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AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE NUM PLANO ESTRATÉGICO.

O CASO
DA FIGUEIRA DA FOZ (PORTUGAL).
A. M. Rochette Cordeiro e Cristina Barros

RESUMO
No âmbito da elaboração de um Plano Estratégico de Desenvolvimento para a Figueira da
Foz, e muito para além das questões relacionadas com o desenvolvimento económico e
social harmonioso, foi concedida especial atenção à componente ambiental deste território,
o qual é caracterizado por uma estrutura física e ecológica com particularidades muito
específicas.
Com esta comunicação pretende-se salientar, não só as principais preocupações ambientais
com que se depara este Município, mas essencialmente a procura de soluções específicas
que irão permitir a melhoria da qualidade ambiental do própeio território. De facto, o
desenvolvimento de projetos inovadores relacionados com a sustentabilidade ambiental foi
uma clara aposta da equipa que se encontra a desenvolver o Plano Estratégico,
perspetivando-se, nesse contexto, a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos locais,
assim como se ambiciona o elevar da posição competitiva deste território no contexto
regional e nacional.
1 INTRODUÇÃO
A maioria das cidades confronta-se atualmente com um conjunto sério de problemas quer
ambientais, quer sociais, relacionados com o estilo de vida e com os padrões de consumo,
cujas consequências para a saúde e qualidade de vida dos cidadãos se apresenta como
muito preocupante. O crescimento populacional das cidades médias, a intensificação dos
processos de urbanização, a dispersão urbana, a degradação dos centros históricos, o
desordenamento do território, a degradação ambiental, os focos de pobreza e o aumento da
criminalidade, são apenas alguns dos problemas que se debatem as cidades de hoje.
No âmbito da elaboração de um Plano Estratégico de Desenvolvimento para o Município
da Figueira da Foz (PEDFF), peça considerada como fulcral em todo o processo de revisão
do Plano Diretor Municipal (PDM), para além das questões relacionadas com o
desenvolvimento económico e social harmonioso, foi concedida no desenho e
desenvolvimento de todo o projeto, uma especial atenção à componente ambiental do
território, o qual é caracterizado por uma estrutura biofísica, onde o território ocupado por
estas condicionantes ultrapassa os 70% do todo do Município.
A garantia de criar um território ambientalmente sustentável assume-se como um dos
principais desafios propostos pelo Plano Estratégico de Desenvolvimento, algo que poderá
ser visível nos diversos projetos que se encontram em elaboração, concretizada através de
uma lógica integrada de desenvolvimento assumida entre a Câmara Municipal da Figueira

Paralelamente. Assim. Parece assim ser inquestionável que o desenvolvimento urbano já não pode ser controlado pelos instrumentos de planeamento territorial convencional (os planos físicos de ocupação e uso do solo). O planeamento estratégico é assim encarado como um processo cíclico ao contrário do planeamento tradicional cujo objetivo consistia na aprovação do plano definitivo. onde devem ser definidas as metas de desenvolvimento. amplitude e incerteza das mudanças tecnológicas. aqui também num esforço de formação dos funcionários da autarquia e sensibilização para boas práticas ambientais. a esta integração de várias escalas e de vários horizontes temporais. 2012).da Foz e a Universidade de Coimbra e que é composta por três grandes componentes: “científica”. são apenas alguns dos exemplos na procura da mudança de paradigma de atuação (Cordeiro e Barros. o aumento do ritmo. A utilização da Agenda 21 Local. Trata-se de um processo de planeamento contínuo. são apresentados projetos relacionados com o ecoturismo. É por isso que. devido aos problemas decorrentes da recessão e do aumento do desemprego (e dos problemas relacionados com a instabilidade e a insegurança da reestruturação económica). o planeamento estratégico apresentou-se como um novo paradigma de planeamento e gestão suscetível de fazer face aos problemas do desenvolvimento. alguns autores (Ferreira. na sua componente de participação e sensibilização ambiental para toda a população e a Agenda 21 Autárquica. a crescente complexificação dos mercados e o reforço da concorrência entre empresas e territórios em virtude da internacionalização e globalização económica e comunicacional. os quais deverão vir a assumir um papel de grande importância na estratégia delineada para a sustentabilidade ambiental deste território. diversidade e mutações aceleradas. culturais. 2005). 2011b). assim como projetos mais ambiciosos como o da elaboração de um Atlas Ambiental Urbano ou a instalação de um Laboratório Ambiental Municipal (aéreo e aquático). vieram revelar os limites do planeamento convencional para responder aos desafios e necessidades dos novos tempos. apesar das diferenças entre ambos os tipos . através de intervenções operacionais devidamente enquadradas por objetivos estratégicos. que constituía um produto acabado. Fonseca. determinando a urgência de se passar do plano como produto para o planeamento como processo (Ferreira. A tendência progressiva para a urbanização. atua a curto prazo. 2 O PLANEAMENTO ESTRATÉGICO COMO INSTRUMENTO INOVADOR DE GESTÃO TERRITORIAL Nas últimas décadas assistiu-se a um conjunto de fenómenos que obrigaram à revisão dos modelos tradicionais do planeamento e da gestão territorial. 2006) designam a substituição do “planeamento estratégico” pela “gestão estratégica”. económicos e territoriais assumem grande complexidade. Num momento em que os fenómenos sociais. as suas prioridades de atuação e os programas de ação e que exige a organização de um sistema eficiente de acompanhamento e monitorização (Alexandre. como o “Plano de Valorização Turística da Ilha da Morraceira” (Cordeiro et coll. a abertura e democratização das sociedades. “pedagógica” e “extensão universitária”. nomeadamente no que se refere à escassez dos recursos e à mobilização dos agentes. os planos físicos estáticos perderam eficácia. uma vez que não resistem a ocorrências imprevistas. 2005. além de visar conduzir a ação pública a longo prazo. No entanto. como tal. 2003). geopolíticas e económicas.

tem assumido uma perspetiva que pode ser considerada como o que Mendes (2012) considerava como um território/cidade proativa. CIDADE SUSTENTÁVEL TERRITÓRIO COESO” 3. de Montemor-o-Velho e Soure a Leste. e por não apresentar um quadro estático.1 km2.de planeamento. o Concelho da Figueira da Foz encontra-se delimitado pelos Concelhos de Cantanhede a Norte. Neste contexto. vão encontrar-se.4% da área do Baixo Mondego. este processo deverá unificar visões. 3 UMA NOVA FILOSOFIA DE PENSAR E CONSTRUIR CIDADE: “FIGUEIRA DA FOZ. correspondente a cerca de 18. cria uma barreira física em forma de esporão entre os setores setentrional e meridional. e reconhecendo as limitações impostas pelo planeamento tradicional. o planeamento estratégico vai fornecer as referências.1 O Contexto Geográfico Localizado no centro litoral de Portugal. Para tal. coordenar a atuação pública e privada e estabelecer um quadro coerente de mobilização e cooperação dos atores com relevância no território. reforçando a competitividade e melhorando a qualidade de vida de todos os cidadãos do Município da Figueira da Foz. . os quais apresentam historicamente dinâmicas demográficas e socioeconómicas bem distintas. o planeamento estratégico visa ser complementar e não substituir o planeamento urbano tradicional. a qual que apresenta uma direcção sensivelmente de ONO-ESSE e que. Numa análise morfológica. ou seja. os planos e projetos estratégicos de desenvolvimento devem assumir-se como mais flexíveis e mais vocacionados para a demonstração das potencialidades de um determinado lugar do que para um programa exato. e mais vocacionados para a comunicação de ideias do que para a regulação do uso do solo. as linhas de orientação que servirão para apoiar as decisões e os processos de planeamento territorial. Deste modo. Ocupa uma área de 379. este território é marcado no seu setor centro-ocidental por uma linha de relevos estruturais de origem tectónica. a equipa que tem vindo a desenvolver o processo de planeamento estratégico do Município da Figueira da Foz. claramente o enquadramento que foi perspetivado para o atual PEDFF. sendo do ponto de vista físico atravessado pelo rio Mondego que divide o território municipal em dois grandes setores. no presente caso. na base da Revisão do Plano Diretor Municipal que se encontra presentemente em desenvolvimento. Este é. localização que o coloca numa situação geográfica extremamente favorável nos contextos regional e mesmo nacional (Figura 1). empenho e mobilização dos diferentes atores territoriais na elaboração de um projeto de desenvolvimento para o território e no qual o ambiente e a sustentabilidade são peças fulcrais. O planeamento estratégico visa assim definir e realizar um projeto de cidade/concelho. de Pombal a Sul e pelo Oceano Atlântico a Oeste. criando simultaneamente uma oportunidade de participação. variando sensivelmente entre os 100 e os 250 metros de altitude. Assim. um setor Norte e um setor Sul.

a que se associam ainda as modificações impostas pela própria morfologia urbana. os valores de 2001 indicam uma predominância do emprego no setor terciário (58. Este território apresenta um dinamismo industrial que assenta fundamentalmente em atividades de especialização ligadas à produção de pasta celulósica e de papel. dos quais 33607 indivíduos residiam nas freguesias do núcleo urbano. um total de 62105 habitantes. seguido pelo setor secundário (36. nomeadamente ao nível das partículas de diâmetro inferior a 10 µm (PM10). um pouco à semelhança da realidade de todo o litoral da Região Centro. tendo como prováveis . sendo de referir que na última década se verificou um ligeiro decréscimo populacional (-0. correspondendo a uma perda de 496 habitantes).2% dos ativos neste setor de atividade.39%) e um acréscimo no peso dos idosos com 65 e mais anos (de 19. prosseguida pelo aumento das classes mais idosas.79%. Relativamente às características climáticas. pela proximidade do Oceano Atlântico e também pela presença do Estuário do Mondego. verificando-se a pouca relevância do setor primário. Globalmente regista-se um ligeiro decréscimo no peso dos jovens até aos 24 anos entre 2001 e 2011 (de 26.0%). este território apresenta um clima de tipo mediterrâneo. Algumas destas atividades contribuem para a degradação da qualidade do ar. modificado localmente pela topografia associada à Serra da Boa Viagem. não só a uma escala de análise regional. Numa referência ao tecido económico do concelho. indústria vidreira. o que espelha de modo bastante claro a crescente tendência para o envelhecimento da população.92%). com apenas 5. Em termos demográficos. construção naval e indústria do sal. das emissões de dióxido de azoto (NO2) e de dióxido de enxofre (SO2).51% para 22. no ano de 2011. como também nacional.Figura 1 Enquadramento territorial do Concelho da Figueira da Foz. o Concelho da Figueira da Foz apresentava. A estrutura etária da população residente reflete uma crescente diminuição das classes mais jovens.78% para 22.8%).

mas que no seu conjunto se tornam coerentes. Assim. O desafio de desenvolver um projeto que visa a implementação de uma lógica de cidade sustentável num território coeso. e face às aceleradas mudanças sociais e económicas observadas num quadro de relativa ineficácia que os instrumentos de planeamento tradicionais apresentam. onde a questão da segunda habitação associada à prática de um turismo de cariz sazonal sol-mar assume manifesta importância. O projeto. e tendo como referência o sistema urbano português e a realidade nacional. um plano estratégico para o território municipal. 3. muitos dos projetos têm vindo a ser desenvolvidos de modo desarticulado. 2011 a). ou no máximo reativa. tem sido apontada como uma solução pragmática e funcional na resposta aos contínuos desafios com que as comunidades territoriais se deparam. em termos hierárquicos. Este facto indicia. cooperação e transparência (Cordeiro e Barros. os complexos industriais localizados no setor sul.fontes de emissão. coesão. a cidade da Figueira da Foz corresponde. e que visam uma clara adaptação do que será o novo paradigma da gestão autárquica das próximas décadas: primeiro os cidadãos. um novo paradigma de desenvolvimento territorial assente nos princípios de sustentabilidade. Caracterizado por uma estrutura física muito particular e com muitas especificidades de carácter biofísico. a opção passou por realizar um longo e participativo processo de definição do que deveria ser a Figueira da Foz nas próximas décadas. a Figueira da Foz assume-se como um dos setores do território nacional onde a aplicação do conceito de “cidade sustentável” se apresenta como muito interessante. sendo possível vir a perspetivar-se. assente numa metodologia de planeamento estratégico. Finalmente. ou mesmo no âmbito das propostas estandardizadas de desenvolvimento sustentável. especialmente nas áreas urbanas. a produção de energia e a combustão resultante da atividade industrial. a aplicação das metodologias do planeamento estratégico às políticas de desenvolvimento territorial. e de acordo com o definido por Mendes (2012). o Município da Figueira da Foz em colaboração com diferentes Departamentos da Universidade de Coimbra. No entanto. ao longo das últimas décadas. no Município da Figueira da Foz.2 Projeto integrado de planeamento e ordenamento do território A generalidade dos municípios portugueses (nos quais se inclui o da Figueira da Foz) não dispõe de instrumentos estratégicos orientadores do seu desenvolvimento a médio ou longo prazo. assim. É inquestionável que. em simultâneo. contemplando procedimentos de natureza estratégica para a sua aplicação integrada. apresentando como alavanca de desenvolvimento. poderia ser efetivado num contexto habitual de pressupostos e de lugares comuns sobre este território. a Figueira da Foz pode ser considerada como uma cidade passiva. que . bem como por algumas dificuldades em termos socioeconómicos (laborais e sociais). assenta em três pilares fundamentais: a “garantia das . tal como foi referido. a uma cidade média. encontra-se a desenvolver múltiplos projetos de natureza variada. No momento presente. assente numa filosofia de cidade sustentável. os transportes rodo/ferroviários. sem que nunca se tenha observado um projeto estruturado em termos de planeamento e ordenamento do território.

o “espaço público” e as “atividades económicas” (Figura 2). 1 A nova geração de Planos Diretores Municipais atribui ênfase relevante à dimensão estratégica do processo de planeamento/ordenamento do território. educação. desporto. Este encontra-se a ser equacionado com base numa estratégia de desenvolvimento sustentável que procure integrar as diversas políticas municipais. dinâmica social e económica. Sistematização do Projeto Estratégico. cultura.necessidades dos cidadãos”. Como instrumentos de orientação futura para o Município. com vista à melhoria da sua qualidade de vida. Território Coeso. ambiente. por variadas razões. aqui entendida tanto em sentido restrito. . objetivo máximo de um projeto com estas características. de 22 de Setembro). pretende-se que as opções estratégicas. Deve ainda ser salientado que é a primeira vez que o Município da Figueira da Foz se encontra a desenvolver um projeto de democracia participativa. onde o cidadão assume um papel fulcral na definição das prioridades de intervenção e em que os processos são debatidos e tratados com total transparência. algo que no caso do território da Figueira da Foz merece. o cidadão da Figueira da Foz. como em sentido lato. e que procure responder às reais necessidades dos cidadãos ao nível da habitação. sirvam de base metodológica para a elaboração de um Plano Diretor Municipal de 2ª geração1.º 380/99. um profundo debate. nas respostas em termos de “realização profissional”. Estas peças fulcrais vão ser os alicerces do quarto pilar. e os diferentes projetos em desenvolvimento. uma vez que esta deve constituir uma vertente inicial e central de todo o plano. Todos estes pilares se encontram relacionados entre si pelo fator associado à mobilidade. de 11 de Agosto) e pela legislação enquadradora dos instrumentos de planeamento territorial (Decreto-Lei n. Esta nova abordagem está enquadrada pela Lei de Bases do Ordenamento do Território (Lei 48/98. a partir do qual os estudos e diagnósticos setoriais deverão ser elaborados. Figura 2 Figueira da Foz: Cidade Sustentável. “qualidade de vida” e de “cidadania”. ou seja. que é indubitavelmente o centro de todo o projeto.

urbana. algo que. o Ambiente surge como uma das preocupações centrais de análise e de procura de respostas no sentido do desenvolvimento territorial sustentável da Figueira da Foz e associado ao que foi considerado como o cluster fundamental para o território: o cluster “Mar”. salientando-se salientando se que estes. a qualidade ambiental no seu todo são alguns dos temas de destaque para a garantia de um território territó ambientalmente sustentável. Esta primeira abordagem teve como base um diagnóstico preliminar. no essencial. a resolução dee algumas das peças destinadas à concretização da revisão do Plano Diretor Municipal (PDM). o qual foi desde o primeiro momento considerado (e trabalhado) como um “plano . Neste te contexto. Figura 3 A componente científica do Projeto “Figueira Território Coeso”. embora apresentados separadamente. que desde logo mostrou a existência dealguns alguns dos problemas ambientais com que o território da Figueira da Foz se depara. A abordagem a esta área temática do Plano Estratégico de Desenvolvimento. Em relação à componente “pedagógica” esta é desenvolvida em sintoniaa com a elaboração de raiz de um “Projeto Educativo Local” (Cordeiro et al. 2011d)... universitária”. gestão dos resíduos. que em termos de opinião pública é pouco percetível (Cordeiro (C et al.. Energias nergias alternativas. apresentam-se apresentam alguns dos projetos que abordam as condições ambientais e de sustentabilidade. e a sua interação com as restantes componentes. 2011c). território Efetivamente. componentes No caso particular da componente “extensão universitária”. assenta fundamentalmente em três grandes áreas de intervenção: (i) componente de investigação. alte eficiência energética. separadame fazem parte de um vasto e integrado projeto to de ordenamento e planeamento deste território. (ii) componente de extensão universitária e (iii) componente pedagógica pedagógica (Figura 3).4 OS PROJETOS DIRECIONADOS DIRE OS À SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL DA FIGUEIRA DA FOZ No âmbito da elaboração do “Plano Estratégico da Figueira da Foz” Foz encontra-se em desenvolvimento um conjunto de projetos. que para além de privilegiarem as componentes económicas. os projetos visam. em particular no campo da poluição industrial e urbana. ). considerados de elevado valor para este território. em particular. concedem especial ênfase aos aspetos ambientais. sociais. culturais e de uso do solo. espaços verdes e. “ da Foz: Cidade Sustentável.

assim como da própria qualidade ambiental das águas do estuário (Cordeiro et al. a componente de investigação científica apresenta três vetores fundamentais: o Laboratório Ambiental Municipal (ar. 2011c). . através da análise dos registos das principais variáveis climáticas . salinicultura e algas). Este Laboratório tem como principal objetivo promover um avanço no conhecimento das diferentes componentes da área ambiental direcionadas para o ordenamento do território. terá como principais destinatários a Divisão de Ambiente da Autarquia. Toda a informação recolhida pelo sistema de monitorização ambiental e direcionada a uma plataforma que disponibilizará a informação via Web. as cidades devem ser pensadas do ponto de vista bioclimático. água e clima). e que foram equacionadas numa lógica do desejável desenvolvimento sustentado. localizados em diferentes contextos topoclimáticos do território concelhio. nomeadamente o ozono. no prelo). sendo no contexto da componente científica que o atual projeto da Figueira da Foz se evidencia. A monitorização é feita em contínuo. não só da educação formal. assim como a prevenção dos incêndios florestais). precipitação e direção e velocidade do vento -. Em simultâneo e de forma integrada serão monitorizados os níveis de poluição atmosférica.. na forma como se deve entender o ecossistema urbano e a importância da sua monitorização em territórios onde o turismo e a actividade industrial são complementares no contexto económico. mas também das não formal e informal (Cordeiro et al. 2011c). Numa interatividade efetiva entre a Autarquia e diferentes áreas do saber da Universidade de Coimbra. representando uma clara evolução não só a nível regional como também nacional. a comunidade escolar (que passa a dispor de dados e informação variada para as suas atividades curriculares). assim como a própria Proteção Civil Municipal (questões de cheias e inundações.temperatura.estratégico para a educação” e que apresenta uma lógica muito vincada em torno das questões ambientais. encontra-se em fase avançada de implementação um “Laboratório Ambiental Urbano” que deverá ser inicialmente constituído por uma rede de monitorização automática e remota das condições meteorológicas e da qualidade do ar. 4. humidade relativa. o Atlas Ambiental Urbano e o Centro de Investigação/Interpretação da Ilha da Morraceira. numa lógica de proporcionarem aos seus habitantes a opção de viverem de uma forma ecologicamente sustentável e ao mesmo tempo num ambiente economicamente próspero (Cordeiro et al. Conscientes da sua importância na construção de uma imagem de território sustentável e de elevada preocupação com a proteção ambiental. mas também servirá de apoio às atividades económicas associadas ao mar (aquacultura. dióxidos de azoto e enxofre e material particulado.1 Laboratório Ambiental Municipal Com o objetivo de se assegurar uma melhor qualidade de vida e uma sustentabilidade ambiental crescente. permitindo assim caracterizar este território do ponto de vista climático e acompanhar possíveis transformações físicas impostas pela urbanização no clima da cidade.

resultará na elaboração de um documento de consulta atualizada. conjugados essencialmente em torno de aspetos físicos e humanos. nomeadamente: solo. clima. que portanto constituem as componentes essenciais do ambiente urbano. Neste sentido. deverá constituir um importante contributo. água. uso do solo. mas também para a Educação. A elaboração do Atlas Ambiental contribuirá para uma maior consciencialização sobre as alterações climáticas e para avaliar as transformações físicas que têm ocorrido em meio urbano. o qual pretendia viabilizar e promover um espaço que tem vindo a ser aparentemente esquecido pela maioria dos cidadãos da Figueira da Foz. organizando-os de forma clara. foi um dos pontos de partida para a criação deste instrumento.Deste modo. o desenvolvimento das bases para um conhecimento amplo e qualificado do ambiente urbano. permitirá uma constante atualização e disponibilização do conhecimento científico sobre as alterações climáticas e os seus impactes. Devido ao seu enorme potencial natural e cultural este foi assumido como uma das principais alavancas em termos de desenvolvimento sustentável deste território concelhio. tráfego/mobilidade e poluição sonora e energia. nomeadamente ao nível das questões ligadas ao quadro biofísico. o qual teve desde a sua génese. superando a habitual fragmentação com que geralmente se estudam e consideram as dimensões físicas e humanas e. 4. 2012). foi elaborado o “Plano de Valorização Turística da Ilha da Morraceira” (Cordeiro et coll. tem-se vindo a elaborar cartografia temática aplicada ao planeamento urbano. foi já desenvolvido um projeto sobre climatologia urbana da Figueira da Foz com base num trabalho de índole académico (Marques. 2012). indo ao encontro do defendido pela Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas. que sintetizará os conhecimentos académicos. ar. de acordo com as necessidades locais. não só na melhoria e monitorização ambiental da Figueira da Foz.2 Atlas Ambiental Urbano A constatação de que existe um longo caminho a ser percorrido no âmbito das políticas ambientais. 4. em torno de vários tópicos de análise. . que pretendia que se assumisse como uma base de trabalho sólida para todos os agentes que directa ou indirectamente se ocupam das questões ligadas com o ordenamento do território e a sustentabilidade urbana. 2012). e do qual resultou a primeira componente desse Atlas (Cordeiro et al. como resultado do processo de urbanização. Foi nesse sentido que foi equacionado o desenvolvimento do projeto “Atlas Ambiental Urbano da Figueira da Foz”. Assente numa forte componente cartográfica. Este tipo de conhecimento pormenorizado. como principais pressupostos. contribuindo assim para promover uma planificação e gestão ambiental integrada. O “Atlas Ambiental Urbano da Figueira da Foz” estrutura-se em oito grandes unidades temáticas. e em particular para a Educação Ambiental dos cidadãos deste Município. que já se encontra parcialmente em funcionamento. ao mesmo tempo que a procura de informação digital aumenta.3 Centro de Investigação e Interpretação da Morraceira Entendido como uma das peças do PEDFF. o “Laboratório Ambiental Urbano”. biótopos. assim como.

Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT). constituindo. ordenamento do território. um contributo para o desenvolvimento do tecido económico da região.A elaboração de uma estratégia de desenvolvimento integrado onde o salgado e a aquacultura se encontram em sintonia com o ecoturismo (bem como este turismo numa vertente educativa) é. o Centro do Mar e Ambiente (IMAR-CMA). concelhias e da própria comunidade local. e cujo principal objetivo se prende com a educação e monitorização ambiental. deste modo. avaliação da qualidade alimentar de recursos vivos. Assim. assim. mas também para toda a bacia hidrográfica do Mondego. e logo da imagem dos produtos. o envolvimento da comunidade escolar na valorização deste setor do território da Figueira da Foz. erosão costeira. 2 No momento presente. para tal. mas. Economia e Farmácia. o desenvolvimento e afirmação da “Marca Morraceira” com chancela de qualidade ambiental. deve ser assumido como uma mais-valia na colaboração com a comunidade escolar. o CELTE funcionará em articulação com unidades de investigação da Universidade de Coimbra2. um dos objetivos fulcrais na implementação deste projeto. A criação deste Centro de Investigação/Interpretação da Morraceira encontra-se devidamente enquadrado no “Plano Estratégico de Desenvolvimento” e no “Plano Diretor Municipal” de 2ª geração. hidráulica e recursos hídricos. na implementação de novas formas de comunicação com os visitantes. um conjunto de conteúdos direcionados não só ao estuário (e às relações entre o mar e o rio). congregue os esforços das diferentes entidades regionais. Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS 20). . bem como diferentes departamentos das Faculdades de Ciências e Tecnologia. podendo mesmo esta plataforma alargar-se a outras valências. a qual deverá representar uma maisvalia para a certificação. Uma das principais apostas deste Plano passa pela criação do “Centro de Interpretação/Investigação”. também. estes conceitos possibilitam. com a realização de oficinas. assim. valorização e interpretação dos valores paisagísticos e patrimoniais do “salgado” da Figueira da Foz. Além disso. Este apoio deverá materializar-se na requalificação de atividades empresariais existentes. atividades e empresas que dela beneficiem. mas também no lançamento de novos projetos que deverão envolver os conceitos de “desenvolvimento ecologicamente sustentável” e “serviços de ecossistemas”. ao qual se virá a associar o Centro Interdisciplinar Litoral e Território . através da transferência de conhecimento e apoio técnico e científico a atividades empresariais diversas. pretende-se que o Centro de Interpretação/ Investigação. apostando nas novas tecnologias. concepção de materiais pedagógicos. microeconomia aplicada. através da realização de projectos temáticos na área da educação patrimonial e paisagística. Naturalmente. com a criação de condições para a implementação do turismo escolar. Do ponto de vista técnico e científico. observando-se. análise de risco e protecção de pessoas e bens. garantindo. Letras. crescimento económico e economia do ambiente.CELTE da Universidade de Coimbra. tendo em vista a dinamização. encontrando-se assim assegurada a convergência de saberes nas áreas da avaliação e gestão da qualidade ambiental (incluindo a análise de poluentes emergentes).

A. pp. Alcoforado. Cristina (2011b) “A Agenda 21 Local numa lógica da necessidade de implementação de um plano estratégico para um Município: O caso da Figueira da Foz”. e reconhecendo a fragilidade. Atas do Workshop “Das Cartas Educativas ao Projeto Educativo Local. Actas do 17º Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR) e 5º Congresso de Gestão e Conservação da Natureza. Rochette. A.M. G. Bragança-Zamora. embora apresentados de forma isolada. Cristina (2011a) “Uma cidade sustentável. serão importantes contributos na formulação das opções estratégicas para o desenvolvimento futuro da Figueira da Foz. Figueira da Foz. Filosofia de um projecto integrado de planeamento e ordenamento do território”. Ganho. A.. Cordeiro. Actas do 17º Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR) e 5º Congresso de Gestão e Conservação da Natureza. N. apresenta-se nesta comunicação um projeto que se assume como inovador na lógica de desenvolvimento sustentável para um Município do litoral do Centro de Portugal. Cordeiro. M. Cordeiro. José (2003) O planeamento estratégico como instrumento de desenvolvimento de cidades de média dimensão. 6 REFERÊNCIAS Alexandre. Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade de Aveiro. 1114-1126. Bragança-Zamora. L. Rochette. A.M. cidades. (2011c) “Monitorização Ambiental do Município da Figueira da Foz (Portugal)”. A. Actas do 17º Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR) e 5º Congresso de Gestão e Conservação da Natureza. Barros.5 NOTAS FINAIS Num momento em que se discute mecanismos e instrumentos inovadores que reforcem a competitividade territorial de países. . Marques. encontram-se em desenvolvimento todo um conjunto de projetos de índole ambiental. (2011d) “Figueira da Foz: O Projeto Educativo Local associado a uma Estratégia de Desenvolvimento Integrado e Sustentável”. Bragança-Zamora.. Estes projetos. privilegindo sempre a sustentabilidade e valorização das potencialidades ambientais deste território. Estas opções servirão de base metodológica para a elaboração de um Plano Diretor Municipal de 2ª geração. ao mesmo tempo que promove a sustentabilidade e a qualidade de vida das populações. Barros. Aveiro. 1336-1345. Ferreira. regiões. que no seu todo pretendem tornar a Figueira da Foz num Município mais coeso. Rochette.M. 186 p. um território coeso: o exemplo da Figueira da Foz. D. Rochette. 1346-1352. Assim. pp. importância e elevado valor do ambiente neste território municipal. Novas perspetivas sobre a Municipalização da Educação”. Cordeiro. pp. e com elevada sustentabilidade ambiental.

Ganho. Actas do 17º Congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Regional (APDR) e 5º Congresso de Gestão e Conservação da Natureza. Coimbra. D.O caso da Figueira da Foz (Portugal) ”. Rochette. Edições Minerva. 191 p. O caso da Figueira da Foz. M. Marques. Guerra. Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade do Minho. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 1127-1136. Fonseca. Cordeiro A. Lisboa. Porto. A. G. 430 p. Disseração de Mestrado em Geografia – especialidade em Geografia Física.Guia Metodológico de Apoio para Contextos Rurais e de Forte Interioridade. Ferreira. Alcoforado. Vol..M. Câmara Municipal da Figueira da Foz/Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Rochette et coll (2012) Plano de Valorização Turística da Ilha da Morraceira. Rochette. 80 p. Luísa. A. D. João e Nave. G. José (2012) O Futuro das Cidades. M. (2012) Contributos da Climatologia para a sustentabilidade urbana.III. N. pp. e Ferreira. Um Processo Associado a Estratégias de Desenvolvimento Integrado e Sustentável”. Rochette (2011) “Campo térmico da baixa atmosfera urbana em condições de acentuado arrefecimento nocturno . Fernando (2006) O planeamento estratégico em busca de potenciar o território: o caso de Almeida. Coimbra. Cordeiro . Joaquim (2005) Autarquias e Desenvolvimento Sustentável . A. Coimbra.Cordeiro. Atlas Ambiental Urbano da Figueira da Foz. Coimbra. Fundação Calouste Gulbenkian. Ambiente e Ordenamento do Território. L. FLUC. 219 p. 110 p. Farinha. Cadernos de Geografia nº 30-31. Associação de Municípios do Distrito de Évora e Diputación de Badajoz. (2012) "O Clima urbano da Figueira da Foz. (2005) Agenda 21 Local . Braga. 154 p. D. Coimbra. 57 p. Novas Utilizações do Potencial Endógeno do Salgado da Figueira da Foz. J. MARQUES. N. M. 125 p. Fronteira do Caos.. António (2005) Gestão Estratégica de Cidades e Regiões. Cordeiro. Mendes. Bragança-Zamora. Marques.M. . Schmidt. GANHO.Agenda 21 Local e novas estratégias ambientais.. A. M. G. (no prelo) “Projeto Educativo Local. Orientações climáticas para o ordenamento do território". Évora.