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Jean-Claude

Bernardet

BIBLlOTEC.... 8.4.510. DE CI :-'"EMA


B RA~; I L
cm
TEJ\ lPO
de

Ensaio Sôbre
O Cinem a Brasileiro
de 1958 a 1966
,

Índice
,
Prefácio

1l"TJ.OOt;ç~O
,
A C\auc ~f édi. OJl w rl Consum!\'cl 7
Hera a 11
~f c ntalJ da.de Imporud Clra
MOIl:Oltltl

M"RrtJ~
de capa:
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C'I1CÇ ~ 'il tl FIt .;.
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Ba lt-pólpl :n Lecn H'!rt::.llW&1l
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Crianças, CallgICc rOI e Outros


Asptraç~ do Marirnl1
01ÁlOOO COM os DI'-IOE: U'
O Pa, odor de Pro,,' UIU
Sol Sdõrc a Lo
Baua ~«llQ ' Políncl de
Os IMPo\$$ E$ IDA ~M'IG ItlÃDI
Btlh"la d& T~as osr~t
a.
o...
o Grande Momtnto
A Faltcida
P ôrto dai Caixas
86
91
"
A MilOloa ia de Khouri 94 ,
No!te Vazia 97 •
Dipolaridade 99
Sexo, t\ bjeçl o e Anarquia 101 __
Canalha em Crist 104
S40 Paulo S/ A ios
Marasmo e Côm III
O D~af/o
Perspectivas 122
li. I

Prefácio
Fo ~M As 133
DJiloso e Fotografia 140 PAULO E~fíuo S" Lt.~ GOM r.s
A Naturtu 142
Filmes Abenos
A F6rça da Personagtm '"
146
\
AJ'tNDlC!S -
A . nrmvs écnjcns ['~'1\p:e,ll:':1.~~ I S5
1:1. Di!) osrafia 157
.ç. Filmoarafia 159

lHDJcts REMISSiVOS

Oaomútico t 71
de Filmes 178
sua mul her Lucrla Ribeiro Bernardet. Nelson pueira do~ Sa n-
tos e cu próprio eslAvamO' IA • fim de dar forma c vIda ~o
curse de cinema que o Profuso: Pompeu de Sousa haVia
criado como parle intcirante d. futura Faculdade de Comu- ,
-
mceçãc de MasSlls. Todos nós qucrlaMM ensinar Cinema •
Brasileiro, o que nAo cri posslvel pois o currículo previa vã-
rias oultas discIplinas. Jean.Claude conformou-se em dar au-
la s sõbre fil me documental mas ao mesmo tempo escolhe u o
f Ime brasileiro conwnporlneo par. tema de sua lese d e qlCS-_ •
uedc. O Irab.lho estava nas vhpcr.s de defesa quan do
ocorreram os flltM que culminaram na destruição da a ntiga •
1
Univemdade de Braslli• . como agora se dI: .
A lese UCt.l. cm Brasilia t o núcleo dêste livro. A a mo
p a,io c o aprof undamento da txperitnda in telectual e hu -
man" do autor. assim como o tnriquccimtnto do cinema na-
c õnal. pumitUJ;m.Jhe perspecUvolIS e prolongamentos novos.
Contudo o Mio permanece o mUmo e longe ainda de ter sido
ugorado.
A prl!lClpaJ descoberta de Jean-Claude Bernardet nasceu
de duas del ereções . encarar o moduno cinema brasileiro
co um todo orgln co e procurar a maiJ variada asso,.-iaçAo
':':):!l u tempo ll:aclC'nal correspondente. O resnltadc !ot a re - \
vt1açio. da u !5tlm de intrincados e lndiscutlveis llclmes en-
ue os f es naoc ~ .. e a c1.use lliMi4 brasii'!ira . AnDI;sando
tu lo Eil s e sociais refletindo $6bre ldedogia e pcll-
\1 li~nd':)-se l psic"IoQ-L,t cl.\s puJOnllgtDS das fitas ou de
aut Jun·C-uuCle estA prtsaltt et, corpo inteiro. cier-
(to esc o not filmes e na ~ed&de. Advtf!e o
1!1"~~
~
conteamos dianfe: de uma quase autobtc-
alJlo .... ~lg~m.. da. ma"
Sste livro -quase uma autobiograf a -
• é dedicado a António das Mortes.
,
-
• • Introdução
, A CLASSE MéolA. CULTU RA CONSU MlvrL
em que êle vai da r c quan do pudermos clllbor&cruma vlsAo do
conjun to cultu ral c socia l cm que se Integra. liso hoje t im-
possível, poi s U!.jIIDN j usUlrnUll c criando tsse conjunto eul- o Br.ilsil tem estr uturas qu e comp rova da mente nâ c mab
tural c soc.al. Por outro lado. ul projeto i modesto. JIa que correspondem a sua. necessidades e As exiglncUls de Seu
reconh ece seus limltu : tenlatlva. apenas, de ver claro naquilo povo : por outro lado, o povo nio consegue modificá:la.; a
que "cm sendo ferre. para saber cm q ue ponto ,csCllrn os c evoluçã o socia l é <onfiltuada e cada fra casso torna maIs a qu-
quais as perspectivas que no'! slo aber tas. Ainda que seja das e gritan tes as contradlçOes.
um tra bllho de rdlcxio..!lio se coloca num nlvel s uperior ao A clnse qu e ~ Brasil iotei ro vem. há décadas. se de-
du obras que lIborda.-Si!IlIl-SC no mUmo nível : situa-s e (pelo senvolvendo e se estruturando. fazendo sent:r cada vez ma ss
menos prttende ) dentro da luta; t uma tenta tiva de esclare- sua presença . t a classe méd ia. prinCIpAlmente urbana . _Ê
cimento, um esf õrço para enx ergar melhor. não um livro d e ela que faz funcionar o Brasil : são os méd ios e pequenos ln ~
hist6r~ . nem uma attlbuição de prt mios aos bons filmes c re- dustriais e comerciantes; si o os engenheiros. técnicos, adm:#
provaçi o aos m.lUs. nistradorcs. advogados. médICOS. economistas. profcssõres a r-
qunercs. artis tas. etc.: são aquê les que v ívec de e fa :em vrver
ê:slc ensaio repousa mais na intuiçi o c na vontade de es- a s grandes indli.strlas e comércios; sãc os umverstrá rics. 05
clarecer a situação em que estamos mergulhados. do que mes- funcioná rios públtccs . o opera riado qualificado. M a s não é
mo num trabalho sistemàtico de critica e sociologia. Inicial- a classe dirigente do pais. Ela é dominada pOr cúpulas repe e-
men te. porque a m a t ~ria . ainda que dU5a. é pouca. At ul l~ senrantes do capital. o qu e suscita inúmeras comradíções em
mente. os dir etores bruileiros são um pequeno nli.mero: os seu: desenvclveaentc e em sua afirmação.
I le es prod ll~l d o s desde 1958 são poucos. Isso la : com q ue I! a classe' média qu e é responsável p~10 movime nto cul -
determinados cfeeen tcs devam ser detectados numünico lj i~ tun l beasdeírc. N ii<\, há gr upo s ertstocrancvs ('1.1 da grilnde
me. viste que aos see entes hnçadas não puderam ser eprcveí- hur~uesja que possam sequer ma nter a ma Ionna qu alquer de
U1d.3 oe dcscn\-olvidu pelo próprio dUetor ou r or OUlt()S em parn asianis:u". Quanto ,-, d~sseJ. qu e trab"a:all\ ce ai ~~ IIl"O S,
filmes po!teriores. o que nio ocorruia 5C o cin ema brllSilelro ojlerilrios ~ cam pcnesea. ainda lhes tait.l:n c"nsist ênoa e OIlSU
estivesse ttonómltamente mai, sólido . \ A análise enccnrra-se sulicientes par<l elaborar uma cultura que :: Ao seja fold ór : a.
auJm sobremaneira dificultada . Outro cbst áculc provém do Pode acontecer que elementos das classes op erária ou ca m-
ponesa se (orn em artistas. mas sã o sempre m divld ucs isolados.
Uto de ue os Iilmes ainda não conseguem ccmunrcar- se ple- cuja prod ução é logo consumida pe la classe eie dta. 6 qual pas-
CD com D .público c a (tÍtia. o que diliculta a avaliaç l o sam a se dirigir e pela qua l são absorvidos. T odos os \'a16: cs
~ Que e tu na sociedade brasileira o cinema que se culturais, tõdes as obras. da eustca popular .\ arqul:etura.
azenco. ai Iea ômenc é realmente grave porque um são etua lmenre produzidas pela classe média . A produção e
liUiie eta quando passa a tu uma vida dentro do o consumo cultural nestes li. llimos anos têm aumentado verti-
OUtro empedlho é • escassez d e ginosamente : nota-s e êsse fen6meno ta nto no es tudo hist6 coo
dIl.'&u.,DO Brasil : a falta de eq ui- sociol6gico e económ ico da realidade brasI1eira. quanto em ar -
lfeLide de cópias ( para a quteetura, litera tura. müsica. artes plástICas . tea tro e cinema .
conugul Y~r alguns liImu. A produção editorial. o n úmero de exposiçõe s. de esperàcu lcs
teatrais ou de filmes aumenta. apesar de as p essoas ou firmas
eu: iaexutlnda de que produzem se deba terem em geral com d Ificuldades I nan-
DOme. etc. cerras serias. Os dois principalS centros são S. Pa ulo e Rio
~erlicills\- de janeiro. mas o fen ómeno é de 1mb to nectcnal. pOI$ i ras

7
'''PIlllis sâo também focos vivos. e sse fenômeno t ref le xo seu crescrmemo. sua f6rça ou IhlhO de fOr.... que a flunelll
do precesse d e estrutur.ção que se estl verificando com a Sttl bom gOsto. ecnetdeea dc como prova de su perioridade. AI.
classe méd ia. demi r M ar tins d uenha pnltol: "nossos mtlho ru .rtiSta.s plás-
E vrden temenre . as con tra dições com que se debate Il e!a s- ucce" pinta m 01 motivos dos esump.dos da Rhodla: 01 tecí-
$C c edi•. sua ex ten d o, sua \;talidade c lU'" fraque tas. se dos e lust res de M y Fair Lad y. encantam platéi. s, Ne crne-
cc. ctC:II ~ cssa p roduçAo cultural. marcada principalmente pelo ma . êese esplrito t eeearaade por Jean M anzen, cujas fi tas
fato de que se us consumido res nAo t!m consciencia de sua si. são fin.nciad.s por grandes hrmas ag ricolas e princip.lmcote
tuaçio. de seus rea is Jnt crbsc:1. c p robl emas a resolver, pois lndustrl.ls: 0$ temas eedcaem-se a dois: quantidade e qualí,
co:'l$clencia soc ia l e in.:crbses podem não coincid ir. Aaim. dade. P.la _ ~c em toneladas de cana ou aço produlidu por
ao lado de sérias pesquisas sociológicas c do Interêsse público minuto ou por hora ou por di. (nl0 tem importl nw. pois
Cjue desperta m cada ve r mais. cada ver mais ta mbtm são o público não tem ponto de refert ncia ): par. construir til
~ :::l a colhidos a utores que pra tica m um vertamo mora lista. Ao objeto. foi usado tanto d mento quanto seria. necessário para
la do do rta lismo critico, coex istem d ivertiment o d e alcova e construir um ediflcio de d uzcotos a ndares: fala_se dos "adea,
formas surrealis tas de 1920. qu a ndo não rcmênuces do st- e évers tra balha dores e admiráveis técnicos-o A isso aaldona-
culo pasudo. se um pouco de poesia e muitas cõres: os colheiteiros de caft
Tudo isso caracteriza mais a formação de um merca do extbee ch.ptus mulrícclc res: o poltesurene incolor terna-se
ctl /tural do que a criaçlo de formas culturais próprias. Gra nde vermelho nas mias de M enscn : as pleteras ficam eebeveodas
~'r :e da produção teatral, litedria ou cL<l.ematogrlfica obedece diante das orquídeas e p.p.ga ios enconnadce num. favela
às mesmas regras que o desenvolvimento do mercado de luxo : sôbre o Ama.lfnas - desculpem. na " pa rte .qu!tiC& d. cidade
a arte deceeanva, a proliferação dos espelhos. de vermelho, de Manaus". \A Indi.na. nu m. curta·metragem épica sõbre o
courado e apites espessos nos saguOts dos crnemas. o rc - Punalro Pir.tininga. fu o hist6rico dessa "sinfonia do tra -
quinte p rc~res.sivo de vida de buete, a melhorIa da moda, li ba lho" q ue t a vida paulisa desde Anchiete at'" .5 vitr ir.l\'
pub1i=a ç~o de l'vros de cn!Jdrla cor.siderllda come uma be lil da (aSl de modo! RO:llta. ('..orno não senur-se Iene e segl,:rc de
a rte. o i ~ l'Í'so de wrl't'IC'. o C1ume.'lu do núe.crc dos clubes 51 depob dlsso1
d.e .calUpo. T a is fenôm enos ttm a meM:lIa ra iz. re5ultam ela Se os exemplos que o cínema brasileiro oferece dessa men-
~ ,
Mama el-"Oluçã o sccíal. E a ralnh.lj o desse mercado é a
.'
talidade se restringem 80S pseudCHiocumtntãr:os fin.nClados
por emprtsas e 8 poucos filmes de Hcçâc. como A M orte Co-
9u desenvolvimento da classe ml:dia é condicionado manda o Cangaço e Lampião. Rei do Cangaço. nã c é porque
1J)9r lIIUN rdaçaes de trabal ho e por capitais q ue n âc se enca n- "5 cintastas p retendem não se deixar contammar. t pcrq e,
a mios EiA é uma criação e uma serva do ce - devido à obstrução com que se defronta na distribuição e à
p'1 uencia J de sua vida. suas pOSlJbillda des de dese n- conccrrêncta dos filmes est rangelrcs. o cinema nio chegou a
vo • manilutam.se na s l'l)n~!l. nos escrit6rios. nas se impo r de!inltlvam ente como mercado ria . O teatro. ob rig. -
01 ai duos 110 I~ peças de um e ecenramo tcnemenee feito no Brasil por brasileiros. e de custo inferio r
uca~ totalaftnte A viCIa J9t" da fAbrka . do escn - ao cinem a. jA existe como mucadoria e encontra empresáriOS.
ai lõ a to ;;se argliii. f um intervalo. um mo- como O scar Orns!ein, que dão" peça o tratamento que recebe
lJõ U ~;fIu e a classe mé- a puta dental : .tlequaçl o a o gOsto do maIor número. ~ubll·
p. I de mood sempre: ma is cidade. sortelOl d~ melas ou perfumes nas vespera is. Enfim. a
:valorlzao b1a téCSS extuio- peça t tratada ccee um produto a consumir e o CUl~:,esiriO
(vimento. P ta r o fu o"11eceulrio para que seja co nSumida. E. nalur ente.
Ita cal e tra- grande parte dõ teatro bra.iJelrc apresenta .qul1u valOres
e que conllrm'tm luscetlvel. de agradar a um a platt ia. classe mt dia : com~ias
da classe média brasileira culta se mostra atualmente .p',1 ii
lc\'u em q ue a atri: muda de vesndc em cada cena e exte-
rioci:a seu talento ..tfavh de lIutos de dIl o: in terpretaçlo. produrlr e a consumir.
diI~lo. cenografi" 'ôllC obri$lcm o upectado! " reconh ecer I - Justamente porque a classe média se comporta cegamente
qu e "reahaen re. é mu.to bem ftJto • EsJa me.sma mentalid a de.
H
aspirando mais a uma vida e a .... tõres que Imagina serem os
ali',. jA ensee, como ~ normal numa grande parte do melo cí-
nem.ltogrifiCO bruilcuo : muiu gente penSA que se deve ESlcr
I d.s classes superiores. e des vtende-se assim de seus próprio..
problemas. a criação é pouca e fraca - o que não contracl: a
filmcs cm q ue se gastem muitos milhOts c que sejam de afirmação acima. segundo a qual o desenvolvimento cultural é
"boa qualidade "; fo/' parece, o pensamento do produtor de grande. principalmente em quantidade.• Inda que muito rnfe-
S odct9 cm & by.Doll. ,Só "tjuc htu cintai!" altâo poc en - _ rtcr ao necessàrlc, mas também ' m qualidade. SOo raetc dlIsa
quanto sem sorte. pois. para que &.se cinema .vença. t indis- gente eõda que anda As apalpadelas. que opta por val6res
pensáv el a ntes de mais nada que se considere o filme co mo opostos a seus Iraerêsees, encontramos uma camada progres-
produ to a cons umir c que se faça o neccsUrlo para que seja sista disposta a procura r rumos pa ra a a firm.ção d e sua classe.
consumid o. O cinema brasileiro ainda nJo tem seu O scar Ela se manifesta tanto nos meio, indu striais como culwrais e
Ornstcin, mas é provável que tle nãc demore muito a apare- erusnccs. Os valeres que se u força em cnar. as idéias que
cer. e C'Ilt.10 o p úblico teri um dnema que lhe dará u.r:n sa- emite. as lormas qu e tenta elaborar. en contram, no con jun:o da
tis!a tório re flexo de si pl'Óprlo. aprUC'1It4ndo-Ihe a qua Udade classe telespectadora [ exp ressâe prAticam ente sinónima de
e a q uantidade. c resse méd ia ), uma violenta oposição. Ê de U r=! a specto dos
Na introdução. de uma pagina e meia. do progra ma de trabal hos dessa vanguarda cultural qu e ten tarei dar cor.ta ao
u.r:n espetâculo musical de grande repucussão promovido pela esboçar uma interpretação do cin ema brasileiro de 1958 a 1966.
q
~~~rtsa Diogo Pacheco. encontramOJl OJ mesmos temas :
dede t quantidade de trabalho. Para executes esse espe-
-,
ticulo de - u u ema diEiculd.ule~, musIcalmente "dlfldl~ " , lo:
eXIgido UlU "t:'a balh::. intenso". "Enlrentara.ll.l as dilJculd.e.d u ". HERA NÇA
"eae pouparam ensaies", pata conseguir "a melhor o:x ~ c u ç 5 c
pcssfvel . O.~ blste menwla:I loram es«llbJdo$ entre o q ue
"havia de melhor em 510 Paulo" ( .,.. ) "pa ra provar ao pu- . De gn;po d e cineastas que. com se us Iílmes, pretende pa r-
bUco que possulmos instrumentistas de \qualidade~; lor a m ticlpa r de e eeüeue a luta que se trava para a afirmação de
llCledonadOJl af6ces WJ que "ninguém no\ pateteu melbor~ ; sua cla sse. quais sio os .ntecedentes cin ema tog rlficos1 E m
qúal:ttó ii excelente" C&.lltora. 010 bavia u.llJnguém melh or ~ . que estado se encontra O cinema brasileiro e q ual a situação
N Q sê uparam ulorços para real.J.zar um espeticulo à el- c ul t ~ r.l.d e um Jovem braslldro q ue pretend e dedica r-se à pro-
tura' pJat& que 010 deixou de e:DeoDttar no palco um d uçãc clficmatográEica1
refi (trgn dela. Se úWltimos na dtaçlo duse texto sem
.Q ua nto à sltu.ção econômtce , ruim. do cinema bra Sileiro
ponIz!.da e u chega a lU caricaturai de tio enfAtlco. é
porq 'lua Intzi ente em ~ da quantidade e da quali- f pr~~elra coisa a observar é q ue ela é a mesma qu e sempre
0 1. . •• 0 fII~e nadonal. sob todos os pretextos. en contra va
di o I~ em Wfi!1!ldo man.lle.taç!o lignilica-
uma resisténcla compacta e Iavenc!...el entre os d ist ribuid ores.
.. (fiiii
altal! e
vru
ldiã'; . Oe lato, 1Mior e melhor
pulJCilJ:S que reveJam uma luga -
I
amarrados que estavam ao monopól!o estrange iro. q ue avas-
Sl;la~. COm seus produtos o mercado brasileiro. de ponta a
di'. .e m .....v.ra NUS .proble-
a~'ã 9 alJdade
ponta : tssas palavras de Humberto Mauro' soam com o se
. •u lóssem de hoje : entretanto, elas se referem a acontecimentos
~~!r parte , Ci lidas por Aiex VWfY em IlIlrodH,flo tIO
I
a ntencres a 1930 : o (fac.u so da produç ão cincm atog rá fica de Ma s a tónica da história do cinema bralíleiro t o aso
au ra. esse t o tstado do cinema bra.sileiro. E!A m6 situa· Isolado. o filme l101&do. Encontrllmos. cá e lá. bani e impor_
ção económica decorre da invasão d e n O$50 mercado pela tan tu fJImes. como. Ga'l UII Bruta ( Humberto Mauro. 1933) .
produção estra ngeira, favorecida pelo conjunto da legislaç30 mas nlo encontramos. no Cinema beesrletre. a consltuçào e o
brasileira ; o lucro t muito maior para os distribuidores de f ilas desenvolvimento de uma obra contInua. Tudo isso (C,presenta
cstungciras. com os quais estio comprometidos os exibidores. muitos esforços e desgastes de energias. que se traduzem.
As poucas leis fllvor'vcis ao cinema brasileiro. a ltm de muito no cotidiano. pela inacreditâvel ag [eS'ividad ~ que rege as re-
prec ánes. não são rcspciuldas: os pedêres p úblicos ni o têm lações entre o, individues do meio cinEmatogrâfi to. Por is.so
lõrça para H:t-]a, cumpne. . T od4to os organismos ofid als a história hu mana do cinema brasilei ro é um museu de perso-
criados para trata r de assuntos cinematográficos resulta ra m nalldad es a margu radas e Irust radas. Assim. não foi pcssfvel,
f'rn pr êticamente nad• . SOzinho. o produtor brasileiro não tem culturalment e. desenvolver uma cinematogra ha. dar prosse-
condiçõcs minímas de concorrer. A con.scqutnda. na prática. gvimento II uma temâtica. crillf estrlos. Cada filme rep resenta
para o cineasta , t estar reduzido II ou mudar de profíssJ o. uma experl! ncla que 1'110 frutificou. A!' f'Xperitndas. tanto
ou fazer cinema na base do he ecísmc, ou produtir obras co- técnicas quanto de produçlo ou de cxpre~s!o , em vez de se
".rrciais. E conunuera a eer essa até que cOl1sigamos ccnq uts- acum ularem e enriquecerem , dep ereeem, e cada dtretoe tem de
tar pele menoS 5J % do eercedc nacional para o produto com eçar mais ou menos do zero.
nacIOnal. Assim sendo. II realidade bra. Ileira nio tem cxLstbda
Por ISSO. a história da prod ução cinematográfica no Bra-
sil nio se apresenta como uma linha reta, mas como uma cinematog rl [ij ' Décadas de cj nernr possibilitaram aos palses
séne de surtos eel vA rios po ntos do pais. brutalmente lnter - que têm uma rodução sólida trab llhar sõbre sua realidade
rl,l:npidos. São l'ls chamados ciclos. de cinco ou seis fil m e ~ e transp ô-Ia r ra a tela. N o caso. por exemplo, da ltãha. o
qU.3nrlo muitc: é Ca mp ir.lI~. Reci fe. C'..aUlguascs. Ii Vt>ra Cru: •
hemem. seu mete e ~u a prohlrmtt ica. foram ela1x>I':!135 llUI:la
Co ntluua atUlll rn ente a cu fada do Cinema N õvc. que .~e rá multiplícidêlde de aspectos por diretores. didlr'guu tas. loté-
:na ls 1.10 desses surtos. candidate <:10 cemitério dos c,c1~s, se. gr..f0s. l:l.:::si:;.:l~, erc.. c que criou -ic cinema U ,;1 " ltãltc fÍ<:a e
dnta ves. náo con se g u i rmo~ conquistar o mercado nacion::!. diversificada . O jovem Italranc que se preparlt pala Ieaer
--O, ~utore' independentes geralmente morrem de mor te " :lema tem atrb de si tOda uma tradiçiu eu e pode aproo d.
S otMY,' Luis Carlo.~ Barreto. que con'kguiu montar uma taro ou cor:tra a qual pode se revoltar, mas que. em illnbos os
es ru ura .(l produçlo, é caso nctôriamente excepciona l. Dt- casos, representa uma prévia elaboração e interpretação da
retores como Nélson Pereira dos Santos ou Wa lter H ugo realidade sõbre a qual vai trabalhar. O jovem brasileiro não
ouri ue conseguiram em dez anos. dirigir cinco ou seis tem nada disso. Deve descobrir e tratar não 56 a prcblemê-
ma U o caso ünlcos 2: extensa a caravana de díretcres. tica da sociedade brasileira. mas ate 03 manei ra de andar, de
e c . t6res ue, ap6a a estrtia, desapareceram do mundo fala r. a cõr do céu. do mar. da mata. o ambiente das cidades
I e t grilico o pllssaram para a televisão. ou parll o c- e do campo. no qu e. alias, pod erá e deverá aproveitar as ex-
a ullill tifi . peri!ncias estrangeiras. Isso não basta. pOIS. se helt alguns
I e anos teria sido suficien te uma desc rição da população brasf-
leira, é hoje indispensãvel que isso sela feiO em funçA('l tio dt-
namismo. dos problemas e das lutas do Brasil. Essa au sfnCLa
de .tradiç! o em hipótese alguma significa que o j ovem. bra -
slleírc se encontra numa situação inferior, ou maIs slmples.
ou maJs compUcada. que a do italia no. Trata.HJ li daas sí-
tuaçOcs essencialmente diferentes. só, N ão é II 11s "lltuaç Ao ex -

13
du ~iva do brasileiro; t a de qualquer jovem..qu~vtnha a
; . ~
ta , Os produtos culturais br uil e lro ~ nlo eram negados: sIm _
plesmente. para elas. nl o chegavam a existir. G anga Brura
trabalhar no Cinema (e cm muJ tWl outtOt ICforet ) em' qual- .. em 1933 passa totalmente d esapercebido. chamando exclUSI-
quer pais ~ul-americano ou africano. que .ti: agora:t~.ha sido vemente o atençlo de uns poucos amadores.
colonizado ou que tenha tido uma soberania quase qu~ apenas A au~tncia de tratamento cinematogràfico da rea lida de
formal. ' )'ll;~
, I': I, brasileira. aliada' mentalidade importa dora. te m um outro
efeito. Um cinema naclonal i: para um p úblico uma cx p e n~n ~
r- li ) tt
da únlca, pois i: viste com olhos bem di f e r e ~tu daque les com
MeS TAUOAOE IMPOll:TAOORA ,b,n••,..'.
J..o/r,
-eque I: visto o cinema estrangeiro. A -prod uç êc estzan gelra de
rotina não passa. para a plattia, de um d.ve rueen to. f ilmes
.1, ,.,( mais ambiciosos of erecem· se aos amadores d e arte como
O [o vem italiano que realiza um, fUme dlrlge.se a um eb jetc e que soHciram um bom funcionamento de s ua sensi-
p úbhcc que j& teve longo contacto com o cinema ita liano. que bilidade e de seu gOsto. Raros slo os ca sos em qu e o fil me
dentro déle tem as s:Ja ~ preferlnclas. e que Ja se viu na tela. estrangeiro mobiliza gra ndes setcres do p úblico d e váncs
S sse cinema tAmbto ! expressão do püblJco. O [ovem bee- grupoS sociais. e atinge o espectador no conjunto d e sua
aiieiro, ao contrário. vai dirlg ir.~e a um pühUco que n ão co- pessoa . O fjJme nacional tem c utrc efeito . e le i: oriundo da
nhece cinema bra~ i1tiro. Nl o o conhece porque que se nê c própria realidade social. humana. geogràflca . etc.. em qve
existia: e os poucos EJlmes que existiam raramen.te chega ulm vive o espectador: i: um re flu o, uma interpretação dessa re a-
ati: êle. Para o públtco brufldra. cinema i: cinema estrangeIro. lidade ( boa ou m Ão conscien te ou nl o. isso i: outro probl e.
°
S natural que pübUco. estando constantemente em co nta cte ma) . Em ã Korrtncia. o filme nadonal tem sObre o público
um pod er de imPs'cto que o estrangeiro nêc costu ma le r. Hã
com filmes estrangeiros e nunca narionals. tenha CO:ltraldo
certes h.\hltl'ls. D'JriU).te longo tempo. para amplos Ictóre.s de quase sempre nu m\ hl me nacional. Indep endentemente de sua
pü!:>lico bra~jleiro. cinema rutrJn glll-~e 3 'cinema ncrte-eraerr- quahdede, umll pr óvcceçâo que nã o pode deJXIlt de n lglr
cano. e êate sempre cercado de grande publi:ldade. se evca- uma reeçãc do .,úblico, TIII reaç âo não rCl>ulta semente do: cma
tn.lmente se exibisse um lilme braailetro (que não Iõsse cben- pMvoca çi o eecénce (pod e 51:·10 lambi m) . porq ue o filme na-
diada) . o p úblJco nl o encontrava aqu~que estava eccstu- cJonal implica o conjunto do espectador . porque aquilo que
DUldo a ver nos ",estern! polJcJaJs ou m !dla~ vindas dos estA acontecendo na tela I: êle ou aspectos dêle. sua s espeean-
EUA . O cinema. por definiçlo, era impo do. Mas não só o ças. Inquieta ç ões, pensamentos. modos de vida. defor mados ou
dnema era portado: Jmportava-st: tudo, ati: palito e man - nio. E ssa interpretação. consci ente ou inconscien temente. êle
til"g• . O BI.sil era fund.mcntalmente um pais expoltador de não pode deixar de aceitar ou re jeitar. e sse compro misso
"~~rlN~·i;;s pr as e importador de produtot manufaturados. As diante de um filme nacional. do espectador para com sua
f ' pnno pahtJente pólJUcas e ec0.ll.6mJcas. mas tambim própria realidade. i: uma situação à qual não se pode furtar.
turais e m pais exportador de mattri.s primas. sâc cbn- Pode recusA-Ia. o que IA representa uma tomada negativa de
ga r C.D e rtflexas. Para a opinJão públJca, qualq uer pro- posição diante da realidade que i: sua : ! a eeacêc mais corren-
duto ue su.2u cttta ...Iabevaçlo Unha de ser 'eltran. te hoje e.m dia. Isso não significa que qualquer filme naoo-
aiO. uanto OJ)aD&: mamo se dava com as !ites, nal leve o público l deeccbene de novos aspectos de sua rea -
9u~ tentan a. iffçlor de d ita de um pais: lidade. A produção nacional pode muito bem ter como hna-
• m ~, i.illtei ~tdectuais. lidade e efeítc afastar o. p ublico d e s ua rea1Jdad e.. A liAs. t o
• i1_
pi'! da-a. tra- que amlude se verifica. Mas. inclus.ive. nesse ultimo caso, o
e Irta Yf:Ii palses fUme naciona l retere-se. ditet8 ou indiretamente, l rea lidade
ut ti marca e (ultu- em que vive o públJco. Entretanto. devemos reee abecee que o
p bJko btlSJlelro desconhece tais expenênetee. Se omitirmos da de quando o dnem. br••l1eiro nio ex l.t~ O mamo se ~
.Iguns ra ros casos Isolados. 56 a chanchada possibilitou. de verlflca com o dnedublsmo. que se . limenta de cinem. es-
modo prolongado. lue tipo de expertêncíe. Expertêncte mais trangeiro e. portanto, criou Um8 ut rutura par a divulga r a ma -
do q e limitada. Asmm. o público nlo tem o hlbito de ver-se tl rJa a rU.Uca que lhe ap r(3enta bse cinema: teria stde leva do
n.a tela e as identl ficaçOu qu e pode fuu com personagens li se constituir diferen temente se nio uveese ndc. com o clne-
e s tve ções nunca são blueldas em elementos de sua rea lida de. ma com qu e trabalha. uma relação que se tstiola numa eae-
d e seu comportamen to. vida , sociedade. etc. e ta refa. e das nca formalJ:sta: '
:UI s urgentes. do dnema br&Sileiro. conquistar o público.
_A situação brasi!ei.ra. cm relação a cinema. l um tiplCo
E u .. ex pu ilncia . esse diálogo do público com um' cinema que exemplo de a lienação. A euvtdade cinemat ogrlfica no Bru l1.
o expresse. l fundam en tal pa ra II constituição de qualquer CI- no plano comercial e cultu ral. tem sido no sentido de aruta r _~
nema tografi • . pois um filme nã o é tão somente o trabalho de nós próprios. A rea lid a de brasileira só h mi tad a e tsporàdi_
ao .. utor e sua equipe : é ta mbém a quilo que dêle vai assinalar ceerente recebeu tratamento ctnematog eáhce. O púbhco r.ão
o publico. e co::'\o VII aSSImila r. e tlio rmpeetcrne. para qlle pôde cnlr." cm contacto com o cinema beestleire. e 56 Cll -
m fIlme exrata como oora. a pa rti cipação do público, como t rando cm u..Jloge com o pu blico c da ndo ccnnnuidade a sn
II do au tor. Sem a colaboração d o pú blico. a obra fica a lei-
tra balho os cte eas tas poderio construir uma cinema togra hl,
.ada. Por 1»0 a conquista do mercado pelo cinema brasileiro Sem o mercado l dispos ição da produção brasileira. tudo t
.ia e exelus rvamente ass unto comercial: l também assunto vão. E,Só1 é a condiçã o sine q UI: nOtl pa ra qu e o Cinema
cultura l a rusucc. possa ex istir \ omo a rt e c como negócio,

l!sse esta do C!I' ahenaçA" . exístindo e-a tto<io" os nlve ls.


d esd e a p!C'd ução c o eq u;pa l'u en to alt a C!!~ t r ib ulçãl) e a e rte
~ a he:an..a d o jovem brl\sileiro que c h<!ga 110 cir.ellla. O u-
tros..lm. êsse jovem eocc n tra uma situa çã o parrk ularmcnte
fascinante. No Brasil. processa-se a rtvoluçã\l industrial que
ati nge profundamente todos 05 aspectos da vída no pai s. SUr-
tos de cinema _ episód ico como o ba iano. ou ainda vigoroso
como o carioca - são re flexos dessa evo luçã o Um a real dade
vio lenta e agressiva . q ue não se d eixa ign ora r. vem solicitar
constantemente o cineasta. Grandes panes do p üblicc . que
ainda hã pouco tinha o ol har volra do para a cultu ra estran -
geira. tom am consc íêncta da cultu ra braSileira. N o me o c-
nematografico. o movimento de desa1ienação t rêpido. tanto
da parte dos autores, eécntccs e etõees. quanto da parte das
entidades de classe. cu jas pcsíções são cada l fffal d id c n-
tes e coerentes. como também é o ca da~ ~n stl uiçOfs
culturais. dos cineclubes. das unN rrí'daCl e lia critica .
asse cinema feito por cinast 1 riu fa n e
mtd ra que tem po~lbllidadea aflf a !:

c que simulc!nu menCc se solapa. si própria. êsse dncma sem


ttllldiçlo c que nasce num paIs subdCUIlVOlvlclo c~ . meio a
con flitos vlolencos _ pais cuja ptrutura range de alto a baixo
e em que as p.Javru im~ri.l/.Jmo e naclonalumo,:aAo pro-
nunciadas por todos e recobrem Idtlu c fatos dos ,mais dí-
versos e (oDIlad/c6rio', pais cm que aS massas popularu co- •

-
meçam « lcr certa f6rça de pruslo - , bst cinema, como H
Q uais os rumOS que tomal Que formas crla7 Que realidade fo-
caliza? Q ue fo.rças apoia ou combate? Eis .s pc.rguntas a que_
se deve responde r, ou seja : Qual t o homem qu e ncs e preeen-
.. - • •
,
A Procura
a
u o cinema brasileiro. que quer. pata onde vaU a perg unta
fundamental. da Realidade
d,n hCltO, se m cueene de exl biçAol T a is eram as perguntas e ínterpretaçêc da real idade, a fila apresenta um phsimo nh'cl
qL: C s ur gia m de norte a sul do pais. tecntcc : às vh es O matulal foi escesso pll rll a montagem: a
AruIllda documente a fuga dos escravos e a instalaçiio fotog raUa, ora Insuficientcmente. ora ex cesatvarnente txpou a.
de um quilom bo na Serra do Talhado. A fuga t evocada pela oferece choca ntu contrastes de luz; a faixa sonora epreseu-
andança no deserto de uma famllia de camponeses de ho je. ta deíeucs. Mas nl o en tendemos ta is falh as como sendo de.
Xoro nha descreve um ciclo econó mico p rimitivo: os homens feitos: uma realidade scbdesenvelcída fil mada de. um modo
pla ntam algodão c. qua ndo passa o te mpo do plan tio. a s mu- subdesenvolvido. Devido a su~ s debci t ncias tecraces. Aru.. nd.
lheres fazem cer êmtca. c trocam-se h scs produtos. numa feira foi 18 vtzu quali fJc~ do de primitivo. O re. não t nada dla.so
IOIlQlnqua . cont ra gl.ól.Un$..de primeira ncc,ujd.de.. eo ciclo O primitivismo se caracteriza mltis pela ing en lllda~ .Q._ do
e do modo de reprod uçl o da realidade, e não Implica numa
econômrcc que fornece: ao fi/me sua estrutura . O documenta-
ria. portanto. não se limita a mostra r flagrantes d e uma vida ttenia defici ent e e slmpln. Se hã algum primitivismo na (lia.
a trasada. mas prete nde apresentar o mecanismo dessa vida. êsse nlo deve ser encontrado nis ddicltncias ttenicas ou
Logo . trate -se d e uma fita que csti no caminho do rea lismo. na rraU,'as. mas em algumas tentativas de virt uosismo: foto-
~ oronhit ultrapassa ~licamente a txposição de um mecanis- graEla bonita. cAmara baba e figuras em contraluz. e sse. e
mo económico. e le tem a intuição do deserto : a terra sêca e outros filmes brasileiros loram ehe medc s de prim itiJXIs porque
a pl:uonagem principal da Elta : a farinha branca. que serve se quis encont ra r uma desculpa artl.stJea tan to para a temlltl-
de ahmento,. t da mesma natureza que a terra : a lama. te rra ce-quente para a ttcnlca, uma desculpa por parte d. cultura
mIsturada com um pouco de Agua. t uma fesla ; alias. as se - erudita e Idealista. No caso. a insufidtncla ttenta tornou-se
qUlneias de cerlmica esti o entre as melhores. O documento t pod eroso fato" dram6tlco e dot ou a fita de grande agrusl" i-
ennquecido pela compreensão Intima das condições .de vida : dade. AruAnd" t a melhor prova da validade, para o Bra.d1
"!'nhuma necessida de de apresentar em primdrC\ plano rostos das Idéias que prelfa Glauber Rocha : um trabalho feito lora
bll: l ados para eosrre r o h"mem; planos ea êdrcs. ciclo eco- •
doa monumental! est édlce que resultam num cinema indul-
n6:r.;o:o primi::vo. tertll slca. wo ruaiS ~oq ,i( n tes . Noronha res- t: ial e falso. n~da de o!:quipamer.to rt':.!I3c!O. de rehAtrdore.s J~
;'Je:ta A real.dade til como A eneontr8 \, tudo foi lilmaco ir. loco luz , de refletcres. Uni corpo a corpo com uma. realidade que
e I com~ exute hoje: a musica fui tocada p OI ~ u sicos locae nt"da venha a delcncar. uma ..-:Imara ne mão e uma. idtla na
~ .9f1,vada i" loco. No emento. e Jssô 'là~ era da , malc r cabeça. apenas. O que f~ z ul Aruanda o di zia. Como fuer ?
1!!JP.P'rtl ncla. Nor onha nlo t tlmido di4nte dà realidade : não T ambtm o dizia , A euforia era justificada : para fazer einema.
ec i torol- ma compreensJvel atravú de um esquema nAo se teria de esperar qu e as condições (avo rheis viessem
al:istra evec r com homens. atuala u m eccntecuaen to do
bastaria arra ncar um dinheirinho de Instituições cultura s
li o p.! i. e eeer lU pouco o ritmo de uma mUSI-
Em r r u do l._ lJu.r um trabalho de cunho ( muitos dos documen tArios mais significativos dessa tpoca
Ice ntrop'!!: I e a!alnada. Noronha fiz nasceriam .Ii margem da prod ução dnematog rllflea prõprte-
menee dita, de verbas de Instituições ex trac inematogrA fkas.
lI
i1l!liiiJõõ!
~ tiCO e o e uma(ili~rtaçlo. a fu ga
.I~uns paulistas tentaram de un s anos para cà sistematizar
Ie r e P.a matei a ontedmmto que seria
lilme DJ~ua. Ganga êss é tipo de prociuçlo I e as ddicitneias técnicas expressariam
a na b.o " fJJ1Ib i DOUO subdutnvolvimento ( na da de fazer c!flrmA p.ara Iesrl-
.. arlos tila e vall l . COou... lae mito. Roberto SanJos.. (01 um. dos raros
erl Palmares "",•.!,;..!.~. .ta. a ee m&llifutar. B deve-se dizer qUJ: b111 ~eflcil:n ­
m6õlo de 1Jber- la. tiveram fun~o dram'tlca exdus~vamente cm A,ru.. nda .
uptctaClor D o i:lelxa ""~" Dlfràl ~ fua chegar uma fita nacional de longa metra-
umente CI to gem a um drculto comercial; Imposslvel. uma fiu. de curta
I
cinema que não chegava ao grande público; era todo um ClO-
metragem. Então, h!c cinema não se dirigiria. po r.,cnqua.f!.o. a vimento cultural e pctnree.
sa las comcrdaJs ma, atingiria o publico por; int~gedW~d~~ .l
cineclubes. dos ~encroJ popúlaru de cultura. da, al ' " t5~ ~
de d ....e c de bairro. A soluçAo era cdar um d rctll" ,f lclo .
foi inEdldo, mas nunca chegou a se organ izar. Ai. ~ ~on~~ CINCO VtzES P " VEU,
ções de A ruandll com o püblico loram das mais . eJ~~~tivas.
mas nia 5OubemO$ cntendf-las. A euforia provocadd: pelo
filme. mais acentuada em S10 Paulo que no Rio. não@'albll.
de lllll circulo de p U JOU dluumente LDtueuadas p~I~ i ,:!laçllo "
[pensava-se em criação, • partir do nada) de um, :tultura
adequada a evolução do Brasil. Mas nem. um püblico, de tine-
ma cea colUcguiu entuslasmar·se muito. Quando projetada, em
se.não especial dedicada ao dnema brasileiro, num liceu Ire-
qüentado pelos filhos da alta e média burguesia paulistana. a
fita n Aa loi compreendida : viu-se uma fita mal feita e abor-
re cida . apesar de uma lir da música. e a dominante do debate
que suc edeu" proj eçio foi : "Per que mostrar sempre a ml-
stcia1 O Brasil não é apenas Isso." A alta e média burgudlia
nlo queria entender a fita. e daJ1 A, colsu se fariam com ou
sem ela. Seria melhor que entendesse. pois assim pagaria en-
tradas. Multo poucos entenderam. naquela' época (1962]63).
que. se a burg uesia. e prlndpalmente a mEdlôl. nlio entendia
ou nlo c;ueriQ e..., tender o dnen.ta que ee faziD.. era prohl~a da
burguCSUt. mas tambtm do dn~. E. tah'u . ll iJlda alIora. •
1967. peuccs e:ltenlhm. Quando Anuanda foi proj etada no
Sindicato da Consuuçl0 Civil de São P~~10. eujc s membros
. ão em grande maioria norddltinos. foi )pem acolhida . Es-
pectadores se levantaram. entusiasmados. para. dizer qu e era
prtdso. mostrar essa fita a todo mundo. aos que participavam
du atlvldades do sindicato. e aos outros também. A fita tam·
P.2Yco flha entendida. O ent"·1umo foi u:clusivamente mo-
tlvaao dls n gütnctas da cerlmlca. por apreuntatem técni·
ca, qu niq, d.uenvolvidu no sul. O que a fita pretendia
, !~O~E6ia j;:omun cado; tal manifestação era tambtm uma
:i66re ~ e dnema que poderia atingú o pü-
ue Vil aos dnu.br. Mu. use, 116' o en-
aDOI muito te Dó funClo: 'DIo dimos im·
a 'PudO ~ \lntcndido
se diicma ue não
apenas o

23
des estudan tis. A ss im. Cinco Vtzu Favela poderia ter sido dade as.stptlca que per mite uma comp reensão e uma mterpre -
o inIcio de uma produção que escapasse aos canais da cultura taçlo única : a do problema enunciado. Altm disso. o problema
olicial. Outras tentativas - como aquel.. feita pelo CPC de tende a ser ap ru entado junto COITo sua soluçoio: o fa"dado
São Paulo no Srndteate da Coustruc êc Civil e liderada por d e Escola de Samba Alegria de t· ioer toma conscitnc a de
.\la urice Capovilla. que chegou ii completar as filma gem de sua alienação e troca o samba pelo sindicato. O rcsult..do
um documentá rio sóbre a vida dos pedreiros e serventes em d essa estrutura dramfltica simplista não era um convite ii poli-
São Paulo - nãc vingaram . tização. mas 1Ii.m A passivJd..de. Pois o espectador nlo tem
O CPC pretendia. por meíc de peças de teatro, filmes 011 d e fazer o esfOrço de extrair um problema da rea lidade apre-
outras aliwda cies, levu a um público popular info rmações sen ta da noJ.ilme : o problema està enunctede de modo toio ce-
sõbre sua condiçio soc~l. salientando que as más cond ições tegórlco que nlo admite discus$áo: e. se se quisesse drscuu-je
d e vida d ecorr em de uma estrutu ra social dominada peja a realidade do filme não forneceria clementos p.ara tanto O
burgu esia. T arefa de ccnscíentueç ão : deve-se ir altm da des- espectador tampouco tem de faar- esf6rço pa r", imagInar Ulllil
crição e da analise da fta lida de . 8 fim de leva r o pcbhee a so\uçlo : ela t dada. O espectader absolutamente nlo t scll-
at ua r: a Sltua çio nio nlUda rl se l le nio agir para transformá- Citado a participar da obra : a \mica coisa que se exlse dêle
la e só êle pode su o motor deua trans formaçã o. T ra ta -se t que sente em sua poltrona e. olhe pa ra a teta. nada ma!.&.. E
d e po lrtizar o p úblJco. Essa mJlitlnda t a finalidade de C inco .só lhe resta uma altunativa: negar o filme ou eatus .asraar-se
V t .:u F allcl. : o ladrão da fa vela nã o t ladrão porque não com êle. O espectedee encontra-s e diante d e um (Ircu[:o fe-
queira trabalha r. mas porque nio encontra servtço e p recisa chado: a realidade .só se abre para um único problema. que
co mer: t a soc iedade que fa z o la d rão (Um F. lIefa do ) . Se o eslfl apresentapo esq uem Atica men te: o problema tem uma unlca
Iaveledc nio tem onde do rmir t po rque att os barracos da solução po.sltl\fa. que ta mbtm tstll ap resent6d3 uq uemflt .
favela pertencem a um rico prop rlet!rlo qu e dispOc de seue mente _ e a Situaçã('l piora a ind a qua ndo a sol Ul;io t tão
bens ii :oea bel prazer (Z i da Cachorr.a ) . Se o Ia vela de drseunvel como no eesc d e E.~~ do:. Sa",!>.1 A legr r.. de V wcr.
p reoc upa -se :r.a.s Cl:l or~pni:.,: <IS Iestas dOI escola ele semba I) filme Ieche-se sobre s i prc pno. e c espectador. IÚtI tttn&
:;UII partiC'!p&çl0 a acena r 011 recusar. hca de ior",
do que ee p.lftlCi?41 d... vicloil slnd t'ill p..ra alterar ti soccda-
d e tu do fica ra na mesma (Euo/II dr: S .!fTI ha A legr ia d e Tais pcsíçôes evoluíra m vi olentamente d esde entã o, le-
iVllIer}. . .... vando a utores de Cinco Viz es Fa ve la a poSiÇões antagOn ta
or an!o ecnsctememente. jov ens dlrerores [salve J03 - As a ssumidas naquele filme . Longe de pensar q ue o prc-
to qu e flzua C ouro d e Gato a nteriormen te ) rescl- blema ceescíência -altenaçâo deve se r resolvid o pd a própna
zcr '1lta s qu e politizem o p ublico. T od os inid a m seu persona g em. Lecn H irsz man a cha hoje qu e o melhor. para
com 'lima detuml:lada vido da scctedede Ja esqueme u- °
at uar sObre pÍlblico. t deixar a personagem al ienad a e levar
prol) em., ue provem mais de leit ura de livro s d e tal a lienação II u m clímax. D iz G la uber Rocha : " Foi Lecn
~~~ogllo u (le em contacto direto cem a realidade qu e iriam q uem me falou q ue a melhor lorma de causar impacto para
fa J . s Utórlas foram elaboradas para ilustra r a desalienação era deixar a s personag ens naquele g G I.l. d e a lle-
"",,'3 p rcconce!:iiCfa s tire a reaIJCl.adt, que fiCOU assim es- naç!o e evoluir com elas att o patttJco. u ~tttlco qu@ .
r v d . umaga r uq\llanaa abstratas. N"lo se de ixa provocaria um lmpacto tremendo. e por esse eee cr iarl~ .
uhãiCle a mtJIo ltilli e [maiS rica. mais com- uma rebellio ontra aquele estado de coisas ccS'ntra a a lfe na-
ex Cl q s a . a realiS. nlo iJ! margem çlo dá. pusoaagens"'. A assimilação da d la at tlJiií d e
uaJ" ee p. ta I ltiii Oe a o dó. e chega Bettolt Brecht nlo esti alhda l eypl4,çt] d s Idt lái
ar. CI r: Ji !iiVtJI da especlj enle para o
I ncJ ment m$Uls1raçlo. l! uma espkle de rea li- 2 No livro D"II e o Dido IUI Ttrr/3 do Sol. 19M.
AI~m do Rio de Janeiro. parece q ue Cinco Véus FlllJtla " e Paulo Cése r Saracenl escc tceeva de indignação. O bjetava .se
010 encontrou u ibiçi o comudlI. Quando apresentado. ecn- que o film e corrta o rnee de tornar-se uma tllrda de . enee-
scsuiu ececarcee-se "penal coe um pUblico. principalmente • menda. ru üuda·friamente como um trabalho escolar. fica ndo
ts:udantJ. que JA eslava pecetc para aceita·lo. Fundonou um o autor de fora d e sua ob ra. Os filmes poderia m ter um ecn-
pouco como um d esafio estudantÚ ou como episódio fes nvc re údc consciente que seria uma tomada de pcslçâ c ante a rea -
de um comJcio. Ma s i um filme que nlo en con trou seu p úbll- lidade brasilei ra. mas essa rea lidade nunca seria atingida em
coo c ase !lia $Ómentc por falta de dis tribuição comudal. profuodidade7 o que forçosam ente viria a pre jud icar o poder
~ bom que Cinco Vl tu F. ~1A tenha sido feilo , c que de comunicação das obras. T ais problemas fora m hOJe ulrra-
-un ha sido> feito assim. porque poseibllltou experimentar u ma passados -na f.ltãUca. tendo certos "diretcnrts conseguido uma
série de tendêncres. E m tOrno do filme diKut1a-sc se o ci- síntese entre uma vontade de expressão pessoa l e uma tomada
nema devia ou nlo apru en UI soluçou. se ua vüve1 colocar de posição diante da sociedade brasileira.
um problcm.ll a um público c aãe apontar_lhe a solução. Dis- A primeira vez que entrevi a poSSibilida de de eeallaar-se
cutia-se se ee d eviam formula r mensagens explicitas o u, ao essa etntese foi numa conversa com um dos autores de Cinco
contrário, se ater mais Ai análise, deixando a o põbltcc a liber- V élu F a llela . Conhecia pouco. naq uela êpcca . a Lecn
dade de formular por sj próprio os problemas. Prcoc:upaçôcs H irszman. Fala ndo eôbee o filme de Naguissa Oxima . Taiio
inlantiS. que no entanto se jusuficam. pela necessidade de no Hacaba. Bosch e Goya. percebi o quanto H irszman era
uma comunicação imediata com o publico, de uma ação urgen- ligado 1 idt ia de dutruição. de definhamento. o quanto era
te. e que tambtm relle:~m atitudes que ultrapassam o I.mbito seduzido por processes de desintegração do homem . o que
do Cinema. Discutia-se se o a utor devia abdicar totalmente de cO!1trastaXê com a imagem de si pr6prio que Hirszman apre-
suas inquietações pessoais, renunciar a luu uma obra que o sentava em'püblico : um comportamento dos mais raciona is e
exprrt~.)$:;e como aeuste. para dedJCIlr-se a fiImes.,..s6bre a equillbtados. guiado por exclusivas C1otiVaçOes poil!ka s
realidade cxrence .- sacrificar o artista ao llder social. HirszmAn cOntoll-~e dOÍ! argumentos que te ria" maior mte-
eêsse em fHIIl":. Um dêles dizia I'c'>peito ec trabalho M~ mir:a:<
de Criciu.cu . d,jadc !.Junca : o trabalho provoca no minerrc
ao cabo de poucos encs. uma doença puhnor.ar. mortal e con-
BAn·PAPO COM LEON HIRSZMAN \ taglosa: quando se considera que o minei ro não estA maIs em
condições de tr aba lhar na mina. I: devolvido 1 sup erftcíe e
tem de procura r outro serviço; no en tanto. não hã outro ser.
viço e o mineiro não tem outra solução senão voltar à r.lma
existem minas especiais para êase efeito. em que só traba lha m
homens condenados: o único meio qu e êsses trabalha dores en-
con tram pa ra sobreviver e a limentar suas fa mllias t morrer
aos poucos. O outro argumento referIa-s.:: a algas em decom-
posição encontrá veis no fund o de alg uns pAntanos da A m.:uO-
nia ; tais algas. raras no mundo e utilizadas para faz er dete _
minado rcmtdio. slo compradas caro por laborat6rios nort e
amlUic.anos; homms mergulham para apanhã.le s. mu os! não
voltam ; freqüentemente,' os que voltam são assalta dos e a s
vhes assassinados por ladrOes q ue se apoderam d fru tos
do mergulho e se mc.arregam de venda aos laborat6 os nc
emento. nessa reg ião em que OlS posstbllld es ~ trab hOi

27
são escassas, seduzidos pelo alto valor das algas. hã sempre
can didatos ao mergulho. o qual nlio tra: riqueza e resulta cm
geral na morte: ma is uma VU. cm sua tentativa de viver, o
homem encont ra a morte. ~ ss es argumentos ofereciam a
H lrn rnan ~i multAneamen U: a possibilidade de realizar filmes
sob re seus demónios pcss04lls (tentativa de viver que resulta
numa degradação da vida e na morte. os ambientes fechados.
a p risão. a eavema] e sébre uma realidade subdesenvolvida.
sõbre a exploeaçâc do homem. sôbre- o imperialismo. As duas
perspecnvas se enrtquecenaei mutuamente: esses temas possi-
bllllariam uma evclu çêc individual do autor e uma captação
sensível e rnturttva. como que por dentro. do homem. de sua
Marginalismo
sit uação social. da pa isagem, etc. O resultado depende evtden-
temente de coce ser iam rea llzlldo, tai, Irlmes, ma, os argu-
mentes of erecem pos' ibilld.du de evolução qu e o realismo
à la C inco Vêz u Fa vda impedia, Leon H irsz man jã conse-
guira esboçar de modo suguti vo êsse imp.u u . da luta para a
i30brevivtnCla que leva .ll e cne. em Pu/uir... de Sio Diogo.
.pQis li favela era construlda sóbre li pedreira. O trabalho (a
5ObrcvlVtnoa) consistia em extrair as pedra, que sust entevem
o, barracos.
pequeno bu rguh estA encaixado. A classe mtdia vai ao PO"<:l
pul,r t pr,UiCllv, um' aplHcnlc politica libera l que possibili- Paternallsticamen:e, anis tas, utudantu, cepeClstas vê c lazu
tava II ascensão da massa. Entre hses dois fo gos - maua t cultu ra ara o povo. "Quando se fala. em cul:ura popular .
burguesia _ os artis tlU do tinham alterna tíva t só podia m • acentua.~e a necessidade de p6r a cultura a servIço do povo..
escolher a massa, (.nto mais que .. ruoluçio de ':9un, dos Em suma deixa-se cla ro a sepa ra ção entre uma C,~ltura. des h-
problemu do povo. como " devaçio do pod~ . aqUisitivo e li ada do ovo (,.,) e o utra q ue se volta p a ra êle .: assIm ex -
conseqüente ampUaçio do merado .interno. :-'':1.& fortalecer a ~ress-a F!rrelra G ulla r," como an tos ecoes. essa arucde. al9u-
burguesia-indus:riaL Portanto. n isua a pou lbl!ld. dc de fa lar roas páginas depois. nUala tentativa de cor~,ig~r a evidente con-
ao povo. de resolver O.! problema, do povo. de dar .cultura ao tradição. a,rdce nta. como tAntOS..DJ.Iuos 1 nao apenas produ-
po \OOo, nUlII sen tid o que vresse .. favorecer " burguula. Isso, no zindo obras para ela [a alusa ) como procurando traba lhar
ent ant o, uri" por demais perlgoJO se nio ~t tomassem .as de- com ela" (os grifos slo de FG ). o que não alter~ em profun -
\/Idas precauções. e .. burguesia nacionalista vai for jar um didade a ati!ude fundam~al e só vea exterlotl zar uma mA
conceit o de povo que a 'solva tOdas aI d úvidas e que ser! in te- con.cif:ncia qu e quer esconder.se. esse sisteala da cultura
gralmente enca. mpado pelo d nema brasileiro. Quem é Po vo para t excelente porque, ao alesmo tempo que poss ibibta uma
0'10 Br,slf7 Re, ponde '1 tlson Werneck Scdré . todo, os grupo' elcvação. mais teó rica que real. do níve l cultural do povo. per-
$OCia" - empenhldo, ta ' OhIÇJ O objetiva das tarda, do desee- rnite que se difunda ap~as aquilo que interessa difundir ou
volvim ento progreu istl e rtvolu cionirio~ do pais. Elimina m- sejl'l, o que int eressa A pequena burguesia e A grande que
se do po~"o ~ bllrgllula representante dos capitai' eJtrangeiros controla in t eg ral m~ te 3 primeira. Assim, vemos que. por
e o, !.uHllnd,arlos; integram-se os op eráric». os camponesu exemplo. as questOCs de apontar ou nio soluçOCs aos pro-
e a pane da al:a , mtdUl e pequena burguesia que t desvin- blemas coloc:a.4os. ou formular m~sagcns expUcitas. nlo eram
culada do imperiallJmo, e que se: outorga a funç10 de líder.
realmente q uestOO· de dram.tu rgia. mas antes manifutaçOes
EJi r:llna m-se t.)m Mm. DO mesmo ato ldglco. os conEli:~ entre
de umll e ut ude P"fttr.3Ust<;. ,:uJll tinalicade t coutrola ~ a
a D l1~;ues:a Jndu~~riaJ naciona Us ta e 0' trabalha dor~ urbe-
1:0' t. ruu. :s. A ouríl'Uf'$í.:I indu,:rial t U1bu e 05 cinta,tas bra-
m....,
s.:/eirc, ~".tI: i:rã o O! dC'\'idos cuidados para qu e da não seja E. p.. t..-rll.:l :uti~aa:.c.""\~o:. o cinema b~asi!tiro var t! a~r ece
posta em ques~io nos !lImes. e paza que tampouco apa reça m r problel:lIlJS do povo, P roletAdO! sem defeitos, camponeses es-
os operários. que não poder'.am deixar ~de ser relaciona dos iomudo." e in justiçados. hediondos la tifundiArios e devesses
com a burguesEs. tudo iS50 sem ferir a er tação poUtica dos burgueses invadem a teIa : a classe média foi ao PO\'"O. O len6·
Jl:dues de esq uerda. eenc nio t nõvc. é delico: ocorre seopre q ue a pe q uena r-
Outrossim. quem. la:. arte no Brasil sã o setcres d e uma guesia, marginalizada. nio pode ma is confiar integralmente
.d asse 'IDtdUl que MO consegu.iu elaborar p.ua o pais m pro· numa burguesia sem perspectiva . Vaeureh Chacon come::ta ·
"etc de evoluçio econ6mJaI e IOdaI. t uma elasse marginal " N os últimos tempos surgiu uma nova ten dlncia: uma kJ• • 0
r. çio .. burguesia c ao proletariado e campesinato. e ela povo. quase nos mold es dos populistas russos do fim do se -
a para 9uutiOJlU fue marginalismo. A vanguar· culo passado. como Lavrcv'' " O s rom1nhcos l ranceses 'se
entusiasma ra m com f:sSC5 operârios poetas. A lhandre Dumas.
COlI otPdo.,pc:rapc:c:Uvu populares:. c assiDt,i1an - Um.rtine. A lfred de V igny. George Sand os recebe m em
da CWtv.r8 popular e loJcI6d~ E ra seus satocs, e George Sand chega a escrever ao pedreiro ar-
o dllCDYõJVtaiGlto da tese conforme a lu Poncy : 'Você pode vir a ser o maiOr poeta da França ,,'
i&tIiI. ~~o~ campo· ( .. .} Durante alguns tempos, hcar-se- ã de jOf:lhos diante do
Iive' tõdos aq~es q ue
Eli q ue a Cllltllrll POSIIl to," QIlISf&:l, tlICrito em 196 ) . Os Jl'if(lS lio meus.
va, o 4 Hisldr itl dllJ /dlill' SocillliltlJJ "lJ BrlJsff. 196' .

31
opc rJ rio, que se terne uma pusona gem importante e nova 1965). G.. róto de Calçada (Carlos Frede rico Rodriguu .
na vida econ õmrce. po]i!lca IC cultural d o paIs " : hã pouco a 1965) . etc.
m:Jda r nessas palavras de Benigno Cat eres.' para adapt,) . las A Esses marginais opõem-se outros: 03 grã -linos. ASSIm
ti sItuação brasileira. como os primeiros 510 geralmente bons e, se: perturbam a or -
dem ou atacam a p ropriedade. sua condição social JustifIca
Um povo sem c perãncs. uma burguesia sem burg ue~es ludo _ precisam comer (U m F a lleb d o. O A~sal to ao Trem
mdust rrats. uma classe media' cata de ra r ~C$ c que quer re- Pagador) - , os OUlros $Aio definitivamente maus. As repte-
pres en tar na tela seu marginalismo. mas sem se colocar pro- _~ e n Ul ç6es da alta burguesia são em geral deliC IOSOS quadros
blemas a Si própria e sem revelar sua mâ consciência: isso dá pr tmitlvca. Os cineastas que reconstruíra m os a mbientes gri-
cm cinema cujo her6i p rincipal serA o lump e"f!!l'co]etarlado:'" -A fmos nada sabem sõbre fIes, e isso. aliado â necessidade d e
!:I' -ela será a melho r fre nte de hatalha : o Iaveledc t um mar- uma apresentação critica. resulta em bonecos q ue têm ora uma
ginal social. t u m pilria. a cusa a scctedede vigente através de c{lra mA e fechada . ora o riso do-cinismo e da hbt.rtlllallem:
s ua indigtncia. e portanto !lio obriga a enca ra r abertame nte vtvem em ambientes acintosamente ricos e d e mau gOslo; s.lio
problemas de lotas cperánes. Proliferam {t êerec extr ema men- cerca dos po r qu.. dres abst ratcs, livros fran ceses. comprida s
te relan o: não significa que haja muitos fl1mes. mas que se- piteiras, uísque e mulheres f.fIceis. carros ccnverstve rs chd05
ja m re[ativaml!'ltc numero~ ; devido ao fraco desenvo lvi men- de louras. O grilei ro de Z é d a C achotta t encontrado eel H II
to d o cinema brasileiro. IS lendfncias d evem ser d etectadas lilling-tOOm. pelos Ieveledes. que vt m reclamar a respehc de
a!ravts de: u ma quan tida d e insuficiente de filmes; prolifera m seu barraco. com uma mulher seminua, em compan hia de seu
po rtanto ). os Mmes d e favela . Alt m de Cinco Vl!us F a l'e1a filho. cuja a~nte tambtm estA seminua. e o Hlho pergunta
e de i:Hj meros filmes de curta metragem. citemos 03 a mõres do ao pai se sabe qu e ho ra volt.a a mã e. Um filme de esquerda
mocinho cil::l5ado G imba ( FlAvio Ra ngel. 1963). es .ecepítces que vai busca su ,) concepção da I\lta burguesia em élXln
de C 4 HiJlt<> ao TtcT't Pag.:xJot ( Roberto Fatlu, 1962 ) . os ReJrlgll u. Tr.tll-se d e ex por os grãAi nos â deprt.ciaçâ<J pil-
:"'arglllais batancs de A Gttmd.. Fl! it~ ( Ro berto Pires. 1962 ) . h!J: a. Es!Oa \'loo,!o in gln ua e naàa rea lista do 2rã .!lni!mo ee-
')li '<lóllbi:m. O.. .Y.efldipos ( Fl.ávio M igiia.;:d~. 1962). Se ar- su ltA da exdus;vl1 im<lglnaç.:to dos autore s e n30 esccede 3-
g;~::I l i n os filmam no Brtl~ j I. os conIlit' ,s pollticos e rel ; g ioso ~ de: s ccrete asplraçi o. que perruanece viv"", cm qualq uer grupo pe-
edro e Pa:zlo ( A::Igcl Acciaresl. 1962) serâo arnbrentadcs na q1!ello-burg ub. de, um dia , alcança: êsse nível d e vida. Co:n
f ve1a; os franceses: a favela abrigará os~Ore:s mkicos de um gOsto u m pouco ma is sóbrio, mas na mesma linha, é êsse
tf.tu a .rlal ( Marcel Camus , baseado cm peça de Vi- o retrato da a lta sociedade que eacont raeics nos Hlmes de
(lUS CI o raiS. 19S9 ). e L'H omme de Rio {P hilip pe de Walter H ugo Khourl. ou em O A,s ;alto ao T rem Pagador. A
61 n o Clé{ur de lazer uma vlsltinha à favela : o MOtte em TréJ TempoJ {F ernando Campos. 1965) . ou E,,-
ç • lav das: tambtm sed uzirá o sueco Sucks- coruro com .. Morte ( do portugub Arl ur Dua rte. 1965). ou
b4i • Havela da ta mbtm a ita lia na OJ VencidoJ (Glauro Couto, 1961 ) ou ., . Mas. evidente-
r Tu u. A (aveia é tanto mente. atrh d essa sãtlra epídéernlca a burgueSIa permanece
Or ao Cárnaval como mtacee. sem um a rranhão.
r
, 0 leillv de cinema
em 65 m tra que a
ue e iüCJãm no crne- A GRAN DE FEIRA
u na 5 UO$ d e: ló
' f I
vUl sind icar? O problema t agudo. mas afastado. C h..ee Dl~ho.
0$ comerciantes. OS tta b.\lhadoru , fica paten te em -A Gr. nde a personagem masculina mais u dU lorll. e que gal a da simpatia
Feira . 05 feirantes de Agua de Meninos slo ameaçados de d s auto res e do. espectadores (principal mente graças à peesc -
despejo por uma cmpds.l imobilJArla que pretende lotear o •
n~lidade de seu inlerprete. AntOnio Pita nga ). pretende tocar
terreno; os mora.dOtU da felr. permanente lutam para (ansu- fogo n05 tanques da Euo. destruindo tanto a E sse quanto d
var o terreno. A fita ll prC'sent. -se eoee uma crOnJca da ci- feira : e sua revolta . Não encontra quem concorde com essa .de-
dade de Salvador. GlauMr Rocha, o produ to~ executivo, du- dsão irradonal. mas quase alcançara seu obJ etlvo: se no ultl'
nos que a fita "pretende ser ( ... ) uma crenrce sem precon- mo momento e que Maria (Lulsa Maranhã~), su a amante.
ceitos da provlneia", e o critico baiano Orlando Sen." . fa~? O)nseguirá jogar no mar as boananas de dl~am lte. nlUe a explo-
de um ",1.Ír t K o bU sR,iano da sociedade baJ&na C' brasileira . são II mata: o povo revolta-se contra ChICO. tenta enforcá-lo.
O desenvolvimento da cidade d eve-se ao eceêrctc e a o pe-
tróleo: nos ultimos anos tem-se desenvolvido o movimen to do chega a polida : por essas e outras. Chico pe~a ra trmta anos
pôrtc.• rtdc bancArla. o grande e o pequeno comlrd o. Gran- de cadeia . A revolta de Chtcc acabou num cnme: matou Me-
de parte dll auvrdede síndrcal e da luta popular deve-se a~s ria: e ameaçado de morte pelos companheiros, que. [untament e
COIU seus criadores. o abandonam à policia. A açAo violenta.
portuários e aos operários da PctrobrA. . O p~utor e ro~ t.L ­
rista da fita . Rex S:hindlu . e um profissional liberal. medico. alem de tendenciosamente colocada. pois Chico nãc te m nem
O direlor. Rcbertc Pires. tambtm provtm da pequena bur- lógica. nem perspectiva. nem liderança. e sumariamente ccn-
guesia. Pois bem, nessa crOnica da cidade (a Imagem final do denada . Enti o. é de se esperar que os a utores prefIra m a
filme. o elevador Lacerda. e um slmbolo que se refere n! o à llção slndiclll. pacifi ca e por via legal. Mas o Uder sind ical e
fei ra. mas sim ao conjunlo da cidade). o pequeno-burguls. o uma personagem esporlldlca. sem consistência. que nunca
comerciante, o profissional liberal sumiram completamente. a ch~g a a se.... ~mar e que se perde nll multidão d.s figuras ae-
não ser que easa camada seja representada por um. cronista cundariAs: encontJ\mc.-lo no filme cm alguns b4te-papos e
.s.xl.:1! que. cm breve aparlçlo, tUl: um comportamllffl'to estú- nunca em llçio. S fal.a revela que os autores ignoraa: o que
pido centre um feirante t: bnsce 1:1 prote<;ão da policia •.~ t jb possa ser um líder Indicai e Q assimilam 8 um es tudante de
~w u deve ,"xciuir o marido da Jtã.Ewa cnrcdtada, pob. em- dtr eítc com tendêncio!> cS'l.uerdl::<ll1tes. Bene citar a frase :
hora advOljado. representa no filme a llltll sccíedede. Sobra.ll:l
ol1ft:na3 os grá.finos (05 qu..!.s nJo aio introd uzidos pela ação
- "Como vai êsse ind ividualismo ferrenho? ..•. que an1.õncill sua
entrada nuD.! bar da ftira de Agua de Meninos. Vale d íeer
d. IRa, mas por intu mtdio de uma mulher entediada da alta que a perspectiva sindicai t omitida. AliAs. no Hlme seg uinte
sccledade que tem relações amorosas co\p um marinheiro) . a dos mesmos produtores. roteirista e d tretot. r ocaia no A s·
presença do imperialismo por Jntumtdio doe reseevat ôrtos da falto (1962) . a mudança da sociedade por via pacifica esta
.Eua cuja marca domina a feira. e oa marginais da feira. Em- a ca rgo de um Jovem dep utado es tad ua l Idealista e tecem-
bora se realhe um trabalho real na feira. pois hã eceércc, egtesso da Faculdade de Direito. que pretende opor uma co-
fsI:t tambtm não apauc:e, e li repusentaçlo do povo esla a missão parlamentar de Inquerito a politicagem e a violência
rg de vadios. ladrões, mendigos, prostJtutas. assaulnos, que • dos latifundiários. Portan to, fic a da to que os autores sentem
ira Orno de um ladrão generoso e anarquiata. Cbrec os deeeq uiltbrlcs da sociedad e brasileira . mas não sabem iden-
tificá-los. sei,tcm que precisa m agir. mas ficam desorientados
d iante da aço80.
E ssa analise do anarq uista (condenado) e do ltdee s -
dical (sem significação) .coloca em primeiro plano uma per-
sonagem que, sem ser secundária, tem um papel paralelo a

• Do Ivro A O r(/"d~ ·Ft;rtI. 1962.

35
aç âo t que me pa rece ser o verdadeiro e ünlco embaixador d a A Gra nde F eira 1'110 representa uma fuga em relac;io • pro-
classe média: o marinheiro Rón!, dito o Sueco (Geraldo dei blem6tlca sodal. Se <» verdadeiros problemas aio eliminados.
Rey) . O fato d e ere ser marinheiro, de nio conseguir se fiur . isso se deve eviden temente a Rex Schindler e Roberto Pire~
de procu rar sempre: outras bandas. d e chega r no inicio do ma, tillmbm a ttlda uma conjuntura lOCial de que o, autores
Irlme e ir embora no fim. o aproxima de uma pe rsonagem ca - se fl: eram o, perte-voees pouco lúcidos. O filme está bem
racterrsuca de um outro movimento cincmatogrMico. O mari- longe do cinema revolucion6rio que o eeuuresme de alguns
nheiro. o barco. II viagem represen tam II impoulvc] Ilusão do {deve-se excetúar o critico baiano Wllter da Silveira e o ci-
realismo ~tico anterícr à II G uerra M undia l: [ambbD era um neasta Alex VliIlny) quis ver em A Grartde F eira quando de
populismo. uma expressão d e marglnalJsmo de um sercc da $!la apresentaçio."'- _
sociedad e fra ncesa; só que êeses cineastas procuravam delí- ' O utra fita, essa ruim e desp eeetvel. que manifesta uma
bere de menu: a luga. "Já me acostumei II va gar d e pôrto em tendêade rdenuce. i Os Vencidç,.s. U m grl . ((no daqueles
pórto" ou "Eu nunce fui homem de me fixar cm lugar ne- (J orge DOría), tamWm oriundo das peças de Nélson Redrl,
r. hum ·· sio {ra S(~ que poderiam ser pronunciadas por perso- gues, hom05sexual e enleuqueeíde pelo dinheiro e pelo luxo.
na gens de Marcel Carné. Em rea lidade. ROní não i inca paz qu er despejar pescadores que ccnstru tram seu ba rraco num;"
de interessar-se pela sorte dos Iereentee: d ecla ra repetida. praia q ue lhe pertence, e recusa um entendim ento com o ado
ment e estar preocupado com a situa ção e chega a pllrtld pa r vogado que o, pescadores lhe enviam . Alim disso, uma eu -
auvame nte de um comido promovJdo por algum candida to a lher de pescador, grlvida, esll passando mal. Precisa ser
depu tado estad ual; no entanto. mantim-se afastado dos re- transportada ao hospital N ão hi ó nibus. So o carro do gr8.
presentant es dos dois pólos pclíueee da feira : o anarq uista flno~ E ntre os \lois gr upos, a amante do grl-fino ( Anick Ma l-
e o líder sindicai. O tnter êsse de ROnl pela situação não o vil) serve de h\fen: apaixona-se po r um belo e meigo pesca-
leva a agir. nem a se Integrar na comunida de. nem li sair de do r {Breno Mtlo) , 011 dois vão tentar obter o ca rro. Não
seu pa pel de espectado r. E . para caracteri: a r sua a titude. diz : consegu em. U m peseadcr, a quem olhes emeadccdcs e fC>tos
Se 6 .sô1 qen te I ôsse fu et uma revolução aq ui mesmo. eu de lu: de baixo para ciCIa dão u ma mb.sca ra dia~liu. , quer
Ikava". E.~ frese re-..ela sua iftca{'add.:ldlt de agir c a faci - resolver o caso na ma rra; chega a ue corpo a corpo ..:0::: o
ji'J ade que hâ em de/ur os outros fà:tete rn aq uiln que li eeMe gN-fillo, e, com a bf:nçi o da nat ureza que intervi m sob foulla
não quer , não sabe ou não pode fiter, ~$lla frase , f a lnc!a de uma tempestade. os do is mOUl m. Os dcís extremos Io-
!pais reveladora se se consid u a r que RÓnl> como Os au tores ram con denados; sobra m os lnterm edJàrios ; o burg ub que
do fíllD ~ eaccntre-se entre a alta sociedade e o pOvo : i si· acei taria colabora r com grupos sociais íe ferlores. resolvendo
mulflneamenfe a ma nte da gri.fina Ely ( H elena Inh ) e d e alguns problemas. e o pucador que nada quer da bu:gucsla
a a d feira . Isso em absoluto não significa q ue ROn! a n ão ser a resoNçlo d êsses mesmos problemas. que em nada
em Grande Feira o slmbolo da classe midla , mas que alteram nem a condição do burgub nem a do pescador . Paulo
er em tem na atrutura dramltlca da fJta a mu ma
e mtclia na a tura da sociedade. Do-
, Slnger diz que a pequena burgues Ia "assume uma a titude ecl é-
tia de 'nem tanto A terra. nem tanto ao mar'. de hostilidade
e iéI tiãi e lua situaçlo e de sua aos txrremisín os~: Os V encidos i a perfeita i1 ustraçi o desse
ova a aüAO e se tomado uma per- comportillmento.
r O 'Cinema brasilaro. Tal ,,-;,.~, Do marginalismo de A Grand e F eira ao maiskomple!o
u maií u ~ leve intulçlo dos coiüormlsmo de 0.1 Vencidos i um pauo apenas. Ao Rio que-
a ãüi m te ifev w&utimar. ee alarar 0lII problemas pe1a frente , ao se compruc.c na re-
aoriaaüda . i su..., prf:Hlltl.~ de H'U marginalismo. o dneasta i leyado a
dá .prt:HDtar o ~ fazu filma que se omitem e aceita; .. situaçlo vigente, opon-
'~'''.T.co
~m m iJMbolo. do-s sõmente Aquilo a que se opunha o gov!mo que estavill

J7
"
DO poder quando os fi lmu fotam fltitM. T. I 'i[Ua~J~... pod~.
mo(hEicllt_sC' qua ndo Me poulvel abordar o prol~~!.L1 d o, ,o
. tJtuldo assunto para ftlmes de longa metragem, rcaluadoto ;
brasileiros nOI I1ICimos anOI, tem seu papel de destaque ern a •
9 uol; serve, por .exemplc, de pontol de inter rogac;.a.o na Intra_
cllmpesinato atual. a burguesia indultrlal dita na~l?'!,lIsta , e ... duçlo e na conclusio de vimba, e?quaoto. q~e introdu z. pI·
.. p«z uena bUfgu uia. Enqua nto hlea gru PQ' socta[, perfila. lavra Inferno em Vidas Sécas. FOI sem dúvida o R ,o -10" de
neeerem lora do .!cante do cinema....oa filmes brasllelros nl a Nélson Pereira dos $antos que lançou em 1951 o terna da
abordlltáo os rta is problemas do paIs. Populismo e , ~. rgln • • criança faveJad<t no cinema brasileiro : os engrax ates Ievela-
lismo nào datam de hoje no cinema brASileiro; JA estavam pre-
sen tes antes da tevoJu~io de J930. O mora lismo de Joat Me- dos, ora tristes, ora alegres, eram o verdadeiro cent ro dessa
diDa. por uempJo. opu. v. _oe. noa ctrculcs d. alta sociedade scctedede múltipla retratada pelo filme. bem como sua vlnma
paulistana. em Exemplo Regenerador ( 1918/2 1) , ora, em indefesa . Embora tudo indique que nestes ultimos tecpos a
Fragmentos da V ida ( 1929 ). entre vagabundos que viviam d e criança vem perd endo p restigio, a ssim mesmo foi personage m
expedien tes. tendo sido sumlriamente elimina do o pedreiro de destaque cm 1965 no festival de d nema amador do Jornal
que apar«:ia no inicio do Idme. do Brasil: Escravos de /6. l nflnci4 e var6 to de Ca lçllda. O
M enino de E ngenho olha espantado o mundo ruindo em rõr-
no dêle, e a última pelSca com quem o Marcelo de O D esllfio
se encontra no fim do filme é uma menina pobre e su ja . Em -
CR 1ASÇAS, C A N CACEI ROS E OUTROS bora menos qu e a cr iança, a mulher também utã ! marge m
de uma sociedade masculina . Para. expressar o ma rgina lismo.
tem sido rIl...enos utillza da que a criança, m d S tem a pa recido
algumas vtzn- COPl. esse sentido, principalme nt e em Põ rCo
des Ca ixas ( Paulo- César Saraccni) e A Falecida r Leon
Hirnoan ) . \
Outros -margir::a:s que nâ c podl:lc Q,L;" .. r de S~d l!: j . cs
•• cíneastes PO os cangaceirO! e os beatos nc rdesuacs . _pcr:SC:'l3-
gens de um dos fil mes mais importantes, D f'uS e o D iabo f! lt
Terra do Sol. como de uma sêste de filmes comercíete. geral.
mente teenkclcndcs. produzidos e realizados por crnees tc s do
su l do Brasil. Citemos, entre outros, as scperpredcçêee de
O svaldo Ma!salOi. A Morte Comand.'t o Cllngllço ( C a rlos
Coimbra, 1960 ) e Lampilo. R ei d o Cllnga ço (C aria s Cote -
bra , (1963), ou os ma is modestos Trés Cabras de !Ampli o
( Au rélio Teixe ira , 1962 ) ou N ordeste Sangrento {Wilson
Silva, 1962 ) ; o cangaceiro também t assente de doc ume n:ll r t-
em Memóriil, d o CangBço (Paulo G il Soares. 1965 ) . A perso -
nagem não é recente no cinema brasileiro : jã aparece em fi·
mes pernambucano, de 1925/27 (F ho Sem Mie e San ue de
[rmio). nUm momento em. que o cangaceirlsmo ainda não era
fenômeno do passado. Nestes filmes, o cangaceiro parece ter
papel secundário. mas j! é personagem central num lllcre de
flcçlio de longa m.etragem, ~mpi.o, Fer/J. do Noraeste. reelt-
:.. do n& Bahia em 1930. antes da morte de Lampli o. e.. no n!lrdes tern. Após cruentos espancam ento•. tortura. rios de
M~.::lO. limA Barrete. com O Cang&cciro ( 1953). lll me de .sangue. individuo alldo a um cavalo e anutado no chio (o
., nruees rc. h: a do no interior do Eseede de S. Paulo. quem filme de cangaceiro se compraz numa víclêncía náo raro gra -
na ugurll o ciclo c delineia os principa is traços que ficarilo (<1- tuit a). após amOres eróticos ou roml nt!c.os. o cangaceIro ru m
:acruiZ4ndo o cangaceiro no cinema comercial. Numa visão morre. enquanto o bom deixa o cangaço e va! a igreja : essa
ro~anti:.da da his tOria . o cangaceiro é cm ge ral filho de t a conclusão de Trls C. bras de Ú1mp iio. O ultimo roteiro
C<I.::I:ponb. q ue. para vingar uma ofensa pra ticada por um pro- de Lima Barrete t cara ctetlSlico do gl nero: numa atmosrera
pnetànc de terra ou pela policia. se torna bandido: passa a vagamente mtsuca. onde p aira o duti no. o cangacciro Q ue/t
viver de violtOQa: Agregam- se a t lc outros que. por mo tivos do Pajeu é pura honra e coragem ; a pós umas cc-nas eróticas
simila res, nã o podem contin ua r li aceitar as eondlções de vida com uma mulher "sedenta de se xo". umas cenas de vícl êncta
que são as do camponts nordutino. em que Quelt mat" a sangue frio ou"corta. um pedaço de 10mbC'
O ca ngacClro é u m revoltado eentra II orga ni: açlo soc ial
d a ltgiio cm qu e vive : .II margem da sociedade. passa ii ata- nu m boi vivo. ete gen tilment e se submete ao inqutrito de um
c.·la. :-'fas sua revolta é anárq uica : ela visa dest ruir. even- policial. também muito gentil. tudo Isso com o maior desprê cc
tU41 ment e pr oteger os camponeses desamparados. mas nada
pelo mais elementa r realismo. E ntre o A mor e o Can gaço
prcçõe. O Ianatísmo, qu e congrega muito mais gente que o ( A urélio T eixeira . 1965 ) sintetiza maravil hosamente tOda a
car. gace.risClo le::::! a mesma origem: campon eses insa tisfe ito.> problemãtica do ciclo do cangaço . loviano (G eraldo del Rey )
seg uem o bea to cujas prof«ias an unciam um mundo de ler- quer casar e trabalha r. viver tranquila e hcnredacieate no si-
rura e de justiça. mediante o sofrimento terrestre. Trata -se ttc adquirido Pylo árduo trabalho do pai. mai, nada . V tra
lambéJ:::l de uma revolta deso rganizada : nãc se tem ccnscíên- cangaceiro porq~e um coronel mata seu p3i para apoderar-se
ela de que hã uma revolta ccntrs um determ taadc 'estado de do sítio. Mas bate" saudade da noiva e daq uela vida que se
cr s e ral:!btm não se propM mudar coisa algum!!. A solu - apronta"a a viver. e [evteee volta ao sitio. Após pcri~cia.s.
ção encontra ria para esee revolta teccuscrenrc é ii alitr.ação co nsegue põr o sitio em ordem. casar. e lhe e roce 'Jm f lno :
na vioitn,:;l" 011 no mi~ tie:smo l:b ttrlco. que sempre rep 'e s ~ n­ sob a prott..;ão dos canyacdros. JOViiHlO é Uni peqUl'J10 pro-
la: uma ôlõ ltemativa para a vida ~e campont! eeet-eseeevc. prtetâdo e um pai de famIlla fe:!!; e reeltaedc. E morrem 06
- Fan! ticos e cangacdros oferetem ~rtanto um, mat eria l exueecs: o poder05O coronel e o terrível chefe do ba ndo de
de' primeira qualidade para um cinema qt1e quer representa r cangaceiros. Marginalismo. rebeldia inconsciente contra a .I -
o. marginalismo. desde que elimina das suns Implicações se- tuação social. viollncia sem raet'ees pclntccs. dignidadu rc-
. .... lj,a is. Completamente du ligado de sua significação social. o mlntica e morallsmo. tudo use em rehll; ão a um Ienõmenc
ngaceiro é o bandido de honra. cu jo sadismo se reveste de jã passado. sem compromisso com o presente : t natu ral que

~
~~tism . e-que ttm seus momentos de poe.sia ao luar. A iém
O cangaceiro tenha oferecido ao grande púbtfco possibilidades
e Jfncta e: de. sua honra. importa no cangaceiro crne- de Identificação. A revista O Cru:eiro ( número de 21. 8 .65 )
ma~r.fico u Je nÃo se" fixe. nlo tenha pouso certo e sua
ja m nâança; fie vai d ventura em aven tura . Em expressa o que certamente fh o sucesso do Tilme de cang"' ·
e ~ Qaell o Pajw ( Lima Ba rr eto. cerres Junto ao grande público: se. por um lado "o can9a~0
mo di liIârc:hi ' ou do passdo ) pe lo ( ... ) encarnou a rebeldia do homem do campo contra aq ut-
Idl: do filme. les que lhe impunham condições sub-humanas de vida ( .. -].
ri.ftdu Clucampados ~r :outro lado. a hist6rla do ca ng aço t "uma hist6r1a à parte
BfijjJ. aC:li ;';~'da lit6ria do BrasU" (os gdfOJ slo meus). Seea necessánc
m u~ Deus e o D iabo M Terra do Sol para te uma 'I.;sio
Pai ma is realista do cangaceiro e do beato.

41
Para u presSolr o maflilinalismo. r«orr~u . se a outros gru - pra panelas. A rcaçio de TUa Medonho. que: Compra Ull:la
pos sociaIS : o camponb est! fora do eíeeutec da evoluçlo 10- geladeira, lem o mesmo eenudo. e uma tentativa de lrae,
cial c atravessa o ser t ão em dlreçlo.o 11,11 cm S ellr. Vermelha .. gr.r-se nas norma. da sociedade. M as a policia d esmantelar'
( Alberto d'Averse. 1963) . Vladimir Henog eaconucu um qualquer tentativa fe:ita no sentJdo de um eseabeleclm enre pe-
dos mais marcantes simbolos de marginalismo no documentá- quenc burguh, pois ladrões. maland ros, la velados, não per-
rio M.rimbas ( 1963). os quais não são pescadores. mas vi- tencem i classe .ti qual Esse eatabelectmentc t faculta do. Em
VClll. d. pc.sêa: dio uma 111. 1 0 . os pescedcres na praia. e em Selva Trâgica, a rução da personagem não t t ão precisa:
troca recebem uns peixes. trata-se de uma fuga para um futura deeccehecrdc num outro
pais. Se nio encontramos ai lentativ. de montar uma casa.
o mesmo tipo de asplraçio se revela: o lad rão qu er casa r com
uma mõça virgem: um capataz, ao deflorar a mõça, aniqUIla as
A SPlIl AÇl.i ES 00 :-,1ARCIS AL aspiraçOes tticas do rapa z, pois o casamento nunca mais po-
derá ser um verdadeiro casa mento. A I a sociedade esm.. gi\
uma possibilidade de real!zação no plano de um a moral me-
Mllrginalismo, dignidade romAntJca e morall, mo reape- dia tradicional. O resu ltado t o mesmo nos trb ca sos: os
eecem na perscnaâem central dos lilmes de Roberto farlaS, guardiões da sociedade matam o individuo mtlr gina l qu e ten-
que tem entretanto uma caracterlsUc.a neve : êle nl o se sente tau integrar _se.
bem na pele de marginal e lUlA desesperadamente para rme-
gr.c-se na sociedade. Essa luta para a integraçJo re preaen re Em O A SJalto ao T rem Pagador. a personagem to:nta
um choque co:r. a sociedade, pois essa t antes de mais nada t~~~ um....ou tra rcaçAo. A malta dos bandido!> fa'l,e1a dos t
um mec.:mismo feito para esm.gi-Io. O Iaveledc T il o Medo- dltl91da pelo Grilo ',{R eglnaldo Faria s ) . um individ uo q ue oAu
t1110 \ EIJuel G01DU) em O Aualto.lo Trem P al/adori 1962) . pe rtence II Ievela, ~u ~ aspira viver no s Cloiou i a altõ bul "
privado do ccníõrtc q'Je a rccledade oferece a SI:US membros guesfa, cuja amant.e i uIa'" 'j/rR.ílna cartoca . O Grilo tem
mais abasUldos. roube c enfrenta em sequíde D. j.lcllclô.l, su- pOrt 3n to um ft na Ievele e um pi no grã . f iJ~is nl~' ; quando o ~
tem... de proteç.io d... sociedade. O ladrão de mate (Regln~J.:I o ,- fa vdauos percebem q ue o G rilo os engan" e se epecveue
farias ) de SefiJ'tJ T,igica (1 96'" t apanhado e esera vi.rado. dl l.es, tles o matam . e uma reaçio vtolenre que t uma ren-
como todos 05 ou tr05 trabalhadores, pel" Companhia. O ma- tatlva de Ilbertaçlo. Roberto Farias mata o G n lo tambt m
landro ( Reginal do Farias) de Cidade .\.me.ç.da ( 1960) t porq ue as aspiraç6es d êle ndo se dirigem .ti classe méd Je mas
!UZf objel o nas mãos da sociedade : a imprensa faz dê le um te- sIm li alta sociedade.
mlyel iJ)andido e êle nio tem outra solução senão assumir o
aJ?el ~u e~ h e t imposto, Roberto Farlas vê de modo um tanto O ma rginal estA na impossibilidade de ccncrem er 5eu
sonho de integraçlo e Roberto Farias tenta superar o impas se
ucmltico as relações entre esse JndJvfduo e a sociedade,
da persona gem transformando_a em her6i. Essa heroização ts-
eglnao a recorrer, cm Selua Tr.gic..• • os piores chavões do
sulla tambtm da s implJfkaçlo da re laçi o indtvlduc-sociedede
cu lüio ilista. tal como bse 'deo&: em que a perscna- fjcando um totalmente bom, e: a outra mA; e resulta da ne~
cm ii'i,", Nos filma ck. o Faria• . -êsse In-
a eita Met.I. nem o papel que: a 'tIO- cessidade de identJfiaç'o do dlretor e do publico com o ma r-
ginal de aspiraçAo pequeno-burguesa cm choque com a se-
!iii e 9. -""«o consiste em
dedade. Eua htroJu.ç'o fu do margin.1 um individ uo de
IIldOi de tis, um lar ruolvel.
cm con ar !.QWl1bno .cntuncntal e alto padr'o moral : êle t cor.joso. honrado, generoso. ume
aã~ D va i:I OlJadt hom~ forte. modelo de masculinidade. O uad rl o de Selv4
.T r. 9,lca ch~ga a um momento de comunlcaçAo com seu mais
anila e orn-
Imediato inImigo, um c,:)pataZ (Maurldo do \t.le 1. justamente

4J
'I
pcrque êles se encontram no plano do Ideal masculino" O
~ra nal heroi:"do nla pode senlo morrer no fim do filme
e s'J~ recrte l • txtlnçlo de uma ftl r.;;a da ne rure ee. T I! o Me-
d ho Irfane. O curativo que lhe cobre o peito e seu 9 ra~dc
c po prêto. agll.do por uma respirAção sincopada. expira .
O .Ideio de mate bale.. do num descampado. morre com rede
• ~nf8se q to U':lgC a clrcunstlncla.

Diálogo
com os Dirigentes
1962). Em Salvcdce, o Padre O levc ( O ionlslo AU"'''dQ
Aqueles também do t ornen,l Issc fli o pode CQlltinuar! Se- impede Zé do Burro (Leonardo Vilar ) de cumprir sua ere-
nhores Governantes (tça m alguma coisa! meu a Junto a Santa Bárb.lla , por ter sido feita nu m tend ro
C lluber Roch..·0PÓN C a usa o~l~taçio: A ldtia 1~ I~u 'Y de candumblé. U é representante do povo. enquanto que o
mai, impor tan te de'II. Rell/JAo Crit.ca do Cinema Brasllclro Padre com a colôlboraçAo de um bispo e de um delegado de
t qu e os fiJ au:s br asileiros nAo devem denunciar o povo As elas- pollci;. representa a a utorldad~ conarítulda. Esta é in~ransi _
ses di rigentes, mu sim denu ncia r o povo a o próprio povo. Por gente e impede o povo de rea lizar suas vontades. A Impos-
enqua n to. apenas uma Idtia. • sibilidade de dillogo entre o sino da igreja e o berimbau cr ia
Um dos recursos de que se va le am/ude o documentário uma tendo qu e se resolve pela mort e de Zé. que é ec lo cedc
é ce recrerrsncc dessa a titude c consiste cm confrontar uma de- na cruz COm a quarã massa arr ombarA a porta da Ig rej a
terminada rea lid a de côm IS teses oliciais existentes li respeito. A situaçio poderia ter recebido um rrercmeerc ligeiramente
li fim de sugerir que estas sio obsoletas. nio evolulram Com
tr õnrcc. conforme a interpreta ção de Sébetc Magaldi.' mas é.
li rea lida de c preCÍsam aluall rar·sc. Lecn H irszma n inicia
no filme . levada sériamente. e até de um modo um tanto en-
M.lioria A bsoluta (1961) entrcvi.stando algumas pessoas Iát tcc . l\ morte de Zé é um catalisador, poSSibilitando que
marcadJl mc.n tc b ur gues.Ils. cujos dcpoimc.ntl» jus tifica m. sem
nun ca a lcançar o nó do problema. a impoS!ibilidade de dei- o povo se una e recorra A f6rça para obter o que quelLa. O
xar \'Otar 0 5 analfabetos : a COlltinuaçl o do filme desmoraliza povo é vitorioso. O Padre é derrotado. Tal vitória consiste
essas Jdéias: os burgueses precisam pôr-se em dia com a rea- em ler Zé do Ber re ingressado na igre ja : após essa vilÓlla.
lidade. Encontrlll1os o mesmo recurse na primeira parte de o povo passa a partid par da vida da igreja. Para que tal
MemÓâ. do C'f1g.ço. qU.lndo o professor EstAdo de Lima acon tecimento possa ser considerado vitória. t necessénc que
expõe que ser ou nlo cangaceiro é problema de glAndulas. A o povo. no {lime. reconheça a validade da igreja: que êle
JdtiA parece-nos 110 esdrüxula que nlo era eeeeeeerc acres- a cene a igreja't81 como t e considere soluçâc de seus proble -
centar coisa alguma para dCSl13or.lli:.A-Ia. Mas onde o reecrso mas o fato de participar dela. ~ evidente que .. pllrlLcipllção
~ mai.s seasrvel. Fois cheja a .:onst :tulr a própria estrutura do I popular lnodific.1ri. ltn!lmer.1e e por dentre. li igreja . NJ~
lflme. t em .4.rtig$. J/l ( o~é Edu.1fdo M . de Ollvein .. 1961). I t menos evídcate que oliteas soJ\l~6es F'0~[!1 r'xi-'r!:' C;lJe c
pcvc queira celecee-ee no iugar dos dirigentes da Igreja: que
cm que vistas de uoa fnela MO acnmpanhadas, na faixa so-
nora. peja leitura de fra gmentos do artigo 111 da Constitui-
I- c povo nlo reconheça I igreja e queíra deatrut-Ie, ou erguer,
°
çio Brasileira. qual afirma a igua ldade dt direitos entre os paralelamente Do ela , sua próp ria ig reja. N ada diSSO acontece :
a 19reja e seus dirigentes do reconhecidos : scltcne-se sim-
homens e recomenda que haja escolas para \odu as crianças,
que o povo tenha participaçl.o no lucro dU emprbas, etc. plesmente a êles qu e integrem o povo.
O filme Jimita.,e a denunciar o não-cumprlmento do relendo O Paglldor de Prom euas t um apólogo : basta subst l ~
artigo e reclama sua aplic.açl.o. e assim se dirige sobretudo ruir a igreja pelo gcv êrnc e teremos um retrato d a I ha p0-
.àquclcst que criaram o artigo I i I c n10 o aplicaram. pois. litica que certos seecres da esquerda vinham adotando na
parII PI lavelados. pouco importa que exista ou deixe de exrs- época em que o filme foi realizado - e con tin uam adctendc.
JJri o bondoso artigo. O gcvêmc e os dirigentes do aceitos. e a esquerda so ll dta~
lhes que integrem um pouco mais o povo na vida do pa is; t
,, considerado vitória um alto dirigente conceder eeeeevreea ou
oferecer a lgum cargo administrativo a um elemento recon e-
cidamente de esquerda. O Pagador de Promessas ilus ua eUl.
, Unha politica que loi qualíftcada de reboquismo presslQna-sCl

I 1 l'<lIl0rOmO do T~olro Br01Tltiro, 1962 .

1
o p ,}j pa ra que ampa re OS desp rotegidos. e.stes podem insis tir daI de A G rande F eira ficou patente pa ra João Pa lma Neto.
para obter algo do pa L pod em eventualmen te sugerir deta- um dos pa rtícJpantea dos eccntecírnentcs a bordados n8 fita.
lhes ou a lterar po rmenores da atuaç!o polltica do pai. ma, que resolveu t u 1izar uma réplica. Sol S6bre li Lama não al_
I.Cclto'lm 05 princlp ios bâ,/(:os que determinam ii oricntllção ge- tera substancialmente o panorama de Agua de Meninos epre-
ra I do pai c não lhe contrapõem qualquer outra. e. extrema - sentado por A Grande F eira. mas a questão da açi o é mal.
mente dtscuuvel que a vitória fjna l seja mais do povo do que a mpla mente exposta e discutida. A situação t a seguinte.
da le reja cm O Pagãdor de Promessas. Que o povo, por grandes burgueses da cidade do Salvador querem eliminar II
exemplo. des trua a Igreja. seria .uma solução Idealista - , o feira , e para tese uma draga fecha o ancoradou ro. im pedindo
desfecho do. filme é o que mtl h.2l..rtf/l': te a rcaHdadc. mio
há d(hida. Mas o filme seria multo mais incisivo se. ao invés
o IIbllstec1m~ . Os feirantes querem lutar em prol da rea-
bertura do ancoradouro. e dois trderes ap resentam Ulhcas dl-
.....
de encerra r-se com uma p retensa vitô rta, mOstrasse o q uão Ieeenees. Um dtles. um açougueiro ( Roberto Ferreira ) pro-
Ilusória t usa "lt6ria c le ntasse colocar cm questão a linha põe uma alõão violenta de massa , que consist; ria em o pove
politica q ue ela su põe. apoderar-se da d raga. O outro ltdee. Vale nte (G eraldo ele!
J:'.!a mesma persp ectiva. c de maneira mais clilr<l ainda, Rey} , que dirige um depôaito de materiais de construção, ê

s tua-se A.f.'oria A b~ olu ta , que documenta o analfabetismo c Iavcr êvel. n30 a uma alõlo de massa. mas sim a demarche$
i! miséria. o abandono tot.1 em qu e vivem os camponeses qu e seriam feitas junto aos grandes da cidade. às auto ridades
ncrdeanncs. O Hlm e, admirável. é brutal e seee e se dirige locais e a deputados federais . e a uma grande campanha na
_ t o narra dor da Eita que o diz _ àqueles pa ri! quem os imprensa. Ou seja : Valente t favo rável a uma alõâo que ee n-
c<Jmponeses miseráveis e anBlEabetos produzem alimentos. Tre- slsta em trabaJho Junto aos podê res censtüu tdos. peesstenan-
Ia-se de chamar-nos a atenção, i! nós q ue comemos, sõb re a de-os e eventu~!m ent e jogando-os uns contra o, outros, a fim
5 :uaçAo dr» ca!ll.pcneus. A últJma ~eqnlnda do fJlme ínteo- de obter as medidas desejadas. tudo tssc dentro da lega lidade .
dl.:x uma \'isla a érea do Congresso em B~a sllla . a b h:a se- • l! • ttptca ação slnrtlca! qu e espera das ectondades cor.~ tilul ­
nora ~eprod u: ll:n vozerío que s ugere a dispu ta vã U1 que se das - mediante M)lidtaçClc:s t pressões - • S'.,l!UlõiO de 3e'JS
~~i;l r":l!l os C O\ C rn4 n l ~~ sem tnmaq, eouhecrmentc dos r":l is problemas. Os lideres a fro ,. ta C'\ .~e numa reun tõc li" sindkdlo
problemas que <:~sdalJl o país. De lf'pp:tc, um grito : At"n- e o c:çouguejro con seg ue a adesão popular. Da trcllç.\ o de um
çJ,, 1 S nt:l:;io de expectedva. E voltaln0"-íl0 Nordeste. A s· hâbi tante da feira , mau e ta rado - cujo comportamento s6
lSlm em tom grilYe e severo. o filme desafia os dirigentes para se explica alra\'és de sua maldade Individu ai - . resulta o
que solucionem 05 problemas apresentados. mas para Isso t fracasso do ataq ue 1 dra ga : a polícia espera o povo e a tira
Jlecesü rio teconhecê-los como eqcêlee de quem deve ou pode sóbre êle . Depois dêsse mal6gro, Valente passa 1 açâo. com
'1 ti wlução. O que t rstc senão pedir-lhes que façam seu Cr$ 600. 000 arranjados pelos Ieuan tes. Tem um encontro
t abalho. senlo denunciar o povo .6 classe dirigentt1 Ê impor- ínlrutlfero com o magnata que q uer fechar o ancoradouro.
tante gue: se: a : eSCOlher uta perspectiva ou aquela su ge- mas. graças A campanha [ernaltsuce. conseg ue a compreensão
Gliuoo Rocha. quase independente dos cineastas - de deputados e sobretudo do prefeito da ctda de. que ccndt-
tua o eral o f que: comanda. d ona sua permenêncta no cargo à vitória dos ferrantes. FI-
nalmente. sem movimento de massa. Valente é vitorioso : a
draga sal. o ancoradouro é reaberto. fi feira retoma seu ritmo
normal. Lã onde: a ecêe popular fra~ .sou, a açio legal Junto
a autoridades constituldas obteve s ucesso. Donde se concluí
que para eesclver OS problemas do povo, bte 'mi vee 'de agir
dlretamente. deve solicitar As au h a,de as SOfuç6es; e de
fato, as autoridades, embora haja sempre algumas' Infoleran-

49
é o único a ter tlll reaçê c. que o assemelha mUlto ao R6ni d"
tes, resolvem os p[('bJemas. e a vJ tória do reboqu15mo. e. A Grande Feira. Tudo faz dêle um elemento da classe mt _
estabelecer a nJo_atuaçio popular como programa par" ,0 povo. "ôla, intermedlàrlo entre o povo e a burguesia. ale t a única
e elevar ao nfvel de programa popular a tAtJca governISta que .. personagem da fita que tem tal posiçlo int ermediA ria; e. em
desde Getulio V.ugas consiste cm esvaDat. poasJvel cvoluçlo realidad~. graças .. açlo legal de um individuo classe mtdia
polItica do povo . Junto 11 burg uesia que sio resolvidos os problemas do povo.
Os autores do Wme sentiram certamente o quão .pou co
progressista era sua tese e tentaram uma s1nte!c : d epois do Nã o tenho absoluta certeza de que as posições assumi-
fracasso d. a<;lo popular c antes de COt!Jcçar a pressionar as das pela fita seja ln da inteira responsa bilidade de Alex V iany
autoridades. Valente, m.anP4. uma carte ao lIdu venddc para c: (roteirista e dtretee ] e Miguel TOrres ( roteirista ). pois c [il-
expltcar-Ihe que. no fundo. os dois tfm f a:z:! o : sem a ag itação me foi trit urado e remod elado pelo prod utor depois de aca-
de maua. 0$ m"'todQJ: por via legal de pouco v.leriam . Aecc- bado, e não conheço a montagem original. De qualquer modo.
tece. porém . que Valente vence por seus mttodOJl e sem pe r- Atex Viany reconhece hoje que houve falhas graves na e ná -
rieipaçAo da maS:Ia (que se limita a fornece; o dinbt.Lro; ,pelo hse dos accntecreentoe. e por isso se responsa biTIu . A pro-
"isto, o ataque A draY8 n ão teve repercussao ). e que, diante ximidade dos acontecim entos. o contacto direto com m.UltOS
de tal fa to. uma síntese exclusivamente verbal é por demais de seus protagonistas. um argu mento Já pronto e parcia l (q ue
tlmido e idealista. é: provb t:lmcnte o mesmo mal-Ular dran- t da autoria da pessoa q ue teve na rea lidade o papel de Va#
te da tese proposta e o du ejo de equilibrar u duas posições lente) impediram os roteiristas d e ter uma compreensão maiS
que levaram os autores a outras posições de um idealismo dlalttica dos fatos. Eua ccmpreensêc veio durante a s fi lma-
ingenuo. como aquela revelada pela canção que acompanh a o g en~. e a montagem (di: Alex Viany : "J1 durante as filma-
enttrro do líder vencido e que di: que um Itder morto t uma geu.!, cu fJqueJ" consciente de que fazia uma obra read onArla,
estrtla a mais no céu. O utro indldo da compreens1o ideal!"ta antl·sindic<ll e auti-operArla" ) : ma, a l:ta era vísceealmenre.
dos 8conrecim entc-s t a ausblda de modvaçw para- ecru s utruturlll.u.;entc Cals~ c só longo) e unposslvel periooo de re-
açOU . Ass!o como a trolçi o deve-se a um ccepcrtemcnto filma~ ens porlr.rill ter elteradc sua siguif ica·;50 b.bica. De
individual. o ataque I: draga deve-se funda.uentalmente ti quaiqtlcl' modo. Sof Sôf,re .:Jr Lama. como está. se enque-
Icree üdCfança de açougueiro. !lem que se leve em cons!de·
drlll perfeitamente no panorama do cinema brastlelrc, poIS
raçáo a situaçáe d etiva dos comuc1az:tes da fma : nlo hA
está inteiramente de acõrdc com a significação geral da r.rin.
indicies de que o bloqueio económico rept\'cuta na lelra. Nada
clpal tendtncla desse cinema, e V alente int cgra. se per eue-
indica que o movimento da fdra esteja ~iminuldo , que este-
mente na galeria das personagens intermediarias entre o povo
ques atejam se esgotando. que gtnuos alimentlcios frescos e a burguesia.
.estejam laltando que compradores proc urml outru fontes .
que lornecedores tentml outtu viu de ucoamento. O blc- O empenho com qu e se propõe a a çâo liderada por Va-
queJo, que t o núcleo da luta e da açAo dramAtica do filme. lente t tão radical que constitui pràticamente uma ahenação
toma·se um dado abstra to. numa rauca em que se a lienara m as esquerdas du rante anos
0útro sintoma da poliçlio idul!·ta auumida peJa fita t e anos. Por outro lado. o radicalismo do fll me a favor de uma
a ~gem de Valente. Tudo o dJfUettda dos outros mo- ecêe legal e contra uma ação popular leva com clareza suas
ra Clã I rir; e" cowportamento. seul gestos, lua fala, propostas a um ponto que. de tio apsurdo. jã prenuncia uma
e v r, s nderaçJo. o assemelham mais a um tomada de conscr êncte. DeclaraçOe- recentes de Al ex Viany
ii ssagcm ~ ldr! 9ue a um feirante. Tal mostram. de fato. qu e a s posiçoes auu midas no filme foram
. r CUl a~ do l:aeuso ela açAo ultrapassadas. E m vez de ma lhado superficialmen fe. o fzlme
poJl'ulãi antes a mn Uie erm dinháto. quen- deveria ter sido discutido mais abertamente, pois condena..
dõ alente esolve f êlilXlr dra. Sic tede uma tática errada . premissas sociol6gicas fals as e idealis.

SI
!JS que ca racte rizam um longo perfcdo da vida da sociedade
I
,
brasIleira. Sol Sóbre II Lama pode ser considera do como um Jangada serA I possibilidade d e prova r que Ar lll t de fato
dos mais signifiCa tivos testemunhos de tOda uma politica que protegido pela de use do mar ii qu em deve dedicar sua vida.
fracassou. T odo o povo acred ita na ~!tuaç~o privilegiada de Aruií
Plrmln... dtlxara li aldeia hã um certo tempo: IOra para
ii cidade gra nde. ond e ap ren dera novas idtias. e onde :lmigos
seus acredltam,que as coisas muda rão, qu e d ias melhores Mo
B AIlR .... vE:.:TO: P OLÍTICA. DE CÚ PULA de vir, pensamentos hsu que não deixa ram de provocar con-
flitos com a polida. No inicio do filme. F trmín o volta. ai.
deia e ' suá .tuação" str. no $~tido de que6'fâ} o sU tu quo.
de quebrar o mito de Aru! e de levar os homens II resolver
~r si próprios os seus problemas...cm ve: de esperar so!.uÇOU
divinlls. Paradoxalmentc. .II p rimeira tentenva de Flrmino
consiJtJrA cm fater uma macumba contra Arui. li. fIm de que
PUeçll no mar. Feacesso. A segund.l tcntalivil scr.l um ato
anArquleo. pareddo com o de Chtco Diabo el:l A G rattdc
Fcira: depolJ de os pescadores terem remcndado a rêde. j1
quc nl o consegu iram uma nova. P temtne rasg. -a a fim de
lmpcdir com~mISlOS' mcias soluçoo: precisa coloc.ar 01 hc -
mcns ao pt parede e lev á-los a soluçõcs lcrtes e decisivas.
a se encarreg em d e seu destino F inalmcnte. P irmmo ecn-
scgu e queb rar. com a a juda de su.. am.antc. Cota ( Lu\..~ M••
r.nU o l . .II vlrqindade de Aruã. o dg l(lll por Icman j!: ~Ul:ul ~
t.t nunle.'1t~. PiMlino manda ao :ru . CJ,,:sndo uma :c != eu a de
se vem forcando. um heutem eue ."'-rll.. ni'lu consel:/u rA sal.
't"lr : AruA est! desetsutreedc. !\rui t um hcmee cerno os
outros e Jemanj' nÃo trar' solução alguma aos problcmas dos
pes<:adorcs : htu terão de encontra r e fate r vigorar suas pró-
prias seluções. Arui deixa a aldeia : vai para a cidade. ado
quirirA novas idtias. trabalharã o volta rã dentro de dois .nO!!
com uma r"de nova. e então casara com uma filha de leman)' .
Malna ( Lud Carvalho ) .
QUem t Pirmino. bse Hdee da opos ição. e qual t seu pe-
pel? P lrmino viveu em Buraquinho a re ir para a cidade e.
quando volta. t outro homem. um elemento est ranho A comu-
nidade. Suas Idtias sio outras. não se veste como os peso
cadora. sua tltUbcr"nC4~ no (a lar e no gesticular contl'asta
com o COJIlpcrtamento dos pescadores. te m experitncias des-
conhecidas dOi moradores do vilarejo. teve encfen)Js com a
polida. Plrmino conseguiu evoluir po rque se, f!u bfra iu 1 co-
munidade. Na ddade. era Certamente um ma rglna l. viveu
mal, de descarregar na vios de contrabando q u QQ tra balll:o
suspenso. O ultimo plano em qu e aparece. demorado plano
r~9 u la r . Cabe "rucentar que essa coloc.ç~o de cJqade 010 . de ,grande conjunto. mostra-o a afastar-se lentamente da al-
ii: nova. Já ii: tra dicional II' culturu bt. s.llt lta .~ 9~ade .pa· ... .. dela . ,.ózinho. e se pudendo por detrAs das pedras à beira -
recer como uma fonte de Idtlu perturbadora. c( reJ.1 ova dor. s. mar Flrmlno t um meteorélltc, e nêc a expressão das aspi-
qu er seja enviando par. o lnterlor indtvlduos porta ~ores des- raçÕes ou po!encialidades da comunidade que pretende lide-
sas ldtias que serão no campo con~~uada~ subvc~slVas. quer ra r. Por outro lado, Fiemino age sôbre a comu nidade apenas
seja chaeando a si pessoas que aspiram. um. Vida melhor. na medida em qu e esta vi em Aruã sua ma is fiel exprusão.
A cidade j1 tem esse papel c::n Gradll·no ~m 05. "Na ddsde Querer des mistificar Arui i querer mudar a vida de todos.
sujcit05 exaltados comcçava~ a espalhar que Si ç .Bu o:s rdo - D e fa to. o cetee momento U- que Firmino vai agir sôbre a
"- - era um ninho de rcacionlri05 : com' seu. díscuraos 'c -folhctos. massa t no tntcrc do filme : um 'i!rupo ouve sua pregação e. em
" c mp es ta ~ as capitais" normalista. prc~~~ da s ~om "e ques - seguIda. vãc todos. Plrmino A frente . tomar uma cachaça .
tão social . M ada lena, mulher do don p de Slo ' Bernardo, ii: Fora disso. Flrmlno nio atuer á diretamente Junto à massa,
uma ciladina que, na fUtnde. escondid. do marldo~ ";vai tendo
sua. conversas sôbre o socialismo. ' o , que la: embirrar seu Na prática , t sõbre AruA isoladamente que F /rmino age E .
Paulo Honório. E o Luis da S ilva de Angústiã-'Vai ten tar realmente. se a ação de Firmioo conseguiu algum re sultado.
"vencer a vida " abandonando o campo peJa cidade. hte foi a mudança de Arui .
Assim. no tntcrc do filme. PJrmino volta ao Buraquinho Ar ui, em que se concretiza tOda a supuStiçlo e a estag ·
e surge por detrás das pedras e vai se constituir no elemento nação da aldeia. tambtm t um individuo solitArio e tsclado.
perturbador da al<!eia; êle vai atrapalhar: por .seu .i/otermi dio. NAo pode ter mulher e üce na praia quando os homens se
as idti as e a evolueãc urbana vão contaminar a vJd. estagn ada reúnem. A lt m disso, desde o inicio do Iilme, Aecê não es tá
dos pescadores. Essa tarefe, êle a reaUzarA só. contra todos. plename:nte.... eonvenddo dos pcdêree de It manJA: não fósse
Finll Ulo t um individuo isolado : a wuca pessoa c0f11,.. Guem se a total obeditndã 'que deve ao Mestre, resolveria dílerent r .
dA t Cota. a qual se llttlddarA .pós ter quebrado -o tabu se- mer.tt o prob lW\a ~ rfde. E ANã. en carnaçâo da rd 'f; iosi-
xual de Atl>}. . Fmnlr. o sente seu b olau:mto e gO.ilaria de dad.:- da comunida de. não per tenceu sempre 1'-0 Buragu!nho :
intcgrar.:;e: "Eu tamWm ICIU irmão." O que se d! em rele- rei o Mutlc qt;.:JIl o trouxe da cidade. Gua::1do êle era a lnJ <I
ção i~ pusou , ocorre tambtm em rdação aos lug3res : ao criança, Mats uma vez enccnnamoe num cargo püblico cha-
Buraquinho, Firmioo Ji nio pertcnce~s, pois sua eruel per- ve". um ind ividuo que não t oriundo da comunidade e que
sonalidade foi formada na ad.de; m tampouco pertence i se IOtegra mal nela, D epois da desmistificação. F irmino en-
cidade. pois senle a necessidade de dpar da evolução de trega a liderança a Aruá : "Ê Aruã que vocês devem seguir'
.6 uraquinho. Disso. uma primeira conclusão fica clara : os E ntão, qual será a atitude do n õvc líder? Resolve substltt.:i r
i at6res que vão alterar a vida da comunJdade não São ori un- os meios divinos pelos hu manos. Tem um breve encontre
dos dessa mesma comunidade. Slo fat6res externos, A pes- com o povo, em que afirma que SÓ acredita na fOrça do remo
0'4<_;; que vai aJcerar a vida da comun.ldade não provêm desse e em mais nada , Decide ir para a cidade trabalhar. a fun de
omunidadt, Elrmino não t a vanguarda da ccmunldede : ê comprar uma r êde e voltar dentro de dois anos. E ssa de cisão,
~l u Que pessoalmente. resolveu agir sóbre o povo. qu e to mou s6zinho, fi e a co munica ap en as a sua fu tUra noiva
i~'Iua u:pcritnda pe.sJOIl. Poder-se-Ia ima· (e. por intermedio dela. aos espectadores). mas não lhe pe-
P.!:![ m ' tua mo. L1e ftOha a integrar-se. a rece necessário informa r os colegas, qu..+'tlO menos discuti r
en ai Wi.ldadc. • liderA-la . Nada d isso. c~m êles: ou seja. Arul rompeu a s irgações religiosas qu e
a~ . eaquaatc trts das qua tro unha com a co munidade. mas não criou outras. No fundo.
s tind~ij caminhada. pelo diretor (Cota seu ~rimelro ato. após ter-se tornado ltder prog ressista da cc-
rui va pata a (fã(fc &Jarl.com Maloa quan- mUOldade. lol afastar-se dela. Outrcsstm, do ponto de vis ta
r. ltID a· rsonagcm fica em da eficAcia da aç âc, essa deci são é Irraciona l' a rede ser

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JJl~15 rApidamcn te comp r..da. portanto" soluçio mal' p(6 )\ima .
o el'lrfdo de Bllrrll~fItO t umll qutsllo polltk.ll, II lr.I• •
se de um. polltitll de cupula. Se tanta Imponlncl" foi d.. dil
se \'a rias p u so", fOsnal trabalhar na cid.de para adq.u:f l. la. Is personagens de F irmlno e A rui é porque sua estrutura
Nc entanto, a d cd slo de Arul nAo t prOpriamen te indIvId ua - e as rcll ç6c1 qu e ma nt êm, no Hlere. cem a comUl'lidl de.•io
lista, po is di : a Ma ln,, : " Nos temos que reso lver a nossa
vida c a de lodo mundo," No fim do [ílme, A ruA arll ~l a - se
equlveleates *' estrutura de um comportam ento fundamental
na vida pcltnce b rasilei ra, independentement e das Ideologia!,
dll aldei. pelo caminho pelo qual. chegara Flrm!no, c a Ultl~. da direita ou da esquerda: o populismo, O povo. proletariado
Imagem t .. de um farol : slmbolo da liderança c do isola - e peq uena b urguesia. sem fOrça pilra delinur uma Ic;lo pré-
mento. Mil! uma ver. trata-se de um Individuo que ru o ve pria e .. gir com um- l;omportamento a ut6nomo, enlrella. s.e a
solUCIonar "mnho o p roblema. de todo.s. A líd erança nãe um Ilder de quem capeta as palavras de ordem e .., soIuç6cs.
prevcea nem res ulta de uma intcgraç.lio: o lide! c .. massa o Ilder. em t6rno do qua l se aglomeram "IOmos SOClall. os
vivem cm• compa rtim entos estanques. cm bo ta o ptllll . ero
1 prc- l ndlvlduos. adquire feiçlo carism~tica. B.rra~" ro expe me
ten da estar na perspectiva da colctividade. perfeitamente a situaçio da pequena bllrguesla qu e. nal pllla.
T od a .. estrul ut. do filme ref lete essa sil\lação líder-
mass.a' a açio desenrola-se funda menta lmen te entre a, qU;HIO vras de Francisco Welfcrt.! " Kl líode aparecer. man Hu tl r _se
person'agens principa is. o ritmo é em gera l r ápldo. o dràloqo como classe. no momento mesmo cm que a parece como mana
tem uma funçlo primord ia l. os at6res . pro fissiona l' ou não. devotada a um chefe." A s an!llis~~ feitas por bse sod610go
In terp reta m se us papéiS. A massa é constltulda pelos pesca- sobre Adeeree de Barros e Jlnlo Quadros sio per í euamente
de res e pelas mulheru que se encarrega m da macumba. que
aparecem em planos pràUcament e docume ntà rlos : n l o parn-
c .1 m da a çlo do filme. e n6s o, vemos a fa ler lOuegada~
., ap!ldvelJ. i1uardadas as devidas propeeções. a Purmn o ou
Arul, as", comportamento popular encontra u ma de lU as
u!zes no gqvtr no Getúlio Va rgas. pois. confo rme LUCIano
mente sua s tarefas cotldlal'las na vida rea l. A mon tl'l gU:1 • Marlinl.' "o Este d o. Pec tetor via de re llra ten d ia a a~e r
lent a e os p ll!no~ de natu reu. ocuram muito tCO'l PO' ~r:t:e Q I, 41 r ei\; nd icaç6es antes que ela' o condenassem e pudr.ucU1.
::el'"\'t)sis:tlC de Ant6fll" Pitanga, (Pirrr.ino ) e a I ~ ntlc<l-:> ma- , I'Isslm. expreSSllr-1le de u mA forma pollucamentt o rgl r\l udil
jes t.;lM dos pescad on:~. o contra Jce é tot <ll. A lll;l ma cena de I, A al uaçlo de P lrmino e. dcpors da desm .stliica çio. a de Al uã .
massa apresenta a s sdcernotlS<ls d e .l ema nJ! e .e tua n d ~ um "'bt m lon ge de rep resenta r uma tvoluçio pollllca popu lar con-
r!'tual rellglo so. Aulm fica a musa apôs a desmlsl J!lca çao de .1 tribuem pa ra um esva zia me nto pol itico do povo. P lrmino e
AruA. Nen h um Indicio de modiflcaçlo. Um momento, um dos Arul ttm o papel d o eatade-prcretor q ue. p reveni ndo as rei.
mel hores d o Irl e e. que expressa plltétlca mente UI.' se pa rad o v:fn di ca ç6ts populares. • , Impede de to ma r uma form a organl.

~
i~~' ~ .
~ '
~ -mMsa é quando os pt'scadores rem enda m a rêd e : Fu- za d a e politica. evita nd o q ue o povo se torn e cm ce o de
m no ~ tlrmo, vlOlentluimos, investe cont ra tles: te m-se a d etido.
o J e duas sériu êe planos que foram Ieues em luga .
momen tôll diferente!!. plaQf)' que pertencem a duas eea - A importl ncia fu ndamcnt .. l de Ba rral/ento na his t6rla do
I mlc s tflftl'ent u. 0, pescadores não ru gem à rn- cinema brasileiro vem do (..to d e que ~ o p ri meiro fllm e: _ e
nem 1 ntai!fi 01 olhos. Pirmino. vituperando. epc- contin ua send o um dos raro s _ q ue captou aspec to, essen-
oi p'rlm j p. nOI : a personagem é fUmada contra ) dals da atu.1 sociedade brasileira : u m filme cufa estru tura
I ab' traindo·. do lu')ar em que a aç âc se ;!.t ra n. pOe para o plano da arte uma das estruturas da eccre-
, como que interromper a mon- dade em que o filme se íaseee. Tenho a certua de q ue Glau.
ucaClora em do, FIca nl- ber Rocha. ao fuer o rottJro. a fllmagtm t • mo'htigem d b se:
e fora para (len to' A violen'
ele ~ m .. ii "PoIftIêi di U ...." , 1963 ,
g•. .. "AlpKtOJ PoIfIkol da ReYOluçi o

seus . emel ha n tes pata d irigir a vida da rccém.formad" (~
nldade revole.da. Essa ucolha t fcila a o nlvel d.1S po. •
... dadcs, mais mlaticas que politicas, da comunidade. Embora
tKonstitulçAo histórica, G."ga Zumba tinha um significado
atuaJ que era, no momento pcllrico bra sileiro. uma aspiraçÃO
Idealista. p ura mente teórica c utóp ica .

I .- .- .

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--.-
Os Impasses
da Ambigüidade
que tal aspiração pode concretizar-se. ,e pelo i rromplm~ l'It'S
zu u cotidiano, .endo hlt últlmo O modtlo e o iniciador da. da conscltncla. que lhes permite nlo cctnctdtr com lua .itu._
cria nça, na vld~ . 0,,-1 u.balh. 110 a1mpo t Ira: o dinheiro çio obJetJvl. que Nelaon Peretra dos Santo. situa hum. na _
par.- o lar; em cala. Ile fu 01 umlhOl JIlal. penoso. . A '. .. mente a vida vegetativa de .uas pusonagens.
m6c cabem os trabalhol domü tlcol. bem como culdu da vida eue núcleo famJllal ..sim delJnido vai ser co nf ron tado
emoti\'. dos filho•. Pcnantc, us. familJa nAo ae caracterl:a com os princlpai. elem.entos ccnentcuvcs da sociedade, O tra·
como llpicamrntt: ,ul'lncla. A iNo. deve-se 8cr UCalUt que. balho ccnsrste em cuJdar da propriedade alheia: FabIano t
embora possam su nordulinol. o, tipol do••tOeu nJo slo •
vaqueiro de um fazendeiro. esse tra~lho t, primitivo. la,z-.e.
especialmente catllclrtlsllcos do nordeste. sobretudo Fa biano ..altm do cavalo. com um equipamento mini mo que se lImita
(A lil. lórlo' . Por sua organlzaçlo. rdaçOu Internas e...divJ- ~ a-proteger o corpo humano; o resto t tratado dueto com a ma-
sio de tt4l balho. usa familia pode lU tanto l utancJa como
da cla sse mid!a de qualquer centro urbano: pode ur ati ttrla bruta . O fazendeiro t o explorador que reso lve a seu
mais classe mldia que sertaneja. A estrutura do mmc nlo t bel prazer qual a rem.uneração que cabe ao vaqueiro. Fabiano
condicionada pt/a 8 ..10 das ptuonagcn•. mas stm pela natu- tenta discutir. mas logo se curva. Fabiano tenta vender carne
• de um animal seu: fiscais da prefeitura o Impedem J;, que
teu : I • sic. r • chuva que '0'10 decidir do Inlcio. do meio
e do fim do fl1.llle. Expulsa pd4 Ifca de leU lugar de origem. não pagou os devidos imposto.: Fabiano nAo sabia. vai e m-
• bora com sua carne. A rel igil o t um rit ua l mecântcc qu e deilla
a famJlJa caminha pelo sertão A procura de trabalho e de •• os homens em sua solidlo: Fabia no quase não co nse gue entrar
meios de subsutlncla. Graças A chegada da estaçlio chu vosa.
l iCllrA uma letllporada nutlla lazenda; A volta da IfCll. cee-
tinuarA lua andança. FabIAno e .os 'eu, vivem num mundo ... na Igreja. de que nl o vemos a parte interio r. e logo sal. A
policia t a arbitrariedade. Longe de l er um elemento de ordem•

;I-
onde não agem. mas são agidos. AnalEa betos. seus pertences ela provOQl I sJtuaç!o que lhe permitirA in tervi r. Fabiano
sio rt d u: ldos a uns trapo. e uns instr umentos de cc nuhe. ténta 1110 r~gir.~ curvar-se: só reage q uando a huml1h3çlo
Sua ação # !tdtalda li obt enção de melo, de sobrtvivtncia foi g rande de mais.;. t a ",dcla . A cuh ure . qua ndo erudita. t
lmeOI&t.1. E,!& !u:.a prl.DArfa levll-os a recorrer <: extremos. reservada ao fazenlfeJro. cuja filha tem a ulas de '0'10110 0 : Isso
COr.IO sei" \7GI1.e; um louro de csllmll;.lo. Ma, o loure, que faz parte doe S\.iii C'on dic;l o sodal. QU3ndo popula r. a cultura
nem lalava. ua inulll. JnúlH e supt rf luo i l udo o que nãc t ta mbtm reservada ao fazendeiro : enquanto se tcaliza o es-
Jerve para a jm~djata sobrl:vivtncll1. O luturo tambtm pet aculu folcl6rlco do buraba-meu-bot, que t prAtkamente de .
In útil e suptrfluo. MO existe . Dilldjmente ' com unlca m ~ se
ere e si; suas relações. Ereqlltntemtdte. nAq ultrap as sa m .,
~,
dlcado lO fuendelro. Fabiano estl na cadeia. Fazendeiro.
fisca is. Ig reja. policia alo pcdêrea localizados na aldeia perto
uma 4IIua coindd tncia ou uma relaçAo pouco acJma do da qual moram Fabiano e sua famllla . Na a ldeia. Fabiano t
lU iJ animal. A comunicaçlo pode tambtm temer-se rlpi~ comp letamente espoliado: ê-lhe retirado o fruto de teu tra-

~
~r~a:I"a'i"'
iIJmte
agreuJva. O falaz t raro e Dlo atabelece diAlogo.
um deaabafo tndMdual. No tntaDto,' do do des-
balho. o direito de dispor de seus escassos bens; é-lhe retirado
att o folclore e. na cena com o soldado. é-lhe red rado atê o
P- CIo ~e conadlDdI. e t mato que H dlferencJam do r eino direito de existir. A soci edade não se satisfaz em urar todos
:ve di.! • DIo tenham condJç:lSa 'di Ht gente. os dJteJtos que a Constituição concede ao homem. mas p re-
.. ta uplrUa • it~Jo: o pqrta~voz dessa ten de tambtm dlmtnul-lo fisicamente. Fabiano nlo se revolta
JiiW N':i6lIã (Mat"la'iiJbdto). Ser gente T em. vez ou outra. um g uto. uma pal,vra. logo rep rimido.
~adva. RO! Opf#Jç!9. do reino M a. N elson PereIra dos Sa ntos 1.10 pretende esmaga r
(iiiió ot. dormJt em
íábem que
tam6tiD ter uni
cliliGe g,ande
I , ua personagem d ebaixo do servlllsmo. O que representam
eu tl men te para F abiano essas tentativas de reaçl o : T rata.se
de uma defesa q uase anima n Ble entende a policia e o fa zen ~
delro como entende a slca? Tem conscit ncla de seus d, reitOs

6J
t de suas \"on la des 1 Sente-se ins uficientemente forte para eadc diante do fa zendeiro, e a cundens.açAo dramltlU! da pro-
tu.glr , em rc lllo;i o a os Inimig0$7 Ou Cc rn mldol Sio per gun ta s vocatio do soldado cm q ue apenal os momentos fOrles llAo
li que o film e nAo responde. mas perma nece em Fa biano um. ee nserve dc s. E m geral. O filme visa a nio d.r nada altm da
espêcre de neclec de dignidade. qu e se manifesta quando li estrutura de uma IItuatlo e. dtale ponto de viua, a cena.
h umllhaçio infligida pelo soldado se torna exCCSS!\'l! . A te um entre outras, d e Fabiano na encru zilhada. t eumpll1r. A geo.
eeno ponto. Fabiano fica pauivo: .lem. t demais : reage. cm- grafia do lugar. a dlspositlO em triAngulo dos grupos hUll1a-
bota CS~ ree ção fique sem conseqüên cras. pejo menos no nos - Fabiano com O nfle-eangacelro.f.mlha - . Iraduam
plano da ao;l0 . E»iII dignidade fa:ia ~rtt. quando foi feito a s possrbtltdedes de F.biano. suas hesitaç6cs. e chegal1l. pela
o fLllJlt . do \"ocolbul.li rio ()fjci<ll.·do entâc iJonrnador M'!j \lcl depura ção. a ler a funçlo de um signo que ult rapassa a per __
A rrais: " uma ordem de coisas ( ... ) incompatlvel com li d ig - sonagem para referir a .mbigilidade de todo um grupo hUll1a-
nidade hu mana "; adqui rir ",, , liberdades mlnimas essencia is no . Ê a mesma orlentaçlo q ue levou o dlretOr a nlo mOSlrat
;i dignidade do hom em ". E Pabi.no t utili zado por esse 90- aparte interna da 19re!. : Nstava-co nfrontar F a bIano com a
vemador como shnbolo do homem Iabncadc pelo Nord este. fachada . fazl .lo entrar e sa ir para que o essenCIal f6ne estru-
Vk!lIS Sic., en quadrava -se assim perfeitamente na poli - tu ra do. E é essa mesma críenteçâo qu e fl : Cam que ii malérla
tlU OflClill. esse nu elec de dignidade t colocado em situação oc upasse no filme um papel redu zido. H A mlstrl4 e indlgn:da _
duas vt:es no filme . As d ua s cenas ocorrem fora da a lde ia , d e em Vidas SIC4S . mal que. comparadas AI sujeira. is doenças.
são u ma resposta aos dirigentn. Saindo da aldeia. no cam in ho 401 barracos Imundos e parctalmenre dest ruidos, li subnutrlçio
de ca sa. F a l'l ian o encontra os cangaceiros, com um d os q uais d? Nordeste de um Maioria A bsoluta. têm um c" ra ter quase
es teve na ca d eia. A estrada bifurca , os cangaceiros vão se- hlgltnko . AI~ das raras vl:u em que o fi lme faz u ma pausa.
gUindo um ca minho, Sillhá Vitória e as crianças Jà envereda- durante a jua o circunstanciai e o emo tivo desvia m a rensêc
ram pej o o'Jtro: Fabiano, no cavalo que lh e emprestara UI1l (a ida da am lia II aldeia. a mo rte da cadela) . o tom to hsc

ca ng ac eiro. e olhand o para <I e~pingar cl .. . ho: mta na enc ruzilha- Pela caractertaaçâo da fat:'ll lia de Fabíe ao, a conl rcn .
da: continua r ou revolrar-ae i Fabiano to ma () rume dr C<lS"'. tilçã<, da poe rso n/lll"'m com o leque dos pri ncipais Ilori he~ d a
Essa ccr, a se oesenvclverê mois tar de : f"billn" . a rmad o de sociedade. IIS sllldas apon tadas, a s!n ~ue d l'am Atlcd. V idas
um Iaeêo, de"ara com o soldado provccadcr. perdido no mato. Sêca! 1;010c0.4e num alto nível d e a bs tra çéo. ASSIm . d etxe o
'esse enecnrrc de homem pala tlomem :"1Ie inimig o "para nu- ser tão p ara colocar-se num n lvel mais geral. Fabian o ae l>:a
migo, de nõvc Fabillno hesitará, e o soldado terá mêdo. N a d a pr à tica mmte de ler um ho mem pamcular . com problemas es-
.acontecerá, mas t uma porta aberta plica o fu turo . O fi lme pecthcos. p a ra tornar-se o homem bres tleíro esmagado p ela
1110 vai l!!Itm dessa expectativa, scer ed a d e e colocado dia nte d os pcssíveís ca minhos qu e se lhe
Antu1ormente, o filme apontara, em forma de ligeIra e oferecem, Sle é tanto o eenenerc quanto o pequeno-b urg uh
omo da Udra. um terceiro camJnho (altm da aceitação e da citadin o. e talvez mais o l egu ndo qu e o primeiro . Isso nio qu er
r a. 'utaçlo chuvosa possibilita uma leve melhora do d izer q ue Nelson Pereira d os Santos ten ha utilizado o drama
I e 4-Ja.lllflJa se dirige li aldeia, para a festa . com n ordestino para (ins s eus. desprezando seu tema Mas o qu e
i~~~~~pYOI,.. que. ,foram comprados cm demmentc eelecionou do tema, deixando de lado aqullo que n
~ urgen ~ conscguan andar com seus sa- Hirlrman selecícncu para seu documentátlo Maioria A bsoluta .
d& • ~ em grande parte cm pouibilitou·lhe atingir uni nível de abstraçio em que Fabiano
íF.r.ti14: rgu não é apenas aertane jo, lLlas é qualquer um de n6s que. no
campo ou na ddade. estamos cerceadea pelos poderes esma-
iIõi SiB... gadores da sodedade e vemos nossas poS5ibi1idadcs de reel í-
fano a e slDtuc: • dire<;ão ~çio e de progreuo truncadas. Fabiano i: lanlo aqul les que
gatA do Iiuml:ia:-m~bõi ceprC$en· MO esmagados no sertãc como eq uêles que sio esmagados nas

. 6$
prLmelros filmes da época do rr.uh ba ~ no de 1959/62 Ttmlo
· .
favdas, nos SUbUlbl(),!l, ... to' q uart~qulchmett
nos .par,,-•• (J urandlr Pime:ntel ) não é como ROm : ele nlo OSCIla entre
dos centros urbanos. P. ra chegar II lS3C t ts ul ta ~ o, era neces- ~ . 'dols" pólos' a contradição est' dentro dele . Ambientado na
sArio que o a utor do mme l0S5t um homem da Cidad e. Na es-
(ma perspectiva de qUelII vive o drama do Norde.S!.c. é ,bem cidade do '$II.lvador du rante o E stado Novo. Bahia. d e Todos
os Santos descreve, tendo como eixo o marg ina l Tõnto. a vida
provável que. urgtnda de dctcrmInadOl problemas unCdllltos
nâo nvesse permitido tal .bsuaçl0. Atas, como pensar qu,c
, de marginais e: de ponu!rios, seu trabalho. s~as luta! rei-
homen s cip cidad e pudessem Iden tWcar-.e com I.llll a pespeen- vindicató rias, .eus choques com a po1lCla. sua Vida sennmen -
va de campon ês, como perua! que. nas ddades. o sucesso de tal, seus problemas pessoais.
c.ampa:l1l. p ró rrjarma agriria ....uult11uc mAis de um pro- T õmo nlo se cnquadu em q u ~ c r esquema.-..social pré-
blema rural que de uma sitlol.ção propriamen te urbana? Tal este belecldc. Por incompatibilidade. deixou a lamllia , cc ns-
sucesso prQv~m ( crl,mUlt e do irHuhsc que alguns se,tores titulda pela avó c pela mie pretas; a mãe fOra abandonada
da burguesia industrIal [fm na reforma ag rArla e na pro!eç! o pelo marido branco. No entanto, Tôntc sente SAudades . vai vi·
de certos problemas urbanos. Vidas Séca, é um filme urbano s lt. ~l as vez ou outra, mas nlo sa be porque: lu isto. é repelJdo
a respeito do campo. c sua validade vem de seu elevado grau c vai embora . O deíe o paI, de quem pretende vingar.se por
de absuação. O ilime foi qualiIicado como naturallsta e, de- ter abandonado a mie. mas revolta-se quando lhe di ,tem que
pois do aparecimento de Deus c o D~ bo na Terr.. do Sol, n30 tem pai. Sente-se atraido por uma bela e sensua l prosti.
os admiradores dês ee último passaram, COai íaccrapr eensãc, a tuta (Ara.ssarl de: Oliveira) a quem nlo d eSAIl_ra da , mas tem
ver em Vida~ Sfca~ quase: um document'rJo, quando ele: re- releçõee sexuais com uma estrangeira [ Lcle Brah 1 a quem
presente o mais alto grau de abstraçl o atingido entre nós eãe suporta. Vive de roubos, mas é para a judar os amigos.
pelo cinema . M ora co~arglnais, na praia, ma!; to ma rcfe:lç6cs numa
pensão onde se Ro.pedam portuÃrlO!. O:. portulrios estão em-
j>CJlhados numa ijr\vc: com tIes se sclíd..ri;:" . m..s nã o a dere
li. causa. Pretende d eixar o N ordeste e ir para o sul, rnas fica
B AH IA DE T ocos os S ANT<:ls em -Selvcdcr. T OIl/o {: lHII indi\1duo cheio de contr3 ci iç~es :
- nada M q ue faÇ<l inteíramente, deixe wdo p ela meta de : t In-
capA Z de abandonar Salvador e incapaz de parar d o: pensar
em viaj ar; t inca paz de: dormir com a prostituta . de abandonar
a estrangeira: de abandonar completamente a lamUia ou d e
passar a vrvee tom ela : de não se interessar pelos grevistas
ou de se ligar profundamente a êles. Mas a ma ior de suas
contradições. essa absoluta mente Insolúvel, T êmc a encontra
cm seu próprio llsico : nem pr ête , nem branco, mula to. Branco
para os prf:tos, prtto para os brancos. T õnlc é só . A s contra.
diçOes en contradas num ROnJ estio em T Onio intuio ~lzadas,
abrangendo todos os setcres de sua vida e impossibilitando
etJalquu tipo de reaJiuçlo. por mais predria que seja Oni
é ~paz de .passar um dia com a grj.fina qu e vai aba ndonar
logo cm . seguida, mas êese t um dia de leliCidade: o mesmo
se dA com Maria da Feira : os momentos passados na cama
realizam o prazu. Tõeíc tambtm se encontra entre duas mu-
lheres que lembram bastante o dueto de A Grande F eira :

67
com ii prostituta. poderia rea liza r· se: sexualmente, mas não
\ defen der .eu. dire ito.: com elas também não se deve cola-
dorm e com da: do rme com a es tra ngeir•. mas O sexo nlio lhe bo ra r. Como ela. slo o. oprimidos. pode- se a judli_las por
dá p r,uer. De ROni • T õníc, embora êste seja cronológica- mot ivos hum anos. nAo pcltnccs. A luta relvind LC;.;lItÓtia cheio
mente anterior ao primeiro. hã um g rande pregtes$O na cons- rol a comunismo e t tio mA qua nto o outro lado. Entllo Ter,
titUIção de uma personagem con trad itória. lIm blgua. e que. gueirln ho N eto podia optar entre o anarquismo e a moral.
como ROni. SÓ que de um modo mais aprofundado. expressa Preferiu a segunda. Nem. di reita. nem a esq uerda, nec! a
ii ambigllldade d. classe mtclia.
blH"guesla. nem o povo: no meio. conservando sua pureza mo.
:-'las T riguclnnho Neto nlo levou lu últlmu eonsequén- ral e IS miai limpa., o úrucc compromisso acenável t com
elllS as contradições de sua personagem. Cerno T ômc. .ft.eu no a moral. -.
merc do ,.mlnho. Primeiro. porque o enfraqueceu ao da r-lhe Triguelrinho Neto quer que a sociedade mude. pois t m -
freqQcnu:lI'Icnt e um comportamento neurótico. autodest ruidor. su.stentAvel que flqu e como estâ.~ mas seu al'lliburgue' í5"'o
e soas conrredrções. sobretudo cm rdaçio .h duas mulheres primlirio não leva. coisa alguma a não ser rei or(ar a moral
p.t recem não ru o Inibições. Segundo. porque. no fim do filme. burgue$1l. ele teria provAvelmente supe:lldt> hse lRo rahsftl()
TOnlO en con tr a uma UptCl t de equtlíbnc. que t o mais falso e atravancador se uvesse continuado a dedicar -se ao c.nema
arbltrarlo qu e se possa imagina r. Tê níc tem um amigo ma r- Após êste longa-metragem de estreia. realizou u m docume:l_
ginal ( G eraldo d ei Re y ) cuja noiva esti grávida: e o amigo. tário de curta metragem, leu últi mo filme atê o preseme mc-
não a ndo d inhe iro para casa r. rouba uma ca rteira. TOnio. o mente. para o. Serviço de Docummtação d a Universida de de
ladr ã o. obnga-o a jogu fora a cartc.ira e exerea -c a ter umil S. Paulo: APito (1961), qu e trata da vegeta(lo no Brasn,
víd a r mpa e d igna. e: essa a ccnclusêc do autor: respeito a ilustrando a ~e segundo a qu al a pobreza vegetal provem
regras éuces funda mm tais. mais d. pobreu d o solo qu e da falta d e á gu a. e tomando
Trig\leirinho Neto tem uma raiva pro funda e dolcrcsa, víolentameate po.siçio co ntra o de.' fl'Jr t.!otamento e as queieic-

;.ci!.. d:'G'i d.. de ironj.). ÕII burguesi3. ou melhor. d cs gn: pos das. Nene fil c ~ dldâríco. aparece uma singula! per~a\õCl :
SO::!~I S pauHs:.r.nos rec~m.-cgre»os d os plar::tio3 de c."Ifl: t <lUC. o estudente ( Airton G ar cia ) . O hbee ínrcra-se cNn o eslt:dall-
,1" ver dSc. se e~pm!::am grotes<\mcnte em a lcançar uma
t!. folhean do pranchas de u e. livre. E ssa serA a un1ca ati r,
da d:gna do re~u ir.te e Q., cu ltura:. da tradicional burguesliI
etlro?éia. $atlflzar esu burguesia ua- um--dos principais mo-
dàd e d a pet!lOnagem : ol h:u. Olho: o du floroestammto, oI'ha
as ·quelmadas. a mlstria. Nada d iz, nada faz . Seu tosto fica
I'oIOS que o teriam levado a adaptar para o Cinema o roman ce
Impa n lvel. seu corpanzil. in ert e. Tem u ma única reação : fecha
ce Mino de Andrade. Amar. Verbo Ifltraflsitil.'O. projeto em um p unho de reprovação ( ou de in di gn ação) d iante d e uma
~ e pensou stri.lItnente (por êsse motivo tambl:m. ou tros.
ê epol5' dêle. namorarlam o mumo projeto) . Essa ra iva a sso- q ueima da. Essa atitude contrasta com a violên cia da menta-
ra-se a uma outra ma is antiga e mais violenta. da Iamllia . g emo os cortes bruscos. o s choques entre som c imagem . Essa
'e a I ige qualquer organizaçio social. Tudo isto está perfei- testemun ha neutra. que não se lIga à realidade a sua volta
ta ent sd1slveJ.:no filme no repudio de Tõnío peja fam llia . e que parece ser o desenvclvíme..no das contradiçOt:s que
no com aflUp'Uco da estrangeira. no tratamento levaram T eme .\ ínaçâo e à esterilidade. podena ter Sid o Ulll
o I: p.c! I itr to esfadQl;lov1sta para o qual povo e primeiro passo para ultrapassar as posições de Bahia de Todo5
os UDpoAibilidade da sociedade 05 Santos. pois tudo parece indica r que a trans{ormaçâo do

'7líii;ã,iIldi
5 da o: reformatório està tão estudante em estltua ou leva a um impasse que ~ um lmpu!-
'io' neve podu! romper. ou leva ao aniquilamento. O sill:nclo
'E a '" ue nIo cabe mais nenhum ).
""'''' iõtJtdi.d Dlo dtvt colaborar, mantido por Trigueirinho Neto desde Apelo talvez não se
Ctc 07 ()) S.itt6J. per- deve apenaS 1s dificuldades de produção cmemafográfll::a no
CI penht<tas em Brasil.

69
ironia ("Viva os de!en$Ort:t da lei!" ) . Sempre st:m açl0 no" •.
GA ÜCHO a aituaçlo inidal proposta pelo filme atinge sua cO';lUadição
... mlxlma quando o. caminhOt;s carregados es tio deixando a
• • cidade e entra no bar um homem levando nos braços seu f!lho
Ao anlqu ilamenlo. r.ambtm. levam a, pr6pria. contradl- morto de fome. Gaúcho mstlga o homem a uma reaçAo. sem
çõea do Geucbc de 01 Fuzu (Rui GUU1'a~ 1%5 ). Ccec o conseguir demovê-lo de sua passividade. Bt~do e enlouque-
ROol de A Grande Ftlrtl. Gtlúcho CItA de passagelIl em Mila- cido pela inircla do homem. aqui represen tante do po.vo.
gres: seu caminhão quebrou. "Ie aguarda u~a peça que lhe Gaúcho. num acesso de fúria incontroJada. quase htstértca.
permitirA prosseguir a viagem. O enr"do do fIlme ~esen volve­ atira centre os camlnhOes e i logo morto pelos soldados. SIrtl
se neste tempo de -eJPera. Wo momento atual. Gaucho. evee-
tualmente dono de um camInhão. dedíee-se ao transpor te de herança; uma dúvida na cabeça do soldado com quem cos-
careu : no presente caso. transporta alJmentoS. cebolas. que tumava conversar.
A pcsíçêo de Gaócho i puramente itlca e verbal : nãc
apodrecerlo durante a espera. $6bre "Ie pou co se sabe. a nlo
ser que pertenceu i tropa . que deiXou por a1otlvos que sugere:
não gostava de ser mandado e não aceitava Q trabalho dos scl-
dados. que i manter a ordem. o que S1gnJIica S1stem6t1c.amente
I propõe nt:m leva 1 qualque r tipo de açlo. nem par;! si. nem
para os e utros. Embora sua mquietaçio se ja provocado pelos
esfomeados. sua principal precccpa çãc i relativa aos soldados:
atirar sóbre camponeses esfomeados para protege~ os bens st:m suem donos dos armadns. sem que portanto se benefi-
dos ricos. A si5uaçiio de M ilagres quando chega Gau cho : uma ciem das vantagens decorrentes. êlee os defe nd em centra qu em
,"ca prolongada deixa esfomeada tOda uma populaçlo, cuja precisa comer: moralmente. t Indefen sAvel. Tal atitude angu5-
reaç.io se limita a p-atlcas mlsticas em tOrno do boi sant o para dada. sem perspectiva de açãc, leva Gaúcho a se fechar sõbre
que Deus lhe manee a chuva; os soJdados ocupam a cidade si e :a eSl:ouiàl'-Jluma açlo incon trolada e desesperada. Ga úcho
para proleger um at maz:im contra eventuais di.'ltl1rblos provo- i semelhante ao intelectual que sem saber onde se encaixar roa
cedes pda fome, ate Chel1,uem os caminhões que devefto leva r realldAdt'. sem I8ber",=omo agir. um bel" dia. par.... se deseecal-
o.~ \ivere.s parjj o lugar cnde suio vendidos. As prãticu mI.!'· caro lança uma bomrJ caseira numd reparU~io púh!ica . 2.1t: õlá~
:i;;:a~ di' tOt:lO do boi relJX'cdem os prltJca, :1.10 nlenC'S mls- i fundam entalm enu diferente de ROni: tifO t aoguHlado ( ROtll
ucas na cOrl1o d.Js fu z:if. • 010 chegava a sentir ar:.gústill ) . ,,!e s.al't' formular melh,~r sua
Gaúcho - roda só:ta. nlo est!~rado em grupo al- inq ul~taçl0 e, principal dllerençe. esee Inquietação o impede.
gum. nem a policia. nem os campon nem Q dono do ar- ccntrãrteraecte a ROnl. de seguir viagem. e o impele para uma
marim - tem inicialmente uma atlvida moral expressa em açlo violenta. que SÓ não é lnccnseq üente porque o leva a
convusas. Tenta convencer um IOldado de que manter a seu próprio aniquilamento. No cin ema brasileiro. a' morte de
ordem. quando isso aignifica proteger armaz:~s cheios contra uma personagem como Gaúcho é excepcional.
afomeadol. " lnvilvel. Estas convusas. motiva da, pela situa-
~ reposta pelo filme. nIo decorrem nem levam a ação al-
!9u~.!I1a.s conduzem a UZl1l atitude apenas verbal. Quando o
I
,
ANTÔN IO DAS MORTES
'iOJCfãdo ~un ta: "O que voe! quu que ,a gente faça? ".
a' : "Pelo menos. tom" vugonha na Gara." O
a alto das &bO'I' aumenta ,. tendo .psicológica do A personagem contra/Mórla atinge dimensões trAgica,
al1ã'õ. cuJu ~1ávru .maJa 8grdSival,tanto contra com AntOnJo das Mortes ( Maurlcio do Vale) em D eus e o
aãdõ. como tra oa CUlpoIlaea ( "O boi unto nlo é Diabo na Terra do Sol ( G lauber Rocha, 196'\ ). Se o Pablano
c: a ótatitlk âõ que outra coisa, de Vidl:s Sécas. em vez de euevee-ee diante' d o faZen9tlro. se
. qu '~DlAt a,i· rc:voltaue e o matasse. Manuel ( Gualdo dei Rcy). o vaqueiro
tiibc:Ddo e: 'P,aUeando a de Drus ~ o D ia • poderi8 eee seu prolon gamento. Manuel

71
m..:a o pa tt i o qu e: o rouba. Sua ~ vol t.1 o levlI ril a esscoar-se dad e de agir racionalmen te. Essa a ç10 56 pod erl ter a guerra ,
Inicialm enfe ao beato Sebastião ( U dio Silva ) . em nsuid ll ao uma guerra que serl a a plicaçlo de meios h umanGl IUIra a
c...ng.cei to Corisco (Othon &5tOS) . O p rimeiro momento da resolução d e problemas humanos. " Uma g ra nde guerra sem
revolta t um misticismo violento. qu e promete ao serta ne jo um a cegueira de Deu. e do Diabo. E. pra que essa ijuetra venha
pats Imaginà ria cm q ue o d eserte vira mar c correm nos de Jogo. eu. que lã matei Sebastilio, vou malar Corisco". diz
leite. O segundo momento t uma vlollncJa m/stica , a cega des - An tOnio d a Mortes. N o entan to. ena atltude 1'110 t monolltica :
tr uição. Nos dois ca sos. tra te-se de uma revo lta a lienad a . cm Ant6nio 1'110 age dêese modo como um revolucionário dedica.
q ue o vaqueiro não d ronta- seus problemas. mas t desviado do A causa: para maUl r Ea n! ticos e cangaceiros. t pa go por
dêl es por a titudes delirantes. quc..cana li:.am sua necessida de aq ul:les 'que oprimem o vaq ueiro. e le ~ um licl rio. t \'endido ..
d e mud.r a SOciedad e c sua a gressivid.1 d c. ao inimigo.
O afastamento da realidade pela alienação eelenva jâ Essa situação ap resenta elementos a nta gônitol : se ele
era um dos temas de Bsrrsumto. cm que os pescadores pro- mata a sõlde do Inimigo. não póde ser pelo bem do povo : se t
curam soluções rcliglon s para problemas concretos. D eus e o pelo bem do povo. nl o pode ser obedecendo ao inimigo. An .
Diabo ampUa o filme precedente : não s6 passa d e uma reli- t õntc d as Mortes é essa c:ontrad!çl0. N ão t que l:le viva u sa
giào predominantenltnte aEricana a uma rtllgião pred ~ m i ~ a ~ . contradlçlo. que ela seja um d os momentos de sua vrde : ela
temente cristã, como também capta as d uas atitudes prmclpa ls c:onstJtu l aeu pr6p rio ser. A persona gem de Antônio reduz.se
que marcaram. até hã a lguns anos, a revolta nordestina, e que a usa cont radlçlo. Q uando A :ltOnio das Mortes. antes de
podem ser simbolizadas pelas figuras de António Consel hei· mata r Ccnsec. anda em zlguezfl g ue para escapar As balas. a
ro e L.Jmpiio. esses dois momentos da revolUl não tra rio pro- dJreçio cO~Cl't:tiu com grande fOrça a contradlçlo da pu.
g resso algum para Manuel, a 1'110 ser libertá· lo de . ua ehene- IOnagem. \
çilo e permitir que êle en frente a rea lida de e procure soluçõ..: ~
objcti v<lS, AI íntervé m Ant6nlo das Mones.
Ü !ilmt ~ dividido em duas partes (tanlltisl\lo-caníJ;:lço ).
- _ Não pOde haver melhor ilustra ção dI) battardo sartrlano
que An tônio das M ortes : o Hulc de Les M ains SII/tS Uli
filia do 80 plutld o comunista. mas não estll intelJrtld{'l nêle
cem uma In trod:lçi o 't um epllo'il' Cada parle l: dom i n~ d D por porque 1'1110 co nsegu e desprend er-se de sua condição de burgu r:•.
uma peuonagero que condensa eçl si &s prmc.ip&b ca re cterts- _ eni o estll ín:egrad<'l na bu rguesia que o rejeita porque per-
tias do upo de revolta (o beato; o q nga ceiro ) e que n30 tence a tue partido. A estrutura das duas personagens t ex-
aparece na outra parte, 56 não respeita m.....essa di~são o cego. trema men te paredda. A n tónio das Mortes nlo consegue ea-
canlador qu ~ esu. fora do eaeêdc e p uxa o fio n'llrta tivo. pc- Irentar en a contradiçl o. q ua nto menos reselvê-Ie. Ela pode
9p'!do tu o papel de mentar de jru qua ndo leva Man uel a see dlalttJca para a scctedade. mas nio o t para êle. 2 1e lenta
COf lICO' o vaqueiro e sua mulher Rosa [ Ionê Magalhães ) : e . s lmultAnea men te elimlnA·la e subltmê -le. Par'!' eltmlnâ-la, An·
tónia das Mortu. sendo que êete e Manuel seguem d uas tOnlo quer transformar·se em mlsttrio. e le t o meempreenst-
i lnlia' aldas que atrayestam o filme todo - ou melhor. vel . não t nem Isto nem aquilo. êle t a contradição enlgmAtlca.
nt6n o da. ertes condid on. seu comportamento pelo de e sua conscrêncla estA tão pc ucc clara que "num que re que
anu ~I menos o que li lz e o que G la ubcr Rocha n lngu~ entenda nada de minha pessoa : ' Sua pessoa t tIo
on( nu contradit6ria. pois êle é enio ê , q u~ nem nome pode ter.
~ Q ual é a lua graça1~ pergunta o ce90~e êle responde : "Num
conhece~. voz ?" : A n tóni, das Mortea nio pode lU ncmea-
n,." do." Para ,ublimA.lo, êle tentar! transform a r·se em ser pre-
destinado. C umprir! lua funçl o, a qual êle JulgA histórica.

10 DI ÜOIOl u lrlfdol do livro D" 'J , () D/do M r," a ti~ Sol, 1965.

•73
DlU nllo lhe compete decidir sõbre usa lunçio nem aprec!A- • planos longos deixam em geral aOS atOres uma grande alll):'!..
la : " Fui condenado neste detUno c renho de cumprir : sem dl o do movimento. Por que Glaubu Rocha sentiu a neccstl _
pcna e pensamento. AntOnio livr.I·JC d e .uas responsabilida-
H .. dede. naquele momento. de pia r AntOnio das Mo rtes eni o
des por via metafisica. Mu nem por isso ulA Quite: n ão se encontrou um recurso mais integ rado no conJunlo do flhne
livrarA de sua má cansell nda: "andando COm remorsc", d iz para exprusar-se7
• canção do [lime. Sua função t ateluar o curso da história e AntOnio das Mortes obteve uma grande repercussão pú-
precipitar o advento dessa guu ra. que suA. gllVra de Me- bllca. não apenas entre. Intelectualidade; foi certamente jul-
nuel vncncsc. Poder-se-ta pensar que. atravb dessa .ção. _J ado apto a sedu:ir o grande público. pois Glauber Rocha re-
__ êle se íntegrasse no .\tIovJmento guerreiro, se ligasse li Ma- ~u um convite para famuma novela de tele vi sã~q u e tena
nuel. Não. Ele t e fica solitário. a le t apenas uma contra d ição AntOnio das Mcnes como personagem prindpal. AntOnio re-
e estA maculado peles contactos com o Inimigo. Ele t c fica cebeu 05 qualificativos mais grandiloqOenlu : êle " se reveste
solilátio. Ele di • Manlltl • poMibJlidade de fazer II gue:ra. • de um determinismo qu.se didàtito", "ascende i.ll5tantlne.·
lU' nlo t a guerra dêle. Nada sendo. fie. sendo mera coe- mente a um. situa çJo c1Asska ", " ê • persona gem da Necessi-
tra dição. a guerra nada pode ser para ele. O tratamento dado
a Mau ricio do Va le no papel t a extuJorl:açl o do confllto: dade". é um "instru mento dldente da H istória" . esse tom é
uma longa capa, ao envolver-lhe o corpo volumoso. dJssimula uma constante; outra é que tais grandes palavr.s não s~o ex -
seus gutc»; um cha~u de abas largas sombreia seu reste . A plicadas. Nos ombros de AntOnio das Mortes vão se ac umu-
parte mal! viva de seu corpo .10 os olho•. Anda sempre só. !ando p.lavras cnJgm'tJcaa que deium intacto seu miSlério. O
enquanto deverfn, se se quisesse ser verou lmil. estar acom- • próprio Gleubee Rocha encontra dificuldades em falar de An-
panhado por jagunços; t que AntOnio ou Mortes l solJt!rJo. tônío. Di: ~e "o filme é uma fAbule. só pAra para ser real ista
em ~n tOnlo ctas ~ortes" . Dependendo do sentido da paIA\'ra
nlo pertence a grupc . lgulZl. nem aos proprietArios de terra.
nem • i9r:ja, nem ao PQVO revoltado. nem aos campotreles. e
t um JndivJdu(,l sem st':nl!'1hantes, NAo que não baJn cutrcs AtI~ -• .
• realuta. 011 tcdc o filme é rdli~to . 011 a ação solitlrió li: An-
rente esc o t, Di:. ""r outro lede, que Ar.t~nlo "tamb~m eslA
t~nJcs rias Mo::es. C.iS ínclusrve r(,lm os ouucs nJ(,l sente afi~ I n\.l~')' ,;ona rc.Jto!60Ice". ou entio. qve "êle (; míucc c rd" e
mlth.'O . IndJs':'Jtlvdme:ut'. An:~nio das Mones as bte à tnrer-
nidadu..o\r. t6nio jura "ee dez J9rej",s sem saLto psdrcerrc ". .1 pttt4ção. nlo Ilpenas à do cantador cego. mio! ta:nbém A
Ant6nio das Mortes nAo se seare ! vontade consigo pró-
prio; t pcsslvei que o próprio autor nlo a. aentlsse Avontade ! nessa.
com a personagem. Glnbe:r Rocha teve ~uita s dificuldades
com ela. antes e durante as EIlmagaa: a personagem não
rape/tava o roteiro. e foi improvisada durante as filmagens
I Encontramos cm AntOnio das Mortes uma série de ele-
mentos iA conheddos: ROnl ( A Grande F eira ). V alente (Sof
Sóbft a Lama). Firmino (Barravento). T ôníc (Eahla de To-
dos O.f Sanro.s) são seus ancutrais e. como fi e. os basrardos
I
(uma d4ll modificaçOes substandliis Introdu:idas l que AntO-
nio era originalmente acompanbado por soldados). No modo ~~ d nema brasileiro, AntOnio estA entre dois PÓlos. não se
mamO' de apresentar a perSOJ1agem na teJa. sente..e um certe egrando em nenhum; l solitArio; nãc se realiza: enquanto
m. 1 taro vE ou cutr• . do dJr~or e do montador em relação as outrl\S persona gens SÃo tIlCllminhadas no fim do filme. l!le
nCfq ~nt Oni~ por exemplo. aUra I6bre os fanáti cos : Dlo o é; desaparece. ale dá as poSSibilida des de rea lizar a
p'1ãno . ilm os com aclimara hod:oflot.l e outroa ídên tfcc s guerra; a guerra l problema dos out~s . T udo isso ,'A o vi-
m i:I~ cc ala tiieJ1ftada 110 montados num ritmo dmo. em seus a?cestrais. M as. nfle, f . ,'u elementos .aparecem
g .ugerc o dO. H de um recurso pobu e ostm- epurados, nltldos; nenhum outro elemento vtm obscured-
a vc t~ do montadoz intetVtm los. E. sobretudo, l le a firma o que os out ros deixavam em sus"
J cataucnte nt r êI o a or em .ua gesticulação. penso e apenas estava implldto nfles : lle deve desaparecu .
Omento rcsto CIo fLlme . De fato. os ~u mais e~"tamente. deve tliminar-se. Mas l tamWm dotado
• e uma dlmensAo que faltava acs outros: a mã ~on5C lnc a.

75
Assim reencontramos em Antônio das Mor tes a quilo ~ue ,::1- de eng olir"." Nêc. Gustavo. depots de An tônio das Mortes.
mos na análise d e A Grande F eira : a estr utura da sttua çec nl o pedemca continua r a nos enganar a nôs pr6pri03: se for.
social da elesse mtd ia. ueteede -se des ta vez. nltidamente. mos honestos, nlo apena s llu, mas nós tambtm daremos
pmctes.
de SUII. pa rle prog ressis ta. Liga da às classes d irigentes pelo
d inheiro qu e utas lhe fornecem. pretende coloca r-se na pers- Em Deus c o Diabo na Terra do Sol. Antônio das Mor-
tes tem. em si. uma d imensio tr"'gica. pois ~ impOSSIbilitado de
p:ccti\'a do povo. EsUI , it\la çAo. sem perspectiva própria. faz reallzar. se em .teu mundo e a própria l6gica de seu dutlno
côm q ue til! nio consiga constituir-se realmente em classe. só lhe p'ermlte encontrar na morte sua realizaçi o (" e morrer
mBS seja a to miza da. E An t6nlo das Mortes tem essa. ma de vez ) ~as tem no film e um pa pel politMo" posrnvc, J.to
ccnsctêncta ft' q ue fala Marx. Es!7'"'!n" conscrêncte nac é que torna possível • guerra de Man uel, Mas, por que pensar
outra que a de Gla uber Rocha . qu e a minha, que a d e todos que a morte do beato e do cangaceiro permitir! a M. nud
nós. 011 melho r. de ca da um de nós. E é po r Isso. pa rec:-me. fazer a guerra? AntÔnio continua ·a pensar com os vlcios de
que AntOnio das M ortes tem tama nho poder. de sed uç ão, e Firmlno ( e Glauber Rocha tambtm , ao qu e parece ). que
por isso res iste ta nto 1 íe terpreta çãc. Porque Interpretar An- pretendia dllr ao povo sua revolução. embora Ant6nio con-
t6n io é nos analisarmos a nós próprios. sidere seu papel restri to a uma primeira fas e. ~or que ni o
O cinema brasileiro nunca che gara a esse ponto. De ~ pensar qu e a pr6pria gu erra destruirá forçosam ente o beato
Grande F~jra e Cinco Vlzes F avela. em que a classe ,?~d~ t Q cangaceiro? Por que aãe pensar qu e. se o prÔprio Ma.
se escondia de si própria para escapar a sua mA consctêncía nue! nlo fôr capaz de eliminar Mato e cangaceiro. isto t ,
e a seus p roblemas. att DelJJ ~ o D iabo na Terra do Sol. o de superar su~ duas revoltas alienadas. tampou co leri ca-
cinema brasi leiro percorreu todo o caminho necessário para pa z de fazer guerra. ou se ja. de tornar sua rt\'Olta uma
que enfim não po.ua.mO& maJs deixar de nos uaminarmos a revoluçl o? Nl foJ Manuel que eliminou suas alienaçO!S. f OI
nós próprios. de .Il:;JS int errosarmO& sõbre nessa situação '0- - um terceiro, o qu e nAo slgll.ific ' qu e M anud deixou de se r
c al. s6bre a vo\!idatle de nossa attlaçJ:;J e sôbre r..OS!4 respon- alicnadC'l. Manuel. dC'pobJ de ter ;na:ado o latifu ndiàrio. com-
sabiltdade social e po:w.:a. J\ nt~njo das M crtes encerra uma poct", -se prà~iCõlJ..Qe n te como um ser inerte. qu e se dt;u:a gUiar
f.se do encma bra),ileiro e ir.aa Ourll uma nova : qual t o p~ ­ peJo batI) e pelo cangaceiro: quem afirma qu e. a~s a morte
pcl da clam Iddia no Brasll. E-h l t d nema será predoral- de Corisco. M oUIuel passe da tnércía á açãoi MUlto provà-
,nanttlJltnte urbano. Att Antônio da) ' M ortes, ' tivemos a vebaente. M an uel procurará agarrar-se a uma nova pouibi-
i:~ em que o cinema conquistou uma maneira de pOr na lrdede. a uma nova ilusão de salda. E . nesse ca so. quem dar'
da ai" cóntradi Ou ela pequena burguesia. e nesse tpoca nos - a Manuel essa nova ilusão de sal da? O próprio A ntônio das
anema ~ U.DOI dadO • Impresslo de que a cla sse me- Mort~? O governo federal? O papel social qu e A nt6nio das
p'~ruI era ~uldora de soluçw para os proble- Mortes se atribui e transforma em destino. nã o seri uma
lIlU o raii] ' ora et~ de Anttlnio das M or tes. va mos mistificação? AI utll. a meu ver. nesta mistificação, a verde-
te;' formos honestos. o que desce- deira e essencial contr adição de Antônio. embora êste pape l
t6tiamente a nesse fav or . politico ~ej a apresentado no fil me como coerente e att prê-
e com o veete do dnema urbano. revolucionArio. o que Gle uber Rocha confirma após a reallza-
u' I havu '.laia grande sue- ç10 do filme : "Antônio das M or tes t realmente uma persc-
e o ariana. braaildro por só nagem deflagrador.. uma personagem prt -revoluoonirla:'
õfdiIie:vu1o ue...... cólMl fJcarlo efe- Mas. por que comlduar que Manuel, o povo. t Incapaz de
uanClo tu Da dade ( . .. ) Iivrar.se de sua alicnaçio? Na primeira parte do filme , Rosa .
e'li;;, qu te "Pio na tela.
. . . ) !ifel filmei. IIc yi o ter 11 ''Vitória do CiIlema N6vo", 196,. . Os v ifos P...9 me..us.".
," •

mulher de Manuel. quer que se ·~:~e~a f:n::~:al~ -~~


se volte a uma a1Ol0 UI"iI hU'fanaçio de Rosa mosuado sua
que do ter desenvolvido UM UD ;'etcns6es1" Por
vaõrte. seu fracuso. 0dll • ln8~~dddC~~i~Pde Manuel con-
que não ler desenvolvi o o em r o e r ~ --A . d •
tra Corisco1 por que cooliderar que cabe a ntonlo as
Mortes I classe IJItGla. livrar Manuel de sua aUenaçiol p~~
sal ue ii classe mtdia poss.I f"zu t6d& a tevolu~io. popu...r,
isso ~erla forte detll'ls, c apu'Ccula att antf,hlst6tICO. .ac povo
-- A Hora e a Vez
compete enccnuar $1.1.' pr6pri"" soluçw: soluçôU a pronta.
das pela dasse mtdia suíam eivada. de uros bur gueses. Mas
pensar que o povo pOSSA fazer tOda. lua revolução, ínelcstve
livrar-se de sua alie.naçlo, nio. isso n1o . Entio. q ual serra
da Classe Média
o papel da classe mtdia progrcssi5t111 Ligar.se 1 9randcD~ur.
esia1 Olhar as m6saJ1 Essa contradiçãO. DNs c o Ilibo
~ a aborda. Nada indica que o cinClDa depois de AntOnio
das Mortes nio mostre que a perspectiva que t~e pr etende
abrir pata ~fanud seja cm. realidade uma perspecuva para êíe
pr6pno. AntOnio das Mortes.
classe ml:dia. embora exp ressassem seus problemas. O atual dtas ao govlrno ou a Getullo Va rgas. enquanto que A PrI .
cinrma urbano !rata claramente da classe ml:dia: l: a primeira meira Missa ( U ma Barre to ) alude a Va rgas. RebeM o UI
lentativa consciente. Entre os filmes que vimos atl: agora e Vila Rica (Renato e Geraldo Santos Pe reira) ambienta.se no
es tes. n ão hã modificaçlio radicai, pois o cinema de eebten- Estado Neve e JoaquIm Pedro de Andrade focalh a inSl5ten .
lação rural não fl : senãe exprimir problemes da classe rnê- temente um retrato de Va rgas na casa de Garrincha. E tem-
dI.. A mudança consiste no falO de que o corpo a corpo btm Carlos Diegues faz uma breve refertncia icon09rAlk:a a
\ '11. 1 começar. Os primeiros rOUflds são Sio Pau.lo Sociedade Getülio Varsas em A Grande Cld.de. B.hi.t de Todo, os
A1'7Õflima ( Luis Sérgio Person. .1965) c O Desafio (Paulo S••ires não só se refere expressamente a V a rgas. como tam.
Cé sar SaraCtni. 1965). _ _ .. Mm qutl 3d d il, retre te da ditadura. V~as fOI abordado
mais díreteme nte em pelo menos dois Hlmes doc·J mentl! rios.
Getulio Varoas. San..uue e Glória de um Povo ( Al h edo Pa ll!-
elos. 1956). e o de Jorge lIeJI. de 1963. que continua ínédue.
.<\ PllES ES ÇJ< DO P ASSADO No cinema de Ucçlo. nlo hli 11 menor düvida de que
asa procura dos anos 1938.... ' revela uma indisfarçlivcl ten-
tativa de buscar abrl go au!s do acudo do passado. Nio se
trata de um problema de censu ra. pois êsses lilmu foram ree -
lizados num cUma de quase tOt21 liberdade, mu sim de um
adIam ento na abordagem dos problemas qu e deve encarar
atuelmente a c::~r média. Q uantia se aborda o presente. a
frantelra entre ultu ra e politica não é n!llda. Obras que
abordam o pa o podem entru de c.h6fre no domln l(l dI.
culturl. Não se tratA. aliis. de rec etc ind'\i rl ual dos ("i\·'l eu.
tas, rtlall siln de tJlI'l movimente (leral do ciru: mll has ilt i~ o O
recuo no pa n lld" tambl'III pt l:::lite uma vrsac global de certes
Ienõ meaos e uma compreensão de seu mecanlamo, e posstbí,
lita-qu e se recorra a uma certa elaboração previa. por mais
precária que seja. dessa mat!ria histOrica ; por isso, uma certa
tranqQjlJdade estttlca era posslveJ : tudo Isso te ria sido prAti.
camente impo"lvel ao abordar o presente. que teria levado
a pclêeneee.
Mu êsse não é prevêvelmente o motivo mais determi.
nente. V argas, mor to hA mais de dez a nos. continua pesando
sôbre o Brasil. Ainda t um nome popular ( rcvlstas como O
Cnlleiro fatem rcporta gens periOdicas sobre f;le) e as canse-
q úl:nclas de sua politica populista - que procu rava impedir.
saus faz~do reivindicações trabalhistas, as atitudes poUti b
de um povo q ue começava & fazer sen tir sua presença _ re-.
pueutem att hole. Por outro la do. se hls toriadofU e SOCió.
logos tentaram tatudar bse penedo. ~lu slo poucos e o as--
sunto tampouco foi abordado pela rte. litera tura ou teaffb .
Sendo aSlunto passado mas ainda VI gem c com r percuüOeS

81
p rofundas a te hoje. nade mais na tur.1 que d neastas quisusem , ,parte. "A terceira rebeldia. t o mar, que náo ~.lti no !lIm.., q
"tã acontecendo por ai ; são os camponeses, Com h llto e p l_
en fr en t á-Ic , tanto maIs que panaram sua inEAncia numa I/:pOCl
em que V ar gas. o pai dos pobres ( ~e a mie dos rJcos em eom,
pcn.wçio". diz o sa.mbll ) , encontrava-R em tOda, IS b6als,
.,
<'.
aódllJ, a Eita teria Eicado enorme, e G la uber Rocha tem ru l o.
'de um ponto de vista dramAtico e est ético. ao dteee que "a 110-
lução encontrada t mais sintética, mais violenta" . M as tal ar -
ceicttio do bem e do mil d. verdade e da c:lUltir.. Assim gumento não Justifica que o filme ola tenha sido construIdo
mesmo, o cinema pouco duse sObre V ar ga s : O'8u unt O con- emJunção da terceira rebeldia. E um aparteante explsca que a
tinua prA ticamente virgem . terceira parte. que mostraria "o grau de consciéncia p resente
Ap esar de tOda a enxurrada d e filmes f ura is, o ,ctti o do' sertanejo" .. fo! justamente_c1iminad,,_ pois "não era ne-
de hoje Ioi deixado d e lado.. No momento cm-q.u_Vidas SI· ceeséna. teria um efeito tautológIco", Pois não teria n enhum
CIU ou S eara Vumclh. foram realt:z:a dl». nlo há dú\'ida de
efeito tautológico. não sendo o presente mera dedu ção do
que os F" blanos continu,,"va:n existin do. q ue o s nordestinos passado. O que U t resolução de não aborda r o p resente.
continua vam emIgrando. mas era tam5ém a época da s LIgas
Camponesas. da sindicalização matiç. no campo, das Invasões e de dcixá~lo nas mãos dos outros. a",m como os pescado-
de terra , da implantação do salArio mlnlmo nas faze nda s : o res de Buraquinho deixam sua vida nas mãos de F Irmll\O e
cinema de fjcção nio tomou COMetimento d. situaç i o ser- Aruá, assim como a guerra de M anuel deve ser da da por
tane ja pós- Vidas Sl cas ou pós-Deus e o Diabo. Filme s6bre Antônio das Mortes. J:: reboquismo. A inda co nseqü ência de
a S'l'ncl"ah:õ1ção rural. houve pelo menos um; foi o documen, Vargas,
tado dlngldo por Carlos Alberto de Sousa Barros e finaD- O cinema Que trata da elasse média urbana é um cin ema
c/ado cm 1963 pc/o govirno federaL i o único que se conheça! dos dias atUIlIs. ExJStem por enquanto poucos filmes. mas ja
Aliás, pode-se dizer que tOdas as fOrças pop ulares ou bur- se vim -delineando algumas tend~ncillS : a vida d e subítrl-io,
9uuu qu e de um modo ou de outro se estavam movimentando, a pequ enA'"da u e ru~dla em via de proletari:ação. que esta
à procura de m,xMicilçõe5 da sociedade, não oSpArrce.m em Iii- Apod recendo em:.. sua i:ltrda e suas ne uroses ( po ~ exemplo.
mes de !:cção: allc da, lutas no campo. UsmbflD foram c.Ji· A F. ltcida de Deon H iu:l.ma r< . ou c l o:dru não !.I:eadc de
;.:j:::I<l'~ " '; " " 11.:a~ Jlmdkals de OPU!riN ou P'Jrtu ilrios. us tn- Paulo Ctsa r Sara,eo!. ba 'eacc. no I:l\!O de "fC:3 da Penha".
telectuais c os estudantes, bem como os actores mais avança· • D estJfio. que não é o roteiro do filme hOIIl ~n jmo ruliudo pelo
dos da igreja, detendo-se sempre o :clnema nos representan- mesm o d/ retor) , c i o subúrbio caetoca o ambiente id eal :
tes de uma Igreja estratificada, Um ema efetivamente pc- quanto A classe média na vIda indus:r!a l e comercial da cidade.
JluD..l não etia tu dwado de la tais ass untos: um cr- inerte e rnolda pela gra nde burguesia , t S Ão Paulo Que oferece
I1ema classe mtdlo\ podia. o ambiente mais significa tivo e ma is probl emi tico. sen do S io
Intenções de abordar o momento presente- no campo, Paulo Sociedade A nón ima o p rimeiro c por ora único fl!ee
ouve alg tl.mas: Lecn HltsZ'man e Marcos Parias preten- critico sõbre êese tema; a intelectualidade, cu jo pape! t tão
deram r I r um Engenho CÚI Galiléia. Eduardo Coutinho Importante e tio amblguo na evcluçâc brasileira, tambtm se
e ou C1U Cibra Marcado Pata Morrer. cujas filma- torna personagem. e o Rio serA o terreno mais propi cio : O
a orufãL:acnte inturompidu cm abri! de 19M: tais Desaf io. Em geral. apreSCtlta-se uma dasse média apática v _
os eXC DO quadrO do cinema brasileiro, ni o vendo num completo marasmo.
!"'~" ~. uan aS" RWseram afrontar o pre- Se a cidade é um fen6meno recente no cln~ b{asileltO
~ con'e ali.\lU fita•. de Intenções crIticas, IA serviu de pano de fundo a alguns Iíl-
1.1 • gu .. fa".meato do presente e mes reali%ados r r volta de 1930. José Medina (Fragmentos
CI de recllN do presente da Vida, 1929 , Rodolfo Rex tusUg e Aaa1berto Kcmeny
cm 9 D~ e o (Sl o Pulo. Sin!onh. da MefNSpale. 1929 ) cantaram o desee..
uma fuceJra volvimento urbanlstlco de S . Paulo. Depors a cia.de flCOU

83
p ratica mente red uzida a o erablente das comédias muaicais e o GRA.NDE M O I,U NT O
ca rna valesca s, d as chanchadas cariocas. fenômeno Importante
porqu e. bem ou ma l. a cida de Já começava 8 receber um rra-
tem ente Cinema logrAfico. certos tipos vinham sendo elabore- e.ste Í1hlmo fUme ambienta-se no BrAs. balno Pllullstl
dos, um certo modo de falar pauav8 para a cd.. ; a eh..n- onde vivem prolet6rios e pequena dane média. As per5Otla_
cbade nio ap resen tava ponto de vista critico sôbre a cidade, guu trabalham em geral por conta p«ipria: é um med.nlco
mas revela va. às veres tr õníca eeenre, cnt~ traçOJ da vida um fotóg rafo. ou são funcionArias;. O enrede desenvolve_s~
cotidiana. Hoje a cidade volta " tona. num SÓ dia. o do casamento do her61 (Gian lr.ncesto Guae-
.. Ao lado ' de filmes ú rt!'CõS. uma sêríe tle dramelhões ou nlerl). eccnírema o ritu al do-easamento - ~o e \·AM4do.
polldals esc olhe m S . P a ulo ou R io pa ra ambIenta r seus cri. fotografia. festa para os a migo s. viagem de nupciu. t.!lxl até
IDes : Crime no Sacopã (Roberto PIre!. 1963 ). O Quinto Po- a estação -e--, com 05 meios de vida dessa gente. E mbora o
der ( Al ber to Piualisi, 1963 ). ou reprodu ções como Noites casamento leja modesto. embo tei" essa gente t rabalhe, nAo hã
ue/IUs d e Co".cabana. esses. comerctats todos. 8tlngindo dinheiro que baste para pi!gar o casamento. O fil me t uma
melhor ou pior ntvel artesanal. quase todos apresentam a clas- corrida atrAs do dinheiro. culminando com a ven di! da blCI _
se média. Socialmen te mal cara cterizada. ela se decompõe em detlll do her6i. o que rep resenta um atentado ta nto ao lndi.
C r ime d e Amor (Rex Endsleig h. 1965) . A muda nça de clas- vlduo como ao ser social. pois a bicicleta era meio de trabalho
se e o ninh o q uentinho com gela d eira e am or. como em tõda e melo de divertimento. quase parte in teg ra nte do homem,
a histó ria do cmeme. continuam sendo os grandes te mas de Portanto. para submeter-se ao ritua l estabelectde pela socie-
Irlmes comerciais : a mOça (lre a Al vare: ) d e A M orte em dade. o ho~m tem de sacrificar -se.
Tr és T empos ( F ernando Campos. 1963 ) . embora n i o ven- Até ai lJoberto Santos é clero. Depois. ter na-se u m t" nto
cendo no concurso de M I55 Brasil. cua com Ulll c !lionirio e amblguo. poil reivindica para todo mundo o d ireito de vesti r
pac,sa a vrver na seereda de rica. odosa e neurônca de R io. um terno nO...o no dia do cotsame lto.
e 1I.:a~ a.»assina c!3. A l!It\<;a [ Irma Ãlvarea ] de Encon:r(l to lastimável que um indlvl1l.:0 in:eg rado "i! scctedede
c", m ii M orte ( A rtll r Duarte. 1965) 1 maltra te d e cm S . P e ufo n.1o potSe:t C:Jmp r!.r 'IS re come nd a nões d e t~a :::Iuma scctedade.
pejo marido para q uem cozlr.ha coin am or. a bandone mo - Mas nãc se cheya ii p ôr clareme.ite em duvida o r itua l a qu e
mentAneamente o lar e encontra na afta soc..!.edade caneca um s e submetem 01 noi vo s. embora êle nã o faça parte integr an te
homem q ue lhe compra um casaco de pele. 't acaba a ssassi- do ca samen to. E a q uestão se co loca d e saber se o r itual

t:l~"~ assassino ( R egiDaldo Parlas ) e a prostituta ( V irgl - val e o sacrlflcio da bicideta, se vale a pena respeitar o ritual.
S-0) de Mort~~ra um Covarde ( D iego Santilla n ) so - Parece-me que a SOCiedade t cul pa d a por não forn ecer a seus
9J!I um l~t1J,fo tranqUJlo num quartc-coztn ha-banheiro: memb ros meios adeq ua d os d e vida. mas que as personag ens
ai tarete e 1,9 uJtivar rosa. e duejam ir a balles Ire- podem tam bém ler eespea eebüree d e e por tenta rem obedecer ao
OentaoQl p. a~ EIrJ1I1l.fl': "Je t anasslnado e ela se prostitui r it ual . O Hl me é construido de ta l modo que Efca clara a
m rI n a ma . Io-'Se trata .enlo de uma outra mod a- op ressão do di nh eiro , e. com boa vo nta d e. o espectador talvez
li ãia e contra .. na asc:ençAo social. via chegue a co locar em du vida o r ilua l social. Mas isso ndQ t
cur a. ttuS lemas pred.ilet os . mult o Ia cü porque as persona gens . p lncipa baen t e o rapa{,
• • são tra tadOJ com imensa simpatia. e. para colocar em d ilvi~
~'!'Jr, o ritua l, era necessário da r pelo menos uma olhadela um
pouco crldca I6bre o comporta mttlto d os nclvcs. Sem hae
olhar. o filme t uma qUlIJe aceitação d h~e modo de vida, Por
isso. tem-se. Impressi.o de que Roberto SantOJ p-at no meio
do caminho. e hoje prolong aria sem dilvidã seu r d§cfuio

8~
, :... tsugnaçio. .a decomposlçio das coius e das peSlOal, a 1111.
lIlllltO mlis longe e mAis imp i~osa e ... tcutiC&me~te. Flnal-
j

potlncl.a.IIA Falecida. baseado em peça ne Nélson Rodrl'ilu~I,


mente. 05 noivos chega m lu.sados • estaçlo e neo _têm di- ....e a hJ.t6ria«ie \lma alienaçlo. Z\lhnJra (Fernanda Monl~ne­
nh eirO pira comprar ou lt al pu sagens : olliPlstas, voltam para ' 'iIro ), du eja morrer e um processo de auto-s\lgestlo leva-a.
a cld. de. \'10 enfrentar .. vid• • Nesse oUll1bmo. hA uma ecet-
taçio d e nAo poder cumptlf o ritual até o fim: devemo s nos morte, i.V ive em funçlo de . um em êrrc digno dos mais riCOI.
Sl tisla:u com aquilo que t da gUlle muma. ' l"'f
que .a redimirá.. Est' lrlteiramente .cor tad~ ~a vida real. e os-
• Apesar dessa reserva. O Grlnde M omento al o só é o dIa. ' em lua morbidu:, entre praticas relIgIOsas ou supersn-
film e mais llllporl antc do surto de produç! o Independente vc~ dosas e a agencia funerària que prepara seu caixão. Isso se
rtf/cado cm S. P lulo -nllP lmOS 1 957~5 8 . como t .tamWm um - deaenrola num ambiente deprimente. que a fita. filmad ~m'
marco na filmografia brasileira. Isso porque, enquan to nascia locais naturais. sugere com f6rça : o marido, Incapaz de per-
o su rto do clngaço e do Nordeste. O G rand e M omento peec- ceber • situação da mulher. estA duempregado e p rocu ra um
cupava·se com ... vida ur bana. Dia com .. lntcnçl o d e apenas bico. sendo o futebol sua vàlvula de escape; a mie vive ou-
retratA·la, mas sim de In.lisA·la; porque. na cidade. nl 0 es- vindo ràdio-novelas; 'os obJetos da casa são tristes e degra -
colhia marginais,m,,' pessoas qu e represen tam a maioria ab- dados; nas ruas, as paredes estio estragadas; chove. As coi-
solu ta na eída de: porqu e fazia do d.lnbelro o motor do enredo; sas e as pessoas, tOdas decadentes. A fotog rafia a ma, os
e fjnalmente porque era urna corntdia. comedia triste, com mo- planos demorados traduzem o ritmo arrastado d êsse mo nde
ltlentWl graves e liricos. mas com cenas cOmJces e att burles- que se vai aos pedaços. A Jnterp retaçio de Fernanda Mon-
aLlI , ptózilll.as ao tom da chanchada, A própria estrutura do tenegro. consciente e teatral, ao se opor ac na turalismo das
filme - mil e um obstáculos InterpGt:m-se entre a persona- outras Jnterpretações (exeetc À de N élson Xavier. no age nte
gem e o alvo - tem muito de comtdJa. Tudo tese animado fune.r'rio. que -4estoa) e à mediocridade do meio, valoriza
por um sadio otimismo e uma ternura paternal para com a tanto a alienação qllaJlto essa decomposição, Para C5:li:> vid a,
luta, ('IS esforços d-:sses jovens JQabalivelmente de..:1Zlidos a uma sol\lção que e u.l\a alier.t:.ção colen v a : o futebol.
ca.wt. Dlga -s.: de passllgem que rC'::f'J UeI:.Lf':l:C o fute bol ,. ~::;'I
O v rlJn;ic .Woment;J era um filme s diame dc p M d sua eeadc apresentado cada vez mais coce uma o: litI',].;ão cole-
lpoca. Ficou jsolarlõ, Era ue:. ponto de partida magnifico • tiva.: se Rio 10 Gr",u! mostrava o jOg<) como uma fes ta popu-
para WD ~a urbano ; laJlçava tem.s,~e:C'Sonagen s. amblen- lar. Garrincha. Alegria do Povo (Joaquim P edro de A n drade.
tCl que poderiam ter-se desenvolvido. .1S os dntastas não 1962) e Subterrâneos do Futebol ( Maurice C apovilla. 1965 ).
atavam aptos ainda a afrontar a dd.de. A classe mtdia de- dois doc\lmentá rlos. vl em no lutebol uma manifestação hts-
via lU atingida via AntOnio das Mortes. E o pr6p rio Ro- túJca que aliena o povo. Quanto i alJt.nação de Zu lmira. é
berto Santos, embora seja tio empalhado em fazer cinema tanto mais valorizada que atl o momento de sua morte Ial-
J;dnro luaJ puson&gtnS em casar. Dlo teve outra cpcrnnu- tac-ncs lrlformaç6f:s para compreender O se u comportamento;
e de filmar atl A Hora e Vez de Augusto Matr.ga ( 1966' . allm disso. o tempo no li/me e tio curte que torna tnverosst-
mJl a evolução psico-lisiol6gica que a leva à morte ' assim a
alienação. a vontade de morrer, apresentam-se como' um f e ~O­
meno em si naquele meio degradado.
A Falecida poderia ser um esplêndldc retra to da , da 51.: -
burhana carioca e excelente evocação do marasmo em qu e
vive grande parte da classe mldia do pais, em conseqill:ncia
das contradiçOts que J6 vimos e do processo acelerado de pro-
letarizaçio em que se encontra. Carlos Dunshee de Abran-
eh" queixa-se : " Um membro da classe media pod~ g.nhar,
por nu tubalho. cêrca de quinte vhu tDllis que ~ remune- tos mortos. d e pedacol de açlo. de h<lglllentos de ccnversa.
rat'o auferida no mais baixo nlvd da uula 1OC13.I. •• Em O rcte trc dccompOe-le Ull .eqütnCÚls curtu que pouco cola-
paute» anca. ~ diftrUlça de remunuaçlo que ~I!a 0, pa· bo ram p a ra a evoluçio do "nrido e JAo prltic. mentt desc n-
dr êc de v'ida red uzfu-se para mmOJ de tel! vt%tI . A SItua- çôts de estadOl ImÓvels. As resoluçôts l.ão tom ..da s pelas per.
çlo do p rofi;slonal ti bera l t das mais insth eis, pois. apesar so nagens en tre as If:qütnclas. Se S a r<lceni elimina as cenas de
de redes os serviços que presta ao pais, conlloua A branch t $, decuãc i porque nio hA prOpria mente resol,,!ção. nem decisão.
fIe "recebe do Poder Publico no Brasil um tratamento tal que. E stamos nu m nini multo próximo " vida veg eta tiva. As per-
de-se-te. um por objenvc ,eliminar os profJ"ionais llbera!s ... sona gens vão sendo levadas ind epend entemen te de sua venta-
Entre nós. o e arcctensucc da proflsUo.JlbuaJ t li inse guran- de. não contra sua v-ontade. pol ~ essa v-ontide ! quase ine-
ça" ," A F aled da sug erJria perfeitamente essa dtg~adaçl.o xistente. E . ' no melo dhse ~ deienee. ecos apagados lembrnm
lenta da classe mtdi... esse resvalo para um nlvel de Vid a bat- a exis ti ncia. IA fora, de u m mundQ. problemá ttco : ~ uma ins-
xo. usa diminuiçAo de suas possibilidades. 010 I õsse _ii se- crlClo, contra o parlametltarismo , em pa rt e apa gada. numa
gunda parte do liIme. em que um retrcspectc dA ii ex p h ~~çáO parede: i a voz de Alziro Zarur no r6d io; ~ um [cmal ras_
do comporta:ne::to de Zu lmira : tudo isso porqu e fOra a~ul.era gado apresentando um a vís ta geral da CIdade
e apanhada em flagrante por uma \i zinha. O filme emec res- E ssa temáUca. qu e poderla mos chama r do dcfll'lha::lf:!l to
vala pa ra u~a psican~lise d e folhetim . perdendo-se tO~as as parece normal agora que o cin ema vai se aprox imando da
t:::pl1caçOu da primeira parte. Tesa-se a Impre55io ce en: dasse mêd ta . As hesitaçoes . a fa lta de ob)elivldade. a in capa ·
contrar ::a prim eira part e Lecn Hlrs:ma ~ . enquanto que a se cidade de ag ir que percebemos nas )er son a gen s divtdidas en-
g l,l nda i de S i lson Rodrig ues. Nesse primeira parte . re conhe- tre dois pólos:"ncontram na allena çêo e no marasme de Z ul·
ce-se de fil to um aspecto da temA tlca d e H! rs: m a ~ - uma m lra e Valqulr. um de seus prolon 'pmcntos nalurais. T udo
vid a que ex iste em funcão da morte - . mas as cxp l1caCOes de indica que t3~a viril a ser uma d"s I nhas nlestTa~ da l<!mll>ica
H iruman nunca pccleri<lrtl liD:lltar-se fi um ad ulttrJo . ~ d e> crneme breetleírc. Num outro ~lT'erO, A rnaldo [ebcr. com
~ a tentativa de descrever o mesmo ambtente suS';rb;no. O Circo (19f15), tllmbem u fHla a es-c iendênc,e. Nesse
tlu:d io:re e neurõuco. que frac4uou t O C rime .~r: Amor. Mas dccuerentárto. nae se trata de decadfncia de uma p '.Tsona-
re o tema disse fJl n:e. a " era da Penha • ~aul0 Cisar gamo mas de um grupo lIo<:ial e de' uma atividade ploC3sionill
~raceni conseg ue estrut urar e' rótei,ro d e D eSlJI ' o. que tam- o circo. A pós a lgu mas fotografias que sugerem o tempo êu rec
Dlm t a hlst6n a de uma a limaç1o. v ida- d egrada da.: enquanto do circo. i ·nos ap resentado um medíecre cspetl cu lo d e Circo.
rsttlYln estrut ura uma cena tm t6rno de u m ln(!Jvld uo com pessoas que continua m trabalhando. mas sem r ecurso s ma -
e rriga. que aguarda para entrar na priva d a . sendo vlduais e socials. para ma nter sua atividade num n lv el diog~
lao da d esca r ga o sinal de alivio. SaracmJ introdu : sua velhos qu e exibem lembra ncas inúteis. etc. Como no filme de
rsonagem principa l. Valqultia. no momento em que estll H irszman e no rote iro de Saracem. insiste-se em a lguns d e-
cor i:l a hlU dos piS. PersoMgens mofando . sem solda. t a lhes d eg rad a nt es: a 1c'na ra ~ g a d a . o lama çal da rua de
sem p. rlp' e v p ~rram . der frustracão em lecetrecêc, sua acesso ao circo. F inal men te. destruido o circo. Ileam uns r c-
ii ti o I à. e .lqO:lrla. frustrado SeU a mOr. frus- sld uos humanos, homens que d ã o espet ãeulos na r ua, semilOl1-
tr I maternJ(I • rinca com um rev6lver e co m, um tê r- coso que. na maior solidão. se torna m objetos de zombaria dos
lJ~~.~ lua uldi t ata m. menina. ~ tr anseuntes ou fazem a p elos mlstlcos qu e ningu t m ouve O
li r umIi iílfJCIí o geral que A f.d{ecida. roteiro não deixa de lembra r um pouco a li cn l(:a de Saracenl
SiiiiiriI ~: a dicom~fiCl o da vida em Desafio-rottJro : nenh uma p ane d o filme e apresent ad a
t o e I : siv.mente de momen- em um bloco só. tudo i fragmenta d o . p arti o O espet 40
ci rcense i re cortado em peda cin ho s. as enl revfstas são inler-
r ompidas a cad. instante. 0 ' fragm entos s o iLgados: entre s
por idli.u ou alusões, como numa conVUSoI tólu. que desenhe PORTO nAS CAIXAS
erabesccs elegancr, e ariJtocrllt.!coJ, o que dA a o , l Ume uma ,
...' li 'I_
ccrta superioridade $Ôbrc seu assunto. A pr6prla ma tt rla t Mas o tema da decadlnda e da alienação JA Ulra la nçado
transmitida de modo ,,[omJ:ado, U.lll tanto esfarrapado (c re-
•, hA alguns anos por ,Paulo Ctsar Saraceni com P6tto d as Cer-
quintado), ass im como se diluem alguma, d., palavras dos xas (1963 ) . Numa cidade do interior, completament e estag-
.entrevista dos no burburinho da rua. nada, uma mulhu (I rma Alv. rd ) resolve mata r o marido que
A travt s da decadlnda da amtocracla rural do N ordeste. a oprime. Nlo querendo f4%l~lo sõzlnha, procura a juda de seu
- - E"nessa mesma perspectiva.. emboR sem " morbidez dos fümu
preeedeares. que me pu«c enquadrar•se Menino d e Enge- j-- amante. que "hesita; procura '-a juda de um IOldado. de um
barbeiro : negam-se. Afinal. o amante dtspõe-se a matar, Ira-
nho (Valu t Dma Júnior. 1965). O pequeno mundo do En- queja no último momento; ! ela que mata o marido. Todo o
genho Sa nta Rosa. cercado pela usina que tnelu t êvelmen te tempo, ! nisso que ela pensa. Qualquer homem ! um cúm-
mais cedo ou mais tarde a absorverã, estA cm decomposição. plíce passivei, qualquer objetc cortante. uma arma pcsslvel.
O que testa da famUia do Santa Rosa : um pa,ssado brllha ntc Todo objerc da casa ou da p aisagem lhe lembram a medio-
lig.do ao Imperador. uma terra cuja maior gl6ria t que nela cridade e a estagnação d e que pretende livra r-se, todo gesto
o sol se levante ,. se ponha. A usia.a ameaça o engenho; o ou palavra do marJdo aumentam seu nojo. e uma idtia fixa
trem, o carro de ..>01; o carro, a carroça, O velho H umberto em nível patológico, que um arsenal de simbolos ligados à
Mauro abordou umbtm o tema da .ubst1tulção do engenho fatalidade e ao erouseac faz resvalar vez ou outra pa ra o dre-
pela usina num filme Iltico de alguns minutos, E ng enhos e malhi o. A pretensa revolta da mulher deixa de ser realm ente
U.finas, cm que se encara com uma costAlgica resignação o uma revolta-..pesde que ela nAo submete sua Jdtla à critica,
fim do tu dlC~ona l eIlgdlho. O. UltJJ:.bros da faClllia--do Santa pois, para libu tAr:,se do marido. qu e, acidentado. ni o ccn-
Rosa pcrd~rJm sua vitalidade. aio fu turos cad áveres: et õees 1 l>t9'ue andar, era desne..:estárlo meta-lo. A sltJação colocada
duros m()\rim·elltam~-;e ,- hiuá-tICõi:-dlanté-de -pã'fedes brincas. no inicio do fume lIão evolui, pereaanecendc i d ~n t i C-1 li si pró-
Os sr lOS que formam jA sio fotografias para Album de farel-
lia. Ainda vivos, já pertencem ao pAfsado. Uma Clontagem
- pria att o fim; o desenlace r.ão traI qualq..er novld.ulr:, jj,
que estaV:l impllcito nos dados da aituRção. A lição Já eca-
bou antes mesmo de cccaeçar. Compreende -se qu e a violência
impiedosa Interrompe as ptJ'lOnIgmS\nO melo de sua ação, do gesto de matar, Independentemente de sua necessidade cb-
01 atOres no meio de luas cvoluçOes: cortes secos Julgam sem [etíve. possa ter uma funçã o libertadora. Mas. serA qu e ao
rcmlssio as pusonagens, E a morte domina esse mundo : ! deixar a cidadezinha, só, após o crime, a mulher liber tou-s e
• monc da mãe do menino de engenbo, de uma amiga dêle. m es~0 1 g muito prcvêvel que no cinema brasileiro essa seja
8e um carneiro de estim.ção. A essa gente decadente, een-
ifr'pOe#Je o men.iJlo. inicialmente blquJdado pela presença da ,I a primeira est6rla de uma alienação caracterizada.
Tal allenaçlo ! vivida n uma cidade que conheceu outrora
uma certa prosperidade. MIl.S, hoje, a fAbri ca estA parada c
moite, mas chdo de vitalidade. pele mortaa, carnudo, olhos
randa ~ qucntq, ADtu de mail nada.tle!unolhar.um Invadida pela vegetação; do convento, sobram rulna s. Os
parddpa, AO' poucos Ju se Iibutando trens passam. nlo param, e o trabalho do marido Ilmlca.se a
morte' Cluêõbüta 'CIo lUa inicia uma Dova etapa em que agitar uma inútil bandeira vermelha . Um parque de díversões,
vazJo; uma venda, vazia, poucas garrafas ; uma feira , medIo-
,~ a
ti J?!ÓPrla, o mOmento em que
cre e Sem entusiasmo. Se há uma vida um pouco mais euve.
SiDta fU~ ~ sugestAo da • a de um adoltsCetlte excitado, t Um fogo de pa lba que não
C l e c a C l f i i . e n s J v e í tem ser piegas,
I tardará a apagar#5e, Um comld01 a uma rulaa de comido,
não hA fOrça reivindicat6rla, não se sabe. nem o que retvrn-

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drc..r. e sl0p'drts refe rentes , relorma agrArla mJ.sluram·se com duvida. a hse respenc. Embora nio fOne um filme urbano.
,a,haça. :-.lio hã fórça alguma nc m na cidade, nem dentro da s tinha como temltlce a alienaçio da clane mtdia e anun~va
pcrsonllgens. que possa vir ... ItUilt .. ordem das coisas. a o cinema ambientado no . uburb io ea rscc... Saracelll não teve
Clcc.dtncia geral. Por l$SO t que a ação acaba antes do mr- inten ç6t, de retraUlr uma cid"de d r- interior: os eklllentM se-
CIO de filme. pois nenhum elemento nõvo pode vir alterá-la . leciona dos dtMa cidade JÓ o forem .:m luo(6o do dr"lIIa A;Je-
O rctei rc. os planos demorados. 0$ lentos movimcntos de c ã- sar de ,ua "mbienUl(do. ludo caulctcri:a o flllllC como se rele -
ma r... valori zam a imobilidade um tanto hipnÓtica das perso- rindo ii dasse intdJa.
nagens c tendem.!.. dar m.i! importAnci. aos chjctos Inani- A atmosfera de Pórto das Caixas....1:TIblentaçio UI CI-
mados que à vida. A vida es ta gnou c o homem it!b t mais dade d o -Intcncr. o ri tmo· k nto. a fotogr.rla ubNnquu;ad• .
Importante q ue a maltria imlO/ma da. Antes pelo contrár io : cer ta men te não são uma 1II0va(~0 no cinema braSllc, ro. e .:Itt
alto cm su a a lienação. o homem torna -se mar!!:r'. inanimada. possível q ue li temática do hlme tempevcc o seie. Desconheço
A personagem p rincipal. vivendo de uma Jdtl,1 flxa e incapaz Limite. que Mlrlo Peixoto reali !ou no Rio em 1930. mas.
de programa r sua vida . t uma .mulhc c· que.vaJ.a ssassina r . o- i!Itravb de ..lgumas fOtografias . trechos de roteiro e certas d e-
mar ido. assim como uma mesa t uma mesa. O sol. a paisa- clareções. pode-se imaginar algumas afinidades ent re os dois
gem. llS ruína s. o chão. uma árvore, uma parede caiada. uma filmes . Cenas ruas de Limite. uma "árvore co mple tame nte
toa lha ou um espAÇO vaz io sãc tão person a gens quanto as seee e desgalhada" , ..rulna com planta. nascendo den tre a s
personagens p rópnamente d itu. Uma fotogra fia ( Mário Car- pedras" , "a rca da em ruínas". "camp o va zio visto d e long e.....
neiro ) esbran quiçada. sup eeexposte. esmaga essa 19ua morta. paredes nuas: o valer dos cbjetcs. a cesta. a mAquma de cos -
A nlÚSlca rei'cte obsessivam en te seu s d ois lem a ' . P a lta po uco tura. iii tesoUra. r ep resen ta ndo uma vi.?a monótona c mesqui-
~ r. qu e a natu reza. a ve getação, a pedra, se to rn em scbera- n ha que a m~lher recusa: o mando. um mlseràvC! • a rria do
nos. e o homem não paue de U Cl -! Icmglnqua lembrança . A no chio: tudo isso que se encontra ~m Liml/e t"l'IlbélC pode-
'4àa ao<,nlZ i! . r ia caracteriza: a o'lmb,entaç,to de Pc.rto daJ Cau4lS. O re-
A n t t~ d e PJ r~" d• .s CauiJs, ~pra ceni fizera :JOl<l tem.. uva taro indiC1 ulna mont3gc:n ler:.ta Para hlt.. b ente mte -
d e expru sa r a decad t :lcia d e um ". "ila com o film r. dccu men- norenc. E':gar B~as;j deve t ..r feit.:> uma fot(\\j r.lfla esbeae,
tá rio A rraidl do Cll bo ( 1959). A -in s ~aç ã o de lima indús- "-q uiçilld a . do tipo de branco que se enccnua hei,,: no cinema
tria qulmica. que despeja se u lixo no mar. mata ai peix es . o brasileIro, embor a mais sedoso. como aquél ~ qu e cons eguUl
que elimina a os pouco, os pescadores. obrilados a ss im a se pa ra a lgumas fita s de H umber to Ma uro . Ma~ n io é ape nas
afasUlrem cada vez ma is da a ldeia para traba ha r . Embora, no p lAsth:ame nte qu e as d uas fitas são p a rec idas. E ssa mulh er
fim do [ilme, pescadores e operários confra ternizem. a im- de Limite. que r ep ud ia um ma rid o nojento e qu e re jeita sua
ruslo que eSe guarda dl:sse filme bastante a mblgu o é uma vida d e costurei ra d o Inter io r. é pcsstvelrnente ,rmá d a assas-
illO':delfflvorável da IndústriA e sobretudo. o di scurso d e um sina d e Pórto dlu CaixlJS. Lim ite não cont a ap enas li vida de
aao semJloucO falando para ninguém . uma personagem. ma s d e tr ês, d e que se d iz qu e são trts vI-
r n i:le público nAo gostou de Põrto d as Caixas - das ar ru inadas. e a seluc êc. fr aca ssad a . q ue encon tr am. nio
nem o r (lesse filme lento e vazio - e a ma ioria da é uma tentativa de revo lta , mas de fu ga .
i te ect~hi:l i:le tam~uco ; o comlcJo principalmente cho cou. t posslvel q ue. em p a r te. Limire e Pórto d /IS Caixas le -
i la e e rre mOdo numa épOCfl em que :l sel'h.ll
•• nham a finidades q ua nt o à inspiração. e.
ma s pceervel que .s
a v esen I entoo entanto, P órto das C ai- motivações ptJndpais das d uas fita s se J.m b.stante d ríeren -
s ati a a um caminho que ag ora está tea, o q ue. tOdavia. nio imp ed iria u ma flhaçio de forma e
Iiou !1ue udera ter d Ü\'l da~ • conteúdo . Na tpoca . O t lvio d e F a ria rOl caloroso d efenso r
r u as c nclamental
o o i:f xou de tu II Os lrechos entn I JDü 110 u l u id o~ do rot~lro 'de Li'lll/
• palxOcs rxacerbam-se. 01 homens entram num processo de dea..
de Limitt; at ualmcnlc. se vê com generosldade o copJunto d o trulç.lo e de autodestrulç10. No fim do filme, só resU m mc e-
Cinema NOvo. t P«to das Caix,u que eerece sua, prefertll_ ... tos e vivos que nio valem je cuc mais do que os m~rtos . que
(ia;\< b ar f.to tamWm vltla CODlirmar posslveis afinlda dcs - tio !!Jortol por dentro. e ste esquema tem-.um senudo meu -
entre as duas filU. Não t gratuitamente que se quer 'es tebe-
fórlco: o Isolamento representa a condição humal}l d etermi -
lecee tal lJliaçlo. Ji vimos que Ctrtos aspectos Importantes d o
atual cinema brujleito. (0=0 o popu1J.sIllO. o marg Inalismo de nada pelo absurdo cm que ninguém se comu nica: SObr e hle
c/ma e o de baixo, tncon tr.v.m~t multO provAvelmente u· esquema. t enxertada. em- A /lha como nos outros filmes.
uma mitologia que tem suas fontes em autores como Edgar
_
boçados no cinema que se lazla por volta de 1930. Filiar
P6rto .du Caixas .. Limite seria encontrar mais -uma tclaçl o
enne o cinema de hoje t o de hi mais de trin ta anos. Não se
_. --- _AlliIJ1. Pce e Ba.uddaJrej~ mitologia parece ser dominada
pelo tema do tesouro escondido. O tesou ro qu e aparece em
deve esquecer que 1930 t o ano de uma revol ução promovida A /lha sob a forma de rlquuas abandonadas por pira ta s do
pela burguula IndustrJal. Ir a it m dessas Ins inuações setla Séeulc XVIII, epeeseereva-se em Fronteiras do Inf erno sob
arrix.lr mu/lo _ o cinema daquela tpoca continua ' pt" Uca _ a forma de um diamante que um garimpeiro roubava . e. cm
mente dc.sc:onhecido - . mas hl provAvelmente pesquisa, Eru- N. O.rg''-"t. do Diabo. sob a forma de um co fre que um
tIleras a Ealtr nesse sentido. velho escondia para qu e os soldados n10 o roubassem .
Parece que nos filmes dr; Khourl .. idt-ia de tesouro es-
teJa ligada a um momento r; um lugar onde a Imobilidade e a
calma totall oferecem. uma ponibil.ldade de reall%8çlo. longe
A M ITOLOGIA. DE KH OURI ••• das desordens e das dificuldades do mundo. O homem eelcr-
ç~1'-se.ia pc",- a tingir ês te idea l sem nunca o consC'tluir. Seu
fracasso t sempre ccepleec. Q uando de.lxa a busca. vã. esti
Com sea sexto e principal llIme. Noite V42:ia....{ 1965). irremedlAvdll1ente \-encJdo. Att A Ilha . Khourj 1130 ccese-
\Valtcl' Hugo Khourl tambtru !oulíZl1 <Ispectos da vida ur- guita expressar 1ãn\bem lma mitologia . As ccncavtdedes da
b.!r::a. N.10 o suOarblo. :.lU S. Pavlc, 8 vida &C'turoa da g ra'J.~ ilha rochosa. qu e guard3m o teseu-c. úo taecessrvets. Os
de metrópole. Khoari t diretor hI: maU. de de: anos: desde
1954. quan do realizou O Gig.nte o'e p~a. vem fazendo um
- homens mau toemerirlos eacoaueia a morte durante 11 prOC1,l.ra .
O s. outros desistem: De qualquer modo. a ação dos homens
fUme cada dois anOJ mau ou menos,. que elaborou uma l: vã . Note-se que essa busca nlo l: OCAsional. sendo cercada
tcmitica idealistal: num mundo em que. gua é o crlttrio do por Khourl de todo um ritual, de uma espécie d e nobreza
bom. d. verdade. da pureza. t o aconche! ante ventre ma- upeda1. que tem att uus bras6e. (bandr;lras. signos .. . ).
terno. um pe queno grupo de indJvfduoll Iso ades, de paixões como nos romances de cavalaria ,
encubadas, se entredevoram. se de.stroem; os mais perverti- Outro elemen to fundamentall da mitologia dr; Khourt l: o
4 01 os co:ruptos. sio condenados: para 01 bons. os Inocentes, gato. Em A Ilha b6. att doll gatos . O primeiro. prf:to. t dei ~
,()lII plltOt. "'lin da sobra uma esperança. desde qu e se afastem xado em casa para que M O corram risco algum o.s pelxu qu e
~.....d..ol p~tfdol . protejam sua purua e ee entreguem à gr an ~ serão levados no aquirio durante o pauelo . Cuidado maU!.
de e naturUII. :(lpiel temitiu romlJttica que en contra pois o primeiro encontro que sr; di na Ilha l: ju.tamente com
'1lfy ( J lUa mêl&:or oprado. , um gato. alego ria do desUno . O gato qu er atacar os ptixes
II gue ~ 01 filma arítuiorCll : um grupo do aquArio; o conde. que conseguiu com. dificuldade l:ste ce -
Ch'i ratô do mundo, Km. poder to - sal d e peixes. atira no gato. mas MO acertai. E ntutaln fo nas
o :""0 ar rarefaz-se. I I • d uu véus. o ga to estava perto e o conde t bom afuadJU:•
H A aI al gum fUOmeno .lI6gico, algu ma influ!ncia sobrenat.,U -
ralo N o fim do filme. os sobreviven tes deixam a ilha r; o ccn-
de esquece o aquArio. EntAo. o gato apodera- se dos peíxes e gente t ap resentada cerno sendo fanisl" . dep r,vOIIda. deca-
volta A sua morada, nada menos do que ii caverna q ue gUilf' dente: fiai aUlIJI Nudeito um público c1use IRtdi& que vt na
dA o tesouro tAo ambldordldo pelos homens. Auim. KhourJ. tela manifu t..çOcs de um. VIda . que "p lr• . e ••prestnt.çlo
.JegOflcam~nle . til : o destino apoderar.se das ( ri.tufas c desfavorável dlls pessoas que . levam compen... de Ulll. certo
destrui-Ias. modo a insa tisfaç i o que podeWI provir do nível inrenor de
a aquanc também não t n õvo nos filmes de Khc un. Em • vida do espectador. E m A /lha. mora-se em palecete. poso
FronrcirdS do Int erno viam-se cobras morta, conservadas cm ser-se late. utsqu e qu e corre que nem Ilgu• . Desde E"ranho
vid ros chercs de formol, e Luigi Picchi era fOlografa do cm Encontro. Khourl cont empla os copos de ulsque que os bv r-
p rim eiro p lll no <lIrAs dtM.eS vid ros, coma, o t em A Ilha eu és guC-'1:S sé d30 o luxo de quebrar em seus momentos d...-rai....
do aquário. Mb, em A Ilha. o aqu áríc t ii própria a legoria (~ss e mesmo guto tambtm Itdu~iu o Abllio Pe reira de AI.
do fil me. O~ peixes encontram-se isolados de se u meio natu- meida de Satlta Marta Fabril S/A.) .
ra l. que t a ,!igua co rrente. c d eve perecer ebsurdc conserva r
pelxu num ôlquallo quando hA tanta 'gua doce e UI /gada ao
redor. e sse absurdo t grifado pelo plano cm que vemos o
aquido tende o mar como pano de fundo. Do mesmo modo. NOITE V AZIA
as personllgens do lilme são eJl trard as artificialmente de seu
melO M a:s amda: os dois peixes NO separados por um VJ -
d-e. que o cond e só lira qua nde • eJlcltaç i o Icxu.1 t su fj · A farrp e o esban jamento de dinheiro prosseguelU em
cten remenre Intensa. e o mesmo JOgo que se desenrola na N oite Vazí.\ Nêste ultimo filme. Khouri nlo da t" Ma Impo r.
rlh a. onde o conde tamMm t o meneur de ieu. Uma menta- tênc ía a sua 'fnitologla. ao sistema de signo. Reen rcntra mcs o
s em ccnnap õe <!Is vêees uma cena entre as personllg en ~ com pequeno grupo de lndl\'lduos Isolados. dividIdo em pen ona-
plaaos dos peixes batendo Inútílmente no vidro paro se cn- • gene def!nHl\'amente perverttdas. t :Hi"eddas no vicio. ccrrup-
wnt rr r'~T1l Q U'In to as pcrS<'ll'age.ns. o fra c" ~ 3tJ t fla(Jrant~. tl\S. e cm peU(lna"elHl que ainda não foram totalmt'nte ccn-
~c's e s. come os eet ees. j n t efl ; il ~ o sIstema de signos fixos qufstadas pela C:;rtlIPÇ4i,O. r.uja pu reza. nns!ht\Jdadc. t~ "on -
c ee ueces. Assim cvme o gatn t .., desune. GI peixes a in - .u.neidado: repr est'n~Ul uma pouibilldarle de u lvaçAo; a ca-
COIIIUI t.:lhl -i"de as personagens slo ~g6rica :; : Cbae t o verea tornou-se nu ma garçf.Jnrutre; a agua purificadora a pa·
5IIdlsmo, Cora , o amor puro e romAnllco. etc. As persena- rece sob • forma da chuva que. n. sacada. ali sObre o corpo
gens n'Ao vivem. sio Iludas em seu algnil/aldo abst ra to e nu das p ersc'Il1agens no momen to da verdade; nA cena da be-
man adas pelo dlretor como objetl», Se att agora temos nheira . o melo equênec da ensejo ao despertar de um amor
sto uma c1il s~e lllt dia que nAo conseguia eJlpres.sar s uas con- eutên uc c, desvinculado da corrupção; o nostalgico lev.n!.r
ra!i as lu AV' PJ!a isso. aqui vemos uma classe mtdia da câ mara. no fim do filme. sôbre a copa frondosa de uma
lmp' la am n aceaa uis contradlçOU. transCorma-as em das poucas arvores que sobram entre os prtdios. utã • lem-
lp'los me ii I 9~ angustiada e romAntica. põe-se a brar uma natureza perdida e a sempre presente possibilidade
H ,. de salvação por melo do pante ísmo . Fora essas poucas alu'"
Il I sões. que. ccntrêrtamente ao, trabalhos emencree. nã o mve-
C . dee o filme. a mltolollia d4'empenha um papel discreto. O
.sexe t que eeeee u desta vee os cuidados de Khouri.
'''!'~' O suo nlo estava ausente dos outro. filmis , mas aa
• tlmldo. velado. Desta vez. !<houri desinibiU-H. N oite Vana
di a impttlSio de SoU a concr iução daqueles .sonhos d e
adoltlcentu qut ainda nio desc"briram o sexo lha 1::Ii
, . p.dente e cerebral no altar cultural da sociedade rcificada ; n10 t por nada q,",
simultAneamente UIUI c:1:4JUIÇ o 1m f i e uma Robbe-GriJl« teria aprccJado O fil me. Contam_se nOUla na
dC9 taçl o do suo. Troa de puccirml, p rojcçl o de j mes, per- tela, exibe-I( fartura no caft da manh1. mas slo prmClpal_
nog r6licos. lC'~bjan ismo. tudo lua num verda deiro ddIrlo de •
.. mente as mulheret os obJetOl do Inven tAd o : O dete Lara t a
voycu r. Voycurll do .u pctSOMgcnS cm reiaçlo a si p tópd as 368' na vida de Mario Benvenctn ait m das duas principaiS.
c 11 0 $ film es pornográficos. c U1mb&u o díretor c os especta- nove mulheres desfilam no filme, isso sem computa r as Inu-
dor es em relação 6s personagens. Atitude de voyeur tem a meras que, sob forma de bonecas, ucultu ras. fotog ra f ~a s , pin-

cAmara qu e se esconde atrás de Utll. cstante ou das grades tu ras, filmes ou pedras de gtlo, apa rece m a qui e ali, o que
de uma cama pMa foca lizar as peuonagens. Objetos de ..:__oeulmina com -a- pr6pria · quantiflcaçl0 do erotismo represen-
lIOytur. o espelho em cima· da CIma e-ao lado d&. ~nheir&.-c __
0$ quad ros de mulhees nuas . Sltabolo de voyttJrlsmc. hus tada por fotografias de um templo hindu, Sob o signo da
olhos do Presidente Kennedy que entram numa monta gem quantidade encontra-se tamMm o enrtdo : acumulam-se as
rao pida Com o rosto do pervertido e sol1t!rlo Mario Bcnvenuti tentativas de encontrar algo luscetivel de divertir as qu atro
olha ndo a paz amorosa do casal Nonaa Beng uel. Gabr icle personagens entediadas, In felizmen te, fste aspecto ,do fil me.
Tin ti.
que, embora não apresentando novidade. me parece Importan-
No entanto, nesse seu primeiro filme realmente urbano, te para o dnema brasllc:iro, nlo chega a adquirir tOda a slg-
Khouri demonstra sensibUidede em relaç l o ao ambiente da nlfJcação que: poderia tu : a puerl1Jdade com que Ireqüente-
cidad e. As personag ell.$ existem nas ruas de S. Paulo : o va- mente l introd uzido O dinheiro no filme, a preocupação tena z
zio com que se depara o homem de neg6dos depois de fechar cm manter o quarteto de personagens em sua perspect iva me-
o escrftôréo leva-o a preferir, • companhia da espôsa, a da- tafiSIca no tom salvaç l o/ danaç10. o tra tamento pornogrlfico
qudas meninas que ainda nJ.o são prostitutas e Uperam en- e. '"COmercfalÉ0 sexo, Impedem a quantidade e o vo!lC'urisme
conuar na Galeria Califórnia um a1fvio para o orçamento de c:xprusar a nificação e um albeiamento da vida, e chegam
mensal. Hâ tambtm, na Galeria Califómia ou nA Rua Slo quase a t(.rnar NQj,te Vatu um fUme feito para cho,ar o pU.
Luis, menino"! que se eproxlm,lm com espanto dos trinta e que blícc dos domIngos e os censores.
nada t êm a fazer de ncne .IIen&o cultuSor deleeídos complexos.
E o que {.uem os neurÓtJ.:os do ftlme nlo representa exagtro
algum em rrJaçào ao que QCOtre em dctermlnados apart amen-
-
tos CIo centro da cidadc. Tambtm t v~addro o papcl do BIPOLARIDADe
dInheiro cm N oite Vazie. Para allrmar#Af. Mario Beeveecu
P.nasa tanto do exibicionismo sn:;ua1 quanto do moneu,d o.
Tem d.ln.heiro, compra seu amigo e sua amante, que, para êle. O utro elemento a notar o filme, e que tamMm t pre-
se tomam objetos, e: com um maço de notas jogado na ca ma, Judica do por sua pretensa carga metaflsica. t a simetria entre
entre Norma Benguel e Gabriele Tlntl, que ele pretende d ee-
truJr: liarmonia momcntADca dos doa aeeceadce. I E , a fim
, os dois casals. A oposição entre casais pervertidos, condena-
dos a não amar, e casais romAnticos e puros, percorre tOda a
e r monoJíUimo da personagCllS, os puros ficam obra de Khoud. Enquanto o casal Norma Benguel.GabdeJe

.~ ... .
CIII. ii arculto dO ,din.bdro manejado exclusivamente
~: .
l Ttau ainda t puro, não toca em dinbeiro, o casal Odete Lara-
Mario Beevenuu t perverude e mAnipula dinhdro: em cima
da cama do primeiro casal, um quadro representa duas me#
ninas estilo Made Laurendn: em cima da cama do segundo
caaal. carnudas mulheres nuas vlo ao banho; o acno calmo c
carinhoso de Gabrlele Tlnti Op~1e l solidlo angustiada de
Mario Benvenutl L .10 01 c:limax psicológicos dc-.... dual pCf#

!IOnagens: A lem bra nça infantil de Norma Benguel. chuva e faundel ro. encravada na primeira parte. corresponde a cena
bolos na frig ideira. corresponde o pesadelo de Odete Lara : de Ant6nlo com o cego. encravada na segunda parte. Quer
e os exe mplos ~o numerosos. Quanto aos dois homens. s ua s dizer que há um j6go de eorespcndêncras e de lilllemas. não
~ e eções Solo ld l ntica s oh que IiS.tIl as duu mulheres. A ssim. total. mas relativamente complexo.
as qua tro perHlnlgens são simltricas conforme um eixo ver - CorrupondenclaJ e simetrias não são r.o'l:·ldade. e nós as
. ~ e uer e '1:0 hortaon ta l. Essa dleotomi. fortemente a cen- encontramos tanto na poesia simbolista como na comtdia de
...01 no filme: e que: se encaixa provàvelmente na perspective bouleuard ou no teatro ep tce. ou na sabedoria popular f\o
do ~ oytl./fU m e:. b : de Noite: Vazia um ;6go de espelhos.
e possh-e! que tal dIcotomIa ~'allte um ' problema-'in tc:.
resseme Embora não tenha ainda havido refertncia especl-
f ca I uquemu dicot6miC05. êetes forlm implidtamente su-
enta nto.. o. ra to de haver uma dicotomia tio acentuada UI;
-aee tilmes -coino Noite Vali.. e D eus e o D lllI.bo. OpDItos pc :
tantos moti vos Ideológicos e fcrmars, torna lidto pergunt<lr se
essa sfmetr ia nlo seria o reflexo. ~o níve l da estrutura tnde -
-
ser 05 pelas personagens qu e se: encontravam entre: dois pó. pendentemente dos enredos. dos ccnteúdcs. das posições teee-
los R6ni. por exemplo. em seu va ívêm entre a 411:01 burgue - Iógk as), da situaçlo daq uelas f.'ersonagens que vimos d I.
skl e o lumpem .proletariado. en tre SUIS duas amantes que das entre doi, pólos. situação essa em que localizamos a u-
pertencem a lHes dois pólos socia is. represen ta de certo modo pressão das hultaÇOts. da Incapacidade da claue mt d ia b ee-
um eixo de SIr:'1 etria en tre 05 dois ex tremos sociais. e. válido sileira-, Ou melhor. se a classe lI!tdia - sem projeto pró.
pergu nta r se: ess a situlIção entre dois pólos. fundamental para prio.. v/nculando-se. por motivos diversos. tanto à bu rguula
n umer osa s personagens e para o conjun to da temAtia do ci- quanto .a o :xo - nlo expressana essa hipolaridade atra vés
nema bras ileiro. não poderia a tin gir. nlo a penas personagens. de estrutura simttrlcas. ~ uma pergunta. ~ cedo d emais
mas também a p r ép rta estrutura dos filmes. pa~~ ~upond t a firmativa ou negativamente. mas me parece
Nâe hA mUlt03 ftlees que rt'sf'ondam ao apêlc. N e m
" 1,: neutro, poderemos encontrar rec urso:! dh ~e tipn. ba sta nte
- ser,..um"

"
, linha de pesquisa válida.

~a un ifkllti vos ': 111 Os Vell:idof, eri. que. como n um j~g::. de r,. i.· ,"
espelhos. o pesc a dor extremista respo,nde a o grande hur g\: l!s
. Sexo.
'I •.
extremista , e: a c en til bl'rguesa ao gebtil"Aucador: em q ue os -: AIIIP.ÇJ.o E AN AR QUI A
,
ex frem istas rad icais que morrem luem eco 'aos centristas con - "
ciliadores qae permanecem em vida. Mas t princípalme n te
DrtJS. e. o Dra L"o I'll Terra do Sol que nos oferece uma est r u-
ra ttr ca óbvia As duas lasu d.. revolta de Ma n uel
510 sug rtd as. de. um moelo manlquelsta. por Deus e pele

ta
aliO. ~Jo B me ptlo Mal. entre os quais Ant6nio das M or-
~ rda io iartUca : " P ra melhorar por bem te m d e
,
(fatru ~~ ma l (irast up:rimi na venio fina l do filme) .
lasa da revolta ttm es tura. priticamente iguais:
60 aMltimo Jolaato omlnado pelo beato cor-
01 ;\
Clà.~ caD ,~o. cena
~r
9 Clã
oe
.5canga-
a cena
duas

~Clre e o
, '
.; • .,-" . wna peça de Ntlson Rodrigues. Basta esta lista para Indlc:ar
~~o (Ateio de Andrade. 1961) . A Sina do ...,. ... rtiptre·jro -que Ntlson Rodrigues t um ra ro .ucesso no dnema. E sc:apa m
(Jl»t MOJ/ta Marins. 19S9) tem tambtm. lUas PW+I1.a!!dadu, .. ' ao "e3plrito de N tlson Rodriguu : A Fa lecida em su a prl·
com uma mulher que tita a alcinha quan do o ho~em,~ • . ut6 ,. melra parte; com o ' lrlo O B6ca de O uro. Nelson Pereira dos
em c/ma dela : O, Ca/ ajtJtt:S (Rui Guttra, 1962 ) t ~m ,coito. Santo. adaptou uma peça do dramat urgo m8!..não quis aujar
de vArlos tipos e uma seqDlndl dedlçada a ~orm a l Benguel às próprias mlos:' O BeiJO: ao adaptar BeiJO no A sfalto.
nua. O fenómeno não passada de . um elemen to natu!_l d. T ambelIlnJ eliminou o que de mab vAlJdo havia na p eça . a
pro<f uç.lo comerdAl numa aodedade em que. pornografia f; Imprensa . ensadonalJata. conlUVando apenas o sexo. _~ qu ~
Otga:ü:ada e co:nerdall:ada. se &ses Eilmu louem. da.muma
calegona-:-Mas sio dJfu en tU d e 1nttnç~ ' e -resul ~,o"l": A
Sina do A ventureiro f; de p&sima qualldade. com fi.D.~dad es
-' -r--deu uaiir-forma do' g&luo ~x prusion rua nort e_amer lcadb,
Ntlson Rodrigucs no cinema significa : sexo, virgmdade.
estupro. nlnlomania. pederastia. lesbianis mo. prostltu!ção.
estritamente ccmerclats. enquanto que Os. Cafajestes _ou No í- r
môça aparentemente Ingl nua en comenda cU,rra sob ~edid a,
te Vazia, ainda que de resultados dJscu~lvels, eãe :o~fas de professOra primAria dedicada revela-se p rostItuta. pcltncc qu e
Intelectual! inquietos. engravida a Hlha basela sua CIlmpanha na moralidade. sogro
A êsse u /l. tamento dado ao suo re1ad ona· se outro sinai
de revolta anArquia : a abJeç!o. Apretentando ao mundo (t peduasta com ciume do genro. grã -fino oferece cu rta como
bu.rg uu~ ) uma imagem degradada dêle mumo, pensa-se espetêeulo a seus amiga.. mais lulste e uísque, mais piscinas
condeni-Io, reJeirj,.lo. Em realidlide. essa degradaçl o revela e aparta mentos de luxo. m31s o laborioso 116mito público dos
mais aurodesprho do que vontade de atuar sJbre o mundo. valOres consagrados: a bomba atómka tcm as costas larg as.
A aç.lo dessa atitude sObre o publico estA ' lJmltada:1pOb ele pois serve de pretexto a eu a mostra de p utrefaçlo pretensa-
acdtli nlo sem prazu a Imagem de um mundo avlltadô. Ena mente apoc'ã'Uptlc.a 'a -que chegou um certo grupo ;social. Bue-
atitude encontra um perfeito exemplo no plano final do fJIme gueus cnrJquecldõs\compol'tam-se ccree Impera dores romanos
de Alberto d 'A vetsa. Srara Vermdha : uma mOçD. aacrrfk a da aos quais o dinh~ dA todo pr..der sõbre C» ou tros. Os va -
pela sociedade cospe d rr 11 plat6ô1. T il atitude. Ilinda qU II! IOres ndO passalll. de.. uma fr l gU umada de verni r, que es-
numUiCAUlel:lle rara no ciDema oras:ileL"O, n:io deiXA de .u conde. momentlneamen te. a podrldio. A gangre.'l.a ""tinge esu
IJgn1flcariva dr um certo tlpo de comportamento, de um det er- sociedade pelo sexo e contamina os grupo! sociais que vrvem
minado mal-ufar desorientado. A im tncia na açâu. ou a .eu lado. ou mais .exetemenee. a da n e m~dla que serve à

a uma louca vontade de xingar. 4


peeque não te saiba ou porque não te po sa ag ir. pode levar
Suo desenfreado e abjeção, amblentadot na p~q u ena r
burguesia e se humilha a seus pés . Nêlacn Rodrig ues afirma
que a população bra. lIeLra t composta por hus Indivlduos
servis. a que o dinheiro de seus donos tirou qualquer forma
alta burguesia, euu alo as pdndpaUi caraetcnstlcas'1la obra de dignidade. Dcs fecho : um esceave-classe m ~ d ia e a pro-
c_trai de Ntbon Rodrigues que ch·m·ram a atençlo dos pro- I fess6ra.prostit uta formam um casau Inho romAntico que es-
dutora dn~togrA&o.. N&on Rodnguu aunai" fh cr- • colh e a di gnidade e rejeita o dinheiro e o mundo em que o
DClDa ll1U teve vArias peças Je um romance. MitlDcstino é homem "só t solidAdo no cAncer" ; isto ê , s6 no mal. na doen -
Pec.r) fllmadas : O B6ca de Ouro (NtllOD Pereira' dos Sen- ça. no vicio, na decad!ncla.os homens alo irmlos. Essa cloaca
toa. J962). Bonitinha M.. OrdlnUl.& · (J. P. : de "GarYalho. ~~a cm metallslC# rcsulta ' em: •... Cedo que o homem em
.~It~
í;it).~'M
~ OIt.'SeI"g<m (l. B. To.kó, 1964):'0 lliIjo (FI' . t os quadrantQl~ um' caso pUdido. um lU ulglco. que
iii ambtJUiil J~). A F.lec:Ià Ar&. , d"eõ;'lJ!duardo ama e morre. vivendo entre essas duas lJmltaç6d. A meu ver.
GcJiHnJiO. 1ii2~ ffi: WD:'fOtcUO !)aseado nada diminuIr' a ang6sUa hUmana. Mesmo u forlll.ando
Da iA Y~"Como :sg :8. E foi todO:!: n6s em Rockefeller. cada um cOm 880 tata SO a man-
~~ con
:: Xiltlio Selrii~m .. IBngraçadinna tes. caSélS na Rivlera. ,nlo saIremos de 0.0110 inferno. continua-
CIo. rlnt• . Gliu R qUJR" . <laptou tambf:m remos miseras ~rl~t ~ras, Crer .que euD. angustia possa su

103
i
I
d /minada . t digno de um sJmpló rlo Oll de um canalha ": e
"A sociedade verdadelr., II a utent ica comunidade humana, t
extra-sccíal" .
Estamos em pleno conformismo : deixemos que os rico s
fiquem ricos. JA sofrem bestente com sua ang.:istla. e voltemo-
nos para a comunidade extra -socia l. Se Nt150n Rodrigues,
.liAs. tivesse uma compreensio mais realista c menos "Dlctafi-
slca e mora lista de se u estravo.-cJaS5t méd ia. poderia chega r
ii côn c1mes mais incUIV'U .- Q uanur ao retrato de-uma a lta
burguesia degradada. nlo repercute porqu e a, persona ge ns
sio f"lsas enio hi anl!be do grupo social. Nélson Rodri·
gut.S talvez tenha tido li Intt nçio de fustigar o bu rguh ignó.
bil: ..... enveredei por um ca minho que pod e t JC levar li qual -
quer destino. menos .0 h ito ..• estou fazendo um teatro de-
sagradh'el. p~as desagradi vei' , , , " E ngano: ap6~ reticln-
eras inicia is, a burguesia ftz o sucesso de Nélson Rod rigues:
os ingredientes de Bon.itin.ha Mas Ordinir;a s10 justamente
os alimentos predJletos do masoquismo de uma burguesia que
gosta de receber bofetadas na cara ; ela observa, com um pra.
zet mal disfarl;ado de ironia, o lixo que o autor despeja sõbre
ela . Mas quem justifica a ad.aptal;io ci n emalogr~fi<:a das pe-
;;35 de Nélson Rodrigues nio t • alta burg uesia. e sim <'I classe
rr.td13. que enco:llrll tia rela aqufle luxe, abun dAI:cid. eeban-
jame ntl,l, uue acredita U:rettl. uraberlstlc<l' de urroa Vida i: qn e
aspÍl a ; e. j)Or cerre lado. a xmga(io a .q ue são sub,n etidGs o~
p rivilegi4dos compensa uma eventual fr U)lral;ào. Boa maneira
-
de ma nter cada um ere seu lugar e evita: q ualquer a lteração
do stetu quo.

CAN ALHA EM C RISE

Ousa classe mtdJa que serve de apoio" meta fisica de


alter Hugo Khourl. e que ttm sido contaminada pe lo di.
iUid~ de seus doaI» a ponto de puder sua dignidade. o qu e
leva tlson Rodrigues 8' uma posição conformista. M ig uel
Bórgu eabol;ara um retrato critico em 1963. com Canalha em
Grise, Um&! das personagms emtrals do filme t um Jorn a lis~
r.. cnçarngado pela reVIsta onde trabalha de escrever uma

I
(/ "~'''f'''' ~l~rtfh' IOJ " reportagem sõbre as Blividades de um g rupo de marginais. A
• v~ldl' "",n" fIlho I reportagem t rttusa d a por violenta d emais. A revista pede
um texto mais suave. M as sâo Justa mente aquelas idbas que
ele queria transmitir e nlo outras. Embora amea çado de pu.
der o emprtgo se nlo entregar outra reportagem satis!atóTla,
êle nãc consegue escrever .. ' att que consiga. Chega il con-
clusão de que n10 adianta bencee o herói e que. no fundo. Vllt
duer mais ou menos a mesma coisa com outras palavras O
Jornallsta. após tu 3firmado que não escreveria - tra repor __
tagem. tranalge. Conforme suas próprias palavras. nl o passa
de um "intelectuaI6ide metido à bêsta". E ncontra um mela
thmo que saUs!arA todo mundo: dirA mais ou menos o que
quer (talvez menos do que mais). e fica ra em pat cem su..
preocupaçoes sociais. permane\.era no emprtgo e ni o choca rl
a sociedade que representa a revista. Ê a conClliaçio. Quan-
do sua noiva; pu<ebc a atitude do rapa z. ela te nta colocar o
problema de modo um pouco mais daro: "O importa nte t te -
mar uma decido", e ele resolve sumãrtameo te a SItuado:
"Você u11 ~aguando tudo. como se uma reportagem 16ue
o troço mals.Vmportante do mundo." T udo isto se dt entre
quatro pa.redts, nunca o Jornalista t visto em contacto nem
- core o obJI::o de sua reportA'iltm, nem co m a revista . e, qcandc
olha pda Jal1e13. dufC'=. -~t II paiSaup.m d a ci,j" c'e:. EstA en-
d":lsurado. I, penor.agem do jorn"liJ~a. comp<.'5I a cu: 191)3.
ja coloca peuona gens e: temas impo rta ntes qu e se desen vol-
veriam mais tarde, nos fil rn u d e 1961 -65. Embora esquem.ll-
ucc e ne m d e todo Intelígfvel, Canalha em Cnse t um filme
de: certo modo precursor r a censura o in terditou du ra nte vâ-
rios anos. prejudicando os debates qu e: teria suscita do .

S10 P AULO SoCIEDADE A NÚNIM A

SAo PfllJlo Sociedade: Anônima ( Luis St rgio Peeson.


1965) é um dos primeiros lilmes que: coloca ra m com agudu o
probleraa da dasse: média. O filme ambienta-se: em S . Paulo.
entre 1957 e: 1960, no mome:nto da euforia de:senvolvi rnentista
provocada ptl. Instalação no Estado de S . Paulo de ind us -
trias automobtllsticas utrangeiras . Perscn, de modo muito

lOS
l, pelo cargo. nem pela firma. No enta nto, desemp enha dto;
significativo. não (';colhcu como personagens .os empruârJos temente suas funçOe.t.
dessa indústria, mas sim pessoas que aprOVtltllcllm o boom. • Como tantos rapazes em S. Paulo, Carlos tentou, fazendo
montando pequend fAbricas que ,vivem na depend.êncJa da um rjpldo curse técnrec c aprendendo inglh, tornar-se apt o
grande indústria . O. donos dus", pequenas fAbricas. que a encontrar serviço numa cidade predomina ntemente indu l -
surgem da noite para o dia, desen volvem-se c enr lqu cc~m. ~e
1s custas da inflaçlo (o dinheiro t lubstJtuldo pele ~rf:d'to) c trlal, que podia absorver mio-de-obra especializada: sendo ~l h e
de manobras mais ou lDenos desone.tas. U ma prunetra cerec- fa v orÁ v el a sorte, conseguiu e...oluir, mc1horando seu salÁriO e
rertsnca dusa classe mtdla que eufOrica men te en che os bel- seu nlvel de vida. Mas sem se pergunta r a que o leva essa
. __ $0$ utli cm que o d ~nvol virntnlo .mdustrial não resulta. dela. carreira , Se n~o quis se.....-.ruilo que é. tampouco-qulS ser
mas que ela llproveita o desenvolvimento com o fim .exc!uSivO outra coisa. Nem quis, nem deixou de qu erer coisa algu ma.
de enriq uecer : estA na (olal dependlncJlI da grande mdustria, Carlos poderia dizer exatllmente o que jã fO ra dttc por uma
peJa qUlIl t condicionada. obrigando.se II obedecer-lhe cega- outra personagem. Joio Ternura , classificado por seu pr6prio
mente ponto por ponto. Representa UNI situação o italtano crredcr. Anlbal Machado. como p equeno burguis : " P ertenço
Arturo ( O lelO ZeJJonJ). que vai construir sua fábrica perto a um. espêcíe abcrreclde que não escolhl" . Dexcu-se leva r
da VoIkswagen. da \ViIlys, etc. Quais sio seus obj e!l~osl pelos acontcclmentos e fh uma carr eira qu e representa uma
Ampliar sempre mais s\;a Ubrlca e elevar seu ervel de .vlda. evoluçlo Ilpica de boa. parte da classe média paulista. Se nlo
Mais nada . O teto de Artura t um carro ncrte-a mencanc escolheu sua vida profiu iona l. também pratica mente nã o es-
que di na vrsea. um escritório digno de um grande empresê - colheu sua vida pcssoal. Casar, êle quis. não pela. noiva, nem
no, fazer publicidade. ter um apartamento na ctdade ~ uma pelo casamento. Levado . pda solidão. Ireqü em eu Luciana.
casa de campo. ler amante. bomw; bom pai de famll~a. sa- mOça casadotl{a, e acabou prbo na engrenagem famJliar. Mas
tisfaz-lile as neceuidadu sem, por tssc. dar-lhe e tençec de- t.amWm nlo r esiS!j~ A evelccêe é normal e nllo eequee es -
mais. FIgura simp.!ltica e dinl m.JCII . Arturo, para é.iegar B .;:01:1iI1 espeCial por ne do JntueUll.do : rendo sua vida pro-
seu~ fi;~s. ::':;0 hes.tll e"TI adolar atitudu servis . CO::lJ.O a,; que fIssional mal3 0)1.1 m os fixada . podendo asseq urar o) diu S:U!
toma p a vender suas peças à V<.>lksw:.geu. e cm se apre- de um élplll(lIQent" inicialmente peCjUC1I.O, c peou lista d,1sse
veuer de todo mundo. s~J a sua amante. seja seu gerente ou • mtdla. de 25-30 anos, casa; assim é O ritual.
seu~ Oçet.1rlos. os quaIS ü.o er.treg u u ~ 5C.m defesa à explc- Luciana t ambielosa e vê em A rturo O modê lo a que Car-
raçac . los deverã obedecer. Carlos. casado c gerente, estA na pele
Nesse melO v we Carlos (Valmor agas). personagem de quem ....i compra r uma casa de campo. Carlos vtve r.a In-
prlno p.1i da fIta. Q uem t l Trabalha num escritó rio. Após teira dependtncia de f_t6 res qu e não escolheu . A umenta ndo
um CurSO de desenho industrial, havendo ampla procura de seu duinter!sse por sua vida profissional e familia r, num gesto
mão de obra. entrou para a acção de concrOle da Volksw3gen. de violtncia, Inútil porque M O des trô í nem proplle seja Ij o
A qual ajuda Arturo 3 vender peçu inadequadas. ra zão por que fO r, tentarA romper. cm vão. com usa vida. Nio sabendo
que acaba sendo demitido. Pede .uxllio a Ancee. que lhe o que deseja, sabendo apenas que não quer aquilo que vrve.
o ferece um emprl go em lua f'btlca . da qual chega 3 ser ge· acabar! sendo reabsorvido pela vida inútil.
rente Sünultlncamlnte. Carlos tem vArias aman tes. mas não
"",,,, • Assi m. Perscn coloca sua personagem numa posição am ~
u cstllbcl rc!aç6a ;J61Jclu com nenhuma; namora blgua : t entregue àquela sociedade. mas não se aliena total-
va iIiii ,,ª'l""tDcontrada num curso de in- tPCJUe: ainda t capa z de .r tagir contra. Ê capaz de perceber
ca . ~aii ~-u guente da firma • Illediocridade de Arturo. Luc iana c A na . Sua ccnscrênct• .
::==" I ue o u eltcun.stAncias são ta is porém, não vai att perm1tJr~lhe a compreen são do que lhe
~, tr 9 to CI~elal nem aeentece. Mas. enquanto Arturo c Lud ana estio integ rados

to:

n~.su sod«lade: e limitam suas aspiraçOcs a urna questão de desse media. A osc.lI.çlo. todavia. nJo M resolveu por uma
nh-e! de vida . nela Carlos nlo se integ ra. escolha conscien te. Ju.tamente. nio houve u colha. nlo houve
O mesmo se dã com Htlde ( Ana Esmeralda ) e Ana elaboraçio de um p rojeto. Caelcs e levado no caminho aberto
{Da elene G I6ria) , do i$ excelentes retretc a. Ana. como Cer- pela gra nde burgutllo . N o en ta nto. sendo Ca rlos uma per ec-
los, n âo tem projeto. Pauando por vi rias camae. consagra na gem dramaturgicamente fraca, António das Mortes per-
seu tempo a ten tar subir na vid a. pondo sua plástíca e seu manece com a última pala vra. M as . co mo Carlos e uma per-
charme a serviço da publtcídede au tomohlllstlca. O reste do • sonagem que nio escolhe e Vive na depen d êneta de fat6 res
tempo. procura dfver ueen to. S ua a legria não esconde uma utuloru que não con trola e nio tenta controlar. tais fat6res
certa inqu ietaçào. e suas~f'CI.ç6es coe- CarIl» tim um qui ·...cabám. prevale<:etMe ,obre a personagem. T erna-se Ulti o
de neurótico, sêe um vaivtm estéril para os dois. Nl0 esta sa- verdadeira pusonagem principal do f11me a Cidade de
tisfclta com sua vida e n ão tenta o utra por estar com mêd c. S . Paulo na epoca do rush: autl:!.l:1lobllistlco.
Htlde, de condíçôes fjnanceiras ma is eleva das. està na mes- A persona gem, que era o elemento do mi na do r do cinema
ma situaçAo: \'ida a êsmo., Mas Jâ utli num processo ne uro- brasileiro [Inclusfve em Vid<1S Stca5). perde fórca e prestlg io
ncc avançado. que se encerrar! com o suicí dio. A arte, a li. em Slo Paulo S/A . evolução essa qu e ce rtamente não mar-
teretura. a busca do absoluto, o narcíslamc, o avllta mento de cari o conjunto, mas pele menos u ma g ra nd e parte do futuro
si própria ( d ecla ra sentir prazer em fin gir q ue trabalha num do cinema brasileiro. A impossibilidade d e C a rlos escolher. o
hotel d e rendez ·~s), o cuidado em n ãc mist urar sua vida fato de êle nio se propor a lvo algum, provoca sua a to mi zação.
\'ivida e med íocre (om a vida id eal a que a lmeja ( "Carlos. A te. agora os filmes brasileiros t êm respeita do li crdera cro,
voei: nã o t e nunca será meu amante", porque fie nlo f: digno nol6gica. se9fJlndo a din Amica da narração e da evcluçâ e das
disso) , n..da alivia sua tensão continua, nem satis faz sua real personagens, \Jsso pelo menos no c ue d i: respeito ao cnema de
angústia. que se mani festa pelo deseje de amar in tensamente. nív el cultural d,. uns a nos pa ru d O retrcspecte e ra ra mente
N ada desarmará sua alfena çãc. Suas rela ções com C a ria s ~ u tJllzado. refutn.:ias a o J?ils ,ado ~;;'o feilas apenu nos dilllo-
11.1í" 1~\'l"m J: coisa algum;!., n r.m para elA, llem pilra êle. qcs. O retrcapecto de A F a tl: rida 1. CllSO excepcional, mas nem
!':ute va ere hul."l.:l:':o. nesse \i e~t ll,·:>l ·. imemc mdu.itrl .:l !. o por iHO o espectador enccrura d ifil;õ.lldade em restabelecer 'I
dtn heiro tem um p«pel eelev..nte...Nãc SÓ o dinheiro es t ~ p re- ...ordem cronológica. Como Carlos e movido do extenor . sel:l
sente em filig ra na o tempo todo, maNreqüe.ntcmente deter- dinlmica pr6pria, êle não controla o enredo do hlee. esfa-
mina a SItua ção da, pessoas : t porqu e Ar turo nlio quer em - cela-se. e a ordem cronológica é scbvemda . T odo Sio Pau.
p restar d in heIro a Carlos qu e êste ace ita o emp rfgo: e po rqu e lo S/A (salvo as seqütncias fina is ) e um eetrespecte no in-
(ta rlo. gan ha razolvelmen te qu e se easa: e cobra nd o comis- terior do qual o tempo t tratado acronolôgicamente. Se o es-
sOes. Arturo que Cario, consegue pe-le momen tl nea men te pectador consegue perceber em linhas ge rais a evolu ção cr o-
c xeque. t porque Luclan. recebe d inheiro do pai que ela no lógica da vida de Carios, nos pormeno res n ão t p osstvel,
en , gnorando. vontade do marido, associar-se a Arturo: Na primeira pa r te do filme. sobretudo. o tempo e ceôttcc. a
~gue pretisa pagllr conta, no fim do mls que Ana tra- evolução temporal e substuutda por uma sceessêc d e frag .
inheiro qUe provoca. u ma briga en tre Carlos e meatos de açio cuja apresentação nos di uma prtnão de
n âl com • '99'ra porque ata pensa que sim ultanelsmo, Em sua falta de perspecliva p rópria, Carlos
tirO. iih"dro t o menear de jeu. t assedia d o por s uas lembranças. geralm~te provocadas por
Mortel Carlos t um pas so à acon t«imentos o u sugestões presentes, sem q ue uma ord!"""
'::l::P:~
~1 que caracteriza a p recisa lhes possa see dada , An tes o u depois. nio faz di fe
t ao ema beest- renta, Embora nlo levando essa t écntce a suas úfiimas cen-
ãe r lvee-se à seqütndal e, talvez, nAo lendo stm p re d e u ma total felicidade',
lijij(ica da o roteiro de S'o Paulo S / A parece-me u ma evoiuçlo imp,or.
l
bera pou ulndo um carro seu. ~a rlo~ foge com um carro rou·
tante numa dramalu rgia q UI!: vi'" • expressar consdentemen- 1 bado{ i um'ataque d os mais prlmArlos. quase viscer.a!. conua
te a nã c-escclha de uma person.llgem e, atravb d.t~. ~dt uma .. aquilo.• que " o ·csmága . Rouba o carro n~m e.staclonamento
classe social. "I -:,, ! ..jf?' . •
onde" se encontram milhares de carros contidos em filas,
Como Carlos nAo K impõe. quem se impor' t S. Paulo, •fre:üe ·' a frente ". no meio dos quais Carlos estA isolado ; bse
cujo dinam ismo dará .!I fita seu ritmo,! Os fragmen tos.vãe des- · plano adquue assutt um valor simb6llco e uenícc : Carlos pe r-
Iilar velcamente a nossa frente. A clmara não pira. S. Paulo • ·dídc no meio de e por justa mente aquilo que f ie con strói,
despeja d iant e de nós tudo a quJio q ue tem • oferecer. A fita
loma en tAo um muitO n/tido " pKtO de lnventlrio _,( quc J'
adivinhávamos cm milr V.tia ) com f: fdt o . cu mul.~ti vo : duas ..•.. _.. - esmagado pela quantidade e pela produç!o em sitie, rouba
-..." que faMtee.-O plano c-eensa tOda a situaçã","",e Carlos
e sua ' impottncia..
U bricas. onze musicas, qua trO bailes, nove veículos.. etc.: dee-
fi.l~un ")HIrtamento" cUaJ. bares. bua tu ; ~ ul tip UCl ~. se as
Do ponto de vista da temauca. Slo Paulo S / A i da
personagens secundarias: os acomodados paIs de LUCI. na, os maior importlncia para o cinema brasileiro, Seu aspecto mais
fiscais do M inistf;rio do Trabalho. operArios. uma louca, um relevante nlo i a apresentaçio da solidlo e da neurose na me-
ja rdineiro. uma mendiga. um motorista de ca minhlo. um ~ele. trôpele esmagadora : i a denúncia da classe m~dia como vis_
gado. um recepcionista de hotel. etc.: TV. cinema. revlst~s. eereleien te vinculada 1 grande burgu esia. de quem depende
futeboJ. pregaçOCs na rua. marcha cívrce. S. Paulo eufértcc lua sobrevivtncla e a quem se associa na explora ção do pro-
u ihe.le. Seu pasJ;,do estA definitivamente enturado: quem letariado; i a denúncia dessa massa atomizada. sem perspec-
teria acreditado Iôsse capaz o Brasil de consU'UJr ca rros; o tiva, sem proposta. unicamente preocupada em elevar seu nl-
cdt pertence ao passado; hoje O! fUhos nlo respeitam mail vel 'de vida e portanto inteira ment e 1 merc ê da burguesia que
os pais e do p6: to oe arda nada aobra. H oje. S. .Paulo t a a 'condlcJó"lI«." Em su a indefesa total. Carlos tem os braç'"
mjquina que puxa o Brasil. Do interior do estado, ~ outros abertos pat'a o {~'clsmQ.
estado.s, de OUftôls nações. gente vem tenuu: a sorte em S. Pau-
lo. opuArJt),'1 nordcsun05. uma ICineir. que pretende ingrU$llr \
na TV. jtl;Uanos, .Imlel. São Pa,do S/A i \:tD carrossel.
um tuthilh!o agitad1uJmo e barulhento. ' T udo Isso sem fina- M ARA SMO E Cõ aes
lidade., nada leva. nada. Nu ruu. a;pessoas estão ap res·
adas e de cara amarrada. A primdra reaçlo i sair de S.
Paulo. O divertimento dentro da cldad jA não aatlsfaz : o ~sse marasmO, essa falta de escolha. que, atra via de Cer-
jtito i fugir e • fuga i um dos tem.s centrais do füme: por los. encontramos na dasse m~dia . essa alienaçJo de q ue morre
nio,Cuem perspectivas próprias. u personagens são esmaga· a Zulmira de A Fal«ida. essa putre fação que decompõe a Vai.
S.
1
;1-~d~"~ por Paulo; nada tendo a opor a tue esmagamento. as qulria de Desafjo~ rotelro. não são apenas apan1gio de um cio
p@ . . . .genl fogem. asse trem. eaminbJo. lembrete, lan cha . nema que edcta uma posição crinca diante da rea lidade, mas
6iilbUi. ,ot quatro carros utiIWldoa pela. personagens. são poso J1 se tornaram temática corr ente num cinema que pretende
lldáali de. eseapar. Fug•• a casa de campo. o domingo na ser antes divertimen to que refl exão sôbre a realidade. P er.
p!!ta"mál.-" em 510 Vlcauc,. beJle ou banhó na Re- sonagens fra cassadas e desa lentadas. cu ja vida estA sendo ou
foi inútil . encontramos em Viag~ aos Seios de Duília ~ Ca r .
jo ae

.P
ibSOJu
e
.pó.
VfVéi CóiDo num filme muicano; a
H !f!t.... que o casamento
(él~ ~ta E a revolta de
los Hugo Christ ensen. 1961) ou Um Ramo P ara Lu ísa [ ]. B.
Tanko. 1965 ). O Zi ~aria ( Rodolfo Mayer ) de V Iagem
PaulO, ma que Dada tem a aos S eios de Duilia i um modesto funcionArio publico, eel-
fuga momentlnea eecc, Umido e acanhado, Km diEiculda.du financeiras, que.
SitiiIiníi ttIl8 : em· uma vez aposentado. percebe que nada adiantOu t er passad o

1Jl
\
qlUlfCJ1C. anos li remexer paptis, e vai • procura de lua in- B la mbtm revelado r que a pro flmo da personageltl prin-
iJ ncia. quando encont rou D uilJa . sua primeira namorada . o dpal de Um Ram o Para Lulu seja o jornalismo: o jomahsta
c nrcc a con tecimen to vá lido de sua vida . A personagem pr tn- tem contacto com muita gente de meios sodals virios. mexe
clpal de Um R"mo P.ra LuiSlJ ( Pil ulo POrto ) t um jornalista com u suntos: diversos. mas em geral fica lJutuando entre ee-
qu e amou uma prostituta. q ue teve uma a man te g r!.fjna sas pessoas e hsu an untos sem integrar_se realmente te pelo
( reencontra mos aqui um esquema j A l"mlliar : a personagem menos: a imagem que se tem comum ente do jorna lista ) ; tle t
entre dois pó los sociais : burguesa e prostJ tuta eram tambtm 85 um pouco uma roda sôlta. O jornalista. prota gonista de vi.
mulheres entr e as quais evolulam o ROni de A Grande Feira rios filmu recentes (Canalha em C m t . O Beijo. Society em
e.c T~nJa!,de &h ~.de T~oJo.S.n tos ), mas nio conse guiu Baby -Doll, O D esafio. Terra -eet Tr_se ) . passou • .,... _
esta belecer relaçOes duradou ras . O Jornalista ddxa escapar recer com freqamcia no cinema braslldro. e sintomlttco
a mõça q ue o filme apresen ta como sendo li solução para sua que elementos dessa ordem apareçam em Um Ramo Para
"ida nn timental: trata-se de uma colega da redaç âc do jor- Lutse, pois se trata antes de maiS nada de um film e que pre-
nal, milça do mesmo mdo social que lle. Mas ele se conlessa tende uma exp[ora çio sensadonalista do sexo. T udo »êle t
Incapa z d e deci d ir. de resol ver a lguma coisa li respei to d e si superflclal: de jornalista. a personagem $Ó tem o rOtulo: a
c de sua vida. O filme começa depois da morte da prostituta prostituta respeita os clichés. mais banais da vitima sodal
c é inteiramente construido. base de retrospectcs. O Jorna - digna e que quer redimir-se; e a ct mara limita-se a périplos
lista rememora ou conta sua vida a um colega de bebedeira . v",rios em t6rno de \lma ca ma. Mas. nesse filme vulgar e co-
Trata-se do fenOmeno que verjflcamos acima : quanto menos merciai. encontramos alguns dos elementos que caracterizam
válida é a vida presente. menos resistente e dinâmico o pre- taLnbém um ~Ime da Importâncte de; O Duafio. confirmando
sen te e mais Iraces as personagens. mais estas tendem a dis- assi m o que udemos sentir antu : o cinema critico e o co-
merciai tf:m ma evoluçi.o para], la ; dlvl".rgem fundamental_
solver-se: o passado pesa sóbre o peeseate e o invade. A per -
~ona gem não vive do presente. não se dirige para o fut uro e
ue." tro dela utagnll um paseadc morto.
- mente que nte aos pontos de vista, mas os tema.'1. os problemas.
:J.~ ptt5or:agrnl> e ,,1\CIumas ce recterts ucas ionnais lo retroa-
S .si\ll1 ifirativo que ultJmawenl\ es teja aumenta ndo a p er- pr elo. a falll . c bou.quiln ) são semr:h Hntu .
c.entlll1em de filmu que recoaem ap rencspecto. Se. n z ou O t:i'l ema de intenç6es comerciais uem eemp re se CU tvll
outra. o reteesp eete t apenas um reêuuCl, narrativo .que ena a bse marasmo. e reivindica acrimuniosamente; o nível de vida.
uma espécie de swpense. a maJotia das vbes êle corresp onde bses objetos todos que uma sociedade; deve proporcionar a
a um comportamento psicológico da personagem. como é o quem lIela e para ela trabalha . tanto mais quando ena socie-
em;: Um Ramo Para LuiSIJ ou em Viagem aos S t ios de dade va loriza tanto seus prod utos qu e torna o cons umo uma
'lia no qtul o pasudo nlo só irrompe na vida Oca do Iuu - necessidade absoluta ; Procura· se u ma Rosa <I eee Valadão .
nl:lo úbl(co. mas se torna até o próprio alvo dessa vida . 1965). Ltnc e Rosa ( Leonardo Vilar e Teresa Raquel ). dois
emento que:nos traz Um ~a mo P ara LuiSIJ é a Impor- pombos classe média. êle mecân ico. r ia professOra prtmêrta.
uantJtati ala:. que resulta da muma carectens - Traba lham bas tante : querem melhorar de posição: ser proles-
uini:l a Orç do p~ te. inuistindo dinam ismo sere jâ é um grande passo; êle fa z um curso para eeesene de
a ena, nl se ducortInando perspectivas. 8 açéo televisão. Ela quer uma geladeira e um anel; a primeira. objeto
Cd u ar" fa li. S p'rovb d que o \ineml! bre- linha branca que integra a pessoa nos prazeres da sociedade
Ulia ~Clõ p.:fõlii:o omo ajJ'ora. ~ tal ponto de consumo; o seg undo. ornamento inú.t:L1 e caro. mar ca m-
\UI nnap'!lmen t 6ot~ulm carioca ter- dJsfarçãvel do nível social que se atingiu . Mas. nada de se-
u" CDcoa otiri _tório em Que a prínci- lad elra nem de anel. O dinheiro não dá para coisa alguma O
em muc:u un a s o gas:, da médico receua superalimentação. Moram no subúrbio todõ
seu I,. la dia esmaj:lados no trem superlotado e uma consfante hu-
\
ilh ' ta a vitrina d. rua reJd ta..()J fora ou o roubo viram meios normais de vida . Já que 's CltrutulU
mi açio. O vidro q,ue Jt~. .~al . lnd,-"d...1 cue ,era a l.iA normais nl o funcionam ' mais, o que era transg ressão adquirc
do mundv - ~ uma rustraç o ...,... v. .. ,.. .. . 1 fôro de 'normaUdade. Isso do ponto de vista de uma d an e
calva. ' " '\ . ~'!> '. . · ~I "l m~dia em via de proletarlzaçAo e: que nlo q uer ver além de
Procura.st uma Ro' • •• p reu a • a ' um nível .corrl
, quelro . 11 aua segu rança financeira Imediata.
e mesquinho o a margor de um blJxo podu.aq1.!lsl...t1vo. e o , O reverso da medalha f; II apruentaçi o cõ r-de-rcee de:
expr essa tal ~omo o l"dsenl em udt. t ez m'ia extensos se ~o.rcs
.1

da- populaç! o urbllna : t, para Lino e Rosa. uma o~enSll VIVIda uma classe mt dia se:m problemas: sorridente: e satisfcita : C r6 -
ao nlvel do grupo famílial, nm vide de conjunto da;sccreda- nica da Cidade Amada (Carlos Hugo C hn stenseu, 1965).
· --àc. -eom total igno rlnda ~mplfcaç6u polJ ~cas ., E...c~mo as F ilme de contos, apresenta. ClHTl. uma escapada para a g..-de
perSOna gens. 0.5 autores do' filme ficam na proble.m.ltlu ~ burguesia e outra para a favela , algumas dificuldades da cla sse
gel.deira, sem ver o que hA atrb . Para sair desSA Situação. l' mtdla. Sio fundamentalmente duas : o trabalho na repartição,
que a sociedad e não corresponde a . sua, . spJraçOes de as- na agenda de turlamo, na reunião de ne gócios , t monótono e
censãc social. Lino pratica um a to ilegal. roubai : ~ r. o mo- vivido como uma fru straç!o: trabalhar equ ivale a um pa r ênt ese
mento cm que o filme podia ampliar sua probl.cm! tica , t o na vida de gente. Por outro lado, o homem t casado com uma
momento cm que se torna "'penas um filme pollcUlI mal ccer- espOsa nem sempre bonita e geral mente chata e autoritária. e
denado. Mas o filme upressa a raiva da classe mf;dla. humi- tem de submeter-se a imposições familiares que lhe tolh em a
lhada por seu baixo poder aq uisitivo, num nlvel que.pO,de per- liberdade. Mas eis doi. pequeninos problema, d e be m pouca
Eel[&mcote ser usilJ-il.do e acene por um grande publico que ünportlnda diante das fad1idades que ofer ece a vida carioca :
rejeita fJ1mes que focalilam o mesmo estado de , coisas num paiSagem luxuriante, praia. mulheres lindas, futebol. •..ida no-
l
piano mais amplo e critico. ., turna agltac1f, a simpatia e a despreocupaçl o das pessoas. o
O que não foi P rocura-se Uma Rou . poderia ter Sido lirismo que se:mJ5~vem d ar um toque roml ntico • VIda. uma
UII:. filme que não chegou a ser produzido, insplrado-e.:n trh cena segurança enceíra, apartamc:r.tos a u petado, e deco-
conto' de D~poi$ do Sol. de InAdo de Lolola . O que tureres- raJos COID cbjeuv a de mau {lO ~ tCl qUI: aparentam luxo, e,
sa\'~ II Roh.:'IO S !lntos. Sb gio Puson e M ecnce CapovilJa principalmente. a t" till inexistt nd.a de 'luaisq ue. problelOils de
era justamel"'te C' p:oblcma da ascenslo sueial. a procur a dr. ordem politica: a classe' media vai bem. T udo isso. apresen -
um poder aquisitivo pUllor e de melhor ~drão de vida . Como tado em eeres. com elencs de lu: e músic3, da-aos uma ima-
O! meios normais não 5llwfa:em essa a Iraç ãc, recorre-se a gem risonha da classe mtdla , C r6nica da Cidade Amada pode
mdol marginais e individuais, boxe ou p O!tituiçi o. E os três ser o filme protótipo de um cinema oficial para o BrasU de
Iretora pretendiam enfocer de modo crItico o processo. levan- hoje, tanto mais qu e qu em a juda um cego a atravessar a rua
do ao lracasso as perllonagms que ee iIotam de seu meio para f; um oficial.
resolver ICU problema sóllnhu e apenas para sl. JA que os O s interessados n uma visão não-proble:mAtica d a classe:

I
..:, ;;;;""~f norma is MO dlo, a estrutura dentro da qual vive a mf;dia pcdee ãc preferir S ociety em Baby-D oll (Luis Carlos
cJaue mEdia ~sto ura , e apcla« para cxpcdlentu que vã o do Mectel e Waldemar Lima, 1965 ), O s au tores pretendera m
a
bistat ai) f)õYe .. prostltülçlo ou ao roubo. essa mesma es- fazer uma comtdia que lembrasse a velha chanchada da A tlln-
ti'ii ue p. ur 1 Batista de Andrade, e Francisco tida, mas uma chanchada critica. Flcaram na pretensio. A
o no li C! Miietaõ 1Jltu. 1010 C/u.-. M tdi4, que Jdtia e louvâvel: utilizar lormas qu e comprovadamente: atin-
" ~ 'p.:tlr a Clãma: o pequeno luncionArio gissem o público para aproximA.lo de determinados proble.
p. II CD e lilhO' com sua re- mas. Em realidade, Socltty em Baby.Doll e apenas uma chan-
ii uma P')IiçJo margi. chad. : só que. em vez de apre:sc:ntar.sc com o tom popuia .
Ffpf;) lonte de re:sco tradicional. t uma chanchada sofisticada . Vedetes
.u~ o bico. O bico de rAdio e TV fO-( m lubsUtuldas por atOres de teatro. e uma

115
pu .gem (jornalllt.) dlrlge~le dlrctamenle.o público para ma. proJrto. que tatavam rm anda nerue r qur pod.rl'm rvrn .
COtIIc::lI.r ••(Ao. loque brechliano e culto. M•• a .parlnel. lu.lmrnte ter prouegulmento. COrlO o livro que M.rcelo ee-
,enl nlo mudou mul!o e • temAllc.a t • mum.: IIcenllo de crevia. Inlerrompem·.e. nlo .penal por l. lt. de Animo. TIl.'
d~ue. DUA' upO... ( lonA M.g.Jh!u e Natalia Tlmbcrll) porque tal. proJrto. n.d. m.l. 'IJnHIC8m n. nova contuntu.
erueer..e dcslocados no mrlo de .u.. f.mill'l. cuja vld. mun- ra e tambfm porque nlo le tem ldtla dr qUIII 01 prOlrtOI
dalWl nIo .companh.m. Tr.t.·Jt de du .. mulheru oriundas adequado. ao neve ut.do de col"l. O mtlmo ocor re no pla.
do tler. NItrO popular d. zona norte do Rio. que despo..• no du ldtia•. 01 dlllogol 110 um. lroc.a de ~ r 9 u nt .. ou de
ram homen. em boa Iltu.çAo econOmlca repentln.IImente trans- mel.ncóllcol tacenuvce A rtaçio pllto16gIC'. O !lllllr t extee-
formados cm mlllon"'rlol . As mulhe ru nAo ~n'egulram edep- m.mente dlalog.do.-poder-se-la dIzer que- t ....mpollo por
t4lr·.e i Vida de g:tI.fln... Num pl.no para reconquistarem uma Itrle de conveuu que rrproduzem rual '(OnVerNI de
M:UI r. . rldel. p.... m • • gir como grl.fln••. dlo-" multo bem bar que a Juventude Intelectu.1 m.nttm Interminav elmt1lle
com. nov. vida. e recupere m OJ marldoa. Se hA .Igum. ren- t6bre ."untOI politico•. elttUcorou pruo.ll. Dtue ponto de
tal /VI de duml~UfICl ( llo da mJlologla da ascenç30 de da.~e. vllla. o fUme t qu ..e um plkodramD. No rnt.n to. I Uavh do
O pú blico nlo percebeu. pai. o filme ~ recordlst. de btlbe- IlJO abundante do dlllO{j'o. O Deullo nAo pre tend e !I:almente

leria . dllCUt/r Jdtl... m'l 'ntu ur.ctuizar um certo u tado. e I (


nlo lnllnu.r critica•. pele menOJ .ugulr perpluld.lldu .nle
&aI estado, Pol•.•e •• pUlOnage.n. ta nlo ta lam . nl o t que
lenham mult. coisa a duer, poli Ju.ta mrnte nada tf:lll a dln.r
.rnlo ur.';J r .u. duo rlent.çlo; t qu e elu alo dominad..
o OUAP'lO pel.. p' av •. Para UN' peu o n. gcnl q ue nl o agem. nlo
f,zem n...da, p.llIvr. t .lmultAnu.rnenle um' lorm. c\. ree -
çlio e de allUlaçGo.
O dialogo t alllim lima lorma de ritu. l; q uue !nltl ra.
mente compoato com Ir.IIAIA !clt. s. com C"~G: tle rtlulu
Jntcndon.lrnente n.q ullo que foi r.halZl.do dr. receltu/l rio dai
IntpclU da uquud• . Por o utro lad o. a palavr. una v." c
plano do diAlogo: t o livro q ue Marcelo nlo conaeguc ee-
crever. o rAdio que In forma; c chtga • temer-se oble to na
cenO{j'r.fl. onde vive Maru lo : t o trecbc grifado do Ijvro de
Clarlce Lilpcetor. t o c.rtaz de Ub.rd.de Lib rdade num
muro da cidade e. no quarto do r.paz. o livro A /ffl)'JA o dtl
Am~rlc. 1.alintl. um uemplllr d. revJsl' C. MerJ du Cm.m" .
A. ldtl.. nlo .10 prlnclplos de açlo: elas .tol'm~' p.la-
vru falada, ou escrita•. tm reprucntaçOU grAflca.t. em
cll.çOu.
No pl.no d. crlUa d•• ldtl••. o filme tem 11m dfl .n~
melhoru momenlOI n• •preacnt.çlo do t,peticul0 OplnUo.
de lneglvc:l qu.lld.de: .rtl.tiCl, e que repruentou por ulll
tempo. um. J!ualo de ruçlo .. nova .itu.çlo. e de comunica"
çlo com o o,.nde: pilbllco p.r. tr.n.mJUr.lhc: • lnsatlllaçlo
que I t deve: ac:ntlr di.nte da .ltuaç!o br •• eira. M •.rccki con-

117
\
cujo comportamtnto i ccndnente com a personagem. e. ~tural
temp l. o -espetâculc scm tuçio, o.dI que ind;iqu~l.e~ÇJo que" medida que a classe mtdía vi encarando de frente t ll:UI
ou rej6çJo. e sua im~ssibJUdade coloa em.~,u~j~ ~lJI' problema" em vea de tdtJlarçi .los ou mistiud-los. a i re pre-
linha de .çio que EoJ c t • de um. uquerd4 qu e K ~9i.~en . xntaç6u da alta burguesl.a sejam ma.l. rea lista s e mais strias.
danou chamu de festiva. No pllno . KIltlment. l, ,'<=1:10
rompe com Ada (Isabel. ). sua .mantc...esp6sa 9& ~jrico .1 Assim como Helena .lnÚ j (A G rande Feira. O A.uatto ao
Trem plJgador) foi a grl.fina por exc ellncia da êpeee mgl.
Industrial (Sérgio Brico). Depois de abril de ) 9?1':9;,~fce1a. nua e caricata, tsabda·t a, grl . (ina de- uma fas e crurce. A
mente de 'um. strie de ....IOres tlr. inclusive a, elcD1~fp~ ·da
vida Intima seu signJlic.ado e sua razio de ser, e Mllt@P n ãc mesma evolução se dA com o marido d e A da , embora alguns
. «ncontla. mais motivo nem EÔflfa pata prosuguir e!l.ar'lL~,~açoe s cllchh atnde pescm sõbre a pft!onag t'aP."" é a a mbientação da
amorosas. Por outro lado. abril de 196.... repereunu , em' Ada casa revela o mtlmo progrelSo . Dai dec orre tamMm que o
de modo diverso. porque ela pertence a u.m meio "diferente burgub não mais ~ visto apenas em seus movimentos de laz er,
de Mucd o (se u marido dirige um. Ubric.a de 2.50:0. cpe- mas tambtm cm seu -escritório. em sua fAbrica, cm conta cto
r~ ) . . . com SalS empregados · e aperidos. Um a mclhor compreensáo
Embota Ado1 srme-se deslocada em seu meio. não en- da classe mtdia faz entrar no cinema a burgu.esia industrial
contre nêle a vitalidade que a seduz em "seus a migos d e ea- que att SIo Paulo e O Deuflo estava ausente.
querda- ; só pode senur-se remotamente atin gida pelo neve Para comunfcar a sit uaçlo, Saraccnl vale-se essencle l-
regime e tenta convencer Marcelo a nlo cortar as relaç6cs mente da movimentação da clmara . Sem dúvida, nunca houve
com ela, usando uma si rit de argumentos que tornam ,'a mu- no cll!ema brasileiro uma dmara tão cr iad ora q ua nto a de
dança de regime um eccnredeentc lastimAvel mas casual que Lufa e Cosu~h nesse filme, Inteiramen te feito de cAmara na
nio deve atlngjr as coisas fundame ntais da Vida, os' sen timen- mio.' Ou a cAm" ra Rãra, extitica, a contemplar uma persona-
tos, os •valô.'u duradouros, o amor. Marcelo rompei! com gem imobili!ada, que bão conseg ue viver. ou, ma is freqíie:ttc-
da, e Ada não tomarA a resolução ClUegOrica d e flcar:c"õm u mente, fica em planoS\ lonqos. :>erscrutando A.!: perSO:l.agen!.
mando e pumane~er .:tl1 seu meio, mSS t o que ela acaba Ia, girllndo em tOrno. apj"():l: iD I8 ndo·~ e cu a fll standu·se ci.::as.
:rCLdc, Ad3 e SI.I<O .-c.iêlçlo Qm Moarem M O um ftn6meno como a inVbtig~r tiS UlotJWS da Fassivldllde, Nu"," mvesn-
Iu.ndamc:tal porque introdl.lum no cJ.nema brasileiro algo qu e gaçlo, Sarac eni fui ajudado pela e:l:peritncia de cinema -ver-
ati agora não chegara a uistir. ou tela, ~l.Ita d e 'classe. O dade que ftz com integraçlo Rac:iar. onde a <l mara procurava
romptme:mo Marcelo~Ada afirma que usa personagens slo captar as pessoa s, rup~itando seu ritmo prôprtc. e. a mu:na
marcadas por seu melo e que entre eslCl m s nâc hê acOrdo
poUlvel. A iludo do bom ente.ndtmtJl,to entre classes opostas impressão que ae tem em O Desafio. onde tudo ocorre como
palIOU; a mudança de govtrno extinguiu uma ilusão eú fórica se O ater não representasse para a cAmara, mas como se a cê-
e t'Ciareceu a situação. VJvemos num "tempo de guerra ", mara documentasse um ator.pcrsonagem . A camara desassos·
diz a cançio final do filme. segada. inqui eta, nervosa, tambtm estA .. procura de uma
O Deu./io abre assim, juntamtute com São Pauto S/A. salda, e vai e vem e bate no vidro como peixe no a qué rio. A
uma ;DCMI puspectiva para a comprmsIo da sociedade brasi- cAmara segue a s persona gen s nas lon gas e tortuosas peespecr .
Jdra 'D cintma. A jluljo da aliança burg1.1CSia nacionajista- vas que proporcionam salas, portas, corredo res e escadas .
da..e mtdUl.proIetatiado peteeee ao J)',.,do. A clauft mi.- transformando a cenografia cm labirinto, mas às vêaes usas
~'1a:ai de flnJt.~')Use len6meao decorre um outro que personagens perplexas e inativas não ti.m suficiente fOrça par.
prever : A~'JI o t caricata. A personagem i. tratada reter o tempo todo o cAmara e esta entlo segue sOzinha seu
rldlio J p emSõra se tinta que o diretor a dese- passeio, prolongando o impulso inicial. e voltando em seguI-
Io;l!;',!t Ãlvu P' tir 9r'liJ~. IV considerada como da ;, procura da personagem perdida. Tôda a perplexidade c
ce Pili tli vu um w"~~t a a atri% o marasmo do fJlme estA na clmara, cu jo papel não i. apenas

119
c de most rar, mas de cri..r : ~. ela própria . uma da~ perso- rários e empresârlos dentro das relações trabalhJ5ta•. e vemos
naç ens do d ram a. uns e outros em seu leal de trabalho. Pode parecer pueril
Embora Marcelo tenha de certo modo evolutdc duran te valoriza r um filme pelo simples fato de apresentar um proble-
o filme. o fmal nl0 t abertu ra para êle. Nelson (Luis Linha- ma de classe. maa. para o cinema brasileiro. que. condicionado
ees}. intel ectual frustrado. envelhecido, crmcc. provável t e- pele populJsmo. eliminou tais relaçôu. o burguh de O D ~ , •.
fio ou o empresêrto de Vira mundo representam urna evohlçi.o
presenranre d. cham ada geraçJo de 1S. tenta etretr Marcelo e uma compreendo mais realista da SOCiedade b rasil~i ra. MaIS
para seu mundo viscoso. e le t • deeacltncJa consentida, a te- tarde talvez se verifique que li aparição da bu rguesia indu s-
n ::ncia cultivada. a degradaç lo flslea c mental. Marcelo re- _ tr lal se dl num mom ento em que a politica populista e o líder
euse-e-proposta de N elson e sal andando" procura de um carlsmitlco nio' são mais - posslveis fiõB rn il. nUTn moreentc
fut uro incerto. enquanto se ouve: "e um tempo de guerra" , e de transiçlo em que o pais estA mudando suas estruturas _
expressão de d esalento que se relere .5
a ultima fra se é : "M as tssa terra. eu 010 verei", ou seja uma
palavras fina is d e
Deus e o Di4bo na Tere. do Sol ("A teere t do homem . não
e. por Isso. foram neceulrias as :pudanças de abril de 19M
para que essa evoluçio se. desse no cinema.
ée Deus nem do Diabo" ) . No entanto. o filme não t der- O roteiro de Glauber Rocha. Te rra em T ranse. ê tlm·
rotis ta : ao contrário. Embora Marcelo seja UDa personagem ~m um trabalho que resulta de uma meditação sõbre o mo-
reteuvaeeme autobiogrAfia e a síntese de uma série de jovens vimento séeíc-pelrnec desbaratado em abril de 19M. amplia.
lnte..ectuaIS. pod endo ser considerado como um prctódpc. não da. ao que parece. para uma visão geral da politica no mundo
se ene uma lcie.r'.t.ifica.ção entre o espectador e ele. Seu com- subdesenvclvtdc latino.amulcaoo." N UCl pais imag lnArlO. COn·
pcnemenrc. suas reações. suas idtias. seu vocabu lário. são frontam -se utll demagogo lasdsta. e um politico reformista
tã o conhecidos e familiares (e ni o apenas para um público que pretende ~a renovação social sem revolução. • tCl rem -
brasileiro ). que Marcelo fund ona como um rtflu o que pos- per com o IIta ta quo. por vias legais e conchaves. Entre Uu
swihu \;.01 d ista.r.da.a1cn ~ crtucc em reJa,.! o a r.ôs pr ôpncs • evolui um jovem político, o jornalista Paulo Martifl~. que qeer
e até a rejelç-t1J dJlq ullo que repre~tn t41 Marcelo. A lucidez levar o rd orn:13ta a assumir enredes hrmtl. saas t ve-mdc
.. ra qu e se expõe n... : "~a a =,~ob km 1tJca de Marcelo ifj~:'.a por polit:caileu:. enteuà i:nent<>!. ~{):;'dJ:"' ~N',,:; e _i! p.tkl! esuan -
qu e. por PArte do autor. o estaJo em que a pUSOtl3g: 1.1 QlirQ.1; I: êle próprieo. apesar de sua!' atnud es e ~<J a pureza . per-
H cncon ta Já f{)i ultra p.iSUido. O p'r6p r~ alo de realizc r esse tence ao meio dos poli ticos corruptos ou ímpctentes. O eoce.ec
f e ê ama supu açio. ê uma v!sAo critica dos últimos tempos que antecederam abfll
:Assiltir e comprtendu O D eufio pode ser também. pa ra d e 1961. que 010 só ataca os politicas como tambtm o jovem
o elJ)eCtador: um momento de tomada de consdtnda do ma - que. com todo o seu ardor e honestidade. foi na onda do.
asmo. e eontribufr para a superação. Não resta d úvida outros e H colocou no fundo nu ma posição antipop ular. e
C!e u e eU/io dlrige~le a quem tenha os elementos pa ra ata ca prindpalme.ntc a noção de povo que vigorava no an.
rtalCler Marcelo. Outro elemento positivo ê a slgnifi. tlgo re gime e era tOda maculada de peleguismo . Terra em
1D11p:1 ta (Ia ~tUra entre. Marcelo e Ada. Treme. ma is uma condenação moral do qu e uma an..1se se-
n e IiDto IUeo usa evoluçio ~ o Viramundo ciol6gica. foi escrito com ôdíc. com raiva . ê ob ra de quem foi
Sirno. 196' . ~ mentirio têm-se alê a gora mistificado e se mistificou. fundou esperanças sólidas em
p'r lãien iõb)ema. roraia e, atê êste. não i1usOts. e acorda . A personagem que pa ~c e ser a mais imo
mau re a ledade Industria l. E m
• Gil UUe rJiÇlo do imi-
e O tra-
up \0..'1 da
aJl'resen anêlo pc·
sôbre a evolu ção do pais e o conjunto de sua população. Don ;
pwtantc t • do JO\ ' CI1'l politico que. mais desenvolvido. ufA I de se conclui que um choque ent re o governo e os (ilmes bea-
nio só um pro]on ga lJltnlO de Fltmino (& rr.."cnto) .e de An- I
eõnrc das Mortes (Deus t o Diabo na T erriJ d o Sol). como .. slleiros t (latllral : MO 16 a censu ra terna-se um 6r910 mais
poder' ser tambtm urlUI revido etlUca da atitude politica ,! Icete e mais arbltririo. como tamMm ela se multiplica. : cada
unidade admlnlac.ratJva. por menor que seja, cada enndade
d iste ÜJtimo. '
O D esllfio t Terra em TraflSt do dois trabalhos direla- privada. passa a tu o direito de praticar a censu ra que bem
I entender em qualquer ohra que leja. Quem nlo quiser ler
men te provocados pela reviravolta de abrJl de 19M . e que não
assumem. .. posição flro ell de estar conua o nôvc regime. li I atrapalhado que siga a orientaçl0 de Crônica da Cidade
A,"ad4-;~ primeira imagem ';"'qual vemos um mili ~ judar
__ fa vc e do an tigo. P~J1·u antu attalliar o passado. insis-
tindo muito na inconsistlncJa das bases em q ue se apo ia va
I um cego a atravessar 8 rua, ou a de História de um CrApula
r6da uma politica. e êese fato Jã é uma procura de ca min hos. I (Ieee Valadão. 1965). e ste filme red u: a politica do antlgo
Fomos en ganados e nO$ enganamos : precisa mos proc urar os regime a uma questão de ccrrupçâc, dando portanto inteira
motivos. A tal a nAlise do comportamento politiCO <Úi classe ratão l ordem policial e militar que elimina o deputado Ta -
méd ia. o cinema bra sileiro teria chegado mais cedo ou mais levera, e encarrega um generoso policial de salvar II honra
tarde; Sio Paulo SI A. intd t ame.ntc escrito antes de abrll de da m6ça abandonada grávkla por T alavera .
196i. J' analisa a classe media c li t implicitamente um lHme A censura t óbviamente um grave obstácu lo, e a ta refa
sóbre o movimento militar. Mas. êsee, por colocar claramente miníma de qualquer individuo t lutar contr a da em favor da
uma ude de problemas. acelerou a evolução da temi tica do liberdade de expreuio. No entanto. d a nlo t o p ior obstáculo.
CIDema bruildro. E. aI hoje. Justamente reside um posslvel Pode frear um movimento intelectual. pode hnped lr sua d tvul-
Impasse do cinema brasileiro tal como .vem evoluindo. gaç.o, mas di~lmente poderá aniquifa .}o se êle fOr sólido e
I tiver bases reais. Ob.tâculo muito maior t o marasmo peíurcc.
,I eeeeé e tcc. social. eri\. que se a funda o p 311. a medior:ricla,je
e o imobilismo. que 'tpodtm lentltmentc: minar u muvimer.Lo
intelectual. nt.~r: ~ o maior rerlgo. Q \\e as dúvidas, lIS centra -
• diçOes. o lepasse angustiado de Marcelo, H ã ", sendo mats fe·
cundado pela evolução soct.11 do pais. es moreça, transf",r·
mando-se num desespe re apático. eventua lmente num cencrs-
mo castrador.
Receio que sintomas de uma a titude desse tipo possam
s~r enconlrados na leva de filmes de curta metragem produ.
zldos em 1966. O filme mais saliente dessa produção t Em
Busca do Ouro. cm que Gu stavo Dahl descreve a epcpêía do
ouro : a busca e o tra tamento do ouro, o enriquecimento de
V ila Rica. a luta contra Portugal. a lncon fldt ncia. a rltpreSSflo
(ao abordar êsse ponto. O tratamento da do à vloltnCla ~
trõntcc e o espectador não ddxa de ver uma a lusão aos ~ Ias
atuais). Dessa epoptla. que sobra ho je? Nada, senio c ca-
trizes na terra, marcas das .a ntigas galtrIas. e llndlssimos mas
frios e inúte.J.s obJttos de mustus. A cAmara passeia lenta-
meate diante dtsses obJetos. contemplando-os Imperturbável.
a uma cAmara cUJos movimentos lio degantts mas. gtl dos.

,"ue r.io se deixa .. lta u pelas coisas humanas que even t ual- e a mesma mwncoli.a ; t Lima &rnto Ov.lk> BrUlaD." l . que
e
mente n rj o .. liua f r ente. dtsse ponto de ' -ilta que o a»un to se lúnita a uma t'VOluçlo de um Rk> de Iaadro Illkto de It-
c (ra(lIdo. ontem a luta, hoj e a contcmplac;io c a noste lgla . cclc e pereee esqu ecer que. se: üma Barre!o foi. um ~e :::
Xesse filme do qual são personagens objctos. utAt uas c ec b- doente e re jeitado pd. sociedade. tambC:I foi '1= graQÓe es-
~J duutas c sll~clOsu. nJo II" hOl:lens; só aparecem ac crrtor: He itor dos Pr.:Jzeru. em q ue Ant6nlO Carlot Fo:r::.·ou ~ •.
E ~I ulloOll :.lCOI cm sua medíccrrdade em fotogrAfias flll:as. sem peeeepuvea intenl';OO polt nllcu. omIte H eitor dos Pra,
O .1mb ente p rofundamente melancólico criado por esse fI me aeres pintando; Rubem Bl8iora . cm ,'vIano Grubcr. aprutnta
lI::l.prcgna-$C na gent e como a umidade. E domina o f,!me o como uma \·ald.de humana as preocup.1l';õts SOClall do p r ace
CUidado dchbu,)ÕQ..d.. lau r uma obra de arte requmtada ; t e sua tentati vlI de fund ir erte. dem6nios pessoall f"1d \.I
mt cnção do a utor que o filme se apresente como um obj etc sccel: D janira c Parati ( P ed ro Rova l ) t o elogio de um nce
qu e Imediatamen te se enquadra numa cul!ura de bom gôstc , passado desaparecido e a saudade _que fica. De todos h ns
numa cultura de luxo. filmes. cu jos autores são em maioria jovens qu e r"!tal:'! seu
O mumo fenô meno se dã com Humberto MlJuro (David primeiro curta-metragem , c que eãc inspirados em persona li.
:--Jeves ). ltlme muito bonito. cm que o homem forte c lu - dades da cultura brasíle.ra ou em momentos dor. histOria do
tador cede o luga r ao velho senhor cansado que t hO Je Brasil, emanam a mesma passi\idade. mflml a melanco lLa.
Ma uro. Neves apresenta Mauro lilm ando delicada mente pas- quase gOsto de renúncia . Talvez a pergunta seja violenta. mas
sares. e adore. para descrevê-lo. a mesma delicadeza a que re- ela imp6t.se: Serl isso o prenuncio de u m clOec a f.l$ci5UI 1
corre o \'dho c.nUJU para filmar seus pissaro,. Desp ren de.se Uma ouU:. tendfnda qu e perece dehneer-se t inh:ü:a·
dbse filme elegante uma impressão de linal. de cansal'; O de mente ")na!s est~Ulant e e poduia ser qua lificad.. de re.allsClo
colll)ll trlsta a. Gua rda·se a muma impr~o de uma curta -
M

fantbtico ou .. callsmo peêuee revolud onirio conf _lIIe a•

efrapel::! qu e aborda um .usunlO comptelammte difuente :


l/mveN d~de em Crise. IilUle stllli.amadC'l· de R".r..Ito Ta ~ê 6~
s60rc a g- revo: eMud",ntil ca Umvtrs!dade ce 5.30 Pae lo em
- expremo de G aubu Rocha . q ue. ma i ~ um. VtI e It:lIl1 uma
vea em funl';3o de seus prtpnos fllm.es. aponta o C.llll.i.nho. Q ue
f,lme!'. q;J:O: tltil(J~. que mo ~0.3 d e up reuio " lrlto t1 rtr
1%5 . ~ss e 11:::-(. pcecc rio-:cll:tr.tr;o. cce .:I mt1l to de ~rr(' essa s uês pl'lla w asl ~J~(\ t po.s:.ln! Wl bl·1o ao.Y.II . UlUa cena
sentar iol.:lgrafl.lb cia ocup~ l';io po~ci!'ll da Universidade. .t cer, ideoJ~ia e uo certe programll de açãc frilcassaram . e perma·
ta mmtc a tt a gora o c nree filme brasileit.Q que teve .,usa cora- necem e agravam·se os prcbleams que o mo "aram. 'tSS<l
gem. Mas os est uda ntes são retlatados co o api(lcos. corpos snoecãc. o cinema que se inspirou nessa id«ologla e nesse pro-
relando' . un i os entre as pernas. gestos hesita ntes; cabelos de grama nio pode deixar de senur-se também cm parte fracas-
mOças. ora dores que nlo do ouvidos, uma d ma ra de mOVI ' sado. I! como se dtante desse foto os elne.,Slas pUsaJI!cm a
mento, ln.eguros. 0.1 plano. longos que sempre se repetem tr ánspor a realidade brasilei ra no plano do Eantãstico. não
numa montagUl. $Jnf~nlea .ugettm a apatia de um grupo de para mltlflcA . la, mas para lev.!Ir suas contradll';Oes, sua vlo ltn-
~ duOl PJr«:e. .em rumo. e o rea Uzador do filme ci....e conseqü~ d as ao absurdo. pois SÓ o absurdo e avio·
OItl • a Ueo em l)ora ang ustiado, d iante dessa ltriaa poderão élii' conta da real dade absurda e \10lent.l que

~
~~m~..~o ~ imo li filme .eg ulnte de Tapa j6s. vivemos. fanth tlco como explosão Ibertadora - mas
ti ( p. aparentemente discutir o plano (I~ r taflSmO,
i:I vcs' e ~s para o. candida tos. 'pri e filme que podul realizar.se nuser tom. E
ta num tlhia cm t~rao d. medioai· e li em Tr Mas usa tendfncl8 ji ~ I; qtn e n91 'dets"
DI ~. tetratot" lmpressio.
f' tãiÓ e Glaubu Rodi-. cm Birravc!l • no papd
na bordagtm dos

~
~ e.all:lente a
~~ cmplo: cm DiU. e o D~ e~i"
~'!!'B,'S,O/i
Oii
tOClo o f lme ritual III no ente
fi mm C e)elJan tu, llda de de: Do iii e .üh.
• Lu:.!. (Anecy Rocha) ama o m.1an~ro, t c~ p: c 9a d. flUIU
da, a mUSica de VJ /a-l,6bos. o g05[O .pela v iolt.nd~ e o huullia ria c morre numa quarta. feira de clO:.a, . A quana
grandiloquenre, IA esrio no caminho do f~tás uco . Mas ... ' puson. gcm é Calunga(Ant6nlo Pitanga). chave do filme.
pren(mcios dl:5aa tendi nda podtm' su adivinhados I:m
outros filml:s. principalmente no gOsto pl:Jo espet6culo, ou Seu papel t o de um meneur de J~. eepecíe de mestre de JOgo:
orienta as personageM, arma sttuações c comenta a 8çl0, mu
tensivo para salientar mais .eu.
melhor, quando os cineastas se valem do espetáculo os-
propó sito ou para
di~ta"ciar os espectadores das perlOnagens e das snua-
scm participar dtrctamcntc dela. scm li9ar~se a coisa alguma.
permanecendo num plano superlot, colocando-se n uma posição
ç ões . Um dos filmes que mais deUberada lIle.Dte recorreram marginal cm fclaçlo à 80;10, embora ele próprio imigrante
a t sse processo é Sol S6bre a L4iii.:i, de A lu · V lany.' ~ma nordestino. ApAs.. ter feito as honras da ejdade para os ee-
serre de recursos artificiais fa: com que o espectador assista pectadores. ele é o cicerone de Luzia t serve sobretudo de
nl0 à estória qUI: conta o filme. mas sim a um espet",culo pombo correio entre a mOça e Jasio. T udo isso é fri to numa
basead o nesse estOrla. Por exemplo: a primeira imagem do fantasia cortog:'flc.: pulos e risos: é a maneira de ele apc-
film e mosrra coquciros num estilo intenn edlllrJo entre a folhi· deras-se da cidade.
nha de I:mpOrio e a fotografia de filmes comucials de propa. Nesse mestre de J6go. deve-se certamen te ver uma meta·
ganda, e se choca com a seqGlncJa seguinte, ortificia/mente morfose daquela personagem a que II me referi: o marinheiro
iluminada de verm d ho: cOres berrantes, sobretudo o vereie- de A Grande Feira. por exemp lo. A quela personagem.pind u.
lho, dominari o todo o fUmc , em que epereeeeêc também ccn- lo não t mals possível. e o mestre de JOgo é uma _maneira de
trastanres trechos cm prêtc e brancol a movimentaçi o da el- preservar o marginalis mo, a nl ()#lnsu çlo na ação do filme.
mara. em sua Jncans!lvd ginástiCA de carrinhos, panorAmicas, . E m realidade.' poderemos, num ou noutro ftIme secunda-
l <.lOm. deverA eleva r os gritos, as correria., os movimentos de ri,o; vUifica ~ pumanincia dessa p ersonagem oscilanto!: entre
/JIusa a I/e nlveJ êplco: as talhas douradas da Igreja de Sãc dois pólos e mcapa% d e CSC(jlher ; e que passa incólume pela
Frencsco serão acompanhada~ por rJtmos de origem i:tCticana, dção do filme. Só\<Jue ela se encon tra num to tal estado de
enquanto qu e o allM de-ij.::ado 3 deuses afro·crlstios terA. umll d egredatio. T al :~ mo a moeln"-, (A rdck M al vil ) de E~~ 1l
musica sac ra '"erudita. essa ttnrJva de espdAculo, porém, re- Ga rir.ha .t M inha ( Ieee V aladlo. 196&) : tee dc Sido sorlun a
SU:tOLl nUQ U1alabarJ5Lllo porque a fonna ficou exeerrcr. não • pau partkfpar, no mesmo horido, de dois p f(lg ~ama.i de TV
penetrando o tratamento dado 's sgen.s nem a estrutura ~Jvais, um de bossa neva, ou tro de ii -Ii -ii, ela nl o consegue
de. situaçOts. Mas ai estA, &em dúvi ,um doe momentos escolher, foge, mas de repente nlo tem mais de escolher, pois.
dbR espctáculo cinematogrifico tend te ao fantA stk o que para aquela noite, os dois programas fundiram.ae num 50 e as
!O cinema brasJldro procura. estrofes da cançlo. eerâc cantadas alternadamente em esdlc
Mais recentemente, CarIo. Diegucs alcança melhOles re- bossa nova e ii-it...fi. A conc.lllaçlo satisfaz a gugos e troia-
.ultados, nuse aentido, com A Gr4llde Cidade (1966 ). Para nos. O u, eatãc. Ponciano ( Alberto Ruschd ) em Riacho de S an-
eonw "as aventuras e desventuras de Luzia: e ' .eus tris gue ( F ernando de 'Barros.',1966) : assume no in.Ido do filme
gos tb~ados,de longe':" f:le tran.(ormou o RIo de Janeiro uma poslçlo de JustiCeiro ao defender camponesa aEacados pe-
DUm .Ieó. P.ctloiiig e IltuaçOet: tlm o ~u.ematismo e o los capangu do ccrcael: liga.se a duas lIlulheres : a filha do co-
ele _ cü1li enluta eltralUJcada. , C01'aCi( ou qua- ronel e uma enúgia camponesa. -Arma_se um confli to enrre
II 1xa õ30 quue caricaturai diversos tipl» de o <bronel por um lado e por outro os cangacdros e os fanáti-
ao Iãiigra.nte nordestino na grude dClade. J8Ilo cos, e Poneiano Iiui.Jta~se a uma ·atuaçl 0 exclusivamente ver-
JJii' ;.que tran)j)Óttóu Pf!.!Ii a ísse- bal. entabulando convu.saçOC:I COm 01 grupos rebeldes para
-giCâiQ, ~ ()9<! !lô<i:&i): ~ cca- ccnveacê-lcs a lutar. Na bora da briga. por motivos nio ex-
, flr;a: nrefiCJ~e acusan. pllcitos. f:le te recolhe; acabada a luta, ddxa a ddade e seg ue
ca gu tii1 o t_~ CIo hipér.dor:
, .
seu carnjnb lev~ o consigo o dDJco sobrevi'itiltc: uma cnar.-

127
c nna. Poncenc é uma p~nonagem decrépna e ridlcula que. do às pusoas que enconua na rua S6bre SUcIO Vida. e chega
erebcra centro de uma .tão. fica totalmente pa u lva e redun- iii concl uslo de que pouCOl segundos diários sobram <II eu..s
da .. um papel palavroso . Deixando de lado a caeêncta de pessoas p"ra viver. Essa gente que atravUNI <IIp reMada e de
Hnagm . çi o com q ue foram tratados ta nto a ga tinha como reste tenso o centro do Rio de [eneue, veste terno e: gra~'ala .
Ponciano. ocorre que essa personagem. que em 1958-60 abria t pessoa.l de escri tório. funcionário pubUco. representante de
perspectiva para o cinema brasileiro, esta cm 1966 esgotada. firmas comerciais. O corre que. ..pós essa introdução que 1m.
decadente : nada mais tem a oferecer ; deve SCf superada. Jus- bienla o filme numa cidade gran de. as pessoas de gravlUs.
tamente um dos meios, de superá-le, sem q ue se percam. e ao de quem se poderia pens.. r que constltuJ riam o centro do
contrário~ '·s t enriqueçam algumas de suas earecrerrsr tccs. é fil me. saem de cene e a aç ãc fica res trita ti Im!gra ntes ncrdes,
sem dúvida o mest re de j6go. tinos favelados. No emento. como o filme t quase intet ramen,
Luís Carlos Maetel sentiu O mterêsse dessa persona gem. , te feilO na rUI. constantemente essas pessoas reaparecem no
pois é esse o papel que deu ao cronista social ( h alo Rcssi] de fundo dos quadros, aUis das pelsonagens de !lcção. E. como
Society em Bahy.Dofl. que ficou convencional t medíocre. as fllmagens nlo podem deblr de chamar a Itenção d0.5 uen-
miiU jA começava a dar uma nova versão do marginal no cme - seunt es. o a to de filmar torna-se sempre extremamente pre-
ma hr.l5lleiro. Carlos D ieguc:s deu iii personagem uma outra sente: o espectedee nunca .tem a impressio de aSSistir a algo
dImensão quando esta por descuido. transmite" mOça um re- de real. ma. sim a um artificio. A aç10 do film e sempre tem
cado do malandro. dianle de uma terceea pessoa. a qual. In- espectadores na rua: a açlo t realmente uma ficç ão. as per.
vclu nt ênamen te, veiculará o recado. poSSibilitando assim à pe- IOnagens slo realmenle at6re. e o esp ectador qu e esti na sala
e
lIeia loca lizar [asâc. Calunga qu e, sem querer . entrega [aeâo t como que upKtIldor 10 segundo grau. Essas peslO.3S. a
~ policia : nem como correio ele serve. Isso se dá no capItulo
do fjlme que tem por titulo predsamente o nome da persone-
geDI. Nâ c sem umll certe brutelídede. Carlos Diegues tira Ce-
1m
q uem sobra unll poucos segundos diãrios de vida. tornem-se
no filme con mpladorts, espectadores passivos do dr ama dos
Imigrantes: t um tra ta men to nôvc. no q uadro do cinema bra.
lun9 ' de seu fácil papd de mestre de jõ go e o compromete: sileiro, que Certes Dleguee dA à .Jasse ;r.tciil. O e!c:itO ecen-
Nilo é passivei ficar .\ ma rgem dos\acCllltecinlentos: queiramos tua-se quando ti tl ÇeÔlI:" se turl"lis menos :'Jtü!iatl<l: pe r cxtmvlo.
ou nêe . eaeamos envolvidos . M as Calun ga logo se recupera e. 'pa morte de Jl'l d o e Luz/a : os espe ctl'\do r~s da rua n.io esti.o
após um momento de desvario coreOiJráfico. mima II aç âo do presenciando um a uassinato, mas s im uma fIlml gem que t
filme e. principa lmenle, a morte de Jasão por que é responsá- um dwerneeaec a mais qu e li ra a oferecer as fUU cariocas.
vel O qu e enriquece mais ainda o margina lismo e o fra casso Para taim, ai reside o aspec to mais a udacioso da r~ hzllçio
de Ca lunga é o pano de fun do s6bre qu e se desenvolve sua de Carlos Oiegues : l ss es espectado res passivos Iransfor mAm
Vld o reêdo. A insta bilidade. a insegurança desses persone - a cidade do Rio de Janeir o num palco no qual Cah:n ga m<ll.
gens geram um estado permanente de mêdc. Luzia. rôda pe - neja a ecêc. que torna totalmente artificial.
netrada JPOr um mldo que nio arrefece seu deseje de viver. Essa cerecrerrsuca do filme resulta natur alme nle de opção
~er nta a tOd05 se tambtm nio têm mêdc , como que para se fel!a pelo dlretor, mas também das condlç6es de filmll gem e
li i:I ~!Iue ni6 tltá ela ,próprJa num estado anormal. E
Gilu a es~);àe ue f: assim mesmo. que o mêdc t o.um-
a
produção. diflel! saber quais foram os fat6ru mais deteeet-
eenees. Mas parece que Carlos Diegues ficou no meio do ca -
ente natural ent uaJ se víve, que sem mêdo nfil) hà minha. aues espectadores de rua. embora constantemente pre-
CI Ja t ã ~ .. l0vialidade do lilme. t sen(u.. ainda nlo o slo sufidtnttmente. A conc~o do filme
E)J uq: :;t9..1llO uma das componentes t audâdosa, iDu au&. rulizaçlo f: ü zu tfiIl. cs.:; Faft
~",o;O[v,'Velmente a: Oleguu uma ml'lleír ~nWia
\ d\lQ:Dte U" itlmagaa. usai ag Ots f
se formavam diante da cAma li mag
quando os canhOes vão entrar em funcionamento. um d e 'h
tlsta descobre um gls que tem por efeit o to rnar os gastado.
amive15 c amautu do trabalho. Gaseam-sc os monstros, a
sltuaçAo volta ' normalidade. c: o prod uto ma ravilhoso t usa .
do cm ImbiCo nacional.
Mas, por enquanto. ainda não existem film es repeesen-
~ tantes desta te.ndtnda. e t Isso prc vêvelmerue o q ue motivou

-- o grande sucesso obtido por A M eia-N oite LCII/J.tc/ Tua A /mI!


HOJé MojJia Marins, 1965) entre int electuais, principal _ --
mente cineastas, e o grand e püblrcc. Zé do Caldo é um re-
voltado cujo principal relacionamento com o mundo é o sa-
dismo. e um revoltado raivoso c primArio, que bebe a p inga
d~ uma macumba e come vorazmente uma coxa de galinha
d.lante de u,ma peccreeêc numa sexta-feira san ta . M ojica é um
CUl~asta primitivo (no sentido em que se fala em pintor pn-
mitiVO), que se entregA Inteiramente: seu fi lme t um jato
de líberre çâc. Suas frustrações (lamenta nl o ter filhos per to
de uma estátua represmtando um mulher nua ) e seu sadis_
~o (por jogo. corta dob dedos de um CAra com uma garra fa
~l1ebrada 'llllnl{em o paroxismo. QUAndo ze do Caixão deixa
e lua:c.tu uua\. relaçou coo o mundo, fOrça~ scpencres
apoderam-se de s~ alma, nA mai(\! aluol\oçii.o da ptrsotlagel1:.


\

- •

Form
.-
, ml:dia que em sua esmagadora maioria quer Igno ra r lua si-
. I -L contei1do eeve formas · antigas tuaçJ~. nem O povo fouem seduzidos pelo cinema qu e se vi·
se era pcssrve [tentar com d llblico
jli aceitas e: compr eendid", pelo 9'18 1:1 cP . . ... .nba fa:endo e que se vem fazendo.
ente colocada em ttrmoS ex- ';I. . Não quero Justificar. com uma explica ção dessa ordem.
A questão loi freqOUllelD I ue Deus e o as dificuldades de dll tribu lçlo e exibiçlo enconteades p elo ct-
clusivos de linguagem. Drsse-ae por exem~ore~o de extrace-
Dlsbo 'UI Terra 110 Sol tinha um lema e ~m '< b d • nema brasileiro: qualquer filme. Inclusive sem qualquer reper-
din1rla fOrça . prejudiCada por um~,!iAgua~ J~
Dio rc.spon~
Ju:::m.
cl~ cuesãc pública. desde que uplo re normalmente o mercado
cinematogriflco brasileiro. poderia cobrir sua~ .despe~s. T~~
ham • I j ca. 5 e o pu'bllco
. _ ._ .., ~ ao
nAar estava pr__arada
nem.a btasilc:iro. sen.a porque a p.. !u.ca O" • I -', d davla. a c.islo entre dnema e público nio faCIlita a dlsw bLl I·
L. I .. {alca "de maiof-vabarllo mte ec:tua c e çio comercial, pois imped e qu e os filmes braSIleIros possam
par. tece.....• o . por da " NA cebla que hlt
formaçlo csttlica mais apura . o se PU " ser considerados como produtos de consumo.
d
fenômeno não passava de uma conseqütncla e uma s tuaç o O surgimento de um A ntOn!o das M ortes mostra qu e o
mais ampla. Valorizaram-se:, enfi o. fJImes como SUl/a. de C a- cínema brasileiro esti alcançando a meta da fase qu e atraves -
coyannis. por ser um melodrama popula resco que fuia epêlc sa: a problemitica da classe m~dia: e. pa ralelam en te. nu m
1 canção sentimental c a situações lac:lmogtneas. mas ~ue mesmo movimento e esfOrço. encontra cada vez mais formas
transmitia, atra\'~s dessa forma novelesca, uma forte aspira· adequadas a sua uprus.\o. Mas. att agora. o problema foi
ção .. "herdade. catar formas. Com e u c«;lo de alguns cineastas que esco,
Pensava-se na chanchada. Certo. a chanchada er~ o que lheram suas formas no repen êrte do "cinema d o tal chamado
de mais odioso se pudesse imaginar em m a t~rIa de baixa ex- de universal" (parodiando MArio de Andrade ) . as formas só
ploração do püblteo: tinha. porém. público, e continua rende. pod l.Ilm ser po~laru : a dane ml:dia progressista quer msc -
O scarnc Grallde O telo e ela. faziam nos dnemas, e agora rn-se na perspectiva popular r. o dnema quer dirigir-se ao
na TV ~s delídas de um grande públlco elasse m~dia . Certo, povo. O Nordeste fo~eceu algumas deua,~ Icrmes : tem um..
Mazu; opi tem uma v:t.$Jo reacionáda do caipira pauli!ta, mas tradiçlo musical e lJte"rla que não podiA deixar de se.- epro-
são seus fiicles que o público pllalista vaí assisti!. E propull.!:.<l ' ve'itadll. O ti."l.ema nur.Cd chegou a fa:el un. I ecoo 8:>5 ,\ erre.
se Maz:aropi COUlO te:na de medi!açio àq ue l~s que queriam • Cabra M lI.rcado P.ua Morrer. el:'. que um poete erudlro. Fer-
comurucar-se com o públteo. reira Guller. aba ndonando a linha ccncrensta, adora .me-
Tai, debates podem hoje parecu grotes.cos. e não se pode gralmente (ou plagia) um a forma de literatura de cordel para
negar que foram em grande parte uttrela, ~as r~lI etla m um comunicar um cont eúdo de renovação social. Mas o patrjmó ~
problema muito rea l e multo maior : e clasle m~dla , seu prc- níc nordestino foi bastante aproveitado. e: o p rolongamento de
tuo pata a sociedade br&l.ilara. t1mMm do podia tu caltu- uma atitude que tem mais de quarenta anos. Màrio de An4
ta pr6pria nem proieto Cltttico: a ,Ieue m~dia. sem fOrça drade ii qu eria. Km qualquu Intranslgl nda. que" música
~ ar no d iltma lua própria debilidade. d o po~ia Icr- brasileira encontrasse propositadamente suas (ormas no pc-
mwat um rcjetc estttico pata dar f~ e algo que.. ela es- pulArio e a música erudita de Vtlle-Lôbcs deve muito ao Icl-
"" ';COQClil 11 mos como Antônio dai Mortes : somos in(.ompre· clcee.
nome ,fi:l o deve lU pronunciado. fazemo s cl- O cantor popular passa a ser figur a de qestaque em e l-
a o oi1trOi- como Ailf6n!o prepara a guerra gun s Ellm.u: versifica e vende: a est6ria de ZI:.\!.o Burro. Rosa
. "m:.~tre ~~ Mas. (.OJlo êsse e Bonitão em O Pagador d e: P rornu sas. e
o próprio Cufc.a
tem te: e Clid'~ ao povo, de fat o de Santo Amaro que introduz e: encerra a est6ria de A Gr1ln~
dàli~ela que tinha de Feira. dando ao earêdc um. tom de narrativa popular: al11s
va 1,11, ente deeejeva-se que as pusonagf:D.S do filme tivessem al go de ea-
u~ ue ,nem classe tilizado que lembrasse: ~ a simplicidade ps icológica dos he róis
,
IJ5
d. littra tu ra d e cordel. t para O filme se ftz um. fol~et o pu - tema. o fana tl.lmo. "ê produto do povo do Nordu te numll
blicitário em verso. respei ta ndo em tudo os tradicionais folhe- fase de subdesenvolvimento": ê popular "porque estA inXIlto
lOS nor dest inos. A lIlum<l intençào de dar ao Hlme um tom de na perspecuve do püblico popular"; porque SUl Utrutura ê
na rrativa popular transparece em MlIrlda.:aru Verm el~ o desehenante c t "utruturado cm lunção de Unta p\"t4'il pc-
( :-.1tJ50n Pereira dos Santos. 196 1) . Quanto .. Deus c. o DIa - pular" ; é popular porque o cin~.sta "vai busC<lr sua tx pres.sio
bo a s es tro fes d e estilo e ritmo popular pontuam a açao. pee-
na chama.da sabedoria popular. Por um de..to de auto.-u_
slbilit.lndo a passagem de uma parte para outraGc CO;tn~ ~do gestão. repetJ ndo suficientemente dete. rminada pa\"vrll. I gen.
as pcrson.lgcns. N este filme como cm A ren e nre.
nesse modo de usa r a lite ratu ra p.cput.t. Beecht cstavilrr
sente ao esptnte dos reali zadores. M as apenu Deus c o la o
te chega a se convencer de sua veracidade. Podtrel'llos reee-
tir'i anto quanto quistrmos a palavra popula r: Dnu t o D_ bo -
cons eguiu assIm!!., plenamente bSeJ recur sos. que nos outros e o cinema brasileiro não se tornarão mais popula res por IS'"
Duer que Deus e o D i.sbo ê filme popular é Idealismo e m s-
filmes tlnhal:l sempre algo de . rtlfleial c exõuco. . I O Uficação.
Na musica. o ftn6mcn o t ex tremamente sensl~e . s
f Imes podem valer-se d e I:IÍlsica . pura . não tratada . e~ ê Poder-se-ta pensar que quem està tão empenhado em
: sada com ietras e harmonia. de modo documental. em ar- fazer cinema popular pouco se importasse COm ii cultu ra ofl_
rallento. nas cenas de macumba. danças e pesca.. e R.mb~m te~ elaI. Mas o elneasta brasileiro p reocupa-s e bastante com a
um papel dramAtlco. Em Deus e o D iabo. Sêrglo jcar o. U.tl- cultura oficial. Enquanto o cinema era dominado por Iazedo.
llze fielmente a harmonia popular que. associada à mU~lca res de filmes. comerciantes ou a rtesãos bem intencionados, a
erudita de Vüla-Lõbos. passa a constituir um con junto S611d~ ques tão não ' e colocava. Quando o cinema percebe que pode
dando ao filme um especte de 6pera. Mas. geralmente. ê. vir a ser um8\ ferça cu ltu ral. Inquiet3ções surgem em relação
bossa nova que recorrem os cineastas : AntOnio Car1C}CJ ~ b l m a seu pedigree. a le vai eleger um paí. pois o at'J:J.1 cteema bra-
'00'1 ee II múatca de Or feu de> Carnflval. de- Pór!o da~ !l/X,H:· stleírc u tl1 pràtlcamente sem ..ntecedentes. A, poss-btlídades
Ca,ro~ Li ra. Gimt:", e epis6dios de Cinco Ve:l's ..';:; ~'e.tJ . ~
c'" de escolh a são POUt l\S : Humberto Mauro foi o eocelbldo. cc-e
espetáculo popl:ilsla Opi"iáo S<1~a o c,"lIment~~ : _ cmenl:' certa arbitrdrieclade. porque (linda hoje sue obra continua prá ,
nôvo ajudou muito a musi ca p o~ula r brasileira . Na da mlllS ~icamente desconhecida. Liga.se seu nome a outros da cultu -
natura l se. con orme J. Ramos I·nh ~ ão
í
, '
a bossa"nova
"
tem
ra nacional - Gradliano Ramos. Heuor Vtlle -Lõbcs. ("..ados
uma"orlgtm similar ' do cinema : a bossa nova nasce como
'decorr!ncla do fenómeno de entusJasmo que levou a classe Orummond de Andrade, ]orge Amado - . e da cultura tnter,
nadonal. A propósito de Deus e o Diabo. cüa.se Beechr.
~" a procurar nos morros a lonte da vitalJd.ade d.e .~ ~a cul-
tu e nl o encontra exemplo em seu pr6prlo melO . Bui'iuel. Camus. Curosaua . Etsenstein. John F ord. Gener. Gc-
~ IJ e a ~taçjo de que um fil me ê popular por ser dardo HorAdo. Klerkegurd, Platão. Sart re, Shakesptare. V .

~ ffi~~tJIi ptQgJtJlI,U que dizem respeito ao povo. de qu e ccntr. o westetn e a tragédia grega, num deltr jo sim lla~ ao
:va f~ popúlM'cs. e a conclusão de que .t le, ê de G lauber Rocha ao tentar em Revisáo Critica do e la
fttiiíado.. . compreendido por um pub lJco Brasileiro. integrar Humberto Mauro na cultura unfvena l
Qutr~se atingir a cultura universal pela fe rça dos pulsos.
16' e
te . Uii
• conElaio 'multo gtllnde se es-
t&mo de D s e o D iabo.
,
"A quela frase do D eputado Eveldo Pia~, de que o er-
Iii. os ai iUfJc.ados: ? .fl1a:.e nema brasileiro Dio t mais uma euvrdede dlvoroada das de-
~Jj ~ue büncu : mais atlvidades cultu rais de nível mais alto do pais. ti uma
ente ~uli ". rque seu verdade absoluta. A n im. o C Jnema N e ve conseguiu transfo'i:...
mar o cJnema brufldro. ou melhor. deu ao cin em taslleiro
tua ca tegoria de manifeslaçi o. de exprt'$,,'qIc. a e no cu

• •
ea". di: :-.'Hsoll Pereira dos 5..nl05;" e Paulo~ Ct~f~~rll cen l marães. Glaubc:r Rocha parte de um material selecionado nil
t ainda mais claro: o'A lig. çio dos cJnu.stas ~co~....Cj,\,.;,.rpman. tradiçlo popular e reelabora cm materia erudita. f81 do sertão
cisUls. longe de tornar o cinemallruArJO. a C.l ~J(.co~ todo ... o mundo. coloca sua personagem principal entre dois pólos an-
ca mpin o de inferioridade que o dilema tinh.irt~!! com tag6nlcos; poder.se.fam atI: perceber afinidades entre o uso
outras artes " . " .
)tluq da elipse narrativa em G rsnde Sertã,,): Ven'da s e em Deus ,.
. ' 1.•1 o Diabo, assUn como certas semelhanças hlerArias entre os
Apeja -se para Ccaeiliano Ra mos. G uimllrã es Rosa, Jorge dJAlogos do filme e o estilo de G uima rães Rosa. Se e verdade
AII:lado. Cados Drummond. Jorge Andrade. José ~'Lln s ,do que, na literatura. o ascetrsec de Graciliano Ramos e o bar-
'5
Rtgo. Cabe ressalta r que se vhes a adaptação de obra lite-
rária não passa do aproveitamento de um titulo con be~ do do
roco de Guimarães Rosa represent am dois pólos ce rectensu-
coa da cultura brasileira. Vidu Sl:cas e Deus e o Diabo deram
publico ou de um enrêdc iA pron:o: fr,cqUenttmcntc. dJrct~res ao cinema as feiçOes principais da cultura que a bur gueSia
c rOteiristas entram num verdad eiro diAlogo com o tex to nre - brasileira elaborou.
ráno. J:: o que se dá com Vidu Sicas. A '!ora e Vez d e. A~ . Se o cinema brasileirQ tivesse aspira do d ser de Iate po-
gusto M a /raga. Menino de E ngcnho, que sao o bras d e cnaçso pular. essa vontade de erguer-se ao "nível mais alto" de qu e
cincmlltogr.llflca baseada numa realidade concreta e n u~a eee- fala Nelson Pereira dos Santos entraria em con tra dição com
Ildade Jiterâria. Nesses casos, não hA qualquer empcbrecímenrc a outra aspi ração. E ssa categoria. essas outra s artes, são tt
do trabalho Clne:llatogrA!iCO. Outrossim, o aparecimento quase cultu ra oEicial. amp lamente aceita pela bu rguesia. Tal cultltra .
que simul tAnc:o de Vidas Sicu e D eus e o Diabo na Terra do embora Ireq üentemente de inspiração popula r. e Justa mente
Sol deixou bem claro o entrosamento do dnema com o melho r
de. uso pnvado da burgucsia. e a cultura d e boa qualidade
de nossa cultura. f atos culturais, tsses filmes o sio porque para o con sumo de. elite da classe m~dia . e o povo encontra-se
suas estruturas re flet em estruturas da sotiedade brasijcirD , e
porqu e não são cópia! da realidade: l'eu rulismo provêm de fora do ctreunc em... que circu la . O cíneraa brll~i!eiro teve e
tem a Intenção de tl\m.:r.r-se nobre. E, ma is um... vee . enccn-
UIII ;\ inteira reelAboração cW realidade, 6bvia em Deu s e o
Diabo, que ! e cclcce num plano quase al egórico. 1III\S r.30 tr1t":!o! o CillCtll:\ br1l31leit\J oscil.ndc ect..<t do is p610s ' cl.lltl.lt:l

que a fita ten ha um aspecto e inclusive I


menoa senslveJ. embola mai" dlsCltta. cm Vidas Stcas. A inda
sabor documentA-
rio. nada nela e documentArio, Por ou o la do. essas fitas
• popular e cll/tl:ra ofida!.
Mas t evidentemente n. cultura burguesa e não na pc-
pula~ ~ue. pela temAtJca e pela forma. se inscreve o cinema
opõem-se fron talmente. O ascetismo. o rJg r clAssico de Vidas brasilelto. Se. por volta de 1960, a s ob ras resultam Ireq üen-
~iG, . conuasta com a exubcrlncia; h..rr6<::a de Deus e o Di"'" temente de um projeto politico consciente, nem sempre tcctde.
bO e Se .relaciOna com . obra de Guimarães Rosa.1:lcus e o e os cineastas colocam tOdas as suas intenções ao ntvel do
DiaJió í l44e a uma linha cultural em que enccntremcs Os ccmeedo. aos poucos, por um processo de sedi mentação gran -
ert de Euclides da Cunha. Seara V e(melh. de Jorge de parte do Significado deix ou de ser tão COnsciente e passou
lli
7ii"~'io (Deus c o Diabo exprime multo mais - e ultr3passa pa ra a estrutu ra. ROnl. F irmino. T 6nlo, Ant6nio C1u M()ftes
! o livr de orge Amado do qu~ o filme baseado no ro- ~epresen ta.m um processo de sedimen taç ão e, o q ue t de maio r
mance caM I r ug~inu di: Rui Facó, cuja' tese se ImportânCia. êsse processo não se dA apcn,\s em relação Aobra
• eJ' iliii a II d.e Vm••L6bos. mas t com de um d íretor, mas sim em relação a um conjunto de dtretcres.
ifãiiiIã QU ta aliAJdadu. Com o Gcr- ao cintma como obra ccleuv• . Se seus a utores podiam (ou
pensavam poder ) explicar. em ttrmOI claros o comportamento
das personagUlS de Cinco Vf:zcs Falleh~ jA G!auber Rocha
n!o mais consegue expUc.r Atlt6nlo das M ortes em sua tota-
lidade. Isso porque. eece-ee. cintma braeüefrc JA t expres-

JJ 9
-
séc de uma ccleuvídade. Antônio das M ortes tem sõbr e parte Vidas SéClIS, Sendo prãucernente mudo, o problema tt cnlco
da sodedade brasllelrn um efeito de catarse que um F lr mino t menor e. lJs veees. não importa que não se entendam têd
não conseguia ter. ESS3 catarse tndepe nde d e posições as palavras. antes pelo contrêrío. como ocorre nos dOb m ~~
ideológicas: tanto um Alex Viany como um Moniz Via na re- Jogos su perpos tos de Sinhã V .:6ria e de Fabiano. Mas on
co nhecem em An t6nlo uma peuonagem fundamental. O mes- soluç30 tamlH:rn t realista e esreuca: o sertanejo laia pou~s.r.
mo processo de ud imentil ção p roduz-se simultAneame nte em a rartfllç.llo da comunicação verbal corresponde ao nível pn-
e e
'
rdação à forma. Inicialmente. falava -se em procurar racional- m• ne em que vivem essas personagens condicionadas pelo
mente uma forma para, .~... CÍn"ema brasileiro. Hoje. o cinema. essencia l. Outra solução rica e original. de cunho CXPftu ivo
independe ntemente das ooras individuais de cada díretor. e est éucc. t a apresen ta da por ~cus e o Diabo. em qlJl:' se
apresen ta form as que não res ulta m apenas de uma procura conjugam. po r um Jado. a IaconlClda de da introduc;ão (.nt e~
deliberada. m MI qu e JA sAio frulM d e um trabalho coletivo dos do Inicio da revolta ) e a existente. durante todo o filme entr e
cineastas que expressa parte da sociedade brasileira. Manuel e Rosa. e . por ou tro la do. o delírio verbal eerrespee;
den te ii a limaçlo ( M an uel so nha ndo com um futu ro feh:
as declama ções do beato e d o ca ngaceiro) e o cante que acom-
pa n ha e co menta a aç Ao. O cinema-verdade. grava ndo entre.
D IALo GO E F OTOGRAfIA vistas, respeitando a expressão, o vecabuláne, o n tmo da f. l.
cotidiana. serll um grande auxilio para a conquista de um dll .
lugo brasile~ ' o. A abundlnda de diálogo em O D esafio ,1
revela a a qu ição de uma fala espontâ nea. para o que con-
tr ibuiu o eme e-verdade : t um fenômeno estencc que expres-
s..l uma reehdede ~ocia l '
Outro especte dessa busca de urna fo rma b;as llel.r", c a
fotografia. Os fot6eufos c i] ull1ir.ac!?res da V er<'l Cru1, CI . _
ura~ um c.iaro-ucuro rebuscado. uma IoJ: tra balhada pelo
rebatedor, pelo rel letoe e pelos f:lt ros, Era a unlca u colil. de
fotogralia do Brtisil e ecnnnua tendo seus adeptos. nu m
Walter Hugo Khouri ou num FJa'wto T am bellini. Embora nio
se possa rejeita r ststemancamente asse tipo de foto gra fia. de-
ve-se reconhecer que não está ap to a expressar a luz br&Sl_
lelrl. O C~ "g.ceiro. produção d a Vera Cru%., fotograf&da por
Chíck Fc wle, obtem efeitos de lu: que nada t!m a ver com a
luz qU I: en\'Olvi.3 os cangaceiros Du ran te as ftlma gens ge
BarrIt L·rnt o. Glaube r Recha b~iga com T o ni Ra batonl e, d li
a lenda : hega a j('lga r no mar os tntru mentos de escc ....
luz. POIS a luz bra~ ileira não é esculpida. não valoriza. 01
ob/etos. nem as côres: ela acha ra, queIma. A procura dessa
luz ua tanto mais imperiosa porque o ambiente corrente @
dnema era o Nordeste e a esmagadora percc:ntllg V1 da ii.
magens se rula 00 ar livre.
Mas niio se trata de reproduzir fielmente I ao
ê precise uma elaboração que chegue a u ln rP r
• • cinema brulleiro nlo slo integ radas na sociedade. Os Fabia.
lu: . vale di~ c: um. inttrpretaçJ.odo ~oau:ZI?: . ace:
ti
nos. os Manutlt. slo por ela explorados e rejeitados. e o
OfUSCAnlC. obtida ~ Josi Rosa c Lu1S C:rlo ~".J>ara
Vidas StC4$. foi um vcrdldciro manJfut& d8: f 6 ~ bt•. .. homem abandonado,'e seu '.mbient e 'nlo t uma constnJção de
sdeito. Valdemar Lima quallfiu de .wzcf.r.:- ra '.~ lu.: ~~ con~t. alvenaria. mas sim 'a j própria natureza. Ac.rescente_se a isso
guiu pata DnJ s o Diabo. Eua luz du.:. C? h r,MI çoÍli:btanco que as cenogra fias feitas em estúdio. • ltm de em geral serem
de mAl q ua lidade . ~nâ o" satisfazem •• exJgtncias de realismo e
ê

achatado c mat e: a fologralia brasileira t queÍln.aa'JjupertX~


pos ta. esbranquiçad.. E. se: houver nuvens nO 'ctuif'quc: sejam calram em descrtdito quase no mundo mt eírc: que filmar em
~ c:JjmiIlad ll~ da.,.f0c og!:.!!.ia. .s ~ guerra aos Jahorató.z:los, para exterior ou em a mbien tes natura" t multo mais barato. e êsse
os q u,,"ú 05 ma tites nunca sâo s ufldentes pata o bom -rencme loi um Iatcr determinante. Deve-se acres centar qce-es filma-
de: SCU$ estabelecimentos. .s cssa lu: que: esma ga Manuel car- gens em exte rior slio. desde os anos 20. uma tradi~.io do cio
regando sua pedra I lll D eus c: o Diabo. qu e: umaga Fa biano. ntIlla brasileiro. o que se deve a obst!culos ttcnicos e eecne-
.s a lu: de Guimllf.ics Rosa : "A luz assa ssinava demais"." micos. mas ta mbtm a Intenções expressivas. H umberto Ma uro
Não t apenas no , c:: 13.0 que .. fotografia t branca : a luz conta as dificuldades de lIuminaçlio que tinha ao lilmar em
de: Pórto das C.ixa.f (fot6grafo: MArio Ca rn eiro ) tambtm é íntenores, mas não es conde sua paixã o pela natureza . Os íe .
inóspita. Q ualquer sombreado. aclnzentado. quaisquer mati_ tõres económicos e têcníccs n!o teriam sido sufi cientes se
zes. representam uma pausa. um aUvio. Como serA a fotogra- Hlmar em exterior nlo correspondesse a uma necess idade de
fia dos fi lmes urbanO". d o sei. A luz suburba na de A Falecida expressão. 15$0 t tão verdade que os film es a mbientados no
t de um cinza pobre e deslavado. tio monótono quanto a vida Nordeste (a vida rural também justifica o ex ter ior ) e em fa-
das personagens e. nas ruas do Rio. t aua e esmaga. A Ic- velas sio O! que ttm a mais alta percentagem de ex teriores ' /A
tografUi esbr3.nquiçada do t totalmente nova no dnema bra- o, filmes .qilN~Il.zam a classe mtdta na cldade sio obriga_
siJeiro : Ed gar Brasil JAprocurava, pAta as lHmes de H umber· do~ a recorret malS1aos tntenoees. Nos film e! rurai! . a casa. o
to Ma uro e Mário P..Jtc.to. o branco. Mas era um branco ma_ interio.r. t um lugat\p rivi}eglado. o lugar que ju.stífica \Oma Io.
tizad.:J. Jenesc c brilhante 'jUC não tinho. a agre5::1Jvidadr. do tografl.a sombreada. ·COmo q ue úmida ea: relação 1 [otogu fi.
beanro de hoje. asse branco o.grus.Jvo nãe t propriedade do l'Igru.s:va:ntnte nranca. A vida of Aaniza -5e em ""idaJ S~ c"'s
••
BrasU: vamos encontra-lo nas paisagens rochosas e seml- a parti r do mOmenlo cm q~e Fabiano encontrou uma casa : sem
de:t&tícas da Grécia de Electra (C.co~nnis ) e da Slcllla de asa. a ~Jda t a nda nça. Fora vivem os cangaceIros. fora ano
SIJ"atore Giuliano (Prancesco RosI) . \ dam os imigrantes .
Mas qu em valoriza ao máximo as relaçõe s Intenor-ext e,
rior .t Gleuber Rocha . Em B8tta Vento e D tu s t o D iabo. o
ambiente dos homens t a nat ureza. mar ou caa tiriga . O inre-
rior. raro. torna-se assim um lugar excepcional. Em Barra vtnto
t o lugar do inUmano. Os únicos Jntuioru slo as cenas de
macumba e o velório dirigido pelo Mutre Ji desacreditado. e:
o lugar da magia. da rdiglio. daquilo que entrava a liberdade
e a rulo do homem . J! em DeuJ e o Diabo. o uso do interior
t um pouco mais complexo. Antes da revolta de Manuel o
lnterJor t um lugar humano. mais humano que o exterior : Ma-
nuel e Rosa moem a mandJoca e acnham com uma vida melhor.
Depois da revolta. o interior ('palaS tefs cenas) t o lugar
do climax: a maJor violtada do beato (o a.....in.to da crian_
ça na capela) c do 'c&ngacctro (o saque da fa:lenda ) utoura
csn lugares fechados. g em lugar fechado que nos t apresen- PU.M es A II I!RT OS
tado Antôn io das M ortes. A personag em de Gteubee Rocha
vtve seu dra ma na solidão de um descampado. seja o mar.
se a o s enão. S Firm lno contra o céu. t Corisco filmado em Outra carac terlstica formal que se repele no <;i nem. bu,-
cAma ra al ta girando sôbre a terra. t Sebllstíio dominando o sllelro t a austncJa de conclusio. o lrlm e que acaba S6bre uma
. ente Santo. Os pesc adores de Bsrreoenro vivem quase nus. expectativa, O filme a presenta problemas que ultrõll pa Ullm as
até a manifestação sodal da vestimenta foi eliminada (só Fir- personagens e atingem tóda a SOCIedade. As person'gen.& nio
lnlno. que vem d. cidade. t inleiramente vestido) e hfl entre resolvem e não podem resolve r tais problemas; logo. o film e
coioca em conclusão: Que vai ser dessa gente? Os problema,
êles e a natu reza uma espéci e d e csmcse. que o p róprio tit ulo
serão resolvidos ou nio? T al atitude de indagação tambtm se
do filme sugea. pois se rein e ta nto a um Ienõmenc socia l
lig. ao fato de que os filmes em geral ap resenta m os preble as
Q an te natu ral. Longos planos d e ma r pontuam a ação da per-
populares aos dirigentes e não espetam do povo. toluçio. A
:1ilgem que esta freqú enl emer.H: como qu e ameaçada de di- 8çio de A Grande F~irD. completa-se e se a hlme fica em
I r-se num lirismo pantelsla. Inupua da mentc. a natu reza toro aberto t graças .0 comentaria do cantador: a grõllnde rd lõll
na-se " jo.!enta e pa rece respo nder a Firmino quando êste fa: a continua; o mesma ocorre com Sol Sóbre " L.ma : ·' Mas a
macu mba. e : allga -se no suicldio de Cota, ap6s o desvirgina- luta continu.... di : Valente.
::JIIenlO de Aruã ; o mar mima a na rração da vel ha contando Recurso às vhes usado t o primeiro pla no final: Q ual sc ~a
ma Ira de Ier.la nJa. A natureza t quase persona liza da e náo o futuro do menino favelado cujo reste é ue ponto de iater-
d eixa de intervir q uando julga neceseánc. Ê menos participa n- rogação no fi~de Meninos do Tktt1 Q ue reserve a ....da a
te em. Deus e o Diabo. remando-se simplesmente palco do ° T Onio no fim e Bahia de Todos os Sanros? Recurso mais
forte t a Ida. a ma rcha. a corrida. P ara onc!d Pata UI%l Ie turo
ci ra::la. {Z ~ aMlm mesmo uma tempes t.de não deUa d e le-
• ou um lugar d uconhecido onde poderão ser resclvíd os prc-
'0\:" r-se « u. nc o AntOnio das Mortes decide eXlero:inar os
fal:'liti.:cs, 1'\0 lJlCl e tcdcs o ~ elementos r,aturais sáo al !a l..' e~­ blemas, ou pa Uli viver e Xllta mente os mtli:no: Frobi~m.!1 e:
te va i taa dcs a terra. a ':"!getolção~ l!Is pedrds, a luz , a am pla a Cluchõll fh.al do~ C"'1Upo!:.escs t:::1 MaioriõJ Ab~olut= . <l W,",
t'a1J.:lgem dO::l inada pelo Mente SantQ.·o vento que se :ni ~ t l.ira dessa gente continua e • tu a t""eOte, Ê a ida de Arui para a
ii ::lUsica de Vtlla-Lõbes. asse tdurismo, ena vontade de aber- cJdade em &rrallenrO; ultimo plano da personaget:l : Arui
afasta-se len tamente. Ê a mulher de Pórro da! Caixas que se
cat o drama dos homens e da natureu, encontra-se em todos
afas ta nos tnlhos: que vai fa zer de sua \-ida? ; hbencu-se
os nfv s da obra de Glauber Rocha : a ação t realista e ale- mesmo? Ê a viúva de T tãc Medonho e seus dois filhos que
' ' '''a" ó ca: musica erudita mistura-se à popular: as personagens andam na rue la de favela após o saq ue de sua casa no fim de
:ExPo r m.--.k.pe a Ula e pelo eamc. pelo gesto e peja dança . O As.-.;;lfo ao T rem Pagador : para q ue destino? Ê a ecer da
ul:l. que ji era seasível a1 BarrllVento (a gesticu lação estafan te do garOto no fim de G ,mba : para Gimba a aç.io
e nt6 Elt"ang chega ls vezes à coreografia) torna-se acabo u, pois ele morre u. mas as circunstâncias que crlara
J9&a um.ll fntegra o de ódas as artes para a Gimba continuam. e será o garOto, êle tambêm, um band do
ji :iií~a e um espet culo: tp cooElsa vontade totalizadora vitIma das condições sociais? e. a corrida de Manuel no !1m
r o I slca m oi' movimentos circulares. de Deus e o Diabo : atinlrira o mar que o diretcr nos apresen-
r rIps. 9.:uer seja que ta? Sem valer-se de tais recursos, ' al ter Hugo Khoufl md l-
ai Rtf na tils em ca claramente no fim de Noite Vazia que n.da foi solucfonado
• Glau- • e que t multo provável que tudo continue como antes: e. .par•
Mo earlos. que volta a S. Paulo após sua exptosio e tambt.m.
prcvêve! que tudo fique na mesma. Ê o trem que leva em..
...
bota o menino de ell.}jcnho: do [rem jA em movjJDento. um
abandonamos a personagem que. de costaS, se af.asta da. cê-
liltlmo olhar sõbee o Sal la ROM agoniundo t o prelúdIo de
um futuro desconhecido. Marcelo resolver" lUas contradlçats7
'"I : ara parada, e a imobilidade do aparelho comunIca angustla
certa tmpotfncla, enquanto que em Gimba, ao acompanhar
' I. e~ carrinho lateraL bastante de perto, o ga rOto que corre,. a
A marcha final de O Dcs.fio leva a petaoo.gem para um fu- cêmare, em sua Imponibllidade de desligar-se dêle. toma m-
turo euvc ou para a permanenela de um:prc!cnte que esta gna ?
As vêees. algur.s planos docum~~i~s ·. desligado. d. sistentemente poslç!o em seu lavor. , '
açAio .uimilam essa personagem de futUro mcenc a um con- Mas a personagem principal 010 morre no fina l do Irlm e.
j un to sodaJ : M eninos do Tirtl. S'o Paulo S / A . ou 'as arqul. os obstAculos encontradOl nJo sio su(ldentes para matar uma
bancedn r~ Jt t. ' d_!It' estédlo de futebol cm A Falecida. personagem que sempre ettCtlntra energias para p~ menos
O que melhor reserve UM tentativa de . lgnlEica r q ue o filme sobreviver. Com a morte de Zi do Burro, O Pagad or de Pro-
não acabou e que todos os problemas ficam para resolver, l messas representa uma excecêc ( exeecac tambtm i o Itnal
terminar o Wme como se Inldou : t o que FlAvio Rangel Eu em com uma _ !<ouposta - vitOria e nAo com uma expectativa ) ,
Gimba. ou Geraldo Sarno cm Vir.mundo. que se abre e se Hã evidentemente, mmes em que a personagem morre. mas
encerra com a chegada dos nordestinos . S. Paulo. Ma, o trata~se quase sempre de dramalhOu. mais preocupados em
lilmc que mais dA a noç.io de ciclo fechado t V idas Si cas : a respeitar certas regras dramAticas acadf micas do que em
UUUlura do film e obedece ao sucedu das estaçOU. acaba procurar um humanismo brasileiro. Morrem tam bim as per-
como COlIltÇOU: Fabiano e sua famllia. expulsos pela sêce. sonagens centrais dOI lilmes de Roberto F arias : exigl:ncias
andando. Fecha-se o circulo e se o fillIle lica em aberto t do herói,
porque, sobre os ultilIlos planos, se superpOem palavras de u ~ 'Essa personagem que sobrevive t quase semp re jovem,
perança de Sinhà VJIÓria. às ,·h es adcleecente ( Fabiano, que a paren ta uns trinta e cinco
Suá que êsse In.el, tAo care cterrsucc d. ideologia do cr- anos, é uma das'-p'ersonagt:lls p rincipai ~ de aparf nd "J maIs
nCl:1a brasiJdro. se 7lOdificará A medida que se penetre mais velha no recente d n\ ma brasild ro ) . e nem sunpre f o m.xo:
ludcl.1mentl" na problt mJlIIC& da cL.ssc mtdla' Sui.:l audac.iClso J", a( .3o. como cm \!\da S l cas; e. inelusíve quando o t . como
deanAi, aflrmar que. se 5Ao Paulo S/A uvesse sidú 1010 há nos filmes de G lauber Rcche . hA lr eq tlcnteIDUlte uma rendêe-
alguns aflos auás, a tra jel6rla de CArlOS ni o se encerra ria • cia para que a açio seja iniciada c encerrada por fúrç as ex-
com sua volta à cidade. mas que. deixa o filme msj s terrcres ao grupo sccrel no melo do qual se desenrola o filme :

p/.anos documentários finals7 Quanto a 10-se


aberto, se passaria diretamente da SAlda a cidade para os
Falecida, não só
Zulmira morre. como seu marido se seare psicologicamente
apesar de Rosa ter matado o beato, i AntOnio das Mortes
que põe um ponto Unal à aventura do Monte Santo, como à
do cangaço. Assim mesmo, a personag em t Ie ne. o cc nlun to
acabado e t esmagado pelo tumulto da maua ; e tambf:m Ma- do filme gira em tOrno dela. seu comportamento f clar o sua
traga morre, psicologia t fAclmente id entificãvel. Entendem os a personagem
sob retudo atra vh de sua 8ç10 ou de suas reeçôes ao mundo
exterior que se trad uzem cm gestos e açâ c . Não se procu ra
mergulhar nas profundezas abissais da psicologia ou da pSI -
, c.nllise,. A persona\lem t apanhada ao nível do consciente,
nunca nos perdemos nos labirintos do subconsciente ou do
inconsciente.
Isso permanece verdadeiro ati quando as pusona gUls
não são totalmente lúcidas, Temos Justi fjca dos motivos para
duvidar do grau de conscilnda de PabJano IlbftDOS: que Ma,
nuel vive duas alienaçOes : no ~ntanto, nun~;qs: Cllretores nos
"""i' : .
rolam penet rar na Interio r dessas per sonalJen s para di ssecar ru ponu veJs assi m resolverem..... l'el1so que b se "oluntaris _
suu dU\'ida,. sua consdtncia , suas allenaç6cs. Vemos sem. mo foi o suporte mal, 1Ó1ldo da pe rson ag em. a g. ra nlla de
pre a lIçio dessas ptrsonagens no seio d. eolenvtdede. A fOTle sua fOrça .
eSfrulura dusas persona gens lhes pouibWIIl serem. de Ime- A me voluntarismo, que e uma das factt.' do popullslllo.
dieta identifIcadas como tipos sociais. F a bia no c Manuel coa, dev e-se a va lorluçio do ind ivid uo, da per sonagem isolada
densem cm si uma séri e d e ce rec terrsuces pertencentes ii um ( FabIano, M.nuel. embora representantes de um gra nde con-
gra nde conjunto social. Ma nuel não é apenas um vaqueiro ' junto soe!.. 1. são p«son.gens só,), e t.mbtm II austncla de
é uma \i sã o global do nordestino. t uma personagem típica massa , o que e pelo menos estranho num cinem. que se quer
cm qu e o social p re domina sõbre o individual. Glaubcr Rocha popular: o ccmtcro. a mamfestação de m.ssa. a ..glomeraçAo
é perfeitament e con sciente dêese Ien õmenc quando diz que de penoas em t6rno de uma idtla poltuca ou de uma açlio
M..e uel c Ra Ul constitucm um. faml lia normal. com II q ua l conjunta e prAticamente Inex istente : O Pag4dor de Prolllessas
os espectadores se IdenlJfJcario fAcilmente. Essa afirmação é (massa que se reuniu em tõ rno de"Zt do Burro e o leva para
conlu t.1vc! apenu porq ue Mar. ud c Rosa não sio uma fam l- dentro da Igreja) e Sol Sdbre .. Lam.. (.taqu e .II draga ) são
lia tão normal c porque a Iden tificação t mais fãdl com An- exceções. e e sOzinho que Manuel corre em d ,reçio a sua
ten te das M ort es. e t dueJlIve1 que seja assim. T a l a fi rmação eventual rtvO luçio a nunciad.. por A nt6n lo das Mort es. E m
seria mais villda para VidlU Sicas. em qu e a fam illa de Fa- contraplHtlda, a massa t a pres entada em a glomerações que
fa zem parte integrante d a vida socia l e que não tlm matl:es
biano t de f<lto normal e em que a eliminaçio do cotidiano. do pollticos. motivo pelo qU1l1 encont r..mos com t.manhil fre qutn .
eeccnsrannal. levada. parece-me. aos limiles do pcsstvel den-
tro d e uma obra d e eparê ncle rea lista (Ir al em da fron teira
«e. no docu ment.llrio e tambem no filme de fIcção. feiras, es-
taç Oes, estAdll\,s.
ating Ida por Nelson Per eira dos S antos seria um pu lo para a M as comd, nesse pon to particular, a ideolo gia do nacrc-
a leg.,n z. ). petmue a pl\S~ge:n quase i m e~ilata d e F a bte uc nio n.Usmo \'oluntlfl ~ ut' d ivr>rciada da rea lid ade. o suporte
Só poI ra o ollllponb T:l"lrdestJno m3! p rlrcipa lrrcnte para c v!râ a falhlf e a person",em nãl') poJer. d eixar de mooi!ica:·
n O:lJC:J; que VI Y~ r<tltrc:im:d ;, ~ cc n dl çte~ ~rj;lis, d a ob r" par- se e de eníraquecer-ae . sso pol um la do. Pe e eatro. se
tlcu l-'l r para o peral. ,
A sol:de: da p ersonagem no cinema brastleltc, que o di-
feren Cla nltid.amente cio europeu. em q'irt . a perSC'nage:n se
a.
M anul:is foram e U'. e gorll. as pUJ()nagens cen trais dOIl fllmes.
fus serão l ubstituldos pelos An tOnios das M ortes. EntAo.
personagens se ..Itera rlo forçosamente. porqu e .II unll. terl.!.i-
eclIpsa . t a express!o da ideolog ia n adonalista que vigora va dade de um Manuel ou de um Fabiano. suceder" a .mblgüida.
qUlndo da re. Unção desses filmes. Não ~O o Brasil precisa de, a contrad lçl o, a huitação. a d ificuld.de de escolher
transformar·se e desenvolver-se. como terebêm tra nsfor maçã o C a rlos de S'o Paulo S/A . inda t u ma personagem eeleuve -
mente Icrte. Mas lU" Jmpossib illdade nio 10 de idulir.r.
c duenvolvimento devem resu lr.r da dedsJio d os homens. e q uan to ma is de r(.llfrar um projeto _ ImpouibUidade essa
essa tOn ica ideológica. reaçJo natural n um pais depen dente que t a nosta - e alt de reconhecer seus problemas e o, da
cujbS centros de declslo se encontram fora de suas fronteira s , sociedade em que vive e de saber o que deseja. levltll. e bas-
!lYJ: lJf;!lta M {chel Debrun ao dizer que, para os Ideôlogos tante provAvel. .. personagens que tenderão a d tlulr-se e, even-
raSJ ' •. esenyolvimento n10 deve su dirigido do ex- tualmente, '0 "pIIredmento do lubconsdente.
or ii lfutar um projeto da coletlv:ldade ou de seus JA temos em A F;;,lcdd" um.. pa. ·,')l'l"gem in teiramente
mt et h kaClOl • t e a noção de projeto "exp ressa dODrin..da pelo lubconldentc. No meio de um mundo urba no
bãstan 6 futurJ mo e o 1'01u!}tarumo do nadonalismo •
,,!'~'~I er ue a comunldade pode e deve d..r to "Nationalisme cl Politlqua du Dheloppemenl 111 8rtsil", 1964
~ ii o raCI Ci1ii eu latiDo se leul mtmbros 01 lrifOl do IMUI.
~u e a perSOnagcm nAo entende e não controla. esta tenderA a promovJda pelos govemo. que le lucederam de 1956 a 19M ,
aromir.r_sr. E. mais Ereq ü~IHeCl ent e. ai pUJ.Onagens Podulo Eu. 101 a prcocup41çlo exclusiva de noSlO Cinema. Pensar que
morrer no Eun dos filmes. T rata -se, t claro, de um. tendencJa fqJ popular t uma iludo. H oje. hle cinema enccnne-ee diante
pro\'âvel c .s rea Ji:açOes concretu nlo ddxarl o de depender de quatro problemal fundamental. : levar adiante a tem'Uca
~s 'liludu '$Sumidas pelo, diretoru diante d. ,itllaç.lo so- da classe mtdla; enfrentar no pIano policial c cultur.l os novos
cial. Prenuncio dessa previslvel diS$Oluçlo da personagem só. rumos lom.do. pela todedade btalllcita: resolver o problema
lida. jA o enconu amo,J em Slo P.ulo S/A . nlo em .cados, do publico (. endo um cinema clanc mtdia. nio scnsibl1lu o
m., na importlnciA a!sllmida no lilme pelo obJelo, pel.. sitie. povo, e sendo um cinema critico. a clane mtdia o rejeita. o
pela quantidade, pela Era gmenlaÇl o do roteiro c .pelo que faz COm que cateJa ~tualm ente cortado do públlCQl.: en-
retro' pecto. ' contrar uma estabilidade econÓmica. lendo use Item um pr o-
Assim. embora "pirando , 'u popular por sua lemltica blema cm II e lendo tamWm relaCionado com o Item ant ulor.
c p elo publico que desejava a lcançar. o reeenee cinema bra. .eSte líveo teve a pretendo de contribu ir par. desmasca-
&ilcito. Llnto o cinema de id ~u como o 'rtuana l c comercial rar uma iludo, não Ilpenas cinemalogrUica : o cinem a brasj.
loi popular apen.s n, med;da cm que sr inspirou em proble~ leiro Dlo t um cinellla popular: t o Cinema de umll classe
mas c Iceeas popula res, Mas o que fh foi elaborar temAtica mtdJa que procura leu caminho paUtico. social. cultural e cí -
lorma que expressam a problemAtic.a ela 'classe média. De ncmatogr'flco.
Cinco Vire, F. vela Itl A Falecida. Slo Paulo S / A e O De-
ufio. passando por Deu, c o Diabo na Terra no Sol, d/viso:
de Aguas do atual ci.cema brasileiro. c1aborou.se cm alguns S. Pau lo--Bru llia. 1965/66
anos uma ltm!tica que vai de uma alienação na ~q ua r a . cla sse
pretendia Jlusó:lanlent e identil lcar·se ao povo," a Uma "pcssi-
bilidade concreta de .lrOllla.: WI prohlemas dessa claue...
.' .
Dois camJnhos parecem a tualmentc ebertos., Dar:.do p ro ~.
stiUimento • A Falecida. exteriorizaremos a ·altc.'l.ação da
Ci..,. molda. p~etr. rC1llOS n~ mCllD.dros de . aa!! conu.di.
'\,
••
çOu expostas num nível ind ividu.: e ' psicol6gico, Si..,
Pulo S/ A e O Desaf~ abrem.:.w» uma p~pectlva mais fe-
cw:lda : trata-sc de um corpo a ~ m. luação da classe
mfdta, do a~. de manifestar ~ falta d puspectJva, as
çquft.dlç6a: e Jhesitaç6a. JUa depencUndll .em rc laçAo ~ bur•
. ~o tambtm apOlItar pre' 'IIente como se mani.
taJ Jituaçlo e o qut' • IllOtfv.,
...
~ ClXlteúdo. J)O!: tua peuouagena. por seu est ilo,

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I~id~.;.~pa í:Jci por.aua JdClltllicaçio com. eckc-
ldto..1Ioa I1ltlmoi' DOS no Druil t um cr-
r.-dc ~ • «qua.cionar • plóble.
mfCI fnêoii ~ tia um. sa,da e.
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