BC 1317: Fenômenos Ondulatórios, UFABC (2011.3)
Aquecimento Por Indução
Heriques Frandini Gatti
Universidade Federal do ABC (UFABC), 09210-170, Santo André, SP, Brasil
h.frandini@ufabc.edu.br
Resumo: Aquecimento por indução é um método de aquecer objetos condutores pela ação de indução eletromagnética. Esse método e de grande interesse para as áreas de materiais e manufatura pois Le é rápido preciso e controlável. Mesmo esse processo sendo mais caro geralmente é preferível frente à outros processos como aquecimento por chama ou algum processo químico. Na maioria dos casos é o mais eficiente e preciso método de aquecimento praticado hoje.
Palavras -chave: Indução, aquecimento, tratamento térmico
1. Introdução
O aquecimento por indução usa campos magnéticos variáveis em
alta freqüência para induzir uma alta corrente no interior da peça a se trabalhar. As oscilações magnéticas são provindas de uma bobina onde uma grande corrente passa com a mesma freqüência de variação do campo magnético. Assumindo a existência da oscilação podemos ver
a corrente através de uma volta do
fio com a corrente I, a figura 1 mostra a densidade de campo magnético de uma simulação onde a corrente passa por bobinas de diferentes números de voltas. Quanto maior o número de voltas a intensidade do campo magnético se intensifica no centro da bobina. O campo magnético no centro da bobina pode ser estimado pela
equação
a
permissividade magnética do interior da bobina, N o número de voltas, e l o comprimento da bobina
̂
≅
onde
é
Figura 1: Simulação dos campos magnéticos em torno dos fios da bobina, o numero de voltas aumenta da esquerda para a direita. À direita estima uma representação de um numero infinito de voltas
Quando esse campo magnético oscilante intercepta um objeto condutivo, ele irá induzir uma corrente nele. A direção e a velocidade da corrente induzida será oposta da corrente na bobina de indução (para satisfazer a conservação de energia). A figura 2 mostra a secção de uma bobina sobre um bloco de aço em simulação de campos eletromagnéticos, o campo magnético existe verticalmente, e a densidade de corrente é mostrada pelas cores, note que a densidade de corrente decresce exponencialmente com o aumento da distância da superfície do aço. Esse fenômeno é chamado de “skin effect”, e
é definido por =
.
Figura 2: Corrente induzida em um bloco de aço por uma bobina em sua superfície
A profundidade de penetração δ se relaciona com a freqüência, a condutividade e a permissividade do material. A figura 3 mostra um gráfico da profundidade em uma barra cilíndrica de aço com a freqüência.
Figura 3: Profundidade de penetração em uma barra cilindra de aço pela freqüência da corrente
2. Propriedades do material:
2.1 Resistividade
relevantes
A resistividade do material é um direto contribuidor para o fluxo de corrente e dissipação de potência, através da equação P=I²R. Na maioria dos materiais utilizados para fabricar bobinas são adotados aqueles que apresentam baixos valores de resistência para evitar percas por calor durante a condução. O material da peça a ser trabalhada vai gerar maior calor se sua resistência for maior , porém esse parâmetro pode não ser avaliado caso não exista a possibilidade de escolher o material deste. É também importante notar que a
resistência do material (metálico) aumenta com a temperatura linearmente, a figura 4 mostra a variação de alguns desses metais
Figura
materiais
4:
Resistividade
X
temperatura
de
vários
2.2 Calor Específico
A quantidade de calor que o material é capaz de absorver varia com a temperatura. A equação que define o calor especifico pela temperatura é Q=cm∆T onde ∆T é a variação de temperatura, m é a massa, c é o calor específico e Q o calor absorvido pelo material. Em outros termos o calor especifico é a quantidade de calor por unidade de massa necessária para elevar a temperatura do material por 1 grau Celsius.
Alguns materiais podem absorver mais calor em temperaturas mais elevadas, por exemplo o aço (ver figura 5), ou seja, é necessário menos energia para aquecer aço quando ele já não esta mais frio, conhecendo o calor especifico da peça a se trabalhar é possível calcular a potência necessária.
Figura 5: Variação do calor específico pela temperatura de vários materiais
2.3 Histerese
Materiais magnéticos como níquel, ferro e
aço estão submetidas ao fenômeno da histerese, quando uma campo magnético varia ele exerce trabalho sobre os domínios magnéticos do material, estes domínios variam suas polaridades e causam fricções que produzem calor, a energia perdida por histerese depende da força do magnetismo
no material e da área do laço da histerese. O laço da histerese é dado pelo campo magnético versus a densidade de energia magnética do material. A figura 6 mostra uma ilustração da variação dos domínios magnéticos :
Figura 6: Perdas por Histerese em domínios magnéticos de um material ferromagnético
A histerese é importante no cozimento por
indução pois este é o processo de geração
de calor dominante para esta aplicação, mas
esse fenômeno é um efeito secundário na maioria das aplicações industriais pois o
efeito ôhmico é dominante, e em altas temperaturas esse fenômeno desaparece pois em temperaturas acima da temperatura
de Curie o material perde a magnetização.
2.4 Profundidade de Referência
Para ocorrer um aquecimento eficiente a corrente dentro do material e a resistência deste devem ser o mais alto possível, usualmente metais são bons condutores mas também podem apresentar efeitos de borda em altas freqüências. Como explicado anteriormente a densidade de corrente cai exponencialmente com a distância da superfície, uma freqüência alta manterá a corrente próxima á superfície e isto irá causar uma grande queda na área da secção ativa de corrente, fazendo a resistência crescer drasticamente.
A profundidade de referencia é a mínima espessura que teoricamente uma dada freqüência vai produzir transmissão de potência ao material. O comprimento transversal do material deve ser no mínimo 4 vezes maior do que a espessura de referência ou ocorrerá uma anulação de correntes o que vem da manipulação da equação de profundidade de atuação
= . Por via de regra a
profundidade de referência será a profundidade onde 86% do aquecimento ocorrerá pela inversão de corrente e resistividade, ela aumenta com a temperatura conforme figura 7.
Figura 7: Profundidade de referencia pela freqüência em vários materiais
2.5
Eficiência do aquecimento
chumbo, estanho, zinco e alumínio. E a liga geralmente é de chumbo ou estanho.
Quando a taxa do diâmetro da peça pela profundidade de referencia é abaixo de 4 a eficiência do aquecimento decai , essa área é interessante para selecionar a têmpera superficial ou através de completo aquecimento. A figura 8 mostra que a eficiência relativa não aumenta significativamente quando a freqüência é elevada acima da freqüência de ressonância do sistema, e a eficiência cai drasticamente quando a freqüência é levada abaixo da ressonância.
Figura 8: variação da eficiência com a variação da freqüência.
3. Aplicações:
3.2 Tratamento térmico
Tratamento térmico é um grupo de técnicas de manufatura utilizado para alterar a dureza e a resistência de um material. Esses tratamentos incluem, entre outras técnicas o recozimento, cementação, têmpera superficial por indução e têmpera total .
3.2
Solda
O processo de solda consiste em unir dois corpos metálicos pelo derretimento de uma liga permitindo-a fluir e depois tornar a se solidificar. As ligas usadas geralmente tem o ponto de fusão entre 350 a 750°F. O metais que comumente podem ser soldados incluem aço, níquel, cobre,
Figura 9: Montagem de um equipamento de solda por indução
4. Conclusão:
Conclui-se que os sistemas de aquecimento por indução apesar da necessidade de aparatos específicos para sua realização mostram-se bastante eficiente quanto ao aquecimento de peças metálicas além de proporcionar precisão e controles úteis em áreas específicas com a de tratamento térmico de metais e manufatura.
Referências:
[1] Heat Treating, Vol 4, Metals Handbook, 9th ed., American Society for Metals, 1982; [2] R.F. Haimbaugh, Induction Heat Treating, ASM International, 2006; [3]J. Kassakian, M. Schlecht, G. Verghese, Principles of Power Electronics, Addison- Wesley, 2001.
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