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A inserção do Brasil e da América do Sul

na segunda década do século XXI


José Luis Fiori
10/02/2010

O
futuro do projeto sul-americano dependerá cada vez mais das escolhas
brasileiras e da forma pela qual o Brasil desenvolva suas relações com os
Estados Unidos. No campo político, depois da hegemonia das idéias
neoliberais e privatistas, e de uma coalizão de poder partidária do “cosmopolitismo
subserviente”, no campo internacional, está se consolidando no Brasil um novo
consenso desenvolvimentista, democrático e popular, que transcende cada vez
mais as siglas partidárias. As perspectivas futuras desta nova coalizão dependerão
da estratégia internacional dos próximos governos. A análise é de José Luis Fiori.

NOTAS PARA UMA REFLEXÃO SOBRE nacionais européias. E mesmo no


A INSERÇÃO INTERNACIONAL DO século XX, não se consolidou no
BRASIL E DA AMÉRICA DO SUL, NA continente sul-americano, um sistema
SEGUNDA DÉCADA DO SÉCULO XXI. integrado e competitivo, de estados e
economias nacionais, como ocorreu
1. Brasil e América do Sul: história e na Ásia, depois da sua
conjuntura descolonização. Por isto, nunca
existiu na América do Sul uma disputa
i. As guerras e disputas políticas e hegemônica, entre os seus próprios
territoriais, durante a formação dos estados e economias nacionais, e
estados sul-americanos, no século nenhum dos seus estados jamais
XIX, não produziram as mesmas disputou a hegemonia continental
conseqüências sistêmicas - políticas e com as grandes potências.
econômicas - das guerras de
centralização do poder e de formação De fato, desde sua independência, o
dos estados e das economias continente sul-americano viveu sob a
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tutela anglo-saxônica: primeiro, da casos, o rumo mais amplo de


Grã Bretanha, até o fim do século sua política econômica, sem
XIX, e depois, dos Estados Unidos,
até o início do século XXI. Como
conseguir alterar a estrutura
e o modelo tradicional de
Polis
conseqüência, os estados latino- inserção internacional da Publius
americanos nunca ocuparam posição economia continental. Divulgação
importante nas grandes disputas científica em
política e
geopolíticas do sistema mundial, e Assim mesmo, todos estes políticas públicas
funcionaram durante todo o século novos governos se
XIX, como zona de experimentação posicionaram ideologicamente contra
do “imperialismo de livre comércio” o neoliberalismo da década anterior,
da Grã Bretanha. No século XX, e em e mudaram sua política externa,
particular depois da 2ª. Guerra apoiando a integração político-
Mundial, quase todos estados sul- econômica da América do Sul, e
americanos alinharam sua política criticando intervencionismo norte-
externa, com os Estados Unidos, americano no continente. Este giro
durante a Guerra Fria, e aderiram político à esquerda ocorreu de forma
com graus diferentes de sucesso, às simultânea, em quase todo o
políticas econômicas continente, e coincidiu com a
desenvolvimentistas, apoiada pelos mudança do governo e da política
Estados Unidos, até a década de externa americana, com a nova
1970. Depois do fim da Guerra Fria, administração republicana de George
durante a década de 1990, de novo, a Bush, que engavetou, na prática, o
maioria dos governos da região globalismo econômico liberal, da
voltaram a se alinhar ao lado da Administração Clinton, e o seu projeto
política externa e da política da ALCA, para as Américas.
econômica preconizada pelos EUA e
seu projeto de “globalização liberal”. Este giro à esquerda coincidiu
também com um novo ciclo de
ii. No início do século XXI, entretanto, expansão da economia mundial, que
a situação política do continente se prolongou até 2008, e permitiu a
mudou, com a vitória - em quase retomada do crescimento, alto e
todos os países da América do Sul – generalizado, de todas as economias
de partidos e coalizões políticas nacionais da região. A grande
nacionalistas, desenvolvimentistas e novidade foi a participação da China,
socialistas, que mudaram o rumo que se transformou na grande
político-ideológico do continente, compradora das exportações sul-
durante a primeira década do século. americanas de minérios, energia e
No início do período, quase todos os grãos. Neste período também, os
novos governos de esquerda altos preços das commodities
mantiveram a política fortaleceram a capacidade fiscal dos
macroeconômica ortodoxa dos estados e ajudaram a financiar várias
neoliberais da década de 90, e só aos iniciativas do projeto de integração da
poucos foram mudando, em alguns infra-estrutura energética e de
Para citar este artigo (formato ABNT):
FIORI, José Luis. Notas para uma reflexão sobre a inserção internacional do Brasil e da América
do Sul, na segunda década do século XXI. Carta Maior. Disponível em
<http://polispublius.blogspot.com/2010/02/proxima-decada.html>. Acessado em 16/2/2010.
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transportes do continente. Além economias nacionais que


disto, permitiram a acumulação
de reservas e a diminuição da
Polis também estão se expandindo
rapidamente e reivindicando
fragilidade externa do Publius uma maior participação nas
continente, aumentando o Divulgação decisões do núcleo central de
poder de resistência e científica em poder do sistema mundial,
negociação da região. política e entre as quais se destacam
políticas públicas ,sobretudo, a China e a Índia.
iii. Durante esta primeira
década do século, destacou-se dentro iv. Agora bem, depois de quase uma
do continente, a rápida mudança da década convergente, a crise
posição política e econômica do financeira de 2008 provocou uma
Brasil, que retomou – aos poucos e queda abrupta do crescimento
de forma ainda irregular - a trilha do regional e uma desaceleração do
crescimento e aumentou sua projeto integração econômica do
participação no produto e no continente sul-americano. E quase ao
comércio dentro e fora da América do mesmo tempo, ainda na
Sul. Ao mesmo tempo, o Brasil Administração George Bush, os
assumiu a liderança do processo de Estados Unidos abandonaram sua
integração do continente e expandiu passividade no continente, e
suas relações comerciais e financeiras decidiram reativar sua IVº Frota
com outras regiões do mundo, Naval responsável pelo controle
projetando sua presença diplomática marítimo do Atlântico Sul. E logo em
em várias instâncias e fóruns seguida, já na administração
multinacionais de negociação, dentro democrata do presidente Barak
e fora das Nações Unidas. E hoje o Obama, os Estados Unidos assinaram
Brasil já tem praticamente o acordo militar com a Colômbia que
assegurada, até o fim da próxima lhe deu acesso a sete bases militares
década, uma posição entre as cinco dentro do território colombiano, e
maiores economias do mundo, com isto fragilizou o processo de
quando deverá ser provavelmente, o integração política, e os planos de
maior produtor mundial de alimentos, defesa conjunta e autônoma do
e um dos maiores produtores e continente.
exportadores mundiais de petróleo,
além de seguir controlando a maior Logo em seguida, os EUA tiveram
parte dos recursos hídricos e da uma participação ativa na crise
biodiversidade da Amazônia. política de Honduras, e unilateral no
terremoto que destruiu o Haiti,
Neste movimento duplo, em direção à demonstrando vontade e decisão de
América do Sul e aos demais retomar ou reafirmar sua presença e
continentes, e zonas de expansão e sua supremaca dentro do “hemisfério
conflito internacional, o Brasil tem se ocidental”. Por outro lado, no início de
apoiado, aliado e competido, a um só 2010, o Chile interrompeu a sucessão
tempo, com outros estados e de vitórias eleitorais da esquerda, e
Para citar este artigo (formato ABNT):
FIORI, José Luis. Notas para uma reflexão sobre a inserção internacional do Brasil e da América
do Sul, na segunda década do século XXI. Carta Maior. Disponível em
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elegeu um presidente de centro- possível conceber uma política


direita, que reforçará a aliança
estratégica com os Estados Unidos do
externa soberana e inovadora,
que não questione e enfrente
Polis
“eixo anti-bolivariano”, na Região os consensos éticos e Publius
Andina. E com isto, deverá aumentar estratégicos das potencias que Divulgação
as divisões que sempre facilitaram – controlam o núcleo central do científica em
através da história - a tutela externa poder mundial. Neste campo, política e
do continente. De qualquer maneira, não estão excluídas as políticas públicas
a configuração completa deste novo convergências e as alianças
cenário político ainda dependerá das táticas, e temporárias, com uma ou
eleições presidenciais no Brasil e várias das antigas potencias
Colômbia, em 2010, e na Argentina e dominantes. Mas toda política externa
Peru, em 2011. soberana e inovadora, sabe que está
e estará em permanente competição
v. Neste momento de incerteza com estas potencias, e que terá que
política, uma discussão sobre a assumir as suas divergências, com a
inserção do Brasil e da América do visão de mundo, com os diagnósticos
Sul, no cenário internacional, na e com as estratégias defendidas por
segunda década do século XXI, tem elas, seja no espaço regional, seja a
que partir de uma definição do que escala global. Isto não é uma
seja uma “inserção soberana”. Com veleidade irrelevante, nem é o fruto
relação ao que seja uma política de uma animosidade ideológica, é
externa soberana, nosso ponto de uma conseqüência de uma “lei”
partida é muito simples: um estado e essencial do sistema inter-estatal, e
um governo que se proponham de uma determinação que é em
expandir o seu poder internacional, grande medida geográfica, porque o
inevitavelmente terão que questionar objetivo do “estado questionador”, é
e lutar contra a distribuição prévia do ampliar sempre e cada vez mais, a
poder, dentro do próprio sistema. sua capacidade de decisão e iniciativa
Como condição preliminar, eles terão estratégica autônoma, no campo
que ter sua própria teoria e sua político, econômico e militar, para
própria leitura dos fatos, dos poder difundir melhor e aumentar a
conflitos, e das assimetrias e disputas eficácia de suas idéias e propostas de
globais, e de cada um dos mudança do sistema mundial.
“tabuleiros” geopolíticos regionais ao
redor do mundo. vi. Do lado oposto, fica mais fácil de
definir e identificar as características
Para poder estabelecer de forma essenciais de uma política externa
sustentada e autônoma, os seus conservadora ou subalterna. Em
próprios objetivos estratégicos, primeiro lugar, os conservadores não
diferentes das potencias dominantes, se propõem mudar a distribuição do
e conseqüentes com sua intenção de poder internacional, nem questionam
mudar a distribuição do poder e da a hierarquia do sistema mundial. Sua
hierarquia mundial. Por isto, não é reação frente aos desafios colocados
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pela agenda internacional, é influência com os EUA, e


quase sempre empírica,
isolada, e moralista. Os
Polis participam da “corrida
imperialista” que se explicitou
conservadores não têm uma Publius nesta primeira década, e que
teoria nem uma visão Divulgação deve se intensificar nos
histórica própria do sistema científica em próximos anos. Os revezes
internacional e dos seus política e políticos e militares dos EUA, na
acontecimentos conjunturais, políticas públicas primeira década do século XXI
e são partidários, em geral, desaceleraram o projeto
de uma política externa de baixo teor, imperial americano, mas ele não foi
sem grandes iniciativas estratégicas abandonado. Mas apesar disto, estes
nacionais, e com uma alta taxa de revezes criaram novas fraturas e
submissão aos valores, juízos, e divisões dentro dos EUA. E depois da
decisões estratégicas das potencias Guerra do Iraque, está em curso um
dominantes. Por isto, consciente ou realinhamento interno de forças e
inconscientemente, os conservadores posições, como ocorreu também na
delegam a terceiros, uma parte da década de 70, e não é improvável
soberania decisória de sua política que surja daí uma nova estratégia
externa, e acabam assumindo, internacional. Mas estes processos de
invariavelmente, uma posição realinhamento interno do
subalterna dentro da política establishment americano costumam
internacional. ser lentos, e os seus resultados finais
dependerão ainda da própria luta
2. Um balanço no final da primeira interna e da evolução dos conflitos
década do século XXI dos EUA com os seus principais
concorrentes nas várias regiões do
Ao terminar a primeira década do mundo. Porque apesar dos seus
século XXI, entre crise e guerras, é revezes recentes, e de suas
possível fazer um balanço preliminar dificuldades econômicas, os EUA
da estratégia imperial americana, que seguem sendo o único player global,
nasceu da crise dos 70 e se que está presente e disputa posições
aprofundou depois do fim da Guerra em cada uma, e em todas as regiões
Fria: do mundo.

i. O poder militar americano cresceu De qualquer forma, do nosso ponto


de forma contínua e se projetou de vista, não há possibilidade que os
sobre todo o mundo, mas a própria EUA abdiquem do seu poder, ou
dinâmica contraditória da sua renunciem à expandi-lo
expansão, fortaleceu politicamente e permanentemente. Pelo contrário,
“ressuscitou” militarmente, a deverão seguir aumentando sua
Alemanha, a Rússia e o Japão, e capacidade militar em escala
contribuiu para o fortalecimento da geométrica, numa velocidade que
China, Índia, Irã, Turquia, Brasil, aumentará na medida em que se
países que disputam zonas de aproxime a sua ultrapassagem
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econômica pela China. Qualquer impossível prever com precisão


mudança mais substantiva, nesta
correlação de forças, só ocorrerá com
o futuro. O o único que se
pode dizer, é que são
Polis
o aumento da capacidade e do poder transformações seculares Publius
regional e global das novas potências dentro de um mesmo universo, Divulgação
que estão se projetando neste início que seguirá se expandindo, científica em
do século XXI. enquanto for constituído e política e
liderado por “estados- políticas públicas
ii. Por outro lado, do ponto de vista economias nacionais”
econômico, também se pode dizer capitalistas, complementares e
que a resposta americana à crise de competitivas.
Bretton Woods acabou se
transformando numa estratégia, que iv. Assim mesmo, no horizonte de
levou à recuperação e à expansão curto prazo, entretanto, o “núcleo
contínua da economia americana, duro” da competição geopolítica
cada vez mais associada ao mundial deverá estar composto velos
crescimento da economia chinesa, Estados Unidos, China e Rússia. Três
sobretudo a partir de 1990. Este novo “estados continentais”, que detém um
eixo dinâmico da economia mundial, quarto da superfície da terra, e mais
por sua vez, provocou uma mudança de um terço da população mundial.
estrutural da economia mundial, com Nesta nova “geopolítica das nações”,
o deslocamento para a Ásia, do seu a União Européia terá um papel
principal centro de produção e secundário, ao lado dos Estados
acumulação de capital, e com o Unidos, enquanto não dispuser de um
surgimento de uma economia poder unificado, com capacidade de
nacional – a chinesa - com um poder iniciativa estratégica autônoma. E a
gravitacional, sobre o conjunto da Índia, Irã, Brasil, Turquia, África do
economia capitalista, equivalente ao Sul, e talvez a Indonésia, deverão
dos Estados Unidos. Esta nova aumentar o seu poder regional, em
configuração estrutural, e sua escalas diferentes, mas não serão
expansão contínua, explica o poderes globais, ainda por muito
aumento da “pressão competitiva”, tempo. Na segunda década do século
dentro da economia mundial, na XXI, a nova “corrida imperialista”
primeira década do século XXI. provocará um aumento dos conflitos
localizados, entre os principais
iii. Por isto, do nosso ponto de vista, estados e economias do sistema, mas
esta pressão econômica, somada à ainda não está no horizonte uma
competição geopolítica, e à corrida nova “guerra hegemônica”.
imperialista que está em curso, são
manifestações essenciais, e são ao Por outro lado, do ponto de vista
mesmo tempo o anuncio de que o econômico, as novas crises
“sistema inter-estatal capitalista” está financeiras que seguirão não deverão
atravessando uma grande “explosão interromper o processo em curso de
expansiva”. Nestes momentos, é deslocamento do centro da
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acumulação capitalista, para a a potência hegemônica. Mas o


Ásia, e para algumas outras
economias nacionais,
Polis que é mais esdrúxulo é que, as
crises provocadas pela
dispersas pelo mundo, entre Publius “exuberância expansiva” da
as quais, o Brasil e a Rússia, e Divulgação potência líder, quase sempre
em menor escala, a África do científica em afetam, de forma mais perversa
Sul, a Turquia, a Indonésia e política e e destrutiva, aos “concorrentes”
o próprio Irã. Ou seja, no políticas públicas mais do que ao próprio líder ou
médio prazo, deverá ocorrer hegemon, que costuma se
uma convergência assintótica, recuperar de forma mais rápida e
envolvendo numa mesma competição poderosa do que os demais.
geopolítica e econômica, quase os
mesmos estados e economias que Seja como for, é dentro deste
deverão alcançar as primeiras contexto geopolítico e econômico,
posições na hierarquia internacional que se pode e deve pensar as
do poder e da riqueza mundial, ao alternativas de mais longo prazo, de
lado dos Estados Unidos e da velha inserção internacional soberana da
Europa. América do Sul e do Brasil, na
segunda década do Século XXI.
v. Por último, para avaliar a
importância das próximas crises 3. Brasil: possibilidades e escolhas
financeiras e políticas que deverão se
manifestar e ocorrer na próxima i. Brasil é - hoje - o segundo player
década, é importante compreender mais importante, dentro do tabuleiro
que: em primeiro lugar, quase todas geopolítico da América do Sul ,e já
as grandes crises do sistema mundial tem tido uma importância maior nos
foram provocadas até hoje, pela desdobramentos político-ideológicos
própria potência hegemônica; em da América Central e do Caribe.
segundo lugar, que estas crises são Depois de assumir a liderança militar
provocadas quase sempre, pela da missão de paz das Nações Unidas
expansão vitoriosa (e não pelo no Haiti, o Brasil tomou uma posição
declínio) das potências capazes de decidida a favor da reintegração de
atropelar as regras e instituições que Cuba na comunidade americana e
eles mesmos criaram, num momento tem defendido, em todos os foros
anterior, e que depois se internacionais, o fim do bloqueio
transformam num obstáculo no econômico norte-americano à Cuba.
caminho da sua própria expansão; e Ao mesmo tempo, tem assumido sua
em terceiro lugar, que o sucesso influência políitico-ideológica sobre
econômico e a expansão da potência alguns novos governos de esquerda
líder é sempre uma força e um da América Central, e tomou uma
impulso fundamental para o posição rápida e dura frente ao golpe
fortalecimento de todos os demais de estado militar de Honduras, em
estados e economias que se junho de 2009, e frente à crise
proponham concorrer ou “substituir”
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provocada pelo terremoto do Haiti, no transformar numa economia


início de 2010. exportadora de
intensidade, uma espécie de
alta
Polis
Mas apesar do seu maior ativismo “periferia de luxo” dos grandes Publius
diplomático, o Brasil ainda não tem potências compradoras do Divulgação
capacidade de projetar seu poder mundo, como foram no seu científica em
afirmativo ou de veto, à região devido tempo, a Austrália e a política e
centro-americana, nem tem nenhuma Argentina, entre outros. Mas políticas públicas
disposição de competir ou questionar existe a possibilidade do Brasil
o poder americano no seu “mar escolher um outro caminho que
interior caribenho”. Mais ao sul, combine seu potencial exportador,
entretanto, o Brasil tem exercido uma como uma estrutura produtiva
política cada vez mais ativa, mesmo industrial associada e liderada por
quando conviva com uma uma economia mais dinâmica, como é
desaceleração temporário do o caso contemporâneo do Canadá,
processo de integração econômica do por exemplo.
continente. Com a criação da
UNASUAL, e do Conselho Além disto, neste momento, o Brasil
Sulamericano de Defesa, o Brasil se também dispõe de uma terceira
distanciou e esvaziou o Tratado alternativa, absolutamente nova para
Interamericano de Assistência o país, e que aponta de certa
Recíproca e a Junta Interamericana maneira, para a reprodução da
de Defesa que sempre contaram com estrutura produtiva da economia
o aval norte-americano. Além disto, norte-americana: com uma indústria
nesta últimos dois anos, o Brasil teve de alto valor agregado, e uma
uma participação ativa e pacificadora, enorme capacidade de produção e
nos conflitos entre Equador e exportação de alimentos e outras
Colômbia e entre Colômbia e commodities de alta produtividade,
Venezuela, na conflito interno da incluindo o petróleo, no caso
Bolívia, quando se transformou numa brasileiro. Por outro lado, no campo
ameaça de guerra civil e de secessão político, depois da hegemonia das
territorial. idéias neoliberais e privatistas, e de
uma coalizão de poder partidária do
ii. De qualquer forma, uma coisa é “cosmopolitismo subserviente”, no
certa: o futuro do projeto sul- campo internacional, está se
americano dependerá cada vez mais consolidando no Brasil um novo
das escolhas brasileiras, e da forma consenso desenvolvimentista,
que o Brasil desenvolva suas relações democrático e popular que
com os Estados Unidos. Do ponto de transcende cada vez mais as siglas
vista econômico, a pressão dos partidárias. As perspectivas futuras
mercados internacionais e as novas desta nova coalizão, entretanto,
descobertas do petróleo da camada dependerão da estratégia
do pré-sal, também estão oferecendo internacional dos próximos governos
para o Brasil a possibilidade de se brasileiros.
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O Brasil pode se transformar seus próprios interesses


num “aliado estratégico” dos Polis econômicos e geopolíticos.
Estados Unidos, da Grã Publius Numa disputa prolongada pela
Bretanha e da França, com Divulgação hegemonia da América do Sul,
científica em
direito de acesso à uma parte política e como se fosse uma “luta
políticas públicas
de sua tecnologia de ponta, oriental” com os Estados
como no caso do Japão ou mesmo de Unidos. Caminhando através de uma
Israel, que construiu seu arsenal trilha muito estreita e durante um
atômico com a ajuda da França. Mas tempo que pode se prolongar por
o Brasil também pode escolher um várias décadas. Além isto, para liderar
caminho próprio de afirmação a integração sul-americana no
internacional. Mas, se o Brasil quiser mundo, o Brasil terá que inventar
mudar de posição e de estratégia, uma nova forma de expansão
dentro das “regras” do sistema econômica e política continental e
mundial, terá que desenvolver um mundial, sem “destino manifesto”
trabalho extremamente complexo de nem missão missionária, e sem o
administração contínua das relações imperialismo bélico das duas grandes
de complementaridade e competição potências anglo-saxônicas.
com os Estados Unidos, e com as
outras grandes potências, a partir dos

Propósito de Polis Publius


Polis Publius tem como propósito essencial a divulgação científica

Divulgação Informação bibliográfica, Você também faz


científica é o apresentação de dados, explicação divulgação científica
trabalho de tornar de temas complexos de forma toda vez que recomenda
público ideias e a alguém uma visita à
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avanços que são o nossa página e uma
resultado de estudo de temas da política e
das políticas públicas fazem leitura de nossos temas
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parte de nossas tarefas e autores
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