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Vistos.

Dispensado o relatório, na forma da Lei 9099/95.
Trata-se de Ação de Obrigação de Fazer proposta por EDUARDO
MARTONI em face de WAL MART BRASIL, alegando, em síntese, que tomou
conhecimento, através do “twitter” e do site da empresa requerida, de uma oferta
referente a venda de uma TV LED 46” Samsung Full HD com Conversor Digital por R$
1.798,00. Alega que efetuou a compra da referida TV em 19/01/2011, através do site da
empresa requerida e que tal compra seguiu todos os trâmites normais. Sustenta que a
empresa requerida cancelou a referida compra alegando que houve uma divergência no
valor da TV anunciada. Alega que tentou solucionar o problema, mas que não obteve
sucesso. Requer, portanto, seja a requerida condenada a entregar o aparelho televisor
que foi comprado na forma como foi anunciado.
A empresa requerida apresentou contestação impugnando as alegações
do requerente, aduzindo que não há provas dos fatos alegados e de propaganda
enganosa e que, portanto, não pode ser responsabilizada e condenada a atender o pedido
do autor. Alega que houve um mero erro sistêmico e que não pode ser obrigada no
cumprimento da oferta, que destoa do preço médio do produto em mercado. Sustenta
que, ao cumprir a oferta, concederia ao autor um enriquecimento ilícito. Requer a total
improcedência da ação.
A pretensão autoral merece acolhimento.
Insta salientar, primeiramente, que a presente demanda trata de relação
de consumo, incidindo, portando, as regras protetivas do CDC.
Conforme se observa dos autos, o aparelho televisor foi ofertado no
“twitter” e no site da empresa requerida pelo valor de R$ 1.798,00 (fls. 04 e 06). O autor
efetivou a compra do aparelho através do site da requerida, que se seguiu normal,
inclusive com o pagamento do boleto referente a compra de 02 televisores (fls.12/20).
A requerida alegou que houve erro na oferta e, por esse motivo, cancelou
a venda dos aparelhos televisores, mesmo após ter sido por ela aprovada e finalizada
eletronicamente (fls. 21).
Não pode a requerida se escusar de sua obrigação alegando um mero erro
do sistema. Até porque, pelo que se observa dos autos, o referido erro teria sido
veiculado não só por meio do site da empresa requerida, mas também pelo “twitter”,
rede social que alcança inúmeros consumidores.
A oferta veiculada em qualquer meio de comunicação, ainda que de
forma equivocada e com preço inferior ao comercializado no mercado, vincula o
fornecedor ou o comerciante do produto a realizar a venda na forma como foi
anunciado. Nesse sentido:
“Bem móvel - Direito do consumidor – Produto promocional, anunciado
por preço abaixo do mercado - Proposta que vincula o fornecedor - Inteligência dos
PODER JUDICIÁRIO
São Paulo
VARA DO JUIZADO ESPECIAL - fls. 1
Processo 81/11
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art. 30 do CDC e 428, IV, do CC/02 - Dano moral não configurado - Sentença
parcialmente reformada - Recurso provido em parte, com observação. 1. A proposta de
venda de produto ou serviço por preço abaixo do praticado no mercado, aceita pelo
consumidor, que o adquire e, assim, aperfeiçoa o negócio jurídico, obriga o fornecedor,
se não observado o disposto no art. 428, IV, do Código Civil, devendo ser cumprida
especificamente ou, na impossibilidade, convertida em perdas e danos, na forma dos
arts. 30 e 35 do Código de Defesa do Consumidor”. (Apelação n° 992.09.085548-4,
29a Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, Rel. Reinaldo
Caldas, j. 15/12/2010).
Lê-se no corpo desse acórdão:
“Ao verificar a proposta realizada e amplamente divulgada, aceitá-la e
efetuar a compra do produto, com aceitação imediata pelo fornecedor, aperfeiçoou-se o
negócio jurídico entre as partes, gerando um vínculo que obriga a ambos: o
comprador, a pagar o preço ajustado e o fornecedor, a entregar a coisa adquirida. Não
se vislumbrando vício social ou do consentimento, válido o negócio e exigível sua
execução em caso de não cumprimento voluntário”.
É também o entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça:
“Consumidor. Recurso Especial. Publicidade. Oferta. Princípio da
vinculação. Obrigação do fornecedor. - O CDC dispõe que toda informação ou
publicidade, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com relação a
produtos e serviços oferecidos ou apresentados, desde que suficientemente precisa e
efetivamente conhecida pelos consumidores a que é destinada, obriga o fornecedor que
a fizer veicular ou dela se utilizar, bem como integra o contrato que vier a ser
celebrado”. (STJ, 3ª T., REsp 341.405/DF, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, j.
03/09/2002, DJ 28/04/2003, p. 198).
Dessa forma, a compra dos aparelhos televisores se tornou negócio
jurídico plenamente válido quando da divulgação e aceitação pelo consumidor, que
efetivou eletronicamente a compra. Sendo assim, não pode a empresa requerida cancelar
a venda já realizada, devendo, portanto, proceder à entrega do produto exatamente da
forma como foi anunciado.
Frente ao exposto, JULGO PROCEDENTE a ação movida por
EDUARDO MARTONI em face de WAL MART BRASIL, com fulcro no art. 269, I,
do CPC, e o faço para, nos termos do art. 84 e parágrafos do CDC, condenar a requerida
a efetuar a entrega dos dois aparelhos adquiridos, de acordo com as especificações da
petição inicial, no prazo de 10 dias após intimada, sob pena de imposição de multa
diária no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais), pelo máximo de 15 dias, sem prejuízo
de eventual busca e apreensão.
Sem custas ou honorários advocatícios, na forma do art. 55 da lei
9.099/95.
P.R.I.C
Araras, 11 de julho de 2011.
PODER JUDICIÁRIO
São Paulo
VARA DO JUIZADO ESPECIAL - fls. 2
Processo 81/11
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DANIEL SERPENTINO
Juiz de Direito
CERTIFICO E DOU FÉ, nos termos do Provimento CG N.º 16/2009 que dá nova redação ao item 24,
capítulo II, das NSCGJ que, a presente cópia de Sentença Registrada CORRESPONDE COM A ORIGINAL.
NADA MAIS, Araras, 13/07/2011. Eu,__________(Rosana Cristina Marchetti), Diretora de Serviço/matr.
306949-0
PODER JUDICIÁRIO
São Paulo
VARA DO JUIZADO ESPECIAL - fls. 3
Processo 81/11
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