Vous êtes sur la page 1sur 4

P á g i n a

|

1

O ENGAJAMENTO DA IGREJA

Mateus 5.1-16

Durante muito tempo, prevaleceu a mentalidade equivocada e alienante de que a Igreja não devia se envolver com as questões sociais e políticas.

Ainda hoje, muitos insistem que a missão da Igreja é apenas evangelizar. A ação social e a participação política são incompatíveis com a missão da Igreja, afirmam.

Porém, quando a missão da Igreja é concebida em toda a sua plenitude, isto implica, inevitavelmente, no questionamento, denúncia e desestabilização das ideologias, estruturas e sistemas que se opõem ao projeto de justiça idealizado por Deus. Não há, portanto, incompatibilidade.

O evangelho de Cristo não tem como não ser, em certo sentido, social e político, uma

vez que considera o homem em sua totalidade e no contexto em que vive. Mas é preciso entender que as transformações sociais não acontecem por acaso, nem são alcançadas somente com oração; demandam também um engajamento efetivo do povo de Deus.

E é precisamente isto que se espera de todos aqueles que oram: "venha a nós o teu

reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu". "Engajamento" é uma

palavra que tem várias aplicações. O sentido em que estará sendo usada nesse texto,

é o de uma tomada de posição ativa nos problemas sociais e políticos do tempo em que vivemos.

O Cristianismo não se limita a práticas cultuais e devocionais. A fé cristã tem também

uma dimensão profética e social. Entretanto, o engajamento da Igreja não pode ser determinado pelas plataformas político-partidárias, mas pelos inegociáveis e imutáveis

valores do Reino de Deus.

1 - O ENGAJAMENTO DA IGREJA TEM POR BASE A CRENÇA EM UM DEUS LIBERTADOR

O Deus em quem cremos e a quem servimos, não é conivente com as estruturas opressoras. O Êxodo é a mais clara confirmação desta verdade (Êx 3.7-10).

O Ministro Anglicano Andrew Kirk afirma o seguinte: "O Deus que se apresenta no

Êxodo trabalha ativamente para revelar quem é: um Deus absolutamente político. ( ) No ato de libertar Israel do Egito, Deus põe em movimento uma nova forma de vida. Ele pronuncia um não retumbante à realidade política do Egito - tanto em relação ao

seu sistema político, quanto aos meios empregados pelos líderes para alcançar seus propósitos".

Os profetas do Antigo Testamento foram figuras incômodas, pois denunciavam as injustiças e exortavam de forma implacável os opressores (Is 10.1,2; Am 4.1; Mq 2.1,2). É simplesmente impossível crer em um Deus libertador e, ao mesmo tempo, assumir uma postura de passividade ante as inúmeras formas de injustiça atualmente estabelecidas. A fé cristã é revolucionária, pois não se conforma, busca sempre a transformação (Rm 12.1,2).

Quando a Igreja toma consciência de que o Deus da Bíblia é um Deus libertador, ela assume a sua condição de agência de transformação histórica e começa a incomodar.

www.semeandovida.org

P á g i n a

| 2

2 – O ENGAJAMENTO DA IGREJA TRANSCENDE O NÍVEL POLÍTICO-PARTIDÁRIO

A Igreja não é um partido político e o Evangelho por ela anunciado também não se reduz a um programa social e político. É muito mais do que isso.

Percebe-se, por parte de muitos evangélicos hoje, uma aspiração messiânica no sentido de implantar uma ditadura evangélica (que seja apoiada pela Igreja, evidentemente), colocando nas várias esferas do poder homens "crentes": vereadores, prefeitos, deputados e, se possível, até o presidente.

Pode ser um banho de água fria nesses sonhadores, mas cremos que se tal projeto algum dia se concretizar, poderá vir a ser um engodo para a Igreja, com terríveis consequências para o Evangelho.

Esta fascinação pelo poder pode esconder em seu bojo a tentação de impor o Evangelho de cima para baixo e, seguramente, esse não é o caminho. A própria História atesta que a Igreja não deve cobiçar o poder. Como instituição, ela não pode hastear bandeiras partidárias visando chegar ao poder.

Esta não é a sua missão. O seu compromisso básico é com o Reino de Deus. Fomos chamados para ser sal da terra e luz do mundo. Isto não impede, evidentemente, que evangélicos postulem os cargos políticos.

Muito pelo contrário, devem se candidatar e devem ser apoiados, desde que, além de crentes também sejam competentes e tenham vocação política. Porém, isso não pode acontecer como um projeto da Igreja no sentido de se organizar uma "tomada" do poder pelos evangélicos.

No livro "Fé Cristã e Compromisso Social" (Edições Paulinas), os autores Pierre Bigo e Fernando Bastos de Ávila, apresentam a seguinte orientação sobre a relação Igreja e Política: "Não lhe compete (à Igreja) descerão nível político-partidário, no qual se confrontam interesses de grupos ou opções livres que não comprometem valores propriamente morais. Ela não pode descer a este nível porque suas posições dividiriam os cristãos com opiniões e preferências políticas, legítimas, muitas vezes, mas opostas".

Igreja que se vende ou se rende a partido, é igreja partida.

3 - ESTRATÉGIAS PARA O ENGAJAMENTO DA IGREJA

O testemunho dos cristãos - O texto de Mateus 5.1-16 fala, entre outras coisas, de fome e sede de justiça, perseguição por causa da justiça

São usadas as figuras do sal e da luz a fim de mostrar que a maneira mais eficaz para a Igreja marcar presença e transformar a sociedade, é o testemunho, o estilo de vida de seus membros.

Um engajamento só de discurso não produzirá nada. Andrew Kirk fala de dois tipos de envolvimento: "um deles é o envolvimento nas estruturas da sociedade; o outro é o que se efetua por intermédio do nosso exemplo como indivíduos ou como

comunidades cristãs. (

próprio local de trabalho, onde talvez tenhamos uma atuação mais viva" (I Pe 2.11 -

Nosso envolvimento ativo na sociedade pode acontecer no

)

17).

www.semeandovida.org

P á g i n a

| 3

A intercessão dos cristãos - Eu diria que nós precisamos politizar mais as nossas orações. Por exemplo: em vez de simplesmente orarmos para o irmão conseguir um emprego, deveríamos clamar a Deus fervorosamente contra esse modelo econômico que produz o desempregado.

Por ocasião da votação de questões importantes será que a Igreja se põe em oração? A questão das reformas tem sido alvo de nossas orações? Temos realizado vigílias de oração em favor da agilização da Reforma Agrária?

O profeta Ezequiel afirma que Deus procura intercessores atentos à situação

sociopolítica do país (Ez 22.23-31). Será que temos sido esses intercessores? A Bíblia

recomenda a intercessão em favor das autoridades (II Tm 2.1,2).

Como temos entendido esta recomendação? A oração em favor dos vocacionados para a política deve ser feita com o mesmo interesse com que oramos por missionários, por exemplo.

A ação social dos cristãos - Quando a Igreja faz, a sua voz se torna mais ouvida e respeitada (At 2.42-47).

"A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de

nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta" (Série

LAUSANNE, vol. 4, ABU/ Visão Mundial).

Na Consulta Internacional realizada em Grand Rapids em 1982, sob a presidência de

John Stott, foi apresentado um chamado à responsabilidade social, tendo em vista as necessidades atuais, onde um quinto da raça humana não tem as condições básicas para sobreviver e milhares de pessoas morrem de fome todos os dias.

O documento chama a atenção ainda para o seguinte:

"milhares de outras pessoas não têm onde morar, não têm roupas nem água limpa ou cuidados médicos: não têm oportunidades nas áreas de educação e emprego e estão condenadas a levar uma existência miserável, sem qualquer possibilidade de promoção pessoal para si mesmas ou para suas famílias.

Essas pessoas podem ser descritas como 'oprimidas' pela desigualdade econômica brutal de que são vítimas e pelos diversos sistemas econômicos que provocam e perpetuam

essa situação. Outras sofrem opressão política. (

ainda são vítimas de discriminação por causa de sua raça ou

Outras

)

sexo. (

)

Somente o evangelho pode transformar o coração do

homem.

Nada pode tornar um povo mais humano do que a influência do evangelho. Mas não podemos nos limitar à proclamação verbal. Além da evangelização mundial, o povo de Deus deve se comprometer profundamente com a assistência social, o auxílio, o desenvolvimento e a busca da justiça social e da paz"

(Série LAUSANNE, vol. 2, ABU/Visão Mundial).

www.semeandovida.org

P á g i n a

| 4

É preciso entender, porém, que a ação social responde às necessidades imediatas; ela não toca nas causas do problema. Aí começa um outro tipo de ação, como veremos a seguir.

A participação política dos cristãos - Os cristãos também têm a responsabilidade de agir contra as causas que geram os problemas acima mencionados (Is 1.17). Esta ação se dá através das vias políticas.

É através do sindicato, das associações comunitárias, dos movimentos estudantis, dos partidos políticos etc., que se dá a participação política. E esse tipo de ação tão necessária é a que vai confrontar e lutar para reverter as causas geradoras dos males sociais. A participação política se dá não só nas ocasiões de eleições, e também não se limita apenas a votar ou ser eleito. Ela demanda um envolvimento efetivo e contínuo.

Certamente, o momento histórico que temos vivido desafia e exige dos cristãos um engajamento mais efetivo, mais visível, mais consequente, mais bíblico, pois, "aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisso está pecando" (Tg 4.17).

DISCUSSÃO

1 - Porque os evangélicos são tão pouco engajados em relação às questões sociais e políticas?

2 - Que critérios o cristão deve utilizar para filiar-se a um partido político?

AUTOR: REV. ENEZIEL PEIXOTO DE ANDRADE

www.semeandovida.org