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O Hábito de Lavar Roupas

uma agenda de inovação voltada para a atividade de “lavar roupa” no âmbito da Habitação de Interesse Social no Paraná

   
1 O Hábito de Lavar Roupas uma agenda de inovação voltada para a atividade de “lavar

O Hábito de Lavar Roupas

uma agenda de inovação voltada para a atividade de “lavar roupa” no âmbito da Habitação de Interesse Social no Paraná

Aguinaldo dos Santos e Carolina Daros

           
       

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Núcleo de Design e Sustentabilidade UFPR Tel.: (41) 3360-5313 Aguinaldo Santos e-mail.: asantos@ufpr.br

     

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Autores: Aguinaldo dos Santos e Carolina Daros Ilustração: José Marconi

     

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Dados internacionais de catalogação na publicação Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira

   

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Santos, Aguinaldo dos O hábito de lavar roupas: uma agenda de inovação voltada para a atividade de “lavar roupa” no âmbito da Habitação de Interesse Social no Paraná / Aguinaldo dos Santos e Carolina

Inclui bibliografia.

     

Em periféricos (tablets, celulares, etc.)

 

Daros; ilustrações: José Marconi. - Curitiba, PR : Núcleo de Design e Sustentabilidade da UFPR : Insight, 2014. 47 p. : il. ; 30 cm.

   

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1. Vestuário – Limpeza – Paraná – Aspectos sociais. II. Cruz, Carolina da. III. Marconi, José. IV. Universidade Federal do Paraná. Núcleo de Design e Sustentabilidade. V. Título.

         
 

CDD ( 22ª ed.)

       
 

646.6

       

ISBN-13: 978-85-62241-18-5 [Impresso]

       

ISBN-13: 978-85-62241-17-8 [PDF ebook]

         

PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTA OBRA, ATRAVÉS DE QUAISQUER MEIOS, SEM AUTORIZAÇÃO DO EDITOR.

 

O Hábito de Lavar Roupas: uma agenda de inovação voltada para a atividade de “lavar roupas” no âmbito da Habitação de Interesse Social no Paraná de Núcleo de Design e Sustentabilidade UFPR está licenciado com

 

Impresso no Brasil

     

uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial- CompartilhaIgual 4.0 Internacional.

 

Printed in Brazil

           

2014

Sumário

A. Introdução

B. Método de Pesquisa

C. O Hábito de Lavar Roupas

D. Agenda de Inovação

     

Conte xto

06

 

Visão Geral

11

 

Visão Geral

19

 

Artefatos Economizadores 33

Indução da Inovação

07

 

Survey

12

 

Separação de Roupas

20

 

Reaproveitamento de Água 34

Equipe

09

 

Sondas Culturais

14

 

Preparação para Lavagem

22

 

Energia

36

     

Workshop Inovação

16

 

Lavagem

23

 

Comunicação e Controle

38

           

Centrifugação

30

 

Opções de Compra

42

           

Secagem

31

 

Manutenção e Transporte

43

                 

Insumos

44

Introdução

Introdução Este e-book apresenta uma proposição de uma agenda de inovação voltada a atividade de “lavar
     

Este e-book apresenta uma proposição de uma agenda de inovação voltada a atividade de “lavar roupa” no âmbito da Habitação de Interesse Social, com vista a contribuir para o uso mais racional e eficiente da água e energia. Seu conteúdo é resultado de um extensivo trabalho de uma equipe

Conte xto

06

multidisciplinar liderada pelo Núcleo de Design & Sustentabilidade da Universidade Federal do

Indução da Inovação

07

Paraná, no qual se buscou identificar inovações que efetivamente levassem em conta os hábitos

Equipe

09

e comportamentos dos moradores destas

     

habitações. O público alvo deste livro são os tomadores de decisão em empresas, governo e organizações do terceiro setor envolvidos com processos de inovação, com vista a apoiá-los na elaboração de uma pauta de inovação centrada no usuário final.

1.

Contexto

O projeto foi realizado entre 2011 e 2014, com recursos providos pela FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) dentro da Chamada Pública Saneamento Ambiental e Habitação do edital 07/2009. Esta chamada implementou a Rede 22, que tem como foco de estudo o “uso racional de água e eficiência energética em habitações de interesse social”. A Rede 22 é composta por onze instituições nacionais: FEESC, UFSC, FUFS, IPT, UFES, UFMS, UFPR, UFBA, UNISINOS, EMC- UFSC E UFPEL. No âmbito da UFPR o projeto foi denominado de E-Wise (http://projetoewise. blogspot.com.br/).

Dentre os objetivos desta rede está a busca pela caracterização dos hábitos e comportamentos no âmbito da Habitação de Interesse Social, seja através de indicadores numéricos, seja pela apreciação qualitativa dos padrões de consumo. Associado a esta caracterização está também o objetivo do desenvolvimento de uma agenda que possa instrumentalizar empresas, academia e governo na identificação de oportunidades de inovação.

Nesta Rede a UFPR, UFBA e UFMS realizaram os estudos de caráter qualitativo, com a utilização

de uma survey seguida da aplicação de sonda culturais com o propósito de entender os hábitos e comportamentos cotidianos associados ao consumo de água e energia. Portanto na presente publicação são apresentados os resultados obtidos no âmbito do Paraná.

A realização do projeto ocorreu em um contexto de rápida ascensão social e econômica no país. De fato, entre 2001 e 2011, os 10% mais pobres do país tiveram um crescimento de renda acumulado de 91,2% (IPEA, 2012). Apesar das diversas implicações positivas sociais e econômicas, esta mudança demográfica resultou também em elevado impacto no volume de recursos naturais consumidos, decorrente da busca pela replicação dos padrões de consumo de faixas de maior renda da população. Este contexto de transição para novos padrões de consumo configura-se como uma oportunidade para o desenvolvimento sustentável, demandando que tal inovações permitam a melhoria do bem-estar desta população em ascensão sem o correspondente aumento no consumo material. É justamente com o propósito de identificar uma pauta de inovação voltada a este cenário de oportunidades para a sustentabilidade que se realizou o Projeto E-Wise, com seus principais resultados descritos neste e-book.

Introdução

 

6

         

2.

Indução da inovação

Inovações baseadas somente em avanços tecnológicos, muito embora determinante em muitos casos para possibilitar padrões mais sustentáveis de consumo, não são bem-sucedidas quando não há a profunda compreensão dos hábitos e comportamentos do consumidor. Esta compreensão envolve estabelecer um diálogo continuado e transparente com o consumidor de maneira a determinar anseios, apreensões e motivações que determinam os padrões de consumo presentes e futuros. Nesta pesquisa adotou-se uma abordagem pouco usual nos estudos congêneres realizados no Brasil:

integrou-se o próprio usuário no processo de coleta de dados através de utilização do método de “sondas culturais”. Esta abordagem permitiu a observação de práticas no cotidiano que dificilmente seriam passíveis de observação através de estratégicas convencionais de pesquisa.

A compreensão dos hábitos e comportamentos permitiu a identificação de zonas de inovação no processo de lavar roupa que podem reduzir marginal ou até drasticamente os níveis de consumo de água e energia. As inovações identificadas enquadram-se em três categorias: as que não exigem alteração dos hábitos (voltadas a reforçar hábitos ecoeficientes), as que demandam mudança radical dos hábitos e aquelas inovações que requerem mudanças marginais nos hábitos.

A identificação destas inovações utilizou como estratégia de análise a realização de workshop baseado em princípios da ciência prospectiva. Nesta ciência a pesquisa é baseada em processos sistemáticos que promovem o entendimento amplo das forças que moldam o futuro a longo prazo e que devem ser consideradas na elaboração de políticas, planejamento e tomada de decisão, permitindo o aperfeiçoamento das escolhas presentes em direção a um futuro desejável e possível (ZACKIEWICZ; SALLES-FILHO, 2001; COELHO, 2003). São utilizados para auxiliar os tomadores de decisão e os formuladores de políticas, na construção de estratégias; além de identificar direção e oportunidades futuras para os diversos atores sociais (ZACKIEWICZ et al, 2005).

Introdução

   

7

           

2.

Indução da inovação

Nesta pesquisa a prospecção de inovações adotou como estratégia central de análise a utilização de cenários para balizar o processo de discussão. Um cenário integra a complexa dinâmica de variáveis e fatores que possível e provavelmente afetarão o futuro. Para sua elaboração é necessário a decodificação das implicações da situações presentes no futuro e, similarmente, as implicações dos cenários futuros. Este debate entre presente e futuro, bem como as transições entre um e outro, instrumentaliza o processo de decisão, contribuindo para aperfeiçoar o processo de planejamento e antecipar a dinâmica da interações no processo de inovação.

A agenda de inovação resultante do processo de pesquisa é apresentada através de princípios metaprojetuais. Estes princípios consistem em definições mais abstratas das características genérica da inovação, apontando a razões para sua implementação e suas características centrais, sem no entanto determinar uma solução específica. A conversão destes princípios metaprojetuais em produtos e serviços inovadores, depende não somente de desenvolvimento per se de novas tecnologias mas, também, de ações articuladas de longo prazo no âmbito da sociedade em áreas como educação, comunicação e legislação.

Introdução

   

8

           

3.

Equipe

Nome

Titulação

Atuação no Projeto

Aguinaldo dos Santos

Eng. Civl, MSc, PhD, pos-doc, Bolsista Produtividade/CNPq

Coordenador geral

Carolina Daros

Mestranda PPGDesign/UFPR Bolsista CAPES

Pós-graduanda

Claudia Zacar

MSc, Bolsista DTI/CNPq

Pesquisadora

Diego Paulino Silvério

Designer, Bolsista DTI/CNPq

Pesquisador

Dioclécio Moreira Camelo

PhD. Pós-doutorando PNDT/CAPES

Pesquisador

Isabella Borges

Graduanda em Design da UFPR, Bolsista IT/CNPq

Designer gráfico

Letícia Gonçalvez dos Santos

Graduanda do Curso de Design da UFPR, Bolsista PIBIC

Iniciação científica

Lucas Ramos

Graduanda em Design Gráfico da UTFPR, Bolsista IT/CNPq

Designer gráfico

Maristela Ono

MSc, Doutora, Bolsista DTI/CNPq

Pesquisadora

Vanessa Voux

Graduanda em Design Gráfico da UTFPR, Bolsista IT/CNPq

Designer gráfico

Introdução

 

9

         

Método de Pesquisa

Método de Pesquisa A pesquisa de campo propriamente dita dividiu-se em três etapas consecutivas: “survey”, “sondas

A pesquisa de campo propriamente dita dividiu-se em três etapas consecutivas:

     

“survey”, “sondas culturais” e “workshop de cenários futuros”. A primeira forneceu o perfil

Visão Geral

11

geral de consumo da comunidade investigada (demografia, atividades, interesses, opiniões);

Survey

12

a segunda envolveu a coleta detalhada de hábitos de consumo ao longo de sete dias

Sondas Culturais

14

e envolvendo o próprio morador na sua

Workshop Inovação

16

realização; finalmente, na terceira etapa, a partir da compreensão dos hábitos de consumo

     

e com base em uma abordagem da ciência prospectiva, buscou-se identificar uma agenda de inovação, obtida a partir de workshop com especialistas.

1.

Visão geral

O protocolo de coleta e análise de dados acerca dos hábitos e comportamentos de consumo envolveu inicialmente uma revisão bibliográfica com foco em temas como inovação, definições e abordagens de inovação, design sustentável e design para o comportamento sustentável. O resultado desta revisão está consubstanciado na dissertação de mestrado de Daros (2013) e nos relatórios postados no blog do projeto e, também, nas publicações oriundas dos encontros da Rede 22 disponibilizadas em seu blog.

A pesquisa de campo propriamente dita dividiu- se em três etapas consecutivas: “survey”, “sondas culturais” e “workshop de cenários futuros”, conforme ilustra a figura a seguir. A “survey” (março a dezembro/2011), elaborada em colaboração com todos os participantes da Rede 22, permitiu a caracterização mais geral da comunidade estudada, com foco no consumo de água e energia. Seus resultados permitiram a definição das famílias que participaram da aplicação das “sondas culturais” (outubro/2011 a outubro/2012. O resultado destas duas etapas, aliado à base teórica obtida na revisão bibliográfica, subsidiaram a realização do “workshop de cenários futuros” (novembro 2012).

Este e-book consubstancia os resultados obtidos tanto na fase de caracterização dos hábitos (Survey e Sondas Culturais) assim como aqueles obtidos na etapa de proposição de uma “agenda de inovação”, proposições estas derivadas de workshop que analisou os hábitos a partir de uma perspectiva de cenários futuros alternativos.

workshop sondas survey cenários culturais elaboração do e-book futuros
workshop
sondas
survey
cenários
culturais
elaboração
do e-book
futuros
             

(1) http://rededepesquisa.blogspot.com.br/

Método de

   

Pesquisa

 

11

           

2.

Survey

Para aplicação do questionário foi realizado um treinamento com a equipe de pesquisadores. Este treinamento está disponível no blog do projeto (www.projetoewise.blogspot.com). A aplicação do questionário ocorreu aos sábados, especificamente nos dias 27 de agosto e 3 de setembro de 2011, e contou com 6 duplas de entrevistadores, junto a 32 famílias.

A survey objetivou fundamentalmente identificar e caracterizar perfis de consumo, contribuindo também para refinar as questões da pesquisa e apontar critérios de seleção para as famílias que participariam da etapa seguinte da pesquisa. Os critérios de seleção das famílias foram: a renda mensal máxima da família deveria ser de três salários mínimos; residências com no mínimo três pessoas, se possível com crianças em idade escolar; residentes a mais de um ano na mesma habitação. Este último critério pressupunha que após um ano de moradia as família já teriam seus hábitos de consumo já razoavelmente consolidados. Os (as) respondentes da survey deveriam ser moradores, sendo responsáveis pelas atividades domésticas ou responsáveis pelas decisões financeiras da família.

A coleta de dados foi realizada por meio de questionário (disponível no blog do projeto) divido em cinco grupos de perguntas: perfil do entrevistado, características da habitação, consumo de água, consumo de energia e interesses (vide figura a seguir). A elaboração do questionário adotou a lógica do Método Delphi para a consulta aos parceiros da Rede 22, utilizando como ponto de partida surveys similares realizadas anteriormente pelos mesmos2.

A etapa inicial da análise dos dados coletados na survey foi de caráter descritiva, buscando estratificar as respostas de acordo com sua frequência, focando nos itens com maior proporção. A seguir efetuou-se a análise cruzada dos dados com o objetivo de identificar padrões e subgrupos entre os entrevistados. A busca de padrões e agrupamentos também utilizou a estrutura de análise proposta por Solomon (2012), a qual utiliza três eixos: Atividades, Interesses e Opiniões (AIO).

(2) Destaca-se os questionários do TECLIM/UFBA: “Caracterização das Residências e do Sistema de Abastecimento de Água na Cidade de Feira de Santana” (Projeto Semiárido 2006); “Pesquisa de Caracterização do Consumo Residencial de Água” (Projeto Plataforma 2011); “Pesquisa de Caracterização do Consumo Residencial” (TECLIM/UFBA) (Projeto NEA 2010)

Método de

     

Pesquisa

   

12

             

2.

Survey

Termo de Consentimento

Perfil do Entrevistado e da Família

Gênero, idade, escolaridade, renda mensal, quantidade de moradores, quantidade de filhos, etc.

Características da Habitação

Número de cômodos, área, reformas e modificações, eletrodomésticos, máquina de lavar, lâmpadas, etc.

Consumo de Água

Valor mensal, tarifa social, frequência de atividades, medidas de economia, reaproveitamento de água, etc.

Características de Energia

Valor mensal, tarifa social, frequência de atividades, medidas de economia, tipo de lâmpadas utilizadas, etc.

Interesses

Uso de ambiente compartilhado, participação de atividades na comunidade, futuros investimentos, etc.

Figura 1 - Estrutura do questionário utilizado na survey

Método de

     

Pesquisa

   

13

             

3.

Sondas culturais

Sondas cultural é um método etnográfico que apresenta como principal característica a participação do usuário no próprio processo de coleta de dados, sendo útil na captura de percepções e das práticas do dia a dia no contexto pessoal do usuário (MATTELMAKI, 2006; LUCERO et al., 2007). As 7 famílias que participaram das sondas foram selecionadas a partir de um universo de 21 famílias, todas participantes da etapa da Survey, agrupadas a partir de suas características em três atividades de referência: “passar roupa”, “lavar roupa” e “banho” (figura a seguir). A seguir são descritas as ferramentas que compõe este Kit:

3. Sondas culturais Sondas cultural é um método etnográfico que apresenta como principal característica a participação

Figura 2 - Pré-seleção das famílias para a fase das sondas culturais

  • a) Agenda de tarefas + adesivos: busca o

mapeamento das atividades domésticas e de higiene realizadas durante a semana por cada morador, em cada período do dia (manhã, tarde e noite);

  • b) Paparazzi: através de câmera fotográfica

descartável é solicitado que registrem seus hábitos, utilizando círculos verdes (aspecto positivo) e vermelhos (aspecto negativo) de papel na frente do objeto ou situação;

  • c) Cartões de avaliação de atividades: buscam

identificar a partir de escala Likert a percepção dos

moradores acerca da tarefa de lavar roupa;

  • d) Entrevista semiestruturada: aplicada antes e após

as sondas culturais, elaborada a partir dos resultados da Survey e da própria sonda cultural, tendo sido registradas em áudio ou áudio + vídeo.

Método de

     

Pesquisa

   

14

             

3.

Sondas culturais

Após a pré-análise dos dados via triangulação foi realizada uma segunda entrevista com as famílias, buscando dirimir dúvidas ou confirmar as conclusões obtidas. Estas entrevistas, realizadas por duplas de pesquisadores, ocorreram nos dias 16, 17, 23 e 24 de junho de 2012. As entrevistadas foram as mulheres, por estas serem as responsáveis pelos afazeres domésticos e terem uma ampla compreensão da dinâmica de consumo de água e energia na família.

3. Sondas culturais Após a pré-análise dos dados via triangulação foi realizada uma segunda entrevista com

Figura 3 - Elementos do kit para sondas culturais

A

coleta de

dados das sondas culturais ocorreu nos dias 19, 20,

26 e 27 de maio de 2012, de acordo com a disponibilidade das

famílias, a partir de agendamento prévio. Os kits das sondas culturais permaneceram em cada família por uma semana.

Método de

     

Pesquisa

   

15

             

4.

Workshop de inovação

O desenvolvimento da Agenda de Inovação envolveu três atividades principais: a) a construção de uma base de dados de inovações em produtos e serviços no processo de lavar roupas; b) a realização de uma extensiva revisão bibliográfica sobre inovação, comportamento e métodos de prospecção de inovação e, finalmente c) a realização de um workshop com especialistas com foco em “cenários futuros”.

Na primeira etapa realizou-se a apresentação dos cenários macros e a caracterização dos hábitos de consumo de água e energia na habitação de interesse social (survey + sondas culturais). Lançou- se então a questão: “Como seria o consumo de água e energia na HIS no cenário X?”. Os resultados desta etapa foram agrupados em três cenários a partir dos temas: sociedade, tecnologia, economia, ecologia e política (vide figura a seguir).

Os especialistas selecionados para o workshop estavam envolvidos direta ou indiretamente com a Habitação de Interesse Social (assistentes sociais, arquitetos, engenheiro civil, engenheiro eletricista, engenheiro químico). Para a realização do workshop utilizou-se três hipóteses de cenários de mesmo horizonte temporal quanto ao consumo de água e energia: um de crise, outro com expectativas médias e outro de consumo sustentável.

Para os cenários “macros” adotou-se as previsões desenvolvidas em organizações como o World Energy Council, International Food Policy Research Institute, United Nations World Water Assessement Programme e World Future Society.

Os estudos prospectivos (“Foresight”) são processos sistemáticos que promovem o entendimento amplo das forças que moldam o futuro a longo prazo e que devem ser consideradas na elaboração de inovações, permitindo o aperfeiçoamento das escolhas presentes em direção a um futuro desejável e possível. Este tipo de estudo é utilizado para auxiliar os tomadores de decisão e os formuladores de políticas, na construção de estratégias; além de identificar direção e oportunidades futuras para os diversos atores sociais (ZACKIEWICZ; SALLES-FILHO, 2001; COELHO, 2003).

Método de

   

Pesquisa

 

16

           

4.

Workshop de inovação

O grupo foi novamente dividido em três, distribuídos em cada um dos cenários desenvolvidos na primeira etapa. Também, similarmente à primeira etapa, foi distribuído uma ficha para cada participante listar suas principais proposições de ideias e conceitos de acordo com os cenários. Realizou-se o agrupamento da proposições constantes nestas fichas, buscando a identificação de princípios metaprojetuais, consistindo em definições mais abstratas das características da inovação, apontando a razões para sua implementação e suas características gerais, sem no entanto determinar uma solução específica.

4. Workshop de inovação O grupo foi novamente dividido em três, distribuídos em cada um dos

Figura 4 - Workshop de cenários futuros para inovação

Método de

   

Pesquisa

 

17

           

O hábito de lavar roupas

Nesta seção são apresentados os hábitos de lavar roupas de moradores de Habitação de Interesse Social a partir das Observações Realizadas na Região Metropolitana de Curitiba através da aplicação de Survey e Sondas Culturais. A análise crítica destes hábitos e dos artefatos e serviços que lhe dão suporte

Visão Geral

19

permitem identificar zonas de oportunidades de inovação seja para consolidar, melhorar

Separação de Roupas

20

ou mesmo suprimir hábitos existentes, de maneira a alcançar padrões de consumo mais

Preparação para Lavagem

22

sustentáveis, implicando na melhoria do bem- estar desta população.

Lavagem

23

Obviamente as ações voltadas a interações no comportamento das pessoas têm que estar

Centrifugação

30

pautadas por princípios de ética.

Secagem

31

 

1.

Visão Geral

                       

Processo de lavar roupas

   

1. Separação

                 

Voz do Usuário

     

2. Preparação para lavagem

   
                                       

Para informações quanto a reprodução de áudio consultar a página 3.

3. Lavagem

4. Centrifugação

 

5. Secagem da roupa

 

Voz do Usuário I

   
                       

Voz do Usuário II

               
                       

Voz do Usuário III

               

Voz do Usuário IV

                               
                                       

O hábito de lavar roupas

     

19

                           

2.

2. Voz do Usuário Separação das roupas As roupas sujas são armazenadas no tanque ou em

Voz do Usuário

Separação das roupas

As roupas sujas são armazenadas no tanque ou

em cima do equipamento de lavar roupa ou,

ainda, no canto de um cômodo da habitação.

Poucas famílias tem um cesto específico para este fim. Quando presente, o mesmo é utilizado principalmente para acumular roupas da mesma cor. Muito comum também é a situação onde as roupas ficam espalhada pela casa, sendo reunidas no momento da lavagem.

Os dados coletados mostram que as famílias consideram roupa suja aquelas que apresentam cheiro ou manchas de sujeira, como terra ou resíduos de comida. Portanto, mesmos estando isenta de sujeira, a roupa pode ainda ser percebida como suja em função do cheiro.

2. Voz do Usuário Separação das roupas As roupas sujas são armazenadas no tanque ou em

Na pior situação, as roupas ficam espalhadas pela casa sendo reunidas no momento da lavagem.

           

É comum deixar as roupa sujas em cima do próprio equipamento de lavar roupa.

Roupas brancas sempre são separadas das outras, para não manchar.

Voz do Usuário I

                       
                               

O hábito de lavar roupas

   

20

                     

2.

2. Voz do Usuário Separação das roupas Via-de-regra as famílias separam as roupa entre brancas e

Voz do Usuário

Separação das roupas

Via-de-regra as famílias separam as roupa entre

brancas e coloridas, procurando assim evitar a

ocorrência de manchas.

A quantidade de vezes que uma roupa é usada varia conforme o contato que esta tem com o corpo. Deste modo, as entrevistadas relataram que as camisetas são usadas uma vez, as calças são usadas duas ou mais vezes, e casacos, jaquetas e roupas de lã, são lavados com menor frequência.

Algumas famílias separam roupas brancas, escuras e pesadas, além das roupas de cama, mesa e banho.

2. Voz do Usuário Separação das roupas Via-de-regra as famílias separam as roupa entre brancas e
2. Voz do Usuário Separação das roupas Via-de-regra as famílias separam as roupa entre brancas e

Outro critério separa as roupas brancas, escuras e pesadas em diferentes lavagens.

Lençóis

1 vez por semana
1 vez por
semana

Toalhas

cada 1 ou 2 semanas
cada 1 ou
2 semanas

Toalhas são lavadas a cada uma ou duas semanas e lençóis tipicamente uma vez por semana.

Voz do Usuário I

                       
                               

Voz do Usuário II

                       
                               

Voz do Usuário III

                       
                               

O hábito de lavar roupas

   

21

                     

3.

Preparação para lavagem

     

Anteriormente ao encaminhamento das roupas

               
     

para lavagem estas podem passar por uma

                 
     

etapa de preparação, a qual normalmente inclui

               

Voz do Usuário

o ato de esfregar as peças em um tanque. Isto acontece tanto para roupas brancas e peças íntimas como aquelas peças com sujeira mais intensa.

               
     

Esta etapa eventualmente inclui deixar as roupas

               
 

+

 

mais sujas de molho (ensaboando) em um balde, bacia ou tanque ou no próprio tanquinho. É

               
     

efetuada a adição de sabão em pó e água sanitária para roupas muito sujas, panos de pratos e de limpeza. As roupas coloridas e escuras são colocadas diretamente no tanquinho ou na máquina de lavar.

               

Passar por uma preparação acontece tanto para roupas brancas e peças íntimas como aquelas com sujeira mais intensa.

                   

Voz do Usuário I

                       
                               

Voz do Usuário II

                       
                               

O hábito de lavar roupas

   

22

                     

4.

4. Voz do Usuário Lavagem: aspectos gerais A lavagem apresenta diferentes maneiras de ser executada. Algumas

Voz do Usuário

Lavagem: aspectos gerais

A lavagem apresenta diferentes maneiras de ser executada.

Algumas mulheres iniciam o processo esfregando as roupas no tanque ou tanquinho, com água, sabão em pó, sabão em pedra, tábua e em alguns casos com escova. Essa etapa é para a retirada da sujeira mais pesada e geralmente associada às roupas brancas e meias. Após este processo, há a possibilidade de colocar as roupas brancas para quarar ao sol dentro de um saco plástico ou esticadas em cima da grama ou calçada. Este procedimento é realizado principalmente quando as roupas estão muito sujas e quando há disponibilidade de tempo para lavar as roupas, caso contrário usa-se água sanitária.

4. Voz do Usuário Lavagem: aspectos gerais A lavagem apresenta diferentes maneiras de ser executada. Algumas
 

Os relatos da quantidade de ciclos de lavagem estabelecem de 3 a 9 vezes o número de ciclos toda semana. A quantidade de uso dos equipamentos está relacionada com o número de integrantes da família e o clima, sendo que as entrevistadas consideram o inverno um período

       

Os conhecimentos para realização desta atividade são transmitidos oralmente, das mães para as filhas, e através da observação. No entanto, este aprendizado vem sendo modificado ao longo do tempo, em decorrência das próprias experiências, do trabalho como diaristas ou empregadas domésticas, assim como pela aquisição de novos artefatos e produtos de limpeza.

 

de maior frequência e quantidade de vezes que

               

Voz do Usuário I

 

os equipamentos são usados.

                     
                 

Voz do Usuário II

                           

Voz do Usuário III

                             

O hábito de

     

Voz do Usuário IV

lavar roupas

         

23

                       

4.

4. Voz do Usuário Lavagem: aspectos gerais Os produtos químicos comumente utilizados são sabão em pó

Voz do Usuário

Lavagem: aspectos gerais

Os produtos químicos comumente utilizados são sabão em pó, sabão em pedra, água sanitária e amaciante. Algumas entrevistadas relataram o uso de sabão líquido, detergente e sabão em pó com amaciante em um único produto.

4. Voz do Usuário Lavagem: aspectos gerais Os produtos químicos comumente utilizados são sabão em pó

Dados da survey: o reaproveitamento de águas cinzas proveniente de água do banho e da louça, assim como as águas do esgoto sanitário, ou ainda, a substituição da água nas atividades domésticas, são possibilidades rejeitadas pelas famílias. Há, no entanto, aceitação pelo reaproveitamento da água da lavadora, tanquinho e tanque pois já é uma prática presente.

                       

De forma geral observou-se que as famílias aproveitam a água do primeiro no segundo e terceiro ciclo de lavagem, acrescendo água suficiente para repor o volume necessário para o

Voz do Usuário I

               

novo ciclo, além de adicionar sabão em pó.

                               

Voz do Usuário II

                       
                               

Voz do Usuário III

                       
                               

O hábito de lavar roupas

   

24

                     

4.

Lavagem à mão

           

Voz do Usuário

O processo de lavagem à mão também é utilizado para roupas delicadas, de sair ou íntimas, pois as entrevistadas optam por não colocar esse tipo de roupa na lavadora, pois acreditam que o equipamento pode danificar a peça ou deixá-la amarelada. As sondas culturais revelaram ainda a desconfiança das famílias quanto a efetividade do uso de equipamentos na lavagem de roupa. Algumas das entrevistadas entendem que lavar mão é ainda a forma mais eficaz de se lavar a roupa. Simbolicamente o ato de lavar as mãos tem a conotação de expressão de atenção para com a família, ou seja, é entendido como um gesto que demonstra a preocupação com o bem-estar da família.

               

Voz do Usuário I

                       
                               

Voz do Usuário II

                       
                               

O hábito de lavar roupas

   

25

                     

4.

Lavagem no tanquinho

 

Voz do Usuário

Usualmente as habitações têm à disposição tanquinho e centrífuga, apoiados por escova, baldes, bacias e esfregadeiras. Os participantes revelaram a percepção de que o tanquinho é mais resistente e, também, mais eficaz na

           

Dados da survey: apenas10% dos respondentes apontaram o uso da lavadora cheia como medida de otimização do consumo de recursos. Também verificou-se o reaproveitamento da água do tanque, tanquinho ou lavadora para a limpeza de pisos e calçadas em 60% dos entrevistados.

 

lavagem de roupa do que a máquina de lavar roupa que tem a centrífuga incorporada à mesma. Apesar de denotarem maior apreciação

         

Voz do Usuário I

                       
 

pelo tanquinho, entendo o mesmo como mais

         

Voz do Usuário II

 

eficiente e forte que a lavadora, entendem que o

                     
 

produto é limitado na capacidade de lavar.

         

Voz do Usuário III

                                 
 

Geralmente colocam água no tanquinho e

         

Voz do Usuário IV

 

misturam bem o sabão em pó, esfregam as

                     
 

roupas com sabão em pedra, colocam para

         

Voz do Usuário V

 

“bater” – algumas utilizam pedaços de sabão em pedra na etapa de lavagem, enxaguam as roupas em até três águas limpas no tanque, colocam as roupas de molho no amaciante em baldes ou tanque, depois torcem à mão (aquelas que não têm centrífugas) ou colocam na centrífuga, posteriormente penduram no varal.

                     

O hábito de lavar roupas

       

26

                       

4.

4. Voz do Usuário Lavagem no tanquinho Vale ressaltar que as mulheres que têm tanquinho reaproveitam

Voz do Usuário

Lavagem no tanquinho

Vale ressaltar que as mulheres que têm tanquinho reaproveitam a mesma água para lavar praticamente toda roupa, por isso iniciam o processo com as roupas brancas, seguido das roupas coloridas e escuras. Algumas acrescentam mais sabão em pó para a próxima lavagem e trocam a água a partir da percepção visual de sujeira ou água muito escura. O amaciante utilizado nos baldes é reaproveitado para as outras roupas, assim como as águas de enxague, tendo em vista a crença de que o mesmo continue ativo.

Curiosamente algumas famílias reportaram a inserção do sabão em pedra diretamente no tanquinho.

4. Voz do Usuário Lavagem no tanquinho Vale ressaltar que as mulheres que têm tanquinho reaproveitam
4. Voz do Usuário Lavagem no tanquinho Vale ressaltar que as mulheres que têm tanquinho reaproveitam
4. Voz do Usuário Lavagem no tanquinho Vale ressaltar que as mulheres que têm tanquinho reaproveitam
 

A prática de manutenção não é comum dentre estas famílias, sendo que em muitas o tanquinho já operava em ritmo mais lento devido a deficiências este aspecto, lavando de forma deficiente e muitas vezes desligando sozinho. Por outro lado constatava-se a menor presença

             

O reaproveitamento da água na lavagam no tanquinho implica em lavar primeiro as roupas brancas, depois coloridas e escuras.

 

de sabão em pó com amaciante, sabão líquido e

             

Voz do Usuário I

                       
 

detergente.

             

Voz do Usuário II

                                 
                         

Voz do Usuário III

                                 
                         

Voz do Usuário IV

O hábito de lavar roupas

       

27

                       

4.

Lavagem no tanquinho

A maioria das entrevistadas não soube especificar exatamente o tempo de duração dos ciclos que costumam utilizar o tanquinho ou máquina de lavar. Algumas estimam que o processo do tanquinho corresponda a cerca de 15 minutos.

A família 7 mencionou a dificuldade de lavar os uniformes de trabalho que contém sujidades pesadas e gordurosas, então o processo de lavagem é demorado. Primeiramente esfregam as roupas à mão e fazendo o uso de detergente. Depois os uniformes são colocados no tanquinho para a lavagem, que na opinião dela limpam melhor a roupa. Em seguida o uniforme é lavado novamente na lavadora, que faz todo o ciclo de lavagem, enxague e centrifugação. Nesta família, a lavadora de roupas nunca é utilizada para a primeira lavagem dos uniformes de trabalho.

4. Lavagem no tanquinho A maioria das entrevistadas não soube especificar exatamente o tempo de duração

A maioria das entrevistadas não soube especificar o tempo de duração dos ciclos no tanquinho ou máquina de lavar.

O hábito de lavar roupas

   

28

                 

4.

         

Dados da survey: 78% das famílias possuía lavadora e 57% possuía tanquinho. Algumas famílias possuíam lavadora, tanquinho e centrífuga, ou seja, a aquisição da lavadora não descartava o uso dos outros artefatos.

Lavagem na lavadora

   

Voz do Usuário

Declararam perceber que a principal vantagem da lavadora é o processo de centrifugar e entendem que não limpa tão bem quanto o tanquinho, principalmente em ciclos mais rápidos. Quanto a este produto há a percepção de que consome mais água, energia e insumos.

Assim como o consumo no caso do tanquinho, a

       

Os relatos das famílias 1 e 6 mostram que a aquisição de um equipamento nem sempre implica no encaminhamento do equipamento usado para reciclagem. Ao adquirirem a lavadora, as famílias não descartaram o tanquinho e/ou a centrífuga, pois continuaram a utilizá-los.

     

Ao mesmo tempo, a operação da máquina de lavar roupa é percebida como prática. Os ciclos da máquina de lavar mais utilizados são o rápido, roupas brancas, roupas encardidas e sujas.

maioria das entrevistadas não soube especificar exatamente o tempo de duração dos ciclos que costumam utilizar do tanquinho ou máquina de lavar. A percepção deste aspecto na máquina de lavar roupa depende do ciclo: algumas acham que o processo pode levar até 3 horas para o ciclo de três molhos.

         

A opção pelo ciclo rápido está relacionada à percepção de que esta escolha leva a menor consumo de água, energia e produtos químicos.

     

As mulheres que utilizam a lavadora relatam que o processo de lavar as roupas é rápido, pois dizem que praticamente não fazem nada, colocam as roupas na máquina, escolhem o ciclo, o nível de água, colocam os insumos (sabão em pó, etc.) e esperam finalizar para estender no varal.

                 

Voz do Usuário I

                         
                                 

O hábito de lavar roupas

   

29

                     

5.

5. Voz do Usuário Centrifugação A centrífuga estava presente na maioria das habitações e era entendida

Voz do Usuário

Centrifugação

A centrífuga estava presente na maioria das habitações e era entendida pelos entrevistados como uma necessidade básica para o processo de lavagem de roupa*. Antes de colocar a roupa na centrífuga os moradores declaram ter o hábito de enxaguar a roupa em um balde de água, no qual é adicionado amaciante. Após o enxágue as roupas são então torcidas em cima do tanquinho ou do próprio balde**, como forma de reaproveitar a água.

Enquanto a moradora centrifuga um ciclo de roupas, outro é iniciado no tanquinho (2o ciclo de lavagem). O hábito identificado aponta para a utilização de 2 a 4 ciclos de lavagem, sendo quarta (noite) e domingo (manhã) os dias típicos para realização desta tarefa.

5. Voz do Usuário Centrifugação A centrífuga estava presente na maioria das habitações e era entendida

Voz do Usuário I

                       
                               

O hábito de lavar roupas

   

30

                     

6.

6. Voz do Usuário Secagem da roupa Após a lavagem, as roupas são estendidas em varal

Voz do Usuário

Secagem da roupa

Após a lavagem, as roupas são estendidas em

varal externo em dias de sol. Em dias de chuva as

mulheres evitam lavar as roupas, pois não há um

local adequado para pendurar as roupas, o que faz com que improvisem, utilizando os cômodos internos, como por exemplo, quartos, ou ainda, o fogão à lenha. Poucas famílias não enfrentam problemas ao secar as roupas, sendo aqueles que construíram lavanderia ou áreas cobertas para estendê-las nessas ocasiões.

6. Voz do Usuário Secagem da roupa Após a lavagem, as roupas são estendidas em varal
 

Apesar das dificuldades encontradas para estender as roupas em dias de chuva, as

         

Voz do Usuário I

 

entrevistadas não cogitam o uso de secadora e

         

Voz do Usuário II

 

parecem não gostar do equipamento, alegando a possibilidade do aumento do consumo de

         

Voz do Usuário III

 

energia, além do entendimento de que resulta

         

Voz do Usuário IV

 

em ampliação de trabalho percepção está

         

Voz do Usuário V

 

baseada nas experiências como diarista ou empregada doméstica.

                     
 

Na hipótese de ter que sair por períodos mais prolongados há o hábito de recolher a roupa para secagem externa posterior ou, alternativamente, deixa estas roupas secando internamente à habitação. As roupas quando secas, são retiradas do varal e dobradas, e podem ser colocadas em cadeiras, camas, ou guardadas em roupeiros e cômodas.

         

As entrevistadas não cogitam o uso de secadora de roupas devido à percepção de ampliação do consumo e trabalho

Passar roupa é um hábito cada vez mais raro, ocorrendo somente para ocasiões especiais ou quando há demanda no âmbito do trabalho.

O hábito de lavar roupas

 

31

                     

Agenda de inovação

Agenda de inovação A Agenda de Inovação é apresentada aqui com base em princípios metaprojetuais, que
     

A Agenda de Inovação é apresentada aqui com base em princípios metaprojetuais, que consistem em descrições genéricas das características de produtos e serviços inovadores. Para aqueles envolvidos em delinear estratégias de inovação estes princípios se constituem em possível pauta de

Artefatos Economizadores 33

trabalho para os colaboradores. Os princípios

Reaproveitamento de Água 34

aqui apresentado tratam de inovações que buscam reduzir o impacto ambiental do

Energia

36

consumo, com proposições balizadas nos hábitos e comportamentos do morador de

Comunicação e Controle

38

habitações de interesse social observados nos

Opções de Compra

42

estudos de campo. Os princípios metaprojetuais descritos neste documento contemplam

Manutenção e Transporte

43

proposições relativas aos produtos e serviços associados ao consumo de água e energia,

Insumos

44

tendo como foco a atividade de lavar roupa.

Mudanças de Processo

45

 

1.

1. Voz do Usuário Artefatos economizadores Artefatos Hidráulicos Economizadores Entende-se por artefatos hidráulicos torneiras, chuveiros, registros,

Voz do Usuário

Artefatos economizadores

Artefatos Hidráulicos Economizadores

Entende-se por artefatos hidráulicos torneiras, chuveiros, registros, caixas d’água, bacias sanitárias, entre outros. A aplicação deste princípio implica no desenvolvimento de produtos que proporcionem o fechamento automático, uso de arejadores, controle de vazão, volumes reduzidos de água e a possibilidade de selecionar o tipo de fluxo.

Nesta categoria de inovações a ênfase é em “assegurar” o menor consumo de água, com menor dependência na adesão voluntária do usuário a formas mais racionais de consumo da água. O desafio central de inovação no desenvolvimento destas soluções em se tratando de moradores com menor renda é alcançar custos inferiores aos oferecidos atualmente.

Artefatos Economizadores de Energia

Este princípio metaprojetual implica em desenvolver produtos que integrem desde soluções “coercitivas ou punitivas” até aquelas que dependem da aderência voluntária do usuário, permitindo assegurar um nível racional do consumo de energia. Para as soluções coercitivas, o usuário ou mecanismo associado ao artefato, controla e restringe a quantidade de energia utilizada em todo o processo, com risco de não finalizar a atividade no caso da má administração desse recurso.

As inovações nesta categoria incluem aquelas associadas ao conceito de “poka-yoke”, que são mecanismos ou procedimentos utilizados para prevenir erros em sistemas, produtos ou processos. São duas categorias de acordo com suas funções principais (SHINGO, 1986): a) com função reguladora: não permite que o erro siga adiante, através de métodos de alertas e interrupção do fluxo produtivo; b) com função de detecção: detectam o erro auxiliando a verificação da condição ideal para a execução da tarefa.

                   

Voz do Usuário I

   
                                   

Agenda de

   

Inovação

 

33

                         

2.

Reaproveitamento da água

 
 

Desenvolver artefatos que viabilizem o reaproveitamento da água cinza e da chuva

       

Este princípio metaprojetual foi abordado nos três cenários futuros. As formas de armazenamento ou tratamento é que se diferenciavam. No cenário de

A aplicação deste princípio pode ir desde mudanças

Voz do Usuário

A survey e as sondas culturais demonstraram

       

“crise hídrica e energética” a água é armazena em baldes, bacias, tanque e reutilizada para lavagem

 

o hábito de reaproveitar a água da lavadora, tanquinho e tanque para a limpeza de calçadas ou a lavagem de mais roupas, mas identificou- se que a maior barreira para o reaproveitamento da água é o armazenamento. A aplicação deste princípio metaprojetual implica também em desenvolver artefatos (ex: tanques, cestos, bacias, baldes) que permitam ao usuário captar e transportar a água cinza, proveniente do processo de lavar roupa, afim de instrumentalizar

       

de roupas, calçadas e banheiros. Nos outros dois cenários, a água é direcionada para descargas e, posteriormente, reutilizada na rega de hortas individuais ou comunitárias.

incrementais nos artefatos, conferindo ao usuário a decisão sobre o reaproveitamento ou não da água, até soluções que realizem o reaproveitamento de forma automática, à revelia do usuário.

 

o reaproveitamento da água. A mesma demanda também ocorre para o aproveitamento

         

Voz do Usuário I

   
 

da água da chuva no processo de lavagem de

                         
 

roupa. Este princípio metaprojetual está mais

         

Voz do Usuário II

 
 

fortemente associado ao cenário de “crise hídrica

                         
 

e energética”, onde o usuário teria que captar

         

Voz do Usuário III

 
 

e armazenar a água pluvial a partir de sistemas

                         
           

Voz do Usuário IV

 
 

simples e práticos, baseados no conceito “faça- você-mesmo”.

                         

Agenda de

     

Inovação

   

34

                           

2.

Reaproveitamento da água

 
 

Soluções que permitam a Customização do Sistema de Reaproveitamento da Água da Habitação

                         
 

Este princípio implica no desenvolvimento

                         

Voz do Usuário

de soluções que permitam a customização

         

Voz do Usuário I

   
                           
 

de produtos e serviços voltados à captação, armazenamento, tratamento (desinfecção,

         

Voz do Usuário II

 
                           
 

esterilização e potabilização), reaproveitamento

         

Voz do Usuário III

 
 

de águas (águas superficiais, pluviais, cinzas e esgoto sanitário), a partir do uso de tecnologias apropriadas ao contexto, com foco na reutilização destas águas em atividades domésticas (lavagem de roupas, louças, pisos e descargas) através de estratégias individuais ou coletivas ou, ainda, híbridas.

                         
 

Sua aplicação implica diretamente na concepção tanto da unidade habitacional como de toda a comunidade de habitações, implicando em nova relações sociais no caso de sistemas coletivos, tendo em vista a resistência presente quanto ao compartilhamento de bens. Implica também na promoção de inovações de significado associadas à utilização de água não-potável.

           

Dados da survey: 33% dos entrevistados apontaram a lavanderia coletiva como uma solução onde aceitariam compartilhamento de artefatos.

Agenda de

     

Inovação

   

35

                           

3.

Energia

Soluções integradas para geração, armazenamento e distribuição de energia renovável

Este princípio significa propor soluções para produtos e serviços, através de estratégias individuais ou coletivas, a partir do uso de tecnologias apropriadas ao contexto, com foco na alimentação direta de sistemas ou artefatos como tanquinho, lavadora de roupas e centrífuga.

No caso do cenário de “crise hídrica e energética” a geração de energia estaria relacionados à tecnologias de baixa complexidade baseadas no conceito “faça- você-mesmo” e a princípios de tração humana e animal, com o uso de dínamos e dispositivos de energia cinética, como por exemplo à corda ou molas, pedalada assistida, entre outros. No cenário de “consumo sustentável de água e energia” as fontes de energia seriam limpas e/ou tecnologias avançadas para a geração e armazenamento de energia, onde baterias armazenariam a energia (ex: hidrogênio, bateria supercapacitor, biológica) durante a madrugada, para o morador utilizar em horários de pico nas atividades domésticas, como lavar roupas.

A aplicação deste princípio tem consequências da solução adotada para habitação como um todo. Salienta-se também que a geração de energia pela própria comunidade ou habitação pode apresentar o efeito rebote de aumento do consumo de energia. Para minimizar este problema, uma solução possível seria a devolução da energia produzida pelo morador/comunidade à companhia de energia, que por sua vez, retornaria ao morador através de outros benefícios de menor impacto ambiental (ex: serviços ambientais).

Agenda de

     

Inovação

   

36

                     

3.

Energia

Artefatos portáteis que possibilitem o armazenamento de energia para alimentação de eletrodomésticos

Em termos práticos este princípio consiste no desenvolvimento de soluções voltadas ao armazenamento de energia ao longo da semana para utilização no dia em que o processo de lavagem de roupa efetivamente ocorre (tipicamente aos sábados). Já há um grande número de artefatos que tem tais características mas há ainda uma lacuna de soluções voltadas especificamente à realidade do dia a dia do morador de habitação de interesse social, incluindo suas limitações econômicas

A aplicação deste princípio implicaria em integrar a solução em um hábito já bastante presente na habitação que é o de colocar artefatos no lado externo e recolhê-los rotineiramente. Um desafio central aqui está no aspecto da segurança ao roubo e vandalismo, dado que muito frequentemente as habitações observadas encontram-se desprovidas de qualquer tipo de proteção a estas ações.

Possibilitar a integração da energia manual no processo

A observação em campo mostrou um intenso envolvimento do usuário em todo o processo de lavagem de roupa, incluindo nas operações manuais de apoio à sua realização como torcer a roupa, colocar a roupa de molho, lavagem manuais em roupas íntimas. Neste sentido este princípio metaprojetual implica no desenvolvimento de soluções para produtos e serviços que possibilitem a ampliação deste envolvimento do usuário no processo, incluindo na substituição de energia elétrica por energia manual.

A integração do ser humano no provimento de energia não pode interferir de forma negativa nos hábitos e interesses identificados nas habitações de interesse social. Entende-se que sua adoção apresenta-se como uma possibilidade quando adiciona elementos que contribuem para ampliar a qualidade de vida do usuário (exemplo da bicicleta acoplada à máquina de lavar roupa) ou que tão simplesmente apoiem hábitos já existentes (como lavar a mão roupas íntimas).

Agenda de

     

Inovação

   

37

                     

4.

Comunicação e controle

Artefatos que comunicam-se entre si e com o usuário

As inovações decorrentes deste princípio implicam em dotar os artefatos de dispositivos de avisos sensoriais (som, tato, olfato, visão), e/ou capacidade de envio de mensagens para dispositivos de comunicação (telefonia móvel, e-mail, etc) com a finalidade de auxiliar o usuário no controle do processo de lavagem das roupas. O usuário poderia ser solicitado a decidir sobre o destino do reaproveitamento da água ou a necessidade de retirar o produto de situações de stand by. Assim, sua aplicação implicaria em liberar o usuário para realizar outras atividades na habitação.

Inovações associadas a este princípio podem ser direcionadas ao estabelecimento de comunicação entre o próprio vestuário e o equipamento para lavagem de roupa, através da adoção de tecnologias que reconheçam o tipo de tecido a ser higienizado e os níveis de sujidades presentes, selecionando o ciclo de lavagem ou desodorização mais adequado. Similarmente, as lavadoras identificariam o usuário através de biometria e reconheceriam os ciclos de lavagem mais utilizados pelo mesmo.

Desenvolver Artefatos que permitam a identificação e segregação da categoria de água

A aplicação deste princípio em um processo de inovação significa permitir ao usuário identificar o tipo de uso da água (uso potável e não potável) a ser utilizada nas atividades domésticas. A observação em campo mostrou crianças realizando atividades domésticas sozinhas ao longo dia. Assim, embora a incorporação de informações nos artefatos e ambiente possam contribuir com a educação do consumidor (vide imagem a seguir), entende-se que há a necessidade de soluções que efetivamente impeçam a ingestão indevida da água não-potável. Portanto este princípio significa o desenvolvimento de mecanismos a prova de erro. No que concerne o reaproveitamento de água.

4. Comunicação e controle Artefatos que comunicam-se entre si e com o usuário As inovações decorrentes

Placa de aviso que a água não é potável

Agenda de

     

Inovação

   

38

                     

4.

Comunicação e controle

Desenvolver novas modalidades de pagamento

Observa-se a necessidade de uma maior leque de opções de pagamento, similarmente ao que acontece no setor de telefonia. O provimento de energia pré-paga, por exemplo, o que poderia induzir maior compreensão do usuário sobre as implicações de seus hábitos no consumo.

Além da inovações no relacionamento com estes usuários e no processo de negócio como um todo, a aplicação deste princípio implica no desenvolvimento de artefatos e/ou serviços que realizem o monitoramento do consumo de água e energia, comunicando os gastos ao usuário e ao prestador de serviços.

Artefatos que informem o estado do consumo ao usuário

As inovações associadas a este princípio são aquelas que informam ao usuário em tempo real ou através de um histórico de consumo, incluindo a classificação e avaliação do uso e/ou do comportamento de consumo na lavagem das roupas (eco-feedback). O artefato informaria ao usuário sobre o consumo de água, energia, produtos de limpeza, a frequência de uso, os ciclos mais utilizados, o consumo em cada ciclo, a eficiência ou não dos artefatos de acordo com o uso dado pelo usuário. Esta informações podem integrar inclusive a comparação com outros usuários ou com padrões mínimos/máximos recomendados.

Este princípio metaprojetual advém dos cenários de “transição do consumo de água e energia” e “consumo sustentável de água e energia”. Ao compreender o consumo de água, energia e produtos de limpeza, assim como o seu comportamento de uso em relação a lavadora, tanquinho e centrífuga, o usuário pode identificar pontos críticos do seu hábito de consumo e procurar corrigi-los, buscando a economia ou a maior eficiência de funcionamento do artefato.

Agenda de

     

Inovação

   

39

                     

4.

Comunicação e controle

   
 

Artefatos que viabilizem a observação direta do consumo

                         

Voz do Usuário

A grande maioria das moradias investigadas, apesar de apresentarem o perfil de baixa renda,

         

Voz do Usuário I

   
                           
 

não estavam adotando a “tarifa social” para energia e água. Parte da razão para esta situação

         

Voz do Usuário II

 
                           
 

está na falta de visibilidade do efetivo consumo

         

Voz do Usuário III

 
 

em tempo real.

                         
 

Por outro lado, na pesquisa de campo observou-

         

Voz do Usuário IV

 
                           
 

se o grande interesse dos moradores de

         

Voz do Usuário V

 
 

compreender a efetiva quantidade de água,

                         
 

energia e produtos de limpeza utilizados em

         

Voz do Usuário VI

 
 

cada ciclo da lavadora, tanquinho e centrífuga.

                         
 

Assim, a aplicação deste princípio metaprojetual

         

Voz do Usuário VII

 
 

em processos de inovação implica na escolha de materiais de baixo impacto ambiental, a partir do redesign ou produtos intrinsecamente sustentáveis que permitam a visualização da quantidade de água e insumos, bem como a quantidade de energia utilizada na atividade de lavar roupas.

           

Dados da survey: a “tarifa social” de energia e água não era praticada respectivamente em 81% e 75% das habitações investigadas. O paradoxo de tal situação é que estas famílias apresentavam justamente o perfil de renda pertinente à tarifa social.

Agenda de

         

Inovação

       

40

                           

4.

Comunicação e controle

Comandos que permitam Habilitar e Desabilitar Restrições ao Consumo de Água/Energia

A inovação voltada ao consumo racional de água e energia necessita considerar a grande demanda de flexibilidade no contexto da habitação de interesse social. Soluções rígidas que não integram ajustes a demandas particulares do usuário podem resultar em baixa adesão. Assim, este princípio metaprojetual implica em priorizar o consumo suficiente mas, ao mesmo tempo, permitir ao usuário realizar a tarefa de maneira diferente do habitual, quando assim o desejar (ex: roupas com nível de sujividade acima do usual requerendo ciclos mais longos de lavagem ou utilizar a lavadora sem a capacidade máxima).

Este princípio metaprojetual é particularmente relevante no cenário de “crise hídrica e energética”, onde o usuário priorizaria o uso da lavadora com restrições de consumo de água e energia, mas também poderia optar, em algumas ocasiões, por utilizar os equipamentos independentemente do controle de consumo de água e energia, dando ênfase na rapidez ou agilidade do processo de lavagem.

Dados da survey: os usuários apontaram a percepção de que lavar roupa é a que mais consome água (33% dos respondentes), o que contrasta com os dados da SANEPAR (2012) que coloca a atividade em terceiro lugar no consumo (19% do consumo total).

Agenda de

     

Inovação

   

41

                     

5.

Opções de compra

                 
 

Uso de selos de classificação da eco- eficiência dos artefatos

                         

Voz do Usuário

Este princípio implica em desenvolver inovações que permitam orientar o usuário no processo

         

Voz do Usuário I

   
                           
 

de compras não só com respeito à eficiência energética (já presente) mas também à eficiência

         

Voz do Usuário II

 
                           
 

hídrica e quanto ao desempenho ambiental dos

         

Voz do Usuário III

 
 

materiais utilizados na produção e operação do produto. Estes selos/certificações necessitam adotar elementos integrados ao repertório cognitivo do usuário.

                         
 

As entrevistadas afirmam não compreender a relação entre o consumo e a unidade de medida em watts, assim como a quantidade de litros de água utilizada em cada ciclo de lavagem e quanto o consumo dessas unidades de medida (litros, watts, etc) representam monetariamente. Para tanto, este princípio metaprojetual sugere a adoção de elementos gráficos que sejam pertinentes ao contexto, a serem aplicados nos sistemas de feedback e selos de classificação.

           

Dados da survey: o selo PROCEL é considerado por apenas 16% das famílias ao adquirirem um novo eletrodoméstico. Por outro lado, cerca de 29% dos entrevistados afirmaram considerar a marca como um critério de compra de eletrodomésticos, bem como preço (30%) e a economia de água e energia (30%).

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6.

6. Voz do Usuário Manutenção e Transporte Artefatos com maior manutenibilidade Produtos são descartados prematuramente em

Voz do Usuário

Manutenção e Transporte

Artefatos com maior manutenibilidade

Produtos são descartados prematuramente em meio a esta população muitas vezes devido à falta de serviços de manutenção nas redondezas ou devido ao próprio custo dos serviços disponíveis. Viabilizar a manutenção e pequenos reparos pelo próprio usuário pode contribuir para ampliar a vida útil dos mesmos. Para tanto faz-se necessário ampliar a intercambilidade de componentes e sub-sistemas entre fabricantes. Coordenação modular é uma estratégia do projeto central para este princípio

Artefatos que facilitem o transporte/ armazenamento

Devido à falta de segurança desenvolveu-se o hábito nesta população de recolher para dentro da habitação os equipamentos para lavagem de roupa toda vez que há a necessidade de se ausentar por períodos longos. Há, também, a prática presente de empréstimo de equipamentos, muito embora as entrevistas tenham apontado baixo interesse em práticas de compartilhamento. Assim, um vetor de inovação é ampliar a facilidade de transporte destes equipamentos, desde melhorias na sua compacidade para movimentações até na melhorias da “pegas” disponíveis nos produtos.

                     

Este princípio implica também a aplicação de soluções voltadas ao armazenamento de artefatos menores ou produtos de limpeza, ou configurações que permitam encaixes ou combinações entre

Voz do Usuário I

             

equipamentos de funções complementares (ex: uso

                     

do espaço inferior dos tanques e tanquinhos para

Voz do Usuário II

             

armazenamento do material de limpeza). No caso do

                     

tanquinho, a aplicação do princípio pode implicar,

Voz do Usuário III

             

por exemplo, em torná-lo multifuncional com a

                     

possibilidade de acoplagem de centrífuga na parte

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inferior do produto.

                     

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7.

Insumos para lavagem

     
     

Insumos com menor impacto ambiental

     

Substituição da água e/ou tipo de energia/

Este princípio significa desenvolver produtos ou

Voz do Usuário

Este princípio implica em desenvolver produtos e processos que viabilizem a redução do impacto social, ambiental e econômico dos

Com a aplicação deste princípio os usuários

     

produto de limpeza

serviços (ou a combinação de ambos) de forma

     

produtos de limpeza requeridos no processo de limpeza e higienização de roupa. No espectro de possibilidades de conversão do princípio em efetivas inovações inclui-se sistemas produto+serviço voltados a fabricação, armazenamento, aquisição ou substituição de produtos de limpeza por componentes tóxicos por produtos de limpeza naturais ou biodegradáveis

poderiam, por exemplo, apenas recarregar as embalagens ou as embalagens seriam completamente diluídas no processo de lavagem. Os insumos seriam biodegradáveis, ou integrariam

     

a substituir parte ou todos os recursos utilizados na higienização do vestuário por soluções que radicalmente reduzem o impacto ambiental do consumo Este princípio metaprojetual originou- se das proposições para o cenário de “consumo sustentável de água e energia”, onde as lavadoras passariam a utilizar alternativas como vapor d’água, laser, ionização, nanotecnologia, dentre outras soluções, desde que em conformidade com requisitos ambientais e de higienização das roupas. Os produtos de limpeza atuais seriam substituídos por produtos naturais como, por exemplo, nozes com propriedades detergentes e esferas de cerâmica capazes de capturar a sujeira da água de maneira concomitante à lavagem das roupas. A energia

 

em suas formulações fertilizantes ou seriam ricos

     

utilizada seria proveniente de fontes de energia limpa e renovável.

Voz do Usuário I

em minerais, ou ainda seriam compostos por composições obtida a partir de espécies de plantas

     

Ressalta-se a inovação de significado requerida para a aplicação plena deste princípio dado que os

 

nativas, típicas de cada região. Tais inovações

     
 

deveriam almejar a obtenção de níveis inferiores

     

relatos das sondas culturais revelaram que a limpeza

Voz do Usuário II

de toxidade das águas residuais, contribuindo para seu reuso na rega de hortas individuais ou

     

e a higienização de roupas está contundentemente associada ao uso, principalmente, da água. Portanto,

       

reduzir ou eliminar a água do processo de lavagem

 

comunitárias ou outras aplicações não potáveis de

     

Voz do Usuário III

interesse do usuário.

     

de roupa implica necessariamente em reeducar o usuário para que estas proposições possam ser culturalmente assimiladas.

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Inovação

     

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8.

Mudanças no processo

Artefatos e insumos que permitam ciclos simultâneos de lavagem

O hábito típico observado implica na lavagem da roupa aos sábados, seguindo três ciclos de lavagem: roupa brancas, roupa coloridas e roupas pesadas. Está presente o reaproveitamento da água de um ciclo para outro, incluindo a prática de torcer a roupa que vai para a centrífuga dentro do próprio tanquinho. Viabilizar a simultaneidade destes ciclos reduziria sobremaneira o tempo dedicado na atividade, liberando a (o) moradora (o) para outras atividades ou mesmo ampliando o tempo disponível para descanso. Assim, a aplicação deste princípio metaprojetual implica no desenvolvimento de lavadoras que utilizem de dois à três cestos para separação das roupas por cores e categorias. Estas categorias (brancas, coloridas e escuras ou lençóis, toalhas de banho e mesa) seriam lavadas simultaneamente e com as devidas precauções em relação a manchas. As inovações neste tópico poderiam ser direcionadas a insumos que viabilizem a simultaneidade dos ciclos.

Embora já existam iniciativas nesta direção, há o desafio de alcançar a viabilidade sob o ponto de vista da capacidade econômica desta população. A adoção desta proposição no âmbito da Habitação de Interesse Social implica em uma mudança de hábito significativa, necessitando esforço de reeducação de maneira a demonstrar a eficiência de limpeza mesmo em situação de simultaneidade dos ciclos, enfatizando a maior agilidade e rapidez da atividade. Este tipo de inovação é pertinente tanto ao cenário de “crise hídrica e energética” quanto ao de “consumo sustentável de água e energia”, proporcionando economia ou eficiência do uso da energia na lavadora ou tanquinho.

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Inovação

 

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8.

Mudanças no processo

Possibilitar a redução da frequência de lavagem do vestuário

Este princípio implica em buscar a inovação através de produtos ou serviços (ou a combinação de ambos) de forma a reduzir a frequência de higienização do vestuário. Obviamente, tal redução não significa redução dos níveis de higiene necessários para a saúde humana. No âmbito das inovações em artefatos, a observação em campo apontou oportunidades de inovação derivadas da busca pela otimização da operação de limpeza da roupa a partir do foco na áreas mais sujas na superfície do tecido e atuação no odor. Este último foi identificado como associado a limpeza, ou seja, uma roupa limpa somente é considerada limpa quando “cheirar limpeza”.

A adoção deste princípio via de regra implica em novo paradigma para o processo de lavagem de roupa e na própria compreensão do usuário quanto ao significado de “roupa lavada”. Assim, a adoção de inovações calcadas neste princípio está mais associada ao cenário de “crise hídrica e energética”, exigindo maior esforço de comunicação para assimilação e aceitação por parte do usuário.

Desodorização, esterilização, lavagem a seco, autolimpeza com nanotecnologia, uso de lavadoras portáteis (lavadoras de mão), uso de sensores de peso para liberar a operação da lavadora e serviços para a retirada de manchas são exemplos de soluções que contribuem para reduzir excessos no processo de lavagem

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Inovação

 

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