VANESSA BATTESTIN NUNES
LICENCIATURA EM INFORMÁTICA Lógica e Matemática Discreta
CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM Editora:Ifes
2011
2
Vanessa Battestin Nunes
© Instituto Federal do Espírito Santo Governo Federal Ministro de Educação Fernando Haddad
Ifes – Instituto Federal do Espírito Santo Reitor Dênio Rebello Arantes
Pró-Reitora de Ensino Cristiane Tenan Schlittler dos Santos
Diretora do CEAD – Centro de Educação a Distância Yvina Pavan Baldo
Coordenadores da UAB – Universidade Aberta do Brasil Marize Lyra Silva Passos José Mario Costa Junior
Licenciatura em Informática Coordenação de Curso Alexandre Fraga de Araujo
Designer Instrucional Edmundo Rodrigues Junior
Professor Especialista/Autor Vanessa Battestin Nunes
Catalogação da fonte: Renata Lorencini Rizzi - CRB 6/685
N972l
Nunes, Vanessa Battestin
Lógica e matemática discreta. / Vanessa Battestin Nunes. – Serra: Ifes, 2009. 95 p. : il.
1. Lógica simbólica 2. Matemática. I. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo. II. Título.
CDD 511.3
DIREITOS RESERVADOS Ifes – Instituto Federal do Espírito Santo Avenida Rio Branco, nº 50 Santa Lúcia - CEP. 29056-255 – Vitória – ES - Telefone: 3227-5564
Créditos de autoria da editoração Capa: Juliana Cristina da Silva Projeto gráfico: Juliana Cristina da Silva / Nelson Torres
Iconografia: Nelson Torres Editoração eletrônica: CEAD
Revisão de texto:
Esther Ortlieb Faria de Almeida
COPYRIGHT – É proibida a reprodução, mesmo que parcial, por qualquer meio, sem autorização escrita dos autores e do detentor dos direitos autorais.
Lógica e Matemática Discreta
Olá, Aluno(a)!
|
É |
um prazer tê-lo(a) conosco. |
|
O |
Ifes oferece a você, em parceria com as Prefeituras e com o Governo |
Federal, o Curso Superior de Licenciatura em Informática, na modalida- de a distância. Apesar de este curso ser ofertado a distância, esperamos que haja proximidade entre nós, pois, hoje, graças aos recursos da tec- nologia da informação (e-mails, chat, videoconferência, etc.), podemos manter uma comunicação efetiva.
É importante que você conheça toda a equipe envolvida neste curso:
coordenadores, professores especialistas, tutores a distância e tutores pre-
senciais, porque, quando precisar de algum tipo de ajuda, saberá a quem recorrer.
Na EaD - Educação a Distância, você é o grande responsável pelo suces-
so da aprendizagem. Por isso, é necessário que você se organize para os
estudos e para a realização de todas as atividades, nos prazos estabeleci- dos, conforme orientação dos Professores Especialistas e Tutores.
Fique atento às orientações de estudo que se encontram no Manual do Aluno.
A EaD, pela sua característica de amplitude e pelo uso de tecnologias
modernas, representa uma nova forma de aprender, respeitando, sem- pre, o seu tempo.
Desejamos-lhe sucesso e dedicação!
Equipe do Ifes
4
Vanessa Battestin Nunes
ICONOGRAFIA
Veja, abaixo, alguns símbolos utilizados neste material para guiá-lo em seus estudos.
|
|
Fala do Professor |
||
|
|
Conceitos importantes. Fique atento! |
||
|
|
Atividades que devem ser elaboradas por você, após a leitura dos textos. |
||
|
|
Indicação de leituras complemtares, referentes ao conteúdo estudado. |
||
|
|
Destaque de algo importante, referente ao conteúdo apresentado. Atenção! |
||
|
|
Reflexão/questionamento sobre algo impor- tante referente ao conteúdo apresentado. |
||
|
|
Espaço reservado para as anotações que você julgar necessárias. |
||
Lógica e Matemática Discreta
CAP. 1 - INTRODUçãO à LóGICA MATEMÁTICA 11
1.1 RACIOCíNIO LóGICO E LóGICA FORMAL 11
1.2 PROPOSIçãO 13
1.3 PROPOSIçõES SIMPLES E PROPOSIçõES COMPOSTAS 14
1.4 CONECTIVOS 15
1.5 VALORES LóGICOS DAS PROPOSIçõES 15
1.6 TABELA VERDADE 16
Cap. 2 - OPERAçõES LóGICAS SOBRE PROPOSIçõES 19
2.1 NEGAçãO ( ~ ) 19
2.2 CONjUNçãO ( ^ ) 20
2.3 DISjUNçãO (
2.4 DISjUNçãO ExCLUSIVA (
2.5 CONDICIONAL (
2.6 BICONDICIONAL (
)
21
22
)
23
)
22
Cap. 3 - TABELAS-VERDADE DE PROPOSIçõES COMPOSTAS 27
|
3.1 |
CONSTRUçãO DE TABELAS-VERDADE 27 |
|
3.2 |
VALOR LóGICO DE UMA PROPOSIçãO COMPOSTA 29 |
|
3.3 |
ORDEM DE PRECEDêNCIA DAS OPERAçõES 30 |
|
3.4 |
USO DE PARêNTESES 31 |
|
4.1 |
TAUTOLOGIA 33 |
Cap. 4 - TAUTOLOGIAS, CONTRADIçõES E CONTINGêNCIAS 33
|
4.2 |
CONTRADIçãO 34 |
|
4.3 |
CONTINGêNCIA 35 |
|
5.1 |
IMPLICAçãO LóGICA 37 |
|
5.2 |
PROPRIEDADES DA IMPLICAçãO LóGICA 37 |
Cap. 5 - IMPLICAçãO E EQUIVALêNCIA LóGICA 37
5.3 TAUTOLOGIAS E IMPLICAçãO LóGICA 39
5.4 EQUIVALêNCIA LóGICA 40
5.5 PROPRIEDADES DA EQUIVALêNCIA LóGICA 41
5.6 ExEMPLOS 41
Vanessa Battestin Nunes
5.7 TAUTOLOGIAS E EQUIVALêNCIA LóGICA 42
5.8 PROPOSIçõES ASSOCIADAS A UMA CONDICIONAL 42
5.9 NEGAçãO CONjUNTA DE DUAS PROPOSIçõES 43
5.10 NEGAçãO DISjUNTA DE DUAS PROPOSIçõES 43
Cap. 6 - ÁLGEBRA DAS PROPOSIçõES 45
6.1 PROPRIEDADES DA CONjUNçãO
6.2 PROPRIEDADES DA DISjUNçãO
6.3 PROPRIEDADES DA CONjUNçãO E DA DISjUNçãO 47
6.4 NEGAçãO DA CONDICIONAL
6.5 NEGAçãO DA BICONDICIONAL
6.6 EQUIVALêNCIAS NOTÁVEIS 51
45
46
50
50
Cap. 7 - MÉTODO DEDUTIVO 53
7.1 ExEMPLOS
7.2 REDUçãO DO NúMERO DE CONECTIVOS 55
7.3 FORMA NORMAL 55
7.4 FORMA NORMAL CONjUNTIVA (FNC)
7.5 FORMA NORMAL DISjUNTIVA (FND) 56
7.6 DUALIDADE 57
54
55
Cap. 8 - ARGUMENTOS E REGRAS DE INFERêNCIA 59
8.1 ARGUMENTO 59
8.2 VALIDADE DE UM ARGUMENTO 60
8.3 CRITÉRIO DE VALIDADE DE UM ARGUMENTO 60
8.4 CONDICIONAL ASSOCIADA A UM ARGUMENTO 60
8.5 ARGUMENTOS VÁLIDOS FUNDAMENTAIS 61
8.6 REGRAS DE INFERêNCIA 62
8.7 ExEMPLOS DO USO DAS REGRAS DE INFERêNCIA 64
Cap. 9 - VERIFICAçãO DA VALIDADE 69
9.1 VERIFICAçãO MEDIANTE TABELAS-VERDADE 69
9.2 ExEMPLOS (ALENCAR FILHO, 2003) 69
9.3 VALIDADE MEDIANTE REGRAS DE INFERêNCIA 71
9.4 ExEMPLOS (ALENCAR FILHO, 2003): 72
9.5 VALIDADE MEDIANTE REGRAS DE INFERêNCIA E EQUIVALêNCIA 73
9.6 ExEMPLOS (ALENCAR FILHO, 2003) 74
9.7 INCONSISTêNCIAS 75
Lógica e Matemática Discreta
Cap. 10 - DEMONSTRAçãO CONDICIONAL
77
10.1 DEMONSTRAçãO CONDICIONAL 77
10.2 ExEMPLO 77
Cap. 11 - LóGICA DE PREDICADOS E SENTENçAS ABERTAS 79
11.1 SENTENçAS ABERTAS 80
11.2 CONjUNTO VERDADE DE UMA SENTENçA-ABERTA 81
11.3 SENTENçAS ABERTAS COM N VARIÁVEIS 81
11.4 CONjUNTO VERDADE DE UMA SENTENçA-ABERTA COM N VARIÁVEIS 82
11.5 OPERAçõES LóGICAS SOBRE SENTENçAS-ABERTAS 83
11.6 ExEMPLOS (PINHO, 1999, P. 43) 84
Cap. 12 - QUANTIFICADORES 87
12.1 QUANTIFICADOR UNIVERSAL 87
12.2 QUANTIFICADOR ExISTENCIAL 88
12.3 NEGAçãO DE PROPOSIçõES COM QUANTIFICADORES
(PINHO, 1999) 88
12.4 VARIÁVEIS APARENTES OU MUDAS 89
12.5 QUANTIFICAçãO DE SENTENçAS ABERTAS COM MAIS DE UMA
VARIÁVEL 90
12.6 ORDEM DOS QUANTIFICADORES 90
12.7 NEGAçãO DE PROPOSIçõES COM QUANTIFICADORES 91
12.8 ExEMPLOS (PINHO, 1999, P. 47) 91
REFERêNCIAS 95
Vanessa Battestin Nunes
Lógica e Matemática Discreta
APRESENTAçãO
Sejam bem-vindos aos estudos de Lógica e Matemática Discreta!!!
Neste curso esperamos que vocês tragam situações do mundo real com o intuito de resolvê-las por meio da lógica. No início parecerá que alguns problemas são insolúveis, mas com o tempo aprenderemos técnicas para resolvê-los e tudo ficará mais claro.
Com o passar do tempo, você verá o quanto esta disciplina será útil no curso de Licenciatura em Informática. Ela é importante para resolução dos mais diversos problemas, principalmente aqueles que se referem à
criação de algoritmos, que estão diretamente relacionados às disciplinas
|
de |
programação. |
|
O |
conhecimento em lógica não será útil apenas nas diversas disciplinas |
do curso, mas também terá utilidade no mundo real. Vocês poderão aper- feiçoar os seus conhecimentos, adquirir vários outros e usar as soluções no dia-a-dia. Com isso, será bem mais fácil entender as coisas do nosso mundo (dentro do que cobre a lógica, claro!).
Mas estejam atentos a um item muito importante: O estudo de Lógica e Matemática Discreta vai exigir de você muita disciplina e esforço, pois serão vistos muitos conceitos novos. Apenas se ater aos conceitos, aos exemplos e aos poucos exercícios deste material não será suficiente para o aprendizado. É fundamental que o estudo seja complementado através da utilização do livro texto e de demais materiais a serem disponibilizados no nosso ambiente de aprendizagem, no decorrer do curso. O conheci- mento só será efetivo se a prática de exercícios fizer parte do cotidiano de vocês e as dúvidas forem sendo sanadas no decorrer da disciplina.
10
Vanessa Battestin Nunes
Olá Turma,
Neste Capítulo vocês terão um primeiro contato com a Lógica Matemática e com alguns de seus conceitos muito importantes – proposições e conectivos.
|
O |
aprendizado da Lógica auxilia no raciocínio, na compreensão |
|
de |
conceitos básicos, na verificação formal de programas e prepara |
para o entendimento de conceitos mais avançados.
Bons estudos!
A Lógica é uma ciência matemática fortemente ligada à filosofia. Ela tem, por objeto de estudo, as leis gerais do pensamento e as formas de aplicar essas leis, corretamente, na investigação da verdade. Ela será o nosso o nosso foco no decorrer de toda a disciplina.
1.1 RACIOCíNIO LóGICO E LóGICA FORMAL
Vamos imaginar a seguinte situação (GERSTING, 2004): Você está participando de um júri num processo criminal e o advogado de defesa faz esta argumentação:
Se meu cliente fosse culpado, a faca estaria na gaveta. Ou a faca não estava na gaveta ou Jason Pritchard viu a faca. Se a faca não estava lá no dia 10 de outubro de, então Jason Pritchard não viu a faca. Além disso, se a faca estava lá no dia de 10 de outubro, então a faca estava na gaveta e o martelo estava no celeiro. Mas todos sabemos que o martelo não estava no celeiro. Portanto, senhoras e senhores, meu cliente é inocente.
Em sua opinião, o argumento do advogado está correto? Como você iria votar?
Parece tudo muito confuso e difícil de entender. Isso se deve ao fato de a nossa língua (ou qualquer outra linguagem natural) ter muitas ambigüi- dades e ao fato de as frases longas causarem confusão no nosso cérebro. Tudo isso seria facilitado se reescrevêssemos a frase com a notação da lógica simbólica ou lógica formal, uma vez que tal conhecimento nos
Vanessa Battestin Nunes
permite tirar todo o palavreado que causa confusão e concentrar-nos na argumentação. A lógica formal nos fornece base para pensar de forma or- ganizada e tem aplicação direta na área de informática (GERSTING, 2004).
Lógica simbólica ou Lógica Formal – aquela que tem o
propósito de simbolizar o raciocínio encontrado não somente na matemática, mas também na vida diária.
Porém, antes de pensarmos na lógica formal, vamos exercitar um pouco o nosso raciocínio lógico.
Para exercitar, vamos realizar uma atividade proposta por (PINHO, 1999, p. 6):
1. Use o bom senso para tentar resolver os seguintes problemas:
(a) Se eu não tenho carro, a afirmação “meu carro não é azul” é
verdadeira ou falsa?
(b) Existe o ditado popular que afirma: “toda regra tem exceção”.
Considerando que essa frase é, por sua vez, também uma regra; podemos garantir que ela é verdadeira? Ou que é falsa?
(c) Tenho 9 pérolas idênticas, mas sei que uma delas é falsa, e é
mais leve que as outras. Como posso identificar a pérola falsa, com apenas duas pesagens em uma balança de dois pratos?
(d) Tenho 12 pérolas idênticas, mas uma delas é falsa e tem peso um pouco diferente das demais, não sei se mais leve ou mais pesada; como posso identificar a pérola falsa, e se ela é mais leve ou mais pesada, com apenas três pesagens em uma balança de dois pratos?
(e) Tenho 10 grupos de 10 moedas cada um; cada moeda pesa
10 gramas, exceto as de um grupo cujas moedas pesam 9 gramas cada uma. Como posso identificar o grupo de moedas mais leves, com apenas uma pesagem em uma balança de um prato?
Lógica e Matemática Discreta
(f) Um rei resolveu dar a um prisioneiro a oportunidade de obter a liberdade. Levou-o até uma sala, com duas portas de saída, chamadas A e B, cada uma com um guarda. Disse: “Uma das portas leva à liberdade, enquanto a outra leva à forca; alem disso, um dos guardas fala sempre a verdade, enquanto o outro só fala mentiras. Você pode fazer uma única pergunta a um dos guardas e escolher uma porta para sair”. O prisioneiro pensou durante alguns segundos; depois, dirigiu-se a um dos guardas e
disse: “Se eu perguntasse a seu companheiro qual a porta que leva
à liberdade, o que ele me diria ?”. Depois de alguns segundos, o
guarda respondeu: “A”. “Obrigado”, disse o prisioneiro, e passou pela porta B. O prisioneiro obteve a liberdade ou foi para a forca? Como saber?
1.2 PROPOSIçãO
Por meio da lógica formal podemos representar as afirmações que fazemos no nosso cotidiano. O primeiro passo na construção de uma linguagem simbólica, mais adequada à formulação dos conceitos da Lógica, é a apresentação do que chamamos proposição simples.
Proposição (ou declaração) – conjunto de palavras ou símbolos que exprimem um pensamento de sentido completo. É uma sen- tença que pode ser verdadeira ou falsa.
Exemplos:
• A Terra é quadrada.
• O sol é azul.
• Vitória é capital do Espírito Santo.
Aqui, as duas primeiras proposições são falsas, enquanto a última é verdadeira.
A Lógica da Matemática adota como regras fundamentais do pensamento
os seguintes princípios (ou axiomas) (ALENCAR FILHO, 2003):
Vanessa Battestin Nunes
(I) PRINCÍPIO DA NÃO CONTRADIÇÃO – Uma proposição
não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo.
(II) PRINCÍPIO DO TERCEIRO EXCLUÍDO – Toda proposição ou é verdadeira ou é falsa. Verifica-se sempre um destes casos e nunca um terceiro.
1.3 PROPOSIçõES SIMPLES E PROPOSIçõES COMPOSTAS
As proposições podem ser simples (ou atômicas) e compostas (ou moleculares) (ALENCAR FILHO, 2003).
Proposição simples ou proposição atômica – aquela que não contém em si nenhuma outra proposição como parte integrante.
As proposições simples são geralmente representadas através de letras latinas minúsculas p, q, r, s
|
Temos |
a seguir algumas proposições simples: |
|
p |
: João é estudante. |
|
q |
: Maria trabalha no centro da cidade. |
|
r |
: Pato é um animal. |
Proposição composta ou proposição molecular – aquela
formada pela combinação de duas ou mais proposições. Também são chamadas de fórmulas proposicionais ou apenas fórmulas.
As proposições compostas são geralmente representadas por letras latinas maiúsculas P, Q, R, S
Exemplos de proposições compostas:
P : João é estudante e pato é um animal.
Q : João é estudante ou Maria trabalha no centro da cidade.
S : Se Maria trabalha no centro da cidade então Maria mora perto do centro.
Lógica e Matemática Discreta
Observe que nesses exemplos as proposições compostas são formadas por duas proposições simples, mas poderiam ser mais. Inclusive, proposições compostas podem ser formadas por outras proposições compostas.
Quando quisermos explicitar que uma proposição composta P é formada
escreve-se: P(p, q, r).
pela combinação das proposições simples p, q, r
,
No exemplo dado, temos: P (p, r).
1.4 CONECTIVOS
Conectivos – palavras ou símbolos usados para formar novas proposições a partir de outras.
Exemplos:
P : A lua é quadrada e a neve é branca.
Q : O triângulo ABC é retângulo ou isósceles.
R : O dia está ensolarado e sem nuvens se e somente se não está
chovendo.
S : Se Luiz é engenheiro, então sabe matemática.
As palavras grifadas acima são conectivos “
matematica: “e”, “ou”, “não”, “se
usuais
em
”
então”,
se
e somente se
lógica
de
1.5 VALORES LóGICOS DAS PROPOSIçõES
Como vimos, proposições podem ser verdadeiras ou falsas.
Valor lógico de uma proposição – V(p) – é a verdade (V) se a proposição p é verdadeira e a falsidade (F) se a proposição p é falsa.
Assim, o que os princípios da não contradição e do terceiro excluído afirmam é que:
Toda proposição tem um, e um só, dos valores V ou F.
Vanessa Battestin Nunes
Exemplo:
|
p |
: Todo número par é múltiplo de dois. |
|
q |
: O menor planeta existente é o planeta Terra. |
|
O |
valor lógico da primeira proposição é a verdade, ou seja, V(p) = V e o |
valor lógico da segunda proposição é a falsidade, ou seja, V(q) = F.
1.6 TABELA VERDADE
Como vimos anteriormente, uma proposição simples ou é verdadeira (V) ou é falsa (F) - princípio do terceiro excluído. Porém, como faremos para determinar se uma proposição composta é verdadeira ou falsa? Ou seja, como faremos para determinar o valor lógico de proposições compostas?
Para responder essa pergunta, utilizaremos o conceito de tabelas-verdade.
Tabela verdade ou tabela da verdade – é uma tabela usada em lógica para determinar se uma expressão é verdadeira ou falsa, de acordo com os possíveis valores lógicos das proposições simples componentes (ALENCAR FILHO, 2003).
Assim, por exemplo, no caso de uma proposição composta formada pelas proposições simples p e q, os valores lógicos possíveis de p e q são mostrados na Tabela 1. No caso de haver uma nova proposição r, os valores são mostrados na Tabela 2:
Tabela 1
Tabela 2
|
p |
q |
p |
q |
r |
||
|
1 V |
V |
1 V |
V |
V |
||
|
2 V |
F |
2 V |
V |
F |
||
|
3 F |
V |
3 V |
F |
V |
||
|
4 F |
F |
4 V |
F |
F |
||
|
5 F |
V |
V |
||||
|
6 F |
V |
F |
||||
|
7 F |
F |
V |
||||
|
8 F |
F |
F |
||||
Lógica e Matemática Discreta
Observe, no primeiro caso, que os valores lógicos V e F se alternam de dois em dois para a primeira proposição p e de um em um para a segunda proposição q, e que, além disso, VV, VF, FV, FF são arranjos binários com repetição dos dois elementos V e F.
Da mesma forma, observe, no segundo caso, que os valores lógicos V e F se alternam de quatro em quatro para a primeira proposição p, de dois em dois para a segunda proposição q e de um em um para a terceira proposição r, e que, além disso, VVV, VVF, VFV, VFF, FVV, FVF, FFV, FFF são arranjos ternários com repetição dos dois elementos V e F.
|
Para maior compreensão, ler o capítulo 1 – Proposições e Conectivos do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003. |
|
||
|
1.Determinar o valor lógico (V ou F) das seguintes proposições: |
|
||
|
(a) |
Fernando Henrique é o atual presidente do Brasil. |
||
|
(b) |
Um heptágono é uma figura geométrica de 10 lados. |
||
|
(c) |
O Egito fica na Ásia. |
||
|
(d) |
Todo número divisível por 3 é impar. |
||
|
(e) |
Nova York é capital dos EUA. |
||
|
(f) |
House é uma palavra existente na língua inglesa. |
||
Vanessa Battestin Nunes
Lógica e Matemática Discreta
OPERAçõES LóGICAS SOBRE PROPOSIçõES
Agora que já conhecemos o que são proposições e os conectivos que podem ser utilizados para formarmos proposições compostas, vamos estudar quais tipos de operações podem ser realizadas.
Em Lógica Simbólica, a ação de combinar proposições é chamada “operação”, os conectivos são chamados “operadores”, que são representados por símbolos específicos. Apresentamos no Quadro 1 as cinco operações lógicas sobre proposições, com seus respectivos conectivos e símbolos (PINHO, 1999):
|
Operação |
Conectivo |
Símbolo |
|
|
Conjunção |
e |
< |
|
|
Disjunção |
ou |
> |
|
|
Negação |
não |
~ , ¬ ou |
|
|
Condicional |
se |
então |
|
|
Bicondicional |
se e somente se |
|
|
Quadro 1 – Operações lógicas sobre proposições.
Como podemos determinar o valor lógico de uma proposição composta, em função dos valores lógicos das proposições que a compõe? Para responder a essa pergunta, temos que definir as operações, isto é, dar o resultado da operação para cada possível conjunto de valores dos operandos.
2.1 NEGAçãO ( ~ )
Negação – de uma proposição p é a proposição representada por “não p” ou por “~ p”, cujo valor lógico é verdade (V) quando p é
falso e falsidade (F) quando p é verdadeiro. Ou seja, “não p” tem
o valor lógico oposto de p (ALENCAR FILHO, 2003).
A seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da negação
e as igualdades válidas nesse caso:
Vanessa Battestin Nunes
Igualdades:
|
~ |
V = F e ~ F = V |
|
V |
(~ p) = ~ V(p) |
Como vemos, negação é o fato de negar, opor-se ou se colocar de forma contrária a algo. Isso em nossa linguagem é feita utilizando-se o advérbio “não” ou expressões como “não é verdade que”, “é falso que” etc.
Exemplos:
|
p |
: Maria é jornalista. |
|
~p |
: Maria não é jornalista. |
|
~p |
: é falso que Maria é jornalista. |
|
~p |
: não é verdade que Maria é jornalista. |
2.2 CONjUNçãO ( ^ )
Conjunção – de duas proposições p e q é a proposição representada por “p e q” ou “p ^ q”, cujo valor lógico é a verdade (V) quando as proposições p e q são verdadeiras e a falsidade (F) nos demais casos (ALENCAR FILHO, 2003).
|
A |
seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da conjunção |
|
e |
as igualdades válidas neste caso: |
Igualdades:
|
V |
^ V = V |
|
V |
^ F = F |
|
F |
^ V = F |
|
F |
^ F = F |
V(p ^ q) = V(p) ^ V(q)
p
q
p ^ q V F F F
V
V
V
F
F
V
F
F
Exemplos:
1) p: o mar é azul (V) q: 1 é impar (V)
-----------------------------
p ^ q = o mar é azul e 1 é impar
V(p ^ q) = V(p) ^ V(q) = V ^ V = V
(V)
Lógica e Matemática Discreta
2) p: a lua é quadrada (F) q: 1 é par (V)
-----------------------------
p ^ q = a lua é quadrada e 1 é par (F)
V(p ^ q) = V(p) ^ V(q) = F ^ V = F
2.3 DISjUNçãO (
)
|
A |
seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da disjunção |
|
e |
as igualdades válidas neste caso: |
Igualdades:
Exemplos:
V(q)
p
~ p
p
q
V
V
V
V
F
V
F
V
V
F
F
F
1) p: Rio de Janeiro é a capital do Brasil (F) q: 1 + 3 = 4 (V)
p
V(p
q = Rio de Janeiro é a capital do Brasil ou 1 + 3 = 4 (V)
q) = V(p)
V(q) = V
V = V
2) p: Aparecida do Norte é padroeira do ES (F) q: Vasco da Gama descobriu o Brasil (F)
p v q = Aparecida do Norte é padroeira do ES ou Vasco da Gama descobriu o Brasil (F)
V(p
q) = V(p)
V(q) = F
F = F
Vanessa Battestin Nunes
2.4 DISjUNçãO ExCLUSIVA (
)
A seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da disjunção
exclusiva e as igualdades válidas neste caso:
Igualdades:
|
V |
|
V = F |
|
|
V |
|
F = V |
|
|
F |
|
V = V |
|
|
F |
|
F = F |
|
|
V(p |
q) = V(p) |
V(q) |
|
Exemplos:
p
q
p
q
V
V
F
V
F
V
F
V
V
F
F
F
|
p: |
João é Argentino (V) |
|
|
q: |
João torce pro Brasil (V) |
|
|
p |
|
q = ou João é Argentino ou João torce pro Brasil (F) |
V(p
q) = V(p)
V(q) = V
2.5 CONDICIONAL (
Se temos p
q, dizemos que p é o antecedente e q é o conseqüente.
Lógica e Matemática Discreta
A seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da
condicional e as igualdades válidas neste caso:
Igualdades:
|
V |
|
V = V
|
||
|
V |
|
F = F |
||
|
F |
|
V = V |
||
|
F |
|
F = V |
||
|
V(p |
q) = V(p) |
|
V(q) |
|
Exemplos:
p
q
p
q
V
V
V
V
F
F
F
V
V
F
F
V
1) p: Marisa Monte é uma cantora brasileira (V) q: Marisa Monte nasceu no Chile (F)
p
q = se Marisa Monte é uma cantora brasileira então Marisa Monte nasceu no Chile (F)
V(p
q) = V(p)
V(q) = V
F = F
2) p: Fevereiro tem 30 dias (F) q: Todo ano temos ano bissexto (F)
q =
se Fevereiro tem 30 dias então Todo ano temos ano bissexto (V)
p
V(p
q) = V(p)
V(q) = F
F = V
2.6 BICONDICIONAL (
)
Se temos p
q, dizemos que p é uma condição suficiente e necessária a q.
A seguir é mostrada a tabela verdade com os valores lógicos da
bicondicional e as igualdades válidas neste caso:
Vanessa Battestin Nunes
Igualdades:
V
V
F
F
V(p
V = V
F = F
V = F
F = V
q) = V(p)
Exemplos:
V(q)
p
q
p
q
V
V
V
V
F
F
F
V
F
F
F
V
1) p: 6/3 = 3 (F) q: Ronaldinho é jogador de futebol (V)
q = 6/3 = 3
se e somente se Ronaldinho é jogador de futebol (F)
p
V(p
q) = V(p)
V(q) = F
V = F
Lógica e Matemática Discreta
Para maior compreensão, ler o capítulo 2 – Operações Lógicas sobre Proposições do livro Alencar Filho, Edgard de. Iniciação à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Vanessa Battestin Nunes
Lógica e Matemática Discreta
TABELAS-VERDADE DE PROPOSIçõES COMPOSTAS
Neste capítulo vamos aprender a construir tabelas-verdade para proposições compostas. Desta forma, poderemos identificar os valores de uma proposição para todos os possíveis valores das proposições simples.
3.1 CONSTRUçãO DE TABELAS-VERDADE
O primeiro passo para construção de uma tabela-verdade de uma proposição composta é contar o número de proposições simples que a compõem. Agora se deve determinar o número de linhas. Cada linha da tabela corresponde a uma possível combinação dos valores lógicos das proposições componentes. Como são dois os valores lógicos, existem, para n componentes, 2n combinações possíveis.
Portanto:
O número de linhas de uma tabela verdade de uma proposição composta com n proposições simples é 2n, além do cabeçalho.
Por exemplo, para uma proposição composta com 5 proposições simples, teremos uma tabela-verdade com 2 5 = 32 linhas.
Após termos o número de linhas, vamos criar a tabela inicialmente com uma coluna para cada proposição simples (onde são distribuídos os valores V e F de forma a incluir cada possível combinação). Após isso, vamos criando colunas de acordo com as partes (operações) da proposição composta (onde os valores V e F são obtidos pela definição das operações), até termos a proposição composta completa.
Por fim, vamos preenchendo a tabela-verdade com todos os possíveis valores para as proposições simples. Para determinar unicamente a Tabela Verdade, podemos estabelecer certas convenções para sua construção:
Vanessa Battestin Nunes
A. Para as colunas:
1. Dispor as proposições componentes em ordem alfabética.
2. Dispor as operações na ordem de precedência (com parênteses,
se for o caso).
B. Para as linhas
1. Alternar V e F para a coluna do último componente.
2. Alternar V V e F F para a coluna do penúltimo componente.
3. Alternar V V V V e F F F F para a coluna do antepenúltimo
componente.
4. Prosseguir dessa forma, se houver mais componentes, sempre
dobrando o numero de V’s e F’s para cada coluna à esquerda.
Exemplos (ALENCAR FILHO, 2003)
(1) Construir a tabela-verdade da proposição: P(p,q) = ~(p
Resolução:
~q)
• Determinar o número de linhas da tabela-verdade. Como temos 2
proposições simples, teremos 2 2 = 4 linhas (criaremos uma adicional para o cabeçalho da tabela).
• Cria-se inicialmente uma coluna para cada proposição simples.
• Em seguida, cria-se uma coluna para ~q.
• Depois cria-se uma coluna para p ~q.
• A seguir uma nova coluna para a proposição completa: ~(p ~q).
• Por fim, preenche-se a tabela-verdade com todos os valores possíveis para p e q.
|
p |
q |
~q |
p |
|
~q |
~(p |
|
~q) |
|
V |
V |
F |
F |
V |
||||
|
V |
F |
V |
V |
F |
||||
|
F |
V |
F |
F |
V |
||||
|
F |
F |
V |
F |
V |
||||
Lógica e Matemática Discreta
(2) Construir a tabela-verdade da proposição: P(p,q) = ~(p
Resolução:
q)
~(q
p)
|
p |
q |
p |
|
q |
q |
|
p |
~(p |
|
q) |
~(q |
|
p) |
~(p |
|
q) |
~(q |
|
p) |
|
|
V |
V |
V |
V |
F |
F |
F |
||||||||||||||
|
V |
F |
F |
F |
V |
V |
V |
||||||||||||||
|
F |
V |
F |
F |
V |
V |
V |
(3) |
|||||||||||||
|
F |
F |
F |
V |
V |
F |
V |
(4) |
|||||||||||||
(3) Construir a tabela-verdade da proposição: P(p,q,r) = p
Resolução:
~r
|
p |
q |
r |
~r |
p |
|
~r |
q |
|
~r |
p |
|
~r |
q
|
~r |
|
V |
V |
V |
F |
V |
F |
F |
||||||||
|
V |
V |
F |
V |
V |
V |
V |
||||||||
|
V |
F |
V |
F |
V |
F |
F |
||||||||
|
V |
F |
F |
V |
V |
F |
F |
||||||||
|
F |
V |
V |
F |
F |
F |
V |
||||||||
|
F |
V |
F |
V |
V |
V |
V |
||||||||
|
F |
F |
V |
F |
F |
F |
V |
||||||||
|
F |
F |
F |
V |
V |
F |
F |
||||||||
3.2 VALOR LóGICO DE UMA PROPOSIçãO COMPOSTA
Já vimos como construir tabelas-verdade para determinar os valores que uma proposição composta pode ter, dando os possíveis valores de suas proposições simples. Desta forma, caso se conheça os valores das proposições simples, podemos sempre determinar o valor lógico (V ou F) da proposição composta.
Exemplos (ALENCAR FILHO, 2003):
(1) Dadas as proposições simples p e q e sabendo-se que seus valores são, respectivamente, V e F, determinar o valor lógico da proposição composta: P(p,q) = ~(p q) ~p ~q.
Resolução: V(P) = ~(V
~V ~ F = ~V
V = F
F = V
(2) Sabendo que V(r) = V, determinar o valor lógico da proposição com-
posta: p
Resolução: Como r é verdadeira, ~q
r é verdadeira (V).
~q
r
.
r é verdadeira. Logo, p
~q
Vanessa Battestin Nunes
3.3 ORDEM DE PRECEDêNCIA DAS OPERAçõES
A construção de expressões mais complexas, na forma simbólica, apresenta
alguns problemas. Por exemplo, considere a expressão (PINHO, 1999):
“Se Mário foi ao cinema e João foi ao teatro, então Marcelo ficou em casa”
Sua transcrição em termos lógicos, p
r, onde
p - Mário foi ao cinema
q - João foi ao teatro
r - Marcelo ficou em casa
pode indicar duas expressões distintas:
“se Mário foi ao cinema e João foi ao teatro, então Marcelo ficou em casa” ou “Mário foi ao cinema, e, se João foi ao teatro, então Marcelo ficou em casa”
Para decidir qual proposição está sendo indicada, é necessário saber qual o conectivo que atua primeiro (neste caso, se é o conectivo da con- junção ou da condicional). Por esse motivo, é necessário estabelecer uma ordem de operação dos conectivos:
1. ~
2.
3.
4.
,
• Para tornar o processo mais determinado, com uma única or- denação, podemos convencionar o seguinte algoritmo, para obter a ordem de execução das operações:
• Percorra a expressão da esquerda para a direita, executando as operações de negação, na ordem em que aparecerem.
• Percorra novamente a expressão, da esquerda para a direita, executando as operações de conjunção e disjunção, na ordem em que aparecerem.
• Percorra outra vez a expressão, da esquerda para a direita, exe- cutando desta vez as operações de condicionamento, na or- dem em que aparecerem.
• Percorra uma última vez a expressão, da esquerda para a direi- ta, executando as operações de bicondicionamento, na ordem em que aparecerem.
Lógica e Matemática Discreta
Dessa forma, as operações da expressão p tadas na seguinte ordem:
~ q
|
p |
|
~ q |
r
|
s |
|
2 |
1 |
4 |
3 |
|
s serão execu-
3.4 USO DE PARêNTESES
A utilização dos conectivos
em linguagem natural. Por exemplo a expressão
e
pode causar ambigüidade até mesmo
“Mário foi ao cinema e Marcelo ficou em casa ou Maria foi à praia”
representada por p q s, não deixa claro seu significado; tanto pode significar “Mário foi ao cinema e Marcelo ficou em casa”, ou então “Ma- ria foi à praia”, representada por (p q) s, como pode significar “Má- rio foi ao cinema” e “ou Marcelo ficou em casa ou Maria foi à praia”, representada por p (q s), que são claramente afirmações distintas.
Assim como na matemática, o uso de parênteses é extremante necessá-
rio para agrupar expressões e evitar ambigüidades. Assim, por exemplo,
colando parênteses na proposição p
q
r, temos:
|
(i) (p |
q) r
|
.
|
|
(ii) |
p r) (q
|
.
|
Porém, os parênteses podem ser suprimidos em alguns casos.
No primeiro caso, é devido a ordem de precedência dos conectivos:
(1) ~
(2)
e
(3)
(4)
Em que o conectivo mais fraco é o “~” e o mais forte é o “
”.
Exemplo: p q s r é uma bicondicional. Se quiséssemos que fosse
uma condicional, teríamos que adicionar parênteses: p
r).
O segundo caso em que podemos suprimir parênteses é quando um
mesmo conectivo aparece sucessivamente. Basta fazermos associação
da esquerda para a direita.
Exemplo: (((p
r
~p.
~q))
r)
(~p))
pode ser reescrito como: (p
~q)
Vanessa Battestin Nunes
Para maior compreensão, ler o capítulo 3 – Construção de Tabe-
las-Verdade do livro Alencar Filho, Edgard de. Iniciação à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Lógica e Matemática Discreta
TAUTOLOGIAS, CONTRADIçõES E CONTINGêNCIAS
|
Usando tabelas-verdade pudemos ver que proposições podem ser V ou F dependendo dos valores das proposições simples. Agora vamos discutir o que significa se uma proposição composta for sempre ver- dadeira, sempre falsa ou se tiver as duas situações. |
|
|
4.1 TAUTOLOGIA |
|
|
Tautologia – é toda proposição composta que resulta sempre em valores lógicos Verdadeiros (V) (ALENCAR FILHO, 2003). |
|
Ou seja, para se ter uma tautologia, a última coluna da tabela verdade de uma proposição composta terá apenas V.
Exemplos de tautologias:
(1) Princípio da identidade: p
p e p
p.
(2) Princípio da não contradição: ~(p
~p)
|
p |
~p |
p |
~q |
~(p |
|
~p) |
|||
|
V |
F |
F |
V |
||||||
|
F |
V |
F |
V |
||||||
|
(3) Princípio do terceiro excluído: p |
|
~p |
|||||||
|
p |
~p |
p |
|
~q |
|
V |
F |
V |
||
|
F |
V |
V |
||
Vanessa Battestin Nunes
|
(4) p |
|
~(p |
|
q) |
||||||||||||||||
|
p |
q |
p |
|
q |
~(p |
~q) |
p |
|
~(p |
|
q) |
|||||||||
|
V |
V |
V |
F |
V |
||||||||||||||||
|
V |
F |
F |
V |
V |
||||||||||||||||
|
F |
V |
F |
V |
V |
||||||||||||||||
|
F |
F |
F |
V |
V |
||||||||||||||||
|
(5) p |
q
(p
|
q) |
||||||||||||||||||
|
p |
q |
p |
|
q |
p |
|
q |
p
q
(p
q) |
||||||||||||
|
V |
V |
V |
F |
V |
||||||||||||||||
|
V |
F |
F |
V |
V |
||||||||||||||||
|
F |
V |
F |
V |
V |
||||||||||||||||
|
F |
F |
F |
V |
V |
||||||||||||||||
Uma vez que o fato de uma proposição ser uma tautologia significa que o seu valor lógico é sempre verdade (V), independente dos valores das proposições simples que a compõem, então vale o seguinte princípio:
Principio da substituição - Se P(p, q, r,
P(P 0 , Q 0 , R 0 , sejam P 0 , Q 0 , R 0 ,
é uma tautologia, então
) também é uma tautologia, para quaisquer que
)
4.2 CONTRADIçãO
Contradição – é toda proposição composta que resulta sempre em valores lógicos Falsos (F) (ALENCAR FILHO, 2003).
Em outros termos, contradição é toda proposição composta em que a última coluna da sua tabela-verdade possui apenas a letra F (falsidade).
Observe que como uma tautologia é sempre verdadeira (V), a ne-
gação de uma tautologia é sempre falsa (F), ou seja, é uma contra- dição, e vice-versa.
Lógica e Matemática Discreta
Exemplos:
(1) Dadas as proposições:
p: Eu gosto de Lógica ~p: Eu não gosto de Lógica
Vemos que existe uma contradição ao dizermos: Eu gosto de Lógica e eu não gosto de Lógica, conforma mostra a tabela-verdade a seguir:
|
p |
~p |
p |
|
~p |
|
V |
F |
F |
||
|
F |
V |
F |
||
(2) Dadas as proposições:
p: Eu vou ao cinema ~p: eu não vou ao cinema
Vemos que existe uma contradição ao dizermos: Eu vou ao cinema se e so- mente se eu não for ao cinema, conforme mostra a tabela-verdade a seguir:
|
p |
~p |
p |
|
~p |
|
V |
F |
F |
||
|
F |
V |
F |
||
Semelhante ao que ocorre as com tautologias, o fato de uma proposição ser uma contradição significa que o seu valor lógico é sempre falsidade (F), independente dos valores das proposições simples que a compõem, então vale o seguinte princípio:
|
Princípio da substituição - Se P(p, q, r, |
) |
é uma contradição, en- |
|
|
tão P(P 0 , Q 0 , R 0 , sejam P 0 , Q 0 , R 0 , ) também é uma tautologia, para quaisquer que |
|||
|
4.3 CONTINGêNCIA |
|||
|
Contingência – é toda proposição composta que não é tautologia nem contradição (ALENCAR FILHO, 2003). |
|
||
Vanessa Battestin Nunes
Em outras palavras, contingência é toda a proposição composta em cuja última coluna de sua tabela-verdade figuram as letras V e F cada uma pelo menos uma vez.
Exemplo:
|
p |
~p |
p |
|
~p |
|
V |
F |
F |
||
|
F |
V |
V |
||
Para maior compreensão, ler o capítulo 4 – Tautologias, Contradi-
ções e Contingências do livro Alencar Filho, Edgard de. Iniciação à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Lógica e Matemática Discreta
IMPLICAçãO E EQUIVALêNCIA LóGICA
|
Já sabemos avaliar os valores lógicos de uma proposição composta e julgar se ela é uma tautologia, contradição ou contingência. Mas será que dada uma proposição composta conseguimos deduzir algu- ma coisa a respeito de outra proposição composta? |
|
||||||
|
5.1 IMPLICAçãO LóGICA |
|||||||
|
Diz-se que uma proposição P(p,q,r, |
) implica logicamente ou |
|
|||||
|
apenas implica uma proposição Q(p,q,r, |
), |
se Q(p,q,r, |
) |
é verda- |
|||
|
deira (V) todas as vezes que P(p,q,r, |
) |
é verdadeira (V). |
|||||
implica logicamente uma
proposição Q(p,q,r,
dessas duas proposições não aparecer V na última coluna de P e F na últi- ma coluna de Q, com V e F na mesma linha, ou seja, não ocorre P e Q com valores lógicos simultâneos V e F (ALENCAR FILHO, 2003).
Em outras palavras, uma proposição P(p,q,r,
todas as vezes que nas respectivas tabelas-verdade
)
),
Representação: P(p,q,r,
)
=> Q(p,q,r,
)
Em particular, toda proposição implica uma tautologia e somente uma contradição implica uma contradição.
5.2 PROPRIEDADES DA IMPLICAçãO LóGICA
A relação de implicação lógica entre proposições possui as propriedades reflexiva (R) e transitiva (T), isto é, simbolicamente.
|
(R) |
P(p,q,r, |
) |
=> P(p,q,r, |
) |
||
|
(T) |
Se P(p,q,r, |
) => Q(p,q,r, |
) |
e |
||
|
Q(p,q,r, |
) |
=> R(p,q,r, |
), |
então |
||
|
P(p,q,r, |
) |
=> R(p,q,r, |
) |
|||
Vanessa Battestin Nunes
Exemplos:
(1) Considere a tabela-verdade para as proposições (p
e (p
q)
q), (p
q)
|
p |
q |
p |
|
q |
(p |
|
q) |
p |
|
q |
|
V |
V |
V |
V |
V |
||||||
|
V |
F |
F |
V |
F |
||||||
|
F |
V |
F |
V |
F |
||||||
|
F |
F |
F |
F |
V |
||||||
Vamos observar (p q). Esta proposição é verdadeira apenas na 1ª li- nha. Nesta mesma linha, p, q, (p q) e (p q) são também verdadei- ras. Quer dizer, (p ^ q) implica logicamente em p, por exemplo. Assim, podemos escrever: (p ^ q) p.
As
inferência:
mesmas
tabelas-verdade
demonstram
importantes
regras
de
|
p
p
|
q |
e |
q
p
|
q |
(Adição) |
||
|
p ^ q |
p |
e |
p ^ q |
q |
(Simplificação) |
||
(2) Seja a tabela-verdade da proposição (p
q)
~p:
|
p |
q |
p |
|
q |
~p |
(p |
|
q) |
|
~p |
|
V |
V |
V |
F |
F |
||||||
|
V |
F |
V |
F |
F |
||||||
|
F |
V |
V |
V |
V |
||||||
|
F |
F |
F |
V |
F |
||||||
Ela é verdadeira apenas na linha 3, em que q também é verdadeira. Logo existe a seguinte implicação lógica:
(p
q
e
(p
p
(Regra do Silogismo Disjuntivo)
|
(3) Seja a tabela-verdade da proposição (p |
q)
|
p: |
||||||||
|
p |
q |
p |
|
q |
(p |
|
q) |
|
p |
|
|
V |
V |
V |
V |
|||||||
|
V |
F |
F |
F |
|||||||
|
F |
V |
V |
F |
|||||||
|
F |
F |
V |
F |
|||||||
Lógica e Matemática Discreta
Ela é verdadeira apenas na linha 1, em que q também é verdadeira. Logo
existe a seguinte implicação lógica:
(p
q
(Regra Modus Ponens)
(4) Sejam as tabelas-verdade das proposições (p
~q e ~p:
|
p |
q |
p |
|
q |
~q |
(p |
|
q) |
|
~q |
~p |
|
V |
V |
V |
F |
F |
F |
||||||
|
V |
F |
F |
V |
F |
F |
||||||
|
F |
V |
V |
F |
F |
V |
||||||
|
F |
F |
V |
V |
V |
V |
||||||
Ela é verdadeira apenas na linha 4, em que ~p também é verdadeira. Logo existe a seguinte implicação lógica:
(p
~q
~p
(Regra Modus tollens)
5.3 TAUTOLOGIAS E IMPLICAçãO LóGICA
Portanto, a toda implicação lógica corresponde uma condicional tautológica e vice-versa. Isso acontece porque, como P => em Q,
não ocorre o situação onde P é falso e Q é verdadeiro. Desse modo,
P
Q nunca será falso.
Exemplo:
A proposição (p <-> q) ^ p implica a proposição q, pois a condicional (p <-> q) ^ p -> q é tautológica.
Vanessa Battestin Nunes
|
p |
q |
p <-> q |
(p <-> q) ^ p |
(p <-> q) ^ p -> q |
|
V |
V |
V |
V |
V |
|
V |
F |
F |
F |
V |
|
F |
V |
F |
F |
V |
|
F |
F |
V |
F |
V |
Ou seja: (p <-> q) ^ p => q.
5.4 EQUIVALêNCIA LóGICA
Uma proposição P(p,q,r
proposição Q(p,q,r sições são idênticas.
é logicamente equivalente a uma
se as tabelas-verdade destas duas propo-
)
),
Representação: P(p,q,r,
)
Q(p,q,r,
)
Em particular, se as proposições P e Q são ambas tautológicas ou são ambas contradições, então são equivalentes.
Lógica e Matemática Discreta
5.5 PROPRIEDADES DA EQUIVALêNCIA LóGICA
Vamos relacionar algumas propriedades:
• Reflexiva (a proposição é equivalente a ela mesma): P(p,q,r ) P(p,q,r )
• Simétrica (se uma proposição equivale a uma outra, esta ou- tra equivale à primeira):
Se P(p,q,r )
Q(p,q,r
)
então Q(p,q,r
)
P(p,q,r
)
• Transitiva (se uma proposição equivale a uma segunda, e a
segunda proposição é equivalente à uma terceira, a primeira equivale à terceira):
|
Se P(p,q,r ) |
|
R(p,q,r ) |
e R(p,q,r |
) |
Q(p,q,r |
) |
então |
||||||||
|
P(p,q,r |
) |
ó Q(p,q,r ) |
|||||||||||||
|
5.6 ExEMPLOS |
|||||||||||||||
|
(1) Regra da dupla negação |
|||||||||||||||
|
As proposições ~~p e p são equivalentes, ou seja, ~~p
|
p: |
||||||||||||||
|
p |
~p |
~~p |
|||||||||||||
|
V |
F |
V |
|||||||||||||
|
F |
V |
F |
|||||||||||||
|
(2) Regra de CLAVIUS |
|||||||||||||||
|
As proposições ~p |
|
p e p são equivalentes, ou seja, ~p
|
p |
|
p: |
||||||||||
|
p |
~p |
~p |
|
p |
|||||
|
V |
F |
V |
|||||||
|
F |
V |
F |
|||||||
|
(3) Regra de absorção |
|||||||||
|
As proposições p |
p
|
q e p |
q são equivalentes: |
||||||
|
p |
q |
p |
|
q |
p |
p
|
q |
p |
|
q |
|
V |
V |
V |
V |
V |
||||||
|
V |
F |
F |
F |
F |
||||||
|
F |
V |
F |
V |
V |
||||||
|
F |
F |
F |
V |
V |
||||||
Vanessa Battestin Nunes
5.7 TAUTOLOGIAS E EQUIVALêNCIA LóGICA
Portanto, toda equivalência lógica corresponde a uma bicondicional tautológica e vice-versa. Isso acontece, porque, se duas proposições P Q, então não ocorre o caso em que P e Q apresentam valores lógicos diferentes. Desse modo P Q é uma tautologia.
Exemplo:
A bicondicional (p
q)
, onde c é uma proposição
com valor lógico F, é tautológica, pois a última coluna da tabela-verdade
tem apenas a letra V. Portanto, as proposições p ~q
equivalentes, ou seja, (p
q são
~q
c)
~q
(p
c
e p
Nesta equivalência consiste o método de demonstração por absurdo.
1. Construa a tabela-verdade do exemplo acima.
5.8 PROPOSIçõES ASSOCIADAS A UMA
CONDICIONAL
Dada a condicional p
q, temos as seguintes proposições associadas:
• Proposição recíproca de p
• Proposição contrária de p
• Proposição contrapositiva de p q: ~q ~p
q: q
q: ~p
p
~q
Lógica e Matemática Discreta
1. Construa as tabelas-verdade das proposições acima.
5.9 NEGAçãO CONjUNTA DE DUAS PROPOSIçõES
Portanto temos: p
~p
~q
1. Construa a tabela-verdade da proposição anterior.
5.10 NEGAçãO DISjUNTA DE DUAS PROPOSIçõES
Portanto temos: p
~p
~q
Vanessa Battestin Nunes
Para maior compreensão, ler os capítulos 5 – Implicação Lógica e 6 – Equivalência Lógica do livro Alencar Filho, Edgard de. Inicia- ção à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Lógica e Matemática Discreta
ÁLGEBRA DAS PROPOSIçõES
Agora, que já aprendemos muito sobre proposições, estamos prepa- rados para aprender sobre a álgebra das proposições.
6.1 PROPRIEDADES DA CONjUNçãO
Sejam p, q e r proposições simples quaisquer e sejam t e c proposições também simples, cujos valores lógicos respectivos são V (verdade) e F (falsidade) (ALENCAR FILHO, 2003).
|
(a) Idempotente : p
p
p |
||||||||||||
|
p |
p |
|
p |
p
p
p |
||||||||
|
V |
V |
V |
||||||||||
|
F |
F |
V |
||||||||||
|
(b) Comutativa : p
q
q
p |
||||||||||||
|
p |
q |
p |
|
q |
q |
|
p |
p |
q
q
|
p |
||
|
V |
V |
V |
V |
V |
||||||||
|
V |
F |
F |
F |
V |
||||||||
|
F |
V |
F |
F |
V |
||||||||
|
F |
F |
F |
F |
V |
||||||||
Vanessa Battestin Nunes
(c) Associativa : (p
r)
|
p |
q |
r |
p |
|
q |
(p |
q) r |
q |
r |
p |
|
(q |
|
r) |
(p
q)
r
p
(q
r)
|
||||||
|
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
||||||||||||||
|
V |
V |
F |
V |
F |
F |
F |
V |
||||||||||||||
|
V |
F |
V |
F |
F |
F |
F |
V |
||||||||||||||
|
V |
F |
F |
F |
F |
F |
F |
V |
||||||||||||||
|
F |
V |
V |
F |
F |
V |
F |
V |
||||||||||||||
|
F |
V |
F |
F |
F |
F |
F |
V |
||||||||||||||
|
F |
F |
V |
F |
F |
F |
F |
V |
||||||||||||||
|
F |
F |
F |
F |
F |
F |
F |
V |
||||||||||||||
|
As colunas 5 e 7 são equivalentes |
|||||||||||||||||||||
|
(d) Identidade : p |
t
|
p e p
c
c |
|||||||||||||||||||
|
p |
t |
c |
p |
|
t |
p |
|
c |
p
t
|
p |
p |
c
|
c |
||||||||
|
V |
V |
F |
V |
F |
V |
V |
|||||||||||||||
|
F |
V |
F |
F |
F |
V |
V |
|||||||||||||||
As colunas equivalentes são 1, 4 e 3, 5.
6.2 PROPRIEDADES DA DISjUNçãO
Sejam p, q e r proposições simples quaisquer e sejam t e c proposições também simples cujos valores lógicos respectivos são V (verdade) e F (falsidade) (ALENCAR FILHO, 2003).
(a) Idempotente : p
p
|
p |
p |
|
p |
p |
|
p |
|
p |
|
V |
V |
V |
||||||
|
F |
F |
V |
||||||
(b) Comutativa : p
p
|
p |
q |
p |
|
q |
q |
|
p |
p |
|
q |
|
q |
|
p |
|
V |
V |
V |
V |
V |
||||||||||
|
V |
F |
V |
V |
V |
||||||||||
|
F |
V |
V |
V |
V |
||||||||||
|
F |
F |
F |
F |
V |
||||||||||
Lógica e Matemática Discreta
(c) Associativa : (p
r)
|
p |
q |
r |
p |
|
q |
(p |
|
q) |
r |
q |
|
r |
p |
|
(q |
r) |
(p |
q)
r
p
(q
r) |
||||||||||||||
|
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
V |
V |
F |
V |
V |
V |
V |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
V |
F |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
V |
F |
F |
V |
V |
F |
V |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
F |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
F |
V |
F |
V |
V |
V |
V |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
F |
F |
V |
F |
V |
V |
V |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
F |
F |
F |
F |
F |
F |
F |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
As colunas 5 e 7 são equivalentes |
||||||||||||||||||||||||||||||||
|
(d) Identidade : p |
t
t e p |
c
|
p |
|||||||||||||||||||||||||||||
|
p |
t |
c |
p |
|
t |
p |
|
c |
p |
t
|
p |
p
c
|
c |
|||||||||||||||||||
|
V |
V |
F |
V |
V |
V |
V |
||||||||||||||||||||||||||
|
F |
V |
F |
V |
F |
V |
V |
||||||||||||||||||||||||||
|
As colunas equivalentes são 1, 5 e 2, 4. |
||||||||||||||||||||||||||||||||
|
6.3 PROPRIEDADES DA CONjUNçãO E DA DISjUNçãO |
||||||||||||||||||||||||||||||||
|
(a) Distributivas |
||||||||||||||||||||||||||||||||
|
(i) p |
(q
r)
(p
q)
(p
r) |
|||||||||||||||||||||||||||||||
|
p |
q |
r |
q |
|
r |
p |
|
(q
|
r) |
p |
|
q |
p
|
r |
(p |
|
q) |
|
(p |
|
r) |
|||||||||||
|
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
V |
V |
F |
V |
V |
V |
F |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
V |
F |
V |
V |
F |
V |
V |
V |
|||||||||||||||||||||||||
|
V |
F |
F |
F |
F |
F |
F |
F |
|||||||||||||||||||||||||
|
F |
V |
V |
V |
F |
F |
F |
F |
|||||||||||||||||||||||||
|
F |
V |
F |
V |
F |
F |
F |
F |
|||||||||||||||||||||||||
|
F |
F |
V |
V |
F |
F |
F |
F |
|||||||||||||||||||||||||
|
F |
F |
F |
F |
F |
F |
F |
F |
|||||||||||||||||||||||||
As colunas 5 e 8 são equivalentes
Vanessa Battestin Nunes
(ii) p
r)
|
p |
q |
r |
q |
|
r |
p |
|
(q |
|
r) |
p |
|
q |
p |
|
r |
(p |
|
q) |
|
(p |
|
r) |
|
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
||||||||||||||||
|
V |
V |
F |
F |
V |
V |
V |
V |
||||||||||||||||
|
V |
F |
V |
F |
V |
V |
V |
V |
||||||||||||||||
|
V |
F |
F |
F |
V |
V |
V |
V |
||||||||||||||||
|
F |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
V |
||||||||||||||||
|
F |
V |
F |
F |
F |
V |
F |
F |
||||||||||||||||
|
F |
F |
V |
F |
F |
F |
V |
F |
||||||||||||||||
|
F |
F |
F |
F |
F |
F |
F |
F |
||||||||||||||||
As colunas 5 e 8 são equivalentes
(b) Absorção
|
(i) |
p
(p
q)
p |
||||||||||||
|
p |
q |
p
q |
p
|
(p |
|
q) |
p
(p
q)
p |
||||||
|
V |
V |
V |
V |
V |
|||||||||
|
V |
F |
V |
V |
V |
|||||||||
|
F |
V |
V |
F |
V |
|||||||||
|
F |
F |
F |
F |
V |
|||||||||
|
As colunas 1 e 4 são equivalentes |
|||||||||||||
|
(ii) p
(p
q)
|
p |
||||||||||||
|
p |
p |
p
|
q |
p |
(p
|
q) |
p
(p
q)
|
p |
|||||
|
V |
V |
V |
V |
V |
|||||||||
|
V |
F |
F |
V |
V |
|||||||||
|
F |
V |
F |
F |
V |
|||||||||
|
F |
F |
F |
F |
V |
|||||||||
As colunas 1 e 4 são equivalentes
(c) Regras de DE MORGAN (1806 – 1871)
Com De Morgan pode-se colocar a negação associada a cada uma das proposições, sejam elas conjunções ou disjunções ou seja (ALENCAR FILHO, 2003):
(i) ~ (p
( ex. Não é verdade que a rua está molha-
da e também suja equivale a dizermos que ou a rua não está molhada ou não está suja.)
~ p
~ q
Lógica e Matemática Discreta
Explicando o exemplo, quando montamos uma conjunção ela é for- mada por duas proposições que ocorrem ao mesmo tempo. Para que uma conjunção formada por duas proposições seja F, uma das duas proposições falhou.
|
p |
q |
p |
|
q |
~(p |
|
q) |
~p |
~q |
~p |
|
~q |
|
V |
V |
V |
F |
F |
F |
F |
||||||
|
V |
F |
F |
V |
F |
V |
V |
||||||
|
F |
V |
F |
V |
V |
F |
V |
||||||
|
F |
F |
F |
V |
V |
V |
V |
||||||
As colunas 4 e 7 são equivalentes
~ q (ex. “Não é verdade que eu tirei mais de
(ii) ~ (p
5 na prova ou que eu tirei menos de 3 na prova”. Equivale dizer que “eu
não tirei mais de 5 na prova e também não tirei menos que 3 na prova”.
q)
~ p
Explicando o exemplo, quando temos uma disjunção, uma das duas proposições é verdadeira. Para que eu negue uma disjunção, não basta apenas uma ser falsa, as duas devem ser falsas.
|
p |
q |
p |
|
q |
~(p |
|
q) |
~p |
~q |
~p |
|
~q |
|
V |
V |
V |
F |
F |
F |
F |
||||||
|
V |
F |
V |
F |
F |
V |
F |
||||||
|
F |
V |
V |
F |
V |
F |
F |
||||||
|
F |
F |
F |
V |
V |
V |
V |
||||||
As colunas 4 e 7 são equivalentes
Regras de De Morgan:
(i) Negar que duas preposições são ao mesmo tempo verdadeiras equivale a afirmar que uma pelo menos é falsa.
(ii) Negar que pelo menos uma de duas preposições é verdadeira
equivale a afirmar que ambas são falsas.
Vanessa Battestin Nunes
6.4 NEGAçãO DA CONDICIONAL
Como p
lhada. Ou não choveu ou a rua está molhada.”), temos (ALEN-
CAR FILHO, 2003):
(ex. “Se choveu então a rua está mo-
q
~ p
q
~( p
~q, como se pode ver na tabela-verdade abaixo:
q)
~( ~p
~~ p
~q, ou seja, ~( p
q) )
|
p |
q |
p |
|
q |
~(p |
|
q) |
~q |
p |
|
~q |
|
V |
V |
V |
F |
F |
F |
||||||
|
V |
F |
F |
V |
V |
V |
||||||
|
F |
V |
V |
F |
F |
F |
||||||
|
F |
F |
V |
F |
V |
F |
||||||
6.5 NEGAçãO DA BICONDICIONAL
Como
p
p
q
p), temos (ALENCAR FILHO, 2003):
(~p
q)
(~q
p), e, portanto:
|
~(p |
q) q) ~(~p
~(~q
p) |
|
|
~(p |
(~~p ~q) q)
(~~q
|
~p) |
|
~(p |
q)
(p
~q)
(q
~p) |
|
Como se pode ver na tabela-verdade abaixo:
|
p |
q |
p |
|
q |
~(p |
|
q) |
~q |
p |
|
~q |
~p |
~p |
|
q |
(p |
|
~q)
q)
(~p |
|||||||||||||||||
|
V |
V |
V |
F |
F |
F |
F |
F |
F |
|||||||||
|
V |
F |
F |
V |
V |
V |
F |
F |
V |
|||||||||
|
F |
V |
F |
V |
F |
F |
V |
V |
V |
|||||||||
|
F |
F |
V |
F |
V |
F |
V |
F |
F |
|||||||||
Lógica e Matemática Discreta
A tabela verdade das proposições ~(p
são idênticas
q), p
~q,
~p
q
|
p |
q |
p
|
q |
~(p
|
q) |
~q |
p |
|
~q |
~p |
~p |
|
q |
|||
|
V |
V |
V |
F |
F |
F |
F |
F |
|||||||||
|
V |
F |
F |
V |
V |
V |
F |
V |
|||||||||
|
F |
V |
F |
V |
F |
V |
V |
V |
|||||||||
|
F |
F |
V |
F |
V |
F |
V |
F |
|||||||||
|
Portanto, ~(p |
|
q) |
|
p
|
~q |
~p |
q |
|||||||||
6.6 EQUIVALêNCIAS NOTÁVEIS
Nos próximos capítulos, utilizaremos as seguintes equivalências:
1. Idempotência (ID): p ^ p
2. Comutação (COM) : p ^ q
3. Associação (ASSOC): (p ^ q) ^ r
p;
q
p
p
^ p ;
p
p ^ ( q ^ r) ;
r)
p
(p
q)
r
4. Identidade (IDENT): p ^ T
p ;
p ^ C
C;
C
p obs.: T = Tautologia e c: Contradição
5. Distributiva (DIST): p ^ ( q
q) ^ ( p
r)
r )
(p ^ q)
p
(p ^r);
p
T ;
p
(q ^ r)
|
6. Absorção (ABS): p ^ (p |
|
q) |
p ; p |
|
(p ^ q) |
|
p |
||
|
7. De Morgan (DM): ~( p ^q) |
~p
|
~q; |
~(p |
|
q) |
|
~p ^ ~q |
||
|
8. Condicional (COND): p → q |
|
~p |
|
q |
||||
|
9. Bicondicional (BICOND): p ( p ^q) v (~p ^~q)
|
|
q
|
(p → q) ^ |
(q → p); |
p |
|
q |
|
|
10. Contraposição (CP): p → q |
|
~q → ~p |
||||||
11. Dupla negação (DN): ~~p
12. Exportação – Importação (EI): p ^ q → r
p
p → (q → r)
Vanessa Battestin Nunes
Para maior compreensão, ler o capítulo 7 – Álgebra das Proposi-
ções do livro ALENCAR FILHO, Edgard de. Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Lógica e Matemática Discreta
MÉTODO DEDUTIVO
Vamos dar um grande passo agora: realizar demonstrações por meio de proposições. Isso é muito importante, inclusive, na nossa vida, para conseguirmos deduzir soluções dos problemas do dia-a-dia.
Até o momento fizemos demonstrações por intermédio de tabelas- verdade, que podem ser utilizadas para mostrar que um argumento é válido ou inválido. No entanto, esse método apresenta dois sérios incon- venientes (PINHO, 1999):
Em primeiro lugar, o número de linhas cresce muito rapidamente, à medida que aumenta o número de proposições simples envolvidas no argumento. Por exemplo, com 10 proposições a tabela necessita de 1024 linhas, e com 11, o número de linhas vai a 2048. Com mais umas poucas proposições, sua construção se torna impraticável.
A segunda restrição é ainda pior. No Cálculo de Predicados, que vere- mos mais tarde, muitas vezes não existe um procedimento que permita estabelecer o valor lógico de uma dada afirmação, o que torna impossí- vel a construção da Tabela Verdade.
Por esse motivo foram desenvolvidos outros métodos para que se possa mostrar a validade de um argumento. Tais métodos são chamados mé- todos dedutivos, cuja aplicação se chama dedução.
Segundo Descartes, o método dedutivo é um método lógico que pressupõe e existência de verdades gerais já afirmadas e que sirvam de base (premis- sas) para se chegar, por meio dele, a conhecimentos novos. Em termos mais formais, o conceito de dedução pode ser apresentado da seguinte forma:
Vanessa Battestin Nunes
Cada proposição Xi que incluímos na seqüência deve decorrer logica- mente das anteriores; isso significa que deve ser obtida através da atua- ção de equivalências ou inferências sobre uma proposição ou uma con- junção de proposições anteriores.
Se for possível obter a conclusão Q com base no procedimento de dedu-
ção, o argumento é válido; caso contrário, não é válido.
Assim, se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira.
O processo de dedução consiste basicamente dos seguintes passos (PI-
NHO, 1999):
Dado um argumento: P1
P2
Pn
Q
• Definimos o conjunto P constituído pelas premissas
{P 1 , P 2 ,
,
P n };
• Fazemos atuar equivalências e inferências conhecidas sobre um ou mais elementos do conjunto, obtendo novas proposi- ções, e incluindo-as no conjunto P;
• Repetimos o passo acima até que a proposição incluída seja o conseqüente Q.
7.1 ExEMPLOS
A seguir vamos ver alguns exemplos de demonstrações usando o méto-
do dedutivo. Aqui, T representará tautologias e C contradições (ALEN- CAR FILHO, 2003).
(1) Demonstrar a implicação: p ∧ q ⇒ p (Simplificação)
Se p ∧ q ⇒ p, então p ∧q → p é uma tautologia. Assim:
Demonstração: p ∧ q → p ⇔ ~(p ∨ q) ∨ p ⇔ (~p ∨ ~q) ∨ p ⇔ (~p ∨ p) ∨ ~q ⇔ T ∨ ~q ⇔ T
(2) Demonstrar a implicação: p⇒ p v q (Adição)
Demonstração: p → p ∨ q ⇔ ~p ∨ (p ∨ q) ⇔ (~p ∨ p) ∨ q ⇔ T ⇔ q ⇔ T
(3) Demonstrar a implicação: (p → q) ∧ p ⇒q (Modus ponens)
Demonstração: (p → q) ∧ p → q ⇔ ~((p → q) ∧ p) v q ⇔ ~((~p v q) ∧ p) v q ⇔ ~(~p v q) v ~p v q ⇔ (p ^ ~q) v ~p v q ⇔ (p ^ ~q ) v ~(p ^ ~q) ⇔ T
(4) Demonstrar a implicação: (p → q) ∧ ~q ⇒~p (Modus tollens)
Demonstração: (p → q) ∧ ~q ⇔ (~p ∨ q) ∧ ~q ⇔ (~p ∧ ~q) ∨ (q ∨ ~q) ⇔ (~p ∧ ~q) ∨ C ⇔ ~p ∧ ~q ⇒ ~p
Lógica e Matemática Discreta
(5) Demonstrar a equilvalência: p ^ q →r ⇔ p → (q → r)
Se p ^ q → r ⇔ p → (q → r), então aplicando as regras de equilvalência em p ^ q → r chegamos a p → (q → r). Assim:
Demosntração: p ^ q → r ⇔ ∼(p ^ q) v
r ⇔ ∼p v ~q v
r ⇔ ∼p v (q →
r)
⇔ p → (q →
r)
7.2 REDUçãO DO NúMERO DE CONECTIVOS
|
Teorema: entre os cinco conectivos fundamentais (~, ∧, ∨, →, ↔) três são expressados em termos de apenas dois dos seguintes pares: |
|
||
|
(1) ~ e ∨ (2) ~ e ∧ |
(3) ~ e → |
||
|
7.3 |
FORMA NORMAL |
||
|
Uma proposição está na forma normal (FN) se e somente se con- tém os conectivos ~ , ∧ e ∨ (ALENCAR FILHO, 2003). |
|
||
|
Existem dois tipos de FN: |
|||
|
• Forma Normal Conjuntiva |
|||
|
• Forma Normal Disjuntiva |
|||
|
7.4 |
FORMA NORMAL CONjUNTIVA (FNC) |
||
|
Uma proposição está na forma normal conjuntiva (FNC) se e somente forem verificadas as seguintes condições (ALENCAR FI- LHO, 2003): |
|
||
|
• Contém apenas conectivos ~ , ∧ e ∨ |
|||
|
• ~ não aparece repetido, como ~~ e não tem alcance so- bre ∧ e ∨ como em ~(p ^ q) |
|||
|
• ∨ não tem alcance sobre ∧ (não existe p ∨ (q ∧ r)) |
|||
Vanessa Battestin Nunes
Estão na FNC.:
^q
p
p
~p
v q v r
^ ~q
Como transformar uma proposição em outra, equivalente, na FNC?
1. Elimine os conectivos -> e <-> substituindo:
p
→ q
p↔q
por ~p v q
por (~p v q) ^(p v ~q)
2. Elimine as duplas negações e a negação de parênteses substituindo:
~~ p
por p
~ (p ∧ q) por ~ p ∨ ~ q
por
~ (p ∨ q)
~ p ∧ ~ q
3. Substitua
p ∨ (q ∧ r)
por
(p ∨ q) ∧ (p ∨ r )
7.5 FORMA NORMAL DISjUNTIVA (FND)
Uma proposição está na forma normal disjuntiva (FND) se e somente são verificadas as seguintes condições (ALENCAR FILHO, 2003):
• Contém apenas conectivos ~ , ^ e V
• ~ não aparece repetido, como ~~ e só incide sobre letras proposicionais
• ^ não tem alcance sobre v (não existe p ^ (q v r) )
Estão na FND:
|
p |
^ q ^ r |
|
p |
v ~q |
|
p |
v (q ^ r) |
Como transformar uma proposição em outra, equivalente, na FNC?
1. Use as duas primeiras regras para FNC
Lógica e Matemática Discreta
2. Substitua
|
p ∧ (q ∨ r) |
por |
(p ∧ q) ∨ (p ∧ r ) |
|
(p ∨ q ) ∧ r |
por |
(p ∧ r) ∨ (q ∧ r ) |
7.6 DUALIDADE
Seja P uma proposição que só contem os conectivos ~, ∧ e ∨ . A propo- sição Q obtida de P trocando ∨ por ∧ e trocando ∧ por ∨ é denominada dual de P.
P: ~(p ∨ q) ∧ ~r
Dual de P: ~(p ∧ q) ∨ ~r
Vanessa Battestin Nunes
|
Para maior compreensão, ler o capítulo 8 – Método Dedutivo do |
|
|
livro Alencar Filho, Edgard de. Iniciação à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003. |
||
|
||
Lógica e Matemática Discreta
ARGUMENTOS E REGRAS DE INFERêNCIA
|
Vamos continuar aperfeiçoando nossos conhecimentos em de- monstrações por meio de proposições. Para isso aprenderemos al- guns novos conceitos. |
|
||
|
8.1 ARGUMENTO |
|||
|
Argumento – é toda afirmação que uma dada seqüência finita P 1 , |
|
||
|
P 2 , |
,P |
n de proposições tem como conseqüência, ou acarreta, uma |
|
|
proposição final Q (ALENCAR FILHO, 2003). |
|||
As proposições P 1 , P 2 ,
proposição final Q diz-se a conclusão do argumento.
,
P n dizem-se as premissas do argumento, e a
Um argumento de premissas P 1 , P 2 ,
P 1 , P 2 ,
,P
n a Q, onde se lê: “P 1 P 2 ,
,P
,P
n e de conclusão Q indica-se por:
n acarretam Q”.
Na forma padronizada as premissas invocadas para “servir de justifi- cativa”, acham-se sobre o traço horizontal e a conclusão do argumento estará sob o mesmo traço horizontal da seguinte forma:
P1
P2
Pn
Q
Vanessa Battestin Nunes
8.2 VALIDADE DE UM ARGUMENTO
Pn a Q diz-se válido se e somente se
a conclusão Q é verdadeira todas as vezes que as premissas P1,
P2,
Um argumento P1, P2,
,
,
Pn são verdadeiras (ALENCAR FILHO, 2003).
Portanto, todo argumento válido goza da seguinte característica: A ver- dade das premissas é incompatível com a falsidade da conclusão.
Um argumento não-válido diz-se um sofisma.
Desse modo, todo argumento tem um valor lógico, digamos V se é válido(correto, legítimo) ou F se é um sofisma(incorreto, ilegítimo).
As premissas dos argumento são verdadeiras ou, pelo menos admitidas como tal. Aliás, a Lógica só se preocupa com a validade dos argumentos e não com a verdade ou falsidade das premissas e das conclusões.
A validade de um argumento depende, exclusivamente, da relação exis- tente entre as premissas e a conclusão. Portanto, afirmar que um dado argumento é válido significa afirmar que as premissas são verdadeiras.
8.3 CRITÉRIO DE VALIDADE DE UM
ARGUMENTO
8.4 CONDICIONAL ASSOCIADA A UM
ARGUMENTO
Lógica e Matemática Discreta
8.5 ARGUMENTOS VÁLIDOS FUNDAMENTAIS
São argumentos válidos fundamentais ou básicos (de uso corrente) os constantes da seguinte lista (ALENCAR FILHO, 2003):
I . Adição (AD):
|
(i) |
p |— p V q; |
(ii) p |— q V |
p |
||||||
|
II. |
Simplificação (SIMP): |
||||||||
|
(i) |
p |
|
q |— |
p; |
(ii) p |
|
q |— |
q |
|
III. Conjunção (CONJ):
|
(i) |
p, q |— |
p |
|
q; |
(ii) p, q |— q |
|
p |
||||
|
IV Absorção (ABS): |
p |
q |— p
|
( p |
|
q) |
||||||
|
V. Modus Ponens (MP): |
p |
p |—q q, |
|||||||||
|
VI. Modus Tollens (MT): |
p |
q, ~ q|— ~p |
|||||||||
VII. Silogismo disjuntivo (SD):
(i) p V q, ~ p |— q;
(ii) p V q,
~ q |— p
VIII. Silogismo hipotético (5H):
p
q,
q
r |— p
r
IX. Dilema construtivo (DC):
p
q,
r
s, p V
r |— q V
s
X. Dilema destrutivo (DD):
p
q,
r
s, ~ q V ~ s |— ~ p V ~ r
A validade desses dez argumentos é conseqüência imediata das tabelas-
verdade.
Vanessa Battestin Nunes
8.6 REGRAS DE INFERêNCIA
Os argumentos que vimos, anteriormente, são usados para fazer “infe- rências”, isto é, executar os “passos” de uma dedução ou demonstração, por isso chamam-se também, regras de inferência.
Da definição decorre imediatamente que p q, se e somente se, o conseqüente q assumir o valor lógico V, sempre que o antecedente p assumir esse valor. Em outras palavras, para que a condicional seja verdadeira, essa condição é necessária, pois, se o conseqüente for fal- so com o antecedente verdadeiro, a condicional não é verdadeira. Por outro lado, a condição também é suficiente, pois, quando o antecedente é falso, a condicional é verdadeira, não importando o valor lógico do conseqüente.
As regras de inferência são, na verdade, formas válidas de raciocínio, isto é, são formas que nos permitem concluir o conseqüente, uma vez que consideremos o antecedente verdadeiro; em termos textuais, costumamos utilizar o termo “logo” (ou seus sinônimos: portanto, em conseqüência, etc) para caracterizar as Regras de Inferência; a expressão p q pode então ser lida: p; logo, q.
É
possível
mostrar
que
as
regras
de
inferência
têm
as
seguintes
|
propriedades: |
|||||||
|
Reflexiva: |
p |
||||||
|
Transitiva: |
p
Se p |
q e q |
|
r, então p |
|
r |
|
Aqui neste material será habitual escrevê-los na forma padronizada abaixo indicada, colocando as premissas sobre um traço horizontal e, em seguida, a conclusão sob o mesmo traço (ALENCAR FILHO, 2003)
I. Regra da Adição (AD):
Lógica e Matemática Discreta
II. Regra de Simplificação (SIMP):
III. Regra da Conjunção (CONJ):
Vanessa Battestin Nunes
IX. Regra do Dilema construtivo (DC):
X. Regra do Dilema destrutivo (DD):
Com o auxílio dessas dez regras de inferência pode-se demonstrar a validade de um grande número de argumentos mais complexos.
8.7 ExEMPLOS DO USO DAS REGRAS DE INFERêNCIA
Damos a seguir exemplos simples do uso de cada uma das regras de in- ferência na dedução de conclusões a partir de premissas dadas (ALEN- CAR FILHO, 2003).
1. Regra da Adição - Dada uma proposição p, dela se pode deduzir a sua disjunção com qualquer outra proposição, isto é, deduzir p V q, ou p V r, ou s V p, ou t V p, etc.
Exemplos:
II. Regra da Simplificação — Da conjunção p
se pode deduzir cada uma das proposições, p ou q.
q de duas proposições
Exemplos:
Lógica e Matemática Discreta
III. Regra da Conjunção -- Permite deduzir de duas proposições dadas p
e q (premissas) a sua conjunção p
q ou q
p (conclusão).
IV. Regra da Absorção Esta regra permite, dada uma condicional - como
premissa, dela deduzir como conclusão uma outra condicional com o mesmo antecedente p e cujo consequente é a conjunção p q das duas
proposições que integram a premissa, isto é, p p q. Exemplos:
V. Regra Modus Ponens - Também é chamada Regra de separação e per-
mite deduzir q (conclusão) a partir de p Exemplos:
q e p (premissas).
VI. Regra Modus Tollens - Permite, a partir das premissas p
q (con-
dicional) o ~ q (negação do consequente), deduzir como conclusão ~ p (negação do antecedente). Exemplos:
Vanessa Battestin Nunes
VII. Regra do Silogismo Disjuntivo — Permite deduzir da disjunção p V q de duas proposições e da negação ~ p (ou ~ q), de uma delas, a outra proposição q (ou p). Exemplos:
VIII. Regra do Silogismo Hipotético – Esta regra permite, dadas duas
condicionais: p q e q r (premissas), tais que o consequente da primeira coincida com o antecedente da segunda, deduzir uma terceira condicional p r (conclusão), cujos antecedente e consequente se-
q e o consequen-
jam, respectivamente, o antecedente da premissa p te da outra premissa q r (transitividade da seta
).
IX. Regra do Dilema Construtivo — Nessa regra, as premissas são duas condicionais e a disjunção dos seus antecedentes, e a conclusão é a disjunção dos consequentes dessas condicionais.
X. Regra do Dilema Destrutivo – Nesta regra, as premissas são duas condicionais e a disjunção da negação dos seus consequentes, e a con- clusão é a disjunção da negação dos antecedentes destas condicionais.
Lógica e Matemática Discreta
Vanessa Battestin Nunes
|
Não esqueça de fazer os demais exercícios que constam no capítulo 9 do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Matemá- tica. São Paulo: Nobel, 2003. |
|
|
Para maior compreensão, ler o capítulo 9 – Argumento e Métodos |
|
|
de Inferência do livro Alencar Filho, Edgard de. Iniciação à lógica matemática. São Paulo: Nobel, 2003. |
Lógica e Matemática Discreta
VERIFICAçãO DA VALIDADE
Vamos, neste capítulo, verificar a validade e não-validade de argu- mentos de diversas formas. Primeiramente faremos isso utilizando tabelas-verdade, depois por meio de regras de inferências.
9.1 VERIFICAçãO MEDIANTE TABELAS-VERDADE
Tabelas-verdade podem ser utilizadas para demonstrar, testar ou verifi- car a validade de qualquer argumento.
Outra maneira de testar a validade, é demonstrar a condicional associa- da, verificando se é uma tautologia ou não:
(P1
P2
Pn)
Q
9.2 ExEMPLOS (ALENCAR FILHO, 2003)
(1) Verificar se é válido o argumento: p
Resolução:
q, q |
p.
As premissas estão nas colunas 2 e 3 e a conclusão está na coluna 1. As premissas são ambas verdadeiras (V) nas linhas 1 e 3. Na linha 1 a conclusão também é verdadeira, mas na linha 3 a conclusão é falsa (F). Logo, o argumento não é válido, ou seja, é um sofisma.
Vanessa Battestin Nunes
|
p |
q |
p |
|
q |
|
V |
V |
V |
||
|
V |
F |
F |
||
|
F |
V |
V |
||
|
F |
F |
V |
||
(2) Verificar a validade do argumento: p
q, q |
Resolução:
p
As premissas estão nas colunas 2 e 3 e a conclusão está na coluna 1. As premissas são ambas verdadeiras (V) apenas na linha 1, e a conclusão também é verdadeira. Logo, o argumento é válido.
|
p |
q |
p |
|
q |
|
V |
V |
V |
||
|
V |
F |
F |
||
|
F |
V |
F |
||
|
F |
F |
V |
||
(3) Verificar a validade do argumento:
Se chove, Marcos fica resfriado Marcos não ficou resfriado
----------------------------------------
Logo, não choveu
Resolução:
Representando por p a proposição “Chove” e por q a proposição “Mar- cos fica resfriado”, o argumento dados fica:
p
e, por conseguinte, é válido, pois temos a forma do argumento válido Modus Tollens (MT).
q, ~q |
~p
1. Estudar os demais exemplos de validade e de não-validade do capítulo 10 do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à lógi- ca matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Lógica e Matemática Discreta
Não esqueça de fazer os demais exercícios que constam no capítulo 10 do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Mate- mática. São Paulo: Nobel, 2003.
9.3 VALIDADE MEDIANTE REGRAS DE INFERêNCIA
Vanessa Battestin Nunes
9.4 ExEMPLOS (ALENCAR FILHO, 2003):
(1) Verificar que é válido o argumento: p
Resolução:
------------------------
|
(3) p |
2 – SIMP |
|
(4) q |
1, 3 – MP |
q, p
r |
q.
Da segunda premissa, pela Regra de Simplificação (SIMP), inferimos p. De p e da primeira premissa pela Regra de Modus ponens (MP), inferi- mos q, que é a conclusão do argumento.
Logo, como a conclusão pode ser deduzida a partir de suas premissas, através do uso de regras de inferência, temos que o argumento é válido.
(2) Verificar que é válido o argumento:
p
q, q
r, s
t, p
Resolução:
|
(1) p |
q |
|
|
(2) q |
r |
|
|
(3) s |
t |
|
|
(4) p |
|
s |
s |
r
t.
------------------------
|
(5) p |
|
r |
1,2 – SH |
|
|
(6) r |
|
t |
3, 4 e 5 – DC |
|
Lógica e Matemática Discreta
Não esqueça de fazer os demais exercícios que constam no capítulo 11 do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Mate- mática. São Paulo: Nobel, 2003.
9.5 VALIDADE MEDIANTE REGRAS DE INFE- RêNCIA E EQUIVALêNCIA
Há muitos argumentos que não podemos mostrar a validade por meio das regras de inferência já estudadas. Assim, é necessário recorrer a um princípio chamado de Regra de substituição:
Vanessa Battestin Nunes
|
Regras de substituição – uma proposição qualquer P ou uma parte de P pode ser substituída por uma proposição equivalente e a proposição Q, que assim se obtém , é equivalente a P. |
|
As regras de equivalência foram apresentadas na seção 6.6 |
9.6 ExEMPLOS (ALENCAR FILHO, 2003)
(1) Demonstrar que é válido o argumento: p
Demonstração:
|
(1) |
p |
|
q |
|
(2) |
r |
~q |
q, r
---------------------------------------
|
(3) |
~~q |
~r |
2 – CP |
|
|
(4) |
Q |
~r
~r
|
3 – DN |
|
|
(5) |
p |
1, 4 – SH |
||
(2) Demonstrar a validade do argumento:
(1) x < y (2) (y < z (3) x < y
--------------------------------------------
z = 3
Demonstração:
(1) x < y (2) (y < z (3) x < y
--------------------------------------------------------
y < z x < z)
x < z z = 3
y < z x < z)
x < z z = 3
~q |
p
~r
|
(4) x < y |
|
(y < z |
|
x < z) |
1 – EI |
|
(5) y < z (6) z = 3 |
|
x < z |
3, 4 – MP 2, 5 – MP |
||
Não esqueça de olhar os demais exemplos que constam no capítulo 12 do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Mate- mática. São Paulo: Nobel, 2003.
Lógica e Matemática Discreta
9.7 INCONSISTêNCIAS
Proposições inconsistentes – são duas ou mais proposições que não podem ser simultaneamente verdadeiras (ALENCAR FILHO, 2003).
Por exemplo, as proposições: ~(p
tes uma vez que não é possível encontrar valores para p, q e r capazes de
r são inconsisten-
~q), p
~r, q
tornar as três proposições simultaneamente verdadeiras.
Também é possível demonstrar que proposições são inconsisten- tes, deduzindo-se do seu conjunto uma contradição qualquer, por exemplo, A ~A.
(1) Demonstrar que são inconsistentes as três proposições seguintes:
---------------------------------------------
|
(4) |
x = 1 |
y =0 |
1, 2 – SH |
||||
|
(5) (6) |
y 0 ^ x = 1 x = 1
0 |
3 – DM 5 – SIMP |
|||||
|
(7) (8) |
y = 0 y |
4,6 – MP 5 – SIMP |
|||||
|
(9) |
y = 0 |
|
y |
|
0 |
7,8 – CONJ |
|
1. Estudar os demais exemplos e resolver os outros exercícios do capítulo 12 do livro de Edgard Alencar Filho - Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Vanessa Battestin Nunes
Para maior compreensão, ler os capítulos 10 – Validade mediante
tabelas-verdade, 11 – Validade mediante regras de inferência e 12 – Validade mediante regras de inferência e equivalências do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Lógica e Matemática Discreta
DEMONSTRAçãO CONDICIONAL
Vamos, agora, aperfeiçoar os nossos conhecimentos a respeito de demonstração, aprendendo novos métodos, a saber: a demonstra- ção condicional e a demonstração direta.
10.1 DEMONSTRAçãO CONDICIONAL
A demonstração condicional é um novo método para apresentar a validade de um argumento. Porém, este método só pode ser utilizado quando a con- clusão do argumento for uma condicional (ALENCAR FILHO, 2003).
Seja o argumento P1, P2,
cional A
associada (P1 P2
importação, esta condicional equivale à [(P1
B. Assim, o argumento é válido se e somente se P1, P2,
, Pn |
A
B, cuja conclusão é a condi-
B, este argumento é válido se e somente se a condicional
Pn)
(A
B) é tautológica. Pela regra de
P2
Pn)
A]
, Pn, A |
B.
10.2 ExEMPLO
(1) Demonstrar a validade do argumento:
p
r), ~r |
q
p
Demonstração:
De acordo com a regra DC, para fazer a demonstração acima, basta fa- zer a seguinte demonstração:
p
r), ~r, q |
p
Vanessa Battestin Nunes
Temos, então:
|
(1) |
p |
(q
|
r) |
|
|
(2) |
~r |
|||
|
(3) |
q |
PA |
||
---------------------------------------------------------------
|
(4) |
p |
(~q
r) |
1 – COND |
|
(5) |
(p |
~q)
r |
4 – ASSOC |
|
(6) |
p |
~q |
2, 5 – SD |
|
(7) |
~~q |
3 – DN |
|
|
(8) |
p |
6,7 – SD |
|
Para maior compreensão, ler o capítulo 13 – Demonstração condi-
cional e demonstração indireta do livro de Edgard de Alencar Filho - Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Lógica e Matemática Discreta
LóGICA DE PREDICADOS E SENTENçAS ABERTAS
Até o momento examinamos uma parte da Lógica chamada Lógica das Proposições, ou Cálculo Proposicional. Aprendemos técnicas que nos permitiram verificar se um determinado tipo de argumento é válido ou inválido. Agora trataremos de aspectos ainda não vistos. Trata-se de outra parte da lógica, chamada Lógica de Predicados.
Nos argumentos estudados na lógica proposicional, os enunciados simples eram combinados por meio dos conectivos, formando enunciados com- postos. A validade desses argumentos dependia, essencialmente, da forma pela qual os enunciados compostos se apresentavam (PINHO, 1999).
Porém, no nosso cotidiano, encontramos argumentos como, por exemplo:
Todos os humanos são inteligentes Pedro é um humano Logo, Pedro é inteligente
Esse argumento é claramente válido, mas sua validade não depende da forma pela qual os enunciados simples se compõem, uma vez que, neste argumento, não há enunciados compostos. Pode-se perceber que sua validade depende, na verdade, da estrutura interna dos enunciados que constituem o argumento. A construção de métodos para analisar argu- mentos como esse vai, portanto, exigir a criação de técnicas para descre- ver e simbolizar a estrutura interna dos enunciados.
A premissa “Pedro é um humano” é uma declaração de que determina-
do indivíduo (Pedro) possui uma propriedade específica (ser humano).
Na linguagem natural, o indivíduo que possui uma propriedade
é chamado sujeito, enquanto a propriedade descrita é chamada predicado (PINHO, 1999).
O predicado, na verdade, explicita certas qualidades que o sujeito possui
e que permite incluí-lo em uma categoria; por exemplo, quando dize- mos “Pedro é um humano” queremos dizer que o objeto chamado
Vanessa Battestin Nunes
“Pedro” possui certas características que permitem incluí-lo no conceito que fazemos daquilo que chamamos “humano”.
Em Lógica Simbólica, representamos o predicado por sua inicial maiúscula, e o sujeito a seguir, entre parênteses; assim, “Pedro é um humano” fica representado por H (Pedro)
A linguagem natural permite ainda a construção de um outro tipo de sen- tença, como “ele foi presidente do Brasil” em que o sujeito não é um subs- tantivo, mas um pronome, isto é, um termo que fica no lugar do nome.
Em Lógica Simbólica, também existem termos que ocupam o lugar dos nomes. Tais termos são chamados variáveis, e costumam ser represen- tados, como na Matemática, pelas últimas letras do alfabeto, em minús- culas: x, y, w, z, etc. Utilizando a variável x no lugar de “ele”, a sentença assume a forma: x foi presidente do Brasil.
Em Lógica Simbólica, representando o predicado “foi presidente do Brasil” por P, e levando em conta que x é sujeito, teríamos a representação: P (x)
11.1 SENTENçAS ABERTAS
Uma frase na qual o sujeito é uma constante, como “Pedro é um huma- no”, pode ser verdadeira ou falsa; mas se o sujeito for uma variável, como em “ele foi presidente do Brasil”, ela não é verdadeira nem falsa, vai de- pender do nome que assumir o lugar do pronome. Uma frase como essa não é, portanto, um enunciado (PINHO, 1999).
Os enunciados são chamadas sentenças fechadas, ou simplesmente, fe- chados, enquanto que frases como “x foi presidente do Brasil” , “y es- creveu Os Lusíadas” e “z viajou para os Estados Unidos” são chamadas sentenças abertas, ou, simplesmente, abertos.
Sentenças abertas não são verdadeiras nem falsas. Dizemos apenas que são satisfeitas para certos valores das variáveis, e não satisfeitas para ou- tros. A substituição das variáveis de uma sentença aberta, por constantes, chama-se instanciação ou especificação. Ela transforma uma sentença aberta em um enunciado, que, este sim, pode ser verdadeiro ou falso.
Lógica e Matemática Discreta
11.2 CONjUNTO VERDADE DE UMA
SENTENçA-ABERTA
Chama-se Universo de uma variável o conjunto de valores que ela pode assumir. Na linguagem corrente, o Universo (às vezes chamado Univer- so do Discurso) não é, muitas vezes, explicitado; intuitivamente, incluí- mos os objetos que podem substituir o pronome e descartamos aqueles objetos que sabemos que não podem; por exemplo, na frase “isto está verde”, sabemos que “isto” pode ser qualquer coisa.
Por exemplo, seja U = { 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 } e a expressão “x é primo” re- presentada por P X . Temos então V P = { 2, 3, 5, 7 }.
11.3 SENTENçAS ABERTAS COM N VARIÁVEIS
Os predicados podem ser monádicos (de um só termo), diádicos (de dois termos), triádicos (de três termos) ou poliádicos (de qua- tro ou mais termos). Muitos preferem chamar os predicados de dois ou mais termos de “relação”, reservando o nome predicado para os predicados monádicos (PINHO, 1999).
Eis alguns exemplos de relações e a respectiva sugestão de forma simbólica:
x gosta de y
João é casado com Maria
x está entre y e z
Camões é o autor de Os Lusíadas
G(x,y) C (João, Maria) E(x,y,z) A (Camões, Os Lusíadas)
Nas relações, a ordem das variáveis é importante. No exemplo dado, G(x,y) significa “x gosta de y” mas não significa “y gosta de x”. Esse fato deve ser levado em conta mesmo em predicados que sabemos ser comutativos. No exemplo, C (João, Maria) significa “João é casado com Maria”, mas não significa “Maria é casada com João” . O motivo para
Vanessa Battestin Nunes
isso é que a Lógica Formal leva em conta apenas a forma das expressões, e não seu significado (PINHO, 1999).
Na instanciação, variáveis iguais devem ser substituídas por nomes iguais; variáveis distintas, no entanto, podem ser substituídas por no- mes iguais ou distintos. Por exemplo, a sentença aberta “x é maior ou igual a y” permite tanto a instanciação “7 é maior ou igual a 3” como a instanciação “7 é maior ou igual a 7”.
11.4 CONjUNTO VERDADE DE UMA SENTENçA- ABERTA COM N VARIÁVEIS
Em relações com duas variáveis, o Conjunto Universo é constituído pelo produto cartesiano dos Universos das variáveis; o Conjunto _ Verdade é constituído pelos pares ordenados dos valores que satisfazem a relação (PINHO, 1999).
Por exemplo, considere o aberto M(x,y) representando “x é metade de y”, onde Ux = {1, 2, 3} e Uy = { 4, 5 , 6 }. Então V M = { (2, 4 ), (3, 6 ) }.
Ler o capítulo 14 – Sentenças Abertas do livro Alencar Filho, Ed- gard de. Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Lógica e Matemática Discreta
11.5 OPERAçõES LóGICAS SOBRE SENTENçAS-ABERTAS
No Cálculo de Predicados podemos definir as operações de conjunção, disjunção, negação, condicional e bicondicional, sobre enunciados e/ou sen- tenças abertas. Assim, por exemplo, a sentença aberta “x é médico” é repre- sentada por M(x) e “x é professor” é representada por P(x). Podemos, então, representar “x é médico e professor” por M(x) P(x) (PINHO, 1999)
Conjunção:
Seja U o conjunto Universo de x; os valores de U que satisfazem M(x) P(x) devem satisfazer simultaneamente M(x) e P(x); consequentemente,
V M
P = V M
V P
Disjunção:
Da mesma forma, podemos representar “x é médico ou professor” por M(x) P(x). Este aberto é satisfeito por todos os elementos que são médicos e por todos que são professores; portanto,
Negação:
V M
P = V M
V
P
Na operação de negação, podemos representar “x não é médico” por ~M(x), e seu Conjunto-Verdade será constituído por todos os elementos do Universo que não satisfazem M(x), isto é, o complemento de VM :
V ~M = U _ V M
Uma notação de uso generalizado para o complemento de V M é V’ M .
Condicional
Considere a expressão “se x trabalha, então x fica cansado”; represen- tando “x trabalha” por T(x), e “x fica cansado” por C(x), a expressão fica representada por T(x) C(x). Seu Conjunto _ Verdade é constituído por duas classes de elementos: pelos que trabalham e ficam cansados e pelos que não trabalham (uma vez que quando o antecedente é falso, a condicional é verdadeira).
Vanessa Battestin Nunes
Temos então que
V
V
V
T
T
T
V T
C
C
C
= (V T
V
= (V T
V
= U
(V
C )
V
~T
~T )
(V
;
~T
~T
V
C
)
C = V ~T
V C
Bicondicional:
utilizando a propriedade distributiva, vem:
|
V C ) ; |
mas V T |
|
V ~T = U |
|
ou seja, |
|||
ou, ainda,
V T
C = V’ T
V C
Para a operação bicondicional, considere a expressão “x trabalha se e somente se ganha dinheiro”; representando “x trabalha” por T(x), e “x ganha dinheiro” por G(x), temos T(x) G(x). O conjunto de elemen- tos que satisfazem a essa expressão é constituído pela união entre os conjuntos daqueles que trabalham e ganham dinheiro e daqueles que não trabalham e não ganham dinheiro; assim,
V T
C = (V T
V
C )
(V’ T
V’ C )
Obter a forma simbólica de uma expressão em linguagem textual não
é difícil, mas enquanto não se adquire uma certa habilidade, dá algum
trabalho. Muitas vezes, para facilitar essa tarefa, construímos uma for- ma intermediária, chamada forma lógica, obtida apenas por introdução de variáveis na forma textual.
Vamos ver alguns exemplos, obtendo a forma lógica e simbólica de ex- pressões textuais, utilizando os predicados definidos:
11.6 ExEMPLOS (PINHO, 1999, P. 43)
(1) Gatos caçam ratos (G(x) _ x é um gato; R(x) _ x caça ratos)
Forma lógica: se x é um gato, x caça ratos
Forma simbólica: G(x)
R(x)
(2) Chineses velhos são sábios (C(x) _ x é chinês; V(x) _ x é velho; S(x)
_ x é sábio)
Forma lógica: se x é chinês e x é velho, então x é sábio
Forma simbólica: C(x)
V(x)
S(x)
Lógica e Matemática Discreta
(3) Abacates são deliciosos e nutritivos (A(x) _ x é um abacate; D(x) _ x
é delicioso; N(x) _ x é nutritivo)
Forma lógica: se x é um abacate, então x é delicioso e x é nutritivo
Forma simbólica: A(x)
D(x)
(4) Abacates e laranjas são deliciosos e nutritivos (A(x) _ x é um abacate;
L(x) _ x é uma laranja; D(x) _ x é delicioso; N(x) _ x é nutritivo)
N(x)
Forma lógica: se x é um abacate ou x é uma laranja, então x é de- licioso e x é nutritivo
Forma simbólica: A(x)
L(x)
D(x)
N(x)
(5) São raros os políticos que não mentem ( R(x) _ x é raro; P(x) _ x é político; M(x) _ x mente)
Forma lógica: se x é político e x não mente, então x é raro
Forma simbólica: P(x)
~ M(x)
R(x)
(6) Carros só se locomovem com gasolina (C(x) _ x é um carro; L(x) _ x se locomove; G(x) _ x tem gasolina)
Forma lógica: se x é um carro, então x se locomove então x tem gasolina Forma simbólica: C(x) (L(x) G(x))
(7) Estradas de terra são trafegáveis unicamente quando secas (E(x) _ x
é uma estrada de terra; T(x) _ x é trafegável; S(x) _ x está seca)
Forma lógica: se x é uma estrada de terra, então se x é trafegável, então x está seca
Forma simbólica: E(x)
(T(x)
S(x))
(8) Homens só se casam com mulheres (H(x) _ x é homem; C(x,y) _ x é casado com y; M(y) _ y é mulher)
Forma lógica: se x é homem, e x é casado com y, então y é mulher
Forma simbólica: H(x)
C(x,y)
M(y)
(9) Gatos pretos são melhores caçadores que outros gatos (G(x) _ x é um gato; P(x) _ x é preto; C(x,y) _ x é melhor caçador que y)
Forma lógica: se x é um gato e x é preto e y é um gato e y não é preto, então x é melhor caçador que y Forma simbólica: G(x) P(x) G(y) ~ P(y) C(x,y)
Vanessa Battestin Nunes
Para maior compreensão, ler o capítulo 15 – Operações Lógica
sobre Sentenças Abertas do livro de Edgard de Alencar Filho - Ini- ciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2003.
Lógica e Matemática Discreta
QUANTIFICADORES
Na Lógica de Predicados precisamos utilizar novos conceitos cha- mados quantificadores. Eles serão necessários para representar quantidades. Vamos estudar para entendermos a sua importância.
Dada uma sentença aberta P(x) em um universo U, pode ocorrer (PI- NHO, 1999):
• todos os x em U satisfazem P; isto é, V P = U
• alguns x em U satisfazem P, isto é, V P
• nenhum x em U satisfaz P, isto é, V P =
Considere, por exemplo, o U = { 2, 4, 6, 8 }. Se fizermos P(x) representar “x é par”, temos o primeiro caso: todos os elementos satisfazem P, e VP = U. Para P(x) representando “x é múltiplo de 3”, temos apenas um elemento que satisfaz P, e VP = { 6 }. Finalmente, se P(x) representar “x é maior que 10”, nenhum elemento de U satisfaz P, e, portanto, VP =
12.1 QUANTIFICADOR UNIVERSAL
Isto espelha o primeiro caso apresentado anteriormente. Podemos dizer
ainda que
x P(x),
x, Px,
x: Px, dentre outras.
Observe agora o seguinte exemplo: x (2x > x): qualquer que seja x, seu dobro é maior que ele mesmo. Observe que isso é verdadeiro se o conjunto Universo for N. Porém é falso se for R (considere um número negativo, por exemplo).
Vanessa Battestin Nunes
12.2 QUANTIFICADOR ExISTENCIAL
Consideremos uma sentença aberta P(x) sobre U, para o qual VP
Isto espelha o segundo caso apresentado anteriormente. Podemos dizer ainda que ( x ) (Px ) ou x Px:, dentre outras. A linguagem textual, pos- sui alguns sinônimos para a expressão “existe um x”: “existe pelo menos um x”, “algum (ou alguns) x”, “para algum x”, etc. e todos são represen- tados por x.
Exemplos:
(1) Considere a expressão: ( x N) (n + 4 < 8) Ela é verdadeira, pois podemos encontrar valores tais como 1, 2, 3 e outros para x.
(2) Considere a expressão: ( x
Ela é falsa, pois o conjunto-verdade é vazio.
N) (n + 5 < 3)
12.3 NEGAçãO DE PROPOSIçõES COM QUAN-
TIFICADORES (PINHO, 1999)
Muitas vezes, precisaremos representar, simbolicamente, a negação de uma expressão quantificada. Seja, por exemplo, a expressão “todos são alunos”. Se representarmos “x é um aluno” por A(x), temos “todos são alunos” podendo ser escrito x A(x).
Claramente, a negação de “todos são alunos” é “nem todos são alunos”
(e não “nenhum é aluno”, como pode parecer à primeira vista), ou, sim-
bolicamente, ~
x A(x).
Mas dizer que “nem todos são alunos” é o mesmo que dizer “existe al- guém que não é aluno”, ou seja, “existe um x tal que x não é um aluno”, ou, simbolicamente, x ~A(x).
Concluímos então que as expressões ~
x A(x) e
x ~A(x) são equivalentes.
Lógica e Matemática Discreta
Da mesma forma, como podemos afirmar que as expressões “não exis- tem alunos” e “todos não são alunos” descrevem o mesmo fato, pode- mos concluir que suas representações simbólicas ~ x A(x) e x ~A(x) são equivalentes.
Esses fatos são decorrência imediata das leis de De Morgan:
~
A(u n ))
~ A(u
1 )
x Ax ~ A(u n )
A(u 2 )
x ~ A(x)
A(u n ))
~ A(u
1 )
~ A(u
2 )
~ A(u 2 )
Dessas equivalências, para dizer que uma expressão do tipo x P(x) é falsa, basta mostrar que sua negação x ~ P(x) é verdadeira, ou seja, exibir um elemento k tal que P(k) seja falsa.
Por esse motivo, de uma proposição do tipo x P(x) não decorre a exis- tência de um x para o qual P(x) seja verdadeiro. Por exemplo, se não existem marcianos, então a expressão “Todos os marcianos têm olhos verdes” é verdadeira, pois, para que fosse falsa, seria necessário exibir um marciano que não tivesse olhos verdes.
12.4 VARIÁVEIS APARENTES OU MUDAS
Se uma expressão possuir mais de uma variável, pode ocorrer que nem
todas estejam quantificadas.
As variáveis quantificadas recebem o nome de variáveis aparentes ou mudas, enquanto as não quantificadas são chamadas variáveis livres. (PINHO, 1999).
Exemplo:
Considere o predicado Pxy = ( x) ( x + y < 10 ), sobre o universo U =
{ 3, 5, 7, 9 }. Seu conjunto verdade é formado por todos os valores de
U que podem substituir y, e para o qual existe pelo menos um x que
satisfaz a desigualdade. Então, VP = { 3, 5 }. A variável x é aparente, enquanto y é livre.
Vanessa Battestin Nunes
12.5
COM MAIS DE UMA VARIÁVEL
QUANTIFICAçãO DE SENTENçAS ABERTAS
Quantificar uma sentença leva, da mesma forma que a instanciação, a um enunciado, a uma frase que pode ser verdadeira ou falsa. Costuma- mos chamar esses enunciados de proposições gerais, em contraposição às proposições singulares, pois não contêm nomes. Assim, o enunciado “Maria foi à praia” é uma proposição singular, enquanto “Todos foram à praia” é uma proposição geral.
Exemplo:
Considere os conjuntos H = { Carlos, Pedro, Mário } e M = { Claudia, Lilian } e o predicado I(x,y) = “x é irmão de y”, onde H é o universo de x, e M o universo de y. Suponha que Carlos e Pedro sejam irmãos de Claudia, e que Mário seja irmão de Lilian. Examine a validade dos seguintes enunciados:
Percebemos que o primeiro e o último são verdadeiros, e os demais, falsos.
12.6 ORDEM DOS QUANTIFICADORES
Quando se obtém a forma simbólica de uma expressão, a ordem dos quantificadores pode ser importante; por exemplo, trocando a ordem dos enunciados do exemplo anterior, temos:
Vemos que agora, o segundo e o quarto enunciados são verdadeiros, enquan- to o primeiro e o terceiro são falsos. Observe que apenas os dois primeiros enunciados, nos quais os quantificadores são distintos, trocaram a validade.
Quantificadores de mesma espécie podem ser permutados, ao pas- so que, em geral, quantificadores de espécies distintas, não podem.
Lógica e Matemática Discreta
12.7 NEGAçãO DE PROPOSIçõES COM QUANTIFICADORES
A negação de enunciados com mais de um quantificador pode ser obti- do pela aplicação sucessiva das leis de De Morgan; por exemplo,
Chama-se escopo de um quantificador a parte da frase sobre a qual ele atua, em geral indicado pelos parênteses que o seguem. Se não houver parênteses, o escopo do quantificador é limitado ao predicado que o segue. Veja os exemplos abaixo:
12.8 ExEMPLOS (PINHO, 1999, P. 47)
A. Expressões com um quantificador e predicados monádicos
(1) Existem sábios (S(x) _ x é sábio) existe um x tal que x é sábio
x S(x)
(2) Todos são sábios (S(x) _ x é sábio) para todo x, x é sábio
x S(x)
(3) Não existem marcianos (M(x) _ x é marciano)
não existe x tal que x seja um marciano
~
x M(x)
ou
para todo x, x não é um marciano x (~ M(x))
(4) Nem todos são sábios (S(x) _ x é sábio)
para nem todo x, x é sábio x S(x)
~
ou
existe um x tal que x não é sábio
x (~ S(x))
Vanessa Battestin Nunes
(5) Os morcegos são mamíferos (C(x) _ x é morcego; M(x) _ x é um mamífero)
para todo x, se x é um morcego, x é um mamífero
x (C(x)
M(x))
(6) Existe um mamífero que voa (M(x) _ x é mamífero; V(x) _ x voa)
existe um x tal que x é mamífero e x voa
x (M(x)
V(x))
(7) Todo livro deve ser lido (L(x) _ x é um livro; D(x) _ x deve ser lido)
para todo x, se x é um livro, x deve ser lido
x (L(x)
D(x))
B. Expressões com mais de um quantificador e predicados monádicos
(1) Se existem marcianos, existem não terráqueos (M(x) _ x é marciano; T(x) _ x é terráqueo)
se existe x tal que x seja marciano , então existe y tal que y não é terráqueo
x M(x)
y (~T(y))
(2) Alguns são espertos, outros não (E(x) _ x é esperto)
existe x tal que x é esperto, e existe y tal que y não é esperto
x E(x)
y (~ E(y))
(3) Existem políticos honestos e desonestos (P(x) _ x é político; H(x) _ x é honesto)
existe x tal que x é político e x é honesto, e existe y tal que y é
político e y não é honesto
x (P(x)
H(x))
y (P(y)
~ H(y))
C. Expressões com relações
(1) João é casado com alguém (C(x,y) _ x é casado com y)
existe x tal que João é casado com x
x C (João, x)
Lógica e Matemática Discreta
|
(2) |
Todos têm pai (P(x,y) _ x é pai de y) |
|
|
para todo x existe y tal que y é pai de x |
||
x
|
y P(y,x) |
|
|
(3) |
Todas as pessoas têm pai (P(x) _ x é uma pessoa; F(x,y) _ x é pai de y) |
|
para todo x, se x é uma pessoa, existe y tal que y é pai de x
x (P(x)
y F(x,y))
Vanessa Battestin Nunes
|
Para maior compreensão, ler os capítulos 16 – Quantificadores e |
|
|
17 - Quantificação de sentenças abertas com mais de uma variável do livro de Edgard de Alencar Filho Iniciação à Lógica Matemáti- ca. São Paulo: Nobel, 2003. |
||
|
||
Lógica e Matemática Discreta
ALENCAR FILHO, E. Iniciação à lógica matemática. 18ª ed. São Paul:
Nobel, 2000.
GERSTING, J. L. Fundamentos matemáticos para a ciência da com- putação. 5ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2004.
NOTARE, M. R. Matemática discreta. Caxias do Sul, 2003. Disponí- vel em: http://www.arquivos.fir.br/disciplinas/169MAD1_169MAD1_ apostila.pdf, acessado em 15 de Julho de 2007.
PINHO, A. A. Introdução à Lógica Matemática, Rio de Janeiro, 1999. Disponível em: www.dsc.ufcg.edu.br/~logica, acessado em 15 de Julho de 2007.
RICARTE, I. L., 2003. Disponível em: http://www.dca.fee.unicamp.br/cursos/ EA876/apostila/HTML/node1.html, acessado em 15 de Julho de 2007.
Bien plus que des documents.
Découvrez tout ce que Scribd a à offrir, dont les livres et les livres audio des principaux éditeurs.
Annulez à tout moment.