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Primeira Carta aos Tessalonicenses

1

1. Introdução

Era

Tessalonicenses.

importante

que

cada

um

de

nós

soubesse

reconstruir

a

Carta

aos

A primeira carta aos Tessalonicenses faz parte de um grupo de Paulo,

chamado de Cartas esquecidas. Quando tratamos de ver o desenho da carta,

uma vez que Paulo teologiza sobre o pecado, todos falam de todas as cartas mas

esquecem-se de falar desta.

Esta carta é uma carta antes de Paulo.

Antes de Paulo ser Paulo, ele escreveu esta carta. É uma carta singular e

diferente das outras. Diferente por três razões:

i)

Primeira, a que vem no próprio prefácio epistolar. Que ainda não é

o

que vamos encontrar nas cartas de Paulo, e está muito mais

próxima das cartas sinagogais;

ii)

Nesta carta Paulo não cita explicitamente o Antigo Testamento; e isto seria uma espécie de assinatura de Paulo nas

outras cartas, pois ele estará sempre em forma analéptica a fazer isso.

iii)

O

vocabulário desta carta aproxima-se muito da helenista judaica,

acentuada pela força moral, por um modo de dizer, uma filosofia moral popularizada. Paulo está em construção, a leitura destas cartas mais pequenas e nós vimos isso em propósito das cartas a Filémon. Como é que Paulo conseguia através de um bilhete mudar o mundo das referências, mas nestas pequenas cartas encontramos um Paulo mais confessional. Na carta a Filémon temos esse tom – quando fala das entranhas, e por isso muito visceral, de pathos. É uma espécie de escrita do Eu, muito a dizer-se. O sujeito que escreve aparece muito exposto.

2.Como é que Paulo se forma?

Paulo não tem um projecto. Ele avança experimentalmente, em laboratório da

vida eclesial, onde Paulo se torna Paulo. Não há à partida um projecto, uma

carta de intenções programada. Não vemos nas primeiras cartas um Paulo

capaz, hábil no modo de escrever. Vemos isso mais tarde. Aqui não.

O ponto de partida de Paulo não foi essa argumentação dessa ferocidade, mas

Paulo tornou-se isso. Foi-se tornando um teólogo cada vez maior. É Ele muito a

2

ser ele próprio. Sem dúvida que um dos pontos fascinantes desta carta é ele a ser ele próprio, é Paulo a dizer o que sente.

Se há alguma teologia que emerge desta carta, é uma teologia da relação. A relação com os outros como é que se diz teologicamente? Como é que se traduz uma vivência em comum? Por uma teologia da relação. Paulo surpreende porque tem um lado existencial. O existencialismo cristão não começou com Santo Agostinho, mas com Paulo, ao valorizar as dimensões existenciais. O que é que Paulo diz? Esta carta é uma porta para entender Paulo. E nós entendemos Paulo de forma muito desconcertante.

A 1Tes é uma carta para dizer nada. Se calhar é das coisas mais urgentes, é não dizer nada. É uma comunicação para aprofundar laços.

Esta carta é o primeiro escrito de um cristão a falar das coisas cristãs, a falar do mundo cristão. É de facto um património formidável que temos entre nós.

3.CIDADE DE TESSALÓNICA

Hoje é Tessalónico, foi fundado por Cassandro no ano de 287 a.C. é uma cidade que joga um papel estratégico fundamental, pois ela é um interposto de comunicações, quer por via marítima, quer por via terrestre.

Egeu como a ponte marítima; Eixo Egnácia que liga Roma a Bizâncio. Torna-se capital da província românica da Macedónica. E a partir de 42 a.C. tem mesmo a presença de um procônsul – um alto comissário romano. Ela ganha também o estatuto de cidade livre, isto é, que tem tribunais próprios e administração própria, que lhe permite ter um florescimento comercial forte. Este estatuto promove o conhecimento e o investimento na própria cidade.Era uma cidade relevante no contexto do mundo antigo.

3

3.1.

Como é que Paulo desenvolve a sua actividade em Tessalónica?

Temos aqui a 1Tes e o capítulo 17 dos Actos dos Apóstolos (Act 17,1-15). Percebemos que Paulo tem grande sucesso, vemos estes gregos, os tementes a Deus que se convertem. Mas a partir do v.5 vemos que os judeus temem aquela acção e vão ter a casa de Jasão e levam uma acusação – os que revolucionam o mundo inteiro. Paulo é expulso.

Paulo na versão que nos dá na 1Tes, faz memória da sua estadia entre os Tessalonicenses, sobretudo no início 1Tes 2,1.

1 Αὐτοὶ γὰρ οδατε, ἀδελφοί, τὴν εσοδον ἡ

μῶν τὴν πρὸς ὑμᾶς τι οὐ κενὴ γέγονεν,

Vejamos 1Tes 2,17-3,1-10.

1 Porque vós mesmos sabeis, irmãos, que a nossa entrada entre vós não foi vã;

Paulo começa a sua pregação em Tessalónica. Ela é interrompida. Paulo sente que a fé de Tessalónica é uma fé jovem, e que está a ser lançada nos seus alicerces e tem de sair. Mas Paulo sai, é expulso. Depois vai para Bereia. Aí Paulo envia Timóteo para junto de Tessalónica, para saber como eles estão e se não vacilaram.

Paulo continua a viagem e vai ter até Corinto. Aqui, Paulo é alcançado por Timóteo. Em Corinto, Paulo tem esta grande alegria, que é a de saber que os cristãos de Tessalónica continuam fiéis. E então de Corinto, Paulo escreve esta Carta já com o seu ânimo apaziguado, por perceber que a comunidade está firme.

Ela teria sido escrita a partir de Corinto, ou no ano 50 ou no máximo até 52. E é uma coisa que nós vamos sempre ver, é que é uma amálgama de cartas, e é possível que tenha escrito mais Cartas aos Corintios. Por isso, podemos dizer que as cartas aos Coríntios, elas estejam juntas, tendo sido mais do que duas.

4

4.Carta aos Tessalonicenses

Em relação à carta aos Tessalonicenses, temos três pontos importantes:

antiguidade,

autenticidade.

e integridade.

Ela deriva do Paulo, e de uma forma de escrita única. A carta é escrita neste

impacto de que Paulo escreveu. Desta forma vemos que a angústia é superada.

Paulo escreve no meio do júbilo, da consolação. Paulo escreve para

dizer nada. É para dizer a alegria, a beleza da contemplação, entre os cristãos,

entre o apóstolo e a comunidade. Paulo conforta, e a carta é muito isso. E são

cartas eminentemente centradas na relação interpessoal.

O não dizer nada é muito importante, porque o que se está a trabalhar aqui a

nível mais existencial - é uma questão de identidade. E é isso que está a

ser aqui tratado e de forma muito necessária. Lança muitos desafios à forma da

comunicação social, pois parece que só escrevemos quando temos uma

catequese e nunca para mostrar a alegria de ser e de estar em comum. Isto é

fundamental para consolidar o caminho que a gente faz.

Vamos seleccionar um segmento da Carta, que nos dá a ver as correntes

internas, o que está em jogo. Vamos seleccionar um e esmiuçá-los. Isto é para

perceber as Isotopias Greimas. A Bíblia antes de tudo é um livro. Schokel:

«o que é difícil não é ler a Bíblia. Ler é que é difícil»

Isotopias – são campos semânticos amalgamados, onde não há uma dimensão

extensa como campo semântico, mas são uma espécie de sobreposição de

palavras que vão na mesma linha do significado:

a. Dom,

b. Serviço,

c. Relação,

d. Maternidade (Paulo ser mãe das comunidades)

e. (…)

São linhas que trabalham no campo semântico.

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4.1.

1 Tes 2,1-12

1 Αὐτοὶ γὰρ οδατε, ἀδελφοί, τὴν εσοδον ἡμῶν

τὴν πρὸς ὑμᾶς τι οὐ κενὴ γέγονεν,

2 ἀλλὰ προπαθόντες καὶ ὑβρισθέντες, καθὼς ο

δατε, ἐν Φιλίπποις, ἐπαρρησιασάμεθα ἐν τῷ Θε

ῷ ἡμῶν λαλῆσαι πρὸς ὑμᾶς τὸ εὐαγγέλιον τοῦ Θε

οῦ ἐν πολλῷ ἀγῶνι.

3 ἡ γὰρ παράκλησις ἡμῶν οὐκ ἐκ πλάνης οὐδὲ ἐ

ξ ἀκαθαρσίας, οτε ἐν δόλῳ,

4 ἀλλὰ καθὼς δεδοκιμάσμεθα ὑπὸ τοῦ Θεοῦ πι

στευθῆναι τὸ εὐαγγέλιον, οτω λαλοῦμεν, οὐχ ὡ

ς ἀνθρώποις ἀρέσκοντες, ἀλλὰ Θεῷ τῷ δοκιμάζ

οντι τὰς καρδίας ἡμῶν.

5 οτε γάρ ποτε ἐν λόγῳ κολακείας ἐγενήθημεν

καθὼς οδατε, οτε ἐν προφάσει πλεονεξίας, Θε

ὸς μάρτυς,

6 οτε ζητοῦντες ἐξ ἀνθρώπων δόξαν, οτε ἀφ᾿

ὑμῶν οτε ἀπ᾿ ἄλλων,

7 δυνάμενοι ἐν βάρει εναι ὡς Χριστοῦ ἀπόστολ

ι, ἀλλ᾿ ἐγενήθημεν πιοι ἐν μέσῳ ὑμῶν, ὡς ν τρ

οφὸς θάλπῃ τὰ ἑαυτῆς τέκνα·

8 οτως ὁμειρόμενοι ὑμῶν εὐδοκοῦμεν μεταδοῦ

ναι ὑμῖν οὐ μόνον τὸ εὐαγγέλιον τοῦ Θεοῦ, ἀλλὰ

καὶ τὰς ἑαυτῶν ψυχάς, διότι ἀγαπητοὶ ἡμῖν ἐγέν

σθε.

9 μνημονεύετε γάρ, ἀδελφοί, τὸν κόπον ἡμῶν κ

αὶ τὸν μόχθον· νυκτὸς γὰρ καὶ ἡμέρας ἐργαζόμε

οι πρὸς τὸ μὴ ἐπιβαρῆσαί τινα ὑμῶν ἐκηρύξαμεν

εἰς ὑμᾶς τὸ εὐαγγέλιον τοῦ Θεοῦ.

10 ὑμεῖς μάρτυρες καὶ ὁ Θεός, ὡς ὁσίως καὶ δι

καίως καὶ ἀμέμπτως ὑμῖν τοῖς πιστεύουσιν ἐγενή

6

1 Porque vós mesmos sabeis, irmãos, que a nossa entrada entre vós não foi vã;

2 mas, havendo anteriormente padecido e

sido maltratados em Filipos, como sabeis, tivemos a confiança em nosso Deus para vos falar o evangelho de Deus em meio de grande combate.

3 Porque a nossa exortação não procede

de erro, nem de imundícia, nem é feita com dolo;

4 mas, assim como fomos aprovados por

Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações.

5 Pois, nunca usamos de palavras

lisonjeiras, como sabeis, nem agimos com intuitos gananciosos. Deus é testemunha,

6 nem buscamos glória de homens, quer

de vós, quer de outros, embora pudéssemos, como apóstolos de Cristo, ser-vos pesados;

7 antes nos apresentamos brandos entre

vós, qual ama que acaricia seus próprios filhos.

8 Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de

boa vontade desejávamos comunicar-vos não somente o evangelho de Deus, mas ainda as nossas próprias almas; porquanto vos tornastes muito amados de nós.

9 Porque vos lembrais, irmãos, do nosso

labor e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus.

10 Vós e Deus sois testemunhas de quão santa e irrepreensivelmente nos portamos para convosco que credes;

θημεν,

11 καθάπερ οδατε ὡς να καστον ὑμῶν ὡς πατ

ὴρ τέκνα ἑαυτοῦ

12 παρακαλοῦντες ὑμᾶς καὶ παραμυθούμενοι κ

αὶ μαρτυρόμενοι εἰς τὸ περιπατῆσαι ὑμᾶς ἀξίως

τοῦ Θεοῦ τοῦ καλοῦντος ὑμᾶς εἰς τὴν ἑαυτοῦ βασ

ιλείαν καὶ δόξαν.

4.1.1.

ETAPAS

4.1.1.1. QUEM FALA NA 1 TES?

11 assim como sabeis de que modo vos

tratávamos a cada um de vós, como um pai a seus filhos,

12 exortando-vos e consolando-vos, e

instando que andásseis de um modo digno de Deus, o qual vos chama ao seu reino e glória.

Porque ficamos em dúvida quem nos fala “entre nós”? Quem é este sujeito?

Trata-se apenas de Paulo? Ou trata-se do grupo em que ele se integra? Não é

uma questão meramente informal, pois a abundância do pronome pessoal - nós

é tão grande que a temos de resolver. E isso intensifica-se na nossa passagem.

E

que se repararmos têm um esquema triangular:

Nós,

Vós,

Deus.

O

leitor de Paulo, que já tem este tom de Paulo presente, será que é o mesmo

nós que aparece noutras cartas?

Vejamos a abertura da Carta - 1Tes 1,1:

1 Παῦλος καὶ Σιλουανὸς καὶ Τιμόθεος τῇ ἐκκλη

ίᾳ Θεσσαλονικέων ἐν Θεῷ πατρὶ καὶ Κυρίῳ ᾿Ιη

σοῦ Χριστῷ· χάρις ὑμῖν καὶ εἰρήνη ἀπὸ Θεοῦ πα

τρὸς ἡμῶν καὶ Κυρίου ᾿Ιησοῦ Χριστοῦ.

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1 Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos

tessalonicenses, em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam dadas.

Paulo não aparece sozinho. Mas este é o modo como começam as cartas de Paulo, menos a 2 Cor. Paulo não está só quando escreve as suas cartas. Em Tessalónica há razões que nos fazem duvidar de que este nós seja um plural majestático. Que razões são essas:

i) 1Tes 1,1 – a apresentação dos três autores, liga-se naturalmente a 1,2 – “Damos graças a Deus”. Nada previne o leitor de que há uma

diferença, entre o cabeçalho e o nós que se repete em toda a carta.

E isto é uma singularidade da 1Tes.

ii) 1Tes 2,7 – aparece-nos essa expressão (um bocadinho incomum) que

é – apóstolos de Cristo – e quem são? Na lógica da Carta seria

Silvano e Timóteo (cf. 1Cor 1,1/2Cor 1,1). Na 1Tes, Paulo fala de Silvano e Timóteo, e a diferenciação entre autor e co-autor que ele estabelece nas Cartas não é tão nítida nesta Carta, ao contrário das outras Cartas de Paulo.

iii) É verdade que a 1Tes é uma Carta em que nós temos uma predominância do pronome nós, mas também é verdade, o uso do pronome “Eu” (cf. 1Tes2,18;1Tes3,5;1Tes5,27). Isto quer dizer duas coisas:

(1) Paulo quando quer dizer estritamente “Eu”, quer dizer estritamente “Eu”. (2) Quando diz nós, é porque quer usar mesmo o nós. Assim, Paulo assume aqui a sua prioridade em relação aos outros co-autores. Mas em nenhuma outra carta temos esta força do nós, como temos aqui na 1Tes.

A conclusão que podemos tirar daqui é que este nós - é mesmo um nós relação,

e que é algo que devemos imitar. O conceito da imitação vai pertinente.

ser muito

4.1.1.2. COMO É QUE SE FAZ UM CRISTÃO?

O conteúdo da fé está definido. Como é que se faz um cristão em Tessalónica?

Anunciando um Querigma, mas depois é através da imitação. Hoje, nós continuamos em grande dimensão a ser cristãos pela imitação (como é que este

8

corpo aprendeu a rezar?). Ao lado de outros corpos orantes. Foi por imersão de um ambiente orante que o nosso corpo se tornou orante. Mas claramente aqui em 1 Tes é mais do que isso.

Esta força do nós constitui uma particularidade da 1Tes, e é algo que vai mudar depois nas cartas que vêm a seguir.

Em Paulo há uma concepção maior aqui de um investimento colectivo do que noutras cartas. O Eu de Paulo a um dado momento vai crescer, vai ser mais ele próprio, vai-se expor mais, vai ser mais singular. Ele chega a um grande investimento… onde temos aqui uma equipa pastoral, com este colectivo. De facto, a personalização vai crescer.

4.1.1.3. RELAÇÃO ENTRE ORAÇÃO E RELAÇÃO

Não há uma linha de separação nítida como nós temos na s outras cartas entre a narratio e a oratio.

Normalmente nas cartas o que acontece: Paulo começa com uma acção de graças; depois começa a narrativa e narra os acontecimentos.

Aqui em 1Tes, Paulo não faz separação, pois faz isso em regime ainda de acção de graças. Isto é interessante porquê? Porque a matéria da própria acção de graças torna-se aquilo que a própria comunidade está a viver. Porque às vezes há orações de acção de graças que são essencialistas, porque descreve a essência. Mas em 1Tes não temos uma oração essencialista mas existencialista, porque Paulo está a dar graças não por aquilo que é um cristão em abstracto mas por aquilo que estes estão a ser, a realizar. Desta forma, este texto que mistura acção de graças e narração, está muito centrado na narração.

4.1.1.4. MIMESIS

Neste sentido, uma grande chave, é o conceito de mimesis – imitação – e é um conceito que tem raízes no mundo bíblico, na filosofia helénica, é um conceito denso, e Paulo usa em 1Tes 1,6 – tornastes-vos imitadores nossos e do

9

Senhor.

directrizes doutrinais.

Depois

em

1Tes2,14.

Aqui

impressiona

claramente

ausência

de

Como é que os Tessalónicos se tornam cristãos? Pela imitação de outros cristãos. Um cristão constrói-se imitando Jesus.

Vejamos 1Tes 1,6:

6 Καὶ ὑμεῖς μιμηταὶ ἡμῶν ἐγενήθητε καὶ τοῦ Κ

υρίου, δεξάμενοι τὸν λόγον ἐν θλίψει πολλῇ μετ

ὰ χαρᾶς Πνεύματος Αγίου,

6 E vós vos tornastes imitadores nossos e do Senhor, tendo recebido a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo.

Aqui em 1,6 o que temos é que nos aparece no contexto em que a Oratio e a Narratio se juntam, aparecem num contexto de acção de graças, não é em contexto de parénese, mas de acção de graças. É como texto de acção de graças e não como parenético.

Paulo não se apresenta como modelo único, mas ao Senhor. Imitar o modo como a pessoa acolhe a palavra no meio das tribulações. O uso do conceito de imitação tem aqui uma forma própria, pois ao oferecer Jesus como modelo.

Vejamos 1 Tes 2,14:

14 ὑμεῖς γὰρ μιμηταὶ ἐγενήθητε, ἀδελφοί, τῶν ἐ

κκλησιῶν τοῦ Θεοῦ τῶν οὐσῶν ἐν τῇ ᾿Ιουδαίᾳ ἐν

Χριστῷ ᾿Ιησοῦ, τι τὰ αὐτὰ ἐπάθετε καὶ ὑμεῖς ὑ

πὸ τῶν ἰδίων συμφυλετῶν καθὼς καὶ αὐτοὶ ὑπὸ τ

ῶν ᾿Ιουδαίων,

14 Pois vós, irmãos, vos haveis feito imitadores das igrejas de Deus em Cristo Jesus que estão na Judéia; porque também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que elas padeceram dos judeus;

Aqui temos um elemento novo e que é trazido por este conceito de imitação – que é o seguinte: tornar-se imitadores das igrejas da Judeia. Significa que há aqui uma nota política. Pois vocês que ainda estão em embrião e a começar em grandes dificuldades e cujo processo está incompleto, estais equiparados aos cristãos da Judeia, e foi essa imitação e irmanação que os igualou aos cristãos da primeira hora. Aqui já se vê Paulo como Paulo. Pois mostra que eles estão na mesma onda.

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4.1.1.5.

DISCURSO

Aristóteles, referindo-se ao discurso, evoca os momentos que se encontram.

Ethos

Logos

pathos

Segundo Aristóteles estas são as três formas tradicionais para o orador

efectuar o seu discurso.

Vejamos então em 1Tes 2,1-12.

Paulo irã usar forçosamente o pathos para estabelecer uma relação com o seu

auditório. Pois ele quer reprender, enganchar o seu discurso no oratório.

1Tes 2,1

1 Αὐτοὶ γὰρ οδατε, ἀδελφοί, τὴν εσοδον ἡμῶν

τὴν πρὸς ὑμᾶς τι οὐ κενὴ γέγονεν,

Paulo faz apelo à memória efectiva.

1Tes 2,9

9 μνημονεύετε γάρ, ἀδελφοί, τὸν κόπον ἡμῶν κ

αὶ τὸν μόχθον· νυκτὸς γὰρ καὶ ἡμέρας ἐργαζόμε

οι πρὸς τὸ μὴ ἐπιβαρῆσαί τινα ὑμῶν ἐκηρύξαμεν

εἰς ὑμᾶς τὸ εὐαγγέλιον τοῦ Θεοῦ.

1Tes 2, 11

11 καθάπερ οδατε ὡς να καστον ὑμῶν ὡς πατ

ὴρ τέκνα ἑαυτοῦ

1 Porque vós mesmos sabeis, irmãos, que

a nossa entrada entre vós não foi vã;

9 Porque vos lembrais, irmãos, do nosso

labor e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus.

11 assim como sabeis de que modo vos

tratávamos a cada um de vós, como um pai a seus filhos,

Paulo está a dirigir a mensagem a este auditório. Também é uma memória

afectiva, de coisas que partilharam juntos.

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Do princípio ao fim da 1Tes, nós temos um investimento numa retórica confiada no Pathos. Uma retórica que é do excesso. E o que é isto? É uma retórica que não fica apenas pela apresentação racional, mas baseada em imagens, paradoxos. Baseada numa relação afectiva muito forte. é uma retórica extremamente envolvente.

A carta é um processo de comunicação extraordinariamente vivo.

A tese está presente em 1Tes 2,1:

1 Αὐτοὶ γὰρ οδατε, ἀδελφοί, τὴν εσοδον ἡ

μῶν τὴν πρὸς ὑμᾶς τι οὐ κενὴ γέγονεν,

1 Porque vós mesmos sabeis, irmãos, que a nossa estada entre vós não foi vã;

É interessante a palavra de entrada – εσοδον – junto de vós – porque esta palavra tem tanto uma entrada activa, como passiva. É uma entrada que não foi vâ.

No vocabulário Paulino o substantivo Kenos, de onde vem Kene, é usado para testemunhar que o apostolado dele deu fruto 1 Cor 15,10; Gal 2,2. Ou então que a fé não é sem conteúdo, tem um conteúdo premente – 1Cor 15,14; 2 Cor 6,1. E se estivermos aqui atentos neste segmento, a articulação entre o v.1 e o v.2 vemos que a cláusula que é verdadeiramente convincente é a do v.2:

2 ἀλλὰ προπαθόντες καὶ ὑβρισθέντες, καθὼς

οδατε, ἐν Φιλίπποις, ἐπαρρησιασάμεθα ἐν τῷ

Θεῷ ἡμῶν λαλῆσαι πρὸς ὑμᾶς τὸ εὐαγγέλιον τ

οῦ Θεοῦ ἐν πολλῷ ἀγῶνι.

2 mas, havendo anteriormente padecido e

sido maltratados em Filipos, como sabeis, tivemos a confiança em nosso Deus para vos falar o evangelho de Deus em meio de grande combate.

Qual é o intento de Paulo? O intento de Paulo, por um lado é consolar, confortar, a frágil comunidade de Tessalónica.

O próprio Paulo e a comunidade dos apóstolos, é que estão na origem de evangelização da Tessalónica. O que é que nós temos aqui? Vós sabeis como fomos insultados, maltratados em Tessalónica.

O que é que nós temos aqui?

12

Uns dizem, que aqui temos uma apologia, uma defesa de Paulo; outros dizem, que temos aqui uma parénese, uma exortação. Paulo está a exultar as comunidades. Ainda há outros que dizem não ser nem uma nem outra, mas um elogio de si (Paulo).

Isto é: é um género literário que vai ser muitas vezes utilizado por Paulo, e que não é uma postura narcísica. Não se trata disso, mas de fortalecer o exemplo de Paulo, para ele poder servir de modelo.

Em 2Cor 11,4-15, Paulo está a fazer uma referência elogiosa a si próprio. E faz isto para confirmar-se como modelo. Um modelo capaz de exortar, de consolar, e dirige-se a pessoas como ele, que estão em fragilidade. Paulo sentiu- se ameaçado.

Vejamos 1Tes 2, 5-7:

5 οτε γάρ ποτε ἐν λόγῳ κολακείας ἐγενήθημεν

καθὼς οδατε, οτε ἐν προφάσει πλεονεξίας, Θε

ὸς μάρτυς,

6 οτε ζητοῦντες ἐξ ἀνθρώπων δόξαν, οτε ἀφ᾿

ὑμῶν οτε ἀπ᾿ ἄλλων,

7 δυνάμενοι ἐν βάρει εναι ὡς Χριστοῦ ἀπόστολ

ι, ἀλλ᾿ ἐγενήθημεν πιοι ἐν μέσῳ ὑμῶν, ὡς ν τρ

οφὸς θάλπῃ τὰ ἑαυτῆς τέκνα·

5 Pois, nunca usamos de palavras

lisonjeiras, como sabeis, nem agimos com intuitos gananciosos. Deus é testemunha,

6 nem buscamos glória de homens, quer

de vós, quer de outros, embora pudéssemos, como apóstolos de Cristo, ser-vos pesados;

7 antes nos apresentamos brandos entre

vós, qual ama que acaricia seus próprios filhos.

Isto apresenta a relação do orador com a comunidade. O que é que Paulo diz? Diz que, em forma negativa, aquilo que não é. Traça um retrato pela negativa. Nunca nos apresentamos com palavras de adulação, é como se fosse o protocolo do orador.

Nos encontramos no mundo antigo, protocolos semelhantes. Usa modelos que estão na estrutura antiga. Mas nestes breves versículos, Paulo introduz alguma coisa de seu, alguma coisa de próprio. Não repete frases feitas, ele como que reinventa e adapta a si esta espécie de protocolo inicial e de comunicação entre um orador e um auditório.

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Que fundamentação é essa?

Em 1Tes 2,5b, Deus é o garante da reivindicação de Paulo; em 1Tes 2,6b vemos a radicalização, que já é típica de Paulo, e foge à frase feita.

4.1.2. Imagens /ISotopias

Porque é que Paulo fala com os Tessalonicenses?

4.1.2.1 1TES 2,7 – COMO CRIANÇAS NO MEIO DE VÓS

7 δυνάμενοι ἐν βάρει εναι ὡς Χριστοῦ ἀπόστ

λοι, ἀλλ᾿ ἐγενήθημεν πιοι ἐν μέσῳ ὑμῶν, ὡς

ν τροφὸς θάλπῃ τὰ ἑαυτῆς τέκνα·

7 antes nos apresentamos brandos entre vós, qual ama que acaricia seus próprios filhos.

O napioi – substantivo – pode ser nepion como pode ser epioi. O que ficava

melhor na tradução – epioi . ternos.

Isto adapta-se melhor ao próprio texto. Fomos como petizes, como crianças no meio de vós. Isto tem normalmente uma acepção negativa nas cartas de Paulo. E normalmente é usada em sentido negativo: 1Cor 3,1; Rom 3,20.

A razão para preferir nepioi é pela desadequação… nós somos crianças como

uma ama, ou nós somos ternos como uma ama. Há uma descontinuidade metafórica. O que nos faz preferie a epioi à nepioi, por ser a variante mais difícil.

Isto porque na tentação do copista é torná-lo mais familiar. Daí que um dos critérios seja a lectio di filior.

A noção que devemos manter é esta – como crianças no meio de vós.

Tornamo-nos pequeninos no meio de vós. É uma imagem irregular,

politicamente incorrecta, mas é uma imagem muito forte.

14

Paulo aqui coloca-se como um anti prestígio, e isso vai contra o que seria o seu tempo. Nós colocamo-nos como ignorantes no meio de vós. Depois a metáfora continua.

4.1.2.2 1TES 2,7 – COMO UMA AMA /IMAGEM DO DOM

A imagem de uma Ama trofos – que acaricia os seus próprios filhos. Em relação aos filhos ela não é uma mãe, mas uma ama que acaricia os filhos dos outros, logo a mãe deve tratar ainda melhor os seus filhos. Isto é uma metáfora selvagem, para dizer o papel do mestre, como uma ama, socialmente, quee tem apenas um papel afectivo. A ama não tem direitos nenhuns. O único direito que ela tem é o afectivo. É um amor que não se apaga, é um reconhecimento que fica para sempre.

Paul Ricoeur diz que as metáforas morrem. Em Paulo nós encontramos um laboratório de imagens muito fortes e até inconvenientes.

O que é que são as imagens? É um serviço de mudanças. É uma deslocação, transposição. No decurso do afectivo e espiritual.

4.1.2.3 1TES 2,8 – CUIDADO ESPIRITUAL

8 οτως ὁμειρόμενοι ὑμῶν εὐδοκοῦμεν μεταδοῦ

ναι ὑμῖν οὐ μόνον τὸ εὐαγγέλιον τοῦ Θεοῦ, ἀλλὰ

καὶ τὰς ἑαυτῶν ψυχάς, διότι ἀγαπητοὶ ἡμῖν ἐγέν

σθε.

8 Assim nós, sendo-vos tão afeiçoados, de

boa vontade desejávamos comunicar-vos não somente o evangelho de Deus, mas ainda as nossas próprias almas; porquanto vos tornastes muito amados de nós.

Paulo aqui está a falar de um cuidado espiritual. Quando se fala de uma teologia da relação tem a ver com isto – de um ser para os outros. Paulo é mãe da comunidade.

Nm 11,10-12

Moisés de cabeça perdida com Deus. Porventura este povo é meu. O que nós temos aqui? Temos aqui um paradoxo muito importante.

15

4.1.2.4

1TES 2,4 – DE DEUS

4 ἀλλὰ καθὼς δεδοκιμάσμεθα ὑπὸ τοῦ Θεοῦ

πιστευθῆναι τὸ εὐαγγέλιον, οτω λαλοῦμεν, οὐ

χ ὡς ἀνθρώποις ἀρέσκοντες, ἀλλὰ Θεῷ τῷ δο

κιμάζοντι τὰς καρδίας ἡμῶν.

4 mas, assim como fomos aprovados por

Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações.

Paulo aqui, só depende de Deus. Paulo diz que não depender de ninguém, mas só de Deus. Nós tornamo-nos pequeninos e abandonamos todos os nossos privilégios e prerrogativas.

O que é que nós temos aqui? O dom de si, a isotopia do dom.

Semântica

Tessalonicenses.

do

dom.

Este

é

um

dos

temas

importantes

na

carta

aos

Com a imagem da ama nós tínhamos a isotopia do dom, e aí tínhamos a imagem do dom. Esta é complementada por outras linhas isotópicas – que derivam de outra figura popular. A referência da ama e agora a referência do Pai. Complementam-se as duas imagens.

4.1.2.5 1TES 2,9 – TRABALHO

9 μνημονεύετε γάρ, ἀδελφοί, τὸν κόπον ἡμῶν κ

αὶ τὸν μόχθον· νυκτὸς γὰρ καὶ ἡμέρας ἐργαζόμε

οι πρὸς τὸ μὴ ἐπιβαρῆσαί τινα ὑμῶν ἐκηρύξαμεν

εἰς ὑμᾶς τὸ εὐαγγέλιον τοῦ Θεοῦ.

4.1.2.6 1TES 2,10 – LEI - JUSTIÇA

10 ὑμεῖς μάρτυρες καὶ ὁ Θεός, ὡς ὁσίως καὶ δι

καίως καὶ ἀμέμπτως ὑμῖν τοῖς πιστεύουσιν ἐγενή

θημεν,

16

9 Porque vos lembrais, irmãos, do nosso labor e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus.

10 Vós e Deus sois testemunhas de quão santa e irrepreensivelmente nos portamos para convosco que credes;

4.1.2.7

1TES 2,12 – EDUCAÇÃO

12 παρακαλοῦντες ὑμᾶς καὶ παραμυθούμενοι

καὶ μαρτυρόμενοι εἰς τὸ περιπατῆσαι ὑμᾶς ἀ

ξίως τοῦ Θεοῦ τοῦ καλοῦντος ὑμᾶς εἰς τὴν ἑαυ

οῦ βασιλείαν καὶ δόξαν.

12 exortando-vos e consolando-vos, e

instando que andásseis de um modo digno de Deus, o qual vos chama ao seu reino e glória.

A maternidade espiritual mostra que há uma proximidade que Paulo cultiva

com aquelas pessoas concretas. Paulo não escreve de forma abstracta nunca. Paulo escreve tendo diante dos seus olhos os cristãos, e escreve a partir de uma relação; exceptuando a Carta aos Romanos.

A verdade é que Paulo escreve para pessoas conhecidas. E isso é um capital

fundamental – a relação – na dimensão teológica, e tudo isso é matéria para a comunicação.

Paulo aposta verdadeiramente numa relação. Isso digamos que se torna exemplaríssimo nestes versículos 1 Tes 2,9-12.

O versículo 1Tes 2,9 faz-nos regressar à tese inicial - 1Tes 1,2.

De novo no final nós temos o apelo que Paulo faz a partir deste versículo 9 para trabalhar noite e dia para não ser um peso no anúncio do evangelho de Deus.

O tema do não ser pesado… o que é isto?

Paulo reivindica o direito de ser sustentado pelo anúncio do evangelho. Paulo é um itinerante, anda de uma terra para outra, fala na sinagoga, mas não só. Paulo anda por ali. Paulo é um itinerante. Paulo não queria ser pesado a ninguém.

Em 1Tes 2,10 aparece-nos Deus. Vós sois testemunhas e Deus. Bruscamente aparece-nos Deus. E aqui temos o relato ético daquilo que nos aparece em 1Tes 2,4. Nós procuramos exortar, encorajar e corrigir… e isto corresponde aos papéis que eram dados na educação dos filhos.

17

Paulo com a imagem do Pai corrige a imagem da mãe. Há uma

identificação dos Tessalonicenses com as crianças – como um pai para com os

seus filhos.

Dignos do Deus que chama.

4.2. 1Tes 4-5 – final escatológico

É um final escatológico muito típico da época paulina (cf. 1Tes 4-5).

1 Tes 4,9-13

1Tes 5,1

Estas duas passagens anteriores falam das preocupações relativas ao amor

fraterno. Na segunda parte da exortação em 5,22 parece que Paulo fala das

preocupações que o próprio Paulo tem em relação aos Tessalonicenses, e isto

teria vindo a partir de informações que Timóteo lhe tinha dado.

1 Tes 4,13-18

13 Οὐ θέλομεν δὲ ὑμᾶς ἀγνοεῖν, ἀδελφοί, περὶ τ

ῶν κεκοιμημένων, να μὴ λυπῆσθε καθὼς καὶ οἱ

λοιποὶ οἱ μὴ χοντες ἐλπίδα.

14 εἰ γὰρ πιστεύομεν τι ᾿Ιησοῦς ἀπέθανε καὶ ἀ

νέστη, οτω καὶ ὁ Θεὸς τοὺς κοιμηθέντας διὰ το

᾿Ιησοῦ ξει σὺν αὐτῷ.

15 Τοῦτο γὰρ ὑμῖν λέγομεν ἐν λόγῳ Κυρίου τι

ἡμεῖς οἱ ζῶντες, οἱ περιλειπόμενοι εἰς τὴν παρου

σίαν τοῦ Κυρίου οὐ μὴ φθάσωμεν τοὺς κοιμηθέν

τας·

16 τι αὐτὸς ὁ Κύριος ἐν κελεύσματι, ἐν φωνῇ ἀ

ρχαγγέλου καὶ ἐν σάλπιγγι Θεοῦ καταβήσεται ἀ

π᾿ οὐρανοῦ, καὶ οἱ νεκροὶ ἐν Χριστῷ ἀναστήσον

αι πρῶτον,

17 πειτα ἡμεῖς οἱ ζῶντες οἱ περιλειπόμενοι μα

18

13 Não queremos, porém, irmãos, que

sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança.

14 Porque, se cremos que Jesus morreu e

ressurgiu, assim também aos que dormem, Deus, mediante Jesus, os tornará a trazer juntamente com ele.

15 Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do

Senhor: que nós, os que ficarmos vivos

para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem.

16 Porque o Senhor mesmo descerá do

céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.

17 Depois nós, os que ficarmos vivos

seremos arrebatados juntamente com eles,

σὺν αὐτοῖς ἁρπαγησόμεθα ἐν νεφέλαις εἰς ἀπάν

τησιν τοῦ Κυρίου εἰς ἀέρα, καὶ οτω πάντοτε σὺ

ν Κυρίῳ ἐσόμεθα.

18 Ωστε παρακαλεῖτε ἀλλήλους ἐν τοῖς λόγοις

τούτοις.

nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.

18 Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras.

É um texto cheio de imagens, e quando o lemos o realismo é fantástico o deste texto, é de alguma coisa que nos deixa sem saber bem o que pensar e sem saber como articular isto que o Paulo nos quer dar.

Para perceber este texto temos de vencer a distância cronológica e temporal que nos separa do autor e dos destinatários deste texto.

4.2.1. Três ordens de razão

Assim, para entender este texto precisamos de ter três ordens de razão:

1) A preocupação que o mundo antigo tem pelos mortos. Muito diferente da actual. No mundo clássico, helenístico, romano, havia em

todas as cidades associações, os chamados collegia teniorum. Consistia em garantir um funeral digno aos membros dos seus colégios e celebravam um banquete memorial da sua morte. Se pensarmos nos cultos mistéricos, que vai ser muito importante para o cristianismo emergente, pois esses tinham culto a diversas divindades; contudo, tinham uma dupla preocupação: a) que era garantir a vida feliz depois da morte; b) e garantir que não se perdia a memória daqueles que morreram. Eles mantinham essa memória através dos banquetes memoriais. Referência a Odon Casel que estabelece esta ligação entre os cultos mistéricos e a Eucaristia.

i. Testamento de Epicuro: “dia consagrado à memória dos meus irmãos que morreram”. ii. Nós percebemos por isto a urgência dos cristãos de Tessalónica. Esta mensagem é alguma coisa nova. Não é simplesmente a resposta cultural que nós trazemos. Como é

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que celebram os mortos? Como é que vivem os mortos? A morte na nossa sociedade vive muito afastada desta realidade. No centro da questão helénica está a questão de tratar dos mortos. Por isso não é de estranhar que esta fosse a preocupação constante.

2) Paulo não é certamente o único a apresentar a parusia do Senhor nos termos gráficos em que ela aparece aqui. Aliás este primeiro texto da Carta aos Tessalonicenses é uma espécie de síntese da escatologia popular judaica acerca dos mortos. Paulo não inventa, mas vai acolhê-las à tradição judaica e à tradição cristã que o antecede. “O regresso do Senhor” é algo que está muito claro em Mateus (Mt 24); depois temos o Senhor que vem do céu, Cristo que desce do céu (cf. 2Tes 1,7; Mt 24). Esta imagem de que Cristo que vem poisado nas nuvens (Mt 24,30; Ap 1,7); Jesus vem acompanhado de anjos (Mt 24,31; 2Tes 1,7); Jesus anunciado pelo som da trombeta (Mt 24,31; 1Cor 15,42). Paulo estava bem familiarizado com as imagens da escatologia judaica e cristã. Um texto que tem aqui uma grande importância é um texto de Daniel (Dn 7,1-14). Deste surge uma força plástica. O segundo elemento aqui é o palimpsesto que o cristianismo herda.

3) Como é que se definem as sociedades apocalípticas? As ideias escatológicas introduzem-se normalmente como inovações em sociedades tradicionais. A escatologia é sempre uma forma de inovação. Combina crenças antigas com crenças novas. Usa uma linguagem antiga para dizer algo de inédito. Quem participa desta dimensão escatológica são grupos marginalmente ameaçados e que sentem a ameaça disso mesmo. Spe Salvi (o impacto da fé e da caridade. O défice é que nós deixamos de pregar a esperança). Por que é que é raro? Porque, segundo Umberto Eco, há dois tipos de seres humanos, uns apocalípticos e outros integrados. Nós talvez nos inserimos nos integrados. A relação com a escatologia, não é que ela não exista, mas não é algo que impressiona. A perseguição acaba por ser uma espécie de terreno favorável para o despertar da fé escatológico, apocalíptico. A presença cristã como que fez, pela sua fé, parecer um corpo

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estranho em relação à sua própria cultura. Naquela história não há lugar para eles, pois já não dialoga com as suas esperanças mais profundas. Serem significativos de uma nova realidade que se vai impor no futuro. Na Tessalónica actual parece que eles não têm lugar. O plano escatológico dá-lhes um papel, um significado, uma aceitação. Mas depende desse futuro iminente, que está a chegar.

4.2.2. Resposta de Paulo

Há uma confluência de factores que nos ajudam a perceber a força da questão e dos problemas que os Tessalónicos colocam a Paulo. Eis a resposta que Paulo dá.

A resposta que Paulo dá é do 1 Tes 4,13-15.

13 Οὐ θέλομεν δὲ ὑμᾶς ἀγνοεῖν, ἀδελφοί, περὶ τ

ῶν κεκοιμημένων, να μὴ λυπῆσθε καθὼς καὶ οἱ

λοιποὶ οἱ μὴ χοντες ἐλπίδα.

14 εἰ γὰρ πιστεύομεν τι ᾿Ιησοῦς ἀπέθανε καὶ ἀ

νέστη, οτω καὶ ὁ Θεὸς τοὺς κοιμηθέντας διὰ το

᾿Ιησοῦ ξει σὺν αὐτῷ.

15 Τοῦτο γὰρ ὑμῖν λέγομεν ἐν λόγῳ Κυρίου τι

ἡμεῖς οἱ ζῶντες, οἱ περιλειπόμενοι εἰς τὴν παρου

σίαν τοῦ Κυρίου οὐ μὴ φθάσωμεν τοὺς κοιμηθέν

τας·

13 Não queremos, porém, irmãos, que

sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança.

14 Porque, se cremos que Jesus morreu e

ressurgiu, assim também aos que dormem, Deus, mediante Jesus, os tornará a trazer juntamente com ele.

15 Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do

Senhor: que nós, os que ficarmos vivos

para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem.

Estes são a descrição do motivo que vai levar Paulo a apresentar as ideias de carácter escatológico. A unidade maior de 1Tes 4,13-18 tem dois ritmos, dois tempos.

a) Na primeira parte, Paulo é mais sóbrio. Paulo é muito sucinto, e digamos que quase abstracto, teológico. Não é uma linguagem plástica simplesmente, mas é uma linguagem teológica. «Pois vos dizemos

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como que Palavra do Senhor» (cf. 1Tes 4,15) O que é esta referência? Será que Jesus disse alguma coisa semelhante? Quando é que Paulo pensava que ia ter lugar esses acontecimentos. Palavras de consolação. Não sabemos se os Tessalónicos escreveram uma carta a Timóteo, ou se foram questões que Timóteo levou colocadas por eles. Mas sabemos que as três questões que são aqui introduzidas, usam formas típicas que aparecem, p. ex., na 1Cor quando Paulo responde à comunidade: «Acerca disto…». Parece que Paulo está a responder a questões concretas de Tessalónicos. b) E uma carta da teologia da relação, da teologia do afecto, e cumpre uma missão de desenvolver a fé dos Tessalonicenses. Os Tessalonicenses, e isso é claro, afligem-se pela falta de esperança perante aqueles que partiram do seu seio. Cristo está para chegar de um momento para o outro. A primeira fé de Paulo, tal como a primeira fé dos membros da comunidade cristã era a de uma escatologia iminente. Mas eles não sabiam exactamente quando, mas sabiam que era para breve. Mantinham a expectativa de que eles próprios estariam presentes nessa parusia do Senhor. Quando alguns cristãos e da comunidade, começam a morrer antes da Parusia, a questão levanta-se. Logo surge uma grande questão: qual é o destino destes que morrem?

Vejamos 1 Tes 2,19:

19 τίς γὰρ ἡμῶν ἐλπὶς χαρὰ στέφανος καυχή

σεως, οὐχὶ καὶ ὑμεῖς μπροσθεν τοῦ Κυρίου ἡ

μῶν ᾿Ιησοῦ Χριστοῦ ἐν τῇ αὐτοῦ παρουσίᾳ;

Vejamos 1 Tes 3,13:

13 εἰς τὸ στηρίξαι ὑμῶν τὰς καρδίας ἀμέμπτους

ἐν ἁγιωσύνῃ μπροσθεν τοῦ Θεοῦ καὶ πατρὸς ἡ

μῶν ἐν τῇ παρουσίᾳ τοῦ Κυρίου ἡμῶν ᾿Ιησοῦ Χρ

ιστοῦ μετὰ πάντων τῶν ἁγίων αὐτοῦ.

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19 Porque, qual é a nossa esperança, ou

gozo, ou coroa de glória, diante de nosso Senhor Jesus na sua vinda? Porventura não o sois vós?

13 para vos confirmar os corações, de

sorte que sejam irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos.

Vejamos 1Tes 4,15:

15 Τοῦτο γὰρ ὑμῖν λέγομεν ἐν λόγῳ Κυρίου τι

ἡμεῖς οἱ ζῶντες, οἱ περιλειπόμενοι εἰς τὴν παρου

σίαν τοῦ Κυρίου οὐ μὴ φθάσωμεν τοὺς κοιμηθέν

τας·

15 Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do

Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem.

Paulo tinha a crença de que ele estaria vivo e seria garante na comunidade, da vinda do Senhor. Esta questão nos Tessalonicenses leva Paulo a maturar a sua fé na escatologia.

Como é que isso acontece?

Acontece em duas formas:

a. uma recorrendo à plástica do judaísmo e cristianismo primitivo (Mt24);

b. outra, é que Paulo torna-se mais consciente, que embora sendo gráfico, já sublinha o campo semântico. Esse campo é «… estarão com Cristo/Jesus, levar-nos-á consigo». Este é o enunciado que Paulo começa a fazer da esperança cristã.

O ponto essencial é esta certeza de que estaremos com Ele. Esta é a grande novidade.

Que garantia dá Paulo?

Na organização retórica do discurso nós não dizemos as coisas por dizer. Assim aparece 1Tes 4,15 – «pela Palavra do Senhor».

Isto significa que o que Paulo está a dizer não é uma visão pessoal que Paulo teve. Não é como no livro do Apocalipse, em que se diz revelação de Jesus Cristo. Aqui não é uma revelação privada. Mas é palavra do Senhor.

Isto significa ainda outra coisa, que este testemunho de fé que Paulo propõe aos Tessalonicenses é para ser creditado na Tessalónica, era alguma visão que também as comunidades da Síria acreditavam. Depois, o resto, a parte gráfica que dá um colorido a esta questão são coisas que Paulo vai buscar. Cf. 2 RS 2,1-18.

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O que é que é original? O que é a Palavra do Senhor? É esta certeza de que estaremos sempre com o Senhor 1Tes 4,17 - «sempre com o Senhor estaremos». E isto é a síntese por excelência daquilo que Paulo anuncia.

Paulo consegue apresentar uma nova realidade, ou uma realidade totalmente nova. Paulo consegue apresentar o novo com elementos tradicionais. Ele usa escatologia judaica para expressar uma nova verdade de fé que é esta – sempre com o Senhor seremos.

O que é que isto significa? Significa que a escatologia desempenha um papel mais importante quando a comunidade é perseguida. Nós sentimo-nos do mundo mas já não somos daqui. A escatologia é alguma coisa que confere identidade aos Tessalonicenses? Por um lado este sentimento de estranheza, mas também esta certeza profunda deste estar com Cristo passa a ser um elemento identitário fundamental da comunidade cristã.

A 1Tess é um documento fundamental para nos dizer que as primeiras gerações cristãs, na qual Paulo se inclui tinham uma expectativa iminente para a vinda de Cristo, e esta vai deixar de ser iminente para passar a ser integrada na história.

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