grandes cidades evoca uma nova forma de comunicação, de mais fácil leitura, onde o sentido da visão se faz presente no olhar. E é nesse contexto que as meninas se enquadram.

Elas e eles fazem da visibilidade uma possibilidade de transmitir e captar. Assim, aquele que é visto ou se mostra, se implica com sua aparência, porque é através desta que será visto e percebi- do pelo outro.

A miscigenação racial, as segregações, os fragmentos da abundância e da pobreza estão es- tampados nas imagens de nossos jovens, negro ou índio, branco, mulato, mestiço, caboclo, rico ou pobre, menino ou menina.

Suas configurações físicas, suas indumentárias, revelam suas inserções sociais e um somató- rio de associações que elas suscitam. Inclusões e exclusões se ancoram na aparência e produz na sociedade de consumo a pobreza e o preconceito.

O sucesso social e a felicidade pessoal são identificados pelo nível de consumo que o indiví- duo tem. O somos o que temos é elevado à condição de ideal social: a qualquer preço o hedonismo materialista triunfa. Se não temos, nada somos.

O potencial de consumo determina o grau de inclusão ou de exclusão social, de sucesso ou de insucesso, de felicidade ou de infelicidade. A sociedade do espetáculo que manipula a aparên- cia do trampolim social para o ter:

O excluído sonha em ser celebridade, e quem já é não vive sem ser, para não perder o status. É a realização convicta do somos o que consumimos.

O discurso do marketing é o grande agenciador da montagem perversa do discurso capitalis- ta na sociedade de consumo.

O marketing se dedica a mostrar às pessoas que o consumo da marca sugerida na propagan- da é o meio pelo qual se ganha status social.

Ou seja, a regra é você consumir o objeto que lhe identifica com a marca, que dá a sensação de estar fazendo parte do mundo de consumo. Enfim, pagamos para divulgar a marca do produto que indica quem somos.

1.4

MOVIMENTOS SOCIAIS EEEE OOOO EXERCÍCIO

MOVIMENTOS SOCIAIS

MOVIMENTOS

MOVIMENTOS SOCIAIS

SOCIAIS

EXERCÍCIO EXERCÍCIO EXERCÍCIO DADADADA CIDADANIA

CIDADANIA CIDADANIA CIDADANIA

Neste texto, trataremos sobre Movimentos Sociais e a Cidadania, com o objetivo de compre- ender de que modo estes agentes coletivos contribuem para a transformação da sociedade e a con- quista de direitos sociais.

Mas você já se perguntou o que significa movimento social? Eles são importantes para a promoção da justiça social?

Observe que chamo de Agentes Coletivos, por quê?

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

Porque são as diferentes organizações sociais que juntas se organizam em torno de uma cau- sa: seja esta pela reforma agrária, por questões de gênero e sexualidade, étnico-racial, ao lazer, à saúde, educação, entre outros interesses.

Segue alguns exemplos de organização social: sindicatos, entidades estudantis, associações de moradores, literárias, esportivas, que podem ou não ter uma ação pela transformação da socie- dade ou pela manutenção da ordem.

A reivindicação dos movimentos sociais indica o grau de criticidade da sociedade e a sua consciência cidadã.

As duas últimas décadas do século XX são paradoxais para os movimentos sociais no Brasil, sobretudo nos anos de 1980, quando esses entram na cena política brasileira de modo marcante. Nessa década, novos movimentos sociais representaram o aparecimento de um novo tipo de ex- pressão da sociedade organizada nas primeiras décadas do século, especialmente após 1945.

Esses movimentos colocaram na agenda política brasileira a luta pela democracia, pela re- forma agrária e do regime político, por entenderem ser uma condição para a realização de seus interesses, principalmente pelo contexto ditatorial em que vivia o país.

Tendo como alvo a luta contra a ditadura militar e a democratização do país, os movimentos sociais exigiam do Estado não apenas participação política no processo decisório das políticas públi- cas, mas o responsabilizavam pela situação de precariedade em que vivia a maioria da população.

Utilizavam os mais variados instrumentos de luta como passeatas, greves, caravanas, entre outras, para pressionarem o Estado por direitos sociais. As políticas públicas como saúde e educa- ção, por exemplo, eram concebidas como dever do Estado e direito do Cidadão.

Estava presente, pelo menos, em uma boa parte destes movimentos, a “transformação da so- ciedade” capitalista.

Na década de 1990, o cenário se modifica: o neoliberalismo adentrou a seara dos movimentos sociais e modificou não apenas suas formas de luta, mas principalmente sua disposição para a luta.

Essa década é marcada pela institucionalização dos movimentos sociais.

E o que representa isso?

Por ter uma boa parte dos movimentos sociais aderido à ideologia neoliberal e se tornarem parceiros do Estado, afinou-se com a ideologia de revalorização da "sociedade civil", sobretudo no aspecto da sua autonomia.

Entretanto, a despeito de ter sido importante durante a ditadura militar como idéia-força na organização dos movimentos de resistência, no contexto neoliberal, serviu de base ideológica para o desmantelamento do sistema de proteção social. Ou seja, minimizou as responsabilidades do Estado como uma instituição de promoção do bem-estar social.

As expectativas de transformações sociais se modificaram para aderir à dinâmica institucio- nal através das parcerias, que significou adesão ao ideário neoliberal e abrir mão da concepção das políticas públicas, como direito do caráter universal e gratuito dos serviços públicos.

Na era neoliberal, os movimentos sociais se enfraquecem e as ONGs (Organizações Não- Governamentais) assumem a centralidade da cena política. As Organizações não-governamentais têm sido importantíssimas na nova lógica neoliberal, pelo fato destas assumirem o papel de agen- tes privilegiadas de mediação entre o Estado e a população mais empobrecida.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

Tornaram-se defensora da participação da sociedade civil no Estado trazendo para si a fun- ção de executoras de políticas públicas, inclusive apoiando as várias formas de privatização dos serviços públicos. Por isso, e outras coisas, as manifestações populares foram redefinidas, se apro- ximando da forma de campanhas, cujos principais protagonistas são as ONGs.

Voltam-se, sobretudo para questões de caráter ético-moral e de solidariedade individual, em que se convoca a "sociedade civil" para buscar alternativas para a pobreza, a violência e a corrup- ção. É ilustrativo dessa época o Movimento: Ética na Política, a Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, o Movimento Viva Rio.

O início do século XXI tem sido paradigmático. Novas lutas sociais eclo- diram em quase todos os países latinos americanos, que instabilizaram e/ou derrubaram governos. Foram os zapatistas no México, os índios no Equador, as comunidades no Uruguai e na Venezuela, as FARCs na Colômbia, os piquetei- ros na Argentina e os Trabalhadores Sem Terra no Brasil.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO Tornaram-se defensora da participação da sociedade civil no Estado trazendo para si a

Levantaram-se os índios colombianos, em marchas gigantescas, resistindo à tomada de suas terras e de suas sementes milenares. Também saíram às ruas os hondurenhos em defesa da água, os bolivianos em defesa do gás, os guatemaltecos, os equatorianos, os chilenos, os paraguaios, os nicaragüenses, os salvadorenhos.

As novas lutas contemporâneas forçaram, inclusive, os EUA a mudarem seus planos de implan- tarem a ALCA sem protestos e a partirem para a alternativa de negociação em separado, pressionan- do os países a assinarem os chamados acordos bi-lateral ou o Tratado de Livre Comércio – TLC.

Os movimentos sociais se vêem na condição de lutarem pelo resgate da cidadania, conside- rando que o pouco que foi conquistado ao longo de anos de luta, encontra-se ameaçado e parte significativa da população fica excluída de participar da comunidade política.

O processo de globalização do capital fragiliza o Estado em sua capacidade de implementar políticas específicas e de tornar todos os indivíduos de uma determinada comunidade nacional em cidadãos, sujeitos de direitos iguais.

Essa relação entre inclusão e exclusão levou uma parte dos movimentos sociais a adotarem a defesa da cidadania como a principal referência de luta na década de 1990, sem, no entanto, apre- sentar os limites estruturais da cidadania no contexto do capitalismo.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO Tornaram-se defensora da participação da sociedade civil no Estado trazendo para si a

Todavia, estar “incluído” no mercado de trabalho não sig- nifica plenos direitos de cidadania garantidos. A exclusão pode ser observada nas extensas jornadas de trabalho, com baixos salários, o trabalho infantil, privatização dos serviços públicos ou o acesso aos serviços públicos com caráter de caridade públi- ca ou privada.

Portanto, para um melhor entendimento desses aspectos tratados até aqui, vale a pena ver a entrevista do Professor Marcelo Rocha. Ele contextualiza como os movimentos sociais podem ser um instrumento de libertação social e individual e um termômetro da participação política, mas também apresenta a educação como principal elemento de formação da consciência libertadora e cidadã.

Agora você terá a oportunidade de entender por que as ONGs formaram uma rede de tama- nha importância na sociedade contemporânea e como essas protagonizaram como organização social potencializadora das transformações sociais em alguns momentos e por outro para atender os interesses de agentes financeiros internacionais.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

Agentes financeiros podem ser empresas, governos, fundações, universidades, que se dis- põem a financiar projetos sociais de ONGs e entidades sem fins lucrativos.

Todavia, há estudiosos que assumem uma posição mais radical e critica, ao argumentar, que as ONGs exercem um papel muito mais de manutenção da ordem capitalista do que de transfor- mação social.

Antes de adentramos sobre essa polêmica, entenda o que vem ser uma ONG. O termo ONG foi utilizado pela ONU, na década de 1940, para designar diferentes entidades executoras de proje- tos humanitários ou de interesse público.

Ou seja, elas são organizações que não representa um determinado grupo social específico ou uma categoria de trabalhadores, mas têm a função de desenvolver projetos sociais visando com que as comunidades se tornem auto-sustentáveis.

No Brasil, a expressão se referia principalmente, às organizações de cooperação Internacio- nal, formada por Igrejas (católica e protestante), organizações de solidariedade ou governos de vários países.

A sua concepção se difunde no Brasil em meados dos anos 1990, com a Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, conhecida como ECO 92.

Mas somente no final da década de 1980 é que as ONGs se expandiram por aqui, muitas de- las, como um apêndice do Estado, que demandava as suas necessidades, e essas intervinham na sociedade.

Cabe relembrar, que essas organizações ganham visibilidade no momento em que os movi- mentos sociais perdem força como movimento autônomo e de luta pela libertação social.

O que antes era pauta do movimento social, como a transformação social e aí incluía a luta pela “cidadania”, significando melhores condições de vida como transporte, saúde, educação, ago- ra as ONGs desenvolvem projetos de caráter social sem às vezes pretensão de desenvolver um movimento de pressão pelas mudanças efetivas na ordem vigente. Por quê?

Porque a fonte financiadora é na maioria, os recursos públicos que são destinados para o ter- ceiro setor ou para as ONGs. Então, essas entidades ficam reféns daqueles que financiam os proje- tos. Na era das ONGs, a luta pela cidadania desvinculou-se da proposta de transformação social, e o discurso tornou-se perfeitamente compatível com as desigualdades sociais. É desta forma que Marshall critica o processo.

Numa sociedade dividida em classes sociais, e sua necessidade incessante de reprodução do capital para o lucro de poucos, quanto maior a participação política dos movimentos sociais, maior será a pressão pela conquista de equidade social.

Para muitos, as ONGs devem ser uma entidade intermediária, entre a sociedade, o Estado e o mercado: “a forma por meio da qual a sociedade se estrutura politicamente para influenciar a ação do Estado”.

Muitos ainda argumentam que as ONGs são o caminho para a construção de uma terceira via, empenhadas na realização dos serviços sociais pela sociedade civil, que realizam esses serviços com mais “qualidade” e mais liberdade que o Estado.

Em toda a América Latina, pós-regime militares, as ONGs eram utilizadas para contrapor ao Estado, um agente para limitar os governos autoritários, fortalecer os movimentos sociais e reduzir os efeitos do mercado e melhorar a qualidade da “governança”.

CIDADANIA E INTERCULTURALISMO

Todavia, os críticos indicam que as ONGs foram forçadas a adotar um enfoque cada vez mais econômico e “apolítico” para trabalhar com os pobres, pelo fato de suas estratégias limitar a participação comunitárias a projetos locais, pontuais, de pequena escala e com isso não terem difi- culdades para atuarem nos países que tiveram regimes autoritários.

O fato de estes projetos terem prazos determinados para funcionarem, os grupos comunitá- rios terminavam sendo abandonados, para que por conta própria a sua autonomia como uma for- ma de empoderamento, em vista de que isso exigia mudanças na cultura de organização sócio- política das comunidades. Etimologicamente, empoderar-se significa tornar-se autosustentável, responsabilizar-se pela dinâmica da sociedade.

A idéia que impera é de que os agentes comunitários são considerados “empreendedores”, levados a atuarem como pequenos empresários. Por isso, muitos estudiosos mais radicais enten- dem que não há impacto substancial nas comunidades onde atuam, a não ser como um fator de despolitização.

O número de entidades consideradas sem fins-lucrativos e de utilidade pública, somente no Brasil, já chega a quase 276 mil instituições e nas ações de muitas delas, prevalecem as de ativida- des de caráter assistencial.

As ONGs desenvolveram nas décadas de 1960 e 1970, o papel de mediadores dos movimentos sociais e de apoio às causas populares, no sentido da luta pela democratização da sociedade brasileira.

O papel político dos mediadores variava de acordo com as necessidades dos movimentos e as conjunturas políticas específicas. Estes agentes foram fundamentais para a qualificação dos con- flitos sociais neste período.

Nos anos 80, percebe-se a proliferação de instituições que desenvolviam trabalhos voltados para novas temáticas: meio ambiente, crianças e adolescentes, discriminação de minorias étnicas e sexuais, entre outras.

Durante o Regime Militar e ainda no período de transição da Nova República, a relação das ONGs com o governo era muito tensa e as parcerias eram praticamente inexistentes.

Havia o reconhecimento da impossibilidade de diálogo ou parceria com os governos autori- tários, pela violação dos direitos humanos e pela falta de espaços de participação. É na década de 1990 que um novo perfil de ação das ONGs é motivado:

  • 1. Pelas novas relações com o Estado;

  • 2. Pela crise nas fontes tradicionais de financiamento, oriundos da cooperação internacional;

  • 3. Pelos novos parâmetros de relação com os movimentos sociais.

Tudo isso vai se apresentar como espaço de trabalho para muitas pessoas, algumas migran- do dos movimentos sociais.

Este movimento foi relevante para o seu fortalecimento estimulador, como contra partida, de certa desmobilização dos movimentos sociais.

As relações das ONGs com os movimentos sociais também sofrem mutações e a participação de instituições não governamentais como representantes da sociedade civil é bastante criticada pelos movimentos sociais, pelo fato dessas não representarem nenhuma parcela da sociedade, em- bora haja o reconhecimento da importância dos trabalhos desenvolvidos.

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Em algumas áreas, como a dos direitos de crianças e adolescentes, a defesa do meio ambiente e do direito da mulher, a atuação das ONGs tornaram-se mais significativas e detentoras de maior visibilidade do que os movimentos sociais.

Costuma-se classificar as chamadas ONGs em progressistas e as conservadoras. As progres- sistas seriam aquelas oriundas da década de 1970/1980, vinculadas direta ou indiretamente aos movimentos sociais. Enquanto as conservadoras, criadas já no auge da implementação das políti- cas neoliberais, teriam um forte cunho assistencialista. Ou seja, a maioria delas.

Essa classificação na verdade não revela a realidade dessas organizações, Mesmo as conside- radas “progressistas”, assim como o termo “sociedade civil”, tomam uma significação durante os regimes autoritários na América Latina.

Todos aqueles que se opunham aos regimes autoritários, fossem a favor da “redemocratiza- ção” da sociedade, da liberdade de expressão, eram imediatamente considerados do campo pro- gressista.

CIDADANIA E MOVIMENTOS SOCIAIS

A cidadania tem sido o horizonte pelo o qual os movimentos sociais reivindicam as suas ne- cessidades essenciais, sobretudo aquelas que atendam aos interesses das camadas populares. Outros aspectos importantes são: a comunicação e a educação. Ambos se constituem em elemento essencial para as relações sociais e culturais. Nesse contexto, o conceito de cidadania e o papel do cidadão na busca de oportunidades e de acesso à informação são essenciais.

As transformações têm sido feitas por meio de redes, pelo menos, nas últimas duas décadas, tem sido o paradigma de organização "alternativa". O conceito de rede, fazendo referência a rede de pesca, cuja malha é resistente e composta, pode-se perceber que as organizações sociais se interligam por fios aparentemente frágeis, como um sistema descentralizado e com grande resistência e ampli- tude. Por exemplo, o Fórum Social Mundial reúne inúmeras organizações mundiais em contraposi- ção ao Fórum Econômico Mundial. Os interesses do Fórum social são construir agendas políticas para as camadas empobrecidas e discriminadas e defender as questões étnicas, religiosas e ambien- tais, enquanto o Fórum econômico define estratégias para exercer maior domínio econômico.

As redes são sempre lembradas como estruturas orgânicas. Baseiam-se em figuras da natu- reza. Como, por exemplo, a teia de aranha e a minhoca exemplificam esse tipo de estruturação. É impressionante a resistência da teia de aranha, apesar de ser toda construída a partir de um fio tão vulnerável. A minhoca, por outro lado, é capaz de reconstituir-se mesmo depois de retalhada. O mesmo acontece com as redes dos movimentos sociais. Cada um deles é composto por inúmeras organizações que têm suas lideranças, metas, objetivos e formas ação específicas.

Quanto maior for o entrelaçamento entre as várias organizações que compõem essa rede, maiores serão as chances de coesão em torno de objetivos definidos pelo conjunto. E mesmo que a rede sofra derrotas ou perca algumas organizações que a compõem, não será facilmente destruída. No entanto, com a desvalorização da política e o esvaziamento aparente de poder do governo, vis- lumbra-se o cenário propício ao surgimento de formas substitutivas da política tradicional, que se traduzem pelo surgimento de novos movimentos sociais, organizações não-governamentais, orga- nizações comunitárias.

São desses movimentos que se originam novas formas de organização da sociedade, que a- qui chamaremos de micro-políticas. Isso quer dizer que a política formal feita com os partidos polí- ticos, nem sempre tem respondido às novas exigências, nem aos novos problemas postos pelo pro- cesso de globalização.

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CIDADANIA E INTERCULTURALISMO Pelo contrário, tem causado desilusão, apatia, sensação de fim da política e o

Pelo contrário, tem causado desilusão, apatia, sensação de fim da política e o aumento da "massa muda". Segundo o filósofo e sociólogo Jean Baudrillard, a decepção com os políticos, seus par- tidos e suas práticas esclerosadas, "não consolida a idéia do fim da política, pois o campo de ação agora é a vida cotidiana".

Nesse sentido, temos hoje os movimentos sociais, associa- ções. São as micro-políticas, que expressam e contribuem com os anseios da vida local e global neste final de século.

Esse movimento se constitui também como antropolíticas, por quê? Trabalham nas arenas da vida pessoal, abrindo espaço para o diálogo público; não são dirigidas por regras, ao contrário, alteram as regras do jogo; São descentralizadoras do poder político;

Os Novos Movimentos Sociais, ONGS, grupos comunitários e outras entidades introduzem uma nova concepção política relativa à prática tradicional. Através desses grupos, possibilita-se uma articulação de novas ideias, concepções diversas das tradicionais, uma maior participação social, baseadas na concepção de rede.

Com o surgimento, inserção e expansão das micro-políticas, caracterizadas por sua capaci- dade de auto-organização, engajamento social e participação comunitária, vislumbra-se a necessi- dade de uma reformulação ou redefinição nas áreas de responsabilidade governamental.

Contudo, tal processo não importa em um desaparecimento da política tradicional, ou uma supremacia das micro-políticas sobre o Estado, mas sim, um trabalho que deve ser equilibrado, realizado em conjunto pelos vários segmentos representantes tanto da política tradicional como das micro-políticas.

Um dos objetivos das micro-políticas é a busca de um equilíbrio entre o Estado e a sociedade civil, compreendidos como governo e partidos políticos e agrupamentos sociais dialogando as po- líticas públicas no âmbito do Estado.

A partir das novas concepções sobre o espaço de poder e a participação social frente ao Esta- do, cada vez mais os cidadãos querem manifestar seus desejos e opiniões sobre a direção ou os objetivos governamentais, fazendo-o através das micro-políticas.

Os antigos sistemas representacionais da sociedade, os partidos políticos, constituem-se cada vez mais em instituições desacreditadas, burocratizadas e que não refletem os anseios populacio- nais. Assim, suscita a criação de novas formas de se fazer política, desvinculando-se do modelo tradicional, conclamando a sociedade a participar do processo político, possibilitando locais para expressão das opiniões através dos grupos constituintes das micro-políticas.

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