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A ARTE DE RELACIONAR-SE COM UM FILHO ADOLESCENTE Muitos adolescentes não interagem mais socialmente e

A ARTE DE RELACIONAR-SE COM UM FILHO ADOLESCENTE

Muitos adolescentes não interagem mais socialmente e passam o dia conectados no celular ou internet. Quais os motivos que levam a esse distanciamento e em que idade ele começa a acontecer? Não sei se realmente é um distanciamento ou tentativa de aproximação. Na adolescência os grupos tornam-se fundamentais para o desenvolvimento do comportamento social. Eles precisam fazer isso porque estão em um momento de afastamento dos princípios e valores impostos pelos pais e de aproximação em relação ao que eles pensam ou sentem. É como se precisassem dizer "eu sei fazer as minhas escolhas", "eu quero cuidar da minha vida, escolher

meus amigos, dentre tantas outras coisas". E é por esse motivo que o grupo ganha tanto status

e valor. os amigos compartilham dos mesmos interesses, ideais e, geralmente, estão passando

pelos mesmos processos de mudança e por isso fica mais fácil fazer essa aproximação. Em relação aos aparatos tecnológicos temos que observar o seguinte: na época dos nossos avós estes instrumentos não existiam e, por esse motivo as pessoas reuniam-se na área u no quintal de casa para conversar, discutir a vida, fazer planos. Na época dos nossos pais as pessoas já passaram a interagir um pouco mais, porém em frente a televisão. Hoje, o adolescente tem inúmeros recursos que o permitem estar próximo o tempo todo dos amigos, conectado e antenado em tudo o que acontece a sua volta. O que é preciso é construir com ele uma análise critica desse tipo de interação e valorizar os momentos juntos (sem estar interagindo necessariamente pela internet). Chamar os amigos em casa, sair, praticar esportes, ir ao clube. Dessa forma, ele aprende que o contato virtual pode ser suficiente para fazer uma amizade, mas é preciso o contato pessoal para mantê-la.

A falta de diálogo ocorre porque os pais têm dificuldade de adaptar a linguagem aos filhos ou

porque os filhos impõem resistência?

Penso que a falta de diálogo pode acontecer pelos dois motivos. Os pais quando conversam com seus filhos dificilmente abordam temas que são do seu interesse. O grande risco é que muitos pais acreditam que conversar com o filho é dar broncas ou impor regras. Isso também é importante, mas para que possamos construir uma relação não é suficiente e pode realmente provocar um grande afastamento. Eu quando converso com meu filho falo sobre assuntos genéricos, pergunto sua opinião, o que ele acha, sente pensa sobre determinada situação e, a partir de suas respostas posso ir sentindo se o que ele pensa esta correto, se vem ao encontro dos valores que eu tenho ensinado e, a partir disso digo o que eu penso e pergunto também sua opinião sobre meus valores. É assim que se constrói uma relação. Quero ter um filho que seja um adulto que reflita, questione e que saiba respeitar a opinião alheia e não alguém que simplesmente aceite prontamente o que lhe é falado. Por vezes, ao dar minha opinião, escuto ele dizer “pois é mãe, mas vc já me disse que as pessoas tem opiniões diferentes e eu respeito a sua opinião”. Penso que se ele já consegue fazer isso aos dez anos, com certeza fará melhor na adolescência e posteriormente na fase adulta.

Quais as consequências da ausência de diálogo? Algumas escolas apontam que a falta de empatia, solidariedade e sensibilidade é fruto da ausência de diálogo. Isso ocorre? Por que

motivos?

As conseqüências são inúmeras e variam desde simples problemas relacionados ao afastamento dos membros da família até transtornos emocionais mais graves. Os motivos

também são diversos, mas penso que existe algo muito diferente em nossa rotina que nos impede de estarmos mais próximos dos nossos filhos e isso chama-se falta de tempo. Muitos pais justificam em clínica que os filhos passam horas no computador e por isso não conversam. E eu pergunto: mas porque você não senta-se ao lado dele e participa do que ele esta fazendo? Ou quando algumas famílias descrevem que o tempo que passam juntos o fazem em frente a televisão. Como? Com o pai assistindo o jornal e pedindo para o filho fica quieto porque ele nao esta conseguindo escutar a noticia. As famílias não jantam e nem almoçam mais juntas, não sentam-se a mesa e na varanda para conversar, jogar um jogo e interagir. As vezes os pais justificam sua ausência levando os filhos ao shopping, comprando-lhes presentes caríssimos, mas nada substitui colo, abraço, afeto e olho no olho.

Como delimitar o diálogo para que se torne uma conversa entre pais e filhos ou uma conversa entre amigos? Qual o limite para que não ocorra confusão de papéis?

Quando existe presença os papeis não são confundidos. Os limites são estabelecidos no percurso da relação. Quando eu pergunto o que meu filho pensa sobre determinado assunto não significa que preciso aceitar o que ele pensa. Outro dia meu filho estava me contando algo que havia acontecido na escola, por exemplo, e me chamou de “mano”. Eu olhei para ele e disse “ filho, eu não gosto que você me chame assim porque não sou como os seus amigos da escola” e continuamos o assunto naturalmente com ele chamando-me de mamãe. E uma linha tênue, mas necessária. O que meu filho precisa sentir e que existe um canal de comunicação aberto entre nos porque nos momentos em que ele estive feliz poderá me contar o que lhe deixou assim e nos momentos em que estiver triste ou passando por algum problema também poderá me procurar. Costumamos dizer na psicologia que o dialogo não e o mais importante na relação ele ‘e a relação!

Qual a orientação para que os pais consigam enfrentar essa fase da vida dos filhos da forma mais harmoniosa possível?

A principal orientação e “esteja presente”. Outro dia, em um atendimento na escola, onde os pais estavam sendo informados que o filho adolescente estava usando drogas, uma coordenadora contou-me que ouviu de um pai chorando: “Eu nunca fui um pai de portão! Eu sempre preocupei-me em suprir as necessidades materiais da minha família e deixei de suprir as necessidades emocionais”. Isso me cortou o coração e não só como psicóloga, mas como mãe eu entendo que para que possamos chegar na adolescência dos nossos filhos com tranqüilidade e preciso construir as bases na infância. O principal presente para nossos filhos e a nossa presença e disponibilidade para amá-los de diferentes maneiras: sentando-se ao pe da cama para lhes contarmos historias, jogando vídeo game sem sequer entender para que servem tantos botões naquele controle, preparando bolo com refrigerante ou churrasquinho em nossa casa no sábado a tarde para aquele monte de crianças ou adolescentes, ou simplesmente desligando a TV ou radio no carro porque queremos ouvi-los melhor, prestar atenção ao que dizem. São formas muito simples de lhes dizer o quanto os amamos e os queremos ver crescer pessoas mais felizes, humanas e emocionalmente saudáveis.