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Equação do Calor - Modelagem Matemática e

Método de Fourier
Jean Cerqueira Berni

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Orientador(a): Marta Cilene Gadotti

Resumo: O fenômeno de condução de calor em uma barra pode ser modelado por
uma equação diferencial parcial. Utilizando argumentos físicos, mostraremos
com detalhes como se dá a construção desse modelo, utilizaremos o método
de Fourier para trabalhá-lo e discutiremos a motivação resultante deste para o
aprofundamento em conhecimentos de Análise Real.
Palavras-chave: método de Fourier, modelagem, equação diferencial parcial

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Dedução da Equação do Calor
Considere uma barra condutora, de dimensão linear preponderante e dimen-

sões seccionais insignificantes, como, por exemplo, um arame bem fino e bem
extenso em comprimento, isolado termicamente do meio ambiente a não ser por
suas extremidades. Se colocarmos a barra, no sentido deste seu comprimento
sobre o eixo dos xx, e aquecermos uma das extremidades , o fluxo de calor darse-á longitudinalmente, da extremidade mais quente para a mais fria, conforme
rege a lei do resfriamento . Deste modo, estamos tratando de um problema de
condução térmica unidimensional.
Queremos uma função u : R ⊂ R2 → R, u(x, t) , que descreva a temperatura
num ponto x da barra num dado instante t; esta é nossa motivação.
Fourier modelou, baseado em seus experimentos, uma equação que descreve
a quantidade de calor transferida de uma secção transversal para outra por
unidade de tempo (fluxo

Q
∆t

de calor, cuja unidade S.I. é W , i.e.,o watt [joule

por segundo] ) em função da área das mesmas, A , que supomos constante, da
1 Bolsista

Fapesp 2009/05185-3

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Para contornar a dificuldade da ausência da variável tempo na Lei de Fourier. A é a área da secção transversal da barra.e. como vemos. Volume VI. e fazemos T2 = u(x + d. κ. a função na qual estamos interessados. t) quando d tende a zero em (1. portanto precisamos de uma função que descreva de modo mais completo a situação da barra. A Lei de Fourier que modela este fenômeno. agora. no instante t.1). t). é independente do tempo (pois fixamos o intervalo de tempo).Passamos o limite da função u(x + d. ∂2u ∂2u ∂2 u ∂x2 . Definamos. medida em joules. ∆t d (1. de 2009 .1) A Lei de Fourier. uma função que descreva a temperatura (dependente do fluxo do calor. é dita de classe C (2) se suas derivadas parciais de segunda ordem . sempre considerando que o calor está fluindo da extremidade mais quente para a mais fria. . Uma função u : U ⊂ R2 → R. Assim. T1 e T2 são as temperaturas nas extremidades e d é o comprimento da mesma. existirem e forem contínuas em U ⊂ R2 ..2 Equação do Calor . | T2 − T1 | = κ. i. | T2 − T1 | Q ∝ ∆t d Onde Q é a quantidade de calor absorvida ou cedida por um material . Seja u(x. se denotarmos por q(x. t). fixando um intervalo de tempo ∆t. t) uma função de classe C (2) que descreve a temperatura da barra na sua coordenada x. e do módulo da diferença entre as temperaturas nestas extremidades. t) o fluxo de calor através de x no instante t.Fixamos o tempo em (1. i.1). t) − u(x. Definição 1. T1 e T2 .Modelagem Matemática e Método de Fourier distância entre duas destas secções.e. ∂x∂t e ∂2 u ∂t∂x . é: A. do seguinte modo: . BICMat. t) e T1 = u(x. J . u(x. Q ∆t ) em função do tempo e de sua coordenada espacial. d. Inserimos uma constante de proporcionalidade que se chama condutibilidade térmica.. ∂t2 . introduzimos a grandeza fluxo de calor através de x num instante t. e temos: Q A.

de 2009 . temos: ∆Q = Z t0 +τ t0 κ. um elemento entre os pontos x0 e x0 + δ.   ∂u(x0 + δ.K (Joule por Quilograma Kelvin). Calcularemos o calor que entra em x0 no período de tempo. lim d→0 d d (1. ao longo do eixo dos xx.Equação do Calor . para δ > 0. t) = κ. que ∆Q = m. t) . x0 .Modelagem Matemática e Método de Fourier 3 temos: q(x. t0 + τ ) − u(x0 .V. da física básica.c∆θ = ρ. t) = −κ.3) Fixemos. temos: Z t0 +τ Z x0 +δ 2 ∂ u(x.V. Calor específico é uma grandeza física que define a variação térmica de determinada substância ao receber determinada quantidade de calor. é J kg. t) | u(x + d. t0 )] BICMat. agora.2) Como a temperatura decresce conforme x cresce.κ. t) := κ. t) − u(x.∆θ = ρ.2).A. Esta quantidade é escrita como: Z t0 +τ Z t0 +τ q(x0 + δ.c[u(x0 . para τ > 0 entre t0 e t0 + τ . Fixe um ponto qualquer da barra.A. t)dt q(x0 . (1.A. A unidade no S. t) ∂x (1.4) t0 t0 Pela Lei de Fourier.A. introduzimos um sinal de menos em (1. t) ∆Q = .C (Caloria por Grama Grau Celsius). t)dt − ∆Q = (1. Sabemos. lim d→0 | u(x + d.4).c. Volume VI. que fica: q(x. ∂u(x.dxdt ∂x2 t0 x0 (1. Uma outra unidade mais usual para calor específico é cal g. e defina ∆Q como sendo a quantidade de calor que entra na região delimitada por x0 e x0 + δ num intervalo de tempo arbitrário.3).A.I. de t0 a t0 + τ .dt − ∂x ∂x Usando o Teorema Fundamental do Cálculo em (1.5) Definição 2 (Calor Específico). t) ∂u(x0 . t) − u(x.

dxdt ∂x2 Chegamos em: Z t0 +τ t0 Z x0 +δ x0   ∂u(x. t) . a igualdade acima é válida para todo t0 . Suponha-o. c o calor específico do material do qual esta é constituída . δ ∈ R. x0 . Z x0 +δ dx x0 Então: ∆Q = ρ.c.A dtdx = 0 ∂x2 ∂t O argumento da integral acima é contínuo pois supusemos que u(x. t0 + τ ) − u(x0 . sem perda de generalidade. positivo. Como este argumento é contínuo. t0 )]dx x0 E usando novamente o Teorema Fundamental do Cálculo: Z t0 +τ Z x0 +δ ∂u(x.A − .V. t) ∆Q = ρ.5). pelo menos. Z x0 +δ [u(x0 . dtdx ∂t t0 x0 (1. então : ∆Q = ρ. ab absurdo.Adtdx = ∂t x0 Z t0 +τ t0 Z x0 +δ x0 ∂ 2 u(x.6) e (1. t0 )] Mas observe que: V = A. t) ∂ 2 u(x. Então este argumento seria positivo ou negativo para algum t0 .A.Modelagem Matemática e Método de Fourier Onde ρ é a densidade volumétrica da barra. temos que: Z t0 +τ t0 Z x0 +δ ∂u(x.V o volume desta e ∆θ o incremento de temperatura que o pedaço da barra sofre num dado intervalo de tempo. Temos.ρ.c.c[u(x0 . t) . segue que existe uma bola aberta B ⊂ R na qual este é positivo. t) é de classe C (2) .ρ. que este seja não-nulo. t0 + τ ) − u(x0 . de 2009 . δ ∈ R.6) Comparando (1. o que implica na não-nulidade da BICMat.A.c. t) .4 Equação do Calor . x0 .A.c. Suponhamos. Ademais.κ. τ.κ. τ. Afirmamos que o argumento da integral acima é identicamente nulo. Volume VI.

i.x também o é. de 2009 .e.ρ 2 ∂x ∂t κ ∂2u ∂u = .7). Nosso objetivo principal será descobrir quais funções u(x. Enfim.condição de contorno do problema Podem ser de vários tipos: tipo 1: As temperaturas nas extremidades são conhecidas. e a função u(x. t) = c. Ou seja: Denominamos ∂2u ∂u = c.Modelagem Matemática e Método de Fourier 5 integral. Logo. t) satisfazem (1. podemos reescrever a equação acima como: ∂u ∂2u = k.7) A equação (1. Observe que qualquer constante é solução de (1.condição inicial do problema Podemos ter uma função f (x) que descreve a temperatura da barra na coordenada x no instante t = 0.ρ por difusibilidade térmica. ∂t c. existem muitas outras. a determinação da solução procurada depende de fatores físicos. Algumas das condições que interferem fortemente na determinação da solução estão listadas abaixo: • I.. Volume VI. u(x. t) = T1 u(L. o que é absurdo. 2 ∂t ∂x (1. k. u(0.ρ ∂x2 κ c. L] −→ R • II.7). contrariando o fato da igualdade acima valer para qualquer vizinhança. Portanto: κ. segue o fato. 0) = f (x) Onde f : [0.Equação do Calor . t) = T2 BICMat.7) é conhecida por equação do calor ou equação da difusão. assim.

Corpos onde a emissividade é também dependente da temperatura e comprimento de onda são chamados corpos não-cinza. Volume VI. t) = =0 ∂x ∂x tipo 3: Há transferência entre o meio e as extremidades. t) = h0 (t) e u(L. i.6 Equação do Calor .e. O poder de emissividade está associado à natureza do corpo. t) ∂u(L. A emissividade mede a maior ou menor tendência que determinado corpo tem em emitir radiação. e. É conhecida como emissividade. κ BICMat. de 2009 . podemos ter que a temperatura num ponto de coordenada x da barra no instante t = 0 ser expresso por uma função: u(0. t) = e{u(L. t) − u0 } −κ ∂x tipo 4: Qualquer combinação dos casos anteriores. t) − u0 } ∂x ∂u(L. emissividade é relação entre o poder emissivo de um corpo qualquer e a de um corpo negro. ∂u(0.Modelagem Matemática e Método de Fourier Num caso mais complexo. Para abordarmos este tipo precisaremos da seguinte definição: Definição 3 (Emissividade). e um mínimo igual a zero. à área exposta e à temperatura absoluta a que se encontra. t) = h1 (t) tipo 2: Temos as extremidades isoladas termicamente. que é correspondente à de um corpo negro. Corpos que possuem emissividade inferior a um são chamados corpos cinza. e pode ter um máximo igual a 1. Em física. t) = e{u(0.. não há fluxo de calor nas extremidades: ∂u(0.

além das condição inicial: u(x.Modelagem Matemática e Método de Fourier 2 7 Formulação Matemática do Problema Considere o plano cartesiano de eixos x e t. 0 < x < L}. t) = 0 Este tipo de problema é conhecido como “ problema de valores iniciais e de contorno ”.8) u(x.Equação do Calor . L) e da condição de fronteira: u(0. da forma: (1. Volume VI. t) ∈ R2 /0 < t < ∞. Concluímos da equação acima que os quocientes não podem depender nem de x nem de t. 2 ∂t ∂x em R. isto é.F 00 (x)G(t) 1 G0 (t) F 00 (x) = k G(t) F (x) Observe que aqui supusemos F (x) e G(t) nunca se anularem. t) no fecho do conjunto R = {(x. teremos: F (x)G0 (t) = k. Um método desenvolvido para resolver este tipo de equação foi desenvolvido por Fourier. de BICMat. uma exclusivamente dependente de x e outra exclusivamente dependente de t. e o veremos a seguir. R. u(x. onde t será a nossa coordenada temporal e x será a nossa coordenada espacial. t) pode ser escrita como o produto de duas funções. t) = u(L. Supomos inicialmente que a função procurada. t) = F (x).G(t) Substituindo (1.8) na equação do calor. Queremos definir uma função real u(x. que satisfaça: ∂2u ∂u = k. Definição 4 (Método de Fourier). 0) = f (x) ∀x ∈ (0. de 2009 .

t) = 0. pois F (L) = 0 o que implica c1 = c2 = 0.8 Equação do Calor . e F (x) ≡ 0 não nos interessa..9) F 00 (x) − σF (x) = 0 Como u(0. (problema do valor de contorno):   F ”(x) − σF (x) = 0 F (0) = 0   F (L) = 0 teremos três possíveis valores de σ a analisar: i) σ > 0 F (x) = c1 e √ σx + c2 e − √ σx Para satisfazer o problema do valor inicial temos que ter: ( c1 + c2 = 0.P. ii) σ = 0 F (x) = c1 x + c2 Com c2 = 0 e c1 L + c2 = 0 ⇒ c1 = c2 = 0. Resolvamos uma delas: (1.Modelagem Matemática e Método de Fourier modo que deve ser uma constante. pois F (0) = 0 √ √ c1 e σL + c2 e σL = 0.DD.D. segue que: F (0)G(t) = F (L)G(t) = 0 ∀t > 0 o que implica F (0) = F (L) = 0 pois G(t) ≡ 0 não nos interessa.OO. uma solução trivial que tampouco nos interessa.C. reduzimos o problema de resolver uma E. Resolvendo o P. de 2009 .V. BICMat. σ: 1 G0 (t) =σ k G(t) e F 00 (x) =σ F (x) Agora. Volume VI. ao problema de resolver duas EE. t) = u(L.

novamente.O. λ = nπ L : σ = −λ2 = − n2 π 2 L2 Como para cada n temos um λ diferente. em t. de 2009 . então designaremos: λ2n = n2 π 2 L2 que serão designados os autovalores do P.C. Chegamos à conclusão de que as funções que satisfazem à E. para cada n: −n2 π 2 kt Gn (t) = cn .V.O..e. i.D. Agora.. Temos: F (x) = c1 cos (λx) + c2 sen (λx) que deverá satisfazer: ( c1 = 0 c2 sen (λL) = 0 Como. Volume VI.9) são: Fn (x) = sen  nπx  L que serão designadas as autofunções do P. então devemos ter: c2 sen (λL) = 0 com c2 6= 0 ⇔ sen (λL) = 0 O que implica que: λL = nπ. a saber: (1. (1.D.e L2 BICMat.V.. não queremos uma solução identicamente nula.Modelagem Matemática e Método de Fourier 9 iii) σ < 0 Fazemos σ = −λ2 para facilitar os cálculos.C. ∀n ∈ Z∗ Assim.10) G0 (t) − σkG(t) = 0 que será. c2 = 0.Equação do Calor . resta-nos achar a solução geral da outra E.

onde os cn cn são constantes. de 2009 . esta satisfaz à E. Problema 2 : Sendo a função u(x. bem como obter os coeficientes cn cn para esta. Volume VI. t) como sendo:. Por hipótese. −n2 π 2 k. E o método de Fourier culmina na indicação deste candidato como solução. para cada n ∈ N teremos uma função: −n2 π 2 k. a que classe de funções pertence f (x) ( de classe L1 ? Periódica? Absolutamente Integrável? Integrável?). o que implica em vários problemas. Agora.Modelagem Matemática e Método de Fourier un (x. Aí deveremos ver em que condições f (x) pode ser escrita dessa forma. Problema 1 : Será que a função dada. pode ser escrita como uma série de senos? Se não puder.t  nπx  L2 .t  nπx  L2 . sen un (x. o critério de Cauchy para a verificação da convergência de tais séries. Se levarmos o assunto adiante. o que implica: f (x) = ∞ X cn sen n=1  nπx  L o que sugere que a função f deverá poder ser escrita como uma série de senos. t) como a encontramos não servirá como solução. t) descrita em termos de uma série. temos que provar que ele realmente é solução do problema dado. 0) = f (x). t) = cn e L Vamos definir u(x. portanto. t) = Fn (x)Gn (t) Portanto. é mais que natural levantarmos a questão sobre sob quais condições esta converge. dentre BICMat. sen u(x. t) = cn . constataremos que ele nos conduz naturalmente ao estudo de conceitos como o de convergência uniforme de séries de funções.D. e se. de fato. então u(x.P.10 Equação do Calor . Observamos que esta solução é descrita por uma série de funções e. f (x) .e L n=1 ∞ X também é solução. a importância da compacidade do domínio de certas funções que consideramos. u(x. dada. a completude do espaço onde estamos trabalhando. precisaremos de critérios para decidir sua convergência.

G.. ter-me dado todo o seu paciente e incansável apoio e por ter sido uma mentora tão boa e dedicada. assim. 2003 [2] Tagliaro. Análise de Fourier e Equações Diferenciais Parciais. partial differential equations Referências Bibliográficas [1] Figueiredo.org.D. Keywords: Fourier method. Física. we must show with details how this model is constructed. dando toda a assesoria imprescindível à realização e efetivação deste projeto. In this paper. Abstract: The phenomenon of the heat conduction in a straight bar can be modelled through a partial differential equation.A.T. acesso em 30/7/2009 BICMat. use the Fourier’s method to work it. Volume VI. Editora F.Modelagem Matemática e Método de Fourier 11 inúmeros outros assuntos.Equação do Calor . Associação Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada. a uma marvilhosa fonte de motivações para estudos de análise matemática ao nos apresentar uma aplicação “palpável” desta no quotidiano.wikipedia. 1966 [3] www. using physical arguments.. volume 2. Antonio. por ter me acolhido neste projeto tão profícuo. A dedução da equação do calor nos leva. S.. Agradecimentos: À professora Marta Cilene Gadotti. D.. and discuss its resulting motivations to go further with our analysis knowledges. de 2009 . mostrando-nos a complexidade e a utilidade das equações diferenciais parciais. modelation.