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TEORIA DA LITERATURA I

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Universidade Castelo Branco. Teoria da Literatura I. – Rio de Janeiro: UCB, 2006. 80 p. ISBN 85-86912-12-3 1. Ensino a Distância. I. Título. CDD – 371.39

Universidade Castelo Branco - UCB Avenida Santa Cruz, 1.631 Rio de Janeiro - RJ 21710-250 Tel. (21) 2406-7700 Fax (21) 2401-9696 www.castelobranco.br

Chanceler Prof.a Vera Costa Gissoni

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Coordenadora Acadêmica de Educação a Distância Prof.a Vania Alcantara

Setores Responsáveis Pela Produção do Material Instrucional Coordenação Acadêmica de Educação a Distância Vania Alcantara Centro Editorial – CEDI Joselmo Botelho Conteudista Neuza Maria de Sousa Machado Atualizado por Neuza Maria de Sousa Machado .

na certeza de estarmos contribuindo para sua formação acadêmica e. reafirmando o compromisso desta Instituição com a qualidade. propiciando oportunidade para melhoria de seu desempenho profissional. conseqüentemente. por meio de uma estrutura aberta e criativa. Nossos funcionários e nosso corpo docente esperam retribuir a sua escolha. Esperamos que este instrucional seja-lhe de grande ajuda e contribua para ampliar o horizonte do seu conhecimento teórico e para o aperfeiçoamento da sua prática pedagógica. Seja bem-vindo(a)! Paulo Alcantara Gomes Reitor .Apresentação Prezado(a) Aluno(a): É com grande satisfação que o(a) recebemos como integrante do corpo discente de nossos cursos de graduação. centrada nos princípios de melhoria contínua.

tarefas e atividades complementares. Bons Estudos! Vania Alcantara Coordenadora Acadêmica de Educação a Distância . As Unidades 1 e 2 correspondem aos conteúdos que serão avaliados em A1. A carga horária do material instrucional para o auto-estudo que você está recebendo agora. respeitando-se. equivale a 60 horas-aula. Os conteúdos programáticos das unidades são apresentados sob a forma de leituras. Na A2 poderão ser objeto de avaliação os conteúdos das três unidades. juntamente com os horários destinados aos encontros com o Professor Orientador da disciplina. esta obrigatoriamente será composta por todos os conteúdos das Unidades Programáticas 1.Orientações para o Auto-Estudo O presente instrucional está dividido em três unidades programáticas. 2 e 3. cada uma com objetivos definidos e conteúdos selecionados criteriosamente pelos Professores Conteudistas para que os referidos objetivos sejam atingidos com êxito. naturalmente. Havendo a necessidade de uma avaliação extra (A3 ou A4). que você administrará de acordo com a sua disponibilidade. as datas dos encontros presenciais programados pelo Professor Orientador e as datas das avaliações do seu curso.

Procure reservar sempre os mesmos horários para o estudo. Anote-as e entre em contato com seu monitor. Reserve todo o material necessário.Não acumule dúvidas.Não hesite em começar de novo. . 5.Não pule etapas. 7 .Você terá total autonomia para escolher a melhor hora para estudar.Sempre que tiver dúvidas entre em contato com o seu monitor através do e-mail monitorcead@castelobranco. 6 . 3 . 2 . 8 . 9 . Evite interrupções. 10.Organize seu ambiente de estudo.Faça todas as tarefas propostas. Porém.Não falte aos encontros presenciais.br. seja disciplinado.Dicas para o Auto-Estudo 1 . Eles são importantes para o melhor aproveitamento da disciplina.Não relegue a um segundo plano as atividades complementares e a auto-avaliação. 4 .Não deixe para estudar na última hora.

..................................1 – O texto: texto-formato X texto-forma...........................................................4 ................................Arte e literatura ...........6 ............................................................Estudo de textos teóricos.....................Literatura e linguagem: as funções da linguagem e o discurso literário........1 ..................................................................................................Conceituação...........................1....................2 – Texto-objeto X texto-obra...................... 1.....3 – Discurso metonímico X discurso metafórico................................................... ARTE E LITERATURA 2........................Literatura compromissada e a teoria da arte pela arte....................................................... 1........................2..................................Teoria literária: alargamento interdisciplinar......................SUMÁRIO Quadro-síntese do conteúdo programático....................................................................................................................................................................................................6 – Estudo de textos: poesias........2 .................................................... 3......................................... 1........................ 3................................................................................................ 69 70 71 71 72 72 74 78 .................As funções da literatura desde Platão e Aristóteles............................ 1....................................... 11 12 UNIDADE I TEORIA DA LITERATURA E TEORIA LITERÁRIA 1........................................3 ................... narrativas................................5 – Catársis direta X catársis indireta.....5............... 3........................................................................... Gabarito................. 3....................................................................................... 20 2.............................................. 67 2.................................................................................................4 – Mimésis platônica X mimésis (recriação).................................................................................................................................. A NATUREZA DO FENÔMENO LITERÁRIO 3............................A literatura-arte e a indústria cultural.....................................................4......................... 3.............................................................................................................................................................................................. 68 U NIDADE III TEORIA...................... ensaios................ 1........................................6...............Teoria da literatura: fronteiras..................................................................O lugar da teoria literária........................ 24 2............................5 ....................................3.................................................................................Periodização literária...... 23 2.......... Contextualização da disciplina.........................................................Possibilidades e fundamentos da teoria literária........................................................... 13 14 15 16 17 18 UNIDADE II 19 2................................................................................................... Referências Bibliográficas...................................................................................

? .Quadro-síntese do conteúdo programático 11 UNIDADE OBJETIVOS ESPECÍFICOS I .O que é texto técnico? .A Natureza do Fenômeno Literário . desenvolvendo.O que é interpretação literária? . desta forma.Quais os pontos de vista teórico-críticos atuais que direcionam os estudos literários? Levar ao aluno informações que definem a situação do texto técnico (de informação.Periodização e História da Literatura Levar o aluno a identificar os estilos de época.O que é crítica literária? . II . .O que é catársis? .Estilo individual e estilo de época Levar o aluno a distinguir o estilo individual do estilo de época. paraliterário) em confronto com o texto-obra (Arte Literária).O que é arte literária? .Teoria. III .O que é texto-obra? .O que é Alargamento Interdisciplinar? . reconhecer suas diferenças e semelhanças. de entretenimento.O que é análise literária? .Teoria da Literatura e/ou Teoria Literária . o senso crítico.O que é mimésis? .O que é literatura? . chamando a atenção para os aspectos que os diferenciam e que possam orientar teoricamente e criticamente suas leituras.O que é interdisciplinaridade? . Arte e Literatura .Por que fronteiras da Teoria da Lit.

o aluno não conseguirá atingir o necessário para o seu desenvolvimento intelectual. desenvolvendo e ampliando o seu conhecimento ao longo do tempo. Sem este conhecimento básico. ele sentir-se-á apto e seguro em suas atividades profissionais e acadêmicas. já que.12 Contextualização da Disciplina A disciplina Teoria Literária I abrirá um leque de informações que serão utilizadas no decorrer do curso. tendem a provocar no aluno o gosto pelo crescimento intelectual e levá-lo a pesquisas posteriores. Desta forma. o aluno terá condições de se disciplinar a estudar. preparando o aluno para as outras disciplinas que se sucederão. ético e profissional. As informações. desenvolvendo o senso crítico e formando a sua própria bibliografia para estudos posteriores. além de se explorar todas as possibilidades e fundamentos da teoria literária. além de um reconhecimento da natureza do fenômeno literário. contidas nesta disciplina. . Este conhecimento básico é de relevante importância. Essa disciplina serve como alicerce para o conhecimento e aprimoramento do aluno no âmbito de toda a literatura e das disciplinas afins.

avaliar. podemos concluir que a literatura-arte (texto-obra = recriação da realidade) é diferente da literatura técnica (texto-objeto = cópia da realidade). Exemplo: “Qual o valor do valete no pôquer”? // Validade. “examinar”. 13 1. avaliação. valia. FUNÇÃO DALITERATURA: FUNÇÃO [Do latim functione]: Utilidade. concepção. chamando a atenção para aspectos que o tipifiquem e que possam orientar a sua leitura. Exemplo: “Seu conceito de elegância está ultrapassado”. // Pensamento. “noções gerais”. portanto. julgar. valentia. “ação de contemplar”. Exemplo: “Freud conceituou o inconsciente”. julgamento. // Importância de determinada coisa estabelecida ou arbitrada de antemão. Exemplo: “Não tenho conceito formado sobre este assunto”. a família agiu mal com o rapaz”. Ex. etc. 1 . opinião. mérito ou merecimento intrínseco. // Qualidade pela qual determinada pessoa ou coisa é estimável em maior ou menor grau. Pelo ponto de vista da Teoria: · Qual é a finalidade (função) da literatura? · Qual é a finalidade da literatura técnica (ou PARALITERÁRIA)? · Como conceituar literatura-arte? Daí. etc. CONCEITO DE TEORIADALITERATURA: Ciência que possibilita a análise das camadas visíveis do texto literário. uma cópia da realidade. // Noção. “hipótese”. opinião. uso. definição. “conhecimento especulativo. serventia. Exemplo: “É profissional de alto valor”. formar opinião de. classificar. // Avaliação de conduta e/ou aproveitamento escolar // Ponto de vista. (Ponto de vista analítico // ponto de vista cientificista). Exemplo: “É pessoa indicada para melhor conceituar os candidatos”. opinião. // Literatura: Cada uma das finalidades que se atribuem aos enunciados. “suposição”. CONCEITO DE LITERATURA: LITERATURA [Do latim litteratura]: Arte de compor trabalhos artísticos em prosa ou verso. coragem. CONCEITUAR: Formular conceito (de ou acerca de). Exemplo: “Esta caixa não tem função”. “estudo”. “conjunto de princípios fundamentais de uma arte ou ciência”. Análise e interpretação das linhas e entrelinhas. VALOR DALITERATURA: VALOR [Do latim valore]: Qualidade de quem tem força. meramente racional”. caracterização. Exemplo: “Seu argumento não tem valor”. audácia. avaliar. Ciência do Conhecimento. Exemplo: “O professor deu-nos um conceito de beleza absolutamente subjetivo”. por meio de suas características gerais (Filosofia) // Ação de formular uma idéia por meio de palavras. etc. . Exemplo: “Emitiu conceitos reveladores de grande competência”.1 .. CONCEITO DE TEORIA: TEORIA : Do grego theoría.UNIDADE I TEORIA D A LITERA TURA E TEORIA LITERÁRIA DA LITERATURA Objetivo Específico: · Levar ao aluno informações teórico-críticas que definem a situação do texto literário. // Fazer conceito. idéia. // Formar conceito acerca de. idéia.A obra literária cria seu próprio mundo. não sendo. Exemplo: “Grande o valor dos bandeirantes que desbravaram nossas terras”. definição. // O conjunto de trabalhos literários de um país ou de uma época. CONCEITO DE TEORIA LITERÁRIA: Ciência que possibilita a análise e interpretação das camadas visíveis e invisíveis do texto literário. caracterização. “opiniões sistematizadas”.: “No meu conceito. vigor. então.Conceituação CONCEITO: [Do latim conceptu: Representação de um objeto pelo pensamento. (Ponto de vista fenomenológico). Apreciação.

Diante da resistência que a própria palavra oferece. 1974: 15-6). 2005.Por que a obra literária (texto-arte) não é uma cópia da realidade? 3 . diacrônicos. predominantemente linear e unidimensional.2 .A criação deste mundo será feita através da palavra que comporá imagens ficcionais.Teoria da Literatura: Fronteiras FRONTEIRA: Limite.O que se entende por resistência oferecida pela palavra. Exercícios de Auto-Avaliação Após a leitura atenta do conteúdo desenvolvido. onde se alimentará para continuar criando seu mundo de ficção (recriação da realidade = realidade ficcional). 1974. recorrendo. se necessário. TEORIA DE EXCLUSÃO DO SILÊNCIO: “Movendo-se numa ordem epistêmica que exclui o silêncio. à bibliografia indicada. Esse tipo de Teoria Literária. Ao contrário do que se verifica na Poética de Aristóteles. etc. a obra literária não pode ser inteiramente desvinculada da realidade.14 2 . responda às perguntas solicitadas. separação entre um sistema e o seu exterior. na criação de uma obra literária? Leitura Complementar Para maior esclarecimento sobre os conceitos de literatura. e/ou o livro de Rogel Samuel. Petrópolis: Vozes. sincrônicos – escolas. não estão a serviço da integração.Estabeleça a distinção entre imagem mental e imagem ficcional. embora não necessite ser uma cópia dela? 5 . por outro lado. 3 . 6 . talvez não saiba que a poesia se esconde nos abismos da estrutura” (PORTELLA. 4 . o escritor volta-se ao mundo real. 5 . termo. contorno. fim. as teorizações vigentes preservam a dicotomia. Para elas o silêncio está fora do discurso. Fronteira-faixa // Tipo de fronteira representado por fortificações ou obstáculos defensivos. raia. os cortes. 1 . · Limita-se aos estudos formalistas e/ou estruturalistas. fronteira de tensão.Que papel desempenha o leitor (analista e/ou intérprete) de uma obra literária? Explique a importância desse papel. mas da fragmentação. extremo.É por intermédio da interpretação que o leitor resgata e suplementa as camadas ocultas (entrelinhas) do texto-arte. · Análise apenas das camadas visíveis do texto literário.Por que. Fronteira-viva // Tipo de fronteira resultante de lenta evolução histórica e de acumulação. E é por esta fresta que passam os cortes ou as diferentes espécies formalizadas. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. · Ponto de vista cientificista. leia o livro de Eduardo Portella. 1. mas apenas conceituada? 2 . gêneros – . 4 . Novo Manual de Teoria Literária.Por que a literatura não pode ser definida. . Teoria Literária. TEORIADALITERATURA: FRONTEIRAS · Estudo analítico do texto literário.É por intermédio da análise que o analista decompõe a camada visível do texto literário.

e é na interpretação que a pluralidade de sentidos se torna manifesta. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. ALARGAMENTO INTERDISCIPLINAR ATENÇÃO: É uma natural conseqüência do seu progresso técnico. * Disciplinas aparentemente dissociadas.Teoria Literária: Alargamento Interdisciplinar · Estudo analítico-interpretativo do texto literário. de encadeamentos históricos. 7-18. Utiliza-se de uma metodologia alternada: TEORIA LITERÁRIA + CRÍTICA LITERÁRIA + CONTRIBUIÇÃO INTERDISCIPLINAR ANTROPOLOGIA LINGÜÍSTICA PSICOLOGIA DIREITO SOCIOLOGIA SEMIOLOGIA FILOSOFIA HERMENÊUTICA ETC. 1 ed. que lhe esgotam a extensão. Exemplo: animal = vertebrado e invertebrado / ser humano = corpo e alma. Teoria Literária. 1. em geral contrários. Dicotomia: Divisão lógica de um conceito em dois outros conceitos. · Ponto de vista fenomenológico. a hermenêutica vê os textos como expressões da vida social fixadas na escrita. p. primeiro capítulo do livro de Eduardo Portella. leia “Limites Ilimitados da Teoria Literária”. em decifrar o sentido oculto no aparente e desdobrar os diversos graus de interpretação ali implicados. · Aceita a contribuição de disciplinas afins para o correto desvelamento do texto literário. TEXTO LITERÁRIO TEORIA LITERÁRIA + CRÍTICA LIT. * União para a DECIFRAÇÃO do enigma do homem.3 . Só há interpretação quando houver ambigüidade.. através de fatos psíquicos. 1974. · Análise e interpretação das camadas visíveis (linhas) e invisíveis (entrelinhas) do texto literário. então. A HERMENÊUTICA LITERÁRIA: “De acordo com Ricoeur e Gadamer. . inclusive a contribuição da análise cientificista. Sua interpretação consiste. especialmente para apreciar seu valor para o espirito humano.VOCABULÁRIO: 15 Episteme: Grau de certeza do conhecimento científico em seus diversos ramos. Leitura Complementar Para maior esclarecimento sobre a teoria de exclusão do silêncio.

op. do que pode acontecer (muito. 1974. 2005: 86). interpretando o texto. transmanente. fazendo da leitura uma nova criação.Possibilidades e Fundamentos da Teoria Literária POSSIBILIDADE: Qualidade de possível. Esta distinção existe: “teoria literária” se diz da teoria que nasce da prática literária. POSSÍVEL: Que pode ser. processase para além do código manifesto da língua e mesmo na dinâmica latente. . Só quando compreende o sentido motivador da pergunta pode começar a procurar a resposta. razões ou argumentos em que se funda uma tese.16 Na realidade. inclusiva. da qual se depreende a teoria. Por exemplo: os estudos de psicanálise de Freud ou a crítica da economia política de Marx. FUNDAMENTO : base. primeiro capítulo do livro de Eduardo Portella. A tática da interpretação aparece sempre que há ambigüidade. E por isso o mais importante não é o que se exibe sobre as linhas. alicerce. O silêncio é a força da experiência confrontada com a fraqueza da expressão.18. da obra. 1. pouco). TEORIA DE INCLUSÃO DO SILÊNCIO: “A Teoria Poética.. Confunde e integra esses níveis. e a “teoria da literatura” vê a literatura como objeto do saber. Muitas vezes só conhecemos a crítica. já que o silêncio não é o espaço vazio porém o máximo de concentração da fala. Teoria Literária. abre lugar para a instauração da identidade do silêncio na diferença do corte. Leitura Complementar: Para maior esclarecimento sobre a teoria de inclusão do silêncio. leia “Limites Ilimitados da Teoria Literária”. que gêneros existem? Como se faz a leitura? Como se recebe o texto? Como interpretá-lo? Quais os interesses ocultos do seu saber?” (SAMUEL. justificativa. A teoria literária funda um tipo de atividade intelectual chamada crítica literária . p. influenciaram nossos estudos. razão. ponto de vista. A hermenêutica está mais interessada nas questões do que nas respostas. 7 . e dela se exige uma reflexão que leve à ação. mas para abrir sempre mais o diâmetro do compasso” (PORTELLA. neste ponto de convergência ou de tensão.. A voz do poema fala mais alto quando se cala. A hermenêutica postula uma superação: ela se quer uma teoria e uma arte. PRÁTICA LITERÁRIA LITERATURA sujeito ou objeto? “A teoria literária reúne uma coleção de ciências que alguns tratam por “teoria da literatura”. motivo. Só podemos compreender os enunciados se reconhecermos neles nossas próprias perguntas. 1 ed. POSSIBILIDADE REAL: Poder. Que estuda a teoria literária? Ela quer saber o que é a literatura ? Que textos? Que tipos. num equilíbrio entre nossos impulsos conscientes e nossas motivações inconscientes” (SAMUEL. etc. cit. A leitura poética. acontecer ou praticar-se. O poeta silencia porque o discurso pode menos que a poesia. outros de “teoria literária”. Aí. apesar de não serem literários.: 16). a hermenêutica é a compreensão de si mediante a compreensão do outro: o máximo de interpretação se dá quando o leitor compreende a si mesmo. 2005: 7). A primeira tarefa da teoria literária consiste em saber o que é literatura. penso localizar-me. faculdade. fundada na transmanência. da leitura. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. porém o que se oculta nas entrelinhas.4 . mas compreender não significa a repetição do conhecer. temos de compreender o que se esconde por trás da pergunta.

Proposição: proposta. sem receio de incorrer em qualquer deslize mitômano. até os mais recentes compêndios de comunicação e expressão.: 7). VOCABULÁRIO: Peculiar: especial. que foram sendo historicamente incorporados à sua estrutura. identificando-se como disciplina de configuração autônoma porém de caráter rigorosamente interdisciplinar.1. E é claro que uma proposição metodológica circular e simultânea terá de reconhecer nessas categorias apenas processos de estruturação. pode ser estudada e ensinada sem o necessário suporte teórico. Instâncias: recursos. 17 CRÍTICA TEORIA (núcleo) MÉTODO Pratica concretamente o sistema de ensino do literário. E além do mais. como se não bastasse o reconhecimento da feição disseminada do objeto literário. Até porque devemos duvidar da própria verdade poética. Podemos até afirmar. cit. Implementa: pratica concretamente. que a Teoria Literária é o núcleo que implementa. desde as mais remotas lições da Poética ou da Retórica . Mas é certamente agora 1 que ela atinge o seu conveniente status universitário. Isso [o necessário suporte teórico] não nos autoriza a desequilibrar. Porque fora desse prisma a força classificadora se reduz e se anula. exigindo. as relações de poder vigentes na contracena das disciplinas literárias. Mitômano: mistificação. a partir desse ângulo aberto. sob qualquer pretexto. as modificações ou acréscimos. (. “A Teoria Literária não pode ser hipostasiada como a proprietária suprema da verdade poética. op. houvesse sido um espaço em branco. Hipostasiada: divinizada... “A Teoria Literária [a partir do século XX] assumiu repentina e peculiar importância no quadro cada vez mais amplo dos estudos literários. crítica e metodologicamente. todo o sistema de ensino das literaturas. invalidaram os conceitos imóveis e intocáveis. Aqui recebe um novo impulso problemático a controvertida questão das escolas e gêneros literários. valorizados sem dúvida como instâncias pedagógicas insubstituíveis.5 . e ele impede a Teoria Literária de transformar-se numa disciplina dominadora e repressiva” (PORTELLA. uma amplitude ótica capaz de surpreender a verdade poética para além do âmbito restrito das diferentes espécies poemáticas. pelo menos nas suas formas institucionalizadas.) Não que o lugar da Teoria Literária. Nenhuma literatura particular. Pancrônica: tudo ao mesmo tempo. Disseminada: divulgada. especialmente hoje quando se tornam incompatíveis a função sincrônica dos gêneros e a imagem pancrônica da cultura planetária” (Ibidem: 8). 1 AGORA = ANOS 1960/1970 NO BRASIL . Não.O Lugar da Teoria Literária Teoria Literária e Crítica Literária O lugar da Teoria Literária: Disciplina de configuração autônoma (porém de caráter interdisciplinar). Suporte para ensinar o literário. É este o único limite que não pode ser violado. no seu modo de produção universal. Sincrônica: que ocorre ao mesmo tempo // dentro do tempo.

). ed. Rogel. 1999. 1. Leituras Complementares Livros recomendados: CULLER. 2005. SAMUEL.. de Vasconcelos. .. Manual de Teoria Literária. Petrópolis: Vozes. 1974. Rogel (org. 3. Jonathan.. Teoria Literária.6 – Estudos de Textos Teóricos Os estudos de textos teóricos serão necessários no decorrer do período letivo. 13. 1999. São Paulo: Beca. ed. Eduardo. Além dos textos que serão oferecidos pelo tutor.18 1. Novo Manual de Teoria Literária. o aluno poderá complementar o seu aprendizado sobre Teoria da Literatura e/ou Teoria Literária lendo os livros apresentados na Bibliografia. SAMUEL. Petrópolis: Vozes. Tradução: Sandra Guardini T. ed. PORTELLA. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Teoria Literária.

qualquer que seja a via de acesso escolhida (sociológica. • Aberta às múltiplas dimensões da Literatura. 1999: 90 .).) A crítica. Esta distinção existe: “teoria literária” se diz da teoria que nasce da prática literária.. da leitura. independente. • Caráter interdisciplinar e. “A Teoria Literária reúne uma coleção de ciências que alguns tratam por “teoria da literatura”. 1999: 12). É uma atividade lúdica. a história. e. Ao libertar a tensão. sua finalidade é quase a própria arte. na literatura. que lhe é garantido pelo método de abordagem. “A Teoria Literária assume um caráter interdisciplinar porque assimila os conhecimentos de ciências afins tais como a sociologia. outros de “teoria literária”. libera a liberdade.). porque ela é uma finalidade em si mesma. isto é. (. A arte cria uma tensão para provocar a libertação. lingüística. A arte é gratuita. todas voltadas igualmente para manifestações do ser e do fazer humanos. incluirá literariamente o sentido que.. e a “teoria da literatura” vê a literatura como objeto do saber” (SAMUEL. In SAMUEL (org. Este interrelacionamento amplia e enriquece o estudo da Literatura. a lingüística. enquanto literária. a psicanálise. da obra. ou promete libertar. ultrapassa o campo do conhecimento com o qual se articulou. 19 2.). cria um clima de tensão. Rogel. conseguida após o extremo” (Ibidem: 12) “A arte não se pode identificar com um utensílio.UNIDADE II TEORIA. isto é. implícita ou explicitamente). A liberdade é o fim de toda a tensão.1 – Arte e Literatura Arte “A arte abala. ao mesmo tempo.. a antropologia. Angélica. A arte não deve ter finalidade.. In SAMUEL (org. Sintetizado: . 2005: 7). não tem finalidade fora de si mesma” (SAMUEL. psicológica. na construção do modelo de leitura” (SOARES.1). ARTE E LITERA TURA LITERATURA Teoria Literária • Fornece elementos para a apreensão do Fenômeno Literário. o texto literário guarda a teoria. não pode descartar-se de sua dupla feição: enquanto crítica obedecerá a um rigor. • Não pode estar desvinculada do contato profundo e constante com o texto literário (a teoria nasce do texto e para ele se volta. mas só é conseguida depois da tensão de uma crise a liberdade é catártica. transfere e liberta.

etc. Mas o que deixou muitas vezes os críticos confusos foi não terem eles podido explicar aquelas obras que não se enquadravam nos modelos estabelecidos e que. executar. na política e na religiosa. solenidade. semelhantes a eles.Reunião social. pressiona o discurso com suas promessas de liberdade. que determina a vida dos indivíduos” (Ibidem: 9).) que integra um conjunto. por exemplo. festa (por exemplo: não compareceu àquela função para a entrega dos prêmios). em diversos sentidos. . Toda obra artística é autônoma em sua validade estética. estudar Teoria Literária ainda tem sua função). consideração a existência de certas convenções estéticas de que a obra participa e que lhe dão uma certa modelização. Precisamos estar alertas para reconhecermos e acolhermos as novas possibilidades criadoras que realmente possam participar da grande família composta através dos tempos pelos gêneros literários. distorcendo a realidade. onde se articulam elementos morfológicos. que também temos as nossas marcas genéticas e as que vamos adquirindo na nossa trajetória existencial. . simbólicos. ao mesmo tempo. por falta de Função: . desempenhar. imagísticos. ou o próprio conjunto. pelo indivíduo ou por uma instituição (por exemplo: a função de mediador em um conflito). que articulados a outros aspectos particulares aos gêneros dos quais participa mais intimamente.Uso a que se destina algo. não pode ser reduzida a um mero catálogo de regras apriorísticas. A cultura de um povo se realiza.Obrigação a cumprir. resulta em proveito (por exemplo: para os alunos de Letras. etc. É um conjunto de fatos e hábitos socialmente herdados. órgão. sintáticos. nas ciências e nas artes.. rítmicos. que é conseqüência da mimese” (Idem. execução. O potencial próprio da arte reside nisso: a não-identificação com a realidade cria um impasse. Outro problema que se coloca com bastante nitidez é o da possibilidade ou não de uma mesma obra conter elementos característicos de vários gêneros.20 Literatura -Literatura (ARTE LITERÁRIA): Caracteriza-se pela pluralidade de sentidos. cargo. O remédio muitas vezes foi recusá-las como obras de valor.2 – As Funções da Literatura Desde Platão e Aristóteles FUNÇÃO (etimologia): Do latim functio. 2. Durante alguns momentos históricos não se admitiu a contaminação dos gêneros literários. cuja solução é a catarse. serventia (por exemplo: uma única ferramenta com variadas funções). -Literatura (ARTE LITERÁRIA): “Quando a literatura faz a mimese da ação humana. engrenagem. .Qualidade do que tem valor. emprego.Atividade natural ou característica de algo (elemento. exercer. espetáculo. exercício de órgão ou aparelho. prática. mostravam-se rebeldes às convenções e cheias de novas propostas. funcionamento. seres humanos. solenidade. na social. 2005: 12). A visão do mundo ou ideologia de uma época sempre se refletirá no fato cultural. da mesma forma que não se admitiam contaminações em outras esferas da vida. como. papel a desempenhar. satisfazer. da cultura. -önis: trabalho.“A literatura faz parte do produto geral do trabalho humano. que gêneros existem? Como se faz a leitura? Como se recebe o texto? Como interpretá-lo? Quais os interesses ocultos do seu saber?” (Ibidem: 7) As Funções da Literatura desde Platão e Aristóteles “A história. É de capital importância frisar que a obra literária. . utilidade. ou seja. fruir. semânticos. numa análise mais meticulosa. é plurissignificativa. mas não é independente da cultura de sua época e das influências da cultura de épocas anteriores: assim como nós. “Que estuda a teoria literária? Ela quer saber o que é literatura ? Que textos? Que tipos. em se tratando de elementos comuns a nossa condição humana. atualidade de um cargo (por exemplo: estar ou entrar em função). sendo um organismo formado de múltiplos aspectos. . . fônicos. o que não impede que levemos em . intensificando a percepção.Emprego. reflexo das realizações humanas. é dinâmica. exercício. uso. que nos tornam diferentes dos outros seres com quem convivemos e. cumprir.

Obras 21 Conceituação Historiográfica “Nos livros III e X da República. A poesia épica era a que participava dos dois procedimentos anteriores. no campo artísticoliterário. instrumento de educação e de prazer. da retórica e da poética. . Aristóteles abordou o problema à luz da observação das obras literárias gregas. (... Tem início na França a célebre querela dos Antigos e dos Modernos. a 322 a. caracterizando-se mais por seu aspecto subjetivo. Os Antigos. classe dominante política e socialmente. que só no século XIX encontrou a sua verdadeira expansão como gênero. o estudo dos gêneros literários viu-se enriquecido. A teoria platônica dos gêneros literários só pode ser entendida. era não mimética. Sua doutrina permanece ainda atual. e aprofundou a sua visão do fato. Cada gênero ou subgênero possuía os seus temas específicos.. Realizando profundas investigações no campo da estética.. considerada sua arte poética.C. Com a nova visão crítica do século XX. (. Deduzimos daí que para ele o gênero literário é uma determinada forma que deve estar em consonância com o conteúdo e com a maneira como este é comunicado ao leitor. E não nos esqueçamos de que. filósofo grego que viveu no IV século a. poeta latino que viveu de 65 a. Manuel Antônio de. que não admitia questionamentos sobre a validade do seu poder e cuja visão de mundo irá determinar. Esta época. é necessário que levemos em conta a sua gênese” (CASTRO.parâmetros norteadores. mais radicalmente. (384 a. Mas continuará a manter a tripartição anterior. e em sua utilidade na elucidação de certos comportamentos estéticos. considerando toda poesia como mimética. interpretado como cópia da realidade e não como recriação. para atingir o grau de universalidade. na sua obra Epistula ad Pisones. firmados nos modelos greco-latinos. segundo modelos ideais. A teoria poética horaciana creditava à criação literária uma finalidade moral e didática. Como base desta tripartição dos gêneros. enquanto os Modernos advogavam a superioridade das literaturas modernas em relação à literatura greco-latina. um vasto campo de reflexão. (. seu estilo próprio e seus objetivos peculiares. sem a preocupação de aceitá-los através de uma visão compartimentada e empobrecedora da obra literária. o poeta deve adaptar os assuntos tratados ao ritmo. A poesia dramática. A poesia lírica. pois agora pode-se ter a liberdade de compreendê-los em toda a sua importância e substancialidade. deveria ser realizada segundo modelos prefixados pelos tratados ou artes poéticas até então difundidos. estabelecendo então as três categorias: poesia épica. O conceito de imitação aristotélico foi levado às últimas conseqüências.C. por exemplo. não se admitindo hibridismos.). como imitação da natureza. poesia dramática e poesia lírica.) O conceito de gêneros literários encontrou em Aristóteles. obra dedicada principalmente ao estudo da tragédia e da epopéia.. a 8 a. que não imitava os homens em ação.) Mas sabemos que havia outras posições paralelas e divergentes no cenário do século neoclássico. no livro X. para podermos empreender uma visão profunda do fato literário. que refletiam idéias favoráveis a uma maior abertura do conceito de gêneros literários.. mas não de princípio básico norteador de um conhecimento que se queira mais totalizante. irá abolir essa distinção a partir da mimésis. um tipo de poesia mista (utilizava tanto o diálogo direto. no livro III. desenvolve com segurança alguns problemas referentes à criação poética e. portanto..). negavam a possibilidade de se estabelecerem novas regras para os gêneros tradicionais. Platão se refere aos gêneros literários. (. século XVII e inícios do século XVIII. os gêneros literários. Posteriormente. C. reflete o pensamento da aristocracia. Que o estudo dos gêneros literários sirva de meio para se chegar à compreensão global da obra. e aqui poderíamos usar o plural. conceberam-nos como cópias fiéis dos modelos grecoromanos. cujas regras deveriam ser rigidamente respeitadas. recusando-se a aceitar a intemporalidade das normas clássicas. o gênero lírico e o gênero dramático. se a articularmos com o pensamento do filósofo sobre o “mundo das idéias” e o mundo onde habitamos. voltada mais para o conhecimento intrínseco da obra literária.. Segundo ele. Foi o caso do romance. por ele chamada de mimética. a poesia.C..) Horácio. reconheceu a existência de três gêneros fundamentais. entre eles. 1999: passim 30-63). sendo. O Renascimento recuperou os preceitos já conhecidos das poéticas aristotélica e horaciana. tom e metro adequados ao estilo próprio de cada gênero. No caso específico dos gêneros. quanto a narração). ou de três formas essenciais em que pode se apresentar o fenômeno poético: o gênero épico. isto é. uma maior valorização de alguns gêneros (epopéia e tragédia) em detrimento de outros (lírica e comédia).) Esses princípios foram confirmados no período denominado Neoclassicismo ou Classicismo Francês. In SAMUEL (org. pela constatação da importância do conteúdo na classificação de uma obra dentro de um gênero determinado. devido à grande sensibilidade e ao espírito científico com que marcou a sua Poética.C. era a que imitava os homens em ação. leva em consideração o grau de imitação (mimésis) que cada um estabelece em relação à realidade. Isto significa que cada tema deverá ter a sua forma própria. Segundo os críticos da época.

A literatura trabalha para o desenvolvimento da intuição interior. Século XX – Final “Como elemento de cultura. que está na base do processo criador. se concebidos como formas modelizadoras. os gêneros. não contradizem a doutrina aristotélica. In SAMUEL (org. não se pode distinguir e dividir a unidade intuição-expressão. crescimento. representam uma soma de artifícios estéticos que modelam as obras literárias e atuam tanto sobre a forma exterior (metro.. o positivismo e o naturalismo.). (. Nesta concepção. (. como todas as artes. tom. fora do âmbito do poder. substituindo a teoria tradicional dos gêneros pela crença na autonomia de cada obra literária. mas lhe acrescentam novos princípios. a literatura não pode sair do gênero sem cessar de ser literatura” (Idem.) Talvez. A literatura é capaz de representar um objeto em toda a sua íntima profundidade. que tentará reabilitar o conceito de gêneros. com nascimento. segundo estes autores.. é evocar a potência do espírito. o épico e o dramático. (. como fato cultural. instrumental do homem pela técnica. Século XXI – 2006 “A literatura de hoje se revela contra a “ideologia” do gênero. Como Fowler insiste.. estavam sujeitos às leis da evolução natural da espécie. 2005: passim 51-59). A literatura.. a subjetividade. (..) Outra posição bastante inteligente é a de Emil Staiger que. tornou-se autônoma... Segundo ele. em seus Conceitos Fundamentais da Poética.). Existirá este espaço? Poderá a literatura deixar de ser um “bem cultural”. Os gêneros. Seu objetivo é provar a presença da essência do homem nos domínios da criação poética” (ARAGÃO. comparando-os a organismos vivos. o maior desafio que o conceito de gênero põe para a teoria contemporânea é a sua recusa a desaparecer. (. Isto cria uma contradição com o estado de não-liberdade no todo social. Rogel. tudo aquilo que nas paixões e nos sentimentos humanos nos estimula e nos comove. rima. É a emoção. Embora variável. juntamente com as teorias evolucionistas de Spencer e Darwin.) Teorias mais modernas [meados do século XX]. propósito. 1999: 10).) Contra a teoria de Brunetière surge a Estética de Benedetto Croce (1902).. liberdade dentro do espaço da própria arte. ele permanece uma característica da arte verbal. com fins comerciais. assunto). 1999: 6672). como os produtos eletrônicos? Tendo perdido a sua “aura” há mais de um século.. A imaginação é pois a base geral de todas as formas artísticas. Gêneros literários. É um momento do espírito humano em que o homem se redescobre como ser cultural. etc. irão influenciar toda a cultura européia. disse Hegel.. A missão da literatura. baseada em elementos intrínsecos e filosóficos. Representa o espírito para o espírito. quanto sobre a forma interna (atitude. assim como os homens e a história.) A partir da segunda metade do século XIX. como as de Lope de Veja e Calderón de la Barca. expostas no livro Teoria da Literatura. foram motivo de violentos ataques por parte dos Antigos. morte ou transformação. Esses estímulos estão a serviço da transformação da sociedade. aprisionariam a criação e fragmentariam a totalidade da obra. ao nível dos outros produtos. Destacamos o crítico Brunetière (1849-1906). A literatura baseia-se na percepção da alma por si mesma e em si mesma. (.. como a de Warren e Wellek.. Abre-se caminho para a doutrina romântica que apregoava uma melhor fundamentação teórica sobre o assunto. In SAMUEL (org.22 com características híbridas. representando o interior e a exterioridade que sempre revela a interioridade do humano.). mas essa autonomia da arte sempre considera a liberdade num domínio particular. ritmo. seu objetivo é o reino do espírito humano. O espírito se objetiva para si mesmo através da fantasia da imaginação. propõe o estudo dos gêneros através da captação da “essência” dos três estilos básicos: o lírico. Em meados do século XVIII surge o movimento alemão denominado STURM UND DRANG (Tempestade e Ímpeto) que questionará violentamente as posições rígidas neoclássicas. ela é a matéria sobre a qual a arte trabalha. a arte literária é hoje um reduto de luta que protesta contra a utilização . existirá ainda a literatura? E a questão do gênero se coloca. Maria Lúcia.) O problema é encontrar um espaço literário onde a literatura continue a fazer a crítica da ideologia dominante. O poema [por exemplo] revela esta luta ideológica e a linguagem do homem no mundo tecnológico está na linguagem e ideologia do poema. o principal motor de transformação social” (SAMUEL.

Etc.. ... o estruturalismo preserva uma última ilusão: a de tentar apresentar o mundo para a consciência como se ele fosse feito para ser lido pelo homem (. .) Logos. “Tendências críticas aparecem no século XX [início do século XX] enfatizando a literariedade do texto literário como um fato lingüístico. devido a dois fatores: a linguagem. significa que o discurso não pode falar de si mesmo. tem uma gramática própria.) Para os estruturalistas. literatura erudita. (..) . . uma não aceitação da realidade tal como se apresenta. metáfora. O aluno de Teoria da Literatura deve buscar nos conceitos da disciplina Lingüística um melhor entendimento sobre o assunto (interação interdisciplinar). Por exemplo: linguagem infantil.. paradoxo e ironia.Qualquer dos usos estéticos da linguagem: literatura oral. matéria da imaginação da realidade. esta propriedade. numa profissão.Arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prosa ou em verso.2. etc. Os formalistas russos e o estruturalismo francês foram influenciados pela lingüística de Ferdinand de Saussure.3 – Literatura e Linguagem: As Funções da Linguagem e o Discurso Literário Literatura . que desenvolveu a tese de que as regras que determinam um idioma constituem um sistema no qual a função ou significado de uma determinada unidade lingüística é determinada por sua relação com outras unidades do sistema global. as narrativas e os dramas (ou peças teatrais). . como o idioma. (.O vocabulário específico usado numa ciência. o pós-estruturalismo vai além dos limites percebidos do pensamento” (Ibidem: 128). etc. uma força. As Funções da Linguagem e o Discurso Literário OBSERVAÇÃO PRELIMINAR: Este item do Programa segue regras formalistas e estruturalistas ( ponto de vista cientificista. apreensão do real. entendida como aquilo que nos capacita dizer aquilo que dizemos. classe... A literatura.O uso da palavra articulada ou escrita como meio de expressão e comunicação entre pessoas. Enquanto o estruturalismo se tornou possível por noções de diferença e de linguagem como um contrato social. a não ser que se coloque antes da possibilidade do próprio discurso.O conjunto de trabalhos literários de um país ou de uma época.. O processo da literariedade se concentra no interior desta dinâmica de logos . língua.. “A literatura estrutura conceitos chamados textos. diz Wittgenstein. analítico. etc. mas códigos de comunicação” (Ibidem: passim 50-3). 23 Linguagem . “Segundo Foucault.. literatura popular. como as convenções de gênero. (. . .) O estruturalismo salientou que a literatura.Sistema de signos. dos anos iniciais do século XX ). literatura de massa. (.). E a literatura tem esta capacidade. Tudo é ficção.. e a idéia ou ideologia. Esta capacidade de apreender o real é a literariedade. grupo. os gêneros não são sistemas de classificação. Constituem textos os poemas. A instabilidade desta última ilusão é a tarefa da teoria do pós-estruturalismo.A forma de expressão pela linguagem própria de um indivíduo. uma estrutura que a permite comunicar-se e gerar significados. e centrando o significado de um poema nos padrões internos da imagem. entendida como a apreensão do real que há naquilo que dizemos” (Ibidem: 14). numa arte.

b) segundo o objeto de atuação (a realidade). mas se faz de significado e significante. entre as diversas possibilidades de expressão. Ora em rebojos galopantes. que nos impressionam e nos sensibilizam. mas um sistema especial que se vale de outro. de acordo com a subjetividade de cada artista que a focaliza. podemos utilizar as palavras de Domício Proença Filho: As palavras. Criamos um estilo próprio. A literatura. escolherá. A literatura. tornam-se multissignificativas e adquirem um valor específico no momento em que se integram no mesmo e passam a fazer parte dos elementos que. A literatura é a arte da palavra. mais individual. sem preocupações artísticas. portanto. no da intelectualidade. 2. proporciona um prazer estético. e sua capacidade de dizer manifesta a linguagem” (Ibidem: 15).– a língua utilizada pelo escritor. é ideológica. por intermédio de textos. c) segundo o modo de atuar (a revelação). assim também acontece com palavras – umas no domínio da afetividade. no texto literário. A literatura será vista. apesar de utilizarmos esse tipo de linguagem no cotidiano. vale ressaltar aqui três conclusões importantes que serão comentadas ao longo desta unidade: 1. Logo. Aqui reside a diferença entre o campo de ação da estilística e o campo de ação da gramática. por sua vez. Cada um de nós tem um estilo próprio na comunicação diária. Texto 1 . possível de perceber: porque se a linguagem é aquilo que nos capacita dizer o que dizemos. Mas é importante ressaltar que. O texto literário corresponde à criação artística.4 . num texto literário.Periodização Literária Objetivo Específico (Ponto de vista cientificista): · Levar o aluno a distinguir o estilo individual do estilo de época. como a linguagem da ciência. constituem a obra de arte da palavra (1994:52). seu dizer não se dá sobre um vazio semântico. o estilo individual está a serviço desta criação. ultrapassa a simples representação mental nelas configurada e que reproduz objetivamente o mundo. Às vezes nos afastamos das normas lingüísticas em nome de uma expressão mais pessoal. sobretudo. como arte. pela conotação. corresponde a um sistema de signos.Os Rios Magoados. vai aparecer poeticamente. . ora Em desmaios de pena e de demora. da seguinte forma: a) segundo o instrumento usado pelo criador (a palavra). o que ele diz é ideológico. O escritor. 2. onde a realidade “rio” vai aparecer através de três visões diferentes. Rios. Como já examinamos alguns conceitos de literatura. 3. Vamos exemplificar. outras. Como conclusão. interligados e interdependentes. Assim como existem objetos que despertam a nossa inteligência. chorais amarguradamente. ou seja. pois sua mimese passa por um código ideológico. que nos chocam. como arte. A língua é o principal código de que dispõe o homem para a realização de sua fala. sem a preocupação com as normas gramaticais. A literatura revela uma realidade. A linguagem literária se caracteriza. aquela que se adapte à sua forma peculiar de encarar a realidade.24 Ponto de Vista Atual: Discurso Literário: “Sendo a literatura uma forma de apreensão do real. aquilo que as palavras representam vai além do conteúdo lógico. É nesta escolha que reside o estilo de cada um com maior ou menor singularidade. d) segundo o objetivo básico a que pretende (o prazer estético). Os dois fundamentos – linguagem e ideologia – caracterizam a escrita do texto de arteliterária. São duas propriedades da escrita e dão a esta definição uma dimensão focalizada e um propósito definido. ao crepúsculo dormente. Não se apoia simplesmente no significado.

Cada época vê o homem à sua maneira. que no mar se lança. seja na natureza das rochas. o desenvolvimento e a majestade do rio. No nosso pranto. Um rio nasceu. 25 Texto 2 . mostrando que a simples gota de chuva que se projeta de encontro ao solo – seja na flacidez da terra que lhe abre o ventre.. transfigurase na bondade. p. de lembrança. nestes traços individuais.. Correis. 1960. aspecto por aspecto. 1968. (Olavo Bilac. Antologia Poética. Quando a roda maior moves do Engenho.Água Corrente Água Corrente! Água de um rio quieto Cortando a alma ignorada do sertão! Levas à tona. É com uma conotação de amarguras. à sua maneira. o rio é a Estilo de época Até aqui vimos a literatura segundo o instrumento de que se vale o criador. o teu magoado som. Rios tristes! agita-se a ansiedade De todos os que vivem de esperança. nestas singularidades. da terra.. do carvão. mudam-se os gostos. rochas Ignoradas. longe de ser tão somente água corrente. Mas. poupando o braço do homem. e o ventre grávido Estremeceu. através de uma língua. 300) projeção do seu próprio estado de espírito. Sente-se aí a alma do poeta oprimida pelo inexorável. a temática é a mesma nos três textos. Ouvindo. enxergando a esperança no futuro e a saudade no passado.. p. cada um dos autores teve uma visão pessoal e particular da realidade rio. não a roda do engenho. Água corrente! eu me enterneço e tenho Uma imensa vontade de ser bom. Como podemos ver. padrões. convenções e leis a que se pode chamar cultura. em busca de luz. que a sombra invade. Não é difícil perceber que cada época tem um sistema de padrões.. leito em fora. E nesse plano atemporal. Para Olegário Mariano (texto 2). Pois no vosso clamor. do ouro. E misturais pela corrente Um desejo e uma angústia. O estilo individual se caracteriza nestas diferenças.. Trazes-me sempre a evocação de um teto. 1928.. p. já agora movendo. . e. Texto 3 . pensa.. A visão da realidade tem variado de época para época. (Vinícius de Moraes. Rio de Janeiro: Agir. A literatura é o reflexo da realidade vivida. Tarde. Água! Sangue da terra! Religião. Rio de Janeiro: Francisco Alves.. a e foz que vos devora. senso de beleza.. foi buscar no universo poético a constelação de imagens com que pessoaliza a realidade rio. a evocação protetora de um teto. Chegamos à conclusão de que a literatura revela uma realidade. (Olegário Mariano. e a projeção da essência desta realidade é feita diferentemente por eles. Há na tua bondade humana e leal. De todos os que vivem de saudades. ao longe. aquele sangue da terra que plasma o misticismo transcendental da religião.55). Melhor ainda: em cada época. entre a nascente De onde vinde. o homem vê-se à sua maneira. Para Olavo Bilac (texto 1).. age e. O poeta parte da causa para o efeito. In Poesias. de desejos contrariados e insatisfeitos que a realidade rio se apresenta para ele. “a condição para a existência de uma literatura é a existência de um povo que vive. 234) Como se observa. tocando-o. sonho predileto Do lavrador que lavra o duro chão. enternecendo-o pelo dom maravilhoso do sublime e da generosidade. Finalmente. ouro. Sofreis da pressa.Desejais regressar. Vinícius de Moraes (texto 3). se expressa” (Ibidem: 62).O Rio Uma gota de chuva A mais. por exemplo. A cultura faz o homem enfrentar o mundo de forma especial. o rio. a realidade rio.. In Poesia. Muda-se a cultura. porque muda a cultura e com ela o conceito de beleza física e da nobreza moral. sente.. Água que passa. Qualquer bafejo sobrenatural. mesmo explicando o nascimento.. Água Corrente. mas o sentimento humano. ferro e mármore Um fio cristalino Distante milênios Partiu fragilmente Sequioso de espaço Em busca de luz. a um tempo. do horizonte largo. movendo graciosamente o engenho. o rio é o sonho do lavrador. do ferro ou do mármore – vai gota sequiosa de espaço. mas cada um enfoca.. como a lembrar ao homem a grandiosidade da obra divina. Os aspectos da vida em refração.. Através de antigos Sedimentos. Carvão.. Rio de Janeiro: Editora do Autor.. deixando-se levar pela força incontrolável do desenrolar da vida humana.

PÓS-MODERNISMO (fins do século XX começo do XXI) .começo do XX) .Criação artística: “eu profundo”. podemos nos remeter ao esquema dos estilos de época. . de Tolstói. XX) .Criação artística: refletora do caos. 2. Barroco. atendendo. fraternité). XVII) . à nossa necessidade de dividir para compreender.homem em conflito. XV/XVI) . o cenário de Guerra e paz. avaliado pelas contribuições do estilos. de uma dimensão científica. preso ao livro judaico cristão. Aqui. o herói de Homero . ambíguas em si mesmas.IMPRESSIONISMO (fins do século XIX . insólita). Impressionista e Modernista. nas formas de polidez.Evolução das regras renascentistas . pois as unidades periodológicas em que costumamos dividir a história da literatura.preso à mitologia difere do herói medieval. No que diz respeito à literatura.Cubismo (1906). 4. 11.Busca. A mulher de Leonardo da Vinci não é a mesma de Renoir: a pintura estiliza a concepção de beleza de cada época.Criação artística: Busca de integração.BARROCO ( séc. Igreja Tijolo areia andaime água tijolo.Criação artística: observação e análise . Simbolista.Regras de Aristóteles e Horácio . da mesma era e parece informada pelos mesmos princípios perceptíveis nas artes vizinhas (Ibidem: 63). de Camões. Como exemplo.paganismo. XVIII) . Futurismo (1909). gestos.Homem em equilíbrio (rigidez). por parte do homem.homem em equilíbrio.Cristianismo.Busca do homem na dimensão psicológica (Homem-alma).Retorno às regras clássicas . nos costumes. 1. Neoclássico. 5.Adaptação da cultura clássico-pagã . 7. 10. Diante do exposto.Restauração mais rigorosa da preceptiva clássica . é a invasão napoleônica à Rússia. começo do século XX) .REALISMO (séc. passam a caracterizar-se pelos traços estilísticos que predominam e levam a determinar as marcas gerais da faixa de tempo considerada (Ibidem: 63). O cenário de Os Lusíadas. predominaram os seguintes estilos de época: Renascentista.MODERNISMO (séc. vestuários. o estilo de época só pode ser. na sociologia. constituindo uma constelação que aparece em diferentes obras e autores. depois responda às perguntas solicitadas.Mitologia . etc. é a história de Portugal no seu auge. a partir do século XV. na psicologia.XV) . XII . 9 . égalité. XIX segunda metade) . atentando para a sua construção e estilo.26 Por exemplo. Realista (Realismo. na religião. Naturalismo e o Parnasianismo). Com este conceito.NEOCLASSICISMO (séc. 3.RENASCIMENTO (séc. Para um melhor entendimento de estilo de época utilizemos as palavras de Helmut Hatzfeld.ROMANTISMO (primeira metade do século XIX)Liberdade para a criação artística . Surrealismo (1924) . Dadaísmo (1916). ver e rer o caos (literatura de acontecimento.CLASSICISMO (antiguidade clássica) . Romântico. 8.Criação artística: impressão do real. Rococó. citamos o seguinte esquema: Exercícios de Auto-Avaliação Leia o texto que se segue. citado por Domício Proença Filho: A atividade de uma cultura que surge com tendências análogas nas manifestações artísticas.SIMBOLISMO (fins do século XIX.Deus .IDADE MÉDIA (séc. podemos concluir que na história das artes e das letras ocidentais. sobretudo. 6. entendemos que: Desaparece a rigidez com que alguns costumavam estabelecer limites cronológicos para as chamadas escolas literárias.Homem em liberdade (liberté.

.. RJ: José Olympio... mais perto (verso 8) e “mais” (verso 9)? 6. (ANDRADE.) revolta........) desespero. bem como a repetição da palavra “trabalhando”.. 5.. no meio.Com o verso 4. (.) lento. 27 . (.. 10 ed. lengalenga.) ingenuidade. (.) ironia.. (. 4 ... 8. (..) o sacrifício que só as mulheres mostram na igreja..Explique o valor semântico (significado) que possuem as palavras que formam os cinco primeiros versos. Bem bão! Bem bão! Os serafins. representada pela vírgula colocada depois de “perdões”. (.Que importância teria a representação gráfica indicada pelo travessão no início do verso 10? 7. oração em que se invoca a virgem ou os santos. No alto fica Deus. Observe que ele: · é o mais extenso do poema. depreenda o caráter irônico do verso.) a falta de fé dos fiéis..) entusiasmo. 1980... p. Um sino canta a saudade de qualquer coisa sabida e já esquecida. Pernas de seda ajoelham mostrando geolhos. (.) monótono e despreocupado.) o espírito exibicionista das mulheres. Domingo..) aborrecível àqueles que o realizam. o murmúrio das invocações.. Comente este aspecto plástico. portanto um ritmo lento.....Os versos “O padre que fala do inferno/ sem nunca ter ido lá”.Atente para o primeiro verso da segunda estrofe... podemos deduzir que seu ritmo é: (.) ágil...Observando a pontuação da primeira estrofe. 9. 12. (. 3. 2. traduzem. (..) 1.. · possui uma pausa no meio. (.... principalmente: (.) pausado. mostrada através da extensão do sexto verso. Carlos Drummond de.. entoam quirieleisão.. que é o mesmo que ladainha..O que sugere a repetição “mais perto” (verso 7).. Reunião.) lento e desinteressado..A caracterização espacial. (. o poeta critica. (. da segunda estrofe.. No adro ficou o ateu..) o desinteresse da religião...) desesperado.. O padre que fala do inferno Sem nunca ter ido lá.. (.) árduo e cansativo. relação fastidiosa... sugerem-nos a idéia de um trabalho: (. E nos domingos a litania dos perdões.O canto dos homens trabalhando trabalhando mais perto do céu cada vez mais perto mais – a torre.) a ignorância acerca dos ofícios religiosos. explicando sua expressividade.. A manhã pintou-se de azul... Considerando esses elementos e o significado de litania.A utilização do espaço é o elemento que primeiro chama a atenção no poema... principalmente: (.. (..

Observe atentamente e compare as diferenças e as semelhanças entre os períodos que vamos estudar.Uniformidade essencial da cultura.Faça um paralelo entre estilo individual e estilo de época. em determinado tempo e lugar.Explique o desaparecimento da rigidez com que alguns críticos costumavam estabelecer limites cronológicos para as chamadas escolas literárias. o sentido da palavra adro.Valorização da vida e do mundo.Arte enriquecida pela religião. No Barroco.1 – Idade Antiga. reconhecer suas diferenças e semelhanças. interpenetrar-se. Observe bem o arcaísmo. que são catalogados como Barroco. sob este novo aspecto.C. suprima a primeira sílaba da palavra e comente. Não há fronteiras entre os movimentos literários. o senso teórico-crítico. A vida é algo de valioso. Alfredo.28 10. Um período literário deve ser visto como uma camada de aspectos culturais e estilísticos em que se trabalhou a palavra. de ascensão que o Romantismo irá enfatizar.Por que o poeta diz que o ateu fica no adro da igreja. História Concisa da Literatura Brasileira. assim como a razão pela qual o poeta preferiu o arcaísmo.Quais os estilos de época que prevaleceram na história das artes e das letras ocidentais? Periodização e História da Literatura Objetivo Específico: · Levar o aluno a identificar os estilos de época. c.Antigüidade Clássica: entre os séculos V a.Explique o uso da onomatopéia no verso “Bem bão! Bem bão!”. Depois. A luminosidade do Impressionismo pode ser vista em muitos quadros de Rembrant. . b. a crítica que o verso quer mostrar. justificando a sua construção. há o mesmo desequilíbrio e instabilidade que prenuncia o aflorar de paixões do Expressionismo. a.4. Idade Moderna Idade Antiga. ressurgir em novos aspectos. Introdução Um período não é uma etiqueta. para fundamentar a sua resposta). Eles podem completar-se. 2.“Geolhos” é a forma arcaica de “joelhos”. a Idade Média e o Renascimento (Idade Moderna). São Paulo: Cultrix. os mesmos traços românticos dos poemas de Gonçalves Dias e Castro Alves. Leitura Complementar Para melhor compreensão do assunto. Rubens. Idade Média. no seu dicionário. há um sistema de abertura. longe de Deus? (Verifique. 3 . desta forma. e outros. ao V d. Idade Média. 1992. 12. leia BOSI. Hoje se encontram nas canções de Paulinho da Viola e de Jorge Ben Jor. 1 . 11. Humanismo e Renascimento Antes de nos aprofundarmos nestes períodos.C. num mundo que se projeta em obras para a eternidade. muito menos um rígido sistema de normas. desenvolvendo. 2 . Velásquez. Atividades Complementares 1 . é conveniente fazermos uma comparação entre a Antigüidade Clássica (Idade Antiga). Na arte gótica.

Liberdade de espírito. e.Preferência pelos gêneros literários de formas fixas. Não há preocupação com a simetria.antropocentrismo. simetria. Escreveu a Ilíada e a Odisséia. O corpo deveria ser desprezado e ocultado. ímpeto progressista.Documento de referência fundamental: “Poética”. tornou-se imortal o poeta Homero.A arte é aristocrata. 29 a. intensidade vital. de quem diziam que era cego e nômade. o fato de Aquiles se sentir pressionado a devolver a jovem Briseides. b.Idade Média: entre os séculos V e XV 3 . c. clareza.1 . Para tornarem-se imortais. e. Proporção. o motivo da guerra ter durado dez anos.Equilíbrio. de Aristóteles. Colocava o conhecimento sobre a fé.Domínio da razão sobre os sentimentos. São deuses com desejos e apetites humanos. simetria. Abaixo faremos um breve comentário. filha de . já consagrada pelos antigos. A Grécia foi o berço da poesia épica.Renascimento: entre os séculos XV e XVI a.Sentido das formas. Entre tantos aedos. alimentavam-se de ambrosia e néctar e moravam não no céu ou nas estrelas.4. j. cujas linhas ascensionais procuraram mostrar a ânsia do infinito que dominara o ser humano.A beleza confunde-se com a verdade e o bem. demonstrada na anonimidade das obras. Nenhuma arte antiga deu testemunho tão marcante à causa da liberdade ou à crença de que o homem é o ser mais importante do universo. Os deuses da mitologia não se parecem com as entidades da Bíblia judaico-cristã. para termos uma visão completa dos estilos de época. f. O tema. g. h. b.Antigüidade Clássica Antigüidade Clássica De toda literatura do mundo antigo.Idealismo: a arte é uma procura da beleza. g.Arte como deleite. É importante que passemos os olhos pela Antigüidade Clássica. como fonte de prazer.Arte como deleite.d.A arte passa a ser meio de oração e de exaltação heróica. e. tormento: prazeres terrenos e o desejo de ascensão espiritual. nenhuma exerceu tanta influência no espírito do artista ocidental como exerceram os poetas helênicos e latinos.Arrebatamento.Deus e a igreja são o centro do Universo.1. i.Predomínio de linhas horizontais. provavelmente no século X a. g-. a ciência sobre a religião. h.C. 2. 2 . existindo para dar prazer aos sentidos. d.Ausência de individualismo. equilíbrio. f-. centraliza-se na “ira de Aquiles”. reservada às elites. l. eram simples seres humanos ampliados. canta um episódio da guerra de Tróia (entre gregos e troianos). c. A arte Clássica glorificava o homem racional e recusava humilhá-lo ante os deuses. mas no Monte Olimpo.Colorido.Arte assistemática. ou seja.Individualismo de temas.Preocupação com a vida além da morte. com o afastamento do herói da contenda.A alma é o centro da vida humana. Predomínio do gótico. como fonte de conhecimento básico: A Ilíada de Homero: Anterior à Odisséia. Esta poesia nasceu com os aedos .narradores declamatórios. o corpo sobre o espírito e a terra sobre o céu. f. d. harmonia.Imitação dos clássicos gregos e latinos.Exaltação do homem e do humano .

apresentando um breve comentário sobre as três obras – destaques na antigüidade clássica – você poderá se interessar e ler algumas delas.4. em que um círculo se fecha em torno de um deus. Bloqueados os horizontes marítimos. conforme a criatura humana. No século IX instituiu-se o regime do feudalismo por meio da concessão de feudos. representa o lar. a educação e todas as manifestações sociais e culturais. o comércio se interrompe. sem estádios intermediários. A Odisséia de Homero: É um poema de inspiração marítima. em 476 da nossa era. provocada pelo deslocamento da vida social da cidade para o campo e pela passagem da economia monetária das cidades antigas para a economia rural das grandes propriedades da terra. que canta as aventuras dos navegantes gregos. sem dúvida. Ao tradicionalismo dessa cultura. A universalidade medieval da Europa Ocidental se confirma no Estado unitário. sua prisioneira de guerra. que fecharam as portas do Mediterrâneo no século VIII. um poema patriótico. depois de vinte anos longe de seu reino. na religião. que aspiram a se tornar independentes através de suas próprias forças econômicas.do século VI ao XI Plena Idade Média . O personagem principal é o herói Aquiles. Para este tipo de coisas contribui a . porque um período histórico não tem data certa para começar ou terminar. novas unidades estatais começaram a se formar. estabelecendo-se a unidade de vida na política. amarem e sofrerem. O personagem principal é o herói Ulisses. seu amigo e aliado na guerra. passou a dominar o Estado. mas é um marco aproximado. cleros e povo. um papa. Carlos Magno é coroado pelo papa imperador romano do Ocidente. Estas informações são importantes para que você tenha uma noção da relevância e da influência desta época nos estilos e autores posteriores. vitoriosa. A invasão dos bárbaros e seu domínio na Europa Ocidental imprimem características decisivas nessa etapa inicial. Depois de dez anos de guerra. corresponde a rigidez das barreiras que separam classes sociais em nobreza. A relação contratual incluía aliança e lealdade num sistema de mútuos serviços e obrigações.30 Brises. Posteriormente. Penélope. um imperador. onde o espera sua fiel esposa Penélope. dos versos hexâmetros. quando o famoso rei franco se transforma em Protetor da Cristandade. publicado no século I a. na Ilíada. raptada por Páris. Pátroclo. No natal do ano 800. obtendo. (Helena. o capital se imobiliza. ou seja. na Odisséia. Arnold Hauser divide a Idade Média em três fases: Alta Idade Média . fazendo os personagens odiarem. sem a presença do herói Aquiles.2 . é a esposa infiel de Menelau. Ao mesmo tempo. uma fonte de conhecimento necessária à sua formação. o dinheiro desaparece. Coube a Virgílio cantar os feitos dos seus compatriotas: imortalizar em um poema o prestígio e o poderio romanos. marca o final da antigüidade e o início da Idade Média. consegue livrar-se de todos os perigos e chegar à Ilha de Ítaca. a prudência). cultural e artístico: Alta Idade Média Assiste-se à fundação de nova sociedade. depois da destruição de Tróia. Aquiles se enfurece pela morte do amigo e volta a lutar (depois de ficar à parte durante dez anos).Idade Média Idade Média A queda do Império Romano do Ocidente. Enquanto vigorava a economia rural na sociedade imobilizada. C.do século XIII ao XV invasão do sul da Europa pelos árabes. não havendo diferenças nítidas entre os últimos séculos da antigüidade e os primeiros da Idade Média. originando a pluralidade das futuras nações. bem como o enredo. A glória do Império Romano estava esperando um cantor. matando Heitor. portanto. na arte e na língua latina oficial. A Eneida é. A Igreja.do século XI ao XIII Baixa Idade Média . É belíssima a musicalidade épica. não havia espaço para desenvolver a Vejamos como esta divisão se processa no percurso histórico. O maravilhoso pagão intervém constantemente nas ações. causadora da guerra. A Eneida de Virgílio: A influência de Homero transitou da Grécia para Roma. mediante certas obrigações entre os vassalos e o senhor. extensões de terra com imunidades e privilégios de senhor aos respectivos proprietários. grandiloqüente.1. Ulisses. a moradia. 2. é morto pelas mãos do príncipe troiano Heitor. filho da deusa Tétis. que aparece secundariamente na Ilíada.

. 31 Plena Idade Média Ao estilo românico sucede o gótico. A principal manifestação literária desta época é a poesia trovadoresca. dando surgimento à aristocracia dos Baixa Idade Média A burguesia triunfante fortaleceu a economia monetária e mercantil que determinou a orientação de toda revolução social a partir da plena Idade Média. o amor estava ligado à sensualidade. o que vai assegurar à burguesia uma posição de classe. intransigência moral. a vida se desloca do campo para a cidade. dotado de um sistema ético intransigente e de uma nova concepção sobre o heroísmo e a honra de classe. Os interesses espirituais e ultramundanos perdem sua importância. começam a se valorizar. com seus ideais de fidelidade. sentimentos da honra. e não mais um privilégio de nascimento. à hegemonia política e social.nova classe que vai surgir . que considerava todo o mundo como manifestação do plano divino. cedendo lugar aos interesses materiais. constituída no começo por guerreiros profissionais a serviço de grandes proprietários e príncipes. Perde valor a estética pedagógica que justificava a arte como veículo da verdade doutrinal e a poesia didática e alegórica se encaminha para o fim. que canta em longos poemas as aventuras heróicas dos superhumanos guerreiros cristãos. Na escultura e na pintura. Poesia tipicamente aristocrática. A nobreza procura adaptar-se ao espírito econômico e à ideologia racionalista da burguesia. No século XI fundou-se a ordem da cavalaria.competência intelectual e. O homem e a terra. cede espaço ao antropocentrismo. inspirador de catedrais imponentes. já que desponta a estética hedonista que dominará o Renascimento. através da posse de bens. nem vacilações sobre a validade das concepções religiosas e morais. b) Amor idealizado. na medida em que a religião não é mais a força diretriz da cultura. sem conflitos espirituais (pelo menos aparente). depois. num crescente naturalismo na representação das figuras de santos. que se tornou hereditário. a aquisição da riqueza passa a depender da aptidão pessoal e inteligência. a cultura se seculariza e desaparece o monopólio da educação clerical. domina o anticulturalismo. desprestigiados pelo pensamento religioso. o amor é transformado em princípio educativo e força ética – origem de valor e perfeição. O dinheiro elimina a rígida barreira das classes. A religião se torna mais humana e emocional. mas depois os guerreiros passaram a dispor do feudo. como resultado de um maior apego aos bens materiais. Uma das manifestações literárias mais representativas dessa fase é a canção da gesta. A Igreja detinha todos os poderes. respeito à mulher. em luta contra os árabes pagãos. levando essa classe à independência e. e o comércio começa a movimentar o capital imobilizado. O homem não faz exigências e se limita a sofrer e a adorar a mulher – exemplo de perfeição moral e beleza. a cavalaria integra a nobreza e se faz grupo fechado. caraterizado pela leveza arquitetônica. sem exercer influência na personalidade do amante. enquanto o poder da Igreja decai. No século XI. de delgadas torres e estreitas ogivas e pela busca de maior fidelidade ao real. heroísmo. A visão teocêntrica. uma vez que faltavam categorias do pensamento baseadas no dinheiro e no lucro. tornaram-se desconhecidas a idéia de progresso e a necessidade de novo. Nos fins dos séculos XII e XIII. É uma época tranqüila e firme na fé. voltado especialmente para o homem. aos poucos. garantia a obediência e controlava a vida intelectual e artística. Os ideais de vida aristocrática: a) O sistema ético da nobreza. encontrou o ambiente propício para seu desenvolvimento nas cortes. tão de acordo com o antiindividualismo feudal. cavaleiros . O estilo artístico do século XI é o românico. É importante ressaltar que. na antigüidade. expressão do estilo épico medieval. que surgiu em Provença e se difundiu graças aos jograis. por toda a Europa Ocidental. na época trovadoresca.

32 2. já no século anterior. não somente com relação à cultura latina. Eles romperam com dependência e com a servidão que. durante a Idade Média.4. análise. ocupa agora o centro de interesses. a Itália. na Itália. Gombrich: Os italianos estavam perfeitamente cônscios de que. concretizase uma nova concepção da cultura. 2. Entre as idéias gerais do período. ao invés do dogmatismo medieval. Com a expressão ciceroniana studio humanitatis. graças a uma nova valorização que abre correspondente à nova mentalidade burguesa. uma vez que o comércio com o Oriente foi intensificado. por meio da análise dos manuscritos antigos. que passará a adotar uma atitude crítica. godos e vândalos. confronto e discussão da experiência está nos princípios da civilização contemporânea. que se prolongou do século XV aos séculos XVI e XVII. fundado na autoridade religiosa. destacam-se: a natureza. superando as falsificações acumuladas pelos intérpretes da Idade Média.1. Esse método não aceita com veneração a tradição.3 – Humanismo: Momento de Transição Humanismo O humanismo foi um movimento filosófico e literário. a partir da qual se procurava um ensinamento profundo. H. superou e rejeitou os padrões de vida cultivados na Idade Média. por intermédio de Martinho Lutero e João Calvino. Os escritores antigos passaram a ser admirados além da perfeição da língua e do estilo. também como modelos máximos de humanidade. representando um acontecimento central da cultura Renascentista. inclusive do ponto de vista religioso. A antigüidade era vista através da ótica medieval que consistia na interpretação alegórica. sob diversos aspectos. A palavra humanismo põe em destaque o próprio homem que.1. Fizeram isso submetendo todas as idéias tradicionais a um exame mais crítico. E dessa atitude surgiram os movimentos da Reforma. Isso levou os estudiosos a definir o período como antropocêntrico – o homem como centro – em oposição ao teocentrismo medieval. moral e religioso. As palavras Renascimento ou Renascença se relacionam ao verbo renascer. mas a submete a livre exame. O humanismo O humanismo renascentista quis enfatizar que também a natureza humana passaria a ser vista diferentemente pelos homens. ligavam-nos ao sobrenatural. onde atingiu o seu momento culminante no século XV. Também as relações sociais se deixaram afetar. invadiram o país e desmantelaram o Império Romano. por exemplo. Na estrutura dos estudos humanísticos. A idéia do renascimento associava-se na mente dos romanos à idéia de uma ressurreição da grandeza de Roma (1981: 167). O novo método de pesquisa. desprezado na Idade Média na sua qualidade de criatura pecadora. . a hegemonia da Igreja. situado além do sentido literal das coisas. fora o centro do mundo civilizado. no passado distante. Se esta dava prioridade ao sobrenatural. tendo Roma por capital. Como indica o historiador da arte E. Desde então se estabeleceu a fundamental discussão em torno da doutrina da imitação dos antigos. o humanismo e a antigüidade. A natureza A mentalidade renascentista. a perspectiva adequada.4. mas também à grega.4 – Idade Moderna: Renascimento Renascimento Renascimento é a designação geral do espírito que dominou o século XVI e que teve como berço a Itália. Discutiram. e que seu poder e glória se dissipara quando as tribos germânicas. Isto equivale a dizer que a natureza – o cosmos – passou a ser vista como algo que devia ser conhecido para ser dominado e submetido ao poder do homem. A palavra humanismo deriva do latim humanae litterae . os humanistas batizaram suas pesquisas filológicas e suas redescobertas da antigüidade clássica que restabeleciam. os renascentistas se preocuparam em elaborar um quadro de valores cuja base era o natural. para os quais o mundo antigo merecia ser conhecido e estudado apenas como preparação da era cristã. divulgado nos países europeus e surgido em meados do século XIV. que faz crescer a economia monetária e mercantil.

A . a burguesia. bem como os comentários e estudos que eram produzidos pelos humanistas. que orientava o fazer literário em um tempo em que a Igreja detinha o poder sobre a cultura. moral e religioso. senhor do mundo e sedento em conhecê-lo. As línguas nacionais já estavam aptas a serem não apenas faladas no dia-a-dia. um entregar-se intensamente ao momento presente. O homem. grande foi a importância que desempenhou a imprensa (final do século XV). faltar a religiosidade. Na escultura. pouco valorizada pelo pensamento religioso medieval. podemos tecer uma comparação entre o homem medieval e o renascentista. passam a segundo plano sem. pecado original. cujo objetivo consiste em viver intensamente para obter as recompensas terrenas: as belezas e os bens da terra. Um fator importante na formação da mentalidade renascentista foi o movimento franciscano. obedientes ao princípio da unidade. que antes dominava. Na Idade Média. explorada nos textos literários que você estudará. o homem encontrava a sua dignidade na origem divina e resumia o objetivo de sua vida na preparação para o mundo além-túmulo. Sua dignidade se revela na própria condição humana. antiescolástico. com Petrarca. que influenciaram muito o pensamento renascentista. Na Itália. já no Renascimento. No século XIV. vive-se o carpe diem de Horácio – goza o dia de hoje –. à proporção que a severidade dos antigos palácios se atenuavam. foi intensificada sua pesquisa e estudo. A importância dada aos valores da estética greco-latina se manifestou sob as mais variadas formas. As idéias de salvação. representação da figura humana perdeu a solenidade rígida bem como a abstração da arte medieval.em decorrência das rotas marítimas. que inclusive adquiriu feudos para se nivelar com a nobreza. nas literaturas portuguesa e brasileira com o auxílio da Teoria Literária! heróis. Petrarca e Boccaccio. passou a ser apenas a língua dos estudos nas universidades. As leis da arte se racionalizaram e o belo resultou da concórdia lógica entre as partes singulares de um todo. que começou a romper com a estrutura fixa da sociedade medieval. o espanhol e o português por exemplo. Este convite ao prazer se mescla com uma certa dose de tristeza em decorrência da fugacidade do tempo – sentimentos que influenciarão grande parte da produção poética do período. instalou-se o burguês endinheirado. Imagine a riqueza desta época. Como conclusão. tem o direito de aproveitar todas as delícias. contudo. criaram corpo em obras literárias. já que a vida é breve. ostentando a plenitude da corporeidade do homem. gozando a vida e seus prazeres. O dinheiro passou a assumir um significado mais efetivo na criação de uma nova classe. que possibilitou a divulgação dos textos originais e traduzidos. No Renascimento. As igrejas passaram a refletir o esplendor e a luminosidade dos templos pagãos. no final da Idade Média (século XIV). Assim. confiantes na própria força. o naturalismo se sobrepôs ao antinaturalismo. Neste sentido. dependente da providência Divina para poder se elevar. Essa busca do Prazer torna-se um dever. inclusive pela presença da mitologia. surgido na Itália. já que não se tem certeza do amanhã. sem dúvida. com isso. que faziam parte da vida espiritual da Idade Média. o homem cria o seu destino. fora do interesse prático. Decaiu o estilo gótico na arquitetura. enquanto o francês. o latim. embora predomine o gosto pelos elementos pagãos. As figuras grandiosas do século XVI revelaram o poder de uma raça de belos É importante observar que o Renascimento foi anticlerical. viveram três dos maiores nomes da literatura universal: Dante. surge o poeta preocupado com as belas formas que faz do escrever uma atividade autônoma. ao lado do clero e do nobre. redenção. 33 A antigüidade (Renascimento: retomada de valores clássicos) A antigüidade foi representada pelos textos dos autores gregos e latinos e. Francisco de Assis (século XIII) e que inaugurou o sentimento de integração frente à natureza. Com isso. mas não incrédulo. Essa atitude representa um traço fundamental do hedonismo renascentista. mas escritas. cedendo lugar ao luxo que resplandeceria na decoração dos tetos. sob a inspiração de S.

O ideal do herói renascentista começa a decair. ao invés de imitados. em tão grandes proporções. Nesse panorama de extrema severidade e rigidez era normal que surgisse o medo e o pavor. daí a necessidade de o estudarmos separadamente. a dúvida se instaura e o fanatismo se alastra pelo mundo. do Concílio de Trento. sofre terríveis abalos: o saque de Roma em 1527. passou a ser considerado como um estilo absoluto. Impõe rígida disciplina e severo rigorismo na fé. após ter sido resgatado por Arnold Hauser. o risco dos fabulosos negócios seguidos. provocaria rudes golpes no espírito crítico do Renascimento.O Maneirismo e o Barroco O Maneirismo e o Barroco Antes de começarmos o estudo desses estilos. Os modelos clássicos continuam a servir de padrão. 2. O Concílio de Trento (1545). A contra-reforma prepara novos rumos para o catolicismo. harmonia. a formação das grandes potências e suas colônias. O resultado dessa filosofia foi a separação entre a prática política e os ideais cristãos. que servia para indicar um estilo artificial e cerebral. surge a contra-reforma que busca recuperar o espaço perdido pela Igreja.6 . conceituará.4. a perda da supremacia econômica com o deslocamento do centroneo para o Ocidente. mas este vai procurar a conciliação das polaridades em choque. A insegurança. tão fascinante. surgido em fins do séculos XVI e prolongado até o começo do século XVII. inicialmente. simplicidade. que caracterizam o espírito maneirista. a Reforma protestante de Lutero que tenta imprimir um novo espírito à Igreja e instaura a dissidência. e o homem perde a fascinação experimentada pela consciência da própria grandeza e sua conseqüente sensação de segurança. por intermédio de suas sessões. Toda a produção artística parece abalada pelo vendaval ameaçador das consciências. estabelece leis para a censura já instaurada. ao mesmo tempo. que se infiltrava nos setores políticos. de que os fins justificam os meios. a confiança antropocêntrica vacila. prosseguindo no período barroco. Seu nome vem da palavra italiana maniera. A angústia da crise. pregava a filosofia de Maquiavel. põe em prática a Inquisição. A crise econômica crescia devido à desenfreada especulação financeira. é importante ressaltar que o Maneirismo. todos esses fatores contribuíram para a instauração do medo e da insegurança. no primeiro capítulo do seu livro Maneirismo. Desta forma. A Itália. Cria-se a necessidade de combater a corrupção da Igreja e fortalece-se a urgência de uma recuperação do antigo prestígio.5 . A obediência passiva que a nova orientação da Igreja exigia. A crise também afeta o espírito religioso. Arnold Hauser. Muitos conflitos e guerras religiosas ocorrem nesse período. Enfim. A versão maneirista do carpe diem prolonga e exagera o modelo anterior e se reveste de tonalidades sombrias. De um lado.34 2. persegue os humanistas. simetria. líder do movimento cultural nos últimos séculos. Na verdade. por outro lado. a linguagem se emaranha. decreta a autoridade infalível da Igreja e a obediência cega ao papa. substitui a euforia renascentista. a alta dos preços e o desemprego são evidentes. nunca realizados antes. o conceito de Maneirismo. clareza. de grandes lucros e grandes perdas. a idéia de equilíbrio. sofrem distorções e exacerbações. a dominação do território italiano por franceses e espanhóis após anos de luta. porém. O realismo político. tão seriamente abalado. ante os valores renascentistas em decomposição.1.4. tão típicas do Maneirismo. controla toda a produção artística e literária. ao mesmo tempo.1. de forma mais aprofundada. . econômicos e religiosos. foi considerado. soava falsa. discutirá questões referentes à nova política da Igreja. É aconselhável que você leia para se inteirar mais sobre este período tão polêmico e. o maneirismo é a expressão artística da crise européia no século XVI.O Maneirismo O Maneirismo O maneirismo surgiu na Itália em meados do século XVI e começo do XVII. Cria-se a Companhia de Jesus (1540) e o papel dos jesuítas se destaca na formação da nova cultura e dos processos políticos. apenas como um período de transição entre estilos. A unidade espacial renascentista se desintegra. aumenta a incerteza do perigo causado pelos imensos negócios.

A vós Cabeça baixa por chamar-me: A vós. Nessa cruz sacrossanta descobertos. A Espanha. O homem. poeta espanhol. expressase por antíteses que refletem o sentimento de instabilidade da realidade e a tensão anterior. representou uma forma eficaz e expressiva de construir um mundo imaginário. na modalidade de fuga. sabendo-se simultaneamente grande e miserável. que leva a contrições. dissolução e morte. que o artista sente o doloroso prazer de recordar. para esse poema de Gregório de Mattos Guerra. Há o emprego de uma verdadeira constelação de figuras. numa unidade orgânica. b) Conceptismo . através da crise do maneirismo. A vós. O naturalismo das figuras divinas põe em destaque os valores sensoriais e eróticos de um mundo conhecido e gozado através dos sentidos. Que para receber-me estais abertos. estruturas complexas e inéditas guardam a intensidade e o fascínio das impressões sensoriais. representou o ponto fulcral da contra-reforma e seu espírito influenciou todo o século. A metáfora oferece o elemento principal dessa poética. Atente. eclipsados. A vós correndo vou. por exemplo. anjo e animal. Ao lado da visão do espaço infinito. poeta espanhol.O seu representante máximo é Quevedo. simultaneamente. quero atar-me. polivalência significativa. o hipérbato. o Barroco contribuiu para a afirmação do espírito dos tempos modernos. Significa o prazer lúdico de brincar com as palavras. desenvolve-se uma concepção angustiosa do tempo. Sangue vertido para ungir-me. a anáfora. O homem barroco viveu num eterno conflito proveniente da luta entre o espírito cristão e o espírito secular. lado patente. É o emprego de raciocínios 35 . pregados Pés. predominam a antítese. É uma arte de exuberância e intenso poder expressivo. onde a aparência se afirmava como realidade. cujo objetivo era exprimir a glória do seu triunfo. Pois para perdoar-me estais despertos. A ânsia de transcendência constituirá o eixo de todo o pensamento do homem barroco. atado e firme. Braços sagrados. Utilizou-se o conflito entre o ser e o parecer . tendo sua estética servido à catequese e à propaganda da fé católica. resultante do conflito entre o profano e o sagrado. mas como elemento fundamental que estruturou sua ideologia. Não podemos considerar a contra-reforma como causa determinante do Barroco. onde a máscara e os defeitos cênicos instauraram a ilusão e. por não deixar-me. reflexos da efemeridade. Além das características já observadas anteriormente. A vós. deixaram entrever a ruptura desta. pronta a traduzir as glórias do céu e as pompas da terra. o espírito e a carne. No Barroco se difundiu o último surto da arte religiosa. “Buscando a Cristo”. poderosa politicamente. Fortes tensões vocabulares. encontrada em todas as manifestações culturais do período. E por não condenar-me estais fechados.O Barroco O Barroco O Barroco floresceu no século XVII e constituiu uma fase de exuberância e fantasia. no Barroco. Divinos olhos. num estilo literário abundante e. herança medieval. o Barroco apresenta duas tendências importantes que vale a pena ressaltar: a) Cultismo . A Igreja é responsável pela grandiosidade monumental da arte barroca. De tanto sangue e lágrimas cobertos. Esses dois elementos se fundiram. A mundividência e a temática barroca exprimem-se através de uma poética própria que foge à expressão singela e imediata. não desapareceu diante do racionalismo renascentista. Para ficar unido. Desta forma. O escritor barroco procura a expressão que encerra uma polivalência de significados e que reúne valores constantes. A vós.4. múltiplos pormenores e para associar e mesclar. E por não castigar-me estais cravados. O maior tema da arte barroca encontra-se na morte. O teatro. Vive num universo de ostentação e suntuosidade. explorando o gosto do complicado e do surpreendente. os elementos contraditórios. mas freqüentemente se desvia pela tendência para a hipérbole e pelo gosto para a obscuridade. Entre as figuras retóricas.1. Denomina-se fusionismo à tendência seguida pela arte barroca para unificar. cravos preciosos. o pensamento cristão. à guisa de ilustração e de exemplo. muitas vezes. conforme o poema citado. num todo. quero unir-me: A vós. rebuscado. Espetacular e popular. denunciando o espírito contraditório da época. eterno e transitório.modelo desta tendência é Gôngora.7 .2. com jogos de exuberância verbal.

através do qual o leitor é conduzido até o entendimento.) A Contra .. (.. Cancioneiros . cantigas de escárnio e maldizer. (. O escritor barroco sente repugnância pela clareza das proposições. Estilos Idade Média Características Poesia cortês .) A alma é o centro da vida humana. bipolaridade ou fusionismo? 3 . Convívio de elementos realistas e fantáticos. (.. Prosa . (.) Criação da Companhia de Jesus.Relacione as colunas de acordo com os seguintes códigos: a) Idade Média b) Renascimento c) Maneirismo d) Barroco (. escritos místicos e doutrinários e historiografia..forma convencional.romance de cavalaria. Cientificismo .) Arte como deleite. Elitismo .) Idealismo: a arte é uma procura da beleza. Função do cômico e do trágico.Que se entende por dualismo. valorização da forma sobre o tema e surgimento da noção de autor..) A depreciação do homem e das conquistas materiais.. para não perdermos o entrelaçamento dos estilos de época e a sua importância no percurso histórico e literário.. Dualidade ideológica – cristianismo medieval e racionalismo renascentista.independência da igreja. Presença do grotesco. o amor como tema.. 2 . (.) Equilíbrio.. Humanismo e Renascimento Meneirismo Tentativa de conciliação das heranças medieval e renascentista.36 rebuscados até chegar a uma conclusão engenhosa. (. Autonomia da arte .Reforma da Igreja Católica. surgimento do cavalheirismo. cantigas d’amigo. Exuberância verbal. (. 1 .cantigas de amor.. O corpo deveria ser desprezado e ocultado. vamos exercitar os estilos estudados...arte produzida por e para uma elite. Um texto é um verdadeiro labirinto.) A reforma de Martinho Lutero.. .) Estilo artificial cerebral e decorativo.. fonte de prazer. Barroco Exercícios de Auto-Avaliação Com base no que foi visto.) A arte passa a ser meio de oração e exaltação heróica. Antropocentrismo .Defina conceptismo e cultismo.. clareza..preocupação com a ciência..valorização da razão e culto aos valores da antigüidade.. (. Dupla natureza do herói. (... harmonia e simplicidade.

Camões lança mão de duas figuras de retórica. Maneirismo. com tanta intensidade. O livro de Arnold Hauser. É ferida que dói e não se sente. Que época seria esta? b) Na tentativa de conceituar o amor. É ter com quem nos mata lealdade.Qual o estilo artístico do século XI? 6 . Leia especialmente o primeiro capítulo “O conceito de Maneirismo”. Leia-os. Mas como causar pode em seu favor Nos corações humanos amizade. com atenção.Quais as duas figuras de estilo que refletem melhor o conflito Barroco? 37 5 . Se tão contrário a si é o mesmo amor? ( Luiz Vaz de Camões) a) Ninguém soube cantar o amor como Camões. . será de grande utilidade no aprofundamento dos estudos maneiristas.4 . São Paulo: Perspectiva. atentando para suas diferenças e semelhanças. É solitário andar por entre a gente. É querer estar preso por vontade. É cuidar que se ganha em se perder. É servir a quem vence. É um não-querer mais que bem querer. específicas do século XVIII? Quais são elas? Leituras Complementares O livro de Lígia Cadermatori oferecerá a você uma visão mais ampla desses estilos.Leia o texto seguinte e responda às perguntas: Amor é fogo que arde sem se ver. o vencedor.O que significa a expressão horaciana carpe diem? 7 . É nunca contentar-se de contente. ele prenuncia uma época que se manifestará no século XVIII. É um contentamento descontente. 1976. Neste soneto. É dor que desatina sem doer.

Rococó / Arcadismo c) Pré-Romantismo O século XVIII ficou conhecido como o século das Luzes em função do adiantamento científico que o caracterizou. a lei científica assegura a harmonia do universo e da vida do indivíduo. lançou as bases doutrinárias que originaram o capitalismo. inspiram a Revolução Francesa e todos os movimentos libertários do século. delegando a uma única pessoa a autoridade do mando. deverá ser substituída. mas de toda a modernidade. 4 . Passemos ao estudo de suas correntes.Não existe pecado original. Outro fator marcante é a ascensão da burguesia.38 2. Os grandes filósofos reformadores discutem a validade do autoritarismo.O Iluminismo O Iluminismo Também chamado Ilustração. c) Adam Smith . Os iluministas combatem o Cristianismo por o considerarem um obstáculo à vida. A ordem natural não comporta milagres ou qualquer forma de intervenção divina.em “O Contrato social” mostra que a autoridade se origina dos homens livres.As Correntes do Século XVIII As correntes do século XVIII Até agora. se a autoridade não souber satisfazer as necessidades daquele grupo. enquanto o clero e a nobreza vêem seu prestígio diminuir.8 . O racionalismo cartesiano. assim. o século XVIII vai se apresentar bem diferente. corrompera-se pelos costumes. enquanto as instituições e as leis haviam provocado a infelicidade. Destacaremos aqui três enciclopedistas : a) Montesquieu . Logicamente. baseando-se no progresso científico e técnico que recebe um grande impulso no século XVIII. abdicam de parte da liberdade. impondo-se esteticamente. com as luzes da razão.4.1. a razão afasta o homem dos erros seculares e prepara uma era de paz e felicidade. afastando o homem das verdadeiras formas de vida. foi produto do racionalismo e promotor do seu incremento. Descartes.com sua “A Riqueza das nações”. dotado de rigor lógico e geométrico. Estas teses progressistas serão. posteriormente. Para eles. Poderíamos. resumir o Iluminismo: 1 .O universo é a máquina governada por leis inflexíveis. não apenas.8. no pensamento e na arte. A natureza. Podemos. Como vemos. do absolutismo monárquico e da revelação religiosa. científicas. 3 . também. com isso. . vimos estilos artísticos que se destacaram em um determinado período.1. o caráter específico do século XVIII. no entanto. O homem não é congenitamente depravado. numa época em que se pretende fundar um mundo novo sobre as bases da razão que ilumina.A razão é o único guia infalível da sabedoria. 2. enumerar as seguintes correntes: a) Iluminismo b) Neoclassicismo . para efeito didático. 2 . Estes. a base filosófica da Revolução Francesa. b) Rousseau .segundo suas idéias. o governo e as instituições deveriam ser expurgados de todo artificialismo e reduzidos a uma forma coerente com a razão e a liberdade natural. onde vai surgir um entrelaçamento de tendências. o progresso de um país surge em função da correta aplicação das doutrinas econômicas e não por causa da vontade divina. o Iluminismo constituiu um movimento filosófico com o objetivo de “iluminar” as mentes. o paraíso terrestre e para tal empresa procuram alcançar a harmonia entre a razão e a natureza. já que o conceito de lei científica exclui os milagres. Prometem. para evitar o caos. O mesmo não ocorre no século XVIII. filósofo francês da primeira metade do século XVII e influenciador do Iluminismo. teóricos que propõem explicações racionais. decide. não admitem a interferência divina.4. e. Surgem os enciclopedistas. para questões que até então eram vistas por um prisma religioso.A religião. considerada originalmente boa.1 . cada vez mais fortalecida.

Depois da fase retorcida e deformada do marinismo. Tal transformação se justifica à luz do racionalismo de uma época reflexiva. Tomás Antônio Gonzaga. que se acentuará na literatura. em 1689.1. baseados nos pressupostos racionalistas.4. O Arcadismo atenderá a esses requisitos. enquanto a cultura se erotiza e se legitimam licenciosidade e a libertinagem.8.4. A prática refinada do gosto marca a experiência estética impregnada de ludismo. O Neoclassicismo apresenta duas manifestações de grande importância no campo artístico: o Rococó e o Arcadismo. já que Marino foi o seu poeta principal. solene e grandiosa de proporções reduzidas. O Rococó representa essa revolução e suas conseqüências. ao lado de riquíssimos burgueses. na poesia pastoril da antigüidade. procurando superar os excessos do Barroco. a estilização.4 . a partir do cultivo do hedonismo.1. A opulência da carnalidade da mulher barroca é substituída pela graciosidade e pelo charme das lânguidas mulheres dessa cultura. habitada por pastores e considerada. ávida de elegância e bom gosto. 2. fica mais fácil entender os movimentos artísticos da época. desenvolvendo o ideal bucólico que dominará a lírica do século. É o culto do “Bom Selvagem” freqüente na ficção do século XVIII. inspirados numa região da Grécia (provavelmente legendária). adotaram nomes pastoris gregos e latinos e tinham por finalidade ressuscitar a simplicidade da poesia bucólica greco-latina. chamado na Itália de Marinismo. . ex-soberana da Suécia.3 . trabalham em favor de uma espécie de revolução cultural de elite. que abdicara do trono e fixara residência na Itália. Os membros da agremiação denominavam-se pastores. A Arcádia se originou em Roma.2 .O Arcadismo Arcadismo Enquanto o Rococó se originou na França. Com isso. a intimidade. os freqüentadores de seu palácio fundaram uma agremiação à qual denominaram Arcádia. na qual se cultivam a delicadeza. Alvarenga Peixoto. surge uma nova fase que revaloriza os modelos greco-latinos. na França. o Rococó viverá para o prazer. o Arcadismo nasceu na Itália. Minas Gerais é o centro econômico e intelectual do país e lá surge o Grupo Mineiro: Cláudio Manuel da Costa. O movimento arcádico significou o início de uma literatura verdadeiramente brasileira.2. Em lugar da arte monumental. vários nobres lutam para se desvencilharem do domínio da Coroa e. o verdadeiro paraíso. 39 2. a sociedade o corrompe”. fundada pelos amigos da Rainha Cristina.4. em reação ao rigorismo moral do século XVII. É Rousseau que vai exercer grande influência nesta época com o lema: “O homem é bom.O Neoclassicismo O Neoclassicismo Após a exposição sobre o Iluminismo.8.O Rococó O Rococó Passado o período do absolutismo monárquico de Luís XIV.8.1. Basílio da Gama e José de Santa Rita Durão. pois este primitivismo seria o oposto das regras sociais. da civilização hipócrita e corrupta. surgirá uma hipervalorização do homem em estado primitivo. Silva Alvarenga. Assim ocorreu com o Neoclassicismo. livre da gravidade do período antecedente. selvagem. Reunia em seus salões estudiosos para discutir problemas literários e científicos. Ao morrer.

4. Leia. sentimental.5 . por isso. valorizando a vida campesina. servir de adubo à terra a fértil cinza. Não verás derribar os virgens matos. 6. ingênua e inocente. agora. inatural. 7. 2. 9. daí sua revolta contra as convenções do Neoclassicismo e sua necessidade de exterminar os princípios de imitação dos antigos e também abolir as regras obrigatórias. O Pré-Romantismo é o primeiro movimento literário europeu. Esta tendência inaugura novos conceitos estéticos. na poesia. 2. Ao racionalismo responde com o sentimentalismo.O Pré-Romantismo O Pré-Romantismo Trata-se de uma tendência estética que se afastou dos cânones do Neoclassicismo e da visão de mundo racionalista da época. mas brotará da imaginação e das efusões do sentimento. Muitos de seus maiores nomes fugiram às exigências estéticas inerentes ao estilo.Presença marcante do bucolismo. em que a emoção superava a razão. que é o lugar onde residem a beleza. cem cativos Tirarem o cascalho e a rica terra. a pureza e a naturalidade.1.Retorno ao equilíbrio e à simplicidade dos modelos greco-romanos.8. depois da Idade Média. Na Alemanha. o Arcadismo apresenta as seguintes características: 1. Verás em cima da espaçosa mesa altos volumes de enredados feitos. mais do que emoções. nova temática. ver-me-ás folhear os grandes livros. Seguindo a enumeração. a arte não provém de um esforço da razão. reagindo contra o anticlericalismo dominante. E já brilharem os granetes de ouro no fundo da bateia. o Arcadismo tornou-se artificial. lançar os grãos nas covas.Condenação à rima. negando a fé e a religião. O Pré-Romantismo exprime um senso mais íntimo da natureza e. a poesia deve ser pastoril. o Pré-Romantismo surgiu com o movimento do Sturm und Drang .A poesia deve voltar-se à natureza. Para os pré-românticos.Preocupação com a finalidade moral da literatura.A arte como imitação da natureza. cem cativos Tu não verás. 5. 3. exibirá inclinações religiosas e místicas.que contribuiu para a formação do Romantismo. 8. foram classificados como pré-românticos. Ao otimismo dos filósofos revolucionários contrapõe o pessimismo e a melancolia. Na medida em que procurou refletir a mentalidade científica da época. Enquanto revolver os meus consultos.4. Ou dos cercos dos rios caudalosos. Marília. Portanto. e decidir os pleitos. bucólica. Não verás separar ao hábil negro Do pesado esmeril a grossa areia.40 Pode-se afirmar que o Arcadismo foi a primeira tentativa de subordinar a Arte à Ciência. os textos que se seguem e atente para a poesia árcade de Tomás Antônio Gonzaga (BrasilColônia) e pré-romântica de Bocage (escritor português): Tu não verás. Não verás enrolar negros pacotes das secas folhas do cheiroso fumo.Tendência.tempestade e inquietação . queimar as capoeiras inda novas. realizando uma poesia de caráter pessoal. Marília. novo estilo.Predomínio da razão e da ciência. nem espremer entre as dentadas rodas da doce cana o sumo. Compreende-se assim o gosto pela poesia popular e primitiva. pedante. ou da mina da serra. tu me farás gostosa companhia. que não se inspira na antiguidade greco-latina. para pintar situações.Reação contra o que se considera o mau gosto barroco. . já que se procura no campo o tema pastoril e campestre.

e os cantos da poesia. não lhe invejes a ventura. . o verso “A morte para os tristes é ventura” pode ser considerado o lema do Romantismo.lendo os fastos da sábia mestra História. ( ) Culto do homem primitivo. Quem sofre de inimigos a violência. Culto à natureza. 41 Quadro-Síntese As Correntes do século XVIII Influência ideológica Tendências da época . a imagem bela. . (Manuel Maria Barbosa du Bocage) Torna-se importante ressaltar que Bocage foi considerado o precursor do Romantismo. gostoso tornarei a ler de novo o cansado processo. (Tomás Antônio Gonzaga) Quem se vê maltratado e combatido Pelas cruéis angústias da indigência. .Neoclassicismo: imitação dos clássicos. sentimental. 1 . A morte para os tristes é ventura. quando a amargura O coração lhe arranca e despedaça? Ah! Só deve agradar-lhe a sepultura. devido às exclamações retumbantes. Que a vida para os tristes é desgraça. Presença da mitologia greco-romana. Rousseau. à fantasia apaixonada. Marília. ( ) Conflito entre valores antagônicos. No poema acima. que tens quem leve à mais remota idade a tua formosura. Voltaire e Montesquieu. Características Exercícios de Auto-Avaliação Por intermédio do que foi exposto.Relacione as colunas de acordo com o seguinte código: a) Barroco b) Arcadismo c) Pré-Romantismo ( ) Poesia pessoal. Se encontrares louvada uma beleza. ( ) Simplicidade sintático-vocabular. Busca da objetividade. vamos testar a assimilação das correntes que acabamos de estudar.Iluminismo: difusão do racionalismo. Lerás em alta voz. Quem geme de tiranos oprimido: Quem não pode ultrajado e perseguido Achar nos Céus ou nos mortais clemência. à emoção ardente.Arcadismo: evocação da vida pastoril. eu. vendo que lhe dás o justo apreço. . das coisas naturais. Predomínio da razão. Quem chora finalmente a dura ausência De um bem que para sempre está perdido: Folgará de viver quando não passa Nem um momento em paz. apaixonada. Equilíbrio e sobriedade clássicos.Enciclopedismo de Diderot.

assume o poder através da Revolução Francesa. Uma das razões mais comuns entre os românticos. ( ) Enciclopedistas. 2 . Podemos situar as raízes do Romantismo no tormento do mundo e na insegurança dos povos.Qual a implicação desta tese na literatura do século XVIII? 9 . o Arcadismo se opõe ao Barroco? 3 . vivendo as conseqüências dos ideais frustrados da Revolução Francesa. das classes mais humildes. Os escritores românticos captam em suas obras os problemas essenciais da época. ( ) Antítese e paradoxo.( ) Direção adotada por muitos autores do século XVIII. 42 ( ) Teocentrismo. 1992.2. Assim. Os ideais de “Liberdade. portanto. queria. período que marcará o fim de um longo processo: a burguesia.Qual a tese de Rousseau sobre o homem? 8 .4. a diversão. ou seja. 2. ( ) Racionalismo. O público consumidor – burguês – não tinha grande preparo intelectual.2. Os donos do mundo já não eram mais o Clero e a Nobreza. o sentimento pessimista da existência. esta diversão estaria mais próxima da plebe do que da elite.4.9. Uma das possibilidades de evasão ou escapismo consistia no refúgio ao passado mítico do indivíduo ou do mundo. o “sangue azul” deixou de ser condição indispensável para o reconhecimento da sociedade. principalmente.Qual foi a principal característica do Arcadismo? 4 . História Concisa da Literatura Brasileira. ( ) Revalorização da mitologia e da cultura greco-romana. não era culto. poesia objetiva e impessoal. para mundos ideais ou ainda para a natureza confiante e consoladora.9 – As Correntes do Século XIX 2. estava preparado o cenário para uma outra revolução. a Burguesia contou com o apoio do povo.O Romantismo O Romantismo O Romantismo preenche o início do século XIX. Alfredo. a Revolução Francesa possui um cunho popular – burguês. era a evasão para o sonho. O sentimento de carência da pátria que a ação napoleônica ocasionou junto aos povos europeus despertou a consciência nacional e a ânsia de liberdade. Igualdade e Fraternidade” ecoam por todo o mundo. tema quase obrigatoriamente religioso. . Em termos de arte.1 . e muito freqüente nos textos. São Paulo: Cultrix.Como ficou conhecido o século XVIII? 6 . Evidentemente. a busca de um valor universal que justifique o sofrimento e a morte.O que esta característica significa? 5 .Como. após firme e decidida caminhada.Que significa o Princípio da Imitação? 7 . atitude essa decorrente do conflito do eu com a realidade adversa. Para atingir o poder. anunciando transformações. a indagação metafísica sobre o destino humano.O que sucedeu à grande parte dos autores árcades? Leitura Complementar Leia: BOSI.

como a bruxa má. Nesse tipo de romance. “a justiça sempre vence”.Temas cristãos. .Romance Romântico Romance Romântico Romance de consumo. lançado no mercado para ser aceito ou rejeitado como qualquer outro produto colocado à venda. com personagens extraordinárias. não raras vezes. O romântico julga-se o centro do universo e o ego representa seu grande pólo de interesse. Assumindo uma verdade dialética. Sua mensagem é sempre redundante.Crença na inspiração. Em geral. nacionais e medievais. 43 2. . o romance romântico atende aos ideais de sonho e lazer da classe média. ao mesmo tempo.Integração do homem à natureza. . aspectos que produzem uma literatura de tom intimista e confessional. Os folhetins. Como grandes figuras do romance romântico.2 . instrumento de mensagens de evasão. podemos citar: na Inglaterra. praticamente. então. aceitação de temas nacionais e populares. das transformações sociais. corajoso. o herói individual.idealização das coisas divinas. dotado de poderes quase sobrenaturais. a ponto de ver na natureza e no universo meras projeções de seu mundo interior. no Brasil. o príncipe encantado. Destinado a um público sem maiores comprometimentos culturais. inauguram uma arte de evasão e de participação. das tradições do passado e dos sonhos futuros. capaz de bravura e. . Seus temas reduzem-se à reiteração de aforismos. Alexandre Monzoni. . Surge. . “o amor resolve todos os conflitos”.Ampla liberdade criadora. Segundo o professor Afonso Romano de Santana. que procura auto-identificar-se com os heróis e as heroínas da ficção romântica. . . . leal. o Bem e o Mal. . O romance romântico estrutura-se de forma linear. O escritor e o poeta da época surgem como indivíduos predestinados a grandes momentos. propicia o surgimento de uma nova profissão: a de escritor. meio e fim definidos. . Vitor Hugo. as novelas e os romances vêm ao encontro dos anseios de fuga do nosso público leitor. culminando em tais narrativas as lições de moral declaradas através do desfecho quase sempre moralizante. na Itália. confissões. Quadro-Síntese Romantismo Influência ideológica Características . tais como: “o crime não compensa”. José de Alencar. na França. concretizada na valorização do homem como indivíduo dentro da sociedade.Preferência por temas históricos. senso de solidão. em Portugal. é uma narrativa simples que fala de amor e de aventuras. excessos de mau gosto. Predomina o tempo cronológico – tem começo.Espiritualismo .A arte é um sistema aberto.Subjetivismo. Alexandre Herculano. “o mal é sempre castigado”. atingindo. dores. sem saber como preencher as horas de ociosidade.A valorização do sentimento e da emoção leva o autor romântico a explorar o subjetivismo e até mesmo a egolatria. lirismo.9. fraquezas.Predomínio da fantasia e do sentimento. Walter Scort.2. o romance romântico cristaliza uma série de lugares comuns e tipos.4. a Inocência e o Pecado são claramente delineados. no arrebatamento. etc. sonhos. pronto para morrer de amor quando a vida lhe nega a “virgem suspirosa e pura” com a qual sonha acordado.Burguesia ascendente . O romance e a novela da nova cultura nascente. etc.

2 . Confundido também. entre em contato com o tutor a fim de uma orientação mais direta e adequada. Leitura Complementar Para um conhecimento mais amplo do Romantismo. vamos treinar o nosso conhecimento. Depois responda às questões. Beijar teus dedos em delírio insano. Observação: Se surgirem algumas dúvidas.. “Amar e Ser Amado” (fragmento) (Castro Alves) Amar e ser amado! Com que anelo Com quanto ardor esse adorado sonho Acalentei em meu delírio ardente Por essas doces noites de desvelo! Ser amado por ti. c) Releia o poema e procure provar que o poeta se debate entre a paixão arrebatadora e a suavidade de sentimentos. Juntos. . Que palavras do texto contribuem para a criação dessa subjetividade? b) Procure provar através da linguagem que todas as emoções descritas transcorrem no plano da imaginação do poeta. atentando sempre para a linguagem romântica.44 Exercícios de Auto-Avaliação Antes de passarmos aos outros estilos de época. 1992. História Concisa da Literatura Brasileira. 1. Sentir em mim tu’alma.Responda às perguntas solicitadas: a) O Romantismo rompeu com os padrões clássicos? De que forma? b) Qual a atitude romântica diante da realidade e do cotidiano? c) Por que os românticos retornam à Idade Média? d) O que significa “poesia confessional”? e) Caracterize o herói ou a heroína do Romantismo.que pensamento!? a) Uma das características marcantes do Romantismo é o subjetivismo. já que trabalhamos com diferenças e semelhanças. chegando a uma conclusão sobre os recursos lexicais predominantes no Romantismo.amadoComo um anjo feliz. o teu alento A bafejar-me a abrasadora fronte! Em teus olhos mirar meu pensamento.. ter só vida P’ra tão puro e celeste sentimento: Ver nossas vidas quais dois mansos rios. leia: BOSI. São Paulo: Cultrix. Alfredo.Leia com atenção o texto que se segue. perderem-se no oceano -. voltando sempre aos estilos anteriores. d) Selecione os substantivos e adjetivos desta composição poética. amante .

desponta uma ficção diferente: o romance realista. São líderes desse movimento: Honoré de Balzac. Naturalismo. Parnasianismo Esses três movimentos surgiram na França em meados do século XIX. 45 2. O homem adota uma atitude científica perante o mundo. retratará o mundo real de tal forma.Realismo.4 . O escritor vale-se da análise de fatos. romance que sistematiza as principais propostas da ficção realista. destaca-se Machado de Assis. de Gustave Flaubert. O romance realista pretende desmistificar o sistema burguês. O conhecimento positivo passa a ocupar o primeiro plano. em que. Os diálogos ajudam a criar o clima de veracidade. da natureza e do próprio homem.9.4. Influem também as idéias de Shopenhäuer. líder da inauguração do romance de estrutura complexa. então. pois estes três elementos pertencem a um todo orgânico – o cosmo – e por estarem associados. Com a edição de Madame Bovary. Por essa razão. vulgares e contestadores.O Realismo O Realismo O progresso vertiginoso da ciência permite ao homem perceber que as simples hipóteses a respeito dos elementos constitutivos da realidade não têm mais sentido. A figura do herói idealizado será substituída pela imagem do homem comum e real.2. o Realismo. voltada para o presente e para o real. Volta-se. No Brasil. focalizando a realidade objetiva e o homem. com um traço comum: repúdio ao Romantismo. elementos verossímeis e vivos.3 . mas a criação de espaços e tempos simbólicos incongruentes como a própria vida. que acredita serem as utopias e os devaneios do espírito os principais responsáveis pelo “sofrimento e pela dor de viver”. Embora os fins do século XIX assinalem o grande momento da prosa realista. Diferentemente do romance romântico. Surgem obras baseadas na experimentação científica.4. Vamos estudá-los separadamente. que suas hipóteses (no sentido crítico) sejam comprovadas no decorrer da obra. Parnasianismo Realismo. O escritor realista preocupa-se em criar obras de tese. através do qual o escritor pretende mostrar a diferente maneira de ver o mundo e as coisas.2. . o escritor realista preocupa-se com a autenticidade da história narrada. no desejo de caracterizar melhor o homem e o ambiente.2. como as de Darwin e Claude Bernard. Naturalismo. que a burguesia falhara como ideal de civilização. ainda. ao passo que as indagações espirituais são relegadas a um plano inferior. provando. considera-se iniciada a nova fase literária.9. Apoiado nessas reivindicações materialistas e científicas. estão sujeitos às mesmas leis. Usando uma linguagem mais simples e próxima da realidade. Só a ciência poderia curar os homens desse grande mal. a ficção realista preocupa-se mais com a caracterização dos personagens. cuja narrativa obedece mais ao nível psicológico. Já não interessa tanto a cronologia dos fatos. e na filosofia positivista de Augusto Comte. Novas perspectivas despontam para a humanidade. para a análise do Universo. Gustave Flaubert e Stendhal. sua narrativa é lenta e o narrador se prende às minúcias e aos detalhes. recriando um mundo fictício. Só a análise da realidade pode apresentá-lo como verdadeiramente é. Novo estilo e nova forma de (re)criar a realidade são empregados na literatura. fundamentado na hipocrisia. na maneira de enfocar o homem – a natureza e o universo – existirá sempre que o escritor desejar apresentar-nos esses elementos como eles são na realidade. É um romance de observação e crítica.

Vaso Grego (Alberto de Oliveira) Esta de áureos relevos. ora repleta ora esvasada. 2.4. destaca-se Aluísio Azevedo. um aprimoramento de ourivesaria. que. temos o que se convencionou chamar de Romance Naturalista. Portanto.2. no classicismo e no neoclassicismo. Concluimos afirmando que os naturalistas ultrapassam os realistas nas descrições repugnantes e repelentes. editada pela primeira vez em 1866. representou uma reação contra o Romantismo. pela ciência e pelos valores supremos da época. nome dado a essa escola. da sociedade e da vida. O romance naturalista é quase sempre linear. zelava pela composição perfeita do verso. o Parnasianismo. o derramamento sentimental. da revista Le Parnaso Contemporain . com intenção científica. capazes de compreender e fruir as refinadas expressões de beleza.O Parnasianismo O Parnasianismo Paralelamente à prosa realista e naturalista. O título dessa revista fora inspirado na montanha grega Parnaso. brilhante copo. como eram elitistas. novos processos poéticos (“Arte pela arte”). através desse método experimental. ser sanados pela razão. . da raça e do momento. o descuido das composições.4.9. Vamos esclarecer essa confusão que perdura ainda em alguns livros de literatura. procurando fugir dos cacoetes românticos. Mais uma vez. No entanto. em oposição à liberdade criadora do Romantismo. Era o poeta de Teos que a suspendia Então. tomando como ponto de partida o negativismo e as taras humanas. a perfeição formal. numa devoção à beleza formal. meio e fim e instaurador da figura do anti-herói. adota a doutrina filosófica que nega a presença de qualquer significado sobrenatural dentro da realidade. Como exemplo de uma poesia parnasiana. em sua busca incessante de novos temas. precisavam. e. que procura exagerar a realidade.5 . Os parnasianos repelem o prestígio conferido pelos românticos à inspiração e optam por um trabalho artesanal e cuidadoso. à procura da rima rica e do rigor métrico. Perceba a ênfase descritiva.O Naturalismo O Naturalismo Geralmente o Naturalismo é confundido com o Realismo. reconhece-se um desejo humanitário de mudar as condições de existência social. juntamente com Olavo Bilac e Raimundo Correia. consagrada a Apolo e às musas inspiradoras das artes. agora.6 . Já aos deuses servir como cansada Vinda do Olimpo. “limando” o verso com paciência e minúcia. dirigida a poucos iniciados. O Parnasianismo. a seleção vocabular e a volta aos motivos clássicos. O termo naturalista assume posição definitiva com Emile Zola e seu grupo.2. constitui a chamada Trindade Parnasiana. trabalhada De divas mãos. estruturado em bases de começo.46 2. um dia. na prosa. surgiu uma escola de poesia com características bem marcantes. A taça amiga aos dedos seus tinia. Seu nome é proveniente da França. observe com atenção esse soneto de Alberto de Oliveira. Esses dois movimentos surgiram em meados do século XIX. Esse tipo de romance. a um novo deus servia. No Brasil. a ponto de criar personagens movidas apenas pelas forças do determinismo (homem sujeito às leis da fatalidade e do destino). Os parnasianos. A banalidade dos temas. O naturalismo assume uma posição combativa na análise de problemas que a decadência social evidenciava e faz do romance uma verdadeira tese. a poesia volta a se inspirar nos autores greco-latinos e recupera a importância dada à forma. achavam que a poesia representava um luxo intelectual.9. Quando a ficção realista é fortalecida pela visão científica e materialista do homem. O homem é visto pelo escritor naturalista como um mero produto do meio. movidos pela certeza do seu papel científico mais efetivo. o não envolvimento do poeta com o tema tratado.

g) Preocupação revolucionária. Basta atentar para o romance “O Cortiço”. qual se da antiga lira Fosse a encantada música das cordas. e) Preocupação com a mensagem que revela naturalmente o comportamento das personagens. primando pelo eruditismo. equilíbrio na composição. linguagem próxima da realidade. b) Preocupação com a observação e análise da realidade.Toda de roxas pétalas colmada. não apenas verossímil. h) As personagens são tipos concretos. g) Linguagem grosseira e vulgar. e) Visão do homem como um animal. taças etc. h) Ênfase descritiva nos pequenos objetos: vasos. f) Determinismo na atuação das personagens. aproximando-a. f) Fuga dos sentimentos vagos para ter visão do real. vivos. retrato fiel das personagens. das neuroses. i) Preocupação com minúcias. f) Valorização dos sentidos. narrativa lenta. g) Seleção vocabular. e) A impassibilidade do poeta diante da obra.. das sensações visuais. táteis. de Aluísio Azevedo. mas sem preocupação de ordem transcendente. dos casos patológicos. enfocando os aspectos mais deploráveis e cruéis da realidade. levado pelo instinto. Ignota voz. a bordas Finas hás de lhe ouvir. através de uma linguagem simples. c) Busca do perene humano no drama da existência. c) Concepção de que o homem é apenas um produto do momento. mas exata. correção e equilíbrio. olfativas e gustativas. 47 ESTILOS Realismo Características a) A preocupação com a verdade. canora e doce. “a arte pela arte”. d) Rigorosa lógica entre as causas (biológicas e sociais) que determinam o comportamento dos protagonistas. b) Criação do romance experimental. Naturalismo Parnasianismo . Depois. atitude de crítica e combate. i) Culto da beleza. antes de tudo. harmonia. d) Emprego de rimas ricas e raras. Toca-a e do ouvido. correção gramatical. a) Preocupação com o homem na sociedade. estátuas. a) A perfeição da forma. auditivas. Mas o lavor da taça admira. do meio e da raça.. b) A linguagem é. Qual se essa voz de Anacreonte fosse. d) Exploração das taras humanas. c) Sobriedade no emprego das figuras. clareza. . h) Despreocupação com a moral.

. ( ) Homem visto como um animal. 6 . . (. o estudo das personagens ao exagero científico.) Sob a influência científica do século. ( ) Poesia confessional. 3 ..Por que a linguagem naturalista é um exagero das tendências realistas? 4 .Como o Naturalismo encara o homem? 5 . determinista. a literatura passa a ter papel de mostrar. leva. ( ) Poesia descritiva. Leitura Complementar BOSI. levado pelo instinto. ( ) Preocupação com a perfeição formal.) Sob a influência científica do século.. Explique.Relacione as colunas de acordo com o seguinte código: a) Realismo b) Naturalismo c) Parnasianismo (. material e real (nada de subjetivismo). a raça é um grande argumento para se justificarem os problemas econômico-sociais..Relacione as colunas de acordo com o seguinte código: a) Romantismo b) Realismo c) Naturalismo d) Parnasianismo ( ) Análise. a literatura passa a ter como objeto de descrição o que é objetivo. em alguns aspectos. (. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix. crítica e denúncia da sociedade burguesa..48 Exercícios de Auto-Avaliação Agora vamos testar os conhecimentos sobre os estilos de época. 1992.Estabeleça uma diferença entre o Realismo e o Naturalismo.) Vertente do Realismo. 1. ( ) Romance de tese. analisar e criticar a sociedade. ( ) Romance experimental. paixão. ( ) “Arte pela arte”. 2 .Românticos e parnasianos encaram diferentemente o gosto popular.. ( ) O homem é um produto do meio-ambiente. Alfredo. ( ) Exaltação dos sentimentos.

espiritual. os temas passam a apresentar o fascínio pelo que é imaterial: o tema do homem como ser misterioso. o Simbolismo se caracteriza pela elaboração formal. Em meio à idéia de progresso. responsável por uma profunda mudança na arte poética. O adjetivo decadente foi usado na França. com o real evocado e. odores. seja em versos ou em prosa. A realidade não é mais descrita com a precisão realista-naturalista-parnasiana. ou seja. Não há mais rigor formal da estética anterior. impressões sensoriais. O escritor. difunde-se o sentimento de decadência. Rogel. Anticientífico. os simbolistas sugerem situações. a poesia agora se constitui como expressão livre. diferindo do Parnasianismo. Resgata o subjetivismo romântico e parte do princípio de que a poesia não pode exprimir-se de maneira definida nem definitiva. O autor não é impessoal: ele recupera e aprofunda o lado romântico (que. In SAMUEL (org. Antes de entrarmos no Simbolismo propriamente dito. com o fim de indicar a nova atitude do espírito.. pelo trabalho cuidadoso e minucioso com a linguagem. todos os movimentos da vanguarda européia a ele são devedores (SAMUEL. antimaterialista. O Simbolismo é uma escola complexa de se definir. entre 1882 e 1886. naturalmente. cores. Baudelaire produziu uma poesia satânica e irreverente. Aos decadentistas a velocidade furiosa do progresso e as perspectivas mudanças parecem problemas de ordem patológica. sugerida. 1999: 156).9. em confronto com o ritmo de épocas anteriores.Simbolismo e Impressionismo Simbolismo e Impressionismo 49 Sem dúvida. A literatura sempre fez uso da linguagem simbólica. Comecemos pelo Simbolismo.4. estamos estudando e observando um entrecruzamento de estilos no século XIX: o Romantismo. a literatura deveria libertar-se de toda contaminação com estruturas intelectualísticas e com intromissões culturais. dominante na segunda metade do século XIX. de onde se originou e se renovou o Simbolismo. trabalhará com uma linguagem metaforizada. em reação contra a tirania da cultura milenar tornada obsoleta. como se a nova orientação constituísse indício de decadência moral e estética. de fé na ciência. O Simbolismo é atraído por um espiritualismo que se opõe ao cientificismo da época.7 . aliás.4. onde uma civilização começa a negar os fundamentos intelectualísticos e se volta para o antiintelectualismo. em fins do século XIX e teve como principais líderes: Mallarmé. sons. sensações. Verlaine e Baudelaire. Já não interessam os detalhes da realidade. . Do Decadentismo surgiu o Simbolismo e. envolto por uma realidade desconhecida. portanto. Segundo a visão decadentista. É o tema dos mistérios do mundo. de certa forma. etc.2. em tom pejorativo.2.2. Rimbaud. . 2. vamos conhecer o Decadentismo. (Verlaine) Movimento literário que surgiu na França. da vida e da morte. mas com o Simbolismo essa linguagem é levada a extremos. Enquanto o parnasiano esculpia a linguagem e relacionava a poesia à escultura. não foi eliminado totalmente pelo Parnasianismo) para valorizar as impressões do indivíduo. o simbolismo evoca sensações e impressões e as associa ao som: é uma nova linguagem poética. autor de “As flores do mal”.8 . no entanto. mas é evocada. o Realismo. que anuncia uma época de crise e dissolução. do costume e do gosto. Desmistificando a poesia parnasiana. por isso ela é traduzida em símbolos. no início.O Simbolismo O Simbolismo “De la musique avant toute chose – Música acima de tudo. Naturalismo e Parnasianismo em meados e fins do século XIX e o Simbolismo e o Impressionismo em fins do século XIX.9. mas o que ela evoca.). os seguidores dessa tendência viram no título motivo de honra.

onde o que importa são as diferentes atitudes e pontos de vista do observador. através da intuição (Ibidem: 158). sombras veladas e musselinosas para as profundas solidões noturnas. mas sugere estados emotivos. Esses são traços fundamentais da atitude. chega a ser considerada por alguns como algo comum aos naturalistas e simbolistas e por outros como uma fusão de elementos do Realismo e do Simbolismo.. Observe agora a linguagem simbolista nesse soneto de Cruz e Souza: Musselinosas como brumas diurnas descem do ocaso as sombras harmoniosas. Outro traço: a convicção de que não existe a ausência da luz para a tinta preta nos quadros impressionistas. Assim. A palavra. o nome estendeu-se às demais artes: na música impressionista de Debussy e Ravel e. com sons sugestivos e a mistura de todos os sentidos evocados pela realidade. violinos. Aliás. As imagens.9 . . o contraste entre o mundo da matéria.” Debussy A atitude impressionista. a música.4. A pintura impressionista não se preocupa com a visão objetiva e estática da realidade.50 musical. na linguagem das coisas visíveis e faz a exploração da realidade que reina além da razão.. Sua poesia evoca o trágico. em literatura.O Impressionismo O Impressionismo “Nada é mais musical que um pôr de sol. bandolins. a universal correspondência e a analogia das coisas. os simbolistas procuram descobrir. a palavra não define. sacrossantas urnas. usada em livres associações.. da lua e das Estrelas majestosas iluminando a escuridão das furnas. denominado Impressions e exibido com escândalo no salão do Boulevard des Capicins em 1874. de cor e som. o poeta deve deixar-se arrastar pelo fluxo da linguagem pela sucessão espontânea das imagens e das visões. Atente para o que se fala a respeito da poesia simbolista: Na poesia simbolista. E é assim que Cruz e Souza inicia o Simbolismo no Brasil e lega à literatura brasileira uma poesia que une os planos material e espiritual. a preocupação com a brancura. E os pintores preferem pintar ao ar livre. as sinestesias. Caracteriza-a o sentimento da permanente transformação do mundo.. de liturgias. Ah! por estes sinfônicos ocasos a terra exala aromas de áureos vasos incensos de turíbulos divinos.9. não há na natureza cores permanentes: existe constante mutação. e o mundo de brumas de luar. mundo de desigualdades sociais. poetas como Cecília Meireles e Murilo Mendes procuraram consolidar heranças simbolistas que sempre existiram na nossa poesia dos últimos séculos. já são significativos os estudos que procuram caracterizá-lo como um período estilístico distinto. 2. característica dos fins do século XIX.2. O mundo de Cruz e Souza é de palavras. É o contraste entre o material e o etéreo. E como que no azul plangem e choram cítaras. As formas das coisas são criadas pela luz e não pelas linhas. criando imagens raras de beleza. Apesar da complexidade que envolve o assunto. entre outras características. em plena implantação do Modernismo. que leva à impressão de uma continuidade em que tudo se funde. à luz plena do sol. fazem desse poeta negro um dos maiores líricos da literatura brasileira. O poeta é o vidente que capta experiências sobrenaturais. Decorre dos quadros de Claude Monet. a palavra Impressionismo corresponde a uma tendência da pintura. arpas. Importante ressaltar que. Os prenilúnios mórbidos vaporam. cada palavra se torna símbolo de uma realidade evocada através da musicalidade da linguagem. Nesse misticismo da palavra. mediante a linguagem poética. Sacrários virgens. Por meio das analogias. não determina. de símbolos. Com esses recursos. Da pintura. evoca realidades que palpitam além dos sentidos e revela o mistério do mundo desconhecido. na medida em que a linguagem descobre automaticamente as relações existentes entre as coisas. os céus resplendem de sidérias rosas.

mas descreve o efeito que elas produzem.de um lado. Discípulo dos Goncourt. aponta como expressão mais alta Raul Pompéia (O Atheneu) e assim se expressa: No Brasil. traem a forma impressionista (COUTINHO. outros escritores da época não puderam escapar ao dualismo . como ele. propôs o emprego do termo na divisão da nossa história literária. do outro a influência simbolista. os laços do Realismo (ou mesmo naturalismo). registrava “impressões” fugidias e imediatas. característico de sua fase final. A evolução de Machado de Assis revela uma independência em relação aos postulados do naturalismo positivista que o conduz ao mesmo clima impressionista. recebeu a influência da estética simbolista e só encontrou plena e satisfatória expressão dentro dos cânones do Impressionismo. que não escondia certa afinidade com o Simbolismo. e. das classificações comuns. 51 . por certos aspectos. a primeira grande repercussão do Impressionismo é em Raul Pompéia. numa espécie de realismo subjetivo. pela primeira vez. A sensação da coisa vale mais que a própria coisa e a invenção da paisagem mais do que a descrição. sem se afastar inteiramente da atitude realista. Coelho Neto. No Brasil. a literatura impressionista.conseqüentemente. chegou à literatura. adepto da écriture artiste e da prosa poética. Da mesma forma que na pintura. a mesma impregnação impressionista. que foi quem. Afrânio Peixoto e muitos outros escapam. em Canaã. 1986: 329 ). depois de formar o espírito na doutrina do naturalismo. Graça Aranha denota. O crítico Afrânio Coutinho. os escritores impressionistas estão aguardando um aprofundamento maior por parte dos especialistas. O autor impressionista não dá nomes às coisas. Preocupase com as sensações e com a emoção que o objeto desperta num instante.

f) Desprezo à natureza em troca do místico e do sobrenatural. Retire do texto expressões que confirmam tal característica impressionista. l) Concepção da poesia como mistério. combinações vocabulares inesperadas. pelas sinestesias. o efeito dos tons. o místico e o subconsciente. cada paisagem é uma única em cada momento do dia. o móvel. das emoções. o momentâneo. arcaísmos. caracteres.Aponte uma diferença entre Simbolismo e Parnasianismo. f) “Ênfase na reprodução de emoções. do ocultismo. do que às coisas em si. o instável. h) Presença da religiosidade.Qual a relação entre Simbolismo e Música? 6. o subjetivo assumem a maior importância no Impressionismo: o método impressionista. i) Busca das camadas profundas do “eu”. c) Importância maior dada às sensações das coisas.” g) Captação da verdade do instante: A vida é um contínuo mudar-se. mergulho no inconsciente. “a razão cede passo às sensações. pelas indefinições.Por que dizemos que o Simbolismo é uma poesia de “sugestão”? 2. e) “Relevo à percepção visual do instante”: valoriza-se a cor. 4. emoções e sentimentos despertados no espírito do artista.52 Quadro-Síntese ESTILOS Simbolismo Características a) Concepção mística da vida. A vida é um contínuo vir-a-ser: o presente resulta do passado. o artista deve captar a impressão deste instante único. sentimentos e atitudes individuais: traduz-se a vida interior.Desprezando a lógica. Impressionismo a) Registro de impressões. 5. . m) Linguagem fundamentada numa “gramática psicológica” e num léxico adequado à expressão das novidades estéticas: uso de neologismos. b) Elemento intelectual: preocupação com o espiritual.Explique o transcendentalismo dos simbolistas. através dos sentidos. c) Interesse maior pelo particular e individual.Observe no texto seguinte que “cada paisagem é única em cada momento do dia. a atmosfera. d) As sensações e emoções são importantes no momento em que se verifiquem. d) Conhecimento demarcado pela intuição e não pela lógica. g) Utilização do valor sugestivo da música e da cor. que são mais destacados que o enredo ou a ação na narrativa. o que nos faz lembrar a obra de Proust. 7. h) Tentativa de buscar o tempo perdido através da impressão provocada pela realidade num momento dado. o fragmentário. j) Preferência pelas sensações. incidentes. b) Valorização dos estados de alma.Explique o lema impressionista: “tal como vejo num determinado momento”. e) Ênfase na imaginação e na fantasia. do espiritualismo. Exercícios de Auto-Avaliação 1. i) Aliás. que atitude tomava o simbolista? 3. importa mais o efeito do que a estrutura na técnica da composição literária. cenas. o artista deve adaptar a impressão deste instante único”.

infinitas e incertas.” (Canaã. Os ventos começavam a soprar mais espertos e como que agitam a alma das coisas. • Valorização do humor. mas uma transformação dela.“Milkau caminhava pela grande luz da manhã. sumia-se no fundo do longínquo horizonte. Na frente o guia estendendo o braço gritou-lhe: – Porto do Cachoeiro. como são os caminhos do homem sobre a terra. 2. Observe as seguintes características: • As obras de arte não devem ser uma representação objetiva da natureza. tudo ia passando. . desconhecidas. trazia ao encontro do viajante um rugido sonoro de cascata. Cubismo.4. Dadaísmo e Surrealismo. O rio descia em direção contrária à marcha dos viajantes e esses movimentos opostos davam a impressão de que toda a paisagem se animava e ia desfilando aos olhos do cavaleiro.4. Esses movimentos se caracterizaram pela desorganização do universo artístico da época e pela urgência de inovação e renovação literária. 1992. despedaçando-se como um louco nas lajes aumentava.1 – Cubismo Cubismo Movimento mais ligado às artes plásticas. rolando mansamente. recolhiam e reverberavam à luz do sol. encaminhando-se tudo com muito estardalhaço (preconizaram o caos criativo do pós-modernismo). ao mesmo tempo objetiva e subjetiva. Observação: O Cubismo na literatura só se manifestou no ano de 1912. como o de fitas mágicas: casas de moradores. A brisa fresca encanava-se pelas duas ordens fronteiras de colinas paralelas ao rio. e as suas águas revoltas. mas iremos nos deter apenas nos principais: Futurismo. mas arrastado por uma força incessante que deixava repousar. agora de todo inflamada. São Paulo: Cultrix. História Concisa da Literatura Brasileira. de Graça Aranha) 53 Leitura Complementar Para um conhecimento mais amplo. A fazenda lá no alto. arrancando-as do torpor da vida. o imigrante notava o manso desenrolar do panorama.2. homens. a figura de Apollinaire foi importante e decisiva. • A procura da verdade deve centralizar-se na realidade pensada e não na realidade aparente. 2. • Supressão da lógica aparente.2. de cidades apenas vislumbradas.10. Alfredo. A estrada se alargava. • A obra de arte deve bastar-se a si mesma. O rolar do Santa Maria batendo sobre as pedras amontoadas. surgido em 1924. como um vacilante espelho. O ponto de partida é o quadro de Pablo Picasso (1881-1973) “Les Demoiselles d’Avignon”. outras vinham aparecendo. • Influência de viagens. de paisagens exóticas.10 – Século XX: As Vanguardas (Europa) As Vanguardas Dá-se o nome de vanguarda aos movimentos do período que se estende dos inícios do século XX ao Surrealismo. uma larga mancha branca. leia: BOSI. Milkau via ao longe na mata ainda fumegante de névoas. espumantes. Existem diversos “ismos” nesta época. Na literatura. em 1906.

os cartazes de publicidade. Filippo Tommaso Marinetti. Como podemos observar: Os futuristas valorizam a ciência. a poesia com novo visual tipográfico. • O canto entusiasmado da velocidade. o automóvel. o hábito da energia. de Paris. assinado pelo seu representante italiano. As propostas de Marinetti vêm demostrar a rebeldia. na revolução. a composição sob a influência do estilo cubista. ligados à época. e todos os ângulos e faces favorecem a recomposição da imagem real. agitado. de Oswald de Andrade. 2. A modernização atinge as artes.2 – O Futurismo O Futurismo Surge através do Manifesto do Futurismo. as locomotivas.54 Pablo Picasso apresenta em suas telas o objeto decomposto: um objeto. Rejeitavam toda a literatura do passado. o Cubismo fragmenta a figura para poder apresentar suas várias perspectivas. O cubismo influenciará a arquitetura. os navios a vapor. Ao contrário. o uso das “palavras em liberdade”. do militarismo. que vê a realidade com a velocidade do automóvel. com várias faces. os aviões. poesia geométrica. a máquina. em que prevalecem as formas geométricas: “Passarinhos Na casa que ainda espera o Imperador As antenas palmeiras escutam Buenos-Aires Pelo telefone sem fios Pedaços de céu nos campos Ladrilhos no céu O ar sem veneno O fazendeiro na rede E a Torre Eiffel noturna e sideral” A supressão de pontuação. a ânsia de demolição. o prazer ou a rebeldia. a “enumeração caótica”. pregando a demolição da Tradição. o cinema. linguagem fragmentada tanto quanto a realidade. em 22 de fevereiro de 1909. de dentro da máquina. ou que salta rápido. • O canto das estações de veículos. que nega a concepção clássica de que uma figura deve ser apresentada com forma e linhas contínuas. a moda feminina e a literatura. é preciso captar tudo. Os artistas. para acompanhar a velocidade do mundo. transformam a máquina em material de arte. os aeroplanos. • O canto em poesia das grandes multidões agitadas pelo trabalho. as fábricas. • A certeza do caráter perecível da própria obra que pretendiam. Observe no texto “Morro Azul”. • A poesia baseada essencialmente na coragem. eliminando a pontuação. são aspectos que a literatura absorveu do Cubismo e que teve em Gullaume Apollinaire (1880-1918) o seu principal divulgador. a ótica do homem do início do século. a “imaginação sem fios”. as multidões das grandes cidades. as estações ferroviárias. tudo o que significasse espírito Moderno. as fábricas. desviando-se sobre os trilhos do bonde em grande velocidade. as locomotivas. a destruição da sintaxe.4. • A poesia como um violento assalto contra as forças desconhecidas para intimá-las e prostrar-se diante do homem. O cubismo trabalha com formas geométricas. na audácia. imprimindo em seu trabalho as características do novo tempo.2. • A exaltação da guerra. pode ser observado sob vários ângulos. A sua decomposição é a apresentação nessa multiplicidade visual. O Manifesto Futurista postula as seguintes características: • O amor ao perigo. refletindo-a. porque a cada passo ele pode já ser passado. publicado em Le Figaro. a temeridade. as ressacas multicoloridas e polifônicas das revoluções nas capitais modernas. • A abominação do passado.10. E a linguagem . do patriotismo. Mas o progresso é tão rápido e acelerado que o artista passa a ter a consciência de que. na sua parte mais agressiva e polêmica.

4. Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco. Recorte o artigo. Tristan Tzara (1896 . 55 2. A verdade é que as novas propostas vieram estimular a consciência de que era preciso deixar de lado tudo o que representasse dominação política e cultural. Mário de Andrade fosse o representante do Futurismo. são processos. e em outros autores. 2. “Pegue um jornal. A velocidade expressa nessa linguagem truncada sintaticamente imprime oposição e. era a consciência de que. Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco. era preciso lançar mão de uma nova linguagem. autor de manifestos que propunham uma nova ordem artística.2.10. sofrem ações do meio e agem sobre ele. em 1916. O que havia em Mário de Andrade. o texto disposto visualmente. Pegue a tesoura. no trecho que se segue. Atente para a linguagem de Oswald de Andrade. Houve identificações com o Futurismo no sentido de que nossos autores entendiam. O Futurismo de Marinetti representa e reflete essas novas propostas. conheceu-as. palavras associadas sem lógica antiga. O poema se parecerá com você. E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa ainda que incompreendido do público. Oswald de Andrade.10. retirado do livro Memórias Sentimentais de João Miramar: Soho Square Picadilly fazia fluxo e refluxo de chapéu alto e corredores levando ingleses duros para música e talheres de portas móveis e portas imóveis. que a arte deveria estar voltada ao presente. associação entre tempo cronológico (ou material) e tempo psicológico. Mas não era verdade.4 – Dadaísmo Dadaísmo O Dadaísmo surgiu em Zurich. em uma de suas viagens pela Europa. à vida acontecendo. Mas nosso quarteirão agora grupava nas calçadas casquettes heterogêneas penetrando sem nariz no whisky dos bars. ao mesmo tempo. caminham. para representar o novo mundo. fugindo às formas convencionais. Bicicletas levantavam coxas velhas de girls para napolitanos vindos da Austrália. apresenta uma receita “para fazer um poema dadaísta”. Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.1963) líder e fundador do movimento. Agite suavemente.4.ganha a velocidade desse novo tempo: tudo é dito sem que haja nexos sintáticos. juízos e verdades objetivas ou convencionais. Isadora Duncan helenizava operetas no Hipódromo. com a proposta de demolir os valores de uma civilização degradada pela Primeira Guerra Mundial.” Os dadaístas propunham a demolição dos valores – já desmoralizados pela guerra – e compreendiam que era necessária uma linguagem que possuísse novos significados.2. Elevadores Klaxons cubs tubes caíam do avião na plataforma preta de Trafalgar. também.3 – Expressionismo Nas artes plásticas é a sobreposição da visão expressiva pessoal do artista aos valores. Tire em seguida cada pedaço um após o outro. interessou-se pelo teórico italiano e chegou até a acreditar que. no Brasil. como se tudo começasse de novo: cores. . A arte e a vida não são estáticas.

e agora a proposta é encontrar uma saída. mito. temos a poesia de transfiguração. social e universal do ser humano. • Propõe a percepção da vida em sua lógica incoerência primitiva.Desejo de redenção psicológica.2. meio de conhecimento.Conflito entre a vida vivida e a vida pensada. Cansados do negativismo do Dadaísmo. da arqueologia.Ao lado da poesia de contemplação. Nesse aspecto. então. . contra qualquer organização social: acreditavam que não havia lógica nos valores dessa civilização. • Propõe a abolição da lógica. entendem que a imaginação e a razão caminham juntas.Valorização do inconsciente. . a Liberdade e a Poesia.56 Podemos. uma arte que fale das profundezas do psiquismo. sem as restrições do mundo moral e tradicional. . 2. .4. uma linguagem simplista. para criar uma realidade absoluta. Os objetivos principais do grupo liderado por André Breton eram o Amor. Podemos concluir que o Dadaísmo é fundamentalmente um movimento de protesto. • Exalta a liberdade total de criação. • Prega que “a arte tende a uma liberação suprema. • Propõe um estilo antigramatical. Influenciados por Freud. sua finalidade é resolver as condições previamente contraditórias de sonho e realidade. ao transformar-se numa simples distração. propor que fossem esquecidas as tradições e heranças históricas.Ilogismo.5 – Surrealismo Surrealismo O Surrealismo começou. da poesia de comunhão e da poesia de evasão. o satânico que associava tudo – o mal ao imaginário. com revolta. o Surrealismo se aproxima do Romantismo e do Simbolismo: são novamente exaltados os autores que prenunciaram esse movimento. • Admite que a arte não necessita ser compreensível: pode reduzir-se a uma “gíria de enunciados”. a contestação à sociedade é evidente como se pode perceber nesse fragmento: O Surrealismo se baseia na onipotência do sonho e no desinteressado jogo do pensamento. que era criticada pelos dadaístas com muito humor. Os surrealistas acreditavam que era preciso liberar as zonas do inconsciente. a fantasia e a alucinação estão unidos à realidade do indivíduo. porque tudo está ligado. • Declara que “a arte não é coisa séria”. o movimento dadaísta rebelava-se contra o conservadorismo. uma super-realidade (André Breton) Desta forma. . “dança dos impotentes da criação”. Nada de hiato entre inconsciente e consciente: tudo deve ser apresentado. em 1924. pois sempre houve. • Busca cortar o nexo de ligação com a realidade vital. De base psicológica.10. destacar as seguintes propostas dadaístas: • É uma tentativa de demolição. É preciso expressar o que vem do mais fundo do ser. . como Charles Baudelaire. realmente. podemos ressaltar as principais características surrealistas: . os surrealistas achavam que a negação é uma etapa no processo artístico que deveria anteceder a outra. O Surrealismo caracteriza-se por ser mais do que um movimento. há e haverá autores que constroem fantásticas expressões surrealistas. • Prega a abolição da memória. Logo. O sonho. O contato com o mundo contraditório e selvagem lhes permitia. o poeta das coisas “frias” do mundo que se industrializava. • Tenta a criação de uma linguagem totalmente nova e inusitada. dos profetas do futuro. com o primeiro manifesto da autoria de André Breton (18961966).A poesia deixa de ser entendida como meio de comunicação de vivências e passa a ser uma ação mágica.

. Esse foi o mais radical movimento intelectual dos últimos tempos.. ( ) “(. Períodos literários. ed. No Brasil. identifique a que corrente pertence. 1986.. mesmo que novas teorias surgissem. ( ) “. baseando-se no seguinte código: a) Cubismo b) Futurismo c) Dadaísmo d) Surrealismo ( ) “É para a Itália que nós lançamos este manifesto de violência agitada e incendiária. em que se manifestou a consciência desagregadora que agitava a época da guerra. Muito ainda se tem para falar sobre essas correntes que se destacam ao longo dos períodos. o Dadaísmo e o Surrealismo. não entraremos nesse mérito. 57 Exercícios de Auto-Avaliação 1. passasse também a designar um tipo de poesia em que a realidade era também fracionada e expressa através de planos superpostos e simultâneos”. Mas aqui.. 2. São Paulo: Ática. superando pela intensidade e dimensões estéticas os grandes movimentos de pessimismo da época romântica. o (. os pintores se apoiando nas idéias filosóficas e poéticas.. Maneirismo. 2. de cicerones e de antiquários. Leituras Complementares Os estudos sobre estilos de época na literatura não foram esgotados neste instrucional.De acordo com os fragmentos que se seguem. Murilo Rubião. Outros livros importantes para o estudo desses estilos: • HAUSER. poetas e pintores partilhavam um ideal comum de renovações artísticas: os poetas assimilando as técnicas pictóricas. A Itália foi por muito tempo o grande mercado das quinquilharias.. mas como postura. 1976. não como movimento. ( ) “Ao contrário dos outros movimentos de vanguarda. Isso concorria para que o termo (.) porque queremos livrar a Itália de sua gangrena de professores. no nosso estudo.) movimento que tinha como grande preocupação a destruição dos valores morais. do século XIX”. São Paulo: Perspectiva... Mário de Andrade. O Surrealismo permanece. porque no século XX as relações foram cada vez mais expostas. Murilo Mendes e outros. O assunto é extenso e todas essas correntes representam muito e ganham importância na Literatura Brasileira.. Lígia. (... Nós queremos desembaraçá-la dos museus inumeráveis que a cobrem de inumeráveis cemitérios”.Estabeleça relações de oposição entre o Cubismo. de arqueólogos.) aparece motivado pelo “spirite noveau” pelo sentido geral de organização e construção que subia os escombros da Grande Guerra”. Leia apenas o primeiro capítulo: “O conceito de Maneirismo. Este pequeno porém substancial livro pode bem servir como reforço sintético ao nosso trabalho. tendente a quebrar as convenções.). acrescentando ou negando as idéias de Freud. por resumir com clareza e objetividade os estilos aqui estudados.” • CADERMATORI. Arnold. inicialmente aplicado à pintura. políticos e sociais.O humor negro que se traduz em jogos de palavras.. vamos encontrar essa postura em Oswald de Andrade.

Porém. 1 .58 Atividades Complementares Vamos agora nos dedicar a alguns exercícios como uma forma de treinamento. de perder-te. Na formosura. Em tristes sombras morre a formosura.José de Alencar. e não dura mais que um dia. onde subiste. • O Cortiço . Depois da luz. • Senhora .José de Alencar. Não te esqueças daquele amor ardente Que já nos olhos meus tão puro viste. Roga a Deus. a) Soneto Alma minha gentil que te partiste Tão cedo desta vida descontente Repousa lá no céu eternamente E viva eu cá na terra sempre triste. . sem remédio. Se lá no assento ‘etéreo’. Memória desta vida se consente. (Luis de Camões) b) À instabilidade das cousas do mundo Nasce o Sol. destacando as suas principais características. a alegria.Machado de Assis. Em contínuas tristezas. se acaba o Sol. procurando enquadrá-los na época a que pertencem. a leitura dos seguintes romances: • O Guarani . Vale. se segue a noite escura. E se vires que pode merecer-te Alguma cousa a dor que me ficou Da mágoa. falta firmeza. não se dê constância E na alegria sinta-se tristeza.Aluísio Azevedo. Quão cedo de meus olhos te levou. • Quincas Borba . por que nascia? Se tão formosa a luz. por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas. no sol e na luz. como sugestão. que teus anos encurtou. Que tão cedo de cá me leve a ver-te.Leia os textos que se seguem. buscando sempre tecer comparações entre os estilos estudados.

tudo as garras inflamadas Do incêndio cingem. engrinaldada a fronte. Eu. Lira em punho.Estabeleça paralelos entre o Romantismo e o Realismo. 59 . e ébrio. E tem qualquer dos bens por natureza: A firmeza. E aqui dentro.Como são as personagens românticas? 3. E um dia assim! De um sol assim! E assim a esfera Toda azul. . celebra a destruição de Roma. As muralhas de pedra. vendo retorcer-se amarguradamente A boca que beijava a tua boca ardente. Como a um sopro fatal. assoma Entre os libertos. A arredar-me de ti. soltas. cada vez mais... d) In extremis Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia Assim! De um sol assim! Tu. sacudindo o arvoredo. desconjuntadas. somente na inconstância. (Gregório de Matos Guerra) c) O incêndio de Roma (Olavo Bilac) Raiva o incêndio. desgrenhada e fria. A boca que foi tua! E eu morrendo! E eu morrendo Vendo-te. Nero. os museus. vendo Tão bela palpitar nos teus olhos. e. tudo esbroa-se partido. Capitólio erguido Em mármor frígio. no esplendor do fim da primavera! Asas. rolam esfaceladas.. tontas de luz. porém. Longe.Impassível. A delícia da vida! A delícia da vida! 2. as erectas arcadas Dos aquedutos...Por que os românticos retornam à Idade Média? 4. vendo o céu. até no horror do derradeiro anseio! Tu. E os templos. cortando o firmamento! Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento Despencando os rosais. o espaço adormecido De eco em eco acordando ao medonho estampido. implacável e forte...E este espanto! E este medo! Nós dois. querida. reverberando o clarão purpurino. entre nós... no alto do Palatino.. o silêncio. com o manto grego ondeando ao ombro. 5..Começa o mundo enfim pela ignorância. Arde em chamas o Tibre e acende-se o horizonte. com frio a crescer no coração – tão cheio De ti. o foro. e vendo o sol. a morte. Fria! Postos nos teus olhos molhados E apertando nos seus os meus dedos gelados. A ruir..Cite um ponto de contato entre o Romantismo e o Realismo.

o aluno deve entrar em contato com o tutor. Caso haja alguma dúvida.6.Teça paralelos entre a Idade Média. no entanto. o suporte teórico-crítico será sempre indispensável.Teça comentários sobre o Futurismo e sobre a sua contribuição à Literatura Brasileira? Observação: As respostas são pessoais (isto é.Cite um ponto de contato entre o Romantismo e o Simbolismo. 8. . 9. cada aluno desenvolvendo as respostas individualmente).Qual a relação entre o Simbolismo e a música? 60 7. deverão interligar-se ao conhecimento teórico-crítico do estudante da disciplina Teoria Literária. portanto.O que você entendeu sobre a Arte Impressionista? 10. É necessário lembrar que a Teoria não trabalha com o “achismo” em se tratando de Literatura. o Renascimento e o Barroco.

2. • Primado da poesia sobre a prosa.2 – Modernismo (1 a fase) Características Gerais: • Fase de ruptura. público e clamoroso. • Movimento contra. • Associação de idéias. Oliveira Viana e Manuel Bonfim. por algo datado.2. .4. como o fará. isto é. pouco inovador. as tensões que sofria a vida nacional. como é sabido. visto apenas como estouro futurista e surrealista. ainda mais exemplarmente. o papel histórico de mover as águas estagnadas da belle èpoque . • Busca de soluções. Como os promotores da Semana traziam. de fato. realizada em fevereiro de 1922.2. “O que a crítica nacional chama de Modernismo está condicionado por um acontecimento. que se impôs à atenção da nossa inteligência como um divisor de águas: A Semana de Arte Moderna. na cidade de São Paulo.4.11. fictícia e colonial).11.4. desenvolve a problemática daqueles. pareceu aos historiadores da cultura brasileira que modernista fosse adjetivo bastante para definir o estilo dos novos. • Valorização poética do cotidiano.1 – Pré-Modernismo “Creio que se pode chamar de pré-modernista (no sentido forte de premonição dos temas vivos em 22) tudo o que.) Caberia ao romance de Lima Barreto e de Graça Aranha. ao largo ensaísmo social de Euclides. Alberto Torres. As obras. neo-românticas – traíam o marcar passo da cultura brasileira em pleno século da revolução industrial. em que nasceram e se formaram. a crer nos testemunhos dos homens da “Semana”). já em agonia. nada lhes deve (nem sequer a Graça Aranha. às vezes. • Busca de originalidade a qualquer preço. Este. desejavam demolir a ordem social e política. até desconexas. • Liberdade absoluta de forma e de criação. • Palavras em liberdade. e à vivência brasileira de Monteiro Lobato. crítica e anarquismo. 1992: 306-7). • Predomínio da expressividade. a literatura dos anos de 30” (BOSI. para o momento anterior ao Modernismo. enquanto crítica ao Brasil arcaico. 61 “O grosso da literatura anterior à ‘Semana’ foi. (. pontilhadas pela crítica de ‘neos’– neoparnasianas.. mas. nas primeiras décadas do século. antes dos modernistas. negação de todo academismo e ruptura com a República Velha. • Nacionalismo literário e lingüístico (falar brasileiro).11 – Século XX: Pré-Modernismo. considerado na sua totalidade. e Modernismo tudo o que se viesse a escrever sob o signo de 22” (Ibidem: 303). problematiza a nossa realidade social e cultural.” revelando. neo-simbolistas.2. 2. • Juízos de valor sobre a realidade brasileira. • O moderno como valor em si mesmo. • Anarquismo (não sabemos discutir o que queremos). Modernismo e Pós-Modernismo (Brasil) 2.. idéias estéticas originais em relação às nossas últimas correntes literárias. • Luta contra o tradicionalismo. • Poema-piada (agressão através do humor). • Espírito polêmico e destruidor (rejeitavam a arte artificial – imitação estrangeira. Parece justo deslocar a posição desses escritores: do período realista.

conhece a melhor poesia simbolista e pós-simbolista. • 1912: Manuel Bandeira. stricto sensu. no primeiro vintênio. Constaram de manifestações dos mais variados tipos de arte. pintura. se a literatura que se escreveu sob o seu signo representou também uma crítica global às estruturas mentais das velhas gerações e um esforço de penetrar mais fundo na realidade brasileira. Almada Negreiros e outros. haverá em São Paulo uma “Semana de Arte Moderna. • 1919: Manuel Bandeira publica “Carnaval”. na Suíça. independente da sua participação na Semana). João Ribeiro. • 1917: Menotti del Picchia publica “Juca Mulato” em que cria um caboclo idealizado. onde travou contato com as Vanguardas Artísticas de Paris. • 1912: Oswald de Andrade vai à França. Sérgio Milliet. onde entra em contato com o Futurismo. concertos. poderia renovar efetivamente o quadro literário do país. paulista e carioca. • 1917: Anita Malfatti expõe seus quadros cubistas e expressionistas no Brasil.” • De 11 a 18 de fevereiro de 1922: Realização da Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal da cidade de São Paulo. Manuel Bandeira. conferências. exemplos probantes de inconformismo cultural: os escritores pré-modernistas foram Euclides. • 1916: Funda-se a Revista do Brasil cujo princípio básico é o “nacionalismo”. • 1922: Graça Aranha retorna da Europa. • 1917: Mário de Andrade publica “Há uma gota de sangue em cada poema” (tentativa de fazer poesia modernista). hoje caducos e só reexumáveis por leitores ingênuos (pose. isto é. Mário de Sá-Carneiro. 14 e 15 de fevereiro: apresentação de espetáculos. na qual aparece a poesia “Os Sapos” que causará tanta polêmica na Semana de Arte Moderna em 1922. que apregoava a destruição integral do passado e constituindo-se numa verdadeira apologia da velocidade. da Academia Brasileira de Letras. Victor Brecheret. e muitos dos seus traços menores. • 1915: Ronald de Carvalho. ao contexto social de onde proveio” (Ibidem: 332-3).. então houve. como balé. sua primeira obra de poesias modernistas. . que prepararam a “Semana de Arte Moderna” de fevereiro de 1922. A Semana de Arte Moderna foi o ponto de encontro desse grupo. 13.62 SEMANA DE ARTE MODERNA “Se por Modernismo entende-se algo mais que um conjunto de experiências de linguagem. no fundo. Lima Barreto e Graça Aranha (este. • 29 de janeiro de 1922: O jornal O Estado de São Paulo noticiava: “Por iniciativa do festejado escritor. em Portugal. movimento estético criado por Marinetti. são as inovações formais que nos vão atraindo.. inconseqüência ideológica) devem-se. Histórico: • 1910: Início dos sinais precursores. escultura. (. Oswald de Andrade.) Nesse clima (clima de guerra). concertos e exposições de arte. participa da fundação da revista “Orpheu” (da Vanguarda Futurista Portuguesa) com Fernando Pessoa. leitura e declamação de textos literários. Vila-Lobos. cuja curiosidade intelectual pudesse gozar de condições especiais como viagens à Europa. Menotti del Picchia. que iria polarizar em torno de uma nova expressão artistas como Anita Malfatti. antítese do Jeca Tatu de Monteiro Lobato. Mário de Andrade. Guilherme de Almeida. E é em face desse clima de vanguarda que se constata uma viragem na literatura brasileira já nos anos da Primeira Guerra Mundial. Di Cavalcanti. Monteiro Lobato atacoua com o violento artigo “Paranóia ou Mistificação?”. senhor Graça Aranha. leitura dos derniers cris. À medida que nos aproximamos da Semana. irracionalismo. aquele espírito modernista. que será um dos objetivos fundamentais dos modernistas. só um grupo fixado na ponta de lança da burguesia culta.

Murilo Mendes (poeta). não no plano pessoal. • Preocupação com os problemas do homem. José Lins do Rego (ficcionista). • Um agudo senso de medida. . cronista. Graciliano Ramos (ficcionista). Canto do Brasileiro.2.2. 2. Jorge Amado (ficcionista). soneto). (Geração de 63 • Predomínio da prosa: importância para o Gênero Narrativo Ficcional. • Tendência para o hermetismo. “Quero é perder-me no mundo / para fugir do mundo”).4.11. “Pelo vôo de Deus quero me guiar”). • Linguagem equilibrada. • Reação espiritualista (retomada do simbolismo). • Universalismo temático: valorização do homem em si mesmo. • Tendência para o intelectualismo. • Ampliação da temática: a poesia caminha para a preocupação religiosa e filosófica (Exemplo: Jorge de Lima.3 – Modernismo / 2 a fase 30) Características Gerais: • Estabilização das conquistas novas. cronista). Augusto Frederico Schmidt (poeta). • Volta à rima e aos metros tradicionais. • Valorização das formas fixas (por exemplo.11. consolidação e construção de um ideário coerente com o espírito renovador.4. • Liberdade consciente. etc. mas no plano universal (Guimarães Rosa. É a fase de maturidade e equilíbrio do Movimento Modernista. Ficcionistas e poetas: Carlos Drummond de Andrade (poeta.2. • Desenvolvimento do teatro. • Liberdade formal disciplinada: volta ao ritmo clássico tradicional com métrica e rimas. José Américo de Almeida (ficcionista). Raquel de Queirós (ficcionista. jornalista). • Contenção emocional e importância da introspecção (Clarice Lispector). Vinícius de Morais (poeta e compositor). • Configuração da nova ordem estética. Clarice Lispector – transcendência do regional para o universal). Significa apenas ver novas configurações históricas a exigirem novas experiências artísticas (Ibidem: 385). Reconhecer o novo sistema cultural posterior a 30 não resulta em cortar as linhas que articulam a sua literatura com o Modernismo.Sagarana . • Pesquisa formal na linguagem da ficção (Guimarães Rosa . É a estabilização. • Caminho para o universal (Exemplo: Augusto Frederico Schmidt. • Fase construtiva.4 – Modernismo (3 a fase): Geração de 45 (Neomodernismo) Características Gerais: • Maior apuro do verso. • Consciência estética.1946). • Importância da palavra e do ritmo (revolução sintática e semântica: busca da plurissignificação das palavras).

• Fluxo da consciência. João Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas.64 Poesia de 45: Um grupo de poetas assumiu uma atitude crítica em relação à poesia brasileira das duas fases anteriores do Modernismo: João Cabral de Melo Neto. 1952).2. Ledo Ivo. ideográmica: justaposição dos conceitos. ESCRITORES (FICCIONISTAS) DE 45: Guimarães Rosa . Ficção (Anos 50) A produção em prosa continuou por intermédio dos escritores da segunda e terceira fases do Modernismo e outros que foram surgindo: Jorge Amado. Mário Palmério (Vila dos Confins. • Palavra como feixe de significações. Adonias Filho (Memórias de Lázaro . • Alteração profunda no modo de enfrentar a palavra. Haroldo de Campos e Décio Pignatari divulgam o Manifesto Concretista por intermédio da Revista “Noigandres”. • Textos complexos e abstratos. • Disposição espacial: alinhamentos geométricos (valorização do poema figurativo). • Alquimia criativa. contos. Érico Veríssimo. • Palavra neutra. J. 1956). as palavras não têm ordem lógica e ficam soltas. Cassiano Ricardo e outros.11. Características da poesia concreta: • Novas estruturas: associação formal dos vocábulos. • Expressão sintética e objetiva. • Abolição das fronteiras entre ficção e lirismo. O Lustre 1946). • Uso da metáfora insólita.1a fase (Perto do Coração Selvagem . Clarice Lispector. 1959) e outros. • Etc. • Sintaxe analógica. Continuadores das outras fases: Carlos Drummond de Andrade. em São Paulo. 1956). • Subjetividade em crise. Clarice Lispector .5 – Concretismo / Poesia (1956) Em 1956. Péricles Eugênio da Silva Ramos e outros. • Exacerbação do momento interior. 1946). . • Procura consciente do supra-individual. 2. Características: • Prosa intimista.4.1a fase (Sagarana. • Signo estético portador de sons e de formas (relações íntimas entre o significante e o significado). Augusto de Campos. completamente livres. • Artista-demiurgo. J. • Metamorfose no âmbito da criação literária. • Crise da personagem-ego. • Contínuo denso de experiência existencial. Esses poetas desejavam renovar a poesia brasileira.1944. Sobressaiu-se a criatividade poética de João Cabral de Melo Neto. Veiga ( Os cavalinhos de Platiplanto. • Experiência metafísica.

Pesquisar : Antecedentes. Características: • Dissidência da Vanguarda Concretista. O Poder da Palavra).2. que encontraram eco em boa parte da sociedade. • Renata Pallottini (A Casa. somado a uma forte consciência lírica (existencialismo • Carlos Nejar (Sélesis. O espaço em preto. nomes ligados à Tropicália. torna-se importante (espaço formado por palavras dispostas em versos formando um desenho não arbitrário). c) ato de consumir. O Pelicano). Noite Afora). Tinha também objetivos sociais e políticos. sob o regime militar. • Não escreve sobre temas (procura conhecer todos os significados e contradições). Movimento Tropicalista Foi um movimento cultural que nasceu sob a influência das correntes de vanguarda artísticas e da cultura pop nacionais e estrangeiras (como o pop-rock e a poesia concreta) e mesclou manifestações tradicionais da cultura brasileira a inovações estéticas radicais. 65 Outra Vertente da Poesia nos Anos 50 e 60: No Brasil dos anos 50 a 60 existiu uma vertente poética alheia aos programas experimentalistas que marcaram o concretismo e a poesia-práxis. Livro de Sonetos. • Stella Leonardos (Poesia em Três Tempos.7 – Tropicalismo (1967) Tropicália. no final da década de 1960. A Vida Natural).6 – Movimento Praxis (1961) Em 1961. mas principalmente comportamentais.11. resultante do conjunto de palavras constitutivo do poema. A Faca e a Pedra. submetido a um imaginário neo-romântico ou. • Laís Correia de Araújo (O Signo e Outros Poemas. Esta vertente lírica situou-se entre o moderno e o tradicional. surrealista. • Walmir Ayala (Antologia Poética). b) área de levantamento da composição. Explicação de Narciso. esteticamente.4. Mário Chamie lança o “Manifesto Didático” da poesia-práxis no posfácio de sua obra poética “Lavra-lavra”. desenvolvendo um discurso metrificado. Livro de Silbion. poético). Poema da Busca e do Encontro). Tropicalismo. Ele afirmava que o poema deveria organizar e montar. • Foed Castro Chamma (Melodias do Estio. Cantochão). influências. . características. O Campeador e o Vento).2. • Edison Moreira (Tempo de Poesia).4. Poderemos destacar os seguintes poetas dessa fase: • Marli de Oliveira (Cerco da Primavera.11.2. • Gilberto Mendonça Teles (Poemas Reunidos). • Poética que vincula a palavra ao contexto extralingüístico. 2. • E outros. Iniciação ao Sonho. uma realidade situada de acordo com três condições de ação: a) ato de compor. • Adélia Prado (Coração Disparado. talvez. Livro do Tempo.

em Paris contos). J. ficcional. Metrô – poema épico pós-moderno de 1990 – Editora Global.). caos). • Bem ver = bem narrar • Técnica narrativa: colagem. é ele que tem o poder de “ver” todos os ângulos desse realidade (como participante ativo). • Verônica de Aragão (Enigmas). ajudado pela perspectiva do tempo. • Ana Cristina César (Cenas de Abril. intertextualidade (diversos discursos que se interpolam.66 2. • Antônio Carlos Brito .2.11. certo estilo de narrar brutal. ao invés de narrar algo ficcional ou mesmo memorialista. interagem: jornalístico. uma vez que. op. talvez divise.contos).contos). A poesia brasileira nos anos 70 / 80 Vanguarda Pós-68: Poetas: • Nauro Machado. se não intencionalmente brutalista (que difere do ideal de escrita mediado pelo comentário psicológico e pelo gosto das pausas reflexivas)” (BOSI.2.11. cit.4. A Teus Pés).1990). • Roberto Drummond (Hilda Furacão). . Narrativa de Absurdo. Luvas de Pelica. • Paulo Leminski (Caprichos e Relaxos. Ficcionistas (anos 90): • Rogel Samuel (O Amante das Amazonas . confissional. Narrador centralizando o ato de narrar. Distraídos Venceremos.8 – Geração de 70 / Início de 80 “O historiador do século XXI que. Estorvo). • Narrador Pós-Modernista se utilizando da técnica do “bem ver” a realidade (realidade fragmentada. Características da geração de 70 / 80 (prosa): • Narrativa de Acontecimento: Narrativa de RealismoMágico. • Chico Buarque de Holanda (Benjamim. • Elisa Lucinda (A Menina Transparente). Ficcionistas que se destacaram: • Lygia Fagundes Telles (As Meninas .Cacaso (Grupo Escolar). 2.poema épico pós-moderno (1986). La Vie em Close). etc. como dado recorrente.4. • Sônia Coutinho (O Caso Alice . São Paulo).: 435-5). • Murilo Rubião (O Convidado .9 – Geração de 80 / 90 Poetas (Gênero Lírico / Poesia Pós-Moderna): • Rogel Samuel (120 Poemas). • Sônia Coutinho (Os Venenos de Lucrécia .1991). • Atuação do Insólito.romance). • Roberto Drummond (A Morte de D. puder ver com mais clareza as linhas-de-força que atravessam a ficção brasileira neste fim de milênio. Narrativa Fantástica. Tendência a uma retomada épica: • Adriano Espínola (Táxi .

música. como marcando uma ruptura com o modernismo. atualidade e ficção).2. ironia e um tipo de arte que mistura o popular e o erudito. hoje descreve a literatura. anos 60. como um modernismo nãohistórico que anseia por acabar.5 . artes visuais. 2005: 121). o avanço tecnológico. ora. essa dimensão se inserirá no processo da literatura brasileira e não no núcleo discriminatório de uma literatura ‘negra’ ou ‘marrom’. mas a verdadeira literaturaarte terá de transcender seu próprio tempo e espaço cultural. Presume-se que o século XX (as duas grandes guerras. teologia e qualquer atividade de cultura em geral.11. Por exemplo: O texto ficcional Dom Quixote de Miguel de Cervantes. Abrange certas características como reflexão. 67 Pós-Modernismo: “Pós-Modernismo é um nome geralmente dado para formas culturais de um período que aparece desde os 2. 1994) compromissada com a realidade. // A arte literária compromissada precisa ser arte literária antes de ser compromissada.Literatura Compromissada e a Teoria da Arte pela Arte Literatura Compromissada Exemplos: • O realismo pregava a arte (segundo Domício Proença Filho. considerado hoje o texto que marcou o segundo milênio.10 – Pós-Moderno / Pós-Modernismo: Pós-Moderno Liga-se a um momento da História Contemporânea: término da Era Moderna e início da Era Pós-Moderna. a substituição de um foco da epistemologia modernista por uma ontologia (McHale) e a substituição do simulacro pela realidade (Baudrillard)” (SAMUEL. Embora o termo tenha sido primeiramente usado em arquitetura (Jenckes). É visto ora como uma continuação dos aspectos mais radicais do modernismo. A literatura sempre revelará um compromisso com o seu momento histórico. O pós-modernismo uniu “a lógica cultural do capitalismo tardio” (Jameson) à condição geral de conhecimento em tempos de tecnologia da informação (Lyotard). filme. sob pena de descaracterizar-se e perder seu poder de repercussão mobilizadora. a ida do homem à Lua. historiografia. teatro. a literatura feita por negros ou por descendentes assumidos de negros concretizar linguagens geradoras de cânones de uma poética nova. • A literatura brasileira dos anos 60/70 (momento da ditadura militar. o que os críticos chamam de “literatura pósmoderna” ou “literatura insólita”. dança. ao contrário.2.4. a globalização. futuramente. . nos legaram verdadeiras obras de arte literárias. a finalização do milênio e outros acontecimentos políticos e sociais em termos universais) seja o marco que. graças à imposição da censura. história.” • Crônica: literatura compromissada (relação entre realidade. Ainda não há como avaliar o momento certo do início da Era Pós-Moderna. crítica. • Literatura feita por negros: “Se por força de características peculiares. indicará o momento de cisão entre as duas Eras em questão. filosofia. momento da censura): os escritores criaram novas formas literárias – ficcionais e poéticas – de compromisso com a realidade e. literatura esta que exige um reconhecimento teórico-crítico das mensagens que estão ocultas nas entrelinhas do texto literário.

A riqueza da escrita tanto se faz mais criadora. e quanto mais falado é.. O literário existe na escrita como potência. quanto mais profundo for o nível de onde ela fala e silencia” (SAMUEL. como um valor.68 2. Essa energia não se vê no que é dito. Há uma relação direta entre crise econômica e mercado editorial. Indústria Cultural Qual é o processo que faz com que um livro apareça no balcão da livraria? Leitura Complementar Para um conhecimento mais amplo. exceto quando se encontram nos Shopping Centers . mas algo que subsiste na escrita. Algumas empresas chegam a lançar um pacote cultural: livro. apesar de o público leitor ter crescido muito nos últimos anos. (.6 . a força de sua manifestação. Rogel. leia: SAMUEL. Desta forma se fecha o círculo: quanto mais livro vende. Novo Manual de Teoria Literária. vídeo. Não é um dado objetivo.. e o leitor começa a pedir o livro quando o livro aparece nos jornais. vendo no jornal um critério de valor. A maioria das médias e pequenas cidades brasileiras só dispõe de pequenas bibliotecas e livrarias e. o número de livrarias em algumas cidades diminuiu. disco. fora da capacidade de pensar. não pode ser ajuizado. Ele vigora na escrita enquanto conotado. (. ou estacionou. 2005: 21). nem subjetivo. Pensar o literário da escrita só é possível quando se falar a ambigüidade.) O consumidor médio brasileiro não entra na livraria.. Para falarmos dela. .) Alguns dependem da propaganda dos jornais para se decidir a ler. 2005. Petrópolis: Vozes. camisas. mais é falado. isto é. etc (Ibidem: 107). Um livro aparece na livraria quando “começa a ser pedido”. filme. na escrita.. Ou quando a linguagem deixa falar. precisaríamos colocar-nos fora do discurso. mas é a concentração do dizer.A Literatura-Arte e a Indústria Cultural Literatura-Arte (ponto de vista fenomenológico) O literário. mais vende. chaveiros.

In.) ESPECIFICIDADE DO LITERÁRIO (Ponto de vista hermenêutico) NATUREZA : preocupação de compreender a especificidade do literário. o X Texto-Forma 3o ) TEXTO = TECIDO DE SIGNOS “expressa a relação do homem com as realidades e dos homens entre si. Formato • Diagramação + Ilustração = Harmonia (Exemplo: Literatura Infantil) • É a obra enquanto APRESENTAÇÃO. mas implicitamente os outros dois sempre estariam obrigatoriamente presentes. CASTRO. aquilo que faz com que uma coisa seja aquilo e não outra. 69 3. 1999. embora qualquer texto implique sempre os três referentes. ESPECIFICIDADE: essência. 12 ed.PRODUTIVIDADE (“enquanto modalidade de relação radical do homem com a realidade”) . Petrópolis: Vozes. • A ocupação e disposição espacial. Manual de Teoria Literária. 2 ) TEXTO-FORMATO • A disposição das linhas e seu entrelaçamento.O Texto: Texto-Formato Texto 1o ) O que é um texto? • Texto vem do verbo tecer: entrelaçamento de linhas (orações. substância. • APRESENTAÇÃO DA OBRA / TEXTOFORMATO: “surge como um esforço de integração entre as facetas do formato e da forma. Manuel Antônio de. podemos fazer um corte e determonos em um dos referentes. TODO TEXTO É RESULTADO DE UMA LEITURA LEITOR + TEXTO relação objetiva e subjetiva LEITOR .1. Isto é importante para penetrar no entendimento de um texto literário.” TEXTO = HOMEM + REALIDADE + EXPRESSÃO FORMATO = FORMA (diferente) Explicitamente. (Manuel Antônio de Castro) FENÔMENO : aquilo que se manifesta [o já manifestado (estático)] / [o que ainda está se manifestando (dinâmico)].: SAMUEL. períodos).Unidade III A NA TUREZA DO FENÔMENO LITERÁRIO NATUREZA (Cf. Rogel.

de cemitérios. Há duas vertentes paraliterárias: • Paraliteratura de Informação: livros escolares. • Conhecido. Paraliteratura • Porcentagem maior de ambigüidade. é um texto / expressa uma relação do homem com o real. TRABALHO LEITURA • supõe colaboração. crônicas.TEXTO: ELABORAÇÃO HUMANA. • Predomínio do lúdico (mas. livros de receitas. mitologias – maravilhoso pagão e maravilhoso cristão. literatura fantástica (contos de fantasmas. o analista fará a separação. ensaios. atualmente. • Próprio para entretenimento. 70 TRABALHO: AÇÃO HUMANA (pela qual o homem textualizando. o instrumento não se lê. narrativas de memórias. • Exige a reflexão do leitor (não se adéqua ao entretenimento telúrico). como LITERATURA-ARTE (romances. descobrindo as características formais e. sermões. TEXTO-OBRA (realidade + imaginação + imaginário-em-aberto =juízo de descoberta) • Maior porcentagem de subjetividade X pouca objetividade. • Próprio para ensinamentos. vertical). ação humana: o homem textualizando.. • Paraliteratura de Imaginação: novelas (ficção linear). • Não permite ambigüidade. quando um texto é especificamente literário? ( LITERÁRIO = LITERATURA .2. Para os estudiosos da literatura. um instrumento. etc. em conseqüência. etc. etc. como TEXTO PARALITERÁRIO. significando o real se significa TEXTO • pressupõe colaboração. • É linear (sintagmático. serve também para ensinar). literatura de cordel. uma estátua. • É complexo (paradigmático. . textos jornalísticos. socializa). Posteriormente. Uma fotografia. Por outro lado: Tal noção evidencia que o texto não se limita ao escrito.Texto-Objeto X Texto-Obra políticos. significando o real se significa) Por um lado: Esta elaboração humana só encontra sua plenitude na medida em que ao elaborar ele colabora (pressupõe o outro. a categoria em que o texto analisado se enquadra: texto-objeto (texto técnico) ou texto-obra (literatura-arte). implicando sobretudo o oral. estórias infantis. atualmente. que seguem a linha cientificista. livros de anedotas. • pressupõe o outro.) Texto-Objeto (realidade + imaginação = juízos preestabelecidos: certo X errado) • Prima pela objetividade. discursos • Conhecido. Ação significativa = TRABALHO Entre tantas modalidades de texto. horizontal). qualquer texto será considerado literário. contos. porque o texto não se lê.ARTE ) ação humana: ao elaborar (o texto como trabalho) o homem co-labora (pressupõe o outro. poesias). socializa-se) 3. monografias.

Manuel Antônio de. O fato (o que ocorre) existe nos estados de coisas. na ambigüidade do literário. (.3. copo por bebida. Discurso próprio de um tropo que consiste na transferência de uma palavra para um âmbito semântico que não é o do objeto que ela designa. porém um conceito filosófico para explicar a arte (CASTRO.. X Discurso Metafórico 71 • Discurso Metafórico: Discurso figurado. O que aparece e o que o possibilita. ou conjunturas. e que se fundamenta numa relação de semelhança subentendida entre o sentido próprio e o figurado. a mimese. mas. In SAMUEL (org. Em outras palavras. qualquer interpretação implica sempre um determinado posicionamento a respeito e dentro de tais sistemas.Mimésis Platônica x Mimésis Atual (Recriação) Mimésis Platônica ( reprodução da realidade. 3. (. Por exemplo: Chamar uma pessoa astuta de raposa. põe uma relação inseparável entre discurso e espaço: o mundo. qualquer manifestação por meio da linguagem. E isso não é tão difícil de entender. O mundo se constitui pelos fatos e se descreve pelas proposições. Põe a realidade inteira e possibilita qualquer realidade.) // As chamadas proposições elementares descrevem o mundo e a totalidade dos fatos. uma vez que é um conceito que faz parte dos dois maiores sistemas filosóficos gregos: o platônico e o aristotélico. nomear a juventude como primavera da vida. vertical) A mimésis é um termo grego geralmente traduzido como imitação.. Não é um conceito literário. no espaço lógico pelos outros fatos do discurso. 1999: 56-7).4. Por exemplo: trabalho por obra. cópia . em que há predomínio da função poética. O mundo. totalmente descrito nos estados de coisas. Imitação em que sentido? Até hoje são controvertidas as interpretações. Assim sendo.) Esta “forma lógica” é a capacidade mimética do discurso (Ibidem: 16).ponto de vista paradigmático.Discurso Metonímico Discurso Metonímico X Discurso Metafórico • Discurso: Qualquer manifestação concreta da língua. . etc.. horizontal) MIMÉSIS Mimésis Atual (recriação da realidade . A totalidade dos fatos empíricos se representa como estado de coisas.ponto de vista sintagmático.3. uma problematização profunda sobre o que seja verdade. etc. • Discurso Metonímico: Discurso próprio de um tropo que consiste em designar um objeto por palavra designativa doutro objeto que tem com o primeiro uma relação de causa e efeito. compreendidos como ligações entre coisas. A mimese inventa. por outro lado.). etc.. as proposições constroem o mundo com a ajuda da “forma lógica”.

numa linguagem temperada.72 3. São os textos de Teoria da Literatura e/ou Teoria Literária. para que produza algum efeito. elevada e completa.6.5. oferecidos pelo tutor. atuando os personagens. provoca a purificação de tais paixões (Aristóteles)” (Ibidem: 59). por exemplo: a leitura do “Rei Édipo” de Sófocles). e não mediante narração. “A catársis está profundamente relacionada com a mimésis. • Relacionada com o Gênero Dramático (texto literário para ser representado em um palco) • O espectador recebe a mensagem diretamente.ao definir a tragédia. com formas diferentes em cada parte. daí também ser uma questão controvertida e com múltiplas interpretações. O problema surge quando Aristóteles na Poética. a analisar e a interpretar o texto que o interessa.Estudo de Textos: Poesias. dotada de extensão. . não há tempo para reflexões. Narrativas e Ensaios Este item do Conteúdo Programático será esclarecido no primeiro encontro do CEAD. • O leitor entra em contato (racionalmente falando) com o texto literário. por meio da compaixão e do temor. alude aos efeitos que ela produz nos espectadores: A tragédia é uma imitação da ação.Catársis Direta CATÁRSIS DIRETA X Catársis Indireta CATÁRSIS INDIRETA • Relacionada com a matéria ficcional (Gênero Narrativo em Prosa) e com os textos dramáticos para serem lidos (e não para serem apresentados em um palco. 3. tende-se a encaminhar o seu entendimento por esse referente. Ora. e que. e os textos de literatura que serão analisados e interpretados no decorrer do curso. “Como o efeito da catársis se dá no leitor. passa a refletir. a catársis deve necessariamente fazer parte da natureza do fenômeno literário e como tal deve ser pensada” (Ibidem: 59).

realizou as atividades previstas. fez contato com seu tutor. participou dos encontros. Parabéns! . você está preparado para as avaliações.73 Se você: 1) 2) 3) 4) concluiu o estudo deste guia. Então.

suplementando os espaços do texto.74 Gabarito Exercícios de Auto-Avaliação (P. em que a palavra “torre” caracteriza o final da construção. principalmente por causa do verso 9 (“mais”) em que já não aparece o elemento “perto”. E quando dizemos que ela integra o próprio tecido do pensamento. por ser algo que não apenas faz a invenção (a criação) mas que é a própria invenção.( X ) árduo e cansativo. delineia-se a impossibilidade da definição. 3 . quer-se afirmar que a palavra “só significa na rede de relações que compõe no interior da frase. É evidente que essa criação não é arbitrária. considerando uma outra perspectiva espacial. A importância desse papel está em que o leitor como que se reconhece na criação.Porque o trabalho ficcional é construído com palavras. Daí a idéia saussuriana de língua como um sistema que existe na medida em que cada emprego da palavra pode sujeitá-lo a uma nova e distinta configuração”.Porque a linguagem com que é elaborada a obra literária cria seu próprio mundo.A impossibilidade de se definir a literatura deve-se ao objeto dela . uma vez que estará diante de seres humanos iguais a ele..Note-se que a disposição dos versos da primeira estrofe sugere a torre de uma igreja.Sugere a subida da torre. 5 ..Todas elas referem-se a materiais de construção.a obra literária. a água e a areia está colocada a palavra andaime. deve entrar em contato com o tutor. 2. finalmente. Aqui ecoam as palavras de Clarice Lispector: “criar (. Por isso é que ela não se entrega pronta ao pensamento. 6 . numa sugestão da subida da torre em construção. ver-se o corpo de uma igreja de perfil. 26) 1. impondo-se a conceituação. a conclusão. o leitor desempenha o papel do mediador (ponte) entre o mundo da obra literária e o nosso mundo. Sendo um objeto que vai ser apreendido subjetivamente por quantos que tiverem contato com ele. estabelecendo um jogo de vaivém entre o imaginário artístico e o real natural. A palavra é algo de indeterminado e imponderável.Quando se diz da resistência oferecida pela palavra. já que essa peça é utilizada quando não se consegue mais trabalhar com os pés no chão. .) é correr o grande risco de se ter a realidade”. o que sugere a rapidez. Representar com palavras é criar. colocamos a invenção ao nível mesmo da linguagem. Ela parte do mundo em que vivemos para criar seu próprio mundo.Como se viu. É interessante observar que entre os tijolos. e estas devem ajustar-se numa estrutura para mostrarem o que está sendo criado. que já está diretamente composto. uma vez que ela já é invenção. o que acaba dificultando o processo da imaginação. Observação: As respostas são pessoais (mas dependem de conhecimento teórico-crítico). uma vez que o ato de conceituar está ligado à ação de emitir parecer relacionado com a visão pessoal. Exercícios de Auto-Avaliação (P. 4 . tudo indicando a conclusão do trabalho como aliás mostra o último verso dessa estrofe. 2 . 5. resulta de uma lenta elaboração de um trabalho feito com palavras. não acrescentando nenhum saber para aquele que faz a evocação. é que a palavra oferece uma natural resistência quando do ato criador. Caso o aluno encontre alguma dúvida.( X ) ágil. 14) Sugestões: 1. também. o trabalho continuado e.Imagem mental é aquela que simplesmente evoca o objeto. 3. Veja-se a quase total ausência de pontuação. Imagem ficcional. Essa resistência da palavra termina por obrigar o autor a voltar-se para o real. por ser criada. Pode-se. 4. Por essa razão.

6- Esse travessão como que representa a interrupção do que vinha tendo significado, ou seja, a construção da igreja, para mostrar o elemento novo – a torre – e a conclusão do trabalho. 7- A contraposição do ritmo desse verso (lento) como o dos versos da primeira estrofe (ágil) sugere, de início, um descompasso entre o trabalho árduo e a “moleza indolente” da prática religiosa feita, no mais das vezes, mecanicamente, sem um aprofundamento interior maior. Além do mais, pode sugerir a colocação da seguinte pergunta: “De que vale a construção tão difícil de um templo se, nos domingos, vai surgir uma litania dos perdões ou seja, gente querendo se desculpar dos seus erros? O verso parece-nos uma crítica ferina a um certo conceito de religião que funciona na base da transação comercial, seria algo parecido com a proposição: “peco agora e busco o perdão depois”. De qualquer modo, o verso tem uma abertura de significação muito grande. Inúmeras outras respostas, desde que coerentemente estruturadas, podem servir. 8- Tais versos caracterizam a ironia com que Drummond critica aqueles que se entregaram ao sacerdócio sem nenhuma vocação religiosa. “O padre que fala do inferno sem nunca ter ido lá” representa o indivíduo que diz coisas sem estar convicto de que deveria dizê-las. 9- ( X ) o espírito exibicionista das mulheres. 10- Retirando-se a primeira sílaba da palavra “geolhos” temos a palavra “olhos”. Com isso o poeta critica também aqueles que vão à igreja para observar as mulheres. Evidencia-se a conclusão de que os olhos estão fixos nos joelhos. Esta é a razão pela qual o poeta preferiu o arcaísmo, sem dúvida bem achado e bastante expressivo. 11- Adro é a parte externa que fica defronte à igreja. Com isso o poeta parece sugerir que o ateu participa socialmente, festivamente dos acontecimentos religiosos. Ele não entra na igreja, o que significa que sua presença na frente do templo tem a caracterização de um hábito social. 12- A forma bão representa uma deturpação de bom. Quer dizer, encara-se o domingo como algo bom, mas esse aspecto positivo quase nunca está relacionado com a consciência religiosa e sim com os divertimentos que o domingo pode oferecer.

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Atividades Complementares
As respostas dos números 1 , 2 e 3 são pessoais. O aluno deve ler bem o capítulo solicitado. Se assim o fizer, terá plenas condições de responder com clareza e eficiência o que lhe foi pedido. O objetivo, aqui, é desenvolver o senso crítico, partindo de leituras básicas e essenciais. As possibilidades de respostas encontram-se no próprio capítulo do livro indicado.

Exercícios de Auto-Avaliação (P. 36)
1 - (c); (d); (d); (b); (a); (a); (b); (c); (c); (b). 2 - A coexistência de valores opostos. 3 - Conceptismo - emprego de raciocínios rebuscados até chegar a uma conclusão engenhosa. Cultismo - jogo de palavras, emprego de uma constelação de figuras, tornando quase impossível o entendimento do texto. 4 - Antítese e paradoxo. 5 - O romântico - inspirador das importantes catedrais. 6 - Gozar o dia de hoje” - entregar-se intensamente ao presente, já que não se tem certeza do amanhã. 7 - a) Barroca. b) Antítese e paradoxo.

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Exercícios de Auto-Avaliação (P. 41)
1- (c); (c); (a); (b); (c); (a); (a); (b); (b); (b). 2- Procurando retornar às “virtudes clássicas”: equilíbrio, clareza, harmonia e simplicidade. 3- O bucolismo. 4- Valorização das coisas do campo, dos senários naturais. 5- “Século das luzes”. 6- Estímulo à cópia dos modelos gregos e romanos. 7- “O homem é bom, a socidade o corrompe.” 8- Provocará o surgimento do culto do “Bom Selvagem”. 9- Tornaram-se românticos.

Exercícios de Auto-Avaliação (P. 44)
1- a) Fugindo dos velhos temas como o bucolismo e a mitologia. b) A fuga e a evasão. c) Com objetivo nacionalista de exaltar as tradições nacionais e os heróis da pátria. d) O poeta revela-se ao mundo, constrói uma poesia calcada em sua vivência e em suas emoções pessoais. e) É um herói individual, corajoso, leal, dotado de poderes quase sobrenaturais, capaz de desafiar forças contrárias e determinado a morrer pelo amor ideal, ou pelo ideal de amor. 2- a) Presença de pronomes e verbos na primeira pessoa do singular. b) “... esse adorado sonho / acalentei em meu delírio ardente” etc. c) Ex.: “...sonho acalentei = em delírio insano” d) Substantivos: anelo, ardor, sonho, delírio, noite, desvelo, alento etc. Adjativos: ardente, adorado, doce etc. O conjunto de todos esses elementos evidencia o clima de imaginação, de pessimismo e de insatisfação.

Exercícios de Auto-Avaliação (P. 48)
1- (b); (a); (c); (c); (b); (d); (d); (c); (a); (d). 2- Por exemplo: as personagens realistas são degradadas; as naturalistas são animalizadas. 3- Porque predomina a sinestesia, valorizando-se as impressões sensoriais. 4- Como um animal, dominado pelo instinto. 5 - Enquanto os românticosvalorizam o gosto popular, os parnasianos o desprezam, voltando a sua arte para a elite. 6- (c); (a); (b);

Exercícios de Auto-Avaliação (P. 52)
1- Porque o poeta apenas sugere, cabendo ao leitor decodificar a mensagem. 2- Valoriza o inconsciente, a poesia pura, antes de passar pelo crivo da razão. 3- O Parnasianismo foi um estilo objetivo e impessoal; já o Simbolismo foi subjetivo e dramático. 4- Preocupação com o Além- Matéria, com as coisas do espírito. 5- Valorização dos recursos sonoros e do ritmo. 6- O que importa são as impressões instantâneas. Valorização das cores, da luz, das cenas ao “ar livre”; dos momentos efêmeros e fugazes. 7-Praticamente todo o texto nos remete a tal afirmação. O aluno deverá reconhecer a idéia de continuidade, de passagem, de coisas efêmeras e passageiras que descortinam ao longo da paisagem. Ex: “casas de moradores, homens, tudo ia passando, rolando mansamente..., etc”.

Atividades Complementares (P. 58)
1Sugestões: O Cubismo: Revela-se como um trabalho artístico que compõe a fragmentação do objeto, ao contrário da concepção clássica da pintura que sempre propôs que o objeto fosse apresentado na sua forma precisa, com linhas contínuas. O Dadaísmo: Tinha como proposta a negação dos valores artísticos, morais e sociais, pois seu objetivo era demolir os demolir os valores de uma civilização que eles entendiam como brutal, sanguinária e selvagem. O Surrealismo: Teve como proposta uma perspectiva artística mais voltada para as profundezas do psiquismo. Contrários ao racionalismo cientificista, entendiam que a razão e a fantasia estão intimamente ligadas, fazendo parte da realidade do indivíduo. 2- (a); (b); (d); (c).

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