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Justificativa

Este projeto se justifica, pois pretende preencher a falta de análise dos institutos da
escravidão na área de Direito, principalmente em pós-graduações. Muitas vezes
analisadas nos Estudos Literários ou na História, a falta de compreensão do
epistemologia e da metodologia do Direito empobrece a análise nessas áreas, uma vez
que eles vão se ater aos textos legais, o que irá causar uma série de contradições na
historiografia da escravidão, prejudicando a compreensão histórica desse evento e a
possível mudança de comportamentos sociais que poderiam advir dessa compreensão.
Tendo como ponto de partida a extensa bibliografia a respeito da escravidão e do
abolicionismo. É uma bibliografia marcada pelo revisionismo extremo, sendo raros os
casos como o de Eduardo Silva e João Reis que, ao revisitar, enxergam os méritos dos
anteriores. Essa tem sido uma dificuldade da nossa historiografia, pois, ao revisitar joga
fora todo o trabalho anterior, começando do zero, em um contexto de mútuas negações
teóricas, como nota Maximiano (2012, p.7). “Nem vítimas nem heróis o tempo todo, se
situando na sua maioria e a maior parte do tempo entre um pólo e outro” (1999, p.7)
Tento contribuir, ao demonstrar as ambiguidades, as contradições e o silêncio do Direito
e da Literatura nacional a respeito da escravidão e das relações raciais.
A influência de agendas ideológicas fechadas tem por isso contribuído para um
reducionismo, tentando sempre encaixar os fenômenos históricos em modelos prédefinidos, antes mesmo de ter contato com eles. Foi o que ocorreu com Freyre, com a
Escola de São Paulo com sua ideologia marxista preparada para encaixar a escravidão
no contexto de lutas de classes e nas análises desde a década de 1980 que, com sua
visão daltônica, não enxergam as nuances da escravidão, querendo a todo custo colocar
o escravo na posição de sujeito histórico, a custo de ignorar a violência sofrida por ele.
Por isso, este trabalho irá se pautar pela teoria do reconhecimento, visão política aberta
à dialética dos processos históricos.
A Literatura e o Direito vão ser utilizados aqui como fontes pouco exploradas ou, então,
quando explorados, foram sim utilizados, porém nunca em sua potencialidades, ficando
o direito reduzido à intepretação literal dos textos da lei e literatura ao caráter
documental documental. Entretanto, tanto a Literatura e o Direito são espaços políticos,
mais do que qualquer outra área, na qual os discursos irão cristalizar preconceitos ou

3. ser empobrecido pela visão do ensino jurídico atual. é uma visão interdisciplinar na qual os métodos de cada área são compreendidos para jamais matar com o senso comum a árdua evolução que cada disciplina passou nos últimos 300 anos. na qual a interdisciplinaridade é comprometida com todas as áreas de estudo. Por isso é indispensável tanto a literatura sancionadora quanto a literatura proscrita. Ressalto. p. Propõe resgatar a História como espaço de reflexão sobre a pessoa humana. à luz de novos marcos fortemente interdisciplinares. instrumento de transformação social. a contribuição que meu trabalho irá trazer para a pós-graduação em questão. não podendo.) Muito mais que traduzir a literatura antevê os conflitos. ao reclacado. Esta pesquisa será também é um ato de militância epistemológica. o Direito e o Estado. apóia e combate. este projeto também é um ato de militância didática. tradição e crítica. HISTÓRIA.. dando-lhes voz. reposicionando os debates acerca dos fundamentos históricos e políticos do Direito e de seus desdobramentos. reconhecimento e trabalho. p. (. PODER E LIBERDADE Ementa: A linha articula as interfaces entre os saberes jurídicos e humanísticos.provocar mudanças e se tornarão instrumentos de mudança social. fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas. desvela as minorias. propõe e denuncia. entre Direito e Literatura . Além da contribuição para a produção de conhecimento na linha de pesquisa que escolhi: 3. visa também a tirar a venda de uma Ciência do Direito tal centrada em si desde o Positivismo. pois. a que os poderes sugerem e a que nasce dos movimentos de negação do estado de coisas predominante. ou seja. No meu trabalho. as consequências dos atos normativos (Godoy. 2011.186) Assim. sem hierarquizá-las. no qual se ensina o que “cai no concurso”. identidade e coletividade. que aparenta não ter saído do espírito de alguns juristas. como nota.175) E Godoy: A literatura pode usar a língua para dar voz ao outro. ao tempo em que busca recuperar a dialética entre pessoalidade e cidadania. portanto. pois trata do tema com o uso da interdisplinaridade. Candido: A literatura confirma e nega. Por fim. portanto.. na qual o direito é visto como instituição viva e política. irei abordar diversos aspectos propostos como a abertura a novos saberes jurídicos e novos marcos teóricos interdisciplinares. (Candido. 2012. história e razão. um dos objetivos presentes no seu estatuto.

cujos temas basilares são também temas do projeto coletivo no qual desejo me inseri PROJETO COLETIVO: Identidades. Reconstruções dos percursos históricos do reconhecimento e da formação de identidades individuais e coletivas no Brasil. Por fim. . Cooriginalidade entre esferas pública e privada na construção do Estado Democrático de Direito. analisando a História criticamente.com compromisso epistemológico. como forma de reflexão acerca da desigualdade racial e como forma de criação de representações culturais que ora libertam e ora estigmatizam o indivíduo. Também realizo um debate a respeito da racionalidade da história muitas vezes restrita por pré-conceitos ideológicos. com certeza irá enriquecê-lo com o debate sempre enriquecedor proporcionado em grupos de pesquisa. que irão atrasar o reconhecimento do indivíduo como um membro igual na coletividade ao mesmo tempo em que pode manter sua identidade. o que. enfatizo a identidade do meu projeto com a linha de pesquisa. reconhecimento e novos saberes jurídicos Ementa: Teorias da História e novos saberes jurídicos: tradições e críticas.