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UNIrevista - Vol. 1, n° 2 : (abril 2006)

ISSN 1809-4651

Perspectivas de formação humana e profissional em exercício no magistério público da região de Blumenau

Compromisso de parceria da Universidade – FURB e Unidades Escolares

Maria Goretti Casas Campos Ferreira

Mestre em Educação goretti@furb.br Programa de Formação de Profissionais da Educação FURB, SC

Maria Selma Grosch

Mestre em Educação grosch@furb.br Programa de Formação de Profissionais da Educação FURB, SC

Neide de Melo Aguiar Silva

Doutora em Educação Matemática nmelo@furb.br Programa de Pós-Graduação em Educação FURB, SC

Resumo

Este estudo visa discutir perspectivas de formação humana e profissional de professores. Para tal, toma

como referência formas e procedimentos de gestão empregados pelo Programa de Formação Continuada dos

Profissionais da Educação da Universidade Regional de Blumenau (FURB), pontuando contextos e práticas de

formação continuada que contribuíram para reforçar posturas, ressignificar ações e instigar processos de

mudança. Consolidado através de parcerias e convênios entre as diversas instâncias responsáveis pela

educação na região, o referido Programa visa promoção da formação em exercício no magistério público e

vem se constituindo progressivamente como espaço de ação-reflexão-ação acerca da prática pedagógica.

Como contextualização, o estudo destaca especificidades das instâncias envolvidas, correlacionando-as

através dos aspectos delineadores das práticas de gestão da formação desenvolvidas nos diversos momentos

e espaços. Aponta os diversos atores, sua contribuição e parcerias no encaminhamento das propostas de

formação continuada, e pondera sobre resultados alcançados como estratégia de contínua avaliação do

processo. Discute, através das propostas identificadas, necessidades docentes, premissas de formação e

representações sociais dos professores que fundamentam tanto a ação humana quanto a atuação do

profissional da educação, articulando prática pedagógica e políticas públicas, desenvolvimento profissional e

formação inicial. Num esforço de identificação dos diversos sentidos que norteiam a ação humana, acentua

limites e possibilidades de formação continuada, destacando razões e compromissos sociais de educadores

em prol da formação humana e profissional.

Perspectivas de formação humana e profissional em exercício no magistério público da região de Blumenau: compromisso de parceria da Universidade – FURB e Unidades Escolares. FERREIRA, M.G.C.C.; GROSCH, M.S.; SILVA, N.M.A.

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Perspectivas de formação humana e profissional em exercício no magistério público da região de Blumenau: compromisso de parceria da Universidade – FURB e Unidades Escolares Maria Goretti Casas Campos Ferreira, Maria Selma Grosch e Neide de Melo Aguiar Silva

Palavras-chave: formação humana e formação continuada em exercício // gestão da formação

continuada // desenvolvimento profissional.

Introdução

Emergentes no local de trabalho, as necessidades docentes e premissas que fundamentam a formação

docente perpassam a escola, articulando-se através de políticas públicas de instância regional, nacional e

até mesmo sob influência de organismos internacionais.

A universidade, na perspectiva de consolidar-se como instância mediadora da formação humana, tem na

formação inicial e continuada dos educadores, a necessidade de situar-se como catalisadora de suas

expectativas e necessidades mais prementes. As instâncias gestoras do processo educacional, especialmente

em nível fundamental e médio, esbarram-se freqüentemente em questões relacionadas à formação

profissional, compreendendo-a como potencializadora de dificuldades no processo educacional. Professores,

alunos, pais e toda a comunidade escolar, por sua vez, vêem-se duplamente envolvidos nesta problemática:

por um lado, enquanto sujeitos do processo buscando especialmente formação humana; por outro,

profissionalmente responsáveis pela formação, buscando através do exercício identificar-se e identificar o

outro, construindo e identidades e formando sujeitos.

Refletindo sobre competências, compromissos e estratégias de ação das diversas instâncias formadoras,

este estudo discute perspectivas de formação humana e profissional de professores. Para tal, toma como

referência formas e procedimentos de gestão empregados pelo Programa de Formação Continuada dos

Profissionais da Educação da Universidade Regional de Blumenau (FURB), pontuando contextos e práticas de

formação continuada que contribuíram por reforçar posturas, ressignificar ações e instigar processos de

mudança.

O Programa de Formação Continuada da FURB: histórico de parcerias e busca coletiva

A Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina implantou, a partir de 1999, o Programa de

Capacitação Descentralizada. Desde então, foi repassada aos gestores escolares a tarefa de gerenciar a

capacitação de professores, de forma autônoma e nas próprias unidades escolares.

Com a descentralização de recursos, iniciou-se também um processo de constituição da autonomia da escola

e novos espaços de discussão acerca das próprias necessidades foram se concretizando nas diversas

unidades escolares. Com isso tornam-se mais visíveis os avanços no processo de formação dos educadores

e conseqüentemente, em condições mais concretas para a reflexão sobre a prática pedagógica.

Este momento histórico caracteriza-se também pela aproximação entre as diversas instâncias formadoras de

professores nas diversas regiões do Estado. Na região de Blumenau a FURB, que se constitui como instância

formadora de professores e mantém de longa data cursos de Pedagogia e Licenciaturas, respondendo pela

formação inicial da grande maioria dos profissionais da educação em exercício na região, passa a vislumbrar

possibilidades de articulação formação continuada. Nesse sentido, reafirma-se, de acordo com Mario Osório

Marques (1992, p. 192) que:

Todas as instituições responsáveis pela educação devem ser envolvidas nos processos de formação continuada do educador. Cumpre, no entanto, dediquemos aqui atenção especial às responsabilidades específicas da

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universidade.Escola da educação do educador, à universidade não é atribuído apenas o processo formativo formal. Deve a ele dar continuidade e propiciar- lhe as rupturas exigidas pelo exercício da profissão na concretude das exigências renovadas. Importa assuma como atribuição sua tanto os estágios região, passa a vislumbrar possibilidades de articulação na formação continuada.

Uma primeira aproximação da FURB com o referido Programa de Capacitação Descentralizada se dá de

forma não sistemática, favorecida pelo envolvimento de professores universitários no contexto da formação

continuada a convite de diversos gestores escolares. Verifica-se neste processo algumas dificuldades. Dentre

elas, e talvez as mais prementes, pontuam-se a fragilidade e aleatoriedade da articulação entre saberes e

competências veiculados por diversos profissionais no contexto das unidades escolares.

A aproximação começa a se consolidar quando, atentos a esta problemática um grupo de professores

levanta na Universidade a possibilidade de se firmarem parcerias. A primeira a se firmar foi entre FURB,

GEREI e escolas da rede pública estadual da região, a partir de 2001. Visando assessoria e consultoria nos

projetos de capacitação, novos projetos foram sendo implementados, marcando presença da Universidade

como um elemento catalizador e articulador de perspectivas e necessidades da escola pública estadual. Em

decorrência de tais práticas, institucionalizam-se as condições mínimas necessárias de assessoria no

processo de reflexão teórico-prática sobre a formação docente nas respectivas unidades escolares.

E, após o estabelecimento desta parceria e lançadas as bases de um processo que ora se iniciava, surgiu a

necessidade de sistematizar práticas de acompanhamento. Visualizou-se a necessidade de levantar dados

significativos acerca da parceria e da modalidade de formação criando, a partir destes, condições para uma

análise reflexiva sobre os resultados efetivos do programa de formação continuada na atuação concreta dos

educadores em sua prática pedagógica no cotidiano escolar.

Em paralelo novas parcerias foram sendo firmadas. A articulação entre FURB e GEREI torna-se referência

para que sejam mediados outros processos de formação continuada em parceria com as Secretarias

Municipais de Educação de Blumenau, Gaspar, Luiz Alves, Timbó e Doutor Pedrinho. Assim, a abrangência

do Programa de Formação Continuada da FURB estende-se, quer através da parceria com instâncias

municipais ou estaduais, a toda a região do Vale do Itajaí perfazendo um total de 11 municípios.

A sistemática de trabalho que vem sendo desenvolvida desde então, procura através das parcerias e do

estabelecimento de competências, planejar, executar e avaliar coletivamente o processo de formação nos

diversos contextos. Dessa forma procura-se respeitar as especificidades de cada contexto, viabilizar

reflexões, estudos e pesquisas que contribuam para o desenvolvimento da educação local e regional e,

conseqüentemente consolidar a articulação entre os diversos atores e agentes educacionais envolvidos,

tanto na formação inicial quanto na continuada, em serviço. É um exercício de compromisso, na perspectiva

que Marques (1992, p.198), coloca:

Já insistimos na necessidade de que, nos cursos da universidade, não se questione e debata um

imaginário de suposições, mas os desafios concretos e concretamente situados da prática

profissional, exigentes de que mantenha a instituição formadora vínculos orgânicos e permanentes

com as escolas e os sistemas de ensino para que qualifiquem profissionais. Trabalhar com

profissionais deles egressos é, assim, exigência de bom desempenho dos cursos que na universidade

os preparam.

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Os encontros de formação continuada, mediados pela universidade, têm se constituído numa oportunidade

de reaproximação dos professores que nela tiveram a sua formação inicial e por contingências diversas dela

se afastam e por vezes o estranhamento provocado pelo afastamento impercebido provocam um

distanciamento dos estudos e o desconhecimento dos avanços tecnológicos desenvolvidos neste espaço de

tempo.

Formação humana e formação profissional: uma articulação não linear

A experiência prolonga e completa a aquisição do saber, Mas o saber novo sempre corresponde a uma inscrição no passado, A uma volta à casa paterna. Georges Gusdorf

As diversas ações desenvolvidas no Programa de Formação de Profissionais da Educação da FURB vêm

freqüentemente norteando-se pelo princípio de que as concepções dos professores estão profundamente

enraizadas na sua visão de mundo, construída a partir da sua formação pessoal no âmbito familiar, escolar e

acadêmico.

A formação inicial e continuada de professores defendida no Programa fundam-se no pressuposto que os

professores são antes ou ao mesmo tempo seres humanos inacabados, conforme afirma Paulo Freire(1996),

seres em constante processo de crescimento no seu devir. A sua formação profissional é apenas um dos

aspectos que envolvem suas perspectivas de vida e gestão da subsistência cotidiana.

Várias são as pesquisas em sociologia educacional que abordam as vidas dos professores partindo do

pressuposto que as diferentes experiências, atitudes, percepções, expectativas, satisfações, frustrações,

preocupações parecem estar correlacionados com as diferentes fases da vida profissional e pessoal dos

professores. Admite-se que cada uma destas fases não são de passagem obrigatória, e que existem

aspectos ou situações pessoais, profissionais, contextuais que influenciam os professores. Defende-se que a

vida dos professores se caracteriza como processo e não uma sucessão de acontecimentos. Este processo

não é linear, mas está repleto de oscilações ou regressões.

Nesta perspectiva entendem-se os processos de formação continuada em exercício no magistério como

desafios na superação das limitações impostas ao indivíduo no percurso da sua formação familiar, escolar e

acadêmica. Maria Isabel Cunha afirma que:

O componente da docência alimenta-se, fundamentalmente, dos saberes

oriundos da história de vida dos professores, da formação profissional para o

magistério (rara no professor universitário) e, com muita ênfase, tal co mostram recentes pesquisas, da prática que realizam enquanto professores, incorporando o trabalho como espaço e território de aprendizagem. (Cunha:

2002, 46).

Marli André (1997) considera que a prática pedagógica dos professores deve ser estudada considerando as

determinações no sentido global no âmbito do sistema de leis e regras educacionais; institucional, no plano

político pedagógico das unidades escolares; de caráter pessoal, no plano das concepções e atitudes do

indivíduo inserido no contexto da sua prática profissional cotidiana.

Ainda no entendimento de (Cunha: 2002, p. 46) os sabres construídos pelos professores são determinados

por diversas instâncias, além dos espaços de formação específica:

O componente docente recorre a muitos saberes, tanto os que o professor

constrói na sua história e experiência de trabalho, como os que se constituem

a partir das políticas contemporâneas ao seu exercício profissional. Essas múltiplas influências e energias fazem oscilar as funções de emancipação e

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regulação que constituem fundamentalmente os processos educativos produzidos pela modernidade na sociedade ocidental.

Nos encontros de formação de professores, na modalidade continuada em exercício estas questões se

desvelam numa perspectiva de paradoxo conceitual. Embora os profissionais da educação tenham uma

clareza sobre a necessidade de estudos para o aprofundamento do entendimento sobre a sua prática

pedagógica, o domínio sobre as formas de mediação dos conteúdos, a apropriação dos avanços científicos

sobre a aprendizagem do sujeito e, sobretudo, o estabelecimento das relações interdisciplinares que

favoreçam a ampliação da visão de mundo, sentem-se compelidos a buscar uma formação superficial

calcada em temáticas surgidas de tendências passageiras e que não fazem sentido para o seu

aprimoramento profissional.

António Nóvoa na sua obra, Vidas de Professores, enfoca esta questão com muita propriedade:

A questão: Porque é que fazemos o que fazemos em sala de aula?, obriga a evocar esta mistura de vontades, de gostos, de experiências, de acasos até, que foram consolidando gestos, rotinas, comportamentos com os quais nos

identificamos como professores[

segunda pele profissional. Há aqui um efeito de rigidez que, num certo

sentido, torna os professores indisponíveis para a mudança.[

simultaneamente, os professores são particularmente sensível ao efeito da

moda, o que levou certos pedagogos a criarem ortodoxias como defesa

contra o abastardamento dos seus métodos e técnicas.[

um modo que constitui uma espécie de

]

]

Mas

A adesão pela

moda é a pior maneira de enfrentar os debates educativos, porque representa uma ‘uma fuga para frente’, uma opção preguiçosa que nos dispensa de tentar compreender. (Nóvoa: 1992, p.16-17)

]

Razões e meios de articulação entre os diversos níveis de formação

Várias têm sido as experiências vivenciadas pelo Programa no decorrer de sua instituição. Dentre elas

destaca-se a consolidação de um grupo, mediada pela explicitação de sua própria identidade profissional,

em um dos municípios envolvidos. Por apresentar-se de imediato com características, posturas e práticas

peculiares o grupo, composto pelo coletivo de professores da rede pública municipal em um município de

pequeno porte situado na região contribuiu por desencadear dois trabalhos de pesquisa. No primeiro,

investigou-se a formação do professor, partindo-se das representações sociais manifestadas pelo grupo a

respeito da temática. No outro, pesquisa ainda em andamento, estão sendo discutidos fundamentos que

consolidam sua prática pedagógica e sua articulação enquanto grupo.

Os integrantes do referido grupo vêm se constituindo duplamente nesse processo, enquanto objeto e

sujeitos da própria pesquisa.

Na atuação profissional conjugam-se o a priori da experiência e o a priori da argumentação, a competência técnico-científica e a competência comunicativa. É aí, também, que se colocam os imperativos indeclináveis da formação continuada, quer no sentido de dar resposta aos problemas emergentes num mundo em transformação, quer no sentido da adequação e acompanhamento dos avanços tecnológicos e científicos e das conquistas sociais, quer na dimensão da reconstrução permanente, por parte do coletivo da profissão, dos instrumentos de elucidação pedagógica e da organização e condução das próprias práticas. ( Marques: 1992, p. 191)

Vale destacar que os sentidos atribuídos por esse grupo à formação se consolidam através de

representações relacionadas a conhecimento, comprometimento pessoal e profissional e preparação para a

vida. Ao apontar como nucleares os aspectos cognitivo, afetivo e social, e como periféricas aspectos que

igualmente consolidam a formação docente, as representações sociais manifestadas e explicitadas no e com

o grupo contribuíram por ressignificar posturas e consolidar princípios.

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A produção do grupo nos encontros de formação, associada ao acompanhamento oportunizado tanto à

equipe gestora do Programa quanto aos professores e comunidade escolar envolvidas oportunizam

discussões a respeito de aspectos que Lüdke (1996) aponta como imprescindíveis às práticas de formação.

Para ela, é fundamental oportunizar aos professores condições de discutirem suas práticas pedagógicas

diferenciadas à luz de concepções teóricas que possam consolidar estas mesmas práticas, possibilitando

através dos encontros de professores, uma leitura crítica da prática docente no cotidiano escolar, instigando

os professores a descrever e ‘reescrever seu diário de procedimentos, analisando com o suporte da literatura

específica e da reflexão coletiva.

Através de experiências também foi possível identificar a necessidade de construção e contínuo estudo do

projeto político pedagógico na escola, onde se privilegia a competência técnica e o compromisso profissional

da docência na interação pedagógica. E, fundamentalmente, verificou-se no contexto a necessidade de se

estabelecer no grupo de professores relações de cordialidade e familiaridade no gosto pelo estudo, respeito

à diversidade, às limitações e potencialidades do outro, como elemento co-participante e constitutivo do

grupo. E mais ainda: o reconhecimento da necessidade de fundamentos teóricos na formação docente, na

interação pedagógica e na comunicação entre os indivíduos.

Quem será capaz de comprometer-se? Somente um ser que é capaz de

sair do seu contexto, de distanciar-se dele para ficar com ele: capaz de admirá-lo, para, objetivando-o, transformá-lo e transformando-o, saber-se transformado pela sua própria criação; um ser que é e está sendo no tempo que é seu, um ser histórico. Somente este é capaz, por tudo isto, de comprometer-se. (Freire:1979)

] [

Segundo (Gadotti: 1985), o essencial na formação do professor para uma competente atuação em sala de

aula não é o que ele aprende. Porém, tudo o que ele pode aprender, não será capaz de produzir o encontro

com os alunos. A comunicação docente pode estabelecer-se sem recursos pedagógicos ou apesar deles, mas

é através desta comunicação docente que a relação professor-aluno, torna-se de fato educadora, portanto

mediadora e transformadora da sociedade.

Considerações Finais

Ao longo das atividades de formação no referido Programa de Formação Continuada da FURB, muitos

propósitos foram desenvolvidos através das ações de formação; outros não puderam se consolidar mediante

inúmeros fatores que freqüentemente permeiam os processos de formação continuada. Discutir a ação no

contexto da própria ação, identificar limites e possibilidades, organizar-se mediante especificidades de cada

contexto, posicionar-se formando e formador, profissional e sujeito da ação, vêm sendo desafios constantes.

Percebeu-se entre os professores envolvidos neste processo a dificuldade de se construir a disciplina do

estudo; há resistências à leitura de textos teóricos, à interpretação, estudo e reflexão sobre os mesmos. De

modo geral preferem mais falar sobre as questões e dificuldades do dia a dia, falando também dos

problemas da escola, dos seus alunos, da família dos alunos e de sua ansiedade quanto à implantação de

novos projetos, sem ter o embasamento teórico, como suporte para estas discussões.

Tais constatações reafirmam a necessidade de insistir-se na formação continuada e sistemática dos

professores, bem como na perspectiva de pesquisa sobre os desdobramentos dessa formação no cotidiano

da prática pedagógica.

Nesta perspectiva vêm se desenvolvendo, junto aos professores, ações que possam contribuir na ampliação

de registros sobre o cotidiano da sala de aula. Tais registros podem ser vistos como um diário de

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constatações que possam, posteriormente, em ocasiões de estudos, refletir sobre a prática escolar, permitindo o distanciamento do objeto a fim de observá-lo de forma crítica.

Enfatiza-se que o estudo do cotidiano escolar é fundamental para se compreender o papel socializador que a escola desempenha na construção de saberes acadêmicos ou na veiculação de crenças e valores. E, além disso, é preciso um interesse especial em ampliar o conhecimento já disponível, o que vai exigir do grupo uma atitude humilde e constante de busca e de possibilidades de novas descobertas.

Vem se verificando também que o comprometimento do professor com a qualidade na educação está intimamente ligado ao conhecimento que detém sobre os fatores interacionais na comunicação docente. Deste conhecimento é que se retiram subsídios para o embasamento teórico de questões didático- pedagógicas, possibilitando a consecução de práticas dialógicas, interativas e de reconhecimento do contexto social e político dos envolvidos no processo educacional.

Verifica-se também que o acesso a processos de formação continuada não é suficiente para consolidar pressupostos teóricos e compromissos do educador. Entra também um componente fundamental, presente na ação ético-política: a vontade, a intencionalidade do gesto de educador. O que o educador decide fazer com o saber é extremamente importante para que sua ação seja qualificada de competente e sua formação profissional desenvolva associada as anseios e fins da formação humana.

Defende-se que o professor, como pessoa, tem um passado histórico que não se mede apenas pelo currículo, formação pedagógica ou instrumentalização técnica; mas também e principalmente pelas experiências que realizou, pelas transformações que conseguiu desencadear através de comportamento sucessivos, no transcorrer de sua história profissional.

Assim, defende-se nos e com os diversos grupos de professores envolvidos, que os conceitos são entendidos como um sistema de relações e generalização. É o grupo cultural onde o indivíduo se desenvolve que vai lhe fornecer o universo de significados possibilitando a formulação de conceitos e categorias entendidos por este grupo. Nesta perspectiva, eminentemente vygokstiana, a linguagem do grupo cultural onde o professor está inserido se desenvolve e dirige o processo de uma fundamentação conceitual que irá provocar o diálogo entre os seus pares.

E, finalmente, em função de tais perspectivas, circunstâncias, limites e possibilidade, vêm se consolidando no Programa de Formação Continuada de Profissionais da Educação da FURB o propósito de contribuir com a formação de professores. Buscam-se subsídios para ampliação de suas práticas docentes através de ações como elaboração de projetos de pesquisa na escola, observação e descrição de práticas educativas, compreensão e explicação das práticas a partir do conhecimento teórico, conhecimento e discussão dos determinantes históricos, políticos e sociais do ato educativo. Espera-se, sobremaneira, contribuir com o coletivo dos educadores na elaboração de propostas que fundamentem e sustentem, não apenas as suas próprias práticas, mas essencialmente a sua própria formação.

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