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COMUNHÃO DA IGREJA A CÉU ABERTO

Diretrizes e bases para comunhão

Lemas: "Onde a Bíblia fala, nós falamos; Onde a Bíblia cala, nós calamos”; "No essencial, unidade; Nas opiniões, liberdade; Em todas as coisas, o amor"; "Não somos os únicos cristãos, mas somos unicamente cristãos".

Wemer Hesbom (wemerh@gmail.com)

CONTEÚDO

I.

APRESENTAÇÃO 3

II.

ANTECEDENTES HISTÓRICOS 3

III.

IDENTIDADE E UNIDADE DO CORPO DE CRISTO 5

IV.

NÃO SECTARISMO 8

V.

DOUTRINAS 14

VI.

TITULOS E HIERARQUIAS 16

VII.

DÍZIMOS/OFERTAS (Quanto e onde entregar?) 17

VIII.

BATISMO (Forma) 20

IX.

SANTA CEIA (Requisitos para a participação) 20

X.

SABADO 21

XI.

NOME DE IDENTIFICAÇÃO 23

XII.

FORMAS DE CONGREGAR 24

XIII.

FORMAS DE PASTOREIO 26

XIV.

PERSONALIDADE JURÍDICA 29

XV.

CONCLUSÃO 29

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I.

APRESENTAÇÃO

Jesus prometeu que onde estivessem dois ou três reunidos, ali Ele estaria, ali estaria presente Sua Igreja (Mt 18.20). Essa verdade parece incompatível com a impressão geral de que se uma pessoa não fizer parte de uma igreja formalmente estabelecida, com bancos, púlpito, CNPJ, templo, liturgias etc não integra a igreja instituída por Jesus Cristo.

Essa equivocada percepção da igreja de Jesus Cristo tem resultado em que muitas pessoas, uma vez contrariadas com certas denominações, acabam deixando de congregar ou fazendo-o sem paz, exclusivamente como integrante de uma religião. Não há vida nos relacionamentos estabelecidos que mantém com os membros da igreja onde mantém comunhão.

O presente escrito, assim, tem por finalidade a apresentação de

uma forma de comunhão para a igreja instituída por Jesus Cristo, baseada nas Sagradas Escrituras. Perceber-se-á ao final, acredito, que integrar e manter comunhão com a igreja Instituída por Jesus vai muito além, e não as inclui, das práticas e rituais religiosos assimilados como condição para a inclusão e manutenção no Corpo de Cristo.

Duas ou três pessoas reunidas em nome de Jesus: nada mais é necessário para configuração de sua igreja em determinado momento e lugar.

A propósito das citações aqui reproduzidas, registra-se desde já

que os destaques não constam dos textos originais.

II. ANTECEDENTES HISTÓRICOS

O dilema enfrentado por muitos cristãos que se insurgem contra

a forma que alguns líderes religiosos têm governado e dirigido as respectivas igrejas não é novidade, tendo sido o causador de um avivamento experimentado por milhares de cristãos na virada do século XVIII para o século XIX nos Estados Unidos. Esse momento histórico com suas diretrizes e princípios

delineados para o resgate da comunhão nos moldes da igreja primitiva mais tarde passou a ser denominado Movimento de Restauração.

Após alguns anos observando diversas denominações e movimentos, o Movimento de Restauração apresentou-se como aquele em que se assegura maior liberdade, sem abrir mão do essencial, possibilitando, assim, a unidade do Corpo de Cristo em meio a diversidades de opiniões e interpretações, e como o mais próximo da forma vivenciada pelos primeiros cristãos registrada no livro de Atos e nas Cartas dos apóstolos. Eis um breve relato sobre referido Movimento, extraído do site movimentoderestauração.com:

“A origem do nosso Movimento, que ficou conhecido desde o princípio como A Reforma Presentee só mais recentemente como Movimento de Restauraçãoou Movimento Stone-Campbell, aponta

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para o ano de 1801 quando milhares de pessoas estiveram reunidas entre os dias 06 e 12 de agosto no Acampamento de Reavivamento em Cane Ridge, liderado pelo avivalista Barton W. Stone (1772-1844) e outros pastores presbiterianos. Aproximadamente 30 mil pessoas estiveram acampadas naquela ocasião e elas responderam às pregações com confissões, orações fervorosas, ações de graça, louvor a Deus, libertação, testemunhos, exortações ao arrependimento dos pecados e fé em Jesus como Senhor e Salvador. A Igreja Presbiteriana reagiu com muita firmeza, forçando Barton Stone e outros pastores a deixarem a igreja. Eles formaram o Presbitério Independente de Springfield e no dia 28 de junho de 1804 ele foi dissolvido para dar início a um movimento que tinha „o propósito de unir todos os crentes em uma só igreja‟. Esse avivamento deu origem à Igreja Cristã / Igreja de Cristo e seus membros gostavam de ser chamados unicamente de „cristãos‟.

Também se volta para 1809, ano que o pastor Thomas Campbell (1763-1854) e outros presbiterianos criaram a Associação Cristã de Washington no dia 17 de agosto, publicaram a Declaração e Discurso e deram início a um movimento que buscava a unidade da igreja e a restauração do cristianismo primitivo. Logo depois de desembarcar nos EUA, Alexander Campbell (1788-1866) aderiu a eles e posteriormente assumiu a liderança do movimento. Um outro pioneiro foi Walter Scott (1796-1861), que com seu „exercício dos cinco dedos‟ (fé, arrependimento, batismo, remissão dos pecados e o dom do Espírito Santo) forneceu uma ordem em que as pessoas poderiam vir a Cristo e se associar à igreja. Eles ficaram conhecidos como „Discípulos de Cristo‟.

Os movimentos de Stone e Campbell se unificaram no fim- de-semana do ano novo de 1832. Eles tinham objetivos comuns mas não eram iguais e a uniformidade nunca foi alcançada. Este fato levou Alexander Campbell, o nosso principal teólogo e organizador no século XIX, a fazer a seguinte declaração: „Nós temos entre nós toda a sorte de doutrinas pregadas por toda a sorte de homens‟, toda „essa diversidade tem nos enriquecido, mas ela também permite a possibilidade de intolerância e a divisão que infelizmente fizeram parte da nossa experiência‟.

Um grande lutador contra o sectarismo em nosso meio foi Isaac Errett (1820-1888), autor do clássico „Nossa Posição - Uma Sinopse da Fé e da Prática da Igreja de Cristo‟. A ele é atribuído o fato de ter impedido que o nosso movimento tivesse se transformado em uma seita que se reproduz por divisão de legalistas discordantes. É dele a seguinte declaração: „Que o laço de união entre os batizados seja o caráter cristão em vez da ortodoxia; o correto fazer em vez do correto pensar; e, ao tomar em conta os secos preceitos, que se reconheça a liberdade de cada um sem buscar impor limitações aos irmãos fora da imposição da lei do amor‟. Como Errett rejeitamos o sectarismo, valorizamos a tolerância e buscamos a unidade cristã. Um dos nossos lemas, desde o início no século XIX, define o nosso posicionamento quanto a esse assunto: „No essencial,

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unidade; Nas opiniões, liberdade; Em todas as coisas, o amor‟. E os mais antigos em nosso movimento quando eram perguntados se eram os únicos cristãos respondiam dizendo: „Não somos os únicos cristãos, mas somos unicamente cristãos‟.

Assim, em razão de as bases desse Movimento estarem condizentes com o espírito do Evangelho, especialmente no que tange à unidade do Corpo, a comunhão em igreja ora proposta terá por base as premissas de referido movimento, a seguir delineadas:

III. IDENTIDADE E UNIDADE DO CORPO DE CRISTO

Relativamente à identidade e unidade do Corpo de Cristo, ou seja, quem será considerado parte da igreja de Cristo na comunhão ora proposta e como se dá a Sua unidade, transcreve-se algumas das 13 proposições constantes da “Declaração e Discurso” de Thomas Campbell 1 :

Proposição 1: "Que a igreja de Cristo sobre a terra é essencial, intencional

e constitucionalmente uma. Ela se compõe dos que em todo lugar

confessam sua fé e obediência a Cristo, em todas as coisas e de acordo

com as Escrituras. Eles se manifestam através de seus temperamentos e condutas. Só esses podem ser chamados, própria e verdadeiramente, cristãos."

Proposição 2: "Que não deve haver divisão na comunhão nem rupturas na fraternidade das igrejas, ainda que a igreja de Cristo deva existir em congregações separadas, geograficamente distintas e independentes umas das outras."

Proposição 7: "Que os sistemas de teologia, embora tenham um lugar útil na Igreja, não devem ser impostos como requisitos de comunhão aos cristãos, já que todos não têm plena compreensão dessas matérias."

Proposição 8: "Que a salvação não depende do conhecimento teológico, senão em reconhecer sua necessidade de salvação em Jesus Cristo. Isso, acompanhado de uma confissão de sua fé e obediência a ele."

Proposição 9: "Que os [que] têm cumprido com o anterior deveriam amar

a todos os irmãos, filhos na mesma família do Pai, como membros do

mesmo corpo. Que nenhum homem se atreva a separar o que Deus tem

unido."

Proposição 10: Que a divisão entre os irmãos é anticristã, anti-escritural e produz confusão e toda obra má."

1 O texto Declaração e Discurso foi apresentado em 07/09/1809 à Associação Cristã de Washington por Thomas Campbell como resumo das razões pela qual ela foi criada. Traduzem-se na base do Movimento de Restauração do qual surgiu a atual Igreja de Cristo.

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Proposição 11: "Que as causas das divisões são o esquecer a vontade de Deus e a prática, de parte dos líderes, de uma autoridade arrogante."

Igualmente

aplicável

o

apêndice

de

referida

relativamente à condenação aos irmãos:

declaração,

Resolver expressamente um assunto em nome do

Senhor, quando o Senhor não tem resolvido, nos parece um mal muito

grande (veja Dt 18:20).

"(

)

Um segundo mal é não só julgar o irmão como absolutamente equivocado pelo ato de divergir da nossa opinião, mas também julgá-lo como transgressor da lei e, por conseguinte, tratá-lo como tal censurando-o ou expondo-o ao desprezo ou, por último, enaltecendo a nós mesmos diante dele como dizendo-o “mantenha-se separado, somos mais santos que você”.

Um terceiro e ainda mais espantoso mal é que não só julgamos e catalogamos a nosso irmão como nada, mas também procedemos na qualidade de igreja a julgar no nome de Cristo. Não só por concluir que o irmão está no erro, porque não está de acordo com nossas determinações, mas que, além disso se procede a determinar os méritos da causa ao expulsá-lo ou lançá-lo fora da igreja como indigno de participar dela. Isso vai ligado à intenção de extirpá-lo do reino dos céus."

Também Barton W Stone comprometeu-se seriamente com a unidade do corpo de Cristo, fazendo constar, na Declaração de Última Vontade e Testamento do Presbitério de Springfield: "É nossa vontade que este corpo morra, seja dissolvido e submergido para se unir sem limitações ao corpo de Cristo, porque há um só corpo e um Espírito, como fomos chamados em uma só mesma esperança de nossa vocação (Ef 4:4)"

De fato, referidos reformadores foram movidos pelo mesmo espírito que vigorava na igreja primitiva, que não fazia distinção sequer em relação aos judeus religiosos, muitos dos quais se convertiam, inclusive sacerdotes (At 6.7), sem notícia de que eram instados a "mudar de religião". Não havia esse tipo de intenção. Paulo, quando se converteu, passou algum tempo pregando nas sinagogas (at 9.20), aos judeus religiosos, aos quais tratava como irmãos, apenas cessando após ser expulso. O mesmo acontecera com Jesus, que pregou na sinagoga enquanto não foi expulso. À mulher samaritana, inclusive, instado sobre o local correto de adorar a Deus (religião judaica ou dos samaritanos), respondeu: nem um, nem outro; nem lá, nem cá. Chegará o dia em que a adoração a Deus se dará em espírito e em verdade, sem vinculação com religião, rituais, locais etc. Jesus sequer disse para ela que estava para criar uma nova religião, e que quando ela tomasse conhecimento deveria a ela se filiar.

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A tendência de dividir a igreja de Cristo é tão antiga que foi por Ele próprio presenciada e rechaçada. É o que se depreende do episódio em que o discípulo João chega para Jesus informando terem repreendido alguns que, sem ser do grupo (“não caminham conosco)”, expulsavam demônios em nome de Jesus. Jesus os repreendeu dizendo que quem não era contra eles,

era por eles (Mc 9.38-40 e Lc 9.49-50). Note-se que o Mestre sequer confirmou fazer parte do "conosco" pronunciado pelos discípulos em tom sectarista:

enquanto os discípulos disseram “eles não são conosco”, Jesus não respondeu

“quem não é contra convosco”.

Estevão, quando interrogado pelos líderes do judaísmo, a eles se dirigiu como "irmãos e pais" (At 7.2). At 8.26 e seguintes narra o episódio em que um eunuco, importante oficial encarregado dos tesouros da rainha dos etíopes, subia de Jerusalém, para onde se dirigira para adorar a Deus. Deus, conhecendo a sinceridade do seu coração em sua adoração e invocação, envia-lhe Felipe para sanar-lhe as dúvidas quanto às escrituras. Tendo crido em Jesus e sido batizado, "seguiu o seu caminho" e Felipe o seu próprio, sem informar-lhe que para permanecer membro da igreja de Cristo teria que passar para determinada religião ou seguir determinadas regras. Ao chegar em sua cidade, o Eunuco, agora habitado pelo Espírito Santo, certamente para ali expandiu a igreja do Senhor, independentemente de onde, como ou com quem congregava.

conosco, mas “quem não é contra vós, é

nós, é

Já na primeira década de existência da igreja, esta enfrentou forte tendência de divisão com a instituição do Partido dos Judeus Circuncisos, que defendiam a obrigatoriedade da circuncisão e da observância de todas as leis cerimoniais, como a guarda dos sábados e a proibição de comer certos alimentos (at 11.2, 15.1-5, 21.20; Tg 2.4 e 12). As divergências de dogmas, assim, acabaram por criar o que parece ter sido a primeira bifurcação da igreja entre a igreja dos cristãos judeus e a igreja dos gentios (Rm 16.4).

Nem mesmo a dispersão da igreja de Jerusalém em razão das perseguições foi capaz de dividi-la, pois não estava adstrita a determinada localidade. Ao contrário de dividirem-se, os membros da igreja continuaram servindo a Deus em suas novas cidades, tal qual faziam em Jerusalém, e acabaram por contribuir significativamente com a expansão do Reino de Deus.

Isso só foi possível porque a igreja não se traduzia em uma religião ou num templo: a igreja era vida e relacionamentos, horizontais (comunhão com os irmãos) e verticais (adoração a Deus).

A forma de comunhão ora proposta, assim, em nome da unidade do Corpo de Cristo, adotará, para confirmação da identidade de qualquer pessoa como membro da Igreja de Jesus, a Proposição 1 acima transcrita: "Que a igreja de Cristo sobre a terra é essencial, intencional e constitucionalmente uma. Ela se compõe dos que em todo lugar confessam sua fé e obediência a Cristo, em todas as coisas e de acordo com as Escrituras. Eles se manifestam através de seus temperamentos e condutas. Só esses podem ser chamados, própria e verdadeiramente, cristãos." Ou seja, de todos aqueles

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cuja confissão de fé e obediência a Cristo e às Escrituras é confirmada por seus temperamentos e condutas.

Eis, a propósito, um bom resumo da fé cristã, constante da oração do credo, utilizada pela igreja Católica:

“Creio em Deus-Pai, todo poderoso, criador do céu e da terra e em Jesus Cristo seu único filho, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Poncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos,

ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, onde está sentado à direita de Deus Pai, todo poderoso,

de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo,

na

Santa Igreja Católica [católica significa universal, una, única],

na

comunhão dos Santos,

na

remissão dos pecados,

na

ressurreição da carne,

na

vida eterna,

Amem”.

IV. NÃO SECTARISMO

O Presbitério de Springfield, que constituiu uma das bases

primeiras do Movimento de Restauração, em sua "Declaração de ultima vontade e testamento", documento elaborado por Barton W Stone, assim

justificou sua extinção:

"Declaração das Testemunhas:

Nós, os que acima assinam como testemunhas da Última Vontade e Testamento do Presbitério de Springfield, estando em pleno conhecimento de que haverá muitas conjecturas a respeito das causas que haviam ocasionado a dissolução do dito corpo, temos determinado que é preciso deixar claro que desde o começo esse presbitério tem estado unido em amor, tem vivido em paz e concórdia e tem falecido de morte ainda como um feto e voluntária.

As razões pelas quais resolvemos dissolver esse corpo são as seguintes: Com suma preocupação vimos que as divisões e o espírito partidarista entre os cristãos professantes eram ocasionadas pela adoção de credos humanos e determinadas formas de governo. Enquanto nos mantínhamos debaixo do nome de um presbitério, lutamos impetuosamente por cultivar um espírito de amor e de unidade entre os cristãos. Ainda assim, achamos quase impossível suprimir a idéia de que

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nós mesmos éramos um partido separado de outros grupos e essa dificuldade se incrementou na mesma proporção em [que] nossos ministérios tinham êxito. Levantaram-se zelos nas mentes de outras denominações e a tentação de ver a outros através desse mesmo prisma se levantou naqueles que estavam envolvidos com os diversos partidos ou grupos.

Na última reunião acordamos preparar um texto para publicar na imprensa intitulado “Observações Acerca do Governo da Igreja”, em que o mundo pudesse ver a formosa simplicidade do governo da Igreja Cristã, despojada de toda invenção humana e tradições senhoriais. Ao internarmos na investigação do tema descobrimos que nenhum exemplo no Novo Testamento respalda a existência de confederações tais como os modernos concílios, presbitérios, assembléias gerais e etc. Portanto, concluímos que enquanto continuássemos organizados como estávamos, permaneceríamos excluídos do fundamento dos Apóstolos e Profetas, sendo a principal pedra angular Jesus Cristo mesmo. Ainda que havíamos chegado a essa conclusão nos mantínhamos debaixo do nome e autoridade de um corpo auto- constituído. Portanto, baseados nos princípio de amar aos cristãos de toda a denominação, por amor à preciosa causa de Cristo e por amor aos pecadores que se afastam do Senhor por causa das seitas e partidos dentro da igreja temos consentido jovialmente em retirarmos do estrépito e a fúria de grupos conflitantes e temos decidido abandonar as visões de mentes carnais e enfrentar a morte. Cremos que a morte do presbitério será de grande proveito para o mundo. Apesar dessa morte e despojo do esquema mortal, o qual servia somente para mantermos próximos à escravidão egípcia, hoje vivemos e nos expressamos na terra do Evangelho da liberdade. Tocamos as trombetas do jubileu e de boa vontade nos consagramos para trabalhar pelo Senhor contra o inimigo. Ajudaremos a nossos irmãos quando os nossos conselhos forem requeridos, estaremos dispostos a ordenar anciãos ou pastores, buscaremos a bênção divina e a unidade com todos os cristãos. Comungaremos com eles e fortaleceremos mutuamente nossos braços na obra do Senhor.

Esforçaremos, pela graça de Deus, em continuarmos o exercício de nossas funções que nos pertencem como ministros do Evangelho. Confiadamente esperamos no Senhor que Ele estará conosco. Com toda franqueza reconhecemos que temos podido falhar em algumas coisas por causa de nossa humanidade, mas o senhor corrigirá nossos desvios e preservará sua igreja. Que todos os cristãos se unam em clamor, dia e noite, a Deus para que Ele remova tudo o que impede a sua obra e não permitamos que descanse até que ponha a Jerusalém por louvor na terra.

Unimo-nos de todo o coração a nossos irmãos cristãos de qualquer denominação em louvor a Deus por mostrar sua bondade na gloriosa obra que está levando a cabo na parte ocidental de nossa

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nação, a qual, esperamos, será finalizada na proclamação universal do Evangelho e na unidade da igreja."

Esse mesmo espírito deverá nortear a forma de comunhão ora proposta. Participar de determinada religião ou “igreja” não pode ser considerado condição ou garantia para se alcançar ou manter a salvação. Não obstante, é inegável a importância de os cristão se congregarem, ajuntarem. Isso é igreja (ekklesia).

Esse ajuntamento, ou igreja, à luz das Escrituras, pode ser concebido em dois aspectos. Pelo primeiro, considera-se Igreja/Congregação (aqui grafada com inicial maiúscula propositadamente) o ajuntamento imaterial de todos os que passam a pertencer ao Reino de Deus (ou do amor). Essa Igreja/Congregação que não encontra nos dogmas ou doutrinas, nas divergências de opiniões ou interpretações, nem nas preferências razão para a segregação equivale à verdadeira e única Igreja, edificada por Jesus Cristo, e não é separada nem mesmo pelo tempo ou geografia. Ela reúne num só corpo, cuja cabeça é Cristo, cristãos de todos os lugares e épocas. A palavra Igreja é usada na Bíblia nesse sentido em textos como Mt 16.18 e Cl 1.18 e 24.

Essa Igreja/Congregação subjetiva e universal, entretanto, materializa-se em igrejas/congregações (grafadas propositadamente com iniciais minúsculas), ajuntamentos menores, separadas fisicamente no tempo e no espaço. A quase totalidade das vezes que a palavra igreja (ekklesia) é utilizada na Bíblia refere-se a esses ajuntamentos locais. Essa é a segunda forma de se conceber o termo igreja.

Além dessa subdivisão2 natural (temporal e geográfica), a

Igreja/Congregação experimenta indesejável subdivisões por meio das quais pessoas “ajuntam-se separadamente” de acordo com opiniões, interpretações

e preferências diversas. Essa tendência de subdividir a Igreja de Cristo foi

percebida e condenada pelo apóstolo Paulo, logo após sua instituição (I Co

1.10-13).

A história registra, nos dois milênios desde a edificação da Igreja de Cristo, inúmeras tentativas de congregar todos os seus integrantes num só ajuntamento ou congregação (com ou sem denominação). Todas elas restaram frustradas. A maioria, possivelmente todas, acabou por criar, ao fim, uma denominação a mais.

Essa unificação objetiva, acredito, nunca acontecerá, e nem estou mais tão convencido de que esse ideal deva ser perseguido, tendo em vista a corruptibilidade e a falibilidade humana. Unir todos os cristãos sob uma

só placa ou denominação, sob a liderança de um só homem ou concílio, é por

demais perigoso. Para Deus, basta a unidade subjetiva, que nem o tempo e o

espaço separam, menos ainda as divergências de opinião.

2 O termo divisão ou subdivisão aqui utilizado diz respeito exclusivamente à separação material em congregações, pois a Congregação universal é absolutamente insuscetível de divisão.

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Ser humano nenhum, acredito, será capaz de congregar, numa mesma assembléia ou igreja, católicos, espíritas, batistas, presbiterianos, adventistas, testemunhas de Jeová etc. Cada uma dessas igrejas/denominações tem convicções e dogmas divergentes entre si muito bem alicerçados e firmados, apesar de todos buscarem embasar suas convicções nos ensinos do mesmo Jesus Cristo. A Igreja subjetiva, entretanto que não encontra barreira nas divergências vivenciadas por essas igrejas/congregações , é composta, estou certo, por irmãos de cada uma delas e de tantas outras, bem como por irmãos que não participam de igreja ou religião nenhuma. Se nem as portas do inferno prevalecem contra a Igreja de Cristo (Mt 16.18), muito menos as placas, doutrinas e dogmas da religião poderão destruir sua unidade.

As igrejas/congregações, aliás, mostraram-se presentes na própria Congregação de Israel, nossa maquete na Velha Aliança (Cl 2.17; Hb 10.1; Hb 8.5; I Co 10.6). Cada uma das doze tribos de Israel tinha suas próprias terras, particularidades, preferências, costumes e características, mas todas elas, conjuntamente, formavam a Congregação de Israel, com um único Deus e um mesmo propósito: entrar e viver na terra prometida, possuí-la.

Que assim seja conosco. As muitas igrejas/congregações da Igreja de Cristo (Católica, Batista, Presbiteriana, Assembleiana etc) não nos serão problema se, ao invés de nos vermos como inimigos e rivais, aprendermos a enxergar o mesmo Espírito umas nas outras. Se não O enxergamos em alguma igreja que se diga seguidora de Cristo e de Seus ensinamentos, peçamos a Deus que (i) abra os nossos olhos para que enxerguemos a ação do Espírito nela e por intermédio dela, se de fato O possui; (ii) ou sobre ela derrame seu Espírito vivificante, se ainda não O possui (Ef 4.3). Para tanto, não nos esqueçamos das Palavras do Mestre: “Quem não é contra vós, está a vosso favor” (Lc 9.50).

Muitas podem ser as igrejas/congregações, desde que haja uma só Igreja: um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos” (Ef 4.4-6). Os equívocos, omissões e excessos presentes nas diferentes igrejas/denominações que se reúnem em nome do Senhor serão devidamente corrigidos, estou certo, na medida em que o Espírito Santo de Deus nelas fluir, sem necessidade de transformarmos essas divergências em pauta para discussões inúteis e em pretexto para a segregação.

Precisamos ter a consciência de que, nas palavra do Mestre Jesus, existem outras ovelhas que não fazem parte do mesmo aprisco (ou igreja/congregação) que nós, mas que igualmente fazem parte do Rebanho (a Igreja/Congregação), tendo todos um único Pastor, Jesus (Jo 10.16). Não estará a unidade da comunhão ora proposta, portanto, baseada na identidade de pensamentos, interpretações e preferências, nem de dons e ministérios, mas na presença unificadora do Espírito Santo de Deus.

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A propósito dos dons e ministérios, há uma tendência de lermos o capítulo doze da primeira carta aos Coríntios com uma visão local (igreja/congregação). Dessa forma, esperamos ver, necessariamente, todos os dons e ministérios do Espírito Santo na igreja/congregação a que se pertence. Entretanto, se o Corpo de Cristo (Igreja/Congregação) é integrado por pessoas de várias igrejas/congregações, Ele pode (e é o que me parece acontecer) dividir esses dons entre esses diversas igrejas, até como forma de criar uma interdependência tendente à comunhão. Assim, em determinada igreja/congregação, o dom de cura pode ser mais evidenciado; em outra, o de profecia; em outra, o de operação de milagres; em outra, o de discernimento de espíritos; em outra, o da variedade de línguas; em outra, o do ministério do ensino da Palavra; em outra, o do ministério da evangelização; em outra, o do ministério da caridade, “mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, distribuindo particularmente a cada um como quer” (1 Co

12.11).

Muitos são os textos em que vemos Jesus em assembléia (ekklesia), ou congregando, com seus discípulos em casa, no caminho, no barco, no monte, na cidade, no campo, oportunidades em que lhes ensinava e com eles mantinha comunhão. Da mesma forma que o Mestre, devemos nós, pelo congregar, nos aproximarmos de outros irmãos para deles extrairmos exemplo do viver em Cristo, bem como permitir que outros, ao se aproximarem de nós, possam aprender o evangelho por nós praticado.

Como sempre diz meu pai, Geraldo Borges, pastor e missionário, somente para pessoas que vivem em assembléia (ekklesia), em comunhão, fazem sentido os chamados mandamentos recíprocos: “lavai os pés uns dos outros” (Jo 13.14); “ameis uns aos outros” (Jo 13.34 e 35; 15.12 e 17; Rm 12.10; ); “não julgueis uns aos outros” (Rm 14.13); “recebei uns aos outros” (Rm 15.7); “admoestai-vos uns aos outros” (Rm 15.14); “saudai-vos uns aos outros com o ósculo (beijo) santo” (Rm 16.16; I Co 16.20; II Co 13.12; I Pe 5.14); “quando vos ajuntardes para comer, esperai uns pelos outros” (I Co 11.33); “pelo amor, servi- vos uns aos outros” (Gl 5.13); “não vos consumais uns aos outros” (Gl 5.15); “não nos tornemos vangloriosos, provocando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros” (Gl 5.26); “suportai-vos uns aos outros em amor” (Ef 4.2); “sede uns para com os outros bondosos, compassivos e perdoadores” (Ef 4.32); “sujeitai- vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.21); “não mintais uns aos outros” (Cl 3.9); “suportai-vos e perdoais-vos uns aos outros” (Cl 3.13); “ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros” (Cl 3.16); “sois instruídos por Deus a amardes uns aos outros” (I Ts 4.9); “consolai-vos uns aos outros” (I Ts 4.18); “exortai-vos e edificai-vos uns aos outros” (I Ts 5.11); “o amor de cada um de vós transborde uns para com os outros” (II Ts 1.3); “exortai-vos uns aos outros” (Hb 3.13); “consideremo-nos uns aos outros, para estimularmos ao amor e às boas obras” (Hb 10.24); “admoestando-nos uns aos outros” (Hb 10.25); “não faleis mal uns dos outros” (Tg 4.11); “não vos queixeis uns dos outros” (Tg 5.9); “confessai vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg 5.16); “amai-vos ardentemente uns aos outros” (I Pe 1.22); “servindo uns aos

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outros conforme o dom que cada um recebeu” (I Pe 4.10); “cingi-vos todos de humildade uns para com os outros” (I Pe 5.5); “amemos uns aos outros” (I Jo 3.11 e 23; 4.7 e 11; II Jo 1.5); “se nós amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós” (I Jo 4.12).

Os primeiros cristãos, tão logo Jesus foi elevado aos céus, “reuniam-se constantemente no pátio do templo [judeu], bendizendo a Deus” (Lc 24.53), e em suas casas (At. 2.46 e 5.42, Rm 16.5, I Co 16.19, Cl 4.15, Fl 1.2), tendo sido num desses encontros em casa derramado o Espírito Santo prometido (At 1.8), o pentecoste.

Lucas registra que “eles perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At 2.42). Não congregavam, pois, apenas para cantar, orar e ouvir a Palavra, mas também para as refeições e o cuidado mútuo, o que despertava estima por todo o povo, “e a cada dia o Senhor juntava à comunidade as pessoas que iam sendo salvas” (v. 47). “Em número cada vez maior, homens e mulheres criam no Senhor e eram acrescentados à comunidade” (At 5.14).

O livro de Atos registra que, no início da comunhão dos primeiros cristãos, aconteciam milagres (3.1-10; 5.12a; 5.15-16), pregações públicas (2.14- 36; 3.11-26), prisões (4.1-22; 5.17-32; 6.12-15); açoites (5.40), reuniões de ensino (2.42; 5.42), reuniões para oração (2.42; 3.1; 4.23-31), reuniões de comunhão (2.42; 5.12b), reuniões para a santa ceia (2.42), reuniões para questões administrativas (1.12-26; 6.1-7), ofertas (4.35-37) e reuniões nas casas (2.46; 5.42). Um só era o sentimento e a maneira de pensar, e ninguém considerava exclusivamente seu os bens que possuía, mas todos compartilhavam tudo entre si” (At 4.32), razão pela qual “não havia uma só pessoa necessitada entre eles(v. 34). Ou seja, a Igreja/Congregação e as igrejas/congregações, que não tinham estatuto nem CNPJ nem prédio próprio com lugar fixo de reuniões nem liturgias, iam crescendo e contavam com as manifestações do Espírito Santo.

Interessante também é observar que Paulo, após convertido, continuava frequentando a sinagoga, onde teve a oportunidade de pregar o evangelho do Reino. Essa prática só foi interrompida quando ele foi expulso pelas autoridades religiosas invejosas. Como resultado, muitos dos convertidos ao judaísmo passaram a seguir Paulo, que apenas os advertia a seguir perseverando na graça de Deus (At 13.13-41).

As igrejas/congregações logo experimentaram acirrada divergência quanto à observância de certos preceitos da Lei, como a circuncisão, mas permaneceu unida (At 15). Igualmente, o fato de Paulo ter sido destacado para a proclamação do Evangelho aos incircuncisos (gentios/não judeus), e Pedro aos circuncisos (judeus), não foi causa de divisão na Igreja (Gl 2.7).

A partir do apedrejamento de Estevão (At 7), “estabeleceu-se grande perseguição contra a Igreja em Jerusalém, e todos os apóstolos foram dispersos pelas regiões da Judéia e de Samaria” (At 8.1). Assim, “os que haviam sido dispersos pregavam a Palavra por onde quer que fossem” (v. 8), e a Igreja de Cristo começou a espalhar-se, estabelecendo-se congregações nas

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cidades que alcançava. Permaneciam, entretanto, como uma só Congregação em Cristo, e essa consciência fazia, por exemplo, com que os irmãos da igreja em uma cidade ajudassem os irmãos de outra, tanto espiritual como materialmente, o que pode ser observado nas cartas dos apóstolos dirigidas às igrejas (I Co 16.1-4, por exemplo).

Que Deus nos dê a nós que pretendemos aplicar a presente

forma

igrejas/congregações irmãs, cujos dons e ministérios poderão nos auxiliar no processo de edificação e crescimento pessoal, bem como de receber em nossas reuniões de comunhão irmãos de quaisquer congregações ou denominações.

Na igreja/comunhão ora proposta não se considerará excluída do restante da Igreja de Jesus, nem se considerará excluídos aqueles que, independentemente da religião ou denominação, considerem-se participantes do Corpo de Cristo. Serão bem-vindos, assim, em nossa comunhão, tanto aqueles que integram quaisquer denominações ou religiões como os que nelas não estejam inseridos, desde que com a boca confessem Jesus Cristo como Senhor e Salvador e sinceramente busquem viver de forma condizente com essa confissão, evidenciando sua inserção no Reino de Deus, o Reino do Amor.

Em suma, no que tange à identificação e comunhão nosso lema será aquele há séculos adotado pelo Movimento de Restauração: "Não somos os únicos, mas somos unicamente cristãos".

comungar com outras

de

comunhão

a

graça

de

V.

DOUTRINAS

As divergências doutrinárias têm sido a principal causa de divisão no Corpo de Cristo. Assim, no que tange às doutrinas, adotar-se-á as seguintes proposições da Declaração e Discurso, em nome da unidade do Corpo de Cristo:

Proposição 3: "Que só podem se tomar como requisitos de comunhão ou artigos de fé aquelas matérias ensinadas expressamente e ordenadas aos cristãos na Palavra de Deus."

Proposição 5: "Que nenhuma autoridade humana tenha o poder de criar leis para a igreja ou alterar as que têm sido dadas no Novo Testamento."

Proposição 6: "Que o que [se] infere ou se deduz das Escrituras nunca deve se tomar como requisito de comunhão ou parte do credo da igreja, ainda que aos que as descubram lhes pareçam muito certas."

Proposição 12: "Que tudo o que é necessário para reformar a Igreja se resume em três delineamentos: retornar ao modelo bíblico de receber membros na igreja; desenvolver um ministério que seja fiel à Palavra de Deus e que as ordenanças divinas sejam restauradas à sua maneira original."

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Proposição 13: "Que quando não se encontre na Bíblia uma revelação ou ordem explícita acerca de algum assunto, então que se possa adotar um precedente inferior a título de recurso humano, para evitar a divisão e a contenção na igreja."

E, no apêndice de referida declaração:

"Respeito a Opiniões:

Concluímos que se um irmão se opõe ou recusa algo que não é assunto de fé ou prática, e não se encontre um claro assim diz o Senhor, não devemos expulsá-lo pelo fato de que não vê com nossos olhos os assuntos de dedução humana de juízo pessoal. E assim, por

causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu?(1Co 8:11). Por que não andamos conforme o amor? Portanto, temos decidido não chegar a nenhuma conclusão própria, nem adotar uma conclusão de outra pessoa falível formulando regras de fé que obriguem a nossos

irmãos

temos sugerido, em outras palavra, o mesmo que sugeriram os

apóstolos, quer dizer, que os fortes devem suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a eles mesmos. Devemos receber o fraco na fé, porque

Deus também o tem recebido. Em uma palavra, devemos receber uns aos outros para a glória de Deus.

Cristãos Judeus e Cristãos Gentios:

É conhecido que os cristãos hebreus observavam certos dias, mantiveram suas dietas religiosas, celebravam a páscoa, circuncidavam seus filhos e etc.; Coisas que não foram praticadas pelos gentios convertidos. Todavia, se manteve a unidade entretanto, em amor, se suportavam uns aos outros (sic). Porém, se aos judeus lhes tivesse proibido explicitamente ou aos gentios lhes tivesse obrigado, pela autoridade de Jesus, a observar certas coisas, poderiam eles ter exercido a tolerância? Onde não há uma lei não pode haver transgressão formal ou intencional.

Vendo todo o panorama, observamos que uma coisa é evidente: o Senhor suportará a debilidade, a ignorância involuntária e os erros do seu povo, não a presunção. O que o povo de Deus deve fazer é suportar com paciência uns aos outros em amor, esforçando diligentemente para guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz(Ef

4:2-3)."

Stone,

por

sua

vez,

na

Declaração

de

Última

Vontade

e

Testamento do Presbitério de Springfield, assim assevera:

"É nossa vontade que o poder que possuímos para fazer leis que governem a igreja, e impô-las por autoridade que nos tem delegado

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cesse para sempre, de tal modo que as pessoas tenham livre acesso à Bíblia e adotem a lei do Espírito de vida em Cristo Jesus.

É nossa vontade que desde este momento o povo

considere a Bíblia como o único e seguro guia ao céu."

( )

Ainda a propósito do tema doutrina, válida menção à promessa feita pelos profetas Jeremias e Ezequiel, no sentido de que na Nova Aliança a Nova Lei seria gravada no íntimo de cada um (Jr 31.31ss, Ez 36.26ss e Hb 8.8-11), razão pela qual desnecessário que um irmão diga a outro o que fazer.

Assim, o filtro pelo qual deverá passar qualquer interpretação das Escrituras na comunhão ora proposta será o filtro do Amor. Isso porque se Jesus, na Terra, foi a encarnação da Palavra de Deus, que é Amor, a interpretação de qualquer trecho da Bíblia Sagrada [Palavra de Deus] deve ser condizente com o Amor, pregado e vivido por Jesus Cristo. De fato, tudo o que fazemos deve ser resultado de amor a Deus e às pessoas. Se assim procedermos, não cometeremos qualquer tipo de pecado. Contra o amor não pode haver doutrina. Quem ama não peca (I Co 2.10, Rm 13.8 e 10), mas cumpre toda a lei (Gl 5.14).

De fato, o mandamento de Jesus, no singular, foi um só: “amem aos outros como eu vos amei” (Jo 15.12), sendo o fim do mandamento o amor (I Tm 1.5).

VI. TITULOS E HIERARQUIAS

A respeito de títulos e hierarquias, eis o que escreveu Campbell em sua Declaração e Discurso:

"Pobre gente! Não me admiro de que estejam tão apegados a suas explicações. Por essa razão é que chamam benfeitores àqueles que exercem autoridade sobre eles e lhes dizem o que têm que crer e fazer. Esses são os reverendos nos quais eles podem, e de fato assim o fazem, pôr a sua inteira e implícita confiança inclusive em maior grau que nos santos apóstolos e profetas. Esses últimos eram homens sensíveis, honestos e sem pretensões, que nunca se aventurariam a dizer ou fazer nada em nome do Senhor, se não houvesse uma revelação do céu e nunca se distinguiram com títulos veneráveis como Rabi ou reverendo, mas simplesmente por Paulo, João, Tomé etc. Eles não eram mais que servos. Nunca assumiram nem receberam títulos honoríficos entre os homens, mas só aqueles que descreviam seus ofícios. A única maneira que essa tremenda corrupção que prevalece na igreja seja expurgada é por meio de uma reforma radical através do retorno a simplicidade original, a pureza primitiva da instituição cristã aplicando o que encontramos nas páginas sagradas."

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O mesmo posicionamento a respeito dos títulos foi adotado por Stone, no Testamento de seu presbitério:

"É nossa vontade que nosso corpo honorífico com título de “reverendo” seja esquecido para que possa haver tão só um Senhor sobre a herança de Deus e seu nome seja Um.

É nossa vontade que os candidatos a ministros do Evangelho, de agora em diante, estudem as Sagradas Escrituras em oração fervente e obtenham licença para pregar o simples Evangelho da parte de Deus, “com o Espírito enviado desde o céu”, sem mescla de filosofia, enganos vãos, tradições de homens ou com rudimentos do mundo. Que ninguém, de agora me diante, tome “essa honra para si, senão o que é chamado de Deus, como foi Aarão”;

É nossa vontade que a igreja de Cristo retome seu direito original de governo interno, que prove a seus candidatos para o ministério no concernente à pureza da fé, conhecimento da prática da religião, seriedade e aptidão para ensinar. Que não se admitam nos candidatos nenhuma outra prova de autoridade, senão a de Cristo falando através deles. É nossa vontade que a igreja espere no Senhor da ceifa que envie trabalhadores para sua seara. Que a igreja assuma seu direito original de provar aqueles “que se dizem ser apóstolos e não o são.

Na comunhão ora proposta, portanto, recomendar-se-á a não utilização de títulos eclesiásticos para tratamento de seus membros. Entretanto, nada impede (e tudo recomenda) que se respeite a opção de diversas denominações pela utilização de títulos, tratando seus líderes como pretendem ser tratados.

Apesar do incentivo à não utilização dos títulos, ressalte-se a importância de haver, na forma de comunhão ora proposta, pastores consagrados, em razão de a lei lhes conferir prerrogativas legais como a de não serem obrigados a prestar depoimento judicial relativamente a questões que tenham conhecido no exercício de atividade eclesiástica (Arts. 229, inc. I, do CC, 207 do CPP e 347, inc. II, do CPC). Não se deve confundir, entretanto, título (tratamento) e função (atividade desenvolvida).

VII. DÍZIMOS/OFERTAS (Quanto e onde entregar?)

"É nossa vontade que cada igreja local, como um corpo,

impulsionada pelo mesmo espírito, eleja seu próprio pastor e o sustente por meio de ofertas voluntárias, sem levantar um lista de ajuda e contribuições em

dinheiro, que admita membros e remova as transgressões, e que no futuro jamais devolva seu direito de se governar entregando a outro homem ou grupos de homens, não importando quem sejam." (Declaraçao de ultima vontade e testamento do Presbiteri de Springfield - Barton W Stone)

A igreja primitiva não tinha o habito de recolher 10% dos

rendimentos dos seus membros, até porque uma vez tenham eles entregado

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suas vidas a Jesus, morrendo para si mesmos, tudo que possuíam, inclusive bens e receitas, passava, automaticamente, a pertencer ao senhor e dono de suas vidas.

Jesus, por intermédio do Espírito Santo, é quem deve guiar cada integrante do seu Reino quanto à administração de todos os seus bens e receitas (e não apenas de 10%), com vistas à concretização da vontade de Deus: o amor. Por essa razão, os primeiros cristãos vendiam tudo o que possuíam e depositavam aos pés dos apóstolos, para que ninguém tivesse necessidade de nada. Esses cristãos eram movidos, pelo menos no inicio dessa pratica, pelo Espírito Santo de Deus, cuja manifestação (fruto) é amor.

A lei do dízimo foi instituída para minimamente imitar o que o desapego gerado pelo amor naturalmente faria. Ou seja, se o povo de Israel amasse a Deus e ao próximo como a si mesmo não precisaria de lei que o impedisse de gastar todas as suas receitas consigo mesmo e o impelisse a separar a décima parte para as despesas com o sustento daqueles que, designados para o serviço espiritual no Templo, os sacerdotes, não tinham como garantir o próprio sustento.

O destino do dízimo, ressalte-se, no velho testamento, era o sustento das pessoas separadas para os serviços espirituais. As despesas com construção e manutenção do tempo eram supridas com ofertas à parte, com essa finalidade, bem como com o imposto instituído para esse fim, o imposto do templo (Ex 30.13-16, 2 Cr 24.9 e Mt 17.24).

Uma vez tenha a pessoa entregue sua vida ao Senhorio de Jesus, que é amor, desnecessário lei que a force a destinar parte dos seus bens e rendas para o sustento dos ministros de tempo integral e do próximo, pois a Lei do Amor impressa em seu coração (Jr 31.31ss, Ez 36.26ss e Hb 8.8-11) naturalmente o conduzirá no sentido da consciência de que deve ajudar, e certamente o fará em proporção mais elevada que os 10% da lei, cuja observância estrita não é suficiente para façamos parte do o Reino de Deus (Mt 5.20).

Assim, respeitando a posição e prática adotadas por outros, na comunhão ora proposta não haverá estipulação de quantia mínima ou máxima de contribuição.

Apenas se recomenda atenção especial, por parte de cada um, no sentido de que, se sob a égide da Lei do velho testamento (mandamento) a pessoa já reservava 10% do que recebia para sustento daqueles que se dedicavam exclusivamente aos serviços do templo, parece-me natural que nossas ajudas (de caridade ou sustento dos trabalhos de evangelismo), uma vez cheios do Espírito do Amor, tendam não só a observar esse mínimo como parâmetro individual, como a elevar-se. Em outras palavras, se uma pessoa, egoísta e sem amor, era capaz de, por força de mandamento, viver com apenas 90% de sua renda, natural acreditar que, amando e tendo anulado o ego, a pessoa tenda a organizar as próprias finanças de maneira a, na medida do possível, gastar menos consigo e mais com o próximo. Essa consciência nos

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ajudará a não utilizar a liberdade do Reino do Amor como pretexto para o império do egoísmo.

Igualmente não haverá estipulação sobre onde devem ser aplicadas as ofertas/dízimos de cada membro. Cada um, de acordo com a direção do Espírito Santo de Deus, decidirá com quanto e onde ajudar ao próximo e às atividades (locais ou externas) destinadas à expansão do Reino de Deus, sem, inclusive, lista que acabe por tornar público seu gesto de amor e inviabilizar o recebimento da recompensa pelo verdadeiro galardoador (Mt 6.1-4). As ofertas, assim, serão o mais sigilosas possível.

Em Atos 4 vemos que, na medida em que as pessoas se entregavam a Jesus e eram cheias do Espírito do Amor, vendiam as propriedades e depositavam aos pés dos apóstolos, para distribuir conforme a necessidade de cada um. Essa centralização das ofertas, no inicio, foi bem sucedida. Entretanto, acabou por gerar alguns problemas, dentre os quais: 1) tendência de o ato de amor voluntário ser imitado para louvor e engrandecimento próprio, e como marca de pertencimento ao Corpo de Cristo (episodio de Ananias e Safira); 2) hipocrisia e mentira (episodio de Ananias e Safira); 3) dispêndio de tempo considerável daqueles que deveriam se dedicar à oração e propagação da Palavra de Deus (at 6.2); 4) ciúmes e contendas (at 6.1); 5) preguiça e indisposição para o trabalho, já que independentemente de trabalhar ou não, todos teriam a mesma quantia (II Ts

3.6-10).

Por essas razoes, na comunhão ora proposta, cada um, com o discernimento do Espírito do Amor em si existente, deve decidir com quanto ajudará seu próximo, sem centralizações e divulgações.

A prática de vender tudo e submeter à administração dos apóstolos de forma que todos tivessem tudo em comum, sem ninguém considerar-se dono de nada não perdurou nos tempos da Igreja Primitiva: i) no ano 43 dC, quando a fome assolou o império romano, os discípulos em Antioquia, cada um segundo suas possibilidades, mandavam ajuda aos irmãos da Judéia (At 11.27-30); ii) na carta de Tiago, ele faz referencia a "irmãos ricos" e "irmãos humildes" (Tg 1.9-10).

Em suma, na presente comunhão cada membro decidirá, livremente, orientado diretamente pelo Espírito do Amor, impresso em seu coração, com quanto e onde contribuirão, de forma a se viabilizar, inclusive, a comunhão com pessoas que entregam seus dízimos em determinada congregação da qual faça parte.

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VIII.

BATISMO (Forma)

"Na segunda fase da sua liderança, que se iniciou por volta de 1840, Alexander Campbell percebeu que algumas das suas posições eram insustentáveis. Mais experiente e conciliador, ele passou a aceitar a unidade na diversidade pluralista e minimizar a necessidade de uma postura rígida pelo ideal restauracionista. Para você ter uma idéia da natureza e profundidade destas mudanças, observe a opinião do maduro Campbell quanto ao batismo cristão, assunto de tanta controvérsia no passado, em resposta a uma carta (A Carta de Lunenberg): 'O que deduz que só é cristão aquele que tenha sido submergido está em tão grave erro como aquele que afirma que ninguém está

vivo, senão os que tem uma visão clara e completa

Eu pecaria contra as

minhas próprias convicções se ensinar que alguém, por não haver entendido o significado de um sacramento (instituição), ainda que sua alma anele conhecer por completo a vontade de Deus, deva perecer eternamente' 3 .

Sobre os primeiros anos do movimento de restauração, os autores do livro “Raízes da Restauração” escreveram o seguinte: “No início se concentrou na vida em santidade, buscando restaurar o estilo de vida da Igreja Bíblica. O ideal de liberdade era a pedra fundamental desse movimento e até o batismo era deixado a critério de cada um. O caráter cristão e a liberdade eram muito preciosos. Para eles a restauração da Igreja do Novo Testamento passava pela negação das tradições opressoras das igrejas estabelecidas e a unidade da Igreja Primitiva era a unidade na liberdade e não unidade na concordância4 .

Em razão do simbolismo do batismo, do próprio significado dessa palavra e do contexto dos batismos narrados no Novo Testamento, tenho sinceras dificuldades de desassociá-lo da imersão. Não há, entretanto, nenhuma referência bíblia expressa no sentido de que o batismo apenas terá validade caso obedeça a essa ou àquela forma. Assim, não será considerado óbice à comunhão ora proposta as formas diversas de batismo utilizadas pelas diversas denominações cristãs, bastando que tenha sido resultado de uma decisão consciente e sincera de alguém que verdadeiramente creu em Cristo e n‟Ele foi mergulhado.

IX. SANTA CEIA (Requisitos para a participação)

Na Ceia do Senhor, o pão representa o corpo de Cristo, moído por nós, e o vinho nos lembra seu sangue derramado. Ao comermos do pão, que representa o corpo de Cristo, e bebermos do cálice, que representa seu sangue, esses elementos se unem a nós, fisicamente, da mesma forma que nos tornamos um com Cristo, espiritualmente. Assim, consoante reconhecido pelo apóstolo Paulo, ao participarmos de um único pão físico nos lembramos que

3 SOTO, Fernando. La Reforma Presente (citando "Memoirs of Alexander Campbell", de Robert Richardson), pág. 79.

4

ALLEN, C. Leonard. Raízes da Restauração, pág. 111, 112 e 113.

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participamos, igualmente, todos, de um único pão espiritual (Jesus), com o qual nos tornamos um e a partir do qual nos unimos aos demais irmãos (I Co

10.17).

Na maioria das denominações (inclusive congregações do Movimento de Restauração), apenas aqueles que foram batizados podem participar da Mesa do Senhor (Santa Ceia), pois somente a partir desse momento passariam a fazer parte do Corpo de Cristo, Sua Igreja. Sem desrespeitar essa posição, a comunhão ora proposta considerará a pessoa integrada ao Corpo de Cristo desde o momento em que n‟Ele creia em verdade e a Ele entregue o domínio de sua vida, mesmo antes de ter a oportunidade de batizar-se.

Se a Santa Ceia é reservada para aqueles que pertencem ao Corpo de Cristo, o Espírito Santo é quem deve testificar nossa filiação divina e consequente inserção no Reino de Deus (Rm 8.16). Assim, terão livre acesso à Mesa do Senhor todos aqueles que, após discernimento próprio, consoante advertido elo apóstolo Paulo (I Co 11.28), considerarem-se inseridos no Corpo de Cristo na terra, Sua Igreja.

X.

SABADO

Desde a época de Jesus e dos Apóstolos se discutia sobre a manutenção da obrigatoriedade de observância do sábado.

A lei do Shabbãth (sábado) estabelecia: “durante seis dias trabalharás; o sétimo, porém, é o shabbãth, o tempo do repouso absoluto em honra e adoração a Yahweh” (Ex 31.25). Existiam também o ano sabático (ex 21.2-6, Dt 15.12-18) e o Ano do Jubileu (Lv 25.8-55).

O termo Shabbãth (sábado) significa descanso. Mais que uma lei, constitui um princípio em nosso favor, para não nos afogarmos nas questões de menor importância e nos esquecermos da principal, caindo na armadilha de “Faraó” (Ex 5).

Com efeito, Êxodo 5 narra o episódio em que Moisés e Arão comparecem à presença de Faraó, que dominava e escravizava o povo de Israel, anunciando que Deus determinara a libertação do seu povo para que pudesse celebrar uma festa em seu louvor no deserto. Inconformado, Faraó impôs ao povo maior carga de trabalho, sob o fundamento de que a ociosidade é que levava o povo a dizer “vamos sacrificar a Yaweh!” (Ex 5.8 e

17).

Faraó, nessa experiência da saída do povo de Israel da escravidão do Egito para a Jerusalém prometida, figura o Diabo, relativamente à nossa caminhada espiritual da escravidão do pecado em direção à nossa Jerusalém celestial; e essa mesma estratégia tem sido claramente utilizada por Satanás nos nossos dias, o qual, das formas mais variadas, tem mantido a mente humana extremamente ocupada com trabalhos, estudos, jogos, filmes,

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redes sociais, atividades ministeriais etc , de forma a não sobrar tempo para cogitar das coisas de Deus.

Daí a instituição da Lei do Sábado para o povo de Israel logo após a saída da escravidão, a qual deveria funcionar como um antídoto contra essa estratégia do inimigo. Alguém pode hoje, sinceramente, negar a necessidade de utilizarmos esse antídoto contra a tentativa do Diabo de impedir que separemos tempo para descansarmos das coisas terrenas e voltarmos nossa mente para as coisas de Deus?

Por isso, Deus, pelo profeta Jeremias, afirma que a guarda do sábado é uma prática a ser observada “por amor da vossa alma” (17.21). Ou seja, é para que não venhamos a sucumbir na fé que precisamos do sábado, razão pela qual Jesus afirmou que “o sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Marcos 2:27).

Tanto constitui princípio que, antes da lei do descanso (Shabbãth) o próprio Deus, que não se cansa, no sétimo dia da criação descansou de todo o trabalho que havia realizado”, abençoando-o e santificando-o” (Gn 2.2-3). Como princípio, ressalte-se, não está vinculado a um dia específico da semana, mas sim à proporção seis dias de trabalho para um de descanso. Portanto, não é que exista um dia mais santo que outro. O fato é que o dia que separamos para “descanso” é por nós santificado (a palavra santificado significa separado).

Jesus, muitas vezes questionado, nunca negou o dever de guardar o sábado. Entretanto, por concebê-lo como princípio instituído em favor do homem, não se permitia deixar de fazer o bem nesse dia, curando e libertando as pessoas.

Assim, embora nada obrigue, tudo recomenda a separação (santificação) de um dia para descanso das atividades pessoais e renovo das forças espirituais, e por essa razão a guarda do sábado como princípio será enfaticamente recomendada na comunhão ora proposta. A legislação brasileira, inclusive, favorece a observância desse princípio, garantindo a todo trabalhador o direito a pelo menos um dia de descanso remunerado (Art. 5º, inc. XV, da CF e art. 67 da CLT). Esse dia (Shabbãth) merece uma atenção especial quanto ao que ouvimos, vemos, lemos, falamos e fazemos.

Quanto aos nossos irmãos adventistas que guardam o sábado como lei, não admitindo sua troca por outro dia na semana, fazem melhor que aqueles que não guardam dia nenhum. A propósito, adventistas e não adventistas, como irmãos, para manterem a comunhão do Corpo de Cristo, devem ter em mente a seguinte advertência de Paulo: “Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz.” (Rm 14:4-6)

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XI.

NOME DE IDENTIFICAÇÃO

A identificação nominal de qualquer pessoa ou grupo é natural, sendo certo que quando a própria pessoa ou grupo não se apresenta com um nome acaba recebendo um.

Cristo, ao instituir sua Igreja, não lhe conferiu qualquer nome especial. Simplesmente disse: “sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. A palavra grega (transliterada) aqui traduzida por igreja foi ekklesia (ek-klay-see'-ah), referia-se a um ajuntamento de pessoas com uma finalidade comum, uma assembléia, uma congregação. Assim, no início, a igreja de Cristo na terra, por Ele instituída, Seu Corpo, Sua extensão, era referida exclusiva e simplesmente como “igreja”. Onde existiam pessoas pertencentes a Cristo, Seus discípulos, ali se encontrava Sua igreja.

Na medida em que a igreja se espalhou por outras cidades, cada ajuntamento em cada cidade era igualmente nominado igreja, acrescentando-se apenas a respectiva cidade, como igreja em Cencréia (Rm 16.1), igreja em Corinto (I Co 1.2), igrejas na Galácia (I Co 16.1), igrejas na Macedônia (2 Co 8.1), igrejas na Judéia (Gl 1.22), igreja dos tessalonicenses (I Ts 1.1), igreja em Éfeso (Ap 2.1), igreja em Esmirna (Ap 2.8), igreja em Pérgamo (Ap 2.12), igreja em Tiatira (Ap 2.18), igreja em Sardes (Ap 3.1), igreja em Filadélfia (Ap 3.7) e Laodicéia (Ap 3.14 etc. O conjunto dessas igrejas, assim, era referido, no plural, como igrejas (ekklêsian), ajuntamentos, assembléias, congregações.

Igreja, até então, tanto não tinha o sentido de denominação ou templo que muitas são as referências, na Bíblia, da igreja (ekklêsian) se reunindo nas casas (Rm 16.5, I Co 16.19, Cl 4.15, Fl 1.2). Ou seja, a palavra igreja (ekklêsian), na Bíblia, tanto refere-se ao Corpo de Cristo como um todo (Cl 1.18 e 24), em sua universalidade e catolicidade, como a cada ajuntamento fragmentado desse Corpo único, nas diversas localidades.

Se no princípio a igreja (Corpo de Cristo) foi identificada exclusivamente como igreja (ekklesia), e os diversos sub-agrupamentos foram chamados igualmente de igreja (ekklesia), acrescentando-se exclusivamente o nome da cidade em que localizada, considero que devemos resistir à enorme tentação de criar qualquer nome diferente (ex.: Comunidade tal, Associação tal, Caminho tal) ou acrescentar ao nome igreja qualquer vocábulo (ex.: igreja

de Cristo, igreja de Deus, igreja Universal, igreja Católica, igreja Batista, igreja

igreja

Presbiteriana,

Aliança, igreja X - ministério Y, etc) tendentes à segregação da igreja de Cristo

e à divisão da glória devida exclusivamente a Deus com determinado líder ao qual esse novo nome ou acréscimo possa estar vinculado.

Sem nome particular, determinado ajuntamento da igreja em certo lugar será identificada exclusivamente como pertencente a Jesus, sua Cabeça, e não a Paulo, Apolo, de Pedro (I Co 1.12), nem a qualquer outro líder, por mais honrado que seja.

igreja

Adventista,

igreja

Luterana,

igreja

Apostólica,

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Essa desvinculação ministerial difícil para a tendência humana de receber pelo menos um pouco da glória, honra e louvor pelo trabalho realizado e frutos colhidos acabará por livrar esses líderes da soberba, passo que precede a queda (Pv 16.18). Os líderes poderão ser livres dos sérios e incalculáveis riscos da tentação de “contar seu exército ou rebanho”, consoante aquela experimentada por Davi (I Cr 21).

Quanto aos integrantes desse Corpo, dessa Igreja, penso que podemos igualmente nos identificar exclusivamente pelos nomes utilizados na Bíblia para referir-se aos primeiros membros desse Corpo, como "discípulos do senhor" (At. 9.1, 10, 19), "os do caminho" (At. 9.2), "os que invocam o nome do Senhor" (At. 9.14), "cristãos" (At. 11.26) etc. Particularmente gosto muito das expressões cristão cuja significado, nos manuscritos gregos mais antigos e fiéis, significa “aqueles que pertencem a Cristo5 e da palavra discípulo que transmite a idéia de um seguidor, um imitador.

XII. FORMAS DE CONGREGAR

Jesus prometeu estar presente, em comunhão conosco, sempre que nos reunirmos em nome dEle. O congregar é indispensável para o desenvolvimento saudável de cada parte do Corpo, razão pela qual Paulo nos exorta a que "não deixemos de congregar" (Hb 10.25).

Consoante observado, embora um só seja o Corpo de Cristo, que se constitui uma só Igreja/Congregação, seus membros se relacionam em grupos menores, não excludentes: as igrejas/congregações.

A comunhão ora proposta, em igreja/assembléia, ocorrerá pelas mais variadas formas possíveis, de acordo com as possibilidades e necessidades, como discipulados individuais, pequenos grupos, refeições conjuntas, santa ceia, congressos, acampamentos etc.

Quanto aos locais, igualmente, não há nenhuma regra estipulada por Jesus ou pelos apóstolos, que se reuniam para comunhão, oração e estudo da palavra na rua, nas praças, no templo, nos montes, nas casas etc.

A respeito dos locais das reuniões, evitar-se-á na forma de comunhão ora proposta aquisições de imóveis e equipamentos que onerem desnecessariamente as comunhões. Os imóveis e móveis utilizados, nas pequenas ou maiores reuniões, serão públicos ou de propriedade dos próprios irmãos, ou, ainda, alugados individualmente por um ou mais irmãos voluntariamente, caso entendam necessário.

Ou seja, para a comunhão ora proposta, com ou sem personalidade jurídica, não haverá aquisição de patrimônio algum nem se assumirá obrigações em nome da coletividade. A Bíblia não registra, no ministério de Jesus ou dos Apóstolos, aquisições de propriedades pela igreja

5 Comentário da Bíblia BKJ AA At 11.26.

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primitiva, que se reunia de casa em casa (At 5.42), ao ar livre (At 16.13) e no pátio do templo dos judeus (At 5.42). Hoje, melhor que naquela época, temos, no Brasil, não só a garantia de que não seremos presos ou processados pelo só fato de compartilharmos as boas novas do evangelho e adorarmos a Deus em praças públicas, como temos assegurada, pela Constituição Federal, a segurança estatal para essas reuniões, exigido apenas prévio agendamento (Arts. 5º, VI, VIII e XVI, da Constituição Federal).

Poder-se-á, também, regularmente ou periodicamente, participar dos cultos de celebração e eventos realizados por diferentes denominações, de forma a se exercitar a comunhão com outros membros do Corpo e manter afastada a tentação sectarista do exclusivismo.

Quanto menos se gastar com as reuniões e eventos, mais se poderá participar financeiramente em trabalhos missionários e assistenciais.

Dentre as diversas formas possíveis de reunião (ajuntamento) para comunhão e edificação mútua, como membros do Corpo de Cristo, a forma de comunhão ora proposta tem adotado as seguintes:

Discipulado individual: amizade entre duas pessoas ou dois casais com propósito de edificação. Os encontros, preferentemente agendados com intervalos máximos de uma semana, no início, poderão ser utilizados para evangelismo, edificação e crescimento, aconselhamento, oração e comunhão. Esses encontros podem acontecer em cafés, lanchonetes, restaurantes, praças, residências etc. Conforme o nível de maturidade espiritual da pessoa com quem se está estabelecendo a relação de discipulado, pode-se buscar material adequado para o estudo da Verdade da Bíblia aplicada a todas as áreas da nossa vida. A pessoa deve ter completa liberdade, entretanto, para, sob orientação divina, escolher o material a ser utilizado em cada fase do discipulado, ou não utilizar material nenhum além da Bíblia Sagrada. Nesses encontros, deve-se enfatizar e motivar, sempre, o desenvolvimento de prática devocional diária, por meio da qual se dedique os primeiros minutos ou a primeira hora de cada dia para o alimento espiritual indispensável para se ter um dia de vitória.

Encontros semanais de pequenos grupos temáticos: Mostra-se de grande importância que, além dos encontros individuais, pequenos grupos se reúnam semanalmente ou quinzenalmente para oração e busca de orientação da Palavra de Deus a respeito de áreas específicas da vida. Por exemplo, um determinado grupo pode reunir homens que buscam, à luz da Bíblia, a direção para serem melhores maridos, pais, profissionais, filhos etc; um grupo de mulheres se reunir com a mesma finalidade; um grupo de jovens pode se reunir semanalmente para buscar força e direção divina para uma vida de santidade e vitória profissional; um grupo de músicos pode se reunir para adorar juntos a Deus e buscar seus ensinamentos especificamente no que tange ao louvor e adoração; um grupo de casais pode se reunir como objetivo de buscar na Palavra de Deus inspiração para experimentarem, no casamento, a vida abundante que Deus prometeu, orientação sobre criação de filhos, etc. As possibilidade de variações de tipos de grupo são tão vastas

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quanto as necessidades da vida humana, e Deus certamente dará, a cada um, o discernimento sobre o grupo a ser iniciado.

Encontros semanais para adoração e participação da Santa Ceia: além dos encontros de casa em casa, a igreja primitiva se reunia constantemente para comunhão num grupo maior e “partia o pão” (At 2.42, 20.7 e 27.35; I Co 11.23-33), tal qual ensinado por Jesus (Mt 26.26-30; Mc 14.22-26 e Lc 22.14-20). Assim, algumas dessas pessoas que se encontram individualmente e em pequenos grupos devem procurar reunir-se com essa mesma finalidade. Uma boa opção são locais públicos, como parques e praças, ou chácaras cedidas por algum integrante do grupo. No caso das praças e parques os encontros terão que ser rearranjado em épocas de chuvas. Possivelmente as épocas de chuva serão uma boa oportunidade para se manter comunhão com irmãos de diversas denominações, de forma a se ampliar a comunhão do Corpo e se ver caídas barreiras denominacionais. O ideal, considero, é que o grupo não se prenda a cronogramas e escalas, permitindo-se que cada um, conforme o coração e o Espírito o impulsione, traga uma palavra ou sugira uma música ou oração. Sempre que possível, importante que a mensagem seja aplicada com participamos da Santa Ceia.

Encontros periódicos: Periodicamente, podem também ser organizados encontros temáticos para comunhão, lazer, evangelismo e edificação pessoal, familiar e ministerial. Poder-se-á, ainda, participar de tantos bons eventos realizados por líderes qualificados de diversas denominações.

XIII. FORMAS DE PASTOREIO

No que diz respeito à forma de pastoreio, a ênfase na presente forma de comunhão em igreja será o apascentamento mútuo por irmãos e irmãs que, cheios do Espírito Santo de Deus, se disponham a cumprir os mandamentos recíprocos da Palavra de Deus, já referidos: lavai os pés uns dos outros” (Jo 13.14); “ameis uns aos outros” (Jo 13.34 e 35; 15.12 e 17; Rm 12.10; ); “não julgueis uns aos outros” (Rm 14.13); “recebei uns aos outros” (Rm 15.7); “admoestai-vos uns aos outros” (Rm 15.14); “saudai-vos uns aos outros com o ósculo (beijo) santo” (Rm 16.16; I Co 16.20; II Co 13.12; I Pe 5.14); “quando vos ajuntardes para comer, esperai uns pelos outros” (I Co 11.33); “pelo amor, servi-vos uns aos outros” (Gl 5.13); “não vos consumais uns aos outros” (Gl 5.15); “não nos tornemos vangloriosos, provocando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros” (Gl 5.26); “suportai-vos uns aos outros em amor” (Ef 4.2); “sede uns para com os outros bondosos, compassivos e perdoadores” (Ef 4.32); “sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo” (Ef 5.21); “não mintais uns aos outros” (Cl 3.9); “suportai-vos e perdoais-vos uns aos outros” (Cl 3.13); “ensinai-vos e admoestai-vos uns aos outros” (Cl 3.16); “sois instruídos por Deus a amardes uns aos outros” (I Ts 4.9); “consolai-vos uns aos outros” (I Ts 4.18); “exortai-vos e edificai-vos uns aos outros” (I Ts 5.11); “o amor de cada um de vós transborde uns para com os outros” (II Ts 1.3); “exortai-vos uns aos outros” (Hb 3.13); “consideremo-nos uns aos outros, para estimularmos

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ao amor e às boas obras” (Hb 10.24); “admoestando-nos uns aos outros” (Hb 10.25); “não faleis mal uns dos outros” (Tg 4.11); “não vos queixeis uns dos outros” (Tg 5.9); “confessai vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados” (Tg 5.16); “amai-vos ardentemente uns aos outros” (I Pe 1.22); “servindo uns aos outros conforme o dom que cada um recebeu” (I Pe 4.10); “cingi-vos todos de humildade uns para com os outros” (I Pe 5.5); “amemos uns aos outros” (I Jo 3.11 e 23; 4.7 e 11; II Jo 1.5); “se nós amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós” (I Jo 4.12).

Pastorear é apascentar, cuidar e, nesse sentido, todos temos chamado para sermos pastores, nem que seja exclusivamente dos da nossa casa e daqueles a quem discipulamos.

Cada irmão deve considerar-se direta e pessoalmente responsável, diante de Deus e do grupo, pela pessoa que ele trouxer para a comunhão em questão, considerando-o como um irmão mais novo na fé. Deve, assim, apresentá-lo diariamente a Deus, em oração, bem como empenhar-se em seu desenvolvimento espiritual, seja diretamente ensinando- lhe as Escrituras, seja disponibilizando-lhe material de qualidade para leitura e estudos, seja incentivando-lhe a participar de eventos de edificação. Deve, ainda, empenhar-se em ser para ele exemplo de santidade e vida devocional, incentivando-o a tais práticas, de forma a permitir que logo possa desenvolver- se por si só, sem a necessidade de ajuda constante.

Os eventos, pedidos de oração, notícias etc deverão ser divulgados pelos respectivos discipuladores, já que não existirá uma lista ou rol de membros centralizados. Ou seja, um irmão compartilha com os discípulos que estejam aos seus cuidados, que, por sua vez, retransmitem a informação aos seus, e assim sucessivamente.

Dessa forma, não haverá sobrecargas nem ausência de cuidado. O pastoreio e evangelismo acontecerá naturamente, enquanto estivermos indo pelo mundo(Mc 16.15 - NVI), enquanto estivermos desenvolvendo nossas atividades.

Nada impede, entretanto, ressalte-se, que além do pastoreio realizado por todos os membros, cada qual relativamente àqueles a quem esteja discipulando determinada pessoa, que tenha recebido de Deus o dom para pastorear e o chamado para tempo integral, possa fazê-lo, sendo para tanto sustentado, voluntariamente, por um ou alguns integrantes do grupo de comunhão, mediante compromisso pessoal, sem vínculo obrigacional em relação à comunidade em geral.

O gráfico abaixo tenta ilustrar as relações de comunhão estabelecidas em um grupo de 24 pessoas. São igrejas inseridas em igrejas, e apenas a reunião subjetiva de todas elas equivale à universal Igreja de Cristo Jesus:

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Observações:  Cada relação de discipulado individual estabelecida (A – B; B – C; C

Observações:

Cada relação de discipulado individual estabelecida (A B; B C; C D;

D

E; etc) constitui reunião da igreja de Jesus, na medida em que a

reunião se dá em nome de Jesus;

 

A

reunião entre o discipulador A com todos aqueles por ele diretamente

discipulados (Bs), constitui reunião da igreja de Jesus;

 

A

reunião de B com todos os Cs por ele discipulados mais os respectivos

Ds, constitui reunião da igreja de Jesus;

 

A

reunião de todos os irmãos que mantém comunhão neste modelo

constitui reunião da igreja de Jesus;

 

A

reunião entre alguns desses irmãos e algumas denominações, constitui

reunião da igreja de Jesus;

 

A reunião dos

irmãos com as mais variadas formas

de

comunhão

constitui, igualmente, constitui reunião da igreja de Jesus.

 

A

reunião de todas as igrejas, em todas as épocas e lugares, tal qual

visualizada todo o tempo por Deus, somente poderá ser por nós percebida nos céus, mas o será.

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XIV.

PERSONALIDADE JURÍDICA

Se a igreja de Cristo se traduz como a união e comunhão das pessoas que integram Seu Corpo na terra, vejo mais inconvenientes em sua formalização que vantagens. Dentre eles os já mencionados riscos da contabilização dos membros e da constituição de um patrimônio. Assim, os irmãos que pretenderem participar, como igreja, da comunhão ora proposta, não serão identificados em cadastros e rol de membros.

O ser humano tem a tendência de acreditar-se auto-suficiente quando descobre, pelos números, a força que supostamente tem, deixando de confiar e depender de Deus para a realização de seus projetos. Não caiamos na tentação de Davi relatada em I Cr 21. Basta-nos saber que fazemos parte do Reino de Deus, composto por pessoas que viveram, vivem e viverão em tempos e locais diversos, portanto incontáveis. Deus sabe quantos somos, e isso é suficiente.

Possivelmente, entretanto, haverá necessidade de formalização de uma entidade religiosa para o reconhecimento, pelo Estado, da consagração de pastores, aos quais a lei confere prerrogativas como a de não ser obrigado a prestar depoimento judicial relativamente a questões que tenha conhecido no exercício de atividade eclesiástica (Arts. 229, inc. I, do CC, 207 do CPP e 347, inc. II, do CPC). Essa formalização, entretanto, não exige o cadastro e controle dos membros que são pastoreados pelos pastores a ela vinculados.

Outra opção para a consagração de pastores estará na presença, no grupo, de pastores de determinadas congregações formalmente estabelecidas, ou mesmo na possibilidade de o Concílio Ministerial das Igrejas de Cristo no Brasil (seguimento igualmente oriundo do Movimento de Restauração) consagrar pastores entre pessoas da comunhão ora proposta.

XV.

CONCLUSÃO

Participar do Corpo de Cristo e ser membro de Sua Igreja na terra é mais simples do que muitas denominações têm feito parecer com suas complicações, bem como mais difícil do que se tem propagado. Simples porque a vida da Igreja de Cristo na terra se resume a relacionamentos, verticais (homens com Deus) e horizontais (homens entre si). Difícil, porque exige negação diária do próprio ego para manifestação da vontade última de Jesus Cristo e Seu Reino: o amor.

Qualquer pequeno grupo de pessoas pode, assim, desde que com o mínimo de dois integrantes, viver e experimentar a maravilhosa experiência da comunhão do Corpo de Cristo, com simplicidade e dedicação sacrificial. Os frutos, pessoais e ministeriais, certamente virão.

Viva, desfrute e compartilhe da liberdade proporcionada pelo Evangelho, esteja você inserido em uma denominação específica ou não.

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