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MINISTÉRIO DA DEFESA

Assessoria de Planejamento Institucional

Concurso de Artigos sobre o Livro Branco de Defesa Nacional

Concurso de Artigos sobre o Livro Branco de Defesa Nacional O texto a seguir, assim como

O texto a seguir, assim como as idéias, informações e dados nele contidos, expressam o pensamento de seu autor, sendo de sua inteira responsabilidade, e não representam, necessariamente, a opinião do Ministério da Defesa.

O ESFORÇO CONJUNTO ENTRE DEFESA E O MEIO ACADÊMICO: O PROJETO RONDON TRANSFORMANDO REALIDADES NO PAÍS

RESUMO

MAURICIO REBELLATO

O Rondon é um importante projeto de extensão desenvolvido no Brasil (MINISTÉRIO DA DEFESA, 2010). A iniciativa do Governo Federal coordenada pelo Ministério da Defesa visa aproximar universitários da realidade brasileira, através da realização de atividades multidisciplinares em municípios em situação de vulnerabilidade social e isolados do país. Busca-se com esse artigo discutir a importância do Projeto e da relação entre acadêmicos e Defesa para o êxito das operações em que os estudantes levam o conhecimento científico para ajudar a melhorar e desenvolver a comunidade alvo, com o apoio logístico da Defesa Nacional para auxiliar no deslocamento, alojamento e segurança dos rondonistas 1 . Usando como exemplo a Operação Rei do Baião realizada entre 09 e 26 de julho de 2010 na cidade Pernambucana de Floresta ressaltou-se a sinergia entre a defesa, acadêmicos e demais membros da sociedade, concluindo a importância dessa relação para o êxito da Operação e do desenvolvimento das comunidades atendidas. Deste modo buscou-se uma bibliografia que fundamente a importância do projeto de extensão na vida acadêmica, aliada as atividades do exército para que se legitime a iniciativa do Governo Federal como relevante papel transformador da sociedade.

Palavras chaves: Defesa Nacional; Projeto Rondon; Sociedade.

1 Designação atribuída aos acadêmicos participantes do Projeto Rondon.

Introdução

Desde a colonização portuguesa da América no século XV a miscigenação foi fator determinante na formação da sociedade brasileira. A partir dessa época o sentimento nativista foi despertado com a pós conquista do Brasil, onde aflorou nas nações excluídas do Tratado de Tordesilhas a cobiça em relação às novas terras. A riqueza da terra com os recursos da exploração, o pau-brasil e a agroindústria açucareira podem ser citados como elementos que despertavam o interesse de outros países.

Com a Batalha de Guararapes no século XVII, brancos, índios e negros expulsaram o invasor holandês, onde a partir desta epopeia surgiam as bases do Exército Nacional com o desejo de libertação. Um movimento que nasceu com a própria Nação participa ativamente da história brasileira ajustados a realidade nacional. (SENA, 2000)

Conduzindo-se, assim, bravamente, por todo o território, honram-se legados do patrono Duque de Caxias, para cultivar tradições e preservar a soberania e integridade do Brasil. Até os dias de hoje procura-se manter a ordem e a segurança e a defesa das fronteiras nacionais

através das Forças Armadas, órgão que é um elo na construção perene de um país justo e digno para seus cidadãos. Nesta busca é de fundamental importância uma relação sólida entre a Defesa e a sociedade para que se possam criar estratégias conjuntas em prol da positiva evolução do país.

E é neste cenário que o meio acadêmico desenvolve papel fundamental na intermediação

desta relação através do Projeto Rondon, coordenado pelo Ministério da Defesa. As universidades que participam do Projeto precisam obter e garantir um espaço relevante para o estudo e o ensino daquilo que é geral, do que possibilita e prepara para a aprendizagem da

adaptação permanente à sociedade. Através desse projeto de extensão, o ensino torna-se mais criativo e instigador para que

se saiba educar cidadãos que criem e respondam a desafios. Com a união do meio acadêmico e da Defesa o resultado será a transformação de realidades e a promoção do desenvolvimento social. Esse artigo reconhece que é no ambiente de convivência universitária que os indivíduos têm a oportunidade de desenvolver o senso crítico e a “consciência social”, e através da atividade extensionista proporcionada pelo Projeto Rondon, com o importante papel de aproximar a Universidade da sociedade, com a coordenação e apoio do Ministério da Defesa, o acadêmico leva o conhecimento científico para ajudar a melhorar e desenvolver a comunidade alvo de forma eficiente.

Objetivos

Este artigo tem como objetivo apresentar a importância do Projeto Rondon nos municípios em situações de vulnerabilidade social e econômica, onde através do meio acadêmico e da Defesa Nacional se transformam realidades no país. Além disso, objetiva-se contribuir para o constante aprimoramento do Rondon, elucidando estratégias e ações para que mais brasileiros tenham acesso aos benefícios do Projeto.

Justificativa

Ao presenciar a união entre Ministério da Defesa e sociedade Brasileira, a história do país passa a ser uma só. Apontam-se de forma otimista e operante a busca dos anseios de liberdade e de paz. Esta recuperação teórica e um relato de experiência de uma ação conjunta entre Ministério e sociedade justificam-se por mostrar a importância de desenvolverem-se estudos que apontem a necessidade do meio acadêmico tratar as diferentes áreas de conhecimento de forma articulada e interdisciplinar com o Ministério. Assim, a parceria com o meio acadêmico, entre aqueles que vivenciam a prática de operações reais, com os que produzem o conhecimento científico, promoverá trocas que enriquecerão a teoria e fortalecerão a prática. Esta conduta promoverá ainda uma reflexão do Projeto Rondon como elemento conector da sociedade civil com o Ministério da Defesa, uma abordagem diferenciada no meio acadêmico por relatar a experiência vivida no Projeto através da presença do exército, marinha, aeronáutica, e sociedade.

Metodologia

Em um primeiro momento utilizou-se para este artigo uma ampla pesquisa bibliográfica, as quais justificam a importância da extensão no currículo acadêmico e o entendimento do processo histórico e dos valores que norteiam a relação das Forças Armadas com a sociedade. Assim, utilizou-se como exemplo a Operação Rei do Baião, do Projeto Rondon, realizada entre 09 e 26 de julho de 2010 no estado de Pernambuco. Durante esta Operação o Exército Brasileiro, através dos combatentes do 72º Batalhão de Infantaria

Motorizado, localizado na cidade Pernambucana de Petrolina, recebeu os acadêmicos na sede do Batalhão, antes destes serem conduzidos aos municípios que atuariam. Na ocasião foram passadas noções de sobrevivência na Caatinga, preservação do meio ambiente e cidadania. Durante a realização das atividades nos 22 municípios que receberam a Operação os universitários foram acompanhados por sargentos para garantir a segurança das equipes e, auxiliados por dois capitães coordenadores auxiliares para transmitir as orientações do Batalhão, e, de supervisão do Coronel, Coordenador Regional do Projeto Rondon para que se efetivasse a realização das atividades e sucesso da Operação. É inserido neste artigo um relatório sobre esta aproximação que permitiu não só que se garantisse o sucesso da Operação, mas que os acadêmicos pudessem conhecer um pouco da realidade do Exército Brasileiro durante os dias que estiveram alojados no Batalhão. Além destes fatores foi possível compreender a missão da Defesa Nacional no país auxiliando não somente como mantenedores da ordem, mas como promotores da integração concreta com a sociedade, uma vez que se valendo da organização, responsabilidade e transparência na execução das atividades, fazem com que se reafirme a imagem do exército.

O Papel Extensionista da Universidade

Em um país onde há disparidades sociais cursar o ensino superior ainda é um privilégio de uma pequena parte da população. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) no Brasil apenas 10% da população jovem - entre 25 e 34 anos - concluem o ensino superior (OCDE, 2010). O Brasil tem o menor índice de adultos com diploma universitário, segundo o relatório Education at a Glance 2009 (Panorama da Educação) (OCDE, 2009). Dessa forma deve-se considerar o importante papel das instituições de ensino superior na formação cidadã do acadêmico.

O artigo 205 da Constituição Federal de 1988 preconiza que:

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988).

O artigo 207 diz que:

As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão (BRASIL, 1988).

A ideia inicial é comprometer o ensino superior com atividades de pesquisa, ensino e

extensão, instigando-o a uma aproximação do ensino e da pesquisa com a realidade do país, através da prática da extensão. Porém, poucos são aqueles que investigam a prática dos projetos, seu dia a dia, sua influência no processo de formação dos discentes e sua contribuição para a consolidação de um campo de conhecimento específico e das consequências dessas práticas acadêmicas. De acordo com Luciana Castro (2004),

A ciência moderna tem sido pouco cuidadosa na análise das consequências dos atos produzidos por ela. É essa ausência que permite a exploração cientificamente fundada da natureza até a destruição da terra e do homem pela opressão. O conhecimento produzido não é, em nenhum momento, neutro e deve ser pensado em concomitância com suas consequências para que os caminhos possam ser reformulados (CASTRO, 2004).

No meio acadêmico é preciso suscitar a discussão da verdadeira função do universitário

e quais deverão ser suas características enquanto profissional. Não se subscreve aqui que a

extensão universitária é o meio para fazer a articulação da universidade com a sociedade, mas que esta possui características que podem vir a contribuir para uma transformação no processo de ensinar e aprender: é feita da junção entre alunos, professores e comunidades. Os projetos de extensão atuam neste processo de forma a fazer com que a Universidade não ignore o que está acontecendo no âmbito social. Ela passa a manter uma análise crítica dos problemas impostos por uma nova ordem, onde ressurgem velhos problemas que passam

a se apresentar de forma modernizada e atual. Pode-se considerar que o mais importante exemplo de projeto de extensão no Brasil é o Projeto Rondon, pois consegue inserir-se em todo país nas realidades onde há o ensino

universitário e naquelas em que a sociedade encontra-se em situação de vulnerabilidade social

e econômica. Segundo o Ministério da Defesa (2010) “O Rondon é o maior projeto de extensão universitária do país.”

O Projeto Rondon, é uma oportuna “ferramenta” educacional que pode proporcionar

pelo menos, em nosso País, uma visão de Brasil. O Projeto é uma iniciativa do Governo Federal coordenado pelo Ministério da Defesa que visa aproximar os universitários da realidade brasileira, através da realização de atividades multidisciplinares em municípios carentes e isolados do país. O programa foi criado em 1967 e durante as décadas de 1970 e

1980, permaneceu em franca atividade, tornando-se conhecido em todo Brasil. No final dos

anos noventa, o Projeto deixou de receber prioridade no Governo Federal, sendo extinto em

1989. Em 2005, já com uma nova roupagem, o Projeto Rondon voltou a figurar na pauta dos

programas governamentais, sendo atribuída a sua coordenação ao Ministério da Defesa. Desde então, o Rondon já levou mais de 11.000 rondonistas a cerca de 700 municípios. Embora as instituições desenvolvam projetos de extensão em âmbito menor, nenhum se compara ao ensino proporcionado pelo Rondon e a magnitude que ele atinge pelo Brasil. A Academia é um local para aquisições de conhecimentos que asseguram a formação de conceitos e habilidades que favoreçam o crescimento dos alunos como cidadãos conscientes.

No âmbito da extensão, é fundamental que se possibilite ao estudante a vivência de experiências significativas que lhe dê condições de refletir acerca das grandes questões da atualidade e, com base na experiência e nos conhecimentos produzidos

e acumulados, construir uma formação compromissada com as necessidades

nacionais, regionais e locais, considerando-se a realidade brasileira. Portanto, o

papel da extensão é também formar a cidadania, preparar o estudante para “amanhã” desempenhar seu papel – no seu conceito sociológico de verdadeiro cidadão brasileiro (SARAIVA, 2007).

Nesse sentido, a educação universitária é responsável por criar condições para que os acadêmicos desenvolvam as suas capacidades, proporcionando a compreensão da realidade e participando das diferentes relações sociais que facilitem o exercício da cidadania.

O Projeto Rondon: a Operação Rei do Baião como Exemplo de Integração

O Rondon é um projeto de integração social que envolve a participação voluntária de estudantes universitários na busca de soluções que contribuam para o desenvolvimento sustentável de comunidades carentes e ampliem o bem-estar da população. Um de seus diferenciais está na parceria com diversos Ministérios e no apoio das Forças Armadas, que proporcionam o suporte logístico e a segurança necessários às operações. Além disso, conta com o apoio dos Governos Estaduais, Prefeituras Municipais e empresas socialmente responsáveis.

O

Rondon é mais que um projeto educacional e social, é uma poderosa ferramenta

de

transformação social, na medida em que conscientiza jovens que terão nas mãos

o destino deste país e da importância do seu papel de protagonista na busca de uma

sociedade mais justa. (Site Projeto Rondon. Acesso em 25 de julho de 2011)

Desse modo o Rondon se junta ao meio acadêmico para transformar realidades, as quais ficam desassistidas muitas vezes pelo Governo. Segundo o coordenador geral do Projeto

Rondon, brigadeiro Rogério Luiz Veríssimo Cruz, as dificuldades não diminuem o

entusiasmo dos “rondonistas”, como são conhecidos os alunos e professores universitários

que participam das viagens. “A presença do Rondon supre a ausência do Estado em pequenas

localidades [

O Rondon objetiva contribuir para a formação do universitário como cidadão; integrar o

universitário ao processo de desenvolvimento nacional, por meio de ações participativas sobre

a realidade do País; consolidar no universitário brasileiro o sentido de responsabilidade social,

coletiva, em prol da cidadania, do desenvolvimento e da defesa dos interesses nacionais e

estimular no universitário a produção de projetos coletivos locais, em parceria com as

comunidades assistidas.

A Universidade de Cruz Alta participou da Operação Rei do Baião na cidade

Pernambucana de Floresta entre os dias 09 e 26 de julho de 2010. A equipe, interdisciplinar,

foi composta pela professora de Ciências Biológicas Valeska Martins da Silva coordenadora

da equipe, e pela professora de Medicina Veterinária Letícia Fiss. Integraram também a

equipe os acadêmicos: Ana Israel Administração; Camila Elicker Ciências Biológicas;

Eugênio Dill Medicina Veterinária; Kassiana Kehl Agronomia; Leander de Oliveira

Ciência da Computação; Luana Chaves Turismo; Mauricio Rebellato Comunicação Social

habilitação Jornalismo e Tenile Piovesan Arquitetura e Urbanismo.

A cidade de Floresta localiza-se no sertão pernambucano e apresenta uma população de

28.100 habitantes (IBGE, 2010), com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,698

(PNUD, 2000). Embora com um IDH considerado bom, o município apresenta um alto índice

de pobreza e com, pouca infra-estrutura, segurança e as precárias condições de higiene e

alimentação da maioria da população.

Para o Projeto de Extensão a equipe preparou-se durante dois meses, participando de

diversas capacitações para poder desenvolver as atividades relacionadas ao Conjunto B de

ações, as quais envolvem atividades relacionadas à Comunicação, Meio Ambiente,

Tecnologia, Trabalho e Renda. As atividades no município foram desenvolvidas entre os dias

12 e 24 de julho de 2010. A tabela 1 mostra a relação das ações desenvolvidas no município

pelo grupo.

]”.

(Site do Governo Brasileiro. Acesso em 12 de agosto de 2011)

Workshops desenvolvidos em Floresta-PE

Rádio Rondon Programa diário na Rádio Floresta FM

Cobertura Fotojornalística das atividades desenvolvidas

Oficina de Sustentabilidade Social e Elaboração de Projetos

Workshop sobre as Potencialidades Turísticas de Floresta

Workshop sobre Produção Leiteira

Importância da Comunicação como forma de multiplicar os potenciais do município de Floresta em diferentes áreas.

Curso sobre Produção Agroecológica de Alimentos

Oficina de Saneamento Básico e Cidadania

Oficina de Inclusão Digital

Workshop de Motivação e Relacionamento Interpessoal

Fonte: Rebellato e Silva, 2010

O cumprimento das atividades, a ordem e a segurança junto à população só foi

possível devido à contribuição do Ministério da Defesa. Durante os 17 dias que os rondonistas

estiveram envolvidos com o Projeto Rondon em Pernambuco as Forças Armadas estiveram

presente como “Braço forte e mão amiga” auxiliando em todas as etapas da Operação:

Na recepção dos acadêmicos nos aeroportos: ao chegar ao Aeroporto Internacional

Na recepção dos acadêmicos nos aeroportos: ao chegar ao Aeroporto Internacional

Salgado Filho, em Porto Alegre e na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, os

rondonistas foram recepcionados por militares que distribuíram os catanhos 2 e

orientaram sobre o processo logístico, mostrando disciplina e ordem. Na Base Aérea

do Galeão o convívio com os militares aconteceu por 12 horas, onde os acadêmicos

aguardavam o avião “Hércules” da Força Aérea Brasileira. O cuidado e a atenção por

parte dos militares da base foi grande para que os acadêmicos pudessem conhecer um

pouco da rotina da base.

A viagem dos rondonistas do Rio de Janeiro para Pernambuco foi realizada no Avião

A

viagem dos rondonistas do Rio de Janeiro para Pernambuco foi realizada no Avião

de Carga “Hérculese foi uma experiência muito válida para os acadêmicos. Nas três

horas de viagem foi possível conversar com os militares presentes, conhecer o avião e

cabine durante o voo.

No aeroporto de Petrolina: Na chegada ao aeroporto de Petrolina, outra equipe do

No aeroporto de Petrolina: Na chegada ao aeroporto de Petrolina, outra equipe do

exército aguardava os rondonistas em ônibus, para que fossem hospedados no 72º

Batalhão de Infantaria Motorizado, acolhendo-os durantes os cinco dias de

alojamento. Esta foi a etapa de maior contato com o ambiente militar possibilitado aos

2 O catanho é um tipo de refeição rápida, utilizada por militares do Exército Brasileiro em viagens curtas ou missões rápidas.

400 acadêmicos que participaram desta Operação. No Batalhão foi possível conhecer a estrutura de 65 hectares e os 300 hectares de caatinga preservada que estão no espaço urbano, dentro da cidade de Petrolina.

]

uma Companhia de Comando e Apoio, uma base Administrativa e um Centro de Instrução de Operações na Caatinga. É o único Batalhão do Brasil que traja o

uniforme especial de caatinga, possui uma excelente estrutura para o preparo da

Além disso, é o

tropa com pista de cordas, piscina, Pista de Pentatlo Militar [

possui duas Companhias de Fuzileiros,

A Casa do Combatente da Caatinga [

].

único Batalhão de Comando Militar do Nordeste que possui um Campo de Instrução. (A Casa do Combatente da Caatinga, 2009)

Todas as instruções recebidas foram de grande utilidade para a realização do Projeto, pois as condições climáticas, da flora e da fauna nordestina são diferentes das demais regiões do país.

O sertanejo é antes de tudo um forte. [

totalmente desenvolvida em das regiões mais inóspitas do mundo. A vegetação agressiva e espinhosa; o calor causticante; o relevo modesto e ondulado; solos erodidos e muitas vezes pedregosos; a paisagem uniforme com aglomerados humanos esparsos e uma grande escassez de água. Tudo exige do homem um treinamento especial para suplantar tais dificuldades. (Exército Brasileiro, 1998)

A instrução do combatente na caatinga é

]

Conhecer a preparação do combatente da Caatinga e a realidade do homem sertanejo despertou ainda mais o sentimento de pertença da equipe. Stuart Hall (1999) afirma que “as identidades nacionais não são coisas com as quais nós nascemos, mas são formadas, transformadas no interior da representação”. Sendo a nação construída, é uma comunidade simbólica a qual gera sentimentos de identidade e de pertença que não necessariamente são

restritos aos limites geográficos impostos pela nação. Nesta Operação foram atendidos 22 municípios do Sertão Nordestino com dois grupos de acadêmicos em cada uma, totalizando 20 pessoas trabalhando em cada local. Para garantir

a segurança dos grupos foi designado um sargento para acompanhar os rondonistas em todas

as atividades. Assim os militares mostraram a importância da aproximação entre a Defesa Nacional e

a sociedade. Nos municípios atendidos percebia-se através de conversas informais o respeito dos civis em relação aos órgãos militares e ao sargento que acompanhava a equipe. Além

deste sargento, dois coordenadores auxiliares faziam a ronda nos municípios a pedido do Coordenador Regional do Projeto Rondon. Direta ou indiretamente uma população de 421.800 habitantes, nos 22 municípios, foi atendida pelos acadêmicos, ávidos por levar

conhecimento para regiões carentes e em situações de vulnerabilidade social, e também pelo suporte militar na garantia de segurança e ordem.

A Defesa, o Meio Acadêmico e o Envolvimento Social

A relação principalmente do exército com os universitários deve ser constantemente aprimorada, pois significa a simbiose entre a teoria e a prática visando o crescimento constante do país. De acordo com pesquisa apresentada por Celso Castro (2007) no 1º Encontro da Associação Brasileira dos Estudos da Defesa (ABED), o exército é o que apresenta menor percepção no relacionamento com civis em relação à Marinha e a Aeronáutica. Também entre oito grupos sociais, o que apresentou menor percepção na relação com o exército foi o meio acadêmico. Neste contexto o Projeto Rondon surge como a melhor tentativa na recuperação desta credibilidade, a qual pode ser percebida na inserção dos sargentos nas cidades-alvo do Rondon. Na busca da atualização e preservação dos fundamentos pátrios que baseiam a identidade cultural do país, alicerçado na hierarquia e disciplina, o Ministério da Defesa deve buscar, por meio de parcerias com o meio acadêmico, subsídios que auxiliem no preparo e na formação de soldados, mantendo-os atualizados e em condições de atender a seus públicos com todas as exigências e necessidades que as sociedades contemporâneas despertam. Dessa forma cumprem-se também alguns objetivos do exército: “modernizar e racionalizar a estrutura organizacional e os processos administrativos; reduzir o hiato tecnológico em relação aos exércitos mais modernos e à dependência bélica do exterior; capacitar e valorizar os recursos humanos” (EXÉRCITO BRASILEIRO, 1998). Essa relação, sobretudo, corrobora a proposta deste estudo acerca da importância de articular conceitos produzidos no meio acadêmico à prática operacional militar, de modo a construir uma via de mão dupla para aperfeiçoamento, envolvimento social e atualização de ambas. O conceito de aproximação entre as duas unidades é discutido por Rejane Pinto Costa

(2009):

Supomos que uma parceria entre o Exército e as universidades, que têm produção de conhecimento sobre multiculturalismo e estudos, oxigenaria a reflexão e a discussão acadêmica sobre esses assuntos, bem como atualizaria o sistema de ensino militar com dados recentemente desenvolvidos nesses ambientes educacionais, numa via de mão dupla, na qual as duas instituições se beneficiariam. (COSTA, 2009)

A busca pela integração entre Ministério da Defesa e sociedade é percebida cada vez mais, notando-se esse esforço, nas práticas do exército, marinha e aeronáutica.

Sem dúvida nenhuma, estes projetos, integram, de maneira concreta, o Exército Brasileiro com a sociedade, uma vez que, valendo-se da sua organização, responsabilidade e transparência na execução das atividades arrebatam de uma só vez os corações e mentes dos cidadãos brasileiros do hoje e do amanhã. Também

(A Casa do combatente da

reafirma a imagem do Exército perante a sociedade [ Caatinga, 2009)

].

A identificação com o povo, sendo este um dos objetivos dos órgãos militares, continua consistindo um dos pilares que remontam desde 09 de setembro de 1542 onde o termo promulgado pela Câmara de São Vicente oficializou a primeira tropa reunida, composta por reinóis e índios que atenderiam, quando necessário, à convocação as armas e na Batalha dos Guararapes em que se mesclaram etnias, bravura, garra, solidariedade e altivez no amor à terra natal.” (SENA, 2000) Desde então, verifica-se o apoio dos órgãos da Defesa em missões de paz, preservação da flora e da fauna, ações cívicos sociais, patrulhamentos, segurança em eventos do governo, operações pipa, controle de estradas e postos de bloqueio, entre outras atividades que confirmam a aproximação da Defesa com a sociedade. E, através do Projeto Rondon comprova-se esse envolvimento e a aproximação com o meio acadêmico em prol do desenvolvimento social.

O Rondon Transformando Realidades

Nos 17 dias em que a equipe de rondonistas da Universidade de Cruz Alta esteve no município de Floresta em Pernambuco foi possível vivenciar a realidade da comunidade, seus anseios e sonhos por uma sociedade mais digna. A inserção dos acadêmicos no município deu-se principalmente através da realização de oficinas divulgadas previamente através das secretarias municipais. Mais de 40 oficinas foram desenvolvidas pelas duas equipes que estiveram no município, com uma média de 25 participantes em cada atividade. Para a realização das oficinas buscou-se atingir os públicos-alvo para que estes atuassem como multiplicadores e agentes transformadores da realidade local.

A importância do Ministério da Defesa e dos universitários em uma operação como esta, encontra-se no sequioso desejo por levar conhecimento e transformar a situação de locais onde as ações dos governos ainda são restritas. Para o município, seja por meio de ações ou dos projetos e iniciativas criadas, ou a sensibilização de que o potencial existente deve ser aproveitado, a intervenção do projeto é de grande importância. Os relatórios e propostas elaborados pelas equipes servem como subsídio na elaboração de propostas, uma vez que neles há o diagnóstico da situação do município; com demandas, potencialidades e propostas de intervenção em diversas áreas tais como Educação, Saúde, Cultura, Segurança, etc.

Resultados e Conclusões

No encerramento da Operação Rei do Baião, bem como na avaliação encaminhada pela Instituição de Ensino Superior percebeu-se que a articulação do Ministério da Defesa nestes programas específicos que visam a sinergia entre a Defesa e a sociedade, como o Projeto Rondon, é de suma importância para o êxito das atividades. A realização destes Projetos auxilia no desenvolvimento do país, pois permitem que as populações menos favorecidas possam ter uma vida melhor através da união entre a Educação e a Defesa. Durante os dias de trabalho no município pode-se perceber a importância do Projeto de Extensão na vida acadêmica. Embora os universitários escolhidos para participar da Operação já demonstrassem interesse nas causas sociais e de envolvimento com a comunidade, em Floresta abdicaram de muitas coisas, como por exemplo: de uma alimentação adequada e de horas de sono. Puderam conhecer e atuar de forma prática e teórica na busca de ações que potencializassem a cidade, bem como na capacitação de multiplicadores de informações.

O Projeto Rondon além de contribuir com o município desperta no acadêmico o desejo

de conhecer um Brasil totalmente diferente daquele que está inserido. Onde a pobreza, a população e as injustiças caminham lado a lado, sem acesso a informação e aos direitos de cada cidadão. Cada conhecimento por mais simples que tenha sido passado, significou muito para Floresta e motivou os 20 acadêmicos e professores que participaram da Operação, a utilizar o conhecimento adquirido na academia para construir uma sociedade com menos disparidades e desigualdades.

O Projeto também propiciou conhecer outros acadêmicos de todos os estados do Brasil, permitindo assim a troca de experiências e aprendizado antes e depois da Operação. Um grupo de rondonistas do Estado de São Paulo declarou em 1979: "Não basta olhar o mapa do Brasil aberto sobre a mesa de trabalho ou pregado à parede de nossa casa. é necessário andar sobre ele para sentir de perto as angústias do povo, suas esperanças, seus dramas ou suas tragédias; sua história e sua fé no destino da nacionalidade". Desse modo pode-se participar ativamente da construção de uma sociedade em que todos tenham direito a cidadania.

A atividade extensionista proporcionada pelo Projeto Rondon tem importante papel

para aproximar a Universidade da sociedade. Através da extensão o acadêmico leva o

conhecimento científico para ajudar a melhorar e desenvolver a comunidade alvo. Todo esse aprendizado adquirido e repassado depende do Ministério da Defesa que atua não só como mantenedor da ordem e da segurança, mas como um facilitador de todas as atividades desenvolvidas. Sem o apoio logístico e humano dos militares a execução do Projeto tornar-se- ia praticamente inviável, considerando todos os momentos da Operação. A Defesa Brasileira deve continuar inserindo-se nestas realidades, suprindo necessidades de comunidades mais vulneráveis, e para isto, o meio acadêmico como detentor de conhecimento, desempenha papel fundamental na transmissão da informação e do conhecimento. Com o término do Projeto, em que se conheceu a realidade do sertão pernambucano e as experiências levadas por acadêmicos de todo o Brasil, fica o sentimento de ser ainda mais brasileiro, dando continuidade aos dias de Rondon após o seu término, buscando transformar também a realidade na qual o universitário se encontra, contribuindo para o desenvolvimento político e social de suas localidades.

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