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RAZÃO HISTÓRICA. TEORIA DA HISTÓRIA: OS FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA HISTÓRICA ANÁLISE CRÍTICA DA OBRA DE JÖRN RÜSEN 1

Introdução

Natania Aparecida da Silva Nogueira

Jörn Rüsen nasceu na Alemanha, em Duisburgo, atual Estado da Renânia do Norte/ Westfália, no ano de 1938. Estudou história, filosofia, literatura e pedagogia na Universidade de Colônia, onde se doutorou em 1966, com um trabalho sobre a teoria da história do intelectual oitocentista Johann Gustav Droysen. Rüsen foi professor nas universidades de Bochum e Bielefeld, e exerceu por muitos anos o cargo de presidente no Kulturwissenschaftliches Institut (Instituto de Ciências da Cultura). Os seus textos e investigações abrangem, sobretudo, os campos da teoria e metodologia da história, da história da historiografia e da metodologia do ensino de história.

Dedica-se, sobretudo, à reflexão acerca dos princípios que fundamentam o pensamento histórico, dando ênfase aos processos históricos de formação da moderna ciência da história e à apropriação do conhecimento no contexto da vida social, naquilo que cunhou como “função didática da história” (SILVA, 2009: 34).

O livro foi publicado em 1983, na Alemanha, e faz parte de sua trilogia historiográfica, denominada “Esboço de uma teoria da história” (Grundzüge Einer Historik) e foi publicado no Brasil no ano de 2001. Nesse livro, Jörn Rüsen procurou responder às críticas de autores como Hayden White, Paul Veyne e Michael Foucault às teorias da história e ao discurso do historiador. Na obra, há a perspectiva de reconstruir teorias da história, delimitando suas características e discutindo sobre a práxis dos historiadores.

1 Trabalho apresentado em outubro de 2013, ao Professor Dr. Francisco Falcon, na disciplina Teoria e Historiografia II, Seminário Teoria e Método em História, matéria do curso de mestrado em História do Brasil, oferecido pela Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO), de Niterói, Rio de Janeiro.

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1. Razão Histórica

Já no primeiro parágrafo da introdução de Razão histórica. Teoria da história:

os fundamentos da ciência histórica, Jörn Rüsen esclarece seus objetivos: ele pretende indicar os fundamentos do conhecimento científico da História e, também, abordar aquilo que chama de pretensão da racionalidade da ciência da história. Assim, a obra se dedica, entre outras coisas, a entender como se constitui o pensamento sobre a história que se apresenta como ciência.

A Teoria da História analisa a História como ciência, em busca das suas determinações racionalistas, voltando-se, assim, para os fundamentos da ciência, onde reside essa pretensão. Com ela o pensamento histórico expande sua capacidade de fundamentar-se e de criticar-se. Ela é diferente da pesquisa histórica (práxis) e da historiografia, pois vai muito além. A própria práxis é, também, teoria porque ultrapassa o agir prático.

Segundo Rüsen, a teoria da história é uma metateoria (área do conhecimento que teoriza sobre a própria teoria) da ciência da história, a partir da qual ela pode ser tratada de diversas formas com objetivos diferentes. É possível se ter uma teoria da história fora da pesquisa de história e da historiografia, assim como se pode criar uma teoria da ciência da história que seja relevante para o pensamento histórico que ela mesma utiliza. A ciência da história é tanto um objeto de pesquisa quanto um sujeito do pensamento histórico.

Rüsen deseja um tipo de teoria que não sirva apenas às finalidades da pesquisa empírica, mas que examine a própria pesquisa e as teorias que ela utiliza para alcançar seus objetivos, ou seja, uma metateoria. Vai ser na teoria da história que a ciência história irá prestar contas sobre seu modo de pensar.

Adianta duas tarefas da teoria da história: 1) inserir as reflexões metateóricas na ciência da história; 2) encontrar o lugar dessas reflexões na práxis da pesquisa e na historiografia.

Mais adiante, o autor afirma que a obra pretende demonstrar que a razão é a forma motriz do pensamento histórico na História como ciência e que ela se encontra presente a sua atividade cognitiva. A razão é colocada por Rüsen como algo elementar e genérico no pensamento histórico na história como ciência, algo que é natural para

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qualquer historiador (RÜSEN, 2001:21). Segundo ele, todo pensamento histórico que se exprime sob a forma de argumentação é racional e essa intenção de racionalidade pode ser expressa por uma teoria da história.

2. Capítulo 1 - Tarefa e função de uma teoria da história

Nesse primeiro capítulo, o autor irá analisar os fundamentos da ciência da história, a partir da identificação dos princípios da história e da função de uma teoria da história que reflita sobre esses princípios. Parte da ideia de que o historiador deve ter como base, ponto de partida, a teoria da história e que é necessário que ele faça uma profunda reflexão sobre si mesmo e sobre sua práxis.

Ao tratar do objeto da teoria da história, primeiro subitem, Rüsen levanta a questão da autorreflexão, como sendo fundamental para o trabalho cotidiano do historiador. A teoria da história deve se articular a essa autorreflexão, pois é a partir dela que o pensamento histórico se constitui como especialidade científica.

Se anteriormente a teoria da história buscou ter uma visão panorâmica do pensamento histórico, em sua totalidade, com o desenvolvimento da história isso se torna inviável. É preciso conhecer todo o campo de pesquisa história, identificar os fatores que o determinam e sua interdependência. Seu objeto são os fundamentos e princípios da ciência da história, aos quais Rüsen chama de matriz disciplinar.

O ponto de partida para a reflexão sobre os fundamentos da ciência da história são os interesses. Enquanto prática do cotidiano, os interesses não são considerados conhecimento histórico.

Interesses são determinados carências cuja satisfação pressupõe, da parte doa que as querem satisfazer, que essas já as interpretem no sentido das respostas a serem obtidas. Tais interesses são abordados pela teoria da história fim de poder expor, a partir deles, o que significa pensar historicamente e porque se pensa historicamente (RÜSEN,, 2001: 30).

São essas carências, segundo o autor, o primeiro fator da matriz disciplinar da ciência da história. São carências orientação que geram o interesse cognitivo do

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passado. Elas se tornam interesses quando surge a necessidade de refletir sobre o passado e é essa reflexão que irá dar ao passado um caráter histórico.

Rüsen trabalha com a noção de ideias, que segundo ele são critérios pelos quais os significados se produzem, por meio da práxis. São referenciais supremos que dão significado à ação; que transformam carências motivadoras em interesses; que organizam a interpretação que os homens têm do mundo e de si mesmos.

Interesses e ideias são fatores do pensamento histórico, mas não são suficientes para lhe dar uma especificidade científica. Eles são pré-condições do pensamento histórico, que se efetivam na experiência do passado e constituem o que entendemos como história.

A matriz disciplinar se articula em torno de cinco fatores fundamentais. São eles:

1. Os métodos (regras da pesquisa empírica)

2. As formas (de apresentação)

3. As funções (de orientação existencial)

4. Os interesses (carências de orientação no tempo, interpretadas).

5. As ideias (perspectivas orientadoras da experiência do passado)

Esses cinco fatores estão relacionados de forma que um leva a outro, de forma cíclica, dando à matriz disciplinar a dinâmica que a conduz a adquirir a especificidade que nos permite diferenciar o pensamento histórico cientifico do pensamento histórico comum.

Sobre as vantagens trazidas pela matriz, como fundamento da ciência da história, Rüsen ainda cita o fato de ela possibilitar a visualização de um quadro sinóptico do pensamento histórico. Ela ainda esclarece o contexto em que a ciência da história se relaciona com o agir dos homens e permite reconhecer a história como uma ciência que pode contribuir para mudanças na vida cotidiana. A concepção de matriz disciplinar defendida por Rüsen depende do contexto prático da vida do historiador, ela permite esclarecer a dinâmica da história, que precisa ser reescrita à medida que mudanças ocorrem na vida dos homens.

No subitem onde trata do significado da história para o estudo da história, Rüsen traz a toma a questão da profissionalização didática dos historiadores: uma

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concepção sólida da especialidade profissional de sua ciência (Rüsen, 2001:38). Estabelece seis funções para explicitar o papel da didática da história.

1. Ela tem uma função propedêutica, ou seja, ligada ao ensino;

2. Ela tem uma função coordenadora, quando faz a ponte entre disciplinas diferentes;

3. Ela tem uma função motivadora, ao solucionar os problemas do subjetivismo frente às exigências da objetividade científica.

4. Tem uma função organizadora, aos solucionar os problemas de gestão do material de pesquisa a ser utilizado pelo historiador;

5. Exerce a função de seleção e fundamentação, quando ajuda a desenvolver a capacidade de reflexão.

6. Possui uma função mediadora, ao solucionar problemas referentes ao agir dos pesquisadores na sua prática profissional.

Sua importância está ainda, no processo de obtenção de competências profissionais que ajudam os pesquisadores a não dissociar sua subjetividade da objetividade do pensamento científico, mas usá-la na construção dessa objetividade.

Ao chegar ao item em que trata do significado da teoria da história para a pesquisa histórica, Jörn Rüsen aponta a importância da reflexão acerca da pesquisa histórica a partir da teoria da história. No que diz respeito à pesquisa, estabelece algumas funções específicas da teoria, das quais podemos citar:

1. Função Propedêutica (introdutória)

2. Função Coordenadora

3. Função Motivadora

4. Função Organizadora

5. Função de Fundamentação

Retornado à matriz disciplinar o autor esclarece que nela podem e devem ocorrer mudanças, que se efetivam mediante a comunicação argumentativa e a que teoria da história é o âmbito onde ela se efetua. A teoria (ou o debate acerca dela) abre caminho para a mudança e para o surgimento de melhores argumentos, processando-se assim uma evolução que é própria da dinâmica da ciência da história.

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Ao partir para a análise do significado da teoria para a história, o autor critica o

fato de a historiografia ter sido colocada em segundo plano em relação à pesquisa

histórica. Aponta a importância de se refletir sobre a produção cientifica que se faz por

meio da historiografia. Segundo Francisco Falcon, a teoria da história significa o tipo de

concepção teórico metodológico presente na própria obra de história e toda história

contém em si os pressupostos teóricos de sua própria existência 2 .

Uma teoria da história crítica teria, nesse sentido, uma função nacionalizadora da

pragmática textual, quando o saber histórico é resultante da pesquisa. Isso significa que

os princípios da razão histórica que constituem a história como ciências têm que ser

refletidos e empregados de forma a torná-lo acessível ao púbico ao qual se destina.

No que diz respeito ao significado da teoria da história para a formação

histórica, essa envolveria praticamente todos os processos de aprendizagem onde a

história é o tema central e que não tem como objetivo a formação profissional. Ela

assume, então, uma função didática de orientação. Segundo o autor, é um erro organizar

a disciplina história nas escolas como uma miniatura da especialidade científica.

entre ensinar e aprender história na universidade e na escola há uma diferença qualitativa, que logo se evidencia quando se promove a reflexão sobre os fundamentos do ensino escolar de maneira análoga ao que se faz com a teoria da história como disciplina especializada (RÜSEN, 2001: 50).

Hugen propõe uma disciplina científica que se ocupe do ensino/aprendizagem da

história: a didática da história.

3. Capítulo 2 – A pragmática – a constituição do pensamento histórico na vida prática

Nesse segundo capítulo Jörn Rüsen define história como um campo de aplicação

do conhecimento histórico – história entendida como “objeto próprio do pensamento

histórico em seu modelo especificamente científico” (2001: 54). Para ele, a história

como ciência deve ser uma realização particular do pensamento histórico ou da

consciência histórica e deve estar inserida nos fundamentos gerais da vida humana, do

cotidiano.

2 FALCON, Francisco. Anotações em sala de aula.

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Esclarece ainda que o título pragmática exprime as operações da consciência na vida humana, que só podem ser identificadas quando se analisa a vida cotidiana. Rüsen valoriza a práxis e a ressalta a necessidade do historiador de mergulhar no cotidiano humano, até como uma forma de melhor entender e analisar as ações dos sujeitos históricos.

No primeiro subitem do capítulo, experiência do tempo e auto identidade – a origem da consciência histórica, Jörn Rüsen analisa a consciência histórica, que considera um fundamento da ciência da história. Ela é estudada como um fenômeno do mundo vital, ou seja, uma forma da consciência humana que está relacionada com a vida humana prática.

A consciência história se fundamenta no fato de que o ser humano só pode viver em sociedade, relacionar-se com a natureza e com seus pares a partir do momento que interpreta as intenções da sua ação e a sua paixão. O agir é ir além do que ele e seu mundo representam, é a satisfação de algumas carências que por sua vez geram novas ciências.

Em texto mais recente, Rüsen descreve o processo mental da consciência histórica como significar da experiência do tempo interpretando o passado de modo a compreender o presente e antecipar o futuro (RÜSEN, 2009: 168) e cita quatro procedimentos mentais básicos que fazem parte desse processo: 1) a percepção de um outro tempo como diferente; 2) a interpretação desse tempo como um movimento temporal no mundo humano; 3) a orientação da ação humana pela interpretação histórica; 4) a motivação para a ação que uma orientação oferece (RÜSEN, 2009: 168-

169).

A consciência histórica é a forma pela qual ocorre a relação dinâmica entre experiência do tempo e intenção no tempo, que se realiza no processo da vida humana. Ela é o trabalho intelectual realizado pelos homens para tornar suas intenções de agir em conformidade com a experiência do tempo. O tempo é um obstáculo do agir (uma mudança no mundo que se opõe ao homem), mas que não se pode ser ignorado por ele. É o chamado tempo natural (biológico).

Em oposição ao tempo natural está o tempo humano, aquele onde as intenções e as diretrizes do agir são representadas e formuladas como um processo temporal

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organizado da vida humana prática. Esse tempo influencia o agir humano. Segundo Rüsen, o pensamento histórico é ganho de tempo e o conhecimento histórico é o tempo ganho.

Rüsen faz, então, uma ponte entre narrativa e consciência histórica, destacando- lhe três especificidades. A primeira é o fato de que a narrativa constitui a consciência histórica, à medida que recorre às lembranças para interpretar as experiências do tempo.

A consciência histórica não é idêntica à lembrança; a lembrança é transposta para o

presente por meio da narrativa.

A segunda é que a narrativa constitui a consciência histórica ao representar as

mudanças temporais do passado, rememoradas no presente. Ela não é apenas uma consciência do passado, é a narrativa histórica que une o passado, o presente e o futuro. Por fim, a narrativa histórica é um meio de constituição da identidade humana. A consciência histórica constitui-se com as experiências, com a narrativa a partir da qual o ser humano pauta suas ações. A partir da narrativa histórica são formuladas representações da continuidade que instituem as identidades, através da memória, inseridas na vida prática humana.

No próximo item, que diz respeito aos feitos da história, Rüsen esclarece que nem todas as ações humanas são históricas, que a história não é a ação em si, mas as memórias dela. Para que o passado se torne história é preciso que ele seja interpretado como tal. Um fato não é histórico no momento em que ele ocorre, somos nós que damos a ele essa qualidade, quando analisamos sua relevância para a sociedade, quando as consequências do agir são consideradas interessantes, relevantes e, portanto, devem ser narradas e lembradas. Para serem história as experiências tem que ser decifradas.

A forma como deciframos os fatos e damos a eles um caráter histórico podem

partir de análises subjetivas e objetivas. As análises objetivas caracterizam-se pelo decisionismo, onde ideias valorativas se voltam para uma memória direcionada ao futuro, estabelecendo o que é história. Já o objetivismo tende ao dogmatismo com relação às experiências do passado, estabelecendo o que é história, sem dar espaço para

o presente. Rüsen apresenta um meio termo, na forma do pluralismo: uma relação equilibrada entre memória e experiência.

O passado precisa poder ser articulado, como estado de coisa, com as orientações presentes no agir contemporâneo, assim como as

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determinações de sentido, com as quais o agir humano organiza sua intenções e expectativas no fluxo do tempo, precisam também elas estar dadas como um fato da experiência.(RÜSEN, 2001: 73).

O autor passa, então, ao item que trabalha a questão da tradição como uma pré-

história. Segundo ele, a tradição é o agir do passado orientando o agir do presente. Ela é

o resumo das orientações atuais do agir, nas quais estão presentes os resultados acumulados das ações passadas. O seu caráter pré-histórico consiste no fato de que ela não é consciente como passado, mas vale como presente.

Da consciência histórica e da tradição, Rüsen passa para a historicidade da vida prática humana. Se a consciência histórica é inerente ao ser humano e a tradição oferece orientação temporal, a historicidade humana representa o diálogo entre os homens (sujeitos/atores) e com a natureza, sobre si mesmos ou sobre o mundo onde vivem. O agir humano é, em seu cerne, histórico, mas nem todo agir acaba virando história. É considerado histórico o processo que ultrapassa os limites do tempo natural.

A consciência histórica não é algo que os homens podem ter ou não, ela é algo universalmente humana dada a necessidade junto com a intencionalidade da vida pratica dos homens. A consciência história enraíza-se, pois na historicidade intrínseca à própria vida humana prática (RÜSEN, 2001: 78).

A história aparece, sem seguida, como crítica da tradição. Crítica no sentido de

diferenciar, distinguir a tradição no tempo, pois é pela da tradição que se pode enxergar o passado. A história emerge de tradições, onde os limites da relação do passado com o

presente permite o surgimento de novos elementos de compreensão da dimensão temporal da vida humanos prática. Assim, o que se considera história, mede-se pelo critério de sua utilidade (ou inutilidade).

Por fim, Rüsen vai discutir o critério de verdade do pensamento histórico. O que valida a história ciência? Como afirmar que uma narrativa história é verdadeira?

A histórica como ciência tem pretensões de validade e essa validade é legitimada

pela crença que seu destinatário (leitor, consumidor) tem acerca da narrativa histórica.

Ela recorre a si mesma para defender essas verdades, quando elas são colocadas em dúvida. A plausibilidade, a capacidade de convencimento que uma história possui,

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depende do princípio unificador, do critério de sentido (ou de um conjunto de critérios) adotado pela narrativa histórica.

Segundo Francisco Falcon, a teoria da história não é fruto de uma experiência de laboratório. Ela é um conhecimento teórico-científico que procede por inferência, pois é diferente do conhecimento advindo das convivências. O que o historiador tem são vestígios, restos, sinais, em suma, conhecimento indireto. 3 Vai ser através da narrativa, embasado em fontes e com argumentação sólida que o historiador vai buscar a validação do conhecimento por ele produzido.

Para Rüsen, as razões da credibilidade da história são indicadas: 1) pela experiência que preenchem seu conteúdo factual; 2) por normas e valores que preenchem seu conteúdo de significado; 3) por determinações de sentido, de acordo com os quais o conteúdo factual e de significado são mediados, narrativamente, para formar uma unidade de representação de continuidade constitutiva de sentido.

A história apresenta as diferentes abordagens de aptidão a verdade quando resolvem duvidas e fundamentam a sua pretensão à validade de três formas: 1) ao expor que os acontecimentos que narram efetivamente ocorreram do modo narrado; 2) ao expor que os acontecimentos eu narram possuem significado para a vida prática de seus destinatários; 3) Ao mediar a facticidade e o significado do que narram na unidade de uma narrativa com sentido em si.

Considerações finais

Pela leitura da obra de Jörn Rüsen é possível ter uma noção mais ampla do papel

e da importância da teoria da história para a pesquisa e o ensino da história. No que diz respeito à pesquisa, a teoria possui tantas funções quanto necessárias para dar à ciência da história a mesma validade que é cobrada de outras ciências. Ao se trabalhar com consciência histórica, com representações, tradições e historicidade, o pesquisador deve possuir uma sólida base teórica que lhe permita dialogar com as fontes e interpretar os fatos de forma a compor uma narrativa que possa ser validada pela rigidez do método que utiliza.

3 FALCON, Francisco. Anotações em sala de aula

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No caso da pesquisa histórica, que pode envolver fontes oriundas da cultura

material e que envolveram processos complexos de elaboração e produção, onde a

interpretação dos fatos ultrapassa a leitura convencional do documento e um nível mais

intenso de interpretação, de cruzamento de dados e de fontes, a teoria é um instrumento

valioso para o historiador.

Segundo Francisco Falcon, a teoria da história é um tipo de indagação a respeito

do processo do conhecimento histórico, onde a articulação entre sujeito e objeto do

conhecimento coloca em evidência as estruturas lógicas e as categorias cognitivas. A

palavra teoria engloba tanto a epistemologia quanto a metodologia. 4 Portando, sua

aplicação é necessária a fim de se elaborar uma metodologia adequada para o estudo de

determinado objeto e o tratamento das fontes.

Fontes, por exemplo, como histórias em quadrinhos, que é nosso objeto de

estudo no mestrado, que são artefatos da vida industrial moderna, destinados ao

consumo em massa e são também, produtos culturais e espaços de representação de

ideias e valores de uma época. Elas precisam ser estudadas e analisadas de forma crítica,

levando em consideração sua função, sua relevância, a forma como a consciência

histórica está nelas representada e como identificar em sua narrativa elemento que

possam permitir melhor entendimento das ações humanas em dado espaço temporal.

REFERÊNCIAS

FALCON, Francisco. Anotações em sala de aula.

RÜSEN, Jörn. Razão histórica. Teoria da história: os fundamentos da ciência histórica. Tradução de Estevão de Rezende Martins. Brasília: Ed. UNB, 2001, 194p.

----------------. Como dar sentido ao passado: questões relevantes de meta-história. história da historiografia, n. 02, março/ 2009.

SILVA, Rogério Chaves da. “Método e sentido”: a pesquisa e a historiografia na teoria de Jörn Rüsen. In. Fronteiras: Revista Catarinense de História, Florianópolis, n.17, p.33-55, 2009.

4 FALCON, Francisco. Anotações.