Vous êtes sur la page 1sur 12

Biomatem´atica 22 (2012), 93–104

ISSN 1679-365X

Uma Publica¸c˜ao do Grupo de Biomatem´atica IMECC – UNICAMP

Teorema de Poincar´e-Bendixson no espa¸co m´etrico fuzzy E (R 2 )

Michael M. Diniz , 1 Rodney C. Bassanezzi , 2

DMA, IMECC, Unicamp – 13.083-859, Campinas/SP.

Resumo: Neste texto faremos um estudo sobre ´orbitas peri´odicas em fluxos fuzzy bidimensionais com o intuito de estabelecermos uma vers˜ao do teorema de Poincar´e-Bendixson para estes fluxos. Tais fluxos s˜ao definidos sobre o espa¸co E(R 2 ) e s˜ao determinados pela extens˜ao de Zadeh aplicada `as solu¸c˜oes de equa¸c˜oes diferenciais autˆonomas. Embasaremos nossos argumentos em ferramentas desenvolvidas por (Cecconello, 2010) e (Mizukoshi, 2004) para an´alise qualitativa de sistemas dinˆamicos fuzzy. Como resultado, apresenta- mos dois teoremas. Primeiramente o teorema 3.1, proposto por (Cecconello, 2010), que garante a existˆencia de uma regi˜ao A, tal que qualquer ´orbita fuzzy iniciada em A converge para uma ´orbita peri´odica fuzzy. No teorema 3.1 ´e necess´aria a existˆencia de um ponto de equil´ıbrio inst´avel, o que n˜ao ocorre na vers˜ao cl´assica do teorema de Poincar´e-Bendixson e, desta forma, propomos o teorema 3.2, que ´e mais geral e garante, sob certas condi¸c˜oes, a existˆencia de uma regi˜ao A, tal que todas as solu¸c˜oes fuzzy iniciadas em A sejam uma orbita´ peri´odica fuzzy ou sejam atra´ıdas para uma ´orbita peri´odica fuzzy. Este teorema pode ser visto como uma vers˜ao do teorema de Poincar´e-Bendixson para espa¸cos E(R 2 ). Por fim, ilustramos estes resultados utilizando os modelos presa-predador de Holling-Tanner e de Gause.

´

Palavras-chave:

dixson. Extens˜ao de Zadeh. Fluxos fuzzy.

Orbitas peri´odicas fuzzy. Teorema de Poincar´e-Ben-

1 ra100688@ime.unicamp.br

2 rodney@ime.unicamp.br

94

Diniz & Bassanezi

1. Introdu¸c˜ao

Na natureza ´e frequente a ocorrˆencia de fenˆomenos peri´odicos. Podemos citar, por exemplo, o ciclo das ´aguas, a quantidade de peixes em um rio, dentre outros. Quando estes fenˆomenos s˜ao modelados por um sistema de EDO’s, as solu¸c˜oes deste sistema tamb´em possuem caracter´ısticas peri´odicas assim como o evento modelado. No escopo da teoria cl´assica de EDO, j´a existem ferramentas direcionadas `a an´alise qualitativa de solu¸c˜oes peri´odicas, em destaque o teorema de Poincar´e-Bendixson.

Entretanto, ´e not´oria a necessidade de estudarmos e desenvolvermos fer- ramentas similares para sistemas de EDO’s, nos quais determinados parˆametros s˜ao incertos ou parcialmente conhecidos. Neste trabalho almejamos obter uma vers˜ao do teorema de Poincar´e-Bendixson para fluxos fuzzy em E(R 2 ), onde contemplamos as indetermina¸c˜oes inerentes na condi¸c˜ao inicial utilizando con- juntos fuzzy.

2. Metodologia

2.1 Teorema de Poincar´e-Bendixson em R 2

Tomemos o seguinte sistema de equa¸c˜oes diferenciais autˆonomas:

=

x(0) =

x (t)

f (x(t))

x 0

(1)

onde, f ´e de classe C 1 , ϕ t (p) ´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (1) com t R + e a condi¸c˜ao inicial p = x 0 R 2 . Para viabilizar a nota¸c˜ao, denotaremos como ´orbita o conjunto γ = {ϕ t (p) : t 0}. Dizemos que um ponto p´e dito θ-

peri´odico se ϕ t 0 (p) = ϕ t 0 +kθ (p) = p, onde p ´e a condi¸c˜ao inicial, k ´e um inteiro positivo e t 0 ´e o primeiro instante que a solu¸c˜ao passa por p. Por fim, dizemos que uma ´orbita ´e θ-peri´odica se para p γ, ϕ t (p) = p para t = θ e

ϕ t (p)

= p para t (0, θ).

Defini¸c˜ao

que, existe pelo menos uma sequˆencia {t n } → +com ϕ t n (p) z. Definimos como ω limite o conjunto de todos os pontos ω de uma ´orbita γ (Hanche e

Um ponto ω de uma determinada ´orbita γ, ´e um ponto z tal

Olsen, 2007).

Teorema de Poincar´e-Bendixson no espa¸co m´etrico fuzzy E (R 2 )

95

Para simplificar, adotaremos ω(p) como sendo o ω-limite de ϕ t (p). O teorema 2.1 ´e um importante resultado para classifica¸c˜ao de ´orbitas peri´odicas quanto `a sua estabilidade.

Teorema 2.1. Sejam γ R 2 uma ´orbita peri´odica para o fluxo bidimensional

e x 0 R 2 um ponto n˜ao peri´odico no exterior (interior). Ent˜ao,

a) γ ´e est´avel pelo exterior (interior) se, e somente se, γ = ω(x 0 ) ou, para todo > 0, existe uma ´orbita peri´odica γ no exterior(interior) tal que dist(γ,γ ;

b) γ ´e assintoticamente est´avel pelo exterior (interior) se, e somente se, γ = ω(x 0 )

O teorema 2.2 pode ser enunciado de v´arias formas, adotamos a vers˜ao encontrada em (Edelstein-Keshet, 1988), pois se adequa melhor ao contexto.

Teorema 2.2. (Teorema de Poincar´e-Bendixson) Seja ϕ t (p) uma solu¸c˜ao do sistema (1). Se para t t 0 a trajet´oria ´e limitada e n˜ao se aproxima de nenhum ponto singular, ent˜ao esta trajet´oria ´e uma ´orbita peri´odica, ou se aproxima de uma ´orbita peri´odica para t +.

2.2 Solu¸c˜oes fuzzy em E(X)

Os conjuntos fuzzy podem ser caracterizados atrav´es de sua fun¸c˜ao de pertinˆencia como segue:

Defini¸c˜ao 2.2. Seja U um conjunto (cl´assico), um subconjunto fuzzy A de U

´e caracterizado por uma fun¸c˜ao

µ A (x) : U [0, 1]

Um conjunto fuzzy pode ser representado atrav´es de seus α-n´ıveis (Ver teorema de Representa¸c˜ao de Negoita e Ralescu em Negoita e Ralescu (1975)), cuja defini¸c˜ao ´e a seguinte:

Defini¸c˜ao 2.3. Seja A um subconjunto fuzzy de U e α (0, 1]. O α-n´ıvel de A ´e o subconjunto cl´assico de U definido por

[A] α = {x U : µ A (x) α} para 0 < α 1

96

Diniz & Bassanezi

> 0} e

[A] 0 = suppA. Os conjuntos anteriormente definidos s˜ao fundamentais na interrela¸c˜ao entre resultados da teoria cl´assica com a teoria fuzzy. O espa¸co m´etrico E (X ) ´e induzido de um espa¸co m´etrico usual da seguinte forma:

O suporte de A ´e definido como suppA =

{x

U

:

µ A (x)

Defini¸c˜ao 2.4. Seja (X,d) um espa¸co m´etrico, ent˜ao (E (X ), d ) ´e um espa¸co m´etrico com

E(X) = {A ∈ F (X) : α [0, 1], [A] α ´e compacto e n˜ao vazio}

d (u,

v

) =

sup

α[0,1]

d H ([u ] α , [v ] α )

(2)

(3)

onde F (X) ´e o conjunto de todos os subconjuntos fuzzy com suporte em X e d H ´e a distˆancia de Hausdorff induzida de d.

Defini¸c˜ao 2.5. (Princ´ıpio de extens˜ao de Zadeh). Seja a fun¸c˜ao f : X Z e A um subconjunto fuzzy de X. A extens˜ao de Zadeh de f ´e a fun¸c˜ao f que, aplicada a A, fornece o subconjunto fuzzy f (A) de Z, cuja fun¸c˜ao de pertinˆencia (Bassanezi e Barros, 2010), ´e dada por

µ

f(A) (z) =

sup (z) µ A (x)

x=f 1

0

se

se

f 1 (z)

=

f 1 (z) =

onde f 1 (z) = {x; f (x) = z} denomina-se a pr´e-imagem de z.

A solu¸c˜ao x(t) do sistema (1) ´e unicamente determinada pela condi¸c˜ao

inicial, pois f ´e de classe C 1 . Podemos escrevˆe-la da seguinte forma:

ϕ t (x 0 ) : R + × R 2 R 2

ou seja, ϕ 0 (x 0 ) = x 0 e ϕ t (x 0 ) = f(ϕ t (x 0 )); a solu¸c˜ao ϕ t (x 0 ) ´e

fluxo gerado pelo campo vetorial f . Consideremos um modelo biol´ogico cuja condi¸c˜ao inicial ´e incerta, isto ´e, x(0) = x 0 ∈ F(R 2 ). Fazendo a extens˜ao de Zadeh sobre ϕ t (x 0 ) em rela¸c˜ao a x 0 , obtemos:

(4)

ϕ t (x 0 ) : R + × F(R 2 ) → F(R 2 )

denominada

Para estudarmos o comportamento assint´otico de ϕ t (x 0 ) podemos definir ω(x 0 ) da seguinte forma:

Teorema de Poincar´e-Bendixson no espa¸co m´etrico fuzzy E (R 2 )

97

Defini¸c˜ao 2.6. Seja y ∈ E(U ) e x 0 ∈ E(U ), dizemos que y ´e um ω-ponto de ϕ t (x 0 ) se existir uma sequˆencia {t n } nN com t n → ∞ quando n → ∞ tal que:

o

d (ϕ t n (x 0 ), y) 0

conjunto ω-limite, isto ´e, ω(x 0 ) ´e o conjunto de todos os ω - pontos de ϕ (x 0 ).

t

2.3 Resultados preliminares

Podemos definir ´orbitas peri´odicas para fluxos fuzzy da seguinte forma:

Defini¸c˜ao 2.7. A ´orbita γ da solu¸c˜ao fuzzy ϕ t (x), onde x ´e um ponto peri´odico fuzzy ´e chamada de ´orbita peri´odica fuzzy no conjunto E(U ), sendo

γ = {ϕ t (x) : t 0}

.

Em (Cecconello, 2010) e (Mizukoshi, 2004) s˜ao propostos diversos re- sultados para an´alise qualitativa de sistemas fuzzy. No escopo das ´orbitas peri´odicas s˜ao estabelecidos resultados que relacionam ´orbitas determin´ısticas com ´orbitas fuzzy. Tais resultados s˜ao fundamentais para nosso objetivo prin- cipal e ser˜ao enunciados como segue:

Teorema 2.3. Sejam A U tal que todo x A ´e θperi´odico e x ∈ E(U ). Se [x] α ´e convexo e [x] 0 A, ent˜ao x ´e θ-peri´odico (Cecconello, 2010).

Portanto, se todos os elementos de [x ] 0 s˜ao θ-peri´odicos ent˜ao x ´e um ponto peri´odico fuzzy com per´ıodo θ.

Teorema 2.4. Sejam γ uma ´orbita peri´odica para ϕ t com per´ıodo θ > 0 e

γ = x ∈ E(U) : [x] 0 γ

(5)

o conjunto peri´odico fuzzy determinado por γ. Ent˜ao:

a) γ ´e est´avel para ϕ t se, e somente se, γ ´e est´avel para ϕ t ;

b) γ ´e assintoticamente est´avel para ϕ t se, e somente se, γ assintoticamente est´avel para ϕ t (Cecconello, 2010).

Pelo teorema 2.4, se todos os ponto de [x 0 ] 0 pertencerem `a uma ´orbita peri´odica determin´ıstica γ, ent˜ao a estabilidade γ ´e igual a estabilidade da ´orbita γ gerada por ϕ t (x 0 ). Lembrando que uma ´orbita ´e inst´avel quando n˜ao ´e est´avel.

98

Diniz & Bassanezi

Teorema 2.5. Sejam γ uma ´orbita peri´odica determin´ıstica assintoticamente est´avel e x 0 ∈ E(U ). Se [x 0 ] 0 A(γ) ent˜ao ω(x 0 ) γ ´e uma ´orbita peri´odica fuzzy (Cecconello, 2010).

No teorema 2.5, o termo A(γ) denota a regi˜ao de atra¸c˜ao da ´orbita γ. Em resumo, se [x 0 ] 0 A(γ) ent˜ao ϕ t (x 0 ) converge para uma ´orbita peri´odica fuzzy assintoticamente est´avel.

3. Resultados

3.1 Teorema de Poincar´e-Bendixson em E(R 2 )

Utilizando os resultados anteriores, apresentamos dois teoremas que po- dem ser vistos como vers˜oes do teorema de Poincar´e-Bendixson para o caso fuzzy.

Teorema 3.1. (Cecconello, 2010) Sejam K R 2 um conjunto compacto e invariante, x e o unico´ ponto de equil´ıbrio em K e x 0 ∈ E(R 2 ). Se x e ´e inst´avel ent˜ao existe uma regi˜ao A K tal que para [x 0 ] 0 A, ϕ t (x 0 ) converge para uma ´orbita peri´odica fuzzy.

Demonstra¸c˜ao. Por hip´otese, o conjunto compacto K ´e invariante e possui um unico´ ponto de equil´ıbrio inst´avel. Desta forma, o teorema de Poincar´e- Bendixson garante a existˆencia de ao menos um ciclo limite, digamos γ, contido em K.

Al´em disso, o item b do teorema 2.1 garante que γ ´e assintoticamente est´avel pelo interior ou exterior. Seja ent˜ao A a regi˜ao de atra¸c˜ao de γ, isto ´e, A = A(γ). O teorema 2.4 garante ent˜ao que o conjunto peri´odico fuzzy γ ´e assintoticamente est´avel e atrai os pontos x 0 ∈ E(R 2 ) cujos α- n´ıveis est˜ao em A(γ).

Como consequˆencia, pelo teorema 2.5 podemos afirmar que se [x 0 ] 0 A, ent˜ao ϕ t (x 0 ) converge para uma ´orbita peri´odica fuzzy contida em γ. Logo,

est´a provada a afirma¸c˜ao.

contida em γ . Logo, est´a provada a afirma¸c˜ao. O teorema 3.1 exige que o ponto

O teorema 3.1 exige que o ponto de equil´ıbrio em K seja inst´avel, o que restringe o teorema 3.1 ao caso de existir apenas um ciclo limite. A fim de contornarmos essa restri¸c˜ao, propomos o teorema 3.2.

Teorema de Poincar´e-Bendixson no espa¸co m´etrico fuzzy E (R 2 )

99

Teorema 3.2. Seja K R 2 um conjunto compacto e invariante e x 0 K. Se ϕ t (x 0 ) n˜ao se aproxima de nenhum ponto de equil´ıbrio ent˜ao existe uma regi˜ao A K tal que para [x 0 ] 0 A, ϕ t (x 0 ) ´e uma ´orbita peri´odica fuzzy ou converge para uma.

Demonstra¸c˜ao. Por hip´otese, o conjunto compacto K ´e invariante e a solu¸c˜ao ϕ t (x 0 ) n˜ao se aproxima de nenhum ponto de equil´ıbrio. Portanto, o teorema de Poincar´e-Bendixson garante que a solu¸c˜ao ϕ t (x 0 ) se aproxima de uma ´orbita peri´odica γ ou ´e a pr´opria ´orbita peri´odica γ, em outras palavras, podemos dizer que o ω(x 0 ) ´e um ciclo peri´odico. Se ϕ t (x 0 ) for igual a γ, x 0 ´e um ponto peri´odico, ent˜ao x 0 ω(x 0 ). Como em uma ´orbita peri´odica todos os pontos tem o mesmo per´ıodo (ver (Cecconello, 2010)), o teorema 2.3 garante que para qualquer x 0 , tal que [x 0 ] 0 ω(x 0 ) = A x 0 ´e peri´odico, portanto, pela defini¸c˜ao 2.7, ϕ t (x 0 ) ´e uma ´orbita peri´odica fuzzy.

Se ϕ t (x 0 ) converge para γ, ent˜ao γ possui uma regi˜ao de atra¸c˜ao que chamaremos de A(γ), isto ´e, γ ´e assintoticamente est´avel pelo interior e/ou pelo exterior. O teorema 2.4 garante que o conjunto peri´odico fuzzy γ ´e ass- intoticamente est´avel e atrai os pontos x 0 ∈ E(R 2 ) cujos α- n´ıveis est˜ao em A(γ).

Como consequˆencia, pelo teorema 2.5 podemos afirmar que se [x 0 ] 0 A(γ), ent˜ao ω(x 0 ) γ, isto ´e, ϕ t (x 0 ) converge para uma ´orbita peri´odica fuzzy

contida em γ.

para uma ´orbita peri´odica fuzzy contida em γ . 3.2 Exemplos Para ilustrar os teoremas 3.1

3.2

Exemplos

Para ilustrar os teoremas 3.1 e 3.2, tomaremos dois exemplos de modelos biol´ogicos baseados em EDO’s autˆonomas.

Exemplo 3.1. O modelo presa-predador de Holling-Tanner ´e representado pelo sistema de EDO’s (6):

   rx 1

=

dx

dt

dy

dt

x

k

    ay 1 βy

=

x

mxy

x + d

x > 0

(6)

A interpreta¸c˜ao biol´ogica deste modelo pode ser encontrada em (Braza, 2003). Tomemos os seguintes valores de parˆametros: r=0.2, k=100, β=0.12,

y

100

Diniz & Bassanezi

m=0.03, d=20, α=0.02. Segundo (Cecconello e Bassanezi, 2010), com estes valores de parˆametros, temos como ponto de equil´ıbrio inst´avel

z e = (27.56, 229.66),

al´em disso, x(t) ´e limitada por k ou pela condi¸c˜ao inicial x 0 , enquanto que y(t) max{k/β, y 0 }.

Portanto, as condi¸c˜oes do teorema 3.1 s˜ao satisfeitas, garantindo assim a existˆencia de uma regi˜ao A, tal que ϕ t (x 0 ) converge para uma ´orbita peri´odica fuzzy quando [x 0 ] 0 A. Na figura 1 podemos ver a convergˆencia de uma ´orbita determin´ıstica para um ciclo limite assintoticamente est´avel, o que satisfaz as hip´oteses do teorema 3.2.

Podemos tomar o conjunto A como sendo todos os pontos internos ao ciclo limite γ 1 menos o ponto de equil´ıbrio z e , isto ´e, A = γ 2 −{z e }.

z e , isto ´e, A = γ 2 −{ z e } . ◦ Figura

Figura 1: Modelo de Holling-Tanner cl´assico.

280 260 240 220 200 180 160 10 15 20 25 30 x 35 40
280
260
240
220
200
180
160
10
15
20
25
30
x
35
40
45
50
55
60

Figura 2: Modelo de Holling-Tanner com condi¸c˜ao inicial fuzzy.

Na figura 2 consideramos uma condi¸c˜ao inicial fuzzy x 0 . Seja m [x 0 ] 0 ,

o grau de pertinˆencia do ponto m ao conjunto fuzzy x 0 ´e proporcional `a sua

tonalidade. Seja x 0 ∈ E(R 2 ) tal que [x 0 ] 0 A, notamos que a trajet´oria do fluxo fuzzy converge para uma ´orbita peri´odica fuzzy conforme prevˆe o teorema 3.1 e o teorema 3.2.

O teorema 3.1 exige a existˆencia de um ponto de equil´ıbrio inst´avel para

garantir a existˆencia de uma regi˜ao de atra¸c˜ao para o fluxo fuzzy enquanto que

o teorema 3.2 contempla casos mais gerais, conforme o exemplo 3.2.

Teorema de Poincar´e-Bendixson no espa¸co m´etrico fuzzy E (R 2 )

101

y

Exemplo 3.2. O modelo presa-predador de Gause ´e representado de maneira simplificada( ver (Olivares e Palma, 2011)) pelo sistema de EDO’s (7).

   ((1 x)(x M )(A x 2 ))x

dx

dt

dy

dt

=


   B(x 2 C 2 )y

=

(7)

O sistema acima possui os seguintes pontos de equil´ıbrio.

O = (0, 0)

Q 1 = (1, 0)

Q 2 (M, 0)

Q e = (C, L)

Tomando como valores dos parˆametros A = 0.42, B = 0.1, C = 0.15 e

M = 0.01, o ponto de equil´ıbrio Q e = (C, L) = (0.15, 0.35) ´e assintoticamente

sendo γ 1 inst´avel e

γ 2 assintoticamente est´avel, ver (Olivares e Palma, 2011). Como γ 2 ´e um ciclo limite atrator, toda ´orbita iniciada em um ponto interno `a γ 2 ´e limitada. Na figura 3, apresentamos uma trajet´oria que n˜ao se aproxima de nen- hum ponto de equil´ıbrio e ´e limitada, logo, pelo teorema 3.2, existe uma regi˜ao A onde qualquer ´orbita fuzzy ϕ (x 0 ) com [x 0 ] 0 A ´e atraida por γ 2 tal fato ´e ilustrado na figura 4. Esta regi˜ao A ´e o conjunto de pontos entre γ 1 e γ 2 , isto

est´avel e ´e interior `a 2 ciclos limites, isto ´e, Q e

◦ ◦

γ 1 γ 2 ,

t

´e, A =

n˜ao existe um ponto de equil´ıbrio inst´avel na regi˜ao limitada por γ 2 .

γ 2

γ 1 . Para este exemplo n˜ao podemos aplicar o teorema 3.1, pois

Para este exemplo n˜ao podemos aplicar o teorema 3.1, pois Figura 3: Modelo de Gause cl´assico.

Figura 3: Modelo de Gause cl´assico.

2º 1º ˠ2 3º 5º 4º
ˠ2
3: Modelo de Gause cl´assico. 2º 1º ˠ2 3º 5º 4º x Figura 4: ´ Orbita
3: Modelo de Gause cl´assico. 2º 1º ˠ2 3º 5º 4º x Figura 4: ´ Orbita
3: Modelo de Gause cl´assico. 2º 1º ˠ2 3º 5º 4º x Figura 4: ´ Orbita
3: Modelo de Gause cl´assico. 2º 1º ˠ2 3º 5º 4º x Figura 4: ´ Orbita
3: Modelo de Gause cl´assico. 2º 1º ˠ2 3º 5º 4º x Figura 4: ´ Orbita
3: Modelo de Gause cl´assico. 2º 1º ˠ2 3º 5º 4º x Figura 4: ´ Orbita
3: Modelo de Gause cl´assico. 2º 1º ˠ2 3º 5º 4º x Figura 4: ´ Orbita
3: Modelo de Gause cl´assico. 2º 1º ˠ2 3º 5º 4º x Figura 4: ´ Orbita

x

Figura 4:

´

Orbita fuzzy sendo atra´ıda.

Como este modelo possui um ciclo limite inst´avel, ele torna-se prop´ıcio para ilustramos a necessidade de [y 0 ] 0 A(γ) para que ocorra a convergˆencia da solu¸c˜ao fuzzy ϕ (y 0 ) para uma ´orbita peri´odica. Tomemos uma condi¸c˜ao

inicial y 0 tal que [y 0 ] 0 γ 1 = e [y 0 ] 0 γ 1 .

t

y

y

102

Diniz & Bassanezi

Neste caso, a ´orbita ´e limitada e n˜ao se aproxima de nenhum ponto

A(γ 2 ), tal fato faz com que o conjunto fuzzy se

expanda de tal forma que n˜ao possua nenhuma caracter´ıstica peri´odica, este evento est´a ilustrado nas figuras 5 e 6. Nestas figuras mostramos o compor- tamento da condi¸c˜ao inicial em seu primeiro ciclo e no seu quarto ciclo, re- spectivamente, percebemos que ocorre uma “deforma¸c˜ao” da condi¸c˜ao inicial, fazendo com que esta n˜ao se aproxime de nenhum ciclo peri´odico.

de equil´ıbrio, por´em [y 0 ] 0

1º 2º ˠ1 3º
ˠ1

x

1º ciclo

´

Figura 5:

primeiro ciclo

Orbita fuzzy expandindo -

ciclo ´ Figura 5: primeiro ciclo Orbita fuzzy expandindo - 1º ˠ1 2º x 4º ciclo
1º ˠ1 2º
ˠ1
5: primeiro ciclo Orbita fuzzy expandindo - 1º ˠ1 2º x 4º ciclo ´ Figura 6:
5: primeiro ciclo Orbita fuzzy expandindo - 1º ˠ1 2º x 4º ciclo ´ Figura 6:
5: primeiro ciclo Orbita fuzzy expandindo - 1º ˠ1 2º x 4º ciclo ´ Figura 6:
5: primeiro ciclo Orbita fuzzy expandindo - 1º ˠ1 2º x 4º ciclo ´ Figura 6:
5: primeiro ciclo Orbita fuzzy expandindo - 1º ˠ1 2º x 4º ciclo ´ Figura 6:
5: primeiro ciclo Orbita fuzzy expandindo - 1º ˠ1 2º x 4º ciclo ´ Figura 6:

x

4º ciclo

´

Figura 6:

quarto ciclo

Orbita fuzzy expandindo -

4. Conclus˜oes

Com o intuito de estabelecermos um resultado an´alogo ao teorema de Poincar´e-Bendixson em espa¸cos m´etricos E (R 2 ) apresentamos dois teoremas. O teorema 3.1, proposto em (Cecconello, 2010), garante a existˆencia de uma regi˜ao de atra¸c˜ao para uma ´orbita peri´odica fuzzy, se esta estiver em um conjunto compacto e invariante e se nesse conjunto existir um unico´ ponto de equil´ıbrio inst´avel. Um exemplo de aplica¸c˜ao deste teorema pode ser visto no exemplo

3.1.

O teorema 3.2 ´e mais geral e afirma que se existir uma ´orbita deter- min´ıstica que satisfa¸ca as condi¸c˜oes do teorema de Poincar´e-Bendixson ent˜ao existe uma regi˜ao A, na qual qualquer ´orbita fuzzy iniciada em A ´e peri´odica ou ´e atra´ıda para uma ´orbita peri´odica fuzzy. Nota-se que n˜ao existe a necessidade de haver um ponto de equil´ıbrio inst´avel. Os exemplos 3.1 e 3.2 ilustram a aplica¸c˜ao deste teorema. Em ambos os teoremas ´e necess´ario que o fecho do suporte da condi¸c˜ao inicial esteja contido

Teorema de Poincar´e-Bendixson no espa¸co m´etrico fuzzy E (R 2 )

103

em uma determinada regi˜ao A, sendo A a regi˜ao de atra¸c˜ao de uma ´orbita peri´odica assintoticamente est´avel ou um subconjunto de uma ´orbita peri´odica est´avel. Um exemplo deste fato foi mostrado no exemplo 3.2.

´

E not´avel, portanto, que os exemplos apresentados justificam a aplica- bilidade dos teoremas propostos em modelos de Biomatem´atica e ilustram estes resultados.

Referˆencias

Bassanezi, R. C. e Barros, L. C. (2010). matem´atica. Editora Unicamp, S. Paulo.

T´opicos de L´ogica Fuzzy e Bio-

Braza, P. A. (2003).

The bifurcation structure of the holling-tanner model

for predador-prey interactions using two-timing. SIAM J. APPL. MATH,

63:889–904.

Cecconello, M. e Bassanezi, R. (2010). Sistemas dinˆamicos Fuzzy: Modelagens alternativas para sistemas biol´ogicos, volume 50 of Notas em matem´atica aplicada. SBMAC, S.Carlos/SP.

Cecconello, M. S. (2010). Sistemas dinˆamicos em espa¸cos m´etricos fuzzy - Aplica¸c˜oes em Biomatem´atica. Tese de Doutorado, IMECC – UNICAMP, Campinas/SP.

Edelstein-Keshet, L. (1988). Mathematical models of Biology. Macgraw-Hill, Mexico.

Hanche, H. e Olsen (2007). The poincar´e-bendixson theorem. Notas de Aula - http://www.math.ntnu.no/ hanche/kurs/dynsys/2007v/pb-a4.pdf.

Mizukoshi, M. (2004).

Estabilidade de sistemas dinˆamicos fuzzy.

Tese de

Doutorado, IMECC – UNICAMP, Campinas/SP.

Negoita, C. e Ralescu, D. A. (1975).

Applications of fuzzy sets to systems

analysis. John Wiley & Sons, New York.

Olivares, E. G. e Palma, A. R. (2011). Multiple limit cycles in a gause type predator-prey model with holling type iii functional response and allee effect on prey. Bull. Math. Biol., 73:1378–1397.

104

Diniz & Bassanezi