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PROC. Nº TST-ED-AIRR-2.403/2001-462-02-40.5

fls.1

PROC. Nº TST-ED-AIRR-2.403/2001-462-02-40.5

  

A C Ó R D Ã O
6ª Turma
MGD/rmc/md

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. A omissão apta


a justificar a interposição de embargos de declaração apenas
se configura quando o julgador deixa de se manifestar acerca
das matérias alegadas no recurso anteriormente interposto. Se
a decisão embargada não padece dos vícios discriminados nos
arts. 897-A da CLT e 535 do CPC, impõe-se o desprovimento dos
embargos. Embargos de declaração desprovidos.

 
 

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Embargos de Declaração


em Agravo de Instrumento em Recurso de Revista TST-ED-AIRR-2.403/2001-
462-02-40.5, em que é Embargante SIDNEY SANTIAGO e Embargado BASF S.A.

 
A Sexta Turma, por intermédio do acórdão de fls. 92-95, negou
provimento ao agravo de instrumento interposto pelo Reclamante.
O Reclamante interpõe embargos de declaração às fls. 99-100, em que
aponta omissão no acórdão embargado.
Em mesa para julgamento.
É o relatório.

V O T O

I) CONHECIMENTO
 
Atendidos os pressupostos recursais, CONHEÇO dos embargos de
declaração.
 

 
 
II) MÉRITO

O Reclamante aponta omissão no acórdão embargado, aduzindo que esta


Turma deveria ter reconhecido o vínculo empregatício em virtude de ter
prestado serviços, como -vendedor no ramo de móveis-, na atividade fim
da Reclamada (fl. 100).
Como se observa do acórdão Regional, não houve discussão do tema -
atividade-fim da Reclamada- e seu devido prequestionamento, verbis:
 

-Dizendo que não foi reconhecido o vínculo de emprego por suposta inexistência de
subordinação, mas que sempre esteve vinculado à recorrida e sujeito aos requisitos do artigo
3º da Consolidação das Leis do Trabalho, que o contrato de representação foi uma forma de
ludibriar a legislação em vigência e que sua inscrição no CORCESP se deu em 01/08/2000,
pretende o reclamante a reforma da sentença.
Inicialmente, constata-se pelos documentos de fls.90 que o reclamante vinculou-se à
recorrida através da empresa Santiago & Santiago S/C Ltda, através de Contrato de
Representação Comercial e que foi rescindido conforme documentos de fls. 91-92.
O Contrato de Representação Comercial foi firmado entre agentes capazes, na forma
prescrita em lei e com objeto lícito, o que não implica em fraude à legislação consolidada
como alega o autor.
Certo é que a linha divisória entre o contrato de representação comercial e o de emprego é
bastante tênue e, assim, para a caracterização da relação empregatícia necessária prova
segura e inequívoca da existência de subordinação e demais requisitos previstos no artigo 3º
da Consolidação das Leis do Trabalho e em sua concomitância.
No caso, porém, a prova documental trazida aos autos evidencia o desenvolvimento da
relação civil entre a recorrida e a empresa do recorrente como pactuado e, assim, ao
reclamante incumbia provar os pressupostos legais do vínculo de emprego o que, entretanto,
não fez, na forma do que dispõe o inciso I, do artigo 333 do Código de Processo Civil e
artigo 818 da Consolidação das Leis do Trabalho, já que a prova oral produzida não indica
estivessem presentes os requisitos legais à configuração do vínculo perseguido na inicial.
Ademais, restou provado que na condição de representante comercial era paga à empresa do
reclamante apenas as comissões pelas vendas feitas (fls. 93-97), não havendo pagamento de
salários.
Também, não se verifica estivesse presente a subordinação jurídica a configurar a relação
empregatícia, como bem observado pelo MM. Juízo de origem, tanto que deixaram claro as
testemunhas do recorrente que não tinha ele horário fixo para comparecer na recorrida e que
as discussões em eventuais reuniões estavam limitadas a preços das mercadorias e assuntos
pertinentes a clientes.
E, mais. Deixou claro a testemunha da recorrida que a carteira de clientes foi formada pelo
próprio reclamante, o que bem demonstra a autêntica autonomia na prestação de serviços,
não se podendo, portanto, acolher a alegação de que foi a R. Sentença proferida lastreada em
`suposta inexistência de subordinação-.
Quanto à previsão contida no contrato de representação de comunicação à reclamada quando
da contratação de prepostos pelo autor, não significa qualquer subordinação, já que o
representado tem o direito de tomar conhecimento de quem irá representa-lo.
Ainda, o fato de ter o recorrente obtido registro no CORCESP apenas em 01/04/2000 e não
ter inscrição no CNPJ, tratam-se de questões não analisadas no R. Julgado recorrido, como
reconhecido nas próprias razões de recurso e, assim, não servem a justificar o inconformismo
demonstrado pelo autor. De qualquer forma, restou provado que mesmo sem aquele registro e
sem a inscrição no órgão oficial, desenvolveu o autor suas atividades como pactuadas.
Quanto à exclusividade nas vendas e até mesmo a intervenção de elementos credenciados
pela ré previstos no Contrato, não servem à configuração do vínculo de emprego, já que se
tratam de condições previstas no próprio contrato de representação e, até mesmo na alínea `j-,
do art. 27 da Lei nº 4.886/65. Aliás, a respeito, clara a lição do MM. Juiz Francisco Antonio
de Oliveira:
`REPRESENTANTE COMERCIAL / RELAÇÃO DE EMPREGO
O fato de prestar informações, participar de reuniões, ter zona exclusiva para vendas e
exercer o trabalho com pessoalidade são fatores encontráveis também nas exigências da Lei
nº 4.886/65 que rege o trabalho do representante comercial autônomo. O autônomo corre o
risco do seu próprio empreendimento, recebendo apenas sobre as vendas efetuadas, não
assegurando à empresa qualquer valor fixo. A subordinação do empregado é a de todos os
momentos, não só quanto a produção e produtividade, mas também quanto às horas
trabalhadas em cada dia do mês. (TRT 2ª Reg. - RO 02990335131 - Ac. 20000379055 - 5ª T -
Rel. Juiz Francisco Antônio de Oliveira - DOESP 04.08.2000)- (g.n.).
Ainda, quanto a reportar-se a determinados empregados da reclamada, como aduzido no
apelo, não descaracteriza o Contrato de Representação Comercial Autônoma, já que o
resultado do serviço prestado deve ser levado ao conhecimento da empresa contratante, do
que talvez não tenha o autor se apercebido.
Assim, e tendo sido desenvolvido o contrato como firmado e, não tendo vindo aos autos
prova de que presentes estavam os requisitos legais à configuração do vínculo de emprego e
nem mesmo de que firmada a contratação em fraude à lei, não há como ser acolhido o apelo,
restando mantido o R. Julgado de origem como proferido- (fls. 51-53).

Como se vê, constata-se que o Reclamante promove verdadeira inovação


recursal em sede de embargos de declaração, porquanto argumenta que a
caracterização da natureza jurídica da empresa Reclamada quando não
existiu nenhum debate a respeito do tema no Regional.
A fundamentação recursal, portanto, não se insere em quaisquer dos
vícios justificadores para a interposição do presente recurso, nos
termos dos arts. 897-A da CLT e 535 do CPC.

As argüições da parte, portanto, refletem tão-somente insurgência do


Reclamante quanto ao decidido, não revelando omissão ou quaisquer
outros vícios que pudessem justificar a interposição de embargos de
declaração, nos termos dos arts. 897-A da CLT e 535 do CPC.
Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO aos embargos de declaração.
 

ISTO POSTO

 
ACORDAM os Ministros da Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
por unanimidade, negar provimento aos embargos de declaração.

Brasília, 29 de outubro de 2008.

 
 
 

MAURICIO GODINHO DELGADO

Relator
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