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RESPOSTA DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO CONTRA REVOGÃO DA

ADMINISTRAÇÃO PUBLICA

A Administração pública conforme aduz seu artigo 49, da Lei 8.666, autoriza
a revogação da licitação por razões de interesse público, por fato
superveniente devidamente comprovado. A interpretação da lei menciona que
a empresa vencedora no certame tem apenas expectativa de direito à
contratação, submetendo-se ao juízo de conveniência e oportunidade do ente
público contratante

Conforme nos ensina a doutrina do Prof.


Dr. Alexandre de Moraes, de Direito Constitucional:

"Diz-se que a lei concede de modo


explícito ou implícito maior liberdade de
autuação, porque ora é a própria lei que
expressamente confere à Administração a
discricionariedade de autuação, ora a lei é
omissa em relação a determinada situação
fática, pois não lhe é possível enumerar
taxativamente todos os atos que a prática
administrativa exige, permitindo ao
administrador maior liberdade de atuação,
sempre dentro dos parâmetros de
legalidade e moralidade

PROCESSO: 001.0701.001.551/2009
INTERESSADO: Instituto Adolfo Lutz
ASSUNTO: Aquisição e Instalação de Equipamento de Uso Laboratorial –
Processador Automático de Tecidos.
DESPACHO: 13 /2010
Em,11/01/2010

Como expõe nos seus ensinamentos um


dos mais respeitados administrativistas franceses, Dr.René Chapus, senão
vejamos:

“ (...)o poder discricionário das


autoridades administrativas não é outro
senão o poder de escolher entre duas ou
mais decisões ou dois ou mais
comportamentos igualmente conformes
à legalidade, pois, exercendo o poder
discricionário, a Administração só pode
fazer aquilo que o Direito lhe permite.
Essa maior liberdade de atuação deverá
ser feita por meio de critérios de
conveniência e oportunidade do
administrador. Trata-se do chamado ato
administrativo discricionário."

Desse modo, a nenhum poder a não ser o


poder executivo compete analisar a oportunidade e a conveniência dos atos
administrativos, interferindo na esfera do poder discricionário do governante,
substituindo a sua vontade e decidindo o que é melhor para o interesse público.

Como nos ensina a Doutrina da Profª Drª


Maria Sylvia Zanella di Pietro:

”A rigor, pode-se dizer que, com relação


ao ato discricionário, o Judiciário pode
apreciar os aspectos da legalidade e
verificar se a Administração não
ultrapassou o espaço livre deixado pela lei
e invadiu o campo da legalidade”
(Direito Administrativo, 16ª ed., p. 211).

Assim também ocorre com a revogação da licitação.


Conforme dispõe o artigo 49 da Lei nº. 8.666/93, ela pode ser revogada por
razões de interesse público decorrente de fato superveniente devidamente
comprovado pertinente e suficiente para justificar tal conduta, devendo anulá-lo
por ilegalidade de ofício ou por provocação de terceiros, mediante parecer
escrito e devidamente fundamentado.

A respeito do tema, leciona Hely Lopes


Meirelles:

“Revogação: a revogação da licitação,


como já vimos, assenta em motivos de
oportunidade e conveniência
administrativa. Por essa razão, ao
contrário da anulação, que pode ser
decretada pelo Judiciário, a revogação é
privativa da Administração. São as
conveniências do serviço que comandam a
revogação e constituem a justa causa da
decisão revocatória, que, por isso mesmo,
precisa ser motivada, sob pena de se
converter em ato arbitrário (...)"(Direito
Administrativo Brasileiro, 29ª ed., p. 302).

Acerca da revogação do certame, leciona


Marçal Justen Filho nos Comentários à Lei de Licitações e Contratos
Administrativos (Ed. Dialética, 11ª Ed.).

“A Administração pode concluir que, na


licitação, havia uma proposta que era a
melhor de todas. Por isso, homologa o
resultado encontrado pela Comissão. Se
concluir que a proposta, embora a melhor
dentre as formuladas, não era
suficientemente interessante para a
Administração, deverá revogar a licitação'
(pág. 427)
(...)
"A revogação se funda em juízo que apura
a conveniência do ato relativamente ao
interesse público sob tutela do Estado. No
exercício de competência discricionária, a
Administração desfaz seu ato anterior para
reputá-lo incompatível com as funções
atribuídas ao Estado. (...). Depois de

praticado o ato, a Administração verifica


que o interesse coletivo ou supra-
individual poderia ser melhor satisfeito por
outra via. “Promoverá, então, o
desfazimento do ato anterior” (pág.
463/464).

Desse modo, não existe o direito líquido e


certo, pois, como é sabida, a empresa que é considerada vencedora de
certame licitatório tem mera expectativa de adjudicação do objeto licitado,
não gerando vínculo obrigacional de contratação com o ente público.(GN)

O mesmo entendimento vem sendo


adotado pela nossa Corte de Justiça:

“MANDADO DE SEGURANÇA.
LICITAÇÃO. DISCORDÂNCIA DO
LICITANTE VENCEDOR EM RELAÇÃO À
REVOGAÇÃO DO CERTAME. AUSÊNCIA
NA ESPÉCIE DE DIREITO SUBJETIVO
INDIVIDUAL DE CONTRATAR COM O
PODER PÚBLICO. DISPONDO O
LICITANTE VENCEDOR APENAS DE
EXPECTIVA DE DIREITO DE
CONTRATAÇÃO COM O PODER PÚBLICO,
INEXISTE IMPEDIMENTO LEGAL PARA A
ADMINISTRAÇÃO REVOGAR LICITAÇÃO
QUE NÃO ATENDE À SUPREMACIA DO
INTERESSE PÚBLICO. SEGURANÇA
DENEGADA" (Órgão Especial - MS nº
334.798-6. Rel. Des. Ângelo Zattar. Public.
18.08.2006).

Esse é o entendimento do egrégio


Superior Tribunal de Justiça:

“ADMINSTRATIVO. LICITAÇÃO.
INTERPRETAÇÃO DO ART. 49, § 3º, DA LEI
8.666/93.
1. (...)

2. (...)

3. Revogação de licitação em andamento


com base em interesse público
devidamente justificado não exige o
cumprimento do § 3º do art. 49 da Lei
8.666/93.
4.(...).
5. Só há aplicabilidade do § 3º do art. 49 da
Lei nº 8.666/93, quando o procedimento
licitatório, por ter sido concluído, gerou
direitos subjetivos ao licitante vencedor
(adjudicação e contrato) ou em casos de
revogação ou de anulação onde o licitante
seja apontado, de modo direto ou indireto,
como tendo dado causa ao proceder o
desfazimento do certame.

Isso significa que, se não houver sido


homologado, a administração pública pode e deve revogar poder-dever, caso
surja fato superveniente.

O fato superveniente que ora é


mencionado refere-se a mudanças físicas em 2010 que passará a Seção de
Patologia, conforme vinha sendo planejada pela Diretoria Geral em
consonância com Divisão de Patologia e o Núcleo de Engenharia e que no
transcorrer da licitação foi acordado que haveria reformulação física do local.

.Diante do exposto, informamos que o fato


superveniente acima mencionado e o não atendimento do edital é fundamento
suficiente para manter a revogação do certame, tendo como supedâneo o art.
49 da lei 8.666/93 e todos os seus fundamentos.