Vous êtes sur la page 1sur 21

PEDAGOGIA VICENTINA: AS PRIMEIRAS ESCOLAS CONFESSIONAIS FEMININAS EM MINAS GERAIS NA SEGUNDA METADE DO SÉCULO XIX (MARIANA E DIAMANTINA

)
Ana Cristina Pereira Lage Professora UNI-BH Doutoranda FAE/UFMG1 anaplage@uol.com.br

Palavras-chave: congregação vicentina – gênero – ensino confessional

O presente trabalho parte do levantamento preliminar de referências e fontes para a pesquisa de doutorado desenvolvida em História da Educação na Universidade Federal de Minas Gerais. A pesquisa propõe a comparação e as possíveis conexões entre duas instituições mineiras e uma portuguesa, instaladas no início da segunda metade do século XIX. Neste estudo aqui apresentado, devido ao momento da pesquisa em desenvolvimento, com a coleta parcial de fontes, é proposta a discussão somente sobre as instituições mineiras. A criação das instituições estaria intimamente ligada à vinda das Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo e dentro de uma nova perspectiva de ensino, diferenciado dos recolhimentos católicos anteriores, como também na perspectiva de assistência, principalmente às órfãs, contando inclusive com subvenções da província. Pretende-se comparar as aproximações e as especificidades na instalação do Colégio Providência (1849, em Mariana) e do Colégio Nossa Senhora das Dores (1867, em Diamantina). A metodologia da pesquisa deve centrar-se na História Social, utilizando os conceitos e discussões acerca da história comparada e também dentro das possibilidades das mestiçagens culturais, já que, ao trabalhar com a instalação das freiras vicentinas em espaços diferentes, não seria tratar de uma mesma “Escola” situada em lugares diferentes, mas pensar nas variações possíveis de um modelo escolar e nas apropriações feitas por determinados grupos com características culturais particulares. Supõe–se que as instituições analisadas foram instaladas em com uma intencionalidade de fortalecimento do ideário ultramontano católico na segunda metade

do século XIX em solo mineiro, o qual passou a utilizar as mulheres como instrumentos de expansão de um novo discurso do catolicismo. A idéia de trabalhar com a comparação parte do pressuposto de que estas escolas possuíam algo em comum, ligado ao ensino vicentino feminino, mas também particularidades específicas dos lugares nos quais foram instaladas. São estas percepções do comum, das particularidades e das possíveis conexões entre as Instituições estudadas, levando em consideração o pensamento ultramontano e a necessidade de ampliação do ensino feminino da época que serão propostos neste estudo.

PENSAMENTO CATÓLICO NO SÉCULO XIX

O ultramontanismo fazia parte de um plano expansionista da Igreja Católica. Do latim ultramontanus, o termo designou o movimento daqueles fiéis que atribuíam ao papa um importante papel na direção da fé e do comportamento do homem. Nas primeiras décadas do século XIX, devido a freqüentes conflitos entre a Igreja e o Estado em toda a Europa e América Latina, foram chamados de ultramontanos os partidários da liberdade da Igreja e de sua independência com relação ao Estado. Este pensamento passou a ser referência para a maioria dos católicos em diversos países. Aparecia também como uma reação ao mundo em processo de modernização e como uma orientação política desenvolvida pela Igreja, marcada pelo centralismo romano, o fechamento sobre si mesma e a recusa do contato com as novas idéias.
Em uma definição bastante esquemática, entende-se por catolicismo romanizado ou ultramontano aquele catolicismo praticado entre 1800 e 1960, nos pontificados de Pio VII a Pio XII, informado por um conjunto de atitudes teóricas e práticas, cujo eixo de sustentação se apoiava em: 1) reforço do tradicional magistério, incluindo-se a retomada do tomismo como única filosofia válida para o cristão

muitos sacerdotes mineiros adotavam um “comportamento laico”. mais funcionários do governo do que pastores da Igreja. a infalibilidade do Papa. professores e políticos. em 1870. Devido ao sistema do padroado eram. D. economia. 4) adoção do medievo como paradigma de organização social. anterior à reforma do clero empreendida por D. A preocupação com os fiéis traduziu-se principalmente na ação catequética destes novos padres e na implantação de escolas confessionais.aceitável para a Igreja. onde o episcopado foi bastante valorizado. na maioria das vezes. com a criação do Seminário Episcopal de Diamantina (1869). catequéticas e educacionais. o padre lazarista Dom Antônio Ferreira Viçoso o qual governou no referido bispado entre 1844 e 1875. (MANOEL. de modo a recolocar a Igreja como centro do equilíbrio mundial. o bispo de Mariana. para isso. A reforma do clero em Minas Gerais teve início em 1856. 3) centralização de todos os atos da Igreja em Roma. política. Em Minas Gerais.45) No Brasil. 2) condenação à modernidade em seu conjunto (sociedade. no incentivo à catequese e na criação de novas associações devocionais católicas dentro deste ideário ultramontano. de modo a reforçar a hierarquia. e. a Igreja passou então a investir na formação e reformulação dos quadros clericais. trabalhando como fazendeiros. Viçoso reformou colégios masculinos já criados (Caraça-1822. p. posteriormente. o seu trabalho centrava-se na intensificação das atividades pastorais. comerciantes. advogados. foi o responsável por iniciar o movimento de reforma do clero mineiro nos moldes do ultramontanisno. política e econômica. no Concílio do Vaticano I. decretando-se. complementando seus vencimentos com outras atividades. de imediato. 2004. 1993). Segundo Diva Muniz (2003). O objetivo dessa política era. principalmente no período que vai da questão dos Bispos (1870-1875) até a proclamação da República. preservar a instituição em face das ameaças do mundo moderno e. recristianizar a sociedade. já que predominava uma população de fiéis em sua maioria analfabetos. tendo ordenado neste período o total de 318 sacerdotes seculares (BEOZZO. submetendo todo o laicato ao seu controle. 2 . Quanto aos leigos. cabia ao bispo D. Pelos princípios ultramontanos. Viçoso trazer os párocos para dentro da Igreja e torná-los mais preocupados com as questões da fé e do Vaticano. a médio e longo prazo. com a recuperação do Seminário de Mariana (fundado em 1750). Viçoso. cultura).

Ainda para este mesmo autor. preferencialmente. Segundo Ivan Manoel (1996). A necessidade de implantação das escolas confessionais não se restringia somente aos vultosos recursos financeiros arrecadados com o recebimento de pagamentos das anuidades escolares.Providência (1849. Particularmente no caso da educação feminina. Tais Colégios eram mantidos. Nossa Senhora das Dores (1867. Mesmo que os princípios do liberalismo pregados pelas elites reforçasse o caráter individualista e o civismo como força para a implantação de uma “Nação”. portanto. pelo investimento na educação. o discurso ultramontano ia de encontro às ansiedades da oligarquia brasileira. a solução encontrada pelas elites para educar suas filhas era contratar professores para ensinar às jovens em suas próprias residências ou. na maioria das vezes. no Brasil do século XIX as idéias católicas apresentavam uma concepção de sociedade. A expansão da rede escolar católica no Brasil só foi possível.Congonhas do Campo–1832. e Campo Belo-1827) e trouxe as freiras francesas vicentinas para instalar os colégios femininos .como também reformulou o estatuto do . A necessidade inicial de educar formalmente as meninas não estaria então dentro de uma perspectiva de preparação e instrumentalização destas para ganhar o espaço 3 . A implantação do ultramontanismo foi sendo intensificada ao longo do século XIX principalmente. já que esta sempre ensinou ao católico ser ordeiro. pois as alunas seriam. mas também em afastar os educandos das idéias modernas e das propostas de ensino leigo. enviá-las para estudar nos primeiros Colégios Internos. a vinda das freiras para o Brasil se constituiu em uma etapa de um planejamento bem elaborado e em escala mundial do ultramontanismo. Como o investimento das províncias na educação não era suficiente. posteriormente. Este tipo de Colégio era importante principalmente para as meninas. em Diamantina) Recolhimento de Macaúbas (1847). em Mariana). poder político e relações familiares que eram convenientes à forma de vida das elites brasileiras. Especificamente a educação de meninas e jovens fazia parte dos conceitos elaborados pela Igreja Ultramontana. a educação católica não fugia a estes interesses. educadoras dos filhos e da sociedade conforme os princípios do catolicismo. pelas diversas congregações católicas que chegaram ao Brasil na segunda metade do século XIX. com a aliança entre a Igreja conservadora e as elites locais. Era uma estratégia de preparação de futuras “agentes sociais”. pois seriam retiradas do convívio familiar e educadas dentro dos novos princípios propostos. obediente e respeitador da ordem constituída.

o termo recolhimento para identificar todas as instituições femininas de reclusão que não tivessem sido fundadas como o apoio do papa. Mais do que isso. foram os recolhimentos de Macaúbas (instalado em 1715)4. a análise dos estatutos dos conventos e recolhimentos estudados revela que. mas a necessidade de fortalecimento da educação escolar feminina continuava ainda dentro da perspectiva de prepará-las para o casamento. e de São João da Chapada (instalado em 1750)5. mas erguidas com fins devocionistas. com exceção do . Pouco se sabe sobre este último recolhimento devido à escassez de fontes. Soma-se à necessidade de educação feminina por parte da sociedade. o que acarretou o incentivo das instituições confessionais femininas no Brasil. quanto por Diva Muniz (2003). Utilizava-se. A fundação de tais estabelecimentos era facilitada pelo fato de ser exigida somente uma licença episcopal para o seu funcionamento enquanto os conventos necessitavam de uma ordem papal. as idéias ultramontanas e também a política de investimentos insuficientes no ensino público. diferenciando-se dos conventos pela ausência dos votos. Enquadrava-se à necessidade de educá-las nos moldes escolares para capacitá-las dentro das novas regras de um mundo com novas características: em processo de urbanização e com novos valores de civilidade. como professoras.público. mas há estudos mais sistemáticos acerca do Recolhimento de Macaúbas. a necessidade da Igreja de arregimentar as mulheres como um alicerce seguro para as suas ações ultramontanas. anteriores ao fortalecimento desta política expansionista educacional feminina. inseridos nas discussões empreendidas tanto por Leila Algranti (1999). caritativos ou educacionais. Algumas até conseguiram exercer profissões fora do espaço privado. portanto. Aliava-se ainda às aspirações masculinas de ter uma esposa educada. Estas instituições eram principalmente espaços de devoção e vida contemplativa. OS RECOLHIMENTOS As primeiras instituições religiosas femininas de Minas Gerais.

Anteriormente São Vicente já havia fundado a Congregação das Missões (também conhecidos como Lazaristas).) dar de comer a quem tem fome e água a quem tem sede. p. não havia diferenças entre eles. A CONGREGAÇÃO DAS FILHAS DE CARIDADE DE SÃO VICENTE DE PAULO E SUA INSTALAÇÃO EM MINAS GERAIS A Congregação das Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo foi fundada na França em 1633 por São Vicente de Paulo (1581-1660) e Santa Luísa de Marillac (1591-1660). vertente masculina das vicentinas. D. Maria I.. 1993. p. silêncios e penitências. As caridades seriam em número de sete: “(.. característica particular desta ordem religiosa no momento de sua fundação. 30) Ainda segundo esta autora. 1999. já que entremeadas de orações.) Para explicar como se deve amar a Deus. em 1789 6 mas foi somente em 1847 que a instituição reformulou os seus princípios e adotou a prática educativa efetiva. vestir os que estão nus e preparar os mortos.” (ALGRANTI. “. ladainhas. visitar os doentes.. Vincent de Paul definia duas formas de amor: afetivo e efetivo. as filhas de caridade tiveram permissão de circular pela cidade de Paris. Para o fundador. 30) Imbuídas neste espírito. visitar os prisioneiros. isto é. abrigar os peregrinos.” (LOPES.Viçoso e os lazaristas foram responsáveis por conseguir a referida reformulação.. As meninas eram mais preparadas para a prática religiosa do que para a vida em sociedade. Também está contida em seus estatutos a subordinação direta ao Superior dos Padres das Missões e não ao Bispo da localidade de instalação da Casa. leituras de textos espirituais. 1993. 2003. “(. 169) Houve a tentativa de instalar uma educação mais formal no Recolhimento de Macaúbas por uma determinação Régia de D... . desejar a sua maior glória e honra. o que demonstra uma atitude inovadora para esta Congregação.” (MUNIZ... As lições escolares estavam igualmente inscritas num contexto essencialmente conventual. p. p.aspecto legal e dos votos solenes.” (LOPES. o amor efetivo seria o exercício das obras de caridade7.) a vocação do missionário é de fazer amar a Deus. (. 78) O ensino nos recolhimentos era desenvolvido seguindo os dispositivos de todas as comunidades religiosas. cânticos.

submetendo-se às autoridades civis coloniais. ela teve que atrelar-se às irmandades leigas tanto para a evangelização. 1986. Lopes. aquelas assumiram o ônus da construção e manutenção de hospitais.9 Anterior à instalação das irmãs vicentinas em Minas Gerais. O seu lado espiritual ficou em segundo plano. Como a presença da Igreja em Minas Gerais sofria restrições (a proibição da instalação de ordens religiosas e o funcionamento do sistema de padroado). Tais irmandades estavam isentas de jurisdição eclesiástica. e espiritualmente. diversos textos dos fundadores mostram uma dupla tarefa exercida pelas Filhas de Caridade: servir aos pobres doentes e cuidar de crianças abandonadas.. No Relatório de Presidente da Província de 1871. diferenciado dos recolhimentos anteriores.. em detrimento do aspecto social” (BOSCHI. quanto para o assistencialismo e até para a construção de seus templos. Ainda segundo Eliane Marta T.” E como honrá-los? Sua regra acrescenta: para fazer conhecer o desejo de Deus na sua implantação. contando inclusive com subvenções da província. a preocupação com as questões assistenciais estava diretamente associada às irmandades.O caráter educacional da Congregação já estava presente desde o século XVII.) para servir aos pobres doentes corporalmente.. “(. aparece a informação de que havia uma subvenção da província para o Colégio das Irmãs de Caridade de . como também de assistência. p. a Companhia das Filhas de Caridade foi estabelecida para amar a Deus. Dentro do espírito assistencialista.. administrando-lhes tudo o que for necessário. principalmente às órfãs. 8 Quanto à educação das crianças órfãs (enfants trouves) São Vicente diz que as Filhas de Caridade foram escolhidas por Deus para educá-los. devem perceber a importância ao serem escolhidas por Deus e de realizar um trabalho que aproxima as vicentinas de Nossa Senhora: são virgens e mães ao mesmo tempo. Neste assunto. 66) A criação dos colégios confessionais femininos em Minas Gerais estaria intimamente ligada à vinda das Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo e dentro de uma nova perspectiva tanto de ensino. . que “(. e a Santa Virgem.) adquiriram traço peculiar ao se transformarem em irmandades predominantemente assistencialista. procurando que eles vivam e morram em bom estado.. destacam-se as Misericórdias. servir e honrar o Nosso Senhor..

. o que não raras vezes concede Deus a seus eleitos. é que D. como até o presente não faltou.Já se sabe: sem luxo.. 19/09/1894. (Jornal O Viçoso.. que eram preparadas para as funções de esposa e mãe. ..Mariana (MG) que mantinha neste momento 176 alunas. Vicente de Paulo.. Em um só edificio. que são o Collegio.. . Viçoso tem feito. faz e continuará a fazer á humanidade carecedora! Por um influxo ou inspiração divina. particularmente do Colégio Providência em Mariana. o recolhimento das orphãs e o hospital... O fructo de há muito collhido por esta sancta instituição dó por Deus pode ser aquilatado. etc. contendo trez estabelecimentos em um só edificio debaixo da protecção e denominação da Providencia. Quantas mães de familia dignas de veneração?!.. com 145 alunas. sem até o confortavel para as benemeritas heroinas que despendem tudo quanto lhes offerece a Providencia em proveito dos que se abrigam sob o tecto dessa proverbial caridade. sem contudo faltar.. contendo trez canteiros. de seus doentes. dirigidas por uma só Superiora as mesmas Irmãs se multiplicam nos cuidados e penosissimos trabalhos destas trez distinctas fundações.04) Percebe-se também que estas instituições abrigavam dois tipos de alunas: aquelas filhas de pais abastados. utensilios. sem pompa. do que fez entrega e doação á Divina Providencia. Viçoso projectou e realizou essa fundação.) não se pode o immenso bem que esta pobre e quasi desconhecida obra de D. A importância da abertura de tais instituições em Minas Gerais. P. sem ter ellas muitas vezes o indispensavel á suas debeis compleições no que toca a comodidades. com caráter caritativo e educacional verifica-se nos jornais locais: Não é nada mais nem nada menos do que a modesta e pobre fundação da primeira casa no Brasil. de maneira que não se pode chamar de providencia uma e trina. (. dirigida pelas heroinas filhas de S. Ah! Quanto de penuria e provações ellas curtem pela escassez dos meios. E Deus sabe se não levam o heroismo a ponto de privarem-se do sustento conveniente para que melhor possam tratar de suas alumnas. o restricto necessario?!. de suas pupillas. Plantou elle um jardim. e para as irmãs de Diamantina (MG).

a valorização de uma preparação para o trabalho. a elas caberia controlar seus maridos e formar os novos trabalhadores e trabalhadoras do país. ordeiras. O trabalho livra o homem da servidão.como também meninas órfãs ou muito pobres que necessitavam ser “adestradas” de forma adequada para as transformações exigidas com o fortalecimento das noções civilidade e urbanidade.se à modernização da sociedade. Para conseguir a manutenção das instituições assistenciais. O trabalho passa a ser visto como uma “salvação” da corrupção e do ócio. pagantes. O Bispo de Mariana Dom Antônio Viçoso preocupava-se com as questões relativas à valorização do trabalho feminino. Havia também uma preocupação em afastar do conceito de trabalho toda a carga de degradação que lhe era associada por causa da escravidão. e salva a mulher das ciladas da corrupção. ainda.10 Esta influência e diferenciação do ensino entre as classes sociais não era um princípio somente das instituições confessionais femininas francesas. à higienização da família e à construção da cidadania dos jovens. asseadas. seria necessário também o ensino de meninas da elite. Tornava-se necessário o fortalecimento de uma diferenciação no ensino para as classes sociais e. A diferenciação entre as alunas pobres e as mais abastadas verificada já no ensino do período imperial brasileiro e desde as primeiras escolas religiosas do período moderno europeu era uma necessidade que vinculava . na segunda metade do século XIX. mas também passava pelo próprio pensamento iluminista. em uma sociedade em que estas idéias eram particularmente depreciadas pela exploração da escravidão. seriào mulheres honestas. Àquelas que seriam as futuras mães dos líderes também se atribuía a tarefa de manutenção de um lar afastado dos distúrbios e perturbações do mundo exterior. Segundo Carlota Boto (1996). Em Minas Gerais. se tivessem occupado suas mãos . o pensamento iluminista francês foi responsável por dar continuidade e fortalecer as diretrizes deste ensino diferenciado já que os pensadores iluministas preocupavam-se com a possibilidade de oferecer uma educação irrestrita para o povo e assim desviá-los dos serviços braçais. Elas deveriam ser honestas. o que levou os condutores da sociedade a arregimentar também as mulheres das camadas populares para a educação. Esta separação no tipo de educação oferecida às mulheres de distintas classes sociais era um reflexo da influência francesa no ensino brasileiro. Quantas creaturas miseraveis que são hoje a escoria da sociedade.

as escolas de aldeia e as petites écoles que se desenvolveram a partir de meados do século XVII podem bem ter sido responsáveis pela elevação dos padrões de educação exigidos às raparigas que se propunham ir servir. ou seja. 239) Quando pensamos em uma educação diferenciada no seio das instituições escolares. À rapariga que tivesse freqüentado a escola de caridade também havia sido ensinada a deferência e o respeito pela honestidade e pela sobriedade. verifica . Várias respostas só virão após o aprofundamento da pesquisa e a comparação entre as duas instituições.em ligeiros trabalhos. Paralelo às questões do assistencialismo.34) REVISÃO DA LITERATURA Após o levantamento de livros e artigos que tratam da instalação das instituições aqui analisadas em Minas Gerais. 15/11/1846. (Selecta Catholica. a rapariga que tivesse freqüentado as escolas de caridade gozava de algumas solidas vantagens em relação a outros candidatos a lugares em casas abastadas. e de outras..se os poucos estudos apontados nesta direção até então. Em Inglaterra. estes eram atributos que contavam. p. uma formatação escolar de preparação de algumas alunas da elite para o papel de “boas mães e esposas” e diretoras da casa. 2004. compreende-se então a necessidade de Dom Viçoso em defender a idéia de valorização do trabalho feminino. . pobres e/ou órfãs para o trabalho doméstico. Pretende-se aqui dialogar e questionar esta produção bibliográfica.. apud. A educação aí recebida valorizava as virtudes da limpeza e de uma apresentação pessoal cuidada. (HUFTON. 1991. as instituições confessionais femininas tornaram-se ambientes propícios para a preparação de trabalhadoras domésticas. seguramente. quer seja no Brasil ou na Europa. e seo espirito em bons pensamentos! Porque a preguiça do espirito he tão perigosa como a do corpo. No mundo do serviço doméstico. ASSIS. . p. As escolas de caridade.

consumo e com poucas ligações mercantis com o restante do Estado e com a Bahia. Esta diferenciação entre a educação das alunas também estaria presente nas demais instituições gerenciadas pelas vicentinas. Mas Diamantina influenciava toda a região dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. principalmente no âmbito cultural. principalmente com relação à questão do trabalho (faziam bordados. conseguiram fazer um levantamento do cotidiano destas. O primeiro artigo analisado. instalada em Mariana no ano de 1849. Outras casavam.Na publicação Educação em Revista foram encontrados três artigos que levam a pensar na instalação das instituições confessionais femininas vicentinas em Minas Gerais. iam trabalhar na Fábrica de Tecidos de Biribiri. mostra caminhos para o que é possível . Pergunta-se: a instalação do Colégio Nossa Senhora das Dores em Diamantina não seria então um motor de desenvolvimento econômico e cultural para a cidade de Diamantina? Quanto à pesquisa acerca do Colégio Nossa Senhora das Dores. Os espaços ocupados. Acrescentam que algumas dessas moças. Conseguiram levantar informações sobre a proveniência das educandas. Deve-se ao isolamento do norte/nordeste mineiro em relação às demais áreas do Estado. quando alcançavam a idade de 21 anos. o relacionamento com as freiras. Segundo eles. as atenções estão voltadas para a Casa da Providência. as modificações nas estruturas sociais e culturais da região diamantinense para este período aconteceram lentamente. consultaram os livros de registros de matrícula da Instituição e recorreram também à História Oral. flores artificiais e realizavam a limpeza da Instituição). recebendo na cidade diversos filhos das famílias mais abastadas para serem educados institucionalmente. pertencente à família do bispo D. enxovais. Neste espaço geográfico predominava uma produção destinada ao auto . eram diferenciados entre estes dois grupos. tanto quanto a procedência. no caso específico de Mariana? Em que ponto eram semelhantes ou diferenciavam nas atividades educacionais? E por que acontecia (ou não) esta diferenciação? Em outro artigo publicado na Educação e Revista. o tipo de ensino. ou iam exercer a carreira religiosa. discorre sobre o Colégio Nossa Senhora das Dores de Diamantina em 1867. escrito por Júnia e Marcos Lobato Martins (1993). sem delimitar o período para o trabalho. quanto às diferenças entre as meninas de elite e as órfãs pobres. Concentrando a pesquisa sobre as órfãs. Eliane Marta Teixeira Lopes (1987) propõe elaborar uma metodologia de pesquisa que se aplique à pesquisa do cotidiano na referida escola durante o século XIX. João Antônio dos Santos. Inicia com uma explanação acerca do cenário mineiro entre 1860 e 1940. Embora aponte que o material não foi totalmente pesquisado.

do Colégio Nossa Senhora das Dores. o que foi possível analisar os currículos diferenciados a partir das relações de classe e gênero. salientando um maior número de obras sobre história do que sobre educação. Visitou um pequeno Museu do Colégio. pergunta-se: como pensar o momento da instalação do Colégio Providência em Mariana no ano de 1849. levando em consideração um eixo comum: a direção das vicentinas. constata que não há nenhum artigo ou transcrição documental sobre o Colégio Providência. Buscou ainda perceber o lugar das mulheres na sociedade mineira. Lopes conseguiu coletar o material mais expressivo sobre o momento de criação do Colégio e da mentalidade religiosa de Minas Gerais. Não percebe as particularidades dos locais (Mariana e Diamantina) no qual as duas instituições foram instaladas. direta ou indiretamente ligadas ao Colégio entre 1915 e 1960. está o livro de Diva Muniz (2003). Segundo a autora. mas recebeu a informação de que este seria ampliado e instalado um Museu Pedagógico. a qual considera rara e escassa. fala muito pouco sobre a educação diferenciada entre alunas pagantes e órfãs pobres no interior de cada uma das . Utiliza o relato de 12 pessoas. intitulando o texto com o século XIX e utilizando entrevistadas que viveram no século XX? Não seria anacrônico? Finalizando a revisão da literatura. já que as freiras informaram que não havia um arquivo. Além disso. especialmente o Colégio Nossa Senhora das Dores e o Colégio Providência. esposa e educadora. Dentro dessa possibilidade apontada pela autora. pesquisando a partir do Colégio Providência. ainda pequena. devido aos poucos estudos realizados sobre o início da educação confessional feminina em Minas Gerais na segunda metade do século XIX. Foi na Cúria Arquidiocesana de Mariana que Eliane Marta T. Esta obra analisa a educação feminina em Minas Gerais entre 1835 e 1892. Começa analisando a bibliografia sobre a educação em Minas Gerais nos séculos XIX e XX.pesquisar e como se deve proceder. Mas considera as entrevistas como momentos importantes na pesquisa. do Recolhimento de Macaúbas e também da instrução pública. Analisando as Revistas do Arquivo Público Mineiro. Sabe-se que hoje o Museu Pedagógico já está concluído. direcionados para a preparação de alunas com papéis já prescritos: mãe. A autora trabalhou com diferentes tipos de registros. mas muitas vezes coloca na mesma análise as duas instituições. a ida ao Colégio foi infrutífera no momento de desenvolvimento da pesquisa. Aponta fontes documentais e também particularidades acerca das instituições estudadas. colocando-se assim como uma possibilidade da atual pesquisa.

54) Propõe também uma redução da escala de análise. para assim compreender a necessidade de instalação e de fortalecimento do ensino confessional feminino em contextos mais amplos. (. Mas seria a partir da comparação que “(. O Colégio Nossa Senhora das Dores e Diamantina) em suas particularidades.. Esta diferenciação acarreta diretamente a formação de um novo papel de educanda: a trabalhadora. em outras palavras. de gênero e religiosas tratadas. ou entre sociedades basicamente diferentes. Durkheim considerou dois tipos de comparação: entre sociedades que fundamentalmente têm a mesma estrutura. caracterizando abordagens genéricas às duas disciplinas. explicativo de uma análise maior. econômicas e sociais. já que são analisadas as instituições educacionais em suas perspectivas sociais.) Observar o que fenômenos aparentemente diferentes têm em . pergunta-se então: como perceber a educação no interior das escolas confessionais femininas instaladas pelas vicentinas em Mariana e Diamantina? METODOLOGIA A metodologia da pesquisa centra-se na História Social.. Atualmente é possível caracterizar a história social como uma forma de abordagem que “(. p. Além das questões educacionais. A primeira delas seria a comparação.” (CASTRO. mas que não deve perder de vista o geral.) conseguimos ver o que não está lá. Peter Burke (2002) analisa modelos e métodos comuns entre dois campos (a história e as ciências sociais). com a sociedade dos locais estudados. deve-se também pensar as questões políticas. 1997. individuações e identidades coletivas presentes nestas comunidades..instituições. tanto nas relações exteriores.. Tendo como ponto de partida as discussões levantadas aqui. não buscando estabelecer microcosmos exemplares do social. ao comparar dois núcleos sociais (O Colégio Providência e a cidade de Mariana. torna-se necessário perceber as diferenciações. quanto nas relações interiores. Inicialmente. os historiadores tenderam a rejeitar a comparação.. na pesquisa aqui proposta. entre as Irmãs de Caridade e suas respectivas educandas (pagantes ou órfãs). entender a importância de uma ausência específica. Dentro desta perspectiva.. interessados apenas no específico. Tem-se como pressuposto de que é um estudo dos particulares.) prioriza a experiência humana e os processos de diferenciação e individuação dos comportamentos e identidades coletivos – sociais – na explicação histórica. mas pensando em um movimento mais amplo.

negligenciando as particularidades do campo educativo. ou o etnocentrismo.) Os comparatistas enfrentam um dilema. pp. mas corremos o risco de superficialidade. “indigenizadas” e híbridas cuja compreensão apenas se torna possível mediante uma remissão do enfoque aos problemas do quotidiano. às experiências vividas dos actores. meninas da elite mineira. uma virtude intelectual tão valiosa como observar o quanto fenômenos aparentemente similares diferem entre si.. (MADEIRA. 39) Dentro desta perspectiva comparativa para a história da educação.” (BURKE. analisa que a maior parte da historiografia da educação utiliza balizas políticas. Por outro lado. “(. . Segundo Ana Isabel Madeira (2007) seriam pontos de resistência aos estudos históricos comparados em educação as questões espaço . mas pensar nas variações possíveis de um modelo escolar nas apropriações feitas por grupos com características culturais particulares..45-46). ao propor trabalhar com a instalação das freiras vicentinas em espaços diferentes. 2002. 40-41) Aponta ainda dois riscos da história comparativa: a tendência a fazer uma análise evolucionista ou estática das sociedades. às culturas institucionais e relativamente circunscritas de processos de escolarização-formação. Deve-se levar em consideração ainda a presença de sociedades culturalmente mestiçadas no interior da escola – já que na pesquisa salienta – se principalmente a presença de freiras francesas. podendo notar sua presença ou ausência.temporais e as questões teórico–conceituais.. Já a busca entre análogo leva a comparações entre sociedades inteiras. estabelecer também as conexões possíveis entre as instituições e os meios nos quais elas foram implantadas. Levando em consideração um período específico da educação portuguesa. 2007. . p. é. Para além das comparações.. órfãs e pobres.” (BURKE. não seria tratar de uma mesma Escola situada em lugares diferentes. pp. entretanto.comum. nos fixamos em algo preciso. 2002. com marcos específicos e temporalidades próprias. Ao comparar características culturais específicas. revela que esses mecanismos de adaptação produzem respostas localizadas. sem a menor dúvida.

as possíveis conexões entre estas instituições. interpenetrar.) por intermédio de qual alquimia as culturas se misturam? Em que condições? Em que circunstancias? Segundo quais modalidades? Em que ritmo?” (GRUZINSKI. amalgamar. mesclar. apropriações e mestiçagens nas sociedades locais. superpor. cruzamentos.(GRUZINSKI. A investigação sobre a cultura e as práticas escolares. 2003. portanto.18) A presença das freiras vicentinas francesas tanto na sociedade marianense. quanto na sociedade diamantinense do século XIX provocaram mudanças. colar.Só a comparação entre estes dois . compreender as especificidades de cada uma delas nas sociedades em que são implantadas. Por que não pensar na intensidade das trocas que envolvem a escola. cruzar. As freiras não só instituíram uma nova forma de comportar-se entre as meninas/mulheres. imbricar.. são muitas as palavras que se aplicam à mestiçagem e afogam sob uma profusão de vocábulos a imprecisão das descrições e a indefinição do pensamento. 42) É um trabalho complexo para compreender historicamente o que pertence a uma cultura vicentina e é implantado em Mariana ou Diamantina. Misturar. como também realizaram uma aproximação com as culturas locais. na verdade ela mesma um importante elemento mediador? (FONSECA. 71) Temos dificuldades em enxergar e analisar as mestiçagens no momento da pesquisa... a mistura dos seres humanos e dos imaginários é chamada de mestiçagem. ou qualquer outra instituição da Congregação implantadas na segunda metade do século XIX. fundir etc. Ainda relativamente pouco explorada e. mesclagens. por exemplo. sem que se saiba exatamente o que o termo engloba. Torna-se pertinente realizar tais indagações nas discussões acerca das instituições aqui analisadas: “(... Como ao mesmo tempo pode ser implantado em Paris. pouco familiar aos nossos espíritos... já que trabalha-se com a perspectiva das misturas. Lisboa. p. demonstra a riqueza de situações que podem ser compreendidas à luz dos mediadores culturais no contexto da sociedade culturalmente mestiçada. interpor.. portanto.. 2001. Perceber. 2001. justapor.. Por outro lado. e sem que nos interroguemos sobre as dinâmicas que ele designa.

influenciando. Se levarmos em consideração que política e religião não são dissociadas no Brasil até a proclamação da República devido ao sistema do Padroado. com a separação de Minas da capitania de São Paulo. Mesmo perdendo o poder político. a administração passou para Vila Rica. econômicas e culturais em todo o período colonial e imperial de Minas Gerais.espaços propostos torna possível a percepção das particularidades e conexões entre as duas instituições aqui analisadas. Logo em 1720. Diamantina construía poucas casas luxuosas para os poucos poderosos locais. devido à exploração dos diamantes. que recebia da Coroa portuguesa o direito de explorar as lavras. Enquanto Mariana se caracterizava pela construção de um rico casario. a cidade não deixou de influenciar a região. Já Diamantina teve uma fundação posterior (1714) e. Mariana foi fundada em 1696. Somente em 1831 o Arraial tornou-se vila. é possível perceber a importância de Mariana nas questões políticas. ou seja. Diamantina .(2007). tornando-se também sede administrativa da região. Por causa da raridade e do valor. a instalação da primeira instituição vicentina feminina. sociais e culturais. políticas. A influência política. Tornou-se a primeira Vila da Capitania de Minas Gerais (1711). Mariana e Diamantina distanciam-se não só espacialmente. já não tem poder político administrativo. difere-se das demais vilas criadas pela exploração aurífera. influenciando inclusive no processo de urbanização da cidade. devido à exploração do ouro. o que leva a considerarmos a cidade como berço da religiosidade católica de Minas Gerais. mas forte poder religioso. local próximo de Mariana. inclusive. pois em 1745 foi criado o primeiro bispado neste local. POSSÍVEIS DIFERENÇAS DIAMANTINA E SEMELHANÇAS ENTRE MARIANA E Embora instaladas como núcleos urbanos mineiros já no período colonial. não foi possível a livre exploração das pedras preciosas. mas também em suas particularidades econômicas. o Colégio Providência. econômica e social da região ficava nas mãos de poucos homens. sendo estabelecida a figura do Contratador de Diamantes (1740). Para Goodwin Jr. Compreender as particularidades destes dois núcleos possibilita a compreensão das particularidades e as conexões das instituições educacionais aqui analisadas.

Antonio de Almeida. dentre outras frentes católicas. As transformações de hábitos e costumes vividos pelas elites ocorreram desde a chegada da Côrte portuguesa em 1808. p. Essas transformações fizeram com que as elites diamantinenses do inicio do século XIX vivessem um período de enriquecimento e refinamento que chegou a impressionar até viajantes estrangeiros. (GOODWIN Jr. Em 1831. CONSIDERAÇÕES FINAIS Cabe aqui salientar novamente que esta é uma discussão preliminar. com o nome de Diamantina. com sua elevação a categoria de Vila em 13 de outubro. acompanhado em menor escala do ouro. comprometendo principalmente as percepções acerca da comparação entre as duas .que veio a residir e trabalhar na cidade. como o francês Saint – Hilaire ou o alemão Von Eschwege . econômico e principalmente cultural. por uma forte campanha empreendida por D. 2007. intensificando-se com a abertura para influências britânicas e o processo de independência.mineira. sede de município. o algodão transformou-se em outra fonte de riqueza. A extinção formal da Real Extração em 1832 (efetivada na prática em 1841) liberou o garimpo do diamante.se economicamente. que se manteve em um nível razoável. Viçoso em seu processo de aumento da religiosidade nos moldes do ultramontanismo.. exportado para o mercado inglês. .. finalmente foi reconhecido o desenvolvimento do arraial.. segundo de Minas Gerais. por implantar o Colégio Nossa Senhora das Dores na cidade. ocorreu em 1853. tornando-se pólo comercial para o restante da região norte . A figura principal para a instalação desta política religiosa diamantinense foi D.conheceu o seu florescimento no século XIX. A autonomia política foi o mote para o inicio de uma disputa entre as elites diamantinenses e do Serro no campo político. no momento em que diminuía a exploração dos diamantes.48) A implantação do Bispado na cidade. Viçoso e responsável. mas que liberava a sua exploração e diversificava . a elevação a cidade data de 06 de março de 1838. O levantamento de fontes para esta pesquisa ainda está no seu estágio inicial. discípulo direto de D.

que aponte semelhanças e diferenças entre as duas instituições. quanto caritativas. é possível perceber algumas conexões e diferenças entre o Colégio Providência de Mariana e o Colégio Nossa Senhora das Dores de Diamantina. vindas diretamente da França para exercer tanto funções educacionais. . Os pontos levantados acima apontariam para a análise de possíveis aproximações entre as instituições. seja possível apontar caminhos para compreender até o motivo do fechamento do Colégio Nossa Senhora das Dores na década de 1960 e a manutenção do Colégio Providência até os dias atuais. nas personagens que ocuparam os espaços pesquisados. Praticavam também uma educação diferenciada para alunas pagantes e órfãs.instituições. solicitadas pelos bispos locais. Talvez nesta análise comparada. na percepção das particularidades das freiras e das alunas. Ambos foram fundados pelas freiras vicentinas. e nas possíveis mestiçagens da cultura local com as novas instituições de ensino femininas. Mas principalmente com o auxilio do levantamento e da leitura bibliográfica apontada. O Colégio de Mariana (1849) foi a primeira instituição confessional feminina educacional em Minas Gerais e a sua experiência influenciou diretamente a fundação do Colégio em Diamantina alguns anos depois (1867). ou seja. E onde estaria a diferença nesta comparação? Estaria presente na análise da história das sociedades locais.

Rio de Janeiro: Campus. Nota histórica do Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Macaúbas: um recolhimento mineiro do século XVII.REFERÊNCIAS: ALGRANTI. progresso e tradição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Domínios da história. P. irmandades leigas e política colonizadora em Minas Gerais. Thais (orgs. 1750-1822. Os leigos e o poder. Casa da Providência: uma escola mineira do século XIX.). James Willian. Faculdade de Educação. George e PERROT. 1986. In: VEIGA. 4ª. São Paulo:UNESP. Michele (orgs. Ciro e VAINFAS. ed. 28-34 . In: Educação em Revista. São Paulo. 2003. Tese de doutorado.). Hebe.1999 ASSIS. restauração e multiplicação das ordens e congregações religiosas no Brasil (1870-1930). Universidade Federal de Minas Gerais. Universidade do Estado de São Paulo. CASTRO. 1983 BOSCHI. São Paulo: Ática. São Paulo: Companhia das Letras. GRUZINSKI. Peter.23-69 LOPES. 1991. In: AZZI. In: CARDOSO. 2007. Raquel Martins de. Belo Horizonte: no. Caio César. Belo Horizonte: jan. HUFTON. A escola do homem novo. Belo Horizonte: Autêntica. pp. José Murilo. 1977 FONSECA. GOODWIN Jr. Olwen. Juscelina de. História e historiografia da educação no Brasil.). 2001.. José Oscar. 2003. Cynthia e FONSECA. Riolando (org. São Paulo: Edições Paulinas. Porto: Afrontamento. 1997 FARIA. trabalho e família. In: Revista Análise e Conjuntura. Honradas e devotas: mulheres da colônia – condição feminina nos conventos e recolhimentos do Sudeste do Brasil. Leila Mezan. História Social. História da Educação e História Cultural. História das mulheres: do Renascimento à Idade Moderna. Thaís Nívia de Lima e. Cidades de papel: imprensa. Tese de Doutorado. 1996 BURKE. A construção da ordem – teatro de sombras. 2a. In: DUBY. A vida religiosa no Brasil. 2002 CARVALHO. 06. Rio de Janeiro: José Olympio. BOTO. M. Diamantina e Juiz de Fora. São Paulo: UNESP. dez. História e teoria social. Enfoques históricos. Decadência e morte. Ed. Entre o iluminismo e a Revolução Francesa. Mulheres. Psicologia. O pensamento mestiço. Eliane Marta Teixeira. Belo Horizonte: 2004 BEOZZO. Ronaldo. educação e reforma dos costumes: lições da Selecta Catholica. 1987. Carlota. MG (1884-1914). Serge..

O pêndulo da história. cidadão diamantinense. pp. discípulo direto do Bispo de Mariana. espirituais. finalmente. Estudos comparados em História da Educação e educação colonial: algumas considerações sobre a comparação no espaço da língua portuguesa. Uma face do conservadorismo. o recolhimento surgiu por iniciativa de um padre arrependido.LOPES. Universidade de Lisboa. português. Revista de Ciências da Educação. no. nasceu em 1787 e foi ordenado padre em 1811. Ivan. D. Marcos Lobato. 33 donzelas 02 casadas. Segundo documento. Ana Isabel.” (Informações sobre o Recolhimento do Arrayal da Chapada . In: Educação em Revista. Em outras duas fazendas criavam gado. percebe-se que ele influenciou a instalação do Colégio na referida cidade. Pt: no. Contavam com 35 Recolhidas. 169 1 Graduada em História (UFMG). Lisboa. Foi nomeado Superior Geral da Congregação da Missão no Brasil (1837-1843) e.. Após o levantamento preliminar das fontes. tinham 36 escravos de ambos os sexos.. mas o responsável foi o recém . e “(. O Colégio Nossa Senhora das Dores de Diamantina e a educação feminina no norte/nordeste mineiro. set/dez 2006. 17. 2003. Pr: EDUEM. acesso em 08 de outubro de 2007 MANOEL. Dom João Antônio dos Santos. MARTINS. O Recolhimento de Macaúbas funcionou até 1926. Havia ainda o pagamento de anuidades pelos pais que recolhiam as suas filhas e diversas doações. professoras. Belo Horizonte. as Recolhidas foram transferidas do Vale de Lágrimas para o Arrayal da Chapada nesta época por causa das diversas inundações no primeiro terreno.pt. Tempo e eternidade no pensamento católico (1800-1960). o que garantia a auto–suficiência do local. 01. Eliane Marta Teixeira.ul. 37-56. Júnia Maria Lopes e MARTINS. No ano seguinte foi designado reitor do Seminário de Jacuecanga. mas tambem no Santo amor. sob a orientação da Dra. Segundo esta autora. Um toque de gênero: história e educação em Minas Gerais (1835-1892). Ivan. datado de 1780 e publicado posteriormente na Revista do Arquivo Público Mineiro. junho de 1993. quando foi então transformado em mosteiro. Bispo de Mariana (1844). Mestre em História da Educação (UNICAMP) e professora do curso de História do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH).)dali costumão sahir não só provectas em artes liberaes. 1996 MANOEL. Diamantina e Lisboa). o qual iniciou as suas atividades em 1721. Belo Horizonte:1993 MADEIRA. Educadoras de mulheres: as filhas de caridade de São Vicente de Paulo: servas de pobres e doentes. Viçoso foi o responsável pela instalação do Colégio Nossa Senhora das Dores em Diamantina. 2004. feijão e arroz em três fazendas. Thaís Nívia de Lima e Fonseca. P. 2004) 3 Segundo MUNIZ (2003). sem votos. 11-19 MUNIZ. Diva do Couto Gontijo. e temor a Deos. A Igreja e a educação feminina (1859-1919). Brasília: Editora Universidade. (ASSIS. 4 Leila Mezan Algranti (1999) conseguiu reunir um pequeno volume de documentos sobre tal instituição consultando o Arquivo Histórico da Bahia.nomeado bispo de Diamantina. Foi enviado ao Brasil pela Congregação da Missão em 1819 e designado neste mesmo ano para a direção do Colégio do Caraça em Minas Gerais. Neste momento. Maringá. Termo de Minas Novas 5 . plantando milho. In: Sísifo. Desenvolve a pesquisa de doutorado em História da Educação (UFMG) intitulada Conexões vicentinas: instituições confessionais femininas na segunda metade do século XIX (Mariana. São Paulo: Editora UNESP.fpce. In: Educação em Revista. pp. no Rio de Janeiro. Disponível em: sisifo. 2 Antonio Ferreira Viçoso. uma vez que o local onde estava instalado o recolhimento (distrito de Minas Novas) pertencia ao controle eclesiástico do Bispado de Salvador. formado dentro dos moldes do ultramontanismo. o qual organizou uma casa de oração secular.

8 9 Conférence Du 07 Décembre 1643.353) 6 “(. calcado no princípio que a educação deve ser adaptada. Disponível em: http://www.com/a. 02. 124) .” (FARIA. Acesso em 24 de novembro de 2007.enciclopediacatolica. foi obtido o almejado benefício régio. Saint Sur la vocation de fille de la Charité Vincent de Paul.. Saint Vincent de Paul. In: Revista do Arquivo Público Mineiro. acrescentou às desigualdades culturais. ainda.siaapm.famvin. as de caráter social e sexual. Livre tradução.gov. não apenas segregou o ensino feminino. (. V. . Sur l’oeuvre dês enfants trouves.org/fr. tanto quanto possível. p. ao futuro social dos indivíduos.Divide-se entre o amor a Deus e o amor aos homens (amor próprio e amor ao próximo).. 1977. In: Enciclopedia Católica... Acesso em 08 de outubro de 2007 10 “No que diz respeito à história da educação.php?cid=75 . p. 1897.org/fr. Disponível em: www. a caridade se define como: “(.. Acesso em 08 de outubro de 2007. 2003. Maria I. sendo bastante explícitas as determinações da Rainha de que se reformassem os Estatutos do Recolhimento para se elaborar um plano completo de educação para as meninas. Acesso em 25 de novembro de 2007 Conférence du 19 juillet 1640. como.htm . Disponível em: http://www.famvin... y al hombre por amor a Dios”.Entretiens aux filles de la charité.134) 7 Na Enciclopédia Católica. através de despacho da Rainha Da. Disponível em: http://www.” (CARVALHO.cultura.Entretiens aux filles de la charité. Tome IX.) un hábito divinamente infundido. Ouro Preto: Imprensa Oficial de Minas Gerais. que finalmente aprovou o estabelecimento e o tomou sob sua proteção.mg. que inclina al humano a amar a Dios por él mismo sobre todas las cosas. a França do século XIX herdou mais o patrimônio educativo do Ancien Règime que o legado da Revolução e. Tome IX. P.) O ato régio de aprovação de Macaúbas apenas foi despachado favoravelmente depois de predominar ali a intenção de se estabelecer um instituto educacional. criou perspectivas de instrução distintas entre as próprias mulheres. após extenuante peregrinação burocrática pelas repartições da Corte. O sistema educacional francês. Caridad. também.br/modules/rapm/brtacervo.(1780).) somente em 1789.