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Educação do campo Orientação Comunitária Instituto Federal do Paraná - IFPR

1 - EDUCAÇÃO DO CAMPO

Educação do Campo – “É toda ação educativa desenvolvida junto às populações do campo e fundamenta-se nas práticas sociais constitutivas dessas populações: os seus conhecimentos, habilidades, sentimentos, valores, modo de ser, de ver, de viver e de produzir e formas de compartilhar a vida” (Art. 2º da Resolução 01 CNE 03/04/2002 Diretrizes Operacionais para Educação do Campo)

2. DIFERENCIAÇÃO: DO CAMPO OU NO CAMPO

No campo: realizada no campo, contudo a temática, metodologia, estrutura pode ser com padrões urbanos;

Do campo: pode ser realizada também no campo, contudo a temática e todos outros aspectos que a constituem falam do campo;

a) Educação do campo contextualizada

É toda ação educativa fundamentada nos conhecimentos, habilidades, valores, modo de ser e de produzir da população.

A escola e a comunidade são espaços de cultura e de produção de conhecimento para transformação da realidade.

Quando nasceu

Das demandas dos movimentos camponeses na construção de uma política educacional para os assentamentos de reforma agrária.

b)

Qual modelo de CAMPO que queremos defender?

Campo do Agronegócio

modelo de CAMPO que queremos defender? Campo do Agronegócio Campo da Agricultura Familiar Campo do Agronegócio

Campo da Agricultura Familiar

Campo do Agronegócio

Campo da Agricultura Familiar

Campo desabitado;

Campo povoado;

Campo da monocultura;

Campo de resgate da dignidade humana;

Campo da concentração de renda;

Campo de valorização da diversidade cultural;

Campo da morte da:

Campo da diversidade biológica;

- Fertilidade natural do solo;

Campo de possibilidades;

- Diversidade Biológica;

Espaço de vida;

- Cultura Popular;

Campo de sonhos…

- Espaço geográfico

3. PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO E DA ESCOLA

Não é só de repassar o código escrito, ensinar a ler e a contar. É, sobretudo, de construir valores e conhecimentos, desenvolver habilidades e preparar as pessoas para a vida e para um mundo sustentável.

3.1

EDUCAÇÃO CONTEXTUALIZADA

a vida real;

o trabalho;

as potencialidades das pessoas e do seu território;

Os espaços da vida familiar;

Espaços do trabalho;

Espaços da comunidade

3.2 CONSTRUÇÃO CONCEITUAL

que

podem

ser

explorados

para

o

ensino

das

diversas

áreas do conhecimento e se

os

conhecimentos universais

relacionar

com

A materialidade de origem da educação exige que ela seja pensada/trabalhada sempre na tríade:

exige que ela seja pensada/trabalhada sempre na tríade: POLÍTICA PÚBLICA EDUCAÇÃO CAMPO  Terreno

POLÍTICA

PÚBLICA

EDUCAÇÃO

sempre na tríade: POLÍTICA PÚBLICA EDUCAÇÃO CAMPO  Terreno conturbado até se firmar legalmente

CAMPO

na tríade: POLÍTICA PÚBLICA EDUCAÇÃO CAMPO  Terreno conturbado até se firmar legalmente dando nome

Terreno conturbado até se firmar legalmente dando nome às secretarias, coordenações, governos, linhas de pesquisa, movimentos sociais, práticas específicas, tendência;

Sua construção é um passo importante na educação como direito universal;

Vem auxiliar o professor a reorganizar a sua prática educativa, tornando-a mais próxima da realidade dos sujeitos do campo;

3.2.1 TRÍADE:

CAMPO real, das lutas sociais, das lutas pela terra, pelo trabalho, de sujeitos humanos e sociais concretos, campo de contradições de classe efetivamente sangrando;

EDUCAÇÃO da pressão dos movimentos sociais; nasceu no confronto do projeto de campo: contra a lógica do campo como lugar de negócio, que expulsa as famílias, que não precisa de educação, escola, gente, pensando sua realidade, as relações sociais concretas;

POLÍTICAS PÚBLICAS – formas e conteúdos da educação, superar uma educação pensada “para” até chegar “com” e “dos” trabalhadores; formação de trabalhadores para as lutas anti-capitalistas, os próprios trabalhadores pensando seus projetos de formação tendo acesso a educação pública, para o conjunto de camponeses, para as famílias dos trabalhadores;

4.

QUEM SÃO OS POVOS DO CAMPO?

Posseiros;

Arrendatários;

Bóias-frias;

Pequenos Proprietários;

Ribeirinhos;

Colonos;

Ilhéus;

Sitiantes;

Atingidos por barragens;

Caboclos dos Faxinais;

Assentados;

Comunidades negras rurais;

Acampados;

Quilombolas e

Indígenas.

5. O QUE DEFINE UMA ESCOLA DO CAMPO?

Não é definida apenas pelo espaço geográfico;

Tem sentido quando pensada a partir das particularidades dos povos do campo;

Apresentam características próprias em função da população que lá reside;

É aquela que recebe mais de 70% de alunos filhos de trabalhadores do campo.

Procedência dos educandos, a maioria inserida no meio rural;

Difícil acesso;

Escola que leva em conta a vida do aluno, seu meio, seus costumes e sua identidade social;

Apresenta conteúdos que abordem a valorização do homem do campo.

A identidade da escola do campo é definida pela sua vinculação às questões inerentes à sua realidade, ancorando-se na temporalidade e saberes próprios dos estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros na rede de ciência e tecnologia disponível na sociedade e nos movimentos sociais em defesa de projetos que associem as soluções exigidas por essas questões a realidade social da vida coletiva no país.

Compreender o lugar da escola na Educação do Campo, é ter claro, que ser humano ela precisa ajudar a formar, e como pode contribuir com a formação dos novos sujeitos sociais que se constituem no campo hoje. (CALDART, in Paraná, SEED, 2005, p. 30).

6. PRIORIDADES:

Educação para a vida;

Identificar se a vida que se está trabalhando é vida a do campo ou da cidade, por isso é necessário partir da realidade, não de um mundo fictício, ou de uma escola que parece estar situada “nas nuvens”, pois não cria vínculos com as práticas sociais vigentes ao seu redor. (CALDART, in Paraná, SEED, 2005, p. 30).

“Em algum currículo escolar está o programa da luta pela reforma agrária? A luta pela terra, o desemprego? Temos ouvido de jovens das periferias das cidades:

- Vocês, professores, nos explicam coisas lindas, mas vocês não explicam porque nossos pais estão desempregados, porque temos que morar nessa imundície das favelas, porque nossas colegas têm que se prostituir ou entrar no crime ou na droga para sobreviver, porque entre os mortos de cada fim de semana 65%

são jovens e adolescentes populares; isso vocês não nos explicam

(Arroyo, 2006).

7. PREOCUPAÇÕES DA EDUCAÇÃO DO CAMPO COM A ESCOLA

A desigualdade da sociedade é reproduzida no interior da escola;

As práticas da escola reforçam a exclusão social. (A mesma aula, o mesmo tempo e intervenções para

todos, independentes das condições de classe);

Partir da realidade do aluno, mas nunca se deter nela.

A educação formal esteve sempre relacionada aos interesses econômicos, políticos, sociais e religiosos da classe dominante;

O conceito de campo busca ampliar e superar a visão do rural como lugar de atraso, no qual as pessoas não precisam estudar, basta uma educação precarizada e aligeirada.

A Educação PARA os povos do campo é trabalhada a partir de um currículo essencialmente urbano e, quase sempre, deslocado das necessidades e da realidade do campo.

O campo retrata uma diversidade sociocultural, que se dá a partir dos povos que nele habitam.

São diferentes gerações, etnias, gêneros, crenças e diferentes modos de trabalhar, de viver, de organizar, de resolver os problemas, de lutar, de ver o mundo e de residir no campo.

8. A EDUCAÇÃO E A ESCOLA

devem realizar uma interpretação da realidade que considere as relações mediadas pelo trabalho no campo, como produção material e cultural da existência humana.

A partir disso deve construir conhecimentos que promovam novas relações de trabalho e de vida para os povos no e do campo.

9. CONTEÚDOS CURRICULARES E METODOLOGIAS APROPRIADAS ÀS REAIS NECESSIDADES E

INTERESSES DOS ALUNOS DO CAMPO:

Quais são esses conteúdos?

Quais são os meus objetivos em utilizá-los?

Qual foi meu posicionamento nesta escolha?

Os conteúdos devem questionar a realidade?

Quais conteúdos são mais importantes para

os alunos compreenderem o mundo onde vivem?

Os conhecimentos dos povos do campo precisam ser levados em consideração, constituindo o ponto de partida das práticas pedagógicas na escola do campo.

10. PRINCÍPIOS PEDAGÓGICOS PAPEL DAS INSTITUIÇÕES EDUCATIVAS

Formação de sujeitos articulada a um projeto de emancipação humana;

Valorização dos diferentes saberes do processo educativo;

Espaços e tempos de formação dos sujeitos da aprendizagem;

Lugar da escola vinculado à realidade dos sujeitos;

Educação como estratégia para o desenvolvimento sustentável;

Autonomia e Colaboração entre os sujeitos do campo e o sistema nacional de ensino.

10.1

Eixos temáticos

Trabalho: divisão social e territorial;

Cultura e identidade;

Interdependência campo-cidade, questão agrária e desenvolvimento sustentável;

Organização política, movimentos sociais e cidadania.

10.2

POSSÍVEIS METODOLOGIAS:

1. Interdisciplinariedade com diversos saberes;

2. Organização do tempo e do espaço escolar.

10.3 . DESAFIOS

Currículo e materiais didáticos descolados da realidade e do contexto;

São poucas as pesquisas que abordam a temática;

 

Políticas construídas para e não com os sujeitos do campo;

A

educação na maioria das vezes, não prepara

os educandos para permanecerem no campo;

Educandos são retirados do seu contexto para estudarem na cidade;

Ausência de políticas públicas para os povos do campo

A

falta de compromisso político dos dirigentes do país

Os requisitos de matizes culturais vinculadas a uma economia agrária apoiada no latifúndio, no trabalho

escravo, em técnicas arcaicas de produção, que compreendem que para trabalhar na terra não é necessária

a

escolarização

11.

Legislação Art. 28. Na oferta da educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação, às peculiaridade da vida rural e de cada região, especialmente:

I conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural; II organização escolar própria, incluindo a adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e condições climáticas; Adequação à natureza do trabalho na zona rural. (MEC, 2002, p. 28)

A EDUCAÇÃO DEVE CONTEMPLAR A DIVERSIDADE DO CAMPO EM SEUS ASPECTOS: SOCIAIS, CULTURAIS, POLÍTICOS, ECONÔMICOS, DE GÊNERO, GERAÇÃO E ETNIA.

12. Direcionamentos

1. Construir articulações locais:

Estas articulações devem permitir que as diferentes políticas públicas e outras iniciativas presentes no contexto do campo, dialoguem;

2. Ações que articulem sujeitos e propostas:

Dizer e ouvir o que não se quer para o campo;

Inventar e criar o que se quer para o campo;

Ancorar-se sempre nos saberes que já garantiram a vida, alegria, a saúde, o conhecimento

memória afetiva faz sentido e fortalece a identidade do povo.

aquilo que na

Nem sempre é possível propor mudanças totais, é preciso aquilo que é possível assimilar, e ir tencionando o processo.

Para além de todas as sementes lançadas, é preciso cultivar a ideia de que a educação do campo tem sentido superior quando pensada em sua relação com questão agrária, que há muito inquieta os trabalhadores de todos os cantos, sobretudo aqueles que têm na terra a sua condição fundamental de cidadania.