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AUTONOMIA E REFORMISMO

POR PAULO ARANTES

O discurso autonomista está na moda entre os movimentos políticos marginais.


Passou a ser chique se dizer autonomista, anarquista e outros istas por aí. O
autonomismo é um filho bastardo do obreirismo1. Na verdade, a diferença entre
obreirismo e autonomismo é praticamente inexistente. O autonomismo tende, em certas
circunstancias, a se tornar um reformismo. É este autonomismo reformista – que não
expressa todas as tendências autonomistas – que queremos abordar aqui.

O autonomismo reformista contemporâneo tem uma forte influência do chamado


“pós-modernismo”. Criando o reboquismo2 ou o seguidismo. Estas tendências não
ultrapassam o nível das lutas dos trabalhadores, ficam presos nas lutas cotidianas, ao
invés de ir além delas e se anulam e fazem de sua concepção teórica e política um recuo
e assim reproduzem as práticas burguesas do movimento operário e não ultrapassam o
nível do reformismo com discurso revolucionário.

O novo surge, nessa concepção, da reprodução do velho e não da gestação do


novo. Pensam que o novo pode surgir apenas do proletariado, dos trabalhadores
massacrados pelo capitalismo e que qualquer interferência é nefasta, menos a deles, que
fica no campo da própria classe cotidiana e limitada, caindo assim no reformismo
autonomista.

Assim, temos o proletariado não como classe revolucionária por sua posição nas
relações de produção, o processo de exploração e alienação a que está submetido e, por
isso, é uma classe negativa, que nega isso e que realiza esta negação de forma efetiva
nos dias de luta revolucionária. Os autonomistas reformistas se limitam a pensar a

1
Por obreirismo se entenda a tendência de determinadas correntes de esquerda, tal como setores do
autonomismo italiano e português, em fazer o culto do trabalhador e de uma mística autonomia operária,
abstraindo a luta de classes, e demais tendências e pressões sociais sobre os trabalhadores, o que servem
para se omitirem das lutas operárias, para se integrar nelas através do seguidismo ou então ficar apenas na
discussão teórica e cultuando um proletário que irá autonomamente e isoladamente se libertar.
2
Veja Nildo Viana. Manifesto Autogestionário.
classe tal como existe, esperando dela um milagre que a fará revolucionária e enquanto
isso não podemos antecipá-la, apenas acompanhá-la.

É a ideia do proletariado-messias3. Uma visão religiosa do proletariado e não é


sem motivo que muitos se aproximam de cultura indígena ou religiões e misticismo para
fundar sua seita semi-religiosa do proletariado. Esses autonomistas não conseguem
explicar nada sobre como esse proletariado divinizado não realizou a tão sonhada
revolução apesar de já existir há séculos e ter tido oportunidade para isso.

Os autonomistas reformistas pensam no proletariado afirmativo, orgulhoso e que


se identifica consigo mesmo. Ao invés de pensar como Marx, que o proletariado é
revolucionário quando realiza a negação do capital, o que significa negação de si
mesmo, já que abole o capital, a base de sua existência e da burguesia, gerando o
comunismo, o proletariado negativo, pensam o proletariado positivo, adaptado à
sociedade burguesa e fazendo reivindicações assimiláveis por tal sociedade.

Ao contrário do proletariado positivo dos autonomistas reformistas e positivistas,


é necessário resgatar o proletariado negativo, dos comunistas autogestionários. O
proletariado é o sujeito revolucionário, mas só quando deixa de ser reformista e passa a
ser revolucionário, uma obviedade que os autonomistas reformistas evitam e alguns
tentam resolver dizendo que o proletariado cotidiano, positivo, integrado no
capitalismo, reformista, se transformará em revolucionário com o passar do tempo,
embora o tempo passa e eles nunca se tornam isso. Sem dúvida, uma visão mística, já
esboçada por Rosa Luxemburgo, e desenvolvida por místicos de esquerda que, na falta
de pensar uma ação revolucionária embasada no materialismo histórico, prefere lançar-
se de joelhos aos instintos das massas.

Essa nova ideologia de esquerda, deve ser criticada e superada para o bem do
movimento revolucionário, já que tais tendências tendem a reforçar as forças
reformistas e burocráticas. As lutas operárias cotidianas não são lutas revolucionárias e

3
Há todo um debate sobre isso, com as infelizes investidas de John Holoway, Mudar o mundo sem tomar
o poder. Gorz iniciou, de forma limitada e com equívocos, a crítica a esse messianismo obreirista em
Adeus ao Proletariado.
embora tendam a se tornar revolucionária 4, isso só ocorre com o tempo e as lutas
travadas e, nesse sentido, as lutas cotidianas devem ser superadas por lutas
revolucionárias e essa passagem não é automática e sim produto da luta, que envolve
todos, inclusive os revolucionários.
Superar o autonomismo reformista é uma tarefa atual do movimento revolucionário!!

Revista Formação – Publicação do Coletivo Autogestão Comunista - Ano 1, Número 01, Outubro de
2009

4
Veja sobre isso Karl Jensen, “Os limites do autonomismo”.