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Autores

Título

Resumo

Adriana

Observ atório de Saúde Mental, Drogas e Direitos Humanos:

Novas perspectivas para problemas que permanecem atuais no cotidiano da cidade. Esta é a proposta do Observatório de Saúde Mental, Drogas e Direitos Humanos, fundado recentemente, mas composto de sujeitos pouco acostumados. Sua pretensão é a de se mostrar como um espaço legítimo de discussão e e nfrentamento. Sua direção ética-política se inscrev e na aposta anticonservadora por mudanças e pela efetivação das garantias de direitos humanos em solo efetivamente democrático e participativo. Neste trabalho, buscaremos transmitir como o Observatório tem marcado sua posição frente a alguns acontecimentos, como tem sido realizada sua organização e militância, assim como trazer aos ouvintes um breve relato sobre as pautas desenvolvidas neste Observatório.

Simões

Marino

nov as perspectiv as no campo dos Direitos Humanos na cidade de São Paulo

Agnes de oliv eira da silv a

Projeto Éfeito de papel:Diálogos ações e desafios para a inserção social e econômica solidária dos pacientes dos CAPS - RJ

O projeto Éf eito de papel: Implantação de Pólos de produção artesanal nos CAPS - RJ, surge no ano de 2008, como iniciativ a de f ormação de uma cooperativ a solidária de produção artesanal de peças em papel machè, como f orma de inserção social e econômica dos cidadãos que se

encontram em tratamento psiquiátrico nos CAPS - RJ.

O projeto se inicia acolhendo em suas ativ idades clientes de três CAPS - RJ, sendo dois

 

situados na Zona Oeste e um na Zona Norte da Cidade. O projeto f oi f omentado pelo Instituto Franco Basaglia, sendo Custeado pelo projeto PETROBRAS Desenv olv imento & Cidadania, e apoiado pela Pref eitura do Rio de Janeiro e Pela Pró- Reitoria de Extensão da Univ ersidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Desde o ano de 2008 até os dias atuais, o projeto v em se desenv olv endo e desempenhando suas ativ idades atendendo atualmente cerda de 120 usuários distribuídos em seis unidades dos CAPS - RJ. Entretanto, com esse desenv olv imento, f ator que nos permitiu abranger e

 

inserir um maior número de pacientes dos serv iços atendidos, também surgiram v ariados desaf ios, que ainda hoje são entrav es a expansão qualitativ a que permitiria o alcance aos objetiv os do projeto, que consistem na criação de uma cooperativ a de trabalho e renda que propicie a inserção sócio econômica equitativ a dos pacientes/artesãos. Tais desaf ios se concentram na alta rotativ idade de colaboradores (estagiários, monitores entre outros) que é um f ator que causa a

descontinuidade da produção em desenv olv imento; A f alta de constância na participação dos próprios

pacientes nas ativ idades,

gerando o

enf raquecimento do engajamento dos mesmos nas ativ idades; A carência de pessoal e espaços disponív eis para a comercialização das peças produzidas, gerando o acúmulo das peças produzidas, e a diminuição do arrecadamento monetário a ser rev ertido aos artesãos, culminando com a ausência de espaços adequadamente equipados para o desenv olv imento das ativ idades, sendo este um f ator que desestimula a participação dos pacientes/artesãos nas ativ idades, prejudicando signif icativ amente a inserção socioeconômica dos indiv íduos participantes, que já são signif icativ amente depreciados pelo estigma social que os circundam, dadas a sua condição de paciente psiquiátrico. Sendo assim, na perspectiv a de alcançar os objetiv os do projeto, é que toda a equipe do projeto v em executando sucessiv os diálogos, participando de ev entos que primem por discorrer sobre o comercio justo e solidário, com v istas a elaboração de práticas e propostas de adequação das ativ idades, v isando desta f orma minimizar os entrav es encontrados e inserir o grupo social e economicamente no contesto de comércio justo.

Alessandra

Da atenção integral e suas múltiplas formas de manifestação: uma proposta de assessoria interdisciplinar e antimanicomial

A proposta deste trabalho consiste em apresentar o Grupo Antimanicomial de Atenção Integral (GAMAI), um dos grupos de extensão que compõem o Serviço de Assessoria Jurídica Universitária da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (SAJU- UFRGS). O GAMAI vem se reunindo desde setembro de 2 012 e se propõe a trabalhar a questão da saúde ment al a partir do paradigma dos direitos humanos, intervindo junto a sujeitos e a instituições, em conformidade com os princípios da Reforma Psiquiátrica. Nesse sentido, como objetivo geral, o grupo busca questionar a lógica manicomial de exclusão, atuando para o reposicionamento da loucura na sociedade, considerando um sujeito não fragmentado pelas especialidades de saber. Metodologicamente, o Grupo estrutura-se a partir de grupos de trabalho, os quais buscam mapear demandas e atuar junto a instituições específicas (atualmente, o GAMAI conta com grupos de trabalho no Hospital Psiquiátrico São Pedro, no Instituto Psiquiátrico Forense e no CAPS CAIS Mental todos situados em Porto Alegre/RS). Em tais instituições, o GAMAI propõe-se a atuar ético-politicamente para a mudança do paradigma hospitalocêntrico, afirmando a política garantidora de Direitos Humanos, tanto por meio do acompanhamento de sujeitos selecionados pela lógica manicomial em seu processo de desinstitucionalização, quanto através do fortalecimento da rede substitutiva de saúde mental, tendo como principal foco a inserção social dos sujeitos em situação de sofrimento psíquico. Além disso, buscamos fomentar espaços de problematização (como oficinas e seminários) dentro e fora do espaço acadêmico, na tentativa de envolver uma maior parcela da sociedade no diálogo entre saúde mental e direitos humanos.

da Costa

Kasprczak

Alessandro

A musicoterapia como dispositiv o auxiliar na

Este trabalho tem como proposta oferecer uma reflexão sobre o uso da musicoterapia como dispositivo de auxílio ao programa de redução de danos a pacientes com problemas de álcool e drogas. Tem-se como hipótese a possibilidade de compreender a musicoterapia como ação clínica capaz de proporcionar uma ressignificação do mundo do paciente. Ao considerar a redução de danos como uma estratégia de tratamento, oficializada pelo Ministério da Saúde em 2005, a possibilidade de compreender a ação clínica como ação política torna-se fundamental, pois a política de RD (redução de danos) tem em seu fundamento a perspectiva de tratar o usuário de drogas sem excluí-lo no que tange sua capacidade de escolha. Uma vez que a escolha diz respeito a própria assunção da apropriação de seu "si-mesmo", a musicoterapia é vista aqui como dispositivo desvelador de "modos-de-ser" que, uma vez retomados ou recriados, podem servir como meio para uma eventual diminuição ou mesmo eliminação do contato do usuário com a (s) substância (s) nocivas à sua saúde. A fenomenologia, particularmente a fenomenologia heideggeriana e possíveis articulações dela com o campo da ação clínica servem, aqui, como escopo capaz de sustentar teoricamente a questão proposta neste trabalho. Como metodologia, além da reflexão teórica, utiliza-se exemplos clínicos concretos realizados em uma instituição de saúde mental, em Niterói/RJ.

de

Magalhães

 

Gemino

redução de danos: uma reflexão fenomenológica

Alexandre

Andarilhos de estrada, trecheiros e itinerantes:

O presente projeto expõe a questão sobre a população em situação de rua, focando nos andarilhos e trecheiros e as políticas de as políticas de mobilidade adotadas nas cidades para eles e outros itinerantes. A mobilidade é tomada não apenas como deslocamentos dos habitantes pela urbe, mas também a entrada e deslocamentos dos visitantes, dos não residentes, tanto aqueles que permanecem algumas horas ou um dia, até aqueles que permanecem temporadas de trabalho. As figuras dos andarilhos de estrada e trecheiros são aquelas que podem ser ignoradas, causar estranheza ou até mesmo curiosidade. São mulheres e homens que dentre outras formas precárias de vida, resolveram vagar de cidade a cidade, sem ao menos saber que esse ato coercivo, também é libertário, livrando-os da norma, da rotina e da institucionalização da vida. Muitos deles são vítimas da mecanização do campo que acarretou no êxodo rural. Procuram trabalho e pequenos biscates em sítios localizados a beiras de estradas ou rumam a pé de uma cidade à outra pela busca da sobrevivência (Justo,2005). Andarilhos e trecheiros são a intensa personificação de uma experiência espaço-tempo da pós-modernidade. Estão entre o desejo de errância que qualquer ser humano tem, somado ao desejo de uma vida melhor, não sabendo onde vão parar e prejudicada pelas relações trabalhistas que afligem todo o mundo capitalista. Eles compõem a intensificada expressão da marginalização contemporânea. A pesquisa assim trabalha com as questões da subjetividade e políticas de mobilidade de andarilhos e trecheiros a partir de levantamento de dados da Unidade de Atendimento ao Migrante (UAM), do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) a partir de coletas de dados computados e por diário de campo e relatos de casos

Espósito

Políticas de mobilidade na realidade do município de Assis.

Alexsandro

SOFRIMENTO

Introdução: O presente trabalho relata a experiência de Acadêmicos e professores do curso de Graduação em Enfermagem da UFSC acerca da ação de sensibilização realizada com os trabalhadores de saúde de um Centro de Saúde (CS) de Florianópolis, Santa Catarina (SC). Objetivo: Sensibilizar trabalhadores de saúde quanto ao sofrimento psíquico em três equipes de ESF de um CS de Florianópolis, SC. Metodologia: Ocorreu com três equipes de ESF inseridas no CS a partir de duas Roda de Conversa com cada equipe, no período de 07 a 21/06 de 2013. O primeiro encontro ocorreu por meio de três etapas: dinâmica de acolhimento, dinâmica disparadora do tema e o debate coletivo. O segundo encontro foi realizado através de um estudo de caso utilizando-se de princípios do projeto terapêutico singular (PTS), com o objetivo de sensibilizar para o tema proposto relacionando com a prática do cuidado. Utilizou-se como método de analise o discurso do sujeito coletivo (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2005). Resultado: A partir da primeira roda de conversa com 27 profissi onais se estabeleceu a categoria: o entendimento do sofrimento psíquico, com as respectivas Ideias centrais: sofrimento decorre de conflitos causando incapacidades; o sofrimento traz manifestações físicas, doenças e depressão. Na segunda roda se estabeleceu a categoria: o cuidado a pessoa em sofrimento psíq uico, com as respectivas Ideias centrais: estabelecimento de vinculo e alivio do sofrimento; recuperação de habilidades de comunicação e expressão, ampliação de redes sociais e estímulo a autonomia. Conclusão: Levando em consideração a forte influência do modelo biomédico tradicional sob o trabalho dos profissionais de saúde, pode-se perceber que os profissionais consideram o ser humano na sua individualidade e conseguem notar o sofrimento como subjetivo, considerando a saúde mental nos demais processos de saúde-doença. A equipe aponta a necessidade do ambiente seguro para melhor acolher nos momentos de crise, dando ao usuário liberdade para retorno. A lógica em que o profissional de saúde detém a verdade absoluta perde força, pois os próprios trabalhadores avaliam como fundamental a participação ativa do sujeito no cuidado. Porém, apesar de reconhecerem e compreenderem estas necessidades há dificuldade no processo de trabalho, que compartimentaliza o trabalho da equipe em especificidades profissionais em metas de atendimento, que limitam o tempo aos usuários, mas principalmente, ao cuidado ampliado a saúde.

Barreto

Almeida

PSÍQUICO E SUA CONTEXTUALIZAÇÃO NA PRÁTICA DO CUIDADO

ALICE DA

Atenção à população em situação de rua pelas Unidades Básicas de saúde de Salv ador: reflexões sobre as dificuldades de acesso com a introdução de nov as tecnologias

Dados divulgados pela Prefeitura Municipal de Salvador estimam que na capital haja uma média de 3.500 pessoas em situação de rua (2012). Entre os principais problemas de saúde referidos por essas encontram-se o abuso de substâncias psicoativas, HIV/Aids, transtornos mentais/psiquiátricos, problemas odontológicos, dermatológicos e gastrointestinais. Os problemas de saúde tendem a se agravarem, especialmente pelas condiçõe s precárias de sobrevivência e pelo uso e abuso de substâncias psicoativas, a exemplo de crack, bebidas alcoólicas, maconha e cocaína. Neste contexto de precarização este uso é como forma de minimizar as dificuldades e poder suportar o sofrimento das difíceis condições de vida nas ruas. (Aguiar& Iriart. Cad. Saúde Pública vol.28 no.1 Rio de Janeiro Jan. 2012). Os dados apresentados pelo estudo acima corroboram com a realidade vivenciada pela população em situação de rua que procuram as Unidades Básicas do Centro Histórico de Salvador. Nas 11 Unidades Básicas de Saúde (incluindo PSF) a estrutura de serviços voltados para esta população é extremamente precária. E esse processo provoca um adoecimento tanto na população que vai se tornando ainda mais invisível quanto para os profissionais de saúde que se sente m incapazes de alterar uma estrutura cada vez mais complexa. Esse fato agravou com a implantação do CARTÂO SUS nas Unidades de atendimento. Entre as justificativas geralmente apresentadas pela população em situação de rua para não recorrerem aos serviços de saúde, podem ser referenciadas, dentre outras, como: o acesso às Unidades (apresentação física, resistência dos trabalhadores), a efetividade do atendimento, recebimento de medicamentos nas farmácias (considerando o SISFARMA). No Centro Histórico de Salvador, entre Em 2003-2009, o Departamento Nacional de DST/Aids estimulou o debate em relação à atenção às crianças e jovens em situação de rua, estabelecendo encontro e financiando projetos, estimulando parceiras ente OG e ONG. Porém, observa-se que com a introdução de novas tecnologias que são importantes para a organização dos serviços e recursos públicos (a exemplo do CARTÂO SUS) a popul ação em situação de rua continua cada vez mais invisível e seus problemas de saúde colocados em terceiro plano.Algumas Unidades criam estratégias particulares de atendimento que estão muito condicionadas ao perfil profissional, ao jeitinho e não a efetivação de uma política uniforme de atendimento.Desse modo, como enfrentar essa realidade?

SILVA

RIBEIRO

FIRMINO

Aline

O CUIDADO

Introdução: Dados evidenciam que 12% dessa população apresentam sentimentos de menos valia e fatores agravantes para o desenvolvimento de transtornos mentais (BRASIL, 2013), portanto a visita domiciliar (VD) pode ser uma ferramenta contribuinte na identificação precoce dos fatores de risco, pois permite a avaliação das condições psicossociais, demográficas e familiares, estabelecendo estratégias mais assertivas de cuidado preventivo, por meio da mudança no grau de vulnerabilidade ao adoecimento mental (BOTTI; ANDRADE, 2008). Objetivo: identificar as mudanças e as percepções ocorridas em famílias após receberem VD com foco na prevenção de transtornos mentais. Metodologia: Realizou-se uma pesquisa descritiva exploratória com abordagem qualitativa nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2013 com 13 famílias atendidas pelo projeto de extensão Cuidando de Famílias na Comunidade: Um olhar para saúde mental . Os dados foram analisados por meio da analise temática de conteúdo (BARDIN, 2011). Resultados: foram construídas duas categorias centrais: 1) A VD como ferramenta de mudança no contexto familiar e 2)Compreendendo a VD como uma forma de cuidado familiar. A VD permite a inserção profissional no contexto familiar contribuindo no planejamento de ações de cuidado integrais e resolutivas, envolvendo todos os membros da família, valorizando as queixas dos usuários, buscando identificar suas necessidades e respeitando a subjetividade de cada família e indivíduo. Esta forma de cuidado baseado nas necessidades demonstradas pelos indivíduos pode favorecer a prevenção dos fatores que acometem a saúde mental fazendo com que o sujeito expresse os seus sentimentos e angústias por meio da escuta terapêutica tornando-o mais responsável para o seu autocuidado e melhorando o seu convívio familiar e social. Conclusão: Este estudo evidenciou que a VD proporciona mudanças caracterizadas por novas atitudes tomadas em busca da melhoria da qualidade de vida, reestruturando o pensar sobre o cotidiano familiar e pela concepção de responsabilidade no autocuidado. Averiguamos que o enfermeiro pode se b asear nesta pesquisa para melhor compreensão sobre o cuidado preventivo em saúde mental e/ou (re)pensarem sobre a importância da VD no cuidado em saúde mental, na qual a promoção e a prevenção da saúde mental são ressaltadas com grande destaque.

Aparecida

Buriola

DOMICILIAR COM FOCO NA PREVENÇÃO DE TRANSTORNOS MENTAIS

Aline

Papéis e perfil dos profissionais que atuam

Introdução: Os diferentes modelos de assistência em saúde mental são determinados pela compreensão do que é saúde mental e, consequentemente, pelo modo como a sociedade entende e lida com a loucura, visto que os juízos de valores são determinados e influenciados culturalmente e dependem da visão de homem e do conceito de normalidade (ESPINOSA, 1998; TROVO et al, 2003; HELMAN, 2003, GARLA, 2011). A formulação de políticas, bem como a organização dos serviços e a prática terapêutica, devem se basear em informações atualiz adas e idôneas, tendo como parâmetro a comunidade, os indicadores de saúde mental, os tratamentos, as estratégias de prevenção e promoção e o perfil dos profissionais que atuam nas equipes de saúde mental para que a demanda real de cada localidade seja atendida (BRASIL, 2004; OPS, 2008). Objetivo: Caracterizar o perfil dos profissionais que atuam em serviços de saúde mental no município de Uberlândia. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa exploratória para atender as políticas de serviços em saúde mental, visando contribuir com a saúde mental do município, por meio da análise dos serviços disponíveis à rede comunitária. Local: Os dados do presente estudo estão sendo levantados nas seguintes instâncias: - Universidade Federal de Uberlândia (UFU) - Ambulatório e Enfermaria do Hospital de Clínicas da UFU e CAPS-AD, também vinculado a esta instituição (UFU); - Centro de Atenção Psicossocial CAPS: Oeste (CAPS 3), Leste (CAPS 1), Norte (CAPS 1), CAPS AD, CAPS-i, Centro de Convivência e Cultura. Coleta de dados:Foram realizadas as entrevistas com os representantes da Saúde Mental do Município de Uberlândia e da Gestão Regional de Saúde; - Estão sendo feitas as entrevistas com profissionais da saúde mental, sendo estes contatados pessoalmente e agendadas previamente as entrevistas no próprio local de trabalho. Análise dos dados: Os resultados já estão sendo lançados no banco de dados. Será feita

a análise descritiva dos resultados por se tratar d e um estudo exploratório - descritivo. As informaçõ es sobre os sujeitos que atuam

Siqueira de

Almeida

nos serv iços de saúde mental

nas Unidades de Assistência serão objeto de um traçado sociodemográfico, indicando seu

Os dados sobre o trabalho das

equipes e sobre as políticas de saúde mental serão transcritos e analisados, segundo os temas focalizados nos respectivos roteiros. Os dados da WEB obtidos on-line serão apresentados estatisticamente, contextualizando as informações sobre a assistência em saúde mental.

Alyne

O processo de (des)institucionalização das pessoas em medida de segurança no Estado do Pará

O trabalho a ser apresentado é parte de minha pesquisa de doutorado em Psicologia Social, ainda em andamento na PUC-SP,

Alv arez

a qual tem como objetivo geral problematizar os processos de institucionalização e desinstitucionalização dos chamados

Silv a

loucos infratores no Estado do Pará. Partindo das inovações normativas propostas em função da Reforma Psiquiátrica e de autores como Foucault, Castel e Agabem, problematizamos os saberes e práticas médicos-psi e jurídicos que resultaram e, ainda hoje, mantêm o que pode ser chamado de campo de concentração contemporâneo. À revelia do histórico processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil, o Pará foi o último Estado a colocar em funcionamento um Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico. O megaprojeto orçado, no ano de 2001 em 5,5 bilhões de reais, foi concluído em 2007 e localiza-se no município de Santa Izabel, a 60 km de Belém. Atrelado à Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará, hoje há no HCTP aproximadamente 225 internos e presos, alojados em suas 120 celas. Embora tenha o nome de Hospital para Tratamento

 

Psiquiátrico, além da Custódia, não há médico psiquiatra nem leitos no estabelecimento. Das 221 pessoas privadas de liberdade neste estabelecimento, 85 encontram-se em cumprimento de medida de segurança; 121 estão na condição de presos provisórios;

e

19 já receberam sentença condenatória. Estes últimos, por ocasiões diversas, foram transferidos para o HCTP e aguardam há

anos passar por uma perícia de insanidade mental com um dos três psiquiatras forenses do Estado. Vale pontuar que o processo de desinstitucionalização da pessoa em Medida de Segurança, extrapola a simples desinternação ou desospitalização, devendo implicar as diversas instâncias envolvidas na execução da medida para viabilizar o amparo ao egresso, bem como a ruptura com noções e valores preconceituosos acerca da loucura. Assim, após traçar o perfil da população em cumprimento de medida de segurança neste HCTP, foram feitas algumas articulações, incialmente junto ao Tribunal de Justiça do Estado e à Secretaria Estadual de Saúde, como forma de viabilizar políticas públicas que redirecione o HCTP e possibilite a desinstitucionalização dessas pessoas. Quanto às institucionalizações, até então temos constatado que a maioria das atuais internações compulsórias de presos provisórios têm demonstrado a forma como atua o poder judiciário diante do usuário dependente de álcool e outras drogas na ausência de dispositivos substitutivos ao manicômio.

Ana

Afinal onde os autistas dev em ficar?

Atualmente muito se pensa sobre a questão das pesso as com TEA- Transtorno do Espectro do Autismo e com o assegurar lugares de tratamento e direcionamento das ações a serem realizadas com estes sujeitos e suas famílias. Recentemente o ministério público lançou um documento norteador Linha de cuidado para a atenção às pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo e suas famílias na rede de atenção psicossocial do sistema único de saúde no qual propõe o CAPS Centro de Atenção Psicossocial como serviços de referência para o cuidado às pessoas com transtorno do espectro autista independente da idade. Os CAPS são serviços comunitários, de porta aberta à comunidade e atuam como dispositivos de cuidado às pessoas que sofrem com transtornos mentais severos, que se encontram e m sofrimento psíquico, uso de álcool e outras droga s que ocasionam prejuízos significativos na vida dos sujeitos em questão. É um serviço territorial, estratégico que compõem a RAPS- Rede de atenção psicossocial e tem a tarefa de promover a articulação entre os serviços de saúde. A Perspectiva de trabalho do CAPS é oferecer espaços de convivência e contato com as diferentes formas de ser e estar no mundo, na comunidade, em espaços diversos do território. Através de propostas terapêuticas singulares, os chamados PTS, elabora-se uma proposta terapêutica construída com o usuário na qual ele atua como prot agonista se implicando nas escolhas em relação ao m odo como deseja estar neste serviço. Neste sentido, o CAPS Infanto Juvenil atua no cuidado a infância e adolescência oferecendo atendimento diário a crianças que sofrem de transtornos mentais severos e que apresentam prejuízos significativos na circulação e laço social operando para promover o protagonismo dos usuários configurando um espaço de acolhimento e convivência com as diferenças. Este trabalho tem objetivo articular a inserção dos autistas na rede de saúde mental, nos CAPS infantis preconizando os CAPSi como espaços potenciais para trabalhar as questões do laço social que aparecem de modos peculiares nestes sujeitos. Apresenta- se neste trabalho a proposta dos espaços de convivê ncia como cenários privilegiados para a construção de cenas de inclusão, acolhimento e contato com as diferenças e com estes sujeitos que apresentam modos peculiares de subjetivação que reverberam na relação com os outros e com o laço social.

Carolina

Afonso Lima

 

Dias

Ana

Saúde mental na

Neste trabalho nos propomos a compartilhar uma experiência da gestão estadual do Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Sul, na qual se estabeleceu como eixo prioritário d e um projeto de governo a inserção do cuidado em sa úde mental na atenção básica. Tal definição de prioridade demandou um distanciamento das concepções patologizadoras e medicalizantes do sofrimento psíquico, que o consideram um fenômeno individual, produto de um cérebro disfuncional e, portanto, objeto exclusivo da ação de especialistas. Dito de outro modo, priorizar a construção do cuidado em saúde mental na atenção básica implicou reinscrever o sofrimento psíquico no campo daquilo que e próprio do humano e absolutamente ligado aos modos de andar a vida nos territórios em que se habita. Desd e esta perspectiva, consonante com a Reforma Psiqui átrica Brasileira, criaram- se linhas de financiamento estadual para equipes de matriciamento em saúde mental na atenção básica (Núcleo de Apoio a Atenção Básica - modalidade saúde mental), para composições de trabalho de redução de danos e para oficinas terapêuticas a serem realizadas nas comunidades. Aos incentivos financeiros repassados para as gestões municipais, acrescentou-se a oferta de espaços regionais sistemáticos de educação permanente para os profissionais de saúde, nos quais a tônica dos encontros recaiu sobre os impasses colhidos no cotidiano do trabalho uma vez posto o desafio do cuidado territorial em liberdade. A aposta no matriciamento, na redução de danos e nos espaços comunitários e criativos desenhados pelas oficinas reverberaram de formas singulares nos municípios que aderiram aos incentivos, produzindo diferentes possibilidades e potencialidades para a inserção do cuidado em saúde mental na atenção básica. Numa palavra, estas iniciativas da gestão estadual levantaram a poeira do terreno da saúde mental no RS, atualizando e aquecendo um jogo de forças que há algum tempo vinha sendo varrido para debaixo do tapete em muitas regiões de nosso estado, a saber, o duelo entre a moral da tutela e a ética do cuidado no território.

Carolina

Rios Simoni

atenção básica: uma experiência na gestão do SUS no RS

Ana Cecília

Lei de cotas e Projeto Gerência de Trabalho na inclusão de usuários de saúde mental no mercado formal de

Considerando que hoje no Estado do Rio de Janeiro, por iniciativa do ministério Publico do Trabalho (MPT/RJ), as pessoas com transtorno mental (deficiência psicossocial) estão incluídas na Lei 8213/91, ou Lei de Cotas, o "Projeto Gerência de trabalho" (PGT) vem apresentar sua proposta e experiência de inclusão de usuários de saúde mental no mercado formal de trabalho contemplado estratégias que visam estabelecer as condições de permanência dessa população no emprego formal.

Alv ares

Salis

Ana Cristina C. F. Souto

Reflexões acerca do objeto de estudo e prática psicológica à luz do Ato Médico:

O Projeto de Lei do Senado (PL nº268, de 2002) que dispõe sobre o exercício da Medicina, mais conhecido como Ato Médico, é um dos movimentos de regulação de atividade profissional mais polêmicos de nosso tempo. Desde que o te xto original se tornou conhecido, tem prevalecido o entendimento de que o Ato Médico é um movimento que extrapola seu campo disciplinar, tende a gerar hierarquização e perda de autonomia das diferentes categorias profissionais inseridas no campo da saúde pública e privada. Nesse viés interpretativo, o processo de regulamentação das práticas do profissional em específico introduz retrocessos tanto no âmbito das intervenções/atenções em equipe multidisciplinar como no âmbito das relações interprofissionais no cotidiano. Tendo em vista os desdobramentos apontados, o presente trabalho busca promover, inicialmente, uma reflexão acerca do objeto de estudo e intervenção da Psicologia e dos objetivos das intervenções psicológicas da parcela de profissionais psicólogos atuantes na área da saúde, em especial dos objetivos daqueles que compõem equipes multidisciplinares em ambientes e serviços públicos e privados. Para tanto, sem querer retomar a velha noção cartesiana de saúde, o Artigo 2º do projeto Ato Médico, que refere "a saúde do ser humano e das coletividades humanas" como objeto de atuação do médico, oferece o elemento inicial para análise sobre diferenças entre conceitos de saúde e visões de ser humano inerentes às diferentes disciplinas (no caso, a Psicologia e a Medicina).

implicações sobre autonomia?

Ana Kariny

OCUPA NISE:

O III Congresso da Universidade Popular de Arte e Ciência UPAC aconteceu, em 2013, no Hotel da Loucura, localizado no

Sampaio

EDUCAÇÃO POPULAR, ARTE E CIÊNCIA NO HOTEL DA LOUCURA

Instituto de Saúde Mental Nise da Silveira, no Rio de Janeiro, de 01 a 07 de julho. Neste hotel, em uma enfermaria psiquiátrica desativada, que reunimo-nos médicos, psicólogos, agentes culturais, pajés, educadores populares, freiras, estudantes e clientes, e fomos todos cuidadores, artistas. Entendemos o patológico, derivado de phatos, a partir de uma perspectiva fenomenológica existencial, no sentido dado pelos Gregos, como sendo uma sensibilidade emocionada. Não nos apropriaremos do entendimento de phatos trazido pela modernidade, do significado no Latim, sendo remetida a phatologia à doença, ao sofrimento, acreditamos que nesse modo de ser deixamos de ser sujeito e aprisionamos o sujeito explicação (passado) de uma doença, onde não existe implicação (presente). A implicação só p ode estar presente no modo de ser da ação, modo de ser que permite o dialógico, onde existe um compartilhamento de sentido, entre mim e o outro, modo empático, o desdobramento de possibilidade se dá. Essa compreensão acerca do ph atos, nos permite perceber que ao afirmar que o em-phatos se dá na empatia, na relação entre o sujeito e o facilitador do grupo se faz necessário o se colocar no do luga r do outro, estando ambos abertos permear o mundo um do outro enquanto sentim ento e no entre dessa relação que se daria a troca da vivência implicativa do aqui-agora que permite não cristalizar o sujeito em um estado acontecido. Foi percebido e sentido por nós, nesse congresso vivencial, quão forte é a força da afetividade nessa relação dialógica, como potente é a troca nesse e como é possível

Maciel de

Oliv eira

Porto

 

o

processo de volta ao saudável nesse lugar do criar e recriar seu ser saudável. Podemos afirmar que desse modo estamos

lançando um olhar de homem que é sujeito em modo de ser do ator, interpretação é o modo de ser da experimentação, no desdobramento da possibilidade é uma experimentação eu-tu, no aqui-agora, vivências de possibilidades, modo presente de ser. Acreditamos na vivência e na experiência como pontos de partida do processo de aprendizagem e temos a amorosidade, o afeto

catalisador e as paixões alegres como algumas de nossas idéias-força, tendo a vida como referência do viver, numa perspectiva Biocêntrica pautando nosso caminhar. Assim, pretendemos compartilhar essas vivências, dialogamos arte e ciência, conjugando

o

verbo esperançar caminhando rumo ao inédito viável.

Ana

Relato de experiência de estágio em um

O estágio curricular se constitui como uma importan te ferramenta para a iniciação ao exercício da prát ica profissional do acadêmico, possibilitando a articulação entre o conhecimento teórico adquirido na graduação e o trabalho desenvolvido na instituição. Nesse sentido farei um relato sobre as experiências do estágio realizado em um Centro de Atenção Psicossocial para dependentes químicos no município de João Pessoa/PB desde dezembro de 2012, como graduanda do curso de serviço social e sob a supervisão de uma Assistente, acompanhando diversas atividades que fazem parte das competências do serviço social. O CAPS ad, que faz parte da rede de atenção à saúde mental, oferece um serviço de portas abertas, com atendimento diário, localizado na comunidade oferecendo atendimento clínico e a reinserção social dos usuários a partir do fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, do acesso ao trabalho e principalmente vem a ser substitutivo ao modelo manicomial. Dentre as atividades, foram realizadas intervenções junto aos usuários e seus familiares na tentativa de fortalecer os vínculos, que por muitas vezes são rompidos devido aos diversos agravos sociais decorrentes do uso abusivo de drogas, dentre as intervenções podemos destacar: visitas domiciliares, atendimentos e reuniões familiares. Outra importante contribuição do serviço social está no empoderamento e resgate da autonomia do usuário, trabalhando nesse sentido, com a socialização de informações acerca dos seus direitos e reinserção social, bem como o encaminhamento para outros serviços da Rede de Saúde Mental e da assistência. Minha proposta é socializar minha experiência de estágio em um serviço como o CAPS ad e refletir sobre a importância tanto do estágio curricular no processo de formação na graduação, como do trabalho do assistente social dentro de uma equipe multiprofissional que trabalha diretamente com uma demanda que na sua maioria, vivem em uma situação de vulnerabilidade social.

Katarina

Ramalho

 

Rosas

Centro de Atenção Psicossocial álcool e drogas no município de João Pessoa/PB

ana leticia

Prev alencia e padrão de consumo de bebidas alcoólicas entre gestantes atendidas em uma unidade básica de saúde de um bairro popular na cidade de salv ador

RESUMO: O estudo teve como objetivo caracterizar a prevalência e o padrão de consumo de bebidas alcoólicas entre gestantes cadastradas em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de um bairro popular da cidade Salvador-Ba. Foram entrevistadas 35 gestantes cadastradas nesta UBS utilizando-se o T-ACE (Tolerance, Annoyed, Cut e Eyeopener), um questi onário de rastreamento para uso nocivo de álcool. Responderam positivamente ao T-ACE 45,7% das gestantes. Entre estas, 44% obtiveram pontuação 2; 25% pontuação 3 e 31% pontuação 4, o que sugere um padrão de consumo preocupante para a população entrevistada. Entre as gestantes com resposta negativa, 21,1% consumiram alguma quantidade de álcool durante a gravidez. Considerando os efeitos prejudiciais do uso de álcool para a mulher e para o feto, a elevada proporção de entrevistadas no presente estudo, que informaram fazer uso de bebida alcoólica durante a gravidez, sugere a necessidade de implantação de programas preventivos educativos pelos profissionais que trabalham direta ou indiretamente com esta população.

cordeiro

sales

Ana Luisa

SISTEMA

Atribui-se à pena privativa de liberdade as finalidades de proteger a sociedade perante as pessoas que não respeitam as leis e os direitos e de corrigir estas mesmas pessoas para que modifiquem sua conduta. Contudo, o sistema penitenciário pode ser considerado como um recipiente ou dispositivo para invisibilizar seu conteúdo, instituindo invisibilidades já existentes ou retirando do campo visual populações ou pólos conflitivos (Foucault, 2004; Zaffaroni, 1993). Como parte do mesmo regime de invisibilidade, os trabalhadores e suas ações em prol da garantia de direitos são invisibilizados juntamente com as pessoas que cumprem pena privativa de liberdade. Concomitantemente, o sistema penal ganha visibilid ade quando não cumpre com as finalidades que lhe sã o atribuídas. Isto acontece, por exemplo, quando uma pessoa em livramento condicional ou em cumprimento de pena em regime semi-aberto reincide na conduta proibida por lei. O sistema penitenciário também ganha visibilidade quando falha na garantia de direitos, mas não por ponderar a necessidade do acesso universal, e sim porque a não garantia de direitos é vista como falha no trabalho de ressocialização da pessoa presa. Outrossim, em ambos os casos os meios de comunicação costumam desconsiderar, na divulgação destas notícias, as implicações da configuração social e política (nem sempre partidária) que cria condições de possibilidade para a reincidência ou para a não garantia de direitos. Neste trabalho pretende-se discutir o sistema penal enquanto regime de (in)visibilidade, apresentando caminhos possíveis para a garantia de direitos no sistema penitenciário a partir da atuaçãos desenvolvida pela Superintendência dos Serviços Penitenciários do Rio Grande do Sul, sob a coordenação do Departamento de Tratamento Penal. Para tanto ofereceremos relatos sobre as ações nos campos da educação, do trabalho e da saúde prisional. FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir História da Violência nas Prisões. Petrópolis: Vozes, 2004. ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Derechos humanos y sistemas penales en América Latina. In: HULSMAN, L.; BERGALLI, R.; JOUNG, J.; RECASENS, A.; ZAFFARONI, E.; VAN SWAANINGEN, R.; CHRISTIE, N. Criminología crítica y control social 1. El poder punitivo del Estado. Rosario: Editorial Juris, 1993. p 63-74.

Florence

Luz Dreher

PENITENCIÁRIO - VISIVELMENTE INVISÍVEL

Ananda

Implicações da Ação Clínica dos

Esta pesquisa teve como objetivo geral: compreender a ação clínica dos Acompanhantes Terapêuticos (Ats), em suas diferentes possibilidades, nas redes sociais da cidade de Recife-PE e, como objetivos específicos: descrever a atividade dos Acompanhantes terapêuticos como modalidade de ação clínica; descrever as diferentes possibilidades de ação clínica dos Acompanhantes terapêuticos e compreender a experiência dos Acompanhantes terapêuticos em sua ação clínica. Realizamos um estudo de natureza qualitativa, de cunho fenomenológico existencial. Como instrumento metodológico foi utilizada a narrativa colaborativa. Em um primeiro momento, ind ividualmente, cada participante se expressou livrem ente. Em um segundo momento, realizamos um encontro grupal com os mesmo s participantes, onde foi solicitado a estes que se dispusessem à conversação sobre suas experiências uns com os outros, favorecendo uma possibilidade de encontro entre eles. Participaram 5 (cinco) Ats que têm experiência, em Recife-PE, com pessoas em sofrimento psíquico, físico ou ambos com dificuldade de inserção social. No processo de interpretação dos dados fizemos uso da hermenêutica filosófica de Gadamer, a qual fundamentou toda a trajetória desta pesquisa e que consiste no entendimento que toda compreensão do homem é uma interpretação das condições históricas advindas da tradição, da qual ele faz parte. Deste modo, chegamos a uma narrativa final que foi construída a partir do diálogo entre os participantes, a pesquisadora e os textos dos teóricos que embasaram esta pesquisa. Como resultados, a partir das narrativas, trouxemos a clínica do Acompanhamento Terapêutico em suas diferentes possibilidades de ação clínica com as especificidades inerentes ao seu campo de atuação, a partir da experiência de quem a pratica. Nessa direção, percebemos que os Ats estão inseridos nos seguintes seguimentos de ação clínica: acompanhamento clínico a clientes, particular ou institucional, formação, supervisão e pesquisa. No entanto, constatamos que eles estão operacionalizando ações segregadas, com trabalhos desenvolvidos em pequenas equipes. Por outro lado, os Ats demonstraram almejar uma organização, através de uma vivência grupal, que objetiva incluir e agregar a classe de profissionais que estão atuando no campo. Essa perspectiva aponta para a busca de um lugar cada vez mais delimitado, o que inclui organização, institucionalização, formalização e profissionalização dos Ats.

Kenney da

Cunha

 

Nascimento

Acompanhantes Terapêuticos nas Redes Sociais da Cidade de Recife-PE

Andréa

Saúde Mental e Trabalho: Inclusão social das pessoas com transtornos mentais pela v ia da Economia Solidária

O artigo busca através de um estudo bibliográfico trazer subsídios para a discussão sobre o significado e objetivo de uma política social do Estado capitalista de inclusão social pelo trabalho fora de seus espaços produtivos e dentro dos espaços produtivos de uma economia solidária. Através da reflexão sobre a categoria trabalho busca- se elucidar que o trabal ho não é uma simples elaboração de produtos e, ainda que esta atividade laboral humana torna-se condição pressuposta para todo desenvolvimento do ser, nos planos abstrato e concreto. Em seguida, através da discussão do trabalho no Modo de Produção Capitalista (MPC) objetivou-se argumentar que não há possibilidades da pessoa com transtorno mental (TM) ser incluída nos espaços produtivos deste modo de produção. Neste sentido, buscou-se resgatar, primeiramente, o sentido do trabalho para a saúde mental para em seguida apontar as experiências relacionadas a saúde mental e a economia solidária. No entanto, chegar até a compreensão do processo histórico de exclusão/inclusão da pessoa com transtornos mental na sociedade requereu o resgate da loucura no MPC, o que oportunizou o entendimento de que o louco secul armente foi considerado incapaz para o trabalho, se ndo esta concepção alterada somente a partir da década de 1990 no Brasil através das experiências de economia solidária. Concluí-se que as iniciativas relacionadas à inserção do usuário de serviços de saúde mental em trabalhos produtivos concretos contribuem para a valorização da conquista de seus direitos sociais, particularmente os ligados à seguridade social, capazes de assegurar sua reprodução social em ambiente aberto na sociedade.

Ferreira

Lima da

Silv a

Andréa

Tratamento da Dependência Química e o Gênero Feminino:

O uso de drogas não é exclusivo ao gênero masculino, embora seja um assunto que até recentemente fora negligenciado e tratado como um tabu. O crescente número de mulheres que buscam espontaneamente por tratamento para a Dependência Química tem mudado aos poucos o olhar para a questão. Contudo, a prevalência de ofertas de tratamento nas diversas modalidades, bem como de pesquisas científicas destinadas a este público, ainda é expressivamente menor do que em relação do masculino. Este trabalho, que é de cunho quali-quantitativo, objetiva analisar a questão da Dependência Química de pessoas do gênero feminino internadas voluntariamente em Comunidades Terapêuticas do interior do estado de São Paulo. As participantes, 21 no total, são mulheres na faixa etária de 17 a 53 anos, em tratamento para dependência química na modalidade de internação. Para a coleta dos dados, utilizou-se um questionário estruturado com 43 questões fechadas. Os resultados apontaram que 48% das participantes não concluíram o Ensino Fundamental; 67% são solteiras; 71% têm filho(s); 61,9 % declaram terem sido abusadas sexualmente em algum momento da vida, e 66,6% de terem feito sexo para obtenção das drogas. As participantes verbalizam que o crack deu de bom (sic) os filhos frutos de relações sexuais desprotegidas e para obtenção de droga, e a Aids (sic). Nenhuma das participantes assinalou terem participado de grupo de auto-ajuda, o que chama atenção e aponta para a necessidade de futuras investigações. 80% faziam uso diário de crack antes da internação, indicando que buscaram o tratamento porque não estavam conseguindo parar o uso da substância sozinhas (43%) e por não estarem mais agüentando a situação em que se encont ravam (43%). Muitas delas relatam que o crack tirou tudo que tinham de importante na vida filhos, família, vontade de cuidar de si, da saúde etc., e que passaram a viver em função da droga. Os resultados apontam a urgência de um maior número e diversidades de tratamentos especializados voltados a mulheres dependentes químicas, sendo que é preciso atendimento ginecológico dfierenciado voltado às mesmas, sobretudo, porque é muito comum relatarem problemas ginecológicos em decorrência das DST contraídos na situação do abuso sexual e ou da prostituição, a que recorrem devido à falta do crac k. Em suma, urge um serviço integrado de forma a cu idar e reestabelecer a saúde física, psíquica e social destas mulheres, mitigadas pelas drogas, preconceitos e violências sofridas

Marques

Leão

Doescher

Necessidades e

Desafios

ANDREA

PSICOLOGIA - VINCULOS, CONTRIBUIÇÕES E DESAFIOS JUNTO À POPULAÇÃO DE RUA

APRESENTAÇÃO

MOURA

A

idealização desta pesquisa documental, sobre a população em situação de rua, surgiu da necessidade em tentarmos responder

DOS ANJOS

que se tem feito a essas pessoas?.

Ao realizar o trabalho voluntário entre 2002 e 2006denominado: Banho Fraterno,surgiu a vontade de pesquisar sobre a população em situação de rua.

 

O

projeto acolhia as mulheres, as crianças e os transexuais, ás terças e quintas-feiras. Os homens ás quartas e sextas-feiras. Eram

acolhidos por voluntários do mesmo sexo nos dias específicos, exceto os transexuais, eram atendidos por voluntárias. Os usuários tomavam banho. Recebia uma troca de roupa, um kit contendo - calça ou saia, blusa e calçado, tomavam café com leite e pão no local. O horário de atendimento acontecia das 8 da manhã às 12h, na região central de São Paulo. O projeto foi

extinto por exigência da vizinhança e enquanto a briga estava na justiça, buscamos encaminhá-los aos albergues e até descobrir os vínculos familiares, ainda que sem sucesso, pois eles haviam perdido contato com os mesmos. Nunca soubemos para onde essas pessoas foram levadas e/ou seu paradeiro. Segundo a ONU Organização das Nações Unidas

O

voluntariado traz benefícios tanto para a sociedade em geral como para o indivíduo que realiza tarefas voluntárias. Ele produz

importantes contribuições tanto na esfera econômica como na social e contribui para a uma sociedade mais coesa, através da construção da confiança e da reciprocidade entre as pessoas. Ele serve à causa da paz, pois abre oportunidades para a participação de todos. Em outra ocasião, para atender as exigências acadêmicas para disciplina de projeto de pesquisa de campo no curso de psicologia no ano de 2009, a partir da prática de observação, realizada em campo com essa população, também da região de São Paulo, observamos os moradores em situação de rua, em condições sub-humanas; alimentavam-se do lixo acumulado nas ruas. Crianças, adolescentes, mulheres e homens em dias de chuva e frio, tentavam dormir cobertos apenas por papelão, eram ofendidos e muitas vezes surrados. Observamosque as ofensas e até agressões partiam daqueles que os enxergavam. Pareciam furiosos e como forma de extravasar seu incômodo com a presença dessas pessoas morando na rua, demonstravam desprezo e ira contra eles. Outrospareciam não enxergá-los, como se eles fossem invisíveis. Como existe a intenção por um Brasil melhor, é importante darmos relevância social a esse fenômeno população em situação de rua.

Andréa

A Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae e as Políticas Públicas de Atenção à Saúde Mental.

Este trabalho pretende apresentar a Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae e seu Projeto clínico-ético-político como um equipamento da rede de atenção à Saúde Mental a partir de sua história de lutas pelos direitos humanos, em sua interseção com os movimentos pela Reforma Sanitária, pela Reforma Psiquiátrica, da Luta Anti-manicomial e o movimento pelos direitos das crianças e adolescentes que culminou no ECA. Dentro do panorama histórico-político que obstaculizou até a atualidade a implantação do SUS e da RAPS em São Paulo, a Clínica vem funcionando como importante polo de referência na atenção, formação e pesquisa em clínica ampliada, em equipe interdisciplinar, em construção de redes intersetoriais. Em função da prevalência de forças contra-reforma na cidade e no Estado de São Paulo, um imenso contingente da população de maior vulnerabilidade social, não recebida pelos CAPS em função das características de seu sofrimento psíquico, vem sendo encaminhada para um tipo de dispositivo criado pelos governos estadual e municipal as AMEs Psiquiatria - , com o apoio institucional de importantes universidades públicas, cuja política de atenção segue as diretrizes da pesquisa psiquiátrica, implicando em um modo de atenção eminentemente medicalizante, já que médico- centrado. Este trabalho se propõe também a apresentar alguns dispositivos clínico-institucionais construídos na Clínica, em sintonia com as diretrizes do SUS, da Reforma Psiquiátrica brasilei ra e da PNH que ressaltam a função central da escuta clínica na construção dos projetos singulares daqueles que procuram esse serviço.

Paes

Fav alli

Angel Maria

EXPERIENCIAS DEL MIGRANTE DE PASO. EL CASO DE LOS USUARIOS DE LA CASA DEL MIGRANTE DE SAN LUIS DE POTOSÍ (SLP). MÉXICO

Este trabajo se enmarca en el programa Summer Resea rch, Verano de la Ciencia 2013, UASLP, México. Versa sobre migrantes de paso en La casa del Migrante de San Luis de Potosí. Es un primer acercamiento a la vida de los migrantes de paso; la metodología utilizada es mixta, cualitativa - cuantitativa, utilizando el instrumento WHOQOL-BREF, para la obtención de datos, y entrevistas en profundidad, con diferentes forma tos de registro, audio visual, fotos, según se est ime pertinente. Son sujetos de esta investigación las personas migrantes que resid en en la Casa del Migrante, así como todos los acto res que se considere central incluir en esta estancia de investigación

Ojeda

Lopez

Anúncia

O

Dispositiv o

Diversos avanços no campo da Reforma Psiquiátrica e da Atenção Psicossocial podem ser identificados na área legislativa, na cultura e na diversidade dos serviços ofertados à população. No entanto, a alteração da lógica do cuidado e a efetivação de práticas que considerem a singularidade e a subjeti vidade dos usuários, só pode ser construída no coti diano dos serviços, através da ação e do posicionamento dos trabalhadores e trabalhadoras, comprometidos com a construção da Atenção Psicossocial. Sabemos que, se estiverem identificados ao lugar de reprodutores de saberes-complemento e de aplicadores de técnicas, dificilmente os trabalhadores poderão acompanhar os sujeitos do sofrimento na construção do saber singular demandado para a solução dos seus impasses. Neste trabalho apresentaremos nossa experiência como trabalhadora/intercessora de um CAPS-ad do interior do Estado de SP. O Dispositivo Intercessor (DI) é uma ferramenta para a inserção no cotidiano institucional e para a produção do conhecimento (Dispositivo Intercessor como Modo de Produção do Conhecimento - DIMPC) que tem como seus pilares epistemológicos as construções do Materialismo Histórico, da Analise Institucional, da Psicanálise de Lacan e da Filosofia da Diferença de Deleuze. Entre seus objetivos estão a superação micropolítica da divisão do trabalho característica do Modo Capitalista de Produção, entre os que sabem (os acadêmicos/pesquisadores) e os e os que fazem (os técnicos), objetivando a recuperação da práxis . Com nossa inserção orientada pelos princípios éticos da Atenção Psicossocial e do Dispositivo Intercessor, buscamos contribuir para que se produz am mudanças nas posições subjetivas ocupadas pelos trabalhadores deste contexto social no qual estamos inseridos; para que estes possam ocupar o lugar de produtores de novos saberes e de novas práticas. O objetivo do intercessor é dar vazão a movimentos já em curso na instituição, ocupando as brechas do instituído para, a partir daí, possibilitar que construções si ngulares sejam feitas pelos sujeitos da práxis.

Heloísa

Intercessor como modo de produção de saber na práxis:

Bortoletto

Galiego

contribuições para a construção da Atenção Psicossocial no cotidiano das equipes multiprofissionais.

Ariana

Relato de experiência

O grupo de mulheres de pescadores nasceu de um desejo. Ou melhor, de muitos desejos. Aqui descreveremos ao menos dois:

Campana

um era ofertar escuta e acolhimento a estas muitas mulheres que buscavam atendimento no NASF e no CAPS de Camocim-CE. O outro era entrar em contato com a cultura deste território marcado pela pesca. Eram homens e mulheres envolvidos neste ofício milenar e misterioso para uma psicóloga que nasceu e viveu no interior do estado de São Paulo e para um psiquiatra que nasceu em Fortaleza, vivendo a metrópole litorânea sem o contato próximo com a pesca nesta modalidade. Notamos que havia muita dificuldade de vinculação destas mulheres com a esfera da Saúde, embora houvesse aproximações. Elas queixavam-se de dores as mais variadas, desde aquelas compreendidas no espectro físico até as relacionadas ao psíquico. A queixa mais comum era a de que marido saía para pescar no mar, onde permanecia por dias, semanas ou meses, fazendo com que as responsabilidades, que numa relação poderiam ser di vididas, recaiam todas sobre ela, mulher de pescador, o que lhes gerava sofrimento. O grupo aconteceu no intuito de aproxim ação destas mulheres que se viam sozinhas, de apoio mútuo e de acolhimento. Houve troca de experiências, contações de causos e, principalmente, aprendizagens de todos nós sobre a vida vinculada ao mar.

Rodrigues

de um grupo de mulheres de pescadores

AYLAH

CHRISTIE

BELTRÃO

ROSA

Democracia participativ a na saúde:

Processo de implantação da Assembleia no CAPS ad de Santa Maria/DF

O objeto de análise dessa pesquisa foram quatro assembleias realizadas no Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e outras drogas de Santa Maria/DF. Essa pesquisa optou por uma metodologia qualitativa para coletar e analisar os dados por entender que os números são insuficientes para apreender uma realidade social tão complexa. Como técnica de coleta de informações, utilizou-se a observação participativa. Ressalte-se que a Assembleia é um valioso instrumento para a construção de mudanças nos modos de gerir o atendimento ao usuário do serviço público e, em especial, as práticas concernentes à saúde mental, contribuindo, destarte, para tornar o atendimento mais eficaz/efetivo e humanizado, uma vez que prima pela integração paciente/equipe/familiar. A cogestão é um modelo de administração, que inclui o pensar e o fazer coletivo, sendo, portanto uma diretriz ética e política que visa democratizar as relações no campo da saúde. A participação nas assembleias é voluntária e delas fazem parte funcionários do CAPS ad, paciente s e familiares que se encontrarem na instituição no dia e horário nos quais os encontros se realizam. A assembleia foi criada p ara tentar incluir os pacientes na gestão do cotidi ano institucional, oferecendo espaço para que possam se corresponsabilizar pela a dministração, pelo lugar que utilizam e pelo tratam ento que recebem. Essa estratégia visa a uma maior horizontalização das relações de poder dentro do tratamento, um dos objeti vos do processo de reabilitação psicossocial. Caracteriza-se idealmente, como um espaço de exercício e resgate da cidadania. Muitos pacientes e familiares não comparecem as assembleias e parecem ter dificuldade de se responsabilizar pelo próprio tratamento, como se o especialista em saúde fosse o único capaz de decidir sobre a terapêutica. Ainda não existe a consciência social de que os dispositivos de atuação dos pacientes fazem parte do tratamento, na medida em que eles também devem buscar autonomia e empoderamento. O que se percebe é uma dificuldade l atente dos pacientes desta unidade de saúde mental, de se autodeterminarem cidadãos plenos. Notou-se também, no decorrer das observações, uma grande dicotomia entre teoria e prática. Teorizar a implementação da assembleia não é o mesmo que implementá-la e, tampouco,apenas com o planejamento teórico é possível perceber seu real papel como um agente transformador e, assim, estimular a autonomia do paciente. Essa meta, de longo prazo, exige a participação de todos.

BÁRBARA

A musicoterapia como dispositiv o auxiliar na Redução de Danos:

Este trabalho tem como proposta oferecer uma reflexão sobre o uso da musicoterapia como dispositivo de auxílio ao programa de redução de danos a pacientes com problemas de álcool e drogas. Tem-se como hipótese a possibilidade de compreender a musicoterapia como ação clínica capaz de proporcionar uma ressignificação do mundo do paciente. Ao considerar a redução de danos como uma estratégia de tratamento, oficializada pelo Ministério da Saúde em 2005, a possibilidade de compreender a ação clínica como ação política torna-se fundamental, pois a política de RD (redução de danos) tem em seu fundamento a perspectiva de tratar o usuário de drogas sem excluí-lo no que tange sua capacidade de escolha. Uma vez que a escolha diz respeito a própria assunção da apropriação de seu "si-mesmo", a musicoterapia é vista aqui como dispositivo desvelador de "modos-de-ser" que, uma vez retomados ou re-criados, podem servir como meio para uma eventual diminuição ou mesmo eliminação do contato do usuário com a (s) substância (s) nocivas à sua saúde. A fenomenologia, particularmente a fenomenologia heideggeriana e possíveis articulações dela com o campo da ação clínica servem, aqui, como escopo capaz de sustentar teoricamente a questão proposta neste trabalho. Como metodologia, além da reflexão teórica, utiliza-se exemplos clínicos concretos realizados em uma instituição de saúde mental, em Niterói/RJ.

PENTEADO

CABRAL

uma reflexão

fenomenológica

Beatriz

Perfil da população em

Muitos são os fatores motivadores da existência de pessoas em situação de rua, porém está claro que se trata de um fenômeno complexo e multicausal. Atualmente, políticas públicas estão sendo propostas na tentativa dar apoio e suporte de saúde e social às pessoas em situação de rua. Este trabalho teve como objetivo traçar o perfil epidemiológico da população em situação de rua atendida pelo projeto de extensão Cuidando de pessoas em situação de rua . Trata-se de um estudo quantitativo, com análise retrospectiva de fichas cadastrais de moradores de rua atendidos pelo projeto (protocolo comitê de pesquisa n. 405/2010) que está vinculado a uma entidade filantrópica atuante no município há mais de 10 anos. O município sede do projeto possui mais de 200.000 habitantes e destaca-se em vários seguimentos do comércio e em serviços de apoio às empresas e às famílias. Foram avaliadas 73 fichas cadastrais. Os dados mostram qu e a população em situação de rua é composta por hom ens (87,67%), que se encontram na faixa etária entre 30 a 39 anos (34,25%) e que 78,08% possuem renda financeira por meio de atividades não oficiais. Mais da metade da população em estudo possui familiares residentes no município e os motivos que levaram essa população a quebrar os vínculos familiares estão associados a brigas com as pessoas que conviviam, seguidas do uso abusivo de álcool e drogas. Verificou-se que muitas brigas com as famílias ocorreram pelo motivo de estarem desempregados e não conseguirem prover o sustento. Os principais problemas de saúde são o uso abusivo de álcool (38,30%) e drogas ilícitas (21,99%). Observa-se que a população em situação de rua está se tornando cada vez mais evidente e por isso estão sendo implantadas políticas públicas de saúde e de assistência social para garantir o acesso às tecnologias de saúde e assegurar os direitos desta população, porém este tema tem mobilizado, de forma ainda tímida, o poder público e a sociedade civil. Considerando que estes dados foram obtidos por meio de um projeto de extensão, em que acadêmicos da área da saúde envolveram-se com a temática, conclui-se que é indispensável trabalhar questões que envolvem vulnerabilidade tanto de saúde quanto social durante a formação profissional, para que os profissionais de saúde, em especial os enfermeiros, estejam capacitados a atuar diante a desigualdade e exclusão social, atendendo a população em situação de rua com qualidade, de forma integral, humanizada e igualitária.

Farias

Bressan

situação de rua atendida por um projeto de extensão no interior do estado de São Paulo.

Belchior

Megaev entos no Brasil:

No Brasil as praticas políticas estão marcadas pela repressão, pelo clientelismo, pelas medidas populi stas e autoritárias. Passamos por um processo de democratização e reform as sociais bem recente. Contudo, se acirra a vigênc ia dos clássicos mecanismos da acumulação urbana, apropriação do território, a um processo de urbanização sem cidades, com alta carência habitacional. A marginalização urbana (falta de acesso a água, esgoto e coleta de lixo), pressionadas pelas demandas de crescimento demográfico, evidenciam o lento crescim ento das cidades e a veloz expansão das suas margen s, acentuado as precariedade das relações entre moradia e emprego. Há em marcha a constituição de novos mecanismos de espoliação associados á exclusão habitacional. Esta associação entre mecanismo de espoliação e vulnerabilização d a população se constitui de modo perverso, que cria uma relação de apartheid espaço-social para o acesso a cidade. A cidade brasileira passa a ser gerida por uma forma específica de poder coorporativo, representado pelo setores da acumulação urbana, de capital imobiliário, empreiteiro, concessionário e patrimonial, revivendo a sagrada aliança entre os interesses locais, burguesia associada e Estado. Na contemporaneidade, interesse s midiáticos, políticos e financeiros se engendram num amplo processo de configuração da realidade e temos como agregador privilegiado, o futebol, em sua dimensão de entretenimento, dada pela publicidade, pela infraestrutura física implícita em estádios e arenas luxuosos, via publica de acesso, estradas e redes de energia e saneamento ao redor desses estádios, pelos equipamentos de segurança para a contenção de multidões. Ao analisarmos as obras previstas para a Copa do Mundo, em Porto Alegre, podemos mapear que elas compreendem um grande enredo de adequação ao fluxo e transporte de pessoas nas localidades mais estratégicas e imediatas em relação ao evento, mais do que propriamente em benefício de setores territoriais menos favorecidos em termos de infraestrutura básica como saneamento. Muitos movimentos sociais vêm denunciando a segregação do processo político dessas ações com os processos sociais que envolvem comunidades atingidas por essas obras. Esse trabalho visa dar visibilidade a esse novo engendramento de espoliação, problematizando as ações de remoção de populações periféricas e de higienização dos moradores de ruas, com as políticas de saúde mental e segurança no contexto do Programa Crack, é possível vencer.

Puziol

Amaral

articulação entre os nov os mecanismos de espoliação social e as obras da Copa do Mundo em Porto Alegre

Bernardo

O Legislativ o Federal e

O

presente trabalho propõe uma análise de dois dos principais projetos de lei em tramitação no poder legislativo federal

Coldebella

A Lei De Drogas: Uma

(Senado e Câmara dos deputados) sobre temas relacionados às drogas e seus usuários, buscando compreender quais as principais discussões e propostas dos parlamentares. A análise foi feita a partir de uma perspectiva histórica das políticas públicas sobre portadores de transtornos mentais e da luta antimanicomial, refletida na Lei N°10.216/2001, e de uma apreciação das modificações trazidas pela Lei Nº 11.343/2006, que trouxe alterações significativas para o tratamento jurídico dos usuários e dependentes químicos. Para isso buscou-se traçar um panorama da trajetória das políticas públicas concernentes ao tema, bem como da luta pela humanização do tratamento, seguindo então para uma análise de dois projetos de lei específicos (o PLS 111/10 que tramita no Senado, e o PLC 7663/2010 que tramita na Câmara dos deputados). Para alcançar os objetivos da pesquisa, a metodologia utilizada é a análise bibliográfica de obras produzidas no âmbito do movimento antimanicomial e das Ciências Sociais, e análise documental nos textos dos projetos, disponibilizados pelas duas casas. Como resultado preliminar, obteve-se que as políticas de enfrentamento ao crack têm balizado as discussões, que trazem como foco principal a internação compulsória ou involuntária de dependentes químicos.

Análise Dos Projetos De Lei Em Tempos De Discussão Sobre Internação Compulsória

Binô Mauirá

Educação sobre Drogas junto à População em Situação de Rua

O

uso de drogas em locais públicos como a rua institui sociabilidades e terapêuticas, sobretudo quando associado às

Zwetsch

festividades: Oktoberfest, Carnaval, Raves e mesas de bar. Porém, pessoas pobres quando fazem uso de álcool, crack ou outras drogas são estigmatizadas por imagens que alimentam o preconceito e a violência ao invés de cuidado daqueles que vivem em situação de rua.

 

Diante da problemática, elaborar estratégias de educação sobre drogas através da análise de materiais educativos denuncia as imagens e discursos intolerantes.

A

revista em quadrinhos voltada para crianças e adolescentes de Maurício de Sousa Uma história que precisa ter um fim

associa a imagem do traficante ao morador de rua. Enquanto o livro fantástico Zumbis da Pedra de Manuel Soares e Marco Cena ilustra o usuário de crack como o morto-vivo zumbi , assim como elogia os caçadores de zumbis policiais. Na cartilha do Programa Educacional de Resistência às Drogas a vivência de rua é argumento para que adolescentes das escolas afastem-se das drogas e das pessoas que dela fazem uso, provocando a exclusão, expulsão e perseguição. Outra lógica é reduzir riscos e danos operando a educação para autonomia que dialoga democraticamente com usuários, famílias e comunidade. É escutar as experiências de vida envolvendo o sujeito no apoio para que encontre caminhos autônomos de cuidado de si e estímulo para ações coletivas. Assim, sem visar à abstinência da substância, compreende que os saberes envolvidos nos usos produzem o controle dos riscos em relação ao uso da droga e a transformação da realidade vivida pelo sujeito, onde a droga pode ser um de seus aspectos de sofrimento e exclusão.

Braz

A v oz da multidão e o mar

A

minha voz é a voz das ruas! Não é a voz dos gabinetes, das secretarias, dos ministérios! Não chega a ter esses refinamentos,

Geraldo

essa finesse , essa cordialidade hipócrita

Ela é a voz rouca das multidões, onde lideranças surgem, sem serem fixas nem

Peixoto

 

definitivas. Elas simplesmente emergem, dependendo das circunstâncias, submergindo em seguida, para dar lugar a outras lideranças. As vozes das ruas são as nossas vozes! Essa é a voz que eu reconheço! Essa é a minha voz! Aliás, nunca consegui

acreditar nessas vozes de gabinete , do chefe, do que manda! Nunca as considerei coisas sérias, sempre me pareceram um jogo, com uma falsa aparência de honestidade e virtude

A

multidão se parece com o mar que avisto do meu te rraço. Ele está aqui, bem à minha frente! Mas també m está em todos os

outros lugares do mundo! Amo o mar, as ruas e a multidão, igualmente! Existe uma similitude entre eles: a força indomável da ressaca, que explode no refluxo de outras ondas que chegam. São espaços inclassificáveis, sem definição Sou cidadão do mundo! Não acredito nem aceito fronteiras.

Breno

Transv ersalizando Direitos: Desafios da Saúde Mental na Cidade Imperial

O

presente trabalho tem como objetivo compartilhar a experiência da implantação de um Centro de Referência em Direitos

Monteiro

Humanos (CRDH-RJ), de abrangência regional e em consonância com o Plano Nacional de Direitos Humanos - PNDH-3, em uma Organização Não Governamental situado na cidade de Petrópolis. Através de um estudo de caso acompanhado pela equipe interdisciplinar do CRDH, com demanda inicialmente jurídica, descortina-se uma situação emblemática para a efetivação dos direitos humanos, à medida que situações de vulnerabilidade e violação de direitos são configuradas no campo da saúde mental na região serrana. O diferencial da escuta se dá no comprometimento da equipe do CRDH com a abordagem jurídico- psicossocial, considerando a situação singular de cada sujeito e atravessamentos em suas relações socioculturais.

Figueiredo

Bruno de

"Meus Poemas, Sua Ciência"

"Meus poemas, sua ciência" é fruto de um trabalho coletivo do Núcleo de Ampliação à Vida Emancipada - NAVE. Este vídeo é uma obra ficcional, ou não Aqui é retratado o contraste entre dois modos de olhar, um poético e o outro científico. O poeta retratado faz seu mundo sem qualquer vontade ou pretensão de significá-lo ou categorizá-lo. Por isso, vive, sente, e converte suas experiências em poesia. Este filme é dedicado a um artista da rua chamado Mr. Jones. Nosso grupo teve um encontro com ele em meio à cidade. Jones, então, nos afetou, nos moveu a abandonar nossa prim eira idéia de filme e transformou completamente nosso modo de pensar o roteiro. Por isso dedicamos esta obra ao singular modo de vida chamado Jones, que não tem endereço, nem telefone. Além disso, homenageamos aqui dois outros grandes poetas: Fernando Pessoa e Charles Baudelaire - poetas que talvez, nos dias atuais, estariam postos mais à margem da sociedade do que foram à sua época.

Melo

Carneiro

 

Bruno

 

Este trabalho relata a experiência na condução de um Grupo Terapêutico, voltado para a população de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) localizada em Campinas (SP), mais precisamente em um território com alta vulnerabilidade social. O grupo, intitulado Dedo de Prosa , foi pensado inicialmente no contexto do Apoio Matricial, ou seja, nos encontros entre profissionais da Unidade Básica e do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Nos encontros do Matriciamento, as equipes partiram da percepção de que uma grande parte da clientela da UBS buscava auxílio para questões de saúde mental, com predomínio de queixas como ansiedade, depressão, insônia, instabilidade emocional, etc., ou apresentavam queixas somáticas vagas, nas quais uma breve investigação clínica já conduzia a questões psicossociais problemáticas. A proposta do grupo veio então como possibilidade d e trocas de experiências entre os participantes, na s quais eles pudessem se sentir acolhidos e legitimados no seu sofrimento, mas também que o espaço grupal possibilitasse um aprofundamento das queixas, tirando-as de suas descrições sintomáticas e procurando entendê-las a luz do processo de vida de cada um dos participantes. O grupo era conduzido em parceria, coordenado por um profissional do CAPS e um da UBS. O primeiro trazia o olhar especializado da Saúde Mental e da condução de grupos, o segundo detinha um conhecimento fino do território, ou seja, dos contextos de vida de cada um dos participantes. Com o desenvolvimento do grupo, houve a percepção por parte dos coordenadores e um feedback por parte dos participantes de que, através do processo grupal, eles puderam se sentir acolhidos, dispostos a encarar melhor seus problemas e tomar decisões, revendo questões da família, trabalho, relacionamentos e lutos. Constatou-se uma diminuição progressiva no uso de psicotrópicos, em especial de ansiolíticos e antidepressivos, para muitos dos participantes.

Espósito

Grupo Terapêutico na Atenção Básica: Relato de uma experiência

Camila

Ações de redução, orientação e uso racional de medicamento benzodiazepínicos na atenção básica: relatos de experiência de um território de São Bernardo do Campo

A prescrição de medicamentos psicotrópicos há muito tempo já ultrapassou a área de especialidade dos p siquiatras e se transformou num problema de saúde pública. Os benzodiazepínicos são as drogas psicotrópicas mais prescritas no Brasil e no mundo, demonstrando, assim, a carência de critérios bem definidos que justifique a quantidade de pessoas que fazem seu uso (AQUINO, 2008). Há pesquisas que apontam que de 1 a 3% de toda população ocidental já fez uso de benzodiazepínicos regularmente, por pelo menos um ano (Baldessarini, 1995; Huf, Lopes, Rosenfeld, 2000). Por fim, uma pesquisa do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo demonstra que prescrições de benzodiazepínicos são realizadas, em sua maioria por médicos clínicos, para cerca de uma pessoa adul ta em cada dez (CREMESP, 2002). Na contramão dessas práticas abusivas, esse trabalho tem por objetivo apresentar a experiência de alguns serviços de atenção básica um território com alto índice de vulnerabilidade da cidade de São Bernardo do Campo. Para implementação de ações de ações de redução, orientação e uso racional de medicamentos psicotrópicos na atenção básica, algumas ações foram realizadas, a saber: estudo epidemiológico da população atendida em saúde mental na UBS; participação dos grupos de benzodiazepínico do CAPS AD antes da descentralização desses pacientes para as UBS; educação permanente sobre o tema nas equipes de saúde da família; reorganização do fluxo de acolhimento de pacientes que necessitavam de renovação de receitas e faltas constantes e a criação do "grupo de receitas" que tem como objetivo acompanhar, discutir e orientar esses pacientes; criação do grupo de "benzodiazepínicos" na UBS, com a participação da psicóloga, farmacêutica e psiquiatra, a partir de critérios de risco e vulnerabilidade para ingresso no grupo; matriciamento da equipe de saúde mental nas outras UBS que são de referência para discussão com os médicos e enfermeiros sobre a prescrição de psicotrópicos. Como resultado, observa-se uma alta adesão dos pacientes ao grupo de orientação, diminuição do números de pacientes que vinham ao serviço para renovação de receita fora do prazo estipulado e melhor entendimento das equipes de saúde da família, sobretudo em relação aos médicos generalistas o clínicos, em relação à prescrição de psicotrópicos. Como desfio apontamos a necessidade de potencializar ações semelhantes em outros serviços, respeitando a especificidade de cada território, bem como reorganizar o s

Aleixo de

Campos

Av arca

Camila do

Grupo de Conv iv ência:

O trabalho com pacientes psicóticos sempre foi visto como dificultosompelos profissionais da saúde porque gerlamente são pacientes resistentes ao tratamento que geram confl itos por não conseguirem gerenciar suas vidas. No distrito de Três Pontes- Amparo-SP, a equipe de saude da familia, à partir da iniciativa de uma agente comunitária de saúde, ao ver o sofrimento mental de um paciente, com frequentes surtos psicóticos, sem contato familiar e social, mobilizou a equipe em conjunto com a psicóloga a criar um grupo de convivência na USF para aproximar este paciente da equipe afim de assegurar sua continuidade ao tratamento medicamentoso, podendo ser monitorado pelos profissionais da USF, garantindo o controle das crises ao mesmo tempo que se gerasse um espaço para firmar o víncul o positivo com a equipe, resgatar sua autonomia e m otivação, melhorar o contato social, abrindo-se a possibilidade de favorecer vários pacientes com transtornos mentais graves e persistentes, que necessitam de acompanhamento frequente. com o estímulo e apoio de toda a equipe, atualmente o grupo acontece duas vezes por semana com duração de uma hora, na sededa USF Três Pontes, sob a orientação da psicóloga e execução compartilhada entre psicóloga e agentes comunitárias de saúde, conta com frequencia media de 5 pacientes qu e se mantém estabilizados, o que resultou na diminu ição significativa das crises e em uma melhor aceitação junto à comunidade.

Nascimento

O Resgate dos Direitos Humanos para Pacientes Psicóticos na Atenção Básica à Saúde

Camila

PROFISSIONAIS DE CAPSis GERENCIADOS

Objetivo: Descrever e analisar as experiências e contextos de formação e trajetória de vida de trabalhadores de Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenis (CAPSis) e suas relações com o processo de inserção e prática no campo da saúde mental infantojuvenil. Método: Foi aplicado um questionário semi estruturado e entrevistas narrativas em 8 profissionais de diferentes categorias (médico, psicólogo, terapeuta ocupacional, enfermeiro e auxiliar de enfermagem) lotados em 2 CAPSis, um gerenciado diretamente pela Prefeitura e outro por Organização Social de Saúde (OSS) no Município de São Paulo, Brasil. As entrevistas foram transcritas e analisadas de acordo com o método de Schutz. O Referencial Teórico foi construído a partir de diferentes autores que dialogam entre si, dentre eles Dejours e Schwartz, além do que preconiza a Reforma Psiquiátrica. A pesquisa, aprovada pelo Comitê de Ética da Faculdade de Saúde Pública de São Paulo, USP(CAAE:01829512.8.0000.5421), teve o sigilo e a participação voluntária dos sujeitos garantidos mediante TCLE. Resultados: Inicialmente não constituiu objeto de nosso interesse a discussão sobre a formação e a trajetória dos profissionais segundo a natureza gerencial dos CAPSI, entretanto, em função de uma situação emergente do próprio processo investigativo, consideramos que se ria mais adequado e verdadeiro comparar os dois blocos: profissionais dos CAPSis gerenciados pela Prefeitura e pela OSS. Foram marcantes as diferenças entre os dois blocos no que se refere ao perfil profissional, motivações, tipo de formação e sentidos atribuídos ao trabalho. A despeito dessas diferenças, todos os trabalhadores revelam aspectos comuns no que se refere a passagem prévia por hospital, escola ou consultório, de forma que essas instituições marcam a atuação profissional; carência de capacitação oferecida pelos serviços e grande distância entre as necessidades reais do serviço e os treinamentos oferecidos. Conclusão: A formação transcende o espaço técnico no qual ela se delimita inicialmente e se espraia para diversos setores da vida do indivíduo. A tendência atual do mundo do trabalho caminha em sentido oposto às propostas da Reforma Psiquiátrica. Diante da complexidade das propostas de tratamento nos CAPSis e da falta de espaços de discussão e potencialização do trabalho, que deviam ser oferecidos pelas instituições, ambos os grupos de profissionais relatam sentirem-se perdidos e sozinhos.

Junqueira

Muylaert

POR ORGANIZAÇÃO SOCIAL DE SAÚDE E PELA PREFEITURA:

CONVERGÊNCIAS E DIVERGÊNCIAS

Camila

HISTÓRIAS DE VIDA E TRABALHO: POTÊNCIAS E DESAFIOS DA REDE SUBSTITUTIVA DE SAÚDE MENTAL DO MUNICIPIO DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA/SP

Esta pesquisa é um estudo sobre a organização de vida/trabalho, suas formas de precarização, a desigualdade de classe, os excluídos, no caso as pessoas com sofrimento psíquico grave que muitas vezes estão à margem da inserção no trabalho. Desta maneira não enxergamos as possibilidades de crescimento que a inclusão social pelo trabalho pode oferecer e os aspectos positivos relacionados à saúde dos usuários.O objetivo geral da pesquisa é investigar quais as possibilidades de inserção social no trabalho de usuários de um Centro de Atenção Psicossocial. Objetivos específicos: Mapear a rede sócio assistencial municipal e seus recursos disponíveis; Identificar o número de usuários que já foram inseridos em alguma atividade produtiva/trabalho/geração de renda; Realizar encontro com o grupo de participantes identificados para aproximação entre os mesmos e apresentação da pesquisa; Realizar entrevistas para construção das histórias de vida. O método de pesquisa a ser utilizado é de abordagem qualitativa; tipo:pesquisa exploratória. O critério de inclusão para participar da pesquisa é estar com o quadro estável e freqüentar o serviço no mínimo uma vez na semana. A coleta de dados se dá através de observação participante em contato com a realidade do serviço. A partir dos 236 usuários que são atendidos no CAPS II, foi identificado 21 prontuários que a partir daí serão realizados análi se documental dos prontuários dos usuários do servi ço, com descrição e breve histórico de cada usuário. Após a seleção inicial em grupo para apresentação da pesquisa, em outro momento, em abordagem individual, será realizada uma entrevista semi estruturada, através do registro de experiências, da análise crítica dos relatos de histórias de vida (narrativas) dos usuários da pesquisa. Os registros serão capturados através de gravação de áudio de cada entrevista. As entrevistas serão transcritas fidedignamente e a partir das mesmas serão constituídas histórias de vida de cada um dos participantes. Público alvo:Os participantes desta pesquisa serão até 10 usuários do CAPS II, no município de São João da Boa Vista. Resultado esperado: Acredita-se que com os relatos de histórias de vida de cada participante possa subsidiar ações futuras de preparação de um grupo de usuários e constituir cooperativa de trabalhadores em regime de economia solidária em saúde mental no município sede deste estudo. Descritores: Saúde Mental, Trabalho, Autonomia.

Roman

theodoro

Carla

Direitos Humanos, Arte

Direitos Humanos para a Diversidade: criando espaços de arte cultura e educação é um projeto de extensão universitária do Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos. Aclarado pela discussão acerca dos direitos humanos, o projeto utiliza-se da arte e da cultura para promover espaços de formação, criação e emancipação pautadas pelas diretrizes da Política Nacional de Direitos Humanos em equipamentos sociais (Centros de Atenção Psicossocial Saúde Mental e Álcool e outras Drogas e Centro de Referência Especializada da Assistência Social População de Rua), em São Carlos SP, com populações que tem seus direitos violados frequentemente: portadores de transtornos mentais; dependentes químicos e aquelas que têm a rua como morada. Desta forma, o grupo elabora oficinas artísticas para promover a discussão e reflexão acerca dos direitos humanos, visto que a atividade possibilita maior aproximação, a partir da qual é possível aprofundar a leitura das necessidades dos sujeitos e promover uma maior conexão e convivência. A intersetorialidade e a transdisciplinaridade estão na diretriz do aperfeiçoamento das ações realizadas, tendo como foco o respeito à diversidade, a promoção do empoderamento, cidadania ativa e autonomia destes grupos. Busca-se também proporcionar aos estudantes diversas experiências e práticas em linguagens artísticas e culturais com grupos e coletivos que vivem as adversidades do campo social. Metodologia: Através de uma equipe interdisciplinar (coordenadora e técnicas terapeutas ocupacionais, estudantes de terapia ocupacional, imagem e som, psicologia, pedagogia e biblioteconomia), trabalha-se com reuniões ativas de estudo, planejamento, estruturação e avaliação, acontecem também experimentações, ou seja, são vivenciadas as propostas com os artistas parceiros que realizam intervenções artísticas nos equipamentos sociais, utilizando diferentes expressões linguagens artísticas e culturais, tais como, circo (palhaço, malabares), teatro, fanzine, artes plásticas, dança de roda, contação de história, entre outros. Como resultados parciais, obtivemos maior apropriação e criticidade acerca de temáticas dos direitos humanos e da diversidade pelos usuários dos equipamentos, fomentando discussões presentes relevantes ao seu cotidiano, observamos grande expressão de deslocamentos sensíveis, ou seja, expressões singulares e potentes que corroboram com a visibilidade para a arte como recurso disparador de processos singulares.

Regina

Silv a

e Cultura Produzindo Deslocamentos Sensív eis

Carolina

Inclusão produtiv a e

A inserção de jovens no trabalho tem sido objeto de diversos estudos nas últimas décadas. Os resultados desses estudos apontam as condições financeiras da família como um dos principais fatores para o ingresso dos jovens no trabalho. Entretanto, a inserção no trabalho durante o dia aliados aos estudos no período noturno pode comprometer a saúde física e mental dos jovens estudantes trabalhadores. OBJETIVOS: Analisar e descrever algumas mudanças ocorridas na saúde de jovens estudantes após ingresso no trabalho. Método: O estudo foi realizado entre os meses de junho a dezembro de 2011, com 20 jovens entre 14 e 20 anos que trabalhavam durante o dia e estudavam no período noturno, participantes de um programa de inserção no trabalho de uma Organização Não Governamental localizada em São Paulo, Capital. Foram realizados grupos focais com os jovens antes e após dois meses do ingresso no trabalho. Os dados foram analisados segundo análise de conteúdo proposta por Bardin. Os principais fatores relacionados ao ingresso no trabalho foram:

necessidade financeira familiar, crimes e tráfico de drogas no bairro onde residiam, experiência profissional, formação de uma identidade profissional e maior poder de consumo. Os aspectos positivos relatados pelos jovens relacionados ao trabalho foram:

Abilio

repercussões na saúde de jov ens estudantes

experiência profissional, administração do tempo, salário, benefícios como plano de saúde, transporte e alimentação, poder comprar suas próprias coisas, ser reconhecido como trabalhador e não desocupado . Além disso, também foi observado que a extensa jornada diária de trabalho concomitante com os estudos no período noturno prejudicou a saúde mental e física da maioria dos participantes. As principais queixas foram: estresse para corresponder às exigências do trabalho, como: alta demanda, falta de apoio/treinamento e supervisão, substituição de cargos de chefia no período de férias destes, atividades repetitivas, situações de constrangimento no trabalho, falta de reconhecimento e dificuldades para conciliar as atividades pessoais, trabalho, lazer, família e acadêmicas. O ingresso do jovem no trabalho proporcionou um aumento na renda familiar, poder de aquisição de bens de consumo e formação de uma identidade profissional. Entretanto, também foram identificadas repercussões negativas relacionadas à saúde dos participantes. Há necessidade das instituições de capacitação e das empresas incluírem nos programas de inserção de jovens temas relacionados à saúde.

Carolina

A EXPERIÊNCIA DE IMPLANTAÇÃO DO SERVIÇO RESIDENCIAL TERAPÊUTICO PARA EGRESSOS DO HOSPITAL DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO DO ESTADO DA BAHIA (BA):

DESAFIOS, DIFICULDADES E ÊXITOS.

NO BRASIL UM PROCESSO DE REFORMA PSIQUIÁTRICA VEM AVANÇANDO ALICERÇADA NOS CONCEITOS DE DIGNIDADE HUMANA E INSERÇÃO SOCIAL DE PESSOAS COM TRANSTORNOS MENTAIS, CONSOLIDANDO POLÍTICAS ESPECÍFICAS E TRANSFORMANDO A REALIDADE DA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE MENTAL NO PAÍS. NESTE CONTEXTO O MINISTÉRIO DA SAÚDE CRIOU O PROGRAMA DE VOLTA PARA CASA (PVC), INSTITUINDO O SERVIÇO RESIDENCIAL TERAPÊUTICO (SRT) COMO OPÇÃO DE MORADIA PARA PESSOAS QUE ESTIVERAM EM REGIME DE INTERNAÇÃO SUPERIOR A DOIS ANOS E QUE PERDERAM SEUS VÍNCULOS SOCIAIS E FAMILIARES. ENTRE OS BENEFICIÁRIOS DO SERVIÇO ESTÃO OS EGRESSOS DO HOSPITAL DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO (HCTP). O HCTP-BA, VINCULADO À SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA, TEM COMO FUNÇÃO CUSTODIAR E TRATAR, EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA DE SEGURANÇA, PESSOAS PORTADORAS DE TRANSTORNOS MENTAIS QUE COMETERAM DELITOS GRAVES. UMA DAS AÇÕES DO HCTP-BA PARA A DESINSTITUCIONALIZAR AQUELES QUE JÁ HAVIAM CUMPRIDO A MEDIDA DE SEGURANÇA E NÃO POSSUÍAM VÍNCULO FAMILIAR FOI A CRIAÇÃO DE UMA RESIDÊNCIA TERAPÊUTICA (RT) PARA ABRIGÁ-LOS. A RT FOI IMPLANTADA NO MUNICÍPIO DE SALVADOR-BA, NO BAIRRO DO SUBÚRBIO FERROVIÁRIO E ESTÁ VINCULADA AO CAPS II DESTE MESMO BAIRRO. ESTE TRABALHO TEM COMO OBJETIVO PONTUAR AS DIFICULDADES E OS AVANÇOS OBTIDOS PELOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE DO CAPS II NO PROCESSO DE IMPLANTAÇÃO DA RT. TRATA- SE DE UM RELATO DE EXPERIÊNCIA DOS PROFISSIONAIS QUE TIVERAM COMO DESAFIO REINSERIR SOCIALMENTE PORTADORES DE TRANSTORNOS MENTAIS AUTORES DE DELITOS GRAVES E DUPLAMENTE ESTIGMATIZADOS: COMO LOUCOS E CRIMINOSOS. DENTRE AS DIFICULDADES PONTUA-SE: A SIGNIFICATIVA DISTÂNCIA GEOGRÁFICA ENTRE A RT E CAPS; DIFÍCIL ARTICULAÇÃO COM A ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE; CUIDADORES COM DIFICULDADES NO CUIDAR VERSUS ESTIMULAR A AUTONOMIA DOS MORADORES; RESISTÊNCIA INICIAL DE ALGUNS PROFISSIONAIS DO CAPS, EM ATUAR NESTA VERTENTE DO CUIDADO. DENTRE OS AVANÇOS SIGNIFICATIVOS DESTACAMOS: A COMPREENSÃO DOS MORADORES ACERCA DA RT COMO UM LOCAL DE MORADIA; A ACEITAÇÃO DESTES INDIVÍDUOS PELA COMUNIDADE SEM MAIORES RESISTÊNCIAS; INSERÇÃO FINANCEIRA ATRAVÉS DO RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO PAGO PELO PVC; SAÍDA DE UM DOS MORADORES PARA ASSUMIR SUA VIDA FORA DA RT. AINDA QUE DIANTE DE OBSTÁCULOS, OBSERVAMOS A CONCRETIZAÇÃO DA RT COMO IMPORTANTE INSTRUMENTO PARA REINSERÇÃO, NA MEDIDA EM QUE SE PERCEBE RESULTADOS IMPACTANTES NO PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE VÍNCULOS SOCIAIS DAQUELES QUE PERMANECERAM RECLUSOS NO HCTP POR LONGO TEMPO E QUE TIVERAM O VÍNCULO FAMILIAR ROMPIDO.

Santos

Silv a

Carolina

Protagonismo político de usuários de serv iços de saúde mental uma contribuição a partir do Mov imento Britânico de Usuários e Sobrev iv entes.

Este trabalho propõe uma discussão a respeito do papel dos usuários de serviços de saúde mental na construção de políticas e práticas de atenção à saúde mental. A partir de dados empíricos e bibliográficos coletados durante a pesquisa de mestrado da autora, utiliza-se o Movimento Britânico de Usuários e Sobreviventes como um exemplo de protagonismo político de usuários que contrasta com o cenário nacional. Caracteriza-se este movimento em seu contexto histórico-político, apresentando os elementos que tornaram possível sua emergência enquanto ação coletiva e sua sustentação e transformação ao longo dos anos. Entrevistas feitas com usuários ativistas permitiram também apreender os efeitos de subjetivação engendrados a partir do envolvimento com este movimento social. Por fim, discutimos como o caso do Movimento Britânico de Usuários e Sobreviventes pode contribuir para pensar a atuação política de usuários de saúde mental no Brasil.

Seibel

Chassot

Celso

Projeto Exitosos de Residencias Terapauticas em Sorocaba - SP

Projeto realizado pela ATHUS - Associação de Atenção Humanitária à Saúde, uma empresa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, fundada por 44 associados em 10.10.2008, em Sorocaba S.P. A associação tem como propósito a mudança na forma da sociedade ver as pessoas com transtornos mentais, contribuindo deste modo para melhorar a qualidade de vida das mesmas. Para isso, tem a finalidade de prestar assistência às pessoas com transtornos emocionais e psíquicos; realizar campanhas informativas sobre transtornos mentais, com o objetivo de orientar, minimizar preconceitos e estigmas junto à sociedade, familiares e cuidadores; assim como também, de favorecer a participação em eventos culturais, visando humanizar a relação

com os dependentes de tais cuidados. Inicialmente foi disponibilizado para a implantação desse projeto 4 residências, situadas à Rua Antonio Bravo Plaça nº 150, no Condomínio Bella Vista, no Jardim Ipatinga, em Sorocaba, Estado de São Paulo. Dessa forma, a partir de 14 de maio de 2010 foram transferidas 18 moradoras do Hospital Mental Medicina Especializada de Sorocaba. Essas pacientes vieram para as residências, após muitos anos de internação psiquiátrica asilar, algumas delas com mais de 30 anos institucionalizadas. E, dessas 18 moradoras, 10 não possuíam qualquer documento de identificação, eram consideradas dentro da instituição hospitalar como ignoradas. Em novembro de 2012, após vários conflitos com os moradores do condomínio por preconceito ao portador de transtorno mental e elevadas multas financeiras com a justificativa de que se tratava de uma clínica e não de residencia terapêutica, transferimos o nosso projeto para a Rua Mariana Ribeiro de Andrade nº. 93, 101, 112 e 115, no Bairro do Éden. Passado três anos de implantação do projeto, todas as moradoras são consideradas cidadãs, com Rg,

Aparecido

Fattori

Junior

 

CPF, cartão de identidade SUS etc

Elas participam do Projeto de Volta para Casa, com o recebimento de benefício mensal

para custeio dos seus gastos pessoais: roupas, sapatos, adornos femininos, guloseimas, passeios (shopping, cinema,

restaurante

).

Ademais, fazem uso dos direitos de consulta e acompanhamento junto ao CAPS, medicações psiquiátricas através

do Ambulatório de Saúde Mental do Município, de consultas clínicas e medicamentos no Posto de Saúde do bairro. E, quando necessárias, medicações de alto custo através do Conjunto Hospitalar do Município. Enfim!!!!!Um projeto exitoso

Christine

A Clinica de cuidados da criança e do adolescente,

O

Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil (CAPSi) de Ouro Preto oferece cuidados na clínica de saúde mental

Vianna

intersetorial e multidisciplinar.A política de Saúde Mental brasileira, nas duas últimas décadas, passou por transformações e avanços que constituem o atual processo de atendimento. Nesta perspectiva de ampliação do objeto de intervenção proposto, o

Algarv es

Magalhaes

interdisciplinar e multidisciplinar

trabalho ganha novos contornos como, a necessidade de que a esse objeto redesenhado, reconstruído, correspondam novos instrumentos e mecanismos. Assim acontecem as modificações nas práticas terapêuticas. No CAPSi as práticas terapêuticas são realizadas com atividades em grupo e individuais com os usuários e com as famílias. A permanência o cuidado é

multidisciplinar, lúdico e interdisciplinar. As atividades ocorrem dentro e fora do CAPSi, nos distritos e com instituições parceiras com a participação dos profissionais.São realizadas diversas oficinas terapêuticas: oficina de artes, horta, música, jogos e brincadeiras, judô e leitura, bem como atividades em grupo conforme o projeto terapêutico: atividades sensoriais, psicomotricidade, integração, socialização, estimulação da linguagem oral, aprendendo com o lúdico, motricidade orofacial, atividade de vida diária, Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, Detetive, Cirandinha, adolescentes usuários de álcool e outras drogas e Família. As atividades em grupo sempre trabalham com mais de um profissional e de especialidades diferentes, que podem intervir com seus saberes e favorecer o atendimento adequado. Nesse contexto, é fundamental o estabelecimento de laços afetivos para a efetivação das intervenções, seja individual ou em grupo. Na interdisciplinaridade, o que está em questão é um novo saber gerado pelo trabalho conjunto, coletivo, participativo das diversas especificidades em cada intervenção. Assim, torna-se possível uma ética comum, constituindo um olhar transdisciplinar do saber.No CAPSi, criam-se diferentes maneiras para solução dos problemas, de forma a garantir a clínica de cuidados às crianças e adolescentes, desde o acolhimento até o desenvolvimento do PTI. A propost a do CAPSi em desenvolver ações dentro e fora do se rviço, nas escolas, nos PSFs, NASF amplia suas possibilidades e os desa fia a se relacionar com as outras áreas, não se restringindo aos problemas específicos de uma única instituição, e sim, em um território. O trabalho em equipe torna-se essencial na construção de soluções

e

práticas coletivas.

CINTHIA DE

A

importância do grupo

O presente trabalho é resultado da experiência de treino em serviço em um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPS i), no município de Ananindeua PA, este que faz parte do campo de prática do Programa de Residência

CASTRO

de orientação para pais

SANTOS

e

cuidadores em um

Multiprofissional em atenção à Saúde Mental da Universidade Estadual do Pará (UEPA) e Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (FHCGV). Trata-se da vivência da realização de uma grupo com pais e cuidadores dos usuários deste CAPS, que se caracterizava pela orientação dos mesmos sobre o tratamento destes usuários. Este grupo foi originalmente criado por um assistente social do serviço mas durante dois meses foi facilitado pelos residentes assistentes sociai s, psicóloga e enfermeiro. O objetivo do grupo era empoderar os familiares e cuidadores sobre o processo de adoecimento e tratamento, facilitar o melhor manejo possível com o usuário, potencializar boas práticas comunitárias e cidadania, e promover a formação de sujeitos de direitos e multiplicadores de cidadania. O grupo foi realizado de forma sistemática, uma vez por semana durante os meses de março e abril deste ano e facilitado pelos residentes que propuseram um ciclo de palestras. Os temas foram decididos de forma democrática considerando as dúvidas referentes a realidade vivenciada pelos familiares e cuidadores dos usuários, bem como temas que a equipe de facilitadores sugeriam. A partir disto foi realizado pesquisa documental para que fossem catalogados os Códigos internacionais de doença CID, apresentados pelos usuários daquele CAPS, no intuito de eleger critérios de inclusão dos tipos de transtornos mais comuns apresentados por estes. Através dos temas abordados no grupo, como medicalização da infância, entendemos que houve a empoderação dos familiares, cuidadores, como também a desmitificarão de preconceitos, maior envolvimento destes na dinâmica do próprio se rviço, formação de multiplicadores em cidadania, e principalmente pelo esclarecimento acerca do que pode ou não ser considerado um sintoma de transtorno mental, transtornos invasivos do desenvolvimento, doença neurológica ou até mesmo um comportamento comum, criou-se a possibilidade de um melhor manejo com os usuários e a valorização do tratamento e do cuidado destes. Os resultados também são aplicados à equipe técnica deste serviço uma vez que eles também participavam das pa lestras como ouvintes e puderam também se apropriar dos temas como uma forma de capacitação ou atualização de suas práticas

Centro de atenção psicossocial infanto juv enil

Cíntia

REESTRUTURAÇÃO

Este artigo é fruto das reflexões realizadas na Disciplina de Núcleo Relações de Trabalho da Graduação do Curso de Serviço Social. A centralidade da discussão é a precarização do trabalho com ênfase na terceirização com a introdução do neoliberalismo e o processo de produção de acumulação flexível do capital. Palavras-chave: Precarização, Terceirização,

Almeida

PRODUTIVA E OS

Fidelis

REBATIMENTOS PARA

O

TRABALHADOR

Serviço Social.

CONTEMPORÂNEO

Claudete do

 

A área técnica de Saúde Mental do Ministério da Saúde vem trabalhando no sentido de avançar no processo de reforma psiquiátrica. Em 2012 foi instituído pela Portaria Nº 1.306, de 27 de junho de 2012, o Comitê de Mobil ização Social para a Rede de Atenção Psicossocial -RAPS. Vários estados do Brasil estão avançando na inclusão social pelo t rabalho e se articulam em Rede de Saúde Mental e Economia Solidária, somando 660 empreendimentos. A Reabilitação Psicossocial é um importante componente da RAPS, constituem-se de iniciativas de geração de trabalho e renda, empreendimentos solidários e cooperativas sociais. Visam promover a inclusão social pelo trabalho, ampliando a autonomia, o protagonismo e o resgate do poder contratual dos usuários. Há estados, que avançaram pouco, sendo constituídos ainda pelos serviços tradicionais: hospitais, CAPS e ambulatórios especializados. Outro ponto a considerar é o agravamento dos casos de dependência química, pessoas em situação de vulnerabilidade intensa que necessitam de dispositivos de transformação e inserção. A Econ omia Solidária tem se mostrado como uma importante resposta a exclusão so cial, a cooperação e a centralidade do ser humano n as suas ações a aproxima ainda mais da saúde mental. A Gerência de Núcleo de Saúde Mental-GENSAM-AL, realizou em 2012 5 fóruns de Reabilitação Psicossocial debatendo o tema com os CAPS das 10 regiões de saúde do estado de Alagoas (55 CAPS). Em 2013 instituiu a Área Técnica de Reabilitação Psicossocial e deu inicio ao processo de acompanhamento dos empreendimentos. Foi criado o Colegiado de Reabilitação Psicossocial composto por uma representação de usuário e/ou técnico de cada região de saúde do estado, e os Intercâmbios de Experiências entre os CAPS, experiência muito rica de troca, protagonismo dos usuários, aprendizado, convivência, cooperação e fortalecimento das experiências. Foram realizados 4 Intercâmbios de Experiência com a participação de usuários, familiares e profissionai s, aprendemos muito sobre a gestão dos empreendimen tos, técnicas, organização do espaço, articulação e interação entre as pessoas. A GENSAM irá realizar o II Fórum de Reabilitação Psicossocial com o objetivo de avançar na construção da Politica Estadual de Saúde Mental e Economia Solidária. Todo esse processo está em curso para a consolidação da inclusão produtiva dos usuários de saúde mental, crack e outras drogas através da consolidação do direito ao trabalho e da contratualidade social dos usuários.

Amaral Lins

Direitos Humanos e Economia Solidária A gestão na construção de espaços de inclusão social pelo trabalho em Alagoas.

Cleonice

NO OLHO DA RUA:

O

trabalho visa apresentar o perfil da população em situação de rua a partir de uma pesquisa realizada no Albergue I São

Dias dos

Francisco, região metropolitana de São Paulo, entre janeiro e fevereiro de 2007. Como fonte de informação, foi desenhado um instrumental de pesquisa com formato de questionário com perguntas abertas e fechadas, elaborado a partir de informações dos profissionais que atuam no albergue, de forma a respeitar o universo cultural dos usuários.No total foram pesquisados 347 usuários do Albergue I São Francisco, entre homens e mulheres. É fundamental não perder de vista a dimensão da totalidade, ao analisar situações concretas, nas suas particularidades, assim a partir dos dados colhidos e de uma fundamentação teórica foi possível analisar a realidade dessa população, seu perfil, suas características, sua trajetória e seus estigmas, Tendo como centralidade a questão de gênero, trabalho, etnia, escolaridade, vínculos familiares e origem e destino. A pesquisa apresentada engloba a temática sobre o perfil dos usuários do Núcleo de Serviço do Al bergue I São Francisco, onde através dos dados levantados na pesquisa, foi possível a realização de uma análise acerca da realidade dos mesmos.Também poderá ser observado na pesquisa, como a reestruturação produtiva contribuiu para o aumento da miséria, desigualdades e automaticamente, o numero de pessoas em situação de rua. PALAVRAS-CHAVES: Perfil- População em situação de rua- Albergue

Santos

Perfil da população em situação de rua usuárias do Albergue I São Francisco

Cristiana

Transv ersalizando Direitos: desafios da Saúde Mental na cidade Imperial

 

Figueiredo

O

presente trabalho tem como objetivo compartilhar a experiência da implantação de um Centro de Referência em Direitos

Corsini

Humanos (CRDH-RJ), de abrangência regional e em consonância com o Plano Nacional de Direitos Humanos - PNDH-3, em uma Organização Não Governamental situado na cidade de Petrópolis. Através de um estudo de caso acompanhado pela equipe interdisciplinar do CRDH, com demanda inicialmente jurídica,

 

descortina-se uma situação emblemática para a efetivação dos direitos humanos, à medida que situações de vulnerabilidade e violação de direitos são configuradas no campo da saúde mental na região serrana. O diferencial da esc uta se dá no comprometimento da equipe do CRDH com a abordagem jurídico-psicossocial, considerando a situação singular de cada sujeito

e

atravessamentos em suas relações socioculturais.

cristiane

Os excessos da Justiça e os (des)

Diante do inegável desrespeito aos Direitos Humanos das pessoas em cumprimento de penas privativas de liberdade, o presente trabalho busca ressaltar a desassistência à saúde destas pessoas, enfatizando a falta de cuidados aos usuários de álcool e outras drogas que se encontram presos. Traz uma discussão sobre a criminalização do uso de drogas, evidenciando que apesar da Lei de Drogas - Lei 11.343 de 2006, muitos usuários encontram-se em cumprimento de penas privativas de liberdade aludindo para o fato de que não é suficiente a separação entre usuários e traficantes. Na prática, o que a dura realidade do sistema penitenciário brasileiro revela é que um grande contingente de presos são pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Muitos estão em cumprimento de pena por crimes de todos os tipos, muitos crimes praticados pelo abuso ou dependência de drogas, mas, em relação ao crime de tráfico, muitos afirmam serem usuários e terem sido condenados indevidamente como traficantes. Para se garantir que o SUS, a partir de seus princí pios da Integralidade, Equidade e Universalidade, se estendessem à população prisional, sublinha a criação do Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário, que surgi u a partir da cooperação entre o Ministério da Justiça e o Ministério da Saúde. Se tem-se discutido a ampliação das redes de atenção psicossocial, torna-se necessário que os profissionais da saúde mental conheçam e se apropriem das políticas do SUS. Se te m-se evidenciado a importância da articulação inte rsetorial, é preciso colocar em movimento, sair dos serviços de saúde e adentrar outros dispositivos, identificar as populações e ir ao seu encontro para que se possa acessar o público-alvo. No cenário contemporâneo, está posto o desafio de cada vez mais se ofertar aquilo que as pessoas precisam e não aquilo que os profissionais sabem oferecer. Se na Saúde Mental se precon izam trabalhos, ações que promovam a inserção social, a construção de cidadania e a garantia de direitos para os usuários de drogas, é preciso rever estratégias que abarquem as pessoas privadas de liberdade, pois sem dúvida alguma as prisões estão repletas de pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

santos de

souza

 

nogueira

encontros com a Saúde: considerações sobre a atenção a usuários em priv ação de liberdade

Cristiane

A Implantação do Fórum de Cultura de

Introdução: Considerando a implantação do Documento Norteador de Cultura de Paz, Saúde e Cidadania da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, cuja finalidade é auxiliar e orientar os profissionais de saúde em se u cotidiano no cuidado às pessoas em situação de violência, foi instituído no território de Parelheiros o Fórum de Cultura de Paz, Saúde e Cidadania. As ações deste fórum possibilitam aos profissionais elaborar estratégias de trabalho em rede intersetorial para a promoção da saúde e prevenção das violências, fortalecendo a Rede de Atenção Integral de Cuidado às Pessoas em Situação de Violência. Desenvolvimento: Como estratégia de ação foi articulado no espaço do Conselho Tutelar de Parelheiros, o Fórum de discussão profissional intersetorial, onde participam os seguintes atores: Conselho Tutelar, ESF/NASF, CAPSi, CAPS III, SASF, CRAS/CREAS e Educação. As reuniões ocorrem mensalmente com duração de três horas, configurando-se em espaços de discussão de casos, definição de condutas e devolutiva dos mesmos, ações estas voltadas para minimizar o impacto das diversas formas de violência sobre os cidadãos. Como método estabeleceu-se que cada serviço componente da Rede de Cuidados indicasse um profissional de referência para a elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS) compartilhado e intersetorial. Este espaço vem sendo legitimado com a participação do Ministério Público, na presença do Promotor da Vara da Infância do Foro Regional. Considerações Finais: Este Fórum, constitui-se em um espaço de pactuação intersetorial e deliberação de ações integradas de prevenção e atendimento às pessoas em situação de violência, promovendo a Cultura de Paz no território, subsidiando a integração, articulação e fortalecimento dos serviços envolvidos na Rede de Atenção e Cuidado. O tema Gestão do Cuidado e Promoção da Saúde foi amplamente debatido no Curso de Qualificação de Gestores do SUS.

Referências Bibliográficas Cartilha da PNH Clínica Ampliada, Equipe de Referência e Projeto Terapêutico Singular MS, 2007 Documento Norteador para Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência do Município de São Paulo SMS/SP, 2012 GONDIM R. et al (Orgs.) Qualificação de Gestores do SUS. 2. ed. Rio de Janeiro, RJ: EAD/ENSP, 2011

Stoev er

Dacal

Paz no Território de Parelheiros

Cristiane

Sob o olhar da

A expressão musical através de letras de Rap veicula visões de homem e de mundo, possíveis ao transmissor dessas mensagens, em um contexto social estruturado. O que clarament e se evidencia no surgimento deste estilo musical e no movimento cultural, Hip Hop, ao qual intrinsicamente se vincula. Atrela do a isso, tem-se na adolescência, especialmente n as sociedades modernas, a resposta aos papeis sociais potencialmente contestatório. Desse modo, verifica-se nessas músicas, estórias vivenciadas cotidianamente, com predominância, nas localidades periféricas de áreas urbanas e, por pessoas que se situam em condição periférica ao Capital. Particularidade que confere fator de identidade entre aqueles que se vinculam a essa cultura, comunidade . Tal compreensão permite a leitura dessas estórias particulares transcritas em versos, como também, a leitura de um determinado contexto social a partir de um olhar situado em sua periferia. O Hip Hop, enquanto fenômeno cultural, surgido nas ruas do bairro do Bronx em Nova York, foi fruto de uma juventude, ansiosa por se expressar e transformar sua realidade, que estava naquele momento histórico, década de 1970, permeada por lutas raciais e conflitos mundialmente postos. Representativamente, o Hip Hop surge, diferente de outros movimentos juvenis ao longo da história, como um movimento de periferia, que congrega elementos de arte (dança, a rte gráfica, música) e se fundamenta em um sistema consuetudinário baseado na tradição, se alimentando do conhecimento advindo de grandes lideranças do movimento negro (Malcon X e Martin Luther King). Com esse histórico, o Rap tem se apresentado um importante instrumento nas Políticas Pú blicas, em especial na Saúde Mental, para a compreensão do universo simbólico e material dos adolescentes. Assim como, para a emancipação e fortalecimento do protagonismo desses agentes sociais. Ao alicerçar o indivíduo em uma tradição e cultura permeadas de valores axiológicos positivos, favorece ao adolescente a vinculação a uma comunidade identitária, em oposição a fluidez e inconstância propiciada pela atual sociedade de consumo de massa.

Violante

Cruz

adolescência: a música como expressão e construção de si mesmo

Dália Matos

USO E DEPENDÊNCIA DE SUBSTÂNCIA QUIMICA ENTRE A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL QUE VIVE EM ABRIGO

USO E DEPENDÊNCIA DE SUBSTÂNCIA QUIMICA ENTRE A POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE VULNERABILIDADE SOCIAL QUE VIVE EM ABRIGO: SUBSÍDIOS PARA UMA INTERVENÇÃO DE REABILITAÇÃO

Bezerra

Este trabalho é fruto da experiência como educadora social na casa de passagem Adolescente em Brasília-DF , realizada entre 06/2009 a 10/2010. Utilizando procedimentos como escuta individual, atividade de grupo e observação, buscou-se identificar subsídios para intervenção e reabilitação dessa população. Foi possível verificar que há desajustes emocionais entre o usuário e a figura materna e/ou paterna, e esses sã o oriundos da infância e/ou adolescência. A eclosão desses desequilíbrios culmina na adolescência ou fase adulta. Ressalta-se que 88% dos que ali estão referenciados - em uso abusivo de alguma substancia psicoativa ou em situação de rua faziam uso desse espaço em razão desses desajustes emocionais. Pode-se ainda afirmar que há um desconhecimento, por parte dos usuários, de uma política própria, que os respeita como cidadãos e que os consideram na sua totalidade. Uma vez que nem todos fazem uso abusivo de drogas ou possuem relação com a criminalidade, há uma falta de adesão por um tratamento que prime exclusivamente pela abstinência. É fato que eles vivem em situação de vulnerabilidade social, contudo mais do que lhes propor esse tipo de tratamento, é necessário apresentá-los tanto às possibilidades de angariar recursos básicos para so brevivência quanto às estratégias de enfrentamento para aqueles sofrimentos advindos da infância e da adolescência. Para o público que faz uso abusivo de substância química e/ou encontra-se em situação de vulnerabilidade social e de rua, deve-se levar em conta o que afirma o Guia Prático de Matriciamento em Saúde Mental (2011, p. 22), mais importante do que acertar o código diagnóstico, é compreender a situação em suas várias facetas . Assim, acredita-se que a estratégia mais cabível para tratá-los e recuperá-los em todas as áreas, seria a política de redução de danos. Palavras chaves: vulnerabilidade, dependência, psicoativa.

Daniel

NOVOS SETTINGS PARA A PSICOLOGIA :

A abertura de novos campos de trabalho para a Psicologia exige novas práticas e reflexões do fazer psi. O programa Consultório na Rua (CR) do Ministério da Saúde, é um desses novos campos de trabalho. Criado como resposta ao direito à saúde para a População em situação de rua (PSR), o CR visa um cuidado mais equânime, integral e participativo. De forma itinerante e multiprofissional, realizamos intervenções in loco e encaminhamentos para a rede de saúde e intersetorial, visando acessibilidade e autonomia dentro da lógica da redução de danos, da educação popular e da promoção à saúde, no âmbito da atenção básica do SUS. Nessa apresentação procuramos uma primeira sistematização da nossa experiência enquanto psicólogos no CR da cidade de João Pessoa-Pb. Nesse sentido, destacamos o fato do CR ser um serviço itinerante e realizar ações em lugares públicos urbanos abertos à múltiplas (des)territorialidades e (des)encontros, somado à multiprofissionalidade da equipe e às características da PSR que carrega o peso de ser uma das mais emblemáticas expressões da questão social como condicionante de um novo setting terapêutico, impondo novos elementos, que podem servir tanto de potência como de ruína terapêutica, dependendo (em parte) de como os instrumentalizamos clinicamente. Dentre as principais demandas, estão às relacionadas aos estigmas e papeis sociais; aos processos múltiplos de violências; aos transtornos mentais; ao uso abusivo de drogas; e às questões afetivo-existenciais. Consideramos que tais questões demandam um olhar que vá além de uma visão intimista do sujeito e entenda a PSR como um sintoma significativo da contemporaneidade. Por fim, ressaltamos a importância do sentido ético-político do saber instituinte da psicologia para a prática profissional no CR.

Rangel

Curv o

NOTAS SOBRE A ATUAÇÃO PSI NO CONSULTÓRIO NA RUA DE JOÃO PESSOA -Pb

DANIELA

Experiência Viv ida em Serv iço Residencial Terapêutico Morada São Pedro

Vivência em um serviço Residencial terapêutico Morada São Pedro, atualmente temos 49 moradores ex internos do hospital psiquiátrico são pedro, que residem em casas do estado, e são acompanhados por profissionais fazendo sua inserção a sociedade, serviços da rede, enfim a vida como deve ser vivida por todos.

CONCEIÇÃO

FAIET

Daniele

A LOUCURA NA RUA: O

A desinstitucionalização da loucura tem se consolid ado como uma diretriz - em âmbito nacional - que proporciona outro lugar social para os usuários da saúde mental e/ou ex-moradores de instituições psiquiátricas, assim como, direciona outro modelo de cuidado em saúde mental. Em Porto Alegre- RS, o momento é de retomada dos investimentos na desinstitucionalização de moradores do Hospital Psiquiátrico São Pedro, onde hoje, 221 pessoas ainda tem as unidades frias do manicômio como local de moradia. Este trabalho consiste em apresentar as estratégias utilizadas para viabilizar o processo de transição dos usuários da instituição secular para os Serviços Residenciais Terapêuticos já existentes ou os que estão sendo criados. Tarefa de alta complexidade para os trabalhadores da saúde, requer vínculo e aproximação com o usuário, que é o principal protagonista na elaboração de seu Plano Terapêutico Singular. Dentre as estratégias utilizadas, enfatizamos nesta produção o processo de reformulação da atuação dos residentes em Saúde Mental Coletiva tendo como foco na formação em saúde mental, em consonância aos princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica, a desinstitucionalização da loucura como forma de atuação dentro dos hospitais psiquiátricos. Neste contexto, surge o Acompanhamento Terapêutico como principal e potente ferramenta possibilitando tanto o andar nas ruas como a própria ressignificação da vida, dos corpos marcados por anos infindáveis dentro da instituição.

Fraga

Dalmaso

ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO RESGATANDO VIDAS

DAPHNE

Cuidado ou Controle? A Atenção em Saúde Mental a Adolescentes Priv ados de Liberdade

Este trabalho visa discutir, a partir da revisão da literatura e de aspectos de um relato de experiência em uma capital do Brasil, os tratamentos ofertados à população de adolescentes privados de liberdade com algum tipo de sofrimento psíquico. Lança-se mão de um percurso histórico do tratamento em saúde mental para crianças e adolescentes no Brasil e su as relações com a infância abandonada e delinquente, e do tratamento ofertado a adolescentes com transtornos mentais autores de ato infracional. Busca-se analisar quais processos de psiquiatrizaçã o têm se perpetuado e quais dificuldades têm permea do a atenção a adolescentes com sofrimento psíquico autores de ato infracional, diante dos princípios da Reforma Psiquiátrica e da Política de Saúde Mental, especificamente a que está direcionada para essa população. Conclui-se essa discussão apontando-se algumas proposições para a melhoria da atenção em saúde mental à população de adolescentes em privação de liberdade.

OLIVEIRA

SOARES

Dayane

TRASNVERSALIDADE UMA ESTRATEGIA DEMOCRATIZADORA

O

seguinte trabalho tem como objetivo problematizar o compartilhamento de saberes da equipe multidisciplinar em saúde,

Shirley de

numa perspectiva ampla. Para tal, parte do pressuposto de que a equipe multidisciplinar é um grupo de especialistas que trabalham articulados para alcançar um objetivo com um. A relevância deste grupo se dá, mediante o ente ndimento de situações complexas que exigem uma gama de saberes que se com plementam a fim, de dar resolutividade. A complexi dade das situações em alguns momentos provoca impasses no profissional, que não sabe como lidar com essa complexidade, havendo assim, a necessidade de colaboração de outros especialistas, caso contrário, ocorre à fragilidade diante da resolutividade do problema, como também, a individualização e desresponsabilização do trabalho dentro da equipe. É importante entender, que numa mesma situação é possível observar diferentes aspectos e cada uma deles poderá ser mais ou menos relevante em cada momento. Quando ocorre o entendimento e articulação da equipe de modo coeso, o resultado deste trabalho em equipe é muito mais potente, pois atinge o problema em sua complexidade mais ampla, ou seja, cada teoria faz um recorte parcial da realidade. Pecebe-se, que mesmo diante das dificuldades que perpassam o trabalho em equipe, é de suma importância que ocorra através da transversalidade a construção de espaços dialógicos, pois esta dialética constrói possibilidades de resolutividade, como também, enriquecimento.

Lima

Santiago

 

Débora de

Análise dos impactos gerados pelas drogas no contexto de família das cidades do Brasil.

o

presente estudo refere-se a uma pesquisa acerca da dependência química, seus impactos no âmbito familiar, e principalmente

Nov aes

o

papel da família no processo de tratamento do dependente. Partindo do pressuposto de que o campo afetivo determinado

Cruz

pela família implicaria em uma representação específica destas pessoas em relação ao fenômeno das drogas. Assim sendo, o presente trabalho teve como objetivo analisar os dados bibliográficos acerca do assunto e descrever como estes participantes, na sua busca por explicações, soluções e apoio, no meio das suas angústias, sofrimentos, questionamentos, trataram a situação a qual estavam inseridos.

Deborah

Associação de Usuários Familiares e Trabalhadores dos Serv iços de Saúde:

A Associação Arte e Convívio (AAC) constitui-se enquanto um importante espaço ético, estético e político no município de Botucatu, sobretudo para os usuários, familiares e trabalhadores dos serviços de saúde mental. Fundada em 1998, propondo um viés social para às questões dos usuários, iniciou-se enquanto espaço de convivência e geração de rend a, sendo hoje, também Ponto de Cultura e espaço de formação profissional. Pretendemos apresentar e problematizar o trabalho desenvolvido nesta ONG, com oficinas de expressão corporal, dança, teatro, tingimento e estamparia em camisetas, atividades cineclubistas, bem como oficinas de geração de renda como mosaico, encadernação, costura, estamparia digital em camisetas, artes plásticas e brechó. Além disso, cabe ressaltar seu papel político junto à Oficina de Direitos e sobretudo, queremos apresentar o paradigma que norteia nosso trabalho e os benefícios que proporciona a seus participantes reduzindo consideravelmente as internações em hospitais psiquiátricos e ampliando significativamente a rede de inclusão social de seus participantes. Pretendemos, através das rodas de conversas, dialogar sobre o papel das associações de usuários, trabalhadores e familiar rumo ao avanço nas políticas públicas na área da saúde mental.

Mendes

Araújo de

Andrade

Desafios e

Compromissos

Deborah

Casas de Repouso:

A Reforma Psiquiátrica conquistou inegáveis avanços na luta pelo respeito aos Direitos dos usuários da Saúde Mental. Junto ao Movimento da Luta Antimanicomial, fez uma série de denúncias às atrocidades a que eram submetidos os que passavam por

Mendes

Desafios da

Araújo de

Contemporaneidade

internações nos Hospitais Psiquiátricos, e a todas as incalculáveis perdas sociais e subjetivas que so friam. Além do caráter denunciativo, a Reforma Psiquiátrica avançou também na luta pela construção de outro paradigma para a área, referenciado na inclusão das diferenças e na derrubada dos muros (i deológicos, sociais, subjetivos) construídos dentro do modelo manicomial. A aprovação da lei 10.216, em 2001 representou um marco nessa luta, porém sabemos que a construção desse novo modelo, se faz e deve ser reafirmada no dia-dia dos estabelecimentos de atenção à saúde, das famílias, da sociedade. Neste cenário, algumas questões não cessam de se colocar, em espec ial por meio dos familiares que procuram suporte: c omo lidar com o adoecimento psíquico de um ente querido noite e dia, dia e noite? Como incluí-lo e confiar que pode ir mais e além? Como suportar suas crises e dependências? Como evitar que, novamente, a iniciativa privada crie e fortaleça alternativas segregacionaistas? Diante deste contexto, objetivam os apresentar a experiência da cidade de Botucatu, que tem se deparado com o avanço das Casas de Repouso , estabelecimentos privados, que passaram a receber maciçamente pessoas em sofrimento psíquico como seus moradores. Estaríamos diante da construção dos novos manicômios? Conviver com aquele que sofre psiquicamente e que recebeu um diagnóstico psiquiátrico é de fato tão insuportável que é necessário novamente enclausurá-lo? Que alternativas construir nos municípios para interromper este processo? Estas são algumas questões que objetivamos apresentar e discutir neste trabalho.

Andrade

Deborah

A

Reforma Psiquiatrica

Por meio da apresentação do Giramundo: Oficinas e redes em saúde mental , serviço da clinica psicológica Ana Maria

Sereno

e

o papel da

Poppovic da FACHS/PUCSP, este trabalho pretende refletir sobre a potencia da parceria dos serviços de saúde da rede municipal com a universidade; pretende ainda apontar algumas tensões e desafios colocados pela reforma psiquiátrica e para a formação de trabalhadores de saúde mental.

univ ersidade na formação dos trabalhadores de saude

Deise de

Considerações acerca

Trata-se de um posicionamento crítico acerca da internação para dependentes químicos como política pública com fins higienistas e não como um dos procedimentos possíveis na terapêutica com dependentes químicos. Questiona-se a prática massiva e banalizada desta intervenção, especialmente em unidades e equipes pouco preparadas, onde predomina o interesse econômico e violação de direitos humanos. Em 2011, o Conselho Federal de Psicologia, em 2011, realizou inspeção em 68 comunidades terapêuticas e detectou como regra ausência de recursos terapêuticos. O órgão afirmou que são comuns interceptação e violação de correspondências, violência física, castigos, torturas, humilhação, imposição do credo, exigência ilegal de exames clínicos, como o teste de HIV, intimidações, desrespeito à orientação sexual, revista vexatória de familiares e violação da privacidade. Frequentemente, a mídia tem reforçado a internação, minimizando ou desconhecendo as diversas possibilidades de atuação no campo de cuidado de álcool e outras drogas. Medidas desesperadas de intervenção e a representação social da droga como algo demoníaco a ser combatido tem permeado discussões recentes na política e sociedade civil. Observa-se um aumento de clínicas especializadas, através do maior financiamento dessas unidades de base hospitalocêntrica e um enfoque secundário no trabal ho da rede psicossocial. Há que se reforçar a refle xão acerca da clínica ampliada e pensar na internação como um dos procedimentos terapêuticos possíveis, considerando a necessidade individualizada de cada indivíduo e quando se esgot arem os recursos extra-hospitalares, conforme preco niza a lei 10.216/01. Na clínica ampliada as pessoas não se limitam às expre ssões das doenças de que são portadoras. O serviço lida com os usuários enquanto sujeitos buscando sua participação e autonomia no projeto terapêutico. A clínica ampliada exige dos profissionais de saúde um exame permanente dos próprios valores e dos valores em jogo na sociedade.

Almeida

Gomes

da Internação para Dependentes Químicos

DIEGO

Experiencia urbana para além da circulação: Os protestos de junho e o exercício ético de outras formas de mobilidade.

Nos últimos meses o debate sobre concepções de cida de e de uso do espaço público urbano têm se tornado fundamentais a fim de aprofundarmos nossa compreensão a cerca de recentes acontecimentos: as manifestações da população insatisfeita, a princípio com o valor das tarifas do transporte público e intervenções urbanas massivas promovidas pelo poder público (em parceria com o capital privado) no espaço urbano de capitais brasileiras que receberão mega-eventos Copa do Mundo e Olimpíadas. Sabemos que este processo não é recente, que o ideal de uma cidade ordenada remete-nos a utopias da Modernidade, que, paradoxalmente, impõe uma liberdade que se faria ne cessariamente no registro do individualismo liberal , e no controle das massas tomadas como perigo irracional e destrutivo. Desde então, vimos a transformação radical da experiência urbana, que tende cada vez mais a se tornar circunscrita, fecha da nos percursos de um espaço público privatizado e que pretende fazer da cidade lugar de passagem, despotencializando seu caráter político e público. Não obstante, consideramos que a experiência urbana é ainda prenhe de possibilidades disruptivas, que a cidade como lugar do encontro e da hetereogeneidade resiste em meio à dinâmica da circulação e sua pretensão cartesiana de ordenação das forças que nela habitam. No entanto, uma certa ética da mobilidade há que ser discutida e exercitada no cotidiano, para que possamos fazer emergir outras possibilidades de construção de uma cidade em que a liberdade possa ser experimentada em novos percursos e códigos. Dar passagem à experiência urbana requer uma atenção que na circulação tendemos a ignorar, afinal quando os percursos já estão definidos a atitude blasé é suficiente e eficiente. Passa-se pela cidade com o intuito de chegar ileso a um destino, o caminho se torna mera passagem, não nos diz nada ne m nada teremos a dizer dele. O que se perde nessa travessia segura é a força pol ítica da cidade, restando nesta o vazio deixado por corpos apressados, um vazio de descuido a nos interrogar sobre o que esta mos fazendo de nós mesmos.

PEREIRA

FLORES

Edite Lago da Silv a Sena

Grupo de Ajuda Mútua para o Cuidador Familiar da Pessoa com Doença de Alzheimer: um Direito Humano na Contemporaneidade

Introdução: O número de idosos no Brasil representa 11,3% da população total. O aumento da expectativa de vida e a diversidade de problemas sociais inerentes ao envelhecimento tem grande impacto à contemporaneidade, com repercussões à saúde dos idosos e à familiar. Neste contexto se in sere a doença de Alzheimer (DA), que compromete a i ntegridade física, mental e social do idoso, gerando dependência de cuidados de familiares no domicílio. Considerando o aumentado de famílias que se deparam com o cuidado de idosos fragilizados, torna-se questão de direito humano a inserção dos idosos e de seus cuidadores em rede de apoio. Portanto, emergiu o Grupo de Ajuda Mútua para cuidadores de pessoas com Doença de Alzheimer (GAM), um Projeto de Extensão na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) Jequié. Este estudo objetiva relatar a experiência vivenciada na condução do GAM. Metodologia: Trata-se de relato de experiência das atividades do GAM (julho de 2012 a junho de 2013): reuniões, e m que se compartilham vivências cotidianas pessoais e como cuidadores; abordagem temática relacionada a cuidados da pessoa com DA e à saúde dos cuidadores; visitas domiciliares ao cuidador- pessoa cuidada; informações sobre a DA e cuidados às pessoas com DA e a seus cuidadores; avaliação dialógica no grupo; dinâmicas de abertura e encerramento das reuniões, descontração e lanche; organização do Simpósio anual sobre DA. Resultados e Discussão: produção de conhecimento científico sobre a DA, estratégias de cuidado, novos medicamentos para a DA e outros; expressão vivencial sobre enfrentamentos diários; integração social; construção de rede de suporte social; constituição de identidade do grupo; compartilhamento de saberes e experiências entre cuidadores mais antigos e mais recentes, com dicas às situações emergentes, retomando formas de agir quando o familiar apresenta sintomas similares. Assim, o GAM constitui ambiente cujas relações de confiança possibilitam a livre expressão de sentimentos e o compartilhar vivencial. Conclusão: Os cuidadores demonstram interesse pela continuidade do GAM, consideram o grupo um suporte ao cuidado de si e do outro. Portanto, é evidente o impacto do GAM na comunidade, pois constitui espaço de convivência e compartilhamento de saberes relativos a cuidados convencionais e alternativos. Além de ser veículo de esclarecimento à população sobre direitos e benefícios das pessoas com DA. Palavras-chave: Envelhecimento. Saúde Mental. Direitos Humanos.

Eduardo

Arte, Loucura e Cultura:

O propósito do presente trabalho é buscar uma probl ematização das relações entre arte, cultura e loucura no campo da saúde mental no contemporâneo, de modo a investigar o impacto das experiências artísticas e culturais na transformação da relação social com a loucura e o diferente, produzindo um novo lugar social para a loucura e o sofrimento mental que escape à noção de patologia e erro. Para tal, é de grande importância a discussão de conceitos como o de Diversidade Cultural (AMARANTE, 2010) e o de Empresa Social (ROTELLI, 2000), em que a Reforma Psiquiátrica é entendida como um processo de mudança cultural para além da organização de serviços e estratégias de assistência em saúde e saúde mental, podendo ser pensada como atingindo sua expressão plena na democracia quando integra transformações em múltiplas dimensões, dentre elas a dimensão sócio-cultural, na luta por romper com os manicômios mentais (PELBART, 1986) e produzir cidadania e inclusão social. Nesse sentido, torna-se decisivo promover formas de desnaturalizar os mecanismos de medicalização e psiquiatrização da vida, que nos levam à reprodução de subjetividades mortificadas e a uma cultura segregativa e excludente, alimentando a indústria da loucura (CORDEIRO, 1986). Do mesmo modo, as experiências artísticas e culturais no campo da saúde mental não podem ser capturadas ou simplificadas como recurso terapêutico ou intervenção clínica , pois são dispositivos de transformação política. A arte e a potência de criação (DELEUZE, 1988) não podem ser reduzidas a um planejamento normativo ou a uma regulamentação institucional, na medida em que funcionam para a construção de novas formas de relação com a loucura e o sofrimento mental próprias da expansão de sociabilidades solidárias e antimanicomiais. Em verdade, constituem-se como elementos de nosso questionamento sobre os antagonismos normal-anormal, e saúde mental-doença mental (SACKS, 1988), que submetidos à desconstrução se revelam como mant enedores de uma lógica perversa que produz adoecime nto e relações fascistas. Em outras palavras, a experiência artística e estética é possível para além do controle burocrático e do escopo assistencial ou médico-psicológico, e neste sentido busca produzir vida e saúde, ao mesmo tempo em que produz interferência política na Produção de Subjetividades (GUATTARI, 1987), isto é, de formas de pensar e sentir que nos levem ao questionamento do lugar de normais, permitindo o direito à diversidade e à diferença.

Torre

da despsiquiatrização da v ida à Reforma Psiquiátrica como Empresa Social

ELISA

Atenção básica e

Este trabalho objetiva analisar os efeitos de um processo de intervenção em uma UBS localizada no bairro da Brasilândia em São Paulo, que compõe as atividades e projetos do convênio firmado entre a Secretaria de Saúde do município e a PUC-SP, por meio do Pró-Saúde, com desdobramentos no projeto desenvolvido hoje pelo PET-Saúde. A intervenção objetiva a qualificação do cuidado em saúde mental no território via ações da ESF, da rede de serviços especializados em saúde mental e de demais serviços da rede de saúde e das outras políticas públicas na região. A intervenção tem apostado na presença e no trabalho conjunto em reuniões das equipes de PSF da Unidade, nas quais buscamos produzir tensões em relação a concepções em saúde mental que necessitam ser superadas. Além disso, buscamos interromper processos de trabalho que impedem a construção de ações em relação aos casos de saúde mental e suas famílias que caracterizem construção e efetivação de Projetos Terapêuticos Singulares. Buscamos acompanhar, junto a agentes comunitários e NASF, casos que envolvem situações graves de saúde mental, buscando operar intervenções com continuidade de cuidado e orientação por projetos terapêuticos, priorizando estrategicamente situações que requerem articulação de rede e que envolvam usuários abusivos de álcool e/ou outras drogas. Temos construído oficinas envolvendo a Unidade e os serviços de saúde mental nela referenciados, além do NASF, com vistas a discutir o processo de trabalho no cuidado em saúde mental pela rede. Percebe-se que a atenção básica concentra um grande desafio em relação aos avanços necessários à Reforma Psiquiátrica, lidando com a alta complexidade do cuidado em saúde mental, o que requer políticas e ações prioritária s. Os casos mais graves em saúde mental encontram-se no território e não acessam nem tem condição de se aproximar da rede espe cializada de saúde mental. É preciso que os Projetos Terapêuticos prop ostos nos serviços especializados se desdobrem em t ransformações na vida cotidiana do sujeito em seu território, para o que o cuidado em rede junto com a atenção básica é fundamental. Esse parece ser hoje um desafio essencial e temos apontado que os melhores projetos de cuidado oferecidos pelos serviços são aqueles construídos a partir dos itinerários percorridos pelos sujeitos em seu território, para o que a articulação com a atenção básica é fundamental.

ZANERATTO

ROSA

cuidado em saúde mental no território: um desafio para a Reforma Psiquiátrica.

Ellayne

SAÚDE MENTAL E CONFIGURAÇÕES

Este estudo apresenta brevemente a trajetória histórica da família brasileira, destacando as velhas e novas configurações familiares, além de mostrar a família no contexto da Reforma Psiquiátrica, que deslocam os papéis e lugares dos diferentes grupos familiares na direção do processo de inserção comunitária das pessoas com transtornos mentais (PCTM). A família brasileira tem suas características moldadas pelo momento histórico, político e econômico que viveu o país. Deste modo, é importante mencionar o papel da família no período colonial, que conforme Rosa (2008) era chefiada pelo homem, e englobava o casal, seus filhos e outros parentes. Família esta denominada enquanto Patriarcal, que reservava às mulheres os afazeres domésticos, sendo esta totalmente submissa ao marido. No entanto, com as mudanças oriundas do processo de urbanização e industrialização tal formato familiar também foi sendo modificado, principalmente pelas novas funções exercidas pela figura feminina, com sua entrada no mercado de trabalho e nas universidades. Com essa nova concepção de família, a mulher antes designada para o cuidado do lar e dos filhos, é reconhecida como partícipe do meio social e passa a ajudar no sustento da casa, junto com o homem, além de ter o poder decisório na geração dos filhos, conquistados pela Constituição de 1988. Desta feita, multiplicam-se os tipos de configurações familiares, denominadas por Dias (2007) como famílias plurais, resultante da multiplicidade das relações parentais, sobretudo as promovidas pelo divórcio. No que tange aos familiares de PCTM, acrescenta-se as modificações conquistadas com a Reforma Psiquiátrica. Esta refletiu diretamente na organização familiar e atribuição de tarefas, e que no dia-a-dia aparecem como exigências à forma de lidar com situações como o preconceito, o manejo e os conflitos cotidianos. A potencialização da família no lidar cotidiano é resultante do reconhecimento desta como sendo protagonista e principal parceira dos serviços no provimento de cuidado à PCTM, além de ser requisitada como principal elo de reconstrução de estímulos sociais e permanência nos espaços públicos das diferentes Políticas Públicas. Assim, verifica-se de grande relevância a nova visão das famílias trazidas pelas mudanças históricas, sobretudo acerca da atuação dos familiares de PCTM, tendo em vista que o contexto atual busca a permanência do elo sócio familiar, o cuidado e a cidadania. Palavras chave: Família, Transtorno Mental, PCTM.

Karoline

Bezerra da

 

Silv a

FAMILIARES: uma perspectiv a histórica

ELZA

O Cuidado Domiciliar

Introdução: No Brasil, 39 milhões de pessoas necessitam ou irão necessitar de atendimento em saúde mental, no qual 12% desta apresentam fatores agravantes para o desenvolvimento de transtornos mentais (BRASIL, 2013). A visita domiciliar (VD) contribui para identificar precocemente estes fatores, permitindo avaliar as condições psicossociais, demográficas e familiares e estabelecendo assim, estratégias de cuidado preventivo (BOTTI; ANDRADE, 2008). Objetivo: Identificar as mudanças e as percepções ocorridas em famílias após receberem VD com foco na prevenção de transtornos mentais. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa descritiva exploratória com abordagem qualitativa. Os dados foram coletados com 13 famílias atendidas pelo projeto de extensão Cuidando de Famílias na Comunidade: Um olhar para saúde mental . As questões norteadoras foram: 1) De acordo com os cuidados recebidos na realização das VD, por meio do projeto, houve mudança no cotidi ano familiar ou individual dos membros da família? Se sim, quais as mudanças que você percebeu dentro do contexto familiar ou individual? 2) Como foi para você receber as VD como forma de cuidado em saúde mental? O tratamento dos dados foi por meio da análise de conteúdo (BARDIN, 2011). Resultados: As categorias emergidas foram: A VD como ferramenta de mudança no contexto familiar e Compreendendo a VD como uma forma de cuidado familiar . A VD permite a inserção profissional no contexto familiar contribuindo no planejamento de ações de cuidado integrais e resolutivas, envolvendo todos os membros da família, valorizando as queixas dos usuários, buscando identificar suas necessidades e respeitando a subjetividade de cada família e indivíduo. Este cuidado baseado nas necessidades demonstradas pelos indivíduos pode favorecer o estabelecimento de autonomia possibilitando a prevenção dos fatores determinantes que acometem o adoecimento fazendo com que o sujeito expresse seus sentimentos e angústias por meio da escuta qualificada e, com isto melhorando o seu convívio familiar e social. Conclusão: Evidencia-se que a VD proporciona mudanças caracterizadas por novas atitudes tomadas em busca da melhoria da qualidade de vida, reestruturando o pensar sobre o cotidiano familiar e pela concepção de responsabilidade no autocuidado. O enfermeiro deve compreender sobre o cuidado preventivo em saúde mental e/ou (re) pensar sobre a importância da VD para esta assistência, no qual a promoção e a prevenção é o foco.

MONTEIRO

DA SILVA

com Foco na Prev enção de Transtornos Mentais

Emanuella

Uso abusiv o dos

Pretende-se debater sobre a medicalização da mulher na sociedade contemporânea. Ressaltando que a violência contra a mulher é um dos fatores determinantes do sofrimento psíquico. Será que a atual rede de assistência à saúde da mulher está realmente capacitada para ajudá-las? As mulheres no Brasil tiveram importantes conquistas como a Lei Maria da Penha e as delegacias especializadas. No entanto, muitas ainda vivem à sombra de uma afirmação cultural estereoti pada, sendo limitadas a adotar papéis que lhes são atribuídos historicamente, de acordo com uma sociedade machista e opressora. O que tem repercutido em um fenômeno atual e evidente, no qual constatamos em dados estatísticos que as mulheres estão mais sujeitas ao uso dos benzodiazepínicos que os homens. Resultado da sobrecarga de atividades estressantes em tempo integral como, por exemplo, o trabalho externo, o cuidado dos filhos e da casa, acrescido em muitos casos a situações de violência doméstica. Estudos apontam que a violência tornam as mulheres mais suscetíveis a sofrerem dos nervos , como denominam alguns estudiosos. Tais fatores não são levados em conta no momento do atendimento médico, o que resulta é um número crescente de mulheres sendo submetidas ao uso de tranqüilizantes como forma de suportar as dificuldades de seu dia a dia. A exposição ao uso do medicamento denuncia um elevado conformismo em relação aos problemas que seriam na verdade de outra ordem, e não meramente problemas químicos. O benzodiazepinico é um tranqüilizante que vem sendo usado de forma indiscriminada e que é oferecido como meio de silenciar as angústias e necessidades das mulheres. O medicamento esta se ndo um apaziguador frente as tensões que existem no universo feminino, culpabilizando a mulher pois individualiza o que é social. Notamos que o sistema de saúde não atende às especificidades da mulher, estando voltado para seus aspectos físicos e biológicos, perpetuando situações de violência. Ao concentra-se em partes cada vez menores do corpo, a medicina moderna perde freqüentemente de vista o sujeito, reduzindo a saúde a um funcionamento mecânico. Aponta-se que para o cuidado integralizado da mulher é importante observar os determinantes sociais envolvidos no processo saúde/doença. Direcionando as ações nas políticas públicas e modificando a conduta profissional em saúde junto a mulher usuária do benzodiazepinico objetivando destituilo de seu atual papel de muleta social.

Cajado

Joca

benzodiazepínicos na contemporaneidade e a v iolência contra a mulher

Ester Maria Oliv eira de Sousa

Os Desafios do Trabalho em Rede na Clinica Álcool e outras drogas na Amazônia

Relato de experiência profissional sobre os desafios cotidianos na atenção aos usuários de álcool e outras drogas no CAPS Ad II, localizado no município de Belém. Que vai desde a compreensão da Gestão sobre o funcionamento de um CAPS AD até aos impasses na realização de um trabalho articulado em rede, que exige uma rede intersetorial em saúde mental. Realidade vivenciada na capital do estado do Pará: ausência de retaguarda em leitos, abrigos, serviços residenciais terapêuticos, entre outros dispositivos de cuidados necessários.

Esther Pinto

Representação das mulheres negras:

O presente artigo é resultado da pesquisa do Programa de Iniciação Científica- Ações Afirmativas(ProIC) da Universidade de Brasília(UnB) e faz parte do Projeto de Pesquisa: Narrativas e a construção da identidade de gênero e raça, coordenado pela professora Edileuza Penha de Souza. Como objeto de estudo, analiso tipos de representações atribuídos às mulheres negras em duas campanhas publicitárias sobre planejamento familiar, produzidas e veiculadas pelo Ministério da Saúde no período de 2007 a 2012. Nas peças identifiquei estereótipos socialmente construídos em relação às mulheres negras, colocando-as unicamente como mães solteiras e jovens. Entendo que a produção e veiculação dessas propagandas estruturadas por um órgão estatal, ocasiona o Racismo Institucional.

Lima

propagandas v eiculadas pelo Ministério da Saúde, uma análise histórico- cultural acerca da identidade.

Eufrazia dos

Desafios das praticas clínicas em um serv iço residencial terapêutico

Este trabalho traz uma reflexão sobre o cuidar em saúde nos dispositivos de Saúde Mental denominada Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT).O Morada São Pedro, implantado a partir de uma ação conjunta da Secretaria Estadual de Saúde e Habitação do Estado do Rio Grande do Sul. Saraceno (1999) nos traz importantes considerações ao apontar que a reabilitação psicossocial é uma prática a ser teorizada.Nesse contexto, insere-se este trabalho de uma equipe interdisciplinar em Saúde Mental, nas práticas clínicas, na relação do cuidar, nas convicções que nos desestabilizam e trazem questões, que nos remetem a perguntar se essas práticas produzem a au tonomia?Uma das situações que me colocou diante de um impasse, deu-se por ocasião da dificuldade de uma moradora de realizar a limpeza das paredes de sua casa. Nesta passagem, pergunta-se qual o limite entre o fazer clínico e a necessidade de habilitar o outro para um novo cotidiano que se apresenta du rante o processo de reabilitação.Neste cenário, o vínculo, a disponi bilidade e a sintonia com as necessidades do acompa nhado, se apresentam como ferramentas no modo de lidar com o cotidiano, são indispensáveis em um cenário de práticas que deixam em suspenso o setting em quatro paredes para settings que se de slocam para o território. Saliento a necessidade de estarmos atentos na dicotomia investir/recuar no momento em que aspectos singulares do morador emergem na relação terapêutica e na necessidade de repensarmos nossas práticas.

Santos

Diogo

Dahlstron

 

Euzilene da

Masmorras manicomiais da Clínica Santa Isabel:

No Espírito Santo, diferentes movimentos sociais e estudantis, entidades profissionais e o Conselho Estadual de Direitos Humanos têm demonstrado resistência aos hospitais manicomiais que insistem em práticas adoecedoras, que violam direitos sociais. Um dos grandes manicômios do país, que mantém o processo de hospitalização como principal forma de tratam ento, é a Clínica de Repouso Santa Isabel, em Cachoeiro de Itapemirim/ES. Esta clínica possui cerca de 400 leitos conveniados ao SUS pela Secretaria de Estado da Saúde (SESA). Contudo existem inúmeras denúncias de violência, maus tratos, punições, falta de tratamento adequado, bem como de torturas e mortes nesta clínica. Diferentes Conselhos Profissionais reprovam as instalações e o tratamento lá dispensado, tendo feito, junto ao Ministério Público, recomendações para mudanças. Foi então que a SESA, apoiada pela Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, chamou profissionais e estudantes para a realização do Censo dos internados na Clínica Santa Isabel em março de 2013, para que planejamentos e encaminhamentos pudessem ser realizados. Participaram do censo cerca de 60 pessoas, dentre estudantes e profissionais atuantes na área de saúde mental, profissionais da coordenação estadual de saúde mental e do Ministério Público Estadual. Cada grupo (com pelo menos um profissional e alguns estudantes) trabalhou em uma das 6 alas da clínica (4 masculinas e 2 femininas). Foram analisados todos os prontuários e realizadas entrevistas com pessoas lá internadas na época, com preenchimento do formulário elaborado pela SESA. Na realização do trabalho, logo percebeu-se que os prontuários não continham informações básicas como documento pessoal e proposta de projeto terapêutico. Estes prontuários continham dados repetitivos com ênfase no tratamento medicamentoso, sem registro de melhora ou de atividade terapêutica. Durante as entrevistas eram visíveis o sofrimento e os sentimentos de angustia e revolta de muitos lá internados. Alguns residem naquele espaço, outros são re-internados com bastante freqüência, sem conhecer o cuidado na rede de serviços, e muitos já se encontram de alta médi ca. O censo realizado neste manicômio reafirma a importância da luta cotidiana por uma sociedade sem manicômios para que todos possam ter acesso ao cuidado no território, em serviços extra-hospitalares, fora das masmorras da clínica Santa Isabel.

Silv a

Rodrigues

Venâncio

mov imentos de resistência

Ev andro

VIVENDO, CONVIVENDO E ME CONHECENDO

MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA DAS A MISSÃO NOVA ESPERANÇA É UMA ONG QUE TEM COMO MISSÃO, CONTRIBUIR COM A PESSOAS QUE VIVE M E CONVIVEM COM A AIDS, EM ESPECIAL AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES. LOCALIZADA NA CIDADE DE JOÃO PESSOA NA PARAÍBA, EXITE HÁ DOZE ANOS. O PROJETO VIVENDO, CONVIVENDO E ME CONHECENDO , TRABALHA COM ADOLESCENTES QUE VIVEM E CONVIVEM HIV/AIDS, E QUE SÃO ACOMPANHADOS (AS) PELA ONG. TRABALHAMOS TEMAS COMO: GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA, DIREITOS HUMANOS, PREVENÇÃO DAS DST/AIDS, EDUCAÇÃO SEXUAL, GENERO, REDUÇÃO DE DANOS, USO INDEVIDO DE DROGAS E VIOLENCIA. SÃO OBJETIVOS: EDUCAÇÃO SEXUAL E PREVENTIVA AS DST/AIDS E HV; SENSIBILIZAÇÃO NUM PROCESSO LÚDICO EDUCATIVO; CONHECIMENTO DO CORPO; ACESSO AS INFORMAÇÕES PARA A VIVENCIA DA SEXUALIDADE DE FORMA SEGURA E SAUDÁVEL; DESMISTIFICAÇÃO DE TABUS E PRECONCEITOS; PREVENÇÃO A GRAVIDEZ NÃO PLANEJADA; ORIENTAÇÃO E PREVENÇÃO A EXPLORAÇÃO SEXUAL E DIREITOS HUMANOS, COMERCIO INFANTO JUVENIL E MÉTODOS CONTRACEPTIVOS. É UTILIZADA A METODOLOGIA PARTICIPATIVA ONDE OS (AS) PRÓPRIOS (AS) ADOLESCENTES CONSTROEM O DESENVOLVIMENTO DO PROJETO E SÃO UTILIZADOS COMO ESTRATEGIAS:

DINÂMICAS, JOGOS, DESENHOS, RODA DE CONVERSA ENTRE OUTROS. OBSERVAMOS QUE DURANTE CADA ENCONTRO OS (AS) ADOLESCENTES CONSEGUEM TER APROPRIAÇÃO E CONHECIMENTO ACERCA DOS ASSUNTOS ABORDADOS DENTRO DO SEU ENTENDIMENTO, ADQUIREM UM NOVO OLHAR SOBRE VIVER E CONVIVER COM A SOROLOGIA POSITIVA, DE FORMA COMUM E HUMANA, VALORIZANDO SEU PRÓPRIO CORPO, SEXO E SEXUALIDADE. PODEMOS CONCLUIR QUE CUIDADO E PREVENÇÃO É MUITO MAIS QUE UM TRABALHO TECNICO-TEORICO, É UM TRABALHO DE EDUCAÇÃO INCLUSIVA QUE VISA A MUDANÇA DE COMPORTAMENTO E DA FORMA DE PENSAR E AGIR DOS INDIVÍDUOS ENVOLVIDOS DIRETAMENTE E INDIRETAMENTE. POREM, PREVENIR-SE DAS DST/AIDS E HV, VIOLÊNCIA E USO ABUSIVO DE DROGAS NÃO É FRUTO APENAS DA AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTOS E DO DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES E ATITUDES INDIVIDUAIS, MAS DIZ RESPEITO TAMBÉM A FATORES SOCIAIS E PROGRAMÁTICOS.

Batista de

Almeida

 

Fernanda Mara da Silv a Lima

Inserção Social pela Escola

Esta é uma pesquisa da Universidade Federal de São João Del-Rei, Minas Gerais, em parceria com uma Escola Estadual da cidade que tem como proposta a educação inclusiva do aluno psicótico. O objetivo é a inclusão social e, portanto, a inserção escolar, dos psicóticos, e para sustentar sua importância citaremos a Saúde Mental e a Educação. A Saúde Mental a partir das coordenadas da Reforma Psiquiátrica Brasileira luta pela inclusão social das pessoas com intenso sofrimento psíquico. Além disso, a Política Nacional de Educação Inclusiva orientada pela Declaração de Salamanca preconiza a inclusão de pessoas com necessidades educativas especiais (neste grupo estão incluídos os psicóticos). A metodologia será qualitativa a partir de estudo de caso. Partimos do referencial psicanalítico com a leitura da obra de Sigmund Freud, do ensino de Jacques Lacan e seus comentadores. Testemunhamos no contato com os sujeitos psicóticos que tudo o que possa vir a presentificar o desejo do Outro, o olhar e a voz, é vivido como pura invasão. Parece que diante deste Outro que se constitui para eles como intrusivo é n ecessário um trabalho, isto é, um posicionamento de proteção diante do que provém do Outro. Daí decorrer a rica fenomenologia com a qual nos deparamos nesta clínica: a ausência de fala, a relação singular com o corpo, o não endereçamento do olhar, os ditos distúrbios alimentares, o rechaço ao Outro. Diante deste funcionamento específico do sujeito psicótico, propomos a extensão da psicanálise ao cotidiano escolar como um trabalho de mediação que busca auxiliar estas crianças e adolescentes na inserção social na escola. Apresentaremos situações clínicas em que testemunhamos como cada criança e adolescente seguiu na direção da construção de um laço possível com a escola que teve por objetivo o aprendizado. Nossa proposta é acompanhar cada criança e adolescentes nas suas particulares formas inventivas de construir possibilidades de inserção escolar para tanto propomos o um trabalho que auxilie neste processo: a mediação escolar.

Fernando

Expressões de Loucura e Cultura: Pensar a Div ersidade

Este trabalho discute a partir da vida e obra de Antonin ARTAUD(1896-1948), pensador francês, o significado da "Loucura" no mundo contemporâneo, face à diversidade cultural. Denunciar esse estado e as práticas a ele associada s, é fundamental para salvaguardar os Direitos Humanos daqueles vitimados pelos internamentos psiquiátricos e estigmatizados pelos diagnósticos clínicos. Algumas produções artísticas foram reunidas em diferentes gêneros, procurando contrariar a ideia do "esvaziamento mental" dos insanos e a sua "debilidade irremediável". O Trato desses viventes que sobreviveram à ignomínia da loucura, confirma a inadequação do processo. Leitora de ARTAUD, Nise da Silveira(1905-1999), consagra-lhe excelentes notas, representativas do seu trabalho pioneiro no antigo hospício nacional de alienados. O trabalho busca no resgate histórico, a oportunidade de refletir a contempora-neidade do tema, atualizando-o.

Antonio

Domingos

Lins

 

Fernando

Por entre mãos que

No Espírito Santo, desde janeiro de 2013, diversas organizações e movimentos sociais vêm se reunindo n o denominado Movimento Cidadão em Defesa dos Direitos Humanos, para problematizar o modo autoritário e verticalizado de gestão governamental na implantação e financiamento das po líticas sociais capixabas. As discussões e análises que efetuamos têm se desdobrado em ações críticas, consonantes com o entendimento de que a mobilização popular tem um importante papel histórico na produção de mudanças sociais. Este trabalho foca suas análises na implantação da Rede Abraço pelo Governo do ES, como modelo privilegiado de atenção aos usuários de álcool e outras drogas. Esta consiste numa proposta de investimento em ações paralelas ao que vem sendo construído no âmbito do SUS, por meio da contratação de vagas para internação em Comunidades Terapêuticas, com evidente enfoque religioso e estruturas precárias para um efetivo tratamento e garantia de direitos. O projeto foi baseado na experiência do Estado de Alagoas, detentor dos piores índices nacionais de homicídios, sem qualquer estudo técnico-científico que comprove sua eficácia, eficiência e efetividade social. O mesmo será desenvolvido diretamente pela Secretaria de Governo do ES, por meio da Coordenação sobre Drogas, passando ao largo dos órgãos de controle social da política de saúde e contrariando as normativas existentes na Política de Saúde Mental, Política de Atenção Integral a Usuários de Álcool e outras Drogas, as deliberações das Conferências de Saúde e Saúde Mental. A abertura desta nova frente visibiliza as relações e disputas travadas no âmbito do Estado brasileiro e aponta para o avanço de tendências conservadoras, na qual forças contrárias ao SUS se unem buscando sua privatização. Para est as forças, não importa a violação dos direitos humanos ou o atrelamento do Estado à religião, seu mérito consiste na vinculação a setores que sustentam seus projetos políticos-eleitorais. Entendemos a Rede Abraço , assim, como um evidente retrocesso no percurso histórico da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial, ao pretender justificar ações arbitrárias de isolamento num discurso falacioso de guerra às drogas e cuidado do cidadão, escondendo, enfim, os interesses que motivam as políticas de higienismo e de exclusão social, direcionadas prioritariamente contra a população pobre e em situação de rua, que, que, de várias formas, confrontam interesses e modos de vidas estabelecidos.

Pinheiro

Schubert

cuidam e braços que tutelam: nov as roupagens para v elhas práticas na implantação da Rede Abraço - ES

Filipe

Comunicação e Cultura:

Este estudo problematiza a atenção em saúde mental, resgatando a importância das oficinas de comunicação e cultura nos Centros de Atenção Psicossocial CAPS, para além de uma visão meramente técnica ou terapêutica. No momento atual da Reforma Psiquiátrica, trazemos uma concepção de tratamento na qual o foco é a reinserção social do usuário como conhecedor de seus direitos, trabalhando formas de vínculos ocorrendo trocas sócio-culturais entre usuários e trabalhadores de saúde mental. Nesse sentido, trazemos o relato de experiência de duas oficinas do CAPS II do Paranoá: a oficina de rádio CAPS LOCK e oficina de tambores de Maracatu. Consideramos que o s projetos culturais são instrumento de inserção so cial dos usuários, promovendo recursos que valorizam sua identidade e garantia do direito à sua diversidade cultural. Ao mesmo tempo, as oficinas de comunicação e cultura orientam-se por um paradigma ético-estético e político, as quais estão articuladas à construção de uma saúde mental pautada pela intersetorialidade e complexidade, ultrapassando os limites do campo da saúde. Ressaltamos a importância de uma atenção sensível aos modos de expressão da cultura no cotidiano dos serviços de saúde mental, a partir de uma atenção em saúde mental que busca o agenciamento social do sujeito considerado louco, para além de sua mera adaptação social.

Willadino

As experiências da Radio CAPS LOCK e da oficina de maracatu no CAPS II do Paranoá

Braga

Fláv ia

Reforma Psiquiátrica

A

reforma psiquiátrica enquanto movimento político reivindicatório surge no amplo contexto de embate contra o governo militar

e

o período repressivo por ele instalado. Esse perí odo impulsionou a sociedade a se organizar coletiva mente em grupos

Helena M. de A. Freire

Brasileira: do mov imento social à política pública de saúde mental no SUS - 30 ANOS DE LUTA!

populares de trabalhadores, sindicalistas, estudantes, operários, etc. Os novos sujeitos coletivos ganham força através dos movimentos sociais que lutam pela democratização do país, politizando nos espaços cotidianos de trabalho e moradia, com a ousadia de inventar outras formas de fazer política e saúde pública. Esse trabalho visa apresentar a constituição do processo de Reforma Psiquiátrica em curso no Brasil demarcando como analisadores três períodos desse movimento: 1º Período (1978 à 1987) nomeamos de Quando novos personagens entraram em cena contextualiza o início do processo de reforma psiquiátrica com a importância do Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental, ator e sujeito político fundamental nesse projeto, bem como os desdobramentos que deram rumo à política de saúde mental. O 2º Período (1987 à 2001) denominamos de A instituição inventada: experimentando novos modos de cuidado em saúde mental , onde discutimos as novas experiências de cuidado na perspectiva antimanicomial que foram emblemáticas para a composição de uma rede substitutiva em saúde mental. Por fim, o terceiro período (2001 até os dias atuai s) nomeamos de Institucionalização da política pública de saúde me ntal: a Lei 10.216 e a disputa pelo modelo de cuidado na sa úde mental , que demarca a legalização jurídico-política atrav és da lei da reforma psiquiátrica e o aparato de normatização com uma política de financiamento que vem incentivando a expansão da rede substitutiva voltada para a reversão do modelo assistencial. Entendemos que o processo de reforma psiquiátrica tem avançado em nosso país, incluindo como prioridade de política pública de saúde, seguindo a regulamentação do SUS, ao fortalecer a Rede de Atenção Psicossocial. Contudo, precisamos estar atentos ao fato de que reforma psiquiátrica não é sinônimo exclusivamente de reforma de serviços de saúde (Amarante, 2007), mas está atrelada sobretudo a uma mudança cultural do imaginário societário na sua relação com a loucura.

Francisco

A

correria :

Este trabalho tem por norte a possibilidade de levantar o debate acerca do processo de trabalho das assistentes sociais em uma instituição paradigmática da sociedade moderna ocidental, o Manicômio Judiciário. Serão levantados analisadores históricos do surgimento de uma teorítica fundacional da lógica manicomial (ainda que de forma muito superficial) e sua refutação com a Reforma Psiquiátrica no Brasil.

Coullanges

Reflexões sobre o trabalho da assistente social no Manicômio

Xav ier

 

O

trabalho em si discorre acerca das problematizaçõ es referentes à prática profissional iluminada por teorias que permitam

Judiciário Heitor Carrilho

repensar esse lócus de segregação dos loucos a partir de dois pontos básicos: O acúmulo teórico produzido tanto pela Reforma Psiquiátrica desde a década de 70 no Brasil e do próprio Serviço Social no mesmo período e as trajetórias dos usuários da rede de saúde mental do Manicômio Judiciário Heitor Carrilho como arquétipos das possibilidades de produção do novo a partir da aridez institucional.

Gabriela

A residência

Este relato visa compartilhar vivências no contexto da Residência Integrada em Saúde (RIS) da Escola de Saúde Pública do Ceará, na ênfase em Saúde Mental Coletiva. A residência multiprofissional é um dispositivo de re-orientação da formação, atuando em consonância com os princípios/diretrizes do SUS. Pretende-se a efetivação da Política de Saúde Mental, de modo a constituir uma sociedade onde o cuidado a pessoas com demandas em saúde mental possa acontecer nos seus territórios, valorizando desejos e o contexto. Sendo assim, os residentes tem na Luta Antimanicomial uma das suas inspirações basilares, considera-se relevante habitar espaços de tensionamento político para que interesses exclusos não impeçam a construção de dispositivos ampliados/efetivos de cuidado. Tal objetivo tornou-se prioritário, uma vez que após iniciadas nossas ações na Rede de Atenção Psicossocial constatamos uma situação marcada por retrocessos e incoerências graves. A atual assistência é marcada pela lógica manicomial. Mecanismos de sucateamento e desmonte da rede têm sido utilizados com vias a desqualificação das ações territoriais pautadas na Clínica Ampliada e no compromisso com a garantia da saúde de qualidade como direito fundamental. A terceirização da contratação de profissionais ocasiona um cenário marcado pela rotatividade e por salários defasados, o que gera uma atmosfera de alienação do trabalho. A falta de diálogo, e as decisões verticais tem sido outro problema constante. As Residências Terapêuticas que visam a reinserção social de pessoas que vivenciaram longos períodos de internação encontram-se por vezes em falta de manutenção ou com ausência de cuidadores suficientes, gerando por vezes práticas manicomiais. Assim sendo, compartilhamos o desafio de construir vias de enfrentamento dessa situação, de modo a produzir mudanças efetivas e a construção de novos possíveis, onde os direitos das pessoas estejam resguardados de interesses políticos e financeiros.

Matos

Borges

multiprofissional enquanto dispositiv o de tensionamento num contexto manicomial

Gênesis

Estratégias de Cuidado

O presente trabalho visa compartilhar as experiências vivenciadas no estágio obrigatório de conclusão do curso de Psicologia na Universidade Federal da Paraíba-UFPB, o qual teve como lócus de vivencia a Rede de Atenção Psicossocial do Município de Cabedelo, no Estado da Paraíba. O interesse por esta área de atuação partiu do desejo de vivenciar e compreender como estão sendo implementadas as políticas públicas substitutivas no campo da Saúde Mental, como tem sido o processo de trabalho das equipes multiprofissionais nos serviços, o dia-a-dia dos usuários nos Centros de Atenção Psicossocial, como estão as articulações entre os dispositivos de saúde, cultura e assistência existentes no território, dentre outros. Teve-se como serviço de referência para o acompanhamento das atividades o Centro de Atenção Psicossocial-CAPS I Porto Cidadania, serviço que acolhe a demanda de usuários com sofrimentos psíquicos graves e persistentes que vivem na cidade de Cabedelo. Algumas das atividades intramuros desenvolvidas no serviço são o Acolhimento, o Bom Dia , o Boa Tarde , a Triagem, a Oficina Terapêutica, a Reunião de Equipe e a Escuta com os Usuários e/ou Familiares. Com relação às atividades extramuros vivenciadas pode-se citar a Articulação com a Rede, o Acompanhamento Terapêutico e a Visita Domiciliar. Todas estas atividades fazem parte da metodologia do serviço e foram vivenciadas durante o estágio. A partir dessas experiências e no diálogo com a literatura (Ribeiro, 2010) foi possível perceber que a utilização de algumas destas atividades, como por exemplo, a Visita Domiciliar, dependerá da formação que o profissional teve e como este percebe os sujeitos em questão. Neste sentido, localizamos nas indicações da literatura duas maneiras pelas quais este instrumento pode ser utilizado pelas equipes. A primeira aborda a visita como uma ferramenta de punição, fiscalização e culpabilização, operando a luz da moral. A segunda percebe a visita enquanto um dispositivo potente que suscita acontecimentos d esterritorializantes, que aposta nos sujeitos e que se aproxima dos modos de vida a partir de um olhar Ético-Estético-Político. Por fim, guiando-nos pela segunda indicação no modo de utilizar a visita domiciliar pode-se concluir que as atividades mencionadas acima podem produzir estratégias de cuidado potentes, desde que sejam pensadas e experienciadas a partir das Diretrizes apontadas pelo Ministério da Saúde e de Práticas Clínicas Inventivas, Libertárias e Comunitárias.

Anjos

Nunes

em Saúde Mental Viv enciadas em um Estágio de Conclusão de Curso

Gessyka

Atuação

Segundo o Ministério da Saúde o Serviço Residencial Terapêutico (SRT) é constituído por moradias ou casas inseridas, preferencialmente na comunidade, destinadas a cuidar dos portadores de transtornos mentais, egressos de internações psiquiátricas de longa permanência, que não possuam suporte social e laços familiares e que viabilizem sua inserção social. Esse serviço visa à manutenção do sujeito em sua comunidade, de modo que não ocorram perdas de suas relações sociais e permitam que os pacientes reconstruam sua identidade. No Brasil, atualmente, existem mais de 300 Residências Terapêuticas (RTs) distribuídas em 14 estados, abrigando mais de mil e quinhentas pessoas. A atuação fonoaudiológica nas RTs tem como objetivo promover, prevenir, diagnosticar e tratar a comunicação oral e escrita, voz, audição e funções orofaciais dos residentes, bem como orientá-los quanto às questões de saúde geral. Objetivo: Apresentar por meio de relato de experiência a atuação fonoaudiológica na saúde mental e as habilidades desenvolvidas durante a elaboração de uma horta com grupo de adultos das Residências Terapêuticas de Bauru. Metodologia: Foi realizada uma horta com vasos de garrafas PET destinado ao cultivo de verduras presentes no cotidiano de 5 moradores, homens, de uma das Residências Terapêuticas de Bauru. Cada vaso possuía um tipo de verdura indicado por meio de figuras e palavras, de modo que ao inserir as se mentes os moradores deveriam identificar as letras e as palavras que correspondiam à figura. Por meio de um cartaz foi estipulado o dia em que cada morador deveria regar as mudas, foi explicado como a horta deveria ser cuidada para que as planta s pudessem se desenvolver. Os horários de rega fora m associadas às atividades diárias dos moradores, facilitando sua associação e memorização dos cuidados com a horta. Resultados: Foi possível observar que a maioria dos sujeitos identificaram com sucesso as letras das palavras, mas não conseguiram ler a palavra como um todo. Todos se mo straram motivados a participar em conjunto da ativi dade. Conclusão: A atividade possibilitou melhor interação entre os moradores da RT apresentada.

Gomes

Marcandal

Fonoaudiológica em Saúde Mental: Relato de Experiência no Serv iço Residencial Terapêutico

GIOVANNI

A inserção da

Introdução: A relação entre educação física e saúde mental não é algo novo, porém ainda é pouco pesquisado e divulgado, visto que temos poucos relatos e produções da inserção do professor de educação física neste campo. Essa inserção vem se dando de forma lenta e gradual, mas vem aumentando desde as reformas sanitária e psiquiátrica vividas no nosso país, principalmente, na década de 80. Alguns estudos nos trazem que as práticas corporais podem contribuir na reinserção social dos usuários da saúde mental. Wachs (2008), Abib (2008) e Kuhn (2012) nos relatam as experiências de alguns CAPS com oficinas bem sucedidas de práticas corporais e com a presença do professor de educação física na equipe multiprofissional dos mesmos. Abib e Ferreira (2010) trazem a importância das práticas corporais como mais uma possibilidade de cuidado no campo da saúde mental. E é justamente sobre essa ótica que me prop us a realizar este relato de experiência, contando como se deu a minha inserção, de professore de educação física, em oficinas de geração de renda da saúde mental. Objetivo: Fomentar o debate sobre a inserção do professor de educação física na saúde mental, principalmente mostrando que podemos e temos muito a contribuir e aprender. Método: a participação se deu principalmente com at ividades de ginástica laboral, realizadas após as o ficinas de geração de renda. A demanda partiu dos usuários que frequentavam as oficinas de papel reciclado e de velas. Muitos relatavam dores e desconfortos posturais durante as oficinas e assim foi sugerida a nossa participação, onde surgiu a oportunidade de nos inserirmos e conhecermos um pouco mais destas oficinas, do trabalho que ocorre nelas e como poderíamos contribuir. Utilizei os relatórios das atividades e oficinas para realizar este trabalho. Conclusão: Intervir e participar em oficinas de geração de renda na saúde mental foi um desafio, principalmente por serem duas áreas de pouco conhecimento para a maioria dos professores de educação física. Para muitos usuários as atividades realizadas por nós foi o primeiro contato com práticas corporais e com professores de educação física, além de para outros ter desmistificado algo que construíram como não muito agradável em se us tempos de escola e que agora relatam ser agradáv el, benéfico e divertido, além de trazer algum sentido para eles.

FRANCIONI

KUHN

educação física nas oficinas de geração de renda da saúde mental.

Gislea

VIOLÊNCIA E SUBJETIVIDADE: UMA APROXIMAÇÃO COM A SAÚDE MENTAL NO COTIDIANO DA ASSISTÊNCIA A MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA

A violência é um fenômeno histórico, portanto socialmente constituído e não natural. Quando perpetrada contra a mulher, como expressão de relações sociais desiguais de gênero, é mais perversa, pois historicamente tem sido silenciada, produzindo impactos na vida social e nas condições de saúde física e mental. O adoecimento mental é aqui entendido com uma questão social, dependente de múltiplos fatores relacionados às condições de vida e sua dimensão subjetiva. A concepção ampliada de saúde e as conquistas no campo dos direitos das mulheres tem possibilitado o crescente acesso a serviços de proteção. Este trabalho traz um recorte da experiência do estágio em Psicologia Social desenvolvida em um serviço de atendimento a mulheres em situação de violência, no município de João Pessoa. As reflexões intencionam aproximar o cotidiano da assistência às mulheres ao campo da saúde mental. As intervenções do estágio abarcaram tanto a população atendida, quanto a equipe, através de ferramentas como visitas, trabalhos de grupo e análise das fichas de cadastro. Apesar das ações em saúde mental não constituir uma linha prioritária da política de proteção à mulher e nem nas diretrizes de atendimento do serviço, o cotidiano de trabalho sugere a necessidade de reflexão sobre a questão, uma vez que a violência psicológica é a principal demanda dos atendimentos e que o principal tipo de atendimento realizado pelo serviço é o atendimento psicológico. Observamos na análise das fichas que a ideação suicida, o uso indiscriminado de psicofármacos, relatos de reprodução de relações também violentas geralmente com os filhos, uso de drogas, pânico e depressão foram frequentes, o que muitas vezes passa despercebido durante a primeira escuta e mesmo no decorrer do acompanhamento dos casos. Os serviços básicos de saúde e os da Rede de Atenção Psicossocial foram os que menos encaminharam mulheres para o serviço, o que sugere a existência de uma demanda reprimida. Destaca-se a importância da criação de espaços de formação das trabalhadoras sobre intervenções em saúde mental e a relação entre subjetividade e violência, na perspectiva da clínica ampliada, evitando a institucionalização das mulheres e analisando as condições psicossociais dos modos de vida que impedem ou fazem com que elas tornem-se sujeitas de sua história. Reafirma-se a escuta como importante ferramenta de trabalho clínico-institucional na produção de modos de subjetivação que reafirmem a potência da saúde e da vida.

Kandida

Ferreira da

Silv a

Glacy

Plano Terapêutico Indiv idualizado fundamentado nos Direitos Humanos:

Existe hoje no Brasil uma grande polêmica em relação ao tratamento que deve ser designado para os usuários de álcool e outras drogas. Muitos tratamentos ainda violam os direitos humanos e se constituem em um processo de fortalecimento do adoecimento psicossocial. Em contraposição a essas abordagens terapêuticas, a Reforma Psiquiátrica propõe um tratamento que seja voltado para a singularidade do indivíduo, respeitando seus direitos, sua liberdade e suas escolhas. Os tratamentos violadores dos direitos humanos vinham do Movimento Proibicionista, no qual não vê os problemas das drogas como um problema da sociedade, da falta de sentido de vida, da busca ilusória pelo rápido prazer e sucesso, como um problema de origem histórico, sociopolítico e existencial, mas sim como um problema individual. Contudo, diversos marcos legislativos, como a Constituição Federal de 1988, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Lei 10.216 (Reforma Psiquiatra) afirmam a importância de tratamentos que não violem a dignidade da pessoa humana. Para conseguir efetivar um tratamento digno e humano foi criado os Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e outras Drogas - CAPS ad, que se trata de uma nova clínica, produtora de autonomia, que convida o usuário à responsabilização e ao protagonismo em toda a trajetória do seu tratamento. Nessa nova proposta, a equipe de saúde deve elaborar, junto com o paciente, o Plano Terapêutico Individualizado (PTI). Este deve superar a visão biomédica, os aspectos do diagnóstico psiquiátrico e da medicação, e incluir a dimensão política, a garantia de direitos, o resgate da cidadania e a reinserção social, como também a dimensão subjetiva e clínica na condução das práticas dirigidas ao usuário do serviço. O PTI deve atentar para a singularidade do sujeito e ser realizado de acordo com as condições disponibilizadas pelo paciente, suas preferências e características. Assim, necessita propiciar reinserção social, autonomia e cidadania, marca da Reforma Psiquiátrica Brasileira e dos serviços substitutivos ao modelo hospitalocêntrico. Realizar um PTI que produza um real sentido é uma construção idiossincrática de cada se rviço, de cada equipe e de cada comunidade. O PTI é uma poderosa ferramenta, entretanto precisa ser bem utilizada pe los profissionais de saúde para não se transformar em um procedimento burocrático e estéril.

Daiane

Barbosa

Calassa

Reconstruindo

Significados

Goiv ana

Caso Clínico do

Paciente G, hoje com doze anos, vinha em acompanhamento psiquiátrico no Ambulatório do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) desde Janeiro de 2005. Internou pela primeira vez na Psiquiatria do HCPA em 06/03/2007, com seis anos de idade, devido Distúrbios da atividade e da atenção, com conduta agressiva e opositora. A segunda Internação ocorreu em 12/08/2009, com nove anos de idade com diagnóstico principal, Outras convulsões e as não especificadas, e diagnóstico secundário Transtorno afetivo bipolar - com episódio atual hipomaniaco. Hoje G. encontra-se internado desde 15/03/2013, com diagnóstico de retardo mental moderado - comprometimento significativo do comportamento, requerendo vigilância ou tratamento, sendo estas internações no Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência deste Hospital. Avalia-se que: G. mesmo, com todo o aporte medicamentoso, psicoterápico e estando em um ambiente estruturado e com regras claras, paciente apresenta dificuldades de concentrar-se em uma atividade produtiva, tolerar frustrações e necessita de supervisão e intervenções sistemáticas por parte da equipe técnica do Hospital e de sua mãe. O paciente apresenta agressividade de difícil manejo, pois possui dificuldade de compreensão e alto nível de intolerância à frustração. Quando frustrado, apresenta comportamen to desafiador e violento que por vezes coloca a si mesmo e aos outros em risco G. também demonstra ser impulsivo e impaciente, não persistindo nas atividades e não conseguindo interagir com outras crianças, por dificuldade em perceber as necessidades dos outros. O paciente apresenta um funcionamento intelectual muito abaixo do esperado para sua idade, o que dificulta a interação e compreensão nos diferentes ambientes que este freqüenta. Sra. S. mãe do paciente, foi avaliada pelo Serviço de Psiquiatria de Adulto que diagnosticou um quadro depressivo (tristeza, anedonia, insônia, inapetência, desvalia, irritabilidade), associado a uma sobrecarga de cuidados com o filho. Em relação ao ambiente, este não consegue suprir suas necessidades devido à falta de suporte e inexistência de uma rede de apoio G. é cuidado somente por sua mãe que não possui o devido amparo para cuidar e educar o filho. Para uma melhor organização do paciente faz-se necessário um ambiente estruturado, fornecido, por exemplo, a través de ambientoterapia e recursos sócio-econômico para seu adequado desenvolvimento psicossocial.

Bairros de

Medeiros

Serv iço de Psiquiatria da Infância e Adolescência - Hospital de Clínicas de Porto Alegre - RS

Graziela

O CAPS NA ARTICULAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO EM SAÚDE MENTAL:

PERSPECTIVAS DOS

Este trabalho é fruto de uma pesquisa qualitativa sobre a rede de atenção a saúde mental nas perspectivas dos usuários e profissionais do CAPS visando analisar as formas de articulação/integração das ações de saúde mental na rede. A pesquisa de campo foi realizada com os profissionais e usuários do CAPS II de Palmas-TO sobre a estruturação da rede de atenção a saúde mental na percepção dos usuários e dos profissionais na sua efetividade e desafios.

Scheffer

Machado

GUILHERME

Clínica Transdiciplinar e a estratégia de

No presente trabalho propomos a estratégia de criação de possíveis para o cuidado em saúde mental a partir da clínica transdiciplinar. Partindo de uma perspectiva de dispersão das inúmeras maneiras de se agenciar clinica mente as situações terapêuticas e da amplificação dos referenciais e do repertório das práticas, visamos o manejo singular de cada caso clínico, privilegiando os agenciamentos e os territórios que se estabelecem no percurso. Uma vez que a intenção da clínica em saúde mental não é formar um campo de saber homogêneo e coerente em si mesmo, entendemos que aumentando o re pertório de nossas práticas para poder olhar aquém do doente psiquiátrico portador de um distúrbio numerado pelo DSM, podemos ir além da reprodução de modelos de cuidado que enrijecem a relação de cuidado e fixam na loucura raízes profundas de mortificação e subsunção do sujeito ao significante da doença. Um paradigma de intervenção que se realiza na forma de uma aposta nas forças de deriva e diferenciação inerentes ao viver e toma como horizonte de cada caso as condições de engendramento do novo na experiência. Esta estratégia é realizada através da construção de territórios de expressão para a loucura e tem como efeito não a apologia da loucura como algo bom em si, mas a construção de possíveis que se inscreve en quanto plano de cuidado e estratégia de tratamento mesmo. Para tant o, entendemos que o psiquismo não se reduz aos fant asmas e às representações, ele produz efeitos no real, produz realidade. Logo, o trabalho clínico consiste em acompanhar, dar passagem ou contenção aos fluxos de força que atravessam a existência e se estende da profundidade do sujeito e de sua história aos efeitos de superfície, fluxos e dobras de subjetividade. A estratégia que propomos parte da proliferação dos agenciamentos e conexões que ligam o sujeito a outros possíveis, desmontando a lógica de silêncio e sobredeterminação que sustenta o lugar de doente. Estratégia que se atualiza enquanto abertura ao por vir, que rompe com a reprodução das técnicas de cl ausura da subjetividade, que encurrala o sujeito em um terreno restrito às reminiscências e ao já dado e dificultam a invenção de vias de escape para a subjetividade que acaba encerrada na doença pelo próprio dispositivo de tratamento. Afinal, a estratégia de criação de possíveis se atualiza em linhas de fuga, devir e produção sin gular no encontro e no cuidado em saúde mental.

AUGUSTO

SOUZA

 

PRADO

criação de possív eis para a experiência da loucura

Helena

Nem Tudo é Doença: o direito de existir.

A Clínica Psicanalítica há muito ampliou seu espaço de atuação e intervenção, saindo do setting privativo e abrindo espaços em escolas, hospitais, comunidades terapêuticas, universidades. Pensar a saúde mental a partir da crítica à medicalização social, em que o indivíduo é culpabilizado por males que às vezes são pura vicissitude existencial - e o único "tratamento" disponibilizado é farmacológico - é premente. Crianças com 5 anos de idade recebendo metilfenidato simbolizam a doença social. A necessidade de se atualizar o papel dos Educadores, dos profissionais de saúde e questionar sobre a proliferação d a administração de medicamentos, diagnósticos e consumo desenfreado de expertises, se faz urgente. Capacitar professores desde o Ensino Básico até a Universidade pode ser uma ferramenta importante. Abrir espaços para que as autorias de pensamento proliferem, em lugar dos receituários puros e simples, inserir e articular uma prática educativa voltada ao protagonismo, à cidadania, permitir que os lutos sejam chorados, as dores sejam vividas, e que as doenças sejam de fato circunscritas a seu lugar dentro da biografia do sujeito e da sociedade são as tarefas para a contemporaneidade. A sociedade medicaliza aquilo que produz, e portanto refletir criticamente a respeito dos papeis, atribuições, limites e possibilidades existenciais na perspectiva da não-medicalização faz-se importante. A psicanálise pode ser uma ferramenta de apoio, a partir do questionamento que faz acerca do Desejo humano, dos limites e principalmente do Mal-Estar na Sociedade. A proposta desta conferência é apresentar a Psicanálise como possível superfície de reflexões, suportes e aportes para uma atuação direcionada à vida, à potência criadora da alegria e da assunção radical de um modo de incluir, responsabilizar, con struir coletivamente um conceito de saúde que permi ta ao sujeito se subjetivar - ou seja, sentir-se implicado em seu desejo, seus limites e suas possibilidades. E a partir daí consiga pensar coletivamente, responsabilizar-se por sua vida e pelo entorno.

Maria

Medeiros

 

Lima

Iandara

Compartilhando a experiência do matriciamento em saúde mental ESF/NASF

A partir da experiência de matriciamento na Estratégia Saúde da Família (ESF) com profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), percebemos que as intervenções e diálogos no campo da saude mental são cada vez mais abrangentes e

Uchôa

necessita ampliar o trabalho em parceria com os diferentes núcleos profissionais da saúde: enferemeira, médica, auxiliar de enferemagem, agente comunitária de saúde, terapeuta ocupacional e psicóloga. Também percebemos como a construção do vínculo com a pessoa a ser atendida é essencial para o desenvolvimento de um projeto terapêutico, bem como com os familiares e/ou pessoas envolvidas na rede de apoio desse usuário.

 

A

partir de um relato de caso, ilustraremos a potencia do trabalho da atenção básica na atuação de casos graves em saúde

mental. Apesar de sabermos que a rede de apoio a sa úde é ampla, contando com diversos serviços de apoi o, neste caso específico, porém, havia uma dificuldade de circulação da usuária para chegar até os serviços. Fez-se necessário unirmos esforços da ESF e NASF para acompanhamento que se d eu através de consultas e, principalmente, visitas domiciliares. Nesse momento do acompanhamento desta família, percebemos uma melhora geral do quadro da depressão agravada com o nascimento de sua quarta filha em que apresentava uma dificuldade geral com a maternagem desse bebê e de seus demais

filhos. Hoje estamos trabalhando a autonomia, circulação e outras redes de apoio uma vez que sua família de origem encontra-

se

em outro estado.

Com esse trabalho pretendemos pensar a importância do compartilhamento ESF/NASF a fim de abarcar os casos que não conseguem ter acolhimento em outros serviços por falta de perfil e/ou acesso, bem como compreendendo a potência da atenção básica no acompanhamento a esses casos.

Igor da

Acesso e equidade:

A partir da dissertação de mestrado Acesso e equidade: avaliação de estratégias intersetoriais à população em situação de rua foi possível levantar apontamentos sobre direitos humanos para a população em situação de rua em sofrimento mental. Através de pesquisa qualitativa, com observação participante em albergue e entrevistas não-diretivas com dois grupos de técnicos dos serviços socioassistenciais de um município no interior do estado de São Paulo, conhecemos uma rede de serviços públicos, transitada pela população em situação de rua com transtorno mental grave, composta por um CREAS-POP, um Albergue, um CAPS III, e um CAPS AD, além do pronto-socorro e do hospital; havia também uma equipe de abordagem social vinculada ao CREAS, e a Operação Dignidade, ação realizada pela Segurança Pública nos feriados e temporadas. Constatamos dificuldade de acesso da população em situação de rua ao CAPS devido a falta de estratégias de busca ativa em saúde, parcialmente resolvida pela presença de uma técnica desse serviço junto à equipe de abordagem social. Havia também dificuldade da população de rua em acessar os demai s serviços de saúde devido a impedimentos das próprias equipes, que se justificavam pela necessidade de acolhimento social primeiro. Os serviços socioassistenciais, que frequentemente serviam de porta de entrada à rede pública, eram distantes dos locais de maior frequência dessa população, dificultando o acesso. Também verificamos que os serviços de saúde mental apresen tavam dificuldades em se adequar às necessidades de ssa população, que devido ao modo de vida itinerante e a valores específicos sobre o consumo de substâncias psicoativas, não se vinculavam aos serviços fixos e aos tratamentos. A colaboração entre os serviços de saúde mental e os socioassistenci ais sofria com a falta de funcionários disponíveis, não recomposição das equipes e falta de protocolo interserviços. Em relação a Segurança Pública, foi identificada forte divergência com o paradigma da Assistência Social, conflitando ações de abordagem social com ações repressoras e higienistas. Esta pesquisa retratou as dificuldades de uma rede municipal no acolhimento a população com necessidades específicas, que exigem investimentos nas equipes, tanto na contratação como na capacitação de profissionais frente às especificidades da população de rua, e da necessidade de ações intersetoriais para efetuar o acesso aos serviços, garantir a equidade e efetivação dos direitos humanos pelo SUS e SUAS

Costa

Borysow

garantia de direitos para a população em situação de rua em sofrimento mental grav e

Ilana

 

Este trabalho tem como objetivo discutir alguns aspectos fundamentais das relações de gênero em relação à temática das drogas. É frequente a invisibilização e/ou naturalização do gênero nos discursos sobre drogas, porém tal invisibilização provoca efeitos específicos. Nesse trabalho, analiso por um lado os discursos fundamentais que constroem o que é popularmente entendido como drogas , ou seja, os discursos médicos, jurídicos e religiosos; e por outro lado aponto como a intersecção com gênero acaba por perpetuar posições sociais específicas para mulheres e homens. Nesse trabalho, centrarei nos discursos presentes sobre mulheres, como o da posição de mães ou futuras mães , boas meninas , etc e como o uso de drogas (ou de um uso específico de drogas) é visto como particularmente inadequado nesse contexto. Essa análise leva em conta a posição simbólica da mulher em relação à reprodução moral da nação, e considera aspectos como o que é tido como loucura, agressividade, dependência, e prazer e autonomia. Tais imaginários são vistos também perpetuados nas políticas de drogas, que frequentemente oscilam entre punição e tratamento. A análise proposta se baseia em estudos anteriores realizados sobre drogas e gênero, considerando aspe ctos históricos da proibição, políticas públicas sobre drogas, e os imaginários sociais sobre drogas e gênero. Para essa análise, utilizarei alguns exemplos atuais sobre política de drogas disponível na mídia, desconstruindo pela análise de discurso de Foucault e autores críticos da área. Esse tema é tido como fundamental, pois como visto, a invisibilidade de gênero nas políticas públicas, em particular sobre drogas, acabam por reproduzir desigualdades de gênero, assim como em relação à sexualidade, classe, raça, idade e suas intersecções.

Mountian

Frente Nacional Drogas e Direitos Humanos

Ildebrando

Inclusão Social atrav és

Em 2011, foi fundado, em Manaus, no CAPS Silvério Tundis, o grupo Maracatu Quebramuro. Ele surgiu de uma parceria do CAPS com o grupo de Maracatu Eco da Sapopema, com o objetivo de ofertar aos usuários a possibilidade de contato com a cultura popular e, ao mesmo tempo, amenizar seu sofrimento psíquico, além de promover a inclusão social, através de uma experienciação cultural coletiva. No momento, o grupo é composto por usuários, um oficineiro do Grupo Eco da Sapopema, profissionais do CAPS e, em breve, será estendido à comunidade. O maracatu foi escolhido justamente por sua característica própria inclusiva, ou seja, sua necessidade de muitos componentes para formar um grupo de música popular e percussão, além da facilidade de interação e integração dos seus integrantes, que tocam os instrumentos e ao mesmo tempo cantam. Suas toadas simples de fácil memorização permitem a inclusão e a participação de várias pessoas, não existindo um ator principal. O grupo prima por uma célula consonante representativa do todo, portanto todos são protagonistas. Esta homogeneidade e harmonia entre os integrantes tende a amenizar o su rgimento de possíveis conflitos internos. Neste mod elo de trabalho, natural e espontaneamente, delineou-se a construção de um caminho para os usuários do serviço de saúde mental, livre das barreiras subjetivas e físicas do preconceito que envolve a doença mental, quebrando as amarras internas e externas, assim, permitindo-os caminhar rumo ao resgate de sua cidadania e conquista de novos espaços dentro da sociedade. Isto pode ser depreendido de sua exaltação e felicidade quando são solicitados p ara se apresentarem em eventos sociais. Culminando com o êxito dessa jornada, o grupo já se apresentou em vários eventos. Recentemente, também, tivemos um projeto para exp ansão e extensão da oficina à comunidade aprovado na III Chamada para Seleção de Projetos de Reabilitação Psicossocial: Trabalho, Cultura e Inclusão Social na Rede de Atenção Psicossocial. Estas conquistas vêm a respaldar a relevância do nosso trabalho na luta constante pela inclusão social destes cidadãos, ora esquecidos pela sociedade, dando-lhes visibilidade e colaborando, em parte, para o resgate de seus direitos à cidadania já tão desgastados.

leite de

Souza

da Cultura: Experiência do Maracatu Quebramuro do CAPS Silv ério Tundis

Ileno Izídio

 

As chamadas psicoses receberam historicamente um st atus sindrômico inespecífico através de algumas man ifestações sintomatológicas que se tornaram doenças tais como esquizofrenia, transtorno bipolar, psicose maníaco-depressiva, paranoia, dentre outras. Esta nosografia tornou o fenômeno do sofrimento psíquico agudo apenas uma categoria inespecífica na base desta sintomatologia, o que, por certo, obscurece(u) a observação e a descrição das manifestações fenomenológicas subjacentes. Neste caminho, os fenômenos do sofrimento psíquico e da crise psíquica grave em si (que foram agrupado s sob a denominação de transtornos psicóticos) se tornaram subsumidos n as manifestações elementares dos sintomas essenciai s, tais como delírios, alucinações, comportamentos desorganizados, embotamento afetivo, dentre outros. O presente trabalho pretende, à luz de alguns pressupostos e autores da fenomenologia (suspensão do conhecimento prévio, hermenêutica do sofrimento, éticas da alteridade, do cuidado e da responsabilidade), problematizar as manifestações das crises psíquica graves, tidas como crises psiquiátricas, emergenciais ou urgentes, em suas possibilidades de compreensão dos sofrimentos inerentes que caracterizam uma vivência genuína de ser-no-mundo, para além de se c onstituir, a priori, uma categoria patológica. É ne cessária uma focalização na crise psíquica como manifestação fenomenológica genuína de um sofrimento humano instituinte, não apenas descrevendo eventos ou fatos dos transtornos , mas, como defendeu Jaspers, perceber a questão do patológico a partir de uma relação afastamento-aproximação, tanto do outro quanto de si mesmo, numa relação igualmente dialética que perpassa a consideração do mesmo , da similitude daquela loucura que nos é alheia , para percebê-la não mais como distanciada pela diversidade , que tanto atrai quanto rechaça, mas como uma manifestação do humano presente em mim e no outro . Defendemos o aprofundamento da descrição, da compreensão e da hermenêutica da crise psíquica grave. Conceitos tais como estar com , estar aí , ser-no-mundo , angustia existencial , o outro , intersubjetividade , linguagem e as éticas do cuidado (Boff, Heidegger, Winnicott), da responsabilidade (Levinas e Jonas) e da alteridade (Levina s) podem nos ajudar a compreender a crise psíquica grave enquanto manifestação humana genuína, mais que descrevê-la, para podermos ter uma atitude de efetivo compromisso de minorar as dores e desafios inerentes a ela.

da Costa

Fenomenologia do Sofrimento Psíquico Grav e

Isabel

As Organizações Sociais como obstaculo para una clinica de la reforma psiquiatrica

Além das considerações relativas à instalação de um modelo de gestão que implica a distorção dos principios do SUS e da legislação nascida da Reforma Psiquiatrica- que originou o atual sistema de saúde mental-esse trabalho propoe pensar como esse modelo de gestão ataca os principios fundamentais da clínica ,utilizando para isso conceitos proprios do campo.

Marazina

Isabella

A produção de cuidado, negociações e articulações possív eis em um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuv enil para usuários de álcool e outras drogas CAPS ADi

As políticas de saúde mental para a infância e adolescência tiveram origem em diferentes cenários institucionais, socioeconômicos e operativo-políticos. Mais especif icamente, o cuidado direcionado a problemas com o u so abusivo de álcool é permeado por contradições, lutas e conquistas em prol da articulação de uma rede de saúde mental representativa dessa faixa etária. Nesse contexto, destacam-se: a proposição do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990); os movimentos de redemocratização da sociedade da década de 1980 (as reformas: sanitária e psiquiátrica); a constituição de uma política governamental de atenção à usuários de álcool e drogas (2004); o Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e outras Drogas (2009); a suposição do Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (24 horas) e, por último, a proposição da Rede de Atenção Psicossocial que sugere novo arranjo para a atenção em saúde mental. Este trabalho apresenta e discute a construção do cuidado situado em um caso emblemático atendido no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil para Álcool e Drogas CAPS ADi - em São Bernardo do Campo SP. O estudo congregou quatro focos de análise: 1) a observação do cotidiano de trabalho, 2) a caracterização dos profissionais que trabalhavam no estabelecimento, 3) os grupos focais com profissionais para discutir o caso estudado e, 4) a entrevista com a usuária do caso emblemático acerca do cuidado recebido. O caso discutido foi escolhido pelos profissionais, considerando o emblema proposto, o de um caso difícil que teve um desfecho satisfatório . Constataram-se diferenças relacionadas à duas questões: às concepções de cuidado da equipe e de outros atores envolvidos no atendimento e à operatividade do projeto terapêutico, principalmente quanto às demandas comuns relacionadas ao consumo de álcool e drogas para essa faixa etária. A articulação entre o CAPS ADi e outras instituições que fizeram parte desse atendimento foram destacadas enquanto possibilidade para a equipe reconhecer outras formas de trabalho relevantes na construção de projetos de vida com a usuária, como no encaminhamento dela para a República Terapêutica (Unidade de Acolhimento Transitório). Mas também, foi questionada a aceitação de uma demanda cultural que favorece o modelo de internação-abrigamento, no encaminhamento da usuária para a Comunidade Terapêutica. Nesses termos, a complexidade do modelo de atenção, a proposição de um estabeleci

Teixeira

Bastos

Iury Natasha

POLITICAS PÚBLICAS PARA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA: a experiência da Secretaria Municipal de Assistência Social de Fortaleza

A presente pesquisa de caráter monográfico propõe uma análise da constituição do fenômeno população em situação de rua e das políticas públicas voltadas para atender as problemáticas decorrentes desse fenômeno, tomando o contexto de desenvolvimento do modo de produção capitalista, assim como as consequências desse processo para o surgimento de um excedente populacional, que ao não ser incorporado pelo processo produtivo, passou a viver na e das ruas. Temos que com o aprofundamento das expressões da questão social, a expansão do fenômeno população em situação de rua torna-se alvo/motivo de tensão política na implantação de algumas ações, programas e projetos, exigindo/justificando análises e reflexões críticas sobre essas ações, que colaborem para a elaboração e execução de políticas públicas que visem a atender as demandas decorrentes desse fenômeno. Inicialmente partimos d a análise do surgimento do fenômeno população em si tuação de rua vinculado à emergência do modo de produção capitalista para, posteriormente, tomarmos a experiência de trabalho do município de Fortaleza no que se refere ao desenvol vimento de uma política pública de atendimento à po pulação em situação de rua através do Programa de Atendimento Integral à População em Situação de Rua executado pela Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), considerando a visão de profissionais, e especialmente, da população em si tuação de rua usuária dos serviços vinculados a esses programa. Considerando que é no âmbito da política de assistência que o trabalho com esse público é executado, apresentamos alguns elementos da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) em uma perspectiva de análise crítica desta política para, em seguida, discorrermos acerca da Política Nacional para Inclusão Social da População em Situação de Rua. Assim, a pesquisa se constitui co m caráter biográfico, documental, a partir de entre vistas e visitas de campo. Desse modo, intenta-se chamar a atenção para a histórica invisibilidade à que este segmento populacional foi relegado, bem como para a importância de se aprimorar políticas p úblicas que atuem junto à população em situação de rua na tentativa de compreender suas particularidades e suas necessidades, priorizando a defesa dos direitos humanos e a construção de políticas públicas que fomentem a autonomia dessas pessoas.

Vieira de

Oliv eira

Jan

A Importância de

Estudo de caso: Perseguiçao a 100 milhoes de pessoas por suas crenças religiosas na china e como isso veio a acontecer e suas influencias globais e manifestações no Brasil. Vou explorar a importancia de conhecer temas da consciencia do ser humano e suas manifestaçoes historicas e como isso deu origem a maior perseguiçao aos direitos humanos atuais no Mundo. A defesa de direitos humanos tem que ser global, nossa consciencia do por que o fazemos e onde estao as verdaderias raizes que nos motivam vao fazer a verdadeira diferença do sucesso ou fracasso de nossos direitos como ser humanos. Convido a que venham se aprofundar em temas sérios e atuais e entender os verdadeiros motivos do porqu e temos que ter uma consciencia Global de Direitos Humanos.

Hendriks

Junior

entender a Geopolitica dos Direitos Humanos

JANDRO

Residência Terapêutica:

As Residências Terapêuticas são moradias inseridas preferencialmente na comunidade, com finalidade cuidar de pessoas que passaram longos anos asiladas em hospitais psiquiátricos (BRASIL, 2004). Objetiva-se fazer um levantamento bibliográfico acerca da produção nacional sobre a temática. De acordo com a revisão da literatura nacional são encontrados escassos estudos que privilegiam o morar e o cotidiano das pessoas moradoras de serviços de saúde mental no contexto da Reforma Psiquiátrica, especialmente os que se referem às habitações comun itárias. Esse levantamento ocorreu na base de dados LILACS, no período de abril de 2013, tendo sido utilizados os diferentes descritores para a localização das publicações nacionais, como: moradias assistidas e transtornos mentais, pessoas mentalmente doentes e cotidiano, e transtornos mentais e habitação. O levanto bibliográfico considerou os últimos dez anos, no período compreendido entre janeiro de 2002 e dezembro de 2012, inclusive. A busca resultou na seleção de 37 publicações, sendo 13 dos artigos pelo resumo por não tratarem da temática estudada. De forma complementar, foram analisadas as referências das publicações selecionadas em busca de teses, dissertações, capítulos de livros que não foram contemplados com a busca inicialmente realizada. Percebemos que os estudos discutem a relação entre o profissional/trabalhador e o morador, ainda de uma forma bastante heterogênea (num polo o morador e no outro o profissional), buscando uma aproximação do outro através de uma clínica que tem sido chamado de complexa. Todavia os estudos em sua maioria, não trazem à tona o morador como centralidade do processo investigativo, no sentido de considerar a suas verbalizações, simbolismos, atribuições de significados e compreensões a respeito da estrutura cotidiana, que possa ser alicerce para a clínica do cotidiano pretendida. Os estudos de base psicanalítica centram o foco de suas investigações no sujeito e sua relação com Outro, sua relação consigo mesmo e com a própria doença, a apropriação singular do espaço. Outros estudos discutem os elementos estruturais de uma moradia (abrigo, segurança conforto e privacidade), além de buscar entender qual a relação que o sujeito estabelece com o tempo. Entendemos a necessidade de uma maior compreensão de todos estes aspectos a fim de entender a vida cotidiana de pessoas com uma doença mental, e que moram num dispositivo-casa encravado na comunidade. No entanto, consideramos que há uma lacu

MORAES

um lugar para se morar

CORTES

Jaqueline

A Criminalização das Drogas na Lógica

O

estudo em questão se propõe a analisar a criminal ização da droga como um produto decorrente da lógic a do capital e seu

Teixeira

consequente modo de reprodução e controle social. A confluência dos condicionantes que mantém essa lóg ica cuja análise se faz fundamental, merecem um destaque peculiar para a compreensão dos caminhos percorridos ao longo da discussão, tais como: a desigualdade social, que denuncia o antagon ismo presente na lógica do sistema, cujo pilar de sustentação se debruça na exploração da classe trabalhadora; a origem do S erviço Social, que se configura como um dos diverso s mecanismos de controle social para intervir nos reflexos dessa contradição; assim como a droga, que além de desempenhar esse papel, é também há mercadoria consideravelmente rentável; a violência global, e consequentemente urbana, arraigada nos desdobramentos da desigualdade, compondo assim um verdadeiro cenário de barbárie, que perpassa pela violação dos Direitos Humanos e construindo Políticas Publicas Intersetoriais, tendenciosamente na contramão da Reforma Psiquiátrica e do Sistema Único de Saúde - SUS. As discussões fundamentam-se na análise crítica das relações de poder e os interesses políticos e econômicos presentes nessa conjuntura, de forma que o Estado, aliado aos interesses das classes dominantes, não mede esforços através de seu aparato ideológico, para encobriras verdadeiras origens que desencadearam o atual contexto. Diante disso lança

mão de recursos expressos nas medidas repressivas; coercitivas; moralistas e higienistas, ora no âmbito da Política de Segurança Pública, no qual o sujeito pertencente às classes subalternas é rotulado como "bandido", logo é "caso de polícia", ora tratado como "doente", melhor dizendo, dependente químico, dessa vez na Política Pública de Saúde, que não obstante é insuficiente

Paiv a

Excludente do Capitalismo

e

ineficaz para absorver a demanda existente através da sua rede socioassistencial, o que evidencia a fragilidade das

articulações comas demais políticas intersetoriais. O estudo e evidenciou que tal contexto, urge por uma intervenção multiprofissional, no sentido de politização, promoção e emancipação, pautada em pilares emancipatórios e comprometidos com os interesses das classes exploradas. Na constante luta pela construção coletiva de uma sociedade mais emancipada, justa e menos desigual, bem como pela promoção dos direitos e articulação com os cidadãos de distintos seguimentos societários na elaboração e gestão de políticas públicas mais eficazes.

JEFERSON

 

Trata-se de um projeto desenvolvido pela equipe interdisciplinar de trabalho do Projeto Transversões com o objetivo de construir uma Cartilha de direitos e deveres dos usuários e familiares no campo da saúde mental, álcool, crack e outras drogas, a partir de um convênio firmado entre a Coordenação Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde e a Escola de Serviço Social da UFRJ. Está vinculado à linha do empoderamento dos usuários e familiares no campo da saúde mental. A metodologia de elaboração da Cartilha compreende as seguintes etapas: a) Revisão da literatura especializada; b) Levantamento e avaliação das cartilhas similares já publicadas e disponíveis no Brasil, além de algumas internacionais, bem como alguns exercícios exploratórios das diferentes possibilidades de estilo e projetos gráficos do novo texto; c) Mapeamento e revisão dos documentos oficiais, da legislação relevante e das principais modalidades de direitos fundamentais; d) Estabelecimento da estrutura mais geral da presente cartilha, das linhas gerais do estilo de redação e projeto gráfico, bem como dos dispositivos de consultoria e validação; e) Escrita e avaliação exploratória/vali dação das primeiras versões de cada capítulo; f) Revisão, editoração, formatação e demais etapas da produção (em paralelo à fase anterior). Como resultado, a Cartilha inova ao trazer alguns elementos diferenciadores. Em sua versão pré-final constitui-se de 6 capítulos: 1. Direitos humanos, reforma psiquiátrica e saúde mental: os direitos fundamentais de usuários e familiares no campo da saúde mental, álcool, crack e outras drogas; 2. Direitos e deveres dos usuários e familiares na assistência à saúde em geral; 3. Direitos e deveres específicos na atenção em saúde mental, álcool, crack e outras drogas; 4. Direitos na atenção à crise, nos diferentes tipos de internação e na interdição; 5. Direitos sociais no campo da saúde mental, álcool, crack e outras drogas, e 6. Onde e como lutar pelos direitos. Concluímos que a Cartilha é uma estratégia para o empoderamento de usuários e f amiliares no campo da saúde mental ao proporcionar que estes atores se percebam como sujeitos de direitos e possam intervir em seus territórios, transformando-os. Concebemos, também, que a cidadania inventiva é atravessada e exercida pelas informações contidas na cartilha e que, uma vez transmutadas em conhecimento, são capazes de emancipar a vida humana no campo da saúde mental, álcool, crack e outras drogas.

RODRIGUES

Cartilha de Direitos e Dev eres dos Usuários e Familiares no Campo da Saúde Mental

Jéssica

Saúde Mental e as

Historicamente, as questões relacionadas às drogas foram tratadas por instituições da Justiça, da Segurança Pública e de grupos religiosos, que acabaram por conduzir e limitar o debate para uma dimensão de infração ou de pecado. Nesse sentido, os problemas crônicos da sociedade brasileira, bem como seus impactos na saúde pública foram sendo encobertos. As medidas que vêm sendo adotadas pelo Estado para lidar com a questão do consumo de drogas não tem contemplado sua complexidade por interferirem minimamente em seus determinantes, uma vez que tem sido desenvolvida uma atenção de caráter fechado baseada em uma lógica biologizante e psiquiátrica, tendo como focos o efeito causado pela droga e a culpabilização do sujeito, de maneira que o contexto social no qual ele está inserido é desconsiderado. Esta forma de encarar a questão tem gerado outros problemas por conta da formação de estereótipos e estigmas em torno dos usuários de drogas que vão sendo assimilados pelo senso comum. Com o movimento da Reforma Psiquiátrica, amplia-se o olhar sobre o cuidado, com base no tripé sujeito- substância-contexto, em detrimento do caráter eminentemente punitivo. A questão então passa a ser abordada através de ações e políticas intersetoriais, como o Consultório na Rua e as políticas de Redução de Danos e de Saúde Mental. Após anos de luta na produção de práticas de cuidado que respeitem e busquem a compreensão dos conflitos cotidianos dos sujeitos, observa-se um retrocesso nas políticas governamentais relacionadas ao consumo de drogas, que tem atribuído ser a substância crack per se a causa da violência e/ou das mazelas sociais. A crescente criação de políticas que pactuam com açõ es de combate ao crack , por exemplo, surge da emergência e da necessidade de respostas rápidas para o possível problema das drogas. A busca precipitada de respostas tem produzido processos de higienização social, os quais estão sendo convocados mediante a chegada de grandes eventos internacionais (Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos) ao Brasil. Assim, faz-se necessário que os trabalhadores da saúde mental, usuários, familiares, estudantes, professores e sociedade civil, os quais são norteados pelo movimento da luta antimanicomial, fiquem atentos para as formas ditas de cuidado veiculadas nos meios de comunicação como a solução para as drogas. Que se produza um cuidado que considere as singularidades do sujeito, autonomia e novos modos de ser.

Lima

Trindade

políticas sobre drogas no Brasil: o retrocesso histórico nas propostas de cuidado

JOÃO

Bumba-meu-boi nas usf s: ressignificando medos e mitos acerca da grav idez nas rodas de gestantes.

Introdução: O bumba-meu-boi, espécie de ópera popular, encena peripécias de um marido para realizar o desejo da esposa grávida. Assim, através do Programa de Educação pelo Trabalho (PET) na Saúde - Fortalecimento da Rede Cegonha, utilizou-se da cultura popular para subsidiar ações de educação em saúde nas rodas de gestantes das usf s. Objetivo: Promover ações de acolhimento e educação em saúde, através da encenaç ão do bumba-meu-boi, nas USF s, para aliviar tensões, através da ludicidade, ressignificar medos, mitos provocados pela ansiedade e pelo imaginário acerca da gravidez e melhorar a adesão das

gestantes ao pré-natal, bem como esclarecer sobre seus direitos objetivando evitar qualquer situação de violência que possa vir a sofrer.Metodologia: As encenações ocorrem semanalmente nas rodas de gestantes das usf s dos Distritos Sanitários II. Assim, buscou-se referências bibliográficas sobre bumba-meu-boi. Após, confeccionou-se um boi e três alunos se caracterizaram como Mateus, Catirina e uma comadre. Foram utilizadas músicas e instrumentos musicais: maracás, sinos, pandeiros. Representava-se

ALVES

NETO

 

o

diálogo entre Mateus e Catirina, que queria ter seu desejo de grávida atendido: comer a língua do boi. A encenação mesclava

técnicas de clowns, teatro de rua, do improviso e do oprimido que convidavam o público a participar do enredo. Espera-se que as gestantest compartilhem e resignifiquem dúvidas, medos e mitos relacionados ao pré-natal e ainda com esclarecimentos sobre seus direitos durante o pré-natal e parto para evitar que sofram qualquer tipo de violência, como a não participação de um acompanhante durante o pré-parto e parto.Resultados: Nas encenações, as principais preocupações das gestantes foram: medos

e

mitos relativos a: aborto, sexo durante a gravidez, momento do parto, alimentos permitidos e/ou proibidos, tipos de partos,

calendário vacinal da mulher e mudanças corporais e onde devem procurar ajuda quando em situação de violência. Houve ainda relatos quanto ao uso de álcool na gravidez e malformações congênitas relacionadas a uso/abuso de drogas e/ou medicamentos. Ainda não foi possível quantificar a melhoria na adesão às usf s para o pré-natal, pois o PET-Saúde:

Fortalecimento da Rede Cegonha, ainda está em andamento, todavia durante as apresentações, houve, sim, um aumento da frequência do público em geral às usf s para assistir ao espetáculo.Conclusões: É mister se utilizar das manifestações da cultura popular para desenvolver ações de

josé antonio

Oficina da palav ra: uma aposta na produção de

A volta da presença da residência da UFRGS, no CAPS AD /Novo Hamburgo, é uma busca de um outro olhar no processo de cuidado das pessoas em sofrimento psíquico , devido ao uso de substâncias psicoativas(legais ou não).Um outro olhar,não melhor, substitutivo.Mas,complementar , que busque ser capaz de alcançar uma parcela de pessoas que flutuam pelo serviço,

caruso de

lucca

 

nov os discursos atrav és da arte num Caps Ad

sem aderir ao tratamento . Dentro desta perspectiva, como trabalhador atuando durante dois dias neste local, venho procurado contribuir para o aumento de resolutividade do serviço, seja atuando como força auxiliar, seja lançando questionamentos sobre a forma de atendimento e o elenco de ofertas de cuidado para um dado usuário. Preocupado em não me tornar um trabalhador ALIENADO (que não busca refletir sobre seu processo de trabalho, que não procura fazer de seu trabalho PRÁXIS), venho buscando realizar questionamentos, reflexões acerca das práticas do Caps.Para isso, tenho me valido de teóricos que são referência na área da saúde( Gastão Wagner Campos, Rossana Onocko, Roberto Tykanori Kinoshita, Silvio Yasui,Paulo Amarante)para qualificar minhas falas. Porém, o desconforto existe. Outros teóricos (Kaes), referem que os profissionais da saúde mental,usam da alienação com estratégia inconsciente como forma de defesa.Tendo consciência destes elementos, vim tentando articular mudanças, com a Preceptora Carol, com Eduardo/R2,e com os outros componentes da equipe Aos poucos foram surgindo brechas para uma contribuição mais efetiva, sendo a atuação no presídio de Novo Hamburgo a ação com maior visibilidade. E da forma que planejamos executá-la surgiu a vontade de replicá-la no Caps, como uma outra

abordagem a ser ofertada, no processo de captura da pessoa em sofrimento psíquico

e ao seu engajamento no cuidado.

Discussão

Para pensar uma oferta complementar de cuidado no Caps Ad,antes devemos olhar para o modelo teórico prevalente nos grupos ofertados(Motivação I e II,Estratégias,Planejamento): a Teoria Cognitivo- Comportamental. Modelo teórico com grande tradição na área de drogadição e com grande produção acadêmica, porém, ainda assim temos de perguntar:

UMA ÚNICA TEORIA É CAPAZ DE EXPLICAR TOTALMENTE UM EVENTO? UMA TEORIA CIENTÍFICA É CAPAZ DE EXPLICAR A DROGADIÇÃO ESQUECENDO A SUBJETIVIDADE? É POSSÍVEL CUIDAR DE UMA PESSOA EM SOFRIMENTO PSÍQUICO SEM PROPICIAR ESPAÇOS DE ESCUTA ONDE ELE NÃO SE SINTA JULGADO?

Não estou dizendo que isso ocorra. Mas, acredito que devamos pensar nas ofertas terapêuticas aos usuários, construir COM eles seu projeto terapêutico singular(PTS).Não baseado no que temos disponível, mas à partir do DESEJO desse dado sujeito.

jose dario

Dialogo entre a Div ersidade Sexual e a Saúde Mental

O objetivo desta apresentação é propiciar um dialogo entre a Saúde Mental e a Diversidade Sexual em duas vias, apresentar uma primeira sistematização dos dados de atendimentos de um equipamento voltado para população LGBT (Programa Rio sem Homofobia) para dar o sentido c de direitos humanos de uma população vulnerável e um segundo propósito é provocar uma discussão junto com os programas de saúde mental so bre protocolos de ação com a população transexual.

córdov a

posada

José

A atualidade de interv enções embasadas na Justiça Restaurativ a para a Saúde Mental

O trabalho apresenta um caso no qual foi realizada uma Mediação de Conflitos dentro de um CAPS da Grande São Paulo após situação de agressão entre usuário e funcionário do serviço. Tratava-se de um caso muito grave e crônico e o desentendimento com a referência ameaçava o vínculo da família com a instituição e a própria continuidade do trabalho da profissional, que se mostrou muito afetada com a situação. A construção coletiva realizada possibilitou a manutenção do trabalho de assistência e a propositura de um contrato reparatório que implicou os mais diretamente afetados na superação da situação. Pretende-se promover a discussão sobre o uso do recurso interventivo "Mediação de Conflitos" - apoiado-se em preceitos da Justiça Restaurativa, da Psicanálise e da Saúde Mental - como um facilitador / possibilitador de ações formais orientadas para a garantia de alguns direitos fundamentais, com ênfase à dignidade.

Eduardo

Assunção

Azev edo

Joselma

A Gestão do cuidado no programa de Atenção Domiciliar: uma análise micropolítica da produção de saúde em domicílio.

O interesse pela discussão a cerca do cuidado, sua gestão e disputas como atividades analisadoras de práticas instituídas em saúde, vem crescendo nas últimas décadas. A conceituação de gestão do cuidado nesse constructo compreende-se como ações de encontro de sentido e significado através da busca pela integralidade na atenção e na compreensão de saúde no âmbito de quem cuida e de quem é cuidado. Seu foco engloba analiticamente o deslocamento do ato de cuidar para próximo das dependências domiciliares e para o entendimento do envolvimento e do relacionamento entre as partes implicadas nesta ação, sendo essas desde os usuários, aos profissionais, cuidadores e também as instituições. Pertencente ao Sistema Único de Saúde - SUS e um recurso importante nas ações de saúde, o Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), engendrado pelo Programa de Atenção Domiciliar - PAD, apresenta-se como alternativa substitutiva a hospitalização. Foram realizados acompanhamentos na perspectiva micropolítica da gestão do cuidado, junto a uma das equipes pertencentes ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal/RN. Esse trabalho atentou-se aos modos cotidianos da produção de saúde executados tanto pela equipe de atenção como pelos cuidadores no domicílio e a valorização da inovação e criatividade nas práticas em saúde. Percorrendo caminhos

metodológicos qualitativos de pesquisa e norteado p elas inspirações da cartografia ele se caracteriza pelo cunho exploratório, propagando-se por duas esferas: uma visão macropolítica, tratando da compreensão da política do programa; E outra micropolítica buscando a observação da produção do cuidado em domicílio. O PAD é encarado como recurso recente que infere

Macêdo

Rodrigues

 

o

trabalho em saúde no domicilio como um território de ações potencializadoras na gestão do cuidado e

recuperação/reabilitação dos sujeitos através da coparticipação dos cuidadores e familiares e também enriquecendo o trabalho das equipes multiprofissionais. Por meio da dissemi nação de formas de cuidado não instituídas almejou-se a potencialização das conduções inovadoras que garantam a escuta, o vínculo e ainda provoquem o desenvolvimento das singularidades, raízes

culturais e das redes de pertencimento refutadoras de ações medicalizantes, psiquiatrizantes e psicolo gizantes da vida. Logo se espera como resultado a contribuição para que seja ressaltada a importância e relevância do investimento no cuidado domiciliar

e

o incentivo a processos inventivos, dinâmicos e centrados nas relações.

Josiane

A Clínica Psicológica do Instituto Sedes

Este trabalho pretende apresentar a Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae e seu Projeto clínico-ético-político como um equipamento da rede de atenção à Saúde Mental a partir de sua história de lutas pelos direitos humanos, em sua interseção com os movimentos pela Reforma Sanitária, pela Reforma Psiquiátrica, da Luta Anti-manicomial e o movimento pelos direitos das crianças e adolescentes que culminou no ECA. Dentro do panorama histórico-político que obstaculizou até a atualidade a implantação do SUS e da RAPS em São Paulo, a Clínica vem funcionando como importante polo de referência na atenção, formação e pesquisa em clínica ampliada, em equipe interdisciplinar, em construção de redes intersetoriais. Em função da prevalência de forças contra-reforma na cidade e no Estado de São Paulo, um imenso contingente da população de maior vulnerabilidade social, não recebida pelos CAPS em função das características de seu sofrimento psíquico, vem sendo encaminhada para um tipo de dispositivo criado pelos governos estadual e municipal as AMEs Psiquiatria - , com o apoio institucional de importantes universidades públicas, cuja política de atenção segue as diretrizes da pesquisa psiquiátrica, implicando em um modo de atenção eminentemente medicalizante, já que médico- centrado. Este trabalho se propõe também a apresentar alguns dispositivos clínico-institucionais construídos na Clínica, em sintonia com as diretrizes do SUS, da Reforma Psiquiátrica brasilei ra e da PNH que ressaltam a função central da escuta clínica na construção dos projetos singulares daqueles que procuram esse serviço.

Carmele

Homs

 

Manásia

Sapientiae e as Políticas Públicas de Atenção à Saúde Mental.

Julia

 

Na atenção à população em situação de rua e vulnerabilidade social, percebe-se a necessidade permanente de construção de dispositivos para a qualificação da intervenção das equipes técnicas nas Políticas Públicas. Isso se coloca como um desafio importante para a área da Saúde Mental e para os princípios de universalização e integralidade do cuidado do Sistema Único de Saúde. A articulação intersetorial é fundamental nesse campo, pois a Assistência Social é uma área com ampla experiência de trabalho com essa população e, diante da fragilidade dos vínculos entre os albergues e as unidades de saúde, é difícil garantir a continuidade da atenção à saúde dessa população, com grande mobilidade, pouca institucionalização e condições múltiplas de moradia e documentação. A fim de aprofundar o conhecimento sobre as práticas existentes nesse campo, propõe-se discutir sobre uma cartografia em andamento do modo como é realizado o atendimento pelos agentes comunitário da Estratégia Saúde da Família especializada na população em situação de rua no centro da cidade de São Paulo. Pretendemos problematizar essa composição tomada pelas práticas de promoção da saúde, com suas especificidades e peculiaridades, e identificar as forças tanto de submetimento e padronização, quanto as emancipatórias de participação inventiva e autônoma. Cartografar nos ajuda a analisar as discursividades locais, explorar os limites e mapear linhas de fuga, que nos levam a vislumbrar outros modos de cuidado e de vida se insinuando, com outras formas de composição com o pode r.

Magalhães

Atenção à Saúde à População em situação de Rua

JULIANA

O abandono institucional considerações sobre o psicólogo em uma Central de Penas e Medidas Alternativ as

Este trabalho tem como propósito discutir os desafios na prática do psicólogo inserido no contexto jurídico, no campo do Programa de Prestação de Serviço à Comunidade (PSC), implantado pela Coordenadoria de Reintegração Social e Cidadania. Criadas para diminuir os malefícios da prisão, as penas ou medidas alternativas são determinadas pelo Judiciário mediante um delito de pouca gravidade, para que se cumpram hora s de trabalho gratuito em entidades governamentais ou não- governamentais sem fim lucrativos. Uma das atribuições desse serviço é integrar o acompanhamento do apenado verificando a necessidade de outros serviços sociais, no entanto o que se observa é que a falta de recursos torna-se motivo para punição. Serão trazidos alguns casos de abandono da pena pelos sujeitos, refletindo que a instituição também o abandona , fazendo-se uma ponte com a possibilidade de atuação do psicólogo de maneira a diminuir o sofrimento destes sujeitos e contribuir para a sua reintegração. Será discutida criticamente a lógica da instituição pública atuando ora como remediadora, ora como acusadora, não colaborando para a autonomia dos sujeitos.

BARROS

BRANT

CARVALHO

Juliana

Compartilhando o

A partir da experiência de matriciamento na Estratégia Saúde da Família (ESF) com profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), percebemos que as intervenções e diálogos no campo da saude mental são cada vez mais abrangentes e necessita ampliar o trabalho em parceria com os diferentes núcleos profissionais da saúde: enferemeira, médica, auxiliar de enferemagem, agente comunitária de saúde, terapeuta ocupacional e psicóloga. Também percebemos como a construção do vínculo com a pessoa a ser atendida é essencial para o desenvolvimento de um projeto terapêutico, bem como com os familiares e/ou pessoas envolvidas na rede de apoio desse usuário. A partir de um relato de caso, ilustraremos a potencia do trabalho da atenção básica na atuação de casos graves em saúde mental. Apesar de sabermos que a rede de apoio a sa úde é ampla, contando com diversos serviços de apoi o, neste caso específico, porém, havia uma dificuldade de circulação da usuária para chegar até os serviços. Fez-se necessário unirmos esforços da ESF e NASF para acompanhamento que se d eu através de consultas e, principalmente, visitas domiciliares. Nesse momento do acompanhamento desta família, percebemos uma melhora geral do quadro da depressão agravada com o nascimento de sua quarta filha em que apresentava uma dificuldade geral com a maternagem desse bebê e de seus demais filhos. Hoje estamos trabalhando a autonomia, circulação e outras redes de apoio uma vez que sua família de origem encontra- se em outro estado. Com esse trabalho pretendemos pensar a importância do compartilhamento ESF/NASF a fim de abarcar os casos que não conseguem ter acolhimento em outros serviços por falta de perfil e/ou acesso, bem como compreendendo a potência da atenção básica no acompanhamento a esses casos.

Russo

Antunes

matriciamento em saúde mental ESF/NASF

Juliana

Medida de Segurança frente a reforma psiquiátrica brasileira uma contradição à desinstitucionalização?

O presente estudo é fruto da monografia de conclusão de curso que possuía como objeto de investigação a relação (contraditória) entre a Reforma Psiquiátrica e a execução da Medida de Segurança no Brasil. O objetivo desta pesquisa foi compreender como esta relação se estabelece no que tange à internação compulsória e como os profission ais que atuam na assistência nos manicômios significam esta relação e a condição do louco infrator . Para isso entrevistamos 03 profissionais que atuam num manicômio judiciário. A pesquisa foi realizada no primeiro semestre de 2013 e a partir da analise dos dados inferimos que atualmente há um movimento na tentativa de adequação da Medida de Segurança à Reforma Psiquiátrica e não uma ruptura ou superação deste dispositivo jurídico. Diante desta relação contraditória, identificamos a necessidade de novas práticas no que tange às ações voltadas para as pessoas com transtorno mental que cometeram crime e para isso o investimento em pesquisas e estudos é tão necessário quanto inadiável.

Silv a

Antunes

Jussara

O estigma da doença mental: como superá- lo?

A equipe multidisciplinar dos CAPS tem um papel imp ortante para ampliar debates sobre os direitos e so bre a cidadania das pessoas com doença mental no seu território de atuação, informando às pessoas com e sem doença mental e aos empregadores sobre o propósito de reduzir o estigma relacionado à doença mental. Estas equipes devem aproveitar as oportunidades dentro e fora do campo de trabalho em saúde mental para promover a inclusão social, a reabilitação psicossocial e a desestigmatização da doença mental na sociedade através de ações estratégicas no seu território de atuação. Objetivos: conhecer a compreensão dos profissionais das equipes multidisciplinares dos CAPS Adultos sobre o conceito de estigma da loucura; identificar as estratégias de intervenção para superar o estigma da doença mental realizadas por essas equipes em seu território de atuação e; analisar a possibilidade e a dificuldade das mesmas para a implementação das ações de superação do estigma. Base teórica:

teoria sobre o estigma de Evining Goffman. Categoria analítica: Reabilitação Psicossocial. Sujeitos do estudo: profissionais de saúde mental das equipes multidisciplinares dos CAPS adultos. Utilizou-se para coleta de dados entrevistas semi-estruturadas e para apuração dos dados foi utilizada análise de conteúdo temática. As categorias empíricas encontradas foram: 1) processo de saúde-doença mental; 2) processo de estigma e exclusão social; e 3) processo de trabalho em saúde mental. Percebe-se que as necessidades em saúde são dinâmicas em sua construção social e histórica, exigindo que os serviços tenham a capacidade de desenvolver estratégias dinâmicas e sensíveis, capazes de superar as ações rotineiras, passando para arranjos de escutar, reinterpretar e trabalhar as necessidades de saúde. Considera-se, portanto, que a proximidade dos CAPS com a sociedade facilita a inclusão social e a superação do estigma da doença mental e esta ajuda a transformar o imaginário social, e vice-versa. Observou-se que é preciso ter maior suporte do governo e das políticas públicas, como por exemplo: promoção de campanhas de superação do estigma, para que estas equipes consigam difundir as ações de superação deste no seu território de atuação. Conclui-se que as ações desempenhadas pelos sujeitos do estudo são o início para a superação do estigma da doença mental nos seus territórios de atuação, devido à promoção: de cidadania, da circulação no território e do poder contratual das pessoas com doença mental.

Carv alho

dos Santo

 

KALLINE

Direitos Humanos e o Tratamento ao Uso de Álcool e outras Drogas:

Um amplo debate sobre a internação compulsória de usuários de crack vem acontecendo no Brasil. Não podemos negar que há casos em que a internação pode ser adequada, amparada pela Lei 10.216/2001. Porém, destaca-se que deve ser feita em caráter de exceção e não pode (ao menos não deve) ser eixo de política pública voltada aos usuários de drogas. Quando esta retirada do convívio social é realizada de forma aleatória e forçada, apresenta-se como uma punição e não uma forma de tratamento. O tratamento para a dependência de álcool e outras drogas deve ter como premissa a voluntariedade, pois são inúmeros os casos de insucesso quando é realizado de forma involuntária. É importante lembrar que por trás da ideia de droga há uma infinidade de conceitos drogas diferentes, formas de usos, motivações e se ntidos distintos. E assim, não pode haver uma única forma de olhar, falar e ouvir sobre a questão do uso de drogas. Muito se fala que todo s os seres humanos nascem com direitos inalienáveis. Os direitos humanos buscam proporcionar uma vida digna, e cabe ao Estado protegê-los independente de gênero, cor, etnia, credo religioso ou classe social. A afirmação da cidadania entendida como o direito a ter direitos, confere ao ser humano o seu lugar no mundo e a condição para o exercício da sua singularidade entre homens iguais. Ao trabalhar com o usuário de drogas, entendendo-o como ser de direitos, temas como consumismo, hedonismo e machismo

devem ser considerados. Não podemos esquecer os estigmas e preconceitos que circundam esse universo. Dessa forma, o que defendemos é uma política pública não discriminatória, reafirmadora dos direitos humanos à saúde, à liberdade, à integridade e

FLÁVIA

SILVA DE

LIRA

Um Diálogo Possív el

à

dignidade. Levando-se em consideração os princípios da Reforma Psiquiátrica brasileira, a institucionalização é um retrocesso

reforça a estigmatização. É preciso, por fim, deixar claro que a luta pelo fim da internação como única forma de tratamento não é o mesmo que lutar contra a internação. Acredita-se que é melhor investir na rede de atenção já existente, tendo como pressupostos o respeito aos direitos humanos e o entendimento da dependência como um fenômeno complexo.

e

Karina

Projeto AtenTO uma proposta de atenção da Terapia Ocupacional com crianças e adolescentes em situação de v ulnerabilidade social

Sabe-se que a vulnerabilidade social na infância e adolescência está associada a diversos fatores culturais, econômicos e sociais levando a situações de rupturas da participação e da coesão social. Dessa forma, pretende-se relatar as experiências do Projeto AtenTO desenvolvido por professoras e alunas do curso de Graduação em Terapia Ocupacional da Universid ade Federal do Triângulo Mineiro, em uma instituição filantrópica, localizada no município de Uberaba, Minas Gerais, que atende cerca de 50 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, com idade entre 6 e 14 anos. Busca-se o desenvolvimento de estratégias e ações que promovam a (re)construção das redes sociais de suporte entendidas como instrumento mobilizador e terapêutico, o acesso os direitos, a saúde mental, a educação, a participação social e a cidadania destas crianças, adolescentes

Piccin Zanni

 

e

suas famílias. As atividades desenvolvidas englobam acompanhamentos individuais relacionados a problemáticas psicossocais

e

de saúde mental, além de acompanhamentos grupais, orientação familiar, visitas domiciliares e aos equipamentos de saúde,

educação, assistência social e lazer que compõe a rede de atendimento a criança e ao adolescente no território e no município. Realizam-se ações de caráter lúdico e educativo pautadas no pressuposto de que o trabalho com a criança e o adolescente é bastante delicado e múltiplo, pois se trata de um a mplo universo de afetos, de desejos e de cidadania. Busca-se promover o desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial, o respeito ao próximo, a interação social e a convivência em grupo, o reconhecimento dos direitos e deveres com base no Estatuto da Criança e do Adolescente, elaboração de estratégias de enfrentamento e empoderamento perante situações cotidianas conflitantes, somados a criação de espaços coletivos e individuais de expressão, lazer, prazer, aprendizagem e saúde. Ao longo de um ano de existência do projeto, notou-se que a transformação do espaço em local de referência e sociabilidade, o nde se criaram novas alternativas de circulação, de relações e vínculos, descoberta de possibilidades e capacidades, melhoria da qualidade de vida e resgate de vínculos afetivos e familiares. Salienta- se que as ações do projeto AtenTO tem importante pa pel no enfrentamento de questões que fazem parte do cotidiano dessas crianças e adolescentes, atuando diretamente sobre os fenômenos de vulnerabilidade social, ruptura e enfraquecimento das redes sociais.

Kátia Liane

Entre o cuidar e o

Este trabalho tem por objetivo discutir o papel do profissional de saúde diante da tarefa de acompanhar, coordenar, facilitar uma oficina de geração de trabalho e renda na saúde mental. A reforma psiquiátrica lutou pela conquista do direito, ao usuário da saúde mental, o acesso a cidade, à casa e ao trabalho. Diante dos desafios da inclusão social, as oficinas de trabalho carregam a missão de viabilizar e sustentar a reinserção social, de pessoas excluídas do mercado de trabalho, numa sociedade tida como do tipo capitalista. Assim propomos discutir a produção de cuidado, o que o encontro da saúde mental e da economia solidaria vem proporcionando a essas pessoas. Conceitos como cuidar, empreender, oficinas de trabalho, produção de autonomia e cidadania, economia solidaria, rotinas administrativas e de gestão são os eixos centrais da discussão. As reflexões sobre a prática desse lugar de coordenador/facilitador de uma oficina de trabalho, onde princípios como organização coletiva, autogestão, solidariedade, construção de redes e cuidado ao meio ambiente são itens que fazem parte de nosso dia-a-dia, apontam o conceito de Empreendedor Biopolítico proposto por Toni Negri, apropriado ao papel desempenhado. O autor, o define como aquele que consegue articular as capacidades produtivas de um contexto social. É o exercitar de uma clínica que possibilite espaço de fala e escuta, e que incentive a participação de todos. Ao coordenador cabe ser a um só tempo, de um ponto de vista biopolítico, empreendedor de subjetividade e de igualdade. Cabe empreender um negócio, um projeto econômico do qual boa parte dos oficineiros vivem da renda. Cabe empreender as subjetividades dando espaço a criatividade, de olho no mercado e na comercialização. Cabe empreender o coletivo, foment ando os desejos, transformando-os na expressão de u m grupo. A oficina se torna o espaço onde se opera a criação, onde a tram a dos saberes e práticas se entrelaçam. O trabalho encontra seu valor no afeto, afeto como potência de agir, de transformar, trabalho afetivo que produz subjetividade, redes sociais e vida. Um constante criar e recriar, propiciando aos oficineiros que ocupe novos locais sociais, gerando mais que trabalho e renda, gerando valor intangível que agrega novas perspectivas de existência. É a Clínica do Empreendedorismo Biopolítico viabilizando a Inclusão social pelo trabalho e garantindo a ampliação da contratualidade social dos oficineiros.

Rodrigues

Pinho

empreender - uma oficina de trabalho

Katia Muniz

Saída das ruas, uma história de 30 anos

Este trabalho tem como objetivo relatar uma experiência vivida por nós profissionais da equipe de consultório na rua, do Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto. Entre os pacientes atendidos e acompanhados por nós temos J.M.S, 61 anos, que é acompanhado por nós há 6 anos e encontra-se em situação de rua há mais de 30 anos. No início do acompanhamento possuía

, seu corpo e roupas, e ainda, amarrar sua hérnia inguinal que doía a cada carroça carregada, as roupas rasgadas eram remodeladas por ele mesmo, para combinar com seu sa pato bordado com arame e clips, as revistas não era m para usar de suporte para dormir e sim para serem lidas e o cont eúdo compartilhado com a equipe, entre o discurso d elirante (que pouco se

uma carroça onde acumulava sua casa constituída por papel ão, fios, roupas rasgadas e revistas

os fios se rviam para amarrar

Amirati

 

alterou com a introdução do antipsicótico),existia um conteúdo inteligente, carinhoso e preocupado, um olhar atento as imagens

e

reportagens, a ponto de solicitar que a equipe fosse acompanhar as famílias na África, que viviam em uma miséria muito

maior que a dele. Várias foram as tentativas da equipe para tirá-lo da rua e encaminhá-lo a um centro de acolhida, local o qual denominava arca de Nóe pela diversidade de pessoas, hábitos e orientações sexuais, o que para ele impedia a convivência. O acompanhamento continuava, a hérnia fora resolvida com procedimento cirúrgico, após inicialmente o hospital ter negado a internação pelo fato do paciente estar muito sujo e com uma faca, objeto este que usava para cortar os fios que rodeavam o seu corpo, uma hepatite C Crônica fora diagnosticada e as preocupações sobre a saúde de J.M.S aumentavam , 6 anos depois solicitou à equipe a saída das ruas, para um local onde só tivessem cabelos brancos , após muitas conversa com a secretaria de assistência social, surge a vaga em uma morada para idosos, e o dia da saída das ruas chegara, no meio a surpresa e

exclamação de: isto é um milagre! , resolve pegar alguns objetos, entre eles duas garrafas vazias, um jornal, e um sapato que

havia reformado

chegando

no espaço senta para almoçar, põe a mão na mesa e diz: agora eu tenho uma mesa , agora é

o

começo uma vida digna , agradece a equipe e nos deseja bom trabalho. Com J.M.S pudemos apreender sobre respeito pelo

tempo do outro, a caridade e bondade da rua, o desejar ser respeitado nas suas limitações e individualidades e sobre o que realmente vale a pena em nosso trabalho.

Katia

Desafios para a articulação entre saúde mental e assistência social: um olhar sobre os motiv os do descumprimentos de condicionalidades do Bolsa Família.

Este trabalho tem como proposta levantar a importância da articulação em rede entre Assistência Social e Saúde Mental, a partir das vulnerabilidades identificadas durante os atendimentos realizados com os usuários em descumprimento de condicionalidades do Programa Bolsa Família em um CRAS de um município com aproximadamente 300.000 habitantes, situado na região metropolitana de São Paulo, Os grupos realizados com este público desde o início de 2012 têm apontado que as situações que culminaram em descumprimento das condicionalidades da educação, no caso de algumas famílias, encontram relação com a dificuldade de acesso à política de saúde mental e, consequentemente, com o enfraquecimento de ativos necessários para enfrentar situações de vulnerabilidades e risco social. Pontuaremos sobre os procedimentos desenvolvidos pela equipe do CRAS para superar esta dificuldade, ressaltando o caráter individualizante das ações, o foco apenas no empréstimo do poder contratual ao usuário e as implicações da falta de autonomia da equipe na busca por outras alternativas. Apresentaremos também reflexões sobre o problema à luz da saúde coletiva, enfatizando o significado social do processo saúde doença, com o objetivo de levantar possibilidades que ultrapassem os limites das instituições e dos programas. Utilizaremos como eixo de discussão uma família, escolhida dentre todos os casos atendidos, por exemplificar o trânsito da vulnerabilidade ao risco social, por falta de articulação entre saúde mental e assistência social.

Murray

Hernandes

Martins

KWAME

Uma análise dos efeitos do uso a longo prazo de antidepressiv os

A sociedade atual vive desde a década de 50 uma revolução psicofarmacológica , em que os avanços tecnológicos da psiquiatria e das neurociências possibilitaram avanços nos tratamentos psicofarmacológicos em Saúde Mental, porém os mesmos ainda parecem ser usados como estratégia de institucionalização invisível . O sintoma passou a ser visto como uma causa em si, um fenômeno ateórico, sem história. A partir da teoria psicanalítica do campo de Freud/Lacan, sabemos que o sintoma é uma importante via de acesso ao saber inconsciente, pois possui uma positividade simbólica . Para psicanálise ele é resultado de uma conflitualidade do aparelho psíquico. Ainda que ele seja uma resolutiva precária de conflito psíquico (porque no processo deixaria muito sofrimento ao sujeito), não podemos ignorar que é uma tentativa subjetiva de auto-cura, e uma vez silenciada essa expressividade, resultaria conjuntamente no ap agamento da singularidade do sujeito. Não se deve e xtirpar o saber do sujeito sobre seu mal-estar, visto que aí se encont ra a sua dimensão desejante. Ao se retirar o sintom a, muitas vezes isso torna o sujeito apático, no sentido de sem páthos, tanto se m sinais da suposta patologia psiquiátrica, quanto sem paixão, sem acesso a sua via desejante. Nas últimas décadas, o movimento pela Reforma Psiquiátrica vem lutando pelo fim das internações manicomiais, porém parece que estamos nos deparando com uma nova modalidade de captura e assujeitamento das subjetividades: a camisa-de-força química . Nesta nova modalidade de relação tutelar, não é preciso necessariamente encerrar os chamados distúrbios mentais dentro de um manicômio, destitui-se o sujeito de todo o saber/poder sobre o mal-estar que o acomete, nesta nova configuração de relações. As contingências da nossa pesquisa são os antidepressivos receitados no tratamento do estado depressivo. Percebemos que muito dos antidepressivos são destinados a remediar o mal-estar produzido e compartilhado no laço social. A depressão é um impasse em relação a sensação de duração do tempo, incomodando-nos por sua vagarosidade existencial e uma aparente imobilidade inerte em uma sociedade que cultua a performance, exigindo que todos tenham desempenho empreendedor em todos os âmbitos da vida.Foram entrevistados cinco sujeitos que usam esses psicofármacos por três anos ou mais, três mulheres e dois homens. Procura-se, com esse estudo, saber se após a utilização prolongada dos antidepressivos subsistiria algum so frimento.

YONATAN

POLI DOS

SANTOS

 

Laila

A construção de um

Diante da experiência das autoras em um CAPS Adulto na periferia da Zona Sul da cidade de São Paulo, foi possível perceber que não havia um espaço de fala, onde o sujeito pud esse falar sobre si, se perceber, perceber seu espa ço e, consequentemente, entrar em contato tanto com seu mundo interno como com os outros. A partir disso, foi proposto o Grupo Registros Memórias e Imagens. A princípio, a fotografia foi utilizada como um recurso para aproximar os participantes entre si, permitir um olhar diferente a respeito de si mesmo e, além disso, facilitar o surgimento dos temas discutidos nos encontros. Logo ficou claro que a tarefa seria difícil. Os usuários indicados para participarem do grupo não tinham a experiência de grupos de fala ou, mesmo, de poderem falar sobre si, pois, nas relações familiares e na comunidade em que viviam, eram os ditos loucos , aqueles que não tinham o direito à fala e, quando o tinham, ela era desconsiderada. Além disso, eram pessoas com um comprometimento importante, na sua maioria psicóticos graves. Esse empobrecimento da linguagem e do contato influenciou no processo de grupalização. No início, não lembravam o nome dos outros participantes, não trocavam olhares entre si, faltavam com frequência aos encontros, ficavam em uma postura passiva esperando comandos das coordenadoras e dirigindo o olhar e a fala exclusivamente a estas. A fala de cada um não compunha um diálogo, eram falas isoladas, que mais pareciam relatos desconectados. Aos poucos, foram sendo incentivados a observar e d ividir suas impressões sobre os registros realizado s, a falar dirigindo-se aos demais participantes e, assim, entrar em contato com os demais, o que permitiu a discussão de outros temas, como loucura, estigma, tratamento, alta, trabalho, família, relações e outros. Foi possível perceber que a fotografia, apesar de ter sido usada como um recurso inicial, serviu como um tecido que foi formando uma rede de assuntos e possibilitando a criação de um campo de fala dentro do grupo.

Moreira

Velho

grupo de fala em um CAPS

LAIS

VIVÊNCIA DOS BOLSISTAS DO PRO-

Introdução:O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde-PROPET Saúde Mental proposto pelo Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação e da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas tem como objetivo a qualificação em serviço dos profissionais de saúde e a introdução ao trabalho dos discentes das graduações em saúde no Sistema Único de Saúde(SUS).Nele ocorre troca de experiências através das salas de espera,oficinas e atendimentos individuais de acompanhantes.Prioriza linhas de cuidado de acordo com as necessidades identificadas nos Centros de Assistência Psicossocial(CAPS),e dentre essas a terapia medicamentosa.Objetivo:Descrever a experiência vivenciada na atuação enquanto bolsistas e preceptores do CAPSi no atendimento individual e coletivo com as crianças e acompanhantes.Metodologia:Relato de experiência sobre ação educativa com enfoque nos medicamentos com acompanhantes de crianças autistas atendidas no CAPSi em Feira de Santana,Bahia.Atividades realizadas:observação da dinâmica do serviço,participação nas oficinas e discussão de casos clínicos com a equipe do CAPSi, com a foi priorização do atendimento dos responsáveis e a coleta de dados sobre a farmacoterapia de seus filhos e da adesão ao tratamento.Sendo assim,foi decidida a elaboração de folders ilustrados a serem distribuídos para o público e um banner contendo informação sucinta para os acompanhantes na sala de espera.Resultados:O atendimento aos responsáveis das crianças autistas foi iniciado com a apresentação dos bolsistas do PET.No atendimento, foi preenchida uma ficha farmacoterapêutica, visando obter informações pessoais dos pacientes, sobre a terapia medicamentosa.A partir dessa informações deu-se início a um momento explicativo acerca dos seguintes temas:outras formas de terapia, além dos medicamentos; a importância de seguir a posologia prevista; elucidar a eficácia dos medicamentos genéricos; informações sobre armazenamento e interações medicamentosas. Priorizou-se o atendimento como um momento educativo e participativo, onde se estabeleceu um diálogo entre os bolsistas e os a companhantes que mostraram interesse pelo tema a ap resentaram dúvidas, opiniões e costumes o que proporcionou uma interação entre ambos.Conclusão:A experiência demonstrou a importância das ações educativas como forma de promover a saúde com o uso racional de medicamentos e o fortalecimento do vínculo entre os estudantes com o serviço prestado pelo PET em conjunto com o CAPSi e sua equipe.

QUEIROZ

OLIVEIRA

 

MARQUES

PET SAÚDE MENTAL NO CAPSi DE FEIRA DE SANTANA

Lara de

Perfil da população em

Muitos são os fatores motivadores da existência de pessoas em situação de rua, porém está claro que se trata de um fenômeno complexo e multicausal. Atualmente, políticas públicas estão sendo propostas na tentativa dar apoio e suporte de saúde e social às pessoas em situação de rua. Este trabalho teve como objetivo traçar o perfil epidemiológico da população em situação de rua atendida pelo projeto de extensão Cuidando de pessoas em situação de rua . Trata-se de um estudo quantitativo, com análise retrospectiva de fichas cadastrais de moradores de rua atendidos pelo projeto (protocolo comitê de pesquisa n. 405/2010) que está vinculado a uma entidade filantrópica atuante no município há mais de 10 anos. O município sede do projeto possui mais de 200.000 habitantes e destaca-se em vários seguimentos do comércio e em serviços de apoio às empresas e às famílias. Foram avaliadas 73 fichas cadastrais. Os dados mostram qu e a população em situação de rua é composta por hom ens (87,67%), que se encontram na faixa etária entre 30 a 39 anos (34,25%) e que 78,08% possuem renda financeira por meio de atividades não oficiais. Mais da metade da população em estudo possui familiares residentes no município e os motivos que levaram essa população a quebrar os vínculos familiares estão associados a brigas com as pessoas que conviviam, seguidas do uso abusivo de álcool e drogas. Verificou-se que muitas brigas com as famílias ocorreram pelo motivo de estarem desempregados e não conseguirem prover o sustento. Os principais problemas de saúde são o uso abusivo de álcool (38,30%) e drogas ilícitas (21,99%). Observa-se que a população em situação de rua está se tornando cada vez mais evidente e por isso estão sendo implantadas políticas públicas de saúde e de assistência social para garantir o acesso às tecnologias de saúde e assegurar os direitos desta população, porém este tema tem mobilizado, de forma ainda tímida, o poder público e a sociedade civil. Considerando que estes dados foram obtidos por meio de um projeto de extensão, em que acadêmicos da área da saúde envolveram-se com a temática, conclui-se que é indispensável trabalhar questões que envolvem vulnerabilidade tanto de saúde quanto social durante a formação profissional, para que os profissionais de saúde, em especial os enfermeiros, estejam capacitados a atuar diante a desigualdade e exclusão social, atendendo a população em situação de rua com qualidade, de forma integral, humanizada e igualitária.

Almeida

Santos

situação de rua atendida por um projeto de extensão no interior do estado de São Paulo.

Larissa

A experiência da Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Mental da FAMEMA:

possibilidades e

O Programa de Residência Multiprofissional é resultado de uma parceria entre os Ministérios da Saúde e da Educação e constitui-se como um programa de pós-graduação lato sensu, em nível de especialização. Sua finalidade é formar profissionais preparados para atuar de acordo com os pressupostos e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) através da educação em serviço. A formação é realizada através de atividades práticas, teóricas e teórico-práticas, dando-se ênfase especial à atuação em campo. O Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Mental, mais especificamente, visa promover mudanças na formação e na prática de profissionais da saúde a fim de melhorar os cuidados à saúde mental das pessoas e comunidades e consolidar as Políticas de Saúde Mental do SUS. O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de profissionais residentes no segundo ano da Residência Integrada Multiprofissional da Faculdade de Medicina de Marília, bem como as dificuldades, possibilidades e desafios enfrentados durante o curso. A residência é composta por profissionais de quatro áreas: enfermagem, psicologia, serviço social e terapia ocupacional, atuando em diversos campos da saúde. Os locais de estágio correspondem no primeiro ano ao Centro de Atenção Psicossocial II, Centro de Atenção Psicossocial álcool e drogas, Enfermaria psiquiátrica. Já no segundo ano os residentes desenvolvem atividades no Ambulatório de Saúde Mental, Centro de Atenção Psicossocial infantil, Oficina Terapêutica, Policlínica e Hospital Materno-infantil. A diretriz desta formação é o trabalho interdisciplinar e multiprofissional com vistas a romper com as especialidades disciplinares, a fragmentação dos saberes e as práticas de segregação, promovendo a atenção integral, pautada em uma concepção ampliada do processo saúde-doença. No entanto, diversas dificuldades vêm sendo enfrent adas pelos residentes, comprometendo aquilo que se espera da formação e atuação destes, evidenciando a fragilidade entre instituição de ensino responsável e demais cenários de prática. Sendo assim, faz-se necessário um constante debate e discussão sobre o tema, a fim de aperfeiçoar os programas de especialização já que esses são uma alternativa na qualificação e atuação de profissionais capacitando-o para lidar com as atuais demandas e com a materialização das políticas de atenção à saúde mental.

Soares de

Melo

desafios

LAURIDES

ENFERMAGEM X MEDIDAS DE SEGURANÇA: OS DESAFIOS ÀS EQUIPES DE ENFERMAGEM NA PROMOÇÃO DE SAÚDE NOS MANICÔMIOS JUDICIÁRIOS.

Laurides da Conceição Almeida Baltazar. Hospital de Custódia e Tratamento Henrique Roxo.

DA

CONCEIÇÃO

OBJETIVOS: Várias dificuldades são enfrentadas pelos membros da equipe de enfermagem, ao desenvolverem suas atividades

ALMEIDA

de promoção da saúde e cumprimento dos direitos sociais de seus pacientes, nos manicômios judiciários e instituições similares.

BALTAZAR

O

objetivo deste trabalho foi determinar como os membros da equipe de enfermagem podem promover a saúde mental de seus

pacientes e garantir os direitos sociais dos mesmos. METODOLOGIA: A metodologia empregada é de revisão bibliográfica,

sendo priorizados os trabalhos: Direitos das pessoas com transtornos mentais autoras de delitos, de Correia et al. (2007); A história esquecida: os manicômios judiciários no Brasil, de Sérgio Luis Carrara (2010); e Direito e Saúde Mental: percurso histórico com vistas à superação da exclusão, de Santana et al. (2011), que foram resumidos, transliterados e comentados, sendo portanto feita

 

análise de seu conteúdo. RESULTADOS: Os resultados apontam os novos caminhos que devem ser trilhados pelos profissionais de saúde comprometidos com o tratamento e a ressocialização desses pacientes. CONCLUSÕES: A realidade social dos manicômios judiciários e as relações entre saúde e segurança que vigoram nesses ambientes precisam ser melhor compreendidas em busca de soluções efetivas para dar um melhor nível de vida a todos os atores envolvidos, quer sejam pacientes ou responsáveis pela sua saúde e segurança, com a recomendação de que sejam implementados protocolos de atendimento de enfermagem que visem resolver os problemas atuais de incompatibilidade entre as normas de segurança e o cumprimento dos procedimentos de cuidados dos pacientes portadores de doenças mentais, pelos profissionais da equipe interdisciplinar de saúde.

a

 

REFERÊNCIAS

CARRARA, Sérgio Luis. A História Esquecida: os Manicômios Judiciários no Brasil. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, v. 20, n. 1, p. 16-29, abr. 2010.

CORREIA, Ludmila Cerqueira; LIMA, Isabel Maria Sampaio Oliveira; ALVES, Vânia Sampaio. Direitos das pessoas com transtorno mental autoras de delitos. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 23, n. 9, p. 1995-2012, set. 2007.

SANTANA, Ana Flávia Ferreira de Almeida; CHIANCA, Tânia Couto Machado; CARDOSO, Clareci Silva. Direito e saúde mental:

percurso histórico com vistas à superação da exclusão. Psicologia em Revista, Belo Horizonte, v. 17, n. 1, p. 16-31, abr. 2011.

Liana de

Histórias de Marias Flores: o relato de experiência no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas CAPSad

O presente trabalho é fruto de um relato de experiência realizado durante a Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Mental Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Onde são abordados extratos da vivência cotidiana em grupo de mulheres realizado num Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas CAPSAD. Para descrever essas histórias, foram utilizados o nome Maria e flores como uma maneira de representação de que as flores necessitam de todo o cuidado para florescer. Essa simbologia traduz o que representou o grupo de mulheres. Flores que chegaram murchas, secas com uma terra velha e embrutecida pelo clima árido e ácido por qual passaram. No decorrer do grupo essas flores foram sendo regadas com cuidado e atenção, oferecendo a escora para seu caule não desmoronar, visando proporcionar subsídios para que pudessem desabrochar e florescer, superando as suas dificuldades. A partir dos seus relatos, pode-se problematizar sobre diversas questões relacionadas ao papel da mulher na sociedade, como também o duplo estigma aos quais estas são associadas, como o fato de ser mulher e ter que cumprir um papel socialmente construído e o outro de realizar o uso de drogas. O estigma social em relação ás mulheres é bastante expressivo, sendo julgadas como promíscuas, amorais e incapazes de cuidar da família e dos filhos. Isso pode se tornar uma barreira com relação a dificulda de pela procura espontânea aos serviços de saúde pa ra a realização do seu cuidado. Outro questionamento se dá a partir da amp liação da autonomia e a conquista de direitos adqui ridos pelas mulheres, que ocasionou também a sobrecarga de atividades que elas têm que realizar, que para além dos cuidados tradicionais vinculados a família e ao lar, muitas trabalham para arcar e/ou contribuir com as despesas familiares, acarretando em uma dupla jornada, onde tem que dar conta de múltiplas tarefa s. Nesse contexto de complexidades que transversali zam o universo feminino e o uso de drogas, olhar para essa especificidade de gênero possibilita reconhecer suas particularidades e compreender que as relações de gênero também decorrem das relações de poder constituídas ao longo da história, onde as mulheres estiveram marcadas por diversas questões que as colocavam em uma situação de subalternidade e inferioridade em relação aos homens.

Menezes

Bolzan

LIDIANE

Av aliação da

Estudos revelam o desafio no levantamento de dados sobre a saúde mental em vários países devido à falta de informações, à escassez de dados, à diversidade da população representada por diferentes grupos étnicos, com diferentes práticas religiosas e à extremidade no contraste entre a pobreza e a riqueza de vários países (GAVIRIA; RONDON, 2010). Mulheres mães com problemas de saúde mental encontram desafios em lid ar com as condições em que se encontram; a responsa bilidade de criarem seus próprios filhos e de se realizarem como mães. É grande a ocorrência de gravidez não planejada ent re pacientes psiquiátricas, são várias as causas, como a falta de insight em função do transtorno, deficiência e/ou ausência de planejamento familiar, e uma possível interação medicamentosa entre os anticoncepcionais hormonais e alguns psicotrópicos, resultando em diminuição da efetividade contraceptiva (GUEDES et al., 2009). Para Kohen (2001, apud BALLARIN, 2008) algumas das necessidades do cuidado às mulheres tem sido omitidas ou pouco percebidas, destacando o cuidado à saúde mental na gravidez, no pós e pré-natal, na custódia de filhos, entre outros. Embora haja ações e políticas relacionadas à assistência à saúde mental da mulher ela não tem recebido igual tratamento nos diferentes contextos do território nacional assim, pretende-se identificar em uma cidade do interior do estado de Minas Gerais como as usuárias dos serviços percebem o atendimento que é prestado,uma vez que há uma dificuldade de criação de serviços de saúde mental em cidades pequenas, porque de acordo com a lei de criação do CAPS são vários os dispositivos assistenciais que poderiam possibilitar a atenção psicossocial aos pacientes com transtornos mentais. Será realizada uma abordagem mulheres com idade igual ou superior a 18 anos de idade, que tenham filhos na faixa etária de 0 a 12 anos de idade que foram diagnosticadas e estão em tratamento e que tiveram consultas de psiquiatria no período de 2007 em diante e que seja residente no município. Para o estudo serão selecionadas aquelas mulheres que fazem uso dos serviços públicos de saúde do município de Conceição das Alagoas/MG. Município este, situado no Triângulo Mineiro, cuja população é de 23.055 habitantes segundo o censo 2010 do IBGE. Os dados serão coletados por meio de entrevista nos domicílios com as mulheres que concordarem em participar do estudo. O contato com as participantes será intermediado pela equipe de Estratégia da Saúde da Família.

VIEIRA DE

SENE

Assistência à Saúde Mental da Mulher por Usuárias dos Serv iços

Liliane Felix

Desconstruindo o ditado: Cada um

 

O presente trabalho foi construído a partir de uma Monografia de conclusão de curso de graduação em Psicologia na UFPB que teve como tema lugares e loucura: a cidade polissêmica dos usuários do CAPS I Porto Cidadania em cabedelo/ PB e tem como objetivo refletir sobre as relações entre a cidade e a loucura buscando conhecer quais os modos de aproximação e circulação dos sujeitos usuários de um serviço substitutivo de Saúde Mental, no espaço urbano, além de favorecer as práticas que intencionam a ampliação do repertório simbólico, existencial, social e subjetivo das pessoas que busca m novas formas de se inserir e transitar pela cidade. O percurso histórico dos projetos de urbanização das cidades nos remete à contínua produção de significados específicos para o trabalho, saúde, e relações sociais. Nas cidades modernas as casas são construídas em oposição à aglomeração das ruas, os domicílios burgueses passaram a ser edificados para garantir a intimidade e a proteção. A psiquiatria, esquadrinhando o cotidiano nas ruas, desqualificou a circulação pelo espaço urbano. As ruas foram transformadas em meras passagens, lugar de transtornos, e o asilamento se tornou o destino dos desviantes. A reforma psiquiát rica, ao criar novos significados para a experiência da loucura, propõe romper com o internamento ao convocar os loucos à circulação pelo ambiente urbano. Porém, nos convém questionar se a passagem do manicômio ao espaço aberto da cidade é suficiente para subverter a relação de asujeitamento entre pacientes e o saber médico. Considera-se que é necessário que a cidade seja tomada como lugar de reabilitação. A circulação no contexto urbano constitui-se como um dispositivo clínico-político demandado pelo processo de desinstitucionalização da loucura. A ci dade não se limita ao lugar de assessório da clínica, seu assessório, isto é, as ruas cantos e lugares transbordam a função de setting que dá concretude aos conteúdos psíquicos. A fala de um usuário entrevistado que diz Quando eu não estou no CAPS eu fico em casa , nos leva a refletir que a Reforma Psiquiátrica ainda tem um longo percurso a seguir, de modo ampliar o repertório singular de inserção e circulação dos sujeitos pelo espaço urbano. A clínica do espaço urbano incorpora a cidade, fazendo-a sua matéria constitutiva e primordial. O trânsito pela cidade convida os sujeitos ao direito de pensar e decidir sobre seus próprios caminhos através da invenção de novas formas de ingresso na coletividade.

Ribeiro da

em

Silv a

sua casa, o diabo não tem o que fazer. Pelo direito à circulação na cidade

Lis

Dos defensores/as de direitos humanos ameaçados: pensando a atenção à saúde como medida de proteção

O Programa de Proteção aos/as Defensores/as de Direitos Humanos surge diante de uma demanda da sociedade civil pela garantia de proteção aos/as militantes, grupos e demais atores sociais que atuam na defesa dos direitos humanos e encontram-se ameaçados em decorrência de suas atividades. Integrando as políticas de proteção a pessoas ameaçadas promovidas pelo governo brasileiro, o PPDDH caracteriza-se pelas articulações políticas e institucionais entre Estado e sociedade civil, promovendo apoio jurídico e psicossocial aos/as defensores/as, objetivando garantir a continuidade segura de suas atividades. Busca ainda desenvolver ações que auxiliem na desarticulação e punição dos agentes agressores, atuando nas causas sociais, políticas e econômicas que motivam as violações de direitos humanos. No Ceará, a equipe técnica do PPDDH tem acompanhado casos de pessoas e comunidades ameaçadas em decorrência de sua atuação na defesa dos direitos ao meio

ambiente, à moradia, à comunicação, dos direitos in dígenas e no combate à corrupção, entre outras área s. No presente trabalho, pretendemos compartilhar uma experiência de atuação no PPDDH/CE, destacando a demanda de atenção à saúde, em sua compreensão ampla, construída no acompanhamento dos/as defensores/as. A atuação desses sujeitos junto a movimentos sociais

Albuquerqu

e Melo

 

as relações daí constituídas, em contextos de violações de direitos, práticas de violências, desigualdades e injustiças sociais, têm se apresentado intimamente relacionadas aos pro cessos de subjetivação e às condições de saúde constituídas e constituintes desses sujeitos. Trata-se de um grupo em condições específicas de produção de saúde, demandando espaços e tempos próprios de cuidado, nos quais possam ser facilitados momentos de acolhimento, trocas, promoção de saúde e fortalecimentos pessoais e coletivos. Destacam-se as iniciativas do PPDDH/CE de articulação da rede de saúde pública e de construção de parcerias junto a

e

iniciativas da sociedade civil, a fim de fortalecer uma rede de proteção aos/as defensores/as. Nesse cenário surge um coletivo formado por psicólogos/as e psicanalistas vinculados à sociedade civil, com o propósito de desenvolver um trabalho de assessoria

e

acompanhamento clínico a membros de movimentos so ciais, reconhecendo as implicações entre clínica e política. A atenção

saúde dos/as defensores/as, visando o fortalecimento de suas lutas, constitui-se medida mesmo de proteção, necessitando ser integrada à política pública de proteção.

à

Lív ia

Moradias dentro do

Esta pesquisa é disparada a partir do encontro da pesquisadora com as chamadas moradias dentro de um hospital psiquiátrico público no Estado do Rio de Janeiro, mas, ao que parece, poderia ter acontecido em muitos outros Estados do território nacional. No seio da reforma psiquiátrica e da consequente instalação de uma rede de assistência substitutiva ao hospital, assistimos a transformações também no int erior deste, no qual se humanizam as práticas, reti rando de cena o eletrochoque, a lobotomia, colocando roupas naqueles corpos que viviam nus, fazendo documentação para os usuários como CPF e RG, etc. Contudo, a edificação do hospício permanece de pé com os seus grandes pavilhões, agora travestidos em moradias , cujo objetivo é funcionar como passagem de dentro para fora dos muros, com a expansão dos serviços residenciais terapêuticos (SRT). Essas moradias , entretanto, estão funcionando como abrigo para pacientes de longa-internação, egressos das clínicas privada em processo de fechamento. A equipe de cuidadores contratada para dar conta deste complexo processo de desinstitucionalização não é numerosa o suficiente para lidar com quadros tão graves, corpos tão marcados pela vida manicomial, além de experimentar vínculos de trabalho instáveis e precários, acúmulo de funções, falta de regulamentação e escassez de espaços coletivos de cuidado com o trabalho. Somado a isso, certa lentidão na abertura de novos SRTs, gerando inchaço de pacientes crônicos no hospital em pauta, tem inviabilizado que tenha início, de fato, um trabalho de inserção dos usuários na vida cotidiana extra-muros, reproduzindo um modus operandi muito similar ao do velho modelo de psiquiatria, no qual era comum a padronização dos procedimentos, como hora dos banhos, das refeições e etc. Deste modo, passagem torna-se permanência, sendo eventualmente a morte a porta de saída do território hospitalar. Pretendemos avaliar, nestas circunstâncias, quais as implicações de um frágil exercício de si e ntre os trabalhadores quando a natureza de seu ofíc io é uma prática de cuidado do outro, tendo como referência o conceito foucaultiano de cuidado de si como prática de liberdade. O presente trabalho enseja visibilizar o plano de forças através do qual é possível traçar linhas de fuga que ativem os processos de singularização, posto que os agentes envolvidos nesses processos (inclusive a pesquisadora) não devem descuidar-se do plano da subjetivação caso se proponham a práticas desinstit ucionalizantes

Cretton

Pereira

hospício ou hospícios nas práticas de "morar"?

Lív ia

Os serv iços de atenção (na rua) à população em situação de rua de Vitória: uma história contada em três tempos

Essa pesquisa procurou compreender como constituiu-se historicamente na cidade de Vitória-ES a necessi dade do poder público municipal instituir uma rede de serviços para a atenção à população adulta em situação de rua. Para tanto, utilizou-se da História Oral pela qual abordou-se, por entrevistas temáticas, com nove trabalhadores do, que se organ izou mais tarde em Vitória como, Serviço Especializado em Abordagem Social. An alisou a historia que vai se constituindo desse serviço por meio do conceito de Enclave Sociais (Caldeira, 2011) e a noção Foucaultiana (2008) a respeito dos mecanismos de segurança na gestão das cidades.

Ferreira

Cardoso

Marins

Lorena

Políticas Criminais e Direitos Humanos

O

trabalho propõe uma análise crítica sobre a criação de leis com intuito repressivista sem o norte de politicas criminais.

Martins

O