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Organização

Ana Maria Jacó-Vilela Arfhur Arruda Leal Ferreira Francisco Teixeira Portugal

História da Psicologia:

rumos e percursos

Capítulo 11 0 behaviorismo: uma proposta de estudo do comportamento

Carlos Renato Xavier Cançado Paulo Guerra Soares Sérgio Dias Cirino

Nos Estados Unidos do final do século XIX, dois pontos dc vista

sc mostravam fortes na psicologia: o funcionalismo de William James {cf.

capítulo 7) e o estruturalismo de Edward Titchener {cf capítulo 5). As principais universidades de psicologia dos Estados Unidos nessa época eram Cornell e Harvard, onde ensinavam, respectivamente, Titchener e James. Apesar dc as propostas de ambos serem conceitualmcnte diferentes, elas sc aproximavam em um aspecto: consideravam a consciência corno o objeto de estudo da psicologia.

Nesse período, os estudos de psicologia nos Estados Unidos sc conso- lidavam cada vez mais. JAMES MAR K BALDWIN C William James publicaram diversos artigos importantes. E os avanços não se restringiram apenas a

publicações. Em 1888, James McKeen Cattcll, da Universidade da Pensilvânia, tornou-se o primeiro professor a lecionar

formalmente a disciplina de psicologia em território estadunidense. Em 1892, foi criada a American Psychological Association (APA) e dois anos mais

tarde , foi fundad o

um dos principais periódicos sobre psicologia do inundo, que continua sendo publicado ale os dias atuais.

Um dos estudiosos mais desta- cados da época era EDWARD LEE

THORNDIKE, da Escola Funcionalista

dc Golumbia {cf.' capítulo 7), um dos

JAMES MARK

BALDWIN

(1861-1934; .

Seu s principais

estudos sobre, psicologia foram realizados a partir da última década do século XIX . Baldwin foi uma figura importante 110 estudo do desenvolvimento mental de crianças, tendo realizado ele mesmo, pela primeira vez na história da psicologia, experimentos utilizando crianças como sujeitos. Também foi um dos primeiros psicólogos a aplicar a teoria da evolução dc Darvvin às suas teorias do desenvolvimento.

EDWAR!)

I.EE

THORNDIKE

(1874-1949 ;

trabalhou ,

inicialmente, com galinhas, 110 porão da casa dc William James. Após um período em Boston, Thorndike se dirige, com o auxílio de James Cattcll (1860-1944), para a Universidade dc Golumbia (Nova York), onde realiza seu doutoramento em 1899, com a famosa dissertação Inteligência animal: um estudo experimental dos pio( tMvs u.Muciativox nos animais.

o

P.rpchobgical Rernew,

179

primeiros psicólogos a ter sua formação inteira realizada nos Estados Unidos. Ele foi um dos pioneiros na realização de experimentos controlados com descrição detalhada das atividades dos animais sem se deter na introspecção como abordagem. Por meio desses experimentos, Thorndike formula a "Lei do Efeito". Tal proposição afirma que

das varias respostas emitidas para a mesma situação, aquelas que torem concomitantes ou acompanhadas por satisfação para o animal irão, mantidas as mesmas condições, se tornar mais firmemente conectadas a esta situação, dessa forma, quando essa ocorrer novamente, [as respostas] terão mais chance de ocorrer novamente; aquelas que são concomitantes ou acompanhadas por desconforto para o animal irão, mantidas as mesmas condições, ter as suas conexões com esta situação enfraquecida, dessa forma, quando ela ocorrer novamente, fas respostas] terão menos chances de ocorrer novamente (Thorndike, 1911: 244).

Os estudos de Thorndike foram de grande influência para os pensadores

da

psicologia, principalmente os estadunidenses, na área de educação. Segundo

o

autor, "assim como a ciência c a agricultura dependem da química e da

botânica, a educação depende da psicologia e da filosofia" (Thorndike, 1910:

6). Dessa forma, a psicologia buscaria auxiliar os processos educacionais atuando em quatro tópicos principais: objetivos, materiais, meios e métodos.

Para investigar tais tópicos, seriam propostas duas linhas de trabalho: descobrir

e implementar maneiras de se mensurar as funções intelectuais; e estudar

diversas etnias, ambos os sexos, idade, diferenças individuais c outros elementos que facilitassem a compreensão do indivíduo

Apesar de fazer uso de experimentos controlados c de trabalhar com dados empíricos, Thorndike foi criticado, posteriormente, por utilizar termos ainda mentalistas como "satisfação" e "desconforto" cm suas explicações. Tais explicações, contudo,, eram cada vez menos aceitas por um determinado grupo de autores que buscavam alternativas aos modelos mentalistas e introspeccionistas na psicologia. Essa busca crescente culminou no surgimento de uma nova maneira de se pensar e se trabalhar a psicologia:

O BEHAVIORISMO.

BIHUVIORISM, rnn inglês , gorou o termo DIUIAVIOUISMO, consagrado na língua portuguesa, aparecendo nos dicionários iriais recentes publicados no Brasil. Optou-se, no presente capítulo, pela utilização do termo behaviorismo, ivm português encontram-se também os termos comportanientalismo e comportamentismo.

180

O "manifesto behaviorista" 6 os primórdios de uma ciência do comportamento

O que precisamos fazer é começar a trabalhar na psicologia fazendo do comportamento, e não da consciência, o ponto objetivo do nosso ataque. Watson* 1913

A frase acima, proferida pelo psicólogo estadunidense JOH N BROADUS WATSO N cm seu manifesto de 1913 , " A psicologia como o behaviorista ave"

uiiua

[Psycholagy as tlie behaviorist views ü), exemplifica a form a

como esse autor pensa a psicologia. O interesse, de. Watson era o estudo do comportamento. Ele propõe que. a psicologia seja uma ciência

empírica e que leve a generalizações amplas sobre o comportamento huma- no, mantendo-se a uniformidade do procedimento experimental, para que os experimentos dos psicólogos possam, assim como os dos físicos c químicos, ser replicados em qualquer laboratório. Os experimentos desenvolvidos nos tradicionais

JOH N

UROADI'S

WATSON

(1878-1958) matriculou-se, em 1894, na Universidade de Furman. Km 1903, Watson se torna a mais jovem pessoa

a se. doutorar na Universidade de Chicago. Em 1913, publica o artigo "À psicologia como o behaviorista a vê", cjuc ficou conhecido como o ''manifesto behaviorista" e no qual delimitava o campo v, psicologia deveria focar seus estudos. Dois anos mais tarde, é eleito presidente da Associação Americana de Psicologia (APA). Após alguns desentendimentos com a Universidade Johns Hopkirisi onde lecionava, Watson c afastado e passa a concentrar sua atenção nos estudos de publicidade e propagan- da.

laboratórios de psicologia tinham como função detectar processos e conteúdos mentais que estivessem envolvidos na percepção > na memória etc., c não verificar o modo como o ser humano responde a situações em um ambiente complexo. Para Watson, conceitos como imaginação, julgamento e raciocínio não deveriam ser tomados como objetos de estudo pela ciência da psicologia. Da mesma forma, tais

conceitos já vinham servindo de base explicativa por cientistas das tradicionais abordagens de psicologia até então. A primeira fase do trabalho de Watson é marcada por um grande interesse na psicologia animal. Defendendo o uso de sujeitos

animais no estudo do comportamento, ele enfatizava as vantagens de sua utilização em detrimento do uso cie sujeitos humanos. O trabalho com animais visa responder a perguntas (hipóteses) que poderiam ser GENERALIZADAS ao comportamento humano. Neste aspecto, a psicologia animal (ç/f capítulo 6) se torna o modelo para os estudos do comportamento. Porém, preocupado em dar ao behaviorismo um valor

O

conceit o

de

GKNERAUZAÇAO

implica a realização do mesmo procedimento empírico com outros sujeitos da cxpfõc em questão ou com sujeitos de outras espécies. Só quando da replicação dos resultados - pela realização do mesmo procedimento metodològíco^xpcrimcntal ou de procedimento análogo - com sujeitos da mesma espécie (replicação direta) ou com sujeitos de outras espécies (replicação sistcmáxica) pode-se talai em generalização dos resultados.

181

prático, que ultrapassasse as barreiras dos laboratonos acadêmicos, Watson estende seus estudos aos sujeitos humanos, apresentando no livro A psicologia do ponto de vista de um bekaviorisla, talvez o mais importante de sua carreira, sua proposta de psicologia como uma ciência natural independente. Mais tarde, na década de 1920, o interesse do autor muda para o estudo de crianças. Watson propôs que, ao nascer, a criança conta com apenas três reações básicas: amor, raiva e medo. Por meio dessas reações, o ambiente seria responsável pela formação dos hábitos. Segundo o autor, as pessoas,

ao entrarem em contato com o ambiente que as cerca

interno (músculos, glândulas etc.) quanto o externo (os objetos do mundo exterior) —, aprendem a responder aos estímulos particulares do mesmo. Quando exposta à mesma situação novamente, a pessoa realiza as mesmas ações de forma mais rápida c com a necessidade de menos movimentos diz-se que a pessoa formou um hábito para lidar com essa situação (Watson, 1924:

200). Em Os cuidados psicológicos com a criança, de 1928 - um livro de estrondoso

sucesso , Watson apresentava um sistema para a criação de filhos baseado no comportamcntalismo. Ele aconselha os pais a incentivarem os filhos desde cedo a superarem as pequenas dificuldades do ambiente sem a ajuda de adultos. De acordo com o método de criação apresentado por Watson, os pais deveriam dispensar aos filhos apenas poucas demonstrações de afeto, no sentido de controlar o comportamento da criança. Essa postura, segundo Skinner (1959), levou a que Watson se arrependesse publicamente do livro, pois "ele alertava os pais sobre a demonstração incondicional de afeto". Durante a realização de suas pesquisas com bebes, envolveu-se com sua assistente, Rosalic Rayner, o que causou um grande escândalo, pois Watson, casado, teve que se divorciar de sua esposa. Pela grande repercussão do caso, foi afastado dajohns Ilopkins Univcrsity, onde então lecionava. Watson destacou-se também na área de publicidade. Após seu afastamento da universidade, foi contratado por uma grande empresa de propaganda, e seus estudos na área de predição e controle do comportamento foram bem recebidos no mundo dos negócios. Para ele, o trabalho da propaganda era simplesmente atingir o medo, a raiva ou o amor e influenciar, dessa forma, uma necessidade psicológica. Valendo-se disso, o autor iniciou os processos de pesquisa na área da publicidade, afirmando que a melhor maneira de alcançar um comprador é conhecê-lo, e a única maneira de fazer isso é pesquisando. Watson torna-se, mais tarde, vice-presidente da empresa que o contratou, trabalhando na área alé sua aposentadoria.

tanto o ambiente

182

Mesmo dedicando a maior parte de seu tempo ao estudo da propagan- da, Watson não deixou de escrever sobre psicologia. Em seu livro de 1924, Behamorism, o autor contextualiza e define o behaviorismo não como um sistema de psicologia, mas como urna aproximação metodológica aos problemas da mesma. Watson considerava o comportamento como um campo de estudo muito novo, e que concepções como "mente" e "consciência" ainda não haviam sido abolidas dc outros campos do saber, como a filosofia, por exemplo. Além disso, apresenta conceitos como "estímulo" e "resposta", mostrando como uma resposta pode ser condicionada a um estímulo específico, que tipos dc resposta podemos apresentar, e dedica algumas páginas para tratar dos reflexos condicionados, estudados por Ivan P. Pavlov (çf capítulo 10), que foi um dos maiores influcnciadorcs de seu trabalho a partir de 1916. Em 1957, foi homenageado pela Associação Americana de Psicologia (APA) como um dos autores mais importantes da história da psicologia moderna. No ano seguinte Watson falece, aos 80 anos.

Uma abordagem funcional do comportamento: o conceito de operante

Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez, são modificados pelas conseqüências dc suas ações.

Skinner, 1957: 15

A presente citação, retirada do livro O comportamento verbal, de BURRIIUS FREDERI C SKINNER , faz referência a um pont o central n o sistema de pensamento proposto por esse autor: o comportamento operante.

11 K SKINNER (1904-1990) graduou-se em inglcs no Hamilton College C decidiu seguir a carreira de escritor. Após algumas tentativas frustradas, a escrita, como atividade profissional, foi deixada dc lado. Skinner ingressou no curso dc psicologia da Universidade de Harvard em 1928 e doutorou-se cm 1931. Permaneceu nessa instituição como pesquisador até 1936, ano em que começou a lecionar psicologia na Universidade de Minnesota. Em 1917, retornou à Harvard como pYofèfesór. Permaneceu nessa instituição como profcssor-pesqnisador até sua aposentadoria, cm 1974. Publicou vários livros, sendo os mais importantes: O comf)orUimento dos organismos (1938), Walden U (1948), Ciência e comportamento humano \ 1953), O comportamento verbal (1957), Para além da liberdade da dignidade (1971) e Sobre o behaviommn (1974). Essas obras revelam a posição teórica do autor, bem ronio as mudanças pelas quais passou seu pensamento.

At.£ o início da década de 1930, em parte da psicologia estadunidense, a ênfase explicativa dada ao comportamento dos organismos ora era feita com base na concepção mentalista da psicologia - ou seja, fazendo-se referência àquilo que estaria ocorrendo em sua mente ora utilizando-se a noção de reflexos, esta última proposta por Pavlov e apropriada pela psicologia

183

behaviorista de Watson. Da mesma forma, a Lei do Efeito elaborada por Thorndike influía na compreensão dos atos do indivíduo, embora tal proposta teórica tenha sido criticada por Watson por referir-se a sentimentos e estados mentais quando da explicação do comportamento. O contexto acadêmico da época foi marcado por uma fase conhecida como a "crise da física clássica", que alterou a maneira de pensar a ciência em

todas as suas formas. O sistema determinista, que atribuía relações estritas entre

as causas e os efeitos nos fenômenos naturais, sofria várias críticas desde muito antes da crise. Ernst Mach (1838-1916), físico austríaco, defendia o abandono das explicações de causalidade mecânica utilizadas pela física newtoniana, em favor da adoção dc RELAÇÕES FUNCIONAIS entre os fatos. Dessa forma,

atribuições a mecanicistas de causa

e efeito foram gradativamente perdendo espaço para as descrições funcionais entre fatos. Um exemplo disso é a teoria da relatividade geral de Albert Einstein (1879-1955), que, em 1915, formula uma teoria da gravitação mais abrangente que a de Newton.

RIII-AÇôiüS FUNCIONAIS, no caso do comportamento, sã o

descrições dc relações (seja entre aspectos do ambiente ou entre o ambiente e o organismo) nas quais um dos eventos (ou variáveis) altera-se em função de modificações no ontro. Não se trata mais dc explicações substanciais ou deterministas. A partir de uma análise dos latos relacionados, busca-se a descrição da relação através dc uma função matemática. Chamam-se variável dependente aqueles aspectos da relação sobre os quais obscrva-sc um efeito de manipulaçao prévia ou alteração em outra variável a variável independente a ela relacionada. A Análise tio Comportamento tem como variável dependente o próprio comportamento e comO variáveis independentes quaisquer condições que afetem o comportamento de um organismo (Skinner, 2000 [1953]; Catania, 1999).

Inlluenciado por essa concepção funcional dc Mach, bkinnerpropoc um sistema no qual as explicações dadas para o comportamento do organismo em termos de causa e efeito são

substituídas por descrições dc relações funcionais entre as alterações ambientais

e

o comportamento. Esse sistema englobava dois tipos de condicionamento:

o

qtie chamou tipo S y ou condicionamento reflexo já estudado por Pavlov e

Watson, e o que chamou tipo R, no qual se torna uma conseqüência contingente

a uma resposta, o que já havia sido trabalhado por Thorndike, como vimos

acima, üs resultados de Skinner em suas pesquisas sobre o comportamento

reordenavam as considerações feitas sobre esse objeto de estudo até então.

O comportamento dos organismos não seria influenciado apenas por

alterações ambientais antecedentes, como proposto pela psicologia estímulo- resposta, baseada no paradigma reflexo. Grande parte do comportamento seria influenciada por suas conseqüências. Um organismo, ao comportar-se, produz modificações no ambiente que, por sua vez, alteram a forma como o

indivíduo se comporta. É neste sentido que, na perspectiva skinncriana, pode-

se dizer que o organismo produz o meio que o determina.

Proposto formalmente no ano de 1937, quando Skinner publica o artigo "Dois tipos dc reflexo condicionado: uma resposta a Konorski e Miller", o

conceito dc OPERANTE marca a distinção em lace de uma psicologia proponente de teorias estímulo-resposta diretamente ligadas à

noção de causalidade inccanicjsta. Considerando o significado dado às ações do organismo pelo operante, sobretudo ao fazer do organismo huma- no, esse conceito proporciona uma ampliação do comportamento como objeto de estudo até então não atingida no âmbito da análise do comportamento reflexo.

"O termo OPERANTK designa uma classe de respostas. A característica comum a estas respostas c que elas pre&ucm a propriedade à qual a conseqüência é contingente. Um operante c, portanto, uma categoria cujas instâncias concretas são respostas do organismo, ou seja, ocorrências discretas de comportamento. Essas respostas não são definidas por sua forma, mas por sua relação com a conseqüência" (de Rose, 1982: 73).

- A noção de comportamento operante descreve

a ação do organismo sobre o meio do qual emergem as conseqüências últimas

dc seu comportamento. No entanto, quando se trata de sujeitos humanos,

deve-se considerar uma forma de comportamento operante distintiva, que age

indiretamente sobre o meio, ou seja, que age inicialmente sobre outros seres humanos. Denomina-se esse ripo de operante COMPORTAMENT O VERBAL . O organismo humano, portanto, quando se

comporta verbalmente, tem as conseqüências de

suas ações providas por outros seres humanos, e não imediatamente pelo ambiente físico que o cerca. A medida que o comportamento verbal começa a ser estudado, aproximadamente a partir de 1934, abre-se a possibilidade de uma análise funcional dos diversos níveis da ação humana: a linguagem, o pensamento, a moral,

a alienação, os propósitos, dentre outros. A

complexidade característica a esse tipo de comportamento não justifica uma nova forma de

análise, ou seja, os operantes verbais são analisados em lermos de sua relação com o ambiente, sobretudo sua relação corri o ambiente humano, social. Desde a proposta watsoniana, que relacionava a linguagem a complexas cadeias de respondentes, os psicólogos bchavioristas vêm tentando abordar

COMPORTAMENTO

VERBAL

é

o

comportamento operante que

possui retorço mediacional.

«Segundo

Catania (1999: 392), comportamento verbal "é. qualquer comportamento que envolva palavras, independente da modalidade (falada, escrita, gcstual); que é adquirido e

mantido pelas práticas de reforçamento de uma comunidade verbal, isto é, uma comunidade

de

falantes e ouvintes". linguagem, segundo

o

mesmo autor, seriam as práticas dc

reforçamento partilhadas pelos membros

de uma comunidade verbal, levando-se em conta as "consistências de vocabulário c de gramática" (1999: 409).

o

fenômeno lingüístico, cada qual baseando-se em concepções específicas

do

que seria o comportamento e, portanto, a linguagem e outros fenômenos

relacionados (como o pensamento). Ressalta-se que, para Skinner., a linguagem

c um comportamento operante e, portanto, é selecionada e mantida pelo

contato do organismo com contingências dc reforçamento específicas.

Durante a década dc 1970 e início dos a nos 1980, Skinner esboça mais claramente seu interesse nas influências biológicas que atuam sobre o comportamento. A obra Origem das espécies, de Charles Darwin (cf capítulo 6), é

utilizada por ele para traçar um paralelo entre os princípios da seleção natural

e o comportamento dos organismos. Skinner amplia, assim, a visão de Mach

sobre as relações funcionais cntsx fatos tomando como modelo de causalidade

a proposta darwiniana de seleção por conseqüências. O fenômeno da seleção

natural, desenvolvido por Darwin para a explicação da evolução das espécies, aplica-se também à análise do comportamento do indivíduo, bem como ao estudo do processo de evolução das culturas.

Assim como características genéticas levam a mutações fisiológicas que podem ser selecionadas conforme suas conseqüências, isto é, segundo proporcionem maior adaptação do organismo a determinado ambiente, os

comportamentos são selecionadas pelo processo de REFORÇAMENTO, OU seja, são determinados pelas conseqüências que forem

contingentes às respostas dadas pelo organismo. Segundo Skinner, o comportamento humano é selecionado não apenas para atender a necessidades

de sobrevivência imediata - sendo esta apenas um tipo dc conseqüência seletiva como também para se

adaptar a situações futuras. Os diversos tipos de ambientes com os quais nos deparamos ao longo da vida exigiriam que nosso comportamento

também esteja em constante mutação, fazendo com que cada pessoa, entrando em contato com CONTINGÊNCIAS específicas, se torne única, comportando-se dc forma distinta das outras pessoas. Duas pessoas, mesmo que

possuam idêntico dote genético, não teriam a mesma história de relação com o ambiente, simplesmente pelo fato de ocuparem locais diferentes no ESPAÇO.

Skinner define, dessa forma, três níveis

O termo "moRÇAMENTO" designa

a operação comportamental dc eonsc- qücnciação às respostas emitidas por um organismo e que tem, como resultado, um aumento da freqüência

de respostas da mesma ciasse.

ÜONTINGÈNCUS DE REFORÇAMENTO são as

condições nas quais uma çesposí produz uma conscqücnci:

(Catania, 1990: á94).

[.,.]

um ponto no qual muitas condições genéticas e ambientais sc agrupam em um efeito conjunto. Como tal, ela permanece inquestionavelmente única. Ninguém (a menos que ela tenha um gêmeo idêntico) tem seu dote genético e, sem exceção, ninguém tem sua história pessoal" (Skinner, 1974:

"Uma pessoa

é um í.ócus,

de atuação das contingências: o filogenético,

o ontogenético c o cultural. O comportamento humano é fruto da ação integrada e inseparável

destes três níveis. O primeiro refere-se à seleção

dc

comportamentos característicos da espécie

ao

longo do processo evolutivo da mesma.

1G8).

O segundo diz respeito à história de reforçamento, ou seja, é relativo aos comportamentos selecionados ao longo da vida dc um indivíduo, considerando-

se a interação deste com seu ambiente. O terceiro, o nível cultural, é relativo

aos comportamentos selecionados pela interação do organismo humano com seu ambiente social específico, caracterizado por determinadas práticas sociais (Skinner, 1981). Algo dc extrema importância a ser ressaltado c que a susceptibilidade do organismo às conseqüências do comportamento - ou seja, a capacidade de ser influenciado pelas conseqüências de suas ações —, é uma característica que foi selecionada filogeneticamente.

Segundo Skinner. a humanidade deu um grande passo em termos

sociais quando a musculatura vocal passou a ficar sob controle operante, isto é, quando as emissões vocais passaram a ser influenciadas por suas conseqüências. A emergência do comportamento verbal teria permitido que

a cooperação entre os seres humanos fosse mais bcm-succdida. Da mesma

forma, as pessoas passaram a aprender a partir daquilo que outros haviam aprendido, por exemplo, seguindo RF.GR.AS

socialmente estabelecidas e conselhos dados por outrem. O alfabeto e a escrita desempenham um papel preponderante nesse aspecto, uma vez que possibilitam a disseminação de determinados avanços obtidos por uma comunidade humana

por diversos locais e, sobretudo, ao longo do tempo. Para o hehavionsmo de Skinner, comportar-se verbalmente, por sua vez, permite outro passo importante, que é o processo de evolução cultural. Uma maneira diferente de resolver determinado problema, como, por exemplo, cultivar grãos, desenvolver um novo método dc navegação ou mesmo escrever um poema, é selecionada por suas conseqüências: o cultivo de determinado tipo de grãos, um melhor barco e um poema escrito. Tais processos surgiriam em níveis individuais e poderiam ser passados a outros seres humanos. Contribuirão para a evolução da cultura aqueles desenvolvimentos de determinado grupo que se mostrarem úteis na solução de QUESTÒKS SOCIAIS.

íústiRAS suo descrições dc contingências de

reforçamento, i,c., são enunciados acerca de condições nas quais determinadas respostas produzem conseqüências. Neste sentido, num espoWv como, por exemplo, o futebol, há uma regra que especifica que se o jogador de um lime deixar que a bola ultrapasse a linha de de marcação do campo, a posse dc bola passa a se* do úme adversário.

QTESTOES

A análise do comportamento, denominação dada

SOCIAIS, "È

o

à forma de ciência proposta por Skinner, considera o

comportamento dos organismos como sendo fruto desses três níveis de atuação das contingências que,

por sua vez, são indissociáveis. Os seres humanos são parte dc uma espécie e possuem uma relação única, com seu ambiente, que é social e também histórica. Filogeneticamente

efeito no grupo e não

as conseqüências retorça- ioras ein relação aos indivíduo

que é responsável pela evoluçãr cultural" (Skinner, I?. F.

SeUrtion hj Consrqutv.ca.

1981).

seria selecionado um organismo da espécie humana enquanto a ontogenia c a cultura selecionariam, respectivamente, uma pessoa e um eu. Os conceitos de "pessoa" e "eu" não descrevem o indivíduo como portador ou possuidor de uma personalidade, enquanto conceito explicativo ou estrutura determinante de seus comportamentos. Um organismo, uma pessoa ou um eu são denominações que descrevem os comportamentos do organismo procurando fazer referência, respectivamente, às contingências filogenéticas, ontogcncticas ou culturais nas quais a explicação deve ser buscada.

Aspectos filosóficos da análise do comportamento

O behaviorismo, segundo Skinner, não é a ciência do comportamento

humano, mas sua filosofia. Diferentemente do behaviorismo watsoniano,

o BEHAVIORISMO RADICAL rejeita o

critério

A designação BEHAVIORISMO RADICAL foi

de consenso público isto é, consenso entre dois ou mais observadores acerca de um fenômeno - como central na definição de um objeto de estudo. Da

mesma forma, não ignora a capacidade de auto-observação, mas questiona a natureza daquilo que é observado, em suma, daquilo que é conhecido. Segundo Skinner, a introspccção proposta pelas tradicionais escolas de pensamento psicológico enfatiza apenas o interno, o mental. Ao contrário, o behaviorismo metodológico, rejeitando o estudo dos eventos mentais - pois não haveria sobre eles consenso entre observadores , enfatiza a análise dos eventos externos determinantes do comportamento.

O behaviorismo radical estabeleceria um

equilíbrio, na medida em que admite a CAPACIDADE

foca também os

determinantes ambientais do comportamento. Aqueles comportamentos emitidos de maneira inobservável não são tomados como especiais apenas porque ocorrem no interior do

organismo. Assim corno comportamentos diretamente observáveis, os eventos privados são também comportamentos, são frutos da interação de um organismo com seu ambiente. O fato de ocorrerem no interior

cunhada por Skinner para se referir à filosofia da análise experimental do comportamento. O termo "radical" vem dc raiz, no sentido em que designaria uma proposta que se atem ao esiudo do comportamento a partir do próprio comportamento, sem o recurso explicativo a qualquer outra entidade.

"O behaviorismo radical não nega

a

possibilidade

da AUTO-OBSERVAÇÃO

ou do autoconhecimento ou sua possível utilidade, uras questiona a natureza daquilo que c sentido e observado. Restaura a

introspccção, mas não aquilo que os filósofos e os psicólogos iutrospectivos acreditavam 'esperar' {specí), c suscita o problema de quanto de nosso corpo podemos realmente

observar" (Skinner, 2000 [19741: 19).

DE

AUTO-ORSF.RVAÇÂO

e

que

do organismo não lhes atribui uma natureza especial (seja uma natureza não

física, seja uma natureza explicativa dc comportamentos públicos). Como ressaltado por Skinner, o que observamos é nosso próprio organismo, nosso comportamento. A proposta bchaviorista radical parte do estudo do comportamento tomando-se como objeto o próprio comportamento, isto c, sem buscar referências explicativas de outra natureza, sejam elas mentais ou fisiológicas.

As conseqüências da aplicação dos princípios da análise do comporta- mento aos assuntos humanos aproximaram Skinner dc reflexões morais c

filosóíicas. O critério de cicntiíicidadc adotado pelo bchaviorismo radical passa

a ser o de utilidade do conhecimento produzido. Dessa maneira, proposições acerca do comportamento humano seriam relevantes na medida cm que se mostrassem úteis na solução de problemas enfrentados pela comunidade humana. Nas obras do final de sua carreira, Skinner enfatiza a discussão de

aspectos filosóficos de sua posição. P ARA AÍ MÍ DA LIBERDADE E DA DIGNIDADE, ele 197 \, e Sobre o behaviorismo, de 1974, são exemplos

de livros que buscam esclarecer dúvidas sobre as questões filosóficas apresentadas pelo behaviorista. Em relação ao primeiro, o autor elabora uma discussão sobre os avanços do estudo do comportamento humano, desde a

época da Grécia Antiga, e faz uma reflexão comportamental sobre ternas

como dignidade, liberdade c responsabilidade, aproximando seu ponto dc vista

dc temas cotidianos. De acordo com sua visão, a liberdade seria "uma questão

de contingências dc reforço, e não de sentimentos que as contingências geram" (Skinner,

1977: 34). Em Sobre o behaviorismo, trata de elucidar as principais dúvidas e erros teóricos oriundos da má interpretação dc suas idéias, mostrando as interpretações behavioristas radicais sobre diversos temas, em oposição a explicações mentalistas acerca desses temas. Contingências especiais dc reforçamento proporcionaram a evolução dessa forma específica dc conhecimento, assim como dc vários tipos dc conhecimentos existentes sobre o comportamento humano. Deve-se procurar entender o behaviorismo, bem corno qualquer outra forma de saber, como um processo que evoluiu em um meio histórico-cultural específico c que está sujeito a ser selecionado pela cultura, na medida em que se mostre útil para

a compreensão dos seres humanos.

Optou-se pelo prescrito título, dado à tradução portuguesa da obra dc 1971, titymd Freetlom and Dignity, cm detrimento

do da tradução brasileira, 0 mito dtí liberdade.

Acreditamos

que DA DIGM/MDE expressa mais fidedignamente a idéia contida no título original.

PAR. Í

AUÍM DA

WHRDADE /•:

Desdobramentos da análise do comportamento no Brasil

O surgimento dos primeiros cursos dc psicologia no Brasil, nos anos 1950, aponta para a necessidade de atualização exigida por parte de

profissionais de instituições de ensino, sobretudo de ensino superior, o que levou os docentes desses novos cursos a entrar em contato com tendências recentes do pensamento psicológico, bem como a buscar, com outros profissionais da área, seja em contexto brasileiro ou internacional, apoio para o ensino c para

o desenvolvimento da psicologia em âmbito nacional. Assim, no início da década de 1960, mais precisamente no primeiro

semestre de 1961, a convite do diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências

e Letras da USP, professor Paulo Sawaya, chega ao Brasil, como professor

visitante, o psicólogo estadunidense FRI-D SIMMONS KKIJ.GR. Dar-se ia, nesse

Fiu;n SIMMONS KKLLKR (1899-199(5). Graduou-sc no Tufts Collcgc c estudou Psicologia em Harvard, universidade na qual permaneceu até 1931. Tornou-se professor de Psicologia da Universidade de Columbia, instituição na qual permaneceu ate sua aposentadoria, em 1964. Foi também professor visitante em duas universidades brasileiras Universidade dc São Paulo e Universidade de Brasília - respectivamente nos anos dc 19(51 e 19(54. Idealizou o Sistema Personalizado de Instrução; (PSI), método de ensino criado a partir de estudos em análise experimental do comporlamento. K autor do livro Princípios de Psicologia (1950. co-autoria de W. X. Slioenfeícl) c de vários outros artigos científicos. Keller esteve no Brasil como professor visitante no período de 1961-19G2. Retorna ao país em 19G4, como professor da Universidade de Brasília, onde permanece por apenas dois meses. Nos anos de 1972 c 1978 c também nas décadas dc 1980 e 1990, volta ao país para participar de congressos científicos.

contexto, o primeiro contato efetivo dc profissionais e estudantes em uma instituição de ensino brasileira com a análise do comportamento. Antes de realizar sua primeira viagem ao Brasil, Keller trabalhava como professor na Universidade dc Columbia, nos EUA. Suas pesquisas, bem como sua atuação profissional, colaboraram para o estabelecimento e para a divulgação da análise do comportamento. Inicialmente, as contingências de ensino estabelecidas por Keller duas disciplinas optativas atraíram alguns poucos alunos e também professores. Dentre esses destacam-se Carolina Martuscelli Bori, Rodolpho Azzi, ambos docentes da USP, c Maria Amélia Matos, nessa época estudante de graduação do curso dc psicologia. As aulas teóricas c os exercícios práticos, esses últimos realizados num laboratório rccém-construído por Keller c Rodolpho Azzi, procuravam instruir os alunos acerca das bases conceituais da análise comportamental para que, em curso posterior, fossem tratados autores como Pavlov, Watson e Skinner. Em 1962, Keller retorna aos EUA. Seus alunos da Universidade de São Paulo estabeleceriam novas contingências a partir daquelas anteriormente

propostas, direcionadas ao ensino e à pesquisa em solo brasileiro. Xovos

projetos de pesquisa e propostas dc ensino baseados nos preceitos e metodologia comportamcntais começaram a ser elaborados nesse período. A falta dc uma sólida preparação teórica, bem corno dc materiais necessários ao andamento

dos projetos propostos foram barreiras difíceis de serem transpostas, mas não

impossíveis.

Em relação a esse aspecto, é muito cara a contribuição não só à analise

do

M.

o

a

à educação, para a construção de materiais para o ensino e também para a pesquisa em laboratórios, c para o estabelecimento de um acervo bibliográfico consistente, ela dá subsídios para o estabelecimento desse campo dc saber específico, assim como para a psicologia de uma forma geral. Posteriormente, à {rente de importantes instituições científicas como a CAPES

órgãos governamentais ligados

financiamento de pesquisa junto

comportamento, mas À psicologia como um todo da professora CAROLINA

BORI. A O elaborar projetos para

CAROUKA MAUTUSCEI.U BORI (1924-2004). Em 1947, formou-se cm Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo- No ano seguinte é contratada como professora assistente de Psicologia na USP, universidade na qual permaneceu coma docente até sua aposentadoria, cm 1994. Seu contato com a análise do comportamento deu-se, efetivamente, em 1961, quando foi aluna dc E S. Keller. Carolina M. Bori, em mais dc 50 anos de trabalho, dedicou-se à ciência como um todo. na busca, de sua divulgação C de seu progresso. Orientou aproximadamente 100 teses de mestrado e doutorado e destacou-se como presidente de importantes sociedades cientificas brasileiras como a Sociedade Brasileira para o Progves.?/:* da Ciência (1986-1989) e a Sociedade Brasileira de Psicologia (1992-1993). Carolina Bori propôs uma ampliação do Sistema Personalizado de Instrução, elaborado por E S. Keller: A Análise de Contingências cm Programação de Ensino.

(Coordenação dc Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Carolina Bori colabora para a fundação de diversos cursos dc graduação em psicologia c também cursos de pós-graduação relacionados à análise do comportamento.

A partir da década de 1970, passam a ser estabelecidos diversos cursos

de pós-graduação no país, com forte ênfase em análise do comportamento,

por

exemplo, na DSP, na Universidade de Brasília, na Universidade Federal

do

Pará, na Universidade Federal dc São Carlos e, mais recentemente, na

PUC-SP. Analistas do comportamento passam a se organizar em sociedades

científicas c a produzir publicações dirigidas tanto à área quanto ao público

cm geral. Temas de pesquisa inicialmente tratados, como esquemas de

reforçamento e controle aversivo, abrem caminho para estudos acerca

de toxicologia, bem como a respeito de educação, terna desenvolvido por

Skinner cm Tecnologia do ensino.

O SISTEMA PERSONALIZADO DE ENSINO

PSI .

da sigla original em inglês) idealizado por Keller toma no Brasil uma nova

direção, proposta por Carolina M. Bori: A Análise, de Contingências em Programação de Ensino. Segundo essa visão, deveriam ser analisados

SLSTUMA PERSONAI R/ADO

nfe ENSINO propõe uma aplicação cie

preceitos da análise do comportamento ao

campo da educação. A proposta de Keller

foca a análise dos temas e dos textos a serem ensinados, bem como a maneira pela qual

esse processo seria avaliado.

os conhecimentos e habilidades necessários para o exercício de determinada atividade c

o conseqüente planejamento de contingências de ensino que proporcionassem a aquisição dos mesmos. Tal vertente dc pesquisa influenciou diversos

analistas do comportamento, bem corno profissionais voltados para o ensino de diversas áreas, como a matemática, a química, a engenharia c a arquitetura, em várias capitais do país. Ao longo do tempo, áreas como o comportamento verbal, a variabilidade comportamental, a equivalência de estímulos, dentre outras, passaram a ser estudadas no Brasil. As atividades de ensino e de atuação clínica também cresceram entre os analistas do comportamento. Atualmente, grande parte dos analistas do comportamento brasileiros rcúne-sc todo ano nos encontros da ABPMC (Associação Brasileira de Psicotcrapia c Medicina Comportamental)

e nas reuniões da SPB (Sociedade Brasileira de Psicologia). Artigos sobre a

análise do comportamento são publicados nas mais diversas revistas científicas do país e profissionais brasileiros vêm colaborando para revistas internacionais especializadas em análise do comportamento.

Indicações estéticas e bibliográficas

Dmwing hands, litogntvura (28.5 x 34 cm) de M. C. Eseher, 1948. Raciocinar sobre <i relação organismo-ambiente, tomando um desses pontos em separado consiste, dc maneira geral, em uma abstração. Essa interação ocorre como num fluxo, c a abstração é feita no sentido de simplificar uma situação, com o intuito dc descrevê-la. Uma alteração feita por um organismo em seu ambiente leva a uma modificação dessa ação, processo que é contínuo c apenas interrompido com a morte do organismo que se comporta. A litogravura de Eseher apresenta duas mãos que se desenham simulta- neamente em uma folha de papel, presa a uma prancheta por quatro tachas.

O produto da ação de uma das mãos - isto é, o desenho da outra mão — pode

vir a repercutir nessa ação, uma vez que a mão alterada desenhará aquela que a produziu. É interessante também notar que os desenhos estão, de certa

maneira, inacabados. Seguindo por este caminho, poder-se-ia pensar que e>>a- duas mãos continuariam a se desenhar infinitamente ou que, subitamente parariam, como quando o resultado se mostrasse ideal. Em uma analogia, o comportar-se de um organismo dá-se infinitamente no curso de uma vida. O comportamento é matéria não acabada, estando sempre por ser trabalhada - no sentido de que se modifica, evolui, nessa interação organismo-ambiente. O desenho pronto, acabado, coincidiria com a situação na qual o organismo já não mais se comportaria, situação esta cm que deixaria de viver.

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