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PLANO DE AULA

I IDENTIFICAÇÃO

Nome do estagiário: Elcio Queiroz Couto Letras Língua Portuguesa Unimep Unidade escolar:

Série: 2º ano do Ensino Médio - EJA. Turno: Noturno. Número de Alunos: 25 Número de Aulas Previstas: 2

II ASSUNTO DA AULA

Este plano de aula propõe a apresentação introdutória das características e especificidades da Literatura Digital. Para tanto, será feito uso de aula expositiva e leitura e análise de obras digitais.

III JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO ASSUNTO

Nota-se que atualmente grande parte das pessoas dedica muitas horas à frente do computador, conectada à internet, realizando diversas atividades, seja de entretenimento, trabalho, estudos, comunicação, interação etc., o que sinaliza que o computador e a rede se transformaram, inegavelmente, em importantes instrumentos e espaços para as mais diversas realizações. Dessa forma, é natural que todo tipo de conteúdo seja desenvolvido especificamente para circular em ambiente digital, como é o caso da literatura digital. A literatura digital está baseada na convergência de múltiplas semioses (imagética, sonoro, textual) e está pautada nas possibilidades de leitura não linear do hipertexto, características que supõem novos modos de leitura e produção de textos. Diante disso, torna-se importante que a questão da literatura digital seja levada à sala de aula e se transforme em objeto de estudo, por ser uma proposta de novas possibilidades de realização artística ligada às letras e por utilizar de linguagens, suportes e ferramentas cada vez mais presentes no cotidiano do aluno. Dessa forma, no sentido de apresentar aos alunos essas novas possibilidades de produção e leitura de textos literários, é que este plano de aula encontra sua justificativa.

IV ORIENTAÇÕES TEÓRICAS

Como assinala Dias (2012), a literatura em ambiente digital/virtual vem ao longo dos anos ganhando adeptos entre os leitores. No entanto, trata-se de matéria ainda pouco estudada e aprofundada. Deve-se entender como literatura digital aquela que é desenvolvida, produzida e pensada especificamente para circular e ser lida em ambiente virtual, no que se diferencia, por exemplo, do que se entende por literatura digitalizada, que

é aquela em que o texto literário tradicional impresso é transposto para suporte digital, como os ebooks. Diante disso, a obra de literatura digital necessita de sons, hiperlinks, imagens (animadas ou não), além de possibilitar interatividade ativa entre leitor e texto e promover uma leitura não linear. Em outras palavras, o texto literário digital se utiliza de recursos tecnológicos que alteram a relação leitor/texto, em uma experiência que não pode ser realizada fora do ambiente digital. Assim como a literatura tradicional é constituída por gêneros, afirma a autora, na literatura digital fala-se, ainda que incipientemente, em gêneros como poesia hipertextual (ou ciberpoesia), prosa digital, hiperconto etc. Segundo Spalding (2010), o hiperconto é um conto tradicional adaptado para o ambiente digital, que, embora faça uso das mais diversas possibilidades multimídia, tem como ponto central o texto escrito, o que preserva seu caráter literário. Ainda segundo o autor, os autores de textos digitais devem mobilizar recursos multissemióticos, assim como integrar jogos de computador, artes digitais, desenhos gráficos, animações para a construção de suas obras. Os recursos possibilitam a ampliação de sentidos que podem ser produzidos, principalmente a partir dos processos interativos na relação leitor/texto, em que o leitor atua, por vezes, em uma leitura colaborativa, como coprodutor da obra, já que pode interferir na forma de organização do texto e modificar os caminhos da trama e dos finais possíveis, previamente sinalizados pelo autor. Quanto à atuação do leitor como coprodutor da obra, isso se deve às possibilidades apresentadas pelo hipertexto. Como assinala Koch (2007), a questão pode ser melhor percebida principalmente pela autonomia que o leitor tem na construção e escolha dos caminhos de leitura: enquanto que o leitor de um texto impresso está relativamente sujeito à ordem de leitura estabelecida pelo autor, o leitor em um ambiente digital pode subverter essa ordem, por conta da natureza flexível e não linear do texto digital, ou hipertexto, e traçar seus próprios caminhos de leitura. Conforme a autora, o hipertexto possui uma “estrutura flexível e não linear”, fato que “favorece buscas divergentes e o trilhar de caminhos diversos”. Dessa forma, o leitor definirá os percursos próprios e individuais, a partir das possibilidades de leituras dentro desse gênero. Em vista disso, algumas obras digitais, como os hipercontos, conseguem, segundo Dias (2012), romper com a linearidade dos contos impressos e possibilitar caminhos diversos de leitura:

Eles [os hipercontos] oferecem situações interativas interessantes em que o leitor pode se tornar um personagem da narrativa ou, ainda, escolher finais diferentes para um mesmo conto. Essas possibilidades oferecidas pelos gêneros digitais contemporâneos, com uma estrutura narrativa multilinear, além de ampliar a participação do leitor na produção de sentidos, convidam-no a revisitar, ou resgatar, uma autonomia no processo de produção e interação textual. Esse processo, em alguns

hipercontos, vai além da interação homem e máquina e é ampliado para a interação homem e conteúdo, homem e hipertexto.

Quanto ao trabalho com a literatura digital em sala de aula, Dias (2012) afirma que cabe à escola aproximar os alunos dos gêneros que podem estar presentes em seu cotidiano, gêneros e textos que se utilizam de recursos semióticos variados e que podem ampliar o universo de significações a serem construídas pelo aluno. Ainda segundo a autora, a relevância da questão “reside no fato de que a escola deve ocupar os espações nos quais os alunos têm se locomovido com muita familiaridade e motivação, qual seja, os ambientes virtuais hospedados na rede de internet”.

V OBJETIVOS A SEREM ALCANÇADOS AO TÉRMINO DA AULA

Espera-se que os alunos possam ter contato com a expressão artística Literatura Digital e possam compreender suas especificidades e diferenças em relação à literatura tradicional impressa ou veiculada em suportes digitais, como os ebooks. Espera-se também que os alunos mobilizem estratégias de leitura de obras digitais, como a significação de elementos visuais e de multimídia e suas relações com o texto, como na análise da obra Dois palitos, de Samir Mesquita e a noção de hipertexto e leitura colaborativa com a atividade de leitura do hiperconto Um estudo em vermelho, de Marcelo Spalding. Pela evidente dificuldade na produção de obras de literatura digital, não será previsto neste plano de aula que os alunos produzam texto. Dessa forma, este plano se constitui de atividades que possibilitem uma aproximação introdutória com a linguagem do gênero digital.

VI METODOLOGIA

Considerando os objetivos do plano, as atividades estão previstas para serem realizadas em duas aulas de 45 minutos, sendo a primeira constituída de um momento de exposição do assunto e de um momento de leitura e análise de um texto. Na segunda aula, os alunos serão encaminhados para a sala de informática da escola para realizarem a leitura colaborativa de um hiperconto, momento em que poderão ter contato com a experiência de leitura de uma obra que faz uso do hipertexto e de participação do leitor na construção da trama. Para a realização das aulas, serão necessários os recursos de datashow e o uso da sala de informática da escola.

Aula 1

Nesta aula, serão apresentadas as características que definem a noção de Literatura Digital e suas diferenças com a literatura tradicional em meio impresso e também com a

literatura digitalizada, como os ebooks. Inicialmente, o professor perguntará aos alunos se eles conhecem literatura digital ou o que entendem por esse termo. Diante das observações e comentários dos alunos, o professor introduzirá o assunto atentando para as seguintes questões:

- A literatura digital é constituída por textos que fazem uso da linguagem literária e da linguagem de programação de computador;

- Sendo feitas especificamente para mídias digitais, as obras de literatura digital não

podem ser impressas em papel;

- Por ser literatura, a obra digital deve conter texto, primordialmente, o que não exclui

o uso de outras linguagens multimídias, como imagens, sons, vídeos, etc; - A literatura digital, assim como a impressa, é composta por diferentes gêneros. Dessa forma, fala-se em hiperconto, ciberpoesia, novela interativa, etc. Por se tratarem de gêneros novos, as características e estruturas não estão fixadas e determinadas;

- A literatura digital pode ser multimídia, hipertextual, interativa, mas há obras que não fazem uso de todos esses recursos ao mesmo tempo;

- A leitura de uma obra digital é marcada pela não linearidade. O leitor, por meio de

hiperlinks, tem a possibilidade de “construir” caminhos de leitura diversificados e, por

vezes, participar da obra inclusive como personagem. Dessa forma, há obras que possibilitam diversos caminhos e desfechos, dependendo das escolhas do leitor. A noção do autor e da autoria fica, dessa forma, relativizada;

- Apesar de as obras permitirem diversos caminhos para leitura, a figura do autor não

se desfaz, uma vez que as possibilidades de leitura são limitadas pelas escolhas oferecidas pelo autor;

- Literatura digital não é o mesmo que ebooks. Os ebooks são livros digitalizados, que mantêm a linearidade da leitura, sendo livros tradicionais em um suporte digital;

- Embora alguns ebooks possuam recursos multimídia, eles não são feitos e pensados especificamente em linguagem digital como é a literatura digital;

- Uma vez que a criação de uma obra digital requer conhecimentos de programação e

de linguagem de informática, o autor é, por muitas vezes, uma espécie de “diretor” de um

projeto, um autor que concebe a ideia para que outros possam executar. Entre outras questões que poderão ser discutidas e comentadas. Após isso, utilizando o recurso do Datashow 1 , o professor demonstrará algumas obras constantes do site Literatura Digital. 2

1 Salienta-se que se o equipamento não estiver disponível, há a possibilidade de transferir esse momento da aula para a sala de informática, onde se dará, também, a segunda aula.

2 O endereço do site: http://www.literaturadigital.com.br/

Como exemplo para análise, será tomada a obra Dois palitos, de Samir Mesquita. Trata-se de uma obra que faz uso do recurso de link para que o leitor possa realizar a leitura. É uma caixa de fósforos que, ao ser clicada, abre-se e apresenta palitos de fósforos. Cada um dos palitos é, por sua vez, um link que, uma vez aberto, apresenta um microconto. A animação faz o palito “queimar” por um tempo (aproximadamente 15 segundos) que determina a velocidade com que o microconto deve ser lido, uma vez que, ao queimar inteiramente o palito, o microconto correspondente desaparece da tela. De uma maneira geral, a obra é uma coletânea de microcontos diversos, humorísticos, sobre questões cotidianas e que não apresentam ligações narrativas entre si.

e que não apresentam ligações narrativas entre si. Figura 1 – Dois palitos, de Samir Mesquita

Figura 1 Dois palitos, de Samir Mesquita

Após a leitura da obra, os alunos serão solicitados a analisarem, em atividade oral, as seguintes questões:

1 A leitura da obra é linear ou não linear? Justifique.

Espera-se que os alunos digam que a leitura é não linear, uma vez que os textos são apresentados de modo aleatório.

2 Como a figura da caixa de fósforos pode ser significativa para a construção da

noção de aleatoriedade e não linearidade da obra? Espera-se que os alunos consigam relacionar a aleatoriedade da leitura da obra com a imagem de aleatoriedade sugerida pelo fato de, ao utilizarmos uma caixa de fósforos, escolhermos os palitos aleatoriamente, pois são todos semelhantes e indistintos.

3 – “Dois palitos” é uma expressão popular que se refere a algo ou ação que se dá em

um espaço de tempo curto, rapidamente, de pequena duração. Explique o que o título sugere sobre a forma dos microcontos e sobre sua leitura? Espera-se que os alunos relacionem a expressão com o fato de o microconto, enquanto forma, ser um texto curto e mínino, cuja leitura requer um curto tempo.

4 Quais outros elementos visuais da obra apontam a característica de texto curto e de breve leitura do microconto?

Espera-se que sejam citados o texto propriamente dito, o “suporte” do texto, semelhante a um bilhete e o tempo em que o palito é queimado, o que determina também o tempo que o texto está disponível para leitura.

Aula 2

Para a realização desta aula, será necessário o uso da sala de informática da escola, que disponibiliza acesso a computadores com internet. O professor solicitará que os alunos ocupem os computadores em duplas e os orientará a acessarem o hiperconto Estudo em vermelho 3 , de Marcelo Spalding, encontrado no site Literatura Digital, apresentado para a sala na aula anterior. Trata-se de uma obra em que o leitor interfere diretamente em sua “construção”, uma vez que em determinados momentos deve escolher, por meio de hiperlinks, por uma ou outras opções de continuação da trama. Há, dessa forma, oito finais possíveis, que são alcançados mediante as escolhas tomadas pelo leitor ao longo da leitura. Os finais guardam estreita relação com o caminho percorrido, o que garante que a história se construa de forma lógica e coerente. O professor, dessa forma, solicitará que as duplas realizem a leitura do texto. Espera- se que as duplas alcancem finais diferentes, de acordo com as opções que fizerem ao longo da leitura da obra. Após a leitura, as duplas deverão apresentar, oralmente, um resumo das leituras realizadas. Essa atividade servirá para que os alunos compartilhem as experiências que tiveram ao longo da leitura/construção da obra. Espera-se, principalmente, que os alunos possam relacionar o desfecho da obra com a construção do caminho percorrido ao longo da leitura, e que possam perceber, dessa forma, o uso do hipertexto. Ao final da atividade, o professor sugerirá que os alunos procurem na biblioteca da escola os textos que atuaram como intertexto na obra, como Um estudo em vermelho, de Sir Arthur Conan Doyle, e os contos Os assassinatos da Rua Morgue, O mistério de Marie Roget e A carta roubada, de Edgar Allan Poe, em que o detetive C. Auguste Dupin é o principal personagem.

VII AVALIAÇÃO

Uma vez que neste plano de aula não estão previstas produções de texto, a avaliação será feita considerando a participação e envolvimento dos alunos nas atividades propostas de análise e compartilhamento de leitura e pontos de vista.

3 O hiperconto pode ser encontrado no endereço http://www.literaturadigital.com.br/estudoemvermelho/

VIII - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DIAS, A. V. M. Hipercontos multissemióticos: uma possibilidade para a promoção dos multiletramentos In Rojo, R.; MOURA, E. (orgs.) Multiletramentos na escola. São Paulo: Parábola Editorial, 2012.

KOCH, I. G. V. Hipertexto e construção de sentido. São Paulo: Revista Alfa, 2007.

SPALDIN, M. O hiperconto In Literatura Digital. Disponível em:

2014.