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Dentre as obras de construção civil, as de túneis são certamente as que apresentam os maiores percalços para a sua execução, devido à dificuldade

em se conhecer com precisão todas as condições do terreno a ser atravessado.

O atual conhecimento da mecânica dos solos e das rochas, aliado aos novos

equipamentos de investigação do terreno e novos instrumentos de auscultação, permitem a elaboração de modelos geomecânicos com adequado grau de precisão para definição de métodos construtivos mais seguros e eficazes.

Este MANUAL TÉCNICO destina-se aos engenheiros “trainees”, técnicos e mestres de obra que vão iniciar suas atividades nas obras de túneis em terrenos pouco consistentes executados pelo NATM. São apresentados os conceitos que regem o NATM, algumas noções sobre o conhecimento do terreno, a instrumentação mais usada e um pequeno fundamento teórico do processo. É dada ênfase ao método construtivo, particularmente ao concreto projetado, e ao acompanhamento e controle da execução.

A conscientização de toda a equipe executora sobre os princípios que regem a

execução de túneis em terrenos pouco consistentes é fundamental para que sejam tomadas as precauções necessárias contra acidentes tão comuns nesse tipo de obra.

Serão sempre benvindas sugestões e contribuições dos leitores no sentido de aperfeiçoar o Manual, que poderão ser incorporadas nas próximas edições.

Os Autores

Engº. Carlos Augusto Campanhã FIGUEIREDO FERRAZ Consultoria e Engenharia de Projeto Ltda Engº. Pedro Boscov CBPO Engenharia Ltda Revisão Final: Prof. Dr. Victor F. B. de Mello

i

MANUALMANUALMANUALMANUAL TÉCNICOTÉCNICOTÉCNICOTÉCNICO

TÚNEIS EM TERRENOS POUCO CONSISTENTES

INTRODUÇÃO

1

I. CRITERIOS DE PROJETO

10

1. L EVANTAMENTO T OPOGRÁFICO

10

2. CONHECIMENTO DO TERRENO

10

2.1.

Ensaios Sísmicos

10

2.2.

Sondagens

11

2.3.

Ensaios Geotécnicos

12

2.3.1.

Níveis d´ Água

12

2.3.2.

Poços e Trincheiras

12

2.3.3.

Investigações Complementares dentro do Túnel

12

3. PARCIALIZAÇÃO DA SEÇÃO DO TÚNEL

13

3.1. Critérios Básicos da Parcialização

13

3.2. Métodos Construtivos

14

4. INSTRUMENTAÇÃO

16

4.1. Instrumentação Externa

16

4.2. Instrumentação Interna

18

ii

R1
R1

II.

EXECUÇÃO DA OBRA

1.

PROCESSOS DE ESTABILIZAÇÃO DO MACIÇO

1.1. Drenagem – Rebaixamento do Lençol Freático

24

1.2. Enfilagens

27

1.3. Injeções

28

1.4. Congelamento

29

1.5. “Jet-Grouting”

30

1.6. Agulhamento

32

2.

SISTEMAS DE ESCORAMENTO ASSOCIADOS AO CONCRETO PROJETADO

33

2.1. Cambotas

33

2.2. Tirantes

36

2.3. Malha de Aço

39

2.4. Fibras de Aço

40

3.

SISTEMA DE ESCORAMENTO DE PRÉ-CORTE

41

4.

ESCAVAÇÃO

42

4.1. Execução dos Emboques

42

4.2. Escavação do Túnel

46

5.

CONCRETO PROJETADO

48

5.1. Equipamento de Projeção

48

5.2. Cuidados na Projeção

53

5.3. Técnica de Projeção

59

5.4. Características do Concreto

64

5.5. Treinamento da Equipe e Capacitação do Mangoteiro

66

5.6. Moldagem de Placas Para Ensaio

77

6.

ARCO INVERTIDO

79

7.

REBAIXO

80

III.

ACOMPANHAMENTO E CONTROLE DA EXECUÇÃO

81

iii

1.

MEDIDAS DE ATENDIMENTO ÀS FRENTES DE SERVIÇO

81

1.1. Medidas preventivas e corretivas de menor porte

81

1.2. Medidas de contenção e recuperação significativas

88

2. ACOMPANHAMENTO DAS DEFORMAÇÕES E CRITÉRIOS PARA TOMADA

DE DECISÕES

95

2.1. Deformações excessivas

96

2.2. Critérios para tomada de decisão de intervir no maciço ou estrutura

103

3. DANOS LOCALIZADOS NAS ESTRUTURAS

104

4. RECURSOS PERMANENTES PRÓXIMOS ÀS FRENTES DE SERVIÇO

108

iv

INTRODUÇÃO

Terrenos pouco consistentes são os que apresentam baixa resistência e/ou grande deformabilidade quando submetidos a esforços resultantes de eventos tais como escavação em seu interior (túnel, ou fundo de vala, etc.): podem ter tal comportamento independentemente da condição da água do subsolo circundante ao volume escavado; mas ficam muito menos consistentes e menos estáveis quando a escavação é abaixo do lençol d’água.

Um comportamento agravante, bastante variado de solo para solo, e muito importante para a fase de obra, é a rapidez com que a instabilização e/ou acentuada deformação se manifesta, o que se chama de Tempo de Auto- Sustentação.

Nas areias este tempo é próximo de zero, enquanto mas argilas ele é bem maior, amplo.

Modernamente os túneis em terrenos pouco consistentes são executados por dois métodos: o NATM (New Austrian Tunneling Method - Novo Método Austríaco de Execução de Túneis) e o de Couraça (Tatuzão). Neste MANUAL TÉCNICO será tratado somente o NATM.

NATM

O principio básico do NATM é fazer com que o terreno, em vez de atuar somente como carga sobre o revestimento do túnel, ele próprio atue como um elemento colaborante da resistência da estrutura. Para se conseguir isso a superfície escavada deve ser imediatamente revestida com material relativamente flexível, que permita a sua deformação e consequentemente a distribuição das tensões ao longo do seu perímetro. Esse revestimento flexível é o concreto projetado, associado a cambotas de aço, ou malhas de aço, ou chumbadores e tirantes, ou fibras de aço ou a combinação de dois ou mais deles.

Logo que se processa a escavação, o terreno começa a se movimentar e o revestimento flexível deve ser aplicado antes que haja demasiado deslocamento da superfície exposta ou queda de blocos, “desplacamentos”. É necessário, portanto, que o solo tenha um certo tempo mínimo de auto- sustentação. Quando o tempo de auto-sustentação é insuficiente para permitir a execução dos trabalhos de suporte, o terreno deve ser previamente

1

R1
R1

tratado para prolongar esse tempo. Os diversos métodos utilizados para esse fim estão descritos no item EXECUÇÃO DA OBRA.

Para a aplicação bem sucedida do NATM devem ser rigorosamente obedecidos os seus conceitos básicos, 22 ao todo, sendo que os 15 mais importantes são:

Conceito 1: o maciço circundante participa do suporte

CONCRETO PROJETADO PARTE DO MACIÇO QUE PARTICIPA DO SUPORTE N A T M
CONCRETO PROJETADO
PARTE DO MACIÇO QUE
PARTICIPA DO SUPORTE
N A T M

Figura 2.1

O maciço circundante ao túnel, que inicialmente atua como elemento de carregamento, deve passar a constituir um elemento de escoramento por sofrer um deslocamento mínimo, comedido, que promove a mobilização de sua resistência interna. É o principio da estabilização pelo alívio de tensões, com deformações mínimas, controladas, inferiores às que levam à ruptura.

Conceito 2: preservação da qualidade do maciço circundante

MÉTODO ANTIGO
MÉTODO ANTIGO

Figura 2.2

N A T M
N A T M

Conservar a qualidade do maciço tanto quanto possível, com cuidados durante a escavação (seja ela manual, mecanizada ou a fogo) e aplicação imediata do suporte (concreto projetado com cambotas, telas, tirantes,

2

conforme necessário), evitando o inicio de um processo de deterioração do maciço, quando as deformações ultrapassam o limite que causa rupturas.

Conceito 3: afrouxamento no interior do maciço é prejudicial

MÉTODO ANTIGO
MÉTODO ANTIGO

Figura 3.1

interior do maciço é prejudicial MÉTODO ANTIGO Figura 3.1 N A T M A acomodação interna

N A T M

A acomodação interna das camadas no interior do maciço, devido ao não

preenchimento dos vazios entre o suporte e o terreno, ou a deformações

excessivas de um suporte por demais flexível, ou pela demora na colocação

do escoramento, deve ser evitada. A acomodação faz com que o maciço perca

sua capacidade de auto-suporte e passe a constituir um peso total, solto, sobre

o suporte.

Conceito 4: mobilização da capacidade portante do maciço

Conceito 4: mobilização da capacidade portante do maciço MÉTODO ANTIGO Figura 3.2 " CAPA PROTETORA "

MÉTODO ANTIGO

Figura 3.2

" CAPA PROTETORA " N A T M
" CAPA PROTETORA "
N A T M

Evitando-se deformações excessivas no maciço, a capacidade de auto-suporte não é perdida. Há, então, a mobilização de uma “capa de proteção próxima à superfície escavada, que se torna um elemento de escoramento.

3

Conceito 5: caracterização geológico-geotécnica minuciosa do maciço

A realização de ensaios “in situ” e de laboratório, somando-se às investigações de prospecção geológica, permite a caracterização e determinação de parâmetros de comportamento do tipo resistência, deformabilidade e permeabilidade do maciço a ser escavado. O conhecimento detalhado do material oferece subsídios para a definição do método construtivo e para o dimensionamento do suporte e do revestimento definitivo.

o dimensionamento do suporte e do revestimento definitivo. a) Ensaios de determinação da deformabilidade através de

a) Ensaios de determinação da deformabilidade através de macacos planos

Figura 4.1

da deformabilidade através de macacos planos Figura 4.1 b) Ensaio de cisalhamento direto sobre descontinuidade do

b) Ensaio de cisalhamento direto sobre descontinuidade do maciço, em túneis piloto

Conceito 6:

adequação da parcialização frente às condições geotécnicas do maciço

T1

T1
T1

T3

T3
T3

T2

T2
T2

T4

T4
T4

Figura 4.2

A parcialização adequada da frente de escavação é função do comportamento do maciço, que se traduz no tempo de auto-sustentação e deformabilidade do material. Quanto maior o número de etapas (menor área unitária de escavação) maior será o tempo de auto-suporte da abertura não escorada e menores os recalques. Os fatores que influem na parcialização são o

4

equipamento existente no mercado, os prazos de execução e os custos. As soluções ideais são as que permitem avanços rápidos e com possibilidade de economia do suporte.

A decisão quanto a parcializações tem que ser cuidadosa: em alguns terrenos, e condições, cada etapa prejudica o terreno um pouco, tornando a seguinte um pouco menos competente.

Conceito 7: utilização do suporte adequado no momento certo

P PRESSÕES Po TENSÕES INICIAIS P' CURVA DE CONVERGÊNCIA DO MACIÇO Ps = GANHO DE
P
PRESSÕES
Po
TENSÕES INICIAIS
P'
CURVA DE CONVERGÊNCIA
DO MACIÇO
Ps
= GANHO DE SEGURANÇA
NO CASO "ÓTIMO"
DEFORMAÇÃO URBANA
MÁXIMA TOLERÁVEL
CONFINAMENTO
DO SUPORTE
PLÁSTICO
N
M
M = ÓTIMO POR RESISTÊNCIAS
N = ÓTIMO POR DEFORMAÇÕES
TOLERÁVEIS PARA TERCEIROS
RIGIDEZ DO SUPORTE
SUPORTE
U
DEFORMAÇÕES
MACIÇO
INÍCIO DA REAÇÃO
DO SUPORTE
RUPTURA
MUITO DEFORMÁVEL
ÓTIMO
PREMATURO
RÍGIDO
DEMAIS

Figura 5.1

Este é o conceito que apresenta a maior dificuldade na aplicação do NATM, dependendo muito da experiência da equipe executora da obra para a avaliação da deformabilidade do próprio suporte e o momento de sua aplicação. A aplicação de suportes pouco deformáveis e muito cedo, exige que suas capacidades sejam superiores àquelas realmente necessárias no caso ótimo, devido ao fato de se trabalhar com níveis de tensão mais elevados, quando o maciço suportaria ainda um certo alívio. Alguns fatores que influem no comportamento da interação solo-estrutura, ou na convergência do maciço, são: deformabilidade do maciço e do suporte; tamanho da abertura; defasagem entre a escavação e aplicação do suporte; espessura do suporte; método de escavação; etc.

5

No caso de túneis urbanos, o ponto ótimo de equilíbrio de funcionamento costuma ser ditado não tanto por resistências, mas mais por limites de deformações toleradas por terceiros.

Conceito 8: eliminação de vazios na interface maciço-suporte

VAZIOS MÉTODO ANTIGO
VAZIOS
MÉTODO ANTIGO
CAMBOTA METÁLICA CONCRETO PROJETADO
CAMBOTA
METÁLICA
CONCRETO
PROJETADO

N A T M

Figura 6.1

O desenvolvimento do concreto projetado possibilitou que o suporte aja em toda a superfície escavada do maciço, melhorando a interação do suporte com o terreno. Métodos clássicos, com escoramento de madeira (1), tem atuação pontual sobre o maciço, por mais cuidadoso que seja o encunhamento de fixação. Destes processos resultavam vazios na interface, dando condições para o inicio do desagregamento do material, que contribuíam para a perda de auto-suporte do maciço.

(1) Nota: Na última trintena de anos, a madeira tem sido banida também por apodrecimento a longo prazo. O princípio vale para peças rígidas (aço, etc.) localizadamente encunhadas.

Conceito 9: utilização de ancoragens, cambotas e telas

Conceito 9: utilização de ancoragens, cambotas e telas MÉTODO ANTIGO Figura 6.2 6 TIRANTES CAMBOTAS CHUMBADORES
MÉTODO ANTIGO
MÉTODO ANTIGO

Figura 6.2

6

TIRANTES CAMBOTAS CHUMBADORES N A T M
TIRANTES
CAMBOTAS
CHUMBADORES
N A T M

Quando necessário e para melhorar as condições de sustentação, utilizar elementos estruturais adicionais ao concreto projetado, como cambotas ou telas embutidas no concreto, e ancoragem do tipo tirante ou chumbador. A colocação sistemática de ancoragem permite a mobilização da capacidade portante do maciço, impondo às tensões confinantes ao redor da abertura que elas se mantenham em níveis inferiores à plastificação, limitando as deformações.

Conceito 10- fechamento do arco invertido

as deformações. Conceito 10- fechamento do arco invertido MÉTODO ANTIGO N A T M Figura 7.1

MÉTODO ANTIGO

Conceito 10- fechamento do arco invertido MÉTODO ANTIGO N A T M Figura 7.1 Olhando a

N A T M

Figura 7.1

Olhando a seção transversal, o suporte do túnel é calculado e trabalha como um anel contínuo, exigindo a necessidade de fechamento do arco invertido próximo à frente de escavação. Nos casos em que é previsto um avanço pronunciado da calota, por questões de otimização construtiva, costuma-se executar um arco invertido provisório, no sentido de fechar, durante esse período, o anel do suporte. Na ocasião da execução do rebaixo esse arco é demolido e o arco definitivo é executado na sua posição de projeto.

Conceito 11: redução da seção escavada ao mínimo necessário

A=152 m²
A=152 m²

MÉTODO ANTIGO

Figura 7.2

A=102 m² N A T M
A=102 m²
N A T M

7

A redução da seção ao mínimo necessário, associada à colocação de suporte delgado (concreto projetado), sem perda de área útil, altera menos as condições do maciço, pois há condições de formação da capa protetora mais perto da abertura.

Conceito 12: preferência por seções arredondadas

Conceito 12: preferência por seções arredondadas MÉTODO ANTIGO N A T M Figura 8.1 Evitando-se seções

MÉTODO ANTIGO

12: preferência por seções arredondadas MÉTODO ANTIGO N A T M Figura 8.1 Evitando-se seções transversais

N A T M

Figura 8.1

Evitando-se seções transversais com cantos vivos é eliminado o problema de locais com concentração de tensões, que podem levar o material à plastificação (ruptura).

Conceito 13:

acompanhamento da execução por meio de leituras intensivas da instrumentação de campo

CONVERGÊNCIA EXTENSÔMETRO
CONVERGÊNCIA
EXTENSÔMETRO

Figura 8.2

No NATM a auscultação de campo tem papel fundamental, pois permite medir o desenvolvimento das deformações, alívio das tensões no maciço, a interação do suporte com o maciço circundante, variação das pressões, etc. Medidas intensivas da instrumentação de campo, em princípio, dão subsídios para uma revisão e otimização do método construtivo como, por exemplo,

8

redimensionamento da ancoragem (número e capacidade), espaçamento das cambotas, redefinição da parcialização da frente de escavação, verificação da capacidade de suporte do concreto projetado, etc.

Conceito 14:

estabilização das deformações do conjunto maciço- suporte

Figura 9.1
Figura 9.1
REVESTIMENTO CALOTA "INVERT"
REVESTIMENTO
CALOTA
"INVERT"

BANCADA

Após o fechamento do arco invertido do suporte, o conjunto estabiliza, ou

seja, as deformações cessam. Este fato ocorre mesmo nos casos de existência

de tensões tectônicas elevadas. O revestimento definitivo tem por objetivo

melhorar as condições de estabilidade e indeformabilidade e garantí-las a

longo prazo.

Conceito 15: minimização das pressões neutras por meio de drenagem TERRENO NATURAL ZONA SATURADA DRENO
Conceito 15: minimização das pressões neutras por meio de drenagem
TERRENO NATURAL
ZONA SATURADA
DRENO HORIZONTAL
PROFUNDO

Figura 9.2

A instalação de drenos na interface permite o alívio das pressões neutras

sobre a superfície do suporte do túnel, melhorando as condições de segurança da obra.

É importante salientar que em todos os casos de insucessos na execução de túneis pelo NATM, verificou-se que um ou mais dos princípios acima não foram obedecidos.

9

I.

CRITERIOS DE PROJETO

1. LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO

Toda a área a ser atravessada pelo túnel deve ter um levantamento topográfico preciso, em escala de no mínimo 1: 2.000 e curvas de nível a cada metro. Devem constar da planta topográfica todas as características da superfície do terreno, tais como afloramentos de rocha, tipo de vegetação, erosões, bacias com água, deslizamentos, falhas, rastejamento de encostas, etc. Na área dos emboques a escala da planta deve ser 1:500 de preferencia e curvas de nível a cada metro para permitir a elaboração do projeto de terraplenagem.

2. CONHECIMENTO DO TERRENO

Evidentemente, quanto melhor for o conhecimento do terreno melhor será a previsão do seu comportamento durante a escavação do túnel e consequentemente menor a possibilidade de colapsos evitáveis.

O primeiro passo para a elaboração do projeto é a conceituação geológica do

maciço através dos estudos geológicos,

que compreendem:

Pesquisa bibliográfica e mapeamento geológico-geotécnico da área de implantação do túnel.

Elaboração de modelo geológico: ênfase em compreensão estrutural e geomorfológica.

Elaboração do plano de investigação do maciço por meio de sondagens mecânicas e/ou geofísicas.

Caracterização geológica/geotécnica das amostras das sondagens e elaboração da classificação geomecânica do maciço.

Elaboração do modelo geomecânico e setorização do maciço.

2.1. Ensaios Sísmicos Geofísicos Apropriados

Os ensaios sísmicos consistem em aplicar em furos no terreno cargas explosivas, cuja detonação produz ondas de choque no maciço, que são captadas em aparelhos registradores. Os gráficos obtidos dão a velocidade de propagação da onda, que varia em função do tipo de material do subsolo. Obtem-se assim uma avaliação qualitativa das camadas a serem atravessadas pelo túnel, que servirá de base para a programação das sondagens geomecânicas.

10

Podem ser empregados também ensaios de prospecções geofísicas, tais como:

Eletroresistividade, Refração, Tomografias, etc.

2.2. Sondagens

As sondagens mecanizadas utilizadas na prospecção do maciço são de três tipos: a percussão, estática e rotativa. Nas sondagens a percussão é medida a resistência do solo pela penetração de um amostrador cravado por um peso em queda livre. A resistência é expressa pelo valor SPT (standard penetration test), isto é, número de golpes no topo das hastes ou “downhole” para a penetração do amostrador de 30 cm no solo, entre os 15 e 45cm de penetração. Assim, se uma determinada camada do maciço apresentar um valor de SPT=35, significa que foram necessários 35 golpes para descer o trépano em 30 cm nessa camada. Em solos homogêneos o valor SPT geralmente cresce com a profundidade. No caso de argilas moles saturadas podemos ter SPT = 0, o que significa que o conjunto de hastes e amostrador descem pelo seu próprio peso, sem necessidade de qualquer golpe.

A sondagem com cone de penetração (CPT – cone penetration test) consiste na cravação estática de um cone de aço fixado na extremidade de uma haste de aço. O ensaio dá a resistência de ponta do terreno variável com a profundidade e a resistência média no trecho ensaiado, em kg/cm2.

As sondagens rotativas são utilizadas quando a camada a ser investigada é impenetrável ao trépano, geralmente no contato com a rocha subjacente ou ocorrência de matacões. A perfuração é feita por meio de uma broca ôca, que permite a retirada de testemunhos do material. Os testemunhos são colocados em caixas apropriadas na seqüência de sua extração, com a marcação da profundidade correspondente. Desse modo o geólogo pode facilmente verificar as características da rocha, tais como sanidade, grau de fraturamento e índice de recuperação. Este índice é muito importante, pois mostra se o maciço rochoso é ou não homogêneo. Por exemplo, se foi feita uma perfuração de 6 m e forem recuperados testemunhos totalizando apenas 4 m, isto significa que existe um total de 2 m de espessura de material fraco que foi moído no processo de perfuração, seja numa série de fraturas decompostas, ou no limite, numa só camada fraca.

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2.3- Ensaios Geotécnicos

Os ensaios geotécnicos destinam-se a definir o comportamento dos diversos materiais do maciço quando submetidos às cargas oriundas do processo de escavação do túnel. Normalmente são executados os seguintes ensaios:

2.3.1-Niveis D’ Água

O conhecimento dos níveis d’água no interior do maciço é de fundamental importância, pois a sua presença vai afetar sobremaneira o comportamento do terreno durante a escavação, além de perturbar a execução dos trabalhos. A água encontrada acima do piso do túnel em primeira instância agrava muito a instabilização durante a fase construtiva, e vai exercer pressões que vão induzir cargas adicionais sobre a estrutura, o que vai exigir medidas de contenção muito maiores do que seriam necessárias no caso de ausência de água. A locação exata do lençol d’água é obtida por meio de aparelhamento descrito no Item 4.

2.3.2. Poços e Trincheiras

As investigações de sub-superficie, por meio de poços e trincheiras, são muito importantes para um exame visual do maciço e para retirada de amostras a serem ensaiadas em laboratório. Infelizmente são menos praticáveis nas condições mais desfavoráveis que mais necessitam de investigação, isto é, em terrenos inconsistentes e abaixo do lençol d’água.

2.3.3. Investigações Complementares dentro do Túnel

Durante a execução do túnel é recomendável a execução de investigações destinadas a antecipar as condições de avanço em complementação à instrumentação.

Um a três furos executados a partir da frente de escavação para uso de aparelho com obturador de bexiga para registro de pressões-vazões. Esses furos servem também para drenagem, extremamente importantes em rochas, onde os fluxos são muito erráticos.

Em maciços terrosos são feitos furos sub-horizontais mediante penetração empurrada, para investigações tipo CPT, DTM, PMT (e mesmo SPT cravados com martelete).

12

R1
R1

3.

PARCIALIZAÇÃO DA SEÇÃO DO TÚNEL

3.1. Critérios Básicos da Parcialização

Para a execução de um túnel em terreno pouco consistente é necessário dividir a sua seção em subseções menores afim de minimizar os esforços atuantes e consequentemente os riscos. Os critérios que vão definir a melhor parcialização levam em conta:

Dimensões da seção

Características geomecânicas do maciço

Alcance dos equipamentos existentes no mercado

Espessura da camada de cobertura sobre o túnel

Prazo de execução da obra

Custos

Túneis de pequena seção em maciço de boa capacidade de auto-sustentação podem e devem ser escavados a seção plena, que é a condição ideal. Em túneis maiores é usual a parcialização em duas etapas: calota e rebaixo. Túneis de grande seção, como no caso de rodovias de 2 e 3 faixas de tráfego, ou cavernas de estações de Metrô, exigem parcializações em grande número, que podem chegar a 6 etapas ou mais.

ARCO INVERTIDO PROVISÓRIO ARCO INVERTIDO
ARCO INVERTIDO
PROVISÓRIO
ARCO INVERTIDO
DEFINITIVO 1 - CALOTA 2 - REBAIXO ARCO INVERTIDO PROVISÓRIO ARCO INVERTIDO
DEFINITIVO
1 - CALOTA
2 - REBAIXO
ARCO INVERTIDO
PROVISÓRIO
ARCO INVERTIDO

DEFINITIVO

ARCO INVERTIDO PROVISÓRIO ARCO INVERTIDO DEFINITIVO
ARCO INVERTIDO
PROVISÓRIO
ARCO INVERTIDO
DEFINITIVO

1 - PILOTO

2 - ALARGAMENTO DA CALOTA

3 e 4 - REBAIXO

1 - PILOTO 2 - ALARGAMENTO DA CALOTA 3 e 4 - REBAIXO 1 e 2

1

e 2 - GALERIAS LATERAIS ("SIDE-DRIFT")

GALERIAS LATERAIS (1 e 2) E ALARGAMENTO DA CALOTA (3 e 4)

3

- ALARGAMENTO DA CALOTA

EM DOIS ESTÁGIOS

4

- REBAIXO

Figura 13.1

13

3.2.

Métodos Construtivos

Vimos no Item 2 que o conhecimento do terreno se traduz num modelo geomecânico com a setorização do maciço, isto é, a divisão do túnel ao longo do seu comprimento em trechos nos quais se prevê comportamento homogêneo na fase de escavação. A parcialização da seção transversal é definida para cada um desses trechos. Por exemplo, num determinado trecho podemos ter calota e rebaixo e no trecho seguinte a parcialização da própria calota em piloto e posterior alargamento, devido à mudança do tipo de material do maciço.

Uma vez definidos os setores geomecânicos e as respectivas parcializações da seção transversal, elabora-se o projeto do método construtivo, que compreende:

Extensão do avanço dos ciclos de escavação

Número máximo de ciclos de avanço permitido para fechamento do arco invertido.

Necessidade de núcleo protetor da face de escavação.

Tipos de escoramentos associados ao concreto projetado, tais como cambotas de perfil de aço ou treliçadas, telas metálicas, tirantes.

Sistemas de estabilização adicional do maciço a partir da frente de

escavação,

tais

como

drenagem,

injeções,

enfilagens,

“jet-grouting”,

agulhagem.

POR MAIS DETALHADO QUE TENHA SIDO O PROJETO DO MÉTODO CONSTRUTIVO, É SOMENTE NA FASE DE EXECUÇÃO QUE SE TEM O PROJETO FINAL, MEDIANTE AJUSTES DEFINIDOS PELO MAPEAMENTO GEOLÓGICO- GEOTÉCNICO DETALHADO DAS FRENTES DE ESCAVAÇÃO, TENDO COMO BASE O MODELO GEOMECÂNICO ELABORADO ANTERIORMENTE.

DURANTE A ESCAVAÇÃO É COMUM SURGIREM SITUAÇÕES NÃO DETETADAS NOS TRABALHOS ANTERIORES DE INVESTIGAÇÃO, QUE EXIGIRÃO UM TRATAMENTO ADEQUADO, OU ATÉ MESMO REFORMULAÇÃO DE CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO E DE PROJETO.

NESTA

AVANÇO

PERMITIRÃO VERIFICAR:

FASE

DAS

O

MAPEAMENTO

CRITERIOSO

E

O

ACOMPANHAMENTO

FUNDAMENTAL,

DO

POIS

ESCAVAÇÕES

ASSUMEM

IMPORTANCIA

VALIDADE DOS PARÂMETROS UTILIZADOS PARA DEFINIÇÕES DE PROJETO OU

INADEQUALIBIDADE DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS , SENDO NECESSARIA A REFORMULAÇÃO E REVISÃO DO PROJETO.

14

SÃO FEITAS VERIFICAÇÕES PARA AS POSSIVEIS ADAPTAÇÕES ENTRE CLASSES

DE

MACIÇO, MÉTODO CONSTRUTIVO E TIPO DE SUPORTE, VISANDO MINIMIZAR

O

CUSTO DO SISTEMA ESCAVAÇÃO/SUPORTE, REDUZINDO PRAZOS OU

AUMENTANDO A SEGURANÇA. ESTA ADAPTAÇÃO É BASEADA NA INTERPRETAÇÃO DOS CONDICIONANTES GEOLÓGICOS-GEOTÉCNICOS E NA INSTRUMENTAÇÃO.

A INSTRUMENTAÇÃO DESEMPENHA PAPEL IMPORTANTE NESTA FASE, POIS

ALGUMAS VEZES OS SEUS RESULTADOS SÃO OS ÚNICOS INDICADORES DE QUE

A CORRELAÇÃO CLASSE DE MACIÇO X MÉTODO CONSTRUTIVO X SUPORTE

ESTÁ ADEQUADA. PODERÁ SER NECESSARIA, ENTÃO, A EXECUÇÃO DE INVESTIGAÇÕES COMPLEMENTARES, TAIS COMO: SONDAGENS HORIZONTAIS COM RECUPERAÇÃO OU NÃO DE TESTEMUNHOS, DRENAGEM, ENSAIOS DE CARACTERIZAÇÃO FÍSICA E MECÂNICA DO MACIÇO OU CONDICIONANTES ESPECÍFICOS QUE VENHAM A CONTROLAR A ESTABILIDADE DO TÚNEL.

15

4.

INSTRUMENTAÇÃO

A instrumentação compreende um conjunto de aparelhos e sistemas para a observação e medição do comportamento do maciço durante a fase de escavação e eventualmente durante a vida do túnel. A instrumentação é instalada externa e internamente ao túnel.

4.1. Instrumentação Externa

A instrumentação externa é instalada antes do inicio das escavações, seguindo rigorosamente as indicações do projeto. Normalmente tem sido instalados os seguintes sistemas e aparelhos:

Instrumento ou sistema

 

Finalidade

 

Marcos superficiais

Medir os recalques superficiais do terreno por meio de nivelamento topográfico.

Tassômetros

Medir os recalques dentro do maciço

 

Piezômetros

Medir a pressão d’água no maciço

 

Medidores do nível d’água

Medir o nível do lençol freático, geralmente (salvo com artesianísmos) dando um limite máximo da piezometria

Inclinômetros

Detetar movimentos laterais e frontais do maciço

 

Pinos nos edifícios

Medir

os

recalques

das

fundações

por

meio

de

levantamento topográfico

 

Observações de fissuras

Monitorar progresso de efeitos nos pontos fracos

 

TAMPA DE CONCRETO

HASTE TUBO FºGº 3/4" PINO DE LATÃO BASE: CHAPA DE FºFº 0,01 x 0,20 x
HASTE TUBO FºGº 3/4"
PINO DE LATÃO
BASE: CHAPA DE FºFº
0,01 x 0,20 x 0,20
0,50m
0,20m
0,30m
0,30m
ARGILA
CONCRETO
COMPACTADA

MARCO SUPERFICIAL

Figura 16.1

16

TAMPA DE PROTEÇÃO

TAMPA DE PROTEÇÃO CAIXA DE CONCRETO COTA DO TERRENO CONCRETO CAP. COM ROSCA/ADAPTADOR SELO DE LAMA

CAIXA DE CONCRETO

COTA DO TERRENO
COTA DO TERRENO

CONCRETO

CAP. COM ROSCA/ADAPTADOR SELO DE LAMA
CAP. COM ROSCA/ADAPTADOR
SELO DE LAMA
DO TERRENO CONCRETO CAP. COM ROSCA/ADAPTADOR SELO DE LAMA TELA TUBO PVC 1" PERFURADO FILTRO DE
TELA
TELA

TUBO PVC 1" PERFURADO

ROSCA/ADAPTADOR SELO DE LAMA TELA TUBO PVC 1" PERFURADO FILTRO DE AREIA CAP. SEM ROSCA 1"
FILTRO DE AREIA
FILTRO DE AREIA

CAP. SEM ROSCA 1"

PVC 1" PERFURADO FILTRO DE AREIA CAP. SEM ROSCA 1" COTA DO PROJETO MEDIDOR DE NÍVEL

COTA DO PROJETO

FILTRO DE AREIA CAP. SEM ROSCA 1" COTA DO PROJETO MEDIDOR DE NÍVEL D'ÁGUA PLUG DE

MEDIDOR DE NÍVEL D'ÁGUA

PLUG DE 4" COTA DO

PROJETO MEDIDOR DE NÍVEL D'ÁGUA PLUG DE 4" COTA DO TERRENO PINO DE LATÃO TUBO PVC
TERRENO PINO DE LATÃO TUBO PVC 2" FURO 3" TUBO FºGº 1" TASSÔMETRO
TERRENO
PINO DE LATÃO
TUBO PVC 2"
FURO 3"
TUBO FºGº 1"
TASSÔMETRO
REDUÇÃO 4" x 2"
REDUÇÃO 4" x 2"
CALDA DE CIMENTO
CALDA DE CIMENTO

FIM DO TUBO PVC 2"

COTA DE PROJETO 1,00
COTA DE PROJETO
1,00

Figura 17.1

CAIXA DE CONCRETO

TAMPA DE PROTEÇÃO COTA DO TERRENO CAP. COM ROSCA PREENCHIMENTO IMPERMEÁVEL DE LAMA DE ARGILA
TAMPA DE PROTEÇÃO
COTA DO TERRENO
CAP. COM ROSCA
PREENCHIMENTO IMPERMEÁVEL
DE LAMA DE ARGILA COM
POUCO CIMENTO
ADAPTADOR
TUBO PVC 1"
TELA
TUBO PERFURADO
FILTRO DE AREIA
CAP. SEM ROSCA 1"
1,50m
1,00m
0,50m

Figura 17.2

PZ - PIEZÔMETRO

17

4.2.

Instrumentação Interna

A instrumentação interna é instalada à medida que a escavação avança.

Medidas de Convergência

Uma instrumentação imprescindível é a da medida de convergência, que indica as deformações da superfície escavada, após umas deformações iniciais quase instantâneas não registráveis, salvo por comparações com as medidas externamente. Os valores aceitáveis dessas deformações, para cada setor geomecânico, são indicados no projeto e não podem ser ultrapassados, sob o risco de graves acidentes. Valores menores que os aceitáveis são determinados como níveis de alerta, os quais permitem a tomada de medidas preventivas e/ou corretivas antes que as deformações atinjam os valores- limite estabelecidos.

O sistema usual (1), de medidas de convergência consiste na leitura de distancias entre pinos instalados no revestimento do túnel, conforme indicado na figura abaixo. A leitura é feita por meio de fita de aço invar acoplada a um Distômetro ou por sistema ótico. Um sistema moderno de medidas de convergência é a instalação de raios “ laser” que incidem sobre alvos fixos em vez de pinos. O ponto do raio, ao se deslocar no alvo, indica a movimentação do revestimento primário sob ações do terreno e da pressão da água. Eventualmente o sistema “laser” pode ser substituído por leituras óticas (estação total).

(1)

ser substituído por leituras óticas (estação total). (1) PINOS MEDIÇÕES DE CONVERGÊNCIA COM FITA DE AÇO

PINOS

MEDIÇÕES DE CONVERGÊNCIA COM FITA DE AÇO INVAR

ALVO RAIO LASER
ALVO
RAIO LASER

PERFIL LONGITUDINAL

Figura 18.1

ALVO COM FRESTA
ALVO COM
FRESTA

MEDIÇÕES DE CONVERGÊNCIA COM RAIOS LASER

OS ALVOS SÃO FIXADOS NOS SUPORTES EMBUTIDOS NO CONCRETO.

O

RAIO

LASER PASSA POR

UMA

FRESTA

NO

MEIO DO ALVO.

 

QUALQUER DESLOCAMENTO DO TERRENO, IMPEDE A PROPAGAÇÃO DO RAIO. A REPOSIÇÃO DO ALVO PARA A PASSAGEM

DO RAIO MEDE O DESLOCAMENTO DO TERRENO NESSE PONTO.

Estas medidas refletem já os efeitos sobre o revestimento primário, com as redistribuições estruturais providas pela casca.

18

Pressão Hidrostática no Maciço

Uma pressão hidrostática no maciço superior àquela prevista no projeto poderá aumentar a tensão no revestimento até causar a sua ruptura e conseqüente desmoronamento do túnel. A medição da pressão é feita por meio de tubos curtos cravados no maciço providos de um T com registro numa saída e manômetro na outra extremidade externa. Assim se pode drenar e medir intermitentemente conforme convenha. No caso de terem sido instalados tubos de drenagem os mesmos podem ser aproveitados para a instalação dos manômetros.

DRENO DRENO MANÔMETRO TUBO DE MEDIÇÃO
DRENO
DRENO
MANÔMETRO
TUBO DE MEDIÇÃO

É IMPORTANTE MEDIR NA BASE POR CAUSA DA CAPACIDADE DE CARGA NO PÉ DA CALOTA/CAMBOTAS

Figura 19.1

Extensômetro

Enquanto as medidas de convergência indicam os deslocamentos da superfície escavada do túnel, o extensômetro permite medir os deslocamentos dentro do maciço, a distancias pre-determinadas a partir da superfície escavada. O aparelhamento consiste de barras cravadas radialmente no maciço, cujo deslocamento é medido a partir do interior do túnel por meio de Distômetro ou automaticamente por meio eletrônico.

Deslocamentos dentro do maciço significam afrouxamento do terreno e consequentemente aumento da carga sobre o revestimento. A sua verificação em tempo hábil permite a tomada de medidas para a estabilização do maciço.

CONVERGÊNCIA EXTENSÔMETRO Figura 19.2
CONVERGÊNCIA
EXTENSÔMETRO
Figura 19.2
permite a tomada de medidas para a estabilização do maciço. CONVERGÊNCIA EXTENSÔMETRO Figura 19.2 Foto 19.1

Foto 19.1

19

Medidor mecânico

analógico Medidor automático de leitura remota em aparelho digital Centralizador para as cabeças dos medidores
analógico
Medidor automático de leitura
remota em aparelho digital
Centralizador para as
cabeças dos medidores
Cabeça medidora singela
Selo opcional
de argamassa
Selo
Camisa protetora
de PVC das barras
do extensômetro
Pontas de ancoragem
dos extensores
Argamassa
Furo

EXTENSÔMETRO

Figura 20.1

Furo com defletômetro de corrente ~1 - 1.5 Diâmetro Tunel Extensômetro, 1 - 8 barras
Furo com defletômetro
de corrente
~1 - 1.5 Diâmetro
Tunel
Extensômetro, 1 - 8 barras
Medidas de convergência com distômetro Extensômetro
Medidas de convergência
com distômetro
Extensômetro

20

Defletômetro de Corrente

O defletômetro de corrente consiste de um conjunto de barras unidas por dispositivo eletrônico introduzidos em um tubo de revestimento cravado sub- horizontalmente no topo da calota do túnel. Os deslocamentos do maciço além da face em escavação e ogo acima do túnel são registrados graficamente em uma central de controle remota. Em geral o comprimento do tubo é de 24 m. Quando a escavação chega a uma determinada distancia da extremidade do tubo, novo tubo é cravado e o defletômetro é transferido para mesmo.

Quando se escava um túnel, o terreno à frente da face escavada, numa distancia equivalente a cerca de 2 diâmetros, sofre deslocamentos acusados pelo defletômetro e eventualmente pelos tassômetros e marcos superficiais. Cerca de 2 diâmetros atrás da face, na parte já escavada do túnel, os recalques devem normalmente estar estabilizados. Se os recalques á frente da face de escavação forem maiores do que os observados nos trechos já escavados, significa que há alguma anormalidade no maciço, como bolsões de material mole, falhas geológicas, etc. Nesse caso deverão ser tomadas medidas de estabilização do maciço antes que a frente de escavação atinja essa área.

D E F L E T Ô M E T R O D E C
D
E F L E T Ô M
E T R O
D E
C O R R E N T E
In
s ta la ç ã o
p
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re v e s tim e n to
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2 4
m
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A p ó s
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c o rr e n te
é
re in s ta l a d o
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o
r e v e s tim e n to
s
e g u in te

Figura 21.1

21

Dilatômetro

O dilatômetro é um instrumento utilizado para a determinação do módulo de deformação do solo ou rocha em furos de l00 mm. Ele consiste basicamente de uma luva de borracha reforçada que exerce uma pressão nas paredes do furo. As deformações podem ser medidas em tres direções diretamente por meio de extensômetros. A pressão aplicada na luva e as deformações são eletricamente transferidas para uma ponte de medição.

DILATÔMETRO Camisa de Lodo Linha de Pressão e Cabo Elétrico Camisa Metálica a a 3
DILATÔMETRO
Camisa de Lodo
Linha de Pressão
e Cabo Elétrico
Camisa Metálica
a
a
3
2
a
a
3
1
2
1
Extensômetro
Luva de borracha
Pressiômetro
Ø 95
1'ooo

Figura 22.1

22

Metálica a a 3 2 a a 3 1 2 1 Extensômetro Luva de borracha Pressiômetro

BST – Ensaio de Cisalhamento em Furo de Sondagem

O ensaio BST (Bore Hole Shear Test) mede o ângulo de atrito e a coesão do

solo com rapidez e diretamente, por meio de um ensaio direto de cisalhamento, executado “in situ” nos lados de um furo de sondagem de 75

mm.

O BST é um ensaio portátil que pode ser executado com um amostrador “shelby” de paredes finas, de modo que as amostras do material podem ser usadas em ensaios de laboratorio.

O BST pode ser usado em furos de lavagem, furos

mesmo em furos feitos a mão.

a trado de haste oca ou

A cabeça descartável de cisalhamento é inserida à profundidade desejada e

expandida transversalmente no furo por meio de pressão controlada de gas,

que aplica um tensão normal constante, pre-selecionada. O processo é repetido com aplicação de pressões crescentes, para se obter uma curva Tensão Normal x Tensão de Cisalhamento.

com aplicação de pressões crescentes, para se obter uma curva Tensão Normal x Tensão de Cisalhamento.

Figura 23.1

23

com aplicação de pressões crescentes, para se obter uma curva Tensão Normal x Tensão de Cisalhamento.

II.

EXECUÇÃO DA OBRA

1. PROCESSOS DE ESTABILIZAÇÃO DO MACIÇO

Conforme já foi mencionado, para que seja possível a escavação de um túnel em terreno pouco consistente pelo NATM, é necessário que o terreno tenha capacidade auto-portante durante, pelo menos, o tempo que permita a instalação do suporte. Caso isso não ocorra, deverá ser feita uma estabilização do maciço para garantir essa capacidade.

Vários são os processos existentes para essa finalidade, sendo que a sua adoção depende dos seguintes fatores principais:

Viabilidade Técnica Custo Prazo de execução

Pode acontecer que uma solução de menor custo não possa ser adotada devido ao prazo de sua execução ser incompatível com o cronograma da obra.

Atualmente os processos mais utilizados são:

1.1- Drenagem - Rebaixamento do Lençol Freático

A drenagem por gravidade é obtida por meio de furos no maciço, objetivando aliviar a pressão d’água atuante em cotas acima do túnel a escavar. São instalados drenos sub-horizontais na face de escavação, paralelos ao eixo do túnel e também abrindo para as laterais.

Quando se deseja reforçar a estabilização provida pela drenagem gravitacional, fazendo com que a percolação não aflore com fluxo emergente instabilizador, e quando se deseja incrementar o potencial hidráulico em cerca de 5 – 6m, recorre-se a acoplar o sistema a vácuo às ponteiras drenantes. Ambas as metas são particularmente indicadas para os solos finos mais instáveis, as areias finas e os siltes, inclusive especialmente os saprólitos.

Quando a cobertura sobre o túnel é muito grande e há necessidade de uma drenagem mais efetiva, a drenagem por gravidade pode ser obtida através de uma galeria escavada abaixo do túnel e a partir da qual são instalados os drenos formando um leque.

Quando a cobertura é pequena, o método mais adequado é a instalação de poços profundos executados a partir da superfície do terreno e localizados em duas linhas laterais paralelas ao eixo do túnel. Os poços são desativados somente após a conclusão e cura do revestimento final do túnel.

24

TERRENO NATURAL ZONA SATURADA DRENO HORIZONTAL PROFUNDO
TERRENO NATURAL
ZONA SATURADA
DRENO HORIZONTAL
PROFUNDO

Figura 25.1

O rebaixamento do nível d’água abaixo do piso do túnel, quando necessário para dar estabilidade aos pés da calota na fase de execução do rebaixo, é obtido por meio de drenos sub-horizontais laterais e drenos semi-verticais executados a partir da frente de escavação. Os drenos sub-horizontais podem ser operados por gravidade e/ou vácuo e os semi-verticais sempre a vácuo.

TERRENO NATURAL N.A. ORIGINAL LINHA DO N.A. REBAIXADO BOMBA BOMBA REBAIXAMENTO POR POÇOS PROFUNDOS
TERRENO NATURAL
N.A. ORIGINAL
LINHA DO N.A. REBAIXADO
BOMBA
BOMBA
REBAIXAMENTO POR POÇOS PROFUNDOS
TÚNEL FUROS DE DRENAGEM GALERIA
TÚNEL
FUROS DE DRENAGEM
GALERIA
FUROS DE DRENAGEM
FUROS DE DRENAGEM

REBAIXAMENTO POR GRAVIDADE

Figura 25.2

25

MANGOTES FLEXÍVEIS TUBULAÇÕES COLETORAS A VÁCUO PONTEIRAS PONTEIRAS FILTRANTES FILTRANTES CONTATO AREIA x ARGILA
MANGOTES FLEXÍVEIS
TUBULAÇÕES COLETORAS
A VÁCUO
PONTEIRAS
PONTEIRAS
FILTRANTES
FILTRANTES
CONTATO AREIA x ARGILA
ESQUEMA DE DRENAGEM AUXILIAR COM PONTEIRAS A VÁCUO DRENO SUB DRENO SUB HORIZONTAL HORIZONTAL CONTATO
ESQUEMA DE DRENAGEM AUXILIAR COM PONTEIRAS A VÁCUO
DRENO SUB
DRENO SUB
HORIZONTAL
HORIZONTAL
CONTATO AREIA x ARGILA
TUBULAÇÕES COLETORAS
COM OU SEM VÁCUO

ESQUEMA DE DRENAGEM AUXILIAR COM DRENOS SUB HORIZONTAIS COM OU SEM VÁCUO

Figura 26.1

26

1.2

Enfilagens

As enfilagens destinam-se a estabilizar o topo da calota antes da escavação, sendo executadas a partir da face de escavação. O tipo mais usual de enfilagem é um tubo de aço de 100 mm cravado sub-horizontalmente no maciço, paralelamente ao eixo do túnel. O comprimento é de 10 a 12 m, sendo 8 a 9 m efetivos e o restante para o trespasse. O espaçamento entre tubos é de 20 a 60 cm, dependendo do tipo de maciço a estabilizar.

Mais recentemente começou a ser usado um sistema de enfilagem formando uma superfície em arco cilíndrico contínua, consistindo de tubos de aço intertravados, à semelhança de estacas-prancha. Os tubos são enchidos com concreto bombeado, formando assim uma abóboda de concreto armado sobre o túnel.

A enfilagem tubular é composta de um tubo de aço como principal elemento resistente provido de manchetes que permitem a injeção de cimento em pontos determinados, formando um bulbo ao seu redor.

As enfilagens tubulares devem ser escoradas por cambotas com espaçamentos definidos previamente no projeto.

As enfilagens de bulbo contínuo são constituídas por colunas sub-horizontais de solo-cimento semelhantes ao CCP horizontal (“Jet-Grouting”) diferindo deste por utilizarem pressões de injeção mais reduzidas e formarem consequentemente colunas com diâmetro menor (30 a 40 cm). Estas enfilagens podem ou não conter tubos de aço no seu interior para aumentar sua capacidade estrutural.

1ª LINHA DE ENFILAGENS DO EMBOQUE ENFILAGENS DE AVANÇO LINHA DE ESCAVAÇÃO SEÇÃO A-A
1ª LINHA DE ENFILAGENS
DO EMBOQUE
ENFILAGENS
DE AVANÇO
LINHA DE
ESCAVAÇÃO
SEÇÃO A-A

Figura 27.1

27

TUBO DE AÇO SOLO-CIMENTO
TUBO DE AÇO
SOLO-CIMENTO

ENFILAGENS DE BULBO CONTÍNUO

1.3

Figura 28.1

Injeções

Conforme o tipo de rocha, seu grau de fraturamento e o estado de decomposição dos preenchimentos das fraturas, a sua estabilização pode ser obtida por meio de injeção de cimento no interior do maciço. No caso de materiais de baixa permeabilidade, tais como areias finas e argilas arenosas, são utilizadas injeções químicas (silicato de sódio) que, sendo soluções, tem poder de penetração nos vazios do material, o que é impossível com suspensões de finos tal como o cimento.

Os furos de injeção, a partir da frente de ataque, são dirigidos de modo a atingir a área a ser tratada, cuja dimensão vai definir o comprimento dos furos e a sua inclinação em relação ao eixo do túnel.

As pressões de injeção dependem do tipo de material (índice de vazios) e do produto utilizado, porém devem ser tão baixas quanto possível, para evitar uma possível ruptura do maciço e consequentemente a sua instabilização, efeito esse oposto ao que se deseja.

TRECHO A CONSOLIDAR
TRECHO A CONSOLIDAR

Figura 28.2

INJEÇÕES

28

efeito esse oposto ao que se deseja. TRECHO A CONSOLIDAR Figura 28.2 INJEÇÕES 28 S E
efeito esse oposto ao que se deseja. TRECHO A CONSOLIDAR Figura 28.2 INJEÇÕES 28 S E

SEÇÃO A-A

1.4. Congelamento

O congelamento é utilizado em situações muito especiais, como em trechos

de solos moles e saturados, de difícil drenagem e difícil injeção, devido ao seu custo mais elevado que os outros processos de estabilização.

O congelamento é normalmente obtido por meio de ponteiras cravadas no

maciço que conduzem o nitrogênio líquido. Quando o tempo de escavação é muito longo, é mais econômico usar o nitrogênio até se obter o congelamento do material e a partir daí, para manutenção do processo, utilizar uma central convencional de refrigeração com amônia.

As ponteiras são cravadas a partir da superfície do terreno quando a cobertura é pequena ou a partir de uma galeria no caso de grandes coberturas, para formar uma capa de material congelado sobre a calota do túnel. No caso de impossibilidade de cravação das ponteiras a partir da superfície do terreno, pode-se fazer a cravação a partir da frente de ataque, em todo o perímetro do túnel.

partir da frente de ataque, em todo o perímetro do túnel. CONGELAMENTO A PARTIR DE GALERIA

CONGELAMENTO A PARTIR DE GALERIA OU SUPERFÍCIE DO TERRENO

CONGELAMENTO A PARTIR DE GALERIA OU SUPERFÍCIE DO TERRENO GALERIA AUXILIAR PARA INFILTRAÇÃO DE ÁGUA SUBTERRÂNEA
GALERIA AUXILIAR PARA INFILTRAÇÃO DE ÁGUA SUBTERRÂNEA TUBO DE INFILTRAÇÃO MEDIDOR DE TUBO DE 9,80m
GALERIA AUXILIAR PARA
INFILTRAÇÃO DE ÁGUA
SUBTERRÂNEA
TUBO DE INFILTRAÇÃO
MEDIDOR DE
TUBO DE
9,80m
TEMPERATURA
CONGELAMENTO
6,60m
10,20m
REVESTIMENTO
DE CONCRETO
AREIA
PROJETADO
ÁREA
CONGELADA
27,70m
PEDREGULHO
OBRA
OBRA EM
CONCLUÍDA
EXECUÇÃO

EXEMPLO DE APLICAÇÃO DE CONGELAMENTO

CONGELAMENTO A PARTIR DA FRENTE DE ESCAVAÇÃO

Figura 29.1

29

1.5. “Jet-Grouting”

O “jet-grouting” consiste na desagregação do solo por meio de jato de calda de cimento a alta velocidade formando colunas de solo-cimento no interior do maciço. As colunas podem ser verticais, horizontais ou inclinadas. Podem ser isoladas ou encostadas uma à outra ou mesmo secantes, e ter o comprimento que se desejar dentro do maciço.

Para a estabilização do maciço ao redor do túnel é preferível sempre a utilização de colunas verticais, por serem mais fáceis de executar e de menor custo do que as horizontais. Estas só devem ser empregadas quando a execução das colunas verticais é impedida por obstáculos na superfície do terreno, tais como edificações, vias públicas, etc., ou quando a profundidade é grande perdendo a garantia do direcionamento até as posições necessárias.

Enquanto as colunas verticais podem ser executadas em diâmetros de até l,50 m, as colunas horizontais ficam limitadas a diâmetros de 50 cm, devido ao tipo de equipamento empregado.

As colunas de solo-cimento podem ter seu diâmetro consideravelmente aumentado pela combinação de jatos de água e ar combinados com o jato da calda de cimento, podendo atingir diâmetros maiores que 2,00m, dependendo da natureza do terreno.

"JET GROUNTING" MÉTODO EXECUTIVO

PERFURAÇÃO INÍCIO DA INJEÇÃO DE CIMENTO COLUNAS COMPLETAS
PERFURAÇÃO
INÍCIO DA INJEÇÃO
DE CIMENTO
COLUNAS COMPLETAS

ELEVAÇÃO E ROTAÇÃO DA HASTE COM VELOCIDADE PROGRAMADA

ELEVAÇÃO E ROTAÇÃO DA HASTE COM VELOCIDADE PROGRAMADA AR ~ 7kg/cm² CIMENTO = 300 a 400
AR ~ 7kg/cm² CIMENTO = 300 a 400 kg/cm² (J.S.G.) AR ~ 7kg/cm² ÁGUA =
AR ~ 7kg/cm²
CIMENTO = 300 a 400
kg/cm²
(J.S.G.)
AR ~ 7kg/cm²
ÁGUA = 300 a 500 kg/cm²
CIMENTO = 30 a 60 kg/cm²
(J.G.3)

TIPOS DE CABEÇAS DE JATO

Figura 30.1

30

NÍVEL DO TERRENO

NÍVEL DO TERRENO "JET-GROUTING" VERTICAL SOBREPOSIÇÃO I = 1:20 15 m 4,5 m 2 m 8,5
NÍVEL DO TERRENO "JET-GROUTING" VERTICAL SOBREPOSIÇÃO I = 1:20 15 m 4,5 m 2 m 8,5
NÍVEL DO TERRENO "JET-GROUTING" VERTICAL SOBREPOSIÇÃO I = 1:20 15 m 4,5 m 2 m 8,5

"JET-GROUTING" VERTICAL

SOBREPOSIÇÃO

I = 1:20 15 m 4,5 m 2 m 8,5 m I = 1:10 CUNHA
I = 1:20
15 m
4,5 m
2 m
8,5 m
I = 1:10
CUNHA DE
CUNHA DE
SUPORTE
SUPORTE
ARCO INVERTIDO
DA CALOTA
GALERIA
GALERIA
LATERAL
LATERAL
GALERIAS
LATERAIS

"JET-GROUTING" HORIZONTAL

Figura 31.1

31

CORTE A-A

1.6.

Agulhamento

Para garantir a estabilidade da face de escavação deve-se sempre deixar uma parte do maciço protuberante à frente da face, com talude adequado ao tipo de material, servindo de escora. Quando o material não é suficientemente estável para configurar o talude, utiliza-se o processo de agulhamento da face, que consiste na cravação de tubos de fibra de vidro de pequeno diâmetro na face escavada, atingindo a profundidade de 4 a 8 m, dependendo da consistência do material. A cada ciclo de avanço da escavação os tubos são rompidos e removidos juntamente com o material escavado.

O mesmo processo pode ser utilizado para estabilização de taludes em solo nos emboques dos túneis. Nesse caso, como o agulhamento tem carater definitivo, utilizam-se vergalhões de aço de armação de 20 a 25 mm de diâmetro e 4 m de comprimento, cravados por meio de martelete a ar comprimido.

BARRAS DE AÇO TALUDE TUBOS DE FIBRA DE VIDRO
BARRAS DE AÇO
TALUDE
TUBOS DE FIBRA
DE VIDRO

DO EMBOQUE

Figura 32.1

meio de martelete a ar comprimido. BARRAS DE AÇO TALUDE TUBOS DE FIBRA DE VIDRO DO

SEÇÃO A-A

32

2.

SISTEMAS DE ESCORAMENTO ASSOCIADOS AO CONCRETO PROJETADO

Conforme já foi mencionado, o concreto projetado é o elemento fundamental do NATM. Até que ele adquira a resistência necessária para suportar as cargas do maciço, é preciso contar com o tempo de auto-suporte do terreno e associa-lo a um ou mais sistemas de escoramento. Atualmente são empregados os seguintes sistemas:

2.1. Cambotas

As cambotas são arcos de perfis laminados ou treliças de vergalhões de aço. Dependendo da seção do túnel, as cambotas são fabricadas em segmentos e montadas no local de aplicação por meio de parafusos por motivo de facilidade de manuseio.

Como a finalidade das cambotas é suportar as cargas do terreno nas primeiras horas após a escavação, é muito importante que o espaço entre o seu extradorso e o terreno seja encunhado e/ou preenchido com concreto imediatamente após a sua colocação. Em seguida é feito o preenchimento do espaço entre cambotas.

Antes de posicionar a cambota é preciso cobrir a superfície escavada com uma camada de concreto projetado de 2 a 5 cm de espessura para estabilizar localmente o terreno, impedindo a queda de material, por menor que seja, e servir como recobrimento do aço da cambota.

A colocação da primeira cambota logo no inicio da escavação deve ser

extremamente cuidadosa, devendo ficar o seu plano perpendicularmente ao eixo do túnel. As cambotas seguintes ficarão paralelas à primeira graças aos espaçadores. Se as cambotas não ficarem em planos perpendiculares ao eixo

do túnel, elas sofrerão esforços de torção e deslocamento do pé, dificultando

a sua união ao segmento do rebaixo. Em casos extremos a torção poderá

ocasionar o colapso da cambota.

Quanto à comparação das cambotas em perfil de aço e treliça de vergalhões, esta leva a vantagem de ter menor peso e maior facilidade no preenchimento com concreto projetado reduzindo “sombras” e funcionando como concreto armado enquanto a de perfil funciona como estrutura mista. A mesa do perfil I dificulta o preenchimento do espaço com concreto projetado entre a mesma e o terreno.

33

Dependendo do tipo de material do maciço e da seção do túnel, o espaçamento entre cambotas varia de 0,60 a l,20 m. Espaçamentos menores são utilizados pontualmente para o caso de necessidade de reforços adicionais. Espaçamentos maiores são empregados quando se trata de rocha mais estável e algumas vezes apenas para servir de gabarito da geometria da seção.

CAMBOTAS 90º EIXO POSICIONAMENTO DAS CAMBOTAS CERTO ERRADO ESPAÇADOR ESPAÇADOR
CAMBOTAS
90º
EIXO
POSICIONAMENTO DAS CAMBOTAS
CERTO
ERRADO
ESPAÇADOR
ESPAÇADOR

CAMBOTA DE PERFIL

CAMBOTA DE TRELIÇA

BARRA AÇO CA-50 TIRANTE 0,15m 0,5 - 1,0m 2,0 - 5,0m
BARRA AÇO CA-50
TIRANTE
0,15m
0,5 - 1,0m
2,0 - 5,0m

CAMBOTAS MOLDADAS "IN SITU" COM BARRAS DE AÇO TIRANTES E CONCRETO PROJETADO COM FIBRAS DE AÇO

Figura 34.1

34

CONCRETO PROJETADO EVENTUAL VAZIO CAMBOTA DE PERFIL CAMBOTA TRELIÇADA
CONCRETO PROJETADO
EVENTUAL
VAZIO
CAMBOTA DE PERFIL
CAMBOTA TRELIÇADA
EMENDA COM FLANGES E PARAFUSOS CORTE A-A PLACA DE APOIO LEGENDA ~ CAMADA DE SELAGEM
EMENDA COM FLANGES
E PARAFUSOS
CORTE A-A
PLACA DE APOIO
LEGENDA
~
CAMADA DE SELAGEM e = 2 a 5cm
CAMBOTA DE PERFIL METÁLICO I
PREENCHIMENTO DO VAZIO ENTRE
A MESA DO PERFIL E O TERRENO
PREENCHIMENTO ENTRE CAMBOTAS
NA ESPESSURA ESPECIFICADA

Figura 35.1

35

2.2. Tirantes

Na escavação de túneis em rocha, pelo NATM, os tirantes são usados para a estabilização da camada do maciço circundante ao túnel escavado, desempenhando papel similar ao das cambotas metálicas. Os tirantes são em geral conjugados com tela metálica e concreto projetado.

Nos túneis em solo os tirantes com injeção de calda de cimento não são adequados devido ao grande tempo necessário para a cura do bulbo de injeção e seu posterior tensionamento. No entanto, existem tirantes especiais não tensionados para casos específicos de sustentação provisória até que seja feito o revestimento definitivo.

Os tirantes para rocha são de dois tipos:

Tirantes tensionados

Tirantes não tensionados

A ancoragem dos tirantes tensionados em sua extremidade pode ser feita por

meio mecânico (coquilha expansiva) ou por meio de resina de pega rápida.

Os tirantes não tensionados trabalham por atrito entre a haste do tirante e a rocha. Existem vários tipos. Num caso por exemplo, o atrito é obtido forçando um tirante fendilhado de diâmetro maior do que o diâmetro do furo. Um outro tipo de tirante não tensionado, usado há mais de 30 anos, é composto de duas meias-canas de chapa de aço perfurada, enchidas com argamassa plástica de cimento. O conjunto é introduzido no furo. O vergalhão, ao ser forçado dentro da argamassa, faz a mesma se expandir pelos furos da chapa, preenchendo completamente o furo na rocha e assim “soldando” os blocos. No caso de tirante expansivo, a sua dilatação dentro do furo da rocha é obtida por meio de injeção de água a alta pressão.

Nas páginas seguintes são mostrados os tirantes atualmente em uso no mercado.

O tipo de tirante e os espaçamentos entre eles são determinados em função

das características geológicas do maciço e do memorial de cálculo. Continua válida a recomendação de se aplicar uma camada de concreto projetado de 2 a 5 cm de espessura logo após a escavação e remoção dos chocos, antes de iniciar a perfuração para instalação dos tirantes.

36

A - TIRANTE ANCORADO MECANICAMENTE, TENSIONADO E INJETADO COM ARGAMASSA.

B - TIRANTE ANCORADO COM RESINA, TENSIONADO E INJETADO

C - TIRANTE DE HASTE ARGAMASSADA, ONDE A ARGAMASSA É COLOCADA EM DUAS MEIA-CANAS PERFURADAS

Figura 37.1

É COLOCADA EM DUAS MEIA-CANAS PERFURADAS Figura 37.1 FIG. A TUBO DE RETORNO DA ARGAMASSA ATADO
FIG. A TUBO DE RETORNO DA ARGAMASSA ATADO À HASTE DO TIRANTE VEDADOR DE BORRACHA
FIG. A
TUBO DE RETORNO DA ARGAMASSA
ATADO À HASTE DO TIRANTE
VEDADOR DE BORRACHA
COLOCADO NA BOCA
DO FURO
COQUILHA DE
ANCORAGEM
ARRUELA
ESFÉRICA
TUBO DE ENTRADA DA ARGAMASSA
PLACA DE FACE COM FUROS PARA OS
TUBOS DE INJEÇÃO
PORCA
ARRUELA ESFÉRICA
AUTO-CLAVANTE E PORCA
FIG. B
PLACA DE FACE
RESINA DE
PEGA RÁPIDA
RESINA DE
PEGA LENTA
RESINA MISTURADA COM ENDURECEDOR
PELA ROTAÇÃO DA BARRA DURANTE A INSERÇÃO
MEIA CANA PERFURADA
FIG. C
ARGAMASSA
A ARGAMASSA É
EXTRUDADA CONFORME O
TIRANTE É INTRODUZIDO

37

D - TIRANTE SWELLEX, DA ATLAS COPCO, NÃO TENSIONADO, EXPANDIDO POR MEIO DE ÁGUA E ALTA PRESSÃO

E - TIRANTE FENDILHADO, NÃO TENSIONADO, DA SIMMONS-RAND.

Figura 38.1

FIG. D TIRANTE PRENSADO INSERIDO DIÂMETRO 25-28mm NO FURO TIRANTE PRENSADO PLACA DE FACE TIRANTE
FIG. D
TIRANTE PRENSADO
INSERIDO
DIÂMETRO 25-28mm
NO FURO
TIRANTE
PRENSADO
PLACA DE FACE
TIRANTE
EXPANDIDO
TIRANTE EXPANDIDO
ANCORADO NO FURO
FURO 33-39mm
13mm
FIG. E
2,3mm
38mm
TUBO DENDILHADO FORÇADO
NO FURO DE 35mm
PLACA DE FACE

Além dos tirantes, são também usados chumbadores (“rock-bolts”), que são hastes curtas de colocação e atuação rápida, passivos.

Os tirantes são mais longos, atravessando a camada protetora.

38

2.3.

Malha de Aço

A malha de aço soldada é usada singelamente ou combinada com cambotas e tirantes, dependendo das condições geológicas do maciço.

Na utilização em conjunto com cambotas, a malha é colocada entre as almas dos perfis metálicos da cambotas ou fora das mesas externas, de modo que o preenchimento com concreto projetado entre cambotas é feito após a colocação da malha no primeiro caso; no segundo caso o preenchimento é feito antes da colocação da malha.

No caso de utilização com tirantes, inicialmente é projetada uma camada de 2 a 5 cm de concreto sobre a superfície escavada. Em seguida são instalados os tirantes e colocada a malha, fixada sobre o concreto por meio de pinos ou chumbadores.

TIRANTE 1ª ETAPA CAMADA DE SELAGEM 2 a 5cm PLACA TELA TELA COM TIRANTES 2
TIRANTE
1ª ETAPA
CAMADA DE
SELAGEM
2 a 5cm
PLACA
TELA
TELA COM TIRANTES
2 a 5cm
CAMADA DE
TELA
SELAGEM
1ª ETAPA
CAMBOTA
2ª ETAPA
5cm
TELA COM CAMBOTAS

Figura 39.1

39

2.4.

Fibras de Aço

Embora em uso há mais de 20 anos na Europa, as fibras de aço incorporadas ao concreto projetado foram recentemente introduzidas no Brasil substituindo a malha de aço. Conforme foi exposto no item anterior, logo que termina a escavação é necessário projetar uma camada de concreto de 2 a 5 cm para selar o terreno antes da colocação da malha de aço. Em seguida é feita a fixação da malha e concluída a projeção do concreto na espessura especificada em projeto. São portanto três ciclos operacionais, enquanto que no caso de se usar fibras de aço toda a operação é executada num único ciclo. Logo após a aplicação da camada de selagem, a camada final é executada sem interrupção.

Outra grande vantagem do concreto projetado com fibras de aço, principalmente em rochas, é o de permitir acompanhar as irregularidades da superfície escavada mantendo a espessura especificada em projeto.

A utilização de tela não permite o acompanhamento da superfície do terreno,

exigindo a aplicação de volumes de concreto consideralvelmente maiores, além de prejudicar a sua qualidade pelo efeito de “sombras” e vibração da tela.

CONCRETO PROJETADO MALHA DE AÇO COM FIBRAS ROCHA ROCHA SOMBRA
CONCRETO PROJETADO
MALHA DE AÇO
COM FIBRAS
ROCHA
ROCHA
SOMBRA

Figura 40.1

A ruptura do concreto simples é do tipo frágil, isto é, ruptura repentina após

uma deformação muito pequena. O concreto armado com malha apresenta um certo número de fissuras antes de romper, consumindo uma energia muito maior do que no caso do concreto simples. As fibras de aço conferem ao concreto uma grande dutilidade, consumindo uma energia de deformação ainda maior do que no caso do concreto armado com malha. As fissuras são muito menores e mais bem distribuídas.

maior do que no caso do concreto armado com malha. As fissuras são muito menores e

Figura 40.2

40

3.

SISTEMA DE ESCAVAÇÃO DE P-CORTE

O Pré-Corte é um tipo moderno de escoramento da escavação. O equipamento especial para a sua execução é uma espécie de moto-serra gigante para cortar rocha ou solo duro, que opera sobre um gabarito- cremalheira com o formato do túnel ou acoplada a um braço hidráulico.

A cada avanço é feito um corte periférico de 3m de comprimento e 10 cm de espessura na calota do túnel, preenchido com concreto projetado imediatamente após o corte, configurando uma casca.

As cascas consecutivas tem uma sobreposição de 50 cm, o que dá um comprimento útil de avanço de 2,50 m. À medida que a escavação avança, as cascas são escoradas com cambotas metálicas, quando necessário. No caso de terrenos suficientemente estáveis, as cambotas são dispensadas.

Este processo produz recalques muito pequenos da calota até atingir a estabilização, quando comparado com o NATM, chegando a ser até 5 vezes menor.

MOTO-SERRA MÁQUINA DE PRÉ-CORTE
MOTO-SERRA
MÁQUINA DE PRÉ-CORTE
a ser até 5 vezes menor. MOTO-SERRA MÁQUINA DE PRÉ-CORTE 1 - CASCA EM EXECUÇÃO 2

1 - CASCA EM EXECUÇÃO

2 - CASCA SEM CAMBOTA

3 - CASCA COM CAMBOTA

Figura 41.1

MÁQUINA DE PRÉ-CORTE 1 - CASCA EM EXECUÇÃO 2 - CASCA SEM CAMBOTA 3 - CASCA

Foto 41.1

41

4.

ESCAVAÇÃO

4.1. Execução dos Emboques

Outro ponto a ser definido em função da setorização do maciço é a definição dos emboques.

A primeira função do emboque é servir de arrimo, ou seja, a estrutura do

emboque deve ser tal que não interfira na estabilidade do maciço no local, sem antes de mais nada agir no sentido inverso , isto é, deve aumentar a segurança local.

Outra característica fundamental do emboque é a de interferir o mínimo possível com o meio ambiente. O emboque, de modo geral, deve também propiciar praça de trabalho adequada às instalações das utilidades necessárias, manejo e estocagem de materiais e manobra dos equipamentos. Alguns dos requisitos necessários aos emboques agem em sentidos opostos, como a mínima interferência com o meio ambiente e a praça de trabalho, que deve ser a mais ampla possível, dentro das condições econômicas. Deve-se, portanto, buscar um equilíbrio entre as múltiplas funções dos emboques.

Os

tipos mais comuns de emboques são:

Túnel Falso

Poço

Cortina Atirantada, Muro de Arrimo, Parede Diafragma

Corte

Combinação desses tipos.

O

projetista deve optar pela solução que melhor atenda às necessidades

locais, sem perder de vista as condições de execução do túnel propriamente

dito junto às estruturas dos emboques.

Em condições e situações de implantação normais, o túnel falso deve ter preferencia sobre as demais soluções, pois é a que agride menos o maciço, alem de proporcionar um arrimo adequado à estabilidade frontal do talude e que serve ao mesmo tempo de proteção efetiva das obras contra a queda de blocos e a ação das águas pluviais.

42

TERRENO NATURAL POÇO TÚNEL TÚNEL
TERRENO NATURAL
POÇO
TÚNEL
TÚNEL

O DIÂMETRO Ø DO POÇO É DEFINIDO EM FUNÇÃO DO EQUIPAMENTO QUE SERÁ INTRODUZIDO PARA EXECUÇÃO DO TÚNEL

TÚNEL TÚNEL AVANÇO AVANÇO
TÚNEL
TÚNEL
AVANÇO
AVANÇO

SEÇÃO A-A

EMBOQUE EM POÇO

Figura 43.1

43

TÚNEL TIRANTES PAREDE DE CORTINA DIAFRAGMA OU ESTACAS ESCAVADAS ATIRANTADAS AVANÇO
TÚNEL
TIRANTES
PAREDE DE CORTINA DIAFRAGMA
OU ESTACAS ESCAVADAS ATIRANTADAS
AVANÇO
PLANTA TERRENO NATURAL TÚNEL AVANÇO
PLANTA
TERRENO NATURAL
TÚNEL
AVANÇO

SEÇÃO A-A

EMBOQUE EM VALA ABERTA

Figura 44.1

44

TERRENO NATURAL TALUDE TERRAPLENADO TÚNEL AVANÇO TÚNEL FALSO EMBOQUE EM TÚNEL FALSO
TERRENO NATURAL
TALUDE
TERRAPLENADO
TÚNEL
AVANÇO
TÚNEL FALSO
EMBOQUE EM TÚNEL FALSO
TÚNEL AVANÇO TÚNEL FALSO EMBOQUE EM TÚNEL FALSO POÇO DE ACESSO TÚNEL FALSO DO EMBOQUE VALA

POÇO DE ACESSO

TÚNEL FALSO EMBOQUE EM TÚNEL FALSO POÇO DE ACESSO TÚNEL FALSO DO EMBOQUE VALA ABERTA EM

TÚNEL FALSO DO EMBOQUE

EM TÚNEL FALSO POÇO DE ACESSO TÚNEL FALSO DO EMBOQUE VALA ABERTA EM CORTINAS E ARRIMOS

VALA ABERTA EM CORTINAS E ARRIMOS

Figura 45.1

-

Foto 45.1, Foto 45.2, Foto 45.3

45

Os poços tem sido muito utilizados principalmente em obras urbanas onde os acessos horizontais são muitas vezes inviáveis por causa da maior extensão em topografia usual e densa ocupação em superfície.

As cortinas e arrimos são fundamentais para garantir acesso e praça de trabalho em situações de topografia difícil como no caso de estradas em regiões serranas. Algumas vezes são utilizados aterros iniciais para conformar uma geometria mais adequada e segura ao emboque e constituir a praça de trabalho.

A combinação destas soluções de emboque são também muito empregadas

como estruturas provisórias de arrimo e posterior execução de túnel falso, etc.

O projetista deve sempre colocar-se no lugar do executor e verificar as

dificuldades executivas e as conseqüências da solução para a região no entorno do emboque. Caso haja grandes dificuldades construtivas ou danos severos ao local deve-se optar por outra solução.

4.2. Escavação do Túnel

A escavação de cada ciclo de avanço deve ser feita sempre dentro do menor

tempo possível para evitar que o terreno se movimente antes da aplicação do concreto projetado de estabilização inicial e colocação do escoramento (cambotas/ telas/tirantes). Para isso a escavação deve se restringir inicialmente ao mínimo necessário para introdução do escoramento, mediante a abertura de um nicho. Na face de escavação costuma ser deixada uma cunha protuberante para garantir a estabilidade da face quando necessário. Mesmo em situações estáveis ela é útil por favorecer as condições de trabalho. Essa cunha é removida em etapas correspondentes ao avanço.

No caso de se prever a interrupção da obra por período prolongado toda a face escavada deve ser protegida com uma camada de concreto projetado de

no

mínimo 5 cm de espessura. No caso de terreno muito instável recomenda-

se

utilizar malha de aço ou fibras de aço incorporadas ao concreto.

46

NICHO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 CALOTA AVANÇOS REBAIXO
NICHO
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
CALOTA
AVANÇOS
REBAIXO
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 CALOTA AVANÇOS REBAIXO CUNHA DE SUPORTE
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 CALOTA AVANÇOS REBAIXO CUNHA DE SUPORTE

CUNHA DE SUPORTE DA FRENTE

Figura 47.1

NICHO CUNHA DE SUPORTE
NICHO
CUNHA DE
SUPORTE

SEÇÃO A-A

47

5.

CONCRETO PROJETADO

Conforme já foi mencionado, o concreto projetado é elemento fundamental

no NATM. Da sua aplicação correta depende grande parte do sucesso do

NATM. A qualidade do concreto projetado depende não só do seu traço, mas com maior preponderância do equipamento de lançamento e do operador (mangoteiro).

O concreto projetado é de dois tipos: Via Seca e Via Úmida

Na via seca os materiais componentes e a água são misturados na saída do bico ejetor. O aditivo acelerador de pega é adicionado à mistura seca quando em pó e à água quando líquido. Atualmente utiliza-se a via semi-úmida, que é a via seca onde a água é injetada no mangote a uma distancia de 3 a 5 m do bico ejetor.

Na via úmida o concreto já vem pronto da betoneira ou da central de concreto

para ser aplicado. Neste caso o aditivo acelerador de pega é líquido e misturado ao concreto na saída do bico ejetor.

5.1. Equipamento de Projeção

O conjunto de equipamentos da via seca compreende basicamente uma

máquina de projeção, um equipamento de produção da mistura seca (betoneira ou central), alimentadora, dosador de aditivo, bomba de água e compressor. Além desses equipamentos serão descritos alguns aspectos da pré-umidificação, do bico ejetor e do sistema de injeção de água, fundamentais para a otimização do processo.

Betoneira

As

betoneiras devem ter capacidade de produção compatível com a demanda

da

frente de serviço. No caso de grandes produções ou nas situações em que

se

deseja a simplificação do processo, podem ser utilizados caminhões-

betoneira. Neste caso devem ser tomados cuidados para se evitar a pré- hidratação do cimento, uma vez que os volumes produzidos são grandes e pode haver grande distância entre a usina e a obra.

48

Alimentadora Contínua

A utilização da alimentação contínua se justifica pela necessidade de se propiciar um fluxo constante da mistura seca, o que possibilita uma dosagem controlada do aditivo e da água, garantindo-se o seu teor e a umidificação uniforme da mistura. Além disso, se obtém uma maior produtividade com redução nas perdas de material.

Existem basicamente dois sistemas de alimentação contínua: um provido de esteira rolante e outro de rosca-sem-fim. Qualquer que seja o tipo de alimentadora, esta deve ter um reservatório com capacidade que garanta o fornecimento da mistura seca. Por outro lado a vazão de mistura seca na correia ou rosca-sem-fim deve ser no mínimo igual à produtividade dos equipamentos por ela servidos.

Caso o “lay-out” da obra possibilite, a alimentação direta à máquina de projeção pode ser feita através de dutos tipo “tromba de elefante”. Deve-se dar preferência a esta opção pela praticidade da mesma. Além disso, nessa situação, tem-se garantido o teor e homogeneidade da mistura do aditivo acelerador de pega em pó, uma vez que a sua dosagem pode ser feita diretamente na betoneira.

Dosador de Aditivo

constituído,

basicamente, de um silo metálico com capacidade mínima de l,5 sacos de aditivo. Este silo deve ser revestido internamente com papelão ou plástico de modo a evitar o contato das paredes com o pó do aditivo, reduzindo assim o processo de corrosão. Deverá ainda contar com um dispositivo dosador tipo rosca-sem-fim com velocidade controlada de modo a possibilitar a variação dos teores, e de um outro dispositivo que evite a aglutinação do material.

Aditivo

em

O

dosador

de

aditivo

em

deve

ser

Aditivo Líquido – O dosador de aditivo líquido consiste de uma bomba dotada de reservatório que envia o aditivo para a mangueira de água. A vazão do aditivo deve ser controlada por um registro e medida através de um medidor de vazão ou de um manômetro com curva de pressão versus vazão determinada para permitir a dosagem precisa do mesmo.

Um sistema alternativo é o que utiliza um reservatório de água com o aditivo diluído. Neste caso a mistura é bombeada e o teor é controlado por medidor de vazão ou manômetro e pelo consumo verificado diretamente no reservatório.

49

Deve-se ter o cuidado de ajustar a diluição em função da umidade dos agregados.

Qualquer que seja a solução adotada deve-se verificar constantemente se ocorrem variações no fluxo da mistura que sai do bico de projeção, o que pode ser ocasionado pela oclusão total ou parcial das câmaras do rotor da máquina de projeção.

Bomba de Água

Em processos usuais a bomba de água deve ser tal que forneça uma vazão na faixa de 5 a 20 litros/min à pressão de no mínimo 100 Kpa, superior à pressão de ar do mangote. Entretanto, para obter-se uma umidificação otimizada do fluxo de mistura seca que passa no mangote, é necessário que a água penetre nele de forma que nenhuma porção do material passe sem entrar em contato direto com a água. Para tanto, necessita-se de pressões da ordem de 1 a 3 MPa e sistemas especiais de injeção de água.

Máquina de Projeção

A função básica do equipamento é o bombeamento da mistura seca até o local de aplicação. No entanto, duas características são essenciais para que o bombeamento proporcione uma projeção otimizada. Primeiro deve-se garantir que o ar comprimido tenha vazão e pressão adequados, de modo a assegurar a compactação do material através de uma velocidade de projeção elevada. Segundo, o equipamento deve fornecer a mistura seca num fluxo constante, permitindo assim uma correta dosagem de água e aditivo líquido no mangote.

Manutenção

Deve-se proceder a um programa constante de manutenção da máquina de projeção, pois, caso contrario, aumenta-se o custo do processo e cai a qualidade do concreto. Isto se deve à maior dificuldade de descida do material para as câmaras do rotor e à grande liberação de poeira provocadas pelo vazamento de ar entre os discos de fricção e os discos de borracha. Esses vazamentos, aliados aos entupimentos dos respiros, produzem um borbulhamento característico da mistura seca na cuba da máquina de projeção, cujo produto é mais poeira e reflexão aliados à variação do fluxo do

50

material no mangote, tornando ainda mais insalubres as condições de trabalho dos operários.

A manutenção começa por uma inspeção e limpeza cuidadosa das peças após

a utilização da máquina. O equipamento deve ser engraxado, lubrificado e receber manutenção geral de acordo com as recomendações do programa fornecido pelo fabricante. Para garantia do serviço é recomendável que se tenha equipamento e peças de reserva na obra, o que evitará grandes interrupções do trabalho.

A relação das peças mais sujeitas a desgaste, e a vida útil estimada das

mesmas, devem ser obtidas do fabricante da máquina.

Compressor de Ar

O ar comprimido é um dos principais responsáveis pela garantia da velocidade de projeção através da regulagem de sua pressão e, principalmente, da sua vazão. Na Tabela seguinte estão indicadas as recomendações da vazão máxima de ar comprimido (volume de ar) em função do diâmetro do mangote para 700 Kpa de pressão, que devem ser atendidas pelo compressor.

Diâmetro

Capacidade

(mm) (pcm)

25

350

32

450

38

600

51

750

64

1000

Esses valores devem ser corrigidos de acordo com as especificações do fabricante

Sistema de Pré-Umidificação e Bicos

Deverá ser preferencialmente utilizado o sistema de pré-umidificação, mais conhecido como via semi-úmida, nas projeções de concreto via seca. O objetivo é a redução da poeira pelo aumento do tempo de contato, no mangote, entre a mistura seca e a água. Para tanto esta última deve entrar no mangote a 3m do bico, no mínimo. Cabe lembrar que para a otimização do processo como um todo, é importante que a entrada de água ocorra sob elevada pressão.

51

Para se evitar o problema de diminuição da área útil do mangote provocada pela incrustação de anéis de pasta de cimento e aditivo nas paredes do mesmo (problema agravado com o uso de aditivos líquidos à base de aluminatos e

micro-sílica) deve-se limitar a 5 m a distância entre a entrada da água e o bico

de projeção, como mostra a figura abaixo.

≤ ≤ ≥ ≤ ≤

Figura 52.1

Além disso, deve-se procurar eliminar todas as irregularidades neste percurso, particularmente comuns nas junções, que podem reter certa quantidade de material que, quando se desprende, produz um golpe no mangoteiro. Para que se minimize o efeito de incrustação e entupimento, é recomendável que a entrada de aditivo ocorra na água e nunca diretamente no mangote, de modo a diminuir a concentração no momento de entrar em contato com o cimento.

O bico deve ter uma forma tronco-cônica e apresentar uma redução de no

mínimo 1/5 e no máximo 1/4 do diâmetro do mangote e um comprimento não inferior a 40 cm, objetivando concentrar o jato de concreto para diminuir a reflexão e aumentar a compactação.

para diminuir a reflexão e aumentar a compactação. Figura 52.2 Até há alguns anos, os equipamentos

Figura 52.2

Até há alguns anos, os equipamentos de lançamento dos concretos via seca e úmida eram distintos. Atualmente a ALIVA, da Suíça, tem no mercado máquinas que operam com os dois tipos de concreto e com diversas capacidades de produção.

52

Os equipamentos próprios para via seca são de baixa produção, de 3 a 6 m3/h, enquanto os de via úmida vão de 8 a 20 m3/h. Porisso a projeção via seca pode ser feita manualmente, enquanto a via úmida sempre exige um robô.

Geralmente o concreto projetado de 1 ª fase, de preenchimento dos espaços entre cambotas, é de via seca, devido aos pequenos volumes e à sua maior resistência nas primeiras horas. O concreto por via úmida é utilizado para o revestimento final do túnel, onde os volumes são muito maiores e a resistência inicial não é tão importante.

5.2. Cuidados Na Projeção

A seguir é apresentado um resumo dos cuidados a serem tomados quando da realização do processo de projeção por via seca com máquina de projeção a rotor.

53

"ARANHA" PARAFUSO DE AJUSTE ENTRADA DE AR DISCO DE BORRACHA ROTOR DISCO DE BORRACHA ENTRADA
"ARANHA"
PARAFUSO DE AJUSTE
ENTRADA DE AR
DISCO DE BORRACHA
ROTOR
DISCO DE BORRACHA
ENTRADA DE AR
SAÍDA PARA O MANGOTE

CUBA DE ALIMENTAÇÃO

PARAFUSO DE AJUSTE

DE AR SAÍDA PARA O MANGOTE CUBA DE ALIMENTAÇÃO PARAFUSO DE AJUSTE Figura 54.1 e Foto
DE AR SAÍDA PARA O MANGOTE CUBA DE ALIMENTAÇÃO PARAFUSO DE AJUSTE Figura 54.1 e Foto
DE AR SAÍDA PARA O MANGOTE CUBA DE ALIMENTAÇÃO PARAFUSO DE AJUSTE Figura 54.1 e Foto

Figura 54.1 e Foto 54.1

EQUIPAMENTO VIA SECA

54

BOMBA DE PISTÃO 200 Ø 125 Ø BOMBA DE ROTOR CONCRETO AR COMPRIMIDO ADITIVO BICO
BOMBA DE PISTÃO 200 Ø 125 Ø BOMBA DE ROTOR CONCRETO AR COMPRIMIDO ADITIVO BICO

BOMBA DE PISTÃO

200 Ø 125 Ø
200 Ø
125 Ø

BOMBA DE ROTOR

CONCRETO AR COMPRIMIDO
CONCRETO
AR COMPRIMIDO

ADITIVO

BICO PROJETOR VIA ÚMIDA

BOMBA DE ROTOR CONCRETO AR COMPRIMIDO ADITIVO BICO PROJETOR VIA ÚMIDA Figura 55.1 e Foto 55.1

Figura 55.1 e Foto 55.1

EQUIPAMENTO VIA ÚMIDA

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1 - CUBA DE ALIMENTAÇÃO

2 - ROTOR

3 - FLUXO DE MATERIAL PARA A CÂMARA DE AR COMPRIMIDO

4 - QUEDA DO MATERIAL POR GRAVIDADE OU COM AUXÍLIO DE AR

5 - O TRAÇO OU MATERIAL A SER CONDUZIDO É INTRODUZIDO NO FLUXO DE AR

6 - O TRANSPORTE DO MATERIAL PELA TUBULAÇÃO É OBTIDO PELO MÉTODO DE CORRENTE DILUÍDA (SUSPENSÃO NO AR)

7 - COM O AUXÍLIO DO AR INTRODUZIDO EM 7, O MATERIAL CHEGA AO BICO DE PROJEÇÃO

O AUXÍLIO DO AR INTRODUZIDO EM 7, O MATERIAL CHEGA AO BICO DE PROJEÇÃO Figura 56.1
O AUXÍLIO DO AR INTRODUZIDO EM 7, O MATERIAL CHEGA AO BICO DE PROJEÇÃO Figura 56.1

Figura 56.1 e Foto 56.1

VIA SECA/VIA ÚMIDA

56

Verificação das Condições dos Equipamentos

Deverá ser efetuada vistoria prévia das condições de funcionamento e limpeza dos seguintes equipamentos:

Betoneira

Alimentadora

Dosador de aditivos e suas mangueiras

Bomba de água e suas mangueiras

Máquina de projeção, mangote e bico

Compressor de ar e sua mangueiras

Mangueiras

Todas as mangueiras, e principalmente o mangote, estão sujeitos a entupimentos e rupturas que podem originar sérios acidentes em obras. Para se evitar isso são recomendados os seguintes cuidados:

Usar mangueiras cuja capacidade seja igual ao dobro da carga de serviço.

Instalar correntes ou cabos de segurança nas junções do mangote.

Limpar cuidadosamente as mangueiras após a utilização, principalmente o trecho compreendido entre o bico e a entrada da água (pré-umidificação)

Desmontar o bico de entrada da água e aditivo e remover todo o material incrustado.

Confecção da Mistura Seca

Concreto Projetado Convencional

Para se obter melhores condições de homogeneidade da mistura seca recomenda-se a seguinte ordem de colocação dos materiais na betoneira:

1. agregado graúdo

2. agregado miúdo

mistura inicial (30 a 60 Seg.)

3. adição do cimento

mistura final (2,5 a 3 min)

Devem ser utilizadas betoneiras com pás com afastamento máximo do casco (parede da betoneira) de 5 cm. Isto visa evitar a intensa segregação da

57

mistura seca. As betoneiras de eixo horizontal são preferíveis em relação às de eixo inclinado; no caso de utilização destas, posiciona-las com o eixo o mais próximo possível da posição horizontal e, se possível, com tampas.

Concreto Projetado com Adição de Fibras

Neste caso a ordem de colocação dos materiais na betoneira é:

1. agregado graúdo

2. agregado miúdo

mistura inicial (30 a 60 seg)

3. adição gradual de fibras, com a betoneira em movimento, cuidando para

que não haja formação de “ouriços” (aglomerados de fibras)

4. adição de cimento com a betoneira parada

mistura final (22,5 a 3 seg)

A mistura por tempo inferior ao especificado implica em falta de homogeneidade do material, enquanto que a mistura por tempo superior desencadeia o processo de formação de aglomerados de fibras com formato esférico com diâmetro de cerca de 4 cm, semelhantes a ouriços, que levam ao desperdício de fibras e que podem obstruir o mangote durante a projeção. Cabe salientar que a ocorrência deste fenômeno depende muito do tipo de fibra.

Concreto Projetado com Adição de Micro-Sílica

A ordem de colocação recomendada dos materiais na betoneira é:

1. agregado graúdo

2. agregado miúdo

mistura inicial (30 a 60 Seg)

3. cimento

mistura (2,5 a 3 min)

4. adição da micro-sílica

vedação da boca da betoneira

mistura final (2,5 a 3 min)

58

5.3.

Técnica de Projeção

Projeção da Camada Inicial

Antes da projeção do concreto propriamente dita, é recomendável executar uma projeção preliminar de 2 a 5 cm de espessura para preparar um substrato mais adequado para a projeção da camada especificada, diminuindo-se assim o desplacamento, além de garantir a estabilidade da superfície escavada até a colocação das cambotas (ou telas ou tirantes). Outra vantagem dessa camada inicial é o seu comportamento de “lacre”, que denota pelo seu fissuramento qualquer movimento do terreno.

Projeção das Demais Camadas

Geralmente a espessura especificada de concreto projetado obtida através de várias camadas formadas pelo movimento constante do bico de projeção e pelas sucessivas “passadas” sobre a área que está sendo trabalhada. As espessuras máximas obtidas sem que ocorra o desplacamento são influenciadas pela adição de micro-sílica ou alterações no processo de projeção (como a substituição do aditiva acelerador de pega à base de carbonatos por aluminatos ou pelo aumento da velocidade de projeção).

Durante a operação de projeção deve-se procurar atingir a maior espessura possível, desde que não haja desplacamento, pelo fato de assim minimizar a reflexão, sempre maior no inicio, e diminuir o número de juntas e a laminação responsáveis pela perda de resistência do concreto. A espessura máxima pode ser determinada em testes feitos na ocasião da dosagem e confirmada durante o andamento da obra. Dessa forma pode-se determinar o número mínimo de camadas necessárias para o preenchimento da seção entre cambotas. De qualquer modo a espessura máxima das camadas deve ser limitada por aquela que evite desplacamentos.

A superfície da camada anterior, onde vai ser projetada a 2 ª camada, deve estar limpa, isenta de material refletido, de bolsões de areia e material segregado nas dispersões (“sombra”). Estalatites provenientes de infiltrações, bem como todo o material solto ou friável, devem ser removidos por meio de ar comprimido ou jato de água e/ ou areia.

Qualquer que seja a situação, o mangote deve ser esvaziado quando houver a interrupção da projeção, principalmente quando o ponto de aplicação estiver em posição mais elevada que a máquina.

59

Do mesmo modo, em serviço abaixo do nível da máquina, é aconselhável fazer uma volta em “O” no mangote, afim de evitar pulsações e melhorar o fluxo da mistura em suspensão.

Projeção Entre as Cambotas

Assim que o jato estiver ajustado, o mangoteiro deve começar a mover o bico rapidamente em toda a área de trabalho selecionada, distribuindo uma primeira camada de concreto. Em seguida prossegue-se à projeção do concreto começando sempre do pé da cambota para cima e das cambotas para o centro do vão, formando um recôncavo para minimizar o problema das dispersões (”sombras”). Em seguida executa-se o preenchimento da parte central, seguindo a seqüência mostrada na figura abaixo.

central, seguindo a seqüência mostrada na figura abaixo. CAMADA 1 CAMADA 2 CAMADA 3 TÉRMINO DA

CAMADA 1

CAMADA 1 CAMADA 2
CAMADA 1 CAMADA 2

CAMADA 2

seqüência mostrada na figura abaixo. CAMADA 1 CAMADA 2 CAMADA 3 TÉRMINO DA PROJEÇÃO SEQUÊNCIA DE

CAMADA 3

mostrada na figura abaixo. CAMADA 1 CAMADA 2 CAMADA 3 TÉRMINO DA PROJEÇÃO SEQUÊNCIA DE PREENCHIMENTO

TÉRMINO DA PROJEÇÃO

SEQUÊNCIA DE PREENCHIMENTO DE PLACAS OU DE VÃO ENTRE CAMBOTAS

Figura 60.1

60

PEQUENO MOVIMENTO CIRCULAR OPERAÇÃO DO BICO PROJETOR PARA PRODUZIR O MELHOR CONCRETO CERTO ERRADO REFLEXÃO
PEQUENO MOVIMENTO CIRCULAR
OPERAÇÃO DO BICO PROJETOR PARA PRODUZIR O MELHOR CONCRETO
CERTO
ERRADO
REFLEXÃO
MUITO ALTA
REFLEXÃO
REFLEXÃO
ALTA
BAIXA
ÂNGULO DE PROJEÇÃO DO CONCRETO

ÂNGULO DE PROJEÇÃO

Figura 61.1

Controle do Teor de Aditivo Acelerador

O controle do teor de aditivo acelerador de pega e endurecimento é fundamental para o concreto projetado. Caso seja utilizado um teor reduzido, abaixo do precisamente indicado, corre-se o risco de não serem atingidas as resistências iniciais do concreto projetado, com conseqüências graves para a estrutura (desplacamentos e até desmoronamentos). Caso seja utilizado teor excessivo, isto é, maior que o precisamente indicado, as resistências iniciais são prejudicadas (a supersaturação inibe as reações) e também as resistências finais aos 28 dias. Como o teor de aditivo é normalmente baixo (1 a 4% em relação à massa de cimento), o cuidado com o controle deve ser redobrado.

61

Cuidado na Moldagem das Placas

O cuidado na moldagem de placas destinadas ao controle de qualidade do concreto projetado deve ser o máximo, pois os resultados poderão ser contestados, principalmente quando não atendem aos valores especificados. Porisso as placas devem ser moldadas nas mesmas condições do revestimento do túnel, de modo a se garantir a sua representatividade. Os pontos principais onde normalmente ocorrem desacordos são:

Utilização de vazões menores de ar comprimido

Utilização de maior umidificação

Variação no teor de aditivo

Operação de Projeção

A tabela seguinte apresenta uma síntese das atividades a serem desenvolvidas durante a operação de projeção.

ATIVIDADES

OBSERVAÇÕES

Ordem de ligação dos Equi- pamentos:

1. ar comprimido

2. bomba de água

3. alimentadora

4. máquina de projeção

5. dosador de aditivos

Caso a máquina de projeção esteja com sua cuba cheia deve-se inverter os itens 3 e 4, obviamente. O item 5 só será efetuado no caso de aditivos líquidos, pois no caso de se utilizar aditivos em pó ele ocorre concomitantemente com o item 3.

Ajustes iniciais:

Avaliação visual realizada pelo mangoteiro e encarregado. Índices a serem obtidos com agulhas de Proctor: projeção na horizontal: 40 a 60; projeção no teto: 60 a 80. No caso de aditivos à base de aluminatos estes índices de- vem estar acima de 80. Ajustada a água, só poderá ser executada uma alteração quando ocorrer uma não conformi- dade nos Índices especificados acima.

vazão e pressão de ar

vazão e pressão de água

O

jato deve ser perpendicular

Resulta em menor reflexão e maior compacta- ção

ao

plano de aplicação

62

O bico deve ser afastado do

plano de aplicação de1 a l,5 m

Se os equipamentos não estiverem correta- mente ajustados:

muito próximo do alvo de projeção: tem-se grande reflexão e o mangoteiro terá dificul- dade de visualização do trabalho.

muito distante do alvo de projeção: tem-se grande

O bico deve operar com mo-

vimentos circulares

Proporciona melhor distribuição do concreto e maior homogeneidade.

Manutenção de fluxo constante

de material seco pelo mangote

Visa manter a umidade constante e evitar poeira, maior reflexão, desplacamentos, escor- rimentos, etc.

Constatação do entupimento

no mangote

na linha de água

na linha do aditivo líquido

no dosador do aditivo pó

Procedimento: - interromper o processo de projeção - identificar o ponto de entupimento iniciando a procura em pontos de estrangula- mento - utilizar - mangote de reserva se a lim- peza for demorada.

Ordem para término de Opera-

Em interrupção mais longa, desmontar e lim- par a máquina de projeção, utilizando vas- soura e ar comprimido.

ção

1.

desligar a alimentadora de material seco e dosadora de aditivo

2.

esvaziar o mangote

3.

desligar a água e o ar comprimido

Limpeza do mangote quando utilizada pré-umidificação

Limpar cuidadosamente o bico de projeção e o dispositivo pré-umidificador, desconectando o mangote, principalmente em concretos com micro-sílica e aditivos líquidos.

Reflexão

Um cuidado especial deve ser tomado com a reflexão pois ela tem papel importante no processo de projeção, onde pode representar perdas de mais de 50% do material no caso da via seca. No entanto, o material refletido não pode ser reaproveitado na projeção devido à sua contaminação no solo do túnel, à incerteza do traço e à hidratação adiantada do cimento.

63

Equipe de Projeção

A equipe de projeção deve ter a seguinte composição mínima:

1 encarregado de projeção

1 mangoteiro

1 auxiliar de mangoteiro

1 operador de betoneira

2 serventes

Esta equipe deverá passar por um processo de qualificação conforme exposto

no Item 5.5.

5.4. Características do Concreto

O concreto projetado por via seca não pode ser enquadrado como um

concreto plástico e portanto suas propriedades não dependem fundamentalmente do fator água/cimento. O parâmetro que o governa é a compacidade e a alta resistência nas primeiras horas.

O concreto projetado por via úmida, devido às exigências do processo de projeção, apresenta características muito semelhantes às dos concretos plásticos convencionais. Desta forma, o valor da relação água/cimento é de fundamental importância para a sua resistência e durabilidade.

Dosar um concreto projetado por via úmida, portanto, é buscar o atendimento dos requisitos básicos de projeto (resistência à compressão e índices de vazios permeáveis) a um custo mínimo sem, no entanto, esquecer as características exigidas pelo equipamento de projeção (consistência, curva granulométrica da mistura, compatíveis com os requisitos de bombeabilidade, etc.), bem como as do próprio processo (reflexão).

O concreto projetado via úmida difere basicamente do via seca quanto ao processo de produção, pelo fato de que o concreto que abastece a bomba projetora já possui toda a água de amassamento. A utilização de um aditivo acelerador de pega (na forma líquida) é praticamente imprescindível para garantir a sua fixação à estrutura, devido à consistência típica com que é produzido o concreto (abatimento do cone de Abrams de 8 a 14 cm para permitir o seu bombeamento).

Como resultado obtém-se um concreto projetado isento de poeira, com fator água/cimento totalmente controlado e, por conseguinte, uma resistência com baixa variabilidade (cv inferior a 13%). Uma característica também marcante

64

do processo é o baixo nível de reflexão, que se situa geralmente em valores muito abaixo dos obtidos no processo via seca.

Devido às características dos equipamentos normalmente utilizados na via úmida (bombas de grande capacidade de produção), o seu emprego é recomendado para obras com alta demanda de concreto e com grandes frentes de produção, tais como o revestimento final de túneis.

Esta alta produção exige também uma adequação de todos os equipamentos envolvidos no processo. O concreto normalmente é produzido em centrais e misturado e transportado por caminhões-betoneira. Sempre que possível deve-se optar pela instalação da central no próprio canteiro. Para a projeção são necessários braços mecânicos (robôs) para a operação do bico projetor.

Tanto o concreto via seca como o via úmida podem ter suas características básicas modificadas com a adição de micro-sílica ou fibras de aço para obtenção de melhor desempenho específico.

ou fibras de aço para obtenção de melhor desempenho específico. Braços Mecânicos (Robôs) Figura 65.1 65

Braços Mecânicos (Robôs)

Figura 65.1

65

5.5.

Treinamento da Equipe e Capacitação do Mangoteiro

Conforme já mencionado, a boa qualidade do concreto projetado não depende

só de uma boa dosagem e do equipamento, mas fundamentalmente de sua

correta aplicação pela equipe responsável pelo trabalho. Todo canteiro de obras deve ter um programa de treinamento do pessoal e capacitação do mangoteiro. Sugere-se o seguinte roteiro:

A

– DEFINIÇÕES

Definição da obra na qual o pessoal trabalha ou virá a trabalhar

Definição do objetivo da obra e do seu alcance, importância para a comunidade, etc.

Definição do objetivo das palestras: fornecer o conhecimento necessário para que o operário trabalhe com mais eficiência e com mais segurança, por meio de exemplos práticos que o sensibilizem.

B

– O CONCRETO PROJETADO

Características do material: é um material estrutural que depende fundamentalmente da qualidade da execução para atingir as características que lhe são exigidas, a saber:

endurecimento rápido

resistência alta a baixas idades

resistência adequada em altas idades

boa aderência ao substrato

baixa permeabilidade à água

mínima reflexão possível

Nota: Convém utilizar nestas explicações quadros esquemáticos com ênfase

em recursos audio-visuais.

C – DESCRIÇÃO DO PROCESSO

A descrição do processo deverá ser realizada ao lado do equipamento

instalado e deverão ser explicitados os seguintes aspectos:

Mistura dos materiais

Funcionamento e manutenção da máquina de projeção

Dosagem de água e aditivo

Recomendações sobre segurança

66

A abordagem destes itens deve abranger os seguintes tópicos:

Betoneira: ordem de colocação dos materiais e tempo de mistura

Funcionamento da máquina de projeção: entrada do material na cuba, agitador Preenchimento das cavidades do rotor, entrada do ar comprimido, transporte do material no mangote até o bico.

Necessidade de manutenção e limpeza contínua da máquina de projeção:

remoção do concreto para evitar incrustações, troca de peças sujeitas a desgaste como os discos de borracha, discos de fricção, “aranha”. bocal de saída, mangote e bico. Comentar o problema da poeira na máquina, que é proporcional ao desgaste dos discos de borracha por onde há o vazamento de ar. Estes vazamentos produzem jatos de pó e borbulhamento na cuba alimentadora, o que pode também ser provocado pelo fato de os parafusos e porcas de ajuste da cuba sobre o rotor estarem soltos ou mal ajustados.

Riscos de acidentes como barras que travam o rotor quando o operário encarregado da desagregação do material da cuba se descuida (é sempre preferível a utilização de vibradores e telas na entrada da cuba) ou mesmo quando tenta desobstruir respiros com as mãos quando a máquina está em funcionamento.

Procedimento de dosagem de água: evidenciar a necessidade de uma pressão de água adequada para proporcionar uma boa umidificação da mistura e, consequentemente, redução de poeira.

Procedimento de dosagem do aditivo em pó ou líquido: explicar as conseqüências de um procedimento inadequado na liberação de poeira e nas propriedades mecânicas do concreto projetado.

Riscos de acidentes que decorrem de um entupimento, que pode soltar as junções do mangote, normalmente emperradas ou mal fixadas devido às incrustações de concreto não removidas. Aconselhar a utilização de correntes nas junções.

Riscos que se originam de um concreto mal executado, com “sombras”, laminação, excesso ou escassez de água, etc. como desplacamentos, desmoronamentos, etc.

67

Dizer

ao operário que qualquer irregularidade encontrada deve ser

comunicada ao encarregado.

D

– INSTRUÇÃO DO MANGOTEIRO

Para a instrução do mangoteiro necessita-se de um operário de comprovada experiência, equipamento e equipe completa para executar projeções demonstrativas. Na demonstração, à qual todos poderão assistir, deverão ser exemplificados os seguintes tópicos:

Equipamentos de projeção: funcionamento e disposição

Equipe de projeção: funções individuais

Cuidados na projeção: procedimento para início de projeção, movimentação do bico, direcionamento do jato, seqüência de preenchimento de placa e vão entre cambotas, ajuste da projeção (unidade da mistura e ar comprimido), procedimento para o fim da projeção, procedimento em caso de variação do fluxo (entupimentos), procedimento de emergência quando há entupimento do mangote e indicação do ajuste do equipamento para projeções na parede e no teto.

E

– INSTRUÇÃO DO ENCARREGADO DE PROJEÇÃO

O encarregado de projeção deverá assistir às instruções para o mangoteiro, cujo serviço deverá ser fiscalizado em primeira instância por ele próprio. Em seguida ele deverá ser instruído sobre as disposições gerais do equipamento e quanto à forma de ajusta-lo para que se obtenha um concreto projetado obedecendo às especificações quanto à reflexão, compacidade e constância do aditivo acelerador de pega. Para tanto sua instrução deverá abordar os seguintes aspectos:

Verificação do funcionamento e do estado de manutenção da máquina de projeção, compressor de ar, betoneira, instalação elétrica, bomba de aditivo, bomba de água e alimentadora.

Certificação do fornecimento de ar comprimido na vazão e pressão necessárias.

Procedimento para ajuste da vazão de água para evitar poeira, no caso de escassez, ou desplacamento, no caso de excesso.

Verificação da pressão de água fornecida pela bomba.

68

Procedimento para ajuste da vazão de aditivo para fornecer o teor correto do mesmo no concreto projetado.

Procedimento para verificação da vazão fornecida pela alimentadora contínua.

F

– CONCLUSÃO

No final de cada instrução devem ser reforçados, resumidamente, os objetivos da mesma, os pontos importantes abordados e a maneira como serão verificados.

G – CAPACITAÇÃO DO MANGOTEIRO

G.1 Objetivo

Esta diretriz fixa os procedimentos para a qualificação de mangoteiro na aplicação do concreto projetado pelo Processo Via Seca.

G.2 Definições

Os termos técnicos utilizados nesta Diretriz estão definidos a seguir:

Candidato

Profissional em processo de qualificação para a função de mangoteiro.

Examinador

Pessoa ou grupo de pessoas responsável pela aplicação desta Diretriz e avaliação do candidato.

Placas de Teste Elementos padronizados que são utilizados como meio para permitir a avaliação da qualidade do produto obtido e da habilidade do candidato no processo de qualificação

G.3 Condições Gerais

a) A qualificação deve ser conduzida pelo examinador e constar de parte escrita ou oral e demonstração de perícia no campo.

69

Nota:

Devem estar disponíveis as últimas edições das normas sobre concreto Projetado para todos os envolvidos em qualquer etapa do programa de qualificação do mangoteiro.

G.4 Procedimento

a) Prova Escrita ou Oral

Devem ser formuladas no mínimo 20 questões, que podem ser obtidas da Tabela “Exemplos de Questões Sobre o Procedimento de Aplicação do Concreto Projetado” ou formuladas pelo examinador.

Para que o candidato seja considerado aprovado, as respostas corretas às questões selecionadas pelo examinador devem perfazer, no mínimo, 50% das questões.

b) Teste de Habilidade

Este teste consiste na moldagem de duas placas para cada candidato com um intervalo de tempo superior a 15 minutos entre ambas. Neste intervalo todo o equipamento de projeção deve ser desligado. O Mangoteiro deve ser instruído para que realize as duas moldagens nas mesmas condições. A moldagem das placas deve ser feita de acordo com a Norma NBR 13070 (anexa)

Para efeito do teste, não deve ser utilizado aditivo acelerador de pega e endurecimento. Uma mesma mistura não deve utilizada num tempo superior a 30 minutos.

No concreto recém-projetado devem ser determinados o fator água/materiais secos (H) e o índice de reflexão. De cada placa devem ser extraídos 6 testemunhos para inspeção visual e determinação do volume de vazios permeáveis. A fixação dos limites a serem obedecidos deve ficar a critério do próprio examinador, devendo ser externados ao Mangoteiro antes da realização do teste. Como sugestão, poderão ser adotados os valores constantes da Tabela abaixo:

70

PROPRIEDADE

Reflexão

Fator água/materiais secos (H)

Volume de vazios permeáveis

c) Avaliação Final

VALOR LIMITE

< 35% em projeção horizontal

máxima diferença entre duas placas: 1 %

máxima diferença entre duas placas: 2 %

A avaliação final do candidato é função de:

Atendimento aos requisitos estabelecidos nos itens G.4 a) e G.4 b)

Inspeção visual a ser efetuado pelo examinador nos testemunhos extraídos para verificação de possíveis ocorrências de oclusões de reflexão, laminação e vazios.

Por exemplo, nas figuras seguintes o mangoteiro da 1 a figura não teve o cuidado de fazer a projeção perpendicularmente à placa, fazendo com que a reflexão fique incorporada na parte superior. Ao se completar a camada final, nessa região haverá um concreto poroso, mais fraco.

Na 2 ª figura, com a projeção normal à placa, a reflexão fica mais bem distribuída, e o concreto será de melhor qualidade.

71

REGIÃO PREFERENCIAL DE OCLUSÃO DA REFLEXÃO SENTIDO PREFERENCIAL DE REFLEXÃO ERRADO
REGIÃO PREFERENCIAL DE
OCLUSÃO DA REFLEXÃO
SENTIDO PREFERENCIAL DE
REFLEXÃO
ERRADO
REFLEXÃO DISTRIBUÍDA CERTO Figura 72.1
REFLEXÃO
DISTRIBUÍDA
CERTO
Figura 72.1

72

EXEMPLOS DE QUESTÕES SOBRE O PROCEDIMENTO DE APLICAÇÃO DO CONCRETO PROJETADO

As questões seguintes podem ser usadas no exame escrito para a qualificação do mangoteiro. A resposta correta está assinalada com X; ao usar este questionário, o examinador deve recopia-lo, adicionando quaisquer outras questões desejadas.

QUESTÃO

Certo

Errado

1. A mistura projetada, constituída de cimento, agregado miúdo e água é conhecida também como argamassa projetada

X

2. Materiais soltos devem ser removidos antes da aplicação de uma outra camada de concreto projetado

X

3. O concreto projetado via seca pode ser aplicado numa superfície sobre a cabeça.

X

4. O material refletido durante a aplicação não deve ser reaproveitado

X

5. Aditivos aceleradores podem ser usados no concreto projetado

X

6. A cura do concreto projetado não é necessária X

7. Fibras podem ser adicionadas ao concreto projetado X

8. As seguintes superfícies de projeção devem estar úmidas, mas sem excesso de água superficial, antes da aplicação do concreto projetado:

solo

X

concreto

X

alvenaria (tijolo)

 

X

O

9. concreto

projetado

pode

ser

aplicado

sobre

as

seguintes superfícies:

 

solo, rocha, alvenaria (tijolo)

 

X

concreto, aço

 

X

madeira

 

X

10. Mudando o teor de umidade da mistura deve-se corrigir a água do bico de projeção

X

73

QUESTÃO

Certo

Errado

11. Entupimentos no processo via seca podem ser causados por:

mistura excessivamente úmida

 

X

cimento empedrado

 

X

excesso de água no bico

 

falta de limpeza do equipamento de projeção

 

X

redução abrupta de seção

 

X

compressor de pequena capacidade

 

X

12. Já que a água é adicionada no bico, é sempre aceitável pré-misturar os agregados e o cimento muito antes de usa-los no processo de projeção por via seca

13. Não se deve interromper a projeção em dias de muito vento pois o mesmo não produz danos

14. Quanto mais umedecido estiver o concreto projetado, menor será o risco de desplacamento

15. Quanto mais umedecido estiver o concreto projetado, menor será a sua reflexão

X

16. Quanto mais seco estiver o concreto projetado, maior será a sua resistência

17. Os aditivos não exigem um controle rigoroso do seu teor

18. Para projetar sobre a armadura o mangoteiro deve:

 

aproximar o bico da armadura

 

X

reduzir a quantidade de água que entra no bico

 

X

manter a face da barra limpa de modo que se possa ver o aço até ser recoberto

X

19. As lâminas de areia são causadas por:

 

falta de cura do concreto fresco

mistura inadequada dos materiais vindos do bico de projeção

X

projetar inicialmente nos cantos

 

20. Um

revestimento

de

l6

cm

de

espessura

pode

ser

X

X

X

X

X

X

X

X

X

executado partindo de baixo para cima, numa única

camada

74

QUESTÃO

Certo

Errado

21. Camadas de concreto projetado podem ser aplicadas sobre as outras, desde que adequadamente tratadas

X

22. Se a armadura de aço é deslocada por não ter sido adequadamente fixada, a projeção deve ser paralisada

X

23. Os deveres do mangoteiro incluem a verificação da limpeza da superfície de projeção

X

24. Os deveres do mangoteiro incluem orientar o auxiliar de mangoteiro para remover o acúmulo de reflexão

X

25 Ao projetar o concreto, o controle da distância e ângulo de aplicação são importantes para obtenção de um concreto homogêneo

X

26. Quando se projeta num piso, o bico deve ser apontado na direção perpendicular à superfície

X

27. Em túnel a aplicação do concreto projetado deve começar pelo teto e seguir para baixo

X

28. É considerada uma boa técnica reutilizar o material refletido nos traços subsequentes

X

29. Aditivo acelerador de pega pode ser usado para:

aumentar a resistência inicial do concreto projetado

X

reduzir a quantidade de reflexão

X

30. O bico de projeção deve ser apontado sempre perpendicularmente à superfície de projeção

X

31. Cantos e rebaixos devem ser projetados antes das demais áreas

X

32. Em túneis é obrigatória a utilização de máscaras, luvas e demais equipamentos de proteção individual por toda a equipe de projeção

X

33. A projeção do concreto via seca com baixa umidificação não traz prejuízos para a suas propriedades

X

75

QUESTÃO

Certo

Errado

34. Concreto projetado com umidade elevada produz:

baixa reflexão

 

X

queda na resistência

 

X

redução de poeira

X

redução do risco de desplacamento

 

X

35. A

utilização

de

pressão

de

ar

elevada

pode

causar

X

problemas no concreto projetado

76

77

77

e) pressões de ar e de água;

f) comprimento e diâmetro dos mangotes;

g) tipo do bico de projeção;

h) temperatura ambiente;

i) distância do bico de projeção à placa.

3.6 Projeção e cura

Para evitar a perda d'água, a placa deve ser mantida envolvida por material impermeável por 24 h; após este período a placa deve permanecer em câmara úmida ou sob saturação de água em cal.

em câmara úmida ou sob saturação de água em cal. PLANTA ONDE: = 60º ± 5º

PLANTA

em câmara úmida ou sob saturação de água em cal. PLANTA ONDE: = 60º ± 5º
em câmara úmida ou sob saturação de água em cal. PLANTA ONDE: = 60º ± 5º
em câmara úmida ou sob saturação de água em cal. PLANTA ONDE: = 60º ± 5º
em câmara úmida ou sob saturação de água em cal. PLANTA ONDE: = 60º ± 5º
ONDE: = 60º ± 5º = (40 ± 2) cm = (16 ± 1) cm
ONDE:
= 60º ± 5º
= (40 ± 2) cm
= (16 ± 1) cm
PLANTA ONDE: = 60º ± 5º = (40 ± 2) cm = (16 ± 1) cm
CORTE A-A
CORTE A-A

FIGURA 1 - FORMAS DE PROJEÇÃO

FORMA

ANTEPARO RÍGIDO
ANTEPARO
RÍGIDO
BICO DE PROJEÇÃO MANGOTE
BICO DE PROJEÇÃO
MANGOTE
FORMA ANTEPARO RÍGIDO BICO DE PROJEÇÃO MANGOTE = 1,00 a 1,50m FIGURA 2 - POSICIONAMENTO DA

= 1,00 a 1,50m

FIGURA 2 - POSICIONAMENTO DA FORMA PARA PROJEÇÃO

78

R1
R1

6.

ARCO INVERTIDO

que

regem o NATM. A forma aproximadamente circular da casca do túnel é que permite a melhor distribuição das tensões do maciço sobre o revestimento.

O fechamento do arco invertido é um dos princípios mais importantes

A especificação do projeto e A.T.O. (Acompanhamento Técnico de Obra)

devidamente apoiados em memorial de cálculo sobre o número máximo de avanços permissível sem fechamento do arco invertido deve ser obedecida rigorosamente. Uma aparente melhoria do terreno leva a uma tendência de se postergar o fechamento do arco, objetivando um aumento da produção. Essa atitude tem quase sempre produzido conseqüências desastrosas.

ARCO INVERTIDO EXECUTADO Nº DE AVANÇOS PERMITIDO SEM O ARCO INVERTIDO
ARCO INVERTIDO
EXECUTADO
Nº DE AVANÇOS
PERMITIDO SEM
O ARCO INVERTIDO

Figura 79.1

Pode-se visualizar o efeito estabilizador do arco invertido por meio de um tubo de PVC de l00 mm de diâmetro e cerca de 30 cm de comprimento. Num lado do tubo corta-se um segmento de arco. Ao se comprimir com uma das mãos as duas partes do tubo, verifica-se que a parte cortada deforma-se com uma pequena pressão, enquanto a parte com o “arco invertido” fechado é muito pouco deformavel mesmo com grande pressão da mão.

O túnel com o arco invertido fechado tem também maior rigidez no sentido

longitudinal.

300mm
300mm

TUBO DE PVC

Figura 79.2

100mm

79

arco invertido fechado tem também maior rigidez no sentido longitudinal. 300mm TUBO DE PVC Figura 79.2

CORTE A-A

7.

REBAIXO

A escavação do rebaixo é a etapa mais delicada da escavação do túnel. A

seção da calota, que estava estabilizada pelo arco invertido provisório, passa

a ser vulnerável a esforços não equilibrados. Há sempre o risco de

descalçamento dos pés das cambotas, e consequentemente o afrouxamento do maciço nessa área, quando a escavação do rebaixo e do arco invertido definitivo são atacados em trechos muito longos. Neste caso a calota passa a atuar como uma viga em balanço, sofrendo o processo de aduelamento, pois não está dimensionada para esse tipo de esforço.

No caso de túneis de grande seção em maciços rochosos é possível escavar o rebaixo em duas etapas: na primeira é escavada a parte central até o fundo do arco invertido definitivo em toda a extensão do túnel, deixando duas faixas laterais para sustentação dos pés das cambotas. Na segunda etapa é feita a escavação das faixas laterais em pequenos avanços, completando a concretagem do arco invertido definitivo.

Em maciços muito instáveis adota-se uma medida preventiva adicional instalando tirantes ativos (por exemplo tirantes de resina) para fixação dos pés das cambotas antes da escavação das faixas laterais.

CONCRETO PROJETADO E CAMBOTA CALOTA TIRANTE TIRANTE REBAIXO 1 2 ETAPAS DE ESCAVAÇÃO DO REBAIXO
CONCRETO PROJETADO
E CAMBOTA
CALOTA
TIRANTE
TIRANTE
REBAIXO
1
2
ETAPAS DE ESCAVAÇÃO
DO REBAIXO

Figura 80.1

80

III.

ACOMPANHAMENTO E CONTROLE DA EXECUÇÃO

1. MEDIDAS DE ATENDIMENTO ÀS FRENTES DE SERVIÇO

Durante o desenvolvimento das escavações subterrâneas o imponderável sempre estará latente, mesmo que os melhores cuidados de investigação, projeto, fiscalização e construção sejam adotados. É impossível conhecer-se todas as variáveis e particularidades do maciço, ao longo do traçado da obra, bem como antever-se em quais circunstâncias ocorrerão falhas humanas, de equipamentos, materiais ou suprimentos. Assim é dever de todos os envolvidos na implantação da obra reduzir ao mínimo possível os incidentes, de qualquer natureza.

A maioria dos fenômenos de instabilidade ou deformações excessivas geralmente são causados pela somatória de vários fatores, que atuando simultaneamente levam à consumação do evento.

Como já foi mencionado estes imponderáveis poderão ocorrer a qualquer instante, e deve-se atuar o mais rápido possível para reduzir-se a magnitude dos problemas. Existirá sempre a necessidade de interpretar suas causas, e em que condições as mesmas ocorreram, de forma a compor uma memória da obra e servir como base para decisões futuras em situações semelhantes.

1.1 Medidas Preventivas e Corretivas de Menor Porte

As medidas preventivas geralmente estão mais voltadas aos fenômenos de instabilidade que aos de deformabilidade, uma vez que a instabilidade é geralmente um fenômeno contemporâneo com o avanço da escavação, enquanto o da deformabilidade está ligado ao funcionamento dos suportes já instalados, e tem retardos no desenvolvimento.

Normalmente os problemas potenciais de deformabilidade ou já foram detectados em projeto, através das investigações geotécnicas, e foram tomadas as medidas prévias na fase do projeto, ou então são verificadas após a instalação do revestimento.

Deformações excessivas (em relação ao esperado no projeto ou observadas através de monitoramento do maciço ante a chegada da escavação) geralmente estão ligadas a problemas potenciais de estabilidade.

Estas medidas serão utilizadas quando forem observados sintomas que indiquem início de processos que possam levar a instabilidades ou mesmo

81

maior

consequência.

Estes indícios podem ser de natureza hidráulica ou mecânica. As ocorrências hidráulicas que devem ser observadas embora já tardias, e o mais pronto possível são fluxos d’água que tendem a carrear material. Por outro lado, as ocorrências mecânicas são aquelas resultantes de baixa resistência do maciço face aos esforços induzidos pelas escavações (instabilidades) que passam por sintomas de tempos de auto-sustentação incompatíveis com o tempo do ciclo escavação-estabilização, tempos estes tanto menores quanto menor o coeficiente de segurança, devendo-se pois observar o inicio de pequenas instabilidades mecânicas tais como queda de material de frente e núcleo frontal ou inicio de queda (de forma sistemática) de pequenas porções do teto quando o mesmo for composto de areias; que possam evoluir para instabilidade de maior porte (instabilidade progressiva).

pequenas

instabilidades

que

possam

evoluir

para

problemas

de

Problemas de deformabilidade excessiva do maciço, em parte inferíveis através de tassômetros localizados à frente das escavações indicam um potencial risco de instabilidade geral da frente e teto. (ver deformações excessivas)

Como medidas preventivas e corretivas temos:

Drenagens

Contenção de Pequenas Instabilidades

Pregagem da Frente com Vergalhões de Aço ou Hastes de Fibra de Vidro

Contenção de Regiões de Contorno

Instabilidade Devido à Ação d’água

Drenagens

Drenagem por ponteiras e drenos sub-verticais como medida auxiliar de drenagem poderão ser utilizadas ponteiras filtrantes (“well points”) e drenos sub-horizontais (com ou sem vácuo).

Estas drenagens serão implementadas sempre que necessário durante a execução do túnel piloto, “side drifts” e outras obras de parcialização ou da seção final dos tuneis, e deverão ocorrer preferencialmente nas regiões de contacto entre materiais com diferenças acentuadas de permeabilidade.

82

MANGOTES FLEXÍVEIS TUBULAÇÕES COLETORAS A VÁCUO PONTEIRAS PONTEIRAS FILTRANTES FILTRANTES CONTATO AREIA x
MANGOTES FLEXÍVEIS
TUBULAÇÕES COLETORAS
A VÁCUO
PONTEIRAS
PONTEIRAS
FILTRANTES
FILTRANTES
CONTATO AREIA x ARGILA
ESQUEMA DE DRENAGEM AUXILIAR COM PONTEIRAS A VÁCUO
DRENO SUB DRENO SUB HORIZONTAL HORIZONTAL CONTATO AREIA x ARGILA TUBULAÇÕES COLETORAS COM OU SEM
DRENO SUB
DRENO SUB
HORIZONTAL
HORIZONTAL
CONTATO AREIA x ARGILA
TUBULAÇÕES COLETORAS
COM OU SEM VÁCUO
ESQUEMA DE DRENAGEM AUXILIAR COM DRENOS
SUB HORIZONTAIS COM OU SEM VÁCUO

Figura 83.1

83

Contenção de Pequenas Instabilidades

Pregagem da Frente com Vergalhões de Aço ou Fibra de Vidro

Os vergalhões poderão ser cravados ou instalados em perfurações com preenchimento de argamassa. As barras de fibra de vidro deverão ser instaladas em furos com preenchimento de argamassa.

Este recurso deve ser utilizado quando existe queda de blocos ou instabilidades frontais localizadas e tem a finalidade de imobilizar ou reduzir os volumes envolvidos.

Os comprimentos de cravação deverão ser os maiores possíveis e serem repetidos quando o avanço da frente atingir cerca de 2 passos de avanço (1,50 a 2,0m).

Contenção de Regiões do Contorno

No caso de pequenas instabilidades junto ao contorno das escavações pode-se utilizar vergalhões ou barras de fibra de vidro instaladas em furos.

Neste caso o espaçamento entre barras (ou vergalhões) deve ser pequeno (10 a 15cm, eixo a eixo) e ter comprimento (geralmente da ordem de 2,5m) que possa “cortar” o fenômeno evitando sua ação progressiva (no caso de areias).

Este processo tem o inconveniente de posteriormente servir de condutor d’água para dentro da cavidade, quando da subida do lençol d’água.

Outra forma de instabilidade do contorno são pequenos arriamentos de material (geralmente arenoso com ou sem fluxo d’água) localizados na região dos “rins” ou abóboda.

Neste caso utilizar tela metálica grampeada no maciço e preencher a cavidade com concreto projetado, deixando ou não tubos de alívio de pressões d’água e drenagem. É importante ressaltar que vazões de drenagem não consistem o indicador único consequente pois vazões dependem da pressão e da permeabilidade, enquanto que a instabilização potencial depende pré-eminentemente da pressão podendo atingir nível desfavorável ou perigoso mesmo que não apareçam significativas vazões.

84

VERGALHÕES

1,50 a 2,00m L SUPERFÍCIE TÍPICA DE INSTABILIZAÇÃO
1,50 a 2,00m
L
SUPERFÍCIE TÍPICA
DE INSTABILIZAÇÃO

SEÇÃO LONGITUDINAL

L DEVE TER O MÁXIMO COMPRIMENTO POSSÍVEL (EM GERAL 8,00 a 9,00m) DEVE EM PRINCÍPIO, SER ORIENTADO PARA BEM ATRAVESSAR O MACIÇO INSTÁVEL VISUALIZADO; EMBORA TECNICAMENTE OS COMPRIMENTOS NA PARTE SUPERIOR DEVAM SER MAIORES DO QUE NA PARTE INFERIOR, POR FACILIDADE CONSTRUTIVA USAM-SE COMPRIMENTOS IGUAIS. OS VERGALHÕES PODERÃO SER SUBSTITUÍDOS POR HASTES DE FIBRA DE VIDRO; O ESPAÇAMENTO ENTRE OS VERGALHÕES (HASTES) DEVERÁ SER AJUSTADO AOS MATERIAIS DO MACIÇO (GERALMENTE = 1,5m).

VERGALHÕES (HASTES) DEVERÁ SER AJUSTADO AOS MATERIAIS DO MACIÇO (GERALMENTE = 1,5m). SEÇÃO TRANSVERSAL Figura 85.1

SEÇÃO TRANSVERSAL

VERGALHÕES (HASTES) DEVERÁ SER AJUSTADO AOS MATERIAIS DO MACIÇO (GERALMENTE = 1,5m). SEÇÃO TRANSVERSAL Figura 85.1

Figura 85.1

85

VERGALHÕES Ø 25mm COM COMPRIMENTO CRAVADO > 2P P = PASSO DE AVANÇO SEÇÃO LONGITUDINAL
VERGALHÕES Ø 25mm COM COMPRIMENTO CRAVADO > 2P P = PASSO DE AVANÇO SEÇÃO LONGITUDINAL

VERGALHÕES Ø 25mm COM COMPRIMENTO CRAVADO > 2P P = PASSO DE AVANÇO

SEÇÃO LONGITUDINAL

REGIÕES INSTÁVEIS (QUEDAS LOCALIZADAS)

0,12 a 0,15
0,12 a 0,15

SEÇÃO TRANSVERSAL

DE AVANÇO SEÇÃO LONGITUDINAL REGIÕES INSTÁVEIS (QUEDAS LOCALIZADAS) 0,12 a 0,15 SEÇÃO TRANSVERSAL Figura 86.1 86

Figura 86.1

86

GRAMPOS PARA FIXAR A TELA TELA METÁLICA (FINA E FLEXÍVEL) TRECHO DE TRANSPASSE PARA ANCORAGEM
GRAMPOS PARA FIXAR A TELA
TELA METÁLICA (FINA E FLEXÍVEL)
TRECHO DE TRANSPASSE PARA
ANCORAGEM DA TELA
BARRAS DE AÇO PARA AJUDAR A
SEGURAR O PROJETADO
TELA DE FECHAMENTO
ESPAÇOS VAZIOS OU PEDAÇOS DE
MANTA GEOTEXTIL ("BIDIM")
PARA AJUDAR NA DRENAGEM DE ÁGUA
PREENCHIMENTO COM
TUBO DE DRENAGEM (PVC PERFURADO + "BIDIM")
CONCRETO PROJETADO
CONCRETO PROJETADO

ESQUEMA DE RECUPERAÇÃO DE INSTABILIDADES LOCALIZADAS

Figura 87.1

Instabilidades Devidas à Ação D’Água

Apesar de drenado o maciço pode apresentar regiões ou “bolsões” não convenientemente drenados que podem provocar carreamento de material, por concentrações localizadas de pressões de percolação junto à saída (nascente).

Este fenômeno deve ser imediatamente contido por ser geralmente progressivo. Assim, quando forem notados estes carreamentos, deve-se utilizar o seguinte procedimento:

Preencher a cavidade com sacos de areia. Os sacos devem ser de fibras plásticas trançadas ou sacos de aniagem ou juta, de maneira a serem permeáveis e conterem apenas 30 a 40% de seu volume preenchido de areia, de forma ser de fácil manuseio e com capacidade de ajustar-se às irregularidades.

Durante o preenchimento da cavidade com esta “alvenaria” de sacos rejuntados com areia grossa, deixar tubos perfurados envoltos em manta de geotêxtil permeável (tipo “bidim” ou equivalente), para drenagem “filtrada” da água emergente. Nunca vedar (impedir a saída da água) sem prover os filtro-drenos adequados.

Estes procedimentos são mostrados na figura a seguir:

87

SEÇÃO TRANSVERSAL SEÇÃO LONGITUDINAL QUEDA E CARREAMENTO DE MATERIAL POR AÇÃO D'ÁGUA COMPLEMENTO COM
SEÇÃO TRANSVERSAL
SEÇÃO LONGITUDINAL
QUEDA E CARREAMENTO DE
MATERIAL POR AÇÃO D'ÁGUA
COMPLEMENTO COM
CONCRETO PROJETADO
LINHA DE CONTORNO
REJUNTAMENTO
COMPLEMENTO COM
COM AREIA
CONCRETO PROJETADO
FECHAMENTO COM
CONCRETO PROJETADO
REJUNTAMENTO
COM AREIA
TUBOS PERFURADOS ENVOLTOS
EM GEOTEXTIL DE FILTRO
TUBOS PERFURADOS ENVOLTOS
EM GEOTEXTIL DE FILTRO
SUPERFÍCIE ERODIDA

ESQUEMA DE CONTENÇÃO E RECUPERAÇÃO DE INSTABILIDADE HIDRÁULICA COM QUEDA E CARREAMENTO DE MATERIAIS

Figura 88.1

1.2. Medidas de Contenção e Recuperação Significativas

Em obras subterrâneas, apesar de todos os cuidados executivos, de projeto e fiscalização não é raro surgirem situações onde ocorram instabilidades maiores que requeiram intervenções mais enérgicas.

É importante ressaltar que regiões onde ocorram sistemáticamente pequenas instabilidades ao longo da penetração é maior a probabilidade de instabilidade de maior porte, sendo portanto na grande maioria das vezes preferível preveni-las do que corrigi-las.

Os dispositivos de prevenção empregados nestes casos são: enfilagens tubulares longas, injetadas; colunas sub-horizontais de solo-cimento, drenagens, etc.

88

89

ÚLTIMA INJEÇÃO FEITA COM CALDA DE CIMENTO (SOB PRESSÃO) TUBOS PARA PREENCHIMENTO E RESPIRO 2ª
ÚLTIMA INJEÇÃO FEITA COM CALDA
DE CIMENTO (SOB PRESSÃO)
TUBOS PARA PREENCHIMENTO
E RESPIRO
2ª ETAPA DE PREENCHIMENTO
PROTEÇÃO COM CONCRETO
PROJETADO E TELA METÁLICA
1ª ETAPA DE PREENCHIMENTO
PREENCHIMENTO COM CALDA DE SOLO
CIMENTO (OU BENTONITA CIMENTO)
PROTEÇÃO COM CONCRETO
PROJETADO E TELA METÁLICA
REATERRO PARA CONTENÇÃO
DA FRENTE E CONFORMAÇÃO
DE PLATAFORMA DE TRABALHO
(BOA PARTE DESTA SERÁ PROVENIENTE
DO MATERIAL CAÍDO)
SEÇÃO TRANSVERSAL
Figura 89.1

SEÇÃO LONGITUDINAL

ESQUEMA DE RECUPERAÇÃO DE INSTABILIDADE DE MAIOR PORTE ("CAPELAS")

Estes mesmos dispositivos são utilizados na recuperação de trechos maiores já rompidos.

A figura apresentada a seguir mostra o esquema de recuperação de uma

instabilidade de maior porte.

O preenchimento da cavidade deve ser completo para evitar-se ainda mais

alívio do maciço ao redor da cavidade. É recomendável que após a saída de calda pelo respiro o mesmo seja tamponado e uma última fase de injeção seja feita sob pressão com o objetivo de recomprimir parcialmente o material já afrouxado.

O preenchimento poderá ser feito com concreto magro bem plástico ou

argamassa fraca de areia-cimento e aditivos plastificantes, sendo a última etapa de injeção executada com calda de cimento.

Quando o preenchimento for executado com concreto ou argamassa é recomendável que o mesmo seja executado em duas etapas; a 2 ª etapa deverá ser executada após a 1 ª já ter atingido resistência suficiente para suportar a 2 ª etapa, servindo assim de apoio à mesma.

Esta sistemática é necessária em muitos locais onde a instabilidade deixa vazio atrás dos suportes (cambotas + concreto projetado) já instalados e uma sobrecarga devido ao preenchimento do vazio pode deformar em excesso ou mesmo romper os suportes existentes.

Recuperação das Condições de Avanço

Para recuperar-se as condições de avanço em segurança é necessário conferir estabilidade do contorno através de pré-suporte e conferir ao maciço rompido melhores propriedades mecânicas, o que restringirá deformações excessivas.

No esquema a seguir é ilustrada a maneira de obter-se a retomada das escavações de forma segura.

O pré-suporte deverá ir além da zona de material afrouxado pela queda de material tanto no sentido longitudinal como no transversal. Desta forma este pré suporte deverá ser longo, geralmente com comprimento de 12,00m a 15,00m ou mesmo mais longo.

90

Figura 91.1

91

VOLUME AFROUXADO CONTORNO DA QUEDA DE MATERIAL 0,30 PRÉ SUPORTE
VOLUME AFROUXADO
CONTORNO DA QUEDA
DE MATERIAL
0,30
PRÉ SUPORTE

SEÇÃO TRANSVERSAL

MATERIAL DE

VOLUME AFROUXADO PREENCHIMENTO CONTORNO DA QUEDA DE MATERIAL PRÉ SUPORTE PROTEÇÃO COM CONCRETO PROJETADO E
VOLUME AFROUXADO
PREENCHIMENTO
CONTORNO DA QUEDA
DE MATERIAL
PRÉ SUPORTE
PROTEÇÃO COM CONCRETO
PROJETADO E TELA METÁLICA
REATERRO

SEÇÃO LONGITUDINAL

ESQUEMA PARA RETOMADA DAS ESCAVAÇÕES APÓS RECUPERAÇÃO DE INSTABILIDADE

92

CONTORNO DA QUEDA DE MATERIAL VOLUME AFROUXADO 3ª LINHA 1ª LINHA 2ª LINHA Figura 92.1
CONTORNO DA QUEDA
DE MATERIAL
VOLUME AFROUXADO
3ª LINHA
1ª LINHA
2ª LINHA
Figura 92.1

VOLUME AFROUXADO

MATERIAL DE

LINHA 2ª LINHA Figura 92.1 VOLUME AFROUXADO MATERIAL DE PREENCHIMENTO 3ª LINHA DE TRATAMENTO CONTORNO DA

PREENCHIMENTO

3ª LINHA DE TRATAMENTO

AFROUXADO MATERIAL DE PREENCHIMENTO 3ª LINHA DE TRATAMENTO CONTORNO DA QUEDA DE MATERIAL 2ª LINHA DE
AFROUXADO MATERIAL DE PREENCHIMENTO 3ª LINHA DE TRATAMENTO CONTORNO DA QUEDA DE MATERIAL 2ª LINHA DE
AFROUXADO MATERIAL DE PREENCHIMENTO 3ª LINHA DE TRATAMENTO CONTORNO DA QUEDA DE MATERIAL 2ª LINHA DE
AFROUXADO MATERIAL DE PREENCHIMENTO 3ª LINHA DE TRATAMENTO CONTORNO DA QUEDA DE MATERIAL 2ª LINHA DE

CONTORNO DA QUEDA DE MATERIAL

3ª LINHA DE TRATAMENTO CONTORNO DA QUEDA DE MATERIAL 2ª LINHA DE TRATAMENTO 1ª LINHA DE
2ª LINHA DE TRATAMENTO 1ª LINHA DE TRATAMENTO
2ª LINHA DE
TRATAMENTO
1ª LINHA DE
TRATAMENTO

PROTEÇÃO COM CONCRETO PROJETADO E TELA METÁLICA

PROTEÇÃO COM CONCRETO PROJETADO E TELA METÁLICA REATERRO ESQUEMA PARA RECUPERAÇÃO DO MACIÇO PARA RETOMADA
PROTEÇÃO COM CONCRETO PROJETADO E TELA METÁLICA REATERRO ESQUEMA PARA RECUPERAÇÃO DO MACIÇO PARA RETOMADA
PROTEÇÃO COM CONCRETO PROJETADO E TELA METÁLICA REATERRO ESQUEMA PARA RECUPERAÇÃO DO MACIÇO PARA RETOMADA
PROTEÇÃO COM CONCRETO PROJETADO E TELA METÁLICA REATERRO ESQUEMA PARA RECUPERAÇÃO DO MACIÇO PARA RETOMADA

REATERRO

PROTEÇÃO COM CONCRETO PROJETADO E TELA METÁLICA REATERRO ESQUEMA PARA RECUPERAÇÃO DO MACIÇO PARA RETOMADA DAS
PROTEÇÃO COM CONCRETO PROJETADO E TELA METÁLICA REATERRO ESQUEMA PARA RECUPERAÇÃO DO MACIÇO PARA RETOMADA DAS
PROTEÇÃO COM CONCRETO PROJETADO E TELA METÁLICA REATERRO ESQUEMA PARA RECUPERAÇÃO DO MACIÇO PARA RETOMADA DAS

ESQUEMA PARA RECUPERAÇÃO DO MACIÇO PARA RETOMADA DAS ESCAVAÇÕES COM MAIS DE UMA LINHA DE TRATAMENTO

Este procedimento evita que novas quedas ocorram quando a escavação for processada na região de material já afrouxado.

Os pré-suportes poderão ser constituídos por colunas de solo-cimento sub- horizontais ou enfilagens tubulares injetadas.

No caso de enfilagens tubulares os tubos deverão possuir válvulas que permitam reinjeções de forma a poderem ser efetuadas várias fases de injeções com o objetivo de tratar e recomprimir parcialmente os materiais afrouxados.

Normalmente as colunas de solo-cimento devem ser secantes no seu início, de forma a conseguir-se sua justaposição ou pequeno afastamento na sua extremidade final.

O esquema a seguir é uma tentativa de interpretar o que acontece ao maciço na região aproximada pelo arriamento e posteriormente pelo tratamento, retomada da escavação e aplicação do suporte.

Em muitos casos, onde a região afetada é muito extensa, é necessário efetuar tratamento através de linhas duplas ou mesmo triplas de tratamento para obter-se o resultado esperado.

No esquema a seguir é mostrada a recuperação e retomada das escavações com mais de uma linha de tratamento.

Os tratamentos serão também empregados em regiões do maciço onde já se detectaram problemas prévios, onde exista um alto risco de instabilidades ou deva-se restringir deslocamentos, e onde se deseja proteger edificações ou utilidades existentes acima da cavidade a ser escavada.

Nestes casos o tratamento visa conferir ao maciço propriedades que o mesmo não possui “in situ”. As propriedades que se pretende modificar com o tratamento são:

tempo de auto-suporte no contorno (areias ou blocos instáveis de solos estruturados)

melhoria nas propriedades de resistência do maciço no contorno da escavação.