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Aula 00

Direitos Humanos p/ Analista de Promotoria do MP-SP 2015 Professor: Ricardo Torques

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D IREITOS H UMANOS PARA A SSISTENTE DE P ROMOTORIA MPSP teoria e questões Aula

DIREITOS HUMANOS PARA ASSISTENTE DE PROMOTORIA MPSP

teoria e questões Aula 00 - Prof. Ricardo Torques

MPSP teoria e questões Aula 00 - Prof. Ricardo Torques Aula 00 Introdução aos Direitos Humanos

Aula 00

Introdução aos Direitos Humanos

Sumário

Apresentação

 

3

Cronograma de Aulas

7

1

Considerações Iniciais

8

2 Introdução aos Direitos Humanos

 

8

2.1 Conceito e terminologia

8

2.2 Estrutura Normativa

10

2.3 Fundamentos dos Direitos Humanos

13

3 Características dos Direitos Humanos

17

3.1 Superioridade Normativa (ou jus cogens)

18

3.2 - Historicidade

 

18

3.3 - Universalidade

18

3.4 - Relatividade

19

3.5 - Irrenunciabilidade

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19

3.6 - Inalienabilidade

19

3.7 - Imprescritibilidade

20

3.8 - Interdependência

20

3.9 Caráter erga omnes

20

3.10 - Exigibilidade

21

3.11 - Abertura

21

3.12 Aplicabilidade imediata

21

3.13 Dimensão objetiva

21

3.14 Proibição do retrocesso (efeito cliquet)

22

3.15 Eficácia horizontal

 

22

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4 Dimensões dos Direitos Humanos

 

23

4.1 Primeira Dimensão dos Direitos Humanos

24

4.2 Segunda Dimensão dos Direitos Humanos

25

4.3 Terceira Dimensão dos Direito Humanos

26

4.4 Quarta e Quinta Dimensões dos Direitos Humanos

27

5 Afirmação histórica dos Direitos Humanos

30

5.1 Afirmação do conceito de pessoa na história

30

5.2 Grandes etapas históricas na afirmação dos Direitos Humanos

32

6 - A Proteção Internacional dos Direitos Humanos

37

6.1 - Introdução

 

37

6.2 - Precedentes Históricos

37

6.3 - Internacionalização dos Direitos Humanos

39

6.4 - Sistemas de Proteção Internacional dos Direitos Humanos

40

6.5 - As Três Vertentes de Proteção Internacional

43

7 - Natureza Objetiva da Proteção Internacional de Direitos Humanos

48

8 - Sistema Global

 

49

8.1 Introdução

49

8.2 - Precedentes Históricos

49

8.3 - O sistema da Liga das Nações

50

8.4 - A ONU e a proteção internacional dos Direitos Humanos

51

8.5 - Sistemas convencional e extraconvencional da ONU

53

9 - Estrutura Normativa do Sistema Global de Direitos Humanos

56

10

Questões

57

10.1 - Questões sem Comentários

Gabarito

 

57

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10.2 -

61

10.3 - Questões Comentadas

62

11

Considerações Finais

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Apresentaça┘o e Cronograma de Aulas

Apresentação

Iniciamos hoje nosso Curso de Direitos Humanos para o concurso de Assistente de Promotoria do Ministério Público de São Paulo (MPSP), com teoria e questões. Trata-se de um curso pós-edital, estruturado e organizado com base no Edital nº 01/2015, após a republicação.

Trata-se de um concurso para bacharéis em Direito, com remuneração R$ 5.219,27, além de benefícios tais como auxílio alimentação e auxílio transporte.

Além da remuneração expressiva, o concurso destaca-se em razão do número de vagas. São, pelo menos, 107 vagas distribuídas em todo o estado de São Paulo. Além disso, durante o período de validade poderão ser providos mais cargos do que as vagas anunciadas.

O concurso será composto de duas fases, uma objetiva e outra subjetiva. Nosso curso será voltado para a prova objetiva. Vejamos o quadro das disciplinas previsto em edital:

PROVA OBJETIVA

Conhecimentos Gerais

Língua Portuguesa

10

Atualidades

3

Conhecimentos Específicos

Direito Penal

15

Direito Processual Penal

15

Tutela de Interesses Difusos

12

Direito Civil

7

Direito Processual Civil

7

 

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Direito Administrativo

6

Direito Constitucional

6

Direito da Infância e Juventude

5

Direito Comercial e Empresarial

4

Direitos Humanos

6

Direito Eleitoral

4

PROVA ESCRITA E DISCURSIVA

Redação Direito Penal ou Direito Processual Penal

1

Redação Tutela dos Interesses Difusos e Coletivos ou Direito Processual Civil)

1

Prova Discursiva

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A prova de Direitos Humanos será composta de seis questões

objetivas, podendo ser, inclusive, objeto de cobrança nas questões discursivas. Dessa forma, dada a extensão do edital, devemos estruturar nosso curso de forma objetiva e direta, para uma preparação consistente e proporcional.

Algumas constatações acerca da prova vindoura são importantes!

PRIMEIRA, por se tratar de concurso pós-edital nosso estudo deve ser dirigido, voltado para as principais informações que poderão ser exigidas em sua prova. Não será proveitoso e inteligente de nossa parte

aprofundarmos todos os temas, posto que se trata de edital extenso. Vamos, portanto, orientar nossas aulas justamente com o que prevê o edital

do concurso. A cada aula destacaremos qual(is) o(s) ponto(s) foi(foram)

objeto de estudo.

SEGUNDA, dado o perfil da banca VUNESP devemos focar nosso estudo no teor dos documentos internacionais e das normas relacionadas à matéria.

Em razão disso, sempre que for importante essas normas serão constarão integralmente do nosso material. Além disso, é relevante o conhecimento

de alguns julgados do STF a respeito da matéria. Sem necessidade de um

aprofundamento demasiado, devemos conhecer um pouco da jurisprudência que envolva os Direitos Humanos. Em razão disso, além de citar esses julgados traremos comentários e explicações de forma didática.

Deste modo, podemos afirmar que as aulas levarão em consideração as seguintes “fontes”.

FONTES
FONTES
em consideração as seguintes “fontes”. FONTES Doutrina quando essencial e majoritária Tratados e
em consideração as seguintes “fontes”. FONTES Doutrina quando essencial e majoritária Tratados e
Doutrina quando essencial e majoritária
Doutrina
quando
essencial e
majoritária
Tratados e Convenções Internacionais
Tratados e
Convenções
Internacionais
Normas internas de Direitos Humanos
Normas internas
de Direitos
Humanos
Jurisprudência relevante dos Tribunais Superiores
Jurisprudência
relevante dos
Tribunais
Superiores

TERCEIRO, é importante realizar questões anteriores de concurso. Em alguns dos assuntos o contingente de questões da banca VUNESP é relevante. Em outros assuntos, entretanto, o acervo é menor, oportunidade em que buscaremos questões de bancas semelhantes. De todo modo, todas

as questões do material serão compostas por alternativas e com o perfil da

VUNESP.

Essas observações são importantes pois permitirão que, dentro da nossa limitação de tempo e com máxima objetividade, possamos organizar o curso de modo focado, voltado para acertar questões de primeira fase.

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Esta é a nossa proposta!

Vistos alguns aspectos gerais da matéria, teçamos algumas considerações acerca da metodologia de estudo.

As aulas em .pdf tem por característica essencial a didática. Ao contrário

do que encontraremos na doutrina especializada de Direitos Humanos

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(Flávia Piovesan e Augusto Cançado Trindade, para citarmos os expoentes neste ramo jurídico), o curso todo se desenvolverá com uma leitura de fácil compreensão e assimilação.

Isso, contudo, não significa superficialidade. Pelo contrário, sempre que necessário e importante os assuntos serão aprofundados. A didática, entretanto, será fundamental para que diante do contingente de disciplinas, do trabalho, dos problemas e questões pessoais de cada aluno, possamos extrair o máximo de informações para hora da prova.

Para tanto, o material será permeado de esquemas, gráficos informativos, resumos, figuras, tudo com o fito de “chamar atenção” para as informações que realmente importam.

Com essa estrutura e proposta pretendemos conferir segurança e tranquilidade para uma preparação completa, sem necessidade de recurso a outros materiais didáticos.

Finalmente, destaco que um dos instrumentos mais relevantes para o estudo em .pdf é o contato direto e pessoal com o Professor. Além do nosso fórum de dúvidas, estamos disponíveis por e-mail e, eventualmente, pelo Facebook. Aluno nosso não vai para a prova com dúvida. Por vezes, ao ler o material surgem incompreensões, dúvidas, curiosidades, nesses casos basta acessar o computador e nos escrever. Assim que possível respondemos a todas as dúvidas. É notável a evolução dos alunos que levam a sério a metodologia.

Assim, cada aula será estruturada do seguinte modo:

CONSIDERAÇÕES INICIAIS
CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O objeto de estudo da aula; Observações sobre aulas passadas; Informações atinentes ao andamento do curso; e Novidades sobre o concurso.

AULA
AULA

Teoria; Esquemas e gráficos explicativos; Legislação e Jurisprudência destacadas, sempre que necessário; e

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QUESTÕES
QUESTÕES

Lista das questões sem comentários; Gabarito; e Questões Comentadas analiticamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Sugestões de leituras e considerações quanto as aulas subsequentes; e Dicas e sugestões de estudo e revisão.

Por fim, resta uma breve apresentação pessoal. Meu nome é Ricardo Strapasson Torques! Sou graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pós-graduado em Direito Processual.

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Estou envolvido com concurso público há 07 anos, aproximadamente, quando ainda na faculdade. Trabalhei no Ministério da Fazenda, no cargo de ATA. Fui aprovado para o cargo Fiscal de Tributos na Prefeitura de São José dos Pinhais/PR e para os cargos de Técnico Administrativo e Analista Judiciário nos TRT 4ª, 1º e 9º Regiões. Atualmente, resido em Cascavel/PR e sou servidor Público na 2ª Vara do Trabalho de Toledo/PR.

Quanto à atividade de professor, leciono exclusivamente para concurso, com foco na elaboração de materiais em pdf. Temos, atualmente, cursos em Direitos Humanos, Legislação e Direito Eleitoral.

Deixarei abaixo meus contatos para quaisquer dúvidas ou sugestões. Terei o prazer em orientá-los da melhor forma possível nesta caminhada que estamos iniciando.

E-mail: rst.estrategia@gmail.com Facebook: https://www.facebook.com/ricardo.s.torques

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Cronograma de Aulas

O edital de Direitos Humanos abrangeu:

DIREITOS HUMANOS: Direitos Humanos. Conceito e evolução histórica: as dimensões dos Direitos Humanos. Sistema Internacional de promoção e proteção dos Direitos Humanos. Sistema Interamericano. Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos incorporados pelo ordenamento brasileiro. Conflito com as normas constitucionais. Ministério Público e a defesa dos Direitos Humanos. Sistema Único de Saúde. Sistema Único de Assistência Social. Direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais. Igualdade racial. Pessoas com deficiência.

Os conteúdos acima foram distribuídos da seguinte maneira:

AULA 00 Introdução aos Direitos Humanos

Disponibilização

– Introdução aos Direitos Humanos Disponibilização Conceito e evolução histórica: as dimensões dos Direitos
– Introdução aos Direitos Humanos Disponibilização Conceito e evolução histórica: as dimensões dos Direitos

Conceito e evolução histórica: as dimensões dos Direitos Humanos. Sistema Internacional de promoção e proteção dos Direitos Humanos.

13.04.2015

AULA 01 Sistema Interamericano

Disponibilização

AULA 01 – Sistema Interamericano Disponibilização Sistema Interamericano. 23.04.2015
AULA 01 – Sistema Interamericano Disponibilização Sistema Interamericano. 23.04.2015

Sistema Interamericano.

23.04.2015

AULA 02 Tratados e Convenções Internacionais Internalizadas pelo Ordenamento Jurídico Brasileiro (parte

01)

Disponibilização

Jurídico Brasileiro (parte 01) Disponibilização Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos
Jurídico Brasileiro (parte 01) Disponibilização Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos

Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos incorporados pelo ordenamento brasileiro (parte 01).

03.05.2015

AULA 03 Tratados e Convenções Internacionais Internalizadas pelo Ordenamento Jurídico Brasileiro (parte

02)

Disponibilização

Jurídico Brasileiro (parte 02) Disponibilização Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos
Jurídico Brasileiro (parte 02) Disponibilização Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos

Tratados e Convenções Internacionais sobre Direitos Humanos incorporados pelo ordenamento brasileiro (parte 02). Conflito com as normas constitucionais.

13.05.2015

AULA 04 – Ministério Público e Direitos Humanos Ministério Público e a defesa dos Direitos

AULA 04 Ministério Público e Direitos Humanos

Ministério Público e a defesa dos Direitos Humanos.

Disponibilização

23.05.2015

Público e Direitos Humanos Ministério Público e a defesa dos Direitos Humanos. Disponibilização 23.05.2015

AULA 05 Ordem Social e Direitos Humanos

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Disponibilização

Social e Direitos Humanos 35699462821 Disponibilização Sistema Único de Saúde. Sistema Único de Assistência
Social e Direitos Humanos 35699462821 Disponibilização Sistema Único de Saúde. Sistema Único de Assistência

Sistema Único de Saúde. Sistema Único de Assistência Social. Direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais.

02.06.2015

AULA 06 Igualdade Racial e Pessoas com Deficiência

Disponibilização

Igualdade Racial e Pessoas com Deficiência Disponibilização Igualdade racial. Pessoas com deficiência. 12.06.2015
Igualdade Racial e Pessoas com Deficiência Disponibilização Igualdade racial. Pessoas com deficiência. 12.06.2015

Igualdade racial. Pessoas com deficiência.

12.06.2015

AULA 07 Resumo

Disponibilização

AULA 07 – Resumo Disponibilização Resumo 14.06.2015
AULA 07 – Resumo Disponibilização Resumo 14.06.2015

Resumo

14.06.2015

Essa é a distribuição dos assuntos ao longo do curso. Eventuais ajustes poderão ocorrer, especialmente por questões didáticas. De todo modo, sempre que houver alterações no cronograma acima, vocês serão informados, justificando-se.

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Aula どど ‒ Introduça┘o aos Direitos Humanos

1 Considerações Iniciais

Em nossa aula inaugural vamos tratar dos assuntos introdutórios da matéria. Veremos, assim, os seguintes pontos do edital:

Conceito e evolução histórica: as dimensões dos Direitos Humanos.

Sistema Internacional de promoção e proteção dos Direitos Humanos.

Como se trata de uma aula introdutória vamos abranger, para além dos estritos termos da ementa acima, alguns conceitos iniciais, que são fundamentais para conhecermos a nossa disciplina. Esses assuntos são necessários para formar uma base para o estudo de temas mais importantes (leia-se: mais incidentes em provas). Vamos lá?

De todo modo, nosso foco serão o conceito de direitos humanos, as dimensões, a evolução histórica do tema e o sistema internacional de proteção e promoção dos direitos humanos.

Boa aula!

2 Introdução aos Direitos Humanos

2.1 Conceito e terminologia

A matéria Direitos Humanos pode ser conceituada como o conjunto de

direitos inerentes à dignidade da pessoa humana, por meio da limitação do arbítrio do Estado e do estabelecimento da igualdade como o aspecto central das relações sociais.

A definição consagrada na doutrina atualmente é a de Antônio Peres Luño 1 ,

segundo o qual os direitos humanos constituem um

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Conjunto de faculdades e instituições que, em cada momento histórico, concretizam as exigências de dignidade, liberdade e igualdade humanas, as quais devem ser reconhecidas positivamente pelos ordenamentos jurídicos em nível nacional e internacional.

A essência do conceito de Direitos Humanos está na proteção aos direitos

mais importantes dos homens, notadamente, a dignidade.

IDEIA CENTRAL DOS DIREITOS HUMANOS prover meios e instrumentos jurídicos para a defesa da dignidade
IDEIA CENTRAL DOS
DIREITOS HUMANOS
prover meios e
instrumentos jurídicos para
a defesa da dignidade das
pessoas

1 PERES LUÑO, Antônio. Derechos humanos, Estado de derecho y Constitución. 5. edição. Madrid: Editora Tecnos, 1995, p. 48.

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Afirmam os estudiosos, portanto, que a base dos Direitos Humanos é a dignidade da pessoa. Mas o que é dignidade? Segundo Fábio Konder Comparato 2 , dignidade é a

Convicção de que todos os serem humanos têm direito a ser igualmente respeitados, pelo simples fato de sua humanidade.

Em palavras mais simples: assegurar a dignidade de um ser humano é respeitá-lo e tratá-lo de forma igualitária, independentemente de quaisquer condições sociais, culturais ou econômicas.

Quanto à terminologia, a expressão que se disseminou é a de “Direitos Humanos”, contudo, várias são as expressões que podem ser consideradas sinônimas, por exemplo: “direitos fundamentais”, “liberdades públicas”, “direitos da pessoa humana”, “direitos do homem”, “direitos da pessoa”, “direitos individuais”, “direitos fundamentais da pessoa humana”, “direitos públicos subjetivos”.

Duas considerações são importantes.

Primeira, os doutrinadores afirmam que a expressão Direitos Humanos é pleonástica, pois o termo direitospressupõe o ser humano. Não é possível conceber direitos de um carro, direito de um animal etc. Somente o ser humano pode ser sujeito de direitos, um carro ou animal poderão, por outro lado, ser objetos de direito. Portanto, falar em “Direitos Humanos” é falar a mesma coisa duas vezes. Isso é pleonasmo! De toda forma, a doutrina, a exemplo de Fábio Konder Comparato, diz que é melhor falarmos em direitos humanos, porque o termo remete à ideia de que esses direitos constituem exigências e comportamento que devem valer para todos os indivíduos em razão de sua condição humana.

Segunda, para evitar confusões, devemos distinguir Direitos Humanos de Direitos Fundamentais.

Apenas para nos situarmos, vejamos a definição de Ingo Wolfgang Sarlet 3 , doutrinador consagrado no tema:

Ingo Wolfgang Sarlet 3 , doutrinador consagrado no tema: Os direitos fundamentais, ao menos de forma

Os direitos fundamentais, ao menos de forma geral, podem ser considerados concretizações das exigências do princípio da dignidade da pessoa humana.

35699462821

Como vocês podem perceber, os conceitos são praticamente idênticos. Assim, a distinção não reside no conteúdo de tais direitos, mas no plano de positivação. Melhor explicando:

Direitos Humanos referem-se aos direitos universalmente aceitos na ordem internacional; e

direitos

Direitos

Fundamentais:

constituem

o

conjunto

de

positivados na ordem interna de determinado Estado.

2 COMPARATO, Fábio Konder. Afirmação Histórica dos Direitos Humanos. 7ª edição, rev., ampl. e atual., São Paulo: Editora Saraiva, 2010, p. 13.

3 SARLET, Ingo Wolfgang. Eficácia dos Diretos Fundamentais. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2004, p. 110.

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MPSP teoria e questões Aula 00 - Prof. Ricardo Torques DIREITOS HUMANOS DIREITOS FUNDAMENTAIS conjunto de

DIREITOS HUMANOS

DIREITOS FUNDAMENTAIS

Prof. Ricardo Torques DIREITOS HUMANOS DIREITOS FUNDAMENTAIS conjunto de valores e direitos na ordem internacional para
conjunto de valores e direitos na ordem internacional para a proteção da dignidade da pessoa

conjunto de valores e direitos na ordem internacional para a proteção da dignidade da pessoa

35699462821 2.2 ‒ Estrutura Normativa Prof. Ricardo Torques

35699462821

2.2 Estrutura Normativa

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conjunto de valores e direitos positivados na ordem interna de determinado país para a proteção da dignidade da pessoa.

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Em que pese tal distinção, não há diferença de conteúdo entre Direitos Humanos e Direitos Fundamentais. Nesse aspecto, vejamos as lições de Rafael Barreto 4 :

Apesar da variação de plano de positivação não há, em verdade, diferença de conteúdo entre os direitos humanos e os direitos fundamentais, eis que os direitos são os mesmos e objetivam a proteção da dignidade da pessoa.

Em razão disso, a doutrina contemporânea reconhece que a distinção perde força, havendo quem mencione direitos humanos fundamentais ou direitos fundamentais humanos. Além disso, há nítido processo de aproximação entre ambos, devido à mútua relação entre o Direito Internacional e o direito interno na temática dos Direitos Humanos 5 .

Fala-se, ainda, em centralidade dos Direitos Humanos, no sentido de que a disciplina é importante em razão da matéria que tutela. Não é possível se pensar em um Estado Democrático de Direito, como é o Brasil, sem criar uma série de direitos e garantias para tutelar a dignidade da pessoa. Portanto, dizemos que os direitos humanos são matéria central, porque imprescindível para que a ordenamento jurídico afirme direitos das pessoas e limite a atuação estatal contra arbitrariedades.

Os direitos humanos apresentam uma característica marcante: possuem estrutura normativa aberta. E que o seria uma estrutura normativa aberta?

Estudamos em Direito Constitucional que as normas jurídicas compreendem regras e princípios.

As regras são enunciados jurídicos tradicionais, que preveem uma situação fática e, se esta ocorrer, haverá uma consequência

4 BARRETTO, Rafael. Direitos Humanos. 2ª edição, rev., ampl., Salvador: Editora JusPodvim, 2012, p. 25. 5 RAMOS, André de Carvalho, Curso de Direitos Humanos, São Paulo: Editora Saraiva, 2014, versão digital.

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jurídica. Por exemplo, se alguém violar o direito à imagem de outrem (fato), ficará responsável pela reparação por eventuais danos materiais e morais causados à pessoa cujas imagens foram divulgadas indevidamente (consequência jurídica).

Os princípios, por sua vez, segundo ensinamentos de Robert Alexy, são denominados de “mandados de otimizaçãoque condicionam todas as estruturas subsequentes e servem de parâmetro para interpretação. Os princípios constituem espécie de normas que deverão ser observados na maior medida do possível.

Parece difícil, mas não é! Prevê art. 5º, LXXVIII, da CF, que a todos será assegurada a razoável duração do processo. Esse é um princípio! Não há aqui definição de até quanto tempo será considerado como duração razoável, para, se ultrapassado esse prazo, aplicar a consequência jurídica diretamente. Não é possível dizer, de antemão, se 1, 5 ou 10 anos é um prazo razoável. Por se tratar de princípio, deve-se procurar, na melhor forma possível, fazer com que o processo se desenvolva de forma rápida e satisfatória às partes.

Por conta disso, um processo trabalhista, que comumente envolve direito de caráter alimentar, deve tramitar mais rápido (mais célere) quando comparado a um processo-crime, por exemplo. No processo penal, para uma completa defesa do réu, é necessário que o processo seja burocrático, atentando-se a diversos detalhes, que tornam o procedimento mais demorado.

Não há, portanto, como definir um prazo, a priori, no qual o processo seja considerado tempestivo. Assim, fala-se em mandado de otimização, posto que o princípio da celeridade deve ser observado na medida do possível e de acordo com as circunstâncias específicas.

As regras são aplicadas a partir da técnica da subsunção, ou seja, se ocorrer a situação de fato haverá a incidência da consequência jurídica prevista. Ou a regra aplica-se àquela situação ou não se aplica (técnica do “tudo ou nada”). Para os princípios, ao contrário, a aplicação pressupõe o uso da técnica de ponderação de interesses, pois a depender da situação fática assegura-se com maior ou menor amplitude o princípio (técnica do “mais ou menos”). Retornando ao exemplo, para o processo do trabalho, o decurso de 2 anos poderá implicar violação ao princípio da celeridade; para o processo crime o decurso de 5 anos não implicará, necessariamente, violação ao mesmo princípios.

Quanto à natureza normogenética, os princípios fundamentam as regras de modo que constituem a ratioda norma fundamentada. As regras, por sua vez, buscam fundamento nos princípios, o que lhes confere forma e amplitude.

Os princípios possuem alto grau de abstração, podendo abranger diversas situações heterogêneas, de modo que concretizam-se em

situações heterogêneas, de modo que concretizam-se em 35699462821 Prof. Ricardo Torques

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graus diversos. As regras, entretanto, possuem baixo grau de abstração, abrangendo tão somente situações homogêneas.

Distinguem-se ainda os princípios das regras quanto à aplicabilidade. Os princípios sujeitam-se à técnica interpretativa, em razão da indeterminabilidade ou generalidade do seu comando. As regras, por seu turno, possuem aplicação direta e imediata, desde que enquadrem-se na situação objetivamente especificada.

que enquadrem-se na situação objetivamente especificada. REGRAS mandados de determinação aplicado por subsunção
REGRAS mandados de determinação aplicado por subsunção técnica do "tudo ou nada" buscam fundamento nos
REGRAS
mandados de determinação
aplicado por subsunção
técnica do "tudo ou nada"
buscam fundamento nos
princípios
possuem reduzido grau de
abstração e indeterminabilidade
aplicação direta e imediatada
PRINCÍPIOS mandados de otimização aplicado por ponderação de interesses técnica do "mais ou menos"
PRINCÍPIOS
mandados de otimização
aplicado por ponderação de
interesses
técnica do "mais ou menos"
constituem a ratio das regras
possuem elebado grau de
abstração e de
indeterminabilidade
dependem da interpretação

E qual a importância disso tudo para os Direitos Humanos? Caro aluno, a estrutura normativa dos Direitos Humanos é formada principalmente por um conjunto de princípios.

Além disso, em termos normativos, devemos frisar que tanto as regras como os princípios são considerados espécie de normas, logo possuem normatividade. Hoje não é mais aceita a ideia clássica de que os princípios constituem tão somente instrumentos interpretativos e orientadores da aplicação do direito.

interpretativos e orientadores da aplicação do direito. 35699462821 NORMAS JURÍDICAS regras princípios ESTRUTURA

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NORMAS JURÍDICAS
NORMAS
JURÍDICAS
regras
regras
princípios
princípios
direito. 35699462821 NORMAS JURÍDICAS regras princípios ESTRUTURA NORMATIVA DOS DIREITOS HUMANOS possuem
ESTRUTURA NORMATIVA DOS DIREITOS HUMANOS
ESTRUTURA NORMATIVA
DOS DIREITOS HUMANOS
regras princípios ESTRUTURA NORMATIVA DOS DIREITOS HUMANOS possuem normatividade aberta, com maior incidência de
possuem normatividade aberta, com maior incidência de princípios que de regras
possuem normatividade aberta,
com maior incidência de
princípios que de regras

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MPSP teoria e questões Aula 00 - Prof. Ricardo Torques quando falarmos em normas de Direitos

quando

falarmos em normas de Direitos Humanos

estaremos nos referindo:

Para

finalizar

o

estudo

deste

tópico,

a) aos tratados internacionais;

b) aos costumes; e

c) aos princípios gerais do Direito Internacional.

Não vamos nos alongar nesse assunto, pois não deverá ser objeto de prova. Apenas devemos saber que os textos normativos sobre o qual nós vamos trabalhar ao longo desse curso são os tratados internacionais de Direitos Humanos, os costumes internacionais e os princípios gerais do Direito Internacional.

2.3 Fundamentos dos Direitos Humanos

Vimos que a base dos direitos humanos é a dignidade da pessoa. Neste tópico vamos investigar por que a dignidade é a base da disciplina, ou seja, os fundamentos dos Direitos Humanos.

Este tema é complexo e abstrato, envolvendo conceitos históricos e discussões filosóficas. Entretanto, como o assunto é recorrente em provas, vamos trazer os assuntos de forma sucinta e didática, com destaque para as principais informações.

Por fundamentação compreendem-se razões que legitimam e motivam o reconhecimento dos Direitos Humanos.

Impossibilidade de delimitação dos fundamentos

Formou-se na doutrina a corrente negativista que nega a possibilidade de ser definido um fundamento para os Direitos Humanos.

Há quem entenda, a exemplo de Norberto Bobbio, que é impossível definir o fundamento de nossa disciplina, por 3 motivos:

1. Existem divergências quanto à definição de qual seria o conjunto de direitos abrangidos. Assim, não seria possível definir

fundamento, pois nem se sabe ao certo quais os direitos

o

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compreendidos em nossa disciplina.

2. Em razão de sua historicidade (característica que veremos nesta aula), os Direitos Humanos constituem disciplina que está em constante evolução; e

3. Direitos Humanos constituem uma categoria de direitos heterogênea por vezes conflituosa exigindo do aplicador a técnica

da ponderação de interesses.

Para outros doutrinadores, como o autor espanhol Peres Luño, não é possível identificar o fundamento dos Direitos Humanos porque esses direitos são consagrados a partir de juízos de valor. Vale dizer, são consagrados por opções morais que, por definição, não podem ser comprovadas ou justificadas, mas apenas aceitas por convicção pessoal.

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O que significa isso?

Consiste no fato de que não existe uma norma, como é o texto constitucional de um Estado, que seja fundamento de validade para as demais normas de determinado ordenamento jurídico. Em Direito Constitucional estudamos que a Constituição é fundamento de validade para todas as normas infraconstitucionais. Já na seara dos Direitos Humanos, como inexiste um referencial (como a Constituição), cada organismo internacional poderá compreender o fundamento da disciplina de acordo com suas concepções morais e juízos de valor.

Para esses autores o fato de os direitos humanos possuírem estrutura aberta impede que se delimitem os fundamentos dos direitos humanos.

Fundamentos

Paralelamente à corrente que nega a possibilidade de delimitação dos Direitos Humanos, foram construídos pela doutrina os fundamentos dos Direitos Humanos. Desde logo, registre-se que não há a predominância de um único fundamento. São vários os fundamentos da disciplina, cujos principais sintetizamos abaixo.

Fundamento Jusnaturalista

Para a corrente jusnaturalista, o fundamento dos Direitos Humanos consiste em normas anteriores e superiores ao direito estatal posto, decorrente de um conjunto de ideias, de origem divina ou fruto da razão humana.

Assim, para essa corrente de pensamento, os Direitos Humanos seriam equivalentes aos direitos naturais, consequência da afirmação dos ideais jusnaturalistas.

Uma característica importante da corrente jusnaturalista é o cunho metafísico, uma vez que os Direitos Humanos encontram fundamento na existência de um direito preexistente ao direito produzido pelo homem, oriundo de:

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Deus escola de direito natural de razão divina; ou

da natureza inerente do ser humano escola de direito natural moderna.

Em crítica a esse fundamento, argui-se que os direitos humanos são históricos, ou seja, conquistados pela sociedade em razão das confluências sociais e culturais, de forma que os Direitos Humanos não são preexistentes a tudo que existe de normativo.

De todo modo, essa corrente é importante, posto que influenciou e ainda influencia o desenvolvimento dos Direitos Humanos, tal como se extrai da

desenvolvimento dos Direitos Humanos, tal como se extrai da Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br

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jurisprudência do STF, de acordo com os ensinamentos de André de Carvalho Ramos 6 . Vejamos alguns exemplos:

(I) Ao se pronunciar sobre o tema bloco de constitucionalidade, o Min. Celso de Mello 7 discorreu que os direitos naturais integram o referido bloco.

Cabe ter presente que a construção do significado de Constituição permite, na elaboração desse conceito, que sejam considerados não apenas os preceitos de índole positiva, expressamente proclamados em documento formal (que consubstancia o texto escrito da Constituição), mas, sobretudo, que sejam havidos, igualmente, por relevantes, em face de sua transcendência mesma, os valores de caráter suprapositivo, os princípios cujas raízes mergulham no direito natural e o próprio espírito que informa e dá sentido à Lei Fundamental do Estado.

constitucionalidade

refere-se às normas que servem de parâmetro para o controle de constitucionalidade.

Em sentido amplo, por bloco de constitucionalidade devemos compreender o conjunto das normas do ordenamento jurídico que tenham status constitucional. É neste sentido que o assunto ganha relevância para o estudo de Direitos Humanos. Assim, além das normas formalmente constitucionais, todas as normas que versem sobre matéria constitucional, tal como os direitos humanos (segundo referência acima do STF) e os tratados internacionais e os tratados internacionais de direitos humanos serão considerados materialmente constitucionais.

(II) Ao tratar sobre o direito à greve como causa suspensiva do contrato de trabalho, o Min. Marco Aurélio 8 tratou o referido direito como natural.

Marco Aurélio 8 tratou o referido direito como natural. Em sentido estrito, bloco de Em síntese,

Em

sentido

estrito,

bloco

de

Em síntese, na vigência de toda e qualquer relação jurídica concernente à prestação de serviços, é irrecusável o direito à greve. E este, porque ligado à dignidade do homem consubstanciando expressão maior da liberdade a recusa, ato de vontade, em continuar trabalhando sob condições tidas como inaceitáveis , merece ser enquadrado entre os direitos naturais. Assentado o caráter de direito natural da

greve, há de se impedir práticas que acabem por negá-lo (

advinda dos dias de paralisação há de ser definida uma vez cessada a greve. Conta-

se, para tanto, com o mecanismo dos descontos, a elidir eventual enriquecimento indevido, se é que este, no caso, possa se configurar.

)

consequência da perda

Os julgados acima, bem exemplificam o fundamento jusnaturalista dos Direitos Humanos.

Fundamento positivista

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Segundo o fundamento positivista a formação dos Estados Constitucionais de Direito, como é o caso do Brasil, levou à inserção de Direitos Humanos nas constituições.

Deste modo se escritos em textos legais são considerados Direitos Humanos. Antes de serem positivados são considerados apenas valores e juízos morais.

6 RAMOS, André de Carvalho. Curso de Direitos Humanos, versão digital.

7 ADI 595/ES, Rel. Celso de Mello, 2002, DJU de 26-2-2002.

8 SS 2.061 AgR/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, Presidente, DJU 30-10-2001.

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Acerca dessa corrente leciona André de Carvalho Ramos 9 :

O fundamento dos direitos humanos consiste na existência da lei positiva, cujo pressuposto de validade está em sua edição conforme as regras estabelecidas na Constituição. Assim, os direitos humanos justificam-se graças a sua validade formal.

Essa

necessidade de positivação do direito enfraquece-o. Não é possível aceitar que somente os direitos humanos positivados no âmbito internacional ou internamente possam ser assegurados. Ademais, adotando-se unilateralmente a tese positivista, se a lei for omissa ou mesmo contrária à dignidade humana, estaremos diante de uma precarização dos Direitos Humanos, o que é inaceitável.

corrente

não

pode

ser

considerada

unilateralmente,

pois

a

Fundamento Moral

Para finalizar, vejamos a fundamentação moral, segundo a qual os direitos humanos consistem no conjunto de direitos subjetivos originados diretamente dos princípios, independentemente da existência de regras prévias. Assim, os direitos humanos podem ser considerados direitos morais que não aferem sua validade por normas positivadas, mas extraem sua validade diretamente de valores morais da coletividade humana. Entende-se que a moralidade integra o ordenamento jurídico por meio de princípios referindo-se às exigências de justiça, de equidade ou de qualquer outra dimensão da moral.

Existe, portanto, um conteúdo ético na fundamentação dos Direitos Humanos, no que se refere à necessidade de assegurar uma vida digna às pessoas.

Quadro sinótico

 

Nega

a

possibilidade

de

 

fundamentação dos direitos humanos, por vários motivos:

divergências quanto à abrangência dos Direitos Humanos;

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Atualmente,

os

Direitos

Impossibilidade de delimitação dos Fundamentos

os Direitos Humanos estão em constante evolução;

Humanos

constituem

disciplina universalmente

os

Direitos

Humanos

aceitas

e

fundada

na

 

Constituem

categoria

moral.

heterogênea;

 

os Direitos Humanos são consagrados a partir de juízos de valor, que não podem ser justificados e comprovados.

9 RAMOS, André de Carvalho. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional. 2ª edição, São Paulo: Editora Saraiva, 2012 (versão eletrônica).

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FUNDAMENTO JUSNATURALISTA
FUNDAMENTO JUSNATURALISTA

Normas anteriores e superiores ao direito estatal posto, decorrente de um conjunto de ideias, fruto da razão humana. CRÍTICA: os Direitos Humanos não são direitos naturais, preexistentes e superiores a quaisquer espécie normativa, mas decorrente da evolução histórica da sociedade

FUNDAMENTO POSITIVISTA
FUNDAMENTO POSITIVISTA

São Direitos Humanos os valores e juízos condizentes com dignidade positivados no ordenamento. CRÍTICA: considerá-lo como único fundamento enfraquece a proteção, porque diante da omissão legislativa ou de contrária à dignidade permite- se a precarização de tais direitos

à dignidade permite- se a precarização de tais direitos FUNDAMENTO MORAL • Os direitos humanos podem

FUNDAMENTO MORAL

Os direitos humanos podem ser considerados direitos morais que não aferem sua validade por normas positivadas, mas diretamente de valores morais da coletividade humana.

Em suma:

É possível delimitar os fundamentos dos Direitos Humanos que se consagraram ao longo do tempo
É possível delimitar os fundamentos dos
Direitos Humanos que se consagraram
ao longo do tempo segundo diversas
corrente filosóficas.
Juntos, os fundamentos jusnaturalista,
positivista e moral justificam a
importância dos Direitos Humanos para
a sociedade contemporânea.

Finalmente, registre-se que há outros fundamentos apontados pela doutrina, tal como o racionalista, bem como doutrinas utilitaristas e comunistas que criticam os fundamentos dos Direitos Humanos. Entretanto, em razão da objetividade e pretensões deste curso, deixaremos de abordar o assunto.

3 Características dos Direitos Humanos

Em razão da consolidação dos Direitos Humanos no estudo do Direito Internacional Público, por meio da edição de inúmeros tratados internacionais, a disciplina de Direitos Humanos alçou a categoria de disciplina didática e cientificamente autônoma, de modo que possui diversas características peculiares que a informam.

Estudar essas características tem por finalidade permitir conhecer o atual estágio de desenvolvimento da proteção dos Direitos Humanos na esfera internacional e respectivas consequências que a aplicação interna no ordenamento jurídico brasileiro.

Como o assunto não foi mencionado expressamente em edital, seremos objetivos, veremos as características em forma de esquemas sintéticos para que tenhamos uma noção geral das principais características da nossa disciplina.

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3.1 Superioridade Normativa (ou jus cogens)

Existem normas de direitos humanos que são hierarquicamente superior no ordenamento internacional (conceito). A
Existem normas de direitos humanos que são hierarquicamente
superior no ordenamento internacional (conceito).
A superioridade dos Direitos HUmanos é, ao mesmo tempo, superior
materialmente (de conteúdo) e formal (pois são consideradas "jus
cogens").
Para parte da doutrina os direitos houmanos de primeira dimensão são
jus cogens. Ousa-se afirmar, ainda, que todos os direitos humanos são
jus cogens em razão da matéria que disciplinam
SUPERIORIDADE
NORMATIVA
COGENS) (JUS

3.2 - Historicidade

Os Direitos Humanos decorrem de formação histórica, surgindo e se solidificando conforme a evolução da
Os Direitos Humanos decorrem de formação histórica, surgindo e se
solidificando conforme a evolução da sociedade (conceito)
Base para o estudo das dimensões dos Direitos Humanos
Implica na vedação ao retrocesso
HISTORICIDADE

3.3 - Universalidade

UNIVERSALISMO

RELATIVISMO

UNIVERSALISMO RELATIVISMO Prof. Ricardo Torques • Os direitos humanos destinam-se a todas as pessoas e abrangem

Prof. Ricardo Torques

UNIVERSALISMO RELATIVISMO Prof. Ricardo Torques • Os direitos humanos destinam-se a todas as pessoas e abrangem

Os direitos humanos destinam-se a todas as pessoas e abrangem todos os territórios. Não se deve desconsiderar as diferenças, mas, respeitando as particularidade, objetiva-se encontrar um modo de proteger a condição humana, independentemente do sexo, da cor, da religião ou condições econômicas e sociais. As concepções morais variam de acordo com as diversas sociedades. As diferenças não residem apenas na pessoa em si, ou seja, na condição humana, mas no contexto social perante o qual estão inseridos. Não existe como justificar a concepção moral da pessoal desprendido do contexto no qual ela está inserida.

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aplicam-se a todas as pessoas e destinam-se a todas as pessoas os Direitos Humanos em
aplicam-se a todas as
pessoas e
destinam-se a todas as
pessoas
os Direitos
Humanos
em qualquer lugar do
mundo
abrangem todos os
territórios
A universalidade prevalece, no confronto com a corrente relativista.
UNIVERSALIDADE
3.4 - Relatividade DIREITOS HUMANOS ABSOLUTOS D IREITOS H UMANOS PARA A SSISTENTE DE P

3.4 - Relatividade

DIREITOS

HUMANOS

ABSOLUTOS

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•vedação à tortura; e •vedação à escravidão.
•vedação à tortura; e
•vedação à escravidão.
Os direitos humanos podem sofrer limitações para adequá-los a outros valores coexistentes na ordem jurídica
Os direitos humanos podem sofrer limitações para adequá-los a
outros valores coexistentes na ordem jurídica (conceito)
vedação á tortura
Exceções à
relatividade
logo são direitos humanos
absolutos:
vedação à
escravidão
RELATIVIDADE

3.5 - Irrenunciabilidade

Não poderão os titulares do direito humano dispor desse direito, ainda que pretenda fazê-lo (conceito).
Não poderão os titulares do direito humano dispor
desse direito, ainda que pretenda fazê-lo (conceito).
A dignidade humana deve ser observada e respeitada pela
simples condição humana.
Renúncia a direito humano é nula.
IRRENUNCIABILIDA
DE

3.6 - Inalienabilidade

Os Direitos Humanos não poderão ser comercializados pela pessoa tutelada por esse direito (conceito). relaciona-se
Os Direitos Humanos não poderão ser comercializados pela pessoa
tutelada por esse direito (conceito).
relaciona-se com a irrenunciabilidade
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INALIENABILIDADE

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3.7 - Imprescritibilidade D IREITOS H UMANOS PARA A SSISTENTE DE P ROMOTORIA MPSP teoria

3.7 - Imprescritibilidade

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As normas de Direitos Humanos não se esgotam com o passar do tempo (conceito). Os
As normas de Direitos Humanos não se esgotam com o
passar do tempo (conceito).
Os Direitos Humanos não se sujeitam a prazos prescricionais.
A pretensão indenizatória decorrente de violação de determinado
direito humano está sujeita à prescrição.
IMPRESCRITIBILIDADE

3.8 - Interdependência

Consitui a relação mútua entre os direitos humanos protegidos pelos diversos diplomas internacionais (conceito). Essa
Consitui a relação mútua entre os direitos humanos protegidos
pelos diversos diplomas internacionais (conceito).
Essa
característiica
relacionada-se
indivisibilidade
dos
direitos
humanos.
INTERDEPENDÊNCIA

3.9 Caráter erga omnes

Os direitos humanos são oponíveis conta todos (conceito). é de interesse da comunidade ver respeitado
Os direitos humanos são oponíveis conta todos (conceito).
é de interesse da comunidade ver respeitado os
direitos humanos
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Facetas:
a aplicação dos direitos humanos a todas as pessoas
decorre da mera condição humana
ERGA OMNES

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3.10 - Exigibilidade D IREITOS H UMANOS PARA A SSISTENTE DE P ROMOTORIA MPSP teoria

3.10 - Exigibilidade

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Denota a preocupação com a implementação dos direitos humanos e a efetividade da responsabilização daqueles
Denota a preocupação com a implementação dos direitos
humanos e a efetividade da responsabilização daqueles
organismos internacionais que violarem os direitos humanos
(conceito).
mecanismos de implementação dos direitos
humanos; e
Envolve os seguintes
assuntos:
responsabilização dos Estados violadores das
regras de proteção inrternacional.
EXIGIBILIDADE

3.11 - Abertura

Consiste no processo de alargamento do rol dos direitos humanos (conceito). É sempre possível o
Consiste no processo de alargamento do rol dos direitos humanos
(conceito).
É sempre possível o reconhecimento de novos direitos humanos, desde
que relacionem-se ou decorram da dignidade humana.
art. 5º, §2º, da Constituição Federal.
ABERTURA

3.12 Aplicabilidade imediata

Regras e princípios que disciplinam os direitos humanos possuem aplicabilidade imediata e direta, não precisam
Regras e princípios que disciplinam os direitos humanos
possuem aplicabilidade imediata e direta, não precisam
de outras normas que vejam disciplinar como será
aplicação desses direitos (conceito).
art. 5º, §1º, da Constituição Federal.
APLICABILIDADE
IMEDIATA

35699462821

3.13 Dimensão objetiva

IMEDIATA 35699462821 3.13 ‒ Dimensão objetiva DIMENSÃO SUBJETIVA DIMENSÃO OBJETIVA Prof. Ricardo

DIMENSÃO SUBJETIVA

DIMENSÃO OBJETIVA

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direitos humanos constituem um conjunto de regras de proteção dos sujeitos de direitos humanos

direitos humanos são capazes de impor uma atuação estatal geral voltada para a proteção de tais direitos

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Os direitos humanos são capazes de impor uma atuação estatal voltada para a proteção de
Os direitos humanos são capazes de impor uma atuação estatal
voltada para a proteção de tais direitos (conceito).
Objetiva criar mecanismos para a promoção dos Direitos Humanos em
toda a sociedade.
A dimensão objetiva não exclui a dimensão subjetiva (proteção aos
sujeitos), ambas devem coexistir.
DIMENSÃO OBJETIVA

3.14 Proibição do retrocesso (efeito cliquet)

Uma vez assegurado o direito humano ele não poderá ser suprimido (conceito). Denota a característica
Uma
vez
assegurado
o
direito
humano
ele
não
poderá
ser
suprimido (conceito).
Denota a característica expansiva e progressiva da disciplina.
PROIBIÇÃO DO
RETROCESSO

3.15 Eficácia horizontal

Essa relação

hierarquicamente privilegiada em relação aos governados e pode, assim,

ser representada:

posição

é

dita

vertical,

pois

o

Estado

assume

ESTADO
ESTADO
SOCIEDADE 35699462821
SOCIEDADE
35699462821

A doutrina de direitos humanos, contudo, passou a vislumbrar outra relação que não apenas essa vertical, entre estado e sociedade, mas uma relação horizontal, envolvendo, também, a aplicação dos direitos humanos às relações entre privados.

SOCIEDADE
SOCIEDADE
SOCIEDADE
SOCIEDADE

Se fala em eficácia diagonal dos direitos humanos quando se refere à aplicação às relações de emprego.

Podemos esquematizar a relação da seguinte forma:

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MPSP teoria e questões Aula 00 - Prof. Ricardo Torques vertical aplicação obrigatória e direta dos
vertical aplicação obrigatória e direta dos direitos humanos às relações privadas. horizontal aplicação dos
vertical
aplicação obrigatória e direta dos direitos humanos às relações
privadas.
horizontal
aplicação dos direitos humanos às relações entre o Estado e a
socioedade
diagonal
aplicação dos direitos humanos na relação de emprego, que é
marcada pela hipossuficiênciado empregador e pela subordinação
jurídica do trabalhador ao empregador.
EFICÁCIA DOS
DIREITOS HUMANOS

Finalizamos as características.

4 Dimensões dos Direitos Humanos

Vimos até assuntos gerais da nossa matéria. Na sequência adentramos em ponto específico da matéria: as dimensões dos Direitos Humanos.

O tema envolve uma associação em termos gerais de períodos em que a sociedade se preocupou mais intensamente com um ou outro direito humano. Segundo Rafael Barreto 10 dimensões dos Direitos Humanos é a

Expressão costumeiramente utilizada para referir-se a determinado grupo de direitos, surgidos numa determinada época histórica, com características bem peculiares.

Antes, porém, devemos fazer duas observações.

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Primeira, essa disciplina é estudada em Direito Constitucional, quando se fala nas gerações ou dimensões dos Direitos Fundamentais. Não está errado! Vimos no início da aula que os direitos fundamentais correspondem aos Direitos Humanos positivados no direito interno de determinado país. Logo, essas considerações são, ao mesmo tempo, estudadas em Direito Constitucional e em Direitos Humanos. Os direitos fundamentais, em grande medida, refletem a evolução e confluência dos fatores históricos mundiais.

Segunda, há discussão na doutrina se o mais correto é falar em gerações ou dimensões dos Direitos Humanos. Ambos querem dizer a mesma coisa, contudo, prevalece o termo “dimensões” uma vez que geração, segundo

10 BARRETTO, Rafael. Direitos Humanos, p. 36.

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os estudiosos, pressupõe a superação de determinada fase e construção de um novo modelo.

Na realidade, a cada fase de evolução dos Direitos Humanos foram agregados outros direitos que vieram a somar os direitos já assegurados, de maneira que não houve superação da geração anterior, mas uma dimensão ampliativa da proteção à dignidade da pessoa.

Como estudamos na parte das características, os Direitos Humanos são

históricos, de maneira que estão constantemente evoluindo com a sociedade. Em decorrência disso, como os Direitos Humanos representam

a proteção à dignidade da pessoa, nunca poderão ser suprimidos (veda-se

o retrocesso), de forma que a cada fase da História dos Direitos Humanos

assumem uma dimensão cada vez maior.

Feitas as observações preliminares, vejamos cada uma das gerações.

4.1 Primeira Dimensão dos Direitos Humanos

4.1 ‒ Primeira Dimensão dos Direitos Humanos A primeira dimensão dos Direitos Humanos compreende os

A primeira dimensão dos Direitos Humanos

compreende os direitos da liberdade, que são

os direitos civis e políticos, decorrentes das

revoluções liberais e da transição do Estado Absolutista para o Estado de Direito.

Caracterizam-se esses direitos por imporem uma abstenção estatal, por limitar a atuação do

Estado em defesa dos direitos das pessoas. Em razão disso, diz-se que essa geração representa direitos de caráter negativo. Essa característica faz total sentido com o momento histórico de superação do absolutismo, que consistia num governo concentrado nas mãos dos reis. Como forma de frear o poder do soberano, foram criadas limitações legais à atuação estatal, que imporiam a obrigação de o Estado não intervir nos direitos de liberdade

e de propriedade.

Os grandes marcos históricos de surgimento dessa dimensão são:

1. Revolução Gloriosa na Inglaterra, em 1688;

2. Independência dos Estados Unidos, em 1777; e

3. Revolução Francesa de 1789.

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No campo dos estudiosos, aponta-se como marco teórico a obra “O Contrato Social” de Jean-Jacques Rousseau e o “Segundo Tratado sobre o Governo” de Jonh Locke, os quais afirmam que os homens possuem determinados direitos que não podem ser suprimidos pelos governantes e que, se desrespeitados, representam um governo arbitrário, violador de Direitos Humanos.

Por fim, identificam-se como marcos jurídicos dessa dimensão:

1. Constituição dos EUA, de 1787; e

2. Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão redigida na França, em 1789.

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Sobre os direitos civis, leciona Sidnei Guerra 11 :

Os civis são aqueles que, mediante garantias mínimas de integridade física e moral, bem assim de correção procedimental nas relações judicantes entre os indivíduos e o Estado, asseguram uma esfera de autonomia individual de modo a possibilitar o desenvolvimento da personalidade de cada um.

Já em relação aos direitos políticos, discorre o autor 12 :

No que tange aos direitos políticos, que encontram seu núcleo no direito de votar e ser votado, a seu lado se reúnem outras prerrogativas decorrentes daqueles status, como o direito de postular um emprego público, de ser jurado ou testemunha, de prestar o serviço militar e até de ser contribuinte.

4.2 Segunda Dimensão dos Direitos Humanos

Essa geração compreende os direitos relacionados à igualdade, abrangendo os direitos sociais, direitos econômicos e os direitos culturais, em razão da evolução do Estado Liberal para o Estado Social.

Ao contrário da dimensão anterior, os direitos de segunda dimensão são notadamente prestacionais. Vale dizer, os Estados passaram a ser obrigados a atuar positivamente para assegurar os direitos sociais, econômicos e culturais.

Em termos políticos, o que se percebeu a época em que tais direitos foram reclamados é que apenas a liberdade não era suficiente para garantir a dignidade das pessoas. Era necessária, também, uma atuação estatal para corrigir eventuais distorções ocorridas na sociedade em razão, principalmente, da primazia do poder econômico.

Dois são os marcos históricos relevantes desse período:

Dois são os marcos históricos relevantes desse período: 1. Revolução Mexicana, em 1910; e 2. Revolução

1. Revolução Mexicana, em 1910; e

2. Revolução Russa, em 1917, que culminou com o comunismo da URSS.

Evidencia-se como marco teórico a “Encíclica Rerum Novarum”, de autoria do Papa Leal XIII, em 1891. Outro documento importante é o “Manifesto do Partido Comunista” de Karl Marx e Frederich Engels, de 1948. Ambos os indicaram a necessidade de dar mais atenção às questões sociais e uma melhor distribuição das riquezas. A Encíclica papal, inclusive, mostrou-se contra arbitrariedades cometidas pelos empregadores em detrimento da classe operária, especialmente, em relação às condições precárias de emprego e exploração do trabalho a mulher e de crianças e adolescentes.

Em relação aos marcos jurídicos, a doutrina aponta a:

1. Constituição Mexicana, de 1917, considerada o primeiro texto constitucional a proclamar direitos sociais; e

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11 GUERRA, Sidney. Direitos Humanos: curso elementar, p. 63. 12 GUERRA, Sidney. Direitos Humanos: curso elementar, p. 63.

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2. Constituição

de

Weimar

na

Alemanha,

de

referência no trato dos direitos socais.

1919,

considerada

Sobre os direitos sociais, econômicos e culturais, Sidnei Guerra 13 os conceitua do seguinte modo:

Os direitos sociais seriam aqueles necessários à participação plena na vida da sociedade, incluindo o direito à educação, a instituída a família, à proteção à maternidade e à infância, ao lazer e à saúde etc. Os direitos econômicos destinam- se a garantir um padrão mínimo de vida e segurança material, de modo que cada pessoa desenvolva suas potencialidades. Os direitos culturais dizem respeito ao resgate, estímulo e preservação das formas de reprodução cultural das comunidades, bem como à participação de todos nas riquezas espirituais comunitárias.

4.3 Terceira Dimensão dos Direito Humanos

4.3 ‒ Terceira Dimensão dos Direito Humanos A terceira dimensão dos Direitos Humanos envolve os

A terceira dimensão dos Direitos Humanos envolve os direitos de solidariedade (ou fraternidade), abrangendo os direitos difusos e coletivos. Constituem, na realidade, os direitos assegurados às pessoas em geral.

Essa é uma das dimensões mais importantes para a nossa disciplina, uma vez que, ao final da 2ª Guerra Mundial, as discussões acerca da própria compreensão do ser humano se modificaram. Em razão das atrocidades decorrentes das grandes guerras e dos regimes antissemitas, a sociedade passou a compreender a necessidade de se assegurar ao máximo a proteção da dignidade da pessoa.

Nesse sentido vejamos os ensinamentos de Rafael Barretto 14 :

A característica central dos direitos não estará relacionada com o papel do Estado, mas sim com o fato de serem direitos reconhecidos ao homem pela mera condição humana, direitos pertencentes à Humanidade, independentemente de qualquer condicionamento quanto à origem, etnia, sexo ou qualquer outro fator que configure uma discriminação.

Assim, os direitos de terceira dimensão englobam, por exemplo, os direitos relacionados ao meio ambiente e a proteção jurídica do consumidor. Perceba que em um e em outro caso, a proteção se dá à coletividade, pois abrange todos que podem ser afetados pelos descuidos ambientas e por práticas ilegais e abusivas nas relações de consumo.

O marco histórico, portanto, dessa dimensão é o Pós-2ª Guerra Mundial e o surgimento da Organização das Nações Unidas em 1945.

Não há uma obra ou estudioso em específico para esse período, devemos considerar que o marco teórico dessa geração são os trabalhos acadêmicos que visam à proteção universal e solidária da humanidade.

Por fim, quando ao marco jurídico destaca-se a Declaração Universal dos Direitos Humanos, criada pela Assembleia Geral da ONU, em 1948.

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13 GUERRA, Sidney. Direitos Humanos: curso elementar, p. 64. 14 BARRETTO, Rafael. Direitos Humanos, p. 41.

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Quanto aos referenciais jurídicos, não confundam:

1º DIMENSÃO 3ºDIMENSÃO
1º DIMENSÃO
3ºDIMENSÃO

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789; e

Declaração Universal dos Direitos Humanos, de

1948.

• Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Essas seriam, portanto, as três dimensões dos Direitos

Essas seriam, portanto, as três dimensões dos Direitos Humanos que remetem aos ideais da Revolução Francesa, quais sejam: liberdade, igualdade e fraternidade.

liberdade: 1ª Dimensão dos Direitos Humanos

igualdade: 2ª Dimensão dos Direitos Humanos

fraternidade: 3ª Dimensão dos Direitos Humanos.

4.4 Quarta e Quinta Dimensões dos Direitos Humanos

Alguns doutrinadores de relevo no estudo da matéria afirmam existir a quarta e a quinta dimensões dos Direitos Humanos. Devemos saber, inicialmente, que essas dimensões não são consenso na doutrina, mas, por vezes, aparecem em provas.

Quarta Dimensão dos Direitos Humanos

Segundo Norberto Bobbio, a quarta dimensão dos

direitos

relacionados às pesquisas biológicas e à

manipulação do patrimônio genético das pessoas.

Um ótimo exemplo de aplicação dessa dimensão dos Direitos Humanos, no Brasil, é a Lei de Biossegurança (Lei 11.105/2005), que disciplina regras sobre a produção e comercialização de organismos geneticamente modificados e a pesquisa com células-tronco.

Paulo Bonavides compreende que a quarta dimensão dos Direitos Humanos envolve a tutela da democracia, do direito à informação e o pluralismo político que, em última análise, é a dignidade das pessoas na vivência em sociedade. Entende o autor, que democracia, informação e pluralismo políticos são mecanismos para máxima efetivação dos Direitos Humanos.

Pessoal, citamos dois autores: Norberto Bobbio e Paulo Bonavides por um simples motivo: as vezes as questões abordam um ou outro, por isso, cuidado na hora de resolver as questões!

outro, por isso, cuidado na hora de resolver as questões ! Direitos Humanos compreende os 35699462821

Direitos Humanos compreende

os

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Quinta Dimensão dos Direitos Humanos

Prof. Ricardo Torques Quinta Dimensão dos Direitos Humanos Por fim, Paulo Bonavides, enuncia que existe, ainda,

Por fim, Paulo Bonavides, enuncia que existe, ainda, a quinta dimensão dos Direitos Humanos, responsável pelo direito à paz, principalmente em decorrência de atentados terroristas como “11 de Setembro de 2011”, que assolou a comunidade internacional e impingiu o medo de novos atentados e ataques contra a paz mundial.

Para finalizar essa parte da matéria, vamos tecer duas considerações.

Primeira, o esquema abaixo bem representa a ideia de sobreposição de acontecimentos históricos que vieram a causar a expansão da proteção da dignidade das pessoas.

a causar a expansão da proteção da dignidade das pessoas. 1ª Dimensão dos Direitos Humanos 2ª

1ª Dimensão dos Direitos Humanos

2ª Dimensão dos Direitos Humanos

3ª Dimensão dos Direitos Humanos

4º Dimensão dos Direitos Humanos

5ª Dimensão dos Direitos Humanos

Como bem ilustra o esquema acima, é possível perceber que a cada passo avante da sociedade, maior é a proteção da dignidade da pessoa.

Segunda, finalizamos um dos pontos mais importantes da aula de hoje. Como forma de auxiliar a fixação dessas informações, sugerimos a revisão periódica do assunto, de acordo com o quadro-síntese abaixo.

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direitos associação ao lema da Revolução Francesa 1 ª D IMENSÃO DOS D IREITOS H
direitos associação ao lema da Revolução Francesa 1 ª D IMENSÃO DOS D IREITOS H

direitos

associação ao lema da Revolução Francesa

1ª DIMENSÃO DOS DIREITOS HUMANOS

direitos civis e políticos

Liberdade

IREITOS H UMANOS direitos civis e políticos Liberdade 2 ª D IMENSÃO DOS D IREITOS H

2ª DIMENSÃO DOS DIREITOS HUMANOS

direitos sociais, culturais e econômicos

igualdade

3ª DIMENSÃO DOS DIREITOS HUMANOS

direitos difusos e coletivos

fraternidade

 Revolução Mexicana  Pós-2ª Guerra Mundial  Revolução Russa  Surgimento da ONU

Revolução Mexicana

Pós-2ª Guerra Mundial

Revolução Russa

Surgimento da ONU

“Encíclica

Rerum

trabalhos

acadêmicos

Novarum” (Papa

Leão

que

visem

à

proteção

XIII)

“Manifesto do Partido

Comunista” (Karl Marx e Frederich Engels”

Constituição Mexicana

de 1917

Constituição

de

Weimar de 1919

passagem

do

Estado

universal e

solidária da

humanidade

Declaração

Universal

dos

Direitos

1948

do

Revolta da

Homem,

de

sociedade

Liberal

para

o Estado

contra as atrocidades das

Social

guerras mundiais

direito à saúde

 

direito ao meio ambiente

marco

histórico

marco

teórico

marco

jurídico

evolução

da

sociedade

exemplo

Revolução Gloriosa na

Inglaterra

Independência dos EUA

Revolução Francesa

“Segundo Tratado sobre

o Governo” (John Locke)

Social”

Contrato

(Jean-Jacques Rousseau)

“O

Constituição Americana

de 1787

Declaração Francesa dos

Direitos do Homem e do Cidadão de 1789

Estado

Absolutista para o Estado

de Liberal

passagem do

à

expressão

direito

liberdade

de

4ª DIMENSÃO DOS DIREITOS HUMANOS 5ª DIMENSÃO DOS 35699462821 DIREITOS HUMANOS  pesquisas biológicas e
4ª DIMENSÃO DOS
DIREITOS HUMANOS
5ª DIMENSÃO DOS
35699462821
DIREITOS HUMANOS
pesquisas biológicas e à
manipulação do patrimônio
genético das pessoas
(Norberto Bobbio)
direito
direitos à paz
tutela da democracia, do
direito à informação e o
pluralismo político (Paulo
Bonavides)
marco
Lei de Biossegurança (Lei
11 de Setembro
histórico
11.105/2005)

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5 Afirmação histórica dos Direitos Humanos

Na sequência, outro assunto expressamente previsto na ementa é a afirmação histórica dos Direitos Humanos. Embora a ementa não refira expressamente “afirmação histórica” trata expressamente a evolução histórica dos Direitos Humanos, que nada mais é do que a doutrina considera como afirmação histórica. Portanto, atenção!

O estudo da afirmação histórica dos Direito Humanos remete à análise dos

fatos históricos que levaram ao surgimento de direitos e garantias protetivos da dignidade das pessoas. Vimos que os Direitos Humanos são históricos e que foram criados de acordo com a evolução da sociedade. Assim, estudar a afirmação histórica dos Direito Humanos é estudar

a história dessa disciplina.

Segundo Norberto Bobbio, os direitos humanos não nascem “de uma vez por todas”, mas estão, segundo leciona Hannah Arendt, em processo de constante reconstrução.

No Brasil, o autor referência para o estudo da história dos Direitos Humanos é Fábio Konder Comparato, que possui uma obra de 600 páginas, aproximadamente, apenas sobre esse assunto. Como esse autor é considerado frequente em provas, vamos sintetizar, neste tópico, os principais marcos históricos relacionados em sua obra, sempre de forma didática, objetiva e clara.

Ao iniciar sua obra, discorre o referido autor 15 :

O que se trata, nestas páginas, é a parte mais bela e importante de toda História: a revelação de que todos os seres humanos, apesar das inúmeras diferenças biológicas e culturais que os distinguem entre si, merecem igual respeito, como únicos entes no mundo capazes de amar, descobrir a verdade e criar a beleza. É o reconhecimento universal de que, em razão dessa radical igualdade, ninguém nenhum indivíduo, gênero, etnia, classe social, grupo religioso ou nação pode afirmar-se superior aos demais.

Pessoal, para que compreendamos a afirmação histórica dos Direitos Humanos vamos dividir o estudo em 2 partes:

1º.

2º.

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afirmação do conceito de pessoa na história;

grandes etapas históricas na afirmação dos direitos humanos.

5.1 Afirmação do conceito de pessoa na história

O conceito de pessoa como objeto de reflexão na filosofia passa por um

processo que evolui paulatinamente ao longo de vários séculos. Neste

tópico vamos estudar os fundamentos para a compreensão da pessoa humana e a afirmação da existência dos direitos humanos.

15 COMPARATO, Fábio Konder. Afirmação Histórica dos Direitos Humanos, p. 13.

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O homem ter passado a ser o centro das reflexões humanas implicou uma série de reflexões acerca da pessoa e da igualdade de tratamento entre elas, pelo simples fato de serem humanos.

Vários são os pensadores e momentos históricos relevantes em torno do estudo da pessoa, da igualdade e da dignidade. Esses pensadores e momentos históricos refletem um conjunto de ideais que levaram à construção dos direitos humanos na contemporaneidade. Como é uma matéria bastante teórica e acadêmica, acreditamos ser de pouca valia para concurso. De toda forma, vamos trazer as principais reflexões num quadro- síntese, suficiente para a prova que faremos.

GRÉCIA E

ATENAS

A lei escrita e os costumes são considerados o fundamento de toda a

sociedade, repercutindo no regramento dos assuntos, de modo que a pessoa passou a ser objeto de reflexão.

FILOSOFIA

ESTOICA

MARXISTA

Centrou a discussão em torno da unidade moral do ser humano e da dignidade do homem, pelo qual devemos compreender todos como iguais embora existam muitas diferenças individuais.

O cristianismo prega que Jesus é modelo ético de pessoa, uma

representação factível de Deus e suas doutrinas na terra, que defende

a igualdade entre as pessoas.

Segundo a filosofia de Emmanuel Kant, a igualdade é a essência da pessoa, responsável pelo núcleo do conceito de direitos humanos. Por conta disso, a dignidade da pessoa deve ser considerada um fim em

si mesmo, não instrumento para ser chegar a determinado objetivo.

Compreende que houve uma inversão de valores com o desenvolvimento do modelo capitalista, na medida em que o operário passou ser considerado coisa, deixando de ser sujeito de direito.

CRISTIANISMO

FILOSOFIA

KANTIANA

PENSAMENTO

Em síntese, a compreensão em torno da pessoa foi valorizada. Juntamente, alguns conceitos atrelados à ética e aos comportamentos morais prevaleceram, indicando a necessidade de serem protegidos alguns direitos essenciais ao homem, em razão de sua natureza.

É por conta disso, que parte dos doutrinadores atrelam os Direitos Humanos ao Direito Natural. Como já vimos nesta aula, Direitos Humanos e Direitos Naturais não se confundem para a corrente majoritária do pensamento filosófico. Contudo, é possível afirmar que em sua origem, os Direitos Humanos surgiram com a ascensão da acepção de Direitos Naturais, inatos ao homem.

Contudo, conforme ficará patente neste material, os direitos humanos se desenvolvem e se afirmam com os acontecimentos históricos, não permanecendo de forma estanque, absoluta e imutável ao longo do tempo.

Lançada a base sobre a qual se erigiu a disciplina Direitos Humanos, vamos passar ao estudo de como se desenrolou esse processo de desenvolvimento.

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5.2 Grandes etapas históricas na afirmação dos Direitos Humanos

Nesse tópico vamos analisar os principais momentos históricos que marcaram a evolução e consolidação dos Direitos Humanos.

Como o assunto é, na realidade, de História, com a pretensão de facilitar o entendimento vamos estudar o tema de forma sistemática e organizada, lançando apenas as informações consideradas primordiais para a sua prova. Isso permitirá que você, candidato, tenha uma noção global de como se deu o desenvolvimento histórico para a formação da nossa disciplina.

Duas observações iniciais, a respeito dos momentos históricos, são importantes.

Primeira, a compreensão de determinados direitos como humanos é, em regra, fruto de da “dor física e do sofrimento moral”. Melhor explicando, a cada momento histórico com registro de atrocidades, guerras e surtos de violência, a sociedade se sensibiliza e dá um passo adiante na afirmação dos direitos humanos.

Segunda, em regra, a afirmação de determinado direito humano é acompanhada de grandes descobertas científicas ou invenções técnicas, conforme ensina Fábio Konder Comparato.

Essas observações ficarão bastante claras à medida que avançarmos no estudo do curso histórico dos direitos humanos.

Período Axial

Primeiramente vamos compreender o termo “axial”. Axial refere a eixo. Vale dizer, o período axial dos direitos humanos é o eixo sobre o qual se desenvolve a disciplina Direitos Humanos.

Compreendido entre VIII a.C e II a.C., esse período levou à formação daquilo que conhecemos por humanidade.

O século VIII a.C. marca o INÍCIO do período axial, quando os estudiosos

estabeleceram princípios e diretrizes fundamentais da vida.

Em seguida, no século V a.C. nasce a filosofia, que marca uma evolução:

a passagem do saber mitológico para o saber da razão. Antes, as

coisas eram fantásticas, tudo o que existia era fruto da criação dos deuses.

Com a filosofia, o homem passou a exercer um papel crítico e racional na realidade, não mais apegado à mitologia.

Em razão dessa mudança de postura, o homem passou a ser o centro das discussões. Dito de outra forma: as pessoas passaram a ser objeto de análise e de reflexão.

Isso não quer dizer que deixou de existir a mitologia ou religião, mas com o tempo ela foi adaptada, de maneira que passou a se cultuar, por exemplo, antepassados, pessoas com modelos éticos para orientar o comportamento das novas gerações.

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Nesse período houve aproximação e compreensão mútua entre os diversos povos que compunham as comunidades da época.

Assim leciona Fábio Konder Comparato 16 sobre esse período:

É a partir do período axial que, pela primeira vez na História, o ser humano passa a ser considerado, em sua igualdade essencial, como ser dotado de liberdade e razão, não obstante as múltiplas diferenças de sexo, raça, religião ou costumes sociais.

Reino Davídico, Democracia Ateniensee e República Romana

A consciência histórica dos Direitos Humanos remonta ao desenvolvimento

de mecanismos de limitação do poder político. Em regra os governantes criavam leis para justificar seu poder, contudo, nas sociedades abaixo referidas, o poder político encontrava-se subordinado.

Reino de Davi (século XI e X a.C): subordinação dos governantes à lei divina.

Os governantes não criam o direito para justificar o exercício de seu poder, pelo contrário, estão submetidos a um conjunto de princípios e normas superiores (de caráter divino).

Democracia ateniense (século VIII a.C): sociedade subordinada à lei e com ativa participação popular no processo político.

República Romana: há limitação do poder político por meio da instituição de um complexo sistema de controles recíprocos entre os diversos órgãos.

Em suma, todas essas sociedades caracterizam-se pela LIMITAÇÃO DO PODER POLÍTICO e possuem importância na consolidação dos Direitos Humanos.

Baixa Idade Média

O início da Idade Média (denominada de Alta Idade Média) é marcada pelo

esfacelamento do poder político e econômico, em razão da instauração do

feudalismo.

Contudo, a partir do século XI, houve o início de um movimento de retomada, no qual grupos dominantes passaram a pretender o controle político da sociedade medieval. Assim, os governantes, já na Baixa Idade Média, passaram a centralizar o poder político em suas mãos, o que implicou uma série de pressões de outros segmentos da sociedade no sentido contra abusos dessa reconstrução do poder político.

Dois são os documentos marcantes dessa época:

35699462821

1. Declaração das Cortes de Leão de 1188; e

2. Magna Carta de 1215.

16 COMPARATO, Fábio Konder. Afirmação Histórica dos Direitos Humanos, p. 19.

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Esses diplomas, em síntese, foram capazes de assegurar, no surgimento dos direitos humanos, o valor liberdade. Essa liberdade, contudo, era específica e em favor de determinados estamentos da sociedade.

Em suma: nesse período despontou A LIBERDADE COMO MANIFESTAÇÃO INICIAL DOS DIREITOS HUMANOS.

Século XVII

Esse período é caracterizado pelo que a doutrina denomina de “crise de consciência”, no qual os estudiosos e pensadores da época passaram a questionar o poder político.

Ao lado das revoluções científicas da época, houve o renascimento dos ideais republicanos e democráticos, intensificando-se o sentimento de liberdade e de resistência ao poder absolutista.

Por conta disso, esse período é marcado pelo estatuto das liberdades pessoais, com destaque para:

1. criação do habeas corpus; e

2. Bill of Rights.

Em suma: nesse período despontou o ESTATUTO DAS LIBERDADES PESSOAIS, guardando íntima relação com a temática dos Direitos Humanos.

Independência Americana e Revolução Francesa

Esse período é denominado por Fábio Konder Comparato 17 a “certidão de nascimento dos Direitos Humanos”, tendo em vista que houve o reconhecimento solene de que todos os homens são iguais, com mesmos direitos perante a sociedade.

Dois são os documentos de destaque:

1. Declaração de Independência dos EUA; e

2. Declaração dos Direitos Homem e do Cidadão de 1789.

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Esse período marca o ressurgimento da democracia, que objetivou a defesa da classe burguesa contra o regime de privilégios e de governo irresponsável. Esse movimento foi fundamental para a consolidação da democracia, dos direitos de cidadania e da melhoria das condições de vida da sociedade.

Em suma: nesse período desponta-se LEGITIMIDADE DEMOCRÁTICA, DIREITOS DE CIDADANIA E TENTATIVA DE MUDANÇA DAS CONDIÇÕES DE VIDA como manifestações dos Direitos Humanos.

17 COMPARATO, Fábio Konder. Afirmação Histórica dos Direitos Humanos, p. 62.

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Reconhecimento dos Direitos Humanos sociais de caráter econômico e social

A intensa defesa da liberdade e das igualdades que permeavam o discurso após a Revolução Francesa e a Revolução Americana tornou-se inútil para a crescente e numerosa classe de trabalhadores.

Isso levou ao surgimento do socialismo, entre cujas contribuições para

os Direitos Humanos destaca-se o reconhecimento dos direitos de

caráter econômico e social.

Em suma: DECORRENTE DA OPRESSÃO À CLASSE TRABALHADORA,

O SOCIALISMO VIABILIZOU O RECONHECIMENTO DE DIREITOS ECONÔMICOS E SOCIAIS COMO HUMANOS.

Primeira fase de internacionalização dos Direitos Humanos

Essa fase remonta ao início do século XIX e perdura até o final da 2ª Guerra Mundial.

Três são setores de destaque:

1. direito humanitário, que culminou com um conjunto de leis para evitar o sofrimento de soldados prisioneiros, doentes e feridos, bem como a população atingida por conflitos bélicos. Destaca-se esse setor pela Convenção de Genebra de 1864, que fundou a Cruz Vermelha.

2. luta contra a escravidão, cujo documento de destaque é o Ato Geral da Conferência de Bruxelas de 1890; e

3. regulação dos direitos dos trabalhadores, com a criação da OIT em 1919.

Em suma: esse período é marcado pelo DIREITO HUMANITÁRIO, PELA

LUTA CONTRA A ESCRAVIDÃO E PELA REGULAÇÃO DOS DIREITOS DOS TRABALHADORES.

Evolução dos Direitos Humanos a partir de 1945

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Esse período que se inicia ao emergir a 2º Guerra Mundial e perdura até os dias atuais. O período caracteriza-se pela preocupação da humanidade com o valor vida, em especial, após atrocidades e barbáries das guerras mundiais. Afirma a doutrina que há preocupação com o valor supremo da dignidade.

A partir deste período, houve aprofundamento e a definitiva

internacionalização dos Direitos Humanos, envolvendo não apenas os direitos individuais, mas também, direitos de natureza civil e política, direitos de conteúdo econômico e social.

Em suma: esse período denota O RECONHECIMENTO DA DIGNIDADE

COMO VALOR SUPREMO.

Com isso finalizamos, baseados nos ensinamentos de Fábio Konder Comparato, os principais eventos históricos que marcam a afirmação dos

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Direitos Humanos. Como é de hábito em nossa aula, vejamos uma síntese do analisado neste capítulo.

aula, vejamos uma síntese do analisado neste capítulo. AFIRMAÇÃO HSTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS Constitui a

AFIRMAÇÃO HSTÓRICA DOS DIREITOS HUMANOS

Constitui a análise dos principais eventos históricos que, de algum modo, contribuíram para o desenvolvimento e afirmação dos Direitos Humanos. Tais eventos, em regra estão relacionados a:

Atrocidades, guerras e surtos de violência; ou

Descobertas científicas ou invenções técnicas.

PERÍODO

PERÍODO AXIAL

OBSERVAÇÕES

Marca a passagem do pensamento filosófico, que passa ser centrado no ser humano, reconhecendo que o homem é o centro das atenções.

R EINO D AVÍDICO , D EMOCRACIA A TENIENSE E R EPÚBLICA R OMANA Constituem
R EINO D AVÍDICO , D EMOCRACIA A TENIENSE E R EPÚBLICA R OMANA Constituem
R EINO D AVÍDICO , D EMOCRACIA A TENIENSE E R EPÚBLICA R OMANA Constituem
R EINO D AVÍDICO , D EMOCRACIA A TENIENSE E R EPÚBLICA R OMANA Constituem

REINO DAVÍDICO, DEMOCRACIA ATENIENSE E REPÚBLICA ROMANA

Constituem formas políticas nas quais o poder político encontra-se subordinado à lei, seja por interesse divino (Reino de Davi), por interesse democrático (Atenas) ou pela estrutura segmentada e organizada da sociedade (Roma).

BAIXA IDADE MÉDIA

Marca a reação de setores da sociedade contra a retomada do poder, exigindo o respeito da direitos de liberdade.

- Declaração das Cortes de Lesão de 1188; e

- Magna Carta de 1215.

SÉCULO XVII

Marca o renascimento de ideais republicanos e democráticos, com destaque para o sentimento de liberdade e resistência aos governos absolutistas:

- criação do habeas corpus

- Bill Of Rights

INDEPENDÊNCIA AMERICANA E REVOLUÇÃO FRANCESA

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Período que marca o nascimento dos Direitos Humanos, com despontamento da legitimidade democrática, resguardo aos direitos de cidadania e valorização da dignidade.

- Declaração de Independência dos EUA; e

- Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

RECONHECIMENTO DOS DIREITOS HUMANOS SOCIAIS DE ECONÔMICOS E SOCIAIS

Marca a reação da classe operária e difusão do pensamento socialista, que viabilizou o reconhecimento dos direitos econômicos e sociais como Direitos Humanos.

PRIMEIRA FASE DE INTERNACIONALIZAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

Marca o surgimento do Direito Humanitário (Cruz Vermelha) vertente dos Direitos Humanos a luta contra a escravidão (Ato Geral da Conferência de

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E VOLUÇÃO DOS D IREITOS H UMANOS A PARTIR DE 1945 Bruxelas), bem como a

EVOLUÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS A PARTIR DE 1945

Bruxelas), bem como a regulação dos direitos trabalhistas (criação da OIT)

Marca a efetiva internacionalização dos Direitos Humanos, com o reconhecimento da dignidade da pessoa como valor supremo.

Finalizamos aqui o primeiro tópico da nossa ementa. Os capítulos subsequentes envolvem o segundo ponto da ementa, conforme programação desta Aula 00.

6 - A Proteção Internacional dos Direitos Humanos

6.1 - Introdução

Os Direitos Humanos difundiram-se pouco antes da 1ª Guerra Mundial, vindo a se consolidar definitivamente como ramo do Direito Internacional Público, após a 2ª Guerra Mundial, com a criação da ONU em 1945.

Atualmente, em razão do forte desenvolvimento da disciplina na comunidade internacional, é impossível pensar em Direito Internacional, sem passar pela temática dos Direitos Humanos.

O Direito Internacional dos Direitos Humanos, pode ser definido como a

parte do Direito Internacional Público, que se responsabiliza pela

temática dos direitos humanos, por meio de um conjunto de normas e de medidas internacionais voltadas à proteção da dignidade da pessoa em sentido amplo.

6.2 - Precedentes Históricos

Embora já tenhamos passado por vários aspectos históricos, vamos tratar dos precedentes históricos apontados por Flávia Piovesan 18 , que servem de fundamento para o desenvolvimento dos Direitos Humanos no âmbito internacional.

A importância de estudarmos os precedentes históricos é dupla. Primeiro,

esses precedentes são acontecimentos que marcam o surgimento e a

consolidação dos Direitos Humanos na órbita internacional.

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PRECEDENTES HISTÓRICOS
PRECEDENTES
HISTÓRICOS
órbita internacional. 35699462821 PRECEDENTES HISTÓRICOS Liga das Nações Direito Humanitário OIT 1 8 PIOVESAN,
órbita internacional. 35699462821 PRECEDENTES HISTÓRICOS Liga das Nações Direito Humanitário OIT 1 8 PIOVESAN,
Liga das Nações
Liga das Nações
Direito Humanitário
Direito Humanitário
OIT
OIT

18 PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e Direito Constitucional Internacional. 13ª edição, rev., atual., São Paulo: Editora Saraiva, 2012, p. 175/185.

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O direito humanitário refere-se ao conjunto de normas e de medidas

que objetivam proteger os direitos humanos nos períodos de guerra, em especial, prisioneiros, combatentes e civis envolvidos.

Algum tempo antes da 1ª Guerra Mundial, com o denominado Movimento da Cruz Vermelha, começaram a surgir as primeiras movimentações protetivas de direito humanitário. Por Cruz Vermelha compreende-se um movimento da comunidade internacional voltado à prestação de assistência humanitária, com objetivo de proteger a vida e a saúde das pessoas envolvidas em conflitos armados. Caracteriza-se a Cruz Vermelha por ser um movimento neutro e parcial, presente hoje na maioria dos países.

A Liga das Nações, por sua vez, criada em 1920, após 1ª Guerra Mundial,

teve por finalidade promover a cooperação, a paz e a segurança internacional. Segundo os doutrinadores, embora não tenha conseguido implementar seus objetivos tendo em vista a deflagração da 2ª Guerra Mundial anos mais tarde, a Liga das Nações constitui o “embrião da ONU”.

Por fim, merece menção a Organização Mundial do Trabalho (OIT), criada em 1919, com objetivo de instituir e promover normas internacionais de condições mínimas e dignas de trabalho.

de condições mínimas e dignas de trabalho . DIREITO HUMANITÁRIO conjunto de normas e de medidas
de condições mínimas e dignas de trabalho . DIREITO HUMANITÁRIO conjunto de normas e de medidas
DIREITO HUMANITÁRIO conjunto de normas e de medidas que objetivam proteger direitos humanos dos envolvidos
DIREITO
HUMANITÁRIO
conjunto de normas