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Ernesto Bozzano

Xenoglossia
(mediunidade poliglota)

Pieter Brugel
Torre Babel

Conteúdo resumido
Nessa obra, Bozzano narra os fenômenos de Xenoglossia, ou
mediunidade poliglota, nos quais uma entidade se manifesta
através de um médium, falando ou escrevendo em idioma desconhecido aos presentes ou ao próprio médium.
Usando o relato de casos reais, ele analisa cientificamente e
comenta cada caso, demonstrando, nos diferentes capítulos, as
formas pelas quais o fenômeno se manifesta.

Sumário
Introdução ..................................................................................... 4
Categoria I
Casos obtidos com o automatismo falante e a mediunidade
audiente ..................................................................................... 8
Categoria II
Casos obtidos com o automatismo escrevente (psicografia) ... 37
Categoria III
Casos obtidos por meio da voz direta ................................... 122
Categoria IV
Casos obtidos por meio da escrita direta .............................. 152
Conclusão .................................................................................. 173

sem se afastar dos poderes supranormais inerentes à subconsciência humana. se bem aconteça que incidentes de glossolalia se intercalem em genuínas manifestações supranormais. pela qual os médiuns falam ou escrevem em línguas que eles ignoram totalmente e. não chegando a explicar as manifestações em apreço. graças aos fenômenos de xenoglossia. Não ignoro que os propugnadores. Quer isto dizer que. no sentido espiritualista. por serem conformes às regras gramaticais. por meio das hipóteses de que dispõem. de modo preciso. . Não é aqui ocasião de nos ocuparmos com estes últimos fenômenos. intervêm entidades espirituais extrínsecas ao médium e aos presentes. de “glossolalia”. pseudolínguas que não raro se revelam orgânicas. até que estejam mais bem conhecidas as leis psicofísicas que diferenciam os estados mediúnicos dos estados sonambúlicos. elaboradas nos recessos de suas subconsciências. porquanto a interpretação dos fatos. nas experiências mediúnicas. Do ponto de vista teórico. a “mediunidade poliglota” se mostra uma das mais importantes manifestações da fenomenologia metapsíquica. dado que não se poderão evitar as interferências subconscientes em qualquer ramo da metapsíquica. às vezes.Introdução O termo “xenoglossia” foi proposto pelo professor Richet. nos quais os pacientes sonambúlicos falam ou escrevem em pseudolínguas inexistentes. a todo custo. como nada de comum apresentam com as manifestações metapsíquicas deste gênero. se deve considerar provado que. o que não é de causar surpresa. que são de ordem sonambúlico-hipnótica e nada têm de comum com a “mediunidade poliglota”. com o intuito de distinguir. ignoradas de todos os presentes. pois por ela se eliminam de um só golpe todas as hipóteses de que disponha quem queira tentar explicá-las. da origem subconsciente de toda a fenomenologia metapsíquica. a mediunidade poliglota propriamente dita. mas radicalmente diversos. se impõe aqui de forma racionalmente inevitável. dos casos afins. formularam timidamente uma outra.

importa lembrar que a hipótese da “memória ancestral” foi sugerida originariamente pela doutora russa Maria Manaceine. porém. não parece caso de tomá-la a sério. com o prosseguimento das experiências e com a manifestação de novas personalidades de defuntos que pertenceram a outras raças. mas unicamente sob a forma da emergência fragmentária de fatos sucedidos aos antepassados. porém com o intuito muito limitado de explicar um outro fenômeno mnemônico bastante discutido: o da emersão de lembranças de acontecimentos que na realidade nunca se deram na vida daquele que os recorda. fenômeno que Manaceine. O professor Richet considera “verdadeiro milagre” o fenômeno de falar em línguas ignoradas e não tenta diminuir a imensa importância teórica do fato. Todavia. tinha plena consciência de que aventava uma outra de todo impossível. a qualquer preço. era legítima e podia discutir-se. segundo a qual os médiuns seriam aptos a conversar numa língua inteiramente desconhecida deles. Entretanto. visando apenas livrar-se. Como se vê. procurou explicar. com que tal extensão foi alvitrada por si só demonstra que quem a sugeriu. .que se denomina “memória ancestral”. já conversaram numa dúzia de línguas diversas. das estratificações de uma hipotética “memória ancestral” subconsciente. Outro tanto. A insólita circunspeção. os médiuns em questão ainda darão prova de ulteriores conhecimentos lingüísticos. em sentido espiritualista. depois de Letourneau. observarei que ela igualmente não afrontaria os recentíssimos exemplos de médiuns que. até este momento. Nesse caso fora de presumir-se que as condições mediúnicas fazem brotar. da invasão intempestiva da hipótese espirítica. estendendo a influência da lei de hereditariedade também aos da memória. certamente. a concepção originária da doutora eslava. se bem que audaz. o conhecimento pleno do idioma falado pelo ascendente do médium. A bem da história. desde que algum de seus antepassados houvesse pertencido ao povo cuja língua eles falam. o que leva a presumir que. Assim sendo. já não ocorre com a extensão absurda e fantástica que agora se quer imprimir à mesma hipótese.

acha que a existência dos fenômenos de xenoglossia, longe ainda
de ficar provada e, com estas judiciosas considerações, conclui
uma breve enumeração de episódios do gênero:
“Resumindo: nenhum dos casos expostos apresenta suficiente valor probante... Segue-se que não é possível se lhes
conceda direito de cidadania no vasto domínio da metapsíquica subjetiva. Seja, porém, como for, inclino-me a crer
que um dia, talvez não distante, se terá de reconhecer autêntico algum caso de tal natureza. Nessa expectativa, cumpre
se apresentem exemplos melhores, que venham relatados de
forma menos fragmentária, menos imperfeita do que a que
se nota nos até agora conhecidos...” (Tratado de Metapsíquica, pág. 280 da primeira edição.)
Não se pode negar que o Professor Richet tenha razão de exprimir-se assim, com relação a quase todos os casos por ele
citados, os quais, todavia, apenas representam pequeníssima
parte dos que existem no gênero de que tratamos. Infelizmente, o
acervo deles se acha disperso um pouco por toda parte, em
livros, opúsculos, revistas, em condições, pois, de não serem
facilmente encontráveis pelos estudiosos. Estando as coisas
nesse pé, segue-se que àquele que quiser que os fenômenos de
xenoglossia adquiram “direito de cidadania no vasto domínio da
metapsíquica”, indispensável se torna que comece por reunir e
pôr em ordem um certo número deles, obedecendo a uma especial classificação. Foi o que me propus fazer, com a presente
monografia. Mas, é inegável que, quando se empreende formar
uma coleção de casos do gênero com que nos ocupamos, verifica-se que a observação do Professor Richet pode estender-se
muito além dos que ele considerou, por isso que, se é certo que
os fenômenos de xenoglossia se mostraram sempre relativamente
freqüentes no conjunto dos da metapsíquica e se multiplicaram
nestes últimos tempos, contudo, quando se começa a reunir e
analisar os ditos fenômenos, nota-se que eles se apresentam
muito amiúde relatados de forma puramente anedótica, com tal
parcimônia de pormenores circunstanciais, que não chegam a ser
utilizáveis com escopo científico, o que tanto mais deplorável se
faz quanto, as mais das vezes, são episódios não só muito impor-

tantes, como patentemente genuínos. Daí decorre que a messe
dos fatos que me abalanço a enumerar parece bem pouca coisa,
em confronto com o imponente material recolhido. Como quer
que seja, por felicidade, entre os casos aqui apreciados, bom
número se conta dos que vêm referidos de maneira cientificamente apropriada, além de serem de data recente ou recentíssima.
Devo também assinalar outro embaraço sério que encontrei
ao organizar a presente classificação. Deparou-se-me ele na
circunstância de que certos casos clássicos de xenoglossia se
revelam familiares a quem quer que seja versado em metapsíquica e eu mesmo já tive ocasião de os citar e comentar em outros
trabalhos. Como proceder nessa conjuntura? Suprimi-los não
parecia aconselhável, uma vez que, assim, a classificação – a
primeira pelo que concerne aos casos em exame – sairia muito
lacunosa. Tirei-me, então, da dificuldade, adotando uma “meia
medida”: a de os acolher, mas para relatá-los em breves (se bem
que adequados) resumos.
Do ponto de vista da classificação dos casos, observo que os
fenômenos de xenoglossia se produzem nas seguintes modalidades várias de características extrínsecas: com o automatismo
falante (possessão mediúnica); com a mediunidade audiente
(clariaudiência), caso em que o médium repete foneticamente as
palavras que subjetivamente percebe; com o automatismo escrevente (psicografia e tiptologia); com a voz direta; com a escrita
direta. Neste último caso, trata-se, quase sempre, de mãos materializadas, visíveis ou invisíveis, que escrevem diretamente as
suas mensagens. Cumpre se lhes juntem, finalmente, os poucos
casos de fantasmas materializados, que escreveram ou falaram
em línguas ignoradas do médium.
Dada esta explicação, entro sem mais demora no assunto.

Categoria I
Casos de xenoglossia obtidos com o
automatismo falante e a mediunidade audiente
Estas duas modalidades de características extrínsecas dos fenômenos que examinamos, conquanto notavelmente diversas
entre si, resultam afins, porquanto derivam ambas de um fenômeno mais ou menos avançado de possessão mediúnica e algumas vezes se desenvolvem entrecruzadas. Daí decorre que não
podem separar-se, ao serem classificadas.
Caso 1 – Começo tomando em consideração um caso clássico
por excelência: o da filha do juiz Edmonds, caso importante e
incontestavelmente autêntico, mas, como é familiar a todos os
que se dão à metapsíquica, atenho-me ao que já anteriormente
disse e limito-me a relatá-lo resumidamente.
Nada melhor então do que me reportar ao resumo que dele
fez o Professor Richet no seu Tratado de Metapsíquica (pág.
272), onde escreveu:
“O caso mais impressionante é o de Laura Edmonds, filha
do juiz Edmonds, personagem de elevada inteligência e lealdade perfeita, que foi presidente do Senado e membro da
Suprema Corte de Justiça de Nova York. Laura, sua filha,
era católica fervorosa, muito praticante e piedosa. Falava
exclusivamente o inglês e aprendera na escola um pouco de
francês. A isto se limitavam seus conhecimentos de línguas
estrangeiras.
Ora, acontece que um dia (em 1859), o juiz Edmonds recebeu a visita de um Grego notável, o Sr. Evangelides, que
pôde conversar em grego moderno com sua filha Laura. No
curso dessa conversação, a que assistiam diversas pessoas
(cujos nomes são citados no texto), o Sr. Evangelides chorou, por lhe ter a médium participado a morte do filho (ocorrida por aquele meio tempo na Grécia). Ao que parece,
Laura encarnava a personalidade de um amigo íntimo de
Evangelides, um tal Botzari, morto na Grécia e irmão do

Nenhuma delas vira jamais o Sr. Segundo o juiz Edmonds. que negá-lo equivaleria. grego. conversou em grego moderno com Evangelides e se lhe participou a morte do filho. se o incidente de Evangelides é o mais notável de quantos se deram com a mesma médium. Nem poderei. Richet. de que fui testemunha. E Edmonds acrescenta: “Negar isto. conversou em oito ou dez línguas diversas. transcorridos setenta anos desde aquele dia e mal grado aos enormes progressos realizados no campo das pesquisas metapsíquicas. é impossível. italiano. na conversação. latim. pois. Informa o juiz Edmonds: “Minha filha apenas conhece o inglês e um pouco de francês. língua que nunca ouvira falar?” (Tratado de Metapsíquica. português. isso só se poderia explicar admitindo-se que o defunto Botzari fosse realmente o outro interlocutor. em grande conta precisa levar-se que esta. conversado em francês. no entanto. por fim. ninguém estará apto a responder a essas interrogações.) . Cumpre. que me fora apresentado por um amigo naquela mesma noite. noutras circunstâncias. húngaro. visto que ele em nada difere de todas as outras realidades com que deparamos em qualquer período da nossa existência. ponderando que. certamente. o fato é de tal modo claro e eloqüente. considerar o fato uma simples ilusão. a negar que o Sol nos ilumina. Como. que haja falado e compreendido o grego moderno. se complete o resumo do prof. mas o consulente lhe compreende sempre as palavras. há podido Laura participar-lhe a morte do filho? Como se explica. 198.” (Letters and Tracts. pág. Evangelides.) Assim se exprimiu o juiz Edmonds e devemos convir em que. dando uma explicação diversa da que ele apresentou e segundo a qual o fenômeno produzido implicava necessariamente a intervenção do defunto amigo do consultante.conhecido patriota. pág. logicamente. Laura. polonês. Freqüentemente não compreende o que diz. Acresce que tudo se passou na presença de oito ou dez pessoas cultas e inteligentes. se sua filha. assim como em vários dialetos indianos. Tem. 272.

se os sonâmbulos eram capazes de responder correta- . não resiste de frente à circunstância de o médium não compreender a língua em que conversava. em fase parcial de possessão mediúnica. observarei que. que tanto embaraçava o critério dos magnetólogos. mas. grego e hebraico. trata-se de fragmentos de frases incoerentes. nessas ocasiões. se relativamente a uma parte apenas dos episódios de xenoglossia ocorria a circunstância de a médium Laura Edmonds não compreender as palavras que lhe saíam dos lábios. o que nada tem de comum com o fato de o sensitivo conversar racionalmente numa língua que não compreende. fato que demonstra positivamente achar-se ela. também não conheciam o significado dos vocábulos empregados nas perguntas a que tinham respondido. resultará instrutivo comparar-se o caso de Laura Edmonds com outros análogos narrados por antigos magnetólogos. Poderiam objetar-me que. quando compreendia. quando em transe. além de não se mostrarem aptos a formular uma resposta nas línguas em questão. considerando-se que. ao contrário. Finalmente. também aí este não compreende as frases que pronuncia ou escreve.A ninguém escapará o alto significado que se encontra implícito no fato de a médium não compreender. caso em que naturalmente não era ela quem compreendia. se encontrava em estado de “transe”. então se deve inferir que isto acontecia achando-se ela em estado de vigília e que. durante a qual uma entidade espiritual extrínseca se servia de sua faringe para exprimir-se. tudo compreenderem e responderem corretamente. ouvidas ou lidas distraidamente pelo sensitivo. destituídas de qualquer relação com situações do momento. É exato. Esta a única solução racional do enigma. interrogados em latim. quando em vigília. mas a personalidade mediúnica que se comunicava. visto que a hipótese das “personificações subconscientes”. Voltando ao assunto. quando a criptomnésia provoca a emersão de frases em línguas ignoradas. a significação das palavras que seus lábios automaticamente proferiam. hoje se explica. Essa aparente contradição. que não sabiam explicar o fato extraordinário dos seus sonâmbulos. ao passo que. combinada com a da criptomnésia.

Quem se sentiria com bastante coragem moral para sustentá-lo? Caso 2 – Outro caso clássico. Como quer que seja. 1853). se alguém se achasse disposto a tomar a sério à hipótese a que me refiro. como se tratasse de uma hipótese legítima. o significado do que ela mesma dizia.mente. que totalmente ignorava. o aparente milagre se produzia por ser ela médium em condições de possessão mediúnica. inclusive diferentes dialetos indianos. é o de Ninfa Filiberto. Assim. a faculdade supranormal da “leitura do pensamento” tornava apto o sonâmbulo a compreender perguntas formuladas em línguas que desconhecia. embora não tenha o valor teórico do precedente. de Palermo. entre os quais diversos representantes da tribo norte-americana dos “pelevermelha”. No caso de Laura Edmonds sucedia o fenômeno oposto: ela era apta a falar automaticamente em dez línguas diversas. sustentável. Quanto à fantástica hipótese da “memória ancestral”. teria que admitir que nas veias da senhorita Edmonds corria sangue de antepassados pertencentes a dez povos. porém. no primeiro caso. sem compreender. repito que não me parece deva discuti-la. num opúsculo intitulado: História de um caso de histerismo com sonhos espontâneos (Palermo. decorrendo daí que não podiam exprimir-se em línguas que ignoravam. ao demais. verossímil. ponderarei que no caso aqui considerado achamo-nos em presença de uma médium que falava em dez línguas que desconhecia. Quer dizer também que. no caso de Laura Edmonds. Contrariamente. Daí ressalta claramente a diferença que há entre os estados sonambúlicos e as condições de possessão mediúnica. mas que não existia na sua subconsciência nenhuma faculdade capaz de fazê-lo conhecer o que nunca aprendera. Uma . relatado amplamente pelo Doutor Nicolau Cervelo. se bem ignorassem a língua em que se lhes faziam as perguntas. isso se dava quando liam o conteúdo da interrogação na mentalidade do consultante. digno de ser lembrado em resumo. o que significa que na realidade quem falava por seu intermédio não era a sua personalidade e sim uma entidade espiritual que se apossava momentaneamente de sua laringe.

muito culta. e conversou por muito tempo nesse idioma com dois ingleses – os Srs. residente em Palermo. Zombava de nós pela maneira por que pronunciávamos o francês.senhora inglesa. Tratava-se de uma jovem de dezesseis anos. que ela sustentou admiravelmente. Whitaker faz notar que. língua que lhe era inteiramente desconhecida.” No dia 15. não compreendia nem o italiano. nem o grego. Wright e Frederic Olway. falou em inglês. ela se pôs a rir e respondeu que jamais aprendera o grego. que em 1849 foi presa de graves acessos de crises histéricas. para fazer-se compreender. Narra o Doutor Cervelo: “A 13 de setembro. mas falava e compreendia exclusivamente o francês (língua que conhecia de modo elementar). de fato. nem conhecera outra língua senão a própria. tornou-se completamente afônica e. Vi essa querida cidade. tendo-o aberto . no Journal of the Society for Psychical Research (dezembro de 1900). Olway travou uma conversação cerrada. a fim de ser publicado.... que era uma parisiense residente em Palermo. admirou-se de que ainda lhe não houvessem trazido o chá da manhã (Mrs. A essa altura. Supusemos que falasse em grego moderno... Ninfa Filiberto se pôs a falar uma língua para nós incompreensível e o fez com tal desembaraço que se diria ser aquela a sua língua materna. e depois nos Annales des Sciences Psychiques (1901). porque noutra fase de sono dissera: “Estive em Atenas. numa das aludidas crises sonambúlicas. Mais tarde. o Sr. então.” No dia 14... traduziu para o inglês o opúsculo.. Mrs. em Palermo não se usa tomar chá pela manhã). Whitaker. Ao ser-lhe dito que no dia anterior falara em grego. como foi. observa o Doutor Cervelo: “Nessa ocasião. onde a gente fala como eu. A esse propósito. recorreu a um artifício engenhoso: pediu um livro inglês e. com fases de sonambulismo. sempre a falar em excelente inglês.

procurarão outra explicação. diagnosticarão uma forma anormal.. 158). Os ocultistas. no período em que a paralisia se dissipava. indicava com o dedo os vocábulos que lhe ocorriam para formar a frase que queria enunciar. Hahn. médicos ou não. em meio de uma frase. Assim esteve até ao dia 18. declarou ter nascido em Siena e descreveu minuciosamente as obras de arte existentes nessa cidade. É impossível a quem quer que seja exprimir-se com as suaves modulações dessa língua harmoniosa.nas mãos. Os neurologistas.. em face da dificuldade para meter todos os fatos observados na categoria dos fenômenos histéricos. fundando-se na multiplicidade dos acessos convulsivos. porém.” O Doutor F. referindo o caso por extenso nos Annales des Sciences Psychiques (1901. pelo que me diz respeito. nem ouvira falar. a enferma. .. se não nasceu na Toscana. ao seu dialeto siciliano. nem com o “desdobramento fluídico” chegarão a explicar a maravilhosa faculdade que tinha a enferma de falar e compreender línguas que jamais aprendera. afirma que esse seu falar em puríssimo toscano se me afigurou ainda mais maravilhoso do que o usar ela do inglês.. o que de mais curioso há no caso é que. nem com a “consciência subliminal”. Não sei se os outros pensaram como eu. pág. No dia 16.. bem como da escola a que pertença o pesquisador. Ela predissera que a sua paralisia desapareceria inteiramente nesse dia e o fato se verificou.. que até aquele momento continuava a falar em puríssimo toscano. passou bruscamente. não mais se recordou absolutamente das línguas em que falara. de histerismo. muito embora convenham em que grande é a dificuldade para incluir o caso no quadro clássico da histeria. nos fenômenos de movimento e sensoriais e nas alternativas proteiformes desses fenômenos. comenta-o nestes termos: “Parece evidente que os fatos expostos darão lugar a interpretações diversas. A partir daí. mas. nem com a exteriorização da sensibilidade.. aberrante. nem com o “automatismo psicológico”. porém. em virtude do caráter insólito e da complexidade deles..

se houvessem pensado em fazer intervir um estenógrafo conhecedor da língua inglesa. Quanto ao crítico inglês do Journal of the S. ao contrário. 75-115). a recorrer à intervenção de entidades espirituais. que o caso Ninfa Filiberto é bastante conclusivo. porque conheciam e falavam a língua inglesa. devendo-se absolutamente excluir qualquer espécie de fraude e de simulação. bom ou mau grado seu.. (Note-se que destes últimos a sonâmbula escarneceu pela acentuação esdrúxula com que falavam esse idioma. Parece-me. . que o fato de a sonâmbula haver falado explicadamente a língua inglesa não é cientificamente conclusivo. forçoso se torna concordar em que tal fato não admite dubiedades e. a cuja opinião me associo. pág.. entretanto. visto que não foram registradas as dialogações da sonâmbula em inglês. Com efeito.. mesmo como está. o ocultista será levado. sem sombra de acento estrangeiro e com todas as modulações e acentuações peculiares à mesma língua. R. fica por interpretar-se o fato extraordinário de Ninfa Filiberto substituir improvisadamente o próprio dialeto materno por uma língua estrangeira. R. por conseguinte. Thompson (Proceedings of the S.” Assim se pronunciou o Doutor Hahn. desde que se tenha em conta os testemunhos dos dois senhores ingleses que conversaram longamente com a Filiberto e os dos outros seis senhores de Palermo.) Tenho para mim. resulta concludente. que foram convidados a assistir à experiência. esse acha. haver a sonâmbula conversado longo tempo com elas. vol. que testemunhando oito pessoas. Sem dúvida. tanto da parte da enferma quanto das pessoas que a cercavam. que. pois. que ela nunca ouviu falar e que fala desembaraçadamente.. mesmo do ponto de vista científico. à falta de particularidades. como se fosse a sua própria língua. com absoluta correção. XVII. que teriam momentaneamente encarnado na paciente sonambúlica. sem nunca incorrer em erro de construção gramatical.Nessas condições. o caso teria assumido outro valor teórico. com inata espontaneidade. Caso 3 – No interessante relato do Doutor. unanimemente. van Eeden acerca das experiências a que procedeu com a célebre médium Mrs. P. P. exprimindo-se em excelente inglês.

Desde aquele dia. Apresentara-se um amigo do Doutor van Eeden. De todo modo. como prometera. Por alguns minutos – mas apenas por alguns minutos – tive a impressão indubitável de conversar com o meu amigo em pessoa. E tudo isso era tão es- . quando. Naquele dia. um episódio se contém de xenoglossia. Além disso. que tentara suicidar-se golpeando profundamente o pescoço. Thompson. porém. aquela foi atacada de idêntica forma de rouquidão e da mesma tosse característica que o atormentava. o defunto tentou. o de algumas circunstâncias concomitantes. sua voz conservou-se rouca e alterada e uma tosse característica o afligia constantemente. que parecia emanar da sua pessoa. em vez de servir-se do Espírito-guia Nelly para transmitir seus pensamentos. Thompson. consistente apenas em poucas palavras proferidas em língua holandesa pela entidade que se comunicava. o semblante da médium e a sua mímica exprimiam o imenso júbilo que o meu amigo experimentava por havermos chegado a compreender-nos em nossa língua. aconteceu que. palavras essas. porém. que se combinam com o fato de a aludida entidade haver sempre compreendido as perguntas que o Doutor van Eeden lhe dirigia naquela língua. sempre corretamente. ele tentou falar diretamente ao amigo apossando-se da laringe da médium. o chamado Espírito-guia de Mrs. Socorrido a tempo. Falava-lhe em holandês e ele imediatamente respondia.que foi quem conduziu Myers às suas convicções espíritas. “controlar” ele próprio a médium (sirvome também eu do termo técnico em uso) e então impressionantes se tornaram as provas de identidade fornecidas. todas as informações a respeito me vinham por intermédio de “Nelly”. a presença real do defunto que se manifestava. Ao mesmo tempo. por conseguinte. que tenderiam a provar a genuinidade do estado de possessão mediúnica e. Ora. O narrador resume os fatos da maneira seguinte: “Até 7 de junho. Mrs. quando despertou. o episódio parece altamente sugestivo de outro ponto de vista. foi-lhe posto na ferida um tampão de gaze embebida em “iodofórmio” e ele se curou. nas experiências com Mrs. Thompson queixou-se de um cheiro de “clorofórmio”. porém.

de forma inesperada. Notável é o fato de que essa pronúncia fonética da palavra difere muito do modo pelo qual a pronunciaria um inglês que a lesse. mas apenas algumas palavras que. pois tende a provar a realidade do tríplice processo de transmissão aqui . é exatamente assim que ele a pronunciaria se a ouvisse e quisesse repetila. por exemplo.. o defunto que se comunicava não chegou a manter constantemente o “controle” do médium. para fazer que o amigo compreendesse estar ele encontrando insuperáveis dificuldades no servir-se do cérebro e da laringe da médium a fim de transmitir seus pensamentos.. entretanto. o que tornou necessária a intervenção amiudada do Espíritoguia “Nelly”. como não chegou a pronunciar frases inteiras em idioma holandês. por exemplo. mas verdadeiros. os que se referiam a um tio seu numa sessão precedente – me eram totalmente desconhecidos. Depois.. entretanto. a repetir foneticamente os nomes holandeses de pessoas e de localidades que a entidade do defunto inutilmente procurava descrever. Pois bem: essas repetições fonéticas de palavras incompreendidas por quem as pronunciava resultam teoricamente mais conclusivas do que se a transmissão se efetuasse diretamente. tão vívido.pontâneo. entrou ele a proferir palavras holandesas e me comunicou pormenores que bem longe estavam do meu pensamento.” Assim falou o Doutor van Eeden. Assim. “Criuysbergen” (antigo nome da localidade onde resido e que ora se denomina Walden).. Todavia..” Como se vê. Criuswergen?” O Doutor van Eeden comenta: “É essa a pronúncia quase exata da palavra. conforme verifiquei por meio de posterior inquirição. trata-se de uma questão fonética que. mesmo na sessão de que se trata. alguns dos quais – como. assume alto valor teórico.. na sua aparente insignificância. “Nelly” pergunta: “– Que quer dizer Wuitsbergen. O defunto se esforçava. por meio de gestos. que não se poderia adstringir a um fenômeno de representação subconsciente. tiveram o eloqüente significado de uma identificação pessoal.

desde que seja considerado em relação às circunstâncias concomitantes.considerado e. portanto. do ponto de vista em que nos colocamos. não podia estar pensando num pormenor que não presenciara e . repito. o caso em apreço. a presença real do defunto que se comunicava. adquire valor. porém apenas chegou a traçar um nome holandês: “Wedstruden”. Como quer que seja. a palpar nervosamente o pescoço com a mão. O defunto que se comunicava conseguiu transmitir algumas outras palavras holandesas. a mesma entidade se esforçou para escrever com a mão do médium. durante o qual Mrs. Seguiu-se longo intervalo de silêncio. que provavelmente pensava neles e que. se tal coisa se pode alegar quanto às particularidades concernentes à rouquidão crônica e à tosse característica de que padecera o defunto. que. por conseguinte. Durante a sessão. como já foi dito. A este propósito. não logrou formular frases e a circunstância mais importante. farei notar que o Doutor van Eeden não assistiu o amigo. é a do mesmo defunto compreender sempre as perguntas que os experimentadores lhe dirigiam em língua holandesa. Thompson parecia agitadíssima. a médium lhe apreendeu o pensamento. Poder-se-ia naturalmente objetar que o experimentador conhecia os particulares da questão. pois. é fora de dúvida que não podia reproduzir essas particularidades episódicas. quando da sua tentativa de suicídio. bem difícil será sustentá-lo com relação à particularidade eloqüente de a médium perceber cheiro de clorofórmio. qual a da médium ressentir em si própria os sintomas e a enfermidade que afligiram o defunto depois da sua tentativa de suicídio. mas. que revestia alto significado probante. Ignorando a médium a existência do defunto de que se tratava. em correspondência com o fato de ter sido posto na garganta do suicida um tampão de gaze embebida em “iodofórmio”. Mas. demonstrando ao mesmo tempo o júbilo que sentia por ouvir falar a sua língua nativa. nada relevante em si mesmo como exemplo de xenoglossia. mediante o fenômeno de fazer emergir da sua subconsciência pormenores conhecidos e depois olvidados (criptomnésia).

que as percebe por meio da clariaudiência e foneticamente as repete a um estenógrafo. as particularidades com que se desenvolveu um episódio trágico de suas existências terrenas e. dizem os defuntos. às vezes. sentimentos e particularidades que quase sempre entendem com a crise pré-agônica e. um . o que faz que no seu sensório automaticamente se reavivem os sentimentos emocionais e as particularidades que se produziram na última crise trágica da sua existência planetária. Refiro-me ao conhecido escritor e jornalista norte-americano William Dudley Pelley. tal qual se dera. Este. nos dias que se seguiram àquela tentativa. fala-se de transmissão fonética de palavras que a personalidade mediúnica não compreendia. o Espírito volve. de maneira realista. Caso 4 – No precedente episódio. a pêlo referir outro caso análogo e recentíssimo. só acontece nas primeiras tentativas que faz para manifestar-se daquela forma. que quando se acha imerso na “aura” vitalizante do médium. pois que ele rapidamente adquire suficiente poder de inibição. o defunto não pode evitar a transmissão daquelas emoções e particularidades ao médium. ao demais. com a médium. com algum momento dramático pelo qual passou ele no derradeiro período da sua vida. como explicação. com o título Sete minutos na Eternidade. Sobre este ponto. Isso. a crise por que passaram na hora da agonia. que somente difere do anterior por não ser uma personalidade mediúnica quem recebe e transmite foneticamente as palavras e sim o próprio “sensitivo”. ainda mais freqüentemente. ocorre quase sempre nas experiências com médiuns de “encarnação” (incorporação. Daí resulta que. às condições terrestres. vem. dizemos nós). que de súbito se tornou célebre por haver publicado. de modo reflexo. De um ponto de vista genérico. por efeito da momentânea possessão mediúnica. muito incomodado se há de ter sentido com o odor desagradável que emanava da gaze do tampão que lhe fora colocado na garganta.que. uma vez que devia constituir recordação bastante penosa e vivaz para a mentalidade do defunto. porém. portanto. por instantes. ou de “possessão”. não era de molde a interessá-lo. observarei que a circunstância de os defuntos que se comunicam reproduzirem.

entretanto. novas e prodigiosas faculdades. a esse respeito. Pelley jamais se ocupara com pesquisas psíquicas e não queria saber de publicar o que lhe sucedera. com ele próprio ocorrido. para onde se retirara em busca da quietude necessária à elaboração de um livro. com o objetivo de confutar os ultradoutos comentários que fisiologistas e psiquiatras haviam tecido em torno do seu caso. mas que nada tem de extraordinário. refere um episódio de clariaudiência. pois. para mim. mas que. assim física. comentários que concluíam unanimemente por considerar o ocorrido como uma conseqüência do abuso de drogas e de tabaco.” Entre as novas faculdades que ele adquirira. Foi o diretor do American Magazine quem conseguiu vencer-lhe a resistência. de certo modo.volumezinho em que relata um caso interessante. Este. que as alucinações patológicas não conferem o dom de faculdades supranormais permanentes a quem a elas . não é o momento de discutirmos isso. receando ser tomado por espiritista e ficar com a sua reputação literária comprometida. eram reais. registrou ele: “Não mais me sentia o homem que antes era. que não posso esperar descrever de maneira perceptível a quem ainda não as experimentou. que os modernos fisiologistas e psiquiatras expliquem o meu caso por meio da cômoda teoria da alucinação. Acerca do estado de ânimo em que se achou ao despertar. permito-me observar. 40). porém. como a mão com que escrevo. Além disso. por meio da qual continuou a manter-se em relação com as personalidades espirituais com quem conversara durante os “sete minutos passados na eternidade” e. Nada obstante. adquirido sentidos novos. no seu volumezinho (pág. em um casebre perdido nas montanhas da Califórnia. contava-se a da “clariaudiência”. como mental e espiritualmente. Ele responde ponderando: “Deixemos. tinha consciência de haver. O que ele diz ter visto no mundo espiritual concorda em absoluto com o que já por mais de cem vezes descreveram várias personalidades de defuntos. induzindo-o a escrever para essa revista uma narrativa do que lhe havia acontecido.

Defronte de mim estava a estenógrafa.. como eu lhas ditava. palavras que. dedico duas ou três horas da noite a essas lições que me chegam dos espaços sem dimensão.se acha sujeito e. Já tomei nota de respostas em que as palavras ultrapassam de dez mil e versam sobre os mais árduos aspectos das ciências físicas. cosmológicas e metalúrgicas. ainda menos. Doze páginas foram escritas nessa linguagem misteriosa. Vocábulo por vocábulo. da estranha língua. ótimos. que nem sempre me encontro em condições de sintonizar a minha mentalidade com as mentalidades e as vibrações das “vozes” dos que existem num ambiente espiritual. O meu “Rádio” mental despertou de maneira tão prodigiosa. pois que se referia às condições em que hodiernamente se debate a civilização mundial. falando em língua que eu não conhecia. sem cair jamais em sono.. Isso considerando e na expectativa de que os meus doutos censores se apressem a classificar também estes admiráveis ensinamentos entre as “inépcias” propinadas como parvoíces da “subconsciência”. as palavras. ela as escreveu foneticamente. donde o me ser possível conversar por conta própria com defuntos. submeto-lhes o caso seguinte: Depois de conversar longo tempo com uma Grande Mente. que eu claramente percebia. lhe ia repetindo. põem os vivos em condições de entrarem em comunicação com defuntos. Advertiu-se-me de que a mensagem fora . uma outra voz se fez ouvir. Por três ou quatro vezes na semana. ou por conta de terceiros. em escrita ordinária. preciosíssimos ensinamentos. tive ocasião de submeter a mensagem a um douto filólogo. Decorridas algumas semanas. que já não é deste mundo. para isso. que verificou existir nela mais de um milhar de palavras em puro sânscrito. como se estes se achassem mais vivos do que nunca. a quem pedi taquigrafasse foneticamente. Era interessantíssimo o seu conteúdo. tendo o cuidado de grafá-las de modo a poderem ser lidas exatamente como eu as pronunciava. Aproveito essa circunstância para dirigir aos defuntos importantes questões de toda espécie e colher inteligíveis.

dada em língua sânscrita para refutar as teorias de muitos doutos superficiais que se deleitam em explicar estas manifestações. que não podem ser vencidos. domina. porque uma grande lei. também. doravante.” Este o interessante caso de xenoglossia ocorrido pessoalmente com o narrador. Por força dessa lei. para a elucidação dos fenômenos de xenoglossia. os termos “subconsciência humana” e “onisciência divina” se equivalem. . deveram. praticamente. conduzir a reconhecer-se o fato da intervenção de personalidades espirituais nas manifestações mediúnicas. percebidas e transmitidas foneticamente pelo médium. providencial talvez. racionalmente. de inércia mental. Caso 5 – Citarei um terceiro exemplo de palavras de língua ignorada. comprimem à viva força tudo o que não chegam a explicar por outra maneira. esses conhecimentos se tornam a tal ponto radicados e tenazes. que com persistência se renovam há oitenta anos.. respondo que recentemente tive de me submeter a dois exames médicos rigorosíssimos. constringem. palavra mágica aquela. deveram racionalmente bastar a eliminar para sempre aquela hipótese de que tanto se tem abusado. nem mesmo pelos fatos.. Sem dúvida. caso do qual se verifica que a entidade comunicante foi induzida a ditar a mensagem em língua sânscrita com o intuito de preventivamente excluir a hipótese do subconsciente. Em conseqüência. as provas da ordem desta. ainda por muito tempo. Daí se segue que. de tal modo que. presumivelmente. Quanto às insinuações de que eu. haverá homens de ciência que se apegarão à palavra “subconsciência”. denominando-as o “subconsciente”. que se pode comparar a uma grande sacola em que os pegadores da sobrevivência enfiam. Só por obra do tempo chegam a ser abalados e isso unicamente pelo sucederem-se no certame científico novas gerações de pensadores. assim não é. Mas. contáveis entre as mais portentosas da natureza. e fui dado como fisicamente perfeito. no sentido misoneísta. governa as aquisições evolutivas do pensamento humano. para um “seguro de vida”. quando um grupo de conhecimentos quaisquer se organizou solidamente na mentalidade humana. abuso de drogas e do tabaco.

era um rico e muito culto gentil-homem. R. para uma justa apreciação do caso bastante complexo de que me proponho narrar. nem mesmo ele seria capaz de responder. refere-se nestes termos às origens da mediunidade de Turvey: “Foi depois da sua última e gravíssima enfermidade que Turvey adquiriu a faculdade de ver coisas invisíveis e de perceber sons inaudíveis. ele solicitava dos experimentadores breves relatos dos fatos. caso houvesse continuado a gozar de boa saúde. Para a avaliação do caso. provavelmente. Resta. bem poucos serão os que desejem vir a sê-lo”. repito o que já tive de ponderar noutra circunstância. consciente do seu fim próximo. deve reconhecerse que se a ruína da saúde é o preço que se tem de pagar para tornar-se “vidente”. 490-516). . o que faz presumir que o grosseiro revestimento carnal em que se achavam envolvidos os sentidos espirituais de sua alma foi perfurado por um mal que lhe prostrara para sempre as forças físicas. P. Acrescentarei que era grande amigo de William Stead e do professor Hyslop. correspondência que o primeiro publicou no Journal of the American S. os quais acompanhavam com vivo interesse o desenvolvimento fenomênico de sua mediunidade. o que empresta valor científico ao volume em questão. saber se o amigo Turvey teria possuído o dom das faculdades supranormais. relatos de que se valeu no próprio livro como documentação testemunhal dos fenômenos expostos. A tal questão. 36).Tomo-o ao livro notabilíssimo de Vincent Turvey: The Beginings of Seership (pág. Pareceu-me necessário adiantar o que fica exposto. prefaciando o livro de que se trata (pág. pois. morto de tuberculose ainda jovem. Vincent Turvey. págs. a cujo respeito trocaram uma correspondência altamente instrutiva o professor Hyslop e o próprio Turvey. (1912. a propósito da personalidade do autor. perseverou até ao último momento no exercício gratuito de suas faculdades mediúnicas ao serviço da causa. Sempre que se produziam fenômenos importantes. William Stead. 127). Como quer que seja. que.

interpretação esta que se nos afigura confirmada por uma outra frase que o fantasma proferiu na manifestação que se segue). que parecia irreparavelmente arruinado. Os documentos respeitantes ao caso de que ela trata se acham em poder do diretor da revista – Sr. que as soubesse interpretar. Turvey não refletiu que em tais palavras. fui novamente visitado pelo mesmo “Guru”. acompanhado de outro majestoso fantasma de oriental. Persuadi-me. Identificação de um “Espírito” de oriental Egrégio Senhor Diretor. o que torna ocioso reproduzi-los aqui. a Light publicou a seguinte carta minha. pois. Por amor à brevidade chamaremos a este Espírito um “Guru” (preceptor). Em abril de 1907. tórax amplo. simbolicamente formulada. ao contrário do que ele supôs. traduzindo-as. pedindo a qualquer de seus leitores. um cultor de línguas orientais respondeu que as palavras acima citadas significavam: “Ó homem. conforme ao uso oriental. apareceu-me um fantasma de oriental e proferiu algumas palavras em língua que me era totalmente desconhecida. Com grata surpresa para mim. me facultasse. se bem resultasse inconcludente o significado daquelas palavras em língua autenticamente oriental. o meio de verificar se a visão que eu tivera fora mais do que simples ilusão.Narra Turvey: “Em data de 25 de setembro de 1909. que não me iludira com a visão que tivera. magnificamente conformado. cuida da tua veste (ou invólucro)”. Dawson Rogers – conforme a nota abaixo. Em data de 7 de outubro de 1905. visto que o termo “invólucro” podia referir-se ao “envoltório do seu Espírito”. carnação tão clara quanto à . haveria uma advertência. reproduzi na sua revista aquelas palavras (Omar tu chuddar). ou seja: ao seu “corpo carnal”. (Aqui. acrescentando que parecia terem sido empregadas com o intuito de atrair a atenção de alguém para uma peça de vestuário que estivesse no chão. com seis pés de altura. Em setembro de 1905.

foneticamente. pôs-se a falar do “Mestre”. percebendo-o na saleta. cujo nome não posso informar por motivos de emprego e de família. reconheceu o “Mestre” mediante a descrição que eu dele fizera e a adição de alguns pormenores complementares que forneci. maravilhada: “Ó que belo homem!” Doutra feita. A 23 de agosto.de um inglês bronzeado. a mesma pessoa. no dia 18 de agosto de 1909. Trazia a barba toda. longa e branca. o “Mestre” me apareceu outras vezes. Este último dirigiu ao “Guru”. Aludia ao estado de minha saúde: “Nele ainda há vitalidade animal”. relatei na Light a visão. achando-se. Porém. Em data de 6 de abril. em minha casa a médium vidente Miss Mac Creadie que. repetindo eu. quase dois anos e meio depois da descrição minuciosa que do fantasma eu publicara na Light. dizendo: “Ele se me manifesta raramente e desconfio que frustradas ficarão as suas esperanças. ao meu hóspede as palavras que pronunciavam. o “Mestre” se manifestou juntamente com o “Guru” e ambos me falaram em seu idioma. até esse ponto. Como quer que seja. Declarou-me a aludida personagem que era filho de um sobrinho do “mestre” e que este fora um grande cabo militar. em língua oriental.” Pois bem: ao contrário disso. depois de uma hora de música. Muito espantado me achei ao verificar que o que eu repetia o meu hóspede compreendia imediatamente e que o significado de algumas pa- . e sobre o peito lhe brilhava um símbolo místico. exclamou. com quem casualmente me encontrara a bordo de um paquete. uma personagem oriental. foi um amigo meu quem o viu ao meu lado. Chamar-lhe-emos o “Mestre”. ainda muito venerado pelos seus concidadãos. Porque – perguntava eu a mim mesmo – me aparecem estes fantasmas de orientais? Será porque me encontro em estado de poder morrer de um momento para outro? Após essa primeira visita. de uma delas (agosto de 1908). jantou em minha casa e. isto é. não havia provas concludentes que demonstrassem não se tratar de uma “objetivação ilusória”. uma frase que guardei foneticamente e que um coronel anglo-indiano traduziu.

Lembro aqui que.. deu informações minudentes e corretíssimas acerca de outro parente. Além disso. de ordem puramente complementar é o valor dessas . na minha carta publicada pela Light (7 de outubro de 1905). uma vez que a descrição do fantasma. e isto é o que teoricamente há de mais importante. Acresce que me informou de que o costume com que o seu antepassado me aparece corresponde em tudo ao de que se usava há dois séculos nas Índias muçulmanas.. antes de 18 de agosto de 1909. finalmente... a não ser o inglês e um pouco de francês. que lhes repetia foneticamente as palavras ao meu hóspede. como já foi dito. Informou que tinha sido pupilo do filho do “Mestre” e que este era bisavô do meu hóspede.. é apenas uma amostra das multiformes manifestações de fantasmas. caso que.. pela clariaudiência. e que ela jamais ouvira falar de mim. o dialeto indiano que os fantasmas falavam. Repito. o “Guru” informou o seu nome.lavras correspondia perfeitamente às circunstâncias. Considero este caso capaz de “esmigalhar” a hipótese telepática. notáveis foram as provas de identidade pessoal que forneceram os dois fantasmas vistos por Turvey. também. o posto que aquele ocupa no exército de seu país. designando. Melhor ainda. se lhe revelara em seguida a gravíssima enfermidade. eu declarara que não conhecia outra língua. que se produziam pela sua mediunidade.” Tal o caso curioso e interessante que Turvey refere. conservando-me plenamente consciente. por mim publicada na Light há dois anos e meio. Acrescentou que seus concidadãos ainda veneravam o túmulo do “Mestre” e que tanto este como o “Guru” continuavam lembrados em toda a Índia muçulmana. Porém. com palavras orientais. ainda vivo... do “Mestre”. Como se terá observado. entretanto. não foi lida nem identificada pela personagem de que se trata. que percebia. de que lhe resultara o deslocamento do coração e dos pulmões. indicou o lugar em que derrotara as tropas inglesas. com a conseqüente ruína da saúde e a morte inexorável a breve termo. acrescentando que seu corpo fora ali sepultado. Esta.

os fantasmas que eu via começaram a falar-me em múltiplas linguagens de mim desconhecidas. se não são espíritos. sendo digno de nota o fato de que. uma vez que a própria pergunta. derivando logicamente dos fatos expostos. A esse respeito. o persa. deste fato tríplice: haverem eles. em três ocasiões diversas. quando o que eu considerava “gíria balda de sentido” me foi traduzido como sendo sucessivamente o hindu.. o que disseram nesse dialeto e o médium transmitiu ou repetiu foneticamente correspondia ao dialeto que se falava na província de onde eles se declararam naturais. irrefutável. ao demais. até dez idiomas dos quais eu nada sabia. que hão de ser?” (pág. falado no seu dialeto índio-muçulmano. essas línguas eram orientais. Considere-se. não serve para eliminar apenas a hipótese da “memória . 223. então. tanto mais que nem sequer a fantástica hipótese da “memória ancestral” se lhe poderia aplicar. porém.. observa Turvey: “Houve tempo em que atribuí o fato de eu ver os “espíritos” a causas muito diversas da manifestação de defuntos. por três vezes ter-se comprovado que. que os casos de xenoglossia ocorridos com esse médium não se limitaram aos em que o dialeto mencionado acima foi o empregado. disse de mim para comigo: “Eis aqui uma coisa que não posso atribuir a objetivações alucinatórias e. no mesmo sentido. quase sempre. pois que ele ouviu e repetiu foneticamente frases e conversações em dez línguas diferentes. em confronto com a que. o árabe.provas. Quando. estar tudo o que disseram em absoluta conformidade com a circunstância de se manifestarem aos vivos.) Parece-me que mil razões assistiam a Turvey para concluir por essa interrogação. portanto. naturais daquela província onde se falava o dialeto que ele percebeu por clariaudiência.. etc. visto que ninguém ousará sustentar seriamente que no rol dos antepassados de Alfredo Turvey se contem índio-muçulmanos. tendo por escopo produzirem uma identificação pessoal. Deve. que se reconheceram autênticas. concluir-se que o caso em apreço merece incluído entre os ótimos exemplos de verdadeira e real xenoglossia. o sikh. a que ninguém nunca poderá responder. resultou.

Que. as 7:50 (Mervington Road). Trata-se. 2. Que a ninguém falara do meu intento de ir a uma sessão mediúnica. que me eram totalmente desconhecidas.” Deixo de reproduzir a primeira manifestação. narra como lhe sucedeu vir a ocupar-se com pesquisas mediúnicas. mediante a intervenção dos defuntos nas manifestações mediúnicas. Que havia três anos eu não passava por Londres e que nunca pusera os pés no subúrbio onde residia Peters. obtida pela princesa Karadja. observa: “Antes de narrar o que se passou nessa primeira sessão mediúnica. A princesa Maria Karadja. preciso declarar: 1. Ninguém me dirigiu a palavra e eu me sentei sem pronunciar uma sílaba. de uma frase teoricamente conclusiva. 4. por uma revista. Achava-se de passagem em Londres e lhe aconteceu ler numa revista espírita que um médium clarividente. a propósito. mas todas as hipóteses. de Estocolmo. porquanto própria a caracterizar uma pessoa defunta. gentil dama que há trinta anos era conhecidíssima nos meios metapsiquistas. fui introduzida numa saleta onde já se encontravam cerca de dez pessoas. Extraio-o do Compte Rendu du Congrès Spirite de 1890 (pág. recebia todas as quartas-feiras. Continuando. donde resulta impossível que Peters haja podido adivinhar a minha nacionalidade pela maneira por que me exprimia em inglês. Caso 6 – Constitui o seguinte caso uma única frase em língua ignorada (o sueco). 3. que pudesse ter anunciado ao médium a minha visita. porque ela exorbita do nosso tema. Chegando à casa do médium. Que falo o inglês como se fora inglesa. porém. interessantíssima. exceto a que racionalmente explica os mesmos fatos.ancestral”. chamado Alfred Peters. diz ela: . foi que tive conhecimento do endereço de Peters. que o médium não conhecera. e não por uma pessoa. 230). Decidiu-se a procurá-lo e.

” Ponderei que devia haver erro na transmissão. hoje desaparecido. Ela. Falou-lhe o dito “pele-vermelha” no seu próprio dialeto indiano. quando moço. num subúrbio de Londres. estas palavras: “Ajuda também tu a mulher sueca. Peters calou-se de novo.” Fiquei muda de espanto. o médium. Certa vez. ouvi-o falar em diversos idiomas vivos e mortos. É que não se trata de . portanto. com grande esforço. porquanto eu jamais conhecera pessoa alguma com esse nome. uma mensagem. em seguida.” Até aqui a princesa Karadja. o incidente de xenoglossia contido no episódio acima exposto pode considerarse teoricamente conclusivo. presente um coronel britânico. de responder que não o conhecia. juntamente com a respectiva tribo. depois acrescentou: “Ela me diz que se chama Brêmer. com grande surpresa minha. Fredrica Brêmer era uma escritora sueca. que aquele oficial. para mim. lentamente articulou. contendo uma exortação literalmente característica da mulher filantrópica e generosa que se me manifestara.” E minuciosamente mo descreveu. porém.” Algo havia nisto. ardorosa propagandista da regeneração da Humanidade. de maravilhoso! Estou absolutamente certa de que o médium ignorava por completo que Fredrica Brêmer existira. seria a última pessoa que eu pudera imaginar se me manifestasse. Como ficou dito. entretanto. O médium calou-se por instantes. A maior parte da minha vida eu a passara no estrangeiro e nunca me interessara por Fredrica Brêmer. nem pela sua nobre existência.“Após um intervalo de silêncio. Tive. na minha língua materna. dizendo: “Vejo agora ao seu lado um espírito feminino. volveu o médium a falar. recebia eu. em língua sueca. De outras ocasiões. manifestou-se um chefe de tribo dos “pele-vermelha”. Aditarei que o “falar em língua que ele ignora” constitui dom extraordinário do médium Peters. grande filantropa. De súbito. noutro timbre de voz. disse: “Fred-ri-ca Brê-mer. não obstante constar de uma única frase em língua que o médium ignorava. conhecera.

escreveu o seguinte ao diretor daquela revista: “Não sou espiritista. também certamente nunca me vira. Não pode. Trata-se de um episódio que merece considerado. ministro plenipotenciário da Sérvia em Londres. representa empresa tão impossível. por seu lado. no caso em exame. nem razão alguma há para supor-se que tenha sido informado a meu respeito. de modo notabilíssimo. mas estou decisivamente no caminho que conduz a sê-lo. para. Importa ainda considerar-se que. explica que alguns espiritistas húngaros lhe escreveram. mas de uma frase onde se nos depara um conceito que caracteriza a pessoa defunta que se comunicava. modestamente respondeu que algumas vezes o conse- . a meu mau grado. Caso 7 – Tomo-o à Light (1908.uma simples frase convencional. concorrem a reforçar. 136). como também nada sabia da existência da defunta comunicante. ou que haja podido adivinhar. deixar de ser original. o que equivale a dizer-se. se possível fosse. facilmente guardada de memória e repetida papagaiadamente. Jamais o vira e ele. circunstâncias essas que. pedindo procurasse um reputado médium de Londres. o médium não só desconhecia a consultante e lhe ignorava a nacionalidade.. dotado de notáveis faculdades mediúnicas. a par das outras já invocadas. pág.) Exatamente por aqueles dias – continua o conde – minha mulher lera qualquer coisa sobre um certo Vango.. O Conde Chedo Mijatovich. pensada no momento. o valor teórico do incidente de que se cogita. é manifesto que combinar quem quer que seja uma frase original qualquer. e participei. tendo-se em vista o cargo diplomático que exercia quem o relatou. pelo que fui procurá-lo. de uma experiência pessoal que me considero no dever de tornar pública. portanto. numa língua que totalmente ignore. como combinar um discurso inteiro. comunicar-se com um amigo soberano da Sérvia e consultá-lo sobre determinado assunto. Ao perguntar-lhe se podia pôr-se em comunicação com o espírito em quem eu estava pensando. (Neste ponto. Ora.

etc. para chegar à primeira. freqüentemente se manifestavam espíritos não solicitados pelos experimentadores. mas nem sempre. significam: “Peço-te o favor de escrever a minha mãe Natália. para me convencer da identidade do espírito comunicante. Depois.” Compreendi.” . ri. Exprimese. ao menos. dizendo-lhe que imploro o seu perdão.” Aludia a um conselho confidencial que eu lhe dera dois anos antes do seu assassínio. tê-la-ia tido. a começar da última de cada palavra. ao que ele prontamente atendeu: “Ó é horrível! tem o corpo crivado de feridas. adormeceu e assim falou: “Está presente o espírito de um moço que parece em ânsias para lhe falar. com grande espanto meu. com relação a certo monumento que se ia erigir e às medidas políticas que a propósito deviam tomarse. liyi. ouvindo ao médium: “O espírito deseja dizer-lhe que deplora amargamente não ter seguido o seu conselho. repetisse uma só das palavras proferida pela entidade presente.” O soberano sérvio sobre quem eu concentrava o pensamento morrera no ano 1350 em idade madura. Nataliyi. teri. moyoy. porém. traduzidas. numa língua que não conheço. te. e que. Respondeu-me que ia tentar. ao contrário. molim. conselho que ele julgara intempestivo no momento e só utilizável no começo de 1904. yoy. Solicitei então ao Sr. as quais. Em todo caso. naturalmente. colocou-se à minha disposição e me pediu concentrasse o pensamento no espírito cuja vinda eu desejava. Vango repetiu as palavras sérvias de maneira bastante característica. começou a soletrar lentamente as seguintes palavras em língua sérvia: Molim vas pishite moyoy materi Nataliyi da ye molim da mi oprosti. atentamente à escuta. Curioso. shite.” Se necessária fosse outra prova. Devo acrescentar que o Sr. que era o espírito do jovem rei Alexandre. Vango que me descrevesse o aspecto da entidade. inclinou o busto para a parede defronte da qual se achava sentado numa poltrona e assim permaneceu. Assim: “Lim. Isto dizendo. pishite. fiquei de saber quem fosse aquele espírito jovem que ansiava por me falar e pedi ao médium que. articulando sílaba por silaba. materi. Pouco depois. pois.guia.

numerosos exemplos se contam de “escrita pelo espelho”. no caso de xenoglossia que apreciamos. Portanto. ali. e mesmo inexplicável. é de notar-se que a personalidade do defunto que se manifestou forneceu algumas excelentes provas de identidade. consistindo no escrever o médium as palavras em sentido contrário.” (Assinado: Chedo Mijatovich. na ocasião. ansioso por pedir à sua mãe perdão de não ter seguido. o que obriga o experimentador a ler refletida num espelho a mensagem. Além disso. o fenômeno de xenoglossia parece indubitável e. não podendo ser explicado por nenhuma hipótese naturalística. entretanto. as palavras que ia percebendo por meio da clariaudiência. haver repelido desdenhosamente o seu conselho.Como publico o fato no interesse da verdade. antes de tudo. em lugar dessa. absolutamente não pensava. verdadeiramente curioso se revela. obriga logicamente a admitir-se a intervenção espiritual. por efeito de sugestão transmitida telepaticamente do consultante ao médium. uma outra se manifestou. Nas experiências de psicografia. antes. é o fato de o médium repetir. cumpre. numa importante conjuntura de política interna. o que afasta a hipótese das personificações subconscientes. ora ministro plenipotenciário da Sérvia na Corte de St. O que. pois que se tratava da língua Sérvia. ex-enviado extraordinário. isto se explica pela inversão das correntes nervosas nos centros motores . principalmente quando deplorou não haver seguido o conselho que lhe dera o consulente. SW. não se fazem necessárias atestações especiais que garantam ignorar completamente o médium a língua cujas palavras repetia foneticamente. do jovem rei da Sérvia. com o que provocou a conspiração militar de que veio a ser vítima. Psicologicamente.) Neste caso. não hesito em afirmar esta com o meu nome e o meu cargo. articulando em sentido inverso as sílabas. acentuar que o conde Chedo Mijatovich concentrara o pensamento numa determinada entidade de defunto e que. Por fim. James – Radicliffe Gardens. em quem ele. 39 – Londres.

Sendo um caso que todos conhecem. revive a paixão do Cristo e profere frases e palavras em língua Aramaica. de ardente fé religiosa. na Baviera. Durante a crise dos estigmas. Eis aqui uma amostra das frases ou palavras que a extática há pronunciado no curso da crise dos estigmas: – “Salabu” (Crucificado) – “Jehudajé” (Judeu) – “Schlama Rabbuni” (Eu te saúdo Mestre. dado que a causa determinante do mesmo fenômeno se conserva psicologicamente inexplicável. a estigmatizada de Konnersreuth. – Estas foram as palavras que Jesus proferiu no Jardim das Oliveiras) – “Magera baisebua Jannaba. é uma rapariga simples. limitar-me-ei a resumirlhe a parte que nos interessa.) . no original. que pronunciou palavras e frases em língua Aramaica. de que o fenômeno da inversão das sílabas foi obra da cerebração inconsciente do médium e é tudo o que se pode afirmar com segurança.da linguagem escrita. pois. Nota a propósito o Doutor Weseley que o Arameu era de fato o idioma que Jesus habitualmente falava e não o Hebraico. o que quer dizer na língua de Jesus. estas as palavras que os apóstolos proferiram. citaram as palavras do Mestre em Arameu. a ponto de ser impossível reconstituí-la com fidelidade. Jannaba magera baisebua!” (Segundo a extática. para a inversão das sílabas. Deixo de aludir ao infortúnio que a pôs enferma. inclusive as que ele pronunciou na Cruz. Teresa Neumann é filha de um alfaiate de Konnersreuth. Acrescenta que os Evangelhos. Caso 8 – Encerro a primeira categoria da presente classificação citando o caso recentíssimo de Teresa Neumann. às suas visões de Santa Teresa e ao fenômeno dos estigmas. Tem atualmente trinta anos e. língua esta hoje inteiramente morta. fora absurdo presumir-se que o defunto se exprimisse dessa maneira. nem o Grego. tal explicação não colhe. Por outro lado. que lhe apareceram pela primeira vez na semana santa de 1926. no estado normal. mas. quando Jesus foi traído. de gênio alegre. Nenhuma dúvida há.

e que tenha podido empregar uma palavra Arameia com que eles não contavam. será pura idiotice. é altamente sugestiva esta substituição de palavras. então.” Respondeu ela: “Repeti as palavras que me disseram. . donde haverá Teresa tirado a inesperada e correta palavra “Asche”? É um enigma que por nenhuma forma de sugestão se pode resolver. assim como ao de uma sentença completa em Arameu.” Perplexo e duvidoso.” E.) – “Amen Amarna lach bjani atte emi b’ pardesa. entre elas a exclamação: “As-che!” (Tenho sede. – Palavras que Jesus dirigiu ao bom ladrão. que a estigmatizada enunciou e que os eruditos que a ouviam ignoravam completamente.” Doutra feita.” (Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. a seu turno. todos aqueles orientalistas declararam que teriam enunciado esse pensamento por meio da palavra “sachena!”. porquanto ninguém a tinha em mente. Observou então à extática: “Teresa isto não é possível. As palavras que disseste não são Arameu. se bem absolutamente correta. ouviu-a pronunciar uma frase Arameia que não lhe pareceu correta. Presumir que a rapariga pôde ler um pensamento que. em momento algum. se concretizara na mente do Professor Wutz. que é notável orientalista. a registrar diligentemente as palavras que ela ia proferindo.) Noutra ocasião. fato que o doutor Punder assinala. perdoa-lhes. Ora.” (Pai. na Cruz. exclamando: “Mas. referindo-se a esse incidente. o Doutor Weseley. aquele doutor se deu pressa a consultar documentos Arameus e num dos mais antigos dicionários desse idioma deparou com uma frase idêntica à que a moça pronunciara. estando a seu lado o Doutor Wutz.– “Abba shabock lá hon. a estigmatizada ouviu de novo as palavras ditas pelo Mestre na Cruz. nem na dos outros. em que diversos orientalistas eminentes a cercavam. – Palavras ditas pelo Cristo.) Concordes. do ponto de vista teórico. regressando a casa. pondera: “Não há modo de explicar-se haja Teresa podido exprimir corretamente uma sentença até agora desconhecida dos eruditos que a cercavam.

desde que se pode supor que Teresa Neumann. pois com essas frases e palavras respondiam eles a perguntas dos consultantes. em matéria de faculdades . Leonard. Todavia. como nos que se conseguiram com o rev. Do ponto de vista da interpretação espiritualista dos fatos. até certo ponto explicáveis parecerão os aludidos fatos. Assim sendo. conforme o ensina a experiência. lente de teologia semítica na Universidade de Hale. para sermos exatos. existem impressas nos livros e dicionários daquele idioma. Stainton Moses. logicamente inevitável se torna admitir a intervenção de entidades espirituais extrínsecas. afirmavam as personalidades dos defuntos comunicantes que o prodígio se dava por intermédio delas e não por obra do médium. Ora. sob a forma de “leitura. as frases e palavras que os médiuns disseram em línguas que ignoravam foram construídas no momento. ou. à distância. de livros fechados”. na época. ao contrário. o que se poderia admitir. não pode haver dúvida. como todos convirão em que impossível é construir alguém frases originais em língua que totalmente desconheça – segue-se que. porquanto isso atestaram todos os eminentes orientalistas que a ouviram. sobretudo pelas numerosas e prodigiosas experiências ultimamente feitas. naqueles casos. em estado de êxtase. se deveria admitir em casos particulares. Sobre ser puro Arameu a língua que ela fala. tendo-se em conta as admiráveis provas de identidade fornecidas. o que taxativamente exclui a hipótese da “leitura. importa observemos que nos episódios de “leitura em livros fechados”. em livros fechados”. nos casos anteriormente referidos. Mas. faculdade cuja existência se acha experimentalmente demonstrada. Como se há visto.Estes os fatos. o lado fraco do caso consiste em que as frases que Teresa Neumann pronuncia em língua Arameia são quase sempre simples reproduções das que proferiram Jesus ou outras personagens dos Evangelhos. à distância. entre os quais o professor Joahannes Bauer. com a respectiva tradução em línguas atuais. Osborne Leonard. obtidos com Mrs. pelas próprias personalidades. frases que. com a médium Mrs. possui a faculdade da telestesia. antes.

em livro fechado. em quase todas as línguas. observarei que. Com esta hipótese. embora insuficientes. ainda que não tão bem. um espírito “encarnado”. devera ter dito “Sachena” e não “As-che”. mas contrária às opiniões dos orientalistas presentes. semelhante frase não poderia explicar-se pela “leitura em livros fechados”. e não com a frase. ao que declarou a primeira. frase que. de modo que. que teriam expressado o mesmo conceito por meio da palavra “Sachena”. à espera de emergirem para exercitar-se em ambiente apropriado. Jesus se haja expressado como o querem os orientalistas. forma absolutamente correta. o fato é que se esta houvesse lido. igualmente legítima. deve podê-lo igualmente. boas provas há desse gênero. por exemplo. Quem ousaria. a distância. ao contrário. Não existindo escrita em nenhuma parte. se explicaria a frase Arameia que o professor Wutz considerou errada. visto excluir a hipótese telestésica para a explicação de tão singulares incidentes. na Cruz. a exclamação “As-che!” (Tenho sede). depois da crise da morte. foi proferida pelos apóstolos quando souberam da traição de Judas. Mas. aquilo que um espírito “desencarnado” pode realizar. É ainda de relevar-se a frase pronunciada em língua Arameia pela extática e ignorada dos orientalistas. porém. as faculdades supranormais subconscientes podem considerar-se os sentidos espirituais em estado latente. desde que se ache em condições transitórias de incipiente desencarnação (qual seria o estado de “transe”). as palavras não se pronunciam como são escritas. salvo sempre a circunstância da existência de boas provas colaterais a favor de tal interpretação. No caso em apreço. afirmar que. Uma vez que. Finalmente. se . essa possibilidade neutraliza a interpretação espiritualista da linguagem Arameia que Teresa Neumann falava. então. se as duas frases precedentes não se podem explicar por meio de tais hipóteses.supranormais. como por excluir qualquer forma de sugestão dos presentes. encontrando depois uma idêntica em dicionário antigo. de que se serviu a extática? De toda maneira. dever-se-ia então concluir no mesmo sentido. Assim. observação que temos por altamente sugestiva. pelo que concerne à última.

como foi testemunha da Sua Paixão.” – Portanto. as frases que proferiu. penso haver submetido ao juízo dos leitores tudo quanto se podia assinalar pró e contra a hipótese da intervenção de entidades espírita no caso da extática bávara. A “vidente” percebia com freqüência junto de si Santa Teresa. ignoro se declarou alguma vez quem fosse a entidade que lhas transmitia. não teria podido pronunciá-las com exatidão fonética. para que me sinta autorizado a externar qualquer opinião. a santa cujo nome lhe fora dado. Deduzo-o desta observação que se me deparou em recente exposição do caso: “Muitos dos que vêm estudar de perto o fenômeno retiram-se convencidos de que a extática se acha em comunicação com uma personagem que não só viveu ao tempo de Jesus. ou. melhor. ela as apreendia por “clariaudiência” e não se sabe. isto é. quem era a entidade que lhe transmitia em língua Arameia as frases da “Paixão de Jesus”? Os documentos de que disponho não me informam suficientemente acerca desse ponto. observação que reveste não pequena importância. . Restaria apenas responder ao seguinte quesito: Admitindo-se por um momento que a extática se achasse realmente em comunicação com o mundo espiritual. até estes últimos tempos. Acho mais provável que nenhuma declaração tenha feito nesse sentido e que ela própria haja sempre ignorado quem era a entidade. de um livro fechado.Teresa Neumann houvesse tirado. que eram de sua parte repetidas foneticamente. ninguém estava informado a respeito. à distância. Com isto. mas as palavras em Arameu.

317-353). embora seja ela mais rica de episódios.Categoria II Casos de xenoglossia obtidos com o automatismo escrevente (psicografia) Do ponto de vista científico. com toda razão. Caso 9 – Inicio o rol dos casos desta nova categoria com um episódio magistralmente pesquisado pelo professor Richet e por ele narrado nos Annales des Sciences Psychiques (1905. por um fenômeno de “visão clarividente” das próprias frases. de longas frases que se encontram impressas em diferentes obras e que o médium fielmente transcreveu. ignorando o grego. muito reduzida quanto ao número dos casos apreciados. Quer dizer que não se trata de uma conversação em língua ignorada. portanto. quase sempre ocorre termos que fiar do perspicaz discernimento dos experimentadores. a menos que entre estes haja quem tome o encargo de registrar diligentemente as palavras que o médium profere: Como se há visto. ao passo que. se apresentará. como a primeira. à disposição dos estudiosos. se podem ter por concludentes. mas simplesmente da reprodução. porém. porquanto nele não há frases originais construídas no momento. previno que. se. de uma fase preliminar dos fenômenos de xenoglossia. por felicidade. a médium chegou a . Trata-se. devido ainda à forma anedótica em que eles. em grego moderno. na precedente categoria citamos diversos casos em que essa regra de indagação foi observada. porquanto. entre os que serão considerados. vários se contam de real importância e que. achamo-nos em presença de um fato dessa ordem. são relatados. Mas. como documento irrefragável. Como quer que seja. os casos que formam esta categoria são os melhores. Pelo que diz respeito a esta outra. com os médiuns pelos quais falam entidades extrínsecas. na sua maioria. por isso que o texto escrito em língua que o médium ignorava fica. págs. Não é um caso que revista grande significado teórico.

na minha presença. nas quais se nota leves erros. nunca esteve em uso nos liceus. tanto mais que. Como seja um dicionário de grego moderno. Depois de laboriosas pesquisas. pessoa a quem o Professor Richet confiou a direção da revista inglesa The Annals of Psychical Research. na sua maioria. Observarei. uma vintena de linhas em grego moderno. que transcreveu na minha presença. dama de uns trinta anos. que. e graças aos amigos Courtier e Doutor Vlavianos. limitar-me-ei a transcrever o resumo que dessa narrativa fez o autor no seu Tratado de Metapsíquica (pág. X tirara as longas frases em grego. não me sendo possível reproduzir aqui a narrativa minuciosa do professor Richet. É Mrs. penso não cometer indiscrição alguma. ramificação dos Annales des Sciences Psychiques. Entretanto. Entretanto. desde que essa senhora tratou de si largamente numa longa e magistral autoanálise psicológica da sua mediunidade. revelando quem ela é. sem a compreender. Trata-se de um livro impossível de encontrar-se em Paris (mas que existe na “Biblioteca Nacional”) e é o Dicionário greco-francês e franco-grego de Bysantius e Coromelas.transcrever longas frases nesse idioma. X escreveu. de acentuação). escreveu extensas frases em grego. Laura Finch. . 273): “A Sra. erros de um gênero que não poderia evitar quem escrevesse um ditado em língua grega. cheguei a descobrir o livro principal de onde a Sra. jamais aprendeu o grego e está absolutamente provado que ignora essa língua. que positivamente demonstram ter ela a visão mental das frases existentes em várias obras gregas. ajudado mais pela fortuna do que pela minha perspicácia. por fim. amiúde. de Atenas. X. as frases correspondem a situações ocasionais. sem ter diante de si os originais. com poucos e leves erros (oito por cento e. na minha presença. Pois bem: a Sra. é que ela possuía faculdades supranormais de natureza das que já foram apreciadas. O professor Richet não informou o nome da senhora inglesa que se prestou a tais experiências. distendida por 36 páginas daquela revista.

depois do que continua assim o Professor Richet): Como se vê. escritas com caracteres cujo significado não compreendia. o Evangelho de São João. em transcrição descurada. Admitamo-la. pois. Deve-se começar sempre por admitir a possibilidade de uma fraude. sem lhes saber o valor. Estou absolutamente certo (o grifo é do professor Richet) que a Sra. longe se projetam as sombras”. X nenhum modelo teve diante dos olhos. Ela olhava o vácuo e escrevia como se copiasse imperfeitamente o texto de uma língua desconhecida. X não conhece de fato o grego. servida por inaudita e prodigiosa memória visual. 2°: que se exercitara demoradamente no manuseio dessas obras. com efeito. ao por do Sol. com o fim de guardar as imagens visuais de frases inteiras. não compreendesse o significado das frases transcritas. a Apologia de Sócrates. Só duas hipóteses podem explicar os fatos: ou inclinação à fraude. A frase foi transcrita sem acentuação e com um leve erro de cópia. escreveu em grego uma frase que se lê no dicionário de Bysantius: “Quando o Sol nasce ou se põe. todos esses erros provam claramente que se trata de transcrição imperfeita de um modelo visual e provam igualmente que a Sra. da qual apenas percebia as letras. estas se adaptavam perfeitamente bem às situações do momento. uma pessoa que desconhecesse a língua e o alfabeto gregos. isto é. É de notar-se que. em língua e caracteres gregos. . quando transcreveu aqueles períodos. pois que tais erros são os que cometeria. os quatro livros de onde extraiu as frases que escreveu na minha presença. X tenha comprado em segredo o dicionário de Bysantius. admitindo as seguintes inverossimilhanças psicológicas que ela pressupõe: 1°: que a Sra.(Seguem-se exemplos. ou uma extraordinária criptestesia. o Fedro de Platão. se bem. para a especificação dos erros. Uma tarde.

O professor Richet o reconhece. o nome de um antepassado do Professor Richet. por assinatura. pois. quando o Professor Richet pede explicação sobre a comunicação dada. por dois caminhos diversos.) Assim sendo.” Todas essas frases. Tudo neste mundo é possível. que totalmente ignorava o grego e nada compreendia daquelas frases. editor e bibliófilo (1770-1853). é-lhe respondido com absoluta coerência: “Tenho as minhas instruções. eram escolhidas de acordo com o que se queria exprimir.” A uma outra pergunta. longa e metodicamente arquitetada.” Este o resumo. Antônio Agostinho Renouard. obtém esta resposta em grego: “A cópia está conforme ao original.. Todavia.. nelas se descobre a trama cerrada de uma espécie de pensamento dirigente. o completemos. não deixará de ser portentoso o fato de a Sra. tendendo a realizar. 1905. Assim. que o professor Richet fez do caso em apreço. repito. longe de reproduzidas ao acaso. foi o avô materno do professor Richet. que publicara diversas obras de autores gregos. no seu Tratado de Metapsíquica. com 6 por cento de erros). então em pleno desenvolvimento. Cumpre. 356. conquanto tiradas todas de livros existentes. que tenderiam a fazer supor haja dado . realçando mais o fato interessante de corresponderem quase sempre às frases gregas. quando haja a possibilidade de uma secreta maquinação. a seu turno. que lhe permitiu chegar a reproduzi-las de memória numa vintena de linhas (622 letras.” Como falassem da guerra sino-japonesa. quando observa: “Mal grado à aparente incoerência das frases transcritas. talvez demasiado breve. informa este: “Passarei voluntariamente em silêncio outros indícios de natureza diversa.” (Annales. não parece inútil acrescentar-se que as transcrições do grego traziam freqüentemente. pág. foram tiradas de livros gregos. a situações do momento. ter delas conservado uma imagem visual tão nítida. Fora pai de Carlos Renouard que.. o próprio objetivo. é ditado isto: “Esta guerra interessa à Europa toda. A propósito de tais manifestações. X. das quais não me posso afastar.Presunções tais são admissíveis.. porém.

pág. mas persistente. e. sendo que antes delas andava por vários dias sujeita a uma forma. língua que absolutamente ignoro. Por ora. A tais fenômenos deu o professor Richet o nome de xenoglossia e publicou grande parte do que obtive dessa maneira. 25 de maio. revestese de alto valor psicológico essa auto-análise. Houve um intervalo de dois anos.) Não há quem não veja o que têm de teoricamente sugestivo todos esses pormenores complementares. o intervalo foi de sete meses. de clariaudiência e clarividência. que saiu publicada na Light (1907. 347.uma real intervenção do defunto meu antepassado. por não vir ao caso misturar com este estudo. por sua vez. 8 e 15 de junho). separados um do outro por uma trégua de poucos dias. durante o qual nada produzi em matéria de xenoglossia. demandariam longas e laboriosas discussões. faculdade que. sem contacto das mãos com a mesa. Guardo sobre eles silêncio. outros gêneros de comunicação que. Mensagens dessa natureza obtive-as por meio das “pancadas”. durante as fases de xenoglossia: “A longos intervalos. fraca.” (Annales. Considerada de vários pontos de vista. passados os quais me vi presa de dois impulsos dessa natureza. A autora descreve nestes termos suas impressões. doutra vez. se ainda não é a própria e verdadeira clarividência. concernente à mediunidade poliglota. tãopouco é um fenômeno físico. para serem analisados convenientemente. Cada uma dessas fases produzidas era acompanhada de uma sensação de calor e de esforço cerebral. também surge em mim a faculdade de escrever em línguas que totalmente ignoro. que a seu tempo faremos. o que mais importa é aditar à exposição do professor Richet um lanço de auto-análise de Mrs. Laura Finch. abrindo ensejo a um confronto interessante. 1905. 1. no qual ela descreve as próprias impressões quando lhe sucedia escrever em grego moderno. mediante a qual me era dado ouvir constantemente um rapidíssimo sussurro em línguas que eu desconhecia e ter visões . Durante eles escrevi cerca de um milhar de caracteres gregos.

sendo-me facultado exercitá-las em estado relativamente normal. enquanto as condições de clarividência parecem estar à minha disposição. Bem entendido: a coisa era diferente.” (Light. mas o objeto fugia à minha atenção. para me tornar possível reproduzir os caracteres que. com potente esforço da minha vontade. Em tais circunstâncias. descobriu as pesquisas psicométricas: “Geralmente. que me permite o estudo de mim mesma e das minhas faculdades. sou obrigada a atender a uma nova marulhada – por assim dizer – da maré supranormal. Reconheci então que não eram . 1907. a princípio.. quando lhes passam pela visão subjetiva. Um dia. Finalmente. muito antes que houvesse conseguido observá-lo. as imagens me passavam diante do olhar como um panorama que se movesse com fulminante velocidade. dir-se-ia. que me não permitiria copiá-los.de caracteres e hieróglifos. Pelo que lhes respeita. com Buchanan. alguém me colocava diante dos olhos. diz em sua auto-análise Mrs. relativamente às imagens dos sucessos de tempos idos. Do ponto de vista da rapidez com que. Era-me possível fazer observações parciais. quando o fenômeno de xenoglossia se tornava extrínseco. 283. nem mesmo os contornos dos objetos podia eu firmar. aprendi que. as quais me passavam diante do olhar com uma rapidez tal.) Isto disse a Sra.. Daí resultou que por muito tempo considerei fragmentárias essas visões. se bem fossem eles característicos. ou quando se dava achando-me eu em estado de “transe”. Finch. por exemplo. Faço notar que. mulher do professor Denton. Estes fenômenos se afirmam de todo independentes da minha vontade. porém. por meio das “pancadas”. aquelas cenas fugacíssimas se deteriam. pág. que. lhe passavam por diante do olhar as visões dos caracteres e das frases em línguas que ela ignorava. Elisabeth Denton. Assim. essas visões como que se cristalizaram e o fenômeno tomou estabilidade bastante. cumpre se acentue a perfeita analogia que esse fato guarda com tudo quanto hão descrito muitos “psicômetras”. outro tanto já não sucede no tocante à produção da xenoglossia e das pancadas.

e as visualizações dos caracteres gregos. pág. a considerar os fenômenos de xenoglossia quais raros e singulares assinalamentos que se acumulam a serviço da ciência metapsíquica do futuro. Nature’s Secrets. não compreendemos”. assim se exprimiu: “As observações de Marcel Mangin.) Tais analogias entre as visualizações “psicométricas”. embora demonstrem o engenho do autor. que se podem supor uma variedade da clarividência no presente (telestesia). onde nenhuma hipótese propõe para explicação dos fatos.” . 602) E nessa prudente atitude persiste ele. a propósito do caso de xenoglossia que relatei. não podem dar o fio da meada reveladora da gênese dos fenômenos. aparentemente.. E o Professor Richet está tão persuadido de que. terminando com estas palavras o respectivo capítulo: “Por ora. perfeita e tão real. mesmo no seu Tratado de Metapsíquica. toda particularidade era precisa. é imperscrutável essa gênese.” (W. Denton. simples variedade da clarividência no passado. de uma ciência cujas conclusões ninguém se acha apto a antecipar. isto é. naquele cenário. se revelam interessantes. que. Finch. apenas provam até que ponto nos achamos impotentes para fabricar hipóteses. porquanto as que ele aventou. ao passarem do subconsciente ao consciente. que. quanto os pormenores de uma paisagem terrena. IV do Prefácio.. seja como for.” (Annales. embora tudo concorra para fazer presumir que elas dizem respeito unicamente às modalidades com que se apresentam extrínsecas as visualizações supranormais.fragmentárias.. por parte de Mrs. modalidades que por ora se conservam misteriosíssimas. pág. Parece-me mais sábio declarar sinceramente: “Não sabemos. em geral. por enquanto. mas que. 1905.. respondendo a Marcel Mangin. o qual formulara quatro hipóteses para explicação do caso em apreço. devemos limitar-nos. não são de natureza a constituir eixo da discussão.

a despeito da nossa impotência para compreendê-lo.Por minha conta – como já se viu – querendo explicar naturalisticamente a limitada secção dos fenômenos de xenoglossia. se efetua. certissimamente. de maneira quase constante se repete a circunstância. Osborne Leonard. uma vez que não se chega a compreender como seja possível escolher-se. inerentes à subconsciência humana. está experimentalmente demonstrado. que nos relatos de Drayton Thomas se encontra o mesmo fenômeno que o professor Richet colocou em evidência: o corresponderem exatamente os trechos ou frases tiradas pela personalidade mediúnica. entre os quais diversos membros da Society for Psychical Research. que nos casos de “pseudoxenoglossia”. análogos ao que estamos considerando. havia eu concedido à hipótese da “leitura à distância. a importância que ela merece. pelo fato de que. que o fenômeno da “leitura à distância em livros fechados”. quase direi exuberantemente provado. num determinado livro. Assim sendo. hodiernamente. depois das memoráveis experiências do reverendo Drayton Thomas com a mesma médium. precedentemente posta em relevo. em livros fechados” (telestesia). nos fenômenos de “leitura a distância em livros fechados”. como conseqüência lógica. análogos ao de que se trata. posso eximir-me de acentuar que. em biblioteca distante. depois das magistrais e concludentes experiências. Feita essa declaração a favor da interpretação naturalística dos fatos. por muitos pesquisadores. Isto complica enormemente a tarefa de indagar a gênese dos fatos em apreço. Ponderarei. pareceria legítimo explicar-se o fenômeno pelas tais variedades de manifestações telestésicas. daí decorreria. Drayton Thomas eram o pai e a irmã a afirmar que recorriam a fenômenos dessa natureza com o fim de provarem a sua presença real ali. realizadas com a médium Mrs. a página. dizendo-se autor dos mesmos fenômenos. e nesta o parágrafo que encerra uma frase adaptável a uma interrogação do experimentador. . conquanto pertença ao rol dos mais raros em fenomenologia metapsíquica. Assim procedi. de livros existentes algures a uma pergunta do experimentador. No caso do rev. e. sobretudo. ainda. de manifestar-se urna personalidade de defunto.

Finch. na sua auto-análise. apenas se tratava de mera transcrição. ou mesmo páginas inteiras dos textos de que ele necessitava. 460.) Assim. reconhecendo-os sempre literalmente exatos. Stainton Moses acontecia alguma coisa de mais portentosa ainda e o Doutor Maurício Davies. fora editor de obras gregas. de frases ou páginas extraídas de uma obra existente. devendo por força a inteligência que as escolhia conhecer-lhes o significado. Moses nunca deixava de ir ao British Museum comparar os lances que lhe eram dados por via mediúnica com os textos das obras de onde aqueles haviam sido tirados. 1910. é de notar-se que. Também ponderarei que no caso que apreciamos essa interpretação se veria reforçada pela circunstância de ser ela diametralmente contrária às convicções materialistas da médium. . a lhe transmitir trechos. porém de frases escritas em língua que a médium ignorava. pág. quando estudava as obras dos antigos Pais da Igreja. a esse respeito. no caso de Mrs. necessariamente o fato era devido ao defunto que se afirmava presente e a quem. Ora. além disso.. à distância. refere. não podendo estar em jogo a subconsciência da médium. pessoalmente. o que exclui a hipótese das “personificações subconscientes”. Finch. quem ousaria sustentar. Mrs. mas. que tem convicções positivo-materialistas. no caso de Moses. não sinto a necessidade de tal crença.” (Light. o seguinte: “Stainton. logicamente se impõe a conclusão de que. como nos de Drayton Thomas e de Mrs.Com a mediunidade do rev. que isso se pode dar por obra da subconsciência do sensitivo e não por obra das entidades espirituais que constantemente se manifestam em tais circunstâncias? É o que principalmente ressalta. freqüentemente intervinha “Imperátor”. A esta circunstância de fato importa se junte outra: a de Mrs. que foi seu íntimo. Moses me disse que.. sem prudente reserva. em que não se tratava apenas de frases atinentes a situações do momento.” Decorre daí tornar-se ainda mais notável o fato das mensagens em língua ignorada. quando vivo. Finch declara explicitamente “Não creio na sobrevivência da alma e. Com efeito. trazendo a assinatura de um defunto antepassado do Professor Richet e que. Finch. fora familiar a língua usada mediunicamente.

que jamais tenha conhecido outra língua senão a própria. sem exceção. de maneira alguma. a propósito de afirmarem todos os seus sonâmbulos. de “pseudoxenoglossia”. Ora. se não se me afigurasse oportuno considerar certa observação do professor Richet.afirmar de modo decisivo a existência e a sobrevivência da alma.” Corrobora curiosamente esta afirmativa tudo quanto ocorre com Mrs. não se pode contestar que as circunstâncias invocadas tendem a conferir certa supremacia à interpretação espiritualista dos fenômenos de “leitura a distância de livros fechados”. Finch. mais legítimo seria atribuí-lo à intervenção do defunto grecista que se manifestou. não são capazes de realizar o impossível e impossível é que um indivíduo. com os poderes da subconsciência. embora maravilhosos. não me pronuncio a respeito. Fato é este que nos traz à mente o que escreveram os análogos magnetólogos. entesoure no seu subconsciente uma personalidade poliglota e inútil. fenômenos que se não podem explicar. desde que nossa interpretação seja posta em confronto com a explicação dos mesmos fenômenos mediante os poderes inerentes à subconsciência humana (animismo). visto que os fenômenos de “pseudo-xenoglossia”. mais não são do que uma fase preliminar dos verdadeiros fenômenos de xenoglossia. capaz de falar e conversar numa dúzia de idiomas. em que o sensitivo transcreve frases existentes nalguma parte. do que adotar. assim que caíam em estado de sonambulismo. os quais. quando em “transe”. a existência de Deus e a sobrevivência da alma. estes em que o sensitivo fala ou escreve realmente numa língua que desconhece. por outra. E com isso teria eu concluído. para sua explicação. que é . a hipótese “anímica”. ou. Como quer que seja. por meio da hipótese da “leitura a distância em livros fechados”. mal entra em sono mediúnico. Foi essa circunstância infalível em todos os casos que levou Deleuze a exclamar: “Não há sonâmbulos materialistas nem ateus. se se quisesse explicar o fenômeno que estamos examinando. construindo no momento as frases próprias a responder às interrogações do consultante. Equivale isto a dizer que. não obstante nutrirem fora desse estado convicções materialistas e ateístas.

nada compreendem da língua em que se expressam. Finch é radicalmente diverso dos de verdadeira e real xenoglossia. mas definição que. Sendo estes os termos da questão. Observarei sobre isto que. seriam unicamente os em que o sensitivo se encontra imerso em “transe” mediúnico. quem compreende a língua em que conversa e sim outra personalidade que. apenas grafam automaticamente palavras ou frases cujo significado ignoram. a de que o caso em apreço não é de verdadeira xenoglossia. a rigor. conforme acontecia com a Mrs. com Turvey e com Teresa Neumann. como sucedia a Laura Edmonds. ou. longos textos em grego. acrescentarei que. então. desde então. Feita esta ponderação. mas. Quando a escrevem. não pode ser uma personalidade subconsciente. na quase totalidade dos casos de xenoglossia. como já foi dito. porém. Observou ele: “O caso de Mrs. escrevia. porque a médium não falava e não compreendia o grego. Quando a falam. Finch não é propriamente de xenoglossia. porém. escreve e compreende uma língua que jamais conheceu. o que difere muito de falar e compreender uma língua que se ignora.” Não há dúvida de que o caso de Mrs. pois que à subconsciência humana não é dado conhecer uma língua que a personalidade consciente ignora. ao meu parecer. não corresponde às modalidades com que os aludidos fenômenos se produzem. se houvesse de considerar casos de xenoglossia apenas aqueles em que o sensitivo fala. tendo por base uma visão mental. Laura Finch. uma afirmação contestabilíssima. ou em sono sonambúlico. ou repetem foneticamente palavras que percebem por clariaudiência. Acompanha-a. não é ele. . poderiam contar-se pelos dedos de uma mão os fenômenos de xenoglossia que. ou se acham em estado de parcial possessão mediúnica e pronunciam automaticamente palavras que não compreendem. em estado de vigília.assim uma espécie de definição dos fenômenos de xenoglossia propriamente dita. Em tais casos. o que torna incontestável a observação do professor Richet. não fazem mais do que copiar de um modelo percebido por meio da clarividência. como se dava com o médium Peters. porquanto ela não falava e não compreendia o grego. os médiuns.

Começando a mesa a agitar-se. Pinson. formulando observações originais. 7 de junho de 1854 – Estão presentes à senhora Hugo. com o intento de distinguir dos casos de pseudo-xenoglossia. são curtíssimos. Esta a narrativa do primeiro episódio: “Quarta-feira. Aliás. provando. não só fala ou escreve em línguas que ignora. em Jersey. Pinson. o que exclui a possibilidade de entrarem em ação outras faculdades supranormais que transformem o suposto caso de xenoglossia num fenômeno de clarividência. portanto. ou conversando com os presentes. O Sr. serás. mas também absolutamente não compreendem. R. Tendo por fundamento o que fica exposto. C. Esta. Pinson. Carlos Hugo. os casos legítimos de tal fenômeno. Hugo – Não podes ser meu irão. – “Frater tuus”. Téléki. parece-nos que.segue-se que a característica fundamental dos fenômenos de xenoglossia consiste precisamente no fato de os médiuns falarem ou escreverem em línguas que não só ignoram. ainda que toda gente os conheça. mas fala ou escreve nessas línguas. com percepção à distância. senta-se à mesa juntamente com Carlos Hugo e pede lhe permitam dirigir à entidade uma pergunta em inglês. Augusto Vacquerie. a pretender-se formular uma definição de xenoglossia. das frases mediunicamente empregadas. Carlos Hugo pergunta quem é o Espírito presente. os senhores Kesler. Guérin. a senhorita Adélia Hugo. Caso 10 – Não me posso eximir de citar os dois incidentes de xenoglossia ocorridos nas famosas experiências de Victor Hugo. dever-se-ia suprimir a palavra compreender (uma língua ignorada). antes irmão do Sr. incrédulo. . quais o que vimos examinando. por isso que o médium Carlos Hugo absolutamente nada sabe desse idioma. por se não compadecer com os fatos. desse modo. que as frases formuladas foram criadas pela circunstância ocorrente. a definição que melhor quadraria às circunstâncias: Per fenômenos de xenoglossia entendem-se os casos em que o médium.

R. Em todo caso. o Sr. com respeito ao qual. que se ausentara de casa havia mais de doze anos e do qual a família não mais tivera notícias. Ninguém sabia que o Sr. – Byron. Victor Hugo. que perturbaram e comoveram aquele que as recebeu. Desde porém. o segundo incidente: “12 de junho de 1854. o que é deplorável. Nesse ponto. Seguiu-se outra pergunta nessa mesma língua e nela foi dada a resposta. Pinson dirigiu à entidade uma pergunta em inglês e a mesa lhe respondeu em inglês. o Sr. por se tratar de coisas íntimas de família. Pinson. a senhorita Adélia Hugo. em língua que o médium ignorava. – Sim: André. Pinson. Carlos Hugo e o Sr. aliás graciosa. sentado à mesa mediúnica. em atenção ao pedido do consultante. P.. Pinson tivera um irmão chamado André. Pinson houvera podido sugerir subconscientemente ao médium as respostas em língua por este ignorada.. que as aludidas respostas foram de tal modo inesperadas e condizentes com a realidade. se levanta da mesa e pede que. que se poderia formular contra este incidente de xenoglossia. forçoso é se reconheça que elas não podem ter sido obra do subconsciente do Sr. Agora. – Estão presentes a Sra Hugo. a de que. tanto mais quando no diálogo. profundamente turbado e comovido. não seja transcrito na ata o diálogo havido. – Quem está presente? R. o próprio fato de o consultante mostrar-se profundamente perturbado com a resposta que obteve da mesa subentende a correção da forma em que estas foram dadas.” Este o primeiro incidente. O Sr. Pinson pergunta-lhe em inglês: “Is Montague Helt alive or dead?” (Montague Helt está vivo ou morto?) . não se registrou em ata o diálogo travado em inglês. O Sr. manifestamente se continha ótima prova de identificação pessoal do defunto que se comunicava. Pinson. Faço notar que esta última circunstância serve também para neutralizar a objeção.

his last word spoken. “His last song sing. fala então em inglês. (Victor Hugo sai. – “You know not what you ask” (Não sabes o que pedes. Scott – “Vex not the bard. – Então não os queres ditar? – Não quero. – Scott. – És Walter Scott? – Sou. gira sobre si mesma. Por fim. – Pois bem.) Guérin – “Poderias formular em inglês e em versos alguns pensamentos?” – Posso. Pinson traduz o dístico obtido: “Não atormenteis o bardo. “Ele há cantado o seu último canto e há dito a sua última palavra. veio deletreada a palavra. – Alive (Vivo). – Como a senhora Hugo e Carlos não conhecem o inglês. his lyre is broken.R. A mesa se agita. treme. sua lira quebrou-se.) – Queres com isso dizer que não podes ditar versos? – Não. – Tens alguma coisa a dizer? – Tenho. W.” O Sr. – Fala.” . quererás falar em francês? – Não. – Quem é o Espírito presente? Nenhuma resposta e a mesa continua a agitar-se violentamente.

. entretanto.. Victor Hugo. que conhecia o inglês. mas que. Este não é o momento de indagarmos se Walter Scott e Byron estavam presentes ou não. ao qual foi comunicado por um de seus redatores. o comandante do Makura me deu a ler uma carta que recebera de Honolulu. se deve concluir pela afirmativa. não podem incluir-se numa classificação científica. contendo a narrativa de um dos mais singulares episódios. de que já tive notícia. porém. Dado isto. os fatos aí expostos estão sendo investigados a fundo por eminente arqueólogo e é provável que venham a ser publicados com todas as minúcias. mas unicamente de saber se se trata ou não de um fenômeno de xenoglossia e a mim me parece que neste segundo episódio. se abstêm de fornecer os nomes dos protagonistas ou das localidades onde os fatos se produziram. inútil não será um exemplo confirmativo do que alego. de caráter mediúnico. para realçar a circunstância. ainda mais do que no primeiro. em que na sua maioria se encontram narrados. devido à forma por demais anedótica. escreveu ele nestes termos: “Mal saíramos do arquipélago das Haway. que a mesa improvisou em língua desconhecida do médium. também nesta segunda categoria o número dos casos citados seria muito limitado. De Honolulu. O caso que passo a referir foi publicado originariamente pelo Times. ou por descuido ou por conveniências sociais. as flores mais belas do Pacífico. Neste momento. trata-se de um “dístico” muito bonito e muito apropriado. nas ilhas Haway. pela razão de que os relatores. Não posso. Caso 11 – Disse eu em começo que. que ao tempo viajava pelo Japão. .Como se vê. apesar de ser abundante a messe dos fatos que colecionei. Pinson certo não era capaz de improvisar e de sugerir subconscientemente ao médium aqueles versos. se ausentara antes que se desse o episódio e a subconsciência do Sr. resistir ao desejo de lhes comunicar o intróito. ou por demais reticente. de Londres (18 de agosto de 1922). de ter-se a impressão de estar diante de episódios genuínos e importantes. que muito amiúde ocorre.

tendo sabido qualquer coisa acerca de suas faculdades “psíquicas”. Recentemente. Mrs. ela assistira ao fenômeno de sua mão escrever singulares hieróglifos. recebe ela estranhas mensagens mediúnicas de defuntos que viveram em países distantes e em época muito remota. submetendo-o à análise de algum orientalista. porém. no entanto. Ela aquiesceu.. ao mesmo tempo em que perguntava ao comandante como se tornara senhor de tal escrito. Dessa vez. os quais. embarcou no Makura o professor G. exclamou: “E eu bem devia imaginar que nada de sério podia haver naqueles arabescos. é este o surpreendente veredicto da Ciência: o documento era um excelente exemplar de escrita “hierática”. B. e o comandante. exclamou: “Que pena! Quem se apresenta é o oriental que escreve lá a seu modo!” Ao que parece. tomou da pena e ficou. à espera de que alguma entidade lhe impulsionasse a mão. mostrou a dois indianos vindos a negócio às ilhas Fidji. Cientificada desse insucesso pelo comandante.Numa das ilhas Haway vive uma senhora inglesa. guardando silêncio sobre suas origens. O professor olhou-o e logo prorrompeu em exclamações de espanto. pesarosa. lhe pediu o favor de fazê-lo assistir a alguma experiência do gênero. tive ocasião de viajar com o marido no Makura. nada compreenderam do que ali estava. entregou o documento ao comandante que se propôs desvendar o mistério. sem maior concentração de pensamento. sentou-se à mesa. tal qual o faria um telegrafista que se dispusesse a receber um telegrama. sendo esta a forma popular dos “hieróglifos” de que usavam os sacerdotes. aproveitando a ocasião. a senhora B. a senhora B. cujo avô foi missionário neste arquipélago.. escreveu durante cerca de vinte minutos e. noutras ocasiões recentes. em novembro último. em que predominavam as linhas retas e que vagamente lembravam certos escritos orientais. que. Pois bem: desde alguns anos. Passados poucos dias. cujo comandante.. cerca de 5000 . Ao cabo de algum tempo. mal se deteve. lhe apresentou o documento de que se trata. um dos mais eminentes arqueólogos do mundo.” Eis. forma que prevaleceu na Ásia Menor. Em resumo. mãe de numerosa prole.

o lhe ter concedido sua mão para escrever. continha ulterior mensagem escrita do mesmo modo que a primeira. ao professor G. Francamente: não .. acima de tudo agradecia à Sra. deixo claro ser este o único fato mediúnico que me torna propenso a aceitar urna explicação espiritualística para os fenômenos dessa espécie. Os documentos são examinados com verdadeiro espírito científico. a entidade que se comunicava. A carta a que me referi ao principiar esta comunicação.. que ainda está ocupado em traduzir o primeiro documento. como se explicará o fenômeno? Há em tudo isso alguma coisa que transcende a fantasia do mais audacioso dos romancistas. para a respectiva interpretação. Semelhante fato parece infinitamente mais assombroso e dramático do que certos episódios narrados pelo próprio Rudyard Kipling. fornecia a este notícias relativas às condições do tempo e do mar. que. Explicou em seguida que. nem a senhora B.. cumprindome acrescentar que nenhuma das três pessoas que tiveram parte no caso é dada ao estudo do “psiquismo”: nem o professor G. escocês natural da Nova Zelândia. Assim sendo. Acentuava com certo espanto a diferença enorme na maneira por que hoje se viaja. consultando os seus livros. em confronto com os tempos em que ele vivera. mãe de numerosa prole. dizendo que o comandante acabara de recebê-la. Vi apenas o segundo e sei os nomes de todos os protagonistas. Seja como for. Vai ser enviada. na mensagem em apreço. não quer de maneira alguma que a considerem médium.anos antes da era cristã.. o que é certo é que ela jamais teve a menor idéia do que poderia ser a escrita “hierática”. Acrescentou o professor não haver no mundo mais do que uma dezena de orientalistas capazes de interpretar aquela escrita e que nenhum deles o seria de traçá-la no brevíssimo tempo em que a traçou a Sra. apenas homem de ciência. Quanto a mim. estabelecendo a esse propósito comparação entre uma viagem em dorso de camelo e uma num paquete como aquele. nem o comandante do Makura.. Por fim. B. B. o que lhe sugeria considerações sobre a cena que no momento se desenrolava na câmara do comandante.

Ele demonstra positivamente. porquanto nenhum ousaria afirmar que. por não querer a senhora B. ou algum antepassado arqueológico. ligados a um portentoso fenômeno mediúnico. a intervenção de uma entidade espiritual independente da médium. entre os antepassados da senhora B. as mais das vezes. 537. 1923. embora se apresente com todas as características dos fatos genuínos. arriscando-os a comprometer seus interesses profissionais. Mas. diante de um caso de tal natureza. ser tida como médium e por não desejarem o professor e o comandante que seus nomes viessem a público. em presença de tal fenômeno. que a pusesse em condições de escrever com nitidez e em tempo excessivamente breve uma longa mensagem naquele gênero de escritura.) Esse o relato de um jornalista redator do Times e. baseado em fatos. se conte um indivíduo que tenha vivido há 5000 anos. grato me é congratular-me com o narrador pelo bom senso de que deu prova.logro descobrir escapatória alguma para os incrédulos. limitando-se a designar a localidade e o paquete. não pode ser utilizado para a indagação das causas. fácil é de compreender-se a sensação de contrariedade científica que se experimenta ao ter-se de reconhecer que o episódio referido.” (Light. não há e não pode haver “escapatórias” para os cépticos. pág. sem contestação possível. a tal ponto familiarizado com a escrita “hierática”.. porque o relator se absteve de publicar os nomes dos protagonistas. não há “escapatórias” para os incrédulos. Colocada a questão nestes termos. elas tragam como conseqüência tirar todo valor científico . nada disso impede que. aproximadamente. não restaria aos cépticos. visto que. Isto posto. representado pela hipótese da “memória ancestral”. realmente. Admite-se que ele não se sentisse autorizado a fazê-lo. desta vez. a possibilidade de agarrarem-se ao último recurso. nos impérios da Ásia Menor. sequer. que haja deixado atavicamente impressa na subconsciência da médium um traço tão acentuado de tais conhecimentos. compreendendo de pronto que. Tudo isso se pode admitir e mesmo reconhecer como boas e indubitavelmente legítimas essas razões. aliás freqüentes nas narrativas de fenômenos congêneres.

como se verá. Browne consultou o célebre médium australiano Jorge Spprigs. intitulados The Holy Truth e The Grand Realty. foi pescado um tubarão. durante um cruzeiro desportivo. Por felicidade.1 Dois livros importantes publicou Hugh Janor Browne. em conseqüência de haverem esses seus dois filhos perecido no naufrágio do iate de sua propriedade. que começou a interessar-se. a elas se dedicou com fervor. fornecendo minuciosas particularidades sobre o cruzeiro. além de outros irrecusáveis. Dois dias mais tarde. mister se faz que eu ministre algumas informações sobre a personalidade do protagonista. em relação a quantos do mesmo gênero se citem. pelas experiências mediúnicas. obras que foram tidas em muita conta por Fredrich Myers. no tocante ao magnífico episódio que acabo de reproduzir. Carlos Bright. porém. Hugh Janor Browne. que parara na hora precisa indicada pelo defunto como sendo a em que submergiram com o barco. redator da revista espiritualista The Harbinger of Light pormeno- . acerca de suas próprias experiências. 429). Dada esta ocorrência. pág. em cujo ventre se achou o braço do moço. acrescidas da circunstância macabra de haver um grande peixe mutilado o braço do cadáver do primogênito. Sr. por intermédio do qual os dois rapazes se manifestaram. Caso 12 – O que se segue. O relato a que me reporto existe em forma de uma entrevista. com uma parte do colete onde se encontrava o relógio. semelhante ao precedente.dos fatos narrados. Tomo-o à Light (1904. o Sr. sendo que. quando dois de seus filhos revelaram faculdades dessa natureza. Logo. análogos em tudo a esse. Este o caso. rico banqueiro de Melbourne. que se apresentam autenticados por toda a documentação que se possa exigir para incluí-los numa classificação científica. para lhe dar todo o valor. já se apresenta suficientemente documentado. outros episódios existem. particularidades que nenhum vivente podia conhecer e que se verificaram exatas. que delas extraiu longas citações para a sua grande obra A Personalidade Humana. mas sem entusiasmo. na qual o banqueiro Browne comunica ao Sr.

a fineza de enviar ao autor a tradução. as letras surgiam nítidas e regulares. Browne me expôs de que modo chegou a verificar a autenticidade lingüística da escrita “hieroglífica” que ele publicara à pág. acrescentando: “Caro Sr. mal grado à velocidade com que escrevia. como numa litografia. Um dos filhos do Sr. qual se lê no livro em questão. Browne possuía faculdades mediúnicas e fora durante algum tempo influenciado por uma entidade que o fez escrever em caracteres ditos persas. Como esses informes ainda se não tornaram públicos. a mão do médium entrou a escrever rapidamente em persa – ou no idioma que se afirmava ser autêntico persa – e. O Doutor Figg examinou a escritura e declarou que absolutamente não se tratava de persa. Browne militarmente uniformizado a oriental. acompanhado de uma nota em que pede àquele de seus leitores que porventura chegasse a decifrar o que ali está escrito. 80 do seu livro The Holy Truth. O Espírito do persa aparecia constantemente à filha do Sr. Mostrou algumas das folhas ao Doutor Figg.” – O outro respondeu: “Foi-nos dito que se tratava de . anunciou que divisava por detrás do irmão o fantasma de um persa. Browne. Resumirei. Browne publicou um fac-símile no seu livro. Naturalmente. Alguém se divertiu à sua custa. com um turbante na cabeça. de Williamstown. acrescentando que este sem dúvida se dispunha a fazê-lo escrever pois havia colocado uma das mãos sobre a cabeça do rapaz e com a outra lhe segurava o pulso. De súbito. que possuía a faculdade de vidência. consideramos de grande interesse para todos publicá-los. enganaram-no. ele não se limitou a essa indagação pública. das quais o Sr. antes de tudo. Certa noite em que havia sessão. Informara que fora príncipe e que morrera havia mais ou menos 600 anos. douto orientalista. Foram ditadas dessa maneira numerosas páginas.res complementares de um caso de xenoglossia referido em The Holy Truth. a filha do Sr. o fato da produção dessa escrita. Browne. Carlos Bright diz: “O Sr.

. onde se viam insculpidas letras em tudo semelhantes àquelas. que fora príncipe. não obstante o seu parecer. depois de longamente analisar as páginas hieroglíficas. semelhantemente aos caracteres turcos.persa antiqüíssimo e. Assim fez o Sr. destinada a servir . que seu pai o fizera abraçar a carreira das armas. apenas. O orientalista. antigas de 7000 anos. É de lamentar que na exposição acima transcrita não se haja reproduzido por extenso algum trecho essencial da tradução. nem se tenha informado o nome do orientalista que interpretou a escrita. para servir a quem lha enviara. uma entrevista.” Essa a interessante validação do episódio de xenoglossia que Hugh Janor Browne narrou no seu livro The Holy Truth. Carson e dessa vez com pleno êxito. porém. Informou igualmente que tal idioma era conhecido sob o nome de “Tártaro-Persa”. que ele possuía a chave alfabética para decifrar a escrita que lhe fora confiada e que se dispunha a traduzi-la. que estava de partida para a Inglaterra. aguardo confiante se confirme o que nos disseram. entregou ele a um seu amigo. o Sr. informou que no Museum existiam lápides. tenho para mim – profano como sou – que se trata de caracteres de uma mesma língua. descrevia as condições da antiga civilização persa e os acontecimentos da sua vida. pedindo-lhe que a apresentasse aos peritos orientalistas do British Museum. Cumpre. nos quais prevalecem as linhas curvas e os entrelaçamentos em sentido horizontal. publicada pelo autor no livro citado. Carson. guarda dos antigos manuscritos do British Museum. Tenho neste momento diante dos olhos o fac-símile da página em persa.” Sem de modo algum desanimar. confrontando os da página em persa com os caracteres insculpidos numa antiga moeda Turca de dois soldos. algumas folhas da aludida escritura. Por essa tradução se verifica que a mensagem contém uma cuidada descrição de tudo quanto a mesma entidade já dissera com o auxílio da mediunidade da filha do Sr. Browne. isto é. A seguir.. São nítidos os caracteres. não esquecer que ali não há precisamente uma narrativa e sim. Com efeito.

resignar-se a aceitar a interpretação espirítica dos fatos. Do ponto de vista teórico.. pois. publicação que. ocultando-lhe o verdadeiro nome. o fenômeno de xenoglossia resulta igualmente válido e eloqüente. Entretanto. porquanto a impossibilidade de improvisar uma mensagem em língua “hierática” é absolutamente idêntica à de improvisar uma na antiqüíssima língua “tártaro-persa”.. senão. Foi hipnotizando os seus pacientes com objetivos terapêuticos que ele involuntariamente esbarrou com as primeiras manifestações mediúnicas. experiências a que chegou através do hipnotismo. nem com as preferência dos indivíduos. como nem o médium.. Mas. nem nenhum dos presentes conhecia essa língua. não restando. pouco há para discutir-se. que a pesquisa científica da Verdade nada tem que ver com as opiniões. porém. No caso que consideramos. também desta vez a ninguém será possível agarrar-se ao recurso extremo da “memória ancestral”. muito embora venha isso a ser um bocado amargo para uns tantos opositores sistemáticos. Por seu intermédio manifestava-se uma entidade que dizia ter sido. que ele chama “Bedette”. Tomo-o ao opúsculo de Henri Sausse: Des preuves? En voilá. às quais se consagrou com interesse. Acontece. pelas mesmas considerações anteriormente expendidas. eclesiástico e mandava que lhe . que hão declarado não desejarem seja assim. por experimentarem invencível aversão à idéia da sobrevivência após a morte do corpo. a Austrália é muito distante e não cheguei a obter na Europa o documento. Decorre daí que. com efeito. em vida. apareceu mais tarde na revista The Harbinger of Light. a sonâmbula era uma mocinha de seus dezoito anos. Caso 13 – Este outro episódio não é de tanta sensação como os dois últimos. Refere aí o autor suas próprias experiências mediúnicas. visto que apenas se trata de uma mensagem em latim. a quem quer que seja.de anuncio prévio da publicação integral dos fatos. O caso é literalmente análogo ao precedente. persistindo em empregar o hipnotismo para conseguir o sono mediúnico nos aludidos pacientes..

visita. esta habitação e dela afasta todas as insídias do inimigo. Que vos conceda tudo o que vossos corações desejam e realize as vossas aspirações. fez que o médium escrevesse o texto latino do último “Orêmus” por ele recitado. Que os teus santos anjos a habitem e nos guardem em paz. e convidou os assistentes a juntá-lo à prece que dirigiam a Deus. e à prece que. Recomendava aos que se reuniam em sessão que orassem com fervor e convicção. uma vez que nenhum dos presentes entendia patavina de latim e menos que todos a médium. acrescenta o narrador: “Fora interessante saber se a Igreja Romana descobrirá. e a tradução de ambos: Mensagem: “Impleat Dominum omnes petitiones tuas. quæsumus. Exultaremos pelo que vos seja concedido e glorificaremos o nome do nosso Deus.” A propósito. clareza e eloqüência pela boca da médium. nós te pedimos. a pedido dos presentes. No dia 4 de dezembro de 1911. em seus discursos. Domine. declarando não poder revelar o seu nome verdadeiro por motivos de família.” Tradução da mensagem: “Que o Senhor atenda a todos os vossos pedidos. assim como a sua tradução. com a mensagem que o precedeu. Angeli tui sancti habitent in ea qui nos in pace custodient et benedictio tua sit super nos semper per Christum Dominum Nostrum. em latim.” “Orêmus”: “Visita.” Tradução do “Orêmus”: “Senhor. Aqui está o “Orêmus”. por Jesus Cristo Senhor nosso. Lœtabimur in salutare tuo et in nomine Dei nostri magnificabimur. frases latinas. se fazia acrescentava freqüentemente um “Orêmus”. habitationem istam et omnes insidias inimici ab ea longe repelle. E. o “Grão Vigário”. antes de iniciá-la. que a tua bênção sobre nós desça sempre. cuja tradução ele próprio dava. Falava com grande facilidade. Tribuat tibi sœcundum cor tuum et concilium tuum confirmet.chamassem o “Grão Vigário”. como o nosso dia- . intercalando de contínuo. em conseqüência. nesta oração uma influência satânica.

como o texto são obras de um padre. que explique o fato. mas. de livros e documentos existentes. Não podia a sua opinião ser mais convincente do que o é. dado que nem eu. a oração. que também nada sei desse idioma.) Tenho por ocioso dizer que sou da opinião do relator. quem escreveu essa prece é um Grão Vigário. com efeito.” Diz ainda o relator: “Não podia eu. exclamou: “Ó! mas isto é latim de convento! Dir-se-ia escrito por um padre. quando o professor declara que. assim como da sua tradução. ao pôr ele os olhos no texto latino.bo se exprime quase sempre nesses termos. que ensina grego e latim. pois valeu por uma confirmação autorizada e positiva da origem espirítica da mensagem obtida. quando é uma criação da personalidade mediúnica. nenhuma hipótese naturalística se pode então invocar. forçoso será convir em que o Grão Vigário é realmente “um bom diabo”.” – Repliquei-lhe: “De fato. Contudo. Eu teria traduzido de outro modo mais clássico. como já foi ponderado. A tradução é boa. o que equivale a dizer. Está feita a identificação. Quando. nem qualquer dos presentes éramos aptos a lhes verificar a exatidão. por via supranormal. porém. desejar uma resposta mais concludente do que a que me deu o professor Rossigneux. como eu. a gênese dos casos de xenoglossia só é discutível quando ocorre a circunstância de constituírem a mensagem em língua ignorada citações tiradas. fiquei perplexo com relação ao valor daquela prece latina. 63. assim a tradução. por sua vez.” (Pág. e. no momento. Nem ela nem eu seremos capazes de escrever corretamente. que a ditou a uma médium em estado sonambúlico. e a hipótese espirítica triunfa sem competição. que ainda nos reserva muitas surpresas piedosas. a mensagem é original. que lhe mostrei em primeiro lugar. . sob ditado. cheira a seminário. a qual não sabe uma palavra do latim. Efetivamente. As palavras estão mal combinadas. Fui ter com o professor Rossigneux.

transformará e renovará. Estelle Roberts. ocorrido com a notável médium inglesa Sra. Estes os antecedentes. Está visto que. deverão esperar a sua publicação completa. toda a organização social. que consideram integralmente elucidados os fenômenos supranormais. anunciou que pusera o pé direito da médium (em transe) sobre o do seu vizinho (e esse pé se conservou assim sobre o outro durante a sessão toda). não logro entrever nenhuma possibilidade de resolver-se dessa forma a questão e é por isso que solicito a colaboração dos metapsiquistas. auguro que surjam críticos competentes e serenos que submetam de modo especial os fenômenos de xenoglossia a um penetrante e. inclusive a médium. durante uma sessão de voz direta. o Espírito-guia. desapiedado exame. A sessão se realizou na noite de 30 de janeiro de 1931. quase direi. Quanto a mim. a qual. com o que se ensina das cátedras universitárias. ambos de passagem por Londres. com o escopo de apresentar todas as possibilidades teóricas que a ciência oficial faculta para a solução do grande mistério. visto que ainda não foram citados os episódios verdadeiramente conclusivos e resolutivos. numa pequena sala. quando for definitivamente confirmada pelos fatos e universalmente aceita. em completa escuridão. não conseguindo exprimirse de viva voz. “Pouco depois “Red Cloud” (nuvem vermelha). fazendo corrente com as mãos. em que a personalidade comunicante. É um caso muito recente.Como reconheço a enorme importância filosófica. científica. A narrativa prossegue assim. se eles se propuserem a exercitar sua acuidade crítica sobre os casos enfeixados na presente classificação. pai e filho. Tomaram parte nela oito experimentadores. sem exorbitar das leis psicofísicas que governam a evolução biológica. Não tardou que “vo- . Entre eles estavam dois holandeses. para tê-la na íntegra. fora do círculo dos assistentes. Srs. De Jonge. Caso 14 – Encontrei-o em The Two Worlds de 19 de julho de 1931. social e moral da afirmação que acabo de formular. desde os seus fundamentos. escreveu a própria mensagem numa ardósia pousada no chão.

mal a médium despertara. enviaram uma reprodução fotográfica da mensagem holandesa. segundo a prova fotográfica: . ali vindo pelos dois senhores holandeses. Dois pedaços de giz. fez-se luz e verificou-se que na ardósia estava escrita uma mensagem em língua holandesa. estava reproduzida exatamente a caligrafia do defunto. Ao cabo de algum tempo. conseguira escrever uma curta mensagem na ardósia. Em seguida. apelido que todos os presentes ignoravam. acompanhada da respectiva tradução e de esclarecimentos necessários. a conversar com os que lhes eram familiares e a dar provas de identidade. começaram todos a ouvir o ruído que produz o giz quando atrita a ardósia. para pronunciar certa palavra. enviariam uma reprodução da mensagem em holandês com a sua tradução inglesa e observações atinentes ao caso. explicando que aquele Espírito era o de um moço que inutilmente procurava pronunciar o próprio nome. exatamente como se alguém estivesse a escrever. Entre outras coisas. Finda a sessão. esforçara-se.zes” de defuntos se fizessem ouvir. Pouco depois. diversas vezes. que se quebrara ao cair. Assinara-a o defunto com o apelido pelo qual o tratavam familiarmente. É esta a mensagem. Os De Jonge prometeram que. a tentar escrever breve mensagem na ardósia que se achava no chão. Interveio “Red Cloud”. ouviu-se uma voz que falava em língua estrangeira. Passara. morto havia pouco. foram encontrados sobre a lousa. em conseqüência. com efeito. Os Srs. nas primeiras linhas da escrita. Era evidente que a entidade que queria falar encontrava grandes dificuldades para se exprimir oralmente. sem o conseguir inteiramente. caiu ao chão um objeto e ouviuse a voz da defunta esposa de um dos presentes a avisar que o moço em questão. assim regressassem à Holanda. Tempos depois. De Jonge logo se convenceram de que a mensagem provinha de um filho e irmão deles. declarando os De Jonge que se tratava da holandesa. exceto naturalmente os De Jonge. É de notar-se que.

com exclusão. em seu conjunto. Ik moet een Brief Scrikjen. Ap. onde é supérfluo o “e” em grifo. Ik kon de deur niet open doen. acrescentava o Sr. No primeiro deles. se apresentam corroborados por provas indiretas e diretas de identificação pessoal.. pela dificuldade de fazê-lo daquele modo. obtiveram-se provas indiretas da sua identida- . ao contrário. devem ter escapado ao comunicante. são casos notabilíssimos de xenoglossia. assim como puramente holandesa é a construção gramatical. Ik vond het zeer moeielijk spreek. Mijn les is moeilijker dan de uwe.” Esse o interessante episódio de xenoglossia. com ortografia correta.” 2 Na carta com que remeteu a fotografia. “Ik ben heir. As maiúsculas das palavras Brief e Schrikjen são supérfluas e devem imputar-se às mesmas causas. não há provas diretas. “hierática” e “tártaro-persa”. Ik zal morgen avond aan U. quando escrevia à pressa. na pressa de escrever. A palavra “Heir” está escrita com inversão das vogais. Os casos 11 e 12. porém. erro comum nas transcrições e que meu irmão cometia com freqüência. recentemente ocorrido.. holandeses por excelência. De Jonge (filho) as seguintes observações: 1. no comparativo. As palavras postas entre parêntesis realmente não foram escritas. A estas explicações acrescentarei que os erros enumerados se revelam.“Mijn Vader Broeder. Importa assinalar que na linha seguinte a mesma palavra está repetida. O mesmo ocorre dizer com relação à palavra “moeielijk”. em compensação. Os dois seguintes a esses. se bem que no falar se pronuncie essa letra. mas. em que há comunicações em línguas antiqüíssimas. visto que o “Grão Vigário” declarava não poder revelar o seu nome por motivos de família. de qualquer possibilidade de identificação pessoal da entidade comunicante. 3. Wilt U mij helpen om het te doen? Schrift. 2.

Considere-se também que o vezo peculiar ao comunicante. E o fato de ser holandesa a língua de que ela se serviu. que se dedicam à pregação. na sua maioria. considerados obras-primas. Identificação direta. uma língua tão pouco espalhada. é precisamente comum aos padres. No segundo caso. conquanto parcial a seu turno. que se pagam do pouco que dessa língua aprenderam no seminário. depois de haver ditado uma série de romances históricos. um eclesiástico. Curran) que. É sem dúvida. intitulado Telka. inteiramente ignorante da língua latina. contribui eficazmente para excluir toda dúvida da possibilidade de a médium a conhecer. pois foi escrito em língua anglo- . ao contrário. concorre. caindo nos erros ortográficos que então amiúde cometia. para impor a conclusão de que a entidade comunicante deve ter sido. se considerarmos que a aludida entidade escreveu na sua língua materna. sem cuidarem de lhe aprofundar o estudo. Porém. ou seja. visto que não poderia ser explicado mediante qualquer hipótese naturalística. que se não encontram facilmente estrangeiros aos quais se faça sentir a necessidade de aprendê-la. e enorme quantidade de poesias líricas e impecáveis. pois. Ora. sobre assuntos indicados. ditou um volumoso poema idílico. como costumam escrevê-lo. tudo isso. a identificação é direta. Caso 15 – Não me posso furtar a reproduzir em resumo o famoso caso da personalidade mediúnica “Patience Worth” (médium Sra. em geral. poema que cabe no rol dos casos de xenoglossia. de intercalar frases latinas em seus discursos. legítima e racionalmente. mas já suficiente ao nosso escopo. em vida. isto é. língua que a médium absolutamente ignorava. falar e escrever em latim. improvisadas a pedido. porquanto a entidade comunicante se assinou com o apelido pelo qual o tratavam em família e escreveu algumas linhas com caligrafia idêntica à que tivera em vida. em versos soltos.de de eclesiástico. dado que ele escreveu num latim que nada tem de clássico. uma identificação parcial. combinado com o fato de a médium. o caso de identificação assume valor concludente. os padres e os frades.

saxônia do século dezessete, combinada harmoniosamente com
inúmeros dizeres e locuções dialetais da época.
Tendo-me ocupado longamente com esse caso na minha monografia sobre a Literatura de Além-Túmulo, limitar-me-ei a
resumir e ilustrar quanto Patience Worth escreveu na língua do
seu tempo, tão diversa do inglês moderno.
Informou ela que nascera na Inglaterra, em Dorsetshire, no
ano de 1646 (ou 1694); que viveu na aldeia em que nascera,
trabalhando no campo até chegar à maioridade, época em que
emigrou para a América, onde algum tempo depois caiu vítima
de uma incursão de índios.
Farei notar que nalgumas ocasiões em que os experimentadores assinalaram a beleza literária do ditado mediúnico, Patience
Worth lhes observou “que já no período da sua existência terrena
possuía aquele mesmo temperamento imaginoso e poético”,
observação interessante, pois se presta a elucidar o mistério de
uma camponesa defunta manifestar-se mediunicamente, ditando
magistrais obras literárias em verso e prosa. Quer dizer que de
tais pormenores se deve inferir que à camponesa do Dorsetshire
era congênita a genialidade de escritora, cuja manifestação
apenas a sua humílima condição social impedira.
As primeiras obras literárias de Patience Worth foram ditadas
em inglês moderno; porém, logo ela se decidiu a ditar algumas,
entre as quais o magistral poema citado, na língua e nos dialetos
do século dezessete, declarando fazê-lo com o objetivo de provar
a sua independência espiritual com relação à médium, visto que
ninguém no mundo seria capaz de ditar um poema inteiro no
rude idioma anglo-saxônio de há dois séculos e meio e, além do
mais, sem nunca se deixar arrastar ao emprego de qualquer
vocábulo posto em uso depois daquela época. Em seguida,
volveu a ditar suas obras em inglês moderno, mas servindo-se
com absoluta oportunidade de locuções e vocábulos antiquados,
sempre que, assim fazendo, mais vivas tornava as descrições.
Nada obstante, continuou e continua a conversar claramente com
os experimentadores no seu dialeto nativo.

Pelo que toca ao poema Telka, adiantarei que, na época em
que foi transmitido, Patience Worth deixara de empregar o
instrumento mediúnico denominado “Oui-jà” e ditava romances
e poesias pela boca da médium, o que significa que esta última,
conquanto conservasse plena consciência de si, percebia uma voz
subjetiva, que lhe ia ditando palavra por palavra, de modo que
ela não fazia mais do que repetir, em voz alta, as que ouvia e que
um secretário ia escrevendo. Muitas vezes, era tal a rapidez do
ditado, que o secretário não conseguia acompanhá-lo, o que
obrigava Patience Worth a repetir a última frase e a moderar o
seu ímpeto. Ao mesmo tempo, a mentalidade da médium se
mostrava a tal ponto independente de quanto se exteriorizava por
seu intermédio, que conservava a liberdade de fumar um cigarro,
de interromper o que repetia, para tomar parte na conversação
em que se empenhavam os presentes, de levantar-se e ir à sala ao
lado responder a uma chamada telefônica, sem que tais interrupções influíssem, ainda que da maneira mais insignificante, no
ditado mediúnico, que prosseguia do ponto exato em que fora
suspenso. O mesmo se dava de uma sessão para outra. Quer
dizer!!! a personalidade mediúnica retomava o ditado precisamente no ponto em que parara, ainda quando entre uma e outra
sessões transcorriam meses. Certa vez, tendo-se perdido um dos
primeiros capítulos de um romance cujo ditado já avançara
muito, Patience Worth o ditou de novo. Achadas mais tarde as
folhas que se haviam extraviado, verificou-se que o segundo
ditado era a reprodução literal do anterior.
Tornando ao poema Telka, eis em que termos falou dele o
doutor Walter Prince, no seu magnífico estudo: The case of
Patience Worth:
“Para mim – e juízes muito mais competentes do que eu
se declararam da minha opinião – trata-se de uma produção
extraordinária, que merece qualificada de obra-prima. Tente
quem a leia desembaraçar-se de todo preconceito concernente à idéia que faça dos autores de ultratumba e, se o
conseguir, achar-se-á nas melhores disposições para apreciar o poema em todo o seu valor. Além disso, quem o ler deverá resignar-se a empregar um vigésimo da paciência e da

fadiga que lhe haja custado a interpretação da antiquada
língua de um Chaucer, em interpretar as locuções e a linguagem antiquada do poema. Quando, com relação a este,
se publicar um glossário dos termos menos compreensíveis,
ver-se-á que certos vocábulos curiosos são genuínas palavras antiquadas, de uso corrente naqueles tempos, ou vocábulos arcaicos e raros, porém que sempre existiram e que,
muitos deles, sobreviveram nos dialetos. Como quer que seja, mesmo sem glossário, quem o ler seguramente se maravilhará de topar com alguns vocábulos singulares, como se
admirará da significação dada a tal ou qual palavra; mas, ao
cabo de breve prática, reconhecerá que em todo o poema
bem poucas expressões há que realmente não possa compreender...3
... As personagens de Telka vivem. Vemo-las, conhecemo-las. Nenhuma, dentre elas, é a repetição de outra. Alguma poderá manifestar tendências e disposições idênticas
as de outra; manifesta, porém, ao mesmo tempo, características próprias, que a distinguem das demais. As personagens de Maeterlink, ao contrário (refiro-me a esse escritor
pela grande e merecida reputação que conquistou em análogo gênero de literatura), são, quase sempre, sombras sem
vida, que bem dificilmente se podem individuar pelas suas
palavras, ou por qualquer de suas outras características...4
... Todos, entretanto, reconhecemos em Maeterlink um
grande artista. Contudo, não posso deixar de observar que,
quando raiar o dia em que se dissipe completamente a repulsão que ainda inspiram as produções mediúnicas, desagradáveis, sobretudo, aos senhores críticos de arte, então se
verificará que Patience Worth, a julgar-se pelo seu poema
Telka, é superior de muitíssimo a Maeterlink...” 5
Dito isso, relativamente ao grande valor literário do poema,
torno ao tema que nos interessa, ao caso de xenoglossia que se
contém implícito no fato de haver sido o mesmo poema ditado na
língua anglo-saxônia de há dois séculos e meio, harmonicamente
combinada com vozes e locuções dialéticas da época.

e comprovou que naquele dialeto se haviam conservado. porém. é escrito em língua inglesa antiquada. intitulado Telka. Ainda a propósito da linguagem antiquada de Telka. Patience Worth designou como lugar do seu nascimento. pondera. fora de uso há séculos. se não existirem glossários que ensinem a pronunciar os vocábulos fora de uso. “a-blushen”. muitas palavras de que usara a personalidade mediúnica. esse mistério muito maior seria na hipótese de tratar-se de uma “personalidade segunda subconsciente” (mesmo que se lhe concedesse ilimitada potencialidade mnemônica). 341). por “set”. E. por “blushing”. província que. 228. o professor Schiller. A certa altura. conforme ficou dito. por “found” “a-zet”. pronúncia absolutamente ignorada em nossos dias. da Universidade de Oxford. “a-vount”. por “throwing”. constituído de 70.O Doutor Walter Prince fez um estudo comparativo sobre a língua antiquada que Patience Worth fala e escreve. desde Waller até Pope. permaneceu o vezo de juntarem um “a” ao começo de muitos vocábulos. como por exemplo: “adrowen”. a propósito da palavra antiquada scow (sapato).) O mesmo autor chegou a descobrir certo livrinho de um poeta que escreveu no dialeto do Dorsetshire. que Patience Worth disse pronunciar-se “shoo”. Entre outros. embora com alterações. “a-vallen”. porquanto a pronúncia fonética das palavras antiquadas não pode constituir objeto de uma reminiscência mnemônica. por “falling” e assim por diante (pág. pondera ele que o obstáculo insuperável para as hipóteses da criptomnésia e da criptestesia consiste no fato da pronúncia daqueles vocábulos. achando que boa parte dos vocábulos e locuções de que usa a personalidade mediúnica se encontra nos poetas e prosadores ingleses de antanho.: “Abala e impressiona o saber-se que um dos seus romances em versos soltos.000 palavras. sendo de pura origem anglo-saxônia 90 per cento dos vocábu- . faz notar que esse modo de articular-se aquela palavra ainda subsiste no Dorsetshire e acrescenta: “Já é um mistério o fato de o Espírito Patience Worth pronunciar a palavra scow com o som fonético com que ainda hoje é pronunciada.” (Pág. desde Chaucer até Spencer.

foi totalmente ditado em 35 horas! . Curran. XXXVI.. mas. R. Prova-o exuberantemente a circunstância de não a ter usado apenas em algumas de suas obras. A razão disso reside no estado de transição em que se achava a língua inglesa naquele período. quando ponderamos tudo isso. vol. pág... como Shakespeare.” (Págs. Quando ulteriormente viemos a saber que na primeira versão da Bíblia apenas há 70 per cento de vocábulos anglo-saxônicos e que preciso é retroceder-se até Layamon (1205) para se conseguir igualar a percentagem de termos anglo-saxões usados por Patience Worth. 363. não podemos deixar de reconhecer que estamos diante de um caso que se pode definir como “um milagre filológico”.. emprega às vezes um advérbio por um verbo. pela pureza da língua em que está escrito. a anglo-saxônia. até mesmo nas anomalias gramaticais. a seu turno: “Telka é único.” (Proceedings of the S. P. ou por um adjetivo. que publicou um livro sobre suas experiências com a Sra. mas de servir-se constantemente da mesma linguagem.. essa particularidade redunda em mais urna prova de que Patience Worth está de pleno acordo com a sua época.) Resta assinalar um último pormenor entre os mais surpreendentes e é que esse poema idílico de 70.000 palavras (270 páginas)... pela diversidade e extensão atribuídas ao significado de muitos vocábulos. por algumas das suas peculiares modalidades gramaticais.. 368.los empregados. por um substantivo.. sem que entre eles se depare com uma só palavra tomada à língua inglesa depois de 1600. superior a produções análogas de Maeterlink. Não pode haver dúvida sobre o fato de que essa linguagem de Patience Worth se deve considerar absolutamente espontânea nela.) O Sr. 364. em versos soltos. julgado. nota.. pela combinação das várias formas dialetais de diversos períodos. por críticos competentes. 574. uma obra-prima. Patience Worth.. Gaspar Yost. quando conversa com os experimentadores.

a da existência de urna “consciência cósmica”. no homem. a da “consciência cósmica”. muito mais ampla e perfeita do que a consciente e munida de faculdades supranormais e de capacidades intelectuais cuja emergência esporádica daria lugar às “inspirações” do gênio. considerada no sentido que lhe atribui o professor William James. intitulado The Merry Tale (Conto Alegre). Patience Worth ditou um belíssimo romance satírico. Adstringir-me-ei aqui a observar que. isto é. para . a todo custo. É que esse trabalho de análise e de crítica já foi por mim efetuado na monografia sobre a Literatura de Além-Túmulo. metapsiquicamente falando. finalmente. caso em que se viria a admitir que a subconsciência dos médiuns se põe em relação direta com o Ente Supremo. a fim de mistificarem os míseros mortais. exaurido o tema nessas dez páginas de análise e de crítica cerradas. segundo cuja opinião poderse-ia inferir. de uma personalidade integral subconsciente. a origem subconsciente de todas as manifestações metapsíquicas. ao qual teriam livre acesso os médiuns. de Myers. Quatro foram as hipóteses discutidas: a da “personalidade segunda subconsciente”. Devendo restringir-me aqui a analisar e discutir as hipóteses naturalísticas que se possam formular para explicação do caso em apreço. para quem tratar-se-ia de um atributo verdadeiro e próprio do Absoluto. literalmente. tomada no sentido em que a considerou Hartmann. Não querendo repetir-me e havendo. só me cabe pedir aos leitores que se reportem ao referido trabalho. tomada no sentido estritamente psicológico de uma fração sistematizada da dissociação psíquica do paciente. em realidade. a da “consciência subliminal”. para dele extraírem tudo o de que necessitassem. com uma formidável perplexidade me defronto. para ficarem a par da discussão completa das objeções formuláveis pelos que propugnam. na mesma língua anglo-saxônia. a existência de um “reservatório cósmico das memórias individuais”. se fácil me foi a empresa de demolir todas essas hipóteses baseando-me em numerosas circunstâncias de fato existentes nas obras de Patience Worth. e. tomada no sentido da existência. em dez páginas de texto.Além do poema Telka. de Deus. pelo nobre intento de ludibriar o próximo.

nem a da “consciência subliminal”. isto é. ter-me-ia bastado o só fenômeno de xenoglossia ora considerado. do mesmo modo. o que equi- . na arrevesada língua anglo-saxônia do décimo sétimo século e. Patience Worth não passa de uma “seleção do Absoluto”. apreciou ambas as ramificações da hipótese da “consciência cósmica” da maneira seguinte: “Há filósofos que. todos nós. pois. Se me ponderarem que uma personalidade finita não pode deixar de ser uma “seleção do Absoluto”. ainda menos. hipótese formalmente blasfema. julgo que é perder tempo tomá-la em consideração. porquanto nem a hipótese do “subconsciente psicológico”. enquanto que outro. Observarei que esta segunda versão da hipótese de que se trata não leva na devida conta o problema da “seleção aos fatos” no reservatório em questão. Devemos. acima de tudo. falará de uma arte gotejada de um “reservatório cósmico”.atingir o fim a que visava. que o tenha feito sem cair nunca no anacronismo de interpolar ao texto vocábulos latinos entrados em uso depois de 1600. nesse sentido. somos. mais moderado. mal dispostos se mostram a parar. “seleções do Absoluto”. estar prontos a aprender de qualquer crítico que a arte literária de Patience Worth nada mais é do que uma autêntica revelação do Absoluto. tendo enveredado pela cômoda via da hipotética extensão da personalidade humana. doutra feita que considerou o caso com que nos ocupamos. com Deus. a de que. O filósofo. enquanto não cheguem ao Absoluto. então. Patience Worth viria a ser uma revelação. Quanto à outra hipótese. professor Schiller. nem a do “reservatório cósmico das memórias individuais” jamais chegarão a explicar a circunstância de uma personalidade mediúnica escrever um poema e um romance. responderei que semelhante explicação explica demais. onde foram sendo recolhidos e guardados todos os esforços literários dos séculos. humorística e excêntrica daquele Absoluto infinitamente perfeito de que falam os filósofos. em tal caso. visto que se. ao passo que a primeira daria de chofre noutra formidável dificuldade. tendo por nobre escopo ludibriar o próximo. a dos médiuns se porem em comunicação com o Absoluto.

no tocante à hipótese do “reservatório cósmico”. Acresce que seria indispensável igualmente que quem deles se servisse estivesse apto a discernir os vocábulos arcaicos em uso antes de 1600 dos que começaram a ser usados depois dessa data. somente utilizável por quem se achasse plenamente a par do significado de cada vocábulo de per si. das locuções dialéticas e das inúmeras elisões inerentes ao idioma a que pertenciam os aludidos vocábulos. Apenas acentuarei que. das construções gramaticais.) Assim argumenta o professor Schiller e a mim me parece que a sua argumentação é de tal maneira frisante e decisiva. a objeção que Schiller formula. dado que. R. desde que a sua personalidade normal jamais possuíra tais conhecimentos e que estes não poderiam existir latentes em parte alguma. se houvéssemos de presumir que no “reservatório” em questão se recolheram e guardaram todos os vocábulos arcaicos da língua inglesa. porquanto a estrutura orgânica de um idioma é pura abstração. 57.” (Proceedings of the S. das descrições dos nomes. nos limites da argumentação exposta. ou escreverem em línguas orientais extintas há milhares de anos. desusados desde 1600. . Restaria ainda a considerar uma quinta hipótese.vale a dizer que. Patience Worth seria um “espírito” como todos os outros. assim como da conjugação dos verbos. exautorada pelos fatos. se torna formidável. a seu turno. como já ficou demonstrado que essa hipótese se não concilia com o fato de médiuns falarem uma dúzia de línguas que desconhecem. pág. que me dispensa de acrescentar o que quer que seja. Daí resulta que a hipótese fantástica do “reservatório cósmico” não resiste de frente à prova dos fatos e deve. XXXVI. Mas. P. segue-se que seria inútil continuar a discutir uma hipótese absurda. vol. ser excluída do rol das capazes de dar completa solução ao caso presente.. no caso especial de Patience Worth. de não levar em conta essa hipótese o problema da “seleção dos fatos”. também temos de reconhecer que tudo isso representa um material grosseiro. a da “memória ancestral”. por parte da personalidade subconsciente do médium. empresa que a “personalidade subliminal” da médium não houvera podido realizar.

até ao 24. em que tomaram parte. . quando conversa com os experimentadores. Ninguém ignora que Florizel von Reuter é célebre no mundo artístico. excelência que lhe granjeou a cognome de “Paganini redivivo”. mas de dois grossos volumes que formam um total de 600 páginas. dos mais incontestáveis. que aos metapsiquistas já não é lícito eximirem-se de lhes discutir o imenso alcance teórico. pois. de há três séculos. que mais não é do que uma variedade aperfeiçoada do “quadrante alfabético com ponteiro móvel”. do ponto de vista dos fenômenos de xenoglossia. necessariamente. houve a intervenção de uma entidade espiritual extrínseca. por conseqüência. quanto a exemplos que provem de modo resolutivo que os fenômenos de xenoglossia existem e. inclusive a ultrafantástica de ordem metafísica. se exprime invariavelmente no seu dialeto pátrio. no caso de Patience Worth. sem considerar que a mesma entidade espiritual. tendo-se em vista que não se trata aí de simples frases. cumpre notar que. que mais não se poderia desejar. Isto posto. como médiuns. comparáveis aos melhores que atualmente existem. do que se deverá deduzir logicamente. ou de poucas páginas ditadas por um médium em língua dele ignorada. sendo ambos médiuns escreventes. pertencem todos a uma série única de experiências importantíssimas. o musicista Florizel von Reuter e sua mãe. Há muitos anos vem ele se ocupando de pesquisas psíquicas. entrincheirando-se no invalidado pressuposto de ainda ser duvidosa a existência deles. o caso de Patience Worth deve considerar-se dos mais importantes. Repito. que. Caso 16 – Os episódios que se seguem. familiarizada com a língua de que tão corretamente se serviu.Concluindo: a eliminação de todas as hipóteses naturalísticas. Essa forma de mediunidade exercitam-na os dois mediante um instrumentozinho denominado “Indicador”. se resolve no triunfo incondicional da interpretação espiritualista dos fatos. dos mais concludentes da categoria respectiva. juntamente com sua mãe. pela rara excelência da sua arte de concertista “virtuose” do violino.

quem quase sempre desempenhava o papel de médium era sua mãe. húngaro. P. Assim foi que ele recebeu mensagens em quinze línguas diferentes. o francês. não raro sofísticas. lituano. que escreveu os prefácios de seus dois livros e assistiu a muitas experiências que vamos apreciar. querendo constringir todas as manifestações mediúnicas de natureza inteligente ao angustioso círculo das “personificações subconscientes”. irlandês. o italiano e um pouco do sueco e do latim. quando escrevia . Florizel foi grande amigo de Sir Conan Doyle. de cujo número. o espanhol. pois. o alemão. de um amigo a quem ele submetia as mensagens mediúnicas que recebia. com efeito. no seu espírito. devem excluir-se as que lhe eram mais ou menos conhecidas e de sua mãe. norueguês. as primeiras mensagens que foram transmitidas em línguas ignoradas de ambos. conhecem. R. dos quais tiro os episódios que me proponho citar. de Londres. conquanto von Reuter possua ótimas faculdades mediúnicas. porém. Os dois médiuns praticavam exclusivamente para se instruírem e não tardaram a obter ótimas provas de identificação espirítica. numa das quais a mensagem veio escrita em árabe. além do inglês. que. que exigia lhe vendassem os olhos antes de começarem os trabalhos e que. que é a língua materna dos dois. porém.. persa. Assinalarei. e também presidente da Society F. atual presidente da Society for Psychical Research. Intitulam-se esses livros Psychical experiente of a Musician e The Consoling Angel. polonês. holandês. finalmente. mensagens em russo. Desse estado de ânimo se originaram. árabe e turco. Quer isto dizer que os defuntos que se comunicavam recorreram a esse sistema de provas irrefutáveis com o objetivo de demonstrarem aos dois experimentadores a absurdidade em que persistiam. ambos notáveis poliglotas. fomentavam as objeções capciosas. não deixava de sentir-se atenazado por toda sorte de perplexidades e dúvidas que. o Doutor Walter Franklin Prince. entretanto. ao que parece. von Reuter.Sobre suas experiências pessoais já ele publicou dois livros importantes. de Boston. Receberam.

que indica sucessiva e rapidamente as letras do alfabeto. que a mensagem é obtida com um pequeno instrumento mediúnico. Escreve Florizel: “Chego agora a uma das mais interessantes e convincentes sessões que celebramos. por vezes. É esta uma circunstância notável. em resumo. . o notável médium de voz direta. precisa refletir-se num espelho. da Sra. porém. em presença da Sra. provavelmente. Freshel. Realizamo-la a 27 de abril de 1926.em língua que lhe era desconhecida. porque outros Espíritos aguardam a sua vez. e do Sr. Cannon (célebre advogado de Nova York este último) e de Jorge Valiantine. por meio da escrita “especular”. que deseja saudar-te. Louvado seja Deus. para ser lida. que. Boa noite. nesse período das nossas experiências. não posso demorar-me. como já se disse. Tais os esclarecimentos preliminares. subconsciente. Está aqui um húngaro. nosso Espírito-guia. O que segue foi o primeiro episódio ocorrido com os médiuns em língua que eles e as outras pessoas presentes ignoravam. das quais apenas citarei uma parte e. mas. para a conveniente validação das notabilíssimas experiências de xenoglossia realizadas pelos dois Reuter. Acresce. ao meu último concerto). provido de ponteiro móvel. tanto mais quando. porquanto basta. isto é. na saleta da casa. em alemão invertido: “Venho saudar os amigos e dizer-te que estou orgulhosa do meu grande artista (referia-se. escreveram: “Hier ist Ernst”.” De súbito. outra circunstância que ainda maior eficácia probante imprime às experiências. ou seja. por si só. a médium operava sempre de olhos vendados. no nosso caso. foi a primeira a manifestar-se. para me não alongar excessivamente. freqüentemente o fazia em sentido inverso do normal. Todas essas pessoas se declaram prontas a dar testemunho da exatidão de tudo quanto passo a expor. ou. “Eufrosina”. Escreveu as seguintes palavras. para demonstrar que tal escrita é genuinamente supranormal. se quiserem. que julguei indispensáveis. do ponto de vista comprovativo.

Enquanto estas vinham escritas em línguas que mais ou menos conhecíamos. em língua de todos ignorada foi escrita uma frase que. (Foi um violinista célebre. pois passara grande parte da sua vida na Alemanha.” (Seguiram-se outras manifestações. Bravo!” Foram estas as palavras escritas em húngaro. – “Exatamente. por motivo da palavra “Magyar”. escrevendo em húngaro? R. porventura. Não me posso demorar mais. Estiveste esplêndido no último concerto. porque outro amigo espera a sua vez. de todo modo.” (Essa resposta foi dada em alemão. assim fazendo. – “Sim. Quando conseguimos a tradução.Grandemente surpreso. que morreu em 1865. tento fazê-lo por divertimento. perguntei: “Queres dizer que és Heinrich Wilhelm Ernst?” R.) Algo de extraordinário então ocorre. – “Sim”. jubiloso por me achar com vocês. Embora nenhum dos presentes conhecesse coisa alguma do húngaro. “Erti amìt mondok Magyarul.) Observei: – Suponho que. que não dizem respeito ao nosso tema. mas. não? R.) Florizel von Reuter comenta assim o episódio: “Essa sessão foi realmente notável. Eu me achava presente. não importa. Sinto-me. pelo “Indicador”. Perguntei: – Estás. viemos a saber que esse texto dizia: “Verifico que nenhum de vocês conhece o húngaro. Nem tesz semmit szeretek itt lenni orvendek”. compreendemos que devia tratar-se da língua húngara. nos quiseste fornecer uma prova da tua presença. língua que o defunto Ernst conhecia bem. porque nela se nos proporcionou uma prova convincente da origem supranormal das mensagens que obtivemos. não se .

é exato. Tal fato apenas significaria que. no fato de se me ter manifestado Heinrich Wilhelm Ernst. Conhecêramos. por lei de afinidade. da qual apenas sabíamos as palavras “hot” e “cold” escritas nos aparelhos caloríficos dos trens na Áustria-Hungria. entretanto. idiomaticamente.podia excluir a teoria da “cerebração subconsciente”. as palavras da mensagem não eram precisamente as que poderiam com facilidade achar-se no cardápio do “Hotel”. O Doutor Walter Prince me descreveu os prodígios da chamada “memória visual”. sem levar em conta que ver escrita uma palavra não significa compreendê-la. a família dos condes húngaros Erno Suchy. nem eu jamais tivéramos qualquer contacto com a língua húngara. a hipótese do subconsciente recebera uma cutilada mestra. outra família húngara em Budapeste e uma terceira em Nova York. ao demais. Mas. mas. observarei que. com o emprego da língua húngara. Ponderarei também que eu modernizara e republicara mui- . se bem muitos dos períodos escritos fossem. ele se achara em relação com a tonalidade vibratória da minha mentalidade. esses nossos amigos sempre falaram o alemão ou o inglês na nossa presença. tão bem assestada que lhe não era possível apará-la. do mesmo modo que ouvir um húngaro pronunciar palavras que lhe sejam incompreensíveis não pressupõe que o seu subconsciente haja de lhes absorver o significado e que. haja de adquirir a faculdade de escrevê-las. com correção ortográfica. por demais complicados para os conhecimentos lingüísticos de minha mãe. De outro ponto de vista. Nem eu nem minha mãe jamais compulsamos nenhum manual de frases húngaras. ninguém poderia enxergar uma possibilidade inverossímil. porém. ainda. Já o aparecimento do latim nos ditados abrira brecha na muralha do meu cepticismo. ao qual a Ciência atribui tantos prodígios assombrosos. ou em letreiros existentes nos logradouros públicas de Budapeste. como minha mãe aprendera na escola um pouco desse idioma. Nem minha mãe. possibilidade sempre havia de que aquelas frases latinas lhe tivessem ficado latentes no misterioso depósito do subconsciente.

tas das suas composições musicais. A seguir foram indicadas estas letras: . pois ele soube admiravelmente refutar as hipóteses e os argumentos mais ou menos engenhosos e sofísticos que lhe opuseram. a “cerebração subconsciente” e as “personalidades sonambúlicas”? Caso 17 – Em data de 8 de maio de 1926.. Entretanto. estávamos sós e. pág. Assim falou o expositor do caso e não me parece necessário acrescentar qualquer coisa ao que se acaba de ler. A palavra “rooskee” deu causa a que eu perguntasse se estava presente o Padre Stanislow. 107)”.” (Psychical experiences of a Musician. o que quer dizer que a personalidade espiritual comunicante conhecia o significado das palavras empregadas e a construção gramatical da língua em que escrevia. que tocara freqüentemente essas composições. que se haviam tornado antiquadas. (Sim. e escrevera de modo muito favorável sobre ele no meu livro tratando de compositores de música para violino.. procurando entrar em conversação com os “amigos”. foi ditada uma série de letras. Obtive. uma vez que seja possível tal manifestação. que Florizel von Reuter expõe da maneira seguinte: “Na noite de 8 de maio. que pelas suas combinações pareciam pertencer a alguma língua que ignorávamos: “Ya rooskee braht mne maht angleechee”. ocorreu outro fenômeno de xenoglossia em língua russa. Nada. o Padre). hoje pouco executadas. como resposta: – “Da. mas não cria – a propósito de frases em língua ignorada. com efeito. Assim sendo. Que é o que com tudo isto têm que ver a “memória visual”. verificamos não se achar presente nenhum dos nossos habituais interlocutores. Pater”. criadas pelas circunstâncias. mais sofístico do que trazer à baila os prodígios da “memória visual” – que reproduz. nada de absurdo se poderia descobrir em o Espírito do violinista Ernst se me haver manifestado.

foram indicadas as letras “Spahkohiny nochee” e dessa forma terminou a sessão. “Mais uma vez.) Por fim. mas. louvado seja Deus. Laus Deo”. A seguir. mas que foi respondida com as seguintes letras: “Kahzherekah”. tive oportunidade de obter uma tradução daquelas frases russas. em italiano: “Ancora saluti”. Disse eu então que desejara me traduzissem em russo a frase “Agradeço-lhe”. (Sim. ditando: “Da. o “Indicador” escreveu: “Blagahdarst”. pelo menos. – Quer esta palavra dizer: “Agradeço-lhe?” R. da. no entanto. novamente ditaram: “Nochee”. blagahdarst vooyoo. Veio-me à mente que talvez a Inteligência que se comunicava desejasse recitássemos uma prece e.SNTODALETNEDALEK O S H T O S P R A H T S E E L E E. foram repetidas as letras iniciais da primeira mensagem: “Shtodalet”. as que anotei. cujo teor é este: “Ya Rooskee braht mne maht angleechee” significa: “Eu (sou um) frade russo. quando se tem de registrar a correr caracteres de uma língua que se ignora. com essa idéia. Passados muitos dias. em que é muito fácil o engano. enquanto o ponteiro do “Indicador” as apontava com excessiva rapidez. minha mãe era inglesa”. São estas. Imediatamente. Perguntei se Padre Stanislow queria que recitássemos aquela prece no princípio de cada sessão e o “Indicador” se moveu energicamente. P. saudações. muito bem.) . fiz uma observação da qual já me não recordo. Convenho. sim. bene. findo o qual.6 – “Shto dalet” significa: “Que devo fazer”? (Refere-se provavelmente o comunicante à dificuldade que encontrava para fazer-se compreendido.” Nesse ponto. – “Net.” Finalmente: “Nochee” e “Pater Noster”. eu e minha mãe recitamos o “Pater Noster”. Depois.

farei . É de notar-se. – “Blagahdarst vooyoo” é: “Agradeço-vos”. em primeiro lugar. ditou. a tal respeito.) – “Shto sprahivytee” não constitui frase muito correta. – “Kazherekah” não parece inteiramente correto. (Não consigo atinar com a razão de tal resposta. Apenas dois erros se cometeram no registro fonético das palavras. o que poderá indicar que o defunto comunicante. filho de mãe inglesa. se bem eu e minha mãe ignoremos o russo. é provável respondesse a esse pensamento: “Não iremos longe com a nossa conversação”. imediatamente foi respondido: “Não”. 2ª – O significado lógico dos vocábulos exclui a teoria do subconsciente. respondendo à minha pergunta. ao passo que. “Net” é “não”. 3ª – É particularmente interessante o caráter fonético das palavras. e logo ditada a expressão correta: “Blagahdarst vooyoo”. porquanto corresponde ao modo pelo qual um inglês registraria o som dos vocábulos russos. – “Spahkohiny nochee”. possuía certo conhecimento do inglês. a escrupulosa meticulosidade com que a entidade comunicante.” Eis como o narrador comenta o caso: “Três circunstâncias merecem destacadas na mensagem acima: 1ª – Terem sido ditadas frases e palavras russas atinentes às circunstâncias do momento. as letras deviam ser escritas deste modo: “Kazhetka”. a palavra “Blagahdarst” (agradecido). As letras deveram ter sido dispostas assim: “Shlto sprashivayeti?” (Que me perguntas?) – “Blagahdarst” quer dizer: “Agradecido”.– “Ne da leko” quer dizer: “Não longe”. pois não me lembro de muitas observações que fiz. “Boa noite”. Como quer que seja. quando perguntei se essa palavra queria dizer: “Eu vos agradeço”. que significa: “Creio-o”. mas. ou poderá significar que a subconsciência de minha mãe ouvia as palavras e as transcrevia conforme lhe soavam.

Direi mais que. não há duvidar. estupefacientes. por outro lado. suas lembranças atávicas.notar que a fonologia latina das palavras “vooyoo”. desde que entre seus antepassados um se conte que a tenha falado em vida.. resultam infinitamente mais complicadas. Na sua penetrante análise acerca da possibilidade de explicar-se a mensagem transcrita. que falasse russo. “roosky”. a “memória visual” está fora de questão. porém que. pelo menos até onde podem remontar. numa existência anterior. Haveria também outra teoria segundo a qual uma pessoa poderia herdar subconscientemente a consciência integral de uma língua que inteiramente ignore. mas pretende que a mensagem ainda se poderia explicar por meio da “memória oral”. por lhes emergirem da subconsciência conhecimentos lingüísticos atávicos. Igualmente improvável me parece a hipótese dos que aderem à teoria da reencarnação. de modo que os médiuns a falariam. sob forma de respostas apropriadas a perguntas formuladas no momento mesmo. Como quer que seja. se tais hipóteses testificam a favor da ardorosa imaginação dos que as conceberam. que poderão parecer interessantes em si mesmas. a ponto de um belo dia poderem elas brotar-lhe da subconsciência. no caso de uma língua como o russo. considero de meu dever aludir a todas essas hipóteses extraordinárias.. inverossímeis. “nochee”. para ser tomada a sério. porquanto a circunstância muito hipotética de minha mãe ter podido ouvir pronunciadas as palavras russas que foram escritas não bastaria para lhe conferir o dom de compreender-lhes o significado. através do tempo. embora reconheça que tal explicação não chega a alcançar o conjunto dos fatos. sem exorbitar dos poderes da subconsciência. segundo os quais minha mãe. do que a explicação espiritualista dos fatos. revelam neles uma conspícua deficiência de senso comum. que tem alfabeto próprio. “notxi”. deveria ser: “vuiu”. Semelhante teoria é por demais fantástica. houvera falado a língua russa. sem mesmo considerar-se que nenhum antepassado minha mãe teve. o Doutor Walter Prince admite que. “rusqui”. .

porém sua família emigrara para a América. págs. quando ela contava dois anos apenas de idade.. Miss Minna Eckmann e Miss Dorothy Schapira. – “Neecheevo”. – “Da” (Sim). – Com quem desejas falar? R. – “Ja ahtayts” (Sou pai).8 P. R. (Não importa.) . tendo assistido ao segundo uma senhorita a quem era familiar essa língua. – “Ja etah” (Sou eu) P. 166-120. não pode haver dúvida de que quem pretenda mostrar-se imparcial e imune de preconceito se vê conduzido.” (Ob. morreu-lhe o pai. – Quem és? R. – É russa a língua em que escreves? R.) “Kak ya schahsleep”. Esta nascera na Rússia. em presença de duas moças hebréias. mas não compreendemos o russo. (Sintome feliz com isso. fique entendido que nenhum dos presentes conhecia a língua russa. (Dáme grande prazer o escrever. que jamais em sua casa ouvira falar senão o inglês e o hebraico. cit. Assim os descreve Florizel von Reuter: “O primeiro caso ocorreu a 11 de agosto.) P. – “Dahch mne” (Com filha minha). – “Nett”. 7 P. perguntamos: – Quem está presente? R. Disse eu: – Sinto muito. “Etah menyah oshen rohdooyet”. (Não).) Casos 18 e 19 – São dois episódios em língua russa. nem mesmo Miss Schapira. a admitir que a explicação espiritualista dos fatos é a única acorde com os métodos de indagação científica. – Serás o padre Stanislow? R. Muito embora ao lado das frases em russo eu coloque as respectivas traduções. Há poucos anos. Mal o “Indicador” começou a mover-se. logicamente.Tudo bem considerado.

que vivera por muitos anos em Riga. chamada Jenia Blumfeld. (Pai. ainda moça. Quis que ela assistisse a uma experiência análoga. quem és? R. Nicolau. – Por quem? R. É minha filha. quem és.) “Prashchaite”. dizendo: “Creio que os pus em grande embaraço”. Foi quem traduziu a mensagem acima transcrita. No dia seguinte. (Adeus. afinal.) Em seguida. vim dizer-te que eu sou. A 21 de agosto de 1926. – “Já duas vezes o escrevi.) “Pahnemayen?” (Compreendes-me?) Miss Schapira observou: Esta última palavra quer dizer: “Compreendes?” Perguntei: – És então parente de Miss Schapira? R. a fim de que seja traduzido por Ma.” P. a mesma entidade passou a exprimir-se em inglês. Yapreeshol skacasaht vam” (Sim. porém. – “Não te lembras de como se diz “pai” em russo?” (Miss Schapira fez notar então que seu pai fora sempre muito amigo das brincadeiras de surpresa e concordou em que a personalidade que se manifestara era tipicamente ele. Dorothy (Miss Schapira) deve levar para casa tudo o que escrevi.Observou Miss Schapira: “Tenho vaga lembrança desta palavra”. – “Por sua mãe. visitou-nos uma senhora. – “Ahtayts”. o meu Espírito-guia. Dahch mne”.” Miss Schapira – Dize-me. R. – “Ahtayts.) Perguntou Miss Schapira: – Es um Espírito sincero? R. (O pai (seu). Perguntei: – Mas. escreveu pela minha mão: “Pedirei a um russo meu amigo que escre- .) Esse o primeiro episódio. P. – “Da. – Quem és? R. palavra que ninguém no momento compreendeu.

Primeiro.” Assim minha mão tomou do “Indicador”. (Perdoame. – Não conheço esta palavra.) Miss B. nunca ouvi tal palavra. pois que já o padre Stanislow o escrevera. nos dispúnhamos a tentar a prova. – Isto quer dizer: “Estou satisfeito por me achar com vocês esta noite”. R.” Quando. Miss B. Exclamei: – Ó! isto quer dizer “boa noite”. – “Neecheevo”. o ponteiro imediatamente ditou: “Devo escrever em alemão ou em russo?” Respondi que desejava escrevesse em russo e logo foi ditado: “Dobry vecher”. R. mas espero que o faça. Miss B. – (em alemão): “Quer dizer: feliz”. naquela noite. Depois. Não posso prometer. escreverá ele.) “Oostal”. Nicolau abriu a sessão.) “Poznah”.) “Prahsteete”. Em seguida foi ditada alguma coisa que anotei assim: “Ya peetakt”. R. – Não me lembro da palavra “Poznah”. R. Seguiram-se as palavras: “Y mne zdes nrah veetsa”. intervirei eu. – “Ya ocveren ftomshta gahvaryoo”. – Isso quer dizer: “Estou cansado”. Depois foi escrito: “Spakoini noochee”.va na sua língua. (Boa noite). Miss B. foi escrito: “Pahnemayeti” e Miss Blumfeld explicou que a palavra significava: “Compreendeste-me?”. (Eu sei o que digo. depois. . Miss B. a palavra feliz é: “Schastleevy”. – Como quer que seja. – Pelo que sei. – “Kakoisram!” (Que vergonha!) (Dito sarcasticamente. (É tarde. (Não importa. escrevendo pela minha mão: “O amigo de quem falei está aqui.) Miss B.

Provavelmente. No dia 12 de setembro. Se fosse “paytakt” significaria “pequena moeda”. quer dizer “assim”. disse: – Vivamente agradecemos a tua visita e quanto escreveste. – Quem és? R. “Takt”. significa: “É tarde”.E. mas a sua tradução fez que me recordasse dela. tirando cópia das diversas mensagens. Boa noite. A língua russa me é familiar. À noite. (Fico-te muito obrigado. para enviá-la ao Doutor Walter Prince. R. verificou-se inesperadamente a continuação da mesma conversa. não chegamos a determinar o significado da palavra “peetakt” ou “paysakt”.” Em suma.” P. o “Indicador” escreveu: “Quero falar-te de um argumento que te interessa. antes de enviares a carta a seu destino. tomada insuladamente. a palavra é “cheetakt” que significa “ler”. O “Indicador” voltou a ditar: “Poznah”. mas não conheço a palavra “peetakt”. “Felicidade” se diz “Schastleevy”. dirigindo-me à entidade que se comunicava. – “O tradutor.” Encetamos logo as pesquisas necessárias e chegamos a verificar que a tradução das palavras “Cheetakt” e “Takt” . – “Ochen blagahdahren”. Entendi que te daria prazer ficares informado a esse respeito. Perguntei então: – Que significa “Peetakt”? R.) Houve uma pausa. – “Como pronuncias a palavra! “Paysakt” quer dizer “feliz” ou “contente”. Eu trabalhara o dia todo. logo. Tomei do lápis e imediatamente Nicolau escreveu: “É muito fatigante para um Espírito escrever em língua que o médium ignora”. Entre elas estava a que deixamos acima transcrita. a fim de que as submetesse a um exame cientifico. Miss Blumfeld exclamou: – Maravilhoso! Eu esquecera inteiramente essa palavra.

na mensagem de que se trata.. Assim sendo. assim como a palavra ligeiramente sarcástica dirigida a Miss Blumfeld. do ponto de vista teórico. sobretudo. repito. porém. O valor metapsíquico das duas últimas mensagens não consiste apenas no fato de terem sido escritas frases e palavras em língua que o médium ignorava. o vocábulo “poznah”: “Vergonha!” Atenda-me. quando lhe agradeci a intervenção: “Fico-lhe por isso muito obrigado”. Os adeptos da hipótese telepática se mostrarão propensos a crer que. não se mantém de pé ante a circunstância de que a várias experiências já relatadas não estivera presente pessoa alguma conhecedora da língua mediunicamente empregada. o fato de uma o ter sido com incorreção. O mesmo inconveniente ocorre na transmissão dos telegramas. forçoso se torna procurar algures uma hipótese capaz de explicar o conjunto dos fatos. igualmente. sem que por isso ninguém duvide da autenticidade do transmitente.estava certa. Atenda-se à enfática resposta dada na discussão sobre a palavra “peetakt”: “Sei o que digo”. mas. telepaticamente se poderia explicar o suposto fenômeno de xenoglossia. na circunstância de que tais frases e palavras compõem respostas precisas a perguntas formuladas no momento. Semelhante hipótese. certamente não altera o valor teórico da experiência. Tudo isto. presente à sessão uma pessoa que conhecia o russo. conforme alguém ultimamente me ponderou. Provavelmente era “deelakt”. o que. se bem fosse versada na língua russa. ou de haver sido incorretamente apanhada. exclui toda possibilidade de mistificação consciente.. como elimina qualquer tentativa de insinuação de haver sido preparado de antemão o texto da mensagem. por desconhecer. Quanto à verdadeira palavra que a Inteligência quisera transmitir. que significa “satisfeito”. à resposta delicada que me dirigiu. . não conseguimos descobri-la. exclui definitivamente a hipótese do “subconsciente”. Tendo-se em conta as muitas frases e palavras transmitidas corretamente.

à entidade comunicante. que nas mensagens aqui consideradas se repete várias vezes sob formas diversas. Importa.A propósito da importância que possa ter a presença de uma pessoa que conheça a língua em que o médium escreve. págs. que se propu- . existentes naquela.. tal como as ouvia. o que lhe facultava escrever em russo com o alfabeto latino. Agora. presumir que. cit. 234-239. Em tais condições. atentar nas palavras do Espírito-guia Nicolau: “Pedirei a um russo meu amigo que escreva na sua língua. experimentava com o “Indicador”. Minha mãe pousou três dos seus dedos sobre a mão da dita senhora e imediatamente o “Indicador” começou a escrever com extrema rapidez em russo fonético. então. ao contrário. conseguiu escrever foneticamente em russo!” (Ob. importantíssima e única de fenômenos de xenoglossia. No caso da Sra. Uma senhora russa. porém nada de inteligível conseguia obter. minha mãe. Reuter. servindose esta dos centros de inervação da linguagem escrita. confirma o que eu disse em começo: que as experiências de Florizel von Reuter oferecem uma série longa. que não conhecia o russo. no caso da senhora russa. uma vez se admita serem diversas as modalidades sob as quais a escrita automática se produzia pelas duas médiuns. porque o instrumento não se achava munido do alfabeto russo. além disso. possuidora de faculdades mediúnicas. Deve-se.” Esta observação. reflitamos por um momento: a senhora russa não conseguiu escrever em sua língua própria com o “Indicador”. exprimir-se em russo por meio do alfabeto latino. bem se compreende que impossível fosse. mas espero que o faça. deve-se presumir que a escrita psicográfica se produzia de forma telepático-auditiva. entretanto.) Este último curioso incidente explica-se. a escrita psicográfica era produzida pela intervenção direta da entidade que se comunicava. Não posso prometer. aqui está um incidente curioso ocorrido conosco. produzidos por iniciativa de personalidades de defuntos. que a mesma senhora teve certa dificuldade em interpretar na insólita ortografia empregada. o que vale por dizer que o seu subconsciente percebia o som das palavras que a entidade comunicante transmitia e que ela anotava foneticamente.

Quanto mais aprendemos. se dissipasse a dúvida teórica. assente no fenômeno da mediunidade poliglota.. a fim de recuperar a confiança perdida na solução espiritualista da grande questão. a fim de que. que o levam a inquirir de si mesmo se será possível que. que constantemente lhe renascia. qual se revela ao pesquisador ponderado. ponderando-lhe que. entre milhares de milhões de indivíduos ignorantes e indiferentes. fato que elimina todas as hipóteses naturalísticas. por haver recebido do Doutor Walter Prince uma carta geradora de novas perplexidades. que a presença espiritual deles ali não era uma hipótese de trabalho. para fazê-lo escrever na sua língua. se for criteriosamente difundida. em que o polonês foi a língua utilizada pela personalidade mediúnica. mais do que nunca eu me sentia sequioso de novas e sempre novas provas. A conseqüência foi que ousei desabafar-me com minha mãe. está destinada a subverter e a renovar a civilização do mundo. somente nós espiritistas nos achemos no limiar de uma nova ciência portentosa que. as provas por mim obtidas se iam acumulando. Escreve Florizel von Reuter: “Há momentos em que nem mesmo o investigador mais ardoroso e isento de preconceitos pode evitar que dúvidas de toda espécie o atormentem. Sobreviera-me esta última crise de dúvida.nham assim provar ao experimentador. tanto mais insaciável se nos torna o desejo de saber. afinal. repete-se o mesmo incidente de uma entidade espiritual anunciar previamente que traria à sessão o Espírito de um polonês. imponentes. A própria grandiosidade do tema. na mentalidade do experimentador. atormentado pela dúvida. Apresso-me a acrescentar que desta vez a entidade espiritual conseguiu o seu objetivo.. mas um fato real e positivo. com respeito à interpretação dos problemas psíquicos. À medida que. Caso 20 – Neste outro episódio. ainda não conseguíramos uma demonstração positiva de que as . Francamente declaro que ocasiões houve em que honestas dúvidas me apoquentaram a ponto de me ver constrangido a recomeçar meticulosamente a análise dos prós e dos contra. constitui causa de momentâneas hesitações.

em Berlim e nenhum de nós saiu só de casa. sob palavra de honra. a escrever: “Advirto que nem todas as palavras da mensagem foram corretamente transmitidas. que a enviou a um membro polonês da mesma Sociedade. a mensagem foi bruscamente interrompida por esta observação em inglês: “Ela está muito cansada e exausta neste momento. Perguntei quando ele viria e obtive como resposta: “Uma destas noites”. que.. que escreverá na sua língua”. Oferecia pois.) Combinamos minha mãe e eu não mais nos separarmos um do outro. eu e minha mãe. da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Berlim. manifestou-se por meu intermédio. Declaro. obtivemos a primeira mensagem em polonês. No dia seguinte. Dessa forma. uma ocasião de nos vigiarmos reciprocamente. a costumeira entidade “Wowo”. (A minha última objeção consistia em que. Na noite seguinte à do aviso.” De súbito.. Estávamos. cada um se achou em condições de observar a atividade do outro. que escreveu: “Propomo-nos fazer vir um polonês. já era muito tarde. enquanto não obtivemos a mensagem em polonês. tendo passado ambos a noite no mesmo aposento. como. enquanto a mensagem polonesa não fosse transmitida. mas. manifestou-se minha avó. há esse tempo. ainda não fora afastada a possibilidade de estar um dos médiuns a enganar o outro.mensagens que obtivéramos não fossem obra fantástica do subconsciente. minha mãe e eu não estivemos separados por mais de cinco ou seis minutos. durante as vinte quatro horas que transcorreram entre o anúncio da visita do polonês e o recebimento da sua mensagem. quando pudemos entregar-nos à experiência. cientificamente falando.” Dei a mensagem ao Doutor Walther Kroner. servindo do “Indicador”. maneira pela qual ficaria eliminada a objeção teórica de que um de nós preparasse o texto. É a seguinte a carta que o tradutor dirigiu ao Doutor Kroner: Caro doutor: .

cuja decifração me deu grande canseira. como.” (O resto estava em inglês e assinado com um nome polonês. É este o texto da mensagem: “As tuas perplexidades carecem de fundamento. A Sra. von Reuter tinha vendado os olhos e pousava dois dedos sobre o instrumento. veio visitar-nos uma amiga. pousava três dedos sobre o mesmo instrumento. em Berlim. Há alguém que se propõe a escrever em polonês”. von Reuter e sua mãe. um certo número de palavras polonesas. (Seguem-se as letras da mensagem em polonês. “A mensagem que se segue é cópia fiel do que transcrevi. É uma vergonha: estou descontente contigo. levava o ponteiro à palavra “Sim”. fui visitar o Sr. nas primeiras quatro linhas. que o tradutor não pôde decifrar. na residência de ambos. testifico que. a Sra. quando minha mãe se achasse suficientemente repousada e bem disposta. em conseqüência. que assistiu à experiência e gentilmente firmou o documento seguinte. Recomeçamos. sem estarem separadas formando palavras. vi-os sentados a uma mesa sobre a qual estava o “Indicador”. “Mal me viu. sabendo bem que nenhum de nós nada conhecia da língua polonesa. abaixo assinada. com as palavras separadas umas das outras. Ao entrar na sala. porém. ortografias erradas. na noite de 28 de outubro de 1926. von Reuter. Peço notar que a Inteligência se deu ao incômodo de verificar uma por uma as letras que grafei e. Fraulien Charlotte von Polentz.O documento que me enviou contém. disse ele: – Venha aqui transcrever a mensagem. em que dá o seu testemunho sobre quanto ocorreu: “Eu. julgo ocioso consignar. quando estava para ser dada a segunda mensagem em polonês. defronte de sua mãe. O Sr. Felizmente. para indicar que estavam corretamente escritas.) . aqui adiante a mensagem vai reproduzida.) Minha tia anunciou que o polonês voltaria. por outras vinte e quatro horas. a vigiar-nos mutuamente.

que ambas contêm uma exprobração a mim dirigida. n. portanto. .) Eis aqui o texto original da mensagem: “Dschichei jescheze nie puschno moge lepie pisear ja muvie ze panski mischli falschiwe sacs wiesec nie. então. 1 – Berlim. – Philipstrasse. tão variadas e copiosas provas. conforme depois verificamos. desde o momento em que “Wowo” anunciara pela minha mão. convenci-me de não mais poder afirmar que. perguntei à Inteligência se queria escrever uma palavra qualquer em polonês e foi ditado “Tak”. Repito.. Desta vez. O mais está certo. teoricamente falando. o seu intento de mandar um polonês escrever na sua língua..” Durante todo o tempo. nada mais acrescentarei. von Reuter se conservou com os olhos rigorosamente vendados. Desta vez não mais me restavam. W. von Reuter.” A tradução é: “Esta noite não é muito tarde e eu posso escrever mais facilmente. Perguntou ainda o Sr. Polentz. – N. visto que nos vigiáramos reciprocamente. Por ora. achando-me eu a sós. a Sra.. que quer dizer “sim”. pernas de pau sobre as quais continuasse o meu cepticismo a equilibrar-se.” (Assinada: Charlotte V. 6. von Polentz..Perguntou. Devem os leitores ter notado a analogia que há entre as duas mensagens. não tinham sido eliminadas todas as possibilidades de fraude. Seja dito francamente: depois de obter tantas. que os argumentos deste senhor são falsos.” Como já o disse a Sra. porém. em inglês: – Podes escrever-me em polonês uma palavra destacada? Logo foi ditado: “Tak”. von Reuter: – A mensagem foi transcrita corretamente? A resposta veio em inglês: “É preciso colocar um “m” no começo da palavra “ischli”. o Sr. sempre renovadas. por motivo das minhas dúvidas.

que lhes contradizem e anulam as elucubrações. igualmente não teria podido responder. o Doutor Prince assinalou que. a perguntas formuladas no momento. do ponto de vista científico. é notável. os pedantes da Ciência desatendem. Eles apanham no ar uma qualquer inocente particularidade. pág. na língua que lhe era de todo desconhecida. mas idiotia. Nos episódios que se seguem notar-se-ão outros notabilíssimos incidentes do mesmo gênero. do ponto de vista da indagação científica. Não ponderou também que. ele não duvidasse da honestidade da médium.. pessoalmente. nem. racionalmente admissíveis nas condições em que as mesmas experiências se desdobraram. . além do que se possa ter por legítimo e razoável. ao formular essa objeção. que se lhes preste às insinuações pseudocientíficas. mesmo quando considera atestado de “idiotia” e não prova de inteligência. ao formularem suas restrições. Ora. Assim. 241-245. permanecia a possibilidade de a médium preparar o texto das mensagens em língua que ignorava. importa com justiça se reconheça não ser lícito dar o valor de fatos a experiências de tal natureza. não refletia em que a médium. cit. em holandês. por terceiras pessoas. precisamente.) Estou de pleno acordo com o relator. ainda menos.. se sempre que usava do “Indicador” era com os olhos vendados. reconheço legítima a objeção do Doutor Prince. mas. sobretudo.duvidar ainda não seria demonstrar inteligência. se bem. e olvidam circunstâncias de primeiríssima ordem. fazê-lo ditando com vertiginosa rapidez mensagens “especulares”. às condições em que elas se desenvolvem é que. não podia indicar com o ponteiro móvel do instrumento as letras do alfabeto. estranhas à família. o que quer dizer com as letras invertidas. por sistema. no caso que apreciamos.. Caso 21 – Este outro episódio. persistir em toda sorte de dúvidas. pela excepcional extensão da mensagem numa língua que os médiuns e os presentes ignoravam. mas. ainda quando a médium houvesse precisamente decorado textos de xenoglossia. enquanto não se achem eliminadas todas as possibilidades de fraude.” (Ob. Entendamo-nos: no caso especial.

é “I thank you” (Agradeço-lhe).” Neste ponto. “Ik dank u” que. ainda muito resta para documentação do texto em holandês. Ge ziet goed uit. em virtude da grande afinidade existente entre diversas expressões holandesas e as correspondentes expressões em inglês. escrevendo pela minha mão que um amigo holandês desejava saudarme. eu. a propósito. myn vriend. “Goeden avond. algumas observações. perguntei: – Conheceste-me em vida? – R. Daí resulta que tenho de renunciar à publicação dessa parte da mensagem. em inglês “Very well” (Muito bem). – “Pieterse”. em inglês. por intermédio de minha mãe. – “Zeer wel”. ignorando houvesse ele escrito que era meu amigo. São estes o texto original e a tradução. Ik ben verhengd u weertezien. Logo o “Indicador” começou a ditar. como. Florizel von Reuter chegou a adivinhar o significado de certas palavras e fazer. Perguntei mais: – Quererás dizer-me o teu nome? – R. entretanto. (Era esse o nome de um amigo meu. (Muito bem). Diz o relator: “Cerca de uma semana depois do caso acima referido.Durante a transmissão do ditado. Boa parte do texto versava assunto de natureza privada e tratava de uma intenção minha a cujo respeito o comunicante queria darme o seu conselho. o Espírito-guia Nicolau iniciou as experiências. da qual. Hoe vaart ge? Ik ben een vriend. Como estás? Sou um teu amigo.) . caro amigo. em holandês. que fora cônsul geral em Esmirna.” Tradução: “Boa noite. ou “Het is laat”. Estou contente de tornar a ver-te ainda uma vez. Enviei o documento ao cônsul da Holanda em Berlim e ele gentilmente cuidou de traduzi-lo. uma mensagem que se alongou por três páginas de escrita em letras grandes. em inglês “It is Late” (É tarde). Acho-te de vigoroso aspecto. por exemplo. ou “Zeer wel”.

een ander maal zal ik wat langer blijven.” (Doutra feita.” (Sim.” (A coisa não pode ir bem. – Estás bem aí onde te achas? – R. desejo dar-te um conselho.” (O meu conselho é melhor.” (Foste imprudente há um ano. A mensagem ainda continha as expressões seguintes: “Ge waart onvoorzichtig voor een jaar.) “Tot wederziens. Ik heb niet gedacht dat het zoo laat was. Quando o consulado me fez conhecer a tradução. se me for permitido. verifiquei que o texto se referia a uma questão particular que não posso tornar pública.) “Ik moet heen.” (Agora é tarde.) “Het is laat. Ik heb voor u cen raad.– P. Permites? Posso externar a minha opinião?” E a mensagem continuou a ser transmitida.) “Ik spreek ernslig.” (Até à vista. Baste eu declare que reconheci excelente o conselho que me foi dado.) “Dat zal nietxel gaan.” (Falo-te com sinceridade.” (Basta. Não havia notado que já era tarde.) “Weest verstanding. obrigado.) “Spreken wijer niet meer van. met uw verlof.” (Dá-me razão e segue o meu conselho. – “Id dank u. ik weet her zeker het is beter.” (Previno-te. age com prudência.) “Ik moet heen. tenho a certeza de que é melhor. mijn vriend.) “Ja. Sta mij die bede toe? Zal ik myn raad geven?” Tradução: “Muito bem. “Ik waarschuw u.)”. in dien u mijn raad wilt volgen. . é tarde. zeer god.” (Devo ir-me. als mij vergund. poderei demorar-me mais.” (Devo ir-me.) A essa altura. Se me permitires.) “Neem u cen andermal in acht. meu amigo. não falemos mais disso. ponderei: – De fato. doutra vez. longamente.) “Ik vind het beter.

tradutor da mensagem. 245-248. caso fosse necessário.” Tradução: “Ainda é cedo. Atenciosamente o saúdo. Ik dank u. analítica e sinteticamente. Esta circunstância não exclui apenas a hipótese de um dos médiuns enganar . Mijn groeten aan uwe moeder. dizendo-se que um deles enganava o outro. que corrigi a tinta vermelha. foi escrito: “Het is nog vroeg.) (Ob. O cônsul Ujie Pieterse dirigia o Consulado Geral de Esmirna.” (Segue-se a assinatura. preparando de antemão os textos das mensagens em línguas que ambos ignoravam. Obrigado a todos. Minhas saudações a tua mãe e até quando nos tornarmos a ver.E um amigo presente tirou do bolso o relógio. lícito é que tudo se presuma. ligeiramente autoritário. ressalta que nos principais episódios de xenoglossia obtidos pelos Reuter. cit.) Como eu já disse. a mensagem acima é notabilíssima pela sua extensão. juntamente com a tradução. Em o nosso caso. mas. para ver as horas. Tot wederziens. Em conseqüência. Além disso. Faço-lhe notar que é correta a língua holandesa da mensagem. devolvo-lhe o documento que me enviou. quem sobre elas queira emitir juízo. Droom zalig. serviria também para demonstrar a insensatez de certas hipóteses que têm por base gratuitas insinuações. antes de admitir-se a existência de manifestações supranormais de ordem excepcional. mas amigo excepcionalmente amável e sincero. págs. unicamente sob a condição de que primeiro haja estudado a fundo. O cônsul holandês em Berlim. grande cultor da arte musical. Do ponto de vista científico. toda a série das experiências. há respostas provocadas por observações de terceiras pessoas.. qual a que se aventurou contra os médiuns em questão. salvo poucos erros de ortografia. Bons sonhos. mas não posso demorar-me. ma devolveu com a seguinte missiva: “Em resposta a sua carta de 21 do corrente.” A personalidade que assim se exprimia caracterizava muito bem o que fora em vida o cônsul Pieterse: homem enérgico. ik moet gaan.

nem. reproduzi-la-ei quase integralmente. retifica a sua afirmação. Não obstante ser longa a narrativa. Caso 22 – O episódio seguinte é dos mais importantes da série que estamos considerando e. satisfaz aos mais exigentes reclamos da pesquisa cientifica. assim. com os olhos vendados. preparada por qualquer deles. e o Barão Friedrich von und zu König-Warthausen. nem minha mãe fazíamos a mais remota idéia. dizendo: “Ainda é cedo. disponho-me a fazer soar a trombeta mais forte. que. apontando as letras do alfabeto com o ponteiro do “Indicador”.. Logo a entidade comunicante. não podia ter sido prevista. que erroneamente dissera já ir muito avançada a noite. língua de que nem eu. a favor da hipótese espirítica. Tomemos.o outro. que assinaram a respectiva ata. que me fez presumir se tratasse da língua “indostânica”. Convidei-a a fazê-lo e imediatamente foi ditada uma série de palavras. manifestou-se uma “Inteligência” que declarou em inglês: “Posso escrever numa língua que não conheces”.” Aí está a sua resposta. a ninguém será possível escrever. nem. portanto. um dos mais importantes da classe inteira dos fenômenos de xenoglossia. ainda menos. Refere-o. porquanto o caso que vou relatar. Combinamos reabrir a sessão às 21:30. o último incidente do episódio que apreciamos: uma terceira pessoa tira do bolso o relógio e vê as horas. afasta igualmente a dos dois se terem combinado para enganar o próximo. conseguintemente. Florizel von Reuter: “Desta vez. Vieram presenciá-la a Condessa P.. supliquei à Inteligência que voltasse naquela mesma noite. segundo declaração do próprio Doutor Walter Prince. de modo a só poderem ser lidas com o auxílio de um espelho onde elas se reflitam. ou pelos dois. talvez. Ansioso por dar testemunho de uma experiência qual a do recebimento de uma mensagem em indostânico. mas não posso demorar-me. . por exemplo. fazêlo ditando invertidas as palavras. pois desejava convidar algumas pessoas para assistirem ao trabalho. Em data de 14 de fevereiro de 1927. entre as quais esta: “Sahib”. E tudo isso sem levar em conta que.

se tratava de uma das vinte e quatro línguas faladas na Índia. no porto. informou em inglês: “Sou francês. sonhei que me encontrava com um persa. Quando me conheceste. transmitida simbolicamente. que logo escreveu. para informar que a mensagem continha algumas palavras indostânicas e que. Como já disse. tendo-me ele afirmado que aquela língua não era a indostânica e sim persa! (Exemplo de sonho com impressão supranormal verídica. ao qual mostrei a mensagem.) Passados alguns dias. Antes de despedir-se. que me convidou para um lanche a bordo da sua nave. pus distraidamente a mão no “Indicador”. Enviei o texto da mensagem a Sir Conan Doyle. Assim sendo. voltou a mesma Inteligência e de novo escreveu na língua de que anteriormente se servira. No dia seguinte. um “cruzador” francês cujo comandante era “Pierre Loti”. Ninguém ignora que “Pierre Loti” era profundo conhecedor das línguas orientais. o célebre escritor francês “Pierre Loti”.Na noite seguinte. Pois bem: cerca de três semanas depois de tê-la obtido. Sir Conan Doyle me escreveu. na qualidade de “menino prodígio”. Cabe-me referir aqui o incidente mais curioso do caso em apreço. Só conseguimos recordar-nos de um individuo que tinha esse nome.” Eu e minha mãe exaurimos o cérebro. achava-se ali. provavelmente. andei a dar concertos em Constantinopla. eu estava quase certo de que a língua da mensagem era a indostânica. pedindolhe o favor de submetê-la a alguém que ele soubesse versado na língua “indostânica”. eu me chamava Pedro. a querer lembrarmo-nos de algum “Pedro” que houvéssemos conhecido. Perguntei quem estava presente e . com quem me pusera em relações quando. A esse tempo. pois passara a maior parte da sua vida nos mares do Oriente. em língua oriental. parecia racional que ele realmente houvesse ditado a escrita que conseguimos. em francês: “Dirige-te ao Consulado persa em Berlim”.

Com essa resposta. de Berlim. exceção feita de algumas palavras que não puderam ser decifradas. que estudei como viajante”. pedindo certificassem qual a língua em que aquele documento estava escrito. que foram a seu turno verificadas. – 14 de fevereiro de 1927. ele próprio. eu.) P. então. a fim de que fosse publicada no meu livro. mas persa falado na Índia”. se indostânica. tradução que. Em seguida.. provavelmente porque o idioma em que a aludida mensagem se achava escrita era uma mistura do persa e do indostânico. – Escreves em indostânico? . enquanto não a tivemos em nosso poder. às 7 horas da noite. ditou Pierre Loti: “Assalemaleikum. Entabulamos. veio a tradução integral da mensagem. Acrescentou ele. não sou profundo conhecedor dessa língua. se persa. Antes dessa conversação.” (Bom dia. o instrumento escreveu: “Sahib é realmente palavra persa. senhor. lembrando que. Perguntei se quem se manifestava era com efeito Pierre Loti e ele responderam afirmativamente. em seguida. eu enviara uma cópia do texto ao gabinete dos “Intérpretes oficiais”. foi confirmada pela que recebi do Consulado persa em Berlim. tive a resposta: “Aquela língua era persa. – Depois de haver anunciado ser-lhe possível escrever em língua que desconhecíamos. tradução essa que posteriormente o gabinete dos intérpretes de Berlim verificou e confirmou. Reproduzo aqui o texto. porém.me foi respondido: “Pedro”. sahib. se arábica. ou não. respondidas corretamente. “Pierre Loti” observou que os senhores do Consulado não se tinham mostrado muito inteligentes e nos forneceu. Dois dias depois. a tradução correta da mensagem. diversas palavras persas. ignorávamos se as nossas perguntas haviam sido. seguido da tradução.. ao demais. A esse respeito. interessante conversação sobre coisas do passado.

como testemunhas. (Tens razão.) Condessa P. (Há muitos anos. e o Barão Friedrich von König. R. – “Muddati ast bist sal”. – Conhecemos-te em vida? R.) Tendo pedido à Inteligência que escrevesse mais. – Que língua é esta? R. (Devera ser: “Istifsal kun” “Cabe-vos investigar”. usada em lugar de “Não”. Sahib”. – “Bali”. meu Deus. P. Os dois Reuter puseram a mão sobre o “Indicador”. – “Rast miguid”. Às 9:30 da mesma noite.) Depois. – “Muddati ast”. – Não quererás dizer-nos de que país é? . enquanto funcionou.) P. – “Istifal kun”. – Conhecemos-te em vida? R.) P. observei: “Bali”.” (Saúdo a mãe. a Condessa P. saúdo o filho. – “Bali” (Sim. – “Nachar bi Choda”. recomeçou a sessão.) Condessa P. R.R. – “Bali. (Tradução literal: “Não. foi ditado: “Salem modar salem pisar. (Há vinte anos.) Barão von König – Escreveste duas palavras? R. estando presentes. a palavra “bas” (basta) foi escrita duas vezes e cessou a conversação.” Provavelmente esta é uma expressão místicoidiomática oriental. – “Bali” é uma palavra? R. provavelmente quer dizer “sim”. – Estás presente. E o ditado continuou assim: “Tschi hidmat baman darid?” (Que queres de mim?) Nesse ponto. P. sem olharem para ele.

escreve mais. – Às 7 da noite? R. – Por favor. – “Istifal sal”. v. não. – “Bali”. – Será persa? R. porventura. – “Na. K. – Às 9 da noite? O ponteiro do “Indicador” pára sobre o “Não”. neste documento. – “Nachar bi Choda”. – Voltarás? R. (Por ora basta. é a narrativa exata do que ocorreu.” (Assinados: Florizel von Reuter – Friedrich Karl. – “Naminadam”. (Muito bem. K.R. na”. porque desejo que procedais a investigações”.) Condessa P. R. – “Bas ast”. F. – Também esta. v. (Não sei. por vontade de Deus”.) “Os abaixo assinados atestam que o exposto acima. P. – “Namidanam”. v. (Literalmente: “Não. – Notarei que foi feita uma tentativa para corrigir o erro ortográfico. Y.) F. v.) F. provavelmente. (Sim). – Estarás escrevendo.) . em turco? R. P. senhor.) F. (Não. – Faremos tudo o que pudermos para investigar e descobrir. – Quererás porventura dizer que tornarás a vir no dia 15 do segundo mês do ano? R. (Não sei. Freinerr vos und zu König-Warthausen. (Devera ter escrito: “Istifsal” “Investiga”. – “Chaili chob. sahib”. (em Inglês) – “Não. é uma piedosa expressão oriental.) Foram ditados os números 15 e 2. F. K. K.) O Barão von König pergunta: “Dar-se-á venhas freqüentemente a Wiesenburg?” R. v. R.

(Basta.) “Banda. foi escrita outra frase proverbial: “Rast nabajad randshim”. Já não tenho mais tempo.9 (Expressão proverbial: “O tempo muda e com ele mudam as condições. (De nada. às 7 da noite: O “Indicador” escreve: “Selam batscham”. Daí continuou assim a escrita oriental “sal gunaschta hat gunaschta”.) P. um provérbio? R. escreve mais.”) Perguntei: Que significa esta última frase? R. (Sou-te muito obrigado.” “Choda hafischab bicheir”. (em inglês) – “Já o escrevi”. – Quererás dizer-me como se escreve: “Agradeço-te?” R. (Nunca tomar à má parte a verdade. mensahib”.) “Sahib iltifat . – “Bas ast fursat nadaram”. R. ou: Agradeço-te. R. tschi bajard bikuman?” (Que desejais que eu faça?) “Bibi tschi hasir kun”. (em inglês) – “Não. Boa noite. (Ocupai-vos sempre com isto que é novo. rapazes. respondi: “Agradeço-te”.) P. – Provavelmente. – “Tschisi nist”. (Deus vos proteja. (Sim. R.) Sem saber o significado das palavras que acabavam de ser escritas.) Pedi à Inteligência que escrevesse mais algumas palavras.) Pedi: – Escreve. (Bom dia. senhora. (em inglês) – “Uma sentença”. – “Chaili mimnum i shuma hastan”. uma expressão persa proverbial.) Depois. – “Bali. – Será também uma expressão proverbial a que acabaste de escrever? R. uma observação. Pergunta minha mãe: – Então.– Sessão de 15 fevereiro. pois que isso era para mim de grande interesse.

porém. peregrinara por quase todos os países da Europa e da América. na sua qualidade de “virtuose” do violino. cit. entretanto. que a comenta nestes termos: “Penso me sobra razão para insistir em afirmar que o episódio acima exposto constitui uma das mais espantosas provas que uma Inteligência desencarnada já forneceu. para também eliminarem a extrema possibilidade teórica relativa aos poderes da subconsciência.) Com estas observações. porquanto.. ou na Pérsia. ó Senhor. com tão grande fertilidade de invenção. um átomo que seja de presunção a favor do subconsciente. a escrever em língua orien- .” (Ob. que se manifesta uma entidade de defunto. com relação a Florizel von Reuter. que significa: “Conservate. apenas falado nas Índia. seria necessário que nenhum dos dois jamais houvesse estado no país em que se fala a língua usada mediunicamente e que jamais tivessem tido relações com pessoas oriundas de tal país. havia estado na Ásia e nunca tivera relações com asiáticos. Nunca. E o caso ainda muito mais notável se torna pelo fato de que a linguagem persa da mensagem é um persa dialetal.) Esta a memorável experiência de xenoglossia conseguida por Florizel von Reuter. no caso em apreço. nem minha mãe nunca estivemos nas Índias. Consistia essa objeção em dizerem que não bastava desconhecessem ele e sua mãe a língua em que era escrita a mensagem. por meio da escrita automática.. págs. (Expressão idiomática.schuma”. Desafio os “animistas” a que apresentem uma explicação do caso. Nem eu. valendo-se de todas as complicadas teorias que hão proposto.. Não se encontra. Eram duas circunstâncias bem difíceis de ser afastadas. Florizel von Reuter responde triunfal e definitivamente à última e desesperada sutileza sofística que os amigos “animistas” lhe haviam contraposto. em nome de imaginárias exigências científicas. Eis. portanto. bem disposto para comigo”. nunca tivemos relações com pessoas oriundas desses países. 256-262. uma vez que.

língua que todos os presentes desconheciam. todas as objeções.tal. que a frase com que se manifestou essa nova entidade de defunto: “Posso escrever numa língua que não conheces”. irreparavelmente demolida e que. tendo por escopo vencer-lhe o cepticismo sempre renascente. a fim de passarem alguns dias. até o Doutor Walter Prince teve que convir em que o caso de que se trata satisfaz plenamente aos mais exigentes reclamos da Ciência. profundo conhecedor desse idioma. depois de se reportar à conferência de Sir Conan Doyle. de que tanto se tem abusado. mediante a apresentação de provas que dessem por terra com todas as hipóteses. Ponderarei. e lá se deram importantes episódios de identificação espirítica. A 4 de setembro de 1927. todos os sofismas que os “animistas extremados” e os “pedantes da Ciência” amontoavam sem trégua contra a interpretação espiritualista dos fenômenos mediúnicos. em que se referiu nestes termos à mensagem obtida em árabe: “Acrescentarei. ditando algumas frases em língua arábica. com todos os requisitos exigíveis pelos sofistas da pesquisa científica. verificou impecável o árabe da mensagem. por isso. está. os dois Reuter foram para a casa de campo de Sir Conan Doyle. deve agregar-se às outras que já tenho assinalado para demonstrar que a série dos casos de xenoglossia obtidos por Florizel von Reuter se originou de uma iniciativa espiritual. Enviei o documento ao meu amigo Major Mariott que. afinal. a propósito. que conseguimos uma longa mensagem na língua árabe. finalmente. que o notável escritor inglês relatou numa conferência. diz: . Desta vez. o que equivale a reconhecer que a hipótese. Caso 23 – A mesma personalidade mediúnica de Pierre Loti intervém uma vez mais.” Florizel von Reuter. a da onisciência subconsciente. já não é possível a ninguém se recusar a ter como demonstrado o grande fato da intervenção de entidades espirituais nas manifestações mediúnicas.

Depois.) “Nahar kum said ya ha jabat”. – Podes dizer-me o significado da palavra “Bint”? (Era esta a única palavra árabe que Sir C. Sempre a vossas ordens. – “Bint na bigibni kestir yaksara”. É o seguinte o texto em árabe. ó! “Guarda da Porta”. D. – Podes dizer-me quem és? R. (Possam transcorrer felizes os teus dias. C. parece ter extraordinário significado”.) A propósito desta última frase. ditou: “Lalet kum said. (Nossa filha será fonte de grande felicidade para nós. (Doorkeeper. acompanhado da tradução feita pelo Major Mariott: “Nahar kum said ya sittat. em toda a sua existência. disse eu a Sir Conan Doyle que dirigisse uma pergunta ao comunicante: Sir A. em que entra a palavra “bint” (filha). citando as frases árabes de que se trata. a Inteligência escreveu em inglês: “A força está faltando rapidamente”. Nesse ponto. Is mi Pierre. Doyle conhecia e que significa “Filha”.) R.” (Possam transcorrer felizes os teus dias. D.) Sir A. observa o narrador: “Esta expressão. C. (Sim: o meu nome é Pierre. – “Aiwa. ouvido urna palavra em árabe) consiste no deliberado emprego de uma sentença. como resposta à pergunta de Sir Conan Do- . El hamdu billah”. Faço notar que esta nova língua foi à décima quinta que obtivemos com o “Indicador”. Ana hadir”.)” Observa o relator: “A mais notável particularidade deste texto árabe (sem falar no fato de não haver jamais minha mãe. singularmente espiritualística. (Possa transcrever alegre a noite para todos vós.) Em seguida. Deus seja louvado.“Importa completar a informação de Sir Artur Conan Doyle. dita com referência ao médium. ó! senhora.

que chegou a fornecer. como pelos ausentes. por eliminar as hipóteses de fraude a que antes aludimos e consistente em um dos médiuns enganar o outro. sempre corretamente.. preparando previamente. no caso em que nos ocupamos. A Inteligência houvera podido limitar-se a traduzir o vocábulo.” (Ob. 316-318. págs. de modo exuberante.yle. Quanto ao nome “Pierre”. tanto no caso acima exposto. em língua que todos ignoravam. ou em estarem ambos combinados para enganar o próximo. indubitável então é que nenhum preparo prévio houve. Caso 24 – Os oito últimos episódios que temos apreciado foram tirados todos de um só livro de Florizel von Reuter: Psychical Experiences of a Musician. quanto no que o precedeu. assim pelos presentes. O caráter ligeiramente ambíguo da sentença parece indicá-la como aplicável a minha mãe. pertencente à mesma série. que demonstrou especialíssimas aptidões para se comunicar mediunicamente com os vivos. em língua ignorada. porquanto a ninguém é possível preparar antecipadamente textos de respostas a perguntas que se não podem prever. cit. Este agora. em sua maioria. compondo no momento uma sentença lingüisticamente impecável. ignorados. o texto a ser ditado na sessão. revela a presença da mesma entidade que anteriormente escrevera em língua persa. preferiu. no sentido de um cumprimento pela missão de médium a que ela se consagra. teoricamente. resulta evidente que as personalidades mediúnicas responderam. o método indireto de responder. porém. se. a própria identidade: pôs-se à disposição de outros defuntos inábeis para se comunicarem . sobre a sua vida. mais de 300 pormenores verídicos. tomo-o a outra obra sua: The Consoling Angel.) Por minha parte. em honra dos severos processos de pesquisa científica. onde ele refere o memorável caso de identificação pessoal da defunta Hattie Jordan. assinalarei que. resulta importante. Entretanto. E essa personalidade de defunta. Repito que tudo se pode insinuar. o que. as testemunhas dirigiram por conta própria perguntas à entidade que se comunicava e obtiveram respostas em línguas que elas ignoravam. a perguntas improvisadas por terceiros. não se satisfez com o provar.

Badbrook. Diz. em sessão. Perguntei o que deseja e respondeu: “Nesu pratau”. dizendo isso. Diz: “Labai molonu”. Agora. “Hattie” propôs suspendêssemos a sessão e a reabríssemos mais tarde.” Observa o relator: “Esforçamo-nos inutilmente por descobrir de que língua se tratava. dizendo: . onde realizamos uma sessão na presença de alguns membros da Society for Psychical Research. Ponderamos que mais tarde não seria possível. proferidas em língua que ela desconhecia. qualquer coisa que me soa como: “Zupones ir”. – Não será um japonês? R. Indica com a mão o instrumento mediúnico e pronuncia uma palavra que soa: “Surasykite”. A seguir: “Pratau”. anunciou: “Está aqui um Espírito a falar numa algaravia que ninguém entende. reunimo-nos. que. “Taip” é “Sim”. acenando para a palavra “diena”. Aponta para o senhor que escreve.diretamente. nos reuniríamos no dia seguinte. Acrescenta ele “Laba diena” (duas palavras). Sr. Agora acena com a cabeça. “Hattie Jordan” se manifestou logo. Foi assim que. Relata Florizel von Reuter: “No dia 22 de julho de 1928. Depois: “Labu diena Labu makara”. Nesse meio tempo. achando-se presente. o major Barnes. Não compreendo. então. por exemplo: “Prasah Tamsta” e. às 12 horas. entre os quais o seu presidente. e mais: “Ponai”. com efeito. e sorri. transmitindo aos experimentadores convincentes mensagens de além-túmulo. No dia 23 às 12 horas. numa de tais ocasiões. Diz ele agora “Pesupratau”. Repete: “Labu makara”. estávamos em Ipswich. assume uma atitude respeitosa. anunciando: “Está de novo aqui o Espírito de ontem. Depois. P. diz: “Ne” é “Não”. e o seu secretário. “Hattie” se manifestou imediatamente. em seguida. transmitiu foneticamente as palavras de um defunto. como na véspera. – Não tem aspecto de japonês. major Barnes. e move a cabeça.

respondeu-me ele assim: “Submeti a mensagem ao professor Junker. por intermédio de um Espírito-guia.. Neste caso.. De vez em quando. não falem. De todas as outras ocasiões. Diz agora: “Zupones ir pona i duokite. Não está completa a frase. Acena com a cabeça. quando me veio à lembrança enviar o texto ao professor Hans Driesch (célebre biólogo e filósofo de Leipzig). que logo me disse tratar-se. Estas duas frases vão juntas: “Diokite labu diena visiens”. Já um ano passara. sem intermediários. “Hattie” era obrigada a “escutar” atentamente as palavras do Espírito.” Pondera o relator: “No momento em que a mensagem era transmitida. sem compreender o que transmitia. Era a primeira vez que obtínhamos a transmissão fônica de uma língua que ignorávamos. mas que nada me podia afirmar em definitivo. pedindo-lhe que o submetesse a algum de seus doutos colegas da Universidade. dirigindo-me a pessoas competentes. para depois as repetir foneticamente.“ O professor Driesch juntou à carta a seguinte nota elucidativa. Tentei diversas vezes desvendar o mistério da desconhecida linguagem que obtivéramos. “sekasi”. formulada pelo professor Gerúllis: . de uma língua báltica. aponta para mim e diz: “Kaip tamstai”.. provavelmente. ao invés. Mostra-se satisfeito e me diz. Labu diena visiems”. Assim passei a mensagem ao professor Gerúllis..: “Aciú”. Ele imediatamente reconheceu que o texto se acha escrito em língua “lituana”. nenhum de nós tinha a mais longínqua idéia sobre a identidade de tão misteriosa língua.. Dois dias depois. esperem. depois. repete: “Aciú tamsta”. naturalmente. a Inteligência comunicante transmitia diretamente. dizendo “Aciú”. a língua em que se exprimia... mas sempre inutilmente. especialista em línguas bálticas. acrescentando que fora ditado num lituano foneticamente impecável. o que. simplificava a transmissão..“Miels drauge surasykite”.

) – Diz: “labai molona” e sorri (devera dizer-se “malona”: Muito grato.” (Faço notar que uma aparente contradição há entre a observação de “Hattie” e o fato de estar a sessão realizando-se ao meio-dia. Assim. (Exato quanto ao “Não”. (Tenho a honra de desejar bom dia a Vossas Excelências. “Taip” significa “Assim”. laba vakara”.) – Quando lhe perguntei o que desejava.) . a substituição de “V” por um “M” na palavra “Makara” (de preferência “Vakara”) só é compreensível para um Lituano. “Hattie” havia entendido mal.) – Depois. “) – Agora diz: “Ne” é “Não”. “Taip” é “Sim”. qualquer coisa que soa: “Zupones ir”.” Eis aqui a tradução. o Espírito “abanou a cabeça” para significar que se devera escrever “Bom dia” e não “Boa noite”. (Escreve tudo o que digo.“O documento está escrito em língua lituana e em forma antiquada de cinqüenta anos pelo menos. (Bom dia. Labu makara” (devera ter dito: “Laba diena. por exemplo.”) – Ele indica o instrumento mediúnico e pronuncia uma palavra que soa: “Surasykite”. Evidentemente. que impossível seria a um alemão ou a um inglês fazê-lo tal qual.) – Diz agora: “Labu diena. A palavra “Zupones” (senhora) já não se usa na escrita lituana. que o não haja escapado a quem apanhava a mensagem. ainda estava em uso.” – Em seguida. mas há 20 anos passados. boa noite). Acrescenta “Laba diena”. Foi ditado foneticamente de modo tão perfeito. É provável. Sintética e idiomaticamente é impecável a mensagem. contraposta ao texto: “Ele diz: “Prasau tamsta” e o diz em atitude respeitosa. respondeu: “Nesu Pratau” (Não compreendo. em segunda: “Ponai” (à senhora e ao senhor. repete: “Laba makara” e abana a cabeça com relação à palavra “diena” (dia). porém.

ou.. a intervenção de uma inteligência espiritual independente dos que assistiam à sessão. ela apresentaria para “Hattie”. o “Indicador” escreveu palavras e frases em lituano. ou. resultam manifestas desta frase sua: “Escreve tudo o que digo”. (Exprimo os meus melhores votos.– Indica aquele senhor. mais exatamente.” – Agora diz: “Zupones ir pona i duokite. os meus melhores augúrios a todos). de modo irrefutável. escreve tudo o que digo. Entretanto. não sabíamos.” – Algumas vezes. porque prova.” – “Duokite labu dienu visiems”. frase que demonstra ter-se ele proposto.) – “Kaip tamstai sekasi” (Como está Vossa Excelência?) – Ele parece satisfeito e me diz: “Aciú” (Obrigado). nem minha mãe nunca tivéramos o mais remoto contacto com a língua lituana. labu dienu visiems”. que tinha de transmitir-nos foneticamente as palavras incompreensíveis que o outro Espírito pronunciava. essa forma de tratamento nas relações soci- . pela dificuldade que. o que é mais provável. de que se serve dirigindo-se aos presentes. gramaticalmente impecáveis. Como quer que seja. da existência de tal língua. sequer. se revela de grande valor.)” Comenta o relator: “A natureza fragmentária da mensagem se explica. naturalmente. repete: “Aciú tamsta” (Agradeço a Vossa Excelência).. poderia indicar que ele pertencera a uma classe inferior. (Senhores e senhoras. Quantos às intenções do Espírito comunicante. dizendo: “Miels drauge surasykite” (Caro amigo. a não ser assim. Com referência à expressão pouco habitual “vossa excelência”. essa comunicação fragmentária. cientificamente. como os que o procederam a transmitir uma mensagem em língua que todos ignoravam. Nem eu.

há outra observação do mesmo professor: que a palavra “Zupones” (senhora) já se não usava na língua lituana. amigo do professor.) Do ponto de vista espiritualista. acrescentando que a forma da mensagem é antiquada de.” (Ob. é. Tais palavras.. por forma irrefutável. que quase impossível seria a um alemão ou a um inglês fazê-la tal qual” e que a “substituição de um “V” por um “M” na palavra “Makara” só era compreensível para um Lituano”. cit. Cabe assinalar que não escapou ao relator o significado teórico das palavras: “Escreve tudo o que digo”. pela qual uma entidade espiritual transmite foneticamente ao médium a conversação incompreensível que com ela trava outra entidade espiritual. no caso ora considerado. a transmissão se dava oralmente. págs. bem como a expressão “vossa excelência” nas relações sociais. sempre com o objetivo de provar. pelo menos. muito sugestiva a forma invulgar de tríplice transmissão. ela era de uso na Lituânia. repetidas duas vezes. Segue-se que tudo concorre . o que tende a demonstrar que quem se manifestava era mesmo o Espírito de um Lituano. naquele episódio. cinqüenta anos. Outra circunstância muito sugestiva no mesmo sentido ressalta da observação do professor Gerúllis. em verdade. a realidade da intervenção dos defuntos nas manifestações mediúnicas.ais corresponde ao espanhol “Usted”. em que a entidade espiritual “Nelly” repetia foneticamente ao professor van Eeden as incompreensíveis frases holandesas que lhe eram transmitidas por outro Espírito de defunto. 82-87. como todas as análogas que anteriormente assinalei. ele se verificava psicograficamente. A reforçar grandemente essa indução. enquanto que. a diferença de que. mas que há vinte anos atrás ainda estava em uso. Já tive ocasião de citar um episódio análogo (caso 3). estão a mostrar que aquela transmissão tríplice de uma mensagem em língua que todos os presentes ignoravam se deve considerar intencionalmente preparada no Além. Há. a de que “a transmissão fonética daquelas frases em lituano era tão perfeita. porém. há 60 anos. Seja como for.

que contêm uma quinzena deles. algumas se destacam. com os olhos vendados. termina a série dos casos de xenoglossia extraídos por mim dos livros de Florizel von Reuter. respostas a perguntas inconjeturáveis. circunstância que exclui qualquer modalidade de fraude da parte dos médiuns. na série a que me refiro. no caso em questão. com intento determinado da parte delas. o Doutor Walter Prince. formuladas pelas personalidades mediúnicas. olvidar que. Não se deve. * Com o episódio de que tratamos. cada um dos episódios é corroborado pelos testemunhos das pessoas que os presenciaram e das que se prestaram a coadjuvar as pesquisas sobre os fatos. em prol da hipótese espirítica. escrever. respostas provocadas por perguntas que lhes dirigiram alguns dos que participavam das experiências. contudo. a prova capaz de arrasar todas as hipóteses. é única em toda a classe dos fenômenos de xenoglossia. visto que estes não poderiam preparar antecipadamente. em línguas que ignoravam. já foi ponderado que. Como se há de ter notado. Também é de notar-se que os episódios a que aludo sofreram todos a inexorável análise crítica do presidente da Society for Psychical Research de Londres. todos os sofismas dos “animistas mais extremados” é sempre a que se acha implícita no grande fato de as personalidades mediúnicas se exprimirem em línguas que todos os presentes ignoram. Estas considerações indubitavelmente assumem não pequeno valor cumulativo. sem levar em conta que a ninguém é possível. indicando as letras do alfabeto . Isto mesmo. como nos anteriores. a “prova crucial” a favor da interpretação espiritualística dos fatos. todas as objeções. em quase todos os episódios citados. figuram. Dentre estas.para fazer presumível que quem se manifestava era um Lituano morto havia meio século. possuidoras de nomes insignes. Pelo que concerne à genuinidade intrínseca das transmissões mediúnicas em línguas ignoradas. quais Sir Conan Doyle e o eminentíssimo biologista-filósofo Hans Driesch. Essa magnífica série de episódios obtidos por um só experimentador e produzidos por iniciativa das personalidades mediúnicas.

Fica. Basta. fônicos e psicograficamente escritos em línguas que os médiuns e os presentes . as revistas dos grandes institutos ingleses. menos ainda. o mesmo se deve afirmar dessas outras revistas. esse deplorável proceder dos críticos é consuetudinário e geral. publiquem elas um resumo amplo e fiel. Entretanto. Quer dizer que. depois de lida meia dúzia de linhas sobre o aparecimento de um livro. Quanto às maiores revistas espiritualistas. que não lograram chamar a atenção dos competentes sobre o valor de tais experiências. dos que o mereçam. Não é. confundidos e perdidos na massa enorme das obras inúteis. pois. Tudo isso é óbvio e deveria considerar-se encargo de qualquer revista científica. E. ou “especulares”. Com efeito. passou despercebida. de causar espanto que os bons livros passem despercebidos. volvendo ao assunto. A conseqüência vem a ser que. aí. demonstrado que a série dos episódios acima apreciados representa material científico de primeira ordem e. dever-se-á supor que tenha suscitado instrutivas e fecundas discussões no campo metapsíquico.com o ponteiro do “Indicador”. nada disso se deu: essa admirável série de casos de xenoglossia. capaz de por si só resolver a grande questão da procedência dos fenômenos. mas de modo tão inadequado. a fim de que. ditar mensagens em palavras invertidas. lacunoso. e. inconcludente. se as grandes revistas metapsíquicas se comportaram mal a esse respeito. não se fica sabendo se este merece ou não uma leitura. estas o fizeram. o que é pior. revestida desses requisitos. os textos. por unânime consenso dos tradutores das mensagens de que aqui se trata. pois. Como explicar o fato? Tenho para mim que. a causa principal da falta de reconhecimento do valor de tais experiências se deve imputar à fragilidade da crítica no meio metapsíquico. resta-me formular uma singular e interessante observação. assim sendo. Muito pelo contrário. Conforme se há visto. franceses e norte-americanos delas não falaram em absoluto. Precisa de uma reforma a importantíssima seção consagrada ao registro dos livros nas revistas metapsíquicas. a quem escreve jamais sucede ler uma notícia de seus livros. sem suscitar discussão de espécie alguma.

tanto mais que devem amiúde lançar-se à conta da dificuldade de acompanhar. sofriam irreparavelmente a influência de seus imperfeitos conhecimentos na matéria e. o mesmo já não se dá quando estes conhecem parcialmente as línguas mediunicamente empregadas. Por efeito destas considerações. lhe surgiam na dicção tal como. as que os Reuter desconheciam (segundo eles próprios declararam) eram escritas correta e impecavelmente. Pois bem: é curioso notar-se que. não as conhecendo. Assim é que. isso se dava porque a médium não as conhecia e. enquanto que as outras. Ora. Reuter é de ordem telepata-espírita. que ambos conheciam e empregavam conversando em italiano. a dificulta notável e irreparavelmente. se tal acontece quando se trata de línguas que os médiuns totalmente ignoram. ela as teria escrito. E a análise diligente dos erros e das incorreções gramaticais leva à conclusão muito instrutiva de que as palavras raramente usadas na linguagem ordinária. deveremos inferir que. língua que os dois Reuter conheciam bastante para a entenderem e falarem. . isto é. foram todos considerados corretos e. em vez de favorecer a transmissão mediúnica de uma mensagem correta nessa língua. o movimento do ponteiro do “Indicador”. se as palavras raramente usadas eram transmitidas corretamente. declarados impecáveis. no sentido em que as estropiaria um inglês que da língua italiana apenas superficial conhecimento possuísse. quem escreve. sem lhe sofrerem a influência perturbadora. Estes os fatos. verossimilmente. elas atravessavam o filtro da sua mediunidade. se apresentam escritas as mensagens transmitidas pela personalidade mediúnica que se dizia Nicolau Paganini. em conseqüência. precisamente. as que lhe eram familiares.ignoravam. nos gêneros e nos números e. quando rapidamente assinala os sinais alfabéticos. ao passo que as da linguagem ordinária. do ponto de vista dos fenômenos de xenoglossia. somos induzidos à inesperada conclusão de que. se mostram cruelmente estropiadas. nas conjugações dos verbos. o conhecimento superficial de uma língua. Carecem de importância ligeiras e raras trocas de letras. em detestável italiano. se considerarmos que a mediunidade da Sra. até. nas descrições dos nomes.

outro insigne violinista. a “correspondência cruzada”. não posso furtar-me a referi-lo em desenvolvido resumo. não podendo. legitimamente famoso. por último. Aludo aos vários e maravilhosos episódios de xenoglossia. falecido irmão da médium Margery. com relação às quais declarou que o pensamento lhe pertencia. reconheceu o fato e afirmou diversas vezes que se comunicava telepaticamente com a médium. mensagens correlatas em língua e caracteres chineses. faltou. cognominado “Paganini redivivo”. Tenho a informar. em Nova York. Doutor Hardwick. escreverem.Aliás. manifestar-se pela mediunidade de Florizel von Reuter. nada de inverossímil se poderia descobrir no fato de Nicolau Paganini. com o médium de Niagara Falls. a cujo respeito me limitarei a ponderar que ele forneceu ótimas provas de identidade pessoal e que. obtidos em Boston com a médium Sra. por isso. a personalidade mediúnica. foi obtida com o médium Valiantine. na língua chinesa. não a forma. de envolta com o fenômeno de “correspondência cruzada” a grande distância. falando por longo tempo na sua língua. numa sessão em Niagara Falls. impedir que aparecessem erros de toda espécie na transcrição das mensagens. Tomo o episó- . tendo sido tudo predisposto e previamente anunciado pelo Espírito-guia “Walter”. consistindo esse fenômeno em os médiuns Valiantine. que recentemente se desenvolveu nos dois Reuter a mediunidade de voz direta e que o primeiro a manifestar-se. este não é o momento de elucidar a questão. Pelo que se refere à identidade do Espírito que se comunicava sob aquele nome. Caso 25 – Encerro a presente categoria com um caso recente. numa sessão em Nova York. na mesma noite e quase à mesma hora. foi Nicolau Paganini. mas. Embora o conheçam todos os que se ocupam com as pesquisas metapsíquicas. e o Doutor Hardwick. célebre artista do violino. No episódio que se vai ler. Margery Crandon. que se dizia Nicolau Paganini. do ponto de vista teórico e em honra da lei de afinidade que rege o universo físico e psíquico.

que acendêssemos uma lâmpada vermelha e que não interviéssemos enquanto o médium não houvesse concluído. O tempo mais longo empregado em escrever uma das tais colunas foi somente de 17 segundos e de 12 segundos o mais breve. já despertada. do alto da primeira página do caderno. saudando-a em chinês e dizendo ser “Kung-Fut-Ze”.. As 21:55. em inglês: “Tentarei: uma. com o médium Valiantine. as 21:33 terminou a sessão. “Walter” mandou que provêssemos de papel e lápis o médium. que lhe deixássemos em liberdade as mãos. em que operariam personalidades espirituais chinesas. em nove colunas verticais.. Quando. duas ou três vezes. prossegue assim o doutor Richardson: “Depois. realizaram-se sessões em Boston. outras cinco colunas de caracteres chineses. Margery.” Perguntou-lhe a Sra. examinou-se a folha escrita. Margery tomou do lápis e começou a escrever. No grupo de Boston. se sentiu de novo impelida a escrever automaticamente e. Isso é tudo o que se passou no grupo de Lime Street. na noite de 17 de março de 1928. iniciador dos trabalhos. porém com tal rapidez que aos experimentadores se afigurava estar a sua mão apenas agitada por intensíssimo tremor. realizou-se em Nova York. para logo depois acrescentar. manifestou-se logo “Walter” por meio da voz direta e anunciou que estava tomando providências sobre a energia necessária para a manifestação daquela noite. escreveu. em plena luz branca. verificando-se que se não tratava de garatujas informes e sim de caracteres que tinham toda a aparência dos caracteres chineses. pág. em Boston. às 21 horas. Relatando o caso. com os médiuns mencionados acima. . uma sessão. Cannon.dio à revista norte-americana Psychic Research (1928. durante a qual uma “voz” se dirigiu à Sra. com muito menor rapidez. Há mesma hora. Nova York e Niagara Falls. 496502) De acordo com as instruções dadas pelo Espírito-guia “Walter”.

escritura que os doutores do Celeste Império definiram. difícil de ser interpretado por quem não possua profunda cultura clássica. qualificando-a de “chinês original”. alguns dos presentes formularam perguntas de ordem geral. professor Whymant. naturalmente. “tendo “Walter” anunciado previamente que Confúcio interviria. o que. Todos informaram acordemente que se tratava de autêntica escritura chinesa. semelhantes aos caracteres egíp- . mas o sentido delas se subentende das respostas obtidas”. Ora. conforme observa o Doutor Richardson. os doutores Hsich e Huang se dedicaram com grande empenho a fazer uma tradução cuidadosa. Não se obtiveram manifestações no grupo de Niagara Falls. Ao terminar a sessão. Daí se deve inferir que tenha havido correlação entre as perguntas feitas e o conteúdo do texto chinês. era de esperar-se. em caracteres antiqüíssimos. Nada obstante. o nome “Kung-FutZe” e imediatamente encheu uma coluna de caracteres chineses. desperto.Cannon se queria dizer que já tentara manifestar-se por três médiuns e a “voz” respondeu afirmativamente. Lime Street. declarando. em se tratando de caracteres ideográficos. embora difira mais ou menos desta. A tradução é longa (44 linhas da revista) e o texto consta de sentenças e conselhos morais e filosóficos. Huang – sendo ao mesmo tempo enviada cópia ao eminente orientalista europeu. Valiantine escreveu. quanto aos matizes do pensamento interpretado. É de notar-se que a tradução do Doutor Whymant concorda com a dos doutores chineses. As páginas escritas em chinês pela médium Margery foram submetidas ao exame de dois chineses cultos – os doutores Hsich e F. Essas perguntas não foram escritas. que pessoa mais enfronhada na literatura clássica talvez apanhasse com mais fidelidade certos matizes do pensamento do escritor. porém. apropriadas à personagem que viria manifestar-se. O fato foi logo comunicado pelo telefone para Boston.

o que leva a concluir-se que a mão que escreveu era a de um forasteiro.cios. Varias vezes ele nos pedira para traduzir alguns escritos chineses. mas traçados em direção errada: da esquerda para a direita. em todas as folhas mediunicamente escritas sobressai a errônea direção da grafia. observa o Doutor Richardson: “Resumindo esta experiência. tinha que se decidir a escrever no sentido contrário ao que o fazia!” Nas suas conclusões sobre a sessão de 17 de março. Noto igualmente que nenhum dos caracteres apresenta sinais de abreviação.. como também ausência de simetria e de regularidade. parte que. com efeito. cit. que parte da esquerda para a direita. A esse propósito.. que obtivéramos (quase sempre representação de algarismos) e constantemente nos observara que aqueles caracteres eram. escritos em bom chinês.. “Walter” teve parte secundária. desde . se desejava aprender a língua chinesa. todavia. antes de tudo..) Com relação a esta singularidade. uma vez que foi ele quem tudo predispôs e quem regulou o aparelho – direi assim – do qual teriam de servir-se seus colaboradores chineses. que nenhum literato chinês escreveria sem fazer uso de abreviações. observa o Doutor Whymant: “Os caracteres são genuinamente chineses e apresentam forma normal. como já nas duas análogas anteriormente citadas. devemos.. declarando-lhe que. o Doutor Richardson assim se pronuncia: “Para esta última particularidade já o empregado japonês da casa Grandon nos chamara a atenção. coisa que os doutores chineses haviam antecipadamente declarado. Acabara por se mostrar espantado com a teimosia de Margery em querer escrever chinês daquele modo. em vez de o serem da direita para a esquerda. mais breves.” (Loc. num ditado tão longo. E. Nota-se apenas certa falta de firmeza nos ligamentos. págs. Além disso. 571-573. resultou muito importante. no que respeita ao desenvolvimento dos fatos. fazer ressaltar que nela.

em transe.” (Pág.. a 500 milhas de distância. Direi mesmo que a tradução livre. os quais.. racional transporte.. fazendo a propósito alguns comentários humorísticos. Bird que desse uma sentença breve e clara. Em face destas circunstâncias. Bird deu o seguinte provérbio: “Uma pedra que rola não se cobre de musgo”. por via do médium de Niagara Falls. por iniciativa sua. 501. o Doutor Hardwick.. que a reproduzem traduzida em chinês.. “Walter” o aceitou. dada a espantosa rapidez com que Margery grafou o pensamento dos chineses que se comunicaram. nem qualquer dos componentes do círculo dos experimentadores possuía a mínima noção. da língua e da literatura chinesas. não há quem não veja. nessa versão livre do provérbio do Sr. produziu catorze caracteres chineses.. obrigado se é a concluir que as condições por ele previamente dispostas eram perfeitas. quase simultaneamente? Refere o Doutor Richardson: “Walter”. oferece uma a- . interpretação fiel do significado da sentença proverbial.que se atente nos resultados obtidos. a reproduziriam pelo médium Hardwick. como agente presumível da mediunidade de Margery?. que o professor Lees traduziu assim: “Um preceptor que viaja não guarda dinheiro”. Bird. Inútil acrescentar que nem Margery. de um conceito metafórico dificilmente acessível às mentalidades chinesas numa versão literal. a que fica reduzida a hipótese de uma “personalidade segunda”. pediu ao Sr. para transmiti-la em seguida aos seus colaboradores chineses. normalmente adquirida. se a hipótese de uma “personalidade segunda” fica arrasada e aniquilada.. Ao mesmo tempo.) Mas. Ora. O Sr. no caso de uma médium que escreve com fulminante rapidez em língua e caracteres chineses. sentença que ele se encarregaria de transmitir aos seus colaboradores chineses. nem “Walter”.. em Niagara Falls. a seu turno. dispostos em duas colunas. que se há de dizer diante deste outro episódio em que a chamada “personalidade segunda” pede se lhe forneça uma sentença qualquer.. traduzida em chinês. para a atmosfera intelectual chinesa. em Niagara Falls..

uma vez que “Walter” continua a manifestar-se. aquela tradução livre. o Doutor Richardson acentua nestes termos o maravilhoso incidente: “Iniciamos as nossas experiências no firme pressuposto de que o transe de Margery fosse de origem auto-sugestiva. cit. quase instantânea.) Indubitavelmente. Porém. que a sua clarividência fosse conseqüente à auto-sugestão e que certos efeitos pós-hipnóticos se deveriam atribuir a uma personalidade secundária da mesma Margery. se nessas condições ele é capaz de exercer “controle” não só sobre Margery distante. É uma circunstância esta última que não há como se atribuir aos poderes de uma efêmera personalidade subconsciente. com caracteres também chineses. agora. no sentido espiritualista.. penso que todos hão de convir nisto: em que a melhor maneira de se harmoniza- .” (Loc. 502-503. no grupo de Boston. o valor teórico das outras eloqüentes circunstâncias de fato. demonstra mais que nunca a absoluta autonomia das Inteligências que presidiam às manifestações em apreço. págs. quando algarismos. e sua tradução em língua chinesa. fortemente para robustecer. pois. donde ressalta mais claro e preciso o conceito moral. visto que a médium e todos os presentes ignoravam a língua chinesa. mas também sobre dois médiuns ainda mais distanciados? Como persistir em tal hipótese. Concorre. personalidade que denominávamos “Walter-Margery”. surgem. mesmo quando Margery está a uma distância de oito milhas? Como. expressos em inglês e enunciados em Boston. Bird. do provérbio oferecido pelo Sr. a centenas de milhas dali? Em face das circunstâncias expostas. com seus dificílimos e intrincados caracteres ideográficos. poucos minutos depois. a uma distância de 500 milhas. como seria possível persistir em tal hipótese. do provérbio confiado a “Walter”. um tanto ou quanto obscuro. relativas à transmissão. diagramas. Resumindo os fatos. aqui consideradas. pensamentos. traduzidos em boa língua chinesa.mostra muito sugestiva do temperamento chinês. amostra mais convincente do que se tratasse de uma versão literal do próprio provérbio.

a fim de que lhe sugiram alguma hipótese naturalística que explique cumulativamente os fatos. cit. com a coadjuvação de entidades espirituais chinesas. sobrevivendo à morte do corpo. nas sessões.rem os fatos consiste em aceitar a hipótese espirítica. não porque tenhamos predileção qualquer pela hipótese espírita. Por outras palavras: em homenagem à pesquisa da Verdade. pela Verdade. Pode. mas no desejo honesto de saber qual alternativa se poderia conceber. para advogar a causa da interpretação espiritualista dos fatos. nem qualquer inclinação. observa o mesmo professor: “Entretanto. isso não impede que aquela verdade já se ache cientificamente e inabalavelmente demonstra- . antes que os psicólogos e os fisiologistas o reconheçam. se for possível. que não relato para ser breve. irrefutável e definitiva. em perfeito e ótimo chinês clássico. o conduziram a reconhecer a necessidade de admitir para eles a interpretação espiritualista. em suma. reconhecer que “Walter” é realmente quem ele diz ser: irmão de Margery.) Parece altamente digna de atenção esta observação final do Doutor Richardson. ficar certo de que ninguém sairá a contradizê-lo. mas. se mostra empenhado em tornar manifesto que nenhuma intenção tem. isto é. Ele. que foram estes que. para explicar os fatos aqui relatados e os que os precedem. dirige-se aos seus colegas do meio científico. Assim sendo..” A propósito de outro caso análogo. Lime Street). de entidades espirituais independentes da médium e dos presentes...” (Loc. lógica e inexoravelmente. a demonstrar a presença real. por isso que a empresa é impraticável: os fenômenos de xenoglossia que ele expõe assumem o valor de uma “prova crucial”. pág. porém. 505. Se isto não se deu por obra de “Walter”. Um século talvez ainda passe. em Niagara Falls. quer ele e pede que o contradigam. quem poderia ser então a personalidade comunicante? Formulamos esta interrogação. alguém se mostrou capaz de referir todos os pormenores (do que ocorrera na sessão que contemporaneamente se realizara em Boston.

é o mais importante de todos. Advirto que no grupo. sob certos aspectos. em particular. episódio que coloquei na categoria que se segue. mas pela voz direta. que temos apreciado. por não se haver produzido mediante a psicografia. . em geral. de manifestações em língua chinesa. e. resta citar um episódio que. pelos de xenoglossia.da pelos fenômenos metapsíquicos.

tão freqüente que quase não há bons médiuns dessa natureza. Daí o dever inferir-se que as comunicações mediúnicas por meio da voz direta se prestam de modo muito especial à exteriorização das conversações poliglotas. em vez da . para demonstrar a genuinidade dos fatos. que não tenham oferecido e não continuem a oferecer notáveis exemplos do aludido fenômeno. não seria possível com a psicografia. exceto os casos em que aquela entidade consegue influenciar mais ou menos diretamente. que a entidade comunicante se mantenha bastante independente do psiquismo do médium. porquanto esta se produz mediante a transmissão telepática do pensamento da entidade comunicante ao médium. consiste o outro em que. Do ponto de vista científico. Segue-se que os relatos de tais episódios tomam amiúde a forma anedótica. se deve atribuir à circunstância de permitir. presumivelmente. isto. em confronto com os que se obtêm pela psicografia: um consiste em que as conversações em língua que o médium ignora muito raramente não são compreendidas também por todos os presentes. faz-se necessária uma observação de ordem geral muito interessante: a de que. que o traduz subconscientemente na sua língua. documentos que se consultem. nesses casos. visto que as personalidades que falam pelo médium se dirigem a parentes ou conhecidos que se exprimem na língua mediunicamente empregada. os centros cerebrais da linguagem falada ou escrita (possessão mediúnica).Categoria III Casos de xenoglossia obtidos por meio da voz direta No que concerne à presente categoria. no médium. Ora. essa forma de mediunidade. as mais das vezes. o que. donde resultam não haver. para ficar em condições de exprimir-se numa língua que este último ignora. os fenômenos de xenoglossia que se produzem por meio da voz direta apresentam dois leves inconvenientes. como as conversações se travam na obscuridade. muito raro é que os experimentadores as registrem no momento. o de xenoglossia é fenômeno mais ou menos freqüente. nas experiências de voz direta.

será. Esta última realizou uma série de 44 sessões com a Sra. três e até quatro “vozes diretas”. apesar de avançada em anos não perdeu as faculdades mediúnicas que possuía. de futuro.científica. mas o período áureo de sua mediunidade pertence ao passado. com muita freqüência. Colocando a questão nestes termos. relatórios que compulsei inutilmente. viva ainda. Wriedt. nem as de Miss Edith Harper se podem aproveitar para tal efeito. esta última. quais a Sra. publicaram-se. que simultaneamente conversavam com outros tantos experimentadores. Wriedt. com o objetivo de extrair deles episódios de xenoglossia suficientemente minuciosos para caberem numa classificação científica. ressalta que elas apresentam duas características teoricamente importantes: uma é que. sobre as notas dos estenógrafos que a elas sempre assistiram”. Caso 26 – Pelo que respeita à mediunidade da Sra. acerca das quais informa que “cuidadosos relatos de todas se redigiram. Não menos certo é. raríssimos são os casos em que se observou essa indispensável regra experimental. de tais relatos ela se limitou a publicar um resumo geral. porém. nem as narrativas de James Coates. Por enquanto. serei muito parcimonioso no citar episódios em que os diálogos não foram registrados no momento mesmo em que se travaram. em número considerável. no entanto. que esta há tornado cientificamente inutilizáveis os surpreendentes episódios de xenoglossia obtidos com o concurso de antigos médiuns notabilíssimos. e também que. que assim se refere aos fenômenos de xenoglossia: “Da análise das nossas experiências. Everitt e a Sra. Nem os livros do vice-almirante Usborne Moore. sempre faltam dados que lhes valide convenientemente a importância. Wriedt. o que é importante e satisfaz plenamente. Fácil. remediar-se a semelhante falta. a segunda é que se obtiveram mensagens em línguas e dialetos ignorados intei- . quando mesmo testemunhos irrecusáveis não permitam seja posta em dúvida a realidade dos fatos. Porém. se ouviam duas.

sobretudo considerando-se que a médium pela qual foram obtidos é universalmente conhecida e estimada e está acima de qualquer suspeita.” (Light. exceto a médium. aos casos que se publicaram. ao que aquiesceu.. ex- . Das narrativas do vice-almirante Usborne Moore destaco uma experiência que merece assinalada.ramente da médium. Quando este último idioma foi falado. 1911. a título de experiência. o que se traduz por uma perda não pequena para a pesquisa dos fenômenos de xenoglossia. os episódios citados apresentam uma aparência de bons e genuínos exemplos de xenoglossia. exprimindo-se naquela língua. se declarou seu irmão e informou o próprio nome. com inexprimível júbilo da parte da senhora de quem se trata. que tentasse uma sessão com sete surdo-mudos vindos do Asilo de Flint (Michigan). para o bom êxito das experiências. Wriedt nada obtém. há alguns anos. foi-lhe pedido. de maneira mais eficiente do que se possa supor. por se prestar eloqüentemente à demonstração de uma verdade conhecida de há muito: que os experimentadores concorrem. Mas. pág. o italiano. uma voz direta se dirigiu a uma senhora. Doutra vez. Tenha-se muito presente que naquela sala de sessão ninguém era capaz de pronunciar uma só palavra que fosse. que. Ninguém sabia que essa senhora conhece o espanhol. robusta e viril. à qual se manifestou uma voz direta. Informa ele: “A Sra.) Como se vê. pois. manejando o espanhol com extraordinária volubilidade. o alemão. com grande surpresa que a ouvimos responder em espanhol. Pois bem: não se obtiveram manifestações daquela natureza. o espanhol e o norueguês. 439. quando tenta a sós a prova e. foi. Disse ela que seu irmão defunto lhe fornecera admiráveis provas de identidade pessoal e a informara sobre a ditosa existência que levava no mundo espiritual. devidos à sua mediunidade. apaixonada conversação se entabulou na língua de ambos. com muita clareza.. Entre os dois. falta cunho científico. estava presente uma senhora norueguesa (muito conhecida nos meios políticos e literários). não obstante. ao Espírito que a interrogava e que lhe manifestou viva satisfação por haver podido falar na sua língua nativa. entre os quais o francês.

nem sequer a médium chegou a ouvir um simples murmúrio. de modo que basta a presença de um só indivíduo fluidicamente ou psiquicamente negativo. se aqueles não possuem íntegro e sem taras o sistema cérebro-espinhal e os órgãos que o servem. E o que mais surpreende na aludida experiência é o fato de ela demonstrar que os presentes fornecem substâncias fluídicas especializadas para as manifestações que se produzem. em sua companhia somente uma criancinha. acima de tudo.ceto uns movimentos da trombeta. desse ponto de vista. por efeito da modificação que. portanto. o que é pior. melhor do que qualquer outra. que aquela personalidade mediúnica sabia o que dizia. as “vozes diretas” não se exteriorizaram. contribuição a tal ponto indispensável que. Já a célebre personalidade mediúnica “Imperátor” explicara a Stainton Moses que o médium é. 1911. mas o que teoricamente importa é que. ou. as manifestações de voz direta infalivelmente se dão. No nosso caso. Naturalmente. em grande parte. para provocar manifestações espúrias. para neutralizar a produção dos fenômenos. que tocou em dois surdo-mudos. pois demonstra. o bom êxito das manifestações depende. causando-lhes não pequeno susto. ninguém esperava que aqueles experimentadores de exceção houvessem de ouvir “vozes”. porque os sete experimentadores careciam dos fluidos vitais que se localizam na região da laringe . a experiência com os “sete surdo-mudos” resulta preciosa. em condições tais. das pessoas que formam o grupo dos experimentadores.) Não se poderia desejar prova melhor do que esta. se ela faz sessão tendo. um centro de condensação. mal grado à presença de sete pessoas. Note-se que. 183. Ora. apenas capaz de balbuciar palavras. não se podem obter fenômenos de voz direta. sofre a camada onírico-subconsciente do médium. para demonstrar quão grande é a contribuição fluídica com que os presentes entram para a produção dos fenômenos mediúnicos. onde se reúnem os fluidos subtraídos aos assistentes e que. Foi por isso que “Imperátor” proibiu a Moses que convidasse pessoas estranhas ao grupo que ele constituíra. convertendo a sessão mediúnica numa experimentação sonâmbulo-hipnótica.” (Light. pág.

e talvez também porque neles se achavam atrofiados os centros
cerebrais da linguagem falada.
Importa tenha muito em conta o que vem de ser expendido
quem queira evitar fracassos e mistificações subconscientes e, ao
mesmo tempo, conseguir dos médiuns o rendimento máximo.
Caso 27 – Também os dois episódios que se seguem foram
obtidos com a mediunidade da Sra. Wriedt. Relatou-os o conde
Chedo Mijatovïch, ministro plenipotenciário da Sérvia junto ao
Governo inglês, que foi igualmente quem narrou um dos casos a
que precedentemente me referi. Dedicou-se ele, com admirável
perseverança, a investigar as manifestações de voz direta e
chegou a reunir importante material, a benefício das pesquisas
psíquicas.
Tomo este caso ao livro do vice-almirante Usborne Moore:
The Voices (As Vozes), página 3. O conde Chedo Mijatovich
precedeu da seguinte explicação a sua narrativa:
“Por profissão, sou um diplomata sérvio, que já representou seu país junto ao Governo da Romênia, depois junto ao
da Sublime Porta, donde passou a Corte da rainha Vitória
da Inglaterra e do rei Eduardo VII. Sou, além disso, membro de várias sociedades científicas inglesas e continentais.
Julgo conveniente começar por estas notas pessoais, a fim
de que se saiba que sou homem afeito desde muitos anos a
pesar os fatos e as palavras, com plena consciência da responsabilidade que uns e outras envolvem...”
Isto dito, informa o conde Mijatovich que, ciente de achar-se
a médium Sra. Wriedt em Wimbledon, localidade não distante da
sua residência, com ela combinou uma sessão para o dia 16 de
maio de 1912. Nessa data, dirigiu-se a Wimbledon, acompanhado de um amigo croata, natural de Agram, o Doutor Hinkovitch.
Manifestou-se-lhe, quase de súbito, o seu grande amigo William
Stead, em forma fluídica visível (fenômeno freqüente com a
mediunidade da Sra. Wriedt), travando-se entre os dois uma
interessante conversação, que não vem a pêlo reproduzir. Prosseguindo, diz o conde:

“Improvisamente e com grande espanto do meu amigo
croata, uma voz se ouviu, clara e forte, que a ele se dirigiu
em língua croata. Era a de um velho amigo, doutor em Medicina, que morrera, não havia muito, de um colapso cardíaco. Conversaram durante algum tempo na língua nacional
de ambos. Eu ouvia a conversação, compreendendo tudo o
que diziam os dois. Escusa acrescentar que aquela era a
primeira vez que a Sra. Wriedt escutava o som e as inflexões do idioma da Croácia.
Tanto eu como o meu amigo ficamos profundamente impressionados com o que, respectivamente, obtivéramos. Falei nisso a outros amigos, como da mais maravilhosa experiência que conseguira em toda a minha vida. Falei também
a respeito com a professora Margarida Selenka que, como
toda gente o sabe, é uma célebre cientista tedesca e, por satisfazer-lhe, combinei com a Sra. Wriedt outra sessão para o
dia 24 de maio.
Logo ao principiar esta, novamente apareceu a forma fluídica de William Stead, que se me conservou visível por espaço de uns dez segundos. Reapareceu segunda vez mais
nítida, porém ainda não tão distintamente quanto na sessão
de 16 de maio. Conversou longamente com a professora Selenka e muito rapidamente comigo...
Cessada a manifestação, eis que se faz ouvir a voz de minha mãe, com quem mantive longa e comovente conversação na língua sérvia.
Em seguida, a professora Selenka teve, a seu turno, comovedor entretenimento, em alemão, com seu defunto marido, o professor Lorentz Selenka, da Universidade de Mônaco. Manifestou-se depois a própria mãe da professora,
morta, pouco antes, em Hamburgo...
Sinto-me no dever de manifestar publicamente a minha
gratidão à Sra. Wriedt, por intermédio de quem me foi concedido o inefável conforto de ouvir a voz de minha mãe e
as suas amorosas expressões, formuladas na nossa língua
materna...”

Estes, no relato de Mijatovich, os tópicos concernentes ao
nosso tema. No outro episódio que ele refere e que citei precedentemente (caso 7), encontram-se reproduzidas as frases que em
língua sérvia proferiu a entidade que se comunicou. Não fez o
mesmo aqui, talvez porque a intimidade das expressões maternas
não o comportava. De todo modo, porém, assim no seu caso,
como no do seu amigo croata, uma vez que se trata de conversações na língua particular dos interlocutores, racionalmente se
deve inferir que, se os experimentadores afirmam ter ouvido a
personalidade mediúnica a falar corretamente os idiomas sérvio e
croata, lícito não é pôr-se em dúvida a competência deles para se
pronunciarem na matéria.
Casos 28, 29 e 30 – Limito-me a tirar apenas três episódios
de xenoglossia da série obtida por Denis Bradley com o médium
Valiantine, visto que os dois volumes onde se contém a série
toda lograram ampla difusão mundial e são conhecidos de todos
os que estudam metapsíquica.
Este primeiro episódio ocorreu na segunda sessão de Bradley,
em casa de De Vickoff, com relação à qual importa adiantar,
tendo um dos experimentadores precisado ausentar-se, De Vickoff lembrou-se de substituí-lo pela sua própria cozinheira e pelo
“despenseiro”, a ver o que de novo sucederia. Aquela era espanhola; estava nos Estados Unidos de poucos meses e ignorava a
língua inglesa.
Dada esta explicação, passo a relatar a manifestação a que a
cozinheira Anita Ripoll proporcionou ensejo. Bradley a descreve
nestes termos:
“Espantoso o que se seguiu! Anita Ripoll, quando a
trombeta acústica lhe tocou, soltou um grito.
De súbito, uma voz, saindo da trombeta, exclamou em
tom apaixonado: – “Anita! Anita!”
Ao que ela respondeu: – “Sim! Sim!”
Acrescentou a voz, em espanhol: – “Sou eu! Estou aqui
eu!”
Exultante, a cozinheira exclamou por sua vez: – “É ele! É
José!”

volúvel. Reconheceram-se de pronto e não perdiam tempo em procurar e fornecer provas de identidade pessoal. José falava em bom espanhol.Era o Espírito de seu marido. nem a mulher pareciam maravilhados com o caráter supranormal daquela entrevista. ele. conforme viemos a saber mais tarde. Todos os presentes. pois Anita Ripoll. ela. usando de sua influência. depois que ele se fora. a situação em que se viam. falando o espanhol com José. robusta e vigorosa. nunca haviam cogitado a sério da sobrevivência. os dois cônjuges sempre falaram o espanhol. quando se dirigia a Anita. Agradeceu a De Vickoff o ter conservado Anita ao seu serviço depois que ele morrera e lhe pediu que a ajudasse. provavelmente. Aceitavam. percebiam os sentimentos que os dois reciprocamente manifestavam. misto de basco e de baixo espanhol. Também viemos a saber que. quando se dirigia a De Vickoff. De Vickoff. pois. Seguiu-se uma conversação apaixonada. passando a conversar no dialeto do lugar onde haviam nascido. empregava o íntimo jargão nativo. Não me foi possível acompanhar por nada saber do espanhol. de expressão intensamente meridional. não representava contar mais de trinta anos. Acompanhando atento a conversa dos dois. de seus próprios sentimentos e da existência que levava. em vida. não pôde resistir ao impulso de tomar parte nela. Eram jovens ambos. porém. pois ambos ignoravam a língua inglesa. mas. Na sessão. este e Anita mudaram de linguagem. a certa altura. de seus interesses domésticos. Eram duas almas simples. para conseguir que ela pudesse mandar vir da Espanha os dois . tendo entrado para o serviço de De Vickoff assim que desembarcaram na América. como se tratasse de coisa normal. Nem o marido. Falaram do convívio de que gozaram na Terra. As palavras se sucediam em verdadeira torrente. Imediatamente. entre a mulher e o marido defunto. as frases se sobrepunham com a costumada exuberância latina. das impressões que recebera após a morte. que na Terra se tinham votado recíproco amor e que.

resulta complementar do fenômeno de xenoglossia. que por si só já provava a intervenção de uma entidade espiritual extrínseca ao médium e aos presentes. Em outros termos: esse incidente. durante os quais. conversação de que foram objeto as novas restrições que a lei de imigração estabelecera. em que. o que torna inadmissível pudesse o médium preparar-se previamente para a grande mistificação. A propósito. do defunto marido de Anita Ripoll. 32-33.filhinhos do casal. posto o fato eloqüentíssimo de que o dialeto falado era o da aldeia onde ambos nasceram.” A conversação se prolonga por dez ou doze minutos. aquelas duas almas esgotaram tudo o que tinham para dizer uma à outra. numa espontaneidade verdadeiramente vívida. pois ninguém poderia avançar a suspeita de que o médium conhecesse o obscuríssimo dialeto falado numa aldeia espanhola e tão a fundo que fosse capaz de falá-lo como um natural da dita aldeia. porquanto constitui prova específica de identidade pessoal. págs. tornando-lhes bastante difícil mandarem vir da Espanha os filhos. há o incidente de a entidade comunicante mudar bruscamente de linguagem. sem mesmo levar-se em conta que a presença da cozinheira na sessão resultou de uma decisão subitamente tomada na ocasião. provavelmente. aludiu à conversação que tivera um ano antes com De Vickoff sobre o mesmo assunto. * . informando-se de modo minucioso sobre a vida passada da mesma cozinheira. De Vickoff perguntou a José como fizera para comunicar-se. ao que deu ele esta resposta singelíssima “Encaminhei-me para aqui com os outros. mal se apercebe de que um dos presentes lhe está compreendendo as íntimas efusões com a mulher ainda viva. concorrendo admiravelmente para provar a presença espiritual. o episódio citado parece invulnerável. para subtrair-se a ouvidos indiscretos.) Não será supérfluo notar que. Segue-se que o episódio em apreço constitui um caso magnífico de xenoglossia.” (Towards the Stars. ali. do ponto de vista probativo.

chamando-lhe pelo nome “Gonnoskè! Gonnoskè!” Ora. A sessão se realizou na casa de Bradley. manifestou-se “Bert Everett” (Espírito-guia) que. Tendo-se retirado esse Espírito. a do Espírito que se comunicava o haver saudado. o pai ou a mãe têm o direito de saudar uma pessoa. A voz foi ganhando vigor gradativamente e. disse: “Juntamente com teu irmão. Komai realçou uma circunstância muito importante. em Londres. por fim. também está presente tua mãe. breve conversação. Komai. dirigindo-se ao Sr. só o irmão mais velho. onde tocou por duas ou três vezes. seja. segundo os costumes japoneses. Komai. forneceu o próprio nome: “Otani”. Em seguida. morto havia pouco. porquanto se tratava de seu irmão mais velho. depois do que saíram dela estas palavras: “Gonnoskè! Gonnoskè!” – O ser chamado pelo próprio nome impressionou vivamente o Sr. a corneta luminosa se transportou para defronte do Sr. assistia à sessão o poeta japonês Gonnoskè Komai e a língua falada foi a japonesa.Por ocasião deste segundo episódio. o Sr. pronunciando-lhe o prenome. Gonnoskè Komai. antes que o Espírito comunicante chegasse a adquirir força suficiente para materializar a própria voz. pela razão de que dentro em pouco falaremos. Pois bem: é altamente sugestivo reconhecer-se que o Espírito que se manifestou a Gonnoskè tinha o direito de falar-lhe dessa maneira.” . ou. pronunciando-lhe o nome que dizemos “de batismo”. desenvolveu-se. Komai. a 18 de março de 1925. Refere Bradley: “O episódio mais dramático da sessão ocorreu quando uma “voz” se dirigiu em japonês ao Sr. na qual o defunto falou principalmente de seus filhos. Erguendo-se pela terceira vez. em língua japonesa. Duas vezes a trombeta acústica se precipitou no chão. Estabelecida a identidade do comunicante.

parece o considerar-se o episódio exposto como “das mais belas e incontestáveis demonstrações. da sobrevivência. mesmo inexato. Komai é moço ainda. Dela participou o conhecido romancista e artista dramático Caradoc Eyans. Contentemo-nos com o apreciá-lo como uma bela e incontestável prova de identificação espirítica. incompreensível aos próprios ingleses. A sessão se fez na casa de Bradley. que. da sobrevivência”. Penso que este episódio. obtida por meio dos fenômenos de xenoglossia. Em dado momento. a 27 de fevereiro de 1924. entre seus pés. 305-306. como desconheciam a língua japonesa. – Teu pai. – Tenho. é uma língua toda especial. em Londres. Este o diálogo havido: P. ninguém poderia supor que já lhe houvessem morrido a mãe e o irmão mais velho. . o que maior importância científica lhe confere. se hão conseguido tão extraordinárias. já obtidas.) Com relação a este último comentário do relator.A propósito dessa informação. lhe dirigiu a palavra. deve considerar-se uma das mais belas e incontestáveis demonstrações. por conseguinte. como se sabe. cumpre assinalar que o Sr. – Tens alguma coisa a dizer-me? R. págs. notabilíssimo. convém ponderar que. achando-se integralmente reproduzido o diálogo que então se travou. P. que o próprio Caradoc descreve como irrompendo do solo. complexas e decisivas provas de identidade pessoal dos defuntos. Inútil acrescentar que os presentes tudo ignoravam a seu respeito. – Quem és? R. * Agora o terceiro episódio. e vindo postar-se à sua frente. no qual se conversou em japonês e se produziram notabilíssimas provas de identidade pessoal.” (The Wisdom of the God. nos últimos anos. já obtidas. no qual houve conversação em dialeto galês que. natural do País de Gales. uma “voz”. que excessivo.

tinha-se que subir muitos degraus. (Para começar. ele se prolongou bastante para fornecer a prova incontestável de que a entidade comunicante conhecia perfeitamente o dialeto galês. Pa beth yr ydych yn gofyn? Y chwi yn mynd i weled a ty bob tro yr rydych yn y dre. (A montante do rio.) P. Como fizeste para saber que eu estava aqui? Quem te disse? R. o dessa conversação entre pai e filho. falta a força e a trombeta cai rumorosamente no chão. – Disse-me Edward Wright.. Foi um espetáculo assombroso. wrth gwrs. meu pai? Não pode ser. Quando o diálogo se interrompeu bruscamente. pág.) P. – William Evans. – Eich enw. dize-me o teu nome. assim como o país e a casa em que vivera. – Yn le marwo chwi (Onde morreste?) R... Contudo. 210. – Uch ben yr avon.) P. escuta. visita a nossa casa.. – Tu. – Então. – Beth i chwi am i fy ddweeyd? (Dize-me de que queres que eu te fale. da presença real do pai.” (Towards the Stars. P. Mae steps-lawer iawn-rhwng y ty ar rheol. P.) R. (Meu pai. não menos bruscamente. – Sir? (Condado?) R. (Cidade. no singularíssimo idioma do País de Gales. já o céptico Caradoc Evans se convencera. – Caerfyrddin. Porque esta pergunta? Todas as vezes que te achas na cidade. Se és meu pai. – Nhad.) É de lamentar-se que um intempestivo esgotamento de “força” haja truncado o interessantíssimo diálogo. – Ble mae’r ty? (Qual a situação da casa?) R.P.) Neste ponto.) P. Para se chegar da estrada a casa. siaradwch a fy yn cich iaith (Fala-me no meu dialeto) R. por- . – Tre. (Em Carmarthen.

deduções lisas. não bastaria propugná-lo. antes. em suma. haver médiuns que têm conversado ou escrito numa dúzia de línguas ignoradas e que atribuir-se tal prodígio a poderes ocultos de que eles disponham equivale a emprestar à subconsciência humana a onisciência divina. A esses opositores. incompreensível para os próprios ingleses. acerca de fatos íntimos das suas existências terrenas. como for. como demonstração de que os defuntos intervêm nas experiências mediúnicas. fora mister demonstrá-lo. equiparáveis a um “ato de fé”. Lembro. além de rigorosamente lógicas e cientificamente inatacáveis. Parece-me. evidentes. língua que no presente caso era um dialeto dificílimo. a que sobrepuja toda a outra e se apresenta invulnerável aos sofismas dos opugnadores. devem considerar-se gratuitas. . Afirmo. Digamos que prova experimental mais eloqüente do que esta se poderia exigir. E isso sem levar em conta os casos em que aquelas personalidades falam no tom de voz. sem receio de errar. que nasceu e sempre viveu nos Estados Unidos. ótimas provas foram dadas de identidade pessoal. Com efeito. a propósito. Ocioso será. consiste sempre no grande fato de uma personalidade mediúnica conversar claramente numa língua que o médium desconhece. entretanto. ou se não são. arbitrárias. que na questão que se debate deveriam inverter-se os valores representativos das partes que contendem. simples.quanto. Há certos opositores que não cessam de proclamar que os que propugnam a hipótese espirítica fundam as suas inferências em presumidas circunstâncias de fato que. porém. não passam de “meros atos de fé”. com as inflexões e as acentuações que as caracterizavam em vida. em que as personalidades dos defuntos conversam. um absurdo de tamanho porte? Seja. acrescentar que o médium Valiantine. no dialeto que falaram na Terra e que o médium ignora. quisera eu perguntar se as deduções tiradas de episódios quais os de que acabo de tratar. não conhecia uma sílaba do galês. do nosso ponto de vista. a “prova das provas”. que ninguém nunca chegará a arquitetar uma hipótese naturalística que explique os fenômenos de xenoglossia propriamente dita. Quem ousaria propugnar. ao sério. no breve colóquio em que se empenhara. esquisitíssimo.

que disse ser Confúcio e longamente falou em chinês arcaico com o orientalista professor Whymant. embalando-se na ilusão de que. conhecedor de uma trintena de línguas e autoridade no que concerne às línguas orientais. 14-15) as particularidades do episódio. da Universidade de Oxford. achando-se recentemente em Nova York. e que os copistas deturparam a ponto de a tornarem incompreensível. para demonstrarem suas teses. a forma correta de uma poesia que se encontra na coletânea dos “Shi-King”. pág. dado que. Trata-se de uma voz direta.colocando-se os acusadores no banco dos acusados e vice-versa. Narra o doutor. de menores proporções. editada em vida do mesmo Confúcio. falando das complexas manifestações em língua chinesa obtida com o auxílio da mediunidade da Sra. o a que precedentemente aludi. o qual. Neste episódio. puramente verbais. Tiro das revistas inglesas Psychic Science (julho de 1927. intercalado. ao demais. na realidade. 129) e Light (1928. Alucinados pelos preconceitos de escola. Caso 31 – Encerro a presente categoria com um episódio teoricamente muito importante. No mesmo episódio há. contraditadas pelos fatos. um incidente de xenoglossia em língua italiana e dialeto siciliano. como no momento oportuno assinalaremos. insigne poliglota. lhes basta cunhar sonoros neologismos. interveio exclusivamente o Valiantine. sustentando hipóteses gratuitas. os opositores é que praticam “atos de fé”. mas que apresenta notável valor teórico. foi convidado para assistir a uma sessão experimental com o médium Valiantine. quando eles é que não fazem outra coisa. acusam os outros de se valerem de argumentos sofísticos. Margery Crandon. professor Naville Whymant. anterior aos outros ocorridos com os três médiuns citados. págs. dando. em “correspondência cruzada” com os médiuns Doutor Hardwick e Valiantine. Observa ele: “A pessoa que me veio convidar explicou que as “vozes diretas” falavam em línguas que nenhum dos assistentes .

Dirigiu-se a mim. pareceu-me divertimento agradável. E. mas que conheço muito bem. na resposta que receberam. que deu o nome de “Cristo d’Angelo”. entretanto.” Foi-me grato o inesperado convite. De repente. pois se me afigurava estar fazendo o papel de um intruso que ali fora para surpreender os segredos do próximo. Compareci à reunião à hora aprazada. X. indicando. a mesma voz entrou a discorrer em puro idioma italiano. contava que. nunca. pelo que a minha presença era desejada unicamente para a interpretação das línguas. Os experimentadores se apressaram a escrever ao endereço dado e. Manifestaram-se diversas “vozes”. pronunciando este nome com acento italiano. por exemplo: “Uma voz falara em português. o que me . ainda viva em Portugal. na série das sessões em curso. para falar claro. uma voz forte se ouviu. finalmente o endereço da própria família.conhecia. Por felicidade. Ela continua a responder-me em espanhol. não para que me pronunciasse sobre o mérito do que ocorria. Depois. Esta. uma após outra. próprio a me facultar algum repouso à mente. nestes termos: “Diga à Sra. viram admiravelmente confirmado tudo o que a entidade comunicante dissera. a conversar em inglês com vários membros do grupo. que eu me sentia embaraçado e confuso. Algumas dessas conversações se referiam a incidentes tão íntimos. Assim sendo. (presente à sessão) que não manteve a sua palavra de aprender suficientemente o italiano para conversar comigo na minha língua. chegaria a descobrir de que modo se produzia a bem preparada e hábil mistificação. Se bem jamais tenha sido adversário declarado das pesquisas psíquicas. haviam obtido admiráveis provas de identidade pessoal dos defuntos que se comunicavam. estávamos imersos em trevas e ninguém podia perceber o meu vexame. depois de ouvir algumas daquelas “vozes diretas”. para que me convidavam. tivera tempo de com elas ocupar-me. fornecendo o próprio nome e as particularidades necessárias à sua identificação. língua que não falo. Fui informado de que todos es experimentadores eram espíritas convictos e que. a sessão.

mais que um nome. Em seguida. que. notar que bem poucas pessoas no mundo seriam capazes de pronunciá-lo com a correção com que o fez Valiantine. fez reconhecer que se tratava do dialeto siciliano. sem dúvida. chiantes. me transportaram de súbito à China o pensamento. A senhora a quem fora dirigido o reparo confessou sinceramente que Cristo d’Angelo tinha razão. como também as mais delicadas inflexões vocais. nada tem de notável. é um título. Ecoou. em seguida. Logo me convenci de que aquele que me falava era profundo orientalista. notei inflexões de voz dignas da mais alta consideração. ou alguém por ele. a sílaba final “T’zu” ou “T’ze” é extremamente difícil de pronunciar-se. Seguiram-se outras vozes. em nenhuma outra parte do mundo acontece. uma vez que o nome é o mais famoso da história chinesa. exprimindo-se em obscuro dialeto italiano. O som que dela mais se aproxima é “Ts”. em si mesmo. Na pronunciação dessa palavra.embaraça”. há mais de 2000 anos. destacados. Significa: “O mestre supremo dos filósofos K’ung. falando o inglês. pois que reproduzia corretamente não só a pronúncia. Ora. Por exemplo. porém. uma voz de baixo profundo. Perguntei: “Quem és?” . emergiram das trevas sons estranhos.” A família dos “K’ung” ainda existe na China e os descendentes do grande filósofo recebem. mas é impossível figurar-lhe com letras inglesas o som verdadeiro. de mim bem conhecidos. Depois. de improviso. uma pensão especial do governo chinês. o que. faço. que pronunciou de modo distintíssimo a palavra: “K’ung-fu-T’zu”. Este continuou por algum tempo a conversar comigo. Eram notas de uma flauta chinesa. É freqüente no Celeste Império topar a gente com tocadores de flauta. o fato de uma voz direta dizer-se Confúcio. mal tocada. “K’ung-fu-T’zu” é nome oriental correspondente a Confúcio e.

que lhe dá outro sentido. pelo que a resposta. repetiu: “K’ungfu-T’zu”. É de notar-se que o cognome em questão bem poucos orientalistas o conhecem. o único de que me recordava. achar-me em presença de alguém que desejasse discutir comigo sobre a vida e a filosofia do grande pensador chinês. Nem de longe me passara pela mente que fosse Confúcio. Resolvido a penetrar fundo o mistério. Pediu a “voz” que eu especificasse uma das tais poesias. tanto com a forma nova ditada por aquela entidade. compreendes-lhe o significado?” Querendo reproduzir o texto poético de que se conheciam apenas as variantes.A mesma voz. Recitei dessa poesia o primeiro verso. perguntei de novo. . quando tinhas catorze anos?” A resposta. pois: “Saberás dizer-me qual era o teu cognome. como com a forma obscura sob a qual era até então conhecida. ao contrário. Supunha. imediata e correta. tal como é conhecida presentemente. Citei a terceira das “Shih-King”. recitou a poesia toda. declarando-se pronto a lhe dissipar as obscuridades. Exato. a “voz”. Imediatamente. não era concludente. foi proferida com entonação e inflexão genuinamente chinesas. Em seguida. o Professor Whymant pediu e obteve que a entidade que se comunicava lho repetisse lentamente. novamente a recitou em sua forma correta. embora correta e interessante. com certa impaciência. Insisti. e. com perfeita inflexão chinesa. servindo-me do costumado cerimonial chinês: “Saberás dizer-me qual era o teu prenome?” Foi-me respondido: “K’iu”. Nesse ponto. por ser a mais obscura de todas. após uma pausa de quinze segundos. A revista Psychic Science publicou a tradução inglesa da aludida poesia. observei ao meu interlocutor que algumas das poesias que ele próprio ditara e publicara se apresentavam obscuras aos leitores hodiernos. perguntou “a voz”: “Agora que a corrigi. esse prenome é familiar aos orientalistas.

exprimia-se num dialeto que havia longo tempo se extinguira no império chi- . por adoentado. O valor sugestivo dessa frase está no fato de constituir uma metáfora que freqüentemente se lê nos clássicos chineses mais antigos. Comentou ele. tornando-se assim improvisadamente escuro o seu pêlo. “K’ung-fu-T’zu” se manifestou. ao dar com o fantasma do amante assassinado. a propósito: “Ninguém me conhecia como autor de uma gramática mongólica. em dezembro de 1927. pedante. Aquela “voz”. Exprimiu-se num inglês seco.” Explicou a “voz” que o cavalo. Ora. que dizia ser Confúcio. presente o Doutor Whymant. dando conta do que nelas se passou numa conferência que fez. tentando falar em inglês. que aquele professor publicara. a ponto de cobrir-se de suor. Na sessão seguinte. mas os assistentes chegaram a compreender que ele deplorava a ausência do professor. que já caiu em desuso entre os chineses modernos. a entidade que se comunicava aludiu a “um trabalho que o doutor Whymant escrevera a serviço do povo mongol”.” Noutra sessão a que o Doutor Whymant não pudera estar presente. porém. omitindo as costumadas frases do cerimonial chinês. que ainda noutras tomou parte. imperfeito.” 10 Tudo o que acaba de ser relatado diz respeito à primeira sessão a que assistiu o professor Whymant. “K’ung-fu-T’zu” se manifestou de súbito e.Continuou assim o professor Whymant: “Pedi ainda à “voz” que me explicasse o significado de certas imagens obscuras daquela poesia. em dado momento. o professor Whymant reatou suas conversações com a “voz” e. lhe observou: “A erva má da doença cresceu junto à tua porta”. ficou aterrado. antes mesmo que a senhora o houvesse visto. o fato era real. por exemplo: “De medo. a “voz” se reportava a uma pequena gramática da língua mongólica. na sede do National Laboratory of Psychical Research e que a Light resumiu deste modo: “Numa sessão posterior. mudou de cor o meu cavalo. que era baio. Esta. mas que passara absolutamente despercebida.

há 2.. Julgava. o resultado seria de considerar-se espantoso. conseguiu-se relacionar doze sons vocais. visto não existir uma só pessoa na China que saiba de modo exato qual era a inflexão da linguagem falada em tão remotos tempos.O professor Whymant não se reconhecia em condições de afirmar taxativamente que esse dialeto fosse a língua foneticamente falada ao tempo de Confúcio. Apenas sabemos como. cedendo ao desejo de pessoas amigas.. Durante a conferência. Concluiu assim: . O professor Whymant a ouviu com grande atenção e informou que esse acontecimento fonográfico se dera numa sessão a que ele não assistira. como for. persuadido que estava de não se poder aventurar nenhuma. fiado apenas na fonética. na lisonjeira esperança de que alguém mais competente do que ele encontrasse meio de examiná-las. Seja. se pronunciavam 3. pertencente ao National Laboratory. foi proporcionado ao auditório ouvir um disco de gramofone. após 25 anos de pesquisas. decidirase a divulgar suas próprias experiências. a interpretar-se a dita mensagem da maneira pela qual ele pensava que se deveria fazer. o que quer dizer que lhes conhecemos o valor fonético. é muito de notar-se que a voz direta usava precisamente esses sons vocais arcaicos. enquanto não estivesse tudo diligentemente analisado.. a dicção não ficara bem impressa na chapa. Declarou que só por alto poderia interpretar aquela mensagem mediúnica. Entretanto. Ora. ponderou que o seu tema merecia investigado a fundo. cuja tonalidade se elevava e abaixava alternativamente.. a cujo respeito se pode afirmar que sabemos positivamente de que modo os terão pronunciado os chineses da época de Confúcio. para não ser acusado de se haver metido a adivinho. prudente não se abalançar a lhe interpretar o significado geral. Abstinha-se de emitir opinião. Acrescentou que. assim.400 anos.000 palavras. Curiosa e singular impressão causava a voz do disco: parecia uma nota de flauta. pois. Por fim. mil anos depois de Confúcio.nês. porém. infelizmente. apreciado e comprovado. em o qual Lorde Charles Hope conseguira gravar uma mensagem de Confúcio.

de uma metáfora empregada na poesia em questão. num dialeto extinto há séculos. Vê-se que forneceu prontamente os dois nomes pessoais que o distinguiam em vida. era simples cognome que lhe davam quando contava catorze anos. mais do que de ordinário.” Este o caso. sob outra forma. mudara de cor. com efeito. considerando que a aludida personagem chegou a apresentar. caso que viria a reproduzir-se mais tarde. que se exprimiu com a fonética dificílima de uma autêntica personagem chinesa. importa observemos que no caso em exame ela reveste. que afirmam ter sido em vida grandes personagens históricas. combinada com as de Valiantine e do Doutor Hardwick. graças à mediunidade da Sra. obtido pela mediunidade de Valiantine. de “voz direta com xenoglossia” em língua chinesa. todas as provas de identidade possíveis de ser oferecidas por uma personalidade eminente. questão que urgentemente cumpre seja tomada em séria consideração. de fazê-lo. no tocante à demonstração experimental da intervenção de entidades espirituais nas experiências mediúnicas. quase totalmente desconhecido dos próprios orientalistas. de medo. que viveu há 2400 anos. deveriam ser usados por uma personagem que vivesse na época de Confúcio. que já em nenhuma parte existiam em conseqüência das deturpações perpetradas pelos copistas. ao demais. Vê-se que não teve dificuldade em dar explicação inesperada e curiosa. ou indireta. a seu próprio respeito. se bem não deixe de suscitar uma questão. Vê-se. do ponto de vista da identificação pessoal de algumas dessas entidades espirituais. empregando os doze sons arcaicos que. sendo que um deles. da personagem que se manifestou. porém. que não há modo de não ser considerado resolutivo. aspecto favorável a uma intervenção direta. com referência a um cavalo que. Vê-se que recitou integralmente uma poesia sua. ainda não suficientemente esclarecida. porém racional. verdadeiramente extraordinário. É de tal natureza o caso com que nos vimos ocupando.“Os fatos expostos encerram uma grande questão a resolver-se. Margery Crandon. Vê-se . Dentro em pouco discutiremos essa questão complexa e embaraçosa. restituindo-lhe a dicção original. o que se reconhece. antes.

Mead. ou de personalidades eminentes que viveram em épocas remotas. mas caída em desuso há muitos séculos. lembrarei que a personalidade mediúnica de “Imperátor” explicou ao rev. uma vez que com este se acha espiritualmente em relação direta. Mas será mesmo necessário se admita a intervenção de Confúcio. quando se manifestam personalidades espirituais com os nomes de grandes filósofos. ou um autêntico literato chinês. tantas e tão importantes provas cumulativas e demonstrativas da sua presença real no lugar em que se produziu o fenômeno. C. Há então de se reconhecer. Havendo-o este interpelado sobre a questão da presença real de Confúcio nas sessões a que ele assistia. a fim de não deixar de concorrer. R. deve ter-se. o Espírito comunicante provou que é um profundo orientalista. de outra metáfora se serviu. ou de prodigalizar ensinos espirituais. pelo menos. por se haver restabelecido de uma enfermidade. Também ponderarei que a explicação da personalidade mediúnica “Imperátor” concorda com a que deu a personalidade mediúnica “Walter” ao Doutor Richardson. pela lei de afinidade. conforme deseja. que nos anais do mediunismo outro caso não existe de uma grande e antiqüíssima personagem ter conseguido ministrar. o qual. não se pode negar que. quase sempre. entre as provas enumeradas. usual entre os clássicos de seu tempo. como certo que se trata de algum de seus discípulos. “Walter” respondeu assim: . Ora. tomou depois deste a palavra. Que pensar de tudo isso? O prof.” Em prol da opinião do professor Mead. para dizer: “Estou apto a reconhecer neste episódio um caso autêntico de manifestação espirítica. algumas se contam altamente sugestivas e impressionantes.que se congratulando com o professor Whymant. em pessoa? Qualquer que ele tenha sido. Stainton Moses que. que assistia à conferência do professor Whymant. por não ser conhecido presentemente e não poder ministrar pormenores que permitam a sua identificação pessoal. se manifesta em nome e com o assentimento de seu grande mestre. para dar aos vivos as provas positivas da existência de um mundo espiritual. sobre si mesma.

se até os melhores médiuns eram vítimas de Espíritos mistificadores. às quais aquele teria estado presente em pessoa. ao mesmo tempo em que me dizia: “Olha!”. o Mestre estava presente em pessoa. que me vigiava. tendo aquele que o trouxera passado à vida espiritual antes da última geração humana. que confiança se poderia depositar nas comunicações mediúnicas? “Margarida” (seu Espírito-guia).“Quando “K’ung-fu-T’zu” se vos manifesta não é forçoso que ele esteja presente em pessoa. Quando. aplicável também a Confúcio nas experiências com a médium Margery.) Daí se infere que. que não pareciam indignos das mais excelsas esferas espirituais. uma vez morta. Entretanto. senti-me uma vez mais tomada de profunda desilusão. nas sessões mediúnicas. Mas. não há pretender-se estejam elas presentes em pessoa. Dirigi o olhar para o ponto indicado e observei. porquanto bem via que aquele Espírito não estava presente. Deu-a uma entidade espiritual. Disse que. que já ele ascendera a uma esfera donde os Espíritos raramente voltam a manifestar-se aos humanos.” (Psychic Research. ao perceber o meu pensamento. nome ilustre nos anais da literatura. pág. 502. apontarei outra explicação dada sobre a questão de que tratamos e que poderia considerar-se complementar à que ficou exposta acima.. em regra. porém. que se comunicou por Mrs.. por intermédio de Valiantine. quando. Ao médium eram transmitidos ensinamentos e conselhos de suma sabedoria. Sabia. logo que lhe foi concedido. cuidou de assistir às sessões mediúnicas do grupo que em vida freqüentara. Infere-se igualmente que essa regra. se manifestam eminentes personagens históricas. ou. Da longa e instrutiva narração que fez dessa sua experiência espiritual. já se não deve considerar aplicável às conversações de Confúcio com o professor Whymant. Como quer que seja. ao contrário. foi dado o nome de quem se manifestava. 1928. nas circunstancias em que se manifestou ao professor Whymant. então. Duffey. melhor percebi (pois que não temos o que aí se chama a visão) uma . apontou com a mão para alguma coisa. extraio o trecho seguinte: “.

Duffey – Heaven Revised. do pensamento que brotara em altas esferas espirituais. a médium do professor Flournoy ditou frases e proferiu palavras em língua “sânscrita”. também são cientificamente legítimas e aceitáveis.) Julguei oportuno citar estas explicações. por exemplo. pág. não se pode negar. Ó! quão maravilhosos se me afiguravam então aqueles filamentos luminosos. de uma a outra esfera. com estas e aqueles. à medida que os fenômenos de xenoglossia se complicavam. recorrendo ao método de enumerar as várias hipóteses sucessivamente propostas pelos opugnadores. tornando-as insustentáveis. porque. * Isto posto e desde que se queira resolver a questão do ponto de vista espiritualista. pouco importa que os comunicantes. uma após outra. dadas por personalidades mediúnicas. no caso. tinham servido de fio transmissor. de forma amplamente genérica. O que importa é que seus esclarecimentos se demonstrem espiritualmente racionais e aceitáveis.sucessão de filamentos luminosos que. . quando assistimos às maravilhas da “telegrafia sem fio” e da “radiofonia”. de par com as explicações ministradas. que tais elucidações. formando. hajam ou não oferecido provas exaustivas de identidade pessoal. ao mundo dos vivos. é manifesto que o episódio referido prova a intervenção. sobretudo porque são explicações que ajudam a compreender. afins com as desses fenômenos. passando de um Espírito a outro. que tinham o poder de vincular os humanos às elevadas esferas da espiritualidade. acerca da questão em foco. Resultará sumamente instrutivo demonstrá-lo. nos dias atuais. Ora. um só todo. 86. porquanto não se consegue elucidar o fato por meio de nenhuma das hipóteses naturalísticas até agora alvitradas para explicar os fenômenos de xenoglossia. nas experiências mediúnicas. uma família só do universo espiritual!” (Mrs. de entidades espirituais independentes do médium e das pessoas que assistam às manifestações. depois. frases e palavras de sentido concordante com a personalidade que se manifestava. Quando.

Mas. fora mostrar que as frases sânscritas ditadas e proferidas pela médium apresentavam sentido correlato às circunstâncias. a sua subconsciência deu para entornar sobre os experimentadores aquelas frases. a impotência da criptomnésia se tornou a todos evidente e irreparável o seu desbarato. Valeu-se para isso de dois argumentos. um pouco por toda parte. não pode ser vista. concluiu daí que a aludida médium folheara distraidamente essa gramática. Esta observação teria bastado para demolir a hipótese em questão. Semelhante explicação dos fatos foi tida universalmente por boa e não mais se discutiu o interessante episódio. mas ninguém a formulou. pescadas ao acaso numa gramática. porém. Fácil. respondeu o escritor destas linhas. o que significa que se tratava de uma linguagem empregada para exprimir o próprio pensamento e não simples frases baldas de sentido. logo correram ao arsenal à procura de outra hipótese de maior amplitude. de natureza hipnótico so- . embora os conhecessem os experimentadores com quem as vozes conversavam. e uma apareceu segundo a qual o médium surrupiava habilmente a língua em que falava da subconsciência do consultante. no campo adversário. com efeito. a lhes transtornar as sofísticas interpretações. Aos propugnadores dessa hipótese. tendo descoberto que muitos anos antes ela visitara outro professor em cujo gabinete havia uma gramática “sânscrita”. da qual depois se esquecera conscientemente. Hodiernamente. registradas indelevelmente na subconsciência as frases lidas. um belo dia. nem percebida em cérebro alheio. portanto. quando ela personificava uma princesa indiana (criptomnésia). ficando-lhe. demonstrando-lhe a absurdidade. que a estrutura orgânica de uma língua é pura abstração e que. o outro. de sorte que os opugnadores. Aconteceu então que. em que as personalidades mediúnicas se exprimiam positivamente em línguas e dialetos que os médiuns de todo ignoravam.aquele professor. fenômenos de voz direta se deram. decisivos: um. acreditaram haver triunfado da dificuldade que de súbito surgira. que algumas experiências especiais. numa circunstância propícia. no entanto. entretanto. em boa fé. Em presença de tais manifestações.

mediante a propositura de outra hipótese de latitude ainda maior. tentaram contornar a dificuldade. Dessa vez. Ora. como inevitável é que quem se “desdobra” passe ao estado de sono mediúnico. grato me é esperar que esse atestado soberano. necessário é que seja médium de alta potencialidade. Também estes argumentos são irrefutáveis. baseado em fatos a prova. finalmente. que a subconsciência do médium se conservava estranha aos fenômenos de xenoglossia. Por felicidade. em suma. que mais lhes . em tais conjunturas. então. segundo a qual se deveria presumir que. que a prática desmente a teoria. o experimentador conversa com a própria personalidade subconsciente exteriorizada. destituídas de qualquer fundamento na prática. de modo decisivo. Por outro lado. Isto. o mesmo escritor mostrou inadmissível o peregrino achado. Eram. como assim sempre o pensaram e demonstraram os propugnadores da hipótese espirítica. sirva. por exemplo: que o método. não caíam em sono.nambúlica. chegara-se a provar. Opositores houve que compreenderam a força de tais argumentos e. porquanto. por eles dado de bom senso prático. Ora. logo não estavam desdobrados. sutilizando mais do que nunca. para ensinar alguma coisa aos opositores. ao menos. que ainda mais estranha a esses fenômenos permanecia a subconsciência dos assistentes e que a engraçada hipótese do consultante desdobrar-se e conversar com a própria subconsciência exteriorizada não passava de fábula para crianças. aos opositores. logo não podiam desdobrar-se. para que alguém exteriorize e vitalize o próprio “duplo”. não eram médiuns os numerosos consultantes que haviam conversado com personalidades mediúnicas. mas não creio tenham bastado para debelar o misoneísmo de alguns opositores. manifestaram-se “vozes diretas” a falar em línguas que os médiuns e os presentes ignoravam. baseadas em fatos. notavelmente fantásticas. demonstram. Também dessa vez. em línguas que o médium ignorava. inapelavelmente. a cortar cerce as discussões inúteis. os próprios fatos que se encarregavam de demonstrar. que as hipóteses engendradas com tão grande fertilidade inventiva pelos “animistas a todo transe” eram nada mais que graciosas.

na sessão em que se usou de um disco de gramofone para registrar uma mensagem de Confúcio. ultra-sofístico. precedentemente. Volvendo ao episódio que vinha sendo apreciado. antes que se recorrer a hipóteses que pressuponham intervenções extrínsecas”. na interpretação sintética das manifestações metapsíquicas. entendido que. se alguém formula objeções justas contra a ampliação enorme que os opositores imprimem às hipóteses da criptomnésia. que.agrada. da telepatia. pois que o desmentem as modalidades com que os fatos se produzem. não se achava presente o professor Whymant. dariam eles prova de verdadeira sabedoria. das “personificações subconscientes”. que as faculdades supranormais da subconsciência podem muitíssimo bem se delimitar. é anticientífico. Está. entendido que o suposto argumento justificativo. portanto. fica praticamente . errôneo. renunciando. de forçarem constantemente a capacidade explicativa das hipóteses legítimas. da criptestesia. pois. deve agora se observar que o mesmo fato se verifica com qualquer outro ramo da metapsíquica. Por ora. entretanto. A esse propósito. que os opositores apresentam. até a extremos absurdos e impossíveis. legítimo é se lhes force a capacidade explicativa. antes de tudo. pois que. quanto à capacidade explicativa que possuem. notarei. eles invariavelmente respondem com o habitual argumento errôneo de que. mesmo a extremos inverossímeis. também para o caso em apreço. os fatos se incumbem de circunscrever nos devidos limites a capacidade explicativa das faculdades e das potencialidades subconscientes. que ele deve classificar-se entre os casos de xenoglossia em que todos os presentes ignoram a língua em que fala a entidade que se comunica. Fica. de futuro. por conseguinte. Pois bem: já se viu que em casos análogos ao aqui considerado. o semelhante método. em honra à seriedade das pesquisas metapsíquicas e ao senso comum. e que absolutamente não se pode deixar de admitir as intervenções extrínsecas. foram citados outros eficacíssimos exemplos. do qual. desde que se tenha a constância de analisar e comparar um número conveniente de episódios. da paramnesia. é sofístico e insustentável. “não sendo possível marcarem-se limites às faculdades supranormais subconscientes.

leva à conclusão de que. considerado em combinação com o outro do Espírito comunicante haver falado a língua chinesa na ausência de qualquer pessoa conhecedora desse idioma. racional. Decorre daí que tal incidente. tradução essa que. cumpre se assinale a grande importância teórica. ainda em tal caso semelhante hipótese seria inaplicável ao episódio de que tratamos. Já tive ocasião de lembrar. se mostra ainda obscura e nada tem de comum com a dicção verdadeiramente espontânea. pois. quentezinha aos experimentadores. sem contudo se afastar das palavras do texto. para explicar-se a gênese de tão perturbadoras manifestações. forçoso será admitir-se a real . sentenciando que a personalidade subconsciente de Valiantine se transportara à China. por um momento. subtraíra à subconsciência de algum literato chinês a dicção exata da poesia e voltara fulminantemente à pátria. Repito. oferecida pela entidade que se dizia Confúcio. a título de extrema concessão à fervida fantasia dos opositores. de outra circunstância: a da entidade mediúnica. no sentido espiritualista. recitar integralmente uma poesia que Confúcio publicara em vida e dar-lhe a verdadeira dicção. de maneira a lhe restituir o sentido que perdera. que se dizia Confúcio. porém. como em nenhuma parte do mundo. ou de haver este conversado em língua chinesa com a própria personalidade subconsciente exteriorizada. a cômica historieta de um crítico “espiritófobo” norte-americano. foi o professor James Legge e a tradução inglesa da dita poesia – publicada na revista Psychic Science – é precisamente a desse mesmo professor. a servi-la quente. Ora bem: mesmo quando se queira admitir.excluída toda possibilidade de o médium haver tirado a língua chinesa da subconsciência do consultante. O único que tentou esclarecer-lhe o significado. original. a propósito. porquanto não existem na China. essa hipótese tola. Nessas condições. que pensou resolver o embaraçoso problema. que nem mesmo a fantástica hipótese do crítico norteamericano bastaria para explicar o importantíssimo fenômeno. do mesmo modo que nenhum existe que haja proposto uma dicção suficientemente inteligível da aludida poesia. literatos chineses ou orientalistas que conheçam a dicção original daquela poesia.

porém. Todavia. se a personalidade mediúnica de que se cogita logrou cumprir a sua alta missão de proporcionar aos vivos uma ótima prova de sobrevivência. Em suma. ao ponderar que. já Cristo d’Angelo se manifestara naquelas sessões. em . haja conhecido a língua chinesa e a poesia de Confúcio. tudo concorre a demonstrar que tinha razão o professor Mead. ou a de um literato do Celeste Império. teria então que ser a de um profundo orientalista europeu. para assistir a algumas sessões experimentais com o Valiantine. essa opinião precisava ser completada pela observação de que. de quem lograra fazer-se compreendido e a quem compreendia. que lhe tornou possível exprimir com liberdade seus pensamentos. foi porque se achava em estado de “relação psíquica” com a elevada entidade espiritual de Confúcio. se vem a saber que o mesmo Cristo d’Angelo. pôs suas esperanças numa senhora espanhola. Resta comentar ligeiramente o outro episódio análogo. dever-se-ia então dizer que. Agora. continuando a ignorar a língua inglesa. em tais circunstâncias. ninguém ali o entendesse. de modo a não conseguir sequer compreendê-la. teve que se resignar a ministrar provas da existência independente da sua individualidade espiritual. A querer-se excluir essa ocorrência. o literato ou o orientalista devem ter vivido numa época em que a poesia de que se trata era conhecida na sua dicção original. em que uma entidade. que. em vida. exprimindo-se em língua italiana. cantando estrofes de canções populares da Sicília. a propósito destas últimas experiências em Nova York. Como. até à chegada do marquês Centurione. língua que todos os presentes ignoravam. cujo grato conhecimento fizemos nas sessões experimentais de Milésimo: o Espírito-guia Cristo d’Angelo se exprimiu em língua italiana e dialeto siciliano.intervenção de uma entidade espiritual de defunto. se a entidade que se manifestou não era Confúcio. * E basta. Como fizemos notar noutra ocasião. com relação ao episódio de xenoglossia chinesa. ainda antes que o marquês Centurione fosse a Londres.

Nada obstante. não se poderia conceber prova melhor do que esta para se demonstrar que a personalidade mediúnica de Cristo d’Angelo é absolutamente independente da personalidade psíquica do médium Valiantine. de fato. com o objetivo de atribuir-se à subconsciência do médium e dos assistentes a inteligência e os conhecimentos de que dão mostras as personalidades mediúnicas. brotada da mentalidade de um médium norteamericano. para demonstrar que a hipótese das “personificações subconscientes” é inaplicável a grande número de personalidades mediúnicas. ocorreu o incidente complementar e altamente sugestivo de uma personalidade mediúnica. por outras palavras. que . acentuaremos que. inversamente. são definitivamente desmentidas e desbaratadas pela circunstância de falarem. que basta por si só para determinar a mais rumorosa bancarrota da hipótese das “personificações subconscientes”. o humilde pastor siciliano. em que Cristo d’Angelo. que não logra compreender o pensamento do próprio médium. e reconhecer-se-á a existência aí de uma eloquentíssima prova negativa. quem poderia imaginar que um médium não chegue a compreender o pensamento da própria personalidade subconsciente exteriorizada. também não chega a compreender a inglesa. línguas que o médium e os presentes ignoravam. Quem. embora. como se há visto. ou. que ele não conhece? Convenhamos: não se poderia conceber prova mais decisiva do que esta. poderia imaginar uma “personalidade subconsciente”.virtude da grande afinidade que há entre as línguas italiana e espanhola. acrescendo que. quisemos tornar evidenciado o fato de que todas as hipóteses que até agora hão formulado os opositores. para poderem os dois conversar mais facilmente. Pondere-se. Posto isto e a título de conclusões gerais. porque esta se exprime numa língua estrangeira. Não há quem não veja que essas particularidades têm imenso valor teórico. com efeito. no aludido episódio. seja esta a língua materna do seu médium. porque este se exprime na sua língua materna? E. por exortála a praticar a língua italiana. acabou. além de não conseguir falar outra língua senão a própria. com os comentários feitos ao episódio de Confúcio. as personalidades mediúnicas aqui consideradas.

em massa. não consegue falar nem compreender a língua materna do médium. . foram rechaçados para os antípodas de todas as hipóteses explicativas naturalísticas. uma interrogação surge espontânea: Que mais se poderia exigir. sobretudo. os próprios opositores hão de convir em que. para reconhecer-se que as personalidades mediúnicas que temos considerado são. espero que os opositores me digam. quanto ao saber e. pelo que respeita à intelectualidade. Penso que. quisemos especialmente pôr em relevo o fato de que a hipótese das “personalidades subconscientes”. segundo as quais – repito – as personalidades mediúnicas teriam que ser. legítima nos limites que lhe competem (determinados pelos fenômenos das “objetivações dos tipos”. que não só se exprime numa língua e num dialeto que o médium e os presentes ignoram. diante de tais provas irrefragáveis. quanto às particularidades pessoais que revelem. desta vez. dependentes da subconsciência do médium e dos presentes. mas. independentes do médium e das pessoas presentes? – Não o sei e. fornecer a dicção correta de uma poesia chinesa. por conseguinte. mas ignorada de qualquer pessoa atualmente viva. quanto à inteligência. publicada em vida da mesma personagem. Com os comentários opostos ao episódio de Cristo d’Angelo. ainda. não pode certamente aplicarse à personalidade mediúnica aqui considerada. por sugestão hipnótica).se dizia uma personagem chinesa. Assim sendo. tidas como simples “personificações subconscientes”. de um ponto de vista rigorosamente científico.

no episódio a que me reporto. os poucos que se conhecem são familiares a quem quer que se ocupe de metapsíquica. que escrevem diretamente suas mensagens. em breves resumos. ao demais. Livermore experimentava no seu próprio gabinete. sobrepostas e pregadas uma a outra. com a médium Kate Fox. longas mensagens ao marido. o fenômeno da escrita direta não é precisamente esse que todos conhecem e que consiste na obtenção de escritos ou mensagens grafados a distância. Contudo. de globos luminosos. com um lápis. Também não é o que consiste na obtenção de escritos ou mensagens no interior de duas lousas emolduradas. raros são os casos dessa natureza e. não posso deixar de citá-los. à claridade suficiente. trata-se. em folhas de papel rubricadas com as firmas dos experimentadores e colocadas. tomando-o às clássicas e sábias experiências do banqueiro norte-americano F. experiências em que a defunta esposa do experimentador se materializou e escreveu repetidas vezes. * Caso 32 – Referirei um só episódio do gênero. Naturalmente. no meio do grupo formado por estes últimos. No nosso caso.Categoria IV Casos de xenoglossia obtidos por meio da escrita direta Com relação ao conjunto dos casos aqui considerados. produzindo-se os fenômenos. na língua francesa. Advirto que. Livermore. o relator esqueceu de repetir a sua habitual informação de que se trata de uma mensagem dada em francês. de origem mediúnica. também materializados. mantendo ambas as mãos desta constantemente seguras pelas suas. de mãos materializadas. ou de fantasmas. ao contrário. . quase sempre a sós com a médium. que fazem o mesmo. entre outras coisas.

que minha mulher usou durante a enfermidade que a extinguiu!. Não me era dado ver de modo preciso o que ocorria. ornada. eu não devia esperar manifestações da parte de minha mulher. Atmosfera cálida e pesada. para reaparecerem próximas do chão. ao mesmo tempo em que diante de mim aparecia uma cabeça coberta por uma coifa branca. irradiando para os lados até três ou quatro polegadas de distância. pelo que perguntei qual o significado daquela manifestação. Após cerca de meia hora de tranqüila expectativa. 62. The Dispair of Science. no livro Planchette.. vimos surgir do solo volumosa luz esferoidal. Como sempre. compreendi! A coisa que eu via era reprodução exata de outra. sobre aquela folha de papel pousou uma mão imperfeitamente conformada. segurando . e às quais apusera sinais particulares. donde alguns minutos depois foram tiradas. porque a luz apenas iluminava brilhantemente a superfície da folha de papel sobreposta às outras. (8 horas da noite) – Presentes a médium e eu. Refere Livermore: “Agosto. de fitas e rendas. a três ou quatro polegadas do tapete. Era uma cabeça destituída de semblante. tornar-se brilhante. examinei cuidadosamente o aposento. pág. ou. foi pousar sobre a mesa. Coloquei-as sobre a mesa. depois de se elevar ao nível das nossas frontes. 18. de 1861.A narrativa do episódio transcrevo-a do copioso resumo que dos relatos originais de Livermore fez Epes Sargent. pus a chave no bolso e me dispus a inteirar-me de tudo. medindo um pé de diâmetro todo o espaço iluminado. a qual. Então.. envolta em véus. mais exatamente. Levara comigo algumas folhas de papel maiores do que as usuais. em volta. De súbito. diferentes em tudo das que entregara anteriormente. fechei a porta com duas voltas da fechadura. Por meio de pancadas. portanto... Mal me acudira ao cérebro esse pensamento vi a luz elevar-se. Atravessou-me a mente a idéia de que aquela reunião fora concertada com fins especiais e que. foi-me respondido: “Como quando estava enferma”. porque só a folha de papel formava centro de luz espirítica.

essa advertência não obstou às nossas observações. virou-a e prosseguiu. uma há que vale por si só para excluir qualquer sorte de fraude. escrevendo do outro lado. não havia possibilidade de engano. da esquerda para a direita. de todas as medidas que tomou com esse escopo.. todavia. e que eu tomara previamente todas as possíveis medidas de precaução. quando chegou à borda inferior da folha de papel. achando-se esta no meu bolso. dos dois lados. a mão que escrevia se mostrou normalmente conformada. a dirigir o lápis e. as mais das vezes de origem mediúnica. cobertas. Parece claro que. Apenas.entre os dedos a minha pequenina lapiseira de prata. o banqueiro Livermore sabia premunir-se contra as possibilidades de equívoco. algumas. as folhas que eu fornecera. à guisa de quem escreve. a de ter constantemente ambas as mãos da médium seguras pelas suas. de proporções menores do que as de uma mão comum. entre eles o Doutor Gray e o céptico Sr. Fomos exortados a não observar com muita insistência o fenômeno. a fim de não perturbarmos com o nosso olhar a força em ação. me foram entregues. e entrou a mover-se horizontalmente por cima do papel. Quando chegava ao extremo de uma linha. volvia atrás e principiava outra.. dada por uma vela de cera. Mas. Como o fenômeno durou quase uma hora. por mim assinaladas. durante curto tempo. Terminada a manifestação. a fraude é impossível. Grote. de finíssima caligrafia. de origem terrena. em tais condições. desde que se atente em que às minhas estavam presas as duas mãos da médium. Continuava. Farei notar que as medidas de controle acima enumeradas tiveram a confirmá-las o testemunho de quatro outros experimentadores ocasionais. Evidente se faz que. ou por uma lanterna de vidros opacos. nas circunstâncias descritas. . a fazê-lo por poucos instantes de cada vez. a partir do alto. porém. sobretudo se se considerar que ele experimentava em sua casa e que os fenômenos se produziam a uma luz suficiente.” Como se vê. em que a porta fora fechada à chave. reduzindo-se depois a um amálgama de substância escura.

numa língua que a médium ignorava. ou sob o feixe luminoso de uma lanterna de vidros opacos. meu fi- . importante transformação fenomênica esta. se produziam à luz de uma vela de cera. Essas considerações se encontram no meu livro Em Defesa do Espiritismo. porém. porque. Essas modalidades de exteriorização da mensagem. para constituir boa prova de xenoglossia.Do ponto de vista em que nos colocamos. indicando de modo claro a sua gênese espirítica. árabe ou turca. ditou esta em outra mensagem: “Também isto. a língua francesa (do que ninguém pode duvidar. as memoráveis sessões de que se trata me sugeriram. depois desta outra prova. tão prejudicial às formas materializadas – ainda transmitir a seguinte mensagem: “Caros filhos. o fenômeno poderá impressionar menos do que outro em língua chinesa. infundada essa objeção. após haver conseguido fazer-se visível à luz de uma vela de cera – o que quer dizer: a uma luz terrena. quando era de Benjamin Franklin o fantasma que se materializou. aumentam o valor teórico do fenômeno em si mesmo. 151. uma mão materializada.” – Em seguida após ter permitido que o feixe luminoso de uma lanterna opaca lhe caísse em cheio sobre a figura. desintegrando-a e dissolvendo-a rapidamente. desta vez. se reduziu a um pequeno amálgama de substância fluídica.11 Manifestei-me então assim: “Cumpre assinalar o fato altamente sugestivo de o Espírito de Franklin. como ignorava. não era a médium quem escrevia numa língua que ignorava. mas. Julgo. por fim. não me posso esquivar a reproduzir aqui as considerações que. importa não esquecer que. além disso mal conformada e que. porém. por vezes. distante dela um metro. A este propósito. por não poder ser imitada fraudulentamente. poderá o mundo ainda duvidar? É para convencê-lo que trabalhamos tanto. Além disso. visível à claridade de uma luz. Disse eu que os fenômenos. poder-se-ia objetar que a língua francesa é muitíssimo e universalmente conhecida. pág. tendo em conta suas origens humildes numa aldeia norte-americana). praticamente. doutra feita. ignorando totalmente a médium. tem o mesmo valor.

com o misoneísmo inerente aos homens de ciência. aplicados a grande número de fatos. como. deveriam racionalmente bastar a fornecer a prova da sobrevivência do espírito humano. ao contrário. efetuadas durante cinco anos.lho. e se vê. Benjamin Franklin também não levou em conta que a chamada “credulidade dos incrédulos” é muitíssimo mais cega e tenaz do que a “credulidade das almas simples”. mais do que nunca. para demonstrar a sobrevivência do espírito humano. com efeito. para a combater e vencer. quanto os que a personalidade espiritual de Benjamin Franklin produziu. não obstante o imponente acervo que se formou de outros fatos tão maravilhosos. e a repelir cegamente uma verdade manifesta e indubitável. já no ano de 1861 julgava que as provas. não só o mundo ainda não está convencido. assim como. com a caligem dos preconceitos. unicamente para dar ao mundo aquela capital prova. materializado. de tal maneira que. Mas. de modo especial. por ele próprio ministradas. portanto. não bastam os processos científicos da análise comparada. Tem-se.” Que melancólicas reflexões estas nobres palavras suscitam! Por elas. que se lhes harmonize com os preconceitos. não bastam os fatos. não levando em consideração que essas faculdades não raro se entenebrecem. Não há negar que toda a série das experiências em apreço. se verifica que o fantasma de Benjamin Franklin. deviam ser racionalmente bastantes a afastar dos vivos toda dúvida acerca do além-túmulo. não basta a admirável convergên- . que ele e os Espíritos que o secundavam se submetiam ao duro labor de se manifestarem e materializarem. no círculo mesmo dos que pesquisam as manifestações metapsíquicas. de reconhecer que ele se fiou demais nas faculdades racionais do homem. desde que vá de encontro àqueles mesmos preconceitos. misoneísmo que os dispõe sempre a acolher qualquer hipótese gratuita e absurda. ao mesmo tempo. é a benefício da Humanidade. Com esse objetivo é que a isto me presto e trabalho. se continua a discutir a esse respeito. transcorridos 65 anos da época de tão memoráveis experiências.

413. pág. às 7:30 da noite. sem mais a discutir. a humanidade civilizada reconhecerá. (Prossegue o relator. o que me fez aguçar ainda mais a atenção. durante toda a sessão. Um bico de gás suspenso sobre a mesa tornava nitidamente visíveis todos os objetos que havia no aposento. junto à qual nos sentamos. ignorava. então. ficando eu de um dos lados. informando que. Fourth Avenue. língua que o médium. sendo eu o único assistente. Escreveu ele: “Segunda-feira. media cinco pés de comprimento e dois e meio de largura. Efetuamo-la numa saleta. Demonstra-o por mil formas a história dramática de todos os precursores. E eis . se tratava do toque de uma mão. depois de tê-la examinado atentamente. que só ele pode ser e é capaz de lhes dominar a resistência. Tomo-o a uma monografia de Gabriel Delanne. As mãos do médium se conservaram sobre a mesa. Em seguida diz): Passados alguns minutos. A mesa. fui ter com o médium Slade. aproximando-a da chama do gás. percebi ligeiro toque num dos joelhos. 2). Realizamos uma sessão de que eu lembrarei por toda a vida. e o encontrei só. que tantas amarguras ainda custa aos que a propugnam. no sentido da interpretação espiritualista dos ditos fatos. autor de duas obras clássicas sobre os fenômenos mediúnicos. com as portas fechadas à chave. ele pôs sobre os próprios joelhos uma lousa por cima da qual colocou uma folha de papel. que era Slade. 9 de fevereiro de 1874. O experimentador e narrador foi o conhecido diplomata norteamericano Robert Dale Owen. visto que. em Nova York.cia de todas as provas. – Que é mais. positivamente. Dentro de um século. a grande Verdade. a conselho de Slade. publicada na Revue Scientifique et Morale du Spiritisme (1910. a mão materializada escreveu uma mensagem em grego antigo. Slade ocupou uma das cabeceiras.” Caso 33 – No episódio que se segue. que reclamam? Isto: a obra do tempo.

parou e deslizou suavemente para debaixo da mesa. Tive ensejo de contemplá-la muito melhor do que à primeira. mas semelhante a esta pela brancura marmórea e elegância da forma. após meio século de completo abandono. Cinco minutos transcorreram sem que fenômeno algum se produzisse. desapareceu debaixo da mesa. tinha o título seguinte. Dirigi-me a dois dos melhores grecistas da Universidade de Harvard e fui informado de que se tratava. trazendo entre os dedos o lápis que eu depusera sobre a mesa. por isso que escreveu fora da sombra do móvel. terminando. por dois ou três minutos.que surge uma mão. Começou a escrever da metade da folha e continuou sob as minhas vistas. à altura do pulso. Era mão de mulher.. grafada na parte superior da folha de papel. Apresentava-se destacada. já muito rudimentares quando deixei o colégio. Os meus conhecimentos da língua grega. salvo alguns acentos e algumas vírgulas. de maneira que só com grande esforço mnemônico logrei compreender uma ou outra palavra isolada. 43:45). o que quer dizer – à plena luz do gás. tendo os dedos delicadamente afilados e modelados. por uma nuvenzinha fluídica. Quando me foi possível examinar aqueles dois escritos. apareceu outra mão notavelmente maior do que a primeira. por sua vez. Avançou lentamente por sobre os meus joelhos e elevou-se para cima da lousa. em inglês: Lei de amor (S. cujo traçado eu observara à medida que se ia desenvolvendo. de um grego corretíssimo. levando consigo o lápis. mas fora escrita em grego antigo. mas parecia feita de mármore estatuário. levando a fazê-lo tanto tempo quanto a precedente. A segunda. se haviam restringido ainda mais. Depois. Quando chegou ao fim da página. realmente. em que eram citados três versículos do Evangelho de São Mateus. Aproximou-se da folha de papel e começou a escrever na parte superior. verifiquei que a primeira mensagem estava assinada pela defunta mulher de Slade e fora escrita em inglês. Mateus. Em seguida.. versículos cuja tradução reproduzo: .

que. fazei o bem aos que vos odeiam. com véu Auer. Essa particularidade testifica a genuinidade do fenômeno. em seguida.– “43”: Ouvistes que foi dito: Ama o teu próximo e odeia o teu inimigo. é precisamente assim. mas parecia. eram de . Apenas lembrarei aos leitores que a sessão se realizou em plena luz. Os fantasmas se materializavam na obscuridade do gabinete. a folha de papel esteve em meu poder e que ainda a conservo. dir-se-ia serem mãos de estátuas. se não apertassem e não escrevessem. se não palpassem. sessão a que assistiu o professor Henrique Morsélli. – “44”: Mas. do mesmo modo que as mãos. se não se movessem.” Em verdade. movendo-se e atuando. do principio ao fim da mesma sessão. Quem isto escreve já teve oportunidade de fazer idêntica observação. também a propósito de fantasmas materializados e vistos à plena luz de uma chama de gás. ao caso perder tempo em discutir a autenticidade dos fatos. dado que as mãos materializadas. não vem. com efeito.” Conclui Dale Owen o seu relato por estas palavras: “Não faço comentários. para. sendo o deste último verdadeiramente decisivo. numa sessão inolvidável com Eusápia Paladino. Esta é a verdadeira “Lei do Amor”. eu vos digo: Amai os vossos inimigos. se apresentam de marmórea brancura e. – “45”: A fim de que sejais filhinhos de vosso Pai. de mármore estatuário. Seus semblantes pareciam animados e vivos. bendizei dos que vos maldizem. posso aduzir o testemunho de dois sentidos: o do tato e o da vista. que está nos Céus e que faz se levante o sol sobre os bons e sobre os maus e que chova sobre os justos e sobre os injustos.” Ante a personalidade eminente do relator e as condições de luz em que os fenômenos se desdobraram. mostrarem-se em plena luz. isoladamente. que. e orai pelos que vos fazem mal e vos perseguem. por demonstrar a autenticidade dos fatos. porém. A quem quer que tenha experiência pessoal dos fenômenos de materialização não passará despercebida a observação de Dale Owen: “Era uma mão feminina. se não tocassem.

observarei que desta vez se trata de uma transcrição do texto grego do Evangelho de São Mateus. tiradas de dicionários e livros em grego. no nosso caso. Nesse caso. critério este de escolha que subentende o conhecimento. onde se acha desenvolvido o tema previamente anunciado. Neste outro. que. pois que a personalidade que se comunicava indicou. exclusivamente interpretáveis por meio da hipótese espirítica. nos dois. ignorantes da língua grega. dos respectivos significados. de mãos. tratava-se de frases gregas. seriam os da “leitura à distância em livros fechados” (telestesia) –. Poderia parecer arbitrária esta última interpretação. simultaneamente. em inglês. qual o tema a que se ia reportar. segue-se que nada tem de arbitrária a sua aplicação aos casos aqui considerados. o que traz à mente análogo fenômeno anteriormente relatado e ocorrido com o professor Richet. “A Lei do Amor”. frases adaptadas ao que tinham em vista. haja podido escolher a distância. Volvendo ao fenômeno de xenoglossia que estamos considerando. Faço notar que. desde que se admita a intervenção de entidades espirituais extrínsecas aos médiuns. . ao mesmo tempo em que. atada. existem em grande número fenômenos desse gênero. Como se hão de conciliar tais conclusões com o fato de os dois médiuns ignorarem a língua grega? – É manifesto que semelhante conciliação se torna impossível. porém. Como. ao passo que será perfeita. para em seguida citar os três versículos do Evangelho. ao contrário. ainda restaria saber como é possível que a subconsciência de dois médiuns. em livros gregos. a uma boa maca de campanha. pelo professor Morsélli. ela constitui uma interpretação sintética do conjunto dos fatos. os médiuns desconheciam o grego. se não existissem outras modalidades do fenômeno de xenoglossia. se viam os fantasmas e a médium. desde que se pretendam explicar os fatos pelos poderes da subconsciência. pés e cabeça. o mesmo se dá.uma brancura de estátua. A querer-se explicar o fenômeno por meio dos poderes da subconsciência – os quais. mas que se adaptavam à situação do momento. Deve-se daí concluir que em ambos os casos as personalidades que se comunicaram conheciam o significado das frases gregas que reproduziram. por parte deles.

o relato que dele fiz no livro Em Defesa do Espiritismo. escrever. embaraço esse derivante da circunstância de que bom número de casos clássicos de xenoglossia são familiares a quem é versado em metapsíquica. magistrados e pastores luteranos. ponderarei que o terceiro episódio clássico do gênero é o da celestial “Nepentes”. de muito. Já o tendo citado. A circunstância de todos os presentes ignorarem a língua grega antiga aumenta. Entretanto. uma mensagem em grego antigo. não terão mais que saltar as poucas páginas em que ele é aqui reproduzido. ocorrido com a mediunidade de Elisabeth D’Espérance. fantasma que se apresentou durante uma série especial de experiências com a mediunidade de Mrs. relativamente ao embaraço em que me achei para ordenar a presente classificação. Um grupo de experimentadores noruegueses.Caso 34 – A propósito do caso de que passo a tratar. Foi então que se produziu um famoso incidente. o valor teórico desse incidente. literatos. não me era possível deixar de considerá-los nesta primeira classificação dos fenômenos de tal natureza. noutros trabalhos meus. Assim sendo. À página 153 do livro citado. só me resta transcrever. D’Espérance. exprimi-me nestes termos: “Prosseguindo em nossa exposição dos casos notáveis de fantasmas materializados. médicos. o do fantasma que afirmava ter vivido na época heróica da Grécia antiga. entre os quais havia professores de Universidades. recordar o que disse na introdução desta monografia. mais do que nunca. Todos conhecem as origens dessas sessões célebres. neste passo. com o fito de determinarem até que ponto as condições de preparo físico dos experimentadores influem favoravelmente sobre a produção dos fenômenos. por minha conta. aditando-lhe novos comentários. duas vezes. no canhenho de um dos experimentadores. de próprio punho. teoricamente importantíssimo. devo. os muitos leitores que já conheçam o caso do fantasma materializado de “Nepentes”. deliberaram abster-se por seis meses de toda bebida .

que se conservava desperta e fora do gabinete. que a médium o . o autor cita. 1907. ao cabo do terceiro mês. Era uma forma de mulher belíssima. alguns dos experimentadores relataram em opúsculos e livros o que nelas ocorrera.alcoólica. do fumo. Conseguirá? Não conseguirá? Em tal estado nos achávamos. comprometendo-se os que haviam de a elas assistir a comparecer ininterruptamente. Este último episódio se acha assim descrito no livro Harper i Luften: “Imensa e ansiosa era a expectativa. Mrs. entre aqueles. que se compunha de uma trintena de pessoas. mostrava-se. se vê que para dirigi-las foi proposto Herr Sjostedt e que as sessões se realizaram na casa do professor Herr D. realizarem uma série de doze sessões. Encerrada a série das sessões. 1903. os nomes de quase todos os que assistiram às experiências. com prévia autorização. à claridade de uma luz. No relato norueguês. D’Espérance não se julgou autorizada a fazer o mesmo numa conferência (Light. para. publicado por um magistrado que participara do grupo. No grupo. de drogas. Tudo quanto aqui exponho tiro-o do Diário da Baronesa Peyron (Light. os dois sexos se achavam representados em partes iguais. ora a fornecer o modelo da própria mão. Contudo. D’Espérance fez do livro: Harper i Luften. Mrs. D’Espérance. numa conferência. ora prestandose a ser fotografada. imergindo-a em parafina líquida. da conferencia de Mrs. ora a escrever no canhenho de algum dos assistentes. A forma materializada de “Nepentes” foi das primeiras a manifestar-se e continuou a fazê-lo em quase todas as sessões. págs. conhecido cultor das pesquisas psíquicas. às quais não seriam admitidas pessoas estranhas. pág. Pelo Diário da Baronesa Peyron se verifica que o iniciador das sessões foi o Doutor von Berten. materializava-se em meio do círculo e se submetia a todos os desejos dos presentes. 559-571). 439) e das longas citações que. e. simultaneamente aos experimentadores e à médium.

continuou o leve rumor da mão que mergulhava no líquido e dele emergia. porém. Quando o modelo ficou pronto.percebeu e recomendou: “Não me falem. Ele e os seus operários se puseram a olhar atônitos para o molde. na obscuridade das cortinas.” . mas completa até ao pulso. e lhe entregou um objeto. para que dali tirasse o modelo. semi-oculto. Acabaram por chamar-lhe obra de bruxaria. cobrindo-a até ao pulso. sobretudo porque se apresentavam recurvos. a figura de todos os dedos de uma pequenina mão. No dia seguinte. Logo. até descobrir Herr E.. encaminhou-se para onde estávamos. grumoso e constituído de muitas camadas sobrepostas de parafina. era informe. suspensa no ar.. das articulações e da palma. Dirigiu-se a ele. percebia-se.” Por alguns minutos mais. Afinal. tenho que estar quieta. mas. pela estreita abertura do pulso. não poderia retirar-se dele. na qual se destacavam perfeitamente as unhas e se desenhavam as linhas mais finas das juntas. no interior. de maneira a tornar impossível que uma mão humana dali se retirasse. retificou: “Não é o molde de sua mão. A mão se dissolve dentro do molde”. – “Entregou-me um pedaço de cera” – exclamou Herr E. levamo-la a um modelador profissional (um certo Almiri). Pelo exterior. procurem todos se manter calmos e tranqüilos. Finda a sessão. que se achava sentado. depois de o haver produzido. pelo reconhecerem que uma mão humana. por trás de outro espectador. Por fim. enquanto nós outros víamos claramente a forma branca do fantasma. Os dedos afilados e admiravelmente conformados foram o que mais espantou o artista e o convenceu da origem supranormal do molde. obtivera-se o tão desejado fenômeno. Ainda não acabara de falar e já a forma volvia calmamente para o gabinete. curvada sobre o recipiente. procedeu-se ao exame do molde. tivemos diante dos olhos uma mão pequenina. “Nepentes” se ergueu. e olhou em derredor.

que se sentou triunfante. “Nepentes” se apresentou mais bela do que nunca. em ansiosa expectativa. fosse o que fosse – e. Com toda a admiração e todo o respeito que consagro às amáveis e gentis senhoras das minhas relações. deusa. tão viva. lhe pediu então que escrevesse para ele uma frase e lhe ofereceu o calepino e o lápis. ela se deteve a contemplá-lo. no livro citado: ”.. que ela aceitou. porém um pouco para trás desta. Examinando as páginas escritas. o diadema se dissolvia e desaparecia.Ela se colocava entre nós e ia inclinando lentamente a cabeça.. onde continuava a brilhar o diadema. Volto-me agora para o episódio que nos interessa e que se acha descrito nestes termos. sem que se percebesse o mais leve ruído.Neste outro tópico. fada. Em seguida. Pouco depois. aquela luminosidade se enfraquecia. Nós outros contemplávamos. Estava tudo acabado. a espiritual “Nepentes”. vem descrito o modo pelo qual “Nepentes” se desmaterializava dentro do círculo dos experimentadores: ”. aquele grupo de três pessoas. tão real. Víamos as suas cabeças curvadas sobre os dedos que escreviam e cujos movimentos distintamente se notavam. a tomar notas.” Pareceu-me necessária a transcrição desses trechos. para ministrar aos leitores dados bastantes a convencê-los da seriedade e da incontestável genuinidade das experiências em questão. a sobrehumana. Em poucos minutos. curvado sobre o seu calepino. Herr E... . o calepino e o lápis foram restituídos a Herr E. se convertia numa nuvenzinha nunca maior do que uma cabeça humana. Dando com Herr E.. faço-me intérprete da admiração de todos. Estavam ambos ao lado da médium. – “Ela está escrevendo” – anunciou Herr E. não posso deixar de repetir que meu olhos jamais viram um ser comparável a tão sublime criatura – mulher. onde reluzia o habitual diadema. Ele se levantou e postado por detrás dela ficou observando. afirmando isto. tão bela.

e eu prontamente acorrerei a lenir-te as penas.. nenhuma importância apresenta. contudo. o professor Richet jamais deixa de manifestar a sua desconfiança. injustificadas e.” Faço ponto aqui nas transcrições. fizemos fossem traduzidos do grego antigo para o grego moderno e deste para a nossa língua.vimos cobertas de caracteres gregos. ainda no início da sua mediunidade. invoca-me a mim. Quando. por amor da causa. tão justo e bem informado quando emite opinião. quando se trata de experiências com a Sra. Nepentes. como houvesse sofrido as suspeitas e maledicências a que se acham expostos os médiuns. até mesmo absurdas essas formas de insinuações graves. congratulando-nos com ele. mostra-se. diante das modalidades sob as quais se produziam os fenômenos com a D’Espérance. 512 do seu Tratado de Metapsíquica (primeira edição) cai no erro de incluíla no rol dos médiuns profissionais. favorável ou desfavorável. porém. à pág. ao invés. ela resolveu tentar fazer as suas experiências . Eis o que continham: “Sou Nepentes. por sumamente deploráveis. Antes de discutir este notável episódio de xenoglossia. ela sempre se prestou gratuitamente às experiências. amiga tua. sobre a honestidade dos médiuns. sabe que. mas ininteligíveis para todos os presentes. D’Espérance.” Tenho. D’Espérance. mas importa guardar extrema reserva. repito. com efeito. quando. No dia imediato. Já à pág. traçados com muita clareza. de Gotemburgo (Suécia).. observa: “O caso “Nepentes” é interessante. O professor Richet. 278 daquele Tratado. tão equânime. Quando te achares oprimido por excessiva dor. Assim é que. dolorosamente injusto para com a D’Espérance. tão sereno. lhe sucede ter de referirse à mediunidade da D’Espérance.” – Feliz mortal! dizíamos todos intimamente. e sempre ganhou a sua vida ocupando o cargo de “correspondente” da importante firma comercial Fidler & Cia. ao contrário. aludindo ao caso que estamos apreciando. sinto-me no dever de dedicar alguns parágrafos à defesa de Mrs. pela fatalidade das circunstâncias. Esse involuntário engano. Toda gente.

a uma luz suficiente e, se não fosse possível, renunciar para
sempre ao exercício da mediunidade. Aconteceu, porém, que a
tentativa obteve êxito: gradativamente, os fenômenos se foram
produzindo a uma claridade cada vez maior, até que ela chegou a
exercer a sua mediunidade sentando-se na fila dos experimentadores, dando as costas ao gabinete mediúnico, num compartimento iluminado bastante a tornar possível distinguirem-se todos
os objetos nele existentes, a reconhecerem-se umas às outras as
pessoas, a observarem todas o que se passava, a tomarem suas
notas, a verem as horas, condições estas de experimentação que
se verificam observadas no episódio cuja narrativa ficou acima
reproduzido.
Na realidade, dos trechos citados dessa narrativa ressalta que
o aposento era iluminado bastante para que todos se vissem uns
aos outros, observassem todos os movimentos de “Nepentes”,
tomassem notas; que a médium se sentava no círculo dos experimentadores, dando as costas ao gabinete; que se conservava
desperta e que, em certo momento, exortou os assistentes a que
não lhe dirigissem a palavra, por lhe ser necessário manter-se
passiva, a fim de não obstar à produção dos fenômenos. Ressalta
igualmente que o fantasma de “Nepentes” lhe ficava próximo,
visível a todos, aplicado a mergulhar e remergulhar a mão na
parafina fervente, para satisfazer a um desejo dos experimentadores. De onde saíra materializado aquele fantasma, simultaneamente visível com a médium? Importa lembrar que as sessões se
realizavam em casa do professou Herr D. e não em casa da
médium. Mas, isto não é tudo, porquanto “Nepentes” se materializava e desmaterializava dentro do círculo dos experimentadores
e que os que testemunhavam o admirável acontecimento eram
em número de trinta! Como, pois, se há de admitir logicamente
uma suspeita de fraude em circunstâncias tais? A pretenderem
que se tratava de uma criatura viva, que se introduzira, não se
sabe como, em casa de outrem, para depois passar, despercebida,
ao aposento onde se realizavam as sessões e aí fazer de “comparsa” fantasmática, lícito é perguntar-se como essa “comparsa”
teria podido materializar-se dentro do círculo formado pelos
experimentadores, o que significa: desagregar-se, desvanecer-se,

até se tornar uma nuvenzinha de ectoplasma, para, em seguida,
desaparecer sob os olhares de trinta testemunhas? E o episódio
da mão do fantasma, que, metida na luva de parafina, se desmaterializa entre as mãos de um dos experimentadores, deixando
em seu poder a luva-molde? Quem poderia imitá-lo, por meio de
fraude, nas condições em que se produziu? E como se poderia
imitar, fraudulentamente, a particularidade de o fantasma andar
pelo aposento, suspenso nos ares? Parece-me que basta.
É incontestável que o caso complexo e maravilhoso do fantasma materializado de “Nepentes”, em o qual nenhuma das
diversas modalidades que lhe caracterizam a efetivação se poderia imitar, por quaisquer meios fraudulentos, deve considerar-se
como obtido em condições de experimentação verdadeiramente
ideais, do ponto de vista científico.
Agora que estou bem seguro com relação ao fato em apreço,
isto é, bem certo de que ninguém poderá surgir para me demonstrar que estou em erro; agora, que a genuinidade das materializações de “Nepentes” se acha inabalavelmente demonstrada pelos
fatos, sinto-me habilitado a declarar que assume valor científico
de primeira ordem o admirável episódio de xenoglossia, em que
o fantasma de que se trata, depois de haver dito que viveu na
Terra pela época heróica da Grécia antiga, confirma este asserto,
escrevendo em grego antigo, no calepino de um dos experimentadores, ou seja, na língua que fora a sua, língua que todos os
presentes ignoravam. Ele demonstra, de modo incontestável e
definitivo, que a intervenção das entidades espirituais dos falecidos, nas experiências mediúnicas, é fato experimentalmente
comprovado.
Essa grande verdade – já eu o disse – ainda levará muito tempo para se impor ao mundo. Isso, entretanto, não impede que,
para aqueles que sabem, ela já seja uma verdade conquistada
para a Ciência, pelos fatos. Se houver quem assim precisamente
não pense, convido-o a declarar de público com que hipótese
naturalística julga se chegue a interpretar o caso de “Nepentes”.

Caso 35 – Também é muito conhecido este último caso da
presente classificação e já foi por mim citado no meu livro: Em
Defesa do Espiritismo.
É de recente data, pois ocorreu numa das grandiosas sessões
de materialização que se realizaram e continuam a realizar-se em
Varsóvia, na Sociedade de Pesquisas Psíquicas dessa cidade,
com que o conhecidíssimo médium Franck Kluski, que, atente-se
bem nisto, é um banqueiro que se presta a servir de instrumento
mediúnico, exclusivamente por amor da Ciência. Cumpre igualmente se note que também é delicado poeta e apaixonado pelo
estudo das ciências naturais. Na sua família, a mediunidade é
hereditária e Kluski se sente impelido a experimentar, por uma
imperiosa necessidade de penetrar o grande mistério do qual ele
participa como protagonista inconsciente.
O professor Pawloski teve ocasião de assistir a algumas sessões em casa de Kluski e publicou sobre elas um relatório, no
número de setembro de 1925 do Journal of the American Society
for Psychical Research. Sob diversos pontos de vista, esse
relatório se revela extraordinariamente interessante; devo, porém, limitar-me a transcrever apenas alguns de seus trechos, os
que se referem ao tema aqui em apreço. Suas impressões, com
respeito aos fantasmas que se manifestam materializados, o
Professor Pawloski resume com estas palavras:
“A particularidade que nas manifestações de fantasmas
humanos mais impressiona – melhor direi: a particularidade
cientificamente mais importante – consiste no fato de eles
se comportarem perfeitamente, somo se fossem pessoas vivas. Dir-se-iam indivíduos convidados para uma recepção
social. Davam volta à sala, distribuindo sorrisos de agradecimentos aos experimentadores que lhes eram familiares e
olhando com curiosidade para aqueles a quem não conheciam... Do modo gentil como procediam com todos, da presteza com que respondiam às nossas perguntas, de tudo o
que faziam transpirava a ansiedade que os dominava por
dar aos vivos a convicção de estarem ali entidades espirituais de defuntos, por lhes tirar da idéia que eles fossem efê-

quando não o podem fazer pela palavra. tentar a prova noutra circunstância. pude ler-lhe claramente no semblante os sentimentos que o animavam. de sorte que..Os fantasmas que se materializam são pessoas defuntas que pertenceram a todas as nacionalidades e que as mais das vezes falam as suas línguas terrenas. porém. ou não execute. fica-se convencido da individualidade deles. Parece que possuem a faculdade de ler os pensamentos na mentalidade dos experimentadores.meras personalidades sonambúlicas. Dir-se-ia. por estas palavras: “Chokiash Lebistan!”. Todavia.. Nem todos os fantasmas materializados se apresentam em condições de falar. Observando-se-lhes. porquanto não é preciso que estes exprimam seus desejos ou formulem suas perguntas. porém. que soam como um murmúrio. aliás. Logo reconheci que ele compreendera. processo. eles os compreendem perfeitamente bem. se os presentes os interrogam numa língua diferente dessas (quase sempre em polonês). respondendo. os olhos lhe bri- . com uma recusa. suas vozes ressoam com bastante clareza e com timbre normal.. respondi exclamando: “Viva a Turquia!”. Veio ter comigo e.. inclinando-se. para que este execute o que foi pensado. explicam que não podem produzir o fenômeno solicitado.. por meio de batimentos. repetiu com ênfase a mesma frase. nada havendo percebido das suas palavras. a expressão vivaz das fisionomias. Sempre que se negam a atender aos pedidos dos experimentadores. desde que notou no meu a expressão da jubilosa surpresa em mim produzida pela sua aparição. me saudou em turco. . prometendo. ao falarem. Basta pensar alguém no que deseja que o fantasma materializado faça. lento e tedioso. em que se materializou a personalidade de um turco (familiar aos outros experimentadores). no segundo caso.. sorrindo amavelmente. ou “visões alucinatórias”. pois que me sorriu de novo. comunicam-se. Vendo que eu não entendera. forte. Nós poloneses nutrimos grande simpatia pela nação turca. Certa vez. Quando falam. para que obtenham a satisfação daqueles e resposta a estas.

a fim de que ma traduzisse. nem a língua de que se serve. Trazia à cabeça um chapéu cônico e vestia longa toga. com amplas e numerosas dobras. em seguida. Contudo. é colocada num ângulo da sala. da frase que ele pronunciara e no dia seguinte procurei uma pessoa conhecedora da língua turca. estendeu a mão cintilante de luz e continuou a falar. Informou-me ser visitante assíduo do grupo. Desenhou no ar com a mão um grande triângulo e entrou a falar com voz solene e profunda. Sua presença produziu na sala tal abundância de ozônio. de comprida barba acinzentada. Avançou a passo majestoso em direção a nós. Até agora. por detrás da qual jaz o médium. Aquele fantasma apareceu no meio desta. e vim a saber que a frase significava “Viva a Polônia!” A mais rara e. foi a figura solene e completamente luminosa de um ancião. que se casa . uma grande reverência e retirou-se. que ao fim da sessão o ambiente se conservava saturado dele. a mesa mediúnica. é conhecido pela designação de “sacerdote assírio”. formando a sua toga uma como cauda. nele. Era de dizer-se – um foco de luz. Fez-me. Tinha a aparência de um homem muito velho. no círculo dos experimentadores. Os pontos. de maior luminosidade são a região do coração e as palmas das mãos. a mais elevada forma cuja materialização se produziu por intermédio de Kluski. uns pelos outros. Retirou-se depois para um canto afastado e aí se dissipou. A minha cortesia lhe proporcionara um momento de patriótica satisfação. forma que vi duas vezes. uma dúzia de idiomas. A luz que de seu corpo se irradia é bastante intensa para lançar claridade sobre todos os experimentadores. ainda se não conseguiu identificar esse fantasma. Nas sessões com Kluski.lharam de viva alegria e aplaudiu batendo palmas. foneticamente. se bem os presentes conhecessem. Sem demora. tomei nota. Era gutural e incompreensível para todos nós a língua em que se exprimia. a certa distância de nós. provavelmente. Deteve-se por uns dez segundos atrás de mim. bem como sobre os mais distantes objetos do aposento. que se estendia pelo chão.

sem dúvida. andando. o círculo dos experimentadores. . Pelo que respeita ao tema com que me ocupo. Além disso. os episódios de xenoglossia ocorridos condizem com o título da presente categoria. se. a falar em tom solene. antes do mais.” Das portentosas experiências a que me reporto. onde misteriosamente desaparecia. de outro lado. de um lado. considerando a materialização do “sacerdote assírio”. por exemplo. porque não foram obtidos mediante a escrita direta. Isto digo. que se introduzisse no ambiente para se fazer de fantasma. antes de tudo. assinalo. visto que produzidos por fantasmas materializados. que. retirando-se depois para um canto da sala. que percorria. sem distinção de fantasmas.” Daí se pode inferir que foram numerosos os casos de xenoglossia. Por isso mesmo. observarei haver aí um tal conjunto de particularidades assombrosas. pois o fato em si mesmo nenhuma importância tem.admiravelmente com o aspecto e o vestuário sob o qual se apresenta. E. nessa série de experiências. e estendia a mão cintilante de luz por sobre as suas cabeças. não será inútil comecemos fazendo notar que há nelas particularidades de exteriorização. ele por si só bastaria para provar a gênese supranormal dos fenômenos. desde que esse fato se verificava constantemente. impossíveis de conseguir-se por meios fraudulentos. mas por meio da palavra. na frase do relator: “Os fantasmas que se materializam são pessoas defuntas que pertenceram a todas as nacionalidades e que as mais das vezes falam as suas línguas terrenas. ser imitada por um “comparsa” de carne e osso. Quanto ao valor intrínseco dos fenômenos de xenoglossia registrados. são estas as partes que de certo modo concernem ao tema que vimos considerando. que certamente ninguém lograria produzir com qualquer gênero de fraude. discordes são desse título. cumpre se atente. a dos fantasmas lerem na mente dos experimentadores os pensamentos e responderem antes que estes formulassem verbalmente suas perguntas não poderia. Assim. unicamente por uma questão técnica na classificação.

como para fazer que. Essas considerações reforçam o valor teórico do fenômeno de xenoglossia. se algum dia os experimentadores se lembrarem de convidar para assistir às sessões um arqueólogo decifrador de escritas cuneiformes. dizendo que. quando percebeu que o interlocutor não o entendera. como episódios circunstanciados. se destaca: o do fantasma de nacionalidade turca.Nada obstante. o outro adivinhasse o significado da frase proferida. que se exprimia na própria língua. estas consomem inteiramente na organização fantasmática. consciente. de um fantasma materializado não se podem esperar conversações extensas. ponderarei que. ou visões alucinatórias”. Pelo que toca ao outro fantasma. É esta uma particularidade complementar. que se materializam. de que se possa dispor numa classificação. “transpirava a ansiedade que os dominava por dar aos vivos a convicção de estarem ali entidades espirituais de defuntos. no local da sessão. porquanto a força e os fluidos de que dispõem as personalidades espirituais. um apenas. com efeito. a que não falta valor sugestivo. Mas. . terão conseguido outra magnífica prova da gênese espirítica dos fenômenos de xenoglossia. de uma personalidade vidente. ignorada de todos os presentes. que se exprimiu na língua turca. sorrindo amavelmente. embora fossem poucas as palavras que o fantasma pronunciou. pela expressão eloqüente do seu semblante. inteligente. pois demonstra a presença real. babilônicas e assírias. para melhor provar aos vivos a sua independência espiritual. do modo como se comportavam e agiam aqueles fantasmas materializados. em linguagem assíria ou babilônica. e desse modo lograrem demonstrar que o fantasma do “sacerdote assírio” se exprime. por lhes tirar da idéia que eles fossem efêmeras personalidades sonambúlicas. por enquanto. o do “sacerdote assírio”. e que. repetiu com mais ênfase a mesma frase. Isto se harmoniza com o que acentuou o relator.

também. para evitar a possibilidade de que algum opositor me surja pela frente. da subconsciência emergem conhecimentos adquiridos e depois olvidados e. lançando-me a pecha de. Lembrarei. 16 e 21. nas conclusões. reticencioso. além disso. a discutir algumas das hipóteses que. porquanto a característica desta última é a coerência. obtidos por Florizel von Reuter. pela sua mais que evidente inverossimilhança e absurdidade. Esta hipótese. o Doutor Walter Prince dela insistentemente se vale nas suas tentativas de explicar naturalisticamente os magníficos episódios de xenoglossia. ou telemnesia. conhecimentos adquiridos inconscientemente. não será que me estenda. Inútil. se mostra muito aquém da tarefa de explicar os fenômenos de xenoglossia. Em primeiro lugar. baldas de relação qualquer com a situação ou a conversação do momento”. Utilizou-a ele nas duas formas que comporta: visual e oral. ulteriormente. comentando os casos 1. de que dá prova. ao passo que a característica da criptomnésia é a infalível incoerência de frases fragmentárias. que as modalidades sob as quais se apresenta a criptomnésia nada têm de comum com as modalidades que a xenoglossia reveste. segundo a qual. apresenta-se a hipótese da “clarividência telepática”.Conclusão Chegado ao termo desta longa classificação. Originariamente. não julguei oportuno confutar a fundo. que emergem do subconsciente. vem a hipótese da criptomnésia.. antes de ir adiante. Disponho-me a fazê-lo aqui. Discuti-as ambas e as refutei. indicando os pontos deste meu trabalho onde cada uma de tais hipóteses foi discutida e refutada. de alcance explicativo bastante limitado. segundo a qual o médium habilmente extrairia da subconsciência dos presentes e dos ausentes os conhecimentos lingüísticos. Em segundo lugar.. Nada obstante. a propósito. passar em revista todas as hipóteses que se hão formulado contra a interpretação espiritualística dos fatos. dado que as manifestações em língua ignorada consistem sempre em conversações racionais ou em observações atinentes à situação do momento. cumpre-me. .

não insistirei sobre este ponto. mas idênticas às que se encontram em livros e dicionários.esta hipótese foi concebida dentro de limites bem mais modestos. contudo. não podendo aplicá-las quem não as haja estudado. em livros e documentos. porque se acha experimentalmente demonstrada. no qual o médium profere frases destacadas de uma língua que ignora. sob a forma de “leitura à distância em livros fechados”. Estas circunstâncias demonstram que a personalidade mediúnica que se comunicava conhecia o significado das frases buscadas. hipótese que discuti comentando os casos 8 e 9 e que. relativos a um defunto que se dizia presente. Mas. o que de forma notável complica o fenômeno de pseudoxenoglossia. quando a querem estender aos casos de xenoglossia. poderia ser usada legitimamente para explicar os casos de pseudoxenoglossia. de maneira naturalística. e induzem a prestar-se fé às personalidades mediúnicas que declaram proceder assim com o objetivo de oferecerem mais uma prova da sua presença espiritual no lugar onde se dá a manifestação. donde se segue que não existe em parte alguma e que. porquanto a estrutura orgânica de uma língua se há de aprender laboriosamente nas gramáticas e só quem a estudou pode empregá-la. porque. apenas para explicar. Em terceiro lugar. De tal sorte. Todavia. portanto. visto que as regras gramaticais têm que ser aplicadas caso a caso. não houve xenoglossia propriamente . ela se refez destituída de senso comum. ou em respostas adequadas a observações formuladas no momento. foram empregadas de acordo com a situação real do ambiente. no ato de falar-se ou escrever-se. já de si muito audaz e passavelmente gratuita. se bem tenham sido tiradas inconscientemente de livros ou documento. não é gratuita. nas circunstâncias em que se deram as exteriorizações a que me reporto. se revela dúbia nos casos em que as frases mediunicamente obtidas. por processos supranormais. no círculo da sua jurisdição. Tal explicação. Equivale isto a dizer que a estrutura orgânica de uma língua é pura abstração. frases que nenhuma relação guardam com a situação do momento. os casos em que o médium fornecia ignorados pormenores de ordem privada. está a hipótese da telestesia. ninguém a pode tirar do cérebro de outrem.

não caíram em sono. e que depois deixei de tomar em consideração. ao comentar os primeiros casos citados. Ora.dita. mesmo sem se ter em conta o seu desacordo com as modalidades fundamentais sob as quais se produzem os fenômenos de desdobramento. circunstância que por si só basta para aniquilá-la. hipótese esta que apareceu como portentoso apêndice da sua irmã denominada criptomnésia. o absurdo de tão peregrina hipótese. Em quarto lugar. mas que se não pode aplicar aos . em que as personalidades comunicantes falaram línguas que todos os presentes ignoravam. fazendo notar. foi por mim discutida e refutada nos comentários ao caso 31. em seguida. Em sexto lugar. mas pseudoxenoglossia. por me ter parecido inútil insistir em discuti-la. verdadeiramente de pasmar. incapaz de explicar os múltiplos casos em que a xenoglossia se verificava em línguas ou dialetos extintos desde muitos séculos ou de milênios. Em quinto lugar. Segundo esta hipótese. que nada de comum apresenta com aquela. primeiramente. Provém esse desacordo. dever-se-ia presumir que. há uma hipótese aplicável unicamente aos fenômenos de xenoglossia obtidos por meio da voz direta. E. já havendo demonstrado. de que inevitável é que aquele que se desdobra caia em sono mediúnico. de que. para exteriorizarem o próprio “duplo” animado. tão exuberantemente fantástica ela é. quando ocorrem casos de xenoglossia com essa forma de mediunidade. que discuti repetidas vezes. logo não se haviam desdobrado. logo não podiam desdobrar-se. como de explicar a circunstância de os médiuns falarem numa dúzia de línguas diversas. preciso se tornava que os assistentes fossem médiuns de alto potencial e. apresenta-se a hipótese da “memória ancestral”. o que se dá é que o experimentador conversa com a própria personalidade subconsciente exteriorizada. por mim discutida nos comentários ao caso 15. isso. exaustivamente. os numerosos consultantes que conversaram com personalidades mediúnicas em língua que o médium ignorava não eram médiuns. entre outras coisas. surge a do “reservatório cósmico das memórias individuais”. que dois episódios ali estão. Semelhante hipótese.

isto é. Se me ponderarem que uma personalidade finita não pode deixar de ser uma seleção do “Absoluto”. em tal caso. tive que me referir a essa hipótese. a de que. Devemos. à hipótese do Absoluto: “Há filósofos que. daríamos de chofre noutra formidável dificuldade. Em face dessa incomensurável audácia teórica. enquanto não cheguem ao Absoluto. Vem. somos. então. o que equivale a dizer que. que me considerar vencido. com efeito. por fim. desde que se tratasse de uma hipótese racional. porquanto. mal dispostos se mostram a parar. é que. do mesmo modo. alude. visto que se.casos aqui estudados. “seleções do Absoluto”. uma só coisa me competia: confessar-me teoricamente vencido. a onipresença e a onipotência os atributos do Ente Supremo. tendo enveredado pela cômoda via da hipotética extensão da personalidade humana. estar prontos a aprender de qualquer crítico que a arte literária de Patience Worth nada mais é do que uma autêntica revelação do Absoluto. como todos os outros. a sétima. Tenho. mas de uma atividade inteligente. responderei que semelhante explicação explica demais. acima de tudo. desenvolvida na atualidade e em correspondência com situações do momento. Patience Worth viria a ser uma revelação.. porém. No caso 15.. segundo a qual os médiuns se poriam em relação com o Absoluto. nestes termos. sendo a onisciência. nada se poderia negar ao Absoluto e nada haveria impossível para quem conversa com o Absoluto. a propósito do episódio de xenoglossia de “Patience Worth” e citei as considerações do filósofo inglês professor Schiller que. com Deus. pois. afinal. Patience Worth não passa de uma “seleção do Absoluto”. humorística e excêntrica daquele Absoluto infinitamente perfeito de que falam os filósofos. nos limites da argumentação exposta. nos quais não se trata de lembrança de ocorrências passadas.. com semelhante hipótese.. aventada há muitos anos por Hartmann. todos nós. nesse sentido. sublinhando a impossibilidade de explicar-se o caso em apreço por meio de qualquer hipótese naturalística.” . Patience Worth seria um espírito. Não menos certo.

criador do Universo. porquanto induziria a admitirse que Patience Worth era um espírito. em face da hipótese do Absoluto. teria sido uma personalidade espiritual que o Absoluto gerou para aquela circunstância. explicarem-se os fenômenos de xenoglossia. idêntico aos espíritos que dão informações aos míseros mortais. a outra versão. ditou romances completos. tendo em mira a personalidade mediúnica de Patience Worth que. e que o pode fazer exclusivamente com o fim de mistificar o próximo! Apresso-me a acrescentar. e dela extraíssem os pormenores ou os conhecimentos lingüísticos de que necessitassem para enganar o próximo. sob a qual poderia apresentar-se a hipótese em questão. verdadeiras obras-primas. não se revela apenas absurda. entretanto. Impessoal e Eterno. na áspera e rudimentar língua inglesa do século dezesseis. do ponto de vista literário. Esta forma. usando de uma língua que o médium ignorava. Vê-se daí que. . se a versão que lhe deu o professor Schiller já é de excessiva inverossimilhança. que nenhum deles saiu a prolongar essa incomensurável heresia filosófica. se haveria de supor que a portentosa escritora. com a magnânima aquiescência do mesmo Ente Supremo. em homenagem ao equilíbrio mental dos opositores. chamado homem. pode conversar familiarmente com o Ser Infinito. Ele imaginou que os médiuns se pusessem em comunicação direta com a “Consciência Cósmica”. porquanto sustenta que um minúsculo ser finito. atributo do Ente Supremo. mas blasfema. pois me parece que já consumi excessivo espaço com uma hipótese que culmina no absurdo filosófico. não é. com a hipótese do Absoluto. E basta disto. embora se não leve em conta que falharia ao seu objetivo. de inteligência rudimentar. a da concepção de Hartmann. naturalmente.Estes os argumentos que o professor Schiller articulou. sendo tudo feito. com o escopo de provar a sua independência espiritual relativamente ao médium. Tais as hipóteses que têm sido formuladas para. de qualquer modo. a com que a concebeu Hartmann. Daí decorre que.

presentemente. das presunções hipotéticas que a mais desenfreada fantasia pudera excogitar. nem nunca.. o fato é que. com toda essa audaciosíssima seqüela de hipóteses. observarei que a verdade a tal respeito consiste em que..O professor Richet. verdadeiramente séria.) Com todo o respeito devido ao insigne homem de ciência. quando o médium conversa ou escreve numa língua que lhe não seja conhecida. mas a entidade do defunto que se declara presente. Creio.. não podem explicar-se por nenhuma hipótese naturalística. ao contrário. possível e impossível.. 790. se refugia. não é ele quem isso faz. porque não a conheço.” (Tratado de Metapsíquica. cujas idéias estudo sempre com grande deferência e proveito. ou. numa hipótese desconhecida. as possibilidades teóricas existentes para a solução do grande problema da gênese dos mesmos fenômenos podem resumir-se no seguinte dilema: ou está provado que a subconsciência humana possui o dom da onisciência divina e. depois de haver sinceramente reconhecido que algumas categorias de manifestações metapsíquicas. Pois não vieram à baila até a “Consciência Cósmica” e o “Absoluto”?! Ir além não é possível. conseguintemente. Não há quem não veja que esse resultado negativo fala com extraordinária eloqüência a favor da única hipótese capaz de explicar o conjunto dos fatos. em definitiva. Entretanto. a tomar em consideração. Isto posto. visto que. com esta observação: “. nos pósteros. que de futuro aparecerá! Não posso formulá-la. Ainda nem uma só hipótese temos. de cuja amizade me honro. nem agora. não se chegou à explicação naturalística dos fenômenos de xenoglossia. pode conversar ou escrever em todas as línguas. digo parecer-me que essa observação se reduz. está demonstrado que. no fundo. já se há percorrido toda a gradação legítima e ilegítima. carente de consistência real. pág. no tocante à categoria dos fenômenos de xenoglossia. sem as conhecer. nem mesmo buscando-se refúgio no Absoluto. com as hipóteses acima apreciadas. inclusive a que faz objeto deste trabalho. . a uma engenhosa “frase de efeito”.

por isso que eliminam de um só golpe todas as hipóteses de que dispõe quem queira tentar-lhe a explicação. antes que essa grande verdade. amadurecer. Quando Galileu anunciou ao mundo a extraordinária descoberta. se impõe agora de modo racionalmente inevitável. pois. o que é um bem. visto que não existe uma terceira proposição. Assim é. Quer isto dizer que. psicologicamente. consiga evolver. Razão. apresso-me a declarar que sou o primeiro a reconhecer. por obra dos fenômenos de xenoglossia. filosoficamente é impossível de demonstrar-se. sem se afastar dos poderes inerentes à subconsciência humana. Por outras palavras: ressalta evidente que. como podemos ter a certeza de que os pósteros não chegarão nunca a demonstrar que a subconsciência humana possui o dom da onisciência divina. Segue-se daí que. se os pósteros não chegarão nunca a demonstrar o que racionalmente. como conseqüência. que a interpretação dos fatos. se tem que considerar provada a intervenção de entidades espirituais extrínsecas ao médium e aos presentes. Sobre este último ponto. me assistia quando. afirmei que as manifestações de xenoglossia se contam entre as mais importantes da fenomenologia metapsíquica. devendo. nas experiências mediúnicas. estou absolutamente seguro do que afirmo e desafio quem quer que seja a demonstrar que me acho em erro. subversora da ciência astro- . Da minha afirmação deriva. que largo tempo ainda passará. no sentido espiritualista. aclimar-se e impor-se à Humanidade. ao mesmo tempo. subversora da civilização de uma época e iniciadora de nova época na história do mundo. lícito nos é antecipar aos vivos de hoje. reconhecerse que a solução integral da grande questão se contém na segunda proposição do mesmo dilema. a auspiciosa notícia de que a grande questão já se acha resolvida favoravelmente à interpretação espiritualística dos fatos. nesse caso. na introdução do presente trabalho. então se há de admitir que a primeira proposição do dilema formulado resulta absurda e insustentável. sem temor de que os pósteros algum dia nos desmintam.É assim que a grande questão se põe e não há maneira outra de pô-la. mas. em consciência.

Façam o possível por ajudar-me na tentativa. Tento escrever uma carta. segundo a qual a Terra era uma esfera que rodava em torno de si mesma e girava em torno do Sol. respeito a esta outra verdade. sendo necessária uma mentalidade madura para o assimilar). moralmente e socialmente. 237. pág. Amanhã de noite. Outro tanto sucederá. Escreverei. Esta a tradução: “Querido pai. 224. pág.” Obra citada. esses poucos privilegiados de hoje podem considerarse os “eleitos” do destino.nômica do seu tempo. . O meu esforço é bem mais difícil do que o de vocês e não cheguei a abrir a porta. Conclui-se daí que os poucos privilegiados que hoje conhecem o Verdadeiro e lograram assimilá-lo (pois que não basta conhecê-lo. (Assinado) Ap. Idem. no presente e no futuro se hajam imposto ou venham a impor-se à meditação dos homens. um século foi preciso de lutas. porém com lentidão notavelmente maior e lutas muito mais rudes. do que todas as verdades que no passado. FIM Notas: 1 2 3 4 Esse memorável episódio se encontra integralmente reproduzido na minha monografia Os Enigmas da Psicometria (Caso XXVI). antes que a estupenda verdade se generalizasse e obtivesse universal acolhimento. querido irmão: “Estou aqui com vocês. cientificamente. que se apresenta muitíssimo mais importante filosoficamente. mas encontro grande dificuldade (em) falar. eu (pensarei) fortemente em vocês.

) Em russo. ao conversar. quando recitou a poesia. e acrescenta: “Comparando com o texto original as notas por mim tomadas. Com extrema freqüência. já “Pierre” a corrigira. A omissão do “sou um” é conforme ao uso. Ele errou. com referência ao importantíssimo episódio da correta versão poética ministrada pela entidade que se comunicava. para as necessárias indagações.T.) O Professor Whymant publicou recentemente um opúsculo sob o título: Psychic Adventure in New York. (N.T. 48. quando já não me era possível utilizá-lo de modo conveniente. Pois bem: na segunda sessão e antes que eu houvesse podido interpelá-la. (N. opúsculo esse do qual só muito tarde me chegou às mãos um exemplar. (N. e a palavra “hat” deveria ser “hal”. este desazado rústico caiu em erro. com científica sobriedade de exposição. a parte substancial do caso que apreciamos. porém.” (Loc. informou: “À noite passada. pág.T.T.) . omitem-se os artigos. (N. ai de mim! isso lhe acontece.5 6 7 8 9 10 Idem. Limito-me. numa correção a ser feita no texto poético. em que relata.) A palavra “gunaschta” deveria escrever-se “guzaschta”.) “Com minha filha” seria mais natural. É esta a forma verdadeira da passagem a cujo respeito o ilustre erudito com quem falo pedira o meu parecer. na construção gramatical russa. ou ao ter-se a própria “voz” enganado. devido ou a ter eu entendido mal e escrito erroneamente uma letra chinesa. a “voz” (usando o habitual fraseado chinês de auto-desapreço). cit. a acentuar que. pág. deu a versão genuína. embora a outra expressão não seja incorreta. o professor informa que no dia seguinte se dirigiu à Biblioteca Cívica de Nova York. portanto. corrigido o sinal alfabético chinês onde se verificara o engano. descobri nestas um erro..” Dito isso. Esta última. 239. Devo confessar que este incidente produziu em mim extraordinária impressão.

.11 Traduzido em português com o título da edição francesa: Introdução à Metapsíquica Humana.