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O que é um fluido?

Você provavelmente pensa em um fluido como sendo um líquido. Mas, um fluido é qualquer coisa que pode fluir, escoar. Isto inclui líquidos. Mas, gases também são fluidos.

Densidade de massa

A densidade de massa de um objeto é a sua massa, m, dividida pelo seu volume, V.

Usualmente, utiliza-se o símbolo grego rho):

densidade de massa:

= m / V (no MKS, as unidades são kg/m 3 )

[1.1]

No nível microscópico, a densidade de um objeto depende da soma dos pesos dos átomos e moléculas que constituem o objeto, e quanto espaço existe entre eles. Numa escala maior, a densidade depende se o objeto é sólido, poroso, ou alguma coisa intermediária.

Em geral, líquidos e sólidos possuem densidades similares, que são da ordem de 1000 kg / m 3 . A água a 4° C possui uma densidade exatamente igual a esse valor. Muitos materiais densos, como chumbo e ouro, possuem densidades que são 10 a 20 vezes maiores que esse valor. Os gases, por outro lado, possuem densidades em torno de 1 kg / m 3 , ou seja, cerca de 1/1000 àquela da água. Veja as densidades de várias substâncias na tabela de propriedades dos fluidos.

As densidades são frequentemente dadas em termos da densidade específica. A densidade específica de um objeto ou material é a razão de sua densidade com a densidade da água a 4° C (esta temperatura é usada porque esta é a temperatura em que a água é mais densa). O ouro tem densidade específica de 19.3, o alumínio 2.7, e o mercúrio 13.6. Note que estes valores são referentes aos padrões de temperatura e pressão; objetos mudam de tamanho, e portanto de densidade, em resposta a uma mudança de temperatura ou pressão.

Pressão

A densidade depende da pressão. Mas, o que é a pressão? A pressão é a força a que um objeto

está sujeito dividida pela área da superfície sobre a qual a força age. Definimos a força aqui como sendo uma força agindo perpendicularmente à superfície.

Pressão : P = F / A

(A força é aplicada perpendicularmente à área A)

[1.2]

A unidade de pressão, é o pascal, Pa. A pressão é frequentemente medida em outras unidades

(atmosferas, libras por polegada quadrada, milibars, etc.). Mas o pascal é a unidade apropriada

no sistema MKS (metro-quilograma-segundo).

Quando falamos em presão atmosférica, estamos insinuando a pressão exercida pelo peso de ar que paira sobre nós. O ar na atmosfera alcança uma altura enorme. Logo, mesmo que a sua densidade seja baixa, ele ainda exerce uma grande pressão:

Pressão atmosférica no nível do mar:

1,013 x 10 5 Pa

[1.3]

Ou seja, a atmosfera exerce uma força de cerca de 1,0 x 10 5 N em cada metro quadrado na

superfície da terra! Isto é um valor muito grande, mas não é notado porque existe geralmente ar tanto dentro quanto fora dos objetos, de modo que as forças exercidas pela atmosfera em cada lado do objeto são contrabalançadas. Sómente quando existem diferenças de pressão em ambos os lados é que a pressão atmosférica se torna importante. Um bom exemplo é quando se bebe utilizando um canudo: a pressão é reduzida no alto do canudo, e a atmosfera empurra o líquido através do canudo até a boca.

Pressão versus profundidade em um fluido estático

Em um fluido estático, sob a ação da gravidade terrestre, as forças são perpendicular à superfície terrestre. Caso exista uma força resultante em uma porção do fluido, esta porção do fluido entrará em movimento. A razão é que um fluido pode escoar, ao contrário de um objeto rígido. Se uma força for aplicada a um ponto de um objeto rígido, o objeto como um todo sofrerá a ação dessa força. Isto ocorre porque as moléculas (ou um conjunto delas) do corpo rígido estão ligadas por forças que mantêm o corpo inalterado em sua forma. Logo, a força aplicada em um ponto de um corpo rígido acaba sendo distribuída a todas as partes do corpo. Já em um fluido isto não acontece, pois as forças entre as moléculas (ou um conjunto delas) são muito menores. Um fluido não pode suportar forças de cisalhamento, sem que isto leve a um movimento de suas partes.

Logo, a pressão a uma mesma profundidade de um fluido deve ser constante ao longo do plano paralelo à superfície. Supondo que a constante da gravidade local, g, não varie apreciavelmente dentro do volume ocupado pelo fluido, a pressão em qualquer ponto de um fluido estático depende apenas da pressão atmosférica no topo do fluido e da profundidade do ponto no fluido. Se o ponto 2 estiver a uma distância vertical h abaixo do ponto 1, a pressão no ponto 2 será maior.

h abaixo do ponto 1, a pressão no ponto 2 será maior. Para calcular a diferença

Para calcular a diferença de pressão entre os dois pontos basta imaginar um volume cilíndrico, cuja altura h seja ao longo da vertical à superfície com as bases contendo os pontos 1 e 2, respectivamente. A área das bases, A, pode ser qualquer: desde que elas estejam dentro do fluido. Como o volume cilíndrico é estático, a força na base de baixo deve ser igual à força na base de cima somada à forca peso devido ao volume de àgua dentro do cilindro. Ou seja, como a massa do fluido é dada por Ah, obtemos que

F 2 - F 1 = (Ah)g Dividindo esta equação por A obtemos que a pressões nos pontos 1 e 2 estão relacionadas por

P 2 = P 1 + gh

[1.4]

2 estão relacionadas por P 2 = P 1 +  gh [1.4] Note que o

Note que o ponto 2 não precisa estar diretamente abaixo do ponto 1; basta que ele esteja a uma distância vertical h abaixo do ponto 1. Isto significa que qualquer ponto a uma mesma profundidade em um fluido estático possui a mesma pressão. A construção imaginária que fizemos acima, com o volume cilíndrico, pode ser repetida com vários outros cilindros, com diferentes bases e alturas, até chegarmos ao resultado [1.4], já que essa relação é linear.

Princípio de Pascal

O pricípio de Pascal pode ser usado para explicar como um sistema hidráulico funciona. Um

exemplo comum deste sistema é o elevador hidráulico usado para levantar um carro do solo para

reparos mecânicos.

Princípio de Pascal: A pressão aplicada a um fluido dentro de um recepiente fechado é transmitida, sem variação, a todas as partes do fluido, bem como às paredes do recepiente.

A explicação para o princípio de Pascal é simples. Caso houvesse uma diferença de pressão,

haveriam forças resultantes no fluido, e como já discutimos acima, o fluido não estaria em

repouso.

Em um elevador hidráulico uma pequena força aplicada a uma pequena área de um pistão é transformada em uma grande força aplicada em uma grande área de outro pistão (veja figura abaixo). Se um carro está sobre um grande pistão, ele pode ser levantado aplicando-se uma força F 1 relativamente pequena, de modo que a razão entre a força peso do carro (F 2 ) e a força aplicada (F 1 ) seja igual à razão entre as áreas dos pistões.

P 1 = P 2 ,

logo F 1 /A 1 = F 2 /A 2 ,

e

F 1 /F 2 = A 1 /A 2

[1.5]

Embora a força aplicada ( F 1 ) seja bem menor que a força peso

Embora a força aplicada (F 1 ) seja bem menor que a força peso (F 2 ), o trabalho realizado é o mesmo. Trabalho é força vezes distância. Logo, se a força no pistão maior (peso) for 10 vezes maior do que a força no pistão menor (aplicada), a distância que ela percorre será 10 vezes menor. Isto se deve à conservação de volume:

V 1 = V 2 ,

logo x 1 . A 1 = x 2 . A 2 ,

Medidores de pressão

ou seja

x 1 /x 2 = A 2 /A 1 = F 2 /F 1 .

[1.6]

A relação entre pressão e profundidade é muito utilizada em instrumentos que medem pressão. Exemplos são o manômetro com tubo fechado e o de tubo aberto. A medida é feita comparando-se a pressão em um lado do tubo com uma pressão conhecida (calibrada) no outro lado (veja figura abaixo).

Um barômetro típico de mercúrio é um manômetro de tubo fechado. A parte fechada é próxima a pressão zero, enquanto que o outro extremo é aberto à atmosfera, ou é conectada aonde se quer medir uma pressão. Como existe uma diferença de pressão entre os dois extremos do tubo, uma coluna de fluido pode ser mantida no tubo. Da fórmula [1.4] temos que a altura da coluna é proporcional à diferença de pressão. Se a pressão no extremo fechado for zero, então a altura da coluna é diretamente proportional à pressão no outro extremo.

Manômetro de tubo fechado:

P =

gh

[1.7]

outro extremo. Manômetro de tubo fechado: P =  gh [1.7] Em um manômetro de tubo

Em um manômetro de tubo fechado, um extremo do tubo é aberto para a atmosfera, e está portanto à pressão atmosférica. O outro extremo está sob a pressão que deve ser medida.

Novamente, se existe uma diferença de pressão entre os dois extremos do tubo, se formará uma coluna dentro do tubo cuja altura (h) é proporcional à diferença de pressão.

Manômetro de tubo fechado:

P = P atm + gh

[1.8]

A pressão P é conhecida como pressão absoluta; a diferença de pressão entre a pressão absoluta

P e a pressão atmosférica P atm é conhecida como pressão de calibre. Muitos medidores de

pressão só informam a pressão de calibre.

Princípio de Arquimedes: Eureca!

De acordo com a lenda, isto (eureca!) foi o que Arquimedes gritou quando ele descobriu um fato importante sobre a força de empuxo. Tão importante, que o chamamos de princípio de Arquimedes (e tão importante que, diz a lenda, Arquimedes pulou da banheira e correu pelas ruas após a descoberta).

Princípio de Arquimedes : Um objeto que está parcialmente, ou completamente, submerso em um fluido, sofrerá uma força de empuxo igual ao peso do fluido que objeto desloca.

F E = W fluido =

fluido . V deslocado . g

[1.9]

A

força de empuxo, F E , aplicada pelo fluido sobre um objeto é dirigida para cima. A força deve-

se

à diferença de pressão exercida na parte de baixo e na parte de cima do objeto. Para um

objeto flutuante, a parte que fica acima da superfície está sob a pressão atmosférica, enquanto que a parte que está abaixo da superfície está sob uma pressão maior porque ela está em contato com uma certa profundidade do fluido, e a pressão aumenta com a profundidade. Para um objeto completamente submerso, a parte de cima do objeto não está sob a pressão atmosférica, mas a parte de baixo ainda está sob uma pressão maior porque está mais fundo no fluido. Em ambos os casos a diferença na pressão resulta em uma força resultante para cima (força de empuxo) sobre o objeto. Esta força tem que ser igual ao peso da massa de água (fluido . V deslocado ) deslocada, já que se o objeto não ocupasse aquele espaço esta seria a força aplicada ao fluido dentro daquele volume (V deslocado ) a fim de que o fluido estivesse em estado de equilíbrio.

Exemplo

Uma bola de futebol flutua em uma poça de água. A bola possui uma massa de 0,5 kg e um diâmetro de 22 cm.

(a)

Qual é a força de empuxo?

(b)

Qual é o volume de água deslocado pela bola?

(c)

Qual é a densidade média da bola de futebol?

(a)

Para encontrar a força de empuxo, desenhe um diagrama de forças simples. A bola flutua na

água, logo não existe força resultante: o peso é contrabalançado pela força de empuxo. Logo,

F E = mg = 0,5 kg x 9,8 m/s 2 = 4,9 N

(b)

Pelo pricípio de Arquimedes, a força de empuxo é igual ao peso do fluido deslocado, W fluido .

O peso é massa vezes g, e a massa é a densidade vezes o volume. Logo,

F E = W fluido =

fluido . V deslocado

. g

e o volume descolado é simplesmente

V deslocado = F E / (fluido . g) = 4,9 / (1000 x 9,8) = 5,58 x 10 -3 m 3

(c) Para encontrar a densidade da bola precisamos determinar o seu volume. Este é dado por

V bola = 4r 3 /3= 5,58 x 10 -3 m 3

A densidade é portanto a massa dividida pelo volume:

 bola = 0,5/(5,58 x 10 -3 ) =89,6 kg/m 3

Uma outra maneira de se encontrar a densidade da bola é usar o volume do fluido deslocado. Para um objeto flutuante, o peso do objeto é igual à força de empuxo, que é por sua vez igual ao peso do fluido deslocado. Cancelando os fatores de g, obtemos:

para um objeto flutuante: . V = fluido . V deslocado

Logo, a densidade é:

 = fluido . V deslocado / V = 1000 x 5,0 x 10 -4 /(5,58 x 10 -3 ) = 89,6 kg/m 3

A bola de futebol é muito menos densa do que a água porque ela é cheia de ar. Um objeto (ou

um outro fluido) irá flutuar se sua densidade for menor do que a do fluido; se sua densidade for maior do que a do fluido, ela afundará.

Massa específica e densidade

A massa específica () de uma substância é a razão entre a massa (m) de uma quantidade da substância e o volume (V) correspondente:

uma quantidade da substância e o volume (V) correspondente: Uma unidade muito usual para a massa

Uma unidade muito usual para a massa específica é o g/cm 3 , mas no SI a unidade é o kg/m 3 . A relação entre elas é a seguinte:

para a massa específica é o g/cm 3 , mas no SI a unidade é o

Assim, para transformar uma massa específica de g/cm 3 para kg/m 3 , devemos multiplicá-la por 1.000 . Na tabela a seguir estão relacionadas as massas específicas de algumas substâncias.

Substância

Substância
Substância

Água

1,0

1.000

Gelo

0,92

920

Álcool

0,79

790

Ferro

7,8

7.800

Chumbo

11,2

11.200

Mercúrio

13,6

13.600

Observação É comum encontrarmos o termo densidade (d) em lugar de massa específica (m ). Usa-se "densidade" para representar a razão entre a massa e o volume de objetos sólidos (ocos ou maciços), e "massa específica"para líquidos e substâncias.Exemplo São misturados volumes

iguais de dois líquidos com massas específicas de 0,50

massa específica da mistura.ResoluçãoSendo os volumes iguais, temos V 1 = V 2 = V . Portanto, o

volume da mistura é 2V. Por outro lado, podemos dizer que a massa da mistura é igual à soma

lado, podemos dizer que a massa da mistura é igual à soma e 0,90 . Determine
lado, podemos dizer que a massa da mistura é igual à soma e 0,90 . Determine

e 0,90

. Determine a

, temosque a massa da mistura é igual à soma e 0,90 . Determine a : das

:
:

das massas dos dois líquidos. Da relação

a , temos : das massas dos dois líquidos. Da relação Exercícios:1. Determine a massa de

Exercícios:1. Determine a massa de um bloco de chumbo que tem arestas de 10 cm.2. A caixa mostrada na figura é oca e suas paredes apresentam 2 cm de espessura.

figura é oca e suas paredes apresentam 2 cm de espessura. Sabendo-se que ela possui 2,0

Sabendo-se que ela possui 2,0 kg de massa, determine:a) densidade da caixa;b) a massa específica da substância usada na confecção da caixa.3. Uma esfera oca, de 1.200 g de massa, possui raio externo de 10 cm e raio interno de 9,0 cm. Sabendo que o volume de

de 10 cm e raio interno de 9,0 cm. Sabendo que o volume de uma esfera

uma esfera é dado por

do material de que é feita a esfera.(Use

, determine:a) a densidade da esfera;b) a massa específica

).esfera é dado por do material de que é feita a esfera.(Use , determine:a) a densidade

4. Misturam-se massas iguais de dois líquidos de massas específicas 0,40

Misturam-se massas iguais de dois líquidos de massas específicas 0,40 . Determine a massa específica da

. Determine a massa específica da mistura.

Misturam-se massas iguais de dois líquidos de massas específicas 0,40 . Determine a massa específica da

e 1,0

Pressão

. Determine a massa específica da mistura. e 1,0 Pressão Consideremos uma força a pressão (p)

Consideremos uma força

a pressão (p) aplicada pela força sobre a área pela seguinte relação:

aplicada perpendicularmente a uma superfície com área A. Definimos

perpendicularmente a uma superfície com área A. Definimos No SI , a unidade de pressão é

No SI , a unidade de pressão é o pascal (Pa) que corresponde a N/m 2 . A seguir apresenta outras unidades de pressão e suas relações com a unidade do SI :1 dyn/cm 2 (bária) = 0,1 Pa

1 kgf/cm 2 = 1 Pa

1 atm = 1,1013x10 5 Pa

1 lb/pol 2 = 6,9x10 3 Pa

O conceito de pressão nos permite entender muitos dos fenômenos físicos que nos rodeiam. Por exemplo, para cortar um pedaço de pão, utilizamos o lado afiado da faca (menor área), pois, para uma mesma força, quanto menor a área, maior a pressão produzida.

força, quanto menor a área, maior a pressão produzida. ExemploCompare a pressão exercida, sobre o solo,

ExemploCompare a pressão exercida, sobre o solo, por uma pessoa com massa de 80 kg, apoiada na ponta de um único pé, com a pressão produzida por um elefante, de 2.000 kg de massa, apoiado nas quatro patas. Considere de 10 cm 2 a área de contato da ponta do pé da pessoa, e de 400 cm 2 a área de contato de cada pata do elefante. Considere também g = 10 m/s 2 .ResoluçãoA pressão exercida pela pessoa no solo é dada pelo seu peso, dividido pela área da ponta do pé:

é dada pelo seu peso, dividido pela área da ponta do pé: A pressão exercida pelo

A pressão exercida pelo elefante é dada por:

ponta do pé: A pressão exercida pelo elefante é dada por: Comparando as duas pressões, temos

Comparando as duas pressões, temos que a pressão exercida pela pessoa é 6,4 vezes a pressão exercida pelo elefante.Exercícios1. Aplica-se uma força de intensidade 10 N perpendicularmente sobre uma superfície quadrada de área 0,5 m 2 . Qual devera ser a pressão exercida sobre a superfície?

(A)

5 N.m 2

(B)

5 N/m 2

(C)

20 N/m 2

(D)

10 N/m 2

(E)

n.d.a.

2.Um tijolo de peso 32 N tem dimensões 16cm x 8,0 cm x 4,0cm. Quando apoiado em sua face de menor área, a pressão que ele exerce na superfície de 16 cm apoio é, em N/cm 2 :

(A)

4,0

(B)

2,5

(C)

2,0

(D)

1,0

(E)

0,503.

Uma caixa de 500 N tem faces retangulares e suas arestas medem 1,0 m, 2,0 m e 3,0 m. Qual a pressão que a caixa exerce quando apoiada com sua face menor sobre uma superfície horizontal?

(A)

100 N/m 2 .

(B)

125 N/m 2 .

(C)

167 N/m 2 .

(D)

250 N/m 2 .

(E)

500 N/m 2 .

4. O salto de um sapato masculino em área de 64 cm 2 . Supondo-se que a pessoa que o calce

tenha peso igual a 512 N e que esse peso esteja distribuído apenas no salto, então a pressão média exercida no piso vale:

(A)

120 kN/m 2

(B)

80 kN/m 2

(C)

60 kN/m 2

(D)

40 kN/m 2

(E)

20 kN/m 2

5. Uma pessoa com peso de 600 N e que calça um par de sapatos que cobrem uma área de 0,05

m 2 não consegue atravessar uma região nevada sem se afundar, porque essa região não suporta

uma pressão superior a 10.000 N/m

sobre a neve?b) Qual deve ser a área mínima de cada pé de um esqui que essa pessoa deveria

usar para não afundar?

2

. Responda:a) Qual a pressão exercida por essa pessoa

6. A caixa da figura abaixo tem peso 400 N e dimensões a = 10 cm, b = 20 cm e c = 5 cm e apoia-

se em uma superfície plana horizontal. Qual a pressão, em N/cm 2 , que a caixa exerce no apoio, através se sua base, em cada uma das situações propostas ?

I)

a pressão, em N/cm 2 , que a caixa exerce no apoio, através se sua base,

II)

III)

II) III) Pressão Atmosférica e a Experiência de Torricelli A atmosfera terrestre é composta por vários
II) III) Pressão Atmosférica e a Experiência de Torricelli A atmosfera terrestre é composta por vários

Pressão Atmosférica e a Experiência de Torricelli

A atmosfera terrestre é composta por vários gases, que exercem uma pressão sobre a superficie da Terra. Essa pressão, denominada pressão atmosférica, depende da altitude do local, pois à medida que nos afastamos da superfície do planeta, o ar se torna cada vez mais rarefeito, e, portanto, exercendo uma pressão cada vez menor.

O físico italiano Evangelista Torricelli (1608-1647) realizou uma experiência para determinar a pressão atmosférica ao nível do mar. Ele usou um tubo de aproximadamente 1,0 m de comprimento, cheio de mercúrio (Hg) e com a extremidade tampada. Depois, colocou o tubo , em pé e com a boca tampada para baixo, dentro de um recipiente que também continha mercúrio. Torricelli observou que, após destampar o tubo, o nível do mercúrio desceu e estabilizou-se na posição correspondente a 76 cm, restando o vácuo na parte vazia do tubo.

Barômetro de mercurio.Experimento realizado por Torricelli

em 1643.

Evangelista Torricelli (1608- 1647)Físico e matemático italiano que

foi discípulo de Galileu.

Na figura, as pressões nos pontos A e B são iguais (pontos na mesma horizontal e no mesmo líquido). A pressão no ponto A corresponde à pressão da coluna de mercúrio dentro do tubo, e a pressão no ponto B corresponde à pressão atmosférica ao nível do mar:

p B = p A è p ATM = p coluna(Hg)

Como a coluna de mercúrio que equlibra a pressã atmosférica é de 76 cm, dizemos que a pressão atmosférica ao nível do mar equivale à pressão de uma coluna de mercúrio de 76 cm. Lembrando que a pressão de uma coluna de líquido é dada por dgh (g = 9,8 m/s 2 ), temos no SI :

p ATM @ 76cmHg = 760mmHg = 1,01x10 5 Pa

A maior pressão atmosférica é obtida ao nível do mar (altitude nula). Para qualquer outro ponto acima do nível do mar, a pressão atmosférica é menor. A tabela a seguir apresenta a variação da pressão atmosférica de acordo com a altitude.

Altitude (m)Pressão atmosférica (mmHg)

Pressão (mmHg)

Altitude (m)

0760

658

1200

200742

642

1400

400724

627

1600

600707

612

1800

800690

598

2000

1000674

527

3000

Os manômetros (medidores de pressão) utilizam a pressão atmosférica como referência, medindo

a diferença entre a pressão do sistema e a pressão atmosférica. Tais pressões chamam-se

pressões manométricas. A pressão manométrica de um sistema pode ser positiva ou negativa, dependendo de estar acima ou abaixo da pressão atmosférica. Quando o manômetro mede uma pressão manométrica negativa, ele é cjamado de manômetro de vácuo.

Manômetro utilizado em postos de gasolina (os médicos usam um sistema semelhante) para calibração de pneus. A unidade de medida psi (libra por polega ao quadrado) corresponde a, aproximadamente, 0,07 atm. Assim, a pressão lida no mostrador , 26 psi, é igual a aproximadamente, 1,8 atm.

A figura representa um manômetro de tubo aberto. Pela diferença de níveis do líquido nos dois

ramos do tubo em U, mede-se a pressão manométrica do sistema contido no reservatório.

Escolhendo os dois pontos A e B mostrados na figura, temos:

p A = p B

p SISTEMA = p ATM + p LÍQUIDO

p SISTEMA = p ATM

= dgh

p MANOMÉTRICA =

dgh

Exercícios:

1. A figura representa um balão contendo gás, conectado a um tubo aberto com mercúrio. Se a

pressão atmosférica local é a normal (76 cmHg), determine a pressão do gás, em cmHg.

2. Com base na figura, que representa um manômetro de tubo aberto, responda:

a) a quantos centímetros de Hg corresponde a pressão manométrica do gás ?

b) qual é a pressão manométrica do gás, em kPa ?

(Considere d Hg = 13,6 g/cm 3 )

Pressão em um Líquido - Stevin

Constatação experimental da pressão no seio de um líquido

Varias experiências evidenciam a pressão suportada por ume superfície mergulhada no seio de um líquido em equilíbrio Dentre elas citaremos apenas e experiência realizada com a cápsula manométrica . A cápsula manométrica consta essencialmente de uma caixa dotada de uma membrana elástica . A caixa é ligada a um tubo em forma de U por meio de um condutor flexível.

uma caixa dotada de uma membrana elástica . A caixa é ligada a um tubo em

Nos ramos do tubo em U colocamos um líquido colorido. Pelo desnível do liquido nos ramos do tubo analisamos a pressão exercida sobre a membrana elástica da capsula.

Inicialmente o líquido alcança o mesmo nível em ambos os ramos do tubo como se vê na figura. Isto se dá porque a pressão exercida na superfície livre do liquido contido no ramo esquerdo é a mesma pressão exercida sobre a superfície da membrana; esta pressão é a pressão atmosférica.

Se você introduzir e cápsula no seio de um líquido em equilíbrio contido num recipiente, notará que se estabelece um desnível nos ramos do tubo em U, fato que comprova a existência de uma força imposta pelo líquido na superfície de membrana, ou seja, comprova a existência de pressão que o líquido exerce sobre a membrana da cápsula A força exercida pelo líquido é perpendicular

à superfície da membrana, pois caso contrário a componente tangencial dessa força arrastaria a cápsula, o que não ocorre na prática.

À medida que você aprofunda a cápsula no líquido o desnível no tubo em U aumenta, mostrando

que a pressão exercida pelo líquido cresce com a profundidade. Num mesmo ponto, no seio do líquido, você pode girar a capsula à vontade sem acarretar alteração no desnível nos ramos do tubo em U, significando este fato que a pressão independe da orientação da superfície da

membrana elástica da cápsula.

A pressão exercida pelo líquido na membrana da cápsula a dita pressão hidrostática. Se à

pressão hidrostática adicionarmos a pressão exercida pela atmosfera sobreposta ao líquido teremos a chamada pressão absoluta .

Do que ficou dito até o momento, você conclui que no seio de um líquido a uma dada profundidade a pressão é igual em todos os pontos. Em outras palavras se considerarmos um plano paralelo à superfície do líquido a pressão será a mesma em todos os pontos deste plano. Dados agora dois pontos A e B, localizados em diferentes profundidades, no seio do líquido, qual será a diferença de pressão de um ponto para outro? A resposta a essa pergunta á dada peio Principio de Stevin que passamos a enunciar.

Principio fundamental da Hidrostática ( Princípio de Stevin)

"A diferença entre as pressões em dois pontos considerados no seio de um líquido em equilíbrio (pressão no ponto mais profundo e a pressão no ponto menos profundo) vale o produto da massa especifica do líquido pelo módulo da aceleração da gravidade do local onde é feita a observação, pela diferença entre as profundidades consideradas."

pela diferença entre as profundidades consideradas." Simbolicamente: A partir do Teorema de Stevin podemos

Simbolicamente:

entre as profundidades consideradas." Simbolicamente: A partir do Teorema de Stevin podemos concluir :  A

A partir do Teorema de Stevin podemos concluir :

A pressão aumenta com a profundidade. Para pontos situados na superfície livre, a pressão correspondente é igual à exercida pelo gás ou ar sobre ela. Se a superfície livre estiver ao ar atmosférico, a pressão correspondente será a pressão atmosférica, p atm .

Na figura abaixo tem-se o gráfico da pressão p em função da profundidade h.

 Pontos situados em um mesmo líquido e em uma mesma horizontal ficam submetidos à

Pontos situados em um mesmo líquido e em uma mesma horizontal ficam submetidos à

mesma pressão.

A superfície livre dos líquidos em equilíbrio é horizontal.

Exemplo:

Na figura abaixo temos um mergulhador estacionado a 10 m de profundidade. No mesmo nível em que se encontra existe uma gruta que encerra ar. Calcule a pressão a que se acham submetidos o mergulhador e o ar da gruta. Considere:

d água = 1.000 kg/m

3

g = 10 m/s 2

p atm = 10 5 N/m 2 .

Exercícios

1. Um tambor lacrado é mantido sob a superfície do mar, conforme a figura. Pode-se afirmar que

a pressão da água na superfície externa é:

(A) maior na base superior. (B) maior na base inferior. (C) maior na superfície lateral.

(A)

maior na base superior.

(B)

maior na base inferior.

(C)

maior na superfície lateral.

(D)

a mesma nas bases inferiores e superior.

(E)

a mesma em qualquer parte do cilíndro.

2. A pressão hidrostática é a força por unidade de área exercida por um líquido. No fundo de um recipiente contendo líquido, essa pressão depende:

(A)

do formato do recipiente.

(B)

somente da área do fundo do recipiente.

(C)

da altura da coluna e do peso específico do líquido.

(D)

da área do fundo e da altura da coluna líquida.

(E)

somente da densidade do líquido.

3.

A figura abaixo representa uma talha contendo água. A pressão da água exercida sobre a

torneira, fechada, depende:

(A)

do volume de água contido no recipiente.

(B)

da massa de água contida no recipiente.

(C)

do diâmetro do orifício em que está ligada a torneira.

(D)

da altura da superfície em relação ao fundo do recipiente.

(E)

da altura da superfície da água em relação à torneira.

4. Um recipiente cilíndrico aberto contém um líquido de densidade d . A pressão P no interior do

líquido pode ser representada em função da profundidade h. Essa pressão está representada no

gráfico.

(A)

do líquido pode ser representada em função da profundidade h. Essa pressão está representada no gráfico.

(B)

(C) (D) (E) 5. Um reservatório cilíndrico está cheio de um líquido homogêneo. Considere zero

(C)

(C) (D) (E) 5. Um reservatório cilíndrico está cheio de um líquido homogêneo. Considere zero a

(D)

(C) (D) (E) 5. Um reservatório cilíndrico está cheio de um líquido homogêneo. Considere zero a

(E)

(C) (D) (E) 5. Um reservatório cilíndrico está cheio de um líquido homogêneo. Considere zero a

5. Um reservatório cilíndrico está cheio de um líquido homogêneo. Considere zero a ordenada de qualquer ponto da base do cilindro e d s a ordenada da superfície livre do líquido. Dos gráficos abaixo, o que melhor representa a relação entre p e d, sendo p a pressão num ponto de ordenada d, é:

(A)

(A) (B) (C) (D)

(B)

(A) (B) (C) (D)

(C)

(A) (B) (C) (D)
(E) Princípio de Arquimedes (EMPUXO) Contam os livros, que o sábio grego Arquimedes (282-212 AC)

(E)

Princípio de Arquimedes (EMPUXO)

Contam os livros, que o sábio grego Arquimedes (282-212 AC) descobriu, enquanto tomava banho, que um corpo imerso na água se torna mais leve devido a uma força, exercida pelo líquido sobre o corpo, vertical e para cima, que alivia o peso do corpo. Essa força, do líquido sobre o

corpo, é denominada empuxo (

força, do líquido sobre o corpo, é denominada empuxo ( ). ) Portanto, num corpo que

).

)
)

Portanto, num corpo que se encontra imerso em um líquido, agem duas forças: a força peso (

devida à interação com o campo gravitacinal terrestre, e a força de empuxo ( interação com o líquido.

e a força de empuxo ( interação com o líquido. ) , devida à sua ,

) , devida à sua

a força de empuxo ( interação com o líquido. ) , devida à sua , Arquimedes
a força de empuxo ( interação com o líquido. ) , devida à sua , Arquimedes

,

Arquimedes (282-212 AC).Inventor e matemático grego.

Quando um corpo está totalmente imerso em um líquido, podemos ter as seguintes condições:

* se ele permanece parado no ponto onde foi colocado, a intensidade da força de empuxo é igual

à intensidade da força peso (E = P);

* se ele afundar, a intensidade da força de empuxo é menor do que a intensidade da força peso (E < P); e

* se ele for levado para a superfície, a intensidade da força de empuxo é maior do que a intensidade da força peso (E > P) .

Para saber qual das três situações irá ocorrer, devemos enunciar o princípio de Arquimedes:

Todo corpo mergulhado num fluido (líquido ou gás) sofre, por parte do fluido, uma força vertical para cima, cuja intensidade é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo.

Seja V f o volume de fluido deslocado pelo corpo. Então a massa do fluido deslocado é dada por:

m f = d f V f

A intensidade do empuxo é igual à do peso dessa massa deslocada:

E = m f g = d f V f g

Para corpos totalmente imersos, o volume de fluido deslocado é igual ao próprio volume do corpo. Neste caso, a intensidade do peso do corpo e do empuxo são dadas por:

P = d c V c g e E = d f V c g

Comparando-se as duas expressões observamos que:

* se d c > d f , o corpo desce em movimento acelerado (F R = P E);

* se d c < d f , o corpo sobe em movimento acelerado (F R = E P);

* se d c = d f , o corpo encontra-se em equilíbrio.

Quando um corpo mais denso que um líquido é totalmente imerso nesse líquido, observamos que o valor do seu peso, dentro desse líquido , é aparentemente menor do que no ar. A diferença entre o valor do peso real e do peso aparente corresponde ao empuxo exercido pelo líquido:

Exemplo:

P aparente = P real - E

Um objeto com massa de 10 kg e volume de 0,002 m 3 é colocado totalmente dentro da água (d = 1 kg/L).

m 3 é colocado totalmente dentro da água (d = 1 kg/L). a) Qual é o

a) Qual é o valor do peso do objeto ?

b) Qual é a intensidade da força de empuxo que a água exerce no objeto ?

c) Qual o valor do peso aparente do objeto ?

d) Desprezando o atrito com a água, determine a aceleração do objeto.

(Use g = 10 m/s 2 .)

Resolução:

a) P = mg = 10.10 = 100N

b)

E = d água V objeto g = 1.000 x 0,002 x 10 E = 20N

c) P aparente = P E = 100 20 = 80N

d) F R = P E a=8,0 m/s 2 (afundará, pois P > E)

Flutuação

Para um corpo flutuando em um líquido, temos as condições a seguir.

1)

2)

3)

4)

Ele encontra-se em equilíbrio:

E = P

O volume de líquido que ele desloca é menor do que o seu volume:

V deslocado < V corpo

Sua densidade é menor do que a densidade do líquido:

d corpo < d líquido

O valor do peso aparente do corpo é nulo:

P aparente = P E = O

A relação entre os volumes imerso e total do corpo é dada por:

Exemplo:

E = P d liquido V imerso g = d corpo V corpo g

 d liquido V imerso g = d corpo V corpo g  Um bloco de

Um bloco de madeira (d c = 0,65 g/cm 3 ), com 20 cm de aresta, flutua na água (d agua = 1,0 g/c 3 ) . Determine a altura do cubo que permanece dentro da água.

Resolução: Como o bloco está flutuando, temos que E = P e , sendo V

Resolução:

Como o bloco está flutuando, temos que E = P e , sendo V = A base h , escrevemos:

que E = P e , sendo V = A b a s e h ,

E = P e , sendo V = A b a s e h , escrevemos:

Como h corpo = 20 cm, então h imerso = 13 cm.

Exercícios:

1. Um corpo está flutuando em um líquido. Nesse caso

(A)

o empuxo é menor que o peso.

(B)

o empuxo é maior que o peso.

(C)

o empuxo é igual ao peso.

(D)

a densidade do corpo é maior que a do líquido.

(E)

a densidade do corpo é igual a do líquido

2. Uma pedra, cuja a massa específica é de 3,2 g / cm 3 , ao ser inteiramente submersa em

determinado líquido, sofre um perda aparente de peso, igual à metade do peso que ela apresenta

fora do líquido. A massa específica desse líquido é, em g / cm 3 ,

(A)

4,8

(B)

3,2

(C)

2,0

(D)

1,6

(E)

1,2

3. Um ovo colocado num recipiente com água vai até o fundo, onde fica apoiado, conforme a

figura . Adicionando-se sal em várias concentrações, ele assume as posições indicadas nas

outras figuras B, C, D e E .

as posições indicadas nas outras figuras B, C, D e E . A situação que indica

A situação que indica um empuxo menor do que o peso do ovo é a da figura

(A)

(B)

(C)

(D)

(E)

A

B

C

D

E

4. Uma esfera maciça e homogênea, de massa específica igual a 2,4 g/cm 3 , flutua mantendo 20%

do seu volume acima da superfície livre de um líquido. A massa específica desse líquido, em g/cm 3 , é igual a

(A)

1,9

(B)

2,0

(C)

2,5

(D)

3,0

(E)

12,0

5. interior de um recipiente encontra-se um corpo em equilíbrio mergulhado num líquido de

densidade 0,8 g/cm

contendo água ( densidade igual a 1g/cm 3 ) podemos afirmar que

3

, conforme a figura. Se este mesmo corpo for colocado em outro recipiente,

Se este mesmo corpo for colocado em outro recipiente, (A) o corpo irá afundar e exercer

(A)

o corpo irá afundar e exercer força no fundo do recipiente.

(B)

o corpo continuará em equilíbrio, totalmente submerso.

(C)

o corpo não flutuará.

(D)

o corpo flutuará com mais da metade do volume submerso.

(E)

o corpo flutuará com menos da metade do volume submerso.

Princípio de Pascal

O princípio físico que se aplica, por exemplo, aos elevadores hidráulicos dos postos de gasolina e ao sistema de freios e amortecedores, deve-se ao físico e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662). Seu enunciado é:

O acréscimo de pressão produzido num líquido em equilíbrio transmite-se integralmente a todos os pontos do líquido.

transmite-se integralmente a todos os pontos do líquido. Blaise Pascal (1623-1662), físico, matemático, filósofo

Blaise Pascal (1623-1662), físico, matemático, filósofo religioso e homem de letras nascido na França.

Consideremos um líquido em equilíbrio colocado em um recipiente. Vamos supor que as pressões hidrostáticas nos pontos A e B (veja a figura) sejam, respectivamente, 0,2 e 0,5 atm.

A e B (veja a figura) sejam, respectivamente, 0,2 e 0,5 atm. Se através de um

Se através de um êmbolo comprimirmos o líquido, produzindo uma pressão de 0,1 atm, todos os pontos do líquido , sofrerão o mesmo acréscimo de pressão. Portanto os pontos A e B apresentarão pressões de 0,3 atm e 0,6 atm, respectivamente.

As prensas hidráulicas em geral, sistemas multiplicadores de força, são construídos com base no Princípio de Pascal. Uma aplicação importante é encontrada nos freios hidráulicos usados em automóveis, caminhões, etc. Quando se exerce uma força no pedal, produz-se uma pressão que

é transmitida integralmente para as rodas através de um líquido, no caso, o óleo.

A figura seguinte esquematiza uma das aplicações práticas da prensa hidráulica: o elevador de

automóveis usado nos postos de gasolina.

o elevador de automóveis usado nos postos de gasolina. O ar comprimido, empurrando o óleo no

O ar comprimido, empurrando o óleo no tubo estreito, produz um acréscimo de pressão (p), que

pelo princípio de Pascal, se transmite integralmente para o tubo largo, onde se encontra o automóvel.

Sendo p 1 = p 2 e lembrando que p = F/A , escrevemos:

=  p 2 e lembrando que  p = F/A , escrevemos: Como A 2

Como A 2 > A 1 , temos F 2 > F 1 , ou seja, a intensidade da força é diretamente proporcional à área do tubo. A prensa hidráulica é uma máquina que multiplica a força aplicada.

Por outro lado, admitindo-se que não existam perdas na máquina, o trabalho motor realizado pela força do ar comprimido é igual ao trabalho resistente realizado pelo peso do automóvel. Desse modo, os deslocamentos o do automóvel e o do nível do óleo são inversamente proporcionais às áreas dos tubos:

t 1 = t 2 è F 1 d 1 = F 2 d 2

Mas na prensa hidráulica ocorre o seguinte:

= F 2 d 2 Mas na prensa hidráulica ocorre o seguinte: Comparando-se com a expressão

Comparando-se com a expressão anterior, obtemos:

= F 2 d 2 Mas na prensa hidráulica ocorre o seguinte: Comparando-se com a expressão
= F 2 d 2 Mas na prensa hidráulica ocorre o seguinte: Comparando-se com a expressão

Exemplo:

Na prensa hidráulica na figura , os diâmetros dos tubos 1 e 2 são , respectivamente, 4 cm e 20 cm. Sendo o peso do carro igual a 10 kN, determine:

cm e 20 cm. Sendo o peso do carro igual a 10 kN, determine: a) a

a) a força que deve ser aplicada no tubo 1 para equlibrar o carro;

b) o deslocamento do nível de óleo no tubo 1, quando o carro sobe 20 cm.

Resolução:

a) A área do tubo é dada por A = R 2 , sendo R o raio do tubo. Como o raio é igual a metade do

diâmetro, temos R 1 = 2 cm e R 2 = 10 cm .

Como R 2 = 5R 1 , a área A 2 é 25 vezes a área A 1 , pois a área é proporcional ao quadrado do raio. Portanto A 2 = 25 A 1 .

Aplicando a equação da prensa, obtemos:

= 25 A 1 . Aplicando a equação da prensa, obtemos:   F 1 =

= 25 A 1 . Aplicando a equação da prensa, obtemos:   F 1 =

F 1 = 400N

b) Para obter o deslocamento d 1 aplicamos:

Exercícios:

Exercícios:   d 1 = 500 cm (5,0 m) 1. Deseja-se construir uma prensa hidráulica

Exercícios:   d 1 = 500 cm (5,0 m) 1. Deseja-se construir uma prensa hidráulica

d 1 = 500 cm (5,0 m)

1. Deseja-se construir uma prensa hidráulica que permita exercer no êmbolo maior uma força de

5,0 x 10 3 N, quando se aplica uma força de 5,0 x 10 N no êmbolo menor, cuja área é de 2,0 x 10 cm 2 . Nesse caso a área do êmbolo maior deverá ser de

(A)

2,0 x 10 cm 2

(B)

2,0 x 10 2 cm 2

(C)

2,0 x 10 3 cm 2

(D)

2,0 x 10 4 cm 2

(E)

2,0 x 10 5 cm 2

2. Numa prensa hidráulica, o êmbolo menor tem área de 10cm 2 enquanto o êmbolo maior tem

sua área de 100 cm 2 . Quando uma força de 5N é aplicada no êmbolo menor , o êmbolo maior move-se. Pode-se concluir que

(A)

a força exercida no êmbolo maior é de 500 N.

(B)

o êmbolo maior desloca-se mais que o êmbolo menor.

(C)

os dois êmbolos realizam o mesmo trabalho.

(D)

o êmbolo maior realiza um trabalho maior que o êmbolo menor.

(E)

O êmbolo menor realiza um trabalho maior que o êmbolo maior

3. Na figura, os êmbolos A e B possuem áreas de 80 cm 2 e 20 cm 2 , respectivamente. Despreze

os peos dos êmbolos e considere o sistema em equilíbrio. Sendo a massa do corpo colocado em A igual a 100 kg, determine:

os peos dos êmbolos e considere o sistema em equilíbrio. Sendo a massa do corpo colocado

a) a massa do corpo colocado em B;

b) qual será o deslocamento do corpo em A se deslocarmos o corpo em B 20 cm para baixo.

4. As áreas dos pistões do dispositivo hidráulico da figura mantêm a relação 50:2. Verifica-se que um peso P, colocado sobre o pistão maior é equilibrado por uma força de 30 N no pistão menor, sem que o nível de fluido nas duas colunas se altere. De acordo com o princípio de Pascal, o peso P vale:

altere. De acordo com o princípio de Pascal, o peso P vale: (A) 20 N (B)

(A)

20 N

(B)

30N

(C)

60 N

(D)

500 N

(E)

750 N

Vasos Comunicantes

Quando dois líqudos que não se misturam (imiscíveis) são colocados num mesmo recipiente, eles se dispõem de modo que o líquido de maior densidade ocupe a parte de baixo e o de menor densidade a parte de cima (Figura 1) . A superfície de separação entre eles é horizontal.

1) . A superfície de separação entre eles é horizontal. Por exemplo, se o óleo e

Por exemplo, se o óleo e a água forem colocados com cuidado num recxipente, o óleo fica na parte superior porque é menos denso que a água, que permanece na parte inferior.Caso os líquidos imiscíveis sejam colocados num sistema constituídos por vasos comunicantes, como um

tubo em U (Figura 2), eles se dispõem de modo que as alturas das colunas líquidas, medidas a partir da superfície de separação, sejam proporcionais às respectivas densidades.

separação, sejam proporcionais às respectivas densidades. Na Figura 2, sendo d 1 a densidade do líquido

Na Figura 2, sendo d 1 a densidade do líquido menos denso, d 2 a densidade do líquido mais denso, h 1 e h 2 as respectivas alturas das colunas, obtemos:

d 1 h 1 = d 2 h 2

Exemplo:Demonstre que líquidos imiscíveis colocados num tubo em U se dispõem de modo que as alturas, medidas a partir da superfície de separação, sejam inversamente proporcionais às respectivas densidades.Resolução:A pressão no ponto A é igual à pressão no ponto B (mesma horizontal e mesmo líquido):

p A = p B

Mas:

 

p A = p ATM + d 1 gh 1

p B = p ATM + d 2 gh 2

Assim:

p ATM + d 1 gh 1 = p ATM + d 2 gh 2

d 1 h 1 = d 2 h 2

Exercício:A figura representa um tubo em forma de U aberto em ambos os extremos, contendo dois líquidos, A e B, que não se misturam . Sendo d A e d B , respectivamente, as

densidades dos líquidos A e B pode-se afirmar que

(A)

(B)

(C)

(D)

(E)

d a = 1,0 d B d a = 0,8 d B d a = 0,5 d B d a = 0,3 d B

d a = 0,1

d

B

(A) (B) (C) (D) (E) d a = 1,0 d B d a = 0,8 d

CAPÍTULO VI

CAPÍTULO VI

BOMBAS CENTRÍFUGAS (01/08) ( 8 páginas )

VI.1. Máquinas Hidráulicas

VI. 1.1. Definição

Máquinas Hidráulicas são máquinas que trabalham fornecendo, retirando ou modificando a energia do líquido em escoamento.

VI.1.2. Classificação

As máquinas hidráulicas podem ser classificadas em:

Máquinas operatrizes - introduzem no líquido em escoamento a energia externa, ou seja, transformam energia mecânica fornecida por uma fonte (um motor elétrico, por exemplo) em energia hidráulica sob a forma de pressão e velocidade (exemplo: bombas hidráulicas);

Máquinas motrizes - transformam energia do líquido e a transferem para o exterior, isto é, transformam energia hidráulica em outra forma de energia (exemplos: turbinas, motores hidráulicos, rodas d’água);

Mistas - máquinas que modificam o estado da energia que o líquido possui (exemplos:

os ejetores e carneiros hidráulicos).

VI.2. Bombas

VI.2.1. Definição

Bombas são máquinas operatrizes hidráulicas que fornecem energia ao líquido com a finalidade de transportá-lo de um ponto a outro. Normalmente recebem energia mecânica e a transformam em energia de pressão e cinética ou em ambas.

VI.2.2. Classificação

As bombas podem ser classificadas em duas categorias, a saber:

Turbo-Bombas, Hidrodinâmicas ou Rotodinâmicas - são máquinas nas quais a movimentação do líquido é desenvolvida por forças que se desenvolvem na massa líquida em conseqüência da rotação de uma peça interna (ou conjunto dessas peças) dotada de pás ou aletas chamada de roto;

Volumétricas ou de Deslocamento Positivo - são aquelas em que a movimentação do líquido é causada diretamente pela movimentação de um dispositivo mecânico da bomba, que induz ao líquido um movimento na direção do deslocamento do citado dispositivo, em quantidades intermitentes, de acordo com a capacidade de armazenamento da bomba, promovendo enchimentos e esvaziamentos sucessivos, provocando, assim, o deslocamento do líquido no sentido previsto.

São exemplos de bombas rotodinâmicas as conhecidíssimas bombas centrífugas e de bombas volumétricas as de êmbolo ou alternativas e as rotativas (Figura VI.1).

Figura VI.1 - Esquemas de bombas volumétricas VI.2.3. Bombas Centrífugas VI.2.3.1. Definição Bombas Centrífugas

Figura VI.1 - Esquemas de bombas volumétricas

VI.2.3. Bombas Centrífugas

VI.2.3.1. Definição

Bombas Centrífugas são bombas hidráulicas que têm como princípio de funcionamento a força centrífuga através de palhetas e impulsores que giram no interior de uma carcaça estanque, jogando líquido do centro para a periferia do conjunto girante.

VI.2.3.2. Descrição

Constam de uma câmara fechada, carcaça, dentro da qual gira uma peça, o rotor, que é um conjunto de palhetas que impulsionam o líquido através da voluta (Figura VI.2). O rotor é fixado no eixo da bomba, este contínuo ao transmissor de energia mecânica do motor. A carcaça é a parte da bomba onde, no seu interior, a energia de velocidade é transformada em energia de pressão, o que possibilita o líquido alcançar o ponto final do recalque. É no seu interior que está instalado o conjunto girante (eixo-rotor) que torna possível o impulsionamento do líquido.

Figura VI.2 - Voluta em caracol A carcaça pode ser do tipo voluta ou do

Figura VI.2 - Voluta em caracol

A carcaça pode ser do tipo voluta ou do tipo difusor. A de voluta é a mais comum podendo ser

simples ou dupla (Figura VI.3). Como as áreas na voluta não são simetricamente distribuídas em

torno do rotor, ocorre uma distribuição desigual de pressões ao longo da mesma. Isto dá origem

a uma reação perpendicular ao eixo que pode ser insignificante quando a bomba trabalhar no

ponto de melhor rendimento, mas que se acentua a medida que a máquina sofra redução de vazões, baixando seu rendimento. Como conseqüência deste fenômeno temos para pequenas vazões, eixos de maior diâmetro no rotor. Outra providência para minimizar este empuxo radial

é a construção de bombas com voluta dupla, que consiste em se colocar uma divisória dentro da

própria voluta, dividindo-a em dois condutos a partir do início da segunda metade desta, ou seja,

a 180 o do início da "voluta externa", de modo a tentar equilibrar estas reações duas a duas, ou minimizar seus efeitos.

estas reações duas a duas, ou minimizar seus efeitos. Figura VI.3 - Voluta dupla Para vazões

Figura VI.3 - Voluta dupla

Para vazões médias e grandes alguns fabricantes optam por bombas de entrada bilateral para equilíbrio do empuxo axial e dupla voluta para minimizar o desequilíbrio do empuxo radial. A carcaça tipo difusor não apresenta força radial, mas seu emprego é limitado a bombas verticais

tipo turbina, bombas submersas ou horizontais de múltiplos estágios e axiais de grandes vazões.

A carcaça tipo difusor limita o corte do rotor de modo que sua faixa operacional com bom

rendimento, torna-se reduzida.

BOMBAS CENTRÍFUGAS (02/08) ( 8 páginas )

VI.2.3.3. Classificação

A literatura técnica sobre classificação de bombas é muito variada, havendo diferentes interpretações conceituais. Aqui apresentamos uma classificação geral que traduz, a partir de pesquisas bibliográficas e textos comerciais, nossa visão sobre o assunto.

Quanto a altura manométrica (para recalque de água limpa):

o

baixa pressão (H £ 15 mca);

o

média pressão (15 < H < 50 mca);

o

alta pressão (H ³ 50 mca).

(OBS: Para recalques de esgotos sanitários, por exemplo, os limites superiores podem ser significativamente menores.

Quanto a vazão de recalque:

pequena (Q £ 50 m 3 /hora);

média ( 50 < Q < 500 m 3 /hora);

grande (Q ³ 500 m 3 /hora).

Quanto à direção do escoamento do líquido no interior da bomba:

o

radial ou centrífuga pura, quando o movimento do líquido é na direção normal ao eixo da bomba (empregadas para pequenas e médias descargas e para qualquer altura manométrica, porém caem de rendimento para grandes vazões e pequenas alturas além de serem de grandes dimensões nestas condições);

o

diagonal ou de fluxo misto, quando o movimento do líquido é na direção inclinada em relação ao eixo da bomba (empregadas em grandes vazões e pequenas e médias alturas, estruturalmente caracterizam-se por serem bombas de fabricação muito complexa);

o

axial ou helicoidais, quando o escoamento desenvolve-se de forma paralela ao eixo e são especificadas para grandes vazões - dezenas de m 3 /s - e médias alturas - até 40 m (Figura VI.4);

Figura VI.4 - Bomba axial: cortes  Quanto à estrutura do rotor (Figura VI.5): o

Figura VI.4 - Bomba axial: cortes

Quanto à estrutura do rotor (Figura VI.5):

o

aberto (para bombeamentos de águas residuárias ou bruta de má qualidade);

o

semi-aberto ou semi-fechado (para recalques de água bruta sedimentada);

o

fechado (para água tratada ou potável) .

Figura VI.5 - Tipos de rotores  Quanto ao número de rotores: o estágio único

Figura VI.5 - Tipos de rotores

Quanto ao número de rotores:

o

estágio único;

o

múltiplos estágios (este recurso reduz as dimensões e melhora o rendimento, sendo empregadas para médias e grandes alturas manométricas como, por exemplo, na alimentação de caldeiras e na captação em poços profundos de águas e de petróleo, podendo trabalhar até com pressões superiores a 200 kg/cm 2 , de acordo com a quantidade de estágios da bomba.

Quanto ao número de entradas:

o

sucção única, aspiração simples ou unilateral (mais comuns);

o

sucção dupla, aspiração dupla ou bilateral (para médias e grandes vazões).

Quanto a admissão do líquido:

o

sucção axial (maioria das bombas de baixa e média capacidades);

o

sucção lateral (bombas de média e alta capacidades);

o

sucção de topo (situações especiais);

o

sucção inferior (bombas especiais).

Quanto a posição de saída:

o

de topo (pequenas e médias);

o

lateral (grandes vazões)

o

inclinada (situações especiais).

o

vertical (situações especiais).

Quanto a velocidade de rotação:

o

baixa rotação ( N < 500rpm);

o

média ( 500 £ N £ 1800rpm);

o

alta ( N > 1800rpm).

OBS: As velocidades de rotação tendem a serem menores com o crescimento das vazões de

projeto, em função do peso do líquido a ser deslocado na unidade de tempo. Pequenos equipamentos, trabalhando com água limpa, têm velocidades da ordem de 3200rpm. Para recalques de esgotos sanitários, por exemplo, em virtude da sujeira abrasiva na massa líquida, os limites superiores podem ser significativamente menores: N < 1200rpm.

Quanto à posição na captação (Figura VI.6):

o

submersas (em geral empregadas onde há limitações no espaço físico - em poços profundos por exemplo);

o

afogadas (mais frequentes para recalques superiores a 100 l/s);

o

altura positiva (pequenas vazões de recalque).

Quanto à posição do eixo (Figura VI.6)

o

:eixo horizontal (mais comuns em captações superficiais);

o

eixo vertical (para espaços horizontais restritos e/ou sujeitos a inundações e bombas submersas em geral).

e/ou sujeitos a inundações e bombas submersas em geral). Figura VI.6 - Bomba de eixo vertical

Figura VI.6 - Bomba de eixo vertical submersa

Quanto ao tipo de carcaça:

o

compacta;

o

bipartida (composta de duas seções separadas, na maioria das situações, horizontalmente a meia altura e aparafusadas entre si);

A Figura VI.7 mostra um corte esquemático de uma bomba centrífuga típica de média pressão para pequenas vazões e para funcionamento afogado ou com altura positiva, eixo horizontal e carcaça compacta, fluxo radial com rotor fechado em monoestágio de alta rotação, sucção única, entrada axial e saída de topo.

Figura VI.7 - Corte esquemático de uma bomba centrífuga típica BOMBAS CENTRÍFUGAS (03/08) ( 8

Figura VI.7 - Corte esquemático de uma bomba centrífuga típica

BOMBAS CENTRÍFUGAS (03/08) ( 8 páginas )

VI.2.3.4. Grandezas características

Uma bomba destina-se a elevar um volume de fluido a uma determinada altura, em um certo intervalo de tempo, consumindo energia para desenvolver este trabalho e para seu próprio movimento, implicando, pois, em um rendimento característico. Estas, então, são as chamadas grandezas características das bombas, isto é, Vazão Q, Altura manométrica H, Rendimento e Potência P.

VI.2.3.5. Altura manométrica ou Carga - H

Altura manométrica de uma bomba é a carga total de elevação que a bomba trabalha. É dada pela expressão

H = h s + h fs + h r + h fr + (v r 2 /2g)

onde:

Eq. 1

H = altura manométrica total; h s = altura estática de sucção; h fs = perda de carga na sucção (inclusive NPSH r ); h r = altura estática de recalque; h fr = perda de carga na linha do recalque; v r 2 /2g = parcela de energia cinética no recalque (normalmente desprezível em virtude das aproximações feitas no cálculo da potência dos conjuntos elevatórios (Figura VI.8).

Figura VI.8 - Elementos da altura manométrica VI. 2.3.6. Rendimentos VI. 2.3.6.1. Perdas de Energia

Figura VI.8 - Elementos da altura manométrica

VI.

2.3.6. Rendimentos

VI.

2.3.6.1. Perdas de Energia

A quantidade de energia elétrica a ser fornecida para que o conjunto motor-bomba execute o recalque, não é totalmente aproveitada para elevação do líquido, tendo em vista que não é possível a existência de máquinas que transformem energia sem consumo nesta transformação. Como toda máquina consume energia para seu funcionamento, então, haverá consumo no motor, na transformação da energia elétrica em mecânica e na bomba na transformação desta energia mecânica em hidráulica (Figura VI.9)

VI.2.3.6.2. Rendimentos da bomba - b

Rendimento de uma bomba é a relação entre a potência fornecida pela bomba ao líquido (potência útil) e a cedida a bomba pelo eixo girante do motor (potência motriz). Uma bomba recebe energia mecânica através de um eixo e consume parcela desta energia no funcionamento de suas engrenagens, além do que parte da energia cedida pelo rotor ao líquido perde-se no interior da própria bomba em conseqüência das perdas hidráulicas diversas, da recirculação e dos vazamentos, de modo que só parte da energia recebida do motor é convertida em energia hidráulica útil.

e dos vazamentos, de modo que só parte da energia recebida do motor é convertida em

Figura VI.9 - Esquema das demandas de energia nos conjuntos

A relação entre a energia útil, ou seja, aproveitada pelo fluido para seu escoamento fora da

bomba (que resulta na potência útil) e a energia cedida pelo rotor é denominada de rendimento hidráulico interno da bomba. A relação entre a energia cedida ao rotor e a recebida pelo eixo da bomba é denominada de rendimento mecânicoda bomba. A relação entre a energia útil, ou seja, aproveitada pelo fluido para seu escoamento fora da bomba (potência útil) e a energia inicialmente cedida ao eixo da bomba é denominada rendimento hidráulicototal da bomba e é

simbolizada por b (Tabela VI.1).

Tabela VI.1 - Rendimentos hidráulicos aproximados das bombas centrífugas Q (l/s) 5,0 7,5 10 15
Tabela VI.1 - Rendimentos hidráulicos aproximados das bombas centrífugas
Q (l/s)
5,0
7,5
10
15
20
25
30
40
50
80
100
200
b (%)
55
61
64
68
72
76
80
83
85
86
87
88

A relação entre a energia cedida pelo eixo do motor ao da bomba (que resulta na potência

motriz) e a fornecida inicialmente ao motor é denominada de rendimento mecânicodo motor, m (Tabela VI.2). A relação entre a energia cedida pelo rotor ao líquido (que resulta na potência de elevação) e a fornecida inicialmente ao motor é chamada de rendimento total. É o produto b . m = . Este rendimento é tanto maior quanto maior for a vazão de recalque para um mesmo tipo de bomba.

Tabela VI.2 - Rendimentos mecânicos médios CV 1 2 3 5 6 7,5 10 15
Tabela VI.2 - Rendimentos mecânicos médios
CV
1
2
3
5
6
7,5
10
15
%
72
75
77
81
82
83
84
85
CV
20
30
40
60
80
100
150
250
%
86
87
88
89
89
90
91
92

VI. 2.3.7. Potência solicitada pela bomba - P b

Denomina-se de potência motriz (também chamada de potência do conjunto motor-bomba) a potência fornecida pelo motor para que a bomba eleve uma vazão Q a uma altura H. Nestes termos temos:

P b = (Q . H) / ). , onde

Eq. VI.2

P b = potência em Kgm/s,

= peso específico do líquido.

Q

= vazão em m 3 /s,

H

= altura manométrica,

= rendimento total ( = b .m ).

 

Se quisermos expressar em cavalos-vapor - CV (unidade alemã)

P b = (Q . H) / (75 . ).,

Eq. VI. 3

ou em horse-power - HP (unidade inglesa) . P b = (Q . H) / (76 . ).

Eq.VI.4

Nota: Embora sendo 1CV 0,986HP, esta diferença não é tão significativa, pois a folga final dada ao motor e o arredondamento para valores comerciais de potência praticamente anulam a preocupação de se trabalhar com CV ou HP. Como é aproximadamente igual 1000 Kg/m 3 para água, então podemos empregar

P b = (Q . H) / (75 . ) ,

para Q em litros por segundo. VI.2.3.8. Curvas características da bomba

Eq. VI.5

É a representação gráfica em um eixo cartesiano da variação das grandezas características (Figura VI.10).

da variação das grandezas características (Figura VI.10). Figura VI.10 - Representação gráfica de uma curva

Figura VI.10 - Representação gráfica de uma curva característica

De acordo com o traçado de H x Q as curvas características podem ser classificadas como:

flat - altura manométrica variando muito pouco com a variação de vazão;

drooping - para uma mesma altura manométrica podemos ter vazões diferentes;

steep - grande diferença entre alturas na vazão de projeto e a na vazão zero (ponto de shut off );

rising - altura decrescendo continuamente com o crescimento da vazão.

As curvas tipo drooping são ditas instáveis e são próprias de algumas bombas centrífugas de alta rotação e para tubulações e situações especiais, principalmente em sistemas com curvas de encanamento acentuadamente inclinadas. As demais são consideradas estáveis, visto que estas para cada altura corresponde uma só vazão, sendo a rising a de melhor trabalhabilidade (Figura VI.11).

Figura VI.11 - Tipos de curvas características VI. 2.3.9. Associação de bombas A) Associações típicas

Figura VI.11 - Tipos de curvas características

VI. 2.3.9. Associação de bombas

A) Associações típicas

Dependendo da necessidade física ou da versatilidade desejada nas instalações elevatórias o projetista pode optar por conjuntos de bombas em série ou em paralelo. Quando o problema é de altura elevada geralmente a solução é o emprego de bombas em série e quando temos que trabalhar com maiores vazões a associação em paralelo é a mais provável. Teoricamente temos que bombas em série somam alturas e bombas em paralelo somam vazões. Na prática, nos sistemas de recalque, isto dependerá do comportamento da curva característica da bomba e da curva do encanamento, como estudaremos adiante.

Para obtermos a curva característica de uma associação de bombas em série somamos as ordenadas de cada uma das curvas correspondentes. Exemplo: se quisermos a curva de duas bombas iguais dobram-se estas ordenadas correspondentes a mesma vazão. Quando a associação é em paralelo somam-se as abcissas referentes a mesma altura manométrica. Nesta situação para duas bombas iguais dobram-se as vazões correspondentes (Figura VI.12).

Figura VI.12 - Curvas características de associações de duas bombas iguais B) Bombas em paralelo

Figura VI.12 - Curvas características de associações de duas bombas iguais

B) Bombas em paralelo

É comum em sistemas de abastecimento de água, esgotamento ou serviços industriais, a instalação de bombas em paralelo,

principalmente com capacidades idênticas, porém não exclusivas. Esta solução torna-se mais viável quando a vazão de projeto for

muito elevada ou no caso em que a variação de vazão for perfeitamente predeterminada em função das necessidades de serviço.

No primeiro caso o emprego de bombas em paralelo permitirá a vantagem operacional de que havendo falha no funcionamento em uma das bombas, não acontecerá a interrupção completa e, sim, apenas uma redução da vazão bombeada pelo sistema. No caso de apenas uma bomba aconteceria a interrupção total, pelo menos temporária, no fornecimento. Na segunda situação a associação em paralelo possibilitará uma flexibilização operacional no sistema, pois como a vazão é variável poderemos retirar ou colocar bombas em funcionamento em função das necessidades e sem prejuízo da vazão requerida.

A associação de bombas em paralelo, no entanto requer precauções especiais por parte do projetista. Algumas "lembranças" são

básicas para se ter uma boa análise da situação, como por exemplo, quando do emprego de bombas iguais com curvas estáveis:

Vazão - uma bomba isolada sempre fornecerá mais vazão do que esta mesma bomba associada em paralelo com outra igual porque a variação na perda de carga no recalque é diferente (V. estudo de curvas do sistema);

NPSH r - este será maior com uma só bomba em funcionamento, pois neste caso a vazão de contribuição de cada bomba será maior que se a mesma estiver funcionando em paralelo;

Potência consumida - este item dependerá do tipo de fluxo nas bombas, onde temos para o caso de fluxo radial potência maior com uma bomba, fluxo axial potência maior com a associação em completo funcionamento e, no caso de fluxo misto, será necessário calcularmos para as diversas situações para podermos indicar o motor mais adequado.

Para outras situações, como nos casos de associação com bombas diferentes, sistemas com curvas variáveis, bombas com curva drooping, por exemplo, as análises tornam-se mais complexas, mas não muito difíceis de serem desenvolvidas.

C) Bombas em série

Quando a altura manométrica for muito elevada, devemos analisar a possibilidade do emprego de bombas em série, pois esta solução poderá ser mais viável, tanto em termos técnicos como econômicos. Como principal precaução neste tipo de associação, devemos verificar se cada bomba a jusante tem capacidade de suporte das pressões de montante na entrada e de jusante no interior da sua própria carcaça. Para melhor operacionalidade do sistema é aconselhável a associação de bombas idênticas, pois este procedimento flexibiliza a manutenção e reposição de peças.

D)

Conclusões

Diante da exposição anterior podemos concluir que:

 

o

na associação em paralelo devemos trabalhar com bombas com características estáveis, que o diâmetro de recalque seja adequado para não gerar perdas de carga excessivas e que a altura manométrica final do sistema nunca ultrapasse a vazão zero de qualquer uma das bombas associadas (V. curvas do sistema);

o

na associação em série selecionar bombas de acordo com as pressões envolvidas;

e, no geral,

 

o

selecionar bombas iguais para facilitar a manutenção;

o

indicar motores com capacidade de atender todos pontos de trabalho do sistema;

o

no caso de ampliações, conhecimento prévio das curvas das bombas e do sistema em funcionamento.

E) Recomendações técnicas especiais

Para projetos de elevatórias recomenda-se que, no caso de associações em paralelo, o número fique limitado a três bombas com curvas iguais e estáveis. Se houver necessidade do emprego de um número maior ou de conjuntos diferentes, devemos desenvolver um estudo dos pontos de operação, tanto nas sucções como no ponto (ou nos pontos!) de reunião no recalque, principalmente para que não hajam desníveis manométricos que prejudiquem as hipóteses operacionais inicialmente previstas.

Quanto ao posicionamento das sucções apresentamos na Figura VI.13, algumas situações recomendadas para instalações bem como outras não recomendadas, mas que freqüentemente são encontradas por falta de uma orientação técnica conveniente.

por falta de uma orientação técnica conveniente. Figura VI.13 - Arranjos de sucções Exemplo VI.1 Dado
por falta de uma orientação técnica conveniente. Figura VI.13 - Arranjos de sucções Exemplo VI.1 Dado

Figura VI.13 - Arranjos de sucções

Exemplo VI.1

Dado que a equação hipotética de uma bomba centrífuga "A" é H = 70,00 - 0,00625 x Q 2 desenhar as curvas (a) característica da bomba A, (b) de duas bombas A em série e (c) de duas bombas A em paralelo.

Solução:

(a)

Arma-se uma tabela com os diversos valores de H encontrados a partir da equação H = 70,00 - 0,00625 x Q 2 , correspondentes aos valores de Q variando de 10 em 10 l/s (Q de 10 a 100 l/s) e organizamos a tabela mostrada a seguir e colocamos estes valores em

um gráfico plano de H em função de Q, como na figura esquematizada abaixo da tabela.

Vazão Q (l/s)

Altura H (m)

0

70,00

10

69,38

20

67,50

30

64,38

40

60,00

50

54,38

60

47,50

70

39,38

80

30,00

90

19,38

100

7,50

70 39,38 80 30,00 90 19,38 100 7,50 Curva da bomba A (b) Idem para a

Curva da bomba A

(b)

Idem para a equação H = 2 x (70,00 - 0,00625 x Q 2 );

Idem para a equação H = 2 x (70,00 - 0,00625 x Q 2 ); (c)

(c) Idem para H = 70,00 - 0,00625 x (Q/2) 2 com Q variando de 10 a 200l/s.

Curva das associações das bombas A + A e A//A VI. 2.3.10. Série homóloga É

Curva das associações das bombas A + A e A//A

VI. 2.3.10. Série homóloga

É o conjunto de bombas de tamanhos diferentes porém com as mesmas proporções, geometricamente semelhantes. Em uma série

desta natureza temos:

semelhantes. Em uma série desta natureza temos: . onde: D = diâmetro do rotor, H =
semelhantes. Em uma série desta natureza temos: . onde: D = diâmetro do rotor, H =
.
.

onde:

D

= diâmetro do rotor,

H

= altura manométrica,

N

= velocidade de rotação,

P

= potência,

Q

= vazão.

Eqs. VI.6

Estas expressões indicam que um acréscimo no diâmetro, mantendo-se a velocidade constante, elevará a altura na razão do quadrado dessa variação, a vazão no cubo e a potência requerida na quinta, o que pode trazer problemas para o motor caso o mesmo não tenha nominalmente capacidade suficiente. De modo análogo variações na velocidade de rotação alteram linearmente a vazão, a altura na razão do quadrado do produto N x D e a potência exigida no cubo daquela variação.

VI.2.3.11. Velocidade específica

É aquela que uma série homóloga teria para elevar na unidade de tempo, a uma altura unitária, um volume unitário de água com o

máximo rendimento:

um volume unitário de água com o máximo rendimento: ou se de aspiração dupla e "i"

ou

um volume unitário de água com o máximo rendimento: ou se de aspiração dupla e "i"

se de aspiração dupla e "i" estágios.

Eq. VI.7

Se N s 80 radial;

Se 80 N s 150 diagonal;

Se N s 150axial.

Observamos, pois, que a determinação da velocidade específica permite a identificação da bomba quanto ao escoamento interno e que é uma grandeza muito importante para o fabricante deste tipo de equipamento. Veremos, também, que ela é significativa no estudo da cavitação.

VI. 2.4. Cavitação

VI. 2.4.1. Descrição do fenômeno

Como qualquer outro líquido, a água também tem a propriedade de vaporizar-se em determinadas condições de temperatura e pressão. E assim sendo temos, por exemplo, entra em ebulição sob a pressão atmosférica local a uma determinada temperatura, por exemplo, a nível do mar (pressão atmosférica normal) a ebulição acontece a 100 o C. A medida que a pressão diminui a temperatura de ebulição também se reduz. Por exemplo, quanto maior a altitude do local menor será a temperatura de ebulição (V. Tabela 4). Em consequência desta propriedade pode ocorrer o fenômeno da cavitação nos escoamentos hidráulicos.

Chama-se de cavitação o fenômeno que decorre, nos casos em estudo, da ebulição da água no interior dos condutos, quando as condições de pressão caem a valores inferiores a pressão de vaporização. No interior das bombas, no deslocamento das pás, ocorrem inevitavelmente rarefações no líquido, isto é, pressões reduzidas devidas à própria natureza do escoamento ou ao movimento de impulsão recebido pelo líquido, tornando possível a ocorrência do fenômeno e, isto acontecendo, formar-se-ão bolhas de vapor prejudiciais ao seu funcionamento, caso a pressão do líquido na linha de sucção caia abaixo da pressão de vapor (ou tensão de vapor) originando bolsas de ar que são arrastadas pelo fluxo. Estas bolhas de ar desaparecem bruscamente condensando-se, quando alcançam zonas de altas pressões em seu caminho através da bomba. Como esta passagem gasoso- líquido é brusca, o líquido alcança a superfície do rotor em alta velocidade, produzindo ondas de alta pressão em áreas reduzidas. Estas pressões podem ultrapassar a resistência à tração do metal e arrancar progressivamente partículas superficiais do rotor, inutilizando-o com o tempo.

Quando ocorre a cavitação são ouvidos ruídos e vibrações característicos e quanto maior for a bomba, maiores serão estes efeitos. Além de provocar o desgaste progressivo até a deformação irreversível dos rotores e das paredes internas da bomba, simultaneamente esta apresentará uma progressiva queda de rendimento, caso o problema não seja corrigido. Nas bombas a cavitação geralmente ocorre por altura inadequada da sucção (problema geométrico), por velocidades de escoamento excessivas (problema hidráulico) ou por escorvamento incorreto (problema operacional).

VI. 2.4.2. NPSH

Em qualquer cálculo de altura de sucção de bombas tem de ser levada em consideração que não deve ocorrer o fenômeno da cavitação e, para que possamos garantir boas condições de aspiração na mesma, é necessário que conheçamos o valor do NPSH (net positive suction head). O termo NPSH (algo como altura livre positiva de sucção) comumente utilizado entre os fornecedores, fabricantes e usuários de bombas pode ser dividido em dois tipos: o requerido (NPSH r ) e o disponível (NPSH d ).

O NPSH r é uma característica da bomba e pode ser determinado por testes de laboratório ou cálculo hidráulico, devendo ser

informado pelo fabricante do equipamento. Podemos dizer que NPSH r é a energia necessária para o líquido ir da entrada da bomba e, vencendo as perdas dentro desta, atingir a borda da pá do rotor, ponto onde vai receber a energia de recalque, ou seja, é

a energia necessária para vencer as perdas de carga desde o flange de sucção até as pás do rotor, no ponto onde o líquido recebe o incremento de velocida-de. Em resumo NPSH r é a energia do líquido que a bomba necessita para seu funcionamento interno. Normalmente, o NPSH r é fornecido em metros de coluna de água (mca).

O NPSHr pode ser calculado através da expressão:

NPSHr = . H man

Eq. VI.8

onde o coeficiente de cavitaçãopode ser determinado pela expressão .( N s ) 4/3 , sendo um fator de cavitação que corresponde aos seguintes valores:

o

para bombas radiais 0,0011;

o

diagonais 0,0013;

o

axiais 0,00145.

O NPSHd é uma característica do sistema e define-se como sendo a disponibilidade de energia que um líquido possui, num ponto imediatamente anterior ao flange de sucção da bomba, acima de sua tensão de vapor. Pode ser calculado através da expressão:

NPSHd = h s + [(P atm - h v ) /  - h fs

Eq. VI.9

Em resumo, o NPSH d é a energia disponível que possui o líquido na entrada de sucção da bomba. Portanto os fatores que influenciam diretamente o NPSH são a altura estática de sucção, o local de instalação, a temperatura de bombeamento e o peso específico, além do tipo de entrada, diâmetro, comprimento e acessórios na linha de sucção que vão influenciar nas perdas de carga na sucção.

Para que não ocorra o fenômeno da cavitação, é necessário que a energia que o líquido dispõe na chegada ao flange de sucção, seja maior que a que ele vai consumir no interior da bomba, isto é, que o NPSH disponível seja maior que o NPSH requerido, NPSH d NPSH r . Teoricamente é recomendado uma folga mínima de 5%, ou seja, NPSH d 1,05 x NPSH r , sendo esta folga limitada a um mínimo de 0,30m, isto é, 1,05 x NPSH r NPSH r + 0,30m.

VI. 2.4.3. Altura de sucção

Chama-se de altura de sucção a diferença entre as cotas do eixo da bomba e o nível da superfície livre da água a ser elevada, quando a água na captação está submetida a pressão atmosférica. Neste caso é função da pressão atmosférica do local (Tabela 3). Na realidade a altura de sucção não é limitada somente pela pressão atmosférica local, mas, também, pelas perdas de carga pelo atrito e pela turbulência ao longo da sucção e no interior da bomba até que o líquido receba a energia do rotor e, além disso, pela necessidade de evitar a cavitação. Como as condições de pressão atmosférica variam de acordo com a altitude do local e as de pressão de vapor com a temperatura do fluido a recalcar, os fabricantes não têm condições de fornecer a altura de sucção da bomba, mas devem apresentar a curva de variação do NPSHr, determinada nos laboratórios da indústria (V. Exemplo de cálculo na página seguinte).

VI. 2.4.4. Vórtice

Denomina-se de vórtice o movimento em espiral gerado a partir da superfície livre de um líquido quando este escoa por um orifício, quando este orifício encontra-se a uma profundidade inferior a um determinado limite. Como a entrada de água na sucção de um bombeamento assemelha-se a situação descrita, caso não sejam tomadas precauções, poderá haver condições favoráveis ao aparecimento do problema. O crescimento contínuo do vórtice pode dar origem a entrada de ar no interior da bomba provocando cavitação no interior da mesma. Portanto o dimensionamento poços de sucção deve ser efetuado de modo a impedir a entrada de ar nas instalações. Algumas recomendações são básicas para se evitar o fenômeno, a saber:

o

o

bocal de entrada da tubulação de sucção deve distar das paredes pelo menos duas vezes o diâmetro e

submerso em pelo menos três vezes (mínimo de 0,50m);

o

o

bocal deve ter forma alargada (boca de sino) quando não existir válvula de ou crivo e folga mínima para o

fundo do poço de 0,5 a 1,5 vezes diâmetro da sucção;

o

a largura (ou diâmetro) do poço de sucção multiplicada pela profundidade do líquido acima do bocal equiavala

a uma área, no mínimo, 10 vezes maior que a seção horizontal do mesmo poço;

o

a velocidade de aspiração seja inferior as da Tabela VI.5.

VI. 2.4.5. Escorvamento

Escorvar uma bomba é encher de líquido sua carcaça e toda a tubulação de sucção, de modo que ela entre em funcionamento sem possibilidade de bolhas de ar em seu interior. No caso de bombas com sucção positiva este escorvamento é mantido com a utilização das válvulas de pé, principalmente em sucções com diâmetros inferiores a 400mm, sendo o enchimento executado através do copo de enchimento para pequenas bombas e de by pass na válvula de retenção no recalque. Para grandes instalações recorrem-se às bombas de vácuo ou ejetores. Para grandes valores de NPSHr utilizam-se instalações com bombas afogadas ou submersas, onde temos o chamado auto-escorvamento .

VI.2.4.6. Precauções contra o aparecimento de cavitação

Para evitar que aconteça cavitações nas instalações de bombeamento alguns procedimentos são elementares, tanto na fase de projetos como na de operação, a saber:

o

tubulação de sucção a mais curta possível;

o

escorvamento completo;

o

NPSH d NPSH r + 0,30m;

o

medidas antivórtices;

o

limitação da velocidade máximade aspiração em função do diâmetro (Tabela VI.5);

o

indicação clara da posição de abertura e de fechamento das peças especiais;

o

ligeira inclinação ascendente em direção à entrada da bomba nos trechos horizontalizados (para facilitar o deslocamento das bolhas de ar na fase de escorvamento);

o

conecção da sucção com a entrada da bomba através de uma redução excêntrica (também para facilitar o escorvamento);

o

não projetar registros nas sucções positivas;

o

emprego de crivos ou telas na entrada da sucção;

o

emprego de válvula de retenção nas sucções positivas;

Tabela VI.5 - Máximas velocidades de sucção

Diâmetro (mm)

Diâmetro (mm) Velocidade máxima (m/s)

Velocidade máxima (m/s)

Velocidade máxima (m/s)

Exemplo VI.2 (adaptado de Macintyre)

50

0,75

75

1,10

100

1,30

150

1,45

200

1,60

250

1,60

300

1,70

400

1,80

Calcular a máxima altura estática de aspiração de uma bomba com rotor de entrada bilateral, com dois estágios, a 1150rpm, devendo elevar 80 l/s de água a 60 o C, a 40m de altura manométrica. São, ainda, conhecidos as seguintes informações:

o

pressão atmosférica local, P atm = 0,98kgf/cm 2 ;

o

energia cinética, v 2 / 2g = 0,12m;

o

perda de carga na sucção, h fs = 1,30 mca.

Solução:

a) dados pesquisados para água a 60 o C

o

pressão de vapor, h v, 60 = 0,203 kgf/cm 2 ,

o

peso específico = 983 kgf/m 3

h v = (0,203 kgf.cm -2 / 983 kgf.m -3 ) x 10 000 = 2,07 mca e P atm = (0,98 / 983) x 10 000 = 9,97 mca;

b) expressão para cálculo

h s,máx = P atm - (h fs + v 2 /2g + h v + NPSH r )

c) definição do NPSH r

o

o

rotação específica N s = 1 150 x [ (0,08 / 2) 1/2 / (40 / 2) 3/4 ] = 25,5 bomba radial;

coeficiente de cavitaçãos = .( N s ) 4/3 , onde j é o fator de cavitação que correspondente ao valor para uma bomba radial = 0,0011

 = . ( N s ) 4/3 = 0,0011 x 25,5 4/3 = 0,0825;

o

altura diferencial de pressão NPSH r =  H = 0,0825 x 40 = 3,30 mca.

d) máxima altura estática de aspiração

h s,máx = 9,97- (1,30 + 0,12 + 2,07+ 3,30) = 3,18 m.

Tabela VI.3 - Pressão atmosférica em função da altitude

Altitude

Coluna de água

local (m)

equivalente a pressão atmosférica (m)

-500

0

10,960

10,332

500 9,734

1000 9,165

1500 8,623

2000 8,107

2500 7,616

3000 7,150

3500 6,708

4000 6,288

4500 5,889

5000 5,511

TABELA VI. 4 - Tensão de vapor e densidade da água com a temperatura

Temperatura

(°C)

Tensão de vapor

mm Hg

kg/cm 2

Densidade

0

4,56

0,0062

0,9998

5

6,50

0,0084

1,0000

10

9,19

0,0125

0,9997

15

12,7

0,0174

0,9991

20

17,4

0,0238

0,9982

25

23,6

0,0322

0,9970

30

31,5

0,0429

0,9967

35

41,8

0,0572

0,994

40

54,9

0,0750

0,9922

45

71,4

0,0974

0,9901

50

92,0

0,1255

0,9880

55

117,5

0,1602

0,9867

60

148,8

0,2028

0,9832

65

186,9

0,2547

0,9811

70

233,1

0,3175

0,9788

75

288,5

0,3929

0,9759

80

354,6

0,4828

0,9728

85

433,0

0,5894

0,9693

90

525,4

0,7149

0,9653

95

633,7

0,8620

0,9619

100

760,0

1,0333

0,9584

105

906,0

1,2320

0,9549

110

1075,0

1,4609

0,9515

115

1269,0

1,7260

0,9474

120

1491,0

2,0270

0,9430