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Capítulo 8

Holografia: Princípio e Aplicações

Gilder Nader a Luis Roberto Batista b Mikiya Muramatsu b

a Laboratório de Sensores e Atuadores Escola Politécnica da USP Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos. Rua Prof. Mello Moraes, 2231, Cidade Universitária – SP e-mail: gnader@usp.br

b Laboratório de Óptica Instituto de Física da USP Departamento de Física Geral e Experimental Rua do Matão, 151, Cidade Universitária – SP e-mail: mmuramat@fge.usp.br

1

Conteúdo

8.1. INTRODUÇÃO HISTÓRICA

4

8.2. COERÊNCIA DOS LASERS E INTERFERÊNCIA

6

8.2.1. Coerência Temporal

6

8.2.2. Coerência Espacial

8

8.2.3. Interferência

9

8.3.

HOLOGRAFIA

11

8.3.1. Processo Holográfico

12

8.3.2. Formação da Rede Holográfica

13

8.3.3. Materiais para Gravação Holográfica

16

 

8.3.3.1. Materiais Sal de Prata

17

8.3.3.2. Materiais Termoplásticos

19

8.3.3.3. Cristais Foto-refrativos

20

8.4.

APLICAÇÕES HOLOGRÁFICAS NA INDÚSTRIA E EM PESQUISA

23

8.4.1. Holografia Interferométrica

23

8.4.2. Holografia de Dupla Exposição

25

 

8.4.2.1. Medição de Tensão Mecânica

27

8.4.2.2. Holografia em Tempo Real e em Média Temporal

30

8.4.2.3. Detecção de Ondas de Superfície

32

8.4.2.4. Holograma de Transformada de Fourier

33

8.4.2.5. Conjugador de Fase

36

8.4.2.6. Interferômetros Foto-refrativos

38

8.4.2.7. Medição de Deslocamento Angular

41

8.5. HOLOGRAFIA ELETRÔNICA E HOLOGRAFIA DIGITAL

42

8.6. HOLOGRAMA GERADO POR COMPUTADOR (HGC)

44

8.6.1. Detour-phase Holograms

45

8.6.2. Kinoform

46

 

8.6.2.1.

Aplicação

47

8.7.

REFERÊNCIAS

48

2

Lista de Símbolos:

A

:

área iluminada do holograma;

d

:

espaçamento da rede holográfica;

E i

:

componente do campo elétrico;

E SC

:

campo elétrico de cargas espaciais;

i

:

−1
−1

I i

:

componente da intensidade da luz;

J 0

:

função de Bessel de ordem-zero;

k g

:

vetor da rede holográfica;

k

:

vetor de onda.

n 0

:

índice de refração isotrópico do cristal foto-refrativo;

P

:

potência da luz;

r

i

:

deslocamento das ondas eletromagnéticas;

r

ij

:

coeficiente eletro-óptico;

φ diferença de fase;

η eficiência de difração;

λ comprimento de onda do laser;

θ ângulo de incidência dos feixes de interferëncia;

ρ(x) :

τ tempo de exposição do holograma;

ω freqüência angular.

:

:

:

:

:

:

densidade de cargas;

3

8.1. INTRODUÇÃO HISTÓRICA

A holografia foi desenvolvida como uma ferramenta para microscopia eletrônica de modo a permitir a formação de imagens de objetos com dimensões atômicas. O poder de resolução de uma objetiva de microscópio eletrônico, em 1947, era da ordem de 1 nm, o que produzia uma aberração esférica de 0,5 nm. No entanto, Gabor [1,2] percebeu que a imagem, com aberração esférica, produzida pela lente, ainda preservava todas as informações do objeto analisado, embora em uma forma codificada. Para realizar a decodificação, Gabor [2,3] registrou uma fotografia de uma onda eletromagnética difratada na superfície de um objeto. A onda eletromagnética gravada (ou holograma, do grego holos: completo), é decodificada ao ser iluminada com luz coerente visível. Naquele período Gabor utilizou como fonte de luz uma lâmpada de mercúrio filtrada espacialmente, tal que a luz ao atravessar novamente o registro fotográfico sofria nova difração, produzindo uma imagem magnificada do objeto original. No final da década de 40 não existiam filmes fotográficos capazes de registrar imagens com alta resolução, mesmo assim, Gabor conseguiu fazer alguns hologramas. As imagens tinham pouca paralaxe, mas mostravam que na prática a sua teoria funcionava. A holografia deu um grande salto somente após os lasers tornarem-se viáveis, e em 1971 Gabor recebeu o prêmio Nobel pela invenção da holografia. As primeiras holografias, utilizando o laser como fonte de luz, foram produzidas por Leith e Upatnieks [4,5,6], na Universidade de Michigan, em 1962. Desde então, a holografia obteve um grande progresso. No final da década de 60, inúmeros trabalhos na área de óptica estavam relacionados à holografia, que também começou a ser utilizada como “arte”. Na década de 60 foi fundada por Lloyd Cross a Escola de Holografia, em São Francisco – Califórnia – EUA, e milhares de pessoas aprenderam como fazer holografia com equipamento óptico barato e de sucata. Com o surgimento dos “artistas holográficos” essa nova forma de arte começou a ser divulgada e cada artista desenvolveu o próprio estilo e técnica, devido à versatilidade do processo holográfico. Cross inventou a holografia multiplexada [7], e sua obra mais conhecida, “O Beijo”, é considerada a “Monalisa” da holografia. Outro tipo de holografia, chamada holografia espectral foi criada por Bentom, da Polaroid, e o holograma de 360 o que permite a gravação completa de um objeto sobre um eixo foi realizada por Jeong, da Lake Forest College.

4

No final da década de 60, foi descoberto que a focalização de feixes laser intensos nos cristais ferrelétricos LiNbO 3 ou LiTaO 3 produzia um suposto "dano óptico" [8], que na verdade era uma modulação do índice de refração dos cristais, proporcional à intensidade

da

luz incidente. Por isso, este efeito ficou conhecido "foto-refrativo". O primeiro a propor

o

uso dos “cristais foto-refrativos” como um sistema armazenador de informação

holográfica foi Chen [9], em 1968, pois os materiais foto-refrativos permitem a escrita e a leitura dos hologramas armazenados em tempo real, dispensando a etapa química,

necessária para a revelação de um filme holográfico convencional. Isto é possível porque a informação armazenada pode ser opticamente apagada, e o material pode ser utilizado em ciclos de leitura e escrita sem a necessidade de reposicionar a amostra no sistema óptico. Estes materiais também podem ser utilizados apenas para escrita holográfica, pois a informação pode ser fixada, tornando-os muito versáteis como meio de armazenamento

[10].

Com os avanços da informática e da tecnologia, a holografia passou a ser utilizada em processamentos digitais. Esta técnica combina laser, câmera CCD e processamento digital de imagens para gerar hologramas. Vários nomes são dados a essa técnica, tais como "electronic speckle pattern interferometry", "holografia eletrônica", "TV holography" etc. Neste livro será chamada de "holografia eletrônica". Há também um outro tipo de

holografia que utiliza os mesmos componentes eletrônicos. Mas, por trabalhar com processamento matemático distinto, recebe o nome de holografia digital, a qual teve início

há poucos anos. A qualidade e realismo das imagens tridimensionais obtidas por holografia são responsáveis pela popularização e desenvolvimento dessa técnica. Apesar de haver muitos museus ou galerias especializadas em holografia espalhadas pelo mundo, as propriedades holográficas mais utilizadas não estão relacionadas com a capacidade de armazenar e exibir imagens tridimensionais, muitas aplicações científicas utilizam as propriedades holográficas, nas próximas seções serão apresentados o princípio da holografia e algumas aplicações.

5

8.2. COERÊNCIA DOS LASERS E INTERFERÊNCIA

A holografia é um meio de registro óptico que permite a gravação da amplitude do

sinal e da fase. A amplitude está relacionada com a intensidade da luz e, sendo a luz uma onda eletromagnética, a fase contém informações sobre a relação entre duas ou mais ondas. A Figura 8.1 mostra duas ondas eletromagnéticas defasadas de φ. Nesta figura, I R representa a intensidade da onda eletromagnética de referência e I S a intensidade da onda eletromagnética sinal, definidas adiante. No registro holográfico, duas ondas eletromagnéticas se interferem sobre o material holográfico. Para que haja a interferência, a fonte luminosa deve ser perfeitamente coerente. Há dois tipos de coerência, a espacial e a temporal, ambas explicadas sucintamente a seguir. A fonte de luz mais coerente é o laser, por isso, é a mais utilizada em interferometria e holografia.

isso, é a mais utilizada em interferometria e holografia. Figura 8.1 - Fase φ entre duas

Figura 8.1 - Fase φ entre duas ondas eletromagnéticas.

8.2.1. Coerência Temporal

A coerência temporal, também conhecida como comprimento de coerência de uma

fonte de luz, está relacionada com a duração do tempo para o qual a fonte de luz mantém a

fase entre dois feixes luminosos. Estes dois feixes luminosos, para se interferirem, necessitam ter origem na mesma fonte de luz. A explicação da coerência temporal será realizada utilizando um interferômetro de Michelson (Figura 8.2) como exemplo.

6

Inicialmente o feixe laser é divido em dois pelo divisor de feixes BS. Após divididos, um dos feixes passa a ser chamado feixe de referência e incide no espelho R, o outro feixe, passa a ser chamado feixe sinal e incide no espelho S. Após a reflexão nestes espelhos, os feixes encontram-se entre BS e o fotodetector D, como mostra a Figura 8.2, havendo interferência se a diferença de fase entre eles está dentro do limite de tempo tolerável. No entanto, se o espelho S é deslocado de um comprimento δ para o qual a fase entre os dois feixes esteja acima do limite de tempo da coerência temporal, eles não irão interferir. Na Figura 8.2 também estão ilustradas as distâncias L R e L S , chamadas de caminho óptico referência e sinal, respectivamente. Uma fonte de luz branca possui um comprimento de coerência muito pequeno, a diferença de caminho óptico máxima entre os feixes sinal e referência para que haja interferência de luz branca é aproximadamente 1 µm. Uma fonte de sódio possui o comprimento de coerência da ordem de 1 mm. O laser de argônio possuiu um comprimento de coerência de aproximadamente 0,20 m. Enquanto que um laser totalmente monomodo e monocromático pode ter um comprimento de coerência de até 6 km. A coerência temporal está relacionada, principalmente, com a monocromaticidade de uma fonte de luz. Por isso, algumas fontes laser He-Ne multimodo e que não são totalmente monocromáticas, possuem um comprimento de coerência de aproximadamente 0,20 m, enquanto que fontes laser He-Ne monocromáticas podem chegar a um comprimento de coerência de 100 m. Por isso, para garantir uma boa interferência, independente da fonte laser utilizada, deve-se sempre trabalhar com os caminhos ópticos dos feixes referência e sinal praticamente iguais.

7

Figura 8.2 - Interferômetro de Michelson. BS: diviso r de feixes; R: espelho de referência;

Figura 8.2 - Interferômetro de Michelson. BS: divisor de feixes; R: espelho de referência; S: espelho sinal; δ: deslocamento do espelho S; L R : comprimento do braço de referência; L S : comprimento do braço sinal.

8.2.2. Coerência Espacial

A coerência temporal é associada como uma propriedade da onda na direção da propagação. O outro tipo de coerência é a espacial, que é associada como uma propriedade da onda na direção transversal à propagação. Se a onda é perfeitamente plana, então há uma fase uniforme no plano perpendicular à propagação da onda, como mostra a Figura 8.3. A fase de uma onda plana pode exibir flutuações, no entanto, todos os pontos da onda plana terão flutuações idênticas. Uma onda plana é tida como espacialmente coerente. As fontes laser possuem grande coerência espacial. Mesmo que a onda do feixe sinal não seja plana, ela irá interferir com onda do feixe de referência, caso essa seja plana ou esférica.

do feixe de referência, caso essa seja plana ou esférica. Figura 8.3 - Onda harmônica plana.

Figura 8.3 - Onda harmônica plana. A fase é constante ao longo da direção transversal da onda [14].

8

8.2.3. Interferência

A luz é uma onda eletromagnética. Através da superposição de feixes de luz obtêm-

se bandas claras e escuras, chamadas franjas de interferência. O tratamento matemático da

interferência é obtido através do princípio de superposição de ondas. Apesar da luz ser uma

onda eletromagnética, é comum realizar o tratamento matemático apenas considerando o campo elétrico E [11,12,13]. A grandeza mensurável é a intensidade, que é proporcional ao módulo do quadrado do campo elétrico (I=|E 2 |). A interferência construtiva é obtida quando as ondas eletromagnéticas se somam, produzindo uma região brilhante de máxima intensidade. A interferência destrutiva é obtida quando as ondas se somam e é produzida uma região escura, com a intensidade mínima. A distribuição de franjas claras e escuras ao longo do espaço é chamada de padrão de interferência.

O tratamento matemático da interferência entre as fontes de luz, discutido nessa

seção, será de ondas com a mesma freqüência óptica, ou seja, um sistema homódino. Também serão consideradas amplitudes distintas, e devido à condição de apenas ondas

eletromagnéticas com a polarização na mesma direção poderem se interferir, esta seção fará

o desenvolvimento teórico para ondas eletromagnéticas monocromáticas polarizadas

verticalmente, tal que, as ondas eletromagnéticas que se somam podem ser escritas na notação complexa como:

com

E

R

E

S

=

=

a

b

exp[ (

exp[ i (

i

ω

ω

t

t

k

k

)]

r

r

R

S

)]

=

=

A

B

=

=

a

b

exp[

exp[

(

(

i k

i k

r

r

R

S

)]

)]

A

exp(

i

i

ω

ω

B

exp(

.

t

)

t

)

,

(8.1)

(8.2)

Nestas equações ω é a freqüência das ondas eletromagnéticas que se propagam num

tempo t e o vetor de onda é |k|=2π/λ, onde λ é o comprimento de onda do laser. Os vetores r R e r S representam o deslocamento das ondas, tal que a diferença entre esses termos dará a diferença de caminho óptico r, e consequentemente a diferença de fase φ entre as ondas.

A resultante da soma das ondas eletromagnéticas é

9

(8.3)

No entanto a grandeza mensurável é a intensidade I, dessa forma, escrevendo a

E

=

E

R

+ E S .

Eq.(8.3) em função da intensidade, obtém-se:

2 E E + E • E + E R S R S 2 2
2
E
E
+ E
• E
+ E
R
S
R
S
2
2
E
+
E
+
E
E S
R
S
R

I =

=

=2

A intensidade resultante será

I = I

R

+ I

S

+ 2

,A intensidade resultante será I = I R + I S + 2 . (8.4) (8.5)

.

(8.4)

(8.5)

Nessa equação, I R e I S são as intensidades do feixe referência e sinal,

respectivamente, e I é a intensidade resultante. Toda a informação sobre a interferência está

contida no terceiro termo desta equação. Ele carrega informação da fase da onda ou se há

coerência entre elas. Resolvendo o terceiro termo da Eq.(8.5)

2 E • E = Re { E • E ∗ } R S R
2
E
E
=
Re
{
E
E
∗ }
R
S
R
S
= Re
{
ab
exp[

i ( kr

R

ω t

)

+

i ( kr

S

ω t

)]

}

.

(8.6)

O símbolo significa complexo conjugado. A parte real da Eq.(8.6) é

Re

{

E

R

E

S

}

=

ab

cos(

kr

R

kr

S

)

.

(8.7)

De acordo com as Eq.(8.5) e (8.6) as intensidades I R e I S são da forma

o que leva a

2 1 a 2 Re { ∗ I = E = E • E }
2
1
a
2
Re
{
I
=
E
=
E
E
}
=
R
R
R
R
2
2
2
b
2
I
=
E
=
1 Re
{
E
E
∗ }
=
S
S
S
S 2
2
2
E
E
= 2
c
os(φ)
.
R
S

A intensidade mensurável é então

10

,

(8.8)

(8.9)

(8.10)

As fases correspondentes aos pontos de intensidade máxima I MAX e de intensidade mínima I MIN são obtidas da Eq.(8.10). Esses pontos equivalem às seguintes fases

I = I

R + I

S

+

2

I I R S
I
I
R
S

cos( φ) .

I MAX

I MIN

para n inteiro.

= I

R

= I

R

+

+

I

S

I

S

+

2 I I R S 2 I I R S
2
I
I
R
S
2
I
I
R
S

para

para

φ

=

φ

=

0, 2

π

,

π

,3

π

,

2

(2

π

n

n

1)

π

,

(8.11)

A Figura 8.4 mostra três condições de interferência. Na Figura 8.4a é ilustrado o

caso em que o feixe referência e sinal estão em fase. Obtendo-se assim uma interferência construtiva, para a qual a amplitude I é a máxima. Na é ilustrado um ponto intermediário, para o qual a diferença de fase entre o feixe referência e sinal é π/4. E finalmente, na Figura

8.4c é mostrado o caso em que o feixe referência está defasado de π do feixe sinal, produzindo assim uma interferência destrutiva, tal que I possui uma amplitude nula. Estes foram os conceitos interferométricos básicos, introdutórios para a compreensão da holografia, a qual está descrita a partir da próxima seção.

a qual está descrita a partir da próxima seção. (b) Figura 8.4 - Interferência entre duas

(b)

Figura 8.4 - Interferência entre duas ondas. (a) Interferência construtiva, fase entre as ondas φ=0; (b) fase entre as ondas φ=π/4, intensidade resultante intermediária; (c) interferência destrutiva, fase entre as ondas φ=π.

(a)

(c)

8.3.

HOLOGRAFIA

A luz é uma onda eletromagnética e possui informações de amplitude e fase.

Processos de armazenamento de informação óptica de objetos com superfície difusa, tais como, fotografias, permitem determinar apenas a distribuição de intensidade da luz

11

(amplitude), não permitindo a determinação da fase. No entanto, a holografia é um método de registro óptico da interferência entre as ondas luminosas que se difratam e se dispersam num objeto (luz do objeto) com uma luz de referência. Essa fonte luminosa deve ser coerente. A holografia permite gravar e reproduzir com precisão as informações de amplitude e fase do objeto. Dessa forma, pode-se determinar a forma ou a deformação de uma superfície áspera.

8.3.1. Processo Holográfico

A obtenção da imagem tridimensional (3D) de um objeto, utilizando a holografia

compreende as etapas de registro e reconstrução da informação armazenada.

O registro é realizado iluminando o meio holográfico, por exemplo um filme com

resolução acima de 2000 linhas/mm, com um feixe objeto O e um feixe referência R. A

Figura 8.5a ilustra o processo de gravação de um holograma de transmissão [14], que é obtido dividindo o feixe laser com um divisor de feixes (beamsplitter). O feixe referência incide em um espelho plano e o feixe objeto no objeto em análise. Ambos feixes são expandidos e devem percorrer o mesmo caminho óptico, por causa da coerência temporal do laser. A relação entre as intensidades objeto e referência [15] que incidem no filme holográfico é fornecida pelo fabricante.

A reconstrução do holograma de transmissão é realizada após a revelação química

do filme holográfico. Este é iluminado apenas pelo feixe referência (R), como ilustra a Figura 8.5b. O padrão microscópico de pontos claros e escuros (Figura 8.6a), gerados pela interferência dos feixes R e O, irá difratar a luz na direção do feixe objeto original, como mostra a Figura 8.5b, reconstruindo uma imagem virtual na posição original do objeto. A Figura 8.6b e a Figura 8.6c mostram diferentes visualizações de um mesmo holograma.

12

(a)

(b)
(b)

Figura 8.5 - (a) Montagem experimental para a gravação de holograma de transmissão e (b) para reconstrução de hologramas de transmissão.

e (b) para reconstrução de hologramas de transmissão. (a) (b) (c) Figura 8.6 - (a) Padrão

(a)

(b)

(c)

Figura 8.6 - (a) Padrão de interferência gerado em uma placa holográfica; (b) e (c) duas visualizações distintas do mesmo holograma [14].

8.3.2. Formação da Rede Holográfica

O holograma é formado da interferência dos feixes laser de referência (R) e objeto (O). Sendo a luz uma onda eletromagnética, a intensidade desses feixes pode ser representada por:

R

O

(

(

r

r

) =

) =

2 2 E (r,t) = ( E exp[ − i ω t − k ⋅
2
2
E
(r,t)
= (
E
exp[
− i
ω t
k
r
)]
R
R
2 ,
2
E
(r,t)
= exp[
E
− (
i
ω t
k
r
)]
O
O

13

(8.12)

onde r é o vetor posição. A interferência desses feixes produz uma variação de intensidade dependente da diferença de fase entre o feixe R e O expressa por:

(8.13)

onde a diferença de fase ∆φ está relacionada com a variação da distância (r) entre os feixes R e O que também relaciona-se com o ângulo entre esses feixes. Considerando uma rede holográfica senoidal, formada por ondas planas [15], o período, ilustrado na Figura 8.7, é dado por:

I = R + O + 2

ilustrado na Figura 8.7, é dado por: I = R + O + 2 RO cos(

RO cos(φ) ,

2d senθ = λ .

(8.14)

Nessa equação, θ é o ângulo de incidência de R e O na placa holográfica e d o espaçamento da rede holográfica, como ilustra a Figura 8.7. Pela Eq.(8.14) nota-se que, para ângulos de incidência pequenos, há um grande espaçamento no padrão de interferência. Para se obter holograma com boa qualidade, deve-se utilizar um filme holográfico com alta resolução, acima de 2000 linhas/mm, no entanto, também é necessário escrever o holograma incidindo os feixes R e O num ângulo que produza a quantidade de linhas de interferência por milímetro desejada. Esse processo gera o holograma de transmissão. A amplitude de transmissão desse holograma pode ser superficial, se o material é pouco espesso, ou em volume se o material é espesso. Essa amplitude é obtida das relações de intensidade entre os feixes objeto O e de referência R:

T (x, y) = K[O(x, y)O * (x, y) + R(x, y)R * (x, y) + O * (x, y)R(x, y) + O(x, y)R * (x, y)] ,

(8.15)

o símbolo significa complexo conjugado e K uma constante de proporcionalidade que depende da natureza do material. Uma vez gerada a amplitude de transmissão, o holograma está confeccionado, e para se visualizar a imagem tridimensional, é necessário voltar a iluminar o holograma pelo feixe referência, tal que:

14

R

(

x

,

y T

)

(

x

,

y

)

=

(

R

R

(

x

,

x

,

y

)[

O

(

x

,

)

y O

*(

x

,

y ) O

*(

x , yRx ) ( , y

y

)

)

+

+

O

R

(

(

x

x

,

y R

)

*(

x

,

y

,

yRx ) ( , y ) R

)]

*(

+

x

,

y

).

(8.16)

y R ) *( x , y , yRx ) ( , y ) R )]

(a)

(b)

Figura 8.7- (a) Interferência de duas ondas senoidais planas em um meio holográfico e (b) padrão de interferência gerado.

Na Eq.(8.16), o termo O(x,y)R(x,y)R*(x,y) fornece a imagem virtual do objeto,

reconstruído através do espalhamento de luz difratada pelo holograma, a partir do feixe de

referência, conforme está ilustrado na Figura 8.5b. Esse termo representa a reconstrução da

imagem. A intensidade do feixe de referência, dada por R(x,y)R*(x,y), modulada pela

amplitude original do feixe objeto O(x,y), espalha a luz do feixe referência por difração,

como se a energia luminosa estivesse vindo diretamente do objeto. Portanto, um observador

posicionado em frente ao holograma tem a sensação visual, tanto em intensidade quanto em

profundidade, de estar diante do próprio objeto.

No caso dos hologramas de reflexão em volume, o objeto é posicionado por trás da

placa holográfica, como mostra a Figura 8.8. O feixe laser é expandido por um conjunto de

lentes e filtro espacial, iluminando a placa holográfica pela frente. Parte da luz que

atravessa a placa reflete na superfície do objeto retornando à placa e interferindo com a

frente de onda incidente nesta. Na Figura 8.9a é mostrado um exemplo considerando os

feixes referência e objeto com frentes de onda plana, por simplificação.

15

Figura 8.8 - Processo de gravação de holograma de reflexão. O objeto é posicionado atrás

Figura 8.8 - Processo de gravação de holograma de reflexão. O objeto é posicionado atrás do filme holográfico.

A reconstrução do holograma de reflexão é realizada iluminando-o na direção

original de incidência do feixe de referência, como mostra a Figura 8.9b. A rede holográfica em volume, formada na placa holográfica, difrata a luz na direção do feixe objeto original, reconstruindo assim, a imagem do objeto.

objeto original, reconstruindo assim, a imagem do objeto. (a) (b) Figura 8.9 - (a) Padrão de

(a)

original, reconstruindo assim, a imagem do objeto. (a) (b) Figura 8.9 - (a) Padrão de interferência

(b)

Figura 8.9 - (a) Padrão de interferência de duas frentes de onda plana interferindo por lados opostos,

gerando um holograma de reflexão. (b) Leitura do holograma de reflexão [15].

8.3.3. Materiais para Gravação Holográfica

Vários

materiais

com

alta

resolução

espacial

são

utilizados

como

meios

holográficos. A Tabela 8.1 lista os materiais mais utilizados e suas características.

Tabela 8.1 - Materiais usados para gravar hologramas.

Material

Resolução (linhas/mm)

Exposição

Revelação

Sal de prata Termoplástico Fotopolímero Foto-resiste Foto-refrativo

acima de 2000 de 300 a 1000 acima de 2000 acima de 4000 limitado pela rede cristalina

1-30 µJ/cm 2 0,5 - 100 µJ/cm 2 > 1 mJ/cm 2 > 10 mJ/cm 2 0,100 até 100 W/cm 2

química aquecimento química química Em tempo real

Os meios holográficos de sal de prata e os termoplásticos são os mais utilizados em

aplicações práticas em engenharia, no entanto, os materiais foto-refrativos apresentam a

16

propriedade de autodifração anisotrópica [16] e não necessitam de revelação química do holograma, que pode ser reconstruído (lido) em tempo real. O que permite o uso dos materiais foto-refrativos em novas aplicações. Nesta seção serão descritas algumas características dos materiais holográficos de sal de prata e termoplástico, e os princípios da formação da rede holográfica em cristais foto-refrativos e algumas aplicações recentes.

8.3.3.1. Materiais Sal de Prata

As emulsões de sal de prata são depositadas nas superfícies de placas de vidro ou então em filmes de polímeros. Esses meios holográficos possuem grãos de sal de prata muito finos e podem ser fabricados com grandes dimensões. Além disso, podem ser sensibilizados por vários comprimentos de onda do laser (ver Tabela 8.2). Por terem alta resolução espacial (acima de 2000 linhas/mm) são muito lentos para o registro holográfico, o tempo de exposição pode chegar a 60 s, dependendo da intensidade da luz incidente. A Tabela 8.2 lista as características dos filmes e placas holográficos de três fabricantes. A eficiência de difração máxima que se pode obter com um holograma utilizando esses materiais é 6%. A eficiência de difração η é definida como a porcentagem de luz usada para reconstruir o holograma que emerge na direção do feixe imagem. A exposição E x é obtida em função da eficiência de transferência de energia da rede holográfica η t , do

tempo de exposição τ, da potência P do laser e da área iluminada A.

E

x

=

ητ

t

P

A .

(8.17)

A relação da eficiência de difração pela exposição de um filme/placa holográfico varia de acordo com o gráfico da Figura 8.10. Essa relação dá a visibilidade das franjas de interferência. Os materiais holográficos de sal de prata necessitam de revelação química, por isso,

precisam ser retirados do local onde foi gerado o holograma, e após a revelação, precisam ser repostos na mesma posição.

17

Tabela 8.2 - Propriedades de materiais holográficos de sal de prata.

Material

Código

Tipo

Sensibilidade (µJ/cm 2 )

Resolução

Espessura

Fonte laser para gravar

 

(linhas/mm)

(µm)

Kodak

649F

placa

80

>2000

17

He-Ne, Ar, rubi

649F

filme

80

>2000

6

He-Ne, Ar, rubi

120-02

placa

40

>2000

6

He-Ne, rubi

SO-173

filme

40

>2500

6

He-Ne, rubi

130-02

placa

5

>1250

9

He-Ne, Ar

SO-253

filme

5

>1250

9

He-Ne, Ar

AGFA

8E75HD

placa/

10

<5000

7(15)

He-Ne, rubi

Gevaert

filme

 

8E56HD

placa/

25

<5000

7(15)

Ar

 

filme

 

10E75

placa/

1

<2800

7

He-Ne, rubi

 

filme

Ilford

FT340T

placa

200

<7000

6

He-Ne, rubi

Hotec R

filme

20

<7000

7

He-Ne, rubi

SP695T

placa

100

<5000

6

Ar

SP672

filme

100

<7000

7

Ar

6 Ar SP672 filme 100 <7000 7 Ar Figura 8.10 - Curvas característi cas da eficiência

Figura 8.10 - Curvas características da eficiência de difração η pela exposição E 0 relacionados com a visibilidade das franjas V.

18

8.3.3.2.

Materiais Termoplásticos

Hologramas podem ser gravados em filmes termoplásticos produzindo uma deformação em relevo em sua superfície, de acordo com a variação da intensidade da luz do padrão de interferência holográfico. Os termoplásticos normalmente não são foto-sensíveis, por isso devem estar combinados com um fotocondutor em um filme (Figura 8.11a), o qual pode apresentar uma resposta à luz. A seqüência completa do ciclo para gravar e apagar um holograma está ilustrado na Figura 8.11b. O primeiro passo é carregar eletricamente com um potencial eletrostático uniforme, aplicado à superfície do termoplástico. O segundo passo é a exposição ao padrão

de interferência holográfico. Isso modula a distribuição de cargas na superfície pela ação da

camada fotocondutora. A recarga é realizada para aumentar a variação de cargas. O sistema

é aquecido, entre 60 o C e 100 o C, e a camada plástica derrete deformando-se de acordo com

a distribuição do padrão de cargas elétricas. Através do resfriamento o padrão é

armazenado em relevo, de forma semipermanente, sendo apagado apenas quando a estrutura do termoplástico é aquecida a uma temperatura superior a de armazenamento da informação holográfica. A esta temperatura, há uma diminuição das tensões internas causando um relaxamento do termoplástico, dessa forma, desaparece a variação de espessura e apaga-se o holograma. Em alguns sistemas a etapa da recarga não é necessária.

O ciclo completo de gravação pode levar 10 s. A eficiência de difração de um termoplástico

pode ser superior a 30%.

de difração de um termoplástico pode ser superior a 30%. (a) (b) Figura 8.11 - (a)

(a)

(b)

Figura 8.11 - (a) Estrutura de um filme com camada termoplástica-fotocondutora. (b) ciclo gravar-

apagar de um holograma termoplástico.

19

8.3.3.3.

Cristais Foto-refrativos

Um grande número de cristais, tais como o niobato de lítio (LiNbO 3 ), titanato de bário (BaTiO 3 ), os da família dos selenetos: óxido de silício e bismuto (Bi 12 SiO 20 ); óxido

de germânio e bismuto (Bi 12 GeO 20 ) e o óxido de titânio e bismuto (Bi 12 TiO 20 ), assim como

o tantalato de potássio (KTN), o nitrato de bário e estrôncio (SBN), o fosfeto de índio (InP) são foto-refrativos, pois combinam sensibilidade à luz e efeito eletro-óptico linear. O processo mais simples de armazenamento óptico em cristais foto-refrativos (PRC)

é o de mistura de duas ondas, tais como os registros de hologramas em filmes ou placas

holográficas. No processo de formação do holograma de onda plana, faz-se a interferência dos feixes laser sinal S e referência R, no centro de um PRC. Neste caso haverá um padrão de interferência intercalando franjas claras e escuras igualmente espaçadas (ver Figura 8.7), seguindo uma modulação senoidal. Esses cristais são chamados "foto-refrativos", pois o índice de refração n varia com

a intensidade I da luz. Por isso, se o padrão de interferência é modulado senoidalmente, o índice de refração segue a mesma forma, formando um gradiente de índice de refração no interior do PRC, como ilustrado na Figura 8.12. Os cristais foto-refrativos mais utilizados são os da família dos selenetos BSO, BGO e BTO. A modulação do índice de refração

desses cristais [16,17], que pertencem ao grupo de simetria 23, segue a distribuição do campo elétrico E gerado pelo movimento dos portadores de carga (elétrons e lacunas). Quando estão apenas em regime de difusão (sem campo elétrico externo aplicado) E está deslocado de I em π/2. Devido às propriedades anisotrópicas dos PRCs, é possível separar os feixes transmitido e difratado com o uso de um polarizador. Dessa forma, enquanto o holograma é escrito, também pode ser reconstruído (lido), ou seja, a leitura do holograma é em tempo real. Para que a leitura da rede holográfica possa ser realizada em tempo real é necessário que o vetor da rede k g seja perpendicular à direção <001>, para isso a face de incidência dos feixes laser deve ser a (110), como mostra a Figura 8.13. Quando as polarizações dos feixes de referência R e sinal S (ver Figura 8.14) são paralelas à direção <001> do PRC, o feixe sinal transmitido S’ e o referência difratado R” possuirão polarizações ortogonais, como ilustrado na Figura 8.15a. Dessa forma, poderão ser facilmente separados por um

20

polarizador, tal que apenas o feixe difratado possa ser detectado, pois é este quem leva a informação do holograma.

pois é este quem leva a informação do holograma. Figura 8.12 – Modulação do índice de

Figura 8.12 – Modulação do índice de refração e do campo elétrico de cargas espaciais. I(x):

intensidade do padrão de interferência; m: taxa de modulação; k g : vetor da rede holográfica; ρ(x): densidade de cargas; E SC : campo elétrico de cargas espaciais; n 0 : índice de refração isotrópico do cristal; r 41 =r 52 =r 63 :

coeficiente eletro-óptico.

1 =r 5 2 =r 6 3 : coeficiente eletro-óptico. Figura 8.13 - Eixos cristalográficos do
1 =r 5 2 =r 6 3 : coeficiente eletro-óptico. Figura 8.13 - Eixos cristalográficos do

Figura 8.13 - Eixos cristalográficos do PRC.

Os cristais da família dos selenetos (BSO, BGO e BTO) apresentam atividade óptica natural e birrefringência linear induzida. Para obter a polarização dos feixes R e S paralelas à direção <001> no centro do cristal, é necessário compensar a polarização na entrada do cristal, como mostrado na Figura 8.15b. A birrefringência linear induzida não pode ser evitada, assim, os feixes que incidem linearmente polarizados na face (110) do cristal sairão com polarização elíptica, tal que não será possível separar totalmente os feixes S’ e R”.

21

Figura 8.14 - Formação da rede holográfica no centro do PRC. O BSO apresenta maior

Figura 8.14 - Formação da rede holográfica no centro do PRC.

O BSO apresenta maior eficiência de difração para o comprimento de onda λ = 514 nm (verde), enquanto que o BTO possui também uma boa eficiência de difração no comprimento de onda λ = 633 nm (vermelho), podendo ser utilizado com o laser de He-Ne. As dimensões desses cristais, em média, não ultrapassam 10 mm x 10 mm x 8 mm.

em média, não ultrapassam 10 mm x 10 mm x 8 mm. (a) (b) Figura 8.15

(a)

em média, não ultrapassam 10 mm x 10 mm x 8 mm. (a) (b) Figura 8.15

(b)

Figura 8.15 - (a) Polarizações dos feixes laser incidente, transmitido e difratado.(b) Compensação da polarização do feixe de entrada com um ângulo γ, tal que a polarização seja no centro do cristal foto-refrativo.

22

A eficiência de difração dos cristais foto-refrativos em regime de difusão (sem

campo elétrico externo aplicado) é baixa, aproximadamente 1%. Para melhorar essa eficiência de difração, é aplicado um campo elétrico externo na direção ortogonal ao plano da rede holográfica. Dessa forma é induzido um arrastamento (drift) de portadores de carga, melhorando a eficiência de difração dos cristais foto-refrativos. Os cristais foto-refrativos têm sido empregados em inúmeras aplicações em interferometria, óptica adaptativa, memórias holográficas; processamento óptico de sinais e de imagens. Eles são a base para alguns tipos de moduladores espaciais de luz. A possibilidade de reconstrução do holograma em tempo real pode ser utilizada, por exemplo, para estudo de modos de vibração em transdutores [18,19], para obtenção de resposta de

transdutores piezoelétricos de superfície difusa a pulsos ultra-sônicos [20,21,22] etc. Os PRCs têm um grande potencial em muitas aplicações em sistemas ópticos coerentes. Na próxima seção são apresentadas algumas das aplicações atuais dos PRCs ligadas à metrologia óptica e processamento de imagens e sinais ópticos em tempo real.

8.4. APLICAÇÕES HOLOGRÁFICAS NA INDÚSTRIA E EM PESQUISA

A holografia é aplicada em diversos ramos da metrologia óptica e processamento

óptico de imagens e sinais. Para a medição de deformação, deslocamento ou vibração mecânica, é utilizada a holografia interferométrica. As técnicas utilizadas para essas medições são a de dupla exposição ou em média temporal. O holograma de transformada de Fourier é utilizado para magnificação de imagens ou processamento óptico de sinais ou imagens, e a conjugação de fase reconstitui uma imagem ou frente de onda deformada.

8.4.1. Holografia Interferométrica

A holografia interferométrica é uma técnica de grande interesse da metrologia,

sendo aplicada quando os objetos em análise sofrem pequenas deformações. Dentre as aplicações, destacam-se:

23

- Medição de micro-deslocamentos;

- Medição de deformações mecânicas;

- Análise experimental de tensões mecânicas;

- Determinação do fator de intensificação de tensões;

- Determinação de propriedades dos materiais;

- Mecânica da fratura;

- Determinação de modos e amplitudes de vibração;

- Controle de qualidade.

A análise de um problema por meio da holografia interferométrica consiste na

interpretação do mapa de franjas resultante entre duas frentes de onda particulares. Ambas as frentes de onda têm origem em um mesmo corpo, porém, a cada uma corresponde um estado de deformação e/ou posicionamento geométrico distinto. Como resultado da holografia interferométrica, pode-se determinar o campo de deslocamentos sofrido pelo

corpo.

Qualitativamente a interpretação do mapa de franjas é relativamente simples e

direta. Por ser uma técnica de campo completo, ela é muito utilizada e difundida. O termo campo completo caracteriza-se por reunir informações sobre o comportamento de todos os pontos contidos dentro do campo visual.

A análise quantitativa não é tão direta. Em geral, envolve o levantamento de um

grande volume de dados experimentais e exige processamento por sofisticadas rotinas de cálculo.

A complexidade dos métodos de quantificação pela holografia interferométrica

varia com a natureza do problema enfrentado. Quando a direção do deslocamento é conhecida em todo o campo visual, o tratamento matemático dos dados experimentais é relativamente simples. A complexidade aumenta consideravelmente quando se trata de determinar a natureza tridimensional do campo de deslocamentos, bem como aumentar o volume de dados experimentais. Alguns métodos específicos foram formulados e têm sido usados. A forma clássica de abordar um problema genérico por meio da holografia interferométrica consiste em discretizar a região estudada com auxílio de uma malha desenhada no local. Dessa forma, uma fotografia é obtida da imagem reconstruída pela

24

holografia, na qual aparecem às franjas de interferência, como mostra a Figura 8.16. A

ordem de franja absoluta para cada ponto da malha é determinada. Este processo é repetido para mais dois ângulos de observação distintos. Com base ainda em parâmetros ligados à disposição geométrica dos componentes ópticos, as três componentes do deslocamento são calculadas. Os resultados estão sujeitos a erros oriundos principalmente da imprecisa atribuição visual da ordem de franja.

As técnicas de holografia interferométricas são duas, a de dupla exposição e a em

média temporal, que estão descritas nas próximas subseções.

temporal, que estão desc ritas nas próximas subseções. (a) (b) Figura 8.16 - Hologramas interferométricos. (a)

(a)

(b)

Figura 8.16 - Hologramas interferométricos. (a) holograma de dupla exposição de um projétil em movimento (R.F. Wuerker, TRW, Inc) e (b) franjas interferométricas em tempo real de um metal sob tensão

mecânica [15].

8.4.2. Holografia de Dupla Exposição

A holografia de dupla exposição é utilizada em estudo de deslocamento ou

deformação do objeto. Essa técnica holográfica consiste em obter dois hologramas no mesmo filme holográfico [23,24]. Inicialmente é gravado um holograma do objeto analisado antes de sofrer a deformação. Em seguida é produzida a deformação no objeto em análise, como, por exemplo, submetendo-o a uma tensão mecânica. Essa nova condição é gravada na segunda exposição. A deformação sofrida pelo objeto produz pequenas alterações na superfície ou volume do objeto, dessa forma altera o caminho percorrido pela

25

luz do objeto até o filme (ver Figura 8.17), como conseqüência, surgem franjas de interferência na imagem reconstruída, como ilustra a Figura 8.16a. A análise e interpretação da formação das franjas de interferência baseiam-se no princípio de que qualquer ponto do holograma contém informações sobre cada ponto visível do corpo, em todos os estados comparados interferometricamente. A Figura 8.17 mostra esquematicamente a disposição das componentes usadas na holografia interferométrica. A fonte de luz coerente (S) ilumina o objeto em duas posições distintas, registrando dessa forma, no holograma (H) duas frentes de onda originárias do objeto (Σ e

Σ').

A deformação sofrida pelo ponto O do objeto, ao ser observada no ponto P (ver Figura 8.17), mostra franjas de interferência devido à variação de fase (∆φ) ocorrida pela

variação da distância (d) entre os pontos O e O' (ver Figura 8.17). A deformação sofrida pelo objeto é obtida em função dos deslocamento de fase da interferência óptica [26]. Essa relação é dependente do comprimento de onda do laser (λ). A relação entre ∆φ e d pode ser obtida considerando n s e n p os vetores unitários da direção de iluminação, tal que:

vetores unitários da di reção de iluminação, tal que: Figura 8.17 - Interferência holográfica [26]. ∆

Figura 8.17 - Interferência holográfica [26].

φ = φ − φ ' 2 π ≅ [( SO − SO ') +
φ
=
φ
φ
'
2
π
[(
SO
SO
')
+
λ
2
π
=
(
n
n
)
⋅∆
d
.
p
s
λ

(

OP

26

O

'

P

)]

(8.18)

A posição inicial, gravada no holograma, é relativa ao caminho percorrido pela luz

SOP e a posição final ao caminho SO'P. Quando as duas frentes de onda, correspondentes aos estados inicial e final, são reconstruídas simultaneamente, a intensidade luminosa do ponto O poderá ser máxima quando ambas frentes de onda chegam com a mesma fase, ou variar até um mínimo quando estiverem com fases opostas (∆φ=π). Essa análise corresponde à intensidade resultante do ponto O, entretanto, este efeito simultâneo é para todos os pontos do corpo. O efeito resultante é o surgimento de franjas de interferência. Todos os pontos sobre a mesma franja de interferência estão com a mesma fase. Entretanto, a diferença de fase não pode ser determinada diretamente. Dessa forma, deve-se usar outro recurso que permita a partir um referencial, atribuir ao ponto O um parâmetro denominado "ordem de franja" (OF). Uma vez conhecida a OF de um ponto de interesse, pode-se associar este à diferença de fase, à diferença de caminho óptico, e ao vetor deslocamento. A diferença de fase é dada por φ = 2π OF .

8.4.2.1. Medição de Tensão Mecânica

Uma montagem experimental para obter hologramas interferométricos de dupla exposição, em duas placas holográficas, é mostrada na Figura 8.18. Essa montagem tem como finalidade analisar o efeito da tensão mecânica na mastigação (ver Figura 8.19), por isso são obtidos hologramas interferométricos simultâneos das partes frontal e lateral de um crânio humano, mostrados na Figura 8.19. A interpretação do padrão de franjas [25] descreve opticamente o deslocamento ocorrido na superfície do objeto. Pode-se mostrar que quanto maior a densidade de franjas, maior foi o deslocamento da superfície [23,26]. Uma intensidade I sobre um ponto do objeto em análise no campo de visão é:

I = 2 | A | 2 [1 + cos(φ)] ,

(8.19)

onde 2|A| 2 representa a intensidade do ponto devido às imagens individuais do objeto e está modulada pelas franjas senoidalmente.

O método da dupla exposição para análise de tensões mecânicas também é realizado

em cristais foto-refrativos. No entanto, devido às pequenas dimensões dos cristais foto-

27

refrativos, uma imagem do objeto é formada no interior do PRC, a qual interfere com o feixe de referência, como ilustrado na Figura 8.20. Nessa figura, um divisor de feixes (BS) separa o feixe laser em um feixe objeto, que incide no espelho E 1 , sendo expandido em seguida, ao passar por uma objetiva de microscópio (10x). Esse feixe expandido ilumina toda a superfície do objeto em análise e uma outra lente coleta a luz refletida pelo objeto, formando uma imagem deste no interior do cristal foto-refrativo. O feixe referência incide no espelho E 2 sem ser expandido, e interfere com a imagem do objeto no interior do cristal foto-refrativo. Os caminhos ópticos referência e objeto são iguais. O polarizador P 1 é alinhado, compensando a atividade óptica natural do BSO, de forma que o plano de polarização da luz incidente no centro do cristal seja vertical, pois nesse caso as polarizações dos feixes transmitido e difratado, na saída do cristal, serão ortogonais e poderão ser separados pelo polarizador P 2 . As imagens são adquiridas por uma câmera CCD ou uma câmera fotográfica.

adquiridas por uma câmera CCD ou uma câmera fotográfica. Figura 8.18 - Montagem experimental para obtenção

Figura 8.18 - Montagem experimental para obtenção de holograma de dupla exposição em duas placas holográficas.

28

Figura 8.19 - Holograma de dupla exposição de um crânio humano, usado no estudo de

Figura 8.19 - Holograma de dupla exposição de um crânio humano, usado no estudo de tensões mecânicas nos dentes.

humano, usado no estudo de tensões mecânicas nos dentes. Figura 8.20 - Montagem experimental para gravar

Figura 8.20 - Montagem experimental para gravar um holograma objeto em um cristal foto-refrativo

[29].

Inicialmente é gravado o holograma do objeto livre de tensões mecânicas. Os feixes sinal e referência são obstruídos e produz-se uma tensão mecânica na amostra analisada. Um novo holograma é gravado na nova condição da amostra, sem precisar retirar o PRC da posição original. Nesse processo são geradas franjas de interferência. A Figura 8.21 mostra hologramas interferométricos, em tempo real, de um metal e dentes submetidos a tensão mecânica [27]. Todo o processo leva no máximo 1 min.

29

(a) (b) (c) (d) Figura 8.21 - Análise de tensão mecânica por holografia de dupla

(a)

(b)

(c)

(d)

Figura 8.21 - Análise de tensão mecânica por holografia de dupla exposição em tempo real utilizando um BSO. (a) e (c) não submetidos à tensão mecânica; (b) e (d) submetidos à tensão mecânica.

8.4.2.2. Holografia em Tempo Real e em Média Temporal

No método de holografia em média temporal, primeiro registra-se um holograma do

objeto estático. No caso da utilização de um filme de sal de prata, este deve ser revelado, fixado etc. Em seguida deve ser reposicionado exatamente na montagem holográfica original. Dessa forma, é possível observar a interferência da frente de onda do próprio objeto com a reconstrução do holograma previamente registrado. Nessa condição, quaisquer modificações ou deformações no objeto dão origem às franjas de interferência em tempo real. A interferometria em tempo real é muito utilizada em determinação de amplitude de vibração e de tensão mecânica ou pressão sobre uma superfície.

A Figura 8.22 mostra hologramas em média temporal dos dois primeiros modos de

vibração de um violão, nas freqüências 185 Hz e 285 Hz. Neste caso, como há uma vibração, as franjas claras correspondem ao modo estacionário da vibração (nodos) e as franjas escuras aos pontos vibrantes da membrana (ventres). As franjas de interferência possuem um padrão descrito pela função de Bessel de ordem-zero (J 0 ) [15,28], como

mostra a Figura 8.23. O deslocamento da membrana vibrando é obtido tornando nula a função de Bessel de ordem-zero, que é dada por:

I

=

2

A J

2

0

⎝ ⎜

d

⎟ ⎠

π

n

λ

= 0

,

(8.20)

nessa equação, d é a diferença de caminho óptico que corresponde a duas vezes à componente pico-a-pico da amplitude de vibração.

A holografia em tempo-real é realizada da mesma forma que a em média temporal.

A Figura 8.24 ilustra o estudo da variação de pressão sobre um diafragma de metal fino. No

30

entanto, holografias em tempo-real e/ou média temporal são de difícil realização com filmes/placas de sal de prata, devido à necessidade de reposicionamento do filme, na posição original exata. Os meios holográficos ideais para essa análise são os termoplásticos e os cristais foto-refrativos por não necessitarem de revelação química, dessa forma, não precisam ser retirados da posição original para o estudo em tempo real das deformações.

original pa ra o estudo em tempo real das deformações. Figura 8.22 - Fotografias das imagens

Figura 8.22 - Fotografias das imagens de um violão vibrando. Hologramas registrados em "média temporal" nas freqüências: (a) 185 Hz e (b) 285 Hz. Essas são franjas características dos dois primeiros modos de vibração do violão [15].

dos dois primeiros modos de vibração do violão [15]. Figura 8.23 - Padrão de interferência das

Figura 8.23 - Padrão de interferência das franjas governado pelo J 0 da função de Bessel de primeira ordem

[33].

31

Para maiores detalhes sobre holografia interferométrica recomenda-se [23] e para suas aplicações na indústria recomenda-se o Capítulo 7 de [28].

na indústria recomenda-se o Capítulo 7 de [ 28 ]. Figura 8.24 - Diafragma de metal

Figura 8.24 - Diafragma de metal fino sujeito a um acréscimo de pressão.A deformação é observada em tempo real por holografia interferométrica [28].

8.4.2.3. Detecção de Ondas de Superfície

A holografia em média temporal é bastante utilizada em cristais foto-refrativos para determinar os modos de vibração de um transdutor [18,19,29]. O trabalho apresentado aqui [22], envolve o estudo de ondas de Lamb (ondas superficiais). O cristal utilizado é um BSO.

No centro do PRC ocorre a interferência entre o feixe referência e o feixe sinal que traz informações da superfície vibrando (ver Figura 8.25). O objeto em análise é uma folha de níquel e o transdutor piezoelétrico é excitado com um sinal senoidal contínuo. A Figura 8.26 mostra a propagação da onda na folha de níquel para três diferentes freqüências de excitação, 8 kHz, 15 kHz e 30 kHz.

32

Figura 8.25 - Montagem experime ntal para detecção óptica de onda s de Lamb em

Figura 8.25 - Montagem experimental para detecção óptica de ondas de Lamb em um PRC [22].

para detecção óptica de onda s de Lamb em um PRC [22]. (a) (b) (c) (d)

(a)

(b)

(c)

óptica de onda s de Lamb em um PRC [22]. (a) (b) (c) (d) (e) (f)

(d)

(e)

(f)

Figura 8.26 - Fotografia das ondas de Lamb viajando na superfície da folha de níquel: (a) 8 kHz, (b)

15 kHz, (c) 30 kHz. Modos de flexão das ondas superficiais: (d) 8 kHz, (e) 15 kHz, (f) 30 kHz [22].

8.4.2.4. Holograma de Transformada de Fourier

Um objeto transparente iluminado e posicionado no plano P 1 (ver Figura 8.27a), que é o plano focal de uma lente convergente L 1 , forma uma imagem no plano P 2 , que é o plano focal do outro lado dessa lente. A relação entre os dois planos será o de uma transformada de Fourier, como ilustra a Figura 8.27b, que mostra uma lente convergente realizando uma transformada de Fourier de uma abertura quadrada. A transformada inversa de Fourier é

33

obtida ao posicionar uma segunda lente L 2 , com seu plano focal no plano P 2 (ver Figura 8.27a). Do outro lado da lente, no outro plano focal P 3 , é obtida a transforma inversa de Fourier [30,31]. Essa propriedade óptica das lentes é usada para formar hologramas de Fourier. Entre as aplicações dos hologramas de Fourier, destacam-se a magnificação de imagens, determinações de tamanho de partículas [32] e a aplicação descrita nessa seção, que é o processamento óptico de sinais. Hologramas de Fourier são realizados posicionando o meio holográfico H (ver Figura 8.28a) no plano focal de uma lente convergente L 1 , e no plano focal, do outro lado da lente, deve estar o objeto transparente iluminado, como ilustra a Figura 8.28a. A interferência do feixe objeto u 1 (transformada de Fourier) com o feixe referência u 2 é gravado no holograma.

com o feixe referência u 2 é gravado no holograma. (a) (b) Figura 8.27 - (a)

(a)

(b)

Figura 8.27 - (a) Lentes realizando uma transformada de Fourier e uma transformada inversa de Fourier. (b) Uma lente convergente transforma uma onda plana em onda esférica. No plano imagem se obtém a transformada de Fourier de uma abertura quadrada.

O método de Vanderlugt de confecção de filtros casados [30 , 33] é utilizado, por exemplo, para determinar se há um caractere ou forma presente no holograma de Fourier. Nesse caso, posiciona-se no plano focal da lente L 1 o caractere que deseja-se reconhecer (ver Figura 8.28b). Esse será o feixe de leitura u 4 , o qual faz a autocorrelação com o holograma de Fourier previamente gravado. Se o caractere desejado é encontrado no holograma de Fourier, no plano focal da segunda lente L 2 aparecem funções deltas

34

mostrando as posições em que o caractere foi encontrado, como mostra a Figura 8.29. A autocorrelação [34] entre os sinais é dada por:

(8.21)

onde o símbolo significa correlação, o símbolo * indica complexo conjugado e δ é a função delta.

u

3

=

u

4

u

1

δ

,

a função delta. u 3 = u 4 ⊗ u ∗ ⊗ 1 δ , (a)

(a)

(b)

Figura 8.28 - (a) Processo de gravação de um holograma de Fourier, u 1 é o feixe objeto, u 2 o feixe de referência e H o meio holográfico. (b) Processo de leitura de um holograma de Fourier (filtro casado de Vanderlugt), u 4 é o caractere a ser reconhecido ou função impulso e u 3 é o plano da autocorrelação.

35

Figura 8.29 - Identificação da letra e com o filtro de Vanderlugt de reconhecimento de

Figura 8.29 - Identificação da letra e com o filtro de Vanderlugt de reconhecimento de caracteres. No topo o sinal de entrada, no centro a autocorrelação observada. Embaixo as deltas obtidas em um fotodetector array [15].

8.4.2.5. Conjugador de Fase

Conjugadores de fase são dispositivos ópticos que produzem uma réplica, reversa

no tempo, de uma onda eletromagnética incidente no meio holográfico. Estes dispositivos

ópticos apresentam um papel importante em sistemas ópticos que espalham a onda

eletromagnética incidente, como será visto mais adiante nas aplicações de cristais foto-

refrativos. Nesta seção será apresentada a conjugação de fase em filmes holográficos, para

reconstrução de imagens.

O campo elétrico de uma onda eletromagnética viajando na direção z pode ser

escrito como:

E

E

=

=

E

0

E

1

exp[ (

i

ω

exp[ i (

ω

t

kz

φ

)]

t

kz

)]

E

1

=

E

0

exp(

φ

i

),

(8.22)

onde E 0 é a amplitude da onda e φ a fase, ambas são funções reais da posição (x,y,z). O par

conjugado da onda eletromagnética da Eq.(8.22) é:

E

c

=

E

1

exp[ (

i ω t

36

+

kz

)]

.

(8.23)

a Eq.(8.23) mostra a componente E* 1 que é o complexo conjugado de E 1 , logo, é o termo que apresenta a fase conjugada. Nota-se também, comparando as Eq. (8.22) e (8.23), que a primeira representa uma onda eletromagnética que viaja na direção z positiva e a segunda na direção z negativa. A conjugação da fase faz com que a onda que viaja na direção z negativa tenha exatamente a mesma forma e fase da onda eletromagnética que viaja na direção z positiva, como mostra a Figura 8.30. A gravação de um holograma de um objeto com fase distorcida está ilustrado na Figura 8.30a. Nessa figura, entre o objeto e o holograma há um meio de distorção de fase (um pedaço de vidro). O feixe de referência interfere com essa frente de onda distorcida do objeto no holograma. Quando o holograma é iluminado como na Figura 8.30b, com o conjugado do feixe de referência, o conjugado da frente de onda do objeto é reconstruído.

o conjugado da frente de onda do objeto é reconstruído. Figura 8.30 - (a) Gravação de

Figura 8.30 - (a) Gravação de um holograma com uma frente de onda distorcida. (b) Reconstrução do holograma, eliminando a distorção na frente de onda, ao passar novamente pelo meio de distorção [15].

Um resultado dessa técnica, em formação de imagens, é mostrado na Fig. 8.31. A Fig. 8.31a mostra o objeto que gerou o holograma. A Fig. 8.31b mostra a imagem observada quando o método é corretamente empregado e a Fig. 8.31c mostra a reconstrução do holograma com o meio de distorção removido.

37

Figura 8.31 - (a) Objeto; (b) Imagem formada pelo arranjo da Figura 8.30b; (c) imagem

Figura 8.31 - (a) Objeto; (b) Imagem formada pelo arranjo da Figura 8.30b; (c) imagem obtida quando o meio de distorção é retirado [15].

8.4.2.6. Interferômetros Foto-refrativos

Uma das grandes dificuldades na medição de amplitudes de vibração de transdutores piezoelétricos na faixa de freqüência de alguns MHz está relacionada com a superfície difusa dos transdutores. Ing e Monchalin [35] mostraram, em 1991, um sistema de mistura de duas ondas em foto-refrativos, capaz de realizar as detecções de ultra-som em superfícies difusas. Outros sistemas utilizando o método de conjugação de fase em foto- refrativos também são propostos como forma de detecção de ultra-som de superfícies difusas [21,36].

8.4.2.6.1. Detecção de Ultra-som em Superfícies Difusas

Hologramas permitem o registro de informações originárias de objetos ou superfícies difusas. A difração anisotrópica dos cristais foto-refrativos, a qual permite a escrita e leitura da informação armazenada em tempo real, possibilita a leitura do sinal ultra-sônico de superfícies difusas [20]. Nessa subseção será descrito o sistema de Pouet et al. [20], que utiliza a holografia em cristais foto-refrativos como uma boa solução para realizar essas medições em sistemas interferométricos. A Figura 8.32 ilustra a montagem experimental básica (fora de escala) do processo de gravação e leitura do sinal ultra-sônico em cristais foto-refrativos BSO e BGO, utilizando demodulação heteródina * para evitar ruído ambiente na resposta [37]. Na Figura

* sistema interferométrico heteródino: interferência entre feixes laser com duas freqüências ópticas.

Como conseqüência há uma modulação em freqüência no sinal de resposta.

38

8.32 o feixe sinal é espalhado pela superfície difusa e o sinal de referência interferem no interior do PRC. A escrita da rede holográfica é realizada com os feixes sinal e referência de mesma freqüência óptica (homódinos). Esta é estacionária espacialmente. A leitura do holograma é realizada com o feixe de referência com a freqüência óptica modificada. Um polarizador posicionado na saída do PRC deixa passar apenas o feixe referência difratado na rede holográfica. O resultado obtido é ilustrado na Figura 8.33, a qual mostra uma comparação entre uma média de 64 aquisições e o sinal instantâneo, os quais mantêm a mesma forma e deslocamento pico-a-pico do transdutor piezoelétrico, que é aproximadamente 5,3 nm.

transdutor piezoelétrico, que é aproximadamente 5,3 nm. Figura 8.32 - Montagem experimental para demodulação

Figura 8.32 - Montagem experimental para demodulação heteródina do estudo de respostas a pulsos ultra-sônicos de uma superfície rugosa [20].

a pulsos ultra-sônicos de uma superfície rugosa [20]. Figura 8.33 - Sinal ultra-sônico detectado de uma

Figura 8.33 - Sinal ultra-sônico detectado de uma placa de com superfície rugosa. (A) média de 64 amostras do sinal; (B) sinal instantâneo[20].

39

Uma outra montagem utilizada na detecção de ultra-som é a de conjugação de fase e mistura de duas ondas. A montagem experimental ilustrada na Figura 8.34 mostra um interferômetro heteródino combinado a um espelho conjugador de fase. Dando ênfase apenas à conjugação de fase, na Figura 8.34 está destaca a parte em que ocorre a conjugação de fase (DPCM). Este destaque é ilustrado na Figura 8.35, na qual o feixe objeto S 1 interfere com o feixe referência P 1 , gerando uma rede holográfica no cristal foto- refrativo BaTiO 3 . Devido à propriedade de autodifração desses materiais, o feixe objeto é difratado na rede holográfica, gerando o feixe P 2 , que é o conjugado da onda plana P 1 . Este feixe difratado e limpo (P 2 ) interfere no interferômetro heteródino, e através de uma demodulação em freqüências obtém-se a resposta do deslocamento da superfície analisada

[21].

a resposta do deslocamento da superfície analisada [21]. Figura 8.34 - Detecção de ultra-som por um

Figura 8.34 - Detecção de ultra-som por um sistema interferométrico de DPCM combinado com um interferômetro heteródino [21].

de DPCM combinado com um interferômetro heteródino [21]. Figura 8.35 - Conjugação de fase em mistura

Figura 8.35 - Conjugação de fase em mistura de duas ondas [21].

40

8.4.2.7.

Medição de Deslocamento Angular

Recentemente foi mostrado um procedimento para obter padrões tipo-moiré em redes holográficas em tempo real nos cristais foto-refrativos [38]. Nesse trabalho foi utilizado um BTO. Essa técnica pode ser utilizada para determinação de pequenas variações angulares e micro-deslocamentos. Para isso, registra-se o holograma do objeto em repouso. Um segundo holograma é escrito após introduzir uma pequena inclinação no PRC. Esse procedimento produz franjas tipo-moiré, como mostra a Figura 8.36. Através da medição do espaçamento das franjas, é possível determinar a variação angular que do PRC. Quanto maior for a inclinação do PRC em relação à posição original, maior será o número de franjas, como indica a Figura 8.37a, que é a curva de calibração do espaçamento da rede moiré em função da rotação, em radianos, sofrida pelo BTO. A Figura 8.37b mostra o esquema montado para calibrar um parafuso.

8.37b mostra o esquema montado para calibrar um parafuso. Figura 8.36 - Padrão de interferência produzido

Figura 8.36 - Padrão de interferência produzido pelo moiré dinâmico. As grades ficam mais estreitas à medida que o cristal BTO gira de pequenos ângulos α [38].

que o cristal BTO gira de pequenos ângulos α [38]. (a) (b) Figura 8.37 - (a)

(a)

(b)

Figura 8.37 - (a) Curva experimental da dependência do espaçamento δ das franjas de moiré com a rotação do BTO em um ângulo α; (b) Esquema do sistema de teste [38].

41

8.5.

HOLOGRAFIA ELETRÔNICA E HOLOGRAFIA DIGITAL

Na holografia eletrônica (HE), também conhecida com o Electronic Speckle Pattern Interferometry (ESPI), o contorno do objeto é projetado na câmera CCD e apenas as intensidades são reconstruídas pelo processo de correlação. Esse sistema holográfico é similar à holografia convencional em filmes. No entanto, em vez de usar o filme holográfico, o meio no qual a informação óptica é registrada é o sensor CCD de uma câmera de TV. A Figura 8.38 mostra um esquema básico de gravação de HE. O feixe de referência normalmente tem 5% da intensidade do feixe objeto. A resolução dos HE não é tão alta quanto a dos filmes holográfico que podem atingir até 7000 linhas/mm (ver Tabela 8.2). A resolução espacial dos HE está limitada pela câmera CCD, que tipicamente opera em 1024 x 1024 pixels. As aplicações da HE também são relacionadas a hologramas em tempo real e em média temporal.

a hologramas em tempo real e em média temporal. Figura 8.38 - Geometria típica para gavação

Figura 8.38 - Geometria típica para gavação de hologramas eletrônicos [28].

A Figura 8.39 mostra uma aplicação de holografia eletrônica para medição de contornos, através da geração de franjas de interferência pela alteração do ângulo de iluminação. Esta figura mostra uma garrafa de vidro pressurizada, com o mapa campo- deformação corrigido para a forma.

42

Figura 8.39 - Combinação de contorno e medição no plano para produzir o mapa de

Figura 8.39 - Combinação de contorno e medição no plano para produzir o mapa de deformações correto. O objeto é uma garrafa de vidro pressurizada [28].

A holografia digital (HD) é completamente diferente da HE, apesar de também utilizar câmeras CCD. Na HD os hologramas de Fresnel (ou Fraunhofer) opticamente gerados são gravados por uma câmera CCD e armazenados em um computador. A reconstrução da imagem real ou virtual não é realizada opticamente, através da iluminação do holograma com o feixe de referência, mas numericamente pela multiplicação dos hologramas armazenados com um modelo numérico da onda de referência. A holografia digital oferece uma grande variedade de aplicações, como por exemplo, a holografia interferométrica para deformações ou medição de contornos ou holografia de análise de partículas. A subtração da distribuição de fase reconstruída sem o campo da onda para dois estados carregados do objeto na distribuição de fase sem o sinal de ambigüidade e sem a necessidade de uma avaliação do holograma, mas com um resultado e repetibilidade comparáveis aos métodos de deslocamento de fase. A holografia digital pode ser aplicada à medição de deslocamentos no plano ou fora do plano. A Figura 8.40 mostra uma montagem experimental [39] utilizada para realizar essas medições. Inicialmente são obtidos os mapas de fase (ver Figura 8.41). A subtração desses mapas de fase, de forma conveniente, origina os padrões de interferência mostrados na Figura 8.42, através dos quais pode-se determinar os deslocamentos fora do plano (normal) e no plano (tangente).

43

Figura 8.40 - Montagem experimental para medição de deslocamento no plano e fora do plano

Figura 8.40 - Montagem experimental para medição de deslocamento no plano e fora do plano [39].

medição de deslocamento no plano e fora do plano [39]. Figura 8.41 - Fase dos hologramas

Figura 8.41 - Fase dos hologramas [39].

fora do plano [39]. Figura 8.41 - Fase dos hologramas [39]. (a) (b) Figura 8.42 -

(a)

(b)

Figura 8.42 - Interferência de fase correspondentes aos deslocamentos (a) fora do plano e (b) no

plano [39].

8.6. HOLOGRAMA GERADO POR COMPUTADOR (HGC)

A grande maioria dos hologramas é feita usando interferência de luz coerente, como descrito nas seções anteriores. Entretanto, uma significante parcela de estudo é realizada com métodos de criar hologramas através de cálculos computacionais, os quais são transferidos para uma transparência após ser impresso em uma "plotter" de alta resolução.

44

Nesse processo, pode-se criar imagens de objetos que nunca existiram no mundo real. A

limitação da criação de imagens bidimensionais ou tridimensionais está na habilidade de criar imagens através de cálculos matemáticos, ou de processar a imagem em um computador, sem que haja muito consumo de tempo.

O processo de criação de hologramas gerados por computador (HGC) pode ser

dividido em três partes. A primeira é a parte computacional, a qual envolve cálculos para que os campos do objeto produzam hologramas planos, se ele existir. A segunda parte do

processo é a escolha de uma representação dos campos complexos no holograma plano. A terceira parte do problema é a transferência da representação codificada do campo para a transparência. Neste texto serão descritos brevemente os dois mais antigos e tradicionais de para criar um HGC, que são o "detour-phase holograms" e o "kinoform" [33].

8.6.1. Detour-phase Holograms

O mais antigo e talvez o melhor método para criar hologramas por campos

complexos computacionais é chamado de método "detour-phase". Este método aceita as

restrições impostas pela maioria das impressoras, pois os padrões impressos são binários e convenientemente feitos por blocos ou retângulos negros com tamanho e incremento controlados.

A Figura 8.43a mostra um HGC, uma transformada de Fourier binária, e Figura

8.43b mostra a fotografia da imagem produzida por esse holograma, quando iluminado por uma fonte de luz coerente. Nesse caso, o processamento numérico computacional foi planejado para que o objeto fosse iluminado através de uma tela difusa, por isso a aparência granular da imagem.

45

(a) (b) Figura 8.43 - (a) Holograma gerado por computador de uma transformada de Fourier

(a)

(b)

Figura 8.43 - (a) Holograma gerado por computador de uma transformada de Fourier binária e (b) a

imagem produzida por este HGC [15].

8.6.2. Kinoform

Um holograma kinoform é similar a uma lente de Fresnel [11]. Como em um holograma de transmissão em filmes, o holograma kinoform pode mostrar uma imagem tridimensional. A diferença deste para o holograma convencional é que ele pode difratar toda a iluminação recebida em uma ordem de difração única. O conceito básico, é que o objeto tem uma amplitude complexa A(x,y) e pode ser satisfatoriamente gravada considerando a onda com uma amplitude constante. Sua amplitude complexa é:

(8.24)

No caso do kinoform, assume-se que as fases dos coeficientes de Fourier carregam a maioria das informações sobre um objeto e a informação da amplitude pode ser desconsiderada [40] A codificação é realizada mapeando linearmente o intervalo de fase (0, 2π) em um nível contínuo de cinza. O resultado é impresso em uma impressora de alta resolução e transposto reduzido para uma transparência. A Figura 8.44a mostra o resultado do processamento numérico computacional impresso e feito a chapa. Após a iluminação deste, obtém-se a imagem da Figura 8.44b.

A(x, y) = C exp[iϕ(x, y)].

46

(a) (b) Figura 8.44 - (a) Níveis de cinza que formam a chapa holográfica de

(a)

(b)

Figura 8.44 - (a) Níveis de cinza que formam a chapa holográfica de kinoform e (b) imagem produzida pelo kinoform [15].

8.6.2.1.

Aplicação

O HGC pode ser usado como um sensor óptico na inspeção de rugosidade de uma

peça. Esse sensor é o elemento responsável pela difração da luz que é distorcida pelas irregularidades de uma superfície rugosa e plana. O padrão é gravado com uma câmera CCD, e esta informação pode ser analisada pela transformada de Fourier.

O holograma utilizado e a montagem óptica para a análise de rugosidade estão

ilustrados na Figura 8.45 [41]. Este é um holograma idêntico ao que seria obtido pelo uso da técnica fotoquímica, com um objeto real. No sistema interferométrico o feixe do laser de He-Ne é expandido e colimado por um sistema de lentes e incide no holograma. Uma câmera CCD captura a imagem obtida (Figura 8.45) e um computador acoplado a essa

câmera faz o processamento da imagem. Uma forma de estimar a rugosidade é através do cálculo do contraste (modulação da energia) e, desta forma, é evitada a dependência na refletância.

47

Figura 8.45 - Montagem experimental para análise de rugosidade em uma superfície. 8.7. REFERÊNCIAS 1.

Figura 8.45 - Montagem experimental para análise de rugosidade em uma superfície.

8.7.

REFERÊNCIAS

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