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ï t'' Ana Paula Relvas O CICLO VITAL DA FAMILIA PERSPECTIVA SISTEMICÁ Biblioteca das Ciências do Homem Ediçóes Afrontamento CaPíruLo I A VIDA DA FAMÍLIA FaklíLìa é.oúerto tvtLúzl Nra crcst.r. Ft níl ì a é conp I er i.l íkle. Fartíli.L é Íeid .Ìc luços sdhgtíneos e, sobrctu.lo, de ktços Fatnílì.t yrz an@t, g.ftt so|nhlerío. A f.ú1ília rive se. Cotthece se. |Ìeco|hírÌ,j. Todos e cada um de nós teìÌ uììa tàmília... ou mais do que uma, mesmo quc a não conheçal A ciôncia (psicologia, socioÌogiâ, economia, etc-) estuda a família no lcque de uma ìnullipìicjdade de conceilos próprios à cada disciplina c no inteÍcruzamento dà multìd;sciplina- Íidade. Todos raó?,rrs o quc ó a fâmília, como luncìona, quais os scus principais problemas e compelências. PaÍicularÌÌente no que diz ì!s peito à nossa família... No cnlanlo, sentimenÌo c conhecimento (pessoaÌ e científico) fazem-nos enc.ììâì â famíliâ como uÌÌ emaranhado de noções. qucÍõcs e, mesmo, de contìâdiçõ€s e paradoxos. Trlvez porque demasìado pÍóxima de todos c dc cada Lìm, a 1ìmíÌia, como entidade, apresenta-sc cono realidade pouco palpável, quase iìrvisualizável- Nestc cncontro enÌre o quc sc senle e o que sc s.ìbc da 1àmília, o que sc vô quando se olh,ì para as Íàmílias, principaÌÌÌente para oílrdr que não a nossa, e, ainda, o que a ciência, quasc à Íorç4, q er ensiìrâr sobrc ,ì làmília, coloca-sc a questão que reioìÌa as aiìÍmações iniciais: atiÌàl, o.lüe é tÍnmílìa'Ì Scrá que se deve encaÍaf co oumaunidadc. um (ser, conl crracterísÌicas próPrias q!ìase (p€ssoais'? scrá q!ìc,.r.to que se convoncionou chamar lììnríli,ì não passa de Lìrn mito. cÌìrbora, como taì, âctuante? Ou scrá que est dicotomiâ não faz quâìquer sen, tido e é â famíliâ entidade, organismo vivo, que se converrc no próprio milo? Apesaf da sua impoÍtância, não é â resposta a esrc tipo de questõcs que surge coìÌo fundamenlâl para lidaÍ com a(s) família(s), lanlo cnquanto seu(s) elemento(s), como enquânlo seu(s) terapcutâ(s) ou n]esmo como cstudiosos... aló porque, pÍovavclnÌente, essâ resposta nuncâ poderia seÌ um sim ou um não, um , em exclrsividade. A importânciâ desla reflexão, neste confexto. está na própria queÍão. já que importâ saber, isso sim. se quando sc pcnsa na fâmíiâ Silva ela existe patu além do Iosé, da loana e dos filhos Fiìipe c João. À FAMILIA, ORGANISMO VIVO Os autorcs e as comcntes que se dedicam à análise, estudo c lerâpìà du fâmília dando uìna resposta com base em modelos cpis, temológicos e teoÍias âcrÌrais, paÍticularmente dc inspiração sisté- mìcar, convergem no sentido de â consideraí. claramente, uÌì1 . É a expressão dc !ìm senÌimento dc identidadc íamiliarou, nas pâlavÍàs de Minuchìnr, o reconhecimento de um , Ncsle contexto. â dcfìnição de José Gameiro adquire todo o seu signilìcado: (A fàmília ó uma rede compìoxâ de relações c cmoções quc não são passíveis de ser pensadas com os insrümentos c.iados pàn o estudo dos indivíduos isolâdos (...) A simples descÍição de ulna família não serve parà tÍansmitìr a riqueza c complexidâde rclâcional Cada famíia vista como uìn todo. como emergência dos eìementos que a compõem, é definitivamenle una e única. Hií então que entender cssa unidade fèita de corpos separâdos. Como, é a qucslão. Gameim nâ sua defìnição esclarece-nos paícialmente peìa ncgaliva (os insúu- mentos de análise individual não scrvem)- E de novo a Teodâ Geral dos Sistenras que nos fomecc mais alguns ìnstruìÌÌcnlos teórico-práti- cos: cÀda lìmília enquanto sislema é um todo mas è tam6êm pffte dc sistemas, de contextos mâis vastos nos quâis sc integra (comunidâde, sociedade). PoÍ outro lado, dcntÍo da família existcm outras totalidades mais pequcnas (a menor é o indivíduo) que são, clâs pÍóprias, partes do grupo to|al: são os chamados subsistemas. ReÌomándo de Minuchin e Fishn]ân a interessante terÌninologia proposta por Koesder, câda unidade sistéììicâ é um /lolão (do gíego holos, Ìodo, corì o sufixo do q!re, coìno cm prolão oü neutrão, sugeÍe uma partícuÌa ou paÍ1e). cada /rolAo é simultaneamente um lodo e uma parle (não nlâìs um do que outro, sem quc um rejeite ou entrc cm conflito com o ou1iot5. A noção dc hierarqüização sistómica até aqui expÍcssa permite entender quc nesta Âbordagcm Íão sejam desprezados nem os indiví- O CICLA VÍAL DA FAMILIA. PEBSPEC|IVA SISTÉMICA r MìNUCHIN, S. (1979). Fa,,ill.s en Émpia. P^tis.Ed. I P DeÌ{ge. l GAMEIRO. J. { 1992). Vm,/í y,brc d Psklnimit. PaÍro,Edi9ões AiÌonlamcnto. 5 MINUCHIN. S: FISHMAN, H.C-(1981). Fo itt nwapr lb.haiquê!. LÃndrc\. l l O CICLO WTAL DA FAMILIA PERSPECT A SgrÉMrcA duos, nem as suas Ìelaçõcs com o rìeio. apesar de se oÌhar a lìmília conro ufi iodo (o que ó muito iÌnpo|1ânte para o tcrupeuta Íìmilial unra vez que, a scÌ âssìm, a sua inteÍvcnção incidìrí scÌnprc sobre unl subsistema ou ,r/tÌo). ._ .A noção de hicrarquização sisrémìca enrÍoncô nouro aspecro lirndamcnral paflì a compreensão dos sistemôs vivos como a familia: a abeÍurâ do sìstcma_ Com efeilo, esras unidadcs podem sê_lo. na medìda cm quc_estão dc algDìrr ìÌodo rodead,ìs poÍ ironteiìas. por 1,Irlrer. que J i em(ì hunçr Jc rì c. Ì rbrJnr, . eÌ . n rner\ ci s l ì ermi t em ) pJss, rl c, n \ el ecr. \ J J. i rr, , rmr(j ô t rnro cnrrc : r t rmi , i " c o m. i u. . ôÌ u cnt re us djversos subsistcmas lìmiliaÍcs. O gÍau de abertuÍa ou tìcho desscs ì i ì ni res, consi dcrados por Mi nuchi n como, orl / rdr que rì el ì nem . / r. rr paì1rcÌpa nunì subsrsrema e o r?odo como o lì2, é varjíveÌ confoì.me âs próprias famílias c o momcnto dc evolução quc airâvcssam. TtìÌ aoeftum releì!-se, cm teÍmos p.áticos, à infhrência de pressõcs exte riorcs â .Ìue o sisieÌÌa esrá pcrmâncnremenlc sujeito. belÌ como às que cle própÌio excìce sobÍc o meio. poÍ isso, paì.â conhecermos o José, paì na famíìia Silva, reÌÌos que o , . , . Ct IJATESON. C. (1981) hnãioe.! k tcnsl?. p i!, LcSeúil, p.233. I A PrugrÍntu do Crìrt' i.t ç.i,4/,,Ìa,., ó uma dis lerlcnrcs de esrudo d! comunicaçãoi ìrpÒÍr-se ìL comunicrçiio enì pr!senç.. ltre a face, e rvatiâ os seus eltiros sobE o coúìFoíanìcnro. ËsÌa .bordrgcm, dcsenvoivida a pa ir ile meados dos nnos quücnla pcl. chÌnìrdr Dscola de Prlo Alro. assenh n. prcnìissr de quc cor)u nrciçio ó igurl r conUorÌanrcnto. pelo !!c nio é po\sílcl não cohunicÍ.( to.xiôma). Ct. WATZLAWICK, I,. 1/ u ?. ( 1912) | 1üc Loriqú. t. t| Com,u,,nzrrlÌ. pftis, E{1. du ças por cìa ìcladas a cabo lenh.rnr inrpìicaçõcs cumulatìvas para o dcscnvoÌvinìcnlo fuiüro, não só da próprià lìmíliâ como dos indiví- duos quc nel a vi vem. Assì Ì n sc oxpl i ca quc t enha como f unções pri - ÌÌoÍdiais o desenvoÌvinìcnlo e protecção dos Ìnembros (lunção inrcrna) e a sua socialização. adcquação e transmissao de dclcrìÌiììada cuÌluÍa (lìnção externa). NeÍa óptica, a lìmílìa terá que resoìvcr cLìì succsso d!Ês târefas, rambóìn clas básìcas: a criação de um sentìtne to de tler' t€nçtao EÍupo c A ìtulividuaLiz.rçAo/autdlottìaaçrio dos scus cìcìÌcntos. O desenvolvimcn(o dâ lìmíìia processa-se tendo scmpÍc como mcta cssas duas funções e tarclas; dc Íãcto são elas que exiSenr, parâ câdà elapa, a criação dc objcctivos dìferenciados e especíÍìíjos. Corìo sorìr dc espcrar. o cìclo vitâl da lìmíìia. coìlccìto-chave dcsta abofdagcnr, cxprcssa e integra uma pe|specliva doscnvolviìÌcìl 1i\ta: Íepfescnla un] csqucna dc classìljcação eÌn eslÍdios quc dcìnaìcanì a lal sequêncìa previsíveì dc tìaDsformrções, dìferenciando Íìses ou cupâs no que alguns autorcs dcsignam poÍ (carreirâ lìmiliaìr' r. Con- crcriza sc no canìinho que r lììnilir (ìrucìcaÍ, particularmente) percorrc dcsdc que nasce até que monc. IntcgÍa dc modo interaclivo 1àctofes como â dinâmica intcrna do sistcìì4, os aspectos e característicâs indi vidlrìis e, ainda, a relação corlr os contcxtos em que a 1ãmília se inserc. nomcadamente coìn a socicdâdc c os seus outros sübsistemas (escola, nìeÌcâdo de trabalho, ctc.). O da làmília coffportâ d as inter-làces dcscnvolvimentais: indivíduotrupo làìì1iììaÍ c Íàmíliâ/Ìneio sócio-cul- rufrìì. PÂrticularnìenÌe, em relação ao dcscnvolvìmento indìvidual h1Ì um isomo ismo notórjo, quc pcÍÌite um diálogo tiuluoso scìn sâcrilício da especificidado dc qualqucr das abordagens. Esse isomorlismo suìgc, por exemplo, na noção de Ìâíefas do desenvolvimcnlo ou nos con(Íi- bulos quc aulorcs da psicologìa individuaì. como E. Erìksonrr, deram ao esludo do ciclo de vida dâ fàmílir. Por outfo ìado, essas interfâces expressam-sc 1âmbóm nos ", Ao longo do livro vai descrevcndo cstratégias para resolver os probìcmas específicos quc sobrevêm enl câda um.ì deÍ.Ìs etapas, pâÍindo do princípio que ns famílias experimentam os maiorcs níveis de rr./lf nos pontos de tran- sição de uma 1àse para oulìà. N.ì sua perspectivâ, o sìnlonln sinaìiza que â fãmília ficou bÌoqucada c teìn dilìculdade em lransilar para a lìsc scguintc. peìo qre o papel do tcrapcula se deve centralì7rr no cslbrço dc ìhe d€volver a capacìdadc dc rctomar o seu processo noì.maì dc descnvolviìncnto. É um ponto de vista quc pernile ao clínico âvaìiâr não só os probìcmas e dificuldades da famíÌia, mâs também as suas Coìno nota Minuchin,