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Resumo do texto: SANTOS, Cécilia Rodrigues dos.

“Novas Fronteiras e Novos Pactos para o


Patrimônio Cultural”. Introdução do Guia Cultural do Estado de São Paulo. São Paulo: Fundação
SEADE e Secretaria de Cultura do Estado, 2001.

O texto da arquiteta Cécilia Santos, intitulado “Novas fronteiras e novos pactos para o
patrimônio cultural” aborda as problemáticas da nova abrangência na abordagem patrimonial,
responsável pela ampliação do conceito de patrimônio cultural e de suas políticas de gestão. Ao
mesmo tempo em que esta nova abordagem vem afirmar a importância da diversidade cultural,
observa-se uma série de dificuldades para a implantação de uma sociedade culturalmente
sustentável que viabilize a continuidade dessas peculiaridades, tendo em vista as conseqüências que
os valores globalizantes de nossa sociedade atual trazem não só às políticas de gestão patrimonial,
como também na dificuldade que comunidades e grandes cidades têm em identificar e proteger seu
patrimônio.
A autora inicia seu texto relembrando que a idéia de patrimônio como definidor de uma
cultura e merecedor de proteção surgiu com a consolidação dos Estados nacionais modernos,
através do projeto ideológico da concepção de uma “identidade nacional” por qual passou boa parte
dessas nações, incluindo o Brasil. Contudo, em termos legislativos, somente em 1937, com o
Decreto-Lei nº25, foi definido o conceito de patrimônio nacional, as formas de preservação – como
o tombamento –, e a criação de órgãos de gestão patrimonial.
Contudo, com a ampliação do conceito de patrimônio ao longo dos anos, tiveram de ser
redefinidos conceitual e legalmente novos métodos de preservação que incluam não apenas os bens
culturais até então reconhecíveis, como o monumental e o excepcional de uma idéia simbólica
fundadora da nacionalidade, mas também os saberes cotidianos, o imaterial e o contemporâneo,
abrangendo a identidade de inúmeros grupos sociais e de temporalidades diversas.
O órgão federal responsável pelas iniciativas de preservação cultural, o Iphan (Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), se estabeleceu ao longo dos anos tentando criar uma
gestão descentralizada a fim de atender as peculiaridades e diversidades das manifestações culturais
brasileiras, indicando, porém, a premente necessidade de articulação desses órgãos regionais com a
federação, na tentativa de dar uniformidade às leis relativas ao patrimônio.
A Constituição de 1988 reiterou a necessidade das administrações locais zelarem pela
proteção do patrimônio de suas cidades sem, no entanto, eximir a União e os estados da
responsabilidade no que tange à normatização e a fiscalização desses bens. Contudo, esse plano de
articulação entre União, estados e municípios enfrentou e ainda enfrenta enormes obstáculos para
sua implementação, pois na maioria das cidades brasileiras, a problemática da gestão do patrimônio
cultural não é priorizada quando se está desvinculada de interesses político-empresariais e das
perspectivas de retornos financeiros.
De acordo com a autora, os órgãos de preservação não conseguem impor-se frente à
concepção moderna de ocupação pragmática das cidades, vista através dos aspectos de
racionalização econômica do espaço que renegam os componentes históricos e estéticos do
urbanismo. O resultado são cidades que negam sua história e sua memória a despeito da imperativa
modernidade urbana.
Existem hoje tentativas de recuperação do patrimônio cultural destruído por todo o país;
algumas negativas – aquelas que visam somente retorno financeiro através do turismo ou da criação
de postos de trabalho – e outras positivas, que tentam buscar apoio em instituições especializadas e
valorizar o papel da comunidade, integrando-a às ações de preservação, a fim de evitar a
descontinuidade de seus valores, práticas e saberes. Essas iniciativas tentam viabilizar a construção
de sociedades sustentáveis, isto é, pôr em prática medidas que valorizem a diversidade cultural local
e o reforço dos vínculos entre indivíduo e seu grupo com o meio ambiente e a sociedade,
satisfazendo as necessidades atuais sem comprometer os recursos humanos, culturais e naturais que
garantirão os mesmo direitos às gerações futuras.
Por outro lado, não só em âmbito nacional se discute a necessária articulação entre os
diferentes poderes públicos e a comunidade. O processo de globalização derrubou as barreiras das
fronteiras culturais tradicionais, gerando novas práticas e relações entre comunidades de diferentes
nações e ameaçando alteridades e diversidades. Nesse sentido, organizações internacionais vêm
discutindo novas políticas e critérios de preservação que reconheçam o valor de determinado bem
em termos extra-nacionais.
Um desses critérios foi a identificação de um bem de expressão cultural como de interesse
“universal”, gerando documentos que orientem a gestão desses bens em torno de sua preservação.
Contudo o reconhecimento internacional da relevância de determinado patrimônio vem enfrentando
problemas de ingerência político-diplomática, pois a indicação de um bem como “patrimônio da
humanidade” parece que vem sendo considerado mais como um prêmio por suas perspectivas de
exploração econômica do que uma prática de real necessidade de preservação.
A autora finaliza com um pensamento metafórico sobre a interconexão entre os riachos de
sua aldeia (a cultura local), afluente dos grandes rios (a cultura nacional) que desembocam nos
oceanos (cultura global). Embora seja reconhecida a importância da cultura de outros povos e
comunidades, a que nos faz sentido é a cultura na qual nos reconhecemos e que nos faz diferentes e
únicos, mas nem por isso, isolados dos demais. Sendo assim a defesa e afirmação da diversidade e
da continuidade de nossos valores culturais, é função não apenas das diferentes unidades federativas
de uma nação, mas da humanidade como um todo.
Resumo do texto: CARSALADE, Flávio de Lemos. “Patrimônio Histórico. Sustentabilidade e
sustentação”. In: Arquitextos. Texto Especial 080, jun-2001. Endereço: http://www.vitruvius.com.
br/arquitextos/arq000/esp080.asp
Flávio Carsalade, em seu texto “Patrimônio Histórico. Sustentabilidade e sustentação”
discorre sobre a quem cabe realizar as ações em defesa do patrimônio cultural em termos de
investimentos para sua conservação. O autor indica diversas soluções para o problema desse setor,
de forma a combinar práticas de sustentação e sustentabilidade que ampliam de modo significativo
a responsabilidade da sociedade civil e da iniciativa privada empresarial e finaceira frente à
conservação do seu patrimônio, entendido por ele e pela Constituição como objeto de fruição e
instrumento para a cidadania sendo, portanto, responsabilidade de toda a sociedade.
Carsalade critica a noção, denominada por ele de “senso comum”, de que a conservação e
preservação do patrimônio histórico devam ser restritas ao investimento direto de recursos do
Estado ou dos proprietários de bens patrimoniais, ambos os grupos tolhidos recorrentemente pela
falta de verbas para tal conservação.
Em contrapartida o autor propõe uma política de conservação de combine mecanismos de
sustentação, isto é, os investimentos diretos efetivados pelos agentes responsáveis pelo patrimônio,
e de sustentabilidade, ou seja, as práticas criativas de incentivo à conservação e preservação, através
da articulação da comunidade e da atração de novas formas de investimentos no setor, não apenas o
investimento financeiro, mas o também o humano.
Para tanto, torna-se imprescindível que a sociedade como um todo compreenda a
importância da preservação de seus bens patrimoniais e da sua função e responsabilidade para com
estes e sua conservação. Contudo, salienta o autor, deve-se difundir e deixar claro para a sociedade,
os retornos positivos que esse esforço de preservação trará aos agentes sociais. A requalificação de
espaços ou imóveis significativos para a identidade local traz perspectivas de crescimento
econômico em termos de ampliação de espaços de trabalho e do turismo, dentre outras implicações
econômicas, assim como a melhora na qualidade de vida e na noção de cidadania e identidade
histórica de uma sociedade integralmente equilibrada.
Portanto, há que se incentivar o interesse participativo do cidadão e dos interesses – muitas
vezes conflitantes – das forças econômicas, numa relação democrática de co-gestão com o poder
público.
Nesse sentido, o autor defende a idéia de sustentabilidade cultural, como a prática de
desenvolvimento social que “une as necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das
futuras gerações usufruírem de sua herança natural e cultural”. Dentre as ações que visam
estabelecer essa prática, o autor caracterizou quatro grupos ou frentes de ação: o primeiro diz
respeito à preservação preventiva e propositiva, que defende uma proteção capaz de se antecipar às
ações destruidoras causadas por interesses diversos ou por condições ambientais, através de leis
eficientes de uso e ocupação do solo, controle ambiental, treinamento de agentes de manutenção e
instalação de equipamentos de segurança. O segundo grupo diz respeito aos Instrumentos de Gestão
e Articulação, que visam implementar a participação cidadã através da gestão coletiva e de
articulação entre os diversos agentes sociais. Sendo assim, ações como o envolvimento de toda a
comunidade em conselhos públicos para o patrimônio cultural ou a adoção de políticas
compensatórias e de incentivo à preservação, são apenas duas das inúmeras práticas elencadas pelo
autor para se atingir as ações de gestão coletiva. O terceiro grupo afirma a importância do
desenvolvimento dos campos científicos correlatos, a fim de propor novos modelos urbanos que
insiram de forma segura e satisfatória os bens históricos no contexto urbano atual. O quarto e último
grupo salienta a importância das ações de informação e difusão, com o objetivo de conscientizar a
comunidade da importância e necessidade de conservação do patrimônio e dos diretos e deveres de
todos nós com relação às ações de preservação.
Por outro lado, a sustentabilidade cultural não pode ser dissociada da prática de sustentação
patrimonial, isto é, do investimento público que se faz direta ou indiretamente, por meio da
manutenção das políticas e órgãos de gestão do patrimônio, da criação de fundos públicos ou mistos
de apoio à cultura e na forma de renúncia fiscal, combinado com o investimento privado, num setor
que tem que ser encarado como produtivo para a economia, na medida em que cria negócios,
oportunidades de investimentos e geração de empregos, ocasionando lucros e avanços econômicos.
Diante desse quadro, há que se perceber que não há mais como encarar a problemática da
conservação do patrimônio histórico apenas como um fardo dos poderes públicos. Carsalade
adverte, no entanto, que “a acuidade na gestão de cada caso de nada adianta se valores éticos e
sensíveis à nossa identidade e continuidade histórica não presidirem e nortearem as questões
cotidianas que envolvem os bens coletivos da memória”. Ou seja, a problemática da utilização dos
recursos para a preservação dos bens patrimoniais deve ser feita por toda a sociedade de forma
pública, integrada e crítica para que não haja prevalência de benefícios a nenhum grupo em
detrimento de outros.