Vous êtes sur la page 1sur 4

TEMPO COMUM. TRIGÉSIMA PRIMEIRA SEMANA.

QUINTA-FEIRA

70. AMIGO DOS PECADORES


– Os doentes é que precisam de médico. Jesus veio curar-nos.

– A ovelha perdida. A alegria de Deus ante as nossas conversões diárias.

– Jesus sai muitas vezes à nossa procura.

I. LEMOS NO EVANGELHO da Missa1 que os publicanos e os pecadores se


aproximavam de Jesus para ouvi-lo. Mas os fariseus e os escribas
murmuravam dizendo: Este recebe os pecadores e come com eles.

Meditando na vida do Senhor, podemos ver claramente como toda ela


manifesta a sua absoluta impecabilidade. Ele próprio perguntará aos que o
escutam: Quem de vós me arguirá de pecado?2, e “durante toda a sua vida luta
contra o pecado e contra tudo o que gera o pecado, a começar por Satanás,
que é o pai da mentira... (cfr. Jo 8, 44)”3.

Esta batalha de Jesus contra o pecado e contra as suas raízes mais


profundas não o afasta do pecador. Pelo contrário, aproxima-o dos homens, de
cada homem. Na sua vida terrena, Jesus costumava mostrar-se
particularmente próximo dos que, aos olhos dos homens, passavam por
“pecadores” ou o eram de verdade. O Evangelho assim no-lo mostra em muitas
passagens, a ponto de os seus inimigos lhe terem dado o título de amigo dos
publicanos e dos pecadores4.

A sua vida é um contínuo aproximar-se dos que precisam da saúde da alma.


Sai à procura dos que necessitam de ajuda como Zaqueu, em cuja casa se
hospeda: Zaqueu, desce depressa – diz-lhe – porque convém que eu me
hospede hoje em tua casa5. Não se afasta e até vai em busca dos que estão
mais distanciados. Por isso aceita os convites e aproveita as circunstâncias da
vida social para estar com aqueles que parecem não ter postas as suas
esperanças no Reino de Deus. São Marcos indica que, depois do chamamento
dirigido a Mateus, estavam também à mesa com Jesus e com os seus
discípulos muitos publicanos e pecadores6. E quando os fariseus murmuram
dessa atitude, Jesus responde-lhes: Os sãos não têm necessidade de médico,
mas os enfermos...7 Sentado à mesa com esses homens que parecem estar
muito longe de Deus, Jesus mostra-se entranhadamente humano. Não se
afasta deles; pelo contrário, procura conversar e relacionar-se com eles.

A suprema manifestação do amor de Jesus pelos que se encontravam numa


situação mais crítica deu-se no momento da sua Morte por todos no Calvário.
Mas nesse longo percurso até à Cruz, a sua vida foi uma manifestação
contínua de interesse por cada um, que se expressava nestas palavras
comovedoras: O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir... 8
Para servir a todos: aos que têm boa vontade e estão mais preparados para
receber a doutrina do Reino e aos que parecem resistir à Palavra divina e ter o
coração endurecido.

A meditação de hoje deve levar-nos a aumentar a nossa confiança em


Jesus, tanto mais quanto maiores forem as nossas necessidades, quanto mais
sentirmos a nossa fraqueza: nesses momentos, Cristo também está perto de
nós. De igual forma, pediremos com confiança por aqueles que estão afastados
do Senhor, que não correspondem à solicitude com que procuramos aproximá-
los de Deus e até parecem afastar-se mais. “Oh!, que dura coisa Vos peço,
meu Deus – exclama Santa Teresa –: que queirais a quem não Vos quer, que
abrais a quem não Vos chama, que deis saúde a quem gosta de estar doente e
anda procurando a doença!”9

II. JESUS CRISTO ANDAVA constantemente entre a turba, deixando-se


assediar por ela, mesmo depois de entrada a noite10; muitas vezes, nem
sequer lhe permitiam descansar11. A sua existência esteve totalmente dedicada
aos seus irmãos os homens12, com um amor tão grande que chegou a dar a
vida por todos13. Ressuscitou para a nossa justificação14; subiu aos Céus para
nos preparar um lugar15; enviou-nos o Espírito Santo para não nos deixar
orfãos16. Quanto mais necessitados nos encontramos, mais atenções tem
connosco. Esta misericórdia supera qualquer cálculo e medida humana; é
“própria de Deus, e nela se manifesta de forma máxima a sua omnipotência”17.

O Evangelho da Missa continua com uma belíssima parábola em que se


expressam os cuidados de que a misericórdia divina rodeia o pecador: Se um
de vós tem cem ovelhas e uma delas se perde, não deixa porventura as
noventa e nove no campo, e vai à procura da que se extraviou, até que a
encontra? E, quando a encontra, carrega-a sobre os ombros alegremente; e,
ao chegar a casa, reúne os amigos e vizinhos para dizer-lhes: Congratulai-vos
comigo, porque encontrei a minha ovelha que se tinha perdido. “A suprema
Misericórdia – comenta São Gregório Magno – não nos abandona nem mesmo
quando nós a abandonamos”18. Jesus Cristo é o Bom Pastor que nunca dá por
definitivamente perdida nenhuma das suas ovelhas.

O Senhor também quer expressar aqui a sua imensa alegria, a alegria de


Deus, pela conversão do pecador. É um júbilo divino que ultrapassa toda a
lógica humana: Digo-vos que assim também haverá maior júbilo no céu por um
pecador que faça penitência, que por noventa e nove justos que não precisem
de penitência, do mesmo modo que um capitão estima mais o soldado que na
guerra, tendo voltado depois de fugir, ataca com maior valor o inimigo, do que
aquele que nunca fugiu, mas também não mostrou valor algum, comenta São
Gregório Magno; ou como o lavrador prefere muito mais a terra que, depois de
ter produzido espinhos, dá fruto abundante, do que a terra que nunca teve
espinhos, mas nunca produziu fruto abundante19.

É a alegria de Deus quando retomamos a luta interior, talvez depois de


pequenos fracassos nesses pontos em que precisamos de uma conversão:
esforçar-nos por vencer as asperezas do carácter; por ser optimistas em todas
as circunstâncias, sem desanimar, pois somos filhos de Deus; por aproveitar o
tempo no estudo, no trabalho, começando e terminando na hora prevista,
deixando de lado telefonemas inúteis ou desnecessários; por desarreigar um
defeito; por ser generosos na pequena mortificação habitual... É a luta diária
por evitar “extravios” que, mesmo que não sejam graves, nos afastam do
Senhor.

Sempre que recomeçamos, o nosso coração cumula-se de júbilo, e o


mesmo acontece com o do Mestre. Cada vez que deixamos que Ele nos
encontre, somos a alegria de Deus no mundo. O Coração de Jesus “transborda
de alegria quando recupera uma alma que lhe tinha escapado. Todos têm que
participar da sua felicidade: os anjos e os eleitos do Céu, bem como os justos
da terra”20. Alegrai-vos comigo..., diz-nos o Senhor.

Senhor – canta um antigo hino da Igreja –, ficaste extenuado procurando-


me: / Que não seja em vão fadiga tão grande!21

III. E QUANDO A ENCONTRA, carrega-a sobre os ombros alegremente...

Jesus Cristo sai muitas vezes à nossa procura. Ele, que pode medir a
maldade e a essência da ofensa a Deus em toda a sua profundidade,
aproxima-se de nós; Ele conhece bem a fealdade do pecado e a sua malícia, e,
no entanto, “não chega iracundo: o Justo oferece-nos a imagem mais
comovente da misericórdia [...]. À samaritana, à mulher com seis maridos, diz
simplesmente – e nela a todos os pecadores –: Dá-me de beber (Jo 3, 4-7).
Cristo vê o que essa alma pode ser, quanta beleza se esconde nela – a
imagem de Deus ali mesmo –, e que possibilidades, e até que «resto de
bondade» não existe naquela vida de pecado, como uma marca inefável, mas
realíssima, do que Deus quer dela”22.

Jesus Cristo aproxima-se do pecador com respeito, com delicadeza. As suas


palavras são sempre expressão do seu amor por cada alma. Vai e não peques
mais23, é a única coisa que dirá à mulher adúltera que estivera a ponto de ser
apedrejada. Filho, tem confiança, são-te perdoados os teus pecados24, dirá ao
paralítico que, depois de incontáveis esforços, tinha sido levado pelos seus
amigos à presença de Jesus. Momentos antes de morrer, dirá ao Bom Ladrão:
Em verdade te digo: Hoje estarás comigo no Paraíso25. São palavras de
perdão, de alegria e de recompensa. Se soubéssemos com que amor Cristo
nos espera em cada Confissão! Se pudéssemos compreender o seu interesse
em que regressemos!

A impaciência do Bom Pastor é tanta que não fica à espera de ver se a


ovelha volta ao redil por conta própria, mas sai pessoalmente em busca dela.
Uma vez encontrada, nenhuma outra receberá tantas atenções como ela, pois
terá a honra de voltar ao redil aos ombros do pastor. Volta ao redil e “passada
a surpresa, é real esse acréscimo de calor que traz ao rebanho, esse descanso
merecido do pastor, e a própria calma do cão de guarda, que só de vez em
quando, em sonhos, acorda assustado e vai certificar-se de que a ovelha
dorme mais aconchegada ainda, se é possível, entre as outras”26. Os cuidados
e atenções da misericórdia divina para com o pecador arrependido são
esmagadores.

O seu perdão não consiste apenas em perdoar e esquecer para sempre os


nossos pecados; isto já seria muito. Com a remissão das culpas, a alma
também renasce para uma vida nova, ou a que já existia cresce e fortifica-se. O
que antes era morte converte-se em fonte de vida; o que era terra dura
transforma-se num vergel de frutos duradouros.

O Senhor mostra-nos nesta passagem evangélica todo o valor que tem para
Ele uma só alma, pois está disposto a lançar mão de todos os meios para que
ela não se perca; mostra também a sua infinita alegria quando alguém volta de
novo à sua amizade.

(1) Lc 15, 1-10; (2) Jo 8, 46; (3) João Paulo II, Audiência geral, 10.02.88; (4) cfr. Mt 11, 18-19;
(5) cfr. Lc 19, 1-10; (6) cfr. Mc 2, 13-15; (7) cfr. Mc 2, 17; (8) Mc 10, 45; (9) Santa Teresa,
Exclamações, n. 8; (10) cfr. Mc 3, 20; (11) cfr. ibid.; (12) cfr. Gal 2, 20; (13) cfr. Jo 13, 1; (14)
cfr. Rom 4, 25; (15) cfr. Jo 14, 2; (16) cfr. Jo 14, 18; (17) São Tomás de Aquino, Suma
teológica, II-II, q. 30, a. 4; (18) São Gregório Magno, Homilia 36 sobre os Evangelhos; (19) cfr.
São Gregório Magno, Homilia 34 sobre os Evangelhos, 4; (20) Georges Chevrot, El Evangelio
al aire libre, págs. 84-85; (21) Hino Dies irae; (22) F. Sopenã, La Confesión, págs. 28-29; (23)
Jo 8, 11; (24) Mt 9, 2; (25) Lc 24, 43; (26) F. Sopenã, La Confesión, pág. 36.

(Fonte: Website de Francisco Fernández Carvajal AQUI)